Arquivo da tag: Christopher Tolkien

The Children of Húrin FAQ

The Children of HúrinO Tolkien Estate disponibilizou há algum tempo um excelente FAQ sobre o mais recente livro de J. R. R. Tolkien, The Children of Húrin. Este FAQ a Valinor traduziu e publicou abaixo, divirtam-se!
Quanto tempo Christopher Tolkien levou para produzir The Children of Húrin?
Sem os trabalhos prévios de Christopher Tolkien no papéis de seu pai – começando com O Silmarillion em 1977, e concluindo com o décimo-segundo volume da série The History of Middle-earth, The Peoples of Middle-earth, em 1996 – com certeza seria quase impossível para ele produzir uma versão tão completa e fiel como esta do conto sobre os filhos de Húrin. Como tal, este livro pode ser descrito como o ponto culminante de um trabalho de trinta anos.De acordo com Christopher, a estimativas mais precisa possível seria de que para compilar todo o material necessário foram necessários vários anos de um trabalho complexo, durante o curso completo de seus estudos sobre os papéis do pai.

Por que está sendo publicado agora?
Christopher Tolkien está publicando o livro neste momento por duas razões principais: porque ele acredita que é um ótimo exemplo da prosa de seu pai, e da qualidade de suas histórias; e porque, por se passar em uma era mais antiga da Terra-média, muito antes do período retratado em O Senhor dos Anéis, ele mostrará àqueles que apenas conhecem este trabalho e O Hobbit o quão ampla a História da Terra-média realmente é.E mais, sempre foi a principal preocupação de Christopher com relação aos escritos de J. R. R. Tolkien que estes fossem publicados de uma maneira apropriada ao seu tema e sua natureza essencial como literatura. O mundo da Terra-média é visto por muitos como um parque de diversões. A verdadeira natureza do mundo inventado por Tolkien e os temas e assuntos de suas histórias são freqüentemente sérios e sombrios, como The Children of Húrin irá mostrar.

 

Por que uma edição ilustrada?
Nós sempre admiramos o trabalho de Alan Lee, desde que ele foi contratado para ilustrar O Senhor dos Anéis no centenário de J. R. R. Tolkien. Enquanto preparava a história para publicação, Christopher decidiu que ter o livro ilustrado desde a primeira publicação iria ressaltar sua qualidade essencial como uma história ao invés de um trabalho acadêmico. 

Existem planos de se produzir edições similares dos outros dois “Grandes Contos” da mitologia de J. R. R. Tolkien?
Infelizmente, nem A Queda de Gondolin nem Beren e Lúthien foram desenvolvidos extensiva e suficientemente  por J. R. R. Tolkien para que podussem ser publicados de forma similar ao The Children of Húrin. Mesmo que fosse possível – por exemplo – fazer edições ilustradas destes contos, os textos existentes já foram publicados e continuariam incompletos. 

Posso eu/alguma pessoa escrever/completar/desenvolver a própria versão de um desses contos inacabados? (ou qualqer outro)
A resposta simples é NÃO.Você pode, claro, fazer o que quiser para seu próprio divertimento particular, mas não há qualquer possibilidade sobre qualquer exploração comercial desta forma de “ficção-de-fã”.

E mais, nestes dias de Internet, e de itens de colecionador produzidos por particulares à venda no eBay, devemos deixar tão claro quanto possível que o Tolkien Estate nunca autorizou e jamis autorizará a comercialização ou distribuição de quaisquer trabalhos deste tipo.

O Estate existe para defender a integridade dos escritos de J. R. R. Tolkien. O trabalho de Christopher Tolkien como o executor literário de seu pai foi sempre publicar de forma mais fiel e honesta possível as obras completas e incompletas de seu pai, sem adapatação ou embelezamento.

 

Há planos de se produzir um filme de The Children of Húrin?
Não há planos desta natureza em um futuro previsível.
Quanto / quais partes de The Children of Húrin já haviam sido publicadas?
Uma resposta rápida é que aproximadamente 75% da história aparecem de forma interrompida no Contos Inacabados. Também uma breve versão co conto pode ser encontrado em O Silmarillion e há variações de partes da história e referências a ela por toda a série History of Middle-earth, mais notavelmente nos volumes II, III, IV, V e XI.Há alguma razão para ler este livro se eu já li o Contos Inacabados / The Lays of Beleriand / etc ?
Isto fica a seu critério. Se você leu qualquer um ou todos as obras citadas acima, haverá pouco com o que se surpreender na história agora publicada. Contudo, você estará lendo uma história estanque do conto, construída com o prazer do leitor em mente, ao invés de dar uma explicação precisa e analítica de com a história evoluiu, e que é a forma utilizada em The History of Middle-earth. Dessa forma, você pode descobrir que o fluir da história trás um novo prazer e dimensão à sua leitura.

 

Como o The Children of Húrin de encaixa na mitologia de J. R. R. Tolkien? Onde ele se passa, relativamente a O senhor dos Anéis?
O Conto se passa durante a Primeira Era da Terra-média. Túrin nasceu no ano 464 desde o primeiro nascer do Sol após Morgoth ter destruído as duas ávores de Valinor, e morreu no ano 499.Isto seria 5000 anos após o acordar dos Elfos na Terra-média, e 978 anos após Fëanor ter completado as Silmarils. Os homens chegaram com o primeiro Nascer d Sol, e Beren e Lúthien, que se encontraram no ano de nascimento de Túrin, empreenderam sua busca pela Silmaril quando Túrin era um jovem rapaz.

Túrin morreu aproximadamente 100 anos antes do Afundar de Beleriand, que marcou o início da Segunda Era, a qual durou três milênios e meio. Sauron forjou o Um Anel durante o ano 1600 da Segunda Era. Bilbo encontrou Gollum no ano 2941 da Terceira Era, e a Sociedade foi formada em Valfenda no ano de 3018. O Um Anel foi destruído em 3019. Frodo, Bilbo, Gandalf e Elrond (que a esta época tinha 6500 anos de idade, tendo nascido 33 anos após a morte de Túrin) partiram da Terra-média em 3021, marcando o final da Terceira Era.

Então, você porvavelmente pode se basear nisso, e de qualquer forma é seguro dizer que o Conto dos Filhos de Húrin se passou “há muito tempo atrás”!

Uma discussão detalhada do registro do tempo na Primeira Era pode ser encontrado no Morgoth’s Ring e no The War of the Jewels, que são os volumes X e XI do The History of Middle-earth.

 

Qual a importância do conto dos filhos de Húrin nos escritos de J. R. R. Tolkien?
O conto era de grande importância pessoal para oautor, e provavelmente uma dos principais nascedouros para seu Legendarium. Ele trabalhou no conto durante toda sua vida, retornando a ele de nvo e de novo, e foi uma grande fonte de frustração para ele nunca ter conseguido completá-lo.É uma história da Terra-média de um modo literário completamente diferente de O Senhor dos Anéis, acontecentendo em um período diferente. Mas também se destaca de outros contos da Primeira Era por sua elaboração muito maior, e seu estudo de personagem. Nós acreditamos que ele é um trabalho de grande poder emocional e interesse trágico, a seu próprio modo.

 

Já existe uma versão em português?
Sim, publicada sob o título Os Filhos de Húrin, pela Publicações Europa-América. No Brasil saiu pela Martins Fontes em 2009.

Fonte do FAQ: Tolkien Estate (exceto última questão, que é original do tradutor)

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

The Children of Húrin entre os Melhores de 2007

The Children of Húrin foi eleito pelo Library Journal como um dos melhores lançamentos de 2007.

 

 

The Children of HúrinOs livros não estão em ordem de preferência é The Children of Húrin aparece citado desta forma:

Tolkien, J.R.R. The Children of Húrin. Houghton. editado por Christopher Tolkien. ISBN 978-0-618-89464-2. $26.
Iniciado em 1918, retrabalhado por Tolkien durante toda sua vida e colocado em sua forma final pelo filho Christopher, este conto de heroísmo trágico e terrível mal que se passa em uma Terra-média 6.000 anos antes de O Senhor dos Anéis é uma gloriosa adição ao cânon Tolkieniano. Chamando Peter Jackson.

Parabéns a Christopher Tolkien pelo ótimo e bem sucedido lançamento!

 

Fonte: Library Journal

 

Leia Mais: 

The Children of Húrin

Todos os Artigos sobre The Children of Húrin na Valinor  

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Christopher Tolkien

Christopher Reuel Tolkien (nascido em 21 de Novembro de 1924) é o filho mais novo do autor J. R. R. Tolkien (1892 – 1973) e mais conhecido como o editor da maior parte das obras de seu pai que foram publicadas postumamente. Ele desenhou os mapas originais para O Senhor dos Anéis, os quais ele assinou como C. J. R. T. com o J significando John, um nome de batismo que ele não usa normalmente.
Vida

Christopher Tolkien
Christopher Tolkien nasceu em Leeds, Inglaterra, o terceiro e mais novo filho de J. R. R. Tolkien. Ele estudou na Dragon School em Cherwell e depois na Oratory School. Devido a um problema de coração ele foi forçado a permanecer em casa e trabalhar com um tutor. Ele gosta de observar as estrelas com um telescópio e também é apaixonado por trens. Com a idade de 5 anos já estava preocupado com a consistência dO Hobbit.

“Da última vez você disse que a porta da frente de Bilbo era azul, e você disse que Thorin tinha um adorno dourado em seu capuz mas você acabou de dizer que a porta da frente de Bilbo era verde e que o capuz de Thorin era prateado.”
  – Christopher Tolkien, prefácio aO Hobbit
Christopher provou-se ser de imenso valor na correção dO Hobbit e ganhou dois pence por erro encontrado.
Juventude

 

Em Julho de 1943 ele entrou na Royal Air Force e em 1944 ele foi enviado para a África do Sul para receber treinamento de piloto. Sua ausência, contudo, não diminuiu suas contribuições aos trabalhos de seu pai uma vez que este continuamente lhe enviava trechos de O Senhor dos Anéis. Em 1945 ele retornou à Inglaterra e ficou comissionado em Shropshire e mais tarde no mesmo ano retornou a Oxford. Em 9 de Outubro de 1945 seu pai o informou que os Inklings desejavam considerá-lo como um membro permanente. A tarefa de ler O Senhor dos Anéis aos Inklings passou para Christopher  e era consenso geral que ele era melhor leitor que seu pai.

Idade Adulta

 

Em 1946 ele retornou ao Trinity College para concluir seus estudos e se graduar em Inglês. Por algum tempo seu tutor foi ninguém menos do que C.S. Lewis. Sua tese foi uma tradução de The Saga of King Heidrek the Wise (“A Saga do Rei Heidrek o Sábio”) e colou grau como bacharel em 1949. Christopher também se tornou um Lecturer (professor universitário iniciante) em Inglês Arcaico e Médio bem como em Islandês Arcaico em Oxford. Ele trabalhou como editor nos Contos da Cantuária (Canterbury Tales) de Chaucer, Tale de Pardoner e Prist’s Tale de Nun. De 1963 a 1975 ele foi um Fellow (professor sênior) do New College em Oxford, mas deixou o cargo quando começou a se dedicar aos assuntos literários de seu pai.

Por muito tempo ele foi parte da audiência crítica para os trabalhos de ficção de seu pai, primeiro como criança ouvindo os contos de Bilbo Bolseiro e depois como adolescente e adulto lendo e criticando O Senhor dos Anéis durante os 15 anos de sua gestação. Ele tinha a tarefa de interpretar os algumas vezes autocontraditórios mapas da Terra-média desenhados por seu pai, de forma a produzir as versões utilizadas nos livros, e ele redesenhou o mapa principal no final da década de 1970 para clarificar a escrita e corrigir alguns erros e omissões.

Em 2001 ele recebeu alguma atenção por sua posição contrária à trilogia O Senhor dos Anéis dirigida por Peter Jackson. Ele expressou suas dúvidas quanto a viabilidade de uma interpretação cinematográfica que conservasse a essência da obra, mas destacou que era apenas a sua opinião:

“…Eu reconheço que esta é uma questão artística complexa e discutível, e os rumores feitos de que eu ‘desaprovo’ os filmes, seja qual for sua qualidade cinematográfica, que chegaram a ponto de que desejei mal àqueles com os quais possa discordar, são totalmente sem fundamento” – Christopher Tolkien

 Apesar disso, em 2012, depois de um longo período sem fazer declarações à imprensa, Christopher Tolkien concedeu uma entrevista ao jornal francês Le Monde em que falou com profunda tristeza sobre a exploração excessivamente comercial do legado de seu pai e que acompanhou o sucesso da adaptação cinematográfica de Peter Jackson.
“Eles arrancaram as vísceras do livro [O Senhor dos Anéis], tornando-o um filme de ação para jovens entre 15 e 25 anos. E parece que O Hobbit será o mesmo tipo de filme. Tolkien tornou-se um monstro, devorado por sua própria popularidade e absorvido pelo absurdo da nossa época. Ampliou o abismo entre a beleza e a seriedade do trabalho, e o que ele se tornou. E já foi longe demais para mim. A comercialização reduziu o impacto estético e filosófico da obra a nada. Há apenas uma solução para mim: Virar meu rosto para outro lado”.

Família

A primeira esposa de Christopher, Faith (1928) se formou em Inglês em Oxford e tiveram um filho, Simon Tolkien. Simon é um advogado de tribunal (um barrister) e romancista. Um busto de Tolkien feito por Faith foi exibido na Royal Academy: Tolkien pagou para fazê-lo em bronze. Agora está na Biblioteca de Inglês de Oxford.

 

A segunda esposa de Christopher, Baillie (1941) é canadense e filha do cirurgião de Winnipeg Alan Klass e Helen Klass. Ela tem bacharelado em Inglês pela Universidade de Manitoda e mestrado em Oxford. Ela trabalhou como secretária de J.R.R. Tolkien e era responsável pela seção de poesia no índice de 1965 de O Senhor dos Anéis. Mais tarde ela editou The Father Christmas Letters (“As Cartas do Papai Noel”, lançado no Brasil em 2012 pela WMF Martins Fontes). Ela e Christopher têm dois filhos, Adam Tolkien e Rachel Tolkien.
Christopher Tolkien atualmente vive na França com sua segunda esposa.


Trabalho
Christopher Tolkien
J. R. R. Tolkien escreveu uma grande quantidade de material conectado à mitologia da Terra-média que não foi publicado durante sua vida. Embora originalmente ele pretendesse publicar O Silmarillion junto com O Senhor dos Anéis, e embora partes dele estivessem finalizadas, ele morreu em 1973 com o projeto incompleto.Após a morte de seu pai, Christopher Tolkien iniciou o projeto de organizar a enorme quantidade de notas de sue pai, algumas delas escritas em pedaços de papel com mais de cinqüenta anos. Muito do material era escrito a mão; freqüentemente uma cópia boa era escrita sobre um primeiro rascunho semi-apagado, e nomes de personagens rotineiramente mudavam entre o começo e fim do mesmo texto. Decifrar tudo isso era uma tarefa árdua, e possivelmente apenas alguém com experiência pessoal em J. R. R. Tolkien e a evolução de suas histórias poderia colocar ordem nos papéis. Christopher Tolkien admitiu que ocasionalmente tentou adivinhar qual a intenção de seu pai.Com o auxílio de Guy Gavriel Kay ele conseguiu compilar O Silmarillion em apenas quatro anos. Christopher Tolkien teve que tomar algumas decisões editoriais difíceis sobre a apresentação do material e algumas dessas decisões foram criticadas mais tarde, inclusive por si mesmo. Durante este tempo ele também editou as traduções de seu pai de Sir Gawain and the Green Knight (Sir Gawain e o Cavaleiro Verde, sem tradução em português) e Sir Orfeo. Ele também trabalhou no Nomenclature of The Lord of the Rings (Nomenclatura de O Senhor dos Anéis, sem tradução em português) que foi publicado inicialmente em 1975 como Guide to the Names in The Lord of the Rings (Guia para os Nomes em O Senhor dos Anéis, sem tradução em português) em A Tolkien Compass (Um Guia para Tolkien, sem tradução em português).

 

Foto de Christopher Tolkien aos 87 anos
Foto de Christopher Tolkien aos 87 anos

Christopher passou os anos seguintes continuando a estudar os trabalhos de seu pai e assumindo as responsabilidades do Tolkien Estate. Ele gravou trechos de O Silmarillion em 1977 e 1978 que foram lançados pelas Caedmon Records de Nova Iorque. Em 1979 ele escreveu sobre as ilustrações e desenhos de seu pai para a publicação nos calendários Tolkien e Pictures by J.R.R. Tolkien (Imagens por J.R.R. Tolkien, sem tradução em português) . De 1980 a 1983 Christopher editou Contos Inacabados, As Cartas de J.R.R. Tolkien, The Monsters and Critics and Other Essays (O Monstro e os Críticos e Outros Ensaios, sem tradução em português) e The Book of Lost Tales Part 1 (O Livro dos Contos Perdidos, sem tradução em português) que foi o primeiro volume da série The History of Middle-Earth, contendo doze volumes. Em 1998 ele editou uma nova edição de Tree and Leaf incluindo o poema Mythopoeia. Depois de um longo tempo, sua mais recente publicação seria a edição de The Children of Húrin (“Os Filhos de Húrin”, lançado no Brasil pela Editora Martins Fontes), lançada em 2007 e o último livro dedicado a contar uma história da Terra-média.

De lá para cá, Christopher Tolkien dedicou-se também a lançar obras de seu pai que não abarcavam a Terra-média, mas cujas fontes exerceriam enorme influência na criação de seu Legendarium. Dentre elas, C. Tolkien lançou em 2009 A Lenda de Sigurd & Gudrún (Martins Fontes), em 2013 A Queda de Artur (Martins Fontes) e em 2014 Beowulf: A Translation and Commentary (“Beowulf: Uma Tradução e Comentário”, em tradução livre e que também chegará ao Brasil pela Martins Fontes em 2015). Assim, pela paixão e admiração de Christopher Tolkien pela obra de seu pai e sua dedicação em preservá-la e divulgá-la, o mundo e os fãs de J. R. R. Tolkien podem conhecer hoje, e cada vez mais, o fantástico, incansável, e aparentemente infindável, trabalho do “Autor do Século”.

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Os Filhos de Húrin / The Children of Húrin

Os Filhos de Húrin (The Children of Húrin) é um romance de alta fantasia épica com origem em um
conto inacabado de J.R.R. Tolkien, que escreveu a versão original da
história no final da década de 1910, revisou-a inúmeras vezes depois
disso, mas não a completo até sua morte em 1973. Seu filho, Christopher
Tolkien, editou os manuscritos para formar uma narrativa consistente e
o publicou em 2007 como um trabalho independente.

 

 
Capa do Os Filhos de Húrin
Os Filhos de Húrin foi publicado em 17 de abril de 2007, pela HarperCollins no Reino Unido e Canadá, e pela Houghton Mifflin nos Estados Unidos. Alan Lee, ilustrador de outras obras de fantasia de J.R.R. Tolkien (O Hobbit e O Senhor dos Anéis) criou a sobrecapa, bem como as ilustrações internas do livro. Christopher Tolkien também incluiu um artigo sobre a evolução do conto, várias árvores genealógicas e um redesenho do mapa de Beleriand.

 
Pano de Fundo

A história e descendência dos personagens principais são dadas nos parágrafos iniciais do livro, e a história de fundo é elaborada nO Silmarillion. Ela começa 500 anos antes das ações do livro, quando Morgoth, um ser imortal encarnado possuindo grandes habilidades sobrenaturais e que é o poder maligno primevo, escada do Reino Abençoado de Valinor para o noroeste da Terra-média. De sua fortaleza de Angband ele iniciou a reconquista de toda a Terra-média, iniciando uma guerra com os Elfos que residiam mais ao sul, em Beleriand.

Contudo, os Elfos conseguiram resistir a seu ataque e a maioria dos reinos permaneceu sem ser conquistada; o mais poderoso destes sendo Doriath, governado por Thingol Capa-cinzenta. Em adição a isso, após algum tempo os Elfos Noldor deixaram Valinor e seguiram Morgoth até a Terra-média para se vingarem. Juntos com os Sindar de Beleriand, eles iniciaram um Cerco a Angband, e estabeleceram novas fortalezas e reinos na terra-média, incluindo Dor-lómin por Fingon, Nargothrond de Finrod Felagund e Gondolin de Turgon.

Após três séculos, os primeiros Homens apareceram em Beleriand. Estes eram os Edain, descendentes daqueles Homens que se rebelaram contra o governo dos servos de Morgoth e partiram para o oeste. A maioria dos Elfos lhes deu boas-vindas e a eles foram dados feudos em Beleriand. A Casa de Bëor governou sobre a terra de Ladros, o Povo de Haleth recuou para a floresta de Brethil e governo de Dor-lómin foi dado à Casa de Hador. Mais tarde outros homens adentraram Beleriand, os Orientais, muitos dos quais estavam em acordos secretos com Morgoth.

Eventualmente Morgoth conseguiu furar o Cerco de Angband na Batalha das Chamas Repentinas. A Casa de Bëor foi virtualmente destruída e os Elfos e Edain sofreram grandes baixas; contudo, muitos reinos permaneceram sem serem conquistados, incluindo Dor-lómin, onde o governo havia passado a Húrin Thalion.

 
 
Resumo

O livro Os Filhos de Húrin começa com um registro da chegada de Húrin e seu irmão Huor à cidade oculta de Gondolin. Após morarem lá por um ano, eles juraram jamais revelar a localização da mesma a ninguém e foi-lhes permitido partir para Dor-lómin. Lá Húrin se casou com Morwen Edhelwen e tiveram dois filhos, Túrin e Lalaith. O livro continua com a história da criação de Túrin, a morte prematura de Lalaith e a partida de Húrin para a guerra.

Na desastrosa derrota da Batalha das Lágrimas Incontáveis Húrin foi capturado vivo. O próprio Morgoth o torturou, tentando forçá-lo a revelar a localização de Gondolin mas, apesar de seus esforços, Húrin resistiu e mesmo debochou de Morgoth. Por isso Morgoth o amaldiçoou e a toda sua família.

Sob o comando de Morgoth os Ocidentais sobrepujaram Hithlum e Dor-lómin. Morwen, temendo a captura de seu filho, enviou Túrin ao reino de Doriath, por segurança. Logo depois Morwen deu a luz a uma segunda filhas, Nienor. Em Doriath, Túrin foi tomado como filho adotivo pelo Rei Thingol e se tornou um guerreiro poderoso, tornando-se amigo de Beleg Arco-forte, como um dos guardas das fronteiras. Contudo, após muitos anos Túrin causou a morte de um dos conselheiros de Thingol, o Elfo Saeros. Recusando a se desculpar por suas ações, Túrin foge de Doriath e entra nas terras ermas.

Túrin se uniu a um grupo de foras-da-lei, os Gaurwaith, e logo se tornou seu líder. Enquanto isso, Thingol descobriu as circunstâncias da morte de Saeros e  perdoou o ato de Túrin, enviando Beleg para procurá-lo. Ele teve sucesso em encontrar o bando, mas Túrin se recusou a retornar para Doriath. Beleg então partiu para participar das batalhas nas fronteiras norte de Doriath.

Algum tempo depois Túrin e seus homens capturaram Mîm o não, que resgatou sua vida conduzindo o bando às cavernas da colina de Amon Rûdh onde ele tinha sua morada.  Os foras-da-lei se entrincheiraram nas cavernas e logo Beleg retornou e se uniu a eles. O bando gradualmente se tornou mais ousado e bem sucedido na guerrilha contra as tropas de Morgoth, e Túrin e Beleg chegaram a estabelecer o reino de Dor-Cúarthol. Contudo, após alguns anos, Mîm os traiu, revelando o quartel-general do bando às forças de Morgoth. Os foras-da-lei foram vencidos, Túrin foi capturado mas Beleg escapou.

Túrin frente a Orodreth em Nargothrond
Beleg seguiu a companhia de Orcs, encontrando um Elfo mutilado, Gwindor de Nargothrond, no caminho. Eles encontram Túrin dormindo e solto de suas amarras, mas Túrin, pensando que um Orc veio atormentá-lo, mata Beleg antes de perceber seu erro. Gwindor conduz Túrin a Eithel Sirion, onde Túrin recupera o juízo, e mais tarde a Nergothrond. Lá Túrin obtém o favor do Rei Orodreth e o amor da filha deste, Finduilas. Após liderar os Elfos a consideráveis vitórias, ele se tornou o conselheiro chefe de Orodreth e virtual comandante de todas as forças de Nargothrond.

Contudo, após cinco anos Morgoth enviou uma grande força de Orcs sob o comando do dragão Glaurung e derrotou o exército de Nargothrond no campo de Tumhalad, onde tanto Gwindor quando Orodreth foram mortos. As forças de Morgoth saquearam Nargothrond e capturaram seus moradores. Em um tentativa de evitar isso, Túrin encontrou Glaurung, que enfeitiçou Túrin e o fez retornar a Dor-lómin para procurar sua mãe e irmão ao invés de resgatar Finduilas e os outros prisioneiros.

Quando Túrin retornou a Dor-lómin, ele descobriu que Morwen e Nienor já haviam fugido para Doriath. Em um ataque de fúria, Túrin incitou uma luta e teve que fugir novamente. Ele seguiu os captores de Finduilas até a floresta de Brethil, apenas para descobrir que ela havia sido morta pelos orcs quando os homens-da-floresta tentaram resgatá-la. Quase destruído por seu pesar, Túrin pediu asilo entre o Povo de Haleth, que mantinha uma resistência tenaz contra as forças de Morgoth. Em Brethil túrin se renomeou Turambar, "Senhor do Destino" em Alto-élfico, e gradualmente superou o Chefe Brandir.

Enquanto isso, Morwen e Nienor ouviram rumores dos feitos de Túrin em Nargothrond e tentaram encontrá-lo. Lá foram atacadas por Glaurung, que enfeitiçou Nienor de tal forma que ela esqueceu tudo enquanto Morwen se perdia. Eventualmente Morwen chegou a Brethil, onde foi encontrada por Turambar; sem perceber seu parentesco eles se apaixonaram e se casaram, apesar dos conselhos de Brandir.

Após algum tempo Glaurung partiu ao extermínio dos Homens de Brethil, mas Turambar o matou, perfurando por baixo enquanto este cruzava a ravina de Cabed-en-Aras. contudo, quando Turambar puxou a espada, o sangue envenenado de Glaurung escorreu por sua mão, fazendo-o ficar inconsciente. Nienor, grávida, encontrou Turambar caído inconsciente, e o moribundo Glaurung fez sua memória retornar. Percebendo com horror que seu marido era também seu irmão, ela se atirou do despenhadeiro próximo no rio Taeglin, e foi levada por este. Quando Turambar acordou e ouviu de Brandir que Nienor estava morta, o matou em sua fúria e mais tarde se jogou sobre sua própria espada.

A parte principal da narrativa termina com o enterro de Túrin. Anexo a este há um trecho extraído de As Andanças de Húrin, o próximo conto do legendarium de Tolkien. Este reconta como Húrin foi finalmente libertado por Morgoth e chegou ao túmulo de seus filhos. Ali encontrou Morwen, que também conseguiu encontrar o local, mas morria agora nos braços de seu marido, ao pôr-do-sol.

 

História do Conto

Uma breve versão da história forma a base do capítulo XXI dO Silmarillion, colocando o conto no contexto das guerras de Beleriand. Embora baseado nos mesmos textos utilizados para completar o novo livro, o Silmarillion deixa de fora grande parte do conto. Outras versões incompletas que foram publicadas em outros livros:

    * O Narn i Hîn Húrin no Contos Inacabados.
    * A série The History of Middle-earth (HoME), com destaque a:
          o Turambar e o Foalókë, do The Book of Lost Tales (HoME 1)
          o O Lay of the Children of Húrin, uma narrativa antiga em forma de poema.
          o Versões em prosa do Lay (ou Húrinssaga), eventualmente levando a versões mais antigas e alternativas do Narn e também ao Os Filhos de Túrin.

Nenhum destes textos forma uma narrativa completa e madura. O Os Filhos de Húrin publicado é uma síntese dessas fontas e de outros textos, inéditos até então.

 
 
Críticas 

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

HarperCollins lança edições luxo de Tolkien

HarperCollins inaugurou um novo site vendendo edições de luxo limitadas
de The Children of Húrin (Os Filhos de Húrin), de J.R.R. Tolkien. A
editora produziu 500 cópias do livro, assinadas e encapadas em couro,
que serão vendidas exclusivamente on-line pelo preço de £350
(aproximadamente R$ 1.300,00) em http://store.tolkien.co.uk.

 
The Children of Húrin, edição de luxoThe Children of Húrin, que Tolkien nunca completou em vida, foi retrabalhado e terminado por seu filho, Christopher Tolkien, e finalmente publicado em abril deste ano. Christopher Tolkien assinou cada uma das cópias limitadas, assim como o ilustrador, Alan Lee.
 
HC também produziu um novo conjunto de edições de luxo de O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion, cada uma das quais em uma caixa especial marcada com o símbolo do próprio Tolkien.

"Esta é uma notícia muito excitante para todos os fãs leais de J.R.R. Tolkien", disse o diretor de publicações David Brawn. "Nós acreditamos que haverá uma forte demanda por estes belos livros. Tolkien é um dos autores mais populares e duradouros do mundo, e estas edições de colecionador serão um fantástico presente aos amantes de livros".

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

A melhor resenha de "Os Filhos de Húrin"

Continuamos trazendo a você, nobre leitor da Valinor, o melhor publicado por enquanto sobre "Os Filhos de Húrin", o novo livro de J.R.R. Tolkien editado por seu filho Christopher. Confira abaixo uma das melhores resenhas publicadas por enquanto na imprensa internacional, feita pela revista eletrônica Salon.com. E aguarde a nossa resenha exclusiva em breve!

 


Senhor das ruínas

Christopher, filho de J.R.R. Tolkien,
passou mais de 30 anos montando fragmentos que seu pai deixou para
trás. Agora, os leitores podem descobrir o que aconteceu 6.000 anos
antes de Bilbo Bolseiro encontrar o Um Anel.

por Andrew o'Hehir

Depois de alguns capítulos da narrativa de "The Children of Húrin", o
livro mais ou menos novo mais ou menos escrito por J.R.R. Tolkien, um
carpinteiro aleijado chamado Sador contempla seu trabalho abandonado
com emoções misturadas. Sador é um servo fiel de Húrin, senhor da Casa
de Hador na terra de Dor-lómin, e estava esculpindo uma grande cadeira
para seu mestre. Mas, meses antes, Húrin cavalgou para uma batalha que
terminou em derrota terrível. Ele não retornou, e suas terras foram
conquistadas e pilhadas por forasteiros. Assim, Sador deixou de
trabalhar na cadeira, e ela "foi enfiada num canto, incompleta".

Enquanto tenta decidir se deve desmontar a cadeira e usá-la como lenha
no inverno, Sador conversa com Túrin, o filho pequeno de Húrin que logo
será mandado para o exílio e tornar-se-á o herói andante e amaldiçoado
dessa história sombria, sangrenta e apaixonante. "Perdi meu tempo", diz
Sador sobre sua longa labuta, "embora as horas parecessem agradáveis.
Mas todas as coisas desse tipo são de vida curta; e a alegria da
criação é seu único fim, imagino."

É impossível não ouvir John Ronald Reuel Tolkien repreendendo ou
consolando a si mesmo com essas palavras. Ao morrer, em 1973, Tolkien
deixou para trás as ruínas impublicáveis de um imenso conjunto de
literatura lendária, englobando uma história imaginária inteira do
mundo, da criação até épocas quase modernas. Os grandes episódios
heróicos dessa história – os elementos que ele considerava os mais
importantes – foram escritos apenas de forma sumária ou em fragmentos,
apesar de numerosas tentativas de transformá-los em prosa narrativa ou
poesia épica. Ele teve um sucesso acadêmico significativo como
lingüista e filólogo em Oxford, mas a maior parte de sua carreira
literária foi gasta desperdiçando energia em projetos que Tolkien nunca
completava. Ele era atormentado por bloqueios criativos, humores
sombrios e numerosas mudanças de rumo. Enfiou muitas cadeiras
incompletas num canto.

Tolkien ainda poderia ser recordado dessa maneira por algum grupelho
minúsculo de admiradores, se não fosse pela única parte de sua história
– na mente dele algo relativamente sem importância, tirado dos estágios
posteriores de seu "legendarium", mas que tinha um foco unicamente
íntimo e pessoal – que ele transformou numa narrativa de larga escala.
Tolkien tinha 62 anos quando publicou o primeiro volume de "O Senhor
dos Anéis", sua obra-prima de fantasia responsável por definir esse
gênero, e mais de 70 quando a popularidade explosiva do livro o tornou
rico e famoso. Não há como negar que a história do hobbit Frodo e de
seu pequeno grupo de companheiros, que encaram uma perigosa jornada com
o Um Anel de Sauron, o Senhor do Escuro, está entre os livros mais
queridos já publicados. Inevitavelmente, para a maioria de seus
leitores o enorme conjunto de tradições por trás do livro não passa de
um pano de fundo curioso, cheio de genealogias incompreensíveis,
línguas inventadas e nomes impronunciáveis.

Contudo, como bem sabe o universo de fãs viciados de Tolkien – um
universo que nem é tão pequeno, aliás – o autor tinha imaginado e
examinado cada detalhe de sua criação, de forma tão detalhada quanto
havia feito Ilúvatar, o equivalente de Javé que criou a Terra e deu
vida a Elfos e Homens. (A linguagem de Tolkien, assim como sua visão de
mundo, nunca é neutra em termos de gênero.) Nenhum autor de fantasia ou
de qualquer outro gênero jamais construiu um mundo com tanta densidade
histórica e lingüística; chega a parecer que esse imenso trabalho de
arquiteto exauriu Tolkien e, com exceção da narrativa de "O Senhor dos
Anéis", não lhe tenha sobrado energia para contar suas histórias.

Por mais de 30 anos, Christopher Tolkien, que trabalha como
testamenteiro literário de seu pai, tem revelado fragmentos e pedaços
do baú tolkieniano, quase como um ferreiro anão tentando reforjar uma
grande espada élfica a partir de agulhas e lascas espalhadas. Embora "O
Silmarillion" tenha sido um best-seller quando foi publicado em 1977,
por exemplo, só os fãs mais durões de Tolkien atravessaram seus
sumários secos e empolados de grandes feitos do passado distante. O
próprio Christopher Tolkien escreveu, com seu circunlóquio
característico, que "o estilo e forma de compêndio ou epítome de 'O
Silmarillion', com sua sugestão de eras de poesia e 'tradição' por trás
deles, evoca fortemente um senso de 'histórias não-contadas', mesmo
quando elas são contadas. A 'distância' nunca se perde. Não há urgência
narrativa, a pressão e o medo do evento imediato e desconhecido. Não
vemos as Silmarils do mesmo jeito que vemos o Anel."

Christopher Tolkien tem hoje 81 anos, a mesma idade que o pai dele
quando morreu, e pode-se imaginar que "The Children of Húrin" é sua
última e melhor tentativa de contar uma das grandes "histórias
não-contadas" de Tolkien em algo próximo a uma forma completa. Ele
trabalhou de forma contínua e árdua para reunir pedaços de manuscritos
que aparentemente recuam até 1918, quando Tolkien concebeu
originalmente a história, e que continuam quase até o fim da vida dele.
A história de Húrin de Dor-lómin, de seu filho Túrin e da luta fadada
ao fracasso dos dois contra Morgoth (o "Grande Inimigo" de Elfos e
Homens, senhor e mestre de Sauron) foi contada duas vezes antes,
primeiro em "O Silmarillion" e novamente no volume "Contos Inacabados"
(1980), editado por Christopher. Ela emerge aqui pela primeira vez como
um relato de aventura, com toda a sua urgência narrativa, medo do
desconhecido e personagens reconhecivelmente humanos.

"The Children of Húrin" vai empolgar alguns leitores e deixar outros
desanimados, mas vai surpreender quase todo mundo. Se você está
procurando a acessibilidade, o lado lírico e acima de tudo o otimismo
de "O Senhor dos Anéis", bom, é melhor ir lê-lo de novo. Não há hobbits
nem Tom Bombadil, nada de estalagens aconchegantes na beira da estrada
e muito pouca alegria à beira do fogo de qualquer tipo. Esta é uma
história cujo herói é culpado de traição e assassinato múltiplo, uma
história de estupro e pilhagem e incesto e ganância e gloriosas
batalhas que nunca deveriam ter sido travadas.

Se "O Senhor dos Anéis"
é uma história na qual o bem vence o mal, esta aqui caminha
inexoravelmente para o outro lado.
Embora os leitores casuais de "O Senhor dos Anéis" possam se assustar,
"The Children of Húrin" não exige nerdice nível Silmarillion. Qualquer
fã médio de Tolkien com apetite pelos cantos mais escuros e estranhos
de seu reino vai se deixar prender rapidamente pela saga sangrenta de
Húrin, que desafia o temido Morgoth e é torturado sem piedade, e Túrin,
o guerreiro lendário cujos grandes feitos arrastam tudo e todos que ele
ama para o desastre completo. Ou, pelo menos, vai se deixar prender se
conseguir atravessar as primeiras páginas.

Inicialmente, "The Children of Húrin" tem aquele estilo empolado de
Tolkien em seus momentos mais emperrados. Esta é a terceira sentença do
capítulo 1: "Sua filha Glóredhel desposou Haldir, filho de Halmir,
senhor dos homens de Brethil; e na mesma festa seu filho Galdor, o Alto
desposou Hareth, a filha de Halmir". (Aliás, nenhuma das pessoas nessa
sentença aparece de novo.) Eu ainda precisei consultar os mapas,
índices e apêndices completos e muito úteis de Christopher Tolkien de
vez em quando para recordar a nomenclatura geográfica e genealógica – e
voltei a "O Silmarillion" algumas vezes para entender o contexto
histórico – mas me incomodei cada vez menos com isso conforme as horas
passavam e a luta terrível de Túrin contra o mal interno e externo
ficava cada vez mais horrenda.

As aventuras de Túrin se passam na "Primeira Era" da Terra-média de
Tolkien, uns 6.000 anos antes de Bilbo Bolseiro achar o Um Anel, de
forma que, fora algumas referências a Sauron, o lugar-tenente de
Morgoth, quase não há intersecção entre essa história e "O Senhor dos
Anéis". (Eu disse quase; preste atenção!) Túrin nasce num mundo em
guerra, onde a antiga aliança de Elfos e Homens está perdendo terreno
gradualmente numa longa luta com Morgoth, o qual lançou de sua
fortaleza em Angband o equivalente do mundo antigo das armas de
destruição em massa.

Ele conjurou ou criou ou perverteu uma raça de
demônios letais chamados Balrogs (um dos quais aparece em "A Sociedade
do Anel") e revelou um grande dragão chamado Glaurung, cujas armas
incluem tanto o fogo quanto o diálogo sarcástico. (Ele é provavelmente
o pai ou o avô de Smaug, que Bilbo encontra em "O Hobbit".) Logo depois
que as forças de Húrin e os outros grandes exércitos de Elfos e Homens
são estraçalhadas por Morgoth na Nirnaeth Arnoediad ("a Batalha das
Lágrimas Incontáveis"), o mundo ocidental é engolfado pelo caos. (Ainda
estamos muito no começo do livro, e eu não citei nenhum grande spoiler.

Mas saia agora se não quiser mais detalhes da trama.) Uns poucos reinos
élficos ocultos continuam protegidos, incluindo a fortaleza de
Nargothrond, a cidade secreta de Gondolin e a floresta de Doriath – uma
espécie de precursora de Lothlórien em "O Senhor dos Anéis" -, mas os
reinos dos Homens são tomados pelas forças de Morgoth.
Mandado para longe de sua mãe e de sua irmã ainda não-nascida quando
garoto, Túrin se torna o filho adotivo de Thingol, o rei élfico de
Doriath, e torna-se um guerreiro feroz quando adulto.

Mas elfos
imortais e homens mortais não se misturam com facilidade, e nem
Thingol sabe que Morgoth, que está mantendo aprisionado o desafiador
Húrin, colocou a família inteira do herói sob uma maldição horrenda.
Morgoth, aliás, não é só aquele típico demônio de romance de fantasia –
na origem, ele era o maior dos Ainur, os espíritos divinos que cantaram
com Ilúvatar e criaram o mundo. "A sombra do meu propósito jaz sobre
Arda [a Terra]", diz Morgoth, "e tudo o que está nela se inclina lenta
e certamente à minha vontade."

Ao contrário de Sauron em "O Senhor dos Anéis", o Morgoth de "The
Children of Húrin" aparece como um ser físico malévolo mas sofisticado,
tal como os deuses da mitologia grega e nórdica aparecem para os seres
humanos. De fato, toda essa história apresenta uma visão sombria e
visceral da vida, muito mais próxima do fatalismo dos antigos mitos
europeus do que do bom-senso rural e inglês dos hobbits, que funciona
como base moral de "O Senhor dos Anéis".

Parte disso vem do fato de que "The Children of Húrin" é principalmente
uma história sobre seres humanos, sempre as figuras moralmente mais
ambíguas do universo de Tolkien. Embora seja claramente o herói da
história e um grande guerreiro de sua época, Túrin não pode ser
descrito adequadamente como bom ou mal. Como Édipo ou Siegfried ou o
herói do épico finlandês "Kalevala" (um dos modelos de Tolkien), ele é
definido pela nuvem escura do destino que jaz sobre ele. É amaldiçoado
por um poder grande demais para ser derrotado ou eludido, mas seu
próprio temperamento só torna as coisas piores, como uma mosca que se
sacode numa teia de aranha.

Ele é arrogante, cabeça-dura, de
temperamento explosivo e inclinado à violência, e os que o amam e se
tornam seus amigos são sugados por seu vórtex sombrio.
Túrin torna-se um famoso amigo-dos-elfos e matador dos Orcs de Morgoth;
no fim do livro, realiza um ato de heroísmo lendário, o tipo de coisa
sobre a qual as pessoas ainda estavam cantando baladas na época de
Frodo. Mas, ao longo do caminho, ele também se torna um fora-da-lei que
tolera banditismo e brutalidade entre seus homens, um conselheiro
prestigioso cujas palavras só levam à perdição, um homem que mata um de
seus melhores amigos e depois rouba o amor de seu outro amigo. (É claro
que ela acaba se revelando exatamente a mulher errada para ele,
responsável por selar seu destino.) Não fica muito claro se Morgoth
realmente precisa amaldiçoar esse sujeito; ele faz um serviço muito bom
ao amaldiçoar a si mesmo a cada passo.

Terminei "The Children of Húrin" com um apreço renovado pelo fato de
que a narrativa de Tolkien é muito mais ambígua em tom do que
normalmente se nota. Como já se disse várias vezes, ele era um católico
devoto que tentou, com sucesso imperfeito, harmonizar a violenta
cosmologia pagã por trás de seu universo imaginativo com a crença numa
salvação cristã. A salvação parece muito distante em "The Children of
Húrin". O que fica em primeiro plano é aquela sensação tolkieniana
persistente de que o bem e o mal estão travando uma luta maniqueísta
não-resolvida com fronteiras amorfas, e que o mundo é um lugar de
tristeza e perda, cujos habitantes humanos freqüentemente são os
agentes de sua própria destruição.

Yiddish Policeman’s Union, O Hobbit, O Senhor dos Anéis, Preacher, O Silmarillion, Cristianismo Puro

Estudo “The History of The Hobbit”: Lançamento em 8 de Maio

“The History of The Hobbit” ou “A História dO Hobbit” é um novo estudo do livro “O Hobbit”, de J. R. R. Tolkien, a ser lançado em dois volumes, o primeiro dia 8 de maio e o segundo em 4 de junho. Eles conterão os até então inéditos rascunhos do livro, acompanhados por comentários escritos por John D. Rateliff. Também detalhará as várias revisões feitas por Tolkien nO Hobbit, incluindo revisões abandonadas para a terceira edição do livro, planejada para 1960, bem como mapas originais inéditos e ilustrações do próprio Tolkien.
hoh_1
O primeiro volume é intitulado “The History of The Hobbit: Volume I: Mr. Baggins” (algo como “A História dO Hobbit: Volume 1: Sr. Bolseiro”) e conterá a primeira metade do material rascunhado por Tolkien para “O Hobbit”, comentado. Será lançado em 8 de maio de 2007. O segundo volume tem o título “The History of The Hobbit: Volume II: Return to Bag-End” (ou “A História dO Hobbit: Volume 2: Retorno a Bolsão”), contendo a segunda metade dos rascunhos e está agendada para 4 de junho de 2007.

 

“The History of Middle-earth” e “The History of The Hobbit”

Quando Christopher Tolkien começou a publicar a série “The History of Middle-earth”, uma coleação de doze volumes documentando o processo criativo de J. R. R. Tolkien na elaboração da Terra-média, com textos datando de 1920 a 1970, ele tomou a decisão consciente de não lançar nenhum volume contendo detalhes da criação dO Hobbit. De acordo com ele, O Hobbit originalmente não tinha intenção de ser parte do universo da Terra-média e foi anexado ao legendário mais antigo e mais sério de seu pai apenas superficialmente, embora a existência dO Hobbit tenha alterado para sempre o legendário. O tom dO Hobbit é muito mais leve e mais apropriado às crianças do que os demais textos de Tolkien.

Assim, como Christopher Tolkien não iria publicar um estudo dO Hobbit, a tarefa foi delegada a Taumhoh_2 Santoski na década de 1980. Santoski possuía conexões com a coleção Marquette de material de Tolkien,  que é onde os manuscritos originais estão. Ele morreu em 1991 e a tarefa ficou a cargo de John Rateliff. Embora Christopher Tolkien não tenha trabalhado diretamente no “The History of The Hobbit”, o trabalho é bastante similar à “arqueologia literária” de seu “The History of Middle-earth”.

Rateliff enviou um rascunho do livro terminado pata Christopher Tolkien que, aprovando o trabalho, deu ao “The History of The Hobbit” sua benção pessoal para que fosse publicado em conjunto com as demais obras de seu pai.

Links de Interesse:

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Mimos para os primeiros compradores de "The Children of Hurin"

Para o lançamento mundial de "The Children of Hurin", a Tolkien Society e a livraria Waterstone's oferecerão um mimo para os primeiros 50 compradores do livro: as cópias virão assinadas por Christopher Tolkien.
 
 
Outro agrado para os fãs é a presença de Alan Lee, que assinará livros das 10 da manhã até às 3 da tarde. O lançamento também contará com a presença de Bernard Hill (que interpretou Théoden na trilogia O Senhor dos Anéis), fazendo uma leitura do primeiro capítulo do livro.
 

Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média

"Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média" (Unfinished Tales of Númenor and Middle-earth) foi publicado pela primeira vez em 1980, sete anos após a morte de Tolkien. Como o título indica, o livro abriga diversas narrativas que não estão concluídas, seja por realmente chegarem a um final abrupto, com indicações vagas de como a história continuaria a partir dali, seja por possuírem diversas versões conflitantes, sem que Tolkien tivesse optado definitivamente por nenhuma delas.
 
 

E é justamente esse um dos grandes charmes de "Contos Inacabados": o livro permite que o leitor descubra a riqueza do gênio criativo de Tolkien e sua obsessão pela perfeição nos mínimos detalhes. O escritor que vemos nos "Contos" é alguém que tem uma relação dinâmica, viva e nem um pouco estática com sua criação, refinando aqui e ali com a delicadeza de um ourives, criando para seus personagens diversas origens e "tradições" que contam sua história. A semelhança com uma mitologia "verdadeira", criada por um povo em séculos de tradição oral, é impressionante: como os grandes mitos gregos, as lendas tolkienianas são riquíssimas em variantes e mutações no decorrer do tempo.

Mas o outro grande atrativo dos "Contos" é a variedade de cenários, e as informações reveladas sobre personagens e ambientes até então obscuros. O livro está dividido em seções correspondentes às Três Eras da Terra-média, com narrativas ligadas a essas respectivas épocas, além de uma última seção com temas diversos. Na Primeira Era, o leitor encontra as histórias de Tuor e de sua chegada a Gondolin, bem como a de Túrin Turambar, ambas com incrível riqueza de detalhes se comparadas aos capítulos de "O Silmarillion" que tratam dessas mesmas personagens.

Na seção dedicada à Segunda Era, temos a única narrativa em prosa sobre Númenor em seu apogeu que conseguiu sobreviver à Queda, além da "História de Galadriel e Celeborn", texto que fornece uma visão ampla do desenvolvimento da rainha de Lórien como personagem, além de informações extremamente interessantes sobre Amroth e Nimrodel. Na Terceira Era, o panorama é ainda mais vasto e fascinante: a história da morte de Isildur, o início da amizade entre Gondor e Rohan, o relato de Gandalf explicando como ele convenceu Thorin a aceitar Bilbo para a jornada até Erebor. Finalmente, a seção final conta com ensaios fantásticos sobre os Drúedain, os homens selvagens que ajudaram Théoden em sua jornada para Gondor, sobre os Istari (os Magos) e os poderes e funcionamento dos palantíri.

"Contos Inacabados", assim como "O Silmarillion", possui amplo indíce onomástico, além de notas escritas por Christopher Tolkien. O livro vem com o mapa da Terra-média que aparece em "O Senhor dos Anéis", além do único mapa da ilha de Númenor feito por Tolkien. Já existe a edição portuguesa dos "Contos", da Editora Europa-América, e a Editora Martins Fontes está prometendo uma versão brasileira do livro para 2001.

Os Rios e Faróis das Colinas de Gondor

Rios e Fárois de Gondor, com comentários sobre os Numerais Eldarin, de um ensaio não publicado no HoME 12 por falta de espaço

Editado por Carl F. Hostetter
Com comentário e materiais adicionais
fornecidos por Christopher Tolkien
Textos de J.R.R. e Christopher Tolkien ©2001 The Tolkien Trust

Introdução
Este ensaio histórico e etimológico intitulado apenas “Nomenclatura”
por seu autor, pertencente entre outros trabalhos semelhantes que
Christopher Tolkien datou de c. 1967-69 (XII.293-94), incluindo Of
Dwarves and Men, The Shibboleth of Feanor, e The History of Galadriel
and Celeborn, e que foram publicados, por completo ou em parte, em
Contos Inacabados e The Peoples of Middle-earth. De fato, Christopher
Tolkien mostrou numerosos trechos desta composição em Contos
Inacabados. Ele preparou uma apresentação mais completa do texto para
The Peoples of Middle-earth, mas foi omitido daquele volume devido ao
tamanho.

Christopher Tolkien forneceu-me amavelmente tanto o
texto completo da composição quanto sua própria versão editada e
planejada para The Peoples of Middle-earth. Esta edição, sendo
destinada ao público em geral e feita com restrição de espaço,
naturalmente omite um número maior de passagens técnicas e/ou
filológicas discursivas e notas. Editando o texto para o público mais
especializado de Vinyar Tengwar, claro que restabeleci tal assunto
filológico todo. Eu também retive, com seu cortês consentimento, tanto
o próprio comentário de Christopher Tolkien na composição como
praticável (claramente identificado como tal ao longo dela), como provi
algum comentário adicional e notas próprios, principalmente em assuntos
lingüísticos. Além de Christopher Tolkien, eu gostaria de estender
minha gratidão a John Garth, Christopher Gilson, Wayne Hammond,
Christina Scull, Arden Smith, e Patrick Wynne, todos quem leram este
trabalho em rascunho e me apoiaram com muitos comentários úteis e
correções.

O ensaio consiste em treze páginas
datilografadas, numeradas de 1 à 13 por Tolkien. Uma rasgada pela
metade e sem número que continha uma nota manuscrita entitulada
“Complicado demais” (contendo e referindo-se a um longo, discursivo
debate do sistema numérico Eldarin, em particular a explicação do
número 5) foi colocada entre as páginas 8 e 9. Outra folha sem número
segue a última página, contendo uma nota manuscrita no nome Belfalas
(que é parafraseada em CI:281). Todas essas folhas são vários
formulários de escritório da George Allen & Unwin, com os escritos
de Tolkien limitados aos lados em branco, exceto no caso da última
folha. Aqui, o lado impresso foi usado para o rascunho manuscrito do
Juramento de Cirion em Quenya (já muito perto da versão publicada; cf.
CI:340) que foi continuado no topo (relativo à impressão) do lado em
branco. A nota em Belfalas é escrita com a folha de ponta a cabeça (do
rascunho em relação ao impresso).

Sobre a origem e data
deste ensaio, escreve Christopher Tolkien: “Em 30 de junho de 1969 meu
pai escreveu uma carta ao Sr. Paul Bibire, que havia escrito a ele uma
semana antes contando-lhe que tinha passado no exame para Bacharel de
Filosofia em Inglês Antigo em Oxford; ele demonstrava um certo
desapontamento com seu sucesso, alcançado apesar da negligência de
certas partes do curso que ele achou menos atraente, e particularmente
os trabalhos do antigo poeta inglês Cynewulf (ver Sauron Defeated, pág.
285 nota 36). Ao término de sua carta Sr. Bibire disse:
´Conseqüentemente, há algo sobre o que eu tenho desejado saber desde
que eu vi a adição relativa à segunda edição [de O Senhor dos Anéis]:
se o Rio Glanduin é o mesmo que ‘Cisnefrota’ (para a referência ver
Sauron Defeated, pág. 70 e nota 15)”. Christopher Tolkien proveu as
porções referentes a resposta de seu pai (que não foi incluída na
coleção de cartas editadas com Humphrey Carpenter):¹

Foi
amável da sua parte escrever para mim novamente. Eu estava muito
interessado em notícias suas, e muito solidário. Eu achei e acho o caro
Cynewulf um caso lamentável, porque é digno de lágrimas que um homem
(ou homens) com talento em tramar as palavras, o qual deve ter ouvido
(ou lido) tanto agora perdido, tenha gasto seu tempo compondo coisas
tão sem inspiração.² Também em mais de uma vez em minha vida eu
arrisquei minhas perspectivas por negligenciar coisas que não achei
divertidas naquela oportunidade!…

Eu sou agradecido a você
por mostrar o uso de Glanduin no Apêndice A, SdA III, pág. 319.³ Eu não
tenho nenhum índice dos Apêndices e tenho que fazê-lo. O Glanduin é o
mesmo rio que o Cisnefrota, mas os nomes não estão relacionados. Eu
noto no mapa com correções que estão para ser feitas na edição nova a
aparecer ao término deste ano que este rio está marcado por mim como
Glanduin e várias combinações com alph ´Cisne´.4 O nome Glanduin
significa ´rio da fronteira´, um nome dado desde a Segunda Era quando
ele era a fronteira meridional do Eregion, além do qual estavam os
povos hostis de Dunland. Nos primeiros séculos dos Dois Reinos,
Enedwaith (Povo do Meio) era uma região entre o reino de Gondor e o
reino de Arnor, em vagaroso estado de desaparecimento (incluiu
Minhiriath originalmente (Mesopotamia)). Ambos os reinos compartilhavam
um interesse na região, mas estavam principalmente preocupados com a
manutenção da grande estrada que era o meio principal de comunicação
com exceção do mar, e a ponte a Tharbad. O povo de origem Númenoriana
não viveu lá, exceto em Tharbad, onde uma guarnição grande de soldados
e guardiões de rio foram mantidas uma vez. Naqueles dias haviam
trabalhos de drenagem, e foram fortalecidos os bancos do Hoarwell e
Greyflood. Mas nos dias de O Senhor dos Anéis a região tinha a muito
ficado em ruínas e retornado a seu estado primitivo: um rio largo lento
correndo através uma cadeia de pântanos e charcos: o abrigo de hóspedes
como cisnes e outros pássaros aquáticos.

Se o nome Glanduin
ainda fosse lembrado ele só se aplicaria ao curso superior onde o rio
corria rapidamente para baixo, tão logo se perdesse nas planícies e
desaparecesse nos pântanos. Eu acho que eu posso manter Glanduin no
mapa para a parte superior, e marcar a parte mais baixa como os
pântanos com o nome Nîn-em-Eilph (terras aquáticas dos Cisnes) que
explicará o rio Cisnefrota adequadamente SdA III.263.5
Alph
´Cisne´ ocorre até onde eu me lembro só no SdA III, pág. 392.6 Não
poderia ser Quenya, já que ph não é usado em minha transcrição de
Quenya, e Quenya não tolera consoantes finais diferentes das dentais,
t, n, l, r depois de uma vogal.7 Quenya para ´Cisne´ era alqua (alkw�?).
O ramo “Céltico” do Eldarin (Telerin e Sindarin) mudou kw > p, mas
não, como Céltico, alterou p original.8 O tão alterado Sindarin da
Terra-Média mudou as consoantes paradas para fricativas depois de l, r,
como fez o Galês: assim *alkw�? > alpa (Telerin) > S. alf (grafado
alph em minha transcrição).

Ao término da carta Tolkien adicionou um pós-escrito:

Eu me recuperei muito – embora já tenha passado um ano que me
acidentei.9 Agora eu posso caminhar quase que normalmente, até duas
milhas ou mais (ocasionalmente), e ter um pouco de energia. Mas não
bastante para enfrentar um composição contínua e o interminável
“aprimoramento” de meu trabalho.

No cabeçalho do presente
ensaio, Tolkien escreveu “Nomenclatura”, seguido por: “Rio Cisnefrota
(SdA edição rev., III 263) e Glanduin, III Apên. A. 319 “; e então por:
“Examinado por P. Bibire (carta 23 de junho de 1969; resp. 30 de
junho). Como mais brevemente declarado em minha resposta: Glanduin quer
dizer ´rio da fronteira´”. O ensaio é deste modo visto como uma
expansão e elaboração das observações em sua resposta.

Os nomes dos Rios

O ensaio começa com o longo excerto e nota do autor dados em CI:298-99
(e assim não reproduzido aqui). Umas poucas variações entre o texto
publicado e o datilografado são dignos de nota: onde o texto publicado
tem Enedwaith, o datilografado lê Enedhwaith (esta era uma mudança
editorial feita em todos os excerto deste ensaio que contém o nome em
Contos Inacabados; cf. XII:328-29 n. 66); e onde o texto publicado tem
Ethraid Engrin, o datilografado tem Ethraid Engren (mas note (Ered)
Engrin, V.348 s.v. ANGÄ€-, V.379 s.v. ÓROT-, e muitos outros lugares).
Além disso, uma oração que se refere ao porto antigo chamada Lond Daer
Enedh foi omitida antes da última oração da nota do autor em CI:298;
lê-se: “Era a entrada principal para os Númenorianos na Guerra contra
Sauron (Segunda Era 1693-1701)” (cf. SdA:1147; e CI:268, 295-99).
Também, de encontro a discussão da aproximação para Tharbad que fecha o
primeiro parágrafo em CI:298, Tolkien forneceu a referência cruzada em
“SdA I 287,390 “.10Seguindo a passagem que termina no
início de CI:298, o ensaio continua com esta discussão etimológica, com
referência ao nome Glanduin:

glan: base (G)LAN, ´beira,
ponta, borda, fronteira, limite´. Isto é visto em Q. verbo lanya
´limitar, cercar, separar de, marcar o limite de; lanwa ´ dentro dos
limites, limitado, finito, (bem-)definido´; landa ´uma fronteira´; lane
(lani-) ´margem´; lantalka ´ posto ou marco de fronteira´; cf. também
lanka ´beirada acentuada, final súbito´, como por exemplo uma
extremidade de precipício, ou a extremidade polida de coisas feitas ou
montadas à mão, também usada em sentidos figurados, como em
kuivie-lankasse, literalmente ´na beira da vida´, de uma situação
perigosa na qual é provável resultar em morte.

É debatido se
gl- era um grupo inicial em Eldarin Comum ou era uma inovação de
Telerin-Sindarin (muito estendido em Sindarin). Neste caso, de qualquer
maneira, o gl- inicial é compartilhado por Telerin e Sindarin e é
encontrado em todos os derivado nesses idiomas (exceto em T. lanca, S.
lane, os equivalentes de Q. lanka): T. glana ´extremidade, borda´; 11
glania – ´confinar, limitar´; glanna ´limitado, confinado´; glanda ´uma
fronteira´: S. glân, ´bainha, borda´ (de tecidos e outras coisas feitas
à mão), gland > glann ´fronteira´; glandagol ‘marco de fronteira’;
12 gleina- ´fronteira, cerca, limite´. 13

Tolkien então
comenta: “Os nomes dos Rios dão algum trabalho; eles foram feitos às
pressas sem exame suficiente”, antes de embarcar sobre uma consideração
para cada nome por vez. Partes significantes desta seção do ensaio
foram fornecidas em Contos Inacabados. Não são repetidas as passagens
longas aqui, mas seus lugares estão indicados no ensaio.

Adorn

Este não está no mapa, mas é dado como o nome do rio pequeno que flui
no Isen vindo do oeste de Ered Nimrais no Apên. A, SdA III 346.14 Ele
é, como seria esperado em qualquer nome na região de origem
não-Rohanense, de uma forma adequado ao Sindarin; mas não é
interpretável em Sindarin. Deve-se supor que seja de origem
pré-Númenoriana adaptado ao Sindarin.15

Deste apontamento,
Christopher Tolkien nota: “Na ausência do nome no mapa – referindo é
claro ao meu mapa original de O Senhor dos Anéis, o qual foi
substituído muito tempo depois pelo redesenhado, feito para acompanhar
Contos Inacabados – ver CI:295, nota de rodapé “.

Gwathló

Do próximo apontamento, entitulado “Gwathlo (-ló)�?, Christopher Tolkien
escreve: “A longa discussão que surge sobre este nome é encontrada em
CI:294-95, com a passagem relativa a mudança dos homens Púkel e citada
na seção no Drúedain, CI.423-424. Na passagem posterior a oração
‘Talvez até mesmo nos dias da Guerra do Anel alguns do povo de Drú
permaneceram nas montanhas de Andrast, além da parte ocidental das
Montanhas Brancas’ contém uma mudança editorial: o texto original tem
´as montanhas de Angast (Cabo Longo)´, 16 e a forma Angast acontece
novamente mais de uma vez no ensaio. Esta mudança foi baseada na forma
Andrast comunicada por meu pai à Pauline Baynes para inclusão, com
outros novos nomes, em seu mapa ilustrado da Terra-Média; ver CI:294,
nota de rodapé”. Uma mudança editorial adicional pode ser notada: onde
o texto publicado tem Lefnui (CI:296, repetidos na nota extraída sobre
os homens Púkel, CI.423) o datilografado lê Levnui; cf. o apontamento
para Levnui está adiante.
Uma nova nota sobre “o grande
promontório… que formou o braço norte da Baía de Belfalas” lê:
“Depois ainda chamado Drúwaith (Iaur) ´(Velha) terra Pukel´, e seus
bosques escuros eram pouco visitados, nem considerado como parte do
reino de Gondor” Também, uma oração cancelada por Tolkien segue
“árvores enormes… sob as quais os barcos dos aventureiros rastejavam
silenciosamente para a terra desconhecida�?, lê: “É dito que até alguns
nesta primeira expedição vieram tão longe quanto os grandes pântanos
antes que eles retornassem, temendo ficar desnorteados em seus
labirintos.�?
A discussão continuou originalmente com a nota etimológica seguinte, cancelada ao mesmo tempo que a oração apagada:

Então era aquele o rio chamado em Sindarin Gwathlo (em Adunaico
Agathurush) ´rio da sombra´. Gwath era uma palavra Sindarin de uma base
do Eldarin Comum Wath ou Wathar estendido. Era muito usado; embora o
referente em Quenya waþar , mais tarde vasar, não estava em uso
diário.17 O elemento -lo também era de origem Eldarin Comum, derivado
de uma base (s)log: em Eldarim Comum sloga tinha sido uma palavra usada
para rios de tipos variáveis e sujeitos a alagarem seus bancos nas
estações e causarem inundações quando cheios por chuvas ou derretimento
de neve; principalmente como o Glanduin (descrito acima) que tinha sua
origem nas montanhas e desaguava à princípio rapidamente, mas era
contido nas terras mais baixas e planas, *sloga se tornou em Sindarin
lhô; mas não era em tempos mais recentes usado exceto em rios ou nomes
de pântanos. A forma Quenya teria sido hloä.

Esta passagem
contém uma nota, também cancelada, no nome Ringló, ocorrendo depois de
“Sindarin lhô” e citada na discussão daquele apontamento adiante.

A passagem apagada foi substituída por aquela dada em CI:296 começando
em “Então o primeiro nome que eles deram a ele foi ´Rio da Sombra´,
Gwath-hîr, Gwathir “. Pode ser notado que o palavra lo nesta passagem
foi corrigida no texto datilografado por lhô. Uma nota no nome Ringló,
omitida da passagem em Contos Inacabados, acontece depois das palavras
“Gwathlo, o rio sombrio dos pântanos”. Para esta nota, e seu
desenvolvimento, veja o apontamento para Ringló adiante. Depois desta
nota, uma declaração etimológica intervém antes do último parágrafo do
excerto publicado em Contos Inacabados:

Gwath era uma
palavra em Sindarin Comum para ´sombra´ ou meia-luz – não para as
sombras de objetos reais ou pessoas causadas por sol ou lua ou outras
luzes: estas eram chamadas morchaint ´formas-escuras´.18 Eram derivadas
de uma base Eldarin Comum WATH, e também aparecia em S. gwathra-
´obscureça, escureça, oculte, obscure´; gwathren (pl. gwethrin)
´sombrio, turvo´. Também relacionado era auth ‘uma forma escura,
aparição espectral ou vaga’, de *aw´tha. Esta também era encontrada no
Quenya auþa, ausa de sentido semelhante,; mas por outro lado a raiz só
era representada em Quenya pela extensão waþar, vasar ´ um véu´,
vasarya – ´velar´.

Lô foi derivado da base Eldarin Comum LOG
´molhado (e mole), ensopado, pantanoso, etc.´ A forma *loga produziu S.
lô e T. loga; e também, de *logna, S. loen, T. logna ´encharcando de
água, alagado´. Mas a raiz em Quenya, que devido a mudanças sonoras
causaram seus derivados a não combinar com outras palavras, era pouco
representada exceto na forma intensiva oloiya – ‘inundar, alagar’;
oloire uma grande enchente´.

Sobre as palavras “que devido a
mudanças sonoras causaram seus derivado a não combinar com outras
palavras” Tolkien adicionou esta nota:

Assim a forma Quenya
do S. lô teria sido *loa, idêntica a Q. loa <*lawa ´ano´; a forma de
S. loen, T. logna teria sido *lóna idêntico a lóna ´charco, lagoa´ (da
base LON também vista em londe ‘porto’, S. land, lonn).

Erui

Embora este fosse o primeiro dos Rios de Gondor, o nome não quer dizer
‘primeiro’. Em Eldarin er não era usado para contagem em série:
significava ‘um, único, sozinho’. Erui não é Sindarin habitual para
‘único, só’: que era ereb (

Sobre as palavras “o fim adjetival muito comum -ui de Sindarin” Tolkien adicionou esta nota:

Este era usado como um fim adjetival geral sem significado específico
(como por exemplo em lithui ‘de cinza’, ou ‘pálido, cor de cinza,
cinzento, empoeirado’). É de origem incerta, mas provavelmente foi
derivado do adjetival Eldarin Comum -ya que quando adicionado a
substantivos-raízes que terminam em E.C. -o, -u produziria em Sindarin
-ui. Este sendo mais distinto foi transferido então para outras raízes
gramaticais. Os produtos de �?ya > oe, e de ăya, ĕya, ĭya > ei;
�?ya, Å­ya > æ, e, não foram preservados em Sindarin.19 Mas -i que
poderia vir de Ä“ya e de Ä«ya, também permaneceu em uso(mais limitado);
cf. Semi adiante. A transferência é exemplificada nos ordinais que em
Sindarin foram formados com -ui de ‘quarto’ em diante, entretanto -ui
só estava historicamente correto em othui ‘sétimo’ e tolhui ‘oitavo’.
‘Primeiro’ era em Sindarin mais antigo e mais literário mein (Q.
minya); mais tarde minui foi substituído [cancelado: no idioma
coloquial; tadeg ‘segundo’; neleg ‘terceiro’]; então cantui (canhui)
‘quarto’, encui, enchui20 ‘sexto’, nerthui ‘nono’ [cancelado: caenui21
‘décimo’], etc. ‘Quinto’ ver adiante no nome Lefnui.

Serni

Christopher Tolkien escreve: “A declaração sobre este nome é dada no
�?ndice de Contos Inacabados, mas com uma errata que nunca foi
corrigida: a palavra Sindarin para ‘seixo’ é sarn, não sern “. Na
oração de abertura lê-se: “Uma formação adjetival do S. sarn ‘pedra
pequena, seixo (como descrito acima), ou um coletivo, o equivalente em
Q. sarnie (sarniye) ‘telha, seixo de rio”. Em uma nova oração, vinda
antes de “Sua foz era bloqueada com seixos” lê-se: “Foi o único dos
cinco a entrar no delta do Anduin “.

Sirith

Isto simplesmente significa ‘um rio’: cf. tirith ‘vigiando, guardando’ da raiz tir- ‘vigiar’.

Celos

Christopher Tolkien escreve: “A declaração sobre este nome é dada no
�?ndice de Contos Inacabados. No marcação errônea de Celos em meu mapa
redesenhado de O Senhor dos Anéis, ver VII:322 n. 9 “.

Gilrain

Uma
porção significante de observações neste nome de rio foi dada em
CI:274-75; mas a discussão começa com uma passagem omitida de Contos
Inacabados:

Este se assemelha ao nome da mãe de Aragorn.
Gilraen; mas a menos que haja erro na grafia, deve ter tido um
significado diferente. (Originalmente a diferença entre o Sindarin
correto ae e ai era ignorada, ai mais comum em inglês sendo usado para
ambos na narrativa geral. Assim Dairon, agora corrigido, para Daeron um
derivado do S. daer ‘amplo, grande’: E.C. *daira < P>

Sobre esta última oração Tolkien proveu uma nota etimológica:

Base
E.C. RAY ‘rede, trama, urdidura ou entrelace’; também [cancelado:
‘prender’] ‘envolver em uma rede, entrelaçar´. Cf. Q. raima ‘uma rede’;
24 rea e raita 1) ‘fazer rede ou entrelaçar´; raita 2) prender em uma
rede’; 25 [cancelado: também raiwe ´trama´;] carrea (

Desta
nota Christopher Tolkien escreve: “Compare O Senhor dos Anéis, Apêndice
E (i), pág. 393. 29 – Tressure(rede), uma rede para conter o cabelo, é
uma palavra do inglês medieval que meu pai tinha usado na tradução dele
de Sir Gawain and the Green Knight (estrofe 69): ‘as jóias claras / que
estavam entrelaçadas em sua rede(tressure) em grupos de vinte’ onde o
original tem a forma tressour.”
A anotação então conclui:

Em
Gilrain o elemento -rain embora semelhante era distinto em origem.
Provavelmente foi derivado da base RAN “vagar, errar, tomar curso
incerto�?, o equivalente do Q. ranya. Isto não pareceria adequado a
nenhum dos rios de Gondor…

A porção dada em Contos
Inacabados começa aqui (pág. 274). A oração final do primeiro extrato
da discussão de Gilrain em CI:275 omite o final; na oração inteira
lê-se: “Esta lenda [de Nimrodel] era bem conhecida em Dor-en-Ernil
(Terra do Príncipe) e sem dúvida o nome [Gilrain] foi dado como
lembrança disto, ou conferido na forma Élfica de um nome mais antigo de
mesmo significado”. Também omitido foi o parágrafo que segue essa
oração, o qual lê-se: “A viagem de Nimrodel foi datada pelos
cronologistas como 1981 da Terceira Era. Um erro no Apêndice B aparece
neste momento. Na anotação correta lia-se (ainda em 1963): “Os Anões
fogem de Moria. Muitos dos Elfos da Floresta de Lorien fogem para o
sul. Desaparecem Amroth e Nimrodel�?. Em edições ou reimpressões
subseqüentes ‘fogem de Moria…�? para ‘Elfos da Florestas foram por
razões desconhecidamente omitidas “. A leitura correta desta anotação
foi restabelecida na edição mais recente (Sda:1151). Além disso, a
primeira oração do parágrafo seguinte, introduzindo a passagem com o
qual o extrato dado em Contos Inacabados (pág. 275) recomeça, lê-se:
“Naquele momento foi Amroth, na lenda, chamado Rei de Lorien. Como isto
está de acordo com a lei de Galadriel e Celeborn, será esclarecido em
um resumo da história de Galadriel e Celeborn”. Finalmente, a última
oração do último parágrafo dado em CI:276 foi omitida; lê-se: “ A
comunicação era mantida constantemente com Lorien “.

Uma
nota datilografada anexada depois da primeira oração em CI:277, sobre a
frase “os pesares de Lorien, que estava agora sem monarca” e
subseqüentemente cancelada por Tolkien, lê: “Amroth nunca tomou uma
esposa. Durante longos anos ele tinha amado Nimrodel, mas tinha buscado
o amor dela em vão. Ela era da raça da Floresta e não amava os
Intrusos, os quais (ela disse) trouxeram guerras e destruíram a antiga
paz. Ela falaria só a Língua da Floresta, até mesmo depois que tivesse
caído em desuso entre a maioria dos povos. Mas quando o terror saiu de
Moria ela fugiu sem rumo, e Amroth a seguiu. Ele a achou perto dos
limites de Fangorn (os quais nesses dias ficavam muito mais próximos a
Lorien). Ela não ousou entrar na floresta, as árvores (ela disse)
ameaçaram-na, e algumas moveram-se para bloquear seu caminho. Lá eles
tiveram uma longa conversa; e no fim eles ficaram noivos, Amroth jurou
que por ela ele deixaria seu povo até em hora de necessidade e com ela
buscaria um refúgio de paz. ‘Mas não havia tal’ “. A nota cancelada
termina aqui, em meio a oração. Como Christopher Tolkien observa
(CI:274), esta passagem é a semente da versão da lenda de Amroth e
Nimrodel dada em CI:272-74.

A discussão sobre Gilrain conclui (seguindo o primeiro parágrafo dado em UT:245) com esta nota:

O
rio Gilrain se relacionado à lenda de Nimrodel tem que conter um
elemento derivado de E.C. RAN ‘vagar, errar, seguir sem rumo´. Cf. Q.
ranya ‘viagem errante’, S. rein, rain. Cf. S. randír ‘errante’ em
Mithrandir, Q. Rána nome do espírito (Máya) que dizia-se morar na Lua
como seu guardião.

Ciril, Kiril

Incerto,
mas provavelmente do KIR ‘cortar’. Ele começava em Lamedon e corria
para o oeste por algum caminho em um fundo canal rochoso.

Ringló

Para
o elemento -ló ver discussão de Gwathló acima. Mas não há registro de
qualquer pântano ou charco em seu curso. Era um rio rápido (e frio),
como o elemento ring- implica.30 Suas primeiras águas vinham de um alto
campo nevado que alimentava uma pequena lagoa gelada nas montanhas. Se
esta na estação em que a neve derretia, se espalhava em um lago raso,
isso explicaria o nome, mais um dentre muitos que se referem à nascente
de um rio.

Cf. a anotação Ringló no índice de Contos
Inacabados. Esta explicação do nome que Ringló só surgiu no curso da
composição deste ensaio; para a discussão de Gwathló que Tolkien
cancelou ele tinha adicionado esta nota originalmente:

Este
[o elemento ló] também aparece no nome Ringló, o quarto dos Rios de
Gondor. Pode ser traduzido como Rio Gelado. Descendo gelado das neves
das Montanhas das Névoas em curso rápido, depois de sua união com o
Ciril e depois com o Morthond formava pântanos consideráveis antes que
atingisse o mar, entretanto estes eram muito pequenos comparados com os
pântanos do Cisnefrota (Nîn-em-Eilph) perto de Tharbad.

Na discussão revisada de Gwathlo (CI:294) esta nota foi substituída pela seguinte:

Um
nome semelhante é achado em Ringló, o quarto dos rios de Gondor.
Nomeado como vários outros rios, como Mitheithel e Morthond (raiz
negra), depois de sua nascente Ringnen ‘água-gelada’, ele era chamado
posteriormente Ringló, uma vez que formava um pantanal perto de sua
confluência com o Morthond, entretanto este era muito pequeno comparado
com o Grande Pântano (Lô Dhaer) do Gwathló.

Tolkien cancelou
então a parte posterior desta nota (de “uma vez que formava um
pantanal�? até o fim), substituindo-a com um objetivo de considerar a
explicação final de Ringló dada acima, na qual o elemento lo não é
derivado dos pantanais perto da costa (não há de qualquer pântano ou
charco em seu curso “) mas do lago que formava a nascente do rio “na
estação em que a neve derretia”.

Morthond

Semelhantemente
o Morthond ‘Raiz Negra�?, que surge em um vale escuro nas montanhas
exatamente no sul de Edoras, chamado Mornan,31 não só por causa da
sombra das duas montanhas altas entre as quais se deita, mas porque por
ele passava a estrada do Portão dos Mortos, e os vivos não iam lá.

Levnui

Não
havia nenhum outro rio nesta região, “ao longo de Gondor”, até que
chegasse ao Levnui, o mais longo e mais largo dos Cinco. Este era
represado para ser o limite de Gondor nesta direção; para mais além
repousar no promontório de Angast e no deserto da “Velha Terra Púkel�?
(Drúwaith Iaur) a qual os Númenorianos nunca tinha tentado ocupar com
povoados permanentes, entretanto eles mantiveram uma força de guarda
Costeira e faróis no final do Cabo Angast.
É dito que Levnui
significa ´quinto´ (depois de Erui, Sirith, Semi, Morthond), mas sua
forma oferece dificuldades. (está grafado Lefnui no Mapa; e que é
preferível. Mas embora nos Apêndices seja dito que f tem o som do f
inglês, exceto quando posicionado ao término de uma palavra,32 o f mudo
não acontece medianamente antes de consoantes (em palavras ou nomes não
compostos) em Sindarin; enquanto v é evitado antes de consoantes em
inglês).33 A dificuldade é só aparente.

Tolkien embarca
então imediatamente em uma longa e elaborada discussão dos números em
Eldarin, a qual foi transferida para um apêndice adiante.

Seguindo
com esta discussão, Tolkien (continuando para o oeste no mapa de
Levnui) reapresentou o nome Adorn, e repetiu o conteúdo das observações
anteriores: “Este rio flui do Oeste de Ered Nimrais para o Rio Isen,
combina em estilo ao Sindarin, mas não tem nenhum significado naquele
idioma, e provavelmente é derivado de um dos idiomas falado nesta
região antes da ocupação de Gondor pelos Númenorianos que começou muito
tempo antes da Queda de Númenor”. Ele continuou então:

Vários
outros nomes em Gondor são aparentemente de origem semelhante. O
elemento Bel- em Belfalas não tem nenhum significado apropriado em
Sindarin. Falas (Q. falasse) significava ´litoral´ – especialmente o
exposto a grandes ondas e arrebentações (cf. Q. falma ´uma crista de
onda, onda). é possível que Eel tivesse um sentido semelhante em uma
língua estrangeira, e Bel-falas é um exemplo do tipo de nome-de-local,
não incomum quando uma região está ocupada por um novo povo no qual
dois elementos de mesmo significado topográfico são unidos: o primeiro
sendo o mais antigo e o segundo no novo idioma.34 Provavelmente porque
o primeiro foi tomado pelos Intrusos como um nome próprio. Porém, em
Gondor o litoral da foz do Anduin para Dol Amroth foi chamada Belfalas,
mas na verdade normalmente referiam-se a ele como i·Falas ´a praia da
rebentação´ (ou às vezes como Then-falas ´praia curta´,35 em contraste
à An-falas ´praia longa´, entre a foz de Morthond e Levnui). Mas a
grande baía entre Umbar e Angast (o Cabo Longo, além de Levnui) foi
chamado a Baía de Belfalas (Côf Belfalas) ou simplesmente de Bel (Côf
gwaeren Bêl ´a ventosa Baía de Bêl´).36 Então é mais possível que Bêl
fosse o nome ou parte do nome da região mais tarde chamada normalmente
de Dor-en-Ernil ´terra do Príncipe´: talvez fosse a parte mais
importante de Gondor antes da colonização Númenoriana.

Christopher
Tolkien escreve: “Com ´a ventosa Baía de Bêl´ cf. o poema The Man in
the Moon came down too soon em The Adventures of Tom Bombadil(1962),
onde o Homem na Lua desceu ´para um banho de espuma na ventosa Baía de
Bel´, identificada como Belfalas no prefácio do livro. -Esta passagem
foi cancelada, presumivelmente de imediato, uma vez que o próximo
parágrafo começa novamente “Vários outros nomes em Gondor são
aparentemente de origem semelhante�?. Uma página com manuscrito curto
encontrada com o ensaio datilografado mostra meu pai esboçando uma
origem completamente diferente para o elemento Bel-. Eu me referi a
este texto e citei-o em parte em Contos Inacabados (pág. 281),
observando que representa uma concepção completamente diferente da
estabelecida para o porto élfico norte (Edhellond) de Dol Amroth
daquela dada em Of Dwarves and Men (XII:313 e 329 n. 67), onde é dito
que a razão de sua existência era ´a navegação dos Sindar provenientes
dos portos ocidentais de Beleriand que fugiram em três navios pequenos
quando o poder de Morgoth subjugou os Eldar e os Atani´. A página
manuscrita pertence obviamente ao mesmo período que o ensaio, como é
visto tanto pelo papel no qual é escrito e quanto pelo fato de que a
mesma página carrega o rascunho para o Juramento de Cirion em Quenya
(CI:340)”. Esta página manuscrita é dada abaixo na íntegra; duas notas
que Tolkien fez ao texto estão adicionadas a seu fim:

Belfalas.
Este é um caso especial. Bel- é certamente um elemento derivado de um
nome pré-Númenoriano; mas sua origem é conhecida, e era de fato
Sindarin. As regiões de Gondor tiveram uma história complexa no passado
distante, tão antiga quanto sua população podia se dar conta, e os
Númenorianos evidentemente encontraram muitos assentamentos de povos
misturados, e numerosas ilhas de povos isolados ou que permaneciam em
velhas habitações, ou em refúgios na montanha protegidos dos invasores
(Nota 1). Mas havia um pequeno (mas importante) componente em Gondor de
um grupo bastante singular: uma colônia Eldarin.37 Pouco é conhecido de
sua história até pouco antes de seu desaparecimento; para os Elfos de
Eldarin, talvez Exilados de Noldor ou Sindar à muito enraizados, que
permaneceram em Beleriand até sua desolação na Grande Guerra contra
Morgoth,; e então se eles não foram para o Mar e vagaram rumo ao oeste
[sic; leia “ao leste “] em Eriador. Lá, especialmente próximo a
Hithaeglir (em qualquer lado), eles acharam colônias dispersas dos
Nandor, Elfos de Telerin que nunca tinham completado na Primeira Era a
jornada para as costas do Mar; mas ambos os lados reconheceram suas
linhagens como Eldar. Porém, lá parece no princípio da Segunda Era, ter
sido um grupo de Sindar que foi para o sul. Eles eram remanescentes,
parece, do povo de Doriath que ainda nutria rancor contra os Noldor e
deixaram os Portos Cinzentos por isso e todos os navios lá eram
comandados por Cirdan (um Noldo). Tendo aprendido a arte de construção
naval (Nota 2) eles viajaram por anos buscando um lugar para seus
próprios portos. Finalmente eles povoaram a foz do Morthond. Já havia
lá um porto primitivo de uma colônia de pescadores; mas estes fugiram
para as montanhas com medo dos Eldar. A terra entre Morthond e Serni
(as partes costeiras de Dor-en-Ernil).

Nota 1.
Embora nenhuma das regiões dos Dois Reinos existissem antes (ou
depois!) das colônias densamente povoadas de Númenorianos como nós
deveríamos supor.

Nota 2:
Todos os Elfos eram naturalmente hábeis na construção de barcos, mas a
arte que era fazer uma viagem longa pelo Mar, perigosa até mesmo para a
habilidade dos Elfos uma vez que a Terra Média estaria para atrás,
exigia mais perícia e conhecimento.

A página manuscrita termina aqui, incompleta, e sem chegar uma
explicação do elemento Bel-. Christopher Tolkien escreve: “Era talvez
uma extensão puramente experimental da história, imediatamente
abandonada; mas a afirmação que Cirdan era um Noldo é muito estranha.
Isto vai contra toda a tradição que concerne a ele – ainda que seja
essencial à idéia esboçada nesta passagem. Possivelmente foi sua
compreensão disto que levou meu pai a abandoná-la pela metade”.
O
texto datilografado recomeça com uma substituição da passagem rejeitada
em Belfalas (e evitando agora discussão daquele nome problemático):

Vários outros nomes em Gondor são aparentemente de origem semelhante.
Lamedon não tem nenhum significado em Sindarin (se fosse Sindarin seria
atribuída a *lambeton -, *lambetân -, mas E.C. lambe- ‘idioma’ pode
dificilmente ser considerado). Arnach não é Sindarin. Pode ser
relacionado com Arnen no lado oriental de Anduin. Arnach era empregado
aos vales no sul das montanhas e suas montanhas menores entre Celos e
Erui. Existiam muitas áreas rochosas lá, mas geralmente muito piores
que os vales mais altos de Gondor. Arnen era um rochedo distante do
Ephel Dúath, ao redor do qual o Anduin, ao sul de Minas Tirith, fazia
uma curva larga.

Sugestões dos historiadores de Gondor que arn- é um elemento em algum
idioma pré-Númenoriano que significa ´pedra´ é somente uma suposição.38
Mais provável é a visão do autor (desconhecido) de Ondonóre Nómesseron
Minaþurie (´Pesquisa sobre os Nomes de Gondor´) preservado
fragmentadamente.39 Conforme evidência interna ele viveu na época do
reinado de Meneldil, filho de Anárion-nenhum evento posterior àquele
reino é mencionado – quando recordações e registros dos primeiros dias
das colonizações agora perdidos ainda estavam disponíveis, e o processo
de nomear ainda estava em curso. Ele destaca que o Sindarin não era bem
conhecido por muitos dos colonos que deram os nomes, marinheiros,
soldados, e imigrantes, embora todos aspirassem ter um pouco de
conhecimento dele. Gondor certamente era ocupada no começo pelos Fiéis,
homens do grupo dos amigos dos Elfos e seus seguidores; e estes em
revolta contra os ´Reis Adunaicos´ que proibiram o uso das línguas
Élficas deram todo os novos nomes no reino novo em Sindarin, ou adaptou
nomes mais antigos para a maneira Sindarin. Eles também renovaram e
encorajaram o estudo do Quenya, no qual documentos importantes,
títulos, e fórmulas eram compostos. Mas era provável que enganos fossem
cometidos.40 Uma vez que um nome tivesse se tornado comum ele era
aceito pelos administradores e organizadores. Então ele pensa que Arnen
originalmente queria dizer ´ao lado da água, sc. Anduin´; mas ar- neste
sentido é Quenya, não Sindarin. Embora como no nome completo Emyn Arnen
o Emyn é plural Sindarin de Amon ´colina´, Arnen não pode ser um
adjetivo Sindarin, uma vez que um adjetivo de tal forma teria o plural
Sindarin ernain, ou ernin. O nome deve ter significado então ‘as
colinas de Arnen’. É esquecido agora, mas pode ser visto nos registros
antigos que Arnen era o nome mais antigo da maior parte da região mais
tarde chamada Ithilien. Este foi dado à faixa estreita entre o Anduin e
o Ephel Dúath, principalmente para a parte entre Cair Andros e a ponta
meridional da curva do Anduin, mas vagamente estendia-se ao norte para
o Nindalf e sul em direção à Poros. Foi quando Elendil tomou como sua
residência o Reino Norte, devido à amizade dele com os Eldar, e confiou
o Reino Sul aos seus filhos, eles então dividiram-no, como é dito em
anais antigos: “Isildur tomou como sua própria terra toda a região de
Arnen; mas Anárion tomou a terra de Erui ao Monte Mindolluin e deste em
direção oeste à Floresta do Norte”, (mais tarde chamada em Rohan a
Floresta Firien), “mas o sul de Ered Nimrais de Gondor eles controlavam
em comum “.

Arnach, se a explicação
acima for aceita, não é relacionado então a Arnen. Sua origem e fonte
estão nesse caso agora perdidas. Geralmente era chamado em Gondor
Lossarnach. Loss é Sindarin para ´neve´, especialmente a caída e a
muito acumulada. Por que razão que isto foi anteposto à Arnach é
incerto. Seus vales superiores eram famosos por suas flores, e abaixo
deles havia grandes pomares dos quais na época da Guerra do Anel ainda
vinham muitas das frutas necessárias em Minas Tirith. Embora nenhuma
menção disto seja encontrada em qualquer crônica -como é freqüente no
caso de assuntos de conhecimento comum- parece provável que a
referência seja de fato às floradas. Expedições para Lossarnach para
ver as flores e árvores freqüentemente eram feitas pelas pessoas de
Minas Tirith. (Ver índice Lossarnach adendo III 36,140;41 Imloth Melui
“vale da flor doce”, um lugar em Arnach). Este uso de ´neve´ seria
especialmente provável em Sindarin, no qual as palavras para neve caída
e flor eram muito semelhantes, embora diferentes em origem: loss e
loth, o significando(posterior) ´inflorescência, um cacho de flores
pequenas. Loth é de fato mais freqüentemente usado em Sindarin para
coletivo, equivalente a goloth; e uma única flor indicada por elloth
(er-loth) ou lotheg.42

Com Imloth Melui “vale da
flor doce�? cf. a menção de Ioreth de “as rosas de Imloth Melui”, SdA:
916. Sobre as palavras Sindarin loss e loth Tolkien fez a seguinte
nota:

S. loss é um derivado de
(G)LOS ´branco´; mas loth é de LOT. Sindarin usa loss como um
substantivo, mas forma intensiva gloss como um adjetivo ´branco
(brilhante)´, loth era o único derivado de LOT que reteve,
provavelmente porque outras formas da raiz gramatical assumiram uma
forma fonética que parecia imprópria, ou era confundível com outras
raízes (como LUT ´flutuar´): por exemplo *lod, *lûd. loth é do
diminutivo lotse e provavelmente também derivado de lotta-. Cf. Q.
losse ´neve´, lossea ´branco- neve´; e late ´uma flor´ (principalmente
aplicado as flores grandes individualmente); olóte ´buque, conjunto de
flores de uma única planta´; lilótea ´tendo muitas flores’; lotse ´uma
única flor pequena´; losta ´florescer´, (t-t em inflexão> st.)
Quenya e Sindarin mantêm para ´neve´ só a intensiva loss- uma vez que o
s mediano entre vogais sofria mudanças que o fazia inadequado ou
conflitante com outras raízes.

Os Nomes dos Faróis das Colinas

O sistema completo de faróis que ainda operava na época da Guerra do
Anel não pode ter sido anterior ao estabelecimento dos Rohirrim em
Calenardhon cerca de 500 anos antes; a sua função principal era
advertir os Rohirrim que Gondor estava em perigo ou (mais raramente) o
contrário. Quão antigos eram os nomes então usados não poderia ser
dito. Os faróis eram instalados em colinas ou nos cumes altos de
cordilheiras que corriam por fora das montanhas, mas alguns não eram
objetos muito importantes.

A primeira parte desta declaração foi citada na seção Cirion e Eorl em CI:335 n.35.

Amon Dîn

Esta anotação é dada na íntegra em CI:500 n. 51 (último parágrafo).

Eilenach e Eilenaer

Esta anotação é dada na mesma nota em Contos Inacabados, mas neste caso ligeiramente reduzida. No original a passagem começa:

Eilenach (melhor grafado Eilienach). Provavelmente um nome estrangeiro;
não Sindarin, Númenoriano, ou Idioma Comum. Na verdade eilen de
Sindarin só poderia ser derivado de *elyen, *alyen, e seria escrito
eilien normalmente. Isto e Eilenaer (nome mais velho de Halifirien:
veja isso abaixo) são os únicos nomes deste grupo que são certamente
pré-Númenorianos. Eles estão evidentemente relacionados. Ambos eram
notavelmente importantes.

O
nome e nota parentética em Eilenaer começam aqui, assim como alterações
para o texto datilografado. Christopher Tolkien escreve: “O nome
Eilenaer de fato não ocorre relacionado a Halifirien neste ensaio: meu
pai pretendeu introduzí-lo, mas antes que o fizesse ele rejeitou aquela
relação em sua totalidade, como será visto”. Ao término da descrição de
Eilenach e Nardol como dados em Contos Inacabados, onde é dito que o
fogo em Nardol poderia ser visto de Halifirien, Tolkien adicionou uma
nota:

A linha de faróis de
Nardol para Halifirien se dispunha em uma curva suave dobrando um pouco
para o sul, de forma que os três faróis intervenientes não cortassem a
visão.

As declarações seguintes dizem respeito a Erelas e Calenhad, elementos os quais foram usados no índice de Contos Inacabados.

Erelas

Erelas era um farol pequeno, como também era Calenhad. Estes não eram
sempre iluminados; a iluminação deles como em O Senhor dos Anéis era um
sinal de grande urgência. Erelas é Sindarin em estilo, mas não tem
nenhum significado satisfatório naquele idioma. Era uma colina verde
sem árvores, de forma que nem er- ´único´ nem las(s) ‘folha’ parecem
aplicáveis.

Calenhad

Calenhad era semelhante mas bastante maior e mais alto. Galen era a
palavra comum em Sindarin para ´verde´ (seu sentido mais antigo era
´brilhante´, Q. kalina). -had parece ser para sad (com mutação comum em
combinações); se não grafado erroneamente este deriva de SAT ´espaço,
lugar, sc. uma área limitada naturalmente ou artificialmente definida´
(também aplicado para identificar períodos ou divisões de tempo),
´dividir, demarcar´, visto em S. sad ´uma área limitada naturalmente ou
artificialmente definida, um lugar, marca´, etc. (também sant ´um
jardim, campo, pátio, ou outro lugar em propriedade privada, se cercado
ou não´; said ´privado, separado, não comum, excluído´; seidia – ´posto
em separado, destinado a um propósito ou dono especial´); Q. satì –
verbo, com sentido de S. seidia – (< P etc. -); [Q. adj.] satya [com
mesmo sentido] said; [Q.] asta divisão ano, ?mês? (sati Quenya tempo
espaço).44 Calenhad significaria desta simplesmente ?espaço verde?,
aplicado cume plano gramado colina. Mas had pode representar (os mapas
usam este caso onde poderiam ser envolvidos dh, menos Caradhras
omitido, Enedhwaith está grafado errado [?ened]. 45 -hadh seria então
sadh (em uso isolado sâdh) ?relva, grama? – base SAD ?pelar, esfolar,
descascar?, 46>

Halifirien

O ensaio termina (inacabado) com uma discussão longa e notável sobre
Halifirien; As notas entremeadas de Tolkien estão juntadas ao término
desta discussão. Com este relato cf. CI:334-1, 335-1.

Halifirien é um nome no idioma de Rohan. Era uma montanha com fácil
acesso ao seu ápice. Aos pés das suas encostas do norte crescia a
grande floresta chamada em Rohan a Floresta Firien. Esta se tornava
densa no terreno mais baixo solo, para o oeste ao longo do Ribeirão
Mering e em direção ao norte para a planície úmida pela qual o Ribeirão
fluía para o Entágua. A grande Estrada Oeste atravessava por uma longa
trilha ou clareira através da floresta, para evitar a terra úmida além
de seus limites. O nome Halifirien (modernizado em grafia de
Háligfirgen) significava Monte Sagrado. O nome mais antigo em Sindarin
tinha sido Fornarthan ´Farol Norte´; 47 a floresta tinha sido chamada
Eryn Fuir ´Floresta Norte´. A razão para o nome de Rohan não é
conhecida agora com certeza. A montanha era considerada com reverência
pelos Rohirrim; mas de acordo com suas tradições na época da Guerra do
Anel foi porque em seu ápice que Eorl o Jovem encontrou Cirion,
Governante de Gondor; e lá quando eles tinham examinado a terra adiante
eles fixaram os limites do reino de Eorl, e Eorl fez a Cirion o
Juramento de Eorl – “o juramento inquebrável” – de amizade perpétua e
aliança com Gondor. Desde então em juramentos da maior solenidade foram
invocados os nomes dos Valar (Nota 1) – e embora o juramento fora
chamado “o Juramento de Eorl” em Rohan também foi chamado “o Juramento
de Cirion” (para Gondor foi empenhado ajudar Rohan igualmente) e ele
usaria termos solenes em sua própria língua – isto poderia ser
suficiente para sacramentar o local.

Mas o relato em anais contém dois detalhes importantes: que havia no
lugar onde Cirion e Eorl estavam o que pareceu ser um monumento antigo
de pedras irregulares quase da altura de um homem com um topo plano; e
que naquela ocasião Cirion para o espanto de muitos invocou o Um (que é
Deus). As palavras exatas dele não estão registradas, mas elas
provavelmente tomaram a forma de termos alusivos como Faramir usou
explicando a Frodo o conteúdo da reverência “silenciosa” (antes de
refeições comunais) isso era um ritual Númenoriano, por exemplo “Estas
palavras permanecerão pela fé dos herdeiros da Terra da Estrela que
mantém os Tronos do Oeste e daquele que está acima de todos os Tronos
para sempre “.

Isto consagraria de fato o lugar por tanto tempo quanto durasse os
reinos dos Númenorianos, e não havia dúvida que a intenção era essa,
não sendo de qualquer forma uma tentativa para restabelecer a adoração
ao Um no Meneltarma (‘pilar de céu’), a montanha central de Númenor
(Nota 2), mas uma lembrança dela, e da reivindicação feita pelos
“herdeiros de Elendil�? que desde que eles nunca tinham vacilado em sua
devoção ainda era permitido a eles (Nota 3) dirigirem-se ao Um em
pensamento e oração.

O “antigo
monumento” – que foi evidentemente o significado de uma estrutura feita
antes da vinda dos Númenorianos – é um detalhe curioso, mas não há
nenhuma sustentação à opinião de que a montanha já era em algum sentido
“sagrada” antes de seu uso na tomada do juramento. Se tivesse ela sido
considerada de significado “religioso�? isto teria feito de fato seu uso
impossível, a menos que pelo menos tivesse sido completamente destruída
primeiro (Nota 4). Para uma estrutura religiosa que era “antiga” só
poderia ter sido erguida pelos Homens de Escuridão, corrompidos por
Morgoth ou o criado dele Sauron. Os Povos Médios, descendentes dos
antepassados dos Númenorianos, não eram considerados como nocivos nem
inimigos inevitáveis de Gondor. Nada é registrado da religião deles ou
práticas religiosas antes que eles entrassem em contato com os
Númenorianos (Nota 5), e aqueles que se associaram ou mesclaram com os
Númenorianos adotaram seus costumes e crenças (incluído no
“conhecimento” que Faramir fala de como tendo sido aprendido pelos
Rohirrim). O “antigo monumento” não pode ter sido assim feito pelos
Rohirrim, ou reverenciado por eles como sagrado, uma vez que eles não
tinham ainda se estabelecido em Rohan na época do Juramento (logo
depois da Batalha do Campo de Celebrant), e tais estrutura em lugares
altos como lugares de adoração religiosa não fazia parte dos costumes
dos Homens, bom ou mal (Nota 6). Pode porém ter sido uma tumba.

As notas do autor ao relato de Halifirien

Nota 1: Cf. a Coroação de Aragorn.
Nota 2: Isso teria sido considerado sacrílego.
Nota 3: E, como geralmente era confiado a seus governantes, todos que
aceitassem sua liderança e recebessem suas instruções. Veja próxima
nota.
Nota 4: Para a visão Númenoriana dos habitantes anteriores
veja a conversa de Faramir com Frodo, especificamente SdA II 287.49 Os
Rohirrim eram de acordo com sua classificação os Povos Médios, e a
importância deles para Gondor em sua época dele era principalmente em
mente e modifica seu relato; a descrição dos vários homens dos “feudos�?
meridionais de Gondor, que eram principalmente de descendência
não-Númenoriana, mostrava que outros tipos de Povos Médios, descendia
de outras das Três Casas dos Edain, que permaneceram no Oeste, em
Eriador (como os Homens de Bree), ou mais adiante ao sul –
principalmente os povos de Dor-en-Ernil (Dol Amroth).

Nota 5: Porque tais assuntos tiveram pouco interesse pelos cronistas
Gondorianos; e também porque foi suposto que eles tinham em geral
permanecido fiéis ao monoteísmo dos Dúnedain, aliados e seguidores dos
Eldar. Antes da remoção da maioria dos sobreviventes das “Três Casas
dos Homens” para Númenor, não há nenhuma menção da reserva de um lugar
importante para adoração do Um e a proibição em todos os templos
construídos à mão que era característico dos Númenorianos até a sua
rebelião e que entre os Fiéis (dos quais Elendil era o líder) depois da
Queda e perda do Meneltarma tornou-se uma proibição em todos os lugares
de adoração.

Nota 6: Os Homens de
Escuridão construíram templos, alguns de grande tamanho, normalmente
cercados por árvores escuras, freqüentemente em cavernas (naturais ou
cavadas) em vales secretos de regiões montanhosas; como os corredores
terríveis e passagens sob a Montanha Assombrado além do Portão Negro
(Portão dos Mortos) em Dunharrow. O horror singular do portão fechado
antes do qual o esqueleto de Baldor foi achado provavelmente era devido
ao fato de que a porta era a entrada para um salão de um templo
maléfico para o qual Baldor tinha vindo, provavelmente sem oposição até
aquele ponto. Mas a porta estava fechada na face dele, e inimigos que o
tinham seguido em silêncio vieram e quebraram suas pernas e o deixaram
para morrer na escuridão, incapaz de descobrir algum modo de sair.

Nas palavras “Pode porém ter sido uma tumba.”. Tolkien abandonou este
texto, e (sem dúvida que imediatamente) marcando o relato inteiro de
Halifirien para cancelamento.

Christopher Tolkien escreve: ” Estas últimas palavras podem bem
significar o momento preciso a qual a tumba de Elendil em Halifirien
[cf. CI:339] entrou na história; e é interessante observar o modo de
seu aparecimento. O original ´Firien era a ´colina negra´ na qual
estavam as cavernas de Dunharrow (VIII:251); também foi chamado ´o
Halifirien´ (VIII:257, 262), e Dunharrow era ´ dito para ser um
haliern´ (inglês antigo hálig-ern ´lugar santo, santuário´) ´e para
conter alguma relíquia antiga dos velhos dias antes da Escuridão´;
enquanto Dunharrow, na palavras posteriores de meu pai, é ´uma
modernização de Rohan DÅ«nhaerg “o templo pagão na encosta”, denominado
porque este refúgio do Rohirrim… estava no local de um lugar sagrado
dos antigos habitantes (VIII:267 n. 35). O nome Halifirien foi logo
transferido para se tornar a último dos faróis-das-colinas de Gondor,
no final ocidental da cadeia (VIII:257) que tinha sido nomeado Mindor
Uilos primeiro (VIII:233); mas não há nenhuma indicação de tudo do que
meu pai tinha em mente, com respeito ao real significado expresso do
nome Halifirien, quando ele fez esta transferência. O relato dado
acima, escrito tão tarde na vida dele, parece ser a primeira declaração
no assunto; e aqui ele assumiu sem questionamento que (logo que a
colina surgiu os Sindarin a chamaram Fornarthan ‘Farol Norte’) foram os
Rohirrim que a chamaram ´a Montanha Sagrada: e eles a chamaram assim,
´de acordo com suas tradições na época da Guerra do Anel´, por causa da
profunda gravidade e solenidade do juramento de Cirion e Eorl assumido
em seu topo no qual o nome de Eru foi invocado. Ele se refere a um
registro nos anais que ‘um monumento antigo de pedras irregulares quase
da altura de um homem com um topo plano’ situado no cume de Halifirien
– mas ele imediatamente continua a discutir fortemente que sua presença
não pode ser ´nenhum apoio para a versão de que a montanha era em algum
sentido “sagrada” antes de seu uso na tomada do juramento´, uma vez que
qualquer objeto antigo de significado ‘religioso’ só poderia ter sido
erguido pelos Homens de Escuridão, corrompido por Morgoth ou seu criado
Sauron´ Mas: ´Pode porém ter sido uma tumba.´

“E assim a ´consagração´ da colina (antigamente chamada Eilenaer) foi
feita dois mil e quinhentos anos atrás antes do Rohirrim se
estabelecerem em Calenardhon: já no começo da Terceira Era ela era a
Colina da Admiração, Amon Anwar dos Númenorianos, por causa daquela
tumba em seu topo. Eu não tenho nenhuma dúvida que o relato dado do
Juramento de Cirion e Eorl, com os textos intimamente relacionados, em
Contos Inacabados, seguiram muito brevemente e talvez sem intervalo a
todo o abandono deste ensaio nos nomes dos rios e faróis-das-colinas de
Gondor.

“É
assim visto que não só o trabalho presente mas toda a história do
Halifirien e a tumba de Elendil surgiu a partir do breve questionamento
do Sr. Bibire.

“Este é um lugar
conveniente para notar uma fase no desenvolvimento da história da tumba
de Elendil que não foi mencionada em Contos Inacabados. Há uma página
de rascunho rejeitada para a passagem que reconta a definição dos
limites de Gondor e Rohan por Cirion e Eorl que ligeiramente difere do
texto impresso em Contos Inacabados até o início do parágrafo: ´Por
este pacto apenas uma pequena parte da Floresta de Anwar…. ´
(CI:342). Aqui o texto rejeitado lê:

Por este acordo originalmente só uma pequena parte da Floresta à oeste
do Ribeirão Mering foi incluída em Rohan; mas a Colina de Anwar foi
declarada por Cirion para ser agora um lugar sagrado de ambos os povos,
e qualquer deles só poderia ascender agora a seu topo com a permissão
do Rei dos Éothéod ou do Governante de Gondor.
Durante o dia
seguinte depois da tomada dos juramentos Cirion e Eorl com doze homens
ascenderam a Colina novamente; e Cirion deixou abrir a tumba. “Está
correto agora afinal,” ele disse, “que os restos do pai dos reis sejam
trazidos para ficarem a salvo nos santuários de Minas Tirith.
Indubitavelmente se tivesse ele voltado da guerra sua tumba teria
estado muito longe no Norte, mas Arnor definhou, e Fornost está
desolada, e os herdeiros de Isildur entraram nas sombras, e nenhuma
palavra deles veio a nós por muitas vidas de homens “.

“Aqui meu pai parou, e tomando uma nova página escreveu o texto como
está em Contos Inacabados, adiando a abertura da tumba e a remoção dos
restos de Elendil para Minas Tirith para um ponto mais adiante na
história (CI:346).”

Apêndice: Os numerais Eldarin

O texto seguinte foi removido do apontamento para o nome do rio Levnui (S. ´quinto´) anterior à este apêndice.

As raízes dos números em Eldarin Comum (o qual até 12 concordam
exatamente nos idiomas derivados) era: 1 ´único´ (não-consecutivo) ER;
´um, primeiro de uma série´ MIN. 2 TATA, ATTA. 3 NEL, NEL-ED. De 3 à
951 as raízes eram dissílabas (Nota 1) (triconsonantal, embora duas
delas não tinham nenhuma consoante inicial, como não era raro em
Eldarin Comum neste padrão): 4 kan-at. 6 en-ek(w) (o (w) só aparece em
Quenya). 7 ot-os. 8 tol-ot. 52 9 net-er. 10 kwaya, kway-am. 11
minik(w). 12 yunuk(w). 53 5 é omitido porque é raro. Teve a raiz lepen,
e uma suposta variante lemen(mas veja mais adiante) nenhuma das quais
nunca apareceria sem a terceira consoante.

Os números, como é habitual, não são na maioria dos casos
referenciáveis a outras raízes ou bases com certeza. A forma min
provavelmente é a mesma em origem como MIN que aparece em palavras que
se aplicam às coisas imponentes isoladas, como campanários, torres
altas, cumes montanhosos proeminentes, minya ´primeiro´ tanto
significava eminente, proeminente´, cf. Q. eteminya ´proeminente´;
também minde ´torre´, aumentada em mindon ´torre alta´, minasse, S.
minas: ´forte, cidade, com uma fortaleza e torre de vigília central´.
´Cinco´ era sem dúvida primordialmente um número especial em povos de
forma de élfica/humana, sendo o número dos dedos em uma mão. Assim
lepen está sem dúvida relacionada à raiz LEP ´dedo´ (Nota 2). Também é
certo que 10 kwaya, e kwayam (-m que também é de origem plural), é
relacionado a base KWA (kwa-kwa, kwa-t) ´cheio, completo, tudo, todo”,
e significava ´tudo, o lote inteiro, todos os dez dedos’.54 Mas já em
Eldarin Comum os múltiplos de três, especialmente seis e doze, eram
considerados especialmente importantes, por razões aritméticas gerais;
e eventualmente ao lado da numeração decimal um sistema duodecimal
completo foi inventado para cálculos, alguns dos quais, como as
palavras especiais para 12 (dúzia), 18, e 144 (grossa), usado em
geral.55 Mas desde então isto aparece ter sido um desenvolvimento
relativamente recente (só começado depois do Eldarin Comum [?Período] com exceção da palavra para 12), 56 a vaga semelhança de nel(ed),
e-nek-we, net-er provavelmente não são significantes.

Em Eldarin Comum as formas cheias com ómataima (longo ou curto)57 foram
empregadas como cardinais: como Telerin canat, Sindarin canad 4 lepne
geraria lempe sem necessidade de substituir m. Veja mais adiante em
Ordinais.
O ordinais em Eldarin Comum parecem ter sido formados
por adição de – y�? adjetival a uma raiz na qual a segunda vogal estava
ausente. Não através de síncope, mas de acordo com os modos primitivos
de derivação de bases. Em Quenya o final -ea foi generalizado para 3º,
4º, 6º, 9º inclusive. Era a forma natural para Quenya em 3º, 4º, 6º,
9º, e excluía-se o oya próprio para 7º, 8º. As formas em Quenya eram:
1º minya; 2º tatya (Nota 4) logo substituído por attea; 3º nelya,
também neldea,; 4º kantea; 5º lemenya (a forma comum; lempea só aparece
mais tarde em Quenya); 6º enquea; 7º otsea; 8º toldea; 9º nertea; 10º
quainea. As formas em Sindarin eram cardinais 1 mîn, er; 2 tâd; 3 nêl;
4 canad; 5 leben; 6 eneg; 7 odog (a forma histórica odo
Nesta
colocação as anomalias Q. lemenya e S. levnui podem ser entendidas
melhor. A forma lemenya em Quenya claramente sustenta a opinião que o
número Eldarin Comum para 5 diferiu dos outros de 3 à 9: não era
originalmente uma raiz de triconsonantal, o final nasal era um inflexo,
e não havia nenhum ómataima além dele no momento primordial quando
estes adjetivos foram inventados; o -ya adjetival foi adicionado então
direto ao nasal. O m é porém uma alteração de Quenya baseada em lempe.
Em Telerin, em contraste com Quenya e Sindarin, o ordinais, sob a
influência de minya, tatya, nelya, e lepenya, generalizaram o padrão no
qual -ya foi somado direto à consoante final da raiz: assim T. 4º
canatya, 6º enetya, 7º ototya, 8º tolodya, 9º neterya, 10º paianya,.
Pode ser observado que 5º eram lepenya; desde que o cardinal era lepen
e não havia nenhuma forma tal como Q. lempe para induzir uma mudança
para lemen-. O Telerin, embora em muitas formas a mais arcaica das
línguas dos Eldarin, não era imune a mudanças analógicas como é visto
na forma ototya (com tya em vez de sya) depois de -tya em 2º, 4º, 6º;
mas não seria razoável supor que T. lepenya tem p depois de lepen em
vez de m como em Q. lemenya; desde que o m está isolado em Quenya e
satisfatoriamente explicável de lempe, enquanto que uma raiz variante
*lemen seria obscura em suas relações para lepen que tem conexões
etimológicas confiável.

O S. levnui não
sustenta *lemen. É verdade que *lemnui feito em um padrão semelhante
para os outros números geraria levnui; mas o mesmo faria uma forma-raiz
lepn- em Sindarin. Em Sindarin paradas mudas [i.e., p, t, k] antes de
nasais tornam-se sonoras > b, d, g, e então junto com as paradas
sonoras originais nesta posição tornam-se nasais antes de nasais
homorgânicas (tn, dn> nn; pm, bm> mm), mas antes de outras nasais
tornam geralmente fricativas como medianas (pn, bn> vn; tm, dm>
ðm, depois> ðv, ðw,; kn, gn> gn> em; km, gm> gm> im>
iv, iw). Como, entretanto, Quenya e Telerin mostram claramente que a
raiz lepen não é uma raiz primordialmente distinta capaz do
deslocamento da segunda vogal, a história real da anomalia Sindarin é
provavelmente esta: a seqüência do E.C. lepenya teriam produzido
*lepein(a) [cancelado: mais provavelmente lebein(a)], mas sua anomalia
em relação a seus vizinhos teria só o apoio do distante *neil(a) 3º,
que não era uma raiz triconsonantal; era então remodelada a lepni(a)
depois de enki(a) 6º e nerti(a) 9º e o padrão semelhante das raízes em
*kantaia 4º, otsoia 7º, toltoia 8º. O lepni seguiu o desenvolvimento
Sindarin normal então para levni e subseqüentemente adotando como todos
os outros vizinhos o final ui.

Uma folha rasgada ao meio colocada entre esta discussão de números em Eldarin lê:

Complicado demais. lemenya deve ser abandonado, o reflexo do Antigo
Quenya em Vanyarin era lepenya (como em Telerin). Em Noldorin Quenya
essa anomalia era corrigida por lempea (com -ea dos outros ordinais)
derivado de lempe, e antes do Exílio esta já era a forma habitual
falada de 5º em Quenya Noldorin, embora os Noldor todos conhecessem
lepenya desde que era usado em Vanyarin e também em Telerin.

Notas do autor para o relato dos numerais Eldarin

Nota 1: As mais simples, e provavelmente mais antigas, formas
bi-consonantais ocorrem, entretanto, em formas adverbiais ou prefixos:
como AT(A) ´

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português