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Viajando na maionese de Asas e Cabelos

Michael Martinez

Novos livros de autoridade sobre a Terra-média são escassos e demandam enorme espera. Frequentemente, quando um novo livro é publicado fornecendo novas informações sobre a Terra-média, nossas queridas ideias que nutrimos por tanto tempo sofrem um sério desafio e devem ser reavaliadas.

The History of Middle-earth (HoME) caminha a passos tímidos para um nada profundo desfecho através das notas finais de Christopher Tolkien sobre “Tal-Elmar” finalizando The Peoples of Middle-earth. Seu papel no longo e meticuloso processo de organizar e publicar as anotações e manuscritos de seu pai termina de forma silenciosa. Tantas questões permanecem sem resposta no 12º volume da HoME que muitas pessoas expressam uma enorme frustração com este trabalho. “Isso é tudo que há para se falar sobre a Terra-média?”, perguntam elas.

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Os comerciantes da Terra-média

De vez em quando alguém pergunta que moeda era usada na Terra-média. É difícil de encontrar evidência de moeda (dinheiro) em O Senhor dos Anéis, mas existem sim algumas referências sobre isso. Quando Gandalf chegou à Vila dos Hobbits com uma carroça com fogos de artifício para o último aniversário de Bilbo e Frodo juntos, crianças hobbits o seguiram até Bolsão esperando por uma apresentação do mago. Ao invés disto, Bilbo atira para elas alguns centavos e as manda embora. Mestre Gamgi também relata que Bilbo é esbanjador em se tratando de dinheiro enquanto fala com os amigos.

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Contos Misteriosos da Terra-média

Não ouvimos falar com freqüência sobre as histórias de fantasmas que as
pessoas deviam contar umas às outras na Terra-média. O trabalho de
Tolkien é permeado por lendas bem trabalhadas que possuem, geralmente,
de fato um embasamento (dentro do escopo de sua pseudo-história), mas
quando paramos para considerar as imensas expansões de tempo que a
pseudo-história da Terra-média cobre, devemos nos perguntar quão
artificiais essas lendas se tornaram.
 
 
 
Todos já ouviram falar da história sobre o louco
que escapa de um sanatório e quase mata um casal jovem em uma estrada
escura, deixando sua garra pendurada na porta do carro (este seria, é
claro, um carro bastante antigo). Talvez essa história deva um pouco ao
mito nórdico do deus da guerra Tyr, que colocou sua mão na boca de
Fenris, deixando o lobo arrancá-la, enquanto os Aesir acorrentavam o
lobo. Tyr deveria ser um tanto quanto louco para fazer isso.

As primeiras histórias de fantasmas da Terra-média provavelmente foram
os contos há muito tempo esquecidos que os Elfos criaram sobre os
monstros de Melkor antes de Oromë descobrir sua morada em Cuiviénen. "E,
de fato, as canções mais antigas dos Elfos, cujos ecos ainda são
lembrados no Oeste, falam sobre formas sombrias que caminhavam nas
montanhas acima de Cuiviénen, ou passavam de repente pelas estrelas, e
do Cavaleiro Negro sobre seu cavalo selvagem, que perseguia aqueles que
vagavam, para tomá-los e devorá-los."

Os primeiros Elfos
eram um tanto ingênuos, em comparação aos seus sucessores Eldarin. Eles
não sabiam nada sobre quem eram os Valar, como o mundo se tornou o que
é, ou que monstros existiam (originados das criaturas inocentes de
Yavanna, ou Maiar corrompidos que assumiram formas de terror). Nem seus
poderes de mente e corpo estavam desenvolvidos. Será que os Elfos
sabiam, antes de encontrar os Valar, como utilizar suas faculdades
subcriacionais? Seria interessante se os primeiros menestréis Élficos,
que, em eras posteriores podiam "fazer com que as coisas sobre as quais eles cantavam aparecessem em frente aos olhos daqueles que estivessem escutando",
tenham feito canções de poder, onde suas audiências veriam novamente as
terríveis e místicas formas sombrias que rastejavam em seu mundo
outrora agradável.

Oromë levou os Eldar para o Oeste, através
de um mundo assustador, grande e desconhecido, para as margens
ocidentais da Terra-média, e a partir dali a maioria dos Eldar partiu
para uma terra de luz. É difícil imaginar os Altos-Elfos de Aman
vivendo sobre os fantasmas e demônios de seu passado. Eles seguiram o
estudo de alta civilização e arte e construíram grandes cidades e
artefatos poderosos. Mas os Eldar que permaneceram na Terra-média, os
Sindar, foram deixados na escuridão (ou na fraca luz das estrelas), e
apesar de por longas eras eles não terem sido perturbados pelas
criaturas de Melkor, ainda tinham razão para conhecer o medo.

Pois os Sindar eram perturbados pelos Noegyth Nibin, os Anões
inferiores, exilados das grandes cidades dos Anões do Leste, que
encontraram seus caminhos para Beleriand. Ali, nas Terras Selvagens
antes da vinda dos Elfos, eles estabeleceram sua própria cultura, da
qual não conhecemos praticamente nada, além do fato que eles eram
reservados e rancorosos. Os Noegyth Nibin atacaram os Elfos, que
revidaram ao caçá-los, sem saber de fato que os Noegyth Nibin eram
decaídos de um estado mais alto de civilização, tomando-os por animais
ou pequenos monstros da escuridão.

Com o tempo, os Sindar se
tornaram amigos dos Anões de Nogrod e Belegost, e eles aprenderam sobre
a verdadeira natureza dos Noegyth Nibin, e os povos deixaram cada um em
paz. Mas os Sindar eram de vez em quando avisados pelos Anões do Leste
que criaturas malignas estavam se multiplicando nas terras além de Ered
Luin. Se os Sindar tivessem tido tempo para esquecer os antigos
monstros, eles eram eventualmente lembrados, quando as criaturas de
Melkor começaram a se rastejar por Beleriand, "lobos… ou criaturas que andavam em forma de lobos, e outros seres sombrios cruéis".

Os Sindar se dividiram em dois grupos: Elfos das Florestas que se
espalharam para o Norte e Oeste a partir de Doriath e os Elfos
navegantes, que moravam nas terras costeiras ocidentais e se espalharam
pelo Norte. Muitos destes Elfos viviam fora das cidades, mais
provavelmente em cidadelas ou vilarejos que nunca apareceram em nenhum
mapa. Mas estando longe dos centros de poder e sabedoria, eles estavam
menos seguros em suas casas e talvez mais propensos para se perguntar
sobre as coisas misteriosas que se rastejavam ao redor deles. Será que
estes Elfos, talvez, cantavam sobre as coisas sombrias que assombravam
Beleriand?

Após o retorno dos Noldor e o começo da Guerra das
Gemas, criaturas sombrias e terríveis teriam se tornado bem conhecidas
através de Beleriand. Imagine se um exército de goblins, vampiros e
lobisomens estivesse prestes a invadir sua terra natal e permanecer
próximo por muitos anos. Você estaria propenso a contar "histórias de
fantasmas", sabendo que os fantasmas estavam logo além da montanha? Os
contos seriam histórias reais, não lendas. As criaturas seriam inimigos
conhecidos, e não terrores maléficos misteriosos.

Não seria
até após o colapso dos grandes reinos que de fato se tornaram lenda
novamente. Homens mortais se lembrariam das histórias e passariam as
mesmas para a frente, mas a cada geração, as histórias se tornaram
menos reais. Será que Dirhavel de Arvenien entendia sobre o que estava
cantando, se ele cantou sobre o conto de Barahir e seus fora-da-lei 70
anos após os eventos terem se desenvolvido? Quantos dos Elfos que
sobreviveram à destruição dos reinos em Arvenien e Ilha de Balar eram
velhos o suficiente para se lembrar das grandes batalhas ou do passado
antigo? Mesmo Elrond, que já era antigo na época da Guerra do Anel,
teria crescido nos dias em que Húrin e Túrin eram apenas memórias dos
homens e mulheres idosas, Hador era um ancestral distante e Cuiviénen
estava há gerações além de sua experiência.

Quão reais os
contos do Lobo-Sauron e Drauglin, pai dos lobisomens, e Thuringwethil,
a mensageira de Sauron em forma de morcego, e Gorlim, o fantasma
infeliz, teriam parecido às gerações de Homens e Elfos que cresceram no
início da Segunda Era? Seu mundo havia mudado. A maior parte de
Beleriand havia sumido. Os grandes reis, que lideraram os Elfos e Edain
na guerra contra Morgoth estavam todos mortos. Os Edain do Oeste
navegaram para construir uma grande civilização e os Edain do Leste
retrocederam às planícies e bosques onde eles lentamente esqueceram que
uma vez alguns de seu povo partiram para o outro lado das montanhas.

E ainda após Sauron ter começado a tumultuar novamente na Segunda Era,
reunindo mais uma vez criaturas maléficas sob seu controle, como
evidência do retorno do mal que se movia através das Terras Élficas, os
Homens devem ter apagado as antigas lendas sobre lobisomens, vampiros,
Orcs e demônios, e recontaram como havia uma vez um senhor do escuro
contra quem somente alguns Elfos e Homens se defenderam valentemente.

E ainda o mal, conseqüentemente, adquiriu um aspecto mais claro, e a
Guerra dos Elfos e Sauron trouxe um fim a muitos reinos Élficos e
Humanos, e muitos séculos de combate existiriam subseqüentemente. A
Segunda Era deve ter originado novas lendas de terror, principalmente
quando os Nazgûl apareceram na Terra-média, mas também pode ser, como
na Primeira Era, que a Segunda Era tenha trazido o mal para muito perto
de casa para as pessoas desenvolverem uma estranha fascinação por ele.
Somente sonhamos com vampiros e lobisomens quando sabemos que eles não
são reais e não podem nos machucar.

Mas a guerra final da
Segunda Era contribuiu para a fundação de uma das maiores lendas de
terror na Terceira Era. Isildur convocou um povo das montanhas para
marchar contra Sauron, e eles recusaram, uma vez que eles outrora
adoravam Sauron como um deus. A esses homens sem fé, Isildur condenou a
desaparecerem como um povo. Eles definharam e morreram, perdidos e
sozinhos nas terras altas, condenados a assombrar suas terras antigas
até o dia em que eles pudessem redimir seus juramentos para um Herdeiro
de Isildur.

O audacioso povo das montanhas de Gondor vivia ao
lado dos Mortos do Templo da Colina, e deve-se imaginar se eles não
passaram longas noites de inverno trocando contos de viajantes
imprudentes que se perderam nos caminhos dos Mortos, ou que encontraram
uma reunião de fantasmas à grande pedra de Erech em tempos
problemáticos. Ninguém sabe como a dama Élfica Nimrodel se perdeu nas
montanhas, mas será que o povo local a adotou como uma vítima de suas
lendas? Será que eles a imaginavam perdida e assustada, possuída pelos
antigos fantasmas?

Os caminhos dos Mortos eram famosos
através das terras dos Dúnedain, ao que parece. Malbeth, o vidente, que
vivia em Arnor, previu que um dia um Herdeiro de Isildur caminharia
naqueles caminhos e acordaria os Mortos. Séculos depois, quando os
Rohirrim se estabeleceram em Calenardhon e Brego, seu segundo rei,
terminou a construção do salão de Meduseld, ele e seus filhos passaram
pelas montanhas e encontraram um homem idoso sentado na entrada do
caminho dos Mortos.

"O caminho está fechado", ele disse a eles. "O
caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os
Mortos o guardam, até a hora chegar. O caminho está fechado."
E
então ele morreu, e o príncipe Baldor resolveu entrar no caminho dos
Mortos e ver por si mesmo que segredos existiam ali. Ele nunca
retornou, e toda Rohan se questionou sobre o que se tornou dele.

Provavelmente os ossos que Aragorn encontrou dentro da passagem eram de Baldor: "Diante
dele estavam os ossos de um homem forte. Estivera vestido de malha
metálica, e sua armadura jazia ainda inteira, pois o ar da caverna era
seco como pó; sua cota era dourada. O cinto era de ouro e granadas, e
rico em ouro era o elmo sobre os ossos de sua cabeça, caída com o rosto
contra o chão. O homem tombara perto da parede oposta da caverna, pelo
que se podia presumir, e diante dele havia uma porta de pedra
hermeticamente fechada: os ossos de seus dedos ainda agarravam as
fendas. Uma espada quebrada e chanfrada jazia ao seu lado, como se ele
tivesse golpeado a rocha em seu último desespero"
.

O que
poderia ter acontecido dentro daquela caverna escura e solitária é que
um dos mais bravos guerreiros de Rohan teria ficado louco e rachado a
rocha em desespero? Ele deve ter sido atacado por um exército dos
Mortos, e procurando uma maneira de escapar e se desviou. Ou talvez ele
meramente sucumbiu ao medo e temor, estremecido a sua própria alma, e
irracionalmente, fugiu impetuosamente na escuridão até não poder mais
encontrar seu caminho, e lentamente, tristemente, passou seus últimos
dias ou horas em vão, procurando admissão em algum refúgio de natureza
duvidosa.

Os Mortos do Templo da Colina não eram as únicas
assombrações a habitar a Terra-média na Terceira Era. Os Nazgûl
surgiram de Mordor no ano 2000 e sitiaram a cidade montanhosa de Minas
Ithil. Após 2 anos eles tomaram a cidade e a transformaram em um lugar
de terror existente, e dizia-se que era a residência de fantasmas e
outros monstros. Até mesmo os Orcs que estavam posicionados ali estavam
enervados pelas criaturas terríveis com as quais os Nazgûl haviam
ocupado a cidade. Todas as terras vizinhas se tornaram desertas,
conforme as pessoas fugiam para o outro lado do Anduin, e com o tempo
somente as pessoas mais audaciosas de Gondor ousavam viver em Ithilien,
que uma vez havia sido uma terra muito agradável e bela.

Os
Nazgûl eram especialmente bons em acabar com as vizinhanças. Séculos
antes o Senhor dos Nazgûl havia rumado para o Norte para estabelecer o
reino de Angmar. Homens serviam a ele, mas também Orcs, Trolls, e
outras criaturas, incluindo espectros. Ele ensinou ou encorajou o povo
das colinas de Rhudaur a praticar feitiçaria, principalmente
necromancia, e na guerra com Cardolan e Arthedain no ano 1409, o Senhor
dos Nazgûl enviou espectros para habitar os antigos túmulos em Tyrn
Gorthad, próxima a Bri. Estes espíritos se tornaram as Criaturas
Tumulares. Eles animaram antigos ossos e ocuparam a terra com pavor e
medo. Seu poder era tão grande que, muitas gerações depois, os esforços
do Rei Araval para recolonizar Cardolan falharam, porque as pessoas não
poderiam viver perto de Tyrn Gorthad.

Quando os últimos
remanescentes do Reino do Norte foram arruinados, criaturas maléficas
ocuparam sua última capital, Fornost Erain, apesar de que depois de
apenas alguns meses elas foram destruídas ou expulsas por um grande
exército de Gondor e Lindon. Muito da terra estava limpa quando a
própria Angmar foi destruída, mas as Criaturas tumulares permaneceram,
e os Homens de Bri ficaram amedrontados em relação às ruínas de Fornost
Erain, conseqüentemente, denominando-as de Dique dos Mortos, porque
eles apenas podiam se lembrar do terror que brevemente havia governado
ali.

Arnor estava quase esvaziada de pessoas, e ruínas foram
deixadas por todos os lugares: Annúminas, Fornost, Tyrn Gorthad, as
colinas de Rhudaur, Topo do Vento. Tharbad, a última cidade de Arnor,
declinou e se tornou uma cidade ribeirinha, e conseqüentemente foi
abandonada após ter sido destruída por severas inundações. Quase toda
Eriador era uma terra vazia e desolada, com cidades esquecidas e
túmulos assombrados.

É um pouco estranho que os Hobbits que
partiram do Condado em 3018 não eram muito mais amedrontados em relação
ao mundo ao redor deles. Eles tinham lendas sobre a Floresta Velha, que
ficava nas fronteiras da Terra dos Buques, uma terra estranha onde as
árvores podiam se mover conforme queriam e que abrigavam um antigo ódio
pelos seres que caminhavam em duas pernas. Tolkien observa que "mesmo
no Condado, o rumor sobre as Criaturas Tumulares das Colinas dos
Túmulos além da Floresta foi ouvido. Mas não era um conto que qualquer
Hobbit gostaria de ouvir, mesmo em frente a uma confortável lareira bem
longe de tudo isso".

Mas Frodo e seus amigos não sabiam
nada sobre os terrores que existiam além das Colinas dos Túmulos e suas
criaturas, ou as lendas que ainda assombravam as terras, apesar das
criaturas que geraram terror aos contos terem desaparecido há muito
tempo. Se eles tivessem ido em busca de antigas histórias de fantasmas,
ao invés de buscar uma maneira de destruir o Um Anel, eles teriam
encontrado lendas suficientes para encher um livro. Havia o velho
monstro vivendo no alto das montanhas sobre Minas Morgul, as estranhas
e agourentas árvores da Floresta de Fangorn, o escuro e repugnante
Guardião na Água, o espírito de fogo e sombras que assombrava as
cavernas perdidas de Moria, a fria e cruel Caradhras, e coisas escuras
voadoras que bloqueavam as estrelas à noite, e os próprios Nazgûl.

A pobre e perdida Eregion se tornou a morada de lobos enfeitiçados e
tropas ameaçadoras de Crebain, e a terra esqueceu que uma vez fora lar
a um povo Élfico que ousara mexer com a força do Tempo na própria
Terra-média. Mas quando tudo estava feito e o Senhor dos Anéis
destruído, os Hobbits e seus aliados foram mais uma vez lembrados de
todos os grandes e antigos temores, e eles devem ter passado muitas
noites felizes trocando contos em frente à lareira, mantendo vivas as
estórias de fantasmas da Terra-média.

[tradução: Helena "Aredhel" Felts]

O Conto de Um Hobbit Caí­do (Sméagol/Gollum)

“Nas profundezas da água escura viveu o velho
Gollum, uma criatura pequena e repugnante. Eu não sei da onde veio, nem
o que era. Ele era um Gollum tão escuro quanto a própria escuridão,
exceto pelos grandes olhos pálidos na sua face magra. Ele tinha um
barquinho, e ele navegava silenciosamente pelo lago, já que esse lago
era grande, fundo e mortalmente frio. Ele remava com seus pés grandes
pendendo pelos lados do barco, mas ele nunca criou uma onda sequer…"?
 
 
 
A nossa primeira impressão de Gollum não nos
remete à fisionomia dos Hobbits. Quando nós o conhecemos, ele nos
pareceu um monstrinho horrível, predando peixes cegos e goblins nas
profundezas escuras da terra, determinado a matar o respeitável Bilbo
Bolseiro. J.R.R. Tolkien diz, “Eu não sei da onde ele veio, nem quem ou o que ele era." A criatura, ele continua, é um “Gollum". Dali por diante, O Gollum se tornou, simplesmente “Gollum".


“…e lá vivia nas margens do Grande Rio perto de uma terra selvagem
pessoas de mãos leves e pés silenciosos. Eu acho que eles eram da
espécie dos Hobbits: parentes dos pais dos pais dos Stoors, “Gandalf
diz ao sobrinho e herdeiro de Bilbo, Frodo Bolseiro muitos anos depois:
“Havia entre eles uma família de alta reputação,"
ele continua. “Os
mais inquisidores e curiosos daquela família era chamado Sméagol. Ele
estava interessado nas raízes e no início de tudo; ele cavava poços
profundos; se enfiava sob árvores e plantas crescidas; criava túneis em
barragens; se recusava a olhar para os topos das montanhas, ou para as
folhas nas árvores, ou para as flores desabrochando no ar: sua cabeça e
olhos miravam sempre para baixo."

Smeágol era uma criatura
miserável enquanto viveu: ninguém o queria, era infeliz, amargo e
invejoso. Ele virou as costas para o mundo e seu próprio povo muito
tempo antes de ser gravemente expulso. As profundezas de seu coração se
tornaram negras de cheias de ódio muito antes de sua aparência externa
se tornar hedionda. Seu espírito pouco lembrava o de um Hobbit.

Existiam três grandes tribos Hobbit: Harfoots, os mais numerosos;
Fallowhides, os mais aventureiros; e os Stoors. Os Stoors viviam nas
margens dos rios, mas eles eram muito mais dedicados ao comércio e à
viagens. Eles freqüentemente se associavam aos anões e aprenderam muito
com eles. Os Stoors eram os mais duros e territorialistas dentre os
Hobbits, isso antes deles encontrarem um lar seguro.

Os
Hobbits viveram nos vales do Anduin por muito tempo. Eles provavelmente
se instalaram por lá perto do fim da Segunda Era, errantes ou
refugiados vindos de terras orientais distantes nos dias em que os
exércitos de Sauron conquistavam vastas regiões no oriente da
Terra-Média. Os Hobbits fizeram amigos entre os Edain de Rhovanion, os
Homens Livres do Norte, de onde depois veio a linhagem dos Beornings,
os Homens do Vale e Long Lake, e os Rohirrim. Nesses primeiros anos os
Hobbits procuraram pelos homens e se instalaram perto de suas cidades,
ou compartilharam cidades, como Bri na Terceira Era.

Muitos
Hobbits – Harfoots e Fallowhides – devem ter migrado para o norte, pois
os Edain foram empurrados para as montanhas e terras distantes durante
a grande guerra entre os elfos e Sauron. Isso deve ter ocorrido muitos
e muitos anos antes deles se tornarem suficientemente numerosos para
colonizar as terras do sul próximas a Lothlórien. Mas enquanto os
homens se multiplicavam e migravam lentamente para o sul, aparentemente
foram deixando os Hobbits para trás. Exceto os Stoors. Esse povo
parecia ter se estabelecido perto do Rio Gladden, originalmente, onde
eles poderiam estar próximos dos anões de Khazad-dûm, onde estariam
relativamente protegidos pelo poder de Khazad-dûm e Lothlórien.

Perto do ano 1000 da Terceira Era, Sauron começou a tomar forma
novamente, e descobriu que Mordor estava suficientemente fortificada
para o seu retorno que se deu nas planícies de Amon Lanc no sul da
grande Greenwood. A colina um dia foi o coração de um reino élfico, mas
desde que os elfos migraram para o norte não há nada na floresta que se
oponha a Sauron. Ele construiu uma grande fortaleza na colina, que
passou a ser conhecida como Dol Guldur [a colina da bruxaria]. E Sauron
começou a colonizar as terras do sul de Greenwood e os vales do sul do
Anduin com as suas criaturas: Orcs, Trolls, Lobisomens, Wargs e homens.
Criaturas orientais sempre foram fontes de problemas para o grande
reino de Gondor, mas agora as tribos chegaram e se assentaram nos vales
do Anduin e os rumores da força negra no sul se espalharam pelo norte.

Os Harfoots, talvez lembrando seu passado ou histórias contadas sobre
as guerras entre os elfos e os antigos poderes negros, passaram pelas
montanhas sombrias indo para Eriador, para nunca mais retornar. Os
Fallowhides os seguiram 100 anos depois, e ao mesmo tempo que os Stoors
abandonaram sua terra natal no rio Gladden atravessando Redhorn para o
antigo reinado élfico de Eregion. De lá os Stoors foram para o norte,
para uma terra chamada Angle, que ficava entre os rios Mitheithel e
Bruinen, ou passaram para o sudoeste até as fronteiras de Dunland.

Os Stoors do Angle viviam sob as leis dos Dunadain de Rhudaur. Os
Hobbits aumentaram o poder desse reino, mas menos de 200 anos depois o
reino de Angmar cresceu nonorte e ameaçou Rhudaur. Os Hobbits deixaram
seus lares mais uma vez. Os Stoors do Angle se dividiram: alguns
migraram de volta pelas montanhas sombrias para os vales do Anduin. O
terror de Angmar parecia maior que o de Dol Guldur. E ao menos nos
vales do Anduin eles estariam próximos de reinos poderosos dos anões e
elfos.

Então, por mais de 1000 anos os Stoors viveram
relativamente em paz. Os Edain que viviam nas proximidades aparentavam
ser amistosos com relação à eles, ou simplesmente não queriam arrumar
problemas com esse povo. Durante esses anos remanescentes de um reino
dos homens ao norte do que hoje seria Mirkwood se alojaram no vale do
Anduin próximo aos Stoors. Esses eram os pais do Éothéod, o povo
cavalo, que migrou para extremo norte anos depois. Mas esse povo
lembrava os Stoors, a quem chamavam cava-buracos, e eles levaram
memórias como essa com eles quando Lord Eorl os levou para o sul e
fundou o reino de Rohan.

No 25o. século da Terceira Era, não
muito depois do nascimento de Eorl, Sméagol o Stoor e seu primo Déagol
foram fazer uma expedição de barco. Era o aniversário de Sméagol.
Déagol pulou na água, talvez para pegar um peixe e achou um anel
dourado caído no meio da lama. Ao emergir, mostrou o anel para Sméagol,
que o ordenou que o desse como presente. “Mas eu já lhe dei o meu presente", Déagol respondeu. “Eu o encontrei e vou ficar com ele."

Mas o desejo pelo anel consumou Sméagol, pois era o Um Anel, o anel
mestre de Sauron, que há muito tempo atrás Isildur cortou da mão de
Sauron e o manteve para si. No final, o anel traiu Isildur, que
resultou na sua morte nas águas do Anduin, e agora o anel foi desperto
pela malícia de Sauron e desejava retornar para seu mestre. Sméagol
matou seu primo e pegou para si o anel. Com o tempo ele aprendeu que,
enquanto usasse o anel ele não poderia ser visto. Ele passou a usar o
anel para benefício próprio e logo se tornou impopular entre seu povo.
Foi então que ele começou a resmungar consigo mesmo “gollum….
gollum", e os Stoors o apelidaram de Gollum.

Um dia, os Stoors
expulsaram Gollum e ele nunca mais foi visto entre seu povo. Ele vagou
pelas terras, só e miserável, até que resolveu ir para as montanhas e
descobrir suas raízes e segredos. Assim ele desapareceu do mundo da luz
e se perdeu na escuridão da terra e levou consigo o Um Anel. Por mais
de 500 anos ele vagou na escuridão, predando Orcs e peixes. O anel
extendeu a vida de Gollum, mas ao invés de garantir-lhe mais vigor,
lentamente o drenou e o escravisou. Ele estava consumido pelo anel, com
quem ele falava constantemente e o chamava de Precioso. Na sua mente, o
Precioso era seu por direito, não por assassinato. O anel o procurou. E
mesmo assim, não lhe deu nenhuma alegria, e não tinha nenhum conforto
ou consolo na sua solidão.

Quando Bilbo entrou na caverna de
Gollum por acidente, os primeiros pensamentos que vieram à mente de
Gollum foram de comida e assassinato, porém, logo depois vieram
memórias de sua juventude, de coisas que costumava gostar. Por uns
momentos, Gollum chegou a gostar do jogo de charadas que mantinha com
Bilbo, até que ele confundiu a preocupação de Bilbo com o que havia em
seu bolso com uma charada de verdade. Nas regras do jogo, Gollum
perdeu, e aceitou a derrota. Mas ao retornar à sua ilha, descobriu que
o se querido anel havia desaparecido.

Bilbo encontrara o anel,
e Gollum descobriu que era ele que estava no bolso do Hobbit. A partir
daquele momento, Gollum foi tomado pela necessidade de reaver o anel.
Ele caçou Bilbo sem sucesso, pois o Hobbit descobriu o poder do anel e
se escondeu da vil criatura. Depois da saída de Bolseiro, Gollum brigou
consigo mesmo na escuridão, com medo da luz, mas com a dor de ter
perdido seu Precioso. Com o tempo ele se lançou ao ar livre e começou a
procura por seu tesouro perdido.

Muitos anos passaram até que
Gollum finalmente encontrou o Um anel. Na época Sauron envocou todas as
criaturas malignas, pois o Senhor do Escuro havia retornado para seu
antigo domínio e começou a reconstruir Barad-dûr. E Gollum, que até
então estava obstinado em sua caça por Bilbo Bolseiro e pelo Anel
acabou por obedecer ao chamado. Ele rumou em direção a Mordor, onde foi
aprisionado e levado à frente de Sauron, onde falou tudo o que ocorrera
com o anel após a morte de Isildur.

Solto por Sauron por algum
propósito oculto, Gollum se tornou um peão num jogo mortal entre os
poderes da Terra Média. Ele logo foi capturado por Aragorn, capitão dos
Dúnedais do norte e levado aos elfos de Mirkwood. Lá ele foi
interrogado por Gandalf, que aprendeu com ele tanto quanto Sauron
havia. Mas, com o tempo, Gollum escapou e rumou para o sudoeste, até
chegar a Moria. Incapaz de escapar, Gollum permaneceu lá na miséria e
esperando morrer [ou talvez querendo morrer]. Em vez disso, a sorte
pareceu sorrir para ele, pois um dia os portões do oeste, que ele não
tinha forças para abrir, se abriram e nove aventureiros entraram: o
mago Gandalf, Aragorn e seus companheiros: a sociedade do anel.

Daquele momento em diante, Gollum perseguiu o anel desesperadamente,
levado por sua malícia e poder. Quando a sociedade foi dividida no
ataque dos orcs, Gollum seguiu Frodo e Sam pelo Anduin, e no vale de
Emyn Muil os interceptou. Mas Frodo e Sam o derrotaram, e o fizeram
prisioneiro, e forjaram uma perigosa parceria com ele.

A
jornada de Gollum com Frodo praticamente o redimiu. Com a gentileza e
sabedoria de Frodo, Gollum passou a se ver novamente como um indivíduo,
e se lembrou de quando ainda era Sméagol, e como era viver e amar
outras criaturas.Mas o servo de Frodo, Sam, impediu sua total redenção.
No momento crucial da redenção de Gollum, Sam não quis ajuda-lo, dando
suas costas para ele. Em retorno, Gollum endureceu seu coração e traiu
Frodo e Sam.

Ainda assim, havia uma grande maldição associada
ao anel e a todos que o desejasse. Escravizado pelo anel, e seguindo
Frodo para onde quer que ele fosse, Gollum não pode dar as costas e
procurar por terras mais seguras. Ele caminhou pelo coração de Mordor e
tentou novamente recuperar o anel. Mas agora ele estava fraco, e o
espírito de Frodo estava muito forte. Mas além disso, o poder do anel
havia crescido também, já que se aproximava da mão de seu mestre e do
local de sua forja.

“Saia!" gritou uma voz vinda do anel.
“E não me importune mais! Se você me tocar novamente, será lançado no
fogo da Montanha da Perdição!"

E era no fogo da perdição,
o Sammath Naur, onde um milênio antes Sauron forjara o anel, que Frodo
pretendia joga-lo. Lá ele esperava lança-lo nas chamas e então
destruí-lo e acabar com as forças de Sauron, pois esse depositou grande
parte de seu poder no anel. Gollum agora entendera o objetivo de Frodo,
e ao tentar desesperadamente impedir a destruição de seu Precioso, ele
passou por cima de Sam na Montanha da Perdição e seguiu Frodo até a
borda. Lá ele atacou Frodo novamente e, na briga, arrancou o dedo e o
anel de Frodo.

No júbilo de sua vitória, Gollum pulou alto e
dançou em êxtase, mas errou ao não notar a proximidade que estava da
borda, e assim, tropeçou e caiu nas profundezas do vulcão. E com ele
foi o anel, e quando o fogo destruiu o anel do poder de Sauron, seu
reino maligno caiu. Sauron ficou tão fraco que seu corpo foi destruído
quando as ruínas de sua fortaleza negra ruiu sobre ele, e seu espírito
negro desapareceu, impotente.

A história da relação de Gollum com Frodo é longa e comovedora. “Para mim," Tolkien escreveu para seu filho Christopher, “eu
estava particularmente comovido pela descrença de Sam na história, e,
na cena em que Frodo adormece em seu colo, e a tragédia de Gollum que,
naquela hora veio com um sinal de arrependimento, freado por uma
palavra dura proferida por Sam."

A história de Gollum e
seu relacionamento com o anel é trágica e patética, ainda que Tolkien
nota que o anel não era a causa da natureza ruim de Gollum:


“A dominação do anel foi muito forte para a alma má de Sméagol. Mas ele
não teria sentido-a se não tivesse se tornado um ladrão quando o anel
chegou até ele. A necessidade nunca havia cruzado o seu caminho? A
necessidade de algo perigoso nunca atravessou nenhum de nossos
caminhos? A resposta para isso pode ser encontrada ao tentar imaginar
Gollum superando a tentação. A história teria sido bem diferente!
Contemporizando, sem arrumar a semi-corrompida vontade de Sméagol, ele
ruma para a bondade com os bons tratos de Frodo e se enfraquece,
perdendo a chance, quando o amor dirigido a ele por Frodo é amargado
pela inveja de Sam na cova de Laracna. Depois disso ele se perdeu."

Existe uma dualidade na natureza da tragédia: Gollum se redime porque
existe algo nele que pode ser redimido, e Sam falha ao perceber ou
apreciar esse fato. “Para mim o momento mais trágico na história é quando Sam falha ao notar a completa mudança no tom de voz e aspecto de Gollum",
Tolkien escreveu para um fã. Sua recuperação é interrompida e toda a
piedade de Frodo é [de certa forma] desperdiçada. A toca de Laracna
parecia inevitável.

Isso é devido, claro, ao curso lógico da
história. Sam dificilmente teria agido de forma diferente. [Ele chega
ao ponto da piedade, mas tarde demais para Gollum.] Se tivesse sido
antes, o que teria acontecido? O caminho da entrada para Mordor e a
luta para chegar à Montanha da Perdição teria sido diferente, assim
como o final. O interesse teria sido redirecionado à Gollum, eu creio,
e a batalha seria travada entre seu arrependimento e seu novo amor de
um lado, e o anel de outro. Apesar de que o amor seria fortificado
dia-a-dia, ele não seria páreo para a vontade de ser o senhor do anel.
Eu acho que de alguma forma Gollum teria tentado [talvez não
conscientemente] satisfazer os dois lados. Certamente em algum ponto
não muito antes do fim, ele teria roubado o anel, ou tomado-o por meios
violentos [como acontece na história original]. Mas tendo satisfeita a
necessidade da “posse", eu creio que ele teria se sacrificado em nome
de Frodo e voluntariamente se jogado nas chamas do vulcão.

Mas
da forma como ocorreu, a redenção de Gollum nunca aconteceu. Sam
endureceu seu coração, destruindo com uma palavra toda a mudança que
Frodo operou em Gollum. Frodo perdeu todo o interesse pela Terra Média
por causa do Um anel, mas apesar de que, através de seu sacrifício a
Terra Média foi salva e Frodo encontrou a paz no extremo oeste. Gollum,
por sua vez, fez o maior dos sacrifícios: ele perdeu sua alma.

Caro Gandalf…

Em um dos muitos ensaios que ele escreveu sobre os Istari, J.R.R. Tolkien disse: "Entre os Homens (inicialmente), aqueles que tratavam com eles supunham que eram homens que haviam adquirido tradições e artes através de estudos longos e secretos". Essa é uma observação interessante, uma vez que muitas pessoas geralmente citam uma parte rejeitada de uma carta que Tolkien escrevera, na qual ele pensava que os Homens não poderiam ganhar magia através de tradução e estudos (ele se deu conta de que O Senhor dos Anéis invalidara esse ponto de vista, e escreveu "Mas os Númenoreanos usaram feitiços para forjar espadas?" na margem e decidiu não mandar esta parte da carta).

 

 

 

Tolkien provavelmente escreveu o ensaio sobre os Istari um pouco antes da carta a Naomi Mitcheson (Letters 154 e 155). Ele abandonou o ensaio, que seria uma parte de um catálogo extendido de O Senhor dos Anéis nunca publicado, quando se deu conta de que o projeto era muito pesado para a publicação inicial da estória (ele já tinha adaptado os apêndices propostos para obedecer à necessidade de espaço). A carta a Naomi Mitcheson representa um ponto tangencial, que ascendera rapidamente e perecera nas rochas do cânone publicado – uma ocorrência incomum nos meandros filosóficos de Tolkien através da Terra-Média. Mas o abandono do discurso sobre magia é, provavelmente, a melhor justificativa que os Tolkienologistas têm para argumentar a validade do ensaio sobre os Istari (que se contradisse a escritos posteriores). Mas o ensaio é, pelo menos, consistente em tema e contexto com a versão original de O Senhor dos Anéis.

Continuando a análise do ensaio, Tolkien disse: "(Os Istari) Apareceram pela primeira vez na Terra-Média por volta do ano 1000 da Terceira Era, mas por muito tempo andaram com aparência simples, como de homens já velhos, mas sãos de corpo, viajantes e caminhantes, adquirindo conhecimento da Terra-Média e de todos os que ali habitavam, porém sem revelar a ninguém seus poderes e propósitos".

Assim, os Istari foram inicialmente ignorados pelos Homens, até que a Sombra aumentou e a Terra-Média passou a ficar perigosa, ocasião em que eles começaram a se "intrometer" nos assuntos dos Elfos e dos Homens. Os Homens, por fim, perceberam que os Istari não morriam, então concluíram que eles deveriam ser Elfos. Essa conclusão só poderia ter sido elaborada após a Guerra de 1409. Nessa altura do campeonato, os Istari (provavelmente Gandalf e Saruman) que estavam envolvidos com os Dunedain e os Elfos de Eriador deveriam se tornar conhecidos, pelo menos para os líderes dos Elfos e Homens, e parece razoável supor que precisariam alguns séculos até que os Homens percebessem que aqueles dois caras não eram apenas Númenoreanos de vida longa, e sim, que eram alguma outra coisa.

Quando Faramir perguntou a Gandalf sobre ele próprio em Gondor, o Mago diz: "Tenho muitos nomes em diferentes lugares. Mithrandir entre os Elfos, Tharkûn para os Anões; eu era Olórin em minha juventude no Ocidente que está esquecido; no sul, Incánus, no norte, Gandalf…" Gandalf era o nome que os Homens do Norte deram a ele, e Tolkien tirou esse nome do Norueguês antigo, da Elder Edda, onde "Gandalfr" é o nome de um anão. O nome significa "Elfo da Peregrinação".

Outro nome entre os Homens nórdicos era Orald, o nome que deram a Tom Bombadil, um nome Anglo-Saxão que significa "Muito velho". O Anglo-Saxão e o Norueguês antigo já foram línguas intimamente associadas, até que uma mudança na fonética dividiu os diálogos do mundo nórdico. É, portanto, interessante notar que Tolkien dá nomes em Norueguês Antigo (o idioma que representava a língua de Valle e da Cidade do Lago) aos Istari mais associados a Eriador, e dá a Bombadil um nome Anglo-Saxão (idioma que representava a língua dos Rohirrim).

Podemos inferir que, talvez, ou o Westron de Eriador nos meados da Terceira Era estava mesclado com mais palavras nórdicas do que o Westron de Gondor, ou Gandalf e Bombadil passaram um bocado de tempo a mais nas Terras Selvagens. E vice-versa. O nome de Gandalf indica que ele não tinha negócios casuais com os Homens quando ele começou a ser notado significativamente entre eles. Eles decidiram que ele era um Elfo.

Às vezes eu penso que Gandalf estava à altura de um Elfo antes dele ser mencionado no Conto dos Anos. Ele provavelmente se encontrou com os Reis de Arthedain e Arnor em tempos de perigo – isso seria, provavelmente, durante a Guerra de 1409, a Grande Praga de 1636, a guerra de Araval com Angmar em 1851, e provavelmente no último século da existência de Arthedain, quando Araphant e Ostoher de Gondor restabeleceram as relações entre os dois reinos.

Pode-se apenas palpitar se Gandalf passara algum tempo entre os Éothed de outros Homens do Vale do Anduin. Será que ele inspirou Fram a encarregar-se de qualquer aventura que aparecesse, resultando na escravidão de Scatha, o Verme? Talvez não. É difícil imaginar Gandalf permitindo que um guerreiro valente e orgulhoso como Fram mandasse uma mensagem insultando os Anões como ele fez, a menos que a troca de descortesias tenha ocorrido após Gandalf ter se mudado.

Suas opiniões, no entanto, deveriam ser altamente respeitadas entre os Elfos e os Senhores Mortais, e pode-se facilmente ter a impressão de que Gandalf vagava de reino a reino nos meados da Terceira Era, distribuindo conselhos como uma espécie de "Caro Fulano" ambulante. Sua feroz espirituosidade e sarcasmo não poupariam rei ou príncipe que, imprudentemente, o procurassem para obter conselhos mundanos.

Caro Gandalf,

Há rumores de que o Rei-Bruxo de Angmar está movimentando seus exércitos pelas colinas. O que o povo de Arthedain deve fazer?

Argeleb.


Caro Argeleb,

Você já pensou em deixar alguns barris de cidra forte para os Orcs? Você poderia emboscar todos, uma vez que estarão caindo de bêbados. Se isso falhar, então eu sugiro que você mande um mensageiro veloz até Círdan nos Portos, para ver se ele pode dispensar alguns marinheiros para uma expedição por terra. Não há nada que um Orc ame mais do que um barril de cidra élfica forte.

Gandalf.


Caro Gandalf,

Estamos em dificuldades aqui. Um mensageiro chegou de Minas Anor com uma gripe atemorizante. Parece que todo o interior contraiu essa praga maldita. Você por um acaso não teria alguns pós mágicos para nos ajudar?

Argeleb II


Caro Argeleb,


Conheci brevemente seu bisavô. Desagradável aquele negócio com os Angmarianos, mas no fim tudo ficou bem. Quanto aos pós – sinto muito não poder ajuda-lo. Estão em falta, pois acabei de borrifar o último nos Homens dos Vales do Sul do Anduin. No entanto, você deveria pensar em mandar todos para as colinas para trocar estórias até que tudo passe. O quer que você faça, não aceite mais mensageiros de Gondor por um tempo! Boa sorte e aqueça-se. Beba muito Miruvor! Estarei em Bri no próximo Yule, se é que até lá restará Bri.


Gandalf.



Caro Gandalf,

Estávamos começando a tentar recolonizar Gondor, mas agora parece que Criaturas Tumulares malignas infestaram as antigas colinas e não há ninguém capaz de enfrenta-las. Você estaria disponível para nos dar uma mão?

Araval.


Caro Araval,

Sinto muito saber dos seus novos vizinhos. Essas Criaturas podem ser muito irritantes e problemáticas. Infelizmente, eu estou esperando um longo tempo pela manicure em Lothlórien e não estarei disponível pelos próximos cem anos, mais ou menos. No entanto, estou mandando um camarada que não se importará em ter as Criaturas como vizinhos e fará o melhor para que o mal não se espalhe. Você acha, no entanto, que pode arranjar uma bela donzela jovem para ele, que não dê bola para nenúfares e canções bobinhas?

Gandalf.



Caro Gandalf,

Não tenho certeza se podemos resistir a Angmar por muito tempo. Ouvi dizer que Gondor teve problemas, mas eles não parecem estar tão mal. Você acha que podemos pedir ajuda a eles?

Araphant.

P.S.: Ainda estamos procurando por uma bela donzela. Infelizmente, todas parecem estar prometidas, quando as apresentamos ao velho Bombadil.



Caro Araphant,

Não se preocupe quanto a Bombadil. Ele é do tipo paciente e saberá quando encontrar a garota certa. Quanto as suas relações com Gondor, bem, me parece que você poderia pedir ajuda um pouco parcialmente. Ouvi dizer que eles têm uma donzela de personalidade forte que recusou cada pretendente. Arrume o jovem Arvedui e mande ele lá para pedir sua mão em casamento.

Gandalf.



Caro Gandalf,

Apenas queria escrever para dizer: "Muito Obrigado!" Firiel é a melhor coisa que já aconteceu comigo, e não digo isso apenas porque seu pai tem alguns exércitos realmente grandes. Eu posso prever coisas ótimas para Arnor.

Arvedui, futuro rei de Arnor e Gondor.


Caro Arvedui,

Bom saber que o casamento anda bem. Mas deixe as previsões para Malbeth e os Elfos, se possível. Eles estão nesse barco há um pouquinho de tempo há mais que você, e possuem melhor dom para isso.

Gandalf.


Caro Gandalf,

Isto é para informa-lo de que Arnor não necessitará mais de seus serviços. Nada pessoal, velho camarada, mas estivemos fora da cidade e não temos previsão para voltar. Obrigado por séculos de bons conselhos e felicidades em todos seus futuros esforços. Vença uma para os Dunedain!

Arvedui.

P.S.: Acho que agora entendo o que você tentava dizer. Preciso ir. Tenho que tratar com um homem sobre um cavalo.


Caro Arvedui,

Conforme esperado, sua carta chegou atrasada devido à sorte da guerra. Gostaria que você não a tivesse mandado pelo caminho de Bri. Eu fiz uma checagem em Fornost Erain, mas não achei ninguém, exceto alguns milhares de Orcs e Trolls. Tentarei ver se você está em Lindon. O que quer que você faça, não rume para o norte. Ouvi dizer que há um inverno terrível por vir.

Gandalf.



Caro Gandalf,

Dizem que você não está mais trabalhando em Eriador. Eu estava pensando se você não poderia dar uma passadinha aqui em Lothlórien no próximo século. Tenho um pequeno trabalho que eu gostaria que você fizesse e que seria um verdadeiro estímulo para sua carreira. Diga Olá para Elrond e Círdan, e estou ansiosa para ver vocês.

Galadriel.

P.S.: Como está a espera pela manicure?

Quem foram os verdadeiros heróis da Terra-Média?

Provavelmente a história mais tocante em todo o legendário de Tolkien é aquela de Beren e Lúthien. Eles são os verdadeiros heróis da Terra-Média, os primeiros e únicos dentre os Elfos e Homens a conseguirem qualquer resultado palpável contra Morgoth na nefasta Guerra das Silmarils. Eles também são os únicos heróis da Primeira Guerra a serem atribuídas quaisquer considerações significativas nas páginas de O Senhor dos Anéis.

Muitos fãs de Tolkien sabem que Beren e Lúthien eram uma metáfora para o relacionamento romântico de Ronald Tolkien e Edith Bratt, mas é raro o impacto da realidade de seu romance sobre as estórias de Tolkien tomados em total consideração pelos críticos ou eruditos. Tolkien era três anos mais novo que Edith, assim como Beren era equivalente em milhares de anos mais novo que Lúthien. O tutor de Tolkien, Padre Francis Morgan, cultivou a educação de Ronald e pretendia que ele alcançasse algo maior na vida do que apenas se juntar com uma garota e ter uma família. Ele parecia sentir que o relacionamento de Tolkien com Edith ameaçava o alcance de uma educação superior. Thingol achava que Lúthien merecia um melhor companheiro do que um simples Homem, especialmente um cuja casa havia sido destruída na guerra.

O Padre Francis obteve sucesso ao separar Ronald e Edith por um período de três anos, mas quando o jovem alcançou a maioridade, ele escreveu a Edith e garantiu que seus sentimentos eram fortes como sempre. Humphrey Carpenter, biógrafo de Tolkien, escreve “Houve declarações e promessas … que Ronald achava que não seriam fáceis de quebrar. Além do mais, Edith havia sido seu ideal nesses últimos três anos, sua inspiração e sua esperança para o futuro. Ele alimentou e cultivou seu amor por ela de forma que cresceu em segredo, mesmo tendo sido alimentado unicamente em suas memórias de adolescência e fotos de Edith em sua infância..” (Carpenter, “Biography”, p.68).

Seu romance inicial incluía excursões secretas e confidenciais, assim como Beren e Lúthien, que se encontravam secretamente em Doriath, principalmente após Padre Francis ter descoberto pela primeira vez o relacionamento deles e ter demandado que Ronald terminasse-o. Como Beren nos bosques de Doriath, Ronald começou seu “pagamento de angústia pelo destino que foi dado a ele” quando ele teve que se despedir de Edith por três anos. “Três anos é algo terrível”, escrevera Ronald em um diário que manteve em períodos que se sentia mal.

O relacionamento de Beren e Lúthien trouxe imensas mudanças pessoais as suas vidas, assim como às vidas das pessoas que os cercavam. Apesar de que alguns paralelos podem ser encontrados no relacionamento de Ronald e Edith, seria fantástico e poético identificá-los fortemente. Beren era um guerreiro, mas também um fora-da-lei e crescera para a humanidade com seu pai, e perdera sua mãe quando Emeldir levou as últimas mulheres e crianças de Dorthonion.

A Guerra ofuscara o início da vida de ambos os casais. O povo de Beren foi assassinado ou levado na Dagor Bragollach e seus resultados, e o povo de Lúthien foi finalmente levado para a periferia da longa guerra entre os Noldor e Morgoth quando os Orcs começaram a atacar as fronteiras de Doriath. Tolkien partira para servir o exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial, e, enquanto se recuperava de um caso atípico de Febre das Trincheiras, o que o levou a voltar para a Inglaterra, Tolkien começou a escrever os Lost Tales. Nessa altura, todos seus antigos amigos de Oxford, menos um, haviam sido mortos na guerra, tal como Beren, cujos companheiros, em sua maioria, morreram em Dorthonion. Tolkien estava isolado de seu passado.

Talvez a morte mais comovente dentro do pequeno círculo de amigos do Tolkien foi a de Geoffrey Bach Smith, que se uniu ao grupo de amigos de Ronald no colégio, conhecido informalmente como T.C., B.S. (Tea Club, Barrovian Society). Com a influência de Smith e o amor de Ronald por grandes épicos, o grupo começou a desenvolver um total apreço por poesia, e perto do fim de sua breve vida, Smith escreveu a Tolkien: “O meu consolo é que se falhei hoje – estarei indo descansar em alguns minutos – ainda haverá um membro do grande T.C.B.S. para divulgar o que sonhava e naquilo em que todos concordávamos. Pois a morte de um de seus membros não pode, de maneira alguma, desfazer o T.C.B.S. A morte pode nos deixar relutantes e incompetentes como indivíduos, mas não pode pôr um fim aos quatro imortais!…” (Ibid., p. 97).

Em muitas maneiras eu acho que Tolkien manteve vivo o sonho divulgado por Smith, e ele provou as palavras de Smith profeticamente, pois muitos anos após a morte do próprio Tolkien, seu “Lay of Leithian”, apesar de incompleto, é idolatrado pelos muitos fãs que foram privilegiados ao lê-lo. O poema é rico e comovente, romântico e épico em tema e estilo. E ele detalha o amor de Beren e Lúthien com uma paixão que nunca morrerá.

Nós conhecemos apenas um vislumbre do fogo e profundidade da estória, quando Aragorn procura confortar os Hobbits do Condado na escuridão do Topo do Vento. “Vou contar-lhes a história de Tinúviel – disse Passolargo. – Resumida, pois essa é uma longa história da qual não se sabe o fim; e ninguém atualmente, com exceção de Elrond, pode lembrá-la exatamente como era contada há tempos…” (Tolkien, “Sociedade do Anel”, p.203). O mesmo pode ser dito sobre a estória de Ronald e Edith, pois na época que ele escrevera essa passagem, eles tinham ainda muitos anos pela frente, e ele não sabia como seu conto terminaria.

As palavras de Aragorn foram pronunciadas, no entanto, na observação do próprio Sam muitos capítulos (e meses) depois em “As escadarias de Cirith Ungol” onde ele e Frodo estavam no mesmo conto que Beren e Lúthien, pois eles estavam carregando parte da luz da Silmaril resgatada por Beren e Lúthien em um frasco preparado por Galadriel, e eles estavam perseguindo a destruição de Sauron, que havia lutado com o casal eras antes, quando ele mesmo era um servo do grande Senhor do Escuro.

E na vida real, as palavras de Aragorn se refletiram no fato de que Tolkien nunca completara seu conto. Ele sabia, mais ou menos, como as vidas de Beren e Lúthien terminariam, mas os detalhes não foram escritos. Aragorn não poderia ter contado o fim da estória, independentemente de quão relevante fosse a estória para o Senhor dos Anéis. Mas como muitos apontaram, a própria estória de Aragorn é muito similar àquela de Beren. Assim como Beren, Aragorn perdeu seu pai para os servidores do inimigo, mas o pai de Aragorn morreu quando ele ainda era uma criança e Aragorn nunca o conhecera. Aqui o paralelo é mais próximo entre Aragorn e Tolkien, cujo pai morrera quando ele tinha apenas 3 anos de idade, a mesma idade em que Aragorn perdera seu pai.

O patrimônio de Aragorn nunca fora realmente polido, apesar de ter diminuído através dos séculos. Ele era um descendente de reis cujos herdeiros se tornaram capitães de um misterioso povo vagante. Os Tolkiens emigraram da Alemanha para a Inglaterra no século XVIII. Eles construíram um negócio familiar na indústria de pianos, mas o pai de Arthur Reuel Tolkien falira, e foi forçado a procurar sua fortuna em outro lugar, aceitando um cargo na “frica do Sul, onde seus filhos John Ronald e Hillary nasceram. Arthur nunca vira a Inglaterra novamente e sua esposa Mabel retornou a Inglaterra com seus filhos um pouco antes de sua morte.

Aragorn crescera com sua mãe, Gilraen, cujo pai se opusera ao seu casamento com Arathorn II de maneira similar ao modo como o pai de Mabel, John Suffield se opôs ao seu casamento com Arthur Tolkien. Aragorn crescera com seu padrasto, Elrond, que era sábio e desenvolvera uma profunda afeição pelo garoto. O tutor de Tolkien após a morte de sua mãe, Padre Francis, não era de fato sábio, mas ele e Ronald tinham uma afeição um pelo outro e Ronald respeitava as decisões de Padre Francis, apesar de discordar de algumas delas. Portanto, há uma ressonância do problema entre Ronald e Padre Francis em relação ao seu relacionamento com Edith, quando Elrond convoca Aragorn e o avisa que ele está sonhando muito alto, e também o proíbe de ter uma esposa até que haja provas de ele ser digno de tal.

Através dos longos anos em que Aragorn e Arwen trabalharam constantemente para seu objetivo, ela parece ter contribuído pouco, aos olhos de muitos fãs de Tolkien, exceto pelo misterioso estandarte que proclamava o patrimônio de Aragorn ao povo de Gondor. Mas nos raros vislumbres de Arwen, Tolkien nos mostra algo de uma sabedoria mais profunda e uma força e fé que são tão duradouras quanto o amor de Aragorn. Ela é a primeira pessoa que percebe a profundidade do ferimento espiritual de Frodo, e em uma de suas cartas, Tolkien credita a Arwen o papel de pôr em ação os eventos que levam Frodo a embarcar para o Mar a fim de encontrar descanso e cura antes que ele morra.

A luta de Aragorn no amplo mundo é longa e difícil, mas sua luta pessoal é mais profunda e mais comprometida do que a maioria daqueles que o rodeiam. Pode ser que somente os Sábios, assim como Gandalf, Elrond, Galadriel e Arwen (e seus irmãos) entenderam o quanto que o futuro de Aragorn estava comprometido devido a sua escolha. A linhagem de Isildur não continuaria se ele não guiasse o Oeste à vitória sobre Sauron. Não foi simplesmente um modo da linhagem direta de herdeiros acabar com Aragorn. Seu povo era pequeno em número e se perderiam na tempestade se Sauron tivesse sucesso ao recuperar o Um Anel.

A vida de Tolkien nunca alcançou aposta tão grande, mas ele viveu através da Segunda Guerra Mundial e há épocas em que as pessoas se imaginam como tudo se finalizará. Quando Londres e outras cidades estavam sendo bombardeadas, os Ingleses certamente se justificavam sobre o quanto demoraria para os Alemães chegarem em suas praias. Dois dos filhos de Tolkien serviram nas Forças Armadas Britânicas durante a guerra e, tendo visto as devastações provocadas por grandes nações em sua juventude, ele sabia muito bem sobre os perigos que seus filhos enfrentavam na batalha.

Há um certo eco sobre a Segunda Guerra Mundial na estória de Tolkien, mas a Primeira Guerra Mundial parece ter deixado um senso indelével de perseverança determinada, mas desesperada em seu espírito. A futilidade dos ofensivos anéis é claramente mostrada na desesperançosa guerra dos Noldor contra Morgoth. A matança sem sentido e o gradual abandono da civilização sobre a paisagem severa e desnuda de Eriador como no “Conto dos Anos” de Tolkien registra o gradual desaparecimento dos domínios Dúnadan na Terra-Média. E, no entanto, os Dúnedain sobreviveram. Os Dúnedain de Arnor não sumiram ou morreram quando seus reinos chegaram ao fim. Eles passaram pelos ermos, continuando sua antiga guerra contra as criaturas do mal e, através de dez séculos, preservaram a linhagem de seus líderes, mesmo com circunstâncias desfavoráveis a eles.

O sucesso da família sobre as adversidades da vida é o centro da força na personagem de Aragorn, e é um tributo silencioso à perseverança familiar do próprio Tolkien. Arthur Tolkien e Mabel Suffield Tolkien fizeram o melhor que puderam para si próprios e seus filhos, e Ronald foi deixado aos cuidados de um guardião austero, porém preocupado, que tinha certeza que o garoto conseguiria algo como Homem.

Aragorn é uma reflexão tardia sobre Tolkien, assim como Beren é uma reflexão precoce. Beren é um tanto quanto esperto e fora-da-lei, opondo-se aos limites impostos sobre ele pela autoridade, sem realmente contestar a autoridade, atitude esta intensificada devido a sua resolução ao firme amor por Lúthien. Aragorn não é um fora-da-lei, mas sim um homem desprovido de seu patrimônio e que constrói um novo patrimônio para seus descendentes, encorajado e sustentado pelo amor e fé de Arwen.

A estória de Aragorn e Arwen é, em certas maneiras, uma continuação da estória de Beren e Lúthien. Ao invés de deixar Doriath para a solidão quieta de Ossiriand, os heróis permaneceram no norte e ajudaram a conter as forças da escuridão. O último casal não corresponde ao primeiro em ousadia e feitos, mas sua realização provou ser a mais duradoura. A coroação e o subseqüente casamento de Aragorn é, talvez, uma reconciliação de Tolkien com suas paixões mais profundas. Ele passou a compreender que ele, de fato, alcançou seu potencial, que talvez não fora o que Padre Francis via, mas que é de qualquer forma, extremamente válido.

Algo Perverso vem nessa direção.

A inesperada migração dos clãs dos Pequenos moradores dos vales altos do Anduin através das Montanhas Sombrias, começando no ano de 1050 da terceira era, avisados da grande sombra que se erguia em direção ao sul da Grande Floresta Verde. O Sábio não podia ter certeza de quem ou o que havia se instalado na floresta, mas eles compreendiam que algo que não tinha vivido por ali previamente tornou-se então ativo.

 

 

Em todas suas obras publicadas, JRR Tolkien apontou apenas uma observação curiosa sobre o evento intrigante. No ensaio "Anões e Homens" publicado em "As pessoas da Terra Media", Tolkien notificou: " Claramente os Hobbits tinham percebido, mesmo antes que Magos e os Eldar tivessem total conhecimento sobre isso, o despertar de Sauron e sua ocupação em Dol Guldur." Os Hobbits não eram exatamente conhecidos por terem habilidade com as coisas do mundo. O que eles poderiam ter percebido, que os recém chegados Istari e os senhores Eldar haviam deixado passar?

Por essa causa. Por que, então Sauron decidiu acomodar-se em Amon Lanc? Gondor havia ocupado Mordor com a intenção de prevenir seu retorno ao seu velho reino. Mas Sauron poderia ter se estabelecido no extremo leste ou sul, mas ele escolheu perdurar na sulista Grande Floresta Verde, perto dos inimigos. Por quê?

Embora possa parecer obvio que ele tenha sido atraído pelo anel, que na época (o 11º século da Terceira Era) ainda permanecia inexplorado algum lago ao logo do Anduin próximo aos Campos de Lis. Foi dito que primeiramente Sauron acreditava que O Um Anel havia sido destruído. Sua ressurreição nas proximidades onde se encontrava o Um Anel pode ter sido uma conseqüência natural da afinidade que Sauron retinha com o Anel, mas ele não tinha conhecimento do fato. Então o que o compelia na permanecer perto do Anel?

Se aceitarmos que o espírito de Sauron tomou forma física algum lugar próximo ao Anel, então ele deveria aparecer primeiramente ao longo dos bancos do Anduin, talvez mesmo no rio. Ou se o poder de Ulmo era muito grande para ele, repelindo a malicia de Sauron e prevenindo que ele não reconhecesse que o Anel ainda existia, então Sauron pode ter assumido sua nova forma corpórea, nas terras baixas próximas ao rio. E não necessariamente alguém deveria ter visto Sauron. Melhor que sua ressurreição tenha ocorrido em segredo fora da visão dos Elfos, Homens do Oeste e todos q eram inimigos a ele.

Mas já havia outros homens vivendo na região. Embora os primeiros 1000 anos da Terceira Era tenha provado ser relativamente estável na região Oeste da Terra Media. No ano de 1050, Anor, havia sido dividida em 3 reinos em guerra e Gondor estava preso em um conflito mortal com seus vizinhos sulistas. O ano de 1050 foi, de fato, o ano em que Hyarmendacil I derrotou os Reis de Harad (e conquistou Umbar). Todos os olhos do mundo se voltaram a Gondor, o qual atingiu o sua maior dimensão naquela época, e chegou perto de todas as nações para competir com o, há muito perdido, quase esquecido, poder de Numenor.

Numenor tinha afundado no mar há quase 1200 antes de Hyarmendacil I ganhar sua vitória final. Foi há quase 1230 anos desde que Ar-Pharazon humilhou Sauron perto de Umbar trazendo, o que foi na época, o mais forte posto do exercito de Beleriand para a Terra Media. A memória de Numenor deve ter sido ofuscada entre as outras nações, pelo (um tanto), mais recente memória da Ultima Aliança de Homens e Elfos, o qual tinha assumido o posto de maior exercito de todos os tempos e destruído o poder militar de Sauron completamente. Sauron também foi morto e seu império totalmente derrubado, o qual, efetivamente nunca mais se ergueu.

Como resultado da derrubada de Sauron, três esferas de influência emergiram ao noroeste da Terra Media. O reino Elfico antigo de Gil Galad de Lindon ainda existe, mas se tornou tão fraco que muitos de seu povo ou velejaram pelo mar ou migraram leste para viver perto de Elrond em Imladris. Os Reis Supremos de Arnor se tornaram os poderes dominantes da região norte do mundo. Mas ao leste das Montanhas Sombrias ainda perduraram ali pelo menos dois reinos Elficos, e o vasto reino dos Anões BardaComprida. E Gondor anexada, mas nunca colonizou Mordor eventualmente expandindo-se externamente.

O poder de Arnor diminuiu, e o poder de Gondor cresceu. Mas e o poder dos Anões BarbaComprida? Seu capitólio de Khazad-dum era sua cidade chefe, mas eles reivindicaram toda a Montanhas Sombrias e as Montanhas Cinzentas até ao leste das Colinas de Ferro. Aparentemente eles tinham mais que uma cidade ou colônia. Eles mantiveram o antigo Homem-i-Naugrim, a grande estrada ao leste, a qual corrida desde a Passagem Alta até o Anduin, atravessando o rio por uma ponte de pedra viajando lesta pela Floresta Verde, e então virando noroeste estendendo-se até as Colinas de Ferro. Aquela estrada deveria servir para algum propósito útil. Não foi feita simplesmente porque os BardaComprida queriam ocupar-se de um oficio. Eles precisavam manter e a paz e estabilidade que nutria o comércio.

Lothlorien o pequeno reino Elfíco que se encontra entre Khazad-dum e o Anduin era a casa para os Elfos Noldor, Sindar e Silvan. Mas embora mantivessem um vínculo intimo com Khazad-dum e Imladris, Lothlorien parecia estar muito fraca para dominar a região. Havia Homens de descendência dos Edainic vivendo nas proximidades em ambos os lados do Anduin. Os homens da Floresta Verde tinham, de acordo com "O Desastre dos Campos de Lis", juntado-se, ou ao menos se tornaram simpatizantes, da Ultima Aliança. Eles, assim como seus parentes no norte próximos a Erebor aparentemente prosperaram nos séculos de paz, que seguiram após a ruína de Sauron.

Mas o sul da Floresta Verde não estava totalmente a salvo. Durante a Guerra da Ultima Aliança, Saurou tinha ocupado uma ou mais regiões da Floresta. Os dois mil ou mais Orcs que armaram uma emboscada para Isildur na Terceira Era, eram restantes daquelas forças ocupantes. Embora os Homens da Floresta tivessem dito que dispersaram os Orcs que sobreviveram à batalha de Isildur, alguns dos Orcs sobreviveram o ataque neutralizador dos Homens da Floresta.

Em um dos seus ensaios, Tolkien apontou que a maioria dos Orcs seria dificilmente capaz de defenderem-se após a derrubada de Sauron. O ataque a Isildur foi compelido, ele sugeriu em "O Desastre nos Campos de Lis", pela proximidade que Orcs estavam do Um Anel, os quais na época ainda estavam esperando pela volta de Sauron (obviamente pela sua impossibilidade de se juntar a ele fisicamente). Portanto depois do ataque a Isildur, aqueles poucos Orcs com habilidade de sobreviver por conta própria, devem ter retirado-se para as profundezas da floresta. Lá eles viveram sozinhos, vagarosamente desenvolvendo seu próprio senso de independência e comunidade.

Às vezes nos séculos após a morte de Sauron, os Hobbits fizeram seus caminhos até os Vales do Anduin. Eles instalaram-se próximos
a casas e vilas dos Edain e gradualmente foram se adentrando em uma co-exitência de Bri com aqueles Homens (de acordo com "Anões e Homens"). A chegado dos hobbits deve ter sido anterior a primeira invasão de Gondor pelos Easterlings no ano de 490 da Terceira Era. Naquela época Gondor teria se estendido ao longo do Anduin até os Undeeps (próximos aos Campos de Celebrant). As terras entre a Floresta Verde e Mordor não faziam parte do reino.

Estes mais prematuros Easterlings (na experiência da Terceira Era de Gondor), aparentemente viveram nas terras entre Mordo e a floresta de Turambar, filho de Romendacil I, conquistou aquelas terras algum tempo depois da morte de seu pai no ano de 541 da Terceira Era. A região inteira deve ter sido completamente hostil e impassível para os Hobbits. E embora eles possam ter passado pela Floresta Verde para atingir os Vales do Anduin, os ancestrais dos Stoods e dos Harfoots podem ter passado pela borda sulista da floresta. Os Follohides sendo o grupo do norte, são os mais cogitados em terem passado pela Floresta Verde.

Uma migração Hobbit pode ter encorajado os Homens da Floresta Verde a colonizar as terras abertas de campo ao longo do Anduin, e atravessar o rio. Os anões proveriam aos homens oportunidades de ofícios e trabalhos habilidosos em construir estradas e fortalezas. A amizade entre os Homens da Floresta e o povo de Thranduil (então morando em Emyn Duir, as montanhas no meio da floresta) assegurou uma fronteira norte para expandir população mortal. Os Homens tornaram-se uma comunidade importante na parte superior do Anduin.

E como os Homens da Floresta expandiram em direção as montanhas, eles também devem ter feito contato com Gondor. Havia muitas tribos de Homens do Norte (e um desses grupos eram os Homens da Floresta), espalhando-se ao sul, leste e oeste naqueles séculos. Eles se mudaram da Floresta Verde em ambas as direções. Após a atenção de Gondor ser direcionada ao leste, os Dunedain fizeram contato com os Homens do Norte. Amizade surgiu entre Gondor e os Homens do Norte e embora Tolkien não fale muito a respeito de sua relação, ele dá atenção ao desenvolvimento metódico dos Homens nas terras norte onde Arnor e Gondor detinham influencias.

Contudo como alguns Orcs sobreviveram durante a Terceira Era na região sul da Floresta Verde, por volta da metade do século Seis, havia Easterlings – cujos ancestrais serviram ou foram amigos de Sauron – Também vivendo dentro ou perto da região sul da floresta. E ao longe no norte perdurou Laracna, que havia se estabelecido em Ephel Duath, antes de Sauron construir Barad-Dur. De seu covil sua prole se espalhou pelo norte das montanhas. Sem duvida a Ultima Aliança de Elfos e Homens lutaram com as aranhas gigantes, as quais seriam guardiãs naturais das marchas de Sauron. Mas embora Gondor tenha assistido a marcha por mil anos, algumas aranhas manejaram-se e alcançaram a Floresta Verde ao mesmo tempo em que Sauron se instalou em Dol Guldur. Talvez ele mesmo tenha arranjado para que elas tenham sido trazidas ao norte.

Orcs, Easterlings e aranhas devem ter servido a fundação do novo reino de Sauron. Ele teria ido a floresta para revelar-se para os descendentes de seus escravos formados. Incapazes de resistir a sua vontade, os Orcs e os Easterlings (alguns mais rápidos que outros), teriam voltado a servi-lo. E eles teriam construído a fortaleza de Dol Guldur em segredo, longe dos olhos intrometidos dos Elfos, Anões, Homens, Hobbits e Magos.

Os Magos, Istari, enviados de Valinor, seriam muito novos para a Terra Media. Eles sabiam porque eles estavam lá. Eles estavam mantendo um olhar cauteloso para sinais do retorno da sombra. Mas eles não sabiam onde Sauron surgiria e se manifestaria, ou se algum outro mal antigo se ergueria em seu lugar. Eles sabiam que o mal estava vindo, mas não de onde ou quando. As grandes guerras no sul, talvez tenham levado todos a pensar que a ascendência de Gondor significaria que Sauron não poeria ainda retornar. Poderia ainda haver tempo para preparar-se.

O surgimento de Dol Guldur não poderia ter ocorrido da noite para o dia. Um pequeno castelo ou fortaleza consistindo em um pouco mais que uma torre e uma parede externa podem ser construído no espaço de alguns meses, com material e trabalhadores suficientes. Mas Dol Guldur era provavelmente uma enorme fortaleza, uma pequena cidade, desde o principio Sauron teria necessitado de uma base segura da qual lançaria suas varias campanhas. Mas ele também perseguia uma estratégia diferente da qual ele tinha na Segunda Era. Ao invés de conquistar um grande império e construir sua força militar em confrontos diretos com sos Eldar e Dunedain, Sauron, atacou seus inimigos por procuradoria.

Isto é, ele estabeleceu sua base em Dol Guldur e a fez segura o suficiente para desencorajar visitantes casuais e pequenos ataques. Mas ele também se privou de usar Dol Guldur para ativamente participar em eventos desdobrando-se em terras próximas a região sul da Floresta Verde. Em vez disso ele aumentou a população de Easterlings. "Anões e Homens" nos diz que os Hobbits começaram a fugir dos Vales do Anduin após "constante crescimento invasores do Leste … importunando os velhos ‘Atanic’ inabitados, e mesmo nos lugares ocupados, a Floresta e entrando no vale do Anduin.".

Claro, deve ter algum outro mau envolvido. Trolls podem ter sobrevivido por mil anos em Ettenmoors norte de Imladris, mas parece mais provável que eles tenham sido dirigidos para o leste de Mordor no final da Segunda Era. Como Sauron recrutou Easterlings para sua causa, ele teria trazido Troll de volta para o oeste. E como ele era conhecido como Necromante, Sauron dever ter consorciado com espíritos sem corpos. Ele deve ter criado Wargs e convocou antigos lobisomens e vampiros para servir a ele novamente.

Homens devem ter permanecido na Floresta das Trevas por uma razão muito boa. Ela tinha que se transformar rapidamente num lugar de pavor e ameaça, uma terra onde somente as tribos mais corajosas teriam ousado a viver e lutar com criaturas uma vez relegadas aos contos de fadas e folclore. Monstros tinham que andar pela terra novamente repugnando as arvores e escurecendo a floresta com uma sombra depressiva, que não tinha nada a ver com a luz do sol.

Mas o que os Hobbits, com sua falta de curiosidade mágica (exceto "o tipo comum") tinham notado, que até os Istari não tinham? Os animais do norte da Floresta Verde migraram em massa, procurando novas casas longe do mal? A chegada dos Easterlings, levou a constantes rixas e ataques entre as pessoas? Fantasmas e lobisomens caçaram nas colinas e nas margens do rio, onde os Hobbits viviam quietos e sozinhos?

O Prólogo de "O Senhor dos Anéis" nos diz que os Pés Peludos "tinham muito em comum com anões nos tempos antigos, e por muito tempo viveram nos pés das montanhas". Eles devem ter ouvido rumores de mudanças na Floresta de ambos, anões e Stoors. Os Stoors tinham permanecido perto do Anduin e provavelmente viviam mais próximos dos Campos de Lis. Os Campos de Lis haviam sido originalmente um lago que se estendia até as montanhas onde Isildur foi atacado. Através do tempo o lago se transform
ou em pântano e gradualmente o pântano secou e escasseou até o curso normal do Anduin.

Os Stoors teriam notado alguma coisa estranha acontecendo na mata além dessas montanhas. Os homens que viviam na floresta teriam se mudado quando os Homens da Floresta foram afastados pelos Easterlings, Trools, Orcs, Wargs e outras criaturas peçonhentas que iriam gradualmente sair dos contos das esposas para entrarem diretamente em suas fazendas. No espaço entre uma ou duas gerações Gaffers e Gammers, os quais lembravam de tempos melhores reclamariam de plantações perdidas, escassez de peixes, e numa má situação criada por homens desagradáveis. Seria uma transição gradual dos bons dias antigos para os maus tempos novos. A cada ano, vida se tornaria cada vez mais ansiosa. Clãs circulariam novas historias de medonhos encontros todas as temporadas.

O repertorio dos rumores e das incertezas iriam se acumular gradualmente enquanto as influncias de Sauron ocuparam as terras tranqüilas de Hobbits e Homens. O Elfos e Anões concentravam-se em suas próprias preocupações, prestariam pouca atenção a ô que aconteceu. Talvez um dia eles saberiam que uma cidade ou vila amiga tinha sido abandonada ou ocupada por forças inimigas. Mas os homens estavam sempre brigando entre si. O mapa político não mudaria muito como o mapa social. Clãs de Homens, Hobbits devem ter, simplesmente tentado mudar a algumas milhas mais ao longe. Seria um pouco diferente das outras eras, velhas tradições de cidades mandando colonizadores para construir novas cidades. Clãs teriam que, ocasionalmente, separar-se e procurar novas terras.

Mas um dia alguém importante o suficiente para ser ouvido para notar que havia Algo de Errado. Parentes não viviam mais onde eles costumavam viver. As pessoas agora olhavam através do Rio com receio. Talvez um ataque de muitos tenha saído da escuridão da floresta. Talvez o perigo de Orcs, Wargs tenha se tornado muito real e as tribos ao longo do Anduin tenham se tornado mais simpatizante da guerra e mais vigilantes do que seus avôs precisavam ser em sua juventude. Deveria haver um tipo de conselho, uma decisão em comum de o processo a seguir.

Talvez ele meramente tenha começado com um clã ficando muito assustador para ficar nos Vales do Anduin por mais tempo. Eles teriam ouvido historias sobre terras fartas além das montanhas. Um único líder de um clã levantou e disse: "Atenção todos! Estamos deixando essas terras, empacotem o que quiserem, deixem o resto." E quando seus visinhos viu o que ele estava fazendo, Eles disseram: "Nós também nos cansamos. Estamos indo com você".

Famílias, cidades, indivíduos solitários, casais jovens aventureiros fugindo do ódio de seus pais que teriam atravessado as montanhas. Isso pode ter começado como uma marcha de vagantes, atraindo alguns olhares curiosos das pessoas locais em Eriador. "Quem são essas estranhas pessoas pequenas?" Os homens devem ter se perguntado "Eles parecem crianças. Onde estão seus pais?".

E onde os Hobbits entraram Rhudaur e Cardolan, procurando novas terras para morar, Homens teriam perguntado porque eles deixaram suas terras antigas. "Há algo escuro e mal por lá". Eles responderiam. "É como se uma grande nuvem escura tivesse se desferido na floresta. Terras onde nossos antepassados se sentiam seguros, já não são livres para nós. Homens maus do leste perturbaram nossos amigos. Criaturas horríveis ameaçando nossas famílias. É como se uma grande ameaça tivesse surgido".

Rumores passariam de hospedaria para hospedaria, de cidade para cidade. Soldados, mercantes e vagantes iriam escutar igualmente, historias da transformação da Grande Floresta Verde em Floresta das Trevas. Eventualmente, príncipes, reis e magos também acabariam ouvindo sobre as mudanças no leste, na verdade isso ocorreria cinqüenta anos após os primeiros hobbits chegassem em Eriador, até o Sábio averiguar que Dol Guldur tinha se tornado um baluarte do mal.

Imagine o conselho que pode ter sido realizado. Istari, Senhores dos Eldar e talvez Reis dos Dunedain teriam juntado-se. Um relatório completo dos eventos seria dado. Batedores retornariam da Floresta das Trevas para confirmar os contos. E haveria rostos severos, trocas de olhares austeros entre os Sábios e seus amigos. E apesar de toda a vigilância que eles tinham mantido ao longo dos anos, eles não sabiam que algo estava acontecendo até ser tarde demais. Apenas os Hobbits tinha sentido algo de errado. E ironicamente somente os Hobbits iram proferir uma solução final para o problema

Tradução de Tais"Linda Sacola" Bachega