Arquivo da categoria: Textos e Ensaios

UMA CARTOGRAFIA DO MAL EM O SILMARILLION, DE J. R. R. TOLKIEN

Melkor1. Apresentação da obra

O Silmarillion, de John Ronald Reuel Tolkien, foi publicado postumamente em 1977 e conta a história de Arda, a Terra, desde sua origem até o fim da Terceira Era do Sol. Nesse livro narra-se como o mundo foi criado pelos Valar e também o nascimento de elfos e homens, assim como outras criaturas, boas e más, que, em constante conflito, fizeram a história que culmina nos eventos narrados em O Senhor dos Anéis. É em O Silmarillion que se delineia o contexto histórico e mitológico do mundo criado pelo autor.

Continue lendo

Estruturas Narrativas: O Modelo Funcional de Propp

the hobbitO Bruce Torres escreve em um blog bem interessante onde comenta algumas questões sobre Literatura, chamado O Básico em Letras. Um de seus artigos mais recentes fala sobre as estruturas narrativas seguindo o modelo de Propp, e utiliza como o exemplo o livro O Hobbit, de J.R.R. Tolkien. Pedi para que ele compartilhasse o texto conosco aqui na Valinor e ele gentilmente o cedeu, trazendo assim novos estudos sobre o trabalho do professor para todos aqueles que apreciam sua obra. A seguir, o texto de Bruce Torres.

Estruturas Narrativas: O Modelo Funcional de Propp

 

Não vou mentir para vocês: o modelo funcional não é algo prático de se entender. A questão que envolve tal modelo vai muito além da simples abstração de uma estrutura narrativa em pontos-chave. Na verdade, o modelo funcional chega a determinar que pontos-chave seriam esses. Para entender o porquê, vou falar rapidamente sobre o formalismo.

É mesmo necessário?

 Temo que sim. Lembra de quando eu falei que uma obra e seu autor são frutos do meio? O mesmo acontece com a criação de certas escolas de pensamento.

Continue lendo

Amante de Humanidades em geral, cresceu em meio a apostilas e aprendeu a amar a literatura quando adolescente. Hoje trabalha como tradutor/revisor visando acumular mais conhecimento.

Ler, ouvir música, passear no parque, assistir filmes – se possível no cinema.

Beowulf e Os Anéis (Steve Cornett)

Essa é a tradução de um texto muito bom que compara o poema Beowulf e a história d’O Senhor dos Anéis. Steve Cornett aborda de maneira inteligente o que a crítica diz a respeito de ambas as obras. O texto original chama-se Beowulf and The Rings.

As referências a O Senhor dos Anéis são feitos sob a forma (Livro#, p.#). Assim, (II, p.243) refere-se à página 243 em As Duas Torres. Ao longo deste ensaio, O Senhor dos Anéis tem sido freqüentemente abreviada simplesmente para Anéis. Referências a página são dadas com base na minha Second Edition Combined Volume (escrita por JRR Tolkien, publicado 1987 pela Houghton Mifflin Co.) e podem necessariamente não serem exatas para todos os outros volumes.
O autor deseja agradecer especialmente a Christopher Tolkien, cujo encaminhamento para a História da série da Terra-Média (editada por Christopher Tolkien, publicada em 1992, pela Del Rey, Inc.) forneceu grande parte da informação de base necessária sobre a obra e pensamentos de Tolkien.

Em toda a literatura de ficção, dois trabalhos são especialmente conhecidos como grandes obras. O épico antigo Beowulf é especialmente conhecido por sua antiguidade e qualidade, a informação histórica fornecida no e com o trabalho, e seu valor como uma descrição do período. O Senhor dos Anéis, de Tolkien, embora não escrito até cerca de um milênio depois, é considerado um marco na ficção moderna. Anéis define eventos, situações e competições para grande parte do gênero de fantasia, incluindo “Dungeons and Dragons”, “Forgotten Realms”, “Dragonlance”, e uma série de outros livros e jogos.

Apesar de sua importância, muitos críticos continuam a atacar essas obras. O Senhor dos Anéis é atacado como “plágio” e “banal”. Beowulf é criticado por “ignorar” as idéias “importantes” da época – grandes batalhas, árvores genealógicas e outras lendas e épicos.

Não concordo com essas opiniões. Não são apenas estes trabalhos excelentes exemplos de seu gênero, mas também são completos e originais por si só. As acusações feitas contra eles são falsas, enganosas, mesquinhas ou alguma combinação dos mesmos, e todas elas representam uma incompreensão da finalidade da ficção. Estes trabalhos deverão ser apreciados por seu próprio bem, não por causa de seu “valor” histórico ou literário.

A menos que ambas as obras sejam entendidas, no entanto, é difícil argumentar contra a crítica. Antes de podermos considerar as acusações feitas contra estes dois épicos, vamos considerar as semelhanças entre os dois.

Após uma rápida análise – e ainda mais depois de um aprofundado estudo – os dois trabalhos têm muito em comum. Muitos dos personagens, as semelhanças físicas, e os temas e valores são semelhantes entre as obras, e isso levou às acusações contra Tolkien. Antes de dar a minha opinião sobre as acusações, vamos primeiro considerar as semelhanças entre as obras.

Os personagens principais de cada trabalho mostram mais semelhanças em qualquer uma das categorias. As semelhanças são tão próximas que muitas vezes permitem uma comparação uma-a-uma de personagens em cada uma das posições que detenha os papéis principais. Em Beowulf, esses são o próprio Beowulf, Wiglaf, Hrothgar, Unferth, Grendel e o Dragão. Em Anéis, suas respectivas contrapartes são Aragorn, Frodo, Gandalf e Théoden, Língua de Cobra, os Espectros do Anel e Sauron.

Sendo os personagens principais em suas respectivas histórias, pode parecer lógico comparar Beowulf e Frodo, mas uma observação mais atenta revela mais semelhanças entre Beowulf e Aragorn. Ao longo de seus trabalhos na história, cada um tem, exceto em alguns casos raros, alguns partidários ou amigos para ajudá-los quando preciso. Ao longo desses seguidores, eles mantêm a forma de “amor” mais respeitável como um vínculo entre soberano e guerreiro. Cada um teve muitas aventuras, antes da história, que são mencionadas apenas de passagem, e cada um empreende uma missão importante como um ponto central na história. Durante suas histórias, ambos tornam-se os reis de seus povos, e ambos morrem nobremente – Beowulf antes do dragão, e Aragorn em seu tempo determinado (Anexo A, p.343).

Com Beowulf eliminado como opção, a dificuldade ocorre na tentativa de encontrar alguém com quem Frodo possa ser comparado. Por padrão, Wiglaf é a única escolha razoável. Esta comparação, reconhecidamente longe de ser perfeita, é feita com base em uma similaridade peculiar. Em Beowulf, o próprio (intencionalmente ou não) distrai o dragão enquanto Wiglaf disfere o golpe mortal. Em Anéis, Aragorn (que atua em sua parte como Beowulf) distrai Sauron com o Exército do Oeste (III, ch.10), na esperança de que Frodo terá a oportunidade de dar o golpe final.

Dois personagens de O Senhor dos Anéis podem ser comparados a Hrothgar, cada um usando uma faceta diferente da sua personalidade. O primeiro é Gandalf. Como Hrothgar, Gandalf é considerado por muitos como um velho sábio, e isto está provado durante a guerra por seu oportuno (quando não secreto) conselho para os personagens. Ele também permite que a traição surja perto dele, embora inconscientemente, na pessoa de Saruman. Seu conselho dado principalmente para Aragorn, paralelo ao personagem Beowulf, é muitas vezes semelhante a partes do discurso de Hrothgar.

Outro caso para comparação com Hrothgar pode ser feita em Théoden, Rei de Rohan. Como Hrothgar, Théoden uma vez governou um reino poderoso, mas ao longo da história é corrompido pelas mentiras que detém o poder em sua corte. Um falso conselheiro, Grima (Língua de Cobra, o equivalente a Unferth), é responsável pelos falsos conselhos que levaram à deterioração de todo o povo.

Um caso relativamente simples de comparação está disponível para Língua de Cobra (antes chamado Grima), conselheiro de Théoden e servo de Saruman. A impressão dele no Salão de Théoden “… at [the king’s] feet upon the steps sat a man” (II, p.117) é quase idêntica a primeira impressão de Unferth dada em Beowulf “… who sat at the feet of the king…”. Suas ações subseqüentes em oposição aos personagens Aragorn/ Beowulf mostra que são do mesmo tipo e natureza.

Como os terríveis, mas menores, monstros em cada conto, Grendel e sua mãe têm seus equivalentes nos Espectros do Anel. Ambos são considerados terríveis e quase indestrutíveis no começo da história, mas no final as ações do herói (s) os derrotam. Embora seu poder não seja tão grande quanto o da criatura Dragão/ Sauron, eles têm uma interação maior e mais direta com os heróis em ambas as histórias.

Como as maiores ameaças ao povo, Sauron e do Dragão são, obviamente, comparações naturais, mas as semelhanças nesse caso são tão incomuns quanto fazer um observador atento se perguntar se Tolkien estava tentando esconder uma brincadeira em sua história. Beowulf afirma explicitamente que o Dragão era o último sobrevivente de seu povo antigo, mas isso é verdade (embora de uma forma diferente) para Sauron também. Embora O Senhor dos Anéis seja apenas uma indicação do fato, outra obra de Tolkien, O Silmarillion, menciona que ele é um dos poucos Maiar Negros (seres do tipo angelicais) que ainda sobrevive. Uma comparação ainda mais inteligente se baseia no nome de cada um. O nome “Sauron” é quase idêntica à do adjetivo “Lagarto”, que significa “Réptil” ou “como um Dragão”. Isso geralmente não é evidente para a maioria dos leitores, assim como o próprio Sauron nunca é descrito na trilogia (exceto com um olho), mas parece quase uma piada secreta para alguém que compare estas duas obras.

Há uma série de importantes semelhanças físicas e estruturais entre as obras. Ambos têm referências a um contexto histórico, cada um dando referências ou comentários que indicam que o que pode ter existido antes. Cada história faz menção a uma viagem em algum lugar no texto, e ambos têm o sentido de luta e batalhas encontradas nesse gênero da literatura.

De particular importância é o pano de fundo histórico. Informações sobre a história por trás da vida de Beowulf é dada por ele nas suas primeiras discussões com Hrothgar e Unferth – ele fala de uma dívida de família para com Hrothgar e de batalhas anteriores que lutou para provar suas habilidades. Outros temas como Finnsburg, as condições dos Geats e a construção de Heorot, são dadas em formas de resumo em vários pontos da história. Em Senhor do Anéis, a história do mundo de fantasia de Tolkien não é mostrado em sua totalidade (é necessário outro livro, O Silmarillion, para mostrar tudo), mas muitos fatos de determinada importância são mostrados ao longo do conto em forma de canções, descrições ou lendas.

O conceito de uma jornada introduz ambas as histórias. Como um épico, é quase logicamente necessário ter em Beowulf uma viagem de algum tipo, embora o autor minimize isso fazendo apenas uma menção passageira. Tolkien, em Anéis, tinha tanto espaço literário quanto terreno para trabalhar, e assim foi capaz de dedicar quase todo um livro (Sociedade do Anel) para uma viagem através do país. Ele manteve-se próximo às idéias de Beowulf, porém a maior parte do livro parece ser uma discussão de grandes eventos que ocorrem na jornada e limitado a um diário de viagem.

Considerando o tamanho de cada obra, há relativamente poucas batalhas reais no total. Ambas as obras, no entanto, conseguem transmitir a impressão de uma batalha poderosa. Beowulf contém apenas três batalhas discutidas diretamente – a de Grendel, a da Mãe de Grendel e a do Dragão – mas várias façanhas passadas de Beowulf são mencionadas para dar a sensação de que as lutas contra monstros não são tão raras quanto parecem. Em Anéis, existem 5 cenas bem descritas de batalhas: a batalha de Amon Hen (II, p. 1), A Batalha do Abismo de Helm (II, ch.7), a tomada de Isengard (II, p.170), o Cerco de Minas Tirith (III, cap. 4,6, e 7) e a batalha do Exército do Oeste (III, p.167). Apesar do fato de que o Cerco de Minas Tirith é uma das maiores (talvez a mais longa), batalha única em toda a ficção literária, a maior parte dos três romances é gasta com os heróis tentando se esconder do mal, em vez de confrontá-lo.

Existem muitos valores e características semelhantes entre as duas histórias. Os ideais de amor e fidelidade, e as responsabilidades da realeza e de parentesco guiam ambas as obras. As semelhanças são ainda mais fortes nesse ponto do que em quaisquer outras categorias anteriores, e muitos dos temas aparecem quase que exatamente iguais.

O antigo conceito de amor, significando um forte vínculo entre barão e guerreiro, é utilizado em ambas as obras. Isso é mostrado em Beowulf, quando seus guerreiros se recusam a deixar o pântano mesmo após terem temido sua morte. O conto de Legolas e Gimli em Anéis também fala desta devoção: “[we were] held to that road only by the will of Aragorn…and by love of him also, for all those who come to know him come to love him after their own fashion” (III, p. 150). Essa qualidade de “todos vêm a amá-lo” seria sentida pelo povo em ambas as histórias como a marca de um bom rei.

Fidelidade como uma qualidade mútua em ambas as histórias é mostrada da mesma maneira. Os companheiros se auxiliam em perigo e confiam uns nos outros, ajudam uns aos outros em perigo e confiam uns nos outros, e quando o perigo se torna grande demais para a Sociedade permanecer junto, Frodo mostra seu respeito pela solidariedade do grupo tentando ir embora por conta própria (I, p.422) para não pôr os outros em perigo. Isso é semelhante à proteção de Beowulf por seus servos em toda a primeira parte, e sua falta de vontade de colocá-los em perigo na batalha mortal contra o dragão.

Os valores e costumes da realeza são tratados da mesma maneira em ambas as histórias. Beowulf é instruído por Hrothgar para evitar o orgulho e a tornar-se um governante justo, enquanto Aragorn tem as lendas de seu próprio povo (mostrado n’O Silmarillion) para lembrar esta lição. Ambos devem respeitar seus povos e recompensar seus vassalos, e ambas as histórias mencionam que eles cumprem com suas obrigações: Beowulf no início da Parte 2, e Aragorn, tanto durante a história (III, p.247) quanto depois (Anexo A, p.342).

Parentesco é outro vínculo de lealdade e ambos, Beowulf e Aragorn, possuem essa ligação. Beowulf é apresentado como tendo apenas dois parentes na história, mas cada um é poderoso de sua própria maneira. Hygelac é o Rei dos Geats, e Wiglaf é um guerreiro competente.

Os parentes de Aragorn, embora também não numerosos, são poderosos, e a maior parte de todo um capítulo é dado a sua adesão ao conto (III, ch.2). É a sua ajuda que finalmente rompe o cerco de Gondor (III, p.123), e assim cumprem suas obrigações para com ele como parentes.

Com base nestes paralelismos, pode ser facilmente visto que muitos dos personagens, temas e idéias em Beowulf e Anéis são semelhantes ou idênticos. Estes levantaram as acusações contra Tolkien, mas também mostraram o acusador. Vamos examinar as acusações mais intimamente.

Tolkien é criticado por seu uso “banal” ou de idéias “plagiadas” de Beowulf e outras obras antigas. Os críticos baseiam seus argumentos nos valores e idéias semelhantes já mostrados e nas déias de maior escala – a Criação, os Hobbits (ou “povo pequeno”), Elfos e outros – mostrados em Beowulf e seus contemporâneos.

Ao fazer uma acusação como essa, é sempre necessário considerar os efeitos e definições envolvidas. Uma análise atenta mostra que os argumentos de “plágio” e “banal” enfraquecem suas próprias definições no sentido literário. Acusar um autor de plágio é uma das acusações mais graves que podem ser feitas em toda a literatura. É também – um ponto em que muitos críticos não levam em consideração – quase impossível considerando a definição. O material pode ser plagiado quando: 1. falha ao documentar uma fonte quando citada ou parafraseada, ou 2. copia um material de uma forma mais ou menos direta de outra fonte. O primeiro pode não ser o caso, pois Tolkien não fez nenhum tipo de citação.

A segunda parte da acusação é mais difícil de responder, e isso tem dado origem à acusação de “banal”. As semelhanças já demonstraram que muitos conceitos foram tomados, como argumentam os críticos, a partir de Beowulf e outros. Duas defesas podem ser feitas quanto a isso: primeiro, Tolkien pode ter pego alguns conceitos, mas qualquer trabalho faz o mesmo ou mais sem dar crédito, uma vez que toda a literatura é baseada pelo menos em parte, em trabalhos que vieram antes dele. As pessoas que escrevem sonetos de amor provavelmente irão escolher algumas das mesmas idéias e/ou o estilo de Petrarca ou Shakespeare, mas elas raramente ou nunca listarão todos os autores (ou mesmo que apenas esses dois!), que foram responsáveis pelo desenvolvimento da forma do soneto. Em Paraíso Perdido, Milton usou linhas ou comentários de trabalhos mais antigos sem dar crédito. Você não pode criticar Tolkien sem tomar para si a responsabilidade de criticar o mundo; e a norma aceita de não dar nenhum crédito é o que deve ser respeitado, não algum padrão abstrato e relativo. A segunda defesa é mais simples: Tolkien pode ter usado material similar, mas ele também incorporou suas próprias idéias. Muitas das idéias modernas, o verdadeiro amor (Aragorn e Arwen), duas facetas da natureza (o bem e às vezes o cruel), a engenharia medieval (castelos, máquinas de cerco e as torres), e o tema “salve o mundo de ser destruído pelas trevas” – não estão fortemente presentes em Beowulf ou obras semelhantes. Na literatura, quase qualquer mudança é suficiente para reclamar a propriedade de um trabalho – ninguém discute com o uso de Chaucer de suas histórias, apesar do fato de que já existiam há muitos anos.

As acusações contra Beowulf centram-se em dois dizeres enganosos. O primeiro é a ignorância de Beowulf quanto a assuntos importantes, a segunda é o foco em monstros irrelevantes.

A primeira afirmação pode parecer relevante, se visto de uma perspectiva histórica moderna. Uma análise mais aprofundada desta declaração a partir da perspectiva do autor, no momento, entretanto, revelaria uma linha substancialmente diferente de raciocínio. O autor, na época, não pensaria “em algumas centenas de anos, os bárbaros terão destruído a Inglaterra e esses livros, então eu deveria anotar todas as histórias que puder”, ou “ao longo dos séculos, os registros antigos serão destruídos, e algum dia alguém poderia estar interessado em aprender sobre essas guerras antigas.” Tudo o que interessava ao autor era um conto ser escrito antes de ser esquecido, e isso passou a fazer, referindo-se apenas brevemente as histórias e lendas que eram provavelmente de conhecimento comum na época. Nós não podemos culpar alguém por fazer tudo o que ele logicamente considerava necessário.

O próprio Tolkien dá uma excelente resposta para a segunda acusação em seu ensaio “The Monster and the Critics”, e isso me traz, enfim, ao objetivo do trabalho.

Todas essas acusações e tentativas de “entender” a ficção épica deste tipo têm causado uma quantidade substancial de críticas por todos os lados por quase todo o trabalho importante já publicado. Eu gostaria de propor a discussão, não que as críticas particulares sejam necessariamente erradas, mas que todo o conceito de crítica de ficção épica tem uma tendência a ser impróprio.

O objetivo de qualquer obra de sucesso de ficção épica é, em primeiro lugar e principalmente, o entretenimento. Alguns trabalhos podem ter outras razões secundárias (para ensinar a moral, expressar a opinião da época, mostrar tendências ou sentimentos, ou satirizar algo assim), mas o foco de quase qualquer boa obra é ter o público apreciando o trabalho.

Se o prazer é ser o foco principal, e tudo o mais é secundário, então a maioria das críticas de obras importantes da literatura são imperfeitas. Quase ninguém, em uma obra crítica, focaliza as qualidades intangíveis da obra – era interessante? Divertida de ler? Intensa? Imaginativa? Em vez disso, a ênfase é quase sempre na estrutura da obra, geralmente ao longo das linhas “da página 15, linha # 27, o autor tem sílabas demais para esta forma de poesia” ou “Este ponto de vista da história é tendencioso.”

Os críticos muitas vezes consideram que a qualidade estrutural de um trabalho é mais importante do que o emocional, mas eu discordo. Se todas as referências históricas (Finnsburg, por exemplo) foram deixados de fora de Beowulf, o leitor médio não se importaria, já que isso nem adicionaria nem prejudicaria o foco do conto – Beowulf and the Monsters – salvo para eliminar uma confusa nota de observação. Por outro lado, se os monstros foram ignorados e o conto foi transformado em uma peça histórica (por exemplo, uma intitulada “Beowulf, o rei do Geats”), a maioria dos populares leitores abandonariam o trabalho, deixando apenas um punhado de críticos fanáticos para exaltar a sua virtudes.

Ambos Beowulf e O Senhor dos Anéis, quando considerados a partir de um ponto de vista emocional, são obras-primas. Beowulf é um conto de guerra e conflitos na antiga Inglaterra, mostrando a emoção e os perigos da época. Ao mostrar um conjunto de ideais de lealdade e realeza, também mostra o efeito secundário de explicar a um leitor interessado o conjunto moral que o autor considerou apropriado. O Senhor dos Anéis é um transformação dessas idéias em um épico maciço que se tornou um marco e é, independente do que dizem os críticos, considerado pelos fãs como uma das maiores obras de fantasia de ficção á escritas.

Ambos Beowulf e O Senhor dos Anéis têm resistido ao teste do tempo. Seus valores – não necessariamente para a história, mas para as mentes e os corações dos seus leitores – são inquestionáveis. São obras exemplares, e devem ser tratadas com o respeito que merecem – não com o descaso da crítica exigente.

Sou amante de livros, de qualquer tipo. Historiadora e Bibliotecária, bibliófila por vocação, Janeite por aptidão e Tolkeniana de coração.

Tolkien confirmou em carta: Existiam orcs fêmeas

Bomba, bomba!! Descobri uma carta não coligida em livro do próprio JRRT confirmando o que já era especulado mas pouco “sabido”

 

There must have been orc-women. But in stories that seldom if ever see the Orcs except as soldiers of armies in the service of the evil lords we naturally would not learn much about their lives. Not much was known.

“Elas deviam existir sim, mas como as histórias só mostravam os orcs como soldados em exércitos a serviço dos chefes malignos “nós naturalmente não iríamos aprender muito sobre suas vidas. Pouco era sabido a respeito””.

As “orcas” eram reais!!!

 

“Elas tinham uma preocupação toda especial com sua aparência” … Olhem só para esses brincos, parecem bolas de Natal. Essa daí quer se candidatar pra fábrica do Papai Noel.

Aproveito a oportunidade pra desmentir um tremendo mal-entendido em relação á versão cinematográfica dos Orcs

Post Original de Finarfin (fórum Valinor):

 

Se “à maneira dos filhos de Iluvatar” não quer dizer sexo, eu não sei o que mais pode querer dizer.Mas não vejo como tirar o sexo dessa comparação.

Se orcs nascessem do barro ou como abelhas, não teria como ser “à maneira dos homens”. Seria chutar o balde demais dizer isso.

 

Ninguém acha que não havia sexo no do processo de reprodução dos Orcs Finarfin. Creio que tem algumas coisas que estão dando margem a uma certa confusão. Por exemplo, a cena do filme onde se dá a impressão que os Orcs Uruk-hai nascem “do barro” mostra, na verdade, “membranas” parecidas com bolsas de líquido amniótico , Lurtz saindo de uma delas, o chão coberto de líquido “barrento” porque vários Uruks estavam “sazonando” ao mesmo tempo, rompendo as “bolsas” em cima do barro mas não nascendo literalmente dele.

Aquela meleca toda não é indicação de que não havia sexo apenas que o completo desenvolvimento dos fetos orcs nos filmes era fora do corpo da progenitora ( que não foi mostrada). Isso seria um tipo de adaptação ou mutação esperada de uma raça que precisa se reproduzir em grande número num espaço confinado fora do alcance da luz.Você pode até argumentar que as fêmeas dos anões são raras e não vistas como as dos Orcs mas a raça dos dwarves está mirrando enquanto a dos Orcs prospera se deixada imperturbada com uma prolificidade e rapidez que coloca a dos humanos e elfos no chinelo.

Permitir que os embriões cresçam fora do corpo da mãe como acontece com aranhas garantiria a existência e viabilidade de uma grande prole nessas condições “utumnicas” sem fazer com que as mães orcs tivessem que ter corpos excessivamente grandes ( coisa não prática em cavernas subterrâneas).

Detalhe interessante que os líderes Uruks nos filmes já nascem com “memória genética” embutida, o que lembra a “programação de fala” e falta de alma queTolkien teorizou no ensaio no link do fim do post( partes dele copiadas a seguir) .Tolkien comparou a fala dos orks a uma aprendizagem estilo “papagaio”

Os orks, é verdade, algumas vezes pereciam ter sido reduzido a uma condição bastante similar, embora continue a existir uma diferença profunda. Aqueles orks que por muito tempo viveram sob a atenção imediata de sua vontade – como vigias de suas fortalezas ou elementos dos exércitos treinados para propósitos especiais em seus desígnios de guerra – agiriam como rebanhos, obedecendo instantaneamente, como tendo uma única vontade, seus comandos mesmo se ordenados a sacrificar suas vidas a seu serviço. E como foi visto quando Morgoth foi finalmente subjugado e excluído, aqueles orks que haviam sido assim absorvidos se espalharam impotentes, sem propósito a não ser fugir ou lutar, e logo morreram ou se mataram.

 

In summary: I think it must be assumed that ‘talking’ is not necessarily the sign of the possession of a ‘rational soul’ or fëa.(7)The Orcs were beasts of humanized shape (to mock Men and Elves) deliberately perverted and converted into a more close resemblance to Men. Their ‘talking’ was really reeling off ‘records’ set in them by Melkor. Even their rebellious critical words – he knew about them. Melkor taught them speech and as they bred they inherited this; and they had just as much independence as have, say, dogs or horses of their human masters. This talking was largely echoic (cf. parrots). In The Lord of the Rings Sauron is said to have devised a language for them.(8)

 

 

O filme dá a impressão de sugerir que o nascimento Orc era algo similar a de algumas espécies de tubarões ou sapos.

 

Nas espécies ovíparas, que correspondem a cerca de 20% do total, a fêmea realiza a postura dos ovos retangulares, protegidos por uma membrana filamentosa, de modo a fixá-los ao substrato marinho.

E , embora isso seja uma extrapolação do que está nos livros, não é , ao contrário do que se pensa, uma transgressão do cânon na proporção em que se costuma presumir. Em primeiro lugar porque, na realidade, não há cânon sobre essa matéria. (motivo explicado nos dois últimos parágrafos desse post)

Todos os animais citados fazem “sexo” de uma maneira ou outra e as abelhas não são exceção nessa afirmação.Então, se Tolkien disse que os orcs se reproduziam à maneira dos filhos de Ilúvatar, nem ele e nem nós estamos falando em falta de sexo o que eu e outros estamos falando é que a duração e os detalhes do processo de gestação, nascimento e de crescimento dos filhos já paridos parece ser completamente distinto do que ocorre com elfos e homens.

E isso é observado por uma questão interna de evidência da própria obra, Orcs se multiplicam e crescem rápido demais em um ambiente que a anatomia e condições dos filhos de Ilúvatar não toleraria e isso sugere outras adaptações para a gestação e crescimento dos embriões também.

Percebeu melhor a diferença agora entre o que estamos falando e o que vc está entendendo?

E como disse antes, tudo que Tolkien falou sobre os Orcs no Silmarillion foiquestionado por ele próprio em texto mais tardio inclusive traduzido na Valinor e isso incluiu sua correlação com os elfos.

Se não há noção definitiva no cânon sobre a natureza dos Orcs, qualquer coisa que Tolkien possa ter dito sobre os detalhes de sua reprodução, já que em algumas das teorias de Tolkien os Orcs nem seriam variações de qualquer raça dos filhos de Ilúvatar, nada dito no Silmarillion sobre isso foi feito para ser interpretado como sendo “verdade absoluta”.

A impressão que Tolkien dá é que Orks era o nome genérico que os Elfos davam para o que , na verdade, eram diversas espécies de criaturas aparentadas, algumas sendo perversões de homens e elfos e dotadas de alma, outras sendo meros “construtos” sem alma e ainda outros sendo, na verdade, maiar corrompidos em formas “orquicas”.

Tem diversos pontos do mito de Tolkien que são feitos , de propósito , para serem assim, constituírem o que Tolkien chamava “vistas inatingíveis” e é importante fazer um esforço para distinguir quando é que o Silmarillion não deve ser entendido ao pé da letra, uma coisa meio difícil para o fã brasileiro já que a série HoME não será publicada aqui em curto/médio prazo.

A propósito o que Tolkien falou no Silmarillion foi (

Pois os orcs tinham vida e se multiplicavam da mesma forma que os Filhos de Ilúvatar; e nada que tivesse vida própria, nem aparência de vida, Melkor jamais poderia criar desde sua rebelião no Ainulindalë antes do Início.

 

O texto original que Christopher publicou em HoME X é esse.Repare na forma do plural de orcs nessa versão orkor ( pq a forma dada ao Orc propriamente dito em quenya era Orco mesmo):

Thus did Melkor breed the hideous race of the Orkor in envy and mockery of the Eldar, of whom they were afterwards the bitterest foes. For the Orkor had life and multiplied after the manner of the Children of Iluvatar; and naught that had life of its own, nor the semblancethereof, could ever Melkor make since his rebellion in the Ainulindale before the Beginning: so say the wise.

The kinship, though not precise equivalence, of S orch to Q urko, urqui was recognized,and in Exilic Quenya urko was commonly used to translate S orch, though a form showing the influence of Sindarin,orko,pl. orkor and orqui, is also often found.

Esse é mais um dos casos onde a tradução da MF é bem inadequada, “after the manner”, à “maneira de” como a tradutora portuguesa verteu, não é “da mesma forma” como a edição brasileira acabou traduzindo. Péssima escolha. São errinhos assim que, no efeito cumulativo, passam a idéia de Tolkien ter dito uma coisa diferente do que ele realmente falou.

O “after” dá a sugestão de “inspirado”, after the manner então é a “maneira de” no sentido de ser semelhante, de ser similar, mas não necessariamente igual

A ênfase do texto foi na posse de alma( que o próprio Tolkien questionou depois ) e na reprodução sexuada, nascendo de material biológico e não como construtos de matéria inanimada, o texto não afirma que a maneira do ato sexual, gestação, nascimento e crescimento dos orcs seja exatamente igual a dos Filhos de Ilúvatar.

Jean Grey RG Veda Brasil, Promethea Wonder Woman, Ladyhawke Within Temptation, Nightwish

Celebrían

Esposa de Elrond; mãe de Arwen. Celebrían foi a filha de Galadriel e Celeborn, o Senhor e Senhora de Lothlórien. Não se sabe sua data de aniversário. No ano de 109 da Terceira Era, ela casou com Elrond e eles mudaram para Valfenda. Tiveram filhos gêmeos: Elladan e Elrohir, que nasceram em 130 e a filha Arwen nasceu em 241.

Em 2509, Celebrian estava viajando sobre as Montanhas Nebulosas através do Passo do Chifre Vermelho para a casa de seus pais em Lothlorien quando foi capturada por Orcs. Ela foi ferida e atormentada pelos Orcs, antes de seus filhos encontrar e salvá-la. Elrond foi capaz de curar suas feridas físicas, mas Celebrian permaneceu incomodado por suas lembranças, medo e ela não conseguia mais encontrar a alegria da Terra-média. Ela deixou a Terra-média em 2519 e navegou sobre o mar para as Terras Imortais.
Os filhos de Celebrian gastaram muitos anos caçando Orcs, em retribuição ao tormento à sua mãe. Não se sabe se Elladan e Elrohir escolheram permanecer na Terra-Média ou ir para as Terras Imortais. Arwen, filha de Celebrían, escolheu mortalidade e viveu na Terra-média com o marido Aragorn até sua morte. Elrond permaneceu na Terra-média após a queda de Sauron. Em setembro de 3021, ele navegou sobre o Mar para se juntar à sua esposa.
Notas:
Na primeira edição de O Senhor dos Anéis, a data de casamento de Celebrían e Elrond é dada como no ano 100 da Terceira Era. Celebrían é mencionada em “A História de Galadriel e Celeborn” no Contos Inacabados. No entanto, uma vez que existem contraditoriamente versões desse conto, a informação pode não ser considerada totalmente confiável. Em uma versão, Celebrían tinha um irmão chamado Amrogth e Galadriel trouxe seus dois filhos para morarem em Lothlórien entre 1350 e 1400 da Segunda Era. É dito que Elrond conheceu Celebrían quando ela visitou Valfenda por volta de 1701 da Segunda Era e ele caiu de amor com ela em seguida, mas não dizia a ela dos seus sentimentos. Celebrían diz ter acompanhado seus pais para viver em Belfalas.
Nomes e Etimologia:
Celebrían significa “rainha de prata”. A palavra celeb significa “prata”. A terminação rian significa “presente da coroa” de  sendo “coroa” e anna sendo “presente”.

O nome ‘Bilbo’

Bilbo é, claro, um sobrenome real que, embora raro, sobrevive nos tempos modernos: quando meu pai estava crescendo perto de Hopo, Arkansas, no começo dos anos 30, entre seus vizinhos estavam os Bilbos, alguns dos quais ainda viviam na área em meados da década de 70. Infelizmente, a pessoa com este sobrenome mais conhecida é o notório senador Theodore Bilbo, do Mississippi (1877-1947) um político infame, mesmo para os padrões não tão exigentes do seu tempo, por seu racismo e sua corrupção; por sorte, ele não pode ser a fonte para o uso do nome por Tolkien, pois não alcançou a proeminência nacional até 1934, tempo em que Tolkien já tinha completado o primeiro rascunho para o Hobbit.

Finalmente, como o Oxford English Dictionary (OED) testemunha, “bilbo” também existe, sozinho ou em combinação, em muitos substantivos comuns arcaicos, o mais importante desses sendo o nome de espada bem-temperada e flexível, originada de Bilbao, na Espanha. Tais “espadas-bilbow” eram frequentemente simplesmente chamadas “uma Bilbo”, frequentemente com a inicial maiúcula (sem dúvida por causa do substantivo próprio que deu a elas o seu nome) […] Similarmente, um tipo de algemas era conhecido em meados do século XVI como “um bilbo” ou “um bilbow”, e um jogo de bilboquê popular nos séculos XVIII e XIX era chamado “bilbo-catch” [bilbo-captura”] (mais antigamente bilboquet [NT: daí o nome em português!]. Mas parece improvável que o nome do nosso Bilbo derive de algum desses[…].

(Excerto do livro Mr Baggins, primeiro volume da série The History of The Hobbit, do estudioso tolkieniano John D. Rateliff).

Elanor, a flor

elanor e niphredilFlor de Lothlórien e Tol Eressëa. Elanor era uma flor pequena, dourada e em forma de estrela. Os elfos de Tol Eressëa, nas Terras Imortais, trouxeram Elanor, a flor, para o casamento de Aldarion e Erendis em Númenor, em 870 da Segunda Era.

Elanou crescia em abundância nas colinas de Cerin Amroth, no coração de Lórien.  Aragorn e Arwen noivaram em Cerin Amroth entre as elanor e niphredils, e quando Aragorn retornou para Lothlórien como um membro da Sociedade em Janeiro de 3019, ele organizou um buquê de Elanor, uma vez que relembrara de seu tempo com Arwen, dizendo:
Arwen vanimelda, namarië!
Sam Gamgi nomeou sua primeira filha de Elanor. Era de costume nomear as Hobbits-Moças comos de flores e Sam escolheu Elanor como sugestão de Frodo, por causa da beleza de sua filha.
Nomes e Etimologia:
Elanor é composto por el que significa “estrela” e anor significa “sol“. Também chamada de estrela-do-sol.

    O Rei dos Mortos e Os Mortos

    Rei dos MortosFantasmas de Homens que assombraram a Senda dos Mortos. O Rei dos Mortos e seus seguidores já foram Homens vivos. Eles moraram nas Montanhas Brancas e eram conhecidos como os Homens das Montanhas. Eles eram próximos dos Homens da Terra Parda.

    Os Homens das Montanhas adoravam Sauron, mas depois que o reino de Gondor foi fundado, em 3320 da Segunda Era, o Rei das Montanhas jurou fidelidade a Isildur. Na Pedra de Erech, o Rei prometeu que iria liderar seus homens nas batalhas contra as forças de Sauron.

    Mas quando eles foram convocados durante a Guerra da Última Aliança, o Rei e seus Homens quebraram o juramento e se recusaram a lutar contra seu antigo senhor. Isildur disse ao Rei das Montanhas que ele seria o último rei e ele amaldiçoou os Perjuros, dizendo que jamais descansariam até que o juramento fosse cumprido.

    O Rei e seus Homens se esconderam nas Montanhas Brancas. Com o tempo eles morreram, mas seus espíritos continuaram a assombrar as montanhas e o Rei das Montanhas se tornou conhecido com o Rei dos Mortos. Os Mortos habitaram na passagem sob as montanhas conhecidas como o Caminho dos Mortos.

    Em 8 de março de 3019, Aragorn e a Companhia Cinzenta entraram na Sendas dos Mortos. Aragorn convocou os Mortos para seguí-lo até a Pedra de Erech e assim fizeram. Na escuridão na Pedra de Erech, os Mortos perguntaram para Aragorn porque ele tinha vindo e ele respondeu:

    Para cumprir nosso juramento e ter paz. (RdR, p.50)

    Aragorn então revelou-se o herdeiro de Isildur e chamou os Mortos para combater as forças de Sauron.

    Os Mortos seguiram Aragorn até o porto de Pelargir sobre o Anduin, uma jornada de aproximadamente 280 milhas. Lá eles encontraram a frota de Corsários de Umbar que eram alidados de Sauron. Ao comando de Aragorn, os Mortos embarcaram nos navios e os Corsários fugiram com medo da presença deles. Aragorn usou a frota para ir como auxílio em Minas Tirith durante a Batalha dos Campos de Pelennor.

    Após a frota ser capturada, os Mortos foram até Aragorn e ele declarou que o juramento fora cumprido e que poderiam finalmente descansar.

    Nota sobre o filme:
    Na versão cinematográfica de O Senhor dos Anéis, os Mortos seguem Aragorn em todo caminho para Minas Tirith e luta na Batalha dos Campos de Pelennor.

    Nomes e Etimologia:
    O Rei dos Mortos foi originalmente chamado de Rei das Montanhas e seus seguidores eram os Homens das Montanhas. Eles ficaram conhecidos como os Perjuros porque se recusaram a lutar contra Sauron, como haviam prometido. Eles também eram chamados de Homens Mortos da Terra Parda porque a estrada para a Senda dos Mortos era em Terra Parda. Também conhecidos como os Mortos, ou Mortos Inquetos, o Exército Cinzento, o Exército da Sombra e os Homens da Sombra.

    Fontes:

    • O Senhor dos Anéis, O Retorno do Rei, página 50

    Peregrin Tûk, um estudo de caracteres

    pippin6.jpg

    Amy Spivey, estudante da Bradley University publicou um belo artigo sobre Peregrin Tûk, o nosso querido Pippin. Em seu trabalho a autora discorre sobre o aprendizado a partir do erros e sobre crescimento pessoal, dos quais o pequeno (mas não tão pequeno assim) Tûk é um belíssimo exemplo. Apresento a vocês o texto de Amy (quase) em sua íntegra com alguns poucos pitacos e algumas supressões aqui e ali.

    Mas atenção, se você ainda não leu O Senhor dos Anéis, não te recomendo a leitura deste artigo, é repleto de spoilers! Mas se você é um dos felizardos que já leu esta belíssima obra, boa leitura!

    Durante a escolha da comitiva que iria acompanhar Frodo em sua missão para destruir o Um, Elrond se mostra contrário à participação dos hobbits, principalmente de Pippin, porque ele era o mais jovem e poderia não compreender o que a tarefa implicava realmente.
    Em desafio, Pippin responde: “Então, Mestre Elrond, você terá que prender-me em uma prisão ou enviar-me para casa amarrado dentro de um saco… pois do contrário irei seguir a Comitiva (Fellowship of the Ring, p. 310).
    Uma ousada e provavelmente declaração insensata a se fazer, mas Peregrin Tûk foi determinado à ajudar Frodo até o fim. Sua jornada transformou-o de um hobbit imprudente a um cavaleiro de Gondor homenageado, fazendo dele um personagem essencial na missão de destruição do Anel.
    pippin.jpg
    Pippin, um primo distante e amigo íntimo de Frodo, cresceu ouvindo os contos das aventuras de Bilbo fora do Condado. Quando Frodo decidiu deixar Bolsão, juntamente com Sam e Merry, decidiram acompanhá-lo mesmo contra a sua vontade (pelo menos inicialmente).
    Pippin nos dá sua primeira mostra de imprudência em Bri, quando começou a contar à multidão presente no Pônei Saltitante sobre a festa de aniversário de Bilbo, e por pouco não discorre sobre o desaparecimento de Bilbo fazendo menção ao anel. Frodo o interrompe e tenta distrair os presentes com uma canção e dança, mas acidentalmente colocou o Anel , desaparecendo. O que acabou por não contribuir para melhorar a situação. Quando os Cavaleiros atacam a pousada, os hobbits permanecem a salvo. Deixam Bri no dia seguinte e Pippin suporta a jornada “selvagem” com Passolargo até chegarem em Valfenda.
    Embora Elrond fosse contrário a ida de Pippin, quando chegou o momento da comitiva partir, ele estava entre os integrantes. Contudo, ele pode até ter se sentido corajoso em um primeiro momento, mas foi um dos primeiros a se cansar da viagem.
    Após o fracasso da tentativa de travessia através do Caradhras, a Comitiva toma o caminho para Moria, não sem antes ser atacada por um bando de wargs. O que faz Pippin duvidar: “Eu desejava ter ouvido o conselho de Elrond. …Eu não sou bom afinal. Não existe o suficiente da raça de Bandobras, o Urratouro em mim: estas criaturas congelam o meu sangue. Não me
    lembro de ter me sentido tão miserável antes (Fellowship of the Ring, p. 334).
    E em sua consternação, não para de fazer insensatas questões, uma vez que tinham chegado aos portões de Moria, onde Gandalf explica que os portões não podem ser empurrados para dentro do exterior.
    O que você vai fazer então? Perguntou Pippin, ao que Gandalf respondeu. “Bata com a sua cabeça na porta, Peregrin Tûk, mas se isso não a estilhaçá-las, pelo menos terei um pouco de paz de suas tolas perguntas, vou procurar pelas palavras de abertura” (Fellowship of The Ring, p. 343). No entanto, mais do que palavras imprudentes, Pippin iria ficar em apuros uma vez dentro das minas.

    Curioso era Pippin, mas isso não era desculpa para alguns de seus atos insensatos. Ao parar para descansar em uma sala em Moria, Pippin sente-se atraído por um antigo buraco no meio da sala. “Movido por um súbito impulso, ele pega uma pedra solta e deixa-a cair” (Fellowship of the Ring, p. 351).

    Isto enraivece Gandalf, mais do que qualquer questão poderia. “Seu Tûk Tolo! …Esta é uma viagem séria, não um piquenique de hobbits. Atire-se da próxima vez, e então não vai mais atrapalhar. Agora, fique quieto!” (Fellowship of the Ring, p. 352).
    Como punição Pippin fez a primeira ronda nessa noite, mas Gandalf sentiu pena dele e o liberou. Ele dormiu, mas não aprendeu totalmente sua lição.

    Por um tempo a presença de Pippin cai para segundo plano, até que a Comitiva chega a Amon Hen, onde Pippin e Merry são capturados pelos Orcs e Boromir perde sua vida na tentativa de defendê-los. Em, “As Duas Torres”, a narração é dada a partir do ponto de vista de Pippin pela primeira vez.

    Quando ele recupera sua memória, lamenta novamente sobre a viagem. “Ele se sentia frio e doente. ‘Eu gostaria que Gandalf nunca tivesse persuadido Elrond a deixar-nos vir’, pensou. ‘O quão bom eu era? Apenas um incômodo: um passageiro, uma peça de bagagem…espero que Passolargo ou alguém venha nos salvar’ (Two Towers, p. 42).

    Mas, Pippin começa a utilizar o seu juízo, e corta as cordas que amarravam suas mãos quando os orcs estão desatentos. Ele também, subitamente decide retirar o broche élfico de seu manto e o deixa cair, para o caso de Aragorn tentar encontrá-los. Mas, logo depois põe em dúvida suas próprias ações. “…Não sei porque fiz isso. Se os outros escaparam, provavelmente terão ido com Frodo” (Two Towers, p. 48).

    Apesar de sua dúvida, Pippin começa a demonstrar o seu valor quando os Rohirrim atacam os orcs e Grishnákh, um orc de Mordor, tem a oportunidade de pegar os hobbits. Pippin percebendo que o orc sabia sobre o Anel, finge que ele e Merry poderiam ajudá-lo a fim de bolar um plano para poder escapar. O orc os leva para longe da batalha, mas é morto por um cavaleiro do Rohan. Pippin então acaba de livra-se das cordas e liberta Merry. Em seguida, os hobbits adentram a Floresta de Fangorn.

    Os dois hobbits conhecem então Barbárvore e lhe contam suas aventuras, chamando a atenção do ent com a menção dos orcs de Isengard. Barbárvore torna-se então determinado a parar Saruman
    (não sem antes um longo Entebate!)

    Pippin e Merry estão ansiosos para ajudar, e Pippin diz, “Gostaria de ver o Mão Branca derrubado. Gostaria de estar lá, mesmo que eu não pudesse ser de alguma utilidade: Eu nunca deverei esquecer dos Uglúk e da travessia de Rohan” (Two Towers, p. 77). Curiosamente, Pippin reitera mais uma vez que ele “poderia não ser de muita utilidade”, mas, está, contudo, disposto a ir à guerra com os Ents, depois de ter sofrido o tormento dos orcs.

    (…)

    Embora a batalha com os Ents tenha sido o maior evento da viagem de Pippin até agora, as ações de Gríma Língua de Cobra foram determinantes para seu destino na última fase da guerra. Durante o confronto com Saruman, Pippin pegou o Palantír que Gríma havia jogado da torre. No que prontamente Gandalf tomou-lhe a pedra, não sem antes perceber o olhar saudoso do hobbit para ela.
    rotk_parte02_05.jpg

    (…)
    Pippin enamorado pela pedra, a pega de Gandalf enquanto este dormia e a leva para perto de sua cama para olhar.

    (…)

    “Então, com um grito estrangulado ele caiu para trás…” (Two Towers, p. 218).

    Gandalf corre em Socorro do hobbit e lhe pergunta sobre tudo o que o pequeno falou com Sauron. Embora, Pippin não tenha conseguido evitar revelar muito a Sauron, Gandalf acredita que de certa forma o acontecimento constitui uma vantagem, pois Sauron agora direciona seus “olhos” para o Oeste deixando o Leste menos vigiado. Gandalf então determina o retorno da companhia à Edoras ao passo que ele e Pippin se encaminham para Gondor.

    Nessas ações rápidas e inesperadas, um evento significativo pode ser ignorado: a separação de Merry e Pippin. Desde a primeira parte da viagem a partir do Condado, eles estiveram juntos, mas agora, eles serão separados. Pippin está muito preocupado, ouvindo Gandalf explicar a história das Palantíri, para perceber que ainda se passará um longo tempo até que ele possa ver Merry novamente – se possível isso for.

    Ao chegar em Minas Tirith, Gandalf leva Pippin até Denethor, o Regente de Gondor, que quer ouvir mais sobre a morte de seu filho Boromir. Denethor suspeita do hobbit, imaginando como ele pode ter escapado e seu filho não.
    Pippin reage oferecendo servidão à Denethor, como reparo pela morte de Boromir. O hobbit torna-se então um Guarda da Cidadela.
    guarda_da_cidadela.jpeg

    (…)

    Pippin começa uma amizade com Beregond, o responsável por lhe ensinar as senhas que ele precisaria para o serviço, mas também quem lhe ensinou sobre Gondor e seu povo. Ele também ganha a amizade de Bergil, filho de Beregond, que lhe mostra a cidade, e juntos eles vêem a chegada da ajuda para os exércitos de Gondor, incluindo Imrahil, o Príncipe de Dol Amroth.

    Pippin finalmente encontra-se com Gandalf novamente naquela noite em seus alojamentos, mas com poucas boas notícias, porque A Escuridão tinha começado. Pela manhã, Pippin sentiu-se desmotivado novamente, perguntando à Gandalf porque ele está ali. “Você sabe muito bem…para mantê-lo fora de perigo; e se não gosta de estar aqui, você pode se lembrar que você trouxe isso sobre si mesmo” (The Return of the King, p. 72).

    (…)

    Pippin foi essencial para o coração da batalha contra Sauron, e quando o Nazgûl foi atraído para próximo, perseguindo Faramir, Pippin tremeu de terror. Certamente, Elrond tinha razão quando disse que Pippin não fazia idéia do que lhe esperava à frente. Mas, com a ajuda de Gandalf, Faramir chega a Minas Tirith e revela seu encontro com Frodo e Sam, deixando Gandalf saber do seu caminho escolhido e Pippin que esperança eles têm.

    Os piores dias vieram após Faramir ser trazido gravemente ferido da batalha nos Campos de Pelennor. Quando Minas Tirith começou a queimar, Denethor liberou Pippin de seus serviços, dando-lhe permissão para seguir no que ele considerava a insensatez de Gandalf. Mas Pippin tornou-se valoroso e não vai desistir ainda.

    “Vou aproveitar sua licença, senhor…porque eu quero ver Gandalf, muito mesmo. Mas ele não é bobo; e não vou pensar em morrer até que ele se desespere. Mas da minha palavra e de seu serviço não quero ser liberado enquanto você viver. E se vierem finalmente para a Cidadela, espero estar aqui e ficar ao seu lado e talvez ganhar as armas que você tem de me dar”. (The Return of the King, p. 95).

    No entanto, vendo que Denethor tinha a idéia fixa de queimar a si mesmo e a Faramir (que apesar de gravemente ferido ainda estava vivo), Pippin imediatamente vai em busca de Gandalf, na esperança de salvar Faramir da loucura de seu pai. Ele encontrou Beregond e lhe disse para fazer o que ele podia, apesar das ordens para não deixar o seu posto, por qualquer motivo.
    Quando Pippin encontra Gandalf, o mago está prestes a ir à batalha, mas Pippin implora por sua ajuda. “Denethor foi para os Túmulos…e ele tomou Faramir, e ele diz que estamos todos a arder e ele não vai esperar, e eles estão a fazer uma pira e queimá-lo, e Faramir também…Eu disse a Beregond, mas eu temo que ele não se atreva a deixar o seu posto…Você pode salvar Faramir? (The Return of the King, p. 126).

    Pippin sabia que o tempo era curto e que Gandalf era o único que poderia ajudar. Embora terrificado pelo que Denethor tinhas se tornado, Pippin também sabia que Faramir tinha que ser salvo.

    Quando finalmente a batalha dos Campos de Pelennor foi encerrada, Pippin e Merry reuniram-se novamente junto aos portões de Minas Tirith, mas Merry fora ferido por uma punhalada pelo Rei-Bruxo. Pippin tenta levá-lo através da cidade, mas Merry está fraco, e Pippin teme pela vida dele.

    “É tu que vai me enterrar? disse Merry. “Não, na verdade” disse Pippin, tentando soar alegre, embora seu coração apertado estivesse com medo e pena. “Não, vamos para as Casas de Cura” (The Return of the King, p. 136).

    Pippin diz a Bergil para enviar mensagem para os curandeiros. Gandalf chega, e gentilmente carrega Merry. Para todas as dúvidas de Pippin de ter vindo junto com a Comitiva, Gandalf reconhece a honra recebida pelos hobbits. “…porque se Elrond não tivesse se rendido a mim…muito mais severos os males do presente dia, teriam sido”. (The Return of the King, p. 137).

    Embora Gondor tivesse sido salva, por aquele momento, a viagem mais perigosa que Pippin já enfrentou tem início, a batalha do Portão Negro, dando a Frodo uma oportunidade para cumprir sua tarefa. Quando a Boca de Sauron traz notícias aparentemente devastadoras, Pippin perde toda sua esperança. Mas ele tem coragem, e de pé ao lado de Beregond, aguarda o ataque.

    Ele puxou sua espada e olhou para ela, e as formas entrelaçadas em ouro e vermelho; bem como os harmoniosos caracteres reluzentes de Númenor, como fogo sobre a lâmina. “Isso foi feito para horas como essas”, pensou. “Se eu pudesse apenas golpear algum mensageiro com ela, então eu terei chegado ao mesmo nível que o velho Merry. Então, eu irei decepar algumas destas bestas antes do final. (The Return of the King, p. 176).

    E assim ele faz. Como um grande troll vem após Beregond para matá-lo, Pippin o golpeia, mas é esmagado quando o monstro cai sobre ele. Sabendo que esse é o fim, ele sente as trevas à levá-lo até que ele pensou ouvir um grito: “As Águias estão vindo! As Águias estão vindo!” Por um momento Pippin pensou que flutuava. ‘Bilbo’! ele disse, ‘Mas não! Que entrou em seu conto, no passado distante. Este é o meu conto, e é encerrado agora. Adeus! “E seu pensamento fugiu e seus olhos não viram mais nada”. (The Return of the King, p. 177).

    Felizmente para Pippin, Gimli estava no lugar certo na hora certa, e encontrou-o antes que ele tivesse ido. Com a derrota de Sauron e o Anel destruído, chegou finalmente o tempo da Comitiva reunir-se novamente.
    Sam, após vê-los pela primeira vez, se espanta, e Pippin articula o seu orgulho. “…vamos começar dizendo [nossas histórias]logo que o banquete tiver terminado… Nós somos cavaleiros… como eu espero que você observe” (The Return of the King, p. 251). Quando Sam observa que vai levar semanas para eles contarem todas as histórias, Pippin também demonstra, que apesar de todas as dificuldades que ele suportou, ele ainda tem senso de humor. “Semanas, verdade… e, em seguida, Frodo terá de ser trancado em uma torre em Minas Tirith e escrever tudo. Caso contrário ele irá esquecer metade de tudo, e o pobre velho Bilbo ficará terrivelmente decepcionado” (The Return of the King, p. 251).

    Assim, eles ficaram em Gondor por algum tempo, mas em breve, mesmo a alegre reunião deve terminar e os membros da Comitiva se separar. Após fazer a travessia de volta pela Terra Média, os hobbits chegam ao Condado, só para descobrir que os rufiões o tinham invadido.

    Quando os quatro hobbits encontram um grupo próximo ao Dragão Verde, Frodo chama a ira de um, que começa a provocá-lo. Pippin parte na defesa de Frodo, e pela primeira vez, tem a oportunidade de chamar alguém de tolo. “Eu sou um mensageiro do Rei. …Você está falando com o amigo do Rei, e um dos mais renomados em todas as terras do oeste. Você é um rufião e um tolo. Fique de joelhos no meio da estrada e peça perdão, ou irei jogar sobre ti as desgraças dos trolls” (The Return of the King, p. 309).

    Os quatro hobbits concebem um plano para libertar o Condado, Pippin cavalga até Tuquerburgo para reunir os Tûks para a insurreição. Usando as táticas que eles aprenderam em batalhas, Pippin e Merry ganharam os títulos de Capitães e lutaram e venceram a batalha de Beirágua em 1419, e com sucesso libertaram o Condado.

    Quando Frodo decide deixar a Terra Média alguns anos mais tarde, Pippin, embora profundamente triste, compreende o porquê. “’Você tentou nos enganar uma vez antes e falhou, Frodo’, [Pippin] disse. ‘Desta vez você quase conseguiu, mas falhou novamente. Não foi Sam, porém, que deu-te este tempo, mas o próprio Gandalf” (The Return of the King, p. 399).

    Ele chorou quando Frodo partiu, mas sua história ainda não havia acabado. Como os Apêndices nos mostraram, Pippin casou-se com Diamantina de Frincha Longa e teve um filho, Faramir, e tornou-se Thain do Condado.

    Aragorn, agora Rei Elessar, também fez dele um Conselheiro do Reino do Norte. Após longos anos, Pippin e Merry deixaram o Condado; passaram os ofícios para os seus filhos; e viajaram para Edoras e Gondor, onde vieram a morrer. Eles foram levados para descansar em Rath Dínen com honra, e quando o Rei Elessar morreu, ele foi colocado ao lado deles.

    A maturidade de Pippin cresceu significativamente, desde aquele primeiro encontro com os Cavaleiros Negros até a última batalha do Condado. Ele iniciou a viagem como um ignóbil jovem hobbit, mas no fim ele tornou-se um cavaleiro de Gondor, uma alta honra e cresceu aos olhos do Rei.

    Ele aprende a partir de suas tolices, e por vezes perigosos, erros, ganhando uma grande dose de respeito ao longo do caminho. As realizações de Pippin são notáveis, e sendo parte da Comitiva abriu seus olhos para o mundo fora de seu lar. Mas talvez, sua mais significativa realização foi ter-se tornado um grande líder entre os hobbits – entre seus parentes, sua família.
    O artigo de Spivey pode ser lido na íntegra no site da Tolkien-Online.com.
    Fontes:
    J.R.R. Tolkien. The Lord of the Rings, The Fellowship of the Ring.
    J.R.R. Tolkien. The Lord of the Rings, The Two Towers.
    J.R.R. Tolkien. The Lord of the Rings, The Return of the King.

    O Condado, a Terra-Média e o Mar: A nostalgia de Tolkien.

    Diego Klautau, Mestre em Ciências da Religião – PUC/SP, trata neste artigo a presença de uma crítica à modernidade em O Senhor dos Anéis. A partir das idéias de Agostinho, Tolkien cria um mundo que é percebido tanto em sua ordem de desenvolvimento natural quanto na regulação de virtudes nas relações entre o seres racionais como um mundo criado por Deus, e com valores claros transmitidos por gerações, revelados através da tradição por esse mesmo Deus. Esse conjunto de virtudes, concepção do homem, e seres racionais, da natureza e das esferas políticas e institucionais é baseado na filosofia de Agostinho. Porém, ao escrever O Senhor dos Anéis em um contexto de século XX, entre as duas grandes guerras e todo desenvolvimento histórico que percebia, devidamente inserido em seu tempo, Tolkien formula uma crítica a esse momento histórico.

    O artigo na íntegra de Klautau:

    http://74.125.47.132/search?q=cache:jnHvaNnveUYJ:www.abhr.org.br/wp-content/uploads/2008/12/klatau-diego.pdf+texto+sobre+Tolkien&cd=36&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

    Fonte: Diego Klautau – PUC/SP.