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“A Queda de Gondolin”: tradução CONCLUÍDA!

É oficial, senhoras e senhores: está concluída a tradução de “A Queda de Gondolin” para o português do Brasil, realizada por este escriba que vos fala. Cansei, mas até que não doeu muito 😉

Por razões contratuais, ainda não posso encher vocês de spoilers sobre o conteúdo do livro, mas posso garantir uma coisa: a publicação do livro vai ser um marco para os fãs brasileiros de Tolkien. Não apenas porque, pela primeira vez, um livro do Professor sai simultaneamente aqui e nos países de língua inglesa (no final de agosto, no caso), mas também porque, pela primeira vez DE NOVO, fãs do Brasil terão acesso a textos sobre a Terra-média que jamais saíram por aqui, nem na maioria das nações não-anglófonas. O texto já está passando por preparação, revisão ortográfica e gramatical e revisão técnica (nesse caso feita pelo nosso competente valinoreano Gabriel “Tilion” Brum). Estamos tranquilamente dentro do prazo, portanto.

Assim que eu puder analisar diretamente o conteúdo do livro, vocês serão os primeiros a saber.

Obrigado ao chefinho Samuel Coto pela confiança e pela equipe da Harper Collins Brasil (André Lodos, Brunna Andrade) sempre pronta a ajudar, e à minha adorada esposa Tania “Aredhel” Antonietti Lopes, que está terminando a preparação do texto.

E agora com licença que eu tenho um encontro com um tal de Silmarillion e um livro sobre evolução humana pra escrever 😉

Yiddish Policeman’s Union, O Hobbit, O Senhor dos Anéis, Preacher, O Silmarillion, Cristianismo Puro

“O Hobbit” TAMBÉM é nosssso, preciosssso!

Sim, meus gentis-hobbits, a equipe de Istari da editora Harper Collins Brasil continua trabalhando a todo o vapor e já definimos como serão as coisas para 2019. Anote aí: eu serei o tradutor de “O Hobbit”, enquanto o mestre Ronald Kyrmse merecidamente ficará com “O Senhor dos Anéis”. Ainda não temos datas oficiais, mas com certeza as novas traduções sairão no ano que vem.

E, só para fazer um roundup do que já teremos para este ano, a previsão é:

AGOSTO: A biografia oficial de Tolkien escrita por Humphrey Carpenter

AGOSTO: “A Queda de Gondolin”

NOVEMBRO: “Beren e Lúthien”

FINAL DO ANO: “A Balada de Aotrou e Itroun”

Mais notícias sobre “A Queda de Gondolin” em breve!

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A relação entre “O Silmarillion” e o Antigo Testamento — palestra na íntegra

Todo mundo sempre pergunta sobre os paralelos entre a Bíblia, em especial o Antigo Testamento, e os textos de “O Silmarillion”. Bom, resolvi sistematizar ao menos parte dos paralelos entre os dois na palestra que dei na Universidade Presbiteriana Mackenzie na semana passada, durante a jornada de estudos sobre Tolkien organizada por meus colegas lá. Filmei tudo, não consegui editar o arquivo, mas deu pra salvar o áudio, que eu transformei em vídeo de novo para o YouTube.

Para acompanhar tintim por tintim os textos citados em inglês e português, é só baixar o arquivo PowerPoint clicando aqui. Espero que se divirtam e consigam entender este palestrante toscão!

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Vida e obra de Tolkien no podcast Rock com Ciência

O pessoal do podcast Rock com Ciência, uma das iniciativas de divulgação científica mais bacanas que existem por aí, convidou este Cisne que vos fala para participar de um programa inteirinho dedicado à vida e à obra de Tolkien. Falei também um pouco, é claro, do que pretendo fazer com as novas traduções da obra do Professor pela editora HarperCollins Brasil. Transformei o podcast em vídeo do meu canal, confiram abaixo! Nai Anar caluva tielyanna!

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Novo tradutor de “O Silmarillion” é da Valinor!!!

É com grande, imensa, gigantesca alegria que posso anunciar que farei parte da nova fase dos livros de Tolkien no Brasil comandada pela editora Harper Collins! Eu, Reinaldo José Lopes, conhecido como Imrahil pelo pessoal da Valinor, cofundador do site, serei o novo tradutor de “O Silmarillion”, com o objetivo de fazer uma versão para o português que realmente reflita a beleza arcaica e o lirismo do texto original. Mais detalhes no vídeo! E, se quiserem acompanhar mais novidades sobre a monumental tarefa de trazer toda a obra de Tolkien para o Brasil, não deixem de se inscrever no canal!

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O clássico de fantasia “Em Busca de Watership Down”

Quer conhecer outro livro clássico de fantasia britânico? Vale a pena experimentar “Em Busca de Watership Down”, publicado em 1972 por Richard Adams. O que acontece quando você mistura mitologia greco-romana, coelhinhos e pitadas de zoologia? Uma aventura ao mesmo tempo divertida, sombria e filosófica que lembra “O Hobbit” em alguns aspectos. Saiba mais no vídeo do nosso colaborador Reinaldo “Imrahil” Lopes!

 

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Élfico Básico: Um Gostinho de Gramática!!!

Reinaldo José Lopes, nosso Doutor em Tolkien, retorna com mais um vídeo de Élfico. Aproveitem o vídeo e se inscrevam no canal!

Estamos de volta com as nossas sessões de élfico básico, agora com um rápido gostinho da gramática do quenya, usando a famosa frase de Elendil depois cantada por Aragorn: Et Earëllo Endorenna utúlien! Sinome maruvan ar Hildinyar tenn’ Ambar-metta! Não entendeu? Eu explico tudo — e ainda pago mico cantando!

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Vídeo: Top 5 de “Beren e Lúthien”!

Sauron originalmente era um supergato? Tolkien se inspirando em Shakespeare e numa saga viking? Tudo isso e muito mais neste vídeo sobre a maior história de amor da Terra-média, o amor proibido entre a elfa Lúthien e o humano Beren, em livro que acaba de ser lançado. Confira!

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Brasil ganha novo livro sobre Tolkien nesta sexta

Qual é o significado e a importância da obra de Tolkien? Como a profunda fé cristã do autor moldou sua obra? Eu sei, eu sei, perguntinhas nada modestas, mas um pequeno porém corajoso grupo de especialistas em Tolkien, incluindo este Cisne que vos fala, tentam respondê-las em “O Evangelho da Terra-média – Leituras Teológico-Literárias da Obra de J.R.R. Tolkien” (organização do professor Carlos Ribeiro Caldas Filho), livro que está sendo lançado nesta sexta, 15/06, em São Paulo. Tenho orgulho de dizer que sou o autor do capítulo sobre filologia.

A obra de 206 págs. é um lançamento da Editora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e custa R$ 35. É claro que todos os valinoreanos estão mais do que convidados – confiram o convite oficial. Vai haver um breve  bate-papo com os autores durante o lançamento. O local é a Livraria da Vila do Shopping Higienópolis e o horário, a partir das 18h30. Espero vocês por lá!

 

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Por que Tolkien é mitologia

Relendo “Os Filhos de Húrin” pela enésima vez (não leu ainda?! Vassuncê tá esperando o quê, mizifi?), pus-me a refletir porque, em seus melhores momentos, o texto de Tolkien é tããão parecido com mitologia “de verdade”, da legítima, da pura. (Reflexão que só podia ser coisa de doutorando em Letras veadinho feito eu, veja você.)

A pista para matar a charada estava nas minhas fuças, no emaranhado de frases de “Os Filhos de Húrin”. Tolkien é mitologia porque SOA COMO mitologia, porque a trama do estilo do Professor é construída de maneira inerentemente mitológica. Tentarei explicar melhor.

Ao contrário do que a gente vê no cinema comercial moderno — por exemplo –, as narrativas míticas tradicionais estão cagando solenemente para coisas como ordem cronológica estrita ou suspense. Essa coisa de sair da fila do cinema se alguém da sessão anterior te contar o final soaria como um absurdo sem tamanho para um narrador tradicional de mitos.

Para sujeitos como eles, o que realmente contava era a conexão das histórias com TODAS as outras histórias, como a narrativa se encaixava na saga mais ampla de seu povo ou de sua cultura. Tem algo de ritual sagrado nesse processo todo: o fato de você saber de antemão o que vai acontecer com os personagens aumenta o “pathos” (ê palavrinha veada), ou seja, a força emocional da história, em vez de diminuí-la.

Rohan e Túrin
Um exemplo bobinho está em “O Senhor dos Anéis”. Lá pelas tantas, quando Pippin ouve ao longe as trompas dos cavaleiros de Rohan soando e vindo em socorro de Minas Tirith, o narrador diz que, pelo resto de sua vida, o hobbit nunca mais conseguiu ouvir berrantes (desculpem a licença poética, mas eu sou caipira, e trompas nada mais são que berrantes) soando ao longe sem que lágrimas aparecessem em seus olhos.

Pronto, Tolkien já contou, na prática, que o livro vai ter um final feliz, já que Pippin vai, afinal, viver para se lembrar da chegada dos guerreiros de Rohan ao Pelennor. Pergunta se Tolkien esquentou a cabeça com isso. Claro que não — no que faz muito bem, aliás.

A saga dos Filhos de Húrin, porém, usa muito mais esse recurso, como, aliás, fazem todas as demais narrativas da Primeira Era. É só pensar no fato de que, ao contar a participação de Húrin nas Nirnaeth Arnoediad, o livro REPRODUZ quase letra a letra um relato de batalha que o leitor do Quenta Silmarillion, “O Silmarillion” propriamente dito, JÁ leu.

E ainda coloca o floreio retórico: “Se todas [as histórias sobre a batalha] fossem contadas, a vida de um homem não seria suficiente para ouvi-las”. Recurso, aliás, empregado pelo Evangelho de João no Novo Testamento, de forma quase idêntica.

Outro exemplo: “Essa foi a primeira das tristezas de Túrin”; “Essa foi a segunda das tristezas de Túrin”. O crescendo de tristeza sobre tristeza deixa claro que aquele narrador está olhando para a frente, vendo a história como um todo de tragédia, e não como algo contado de forma descompromissada naquele momento.

Só o contato e o conhecimento íntimo com as grandes mitologias antigas permitiu que Tolkien pudesse usar as características mais sutis delas para encorpar a sua própria. Não é tarefa para qualquer um, ladies and gents.

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