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Viajando na maionese de Asas e Cabelos

Michael Martinez

Novos livros de autoridade sobre a Terra-média são escassos e demandam enorme espera. Frequentemente, quando um novo livro é publicado fornecendo novas informações sobre a Terra-média, nossas queridas ideias que nutrimos por tanto tempo sofrem um sério desafio e devem ser reavaliadas.

The History of Middle-earth (HoME) caminha a passos tímidos para um nada profundo desfecho através das notas finais de Christopher Tolkien sobre “Tal-Elmar” finalizando The Peoples of Middle-earth. Seu papel no longo e meticuloso processo de organizar e publicar as anotações e manuscritos de seu pai termina de forma silenciosa. Tantas questões permanecem sem resposta no 12º volume da HoME que muitas pessoas expressam uma enorme frustração com este trabalho. “Isso é tudo que há para se falar sobre a Terra-média?”, perguntam elas.

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Os comerciantes da Terra-média

De vez em quando alguém pergunta que moeda era usada na Terra-média. É difícil de encontrar evidência de moeda (dinheiro) em O Senhor dos Anéis, mas existem sim algumas referências sobre isso. Quando Gandalf chegou à Vila dos Hobbits com uma carroça com fogos de artifício para o último aniversário de Bilbo e Frodo juntos, crianças hobbits o seguiram até Bolsão esperando por uma apresentação do mago. Ao invés disto, Bilbo atira para elas alguns centavos e as manda embora. Mestre Gamgi também relata que Bilbo é esbanjador em se tratando de dinheiro enquanto fala com os amigos.

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Contos Misteriosos da Terra-média

Não ouvimos falar com freqüência sobre as histórias de fantasmas que as
pessoas deviam contar umas às outras na Terra-média. O trabalho de
Tolkien é permeado por lendas bem trabalhadas que possuem, geralmente,
de fato um embasamento (dentro do escopo de sua pseudo-história), mas
quando paramos para considerar as imensas expansões de tempo que a
pseudo-história da Terra-média cobre, devemos nos perguntar quão
artificiais essas lendas se tornaram.
 
 
 
Todos já ouviram falar da história sobre o louco
que escapa de um sanatório e quase mata um casal jovem em uma estrada
escura, deixando sua garra pendurada na porta do carro (este seria, é
claro, um carro bastante antigo). Talvez essa história deva um pouco ao
mito nórdico do deus da guerra Tyr, que colocou sua mão na boca de
Fenris, deixando o lobo arrancá-la, enquanto os Aesir acorrentavam o
lobo. Tyr deveria ser um tanto quanto louco para fazer isso.

As primeiras histórias de fantasmas da Terra-média provavelmente foram
os contos há muito tempo esquecidos que os Elfos criaram sobre os
monstros de Melkor antes de Oromë descobrir sua morada em Cuiviénen. "E,
de fato, as canções mais antigas dos Elfos, cujos ecos ainda são
lembrados no Oeste, falam sobre formas sombrias que caminhavam nas
montanhas acima de Cuiviénen, ou passavam de repente pelas estrelas, e
do Cavaleiro Negro sobre seu cavalo selvagem, que perseguia aqueles que
vagavam, para tomá-los e devorá-los."

Os primeiros Elfos
eram um tanto ingênuos, em comparação aos seus sucessores Eldarin. Eles
não sabiam nada sobre quem eram os Valar, como o mundo se tornou o que
é, ou que monstros existiam (originados das criaturas inocentes de
Yavanna, ou Maiar corrompidos que assumiram formas de terror). Nem seus
poderes de mente e corpo estavam desenvolvidos. Será que os Elfos
sabiam, antes de encontrar os Valar, como utilizar suas faculdades
subcriacionais? Seria interessante se os primeiros menestréis Élficos,
que, em eras posteriores podiam "fazer com que as coisas sobre as quais eles cantavam aparecessem em frente aos olhos daqueles que estivessem escutando",
tenham feito canções de poder, onde suas audiências veriam novamente as
terríveis e místicas formas sombrias que rastejavam em seu mundo
outrora agradável.

Oromë levou os Eldar para o Oeste, através
de um mundo assustador, grande e desconhecido, para as margens
ocidentais da Terra-média, e a partir dali a maioria dos Eldar partiu
para uma terra de luz. É difícil imaginar os Altos-Elfos de Aman
vivendo sobre os fantasmas e demônios de seu passado. Eles seguiram o
estudo de alta civilização e arte e construíram grandes cidades e
artefatos poderosos. Mas os Eldar que permaneceram na Terra-média, os
Sindar, foram deixados na escuridão (ou na fraca luz das estrelas), e
apesar de por longas eras eles não terem sido perturbados pelas
criaturas de Melkor, ainda tinham razão para conhecer o medo.

Pois os Sindar eram perturbados pelos Noegyth Nibin, os Anões
inferiores, exilados das grandes cidades dos Anões do Leste, que
encontraram seus caminhos para Beleriand. Ali, nas Terras Selvagens
antes da vinda dos Elfos, eles estabeleceram sua própria cultura, da
qual não conhecemos praticamente nada, além do fato que eles eram
reservados e rancorosos. Os Noegyth Nibin atacaram os Elfos, que
revidaram ao caçá-los, sem saber de fato que os Noegyth Nibin eram
decaídos de um estado mais alto de civilização, tomando-os por animais
ou pequenos monstros da escuridão.

Com o tempo, os Sindar se
tornaram amigos dos Anões de Nogrod e Belegost, e eles aprenderam sobre
a verdadeira natureza dos Noegyth Nibin, e os povos deixaram cada um em
paz. Mas os Sindar eram de vez em quando avisados pelos Anões do Leste
que criaturas malignas estavam se multiplicando nas terras além de Ered
Luin. Se os Sindar tivessem tido tempo para esquecer os antigos
monstros, eles eram eventualmente lembrados, quando as criaturas de
Melkor começaram a se rastejar por Beleriand, "lobos… ou criaturas que andavam em forma de lobos, e outros seres sombrios cruéis".

Os Sindar se dividiram em dois grupos: Elfos das Florestas que se
espalharam para o Norte e Oeste a partir de Doriath e os Elfos
navegantes, que moravam nas terras costeiras ocidentais e se espalharam
pelo Norte. Muitos destes Elfos viviam fora das cidades, mais
provavelmente em cidadelas ou vilarejos que nunca apareceram em nenhum
mapa. Mas estando longe dos centros de poder e sabedoria, eles estavam
menos seguros em suas casas e talvez mais propensos para se perguntar
sobre as coisas misteriosas que se rastejavam ao redor deles. Será que
estes Elfos, talvez, cantavam sobre as coisas sombrias que assombravam
Beleriand?

Após o retorno dos Noldor e o começo da Guerra das
Gemas, criaturas sombrias e terríveis teriam se tornado bem conhecidas
através de Beleriand. Imagine se um exército de goblins, vampiros e
lobisomens estivesse prestes a invadir sua terra natal e permanecer
próximo por muitos anos. Você estaria propenso a contar "histórias de
fantasmas", sabendo que os fantasmas estavam logo além da montanha? Os
contos seriam histórias reais, não lendas. As criaturas seriam inimigos
conhecidos, e não terrores maléficos misteriosos.

Não seria
até após o colapso dos grandes reinos que de fato se tornaram lenda
novamente. Homens mortais se lembrariam das histórias e passariam as
mesmas para a frente, mas a cada geração, as histórias se tornaram
menos reais. Será que Dirhavel de Arvenien entendia sobre o que estava
cantando, se ele cantou sobre o conto de Barahir e seus fora-da-lei 70
anos após os eventos terem se desenvolvido? Quantos dos Elfos que
sobreviveram à destruição dos reinos em Arvenien e Ilha de Balar eram
velhos o suficiente para se lembrar das grandes batalhas ou do passado
antigo? Mesmo Elrond, que já era antigo na época da Guerra do Anel,
teria crescido nos dias em que Húrin e Túrin eram apenas memórias dos
homens e mulheres idosas, Hador era um ancestral distante e Cuiviénen
estava há gerações além de sua experiência.

Quão reais os
contos do Lobo-Sauron e Drauglin, pai dos lobisomens, e Thuringwethil,
a mensageira de Sauron em forma de morcego, e Gorlim, o fantasma
infeliz, teriam parecido às gerações de Homens e Elfos que cresceram no
início da Segunda Era? Seu mundo havia mudado. A maior parte de
Beleriand havia sumido. Os grandes reis, que lideraram os Elfos e Edain
na guerra contra Morgoth estavam todos mortos. Os Edain do Oeste
navegaram para construir uma grande civilização e os Edain do Leste
retrocederam às planícies e bosques onde eles lentamente esqueceram que
uma vez alguns de seu povo partiram para o outro lado das montanhas.

E ainda após Sauron ter começado a tumultuar novamente na Segunda Era,
reunindo mais uma vez criaturas maléficas sob seu controle, como
evidência do retorno do mal que se movia através das Terras Élficas, os
Homens devem ter apagado as antigas lendas sobre lobisomens, vampiros,
Orcs e demônios, e recontaram como havia uma vez um senhor do escuro
contra quem somente alguns Elfos e Homens se defenderam valentemente.

E ainda o mal, conseqüentemente, adquiriu um aspecto mais claro, e a
Guerra dos Elfos e Sauron trouxe um fim a muitos reinos Élficos e
Humanos, e muitos séculos de combate existiriam subseqüentemente. A
Segunda Era deve ter originado novas lendas de terror, principalmente
quando os Nazgûl apareceram na Terra-média, mas também pode ser, como
na Primeira Era, que a Segunda Era tenha trazido o mal para muito perto
de casa para as pessoas desenvolverem uma estranha fascinação por ele.
Somente sonhamos com vampiros e lobisomens quando sabemos que eles não
são reais e não podem nos machucar.

Mas a guerra final da
Segunda Era contribuiu para a fundação de uma das maiores lendas de
terror na Terceira Era. Isildur convocou um povo das montanhas para
marchar contra Sauron, e eles recusaram, uma vez que eles outrora
adoravam Sauron como um deus. A esses homens sem fé, Isildur condenou a
desaparecerem como um povo. Eles definharam e morreram, perdidos e
sozinhos nas terras altas, condenados a assombrar suas terras antigas
até o dia em que eles pudessem redimir seus juramentos para um Herdeiro
de Isildur.

O audacioso povo das montanhas de Gondor vivia ao
lado dos Mortos do Templo da Colina, e deve-se imaginar se eles não
passaram longas noites de inverno trocando contos de viajantes
imprudentes que se perderam nos caminhos dos Mortos, ou que encontraram
uma reunião de fantasmas à grande pedra de Erech em tempos
problemáticos. Ninguém sabe como a dama Élfica Nimrodel se perdeu nas
montanhas, mas será que o povo local a adotou como uma vítima de suas
lendas? Será que eles a imaginavam perdida e assustada, possuída pelos
antigos fantasmas?

Os caminhos dos Mortos eram famosos
através das terras dos Dúnedain, ao que parece. Malbeth, o vidente, que
vivia em Arnor, previu que um dia um Herdeiro de Isildur caminharia
naqueles caminhos e acordaria os Mortos. Séculos depois, quando os
Rohirrim se estabeleceram em Calenardhon e Brego, seu segundo rei,
terminou a construção do salão de Meduseld, ele e seus filhos passaram
pelas montanhas e encontraram um homem idoso sentado na entrada do
caminho dos Mortos.

"O caminho está fechado", ele disse a eles. "O
caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os
Mortos o guardam, até a hora chegar. O caminho está fechado."
E
então ele morreu, e o príncipe Baldor resolveu entrar no caminho dos
Mortos e ver por si mesmo que segredos existiam ali. Ele nunca
retornou, e toda Rohan se questionou sobre o que se tornou dele.

Provavelmente os ossos que Aragorn encontrou dentro da passagem eram de Baldor: "Diante
dele estavam os ossos de um homem forte. Estivera vestido de malha
metálica, e sua armadura jazia ainda inteira, pois o ar da caverna era
seco como pó; sua cota era dourada. O cinto era de ouro e granadas, e
rico em ouro era o elmo sobre os ossos de sua cabeça, caída com o rosto
contra o chão. O homem tombara perto da parede oposta da caverna, pelo
que se podia presumir, e diante dele havia uma porta de pedra
hermeticamente fechada: os ossos de seus dedos ainda agarravam as
fendas. Uma espada quebrada e chanfrada jazia ao seu lado, como se ele
tivesse golpeado a rocha em seu último desespero"
.

O que
poderia ter acontecido dentro daquela caverna escura e solitária é que
um dos mais bravos guerreiros de Rohan teria ficado louco e rachado a
rocha em desespero? Ele deve ter sido atacado por um exército dos
Mortos, e procurando uma maneira de escapar e se desviou. Ou talvez ele
meramente sucumbiu ao medo e temor, estremecido a sua própria alma, e
irracionalmente, fugiu impetuosamente na escuridão até não poder mais
encontrar seu caminho, e lentamente, tristemente, passou seus últimos
dias ou horas em vão, procurando admissão em algum refúgio de natureza
duvidosa.

Os Mortos do Templo da Colina não eram as únicas
assombrações a habitar a Terra-média na Terceira Era. Os Nazgûl
surgiram de Mordor no ano 2000 e sitiaram a cidade montanhosa de Minas
Ithil. Após 2 anos eles tomaram a cidade e a transformaram em um lugar
de terror existente, e dizia-se que era a residência de fantasmas e
outros monstros. Até mesmo os Orcs que estavam posicionados ali estavam
enervados pelas criaturas terríveis com as quais os Nazgûl haviam
ocupado a cidade. Todas as terras vizinhas se tornaram desertas,
conforme as pessoas fugiam para o outro lado do Anduin, e com o tempo
somente as pessoas mais audaciosas de Gondor ousavam viver em Ithilien,
que uma vez havia sido uma terra muito agradável e bela.

Os
Nazgûl eram especialmente bons em acabar com as vizinhanças. Séculos
antes o Senhor dos Nazgûl havia rumado para o Norte para estabelecer o
reino de Angmar. Homens serviam a ele, mas também Orcs, Trolls, e
outras criaturas, incluindo espectros. Ele ensinou ou encorajou o povo
das colinas de Rhudaur a praticar feitiçaria, principalmente
necromancia, e na guerra com Cardolan e Arthedain no ano 1409, o Senhor
dos Nazgûl enviou espectros para habitar os antigos túmulos em Tyrn
Gorthad, próxima a Bri. Estes espíritos se tornaram as Criaturas
Tumulares. Eles animaram antigos ossos e ocuparam a terra com pavor e
medo. Seu poder era tão grande que, muitas gerações depois, os esforços
do Rei Araval para recolonizar Cardolan falharam, porque as pessoas não
poderiam viver perto de Tyrn Gorthad.

Quando os últimos
remanescentes do Reino do Norte foram arruinados, criaturas maléficas
ocuparam sua última capital, Fornost Erain, apesar de que depois de
apenas alguns meses elas foram destruídas ou expulsas por um grande
exército de Gondor e Lindon. Muito da terra estava limpa quando a
própria Angmar foi destruída, mas as Criaturas tumulares permaneceram,
e os Homens de Bri ficaram amedrontados em relação às ruínas de Fornost
Erain, conseqüentemente, denominando-as de Dique dos Mortos, porque
eles apenas podiam se lembrar do terror que brevemente havia governado
ali.

Arnor estava quase esvaziada de pessoas, e ruínas foram
deixadas por todos os lugares: Annúminas, Fornost, Tyrn Gorthad, as
colinas de Rhudaur, Topo do Vento. Tharbad, a última cidade de Arnor,
declinou e se tornou uma cidade ribeirinha, e conseqüentemente foi
abandonada após ter sido destruída por severas inundações. Quase toda
Eriador era uma terra vazia e desolada, com cidades esquecidas e
túmulos assombrados.

É um pouco estranho que os Hobbits que
partiram do Condado em 3018 não eram muito mais amedrontados em relação
ao mundo ao redor deles. Eles tinham lendas sobre a Floresta Velha, que
ficava nas fronteiras da Terra dos Buques, uma terra estranha onde as
árvores podiam se mover conforme queriam e que abrigavam um antigo ódio
pelos seres que caminhavam em duas pernas. Tolkien observa que "mesmo
no Condado, o rumor sobre as Criaturas Tumulares das Colinas dos
Túmulos além da Floresta foi ouvido. Mas não era um conto que qualquer
Hobbit gostaria de ouvir, mesmo em frente a uma confortável lareira bem
longe de tudo isso".

Mas Frodo e seus amigos não sabiam
nada sobre os terrores que existiam além das Colinas dos Túmulos e suas
criaturas, ou as lendas que ainda assombravam as terras, apesar das
criaturas que geraram terror aos contos terem desaparecido há muito
tempo. Se eles tivessem ido em busca de antigas histórias de fantasmas,
ao invés de buscar uma maneira de destruir o Um Anel, eles teriam
encontrado lendas suficientes para encher um livro. Havia o velho
monstro vivendo no alto das montanhas sobre Minas Morgul, as estranhas
e agourentas árvores da Floresta de Fangorn, o escuro e repugnante
Guardião na Água, o espírito de fogo e sombras que assombrava as
cavernas perdidas de Moria, a fria e cruel Caradhras, e coisas escuras
voadoras que bloqueavam as estrelas à noite, e os próprios Nazgûl.

A pobre e perdida Eregion se tornou a morada de lobos enfeitiçados e
tropas ameaçadoras de Crebain, e a terra esqueceu que uma vez fora lar
a um povo Élfico que ousara mexer com a força do Tempo na própria
Terra-média. Mas quando tudo estava feito e o Senhor dos Anéis
destruído, os Hobbits e seus aliados foram mais uma vez lembrados de
todos os grandes e antigos temores, e eles devem ter passado muitas
noites felizes trocando contos em frente à lareira, mantendo vivas as
estórias de fantasmas da Terra-média.

[tradução: Helena "Aredhel" Felts]

Uma História da Última Aliança de Elfos e Homens, Parte 2

A guerra real começou com o ataque à Minas Ithil, em 3429 S.E. [32]. Quando a cidade foi perdida, Isildur e sua família escaparam para Osgiliath [33]. De lá eles navegaram, deixando Anárion para defender o reino. Pode ser que nessa hora Isildur tenha parado em Edhellond, e passado para o norte em direção a Erech pra convocar o Rei das Montanhas para cumprir o juramento feito por seus predecessores; ou, pode ser que nesse momento Isildur tenha tomado o juramento do Rei, para ser cumprido posteriormente, quando o Oeste estivesse pronto para marchar contra Sauron [34].

Em todo caso, Anárion aparentemente não foi incomodado pelos homens das Ered Nimrais, embora ele possa ter prudentemente montado uma vigília contra uma traição do oeste. De qualquer forma, a presença do porto élfico em Edhellond pode ter sido um conforto para os Dúnedain. Além disso, visto que Sauron havia reunido seus aliados em Mordor, os exércitos de Herumor e Fuinur não atacaram vindos do sul. Eles devem ter passado para o norte e para Mordor através do Passo de Nargil [35], se não eles marcharam para o norte ao longo das Ephel Dúath para ajudar no ataque a Osgiliath.
Elendil e Gil-galad convocaram um conselho em 3430 S.E., onde a Aliança foi oficialmente criada [36]. O conselho deve ter sido uma grande reunião de senhores de Arnor, Gondor, Lindon, e outras terras. Além de Gil-galad e Elendil, podemos supor que Isildur e Círdan estavam presentes, e talvez também Elrond, Celeborn, Galadriel, Gildor Inglorion, e Glorfindel [37]. Os filhos de Isildur, Elendur, Aratan, e Ciryon podem ter estado presentes também; pelo menos Elendur provavelmente estava lá.

Podem ter havido também emissários dos Vales do Anduin (se não dos próprios Durin IV, Oropher, e Amdír). Possíveis emissários dos Elfos incluiriam Thranduil e Amroth. Entretanto, é possível que a Aliança originalmente incluísse apenas Lindon, Arnor, Gondor, e Imladris.

A Aliança só poderia ter um único propósito militar: marchar sobre Mordor e alcançar uma vitória completa e total contra Sauron. Eles sabiam que podiam derrotá-lo no campo de batalha, conforme isto fora realizado em mais de uma ocasião em guerras passadas. O verdadeiro problema deve ter sido sobre o que eles fariam uma vez rompidas as defesas de Sauron. Até quando ele poderia resistir à Aliança, e o que ele seria capaz de tramar contra seus inimigos enquanto sitiado em Barad-dûr? As forças de Sauron eram consideráveis, pois ele comandava não somente os Orcs e Trolls, mas também muitos homens, e seus principais servidores eram os Nazgûl.

Gil-galad e Círdan marcharam para o leste saindo de Lindon em 3431 [38]. Elendil já havia reunido seu exército em Amon Sûl e ele esperou lá pela hoste élfica [39]. Mas eles pararam em Imladris por três anos, aparentemente para treinar e equipar seus exércitos, e talvez também para persuadir Oropher, Amdír, e Durin a unirem-se à Aliança, se eles ainda não o tinham feito [40]. Naquela época, Sauron deve ter estabelecido um exército nas terras entre a Floresta Verde e Mordor [41]. Tal expansão certamente teria sido persuasiva para com Oropher. pode ser que nessa época Elendil tenha mandado um exército a Gondor para fortalecer Anárion [42].

Havia duas linhas de marcha prováveis para os exércitos da Aliança quando eles finalmente começaram a se mover em 3434. Pode ser que Oropher e Amdír tenham avançado pela costa oriental do Anduin, enquanto Gil-galad, Elendil, e Durin passavam a oeste de Lorinand em direção ao Parth Celebrant. Ou talvez Gil-galad e Elendil tenham atravessado o rio pela Men-I-Naugrim, usando o vau onde houve uma vez uma antiga ponte. Oropher pode ter precedido ou seguido eles em sua estrada para o sul, e Amdír e Durin teriam atravessado o Anduin com barcos (assim como Celeborn milhares de anos mais tarde quando ele atacou Dol Guldur).

Sauron provavelmente encontrou as forças da Aliança em algum lugar próximo aos Meandros mas, vendo que era superado em número, ele recuou, destruindo o antigo domínio Entesco ao norte das Emyn Muil (posteriormente conhecido como “As Terras Castanhas”) em uma tentativa de retardar o avanço da Aliança [43]. A retirada para Mordor deve ter sido rápida, ainda sim a Aliança foi capaz de surpreender o exército de Sauron em Dagorlad. É possível que a força de cavalaria de Lindon [44] tenha forçado o exército de Sauron a parar e se reorganizar no norte de Udûn, e que as duas forças se prepararam para a batalha ao curso de um ou mais dias que se seguiram.

Ainda que não tenhamos registro da Batalha de Dagorlad em si, podemos deduzir algumas prováveis formações. Gil-galad, sendo o líder da Aliança (ou, o mais provável, o mais velho dos quatro “iguais”), provavelmente comandava o centro. Visto que Elrond era o arauto de Gil-galad nesta campanha, é possível que os flancos de Gil-galad fossem comandados por Celeborn e Círdan (Glorfindel ou Gildor Inglorion podem ter comandado um flanco “Noldorin”).

Sabemos que no curso da batalha, o exército de Amdír foi isolado da hoste principal e feito em pedaços nos pântanos [45]. Entretanto, podemos supor que Oropher tomou a face direita do campo, com Amdír guardando o outro flanco. Deste modo, os Elfos Silvestres de “idéias próprias” estariam em uma posição para apoiar Gil-galad sem serem cercados pelas próprias forças dele. Elendil e Durin podem ter, então, permanecido na face esquerda (leste) do campo.

O que não podemos supor é se Anárion, com o exército de Gondor, estava presente na Batalha de Dagorlad. Teria Sauron dividido suas forças durante os anos anteriores para manter Anárion ocupado? Os únicos aliados possíveis que Anárion poderia ter convocado seriam os Elfos de Edhellond, dito serem na maioria de origem Nandorin ou Sindarin [46]. Eles não teriam constituído de modo algum uma grande força, e podem ter sido apenas um contingente do exército de Anárion.

As forças de Sauron teriam sido retiradas dos Orcs e Trolls, provavelmente vivendo em sua maioria em Mordor naquela época; os Orientais, talvez muito primitivos; os Haradrim, governados por Númenorianos Negros e incluindo um grande número dos mesmos; e quaisquer Homens que possam ter vivido em Mordor (se algum). Conta-se que uns poucos Anões também lutaram por ele, embora nada seja mencionado de suas moradas ou casas [47].

Se Anárion foi impedido de se unir imediatamente a Gil-galad por um exército no sul, Sauron pode ter tido somente alguns Haradrim na Batalha de Dagorlad. Assim, ele teria apenas dois exércitos: os Orientais e suas próprias forças de Mordor e Harad. O flanco esquerdo de Sauron pode ter sido a parte mais forte de seu exército, uma vez que ele foi capaz de impelir os Elfos Silvestres de Amdír, empurrando-os para os pântanos [48]. É possível que os Orientais não tenham ficado à direita de Sauron, mas talvez tenham ido contra o flanco oriental da hoste da Aliança (onde podem ter permanecido os exércitos de Arnor e Khazad-dûm). Esta estratégia teria ao menos dado uma oportunidade ao flanco esquerdo de esmagar os Elfos Silvestres enquanto o exército principal mantinha a atenção de Gil-galad no centro.

Gil-galad pode ter usado uma estratégia cautelosa, contendo-se de atacar a fileira de Sauron. Talvez Sauron tenha repelido Amdír com um ataque e talvez tenha ele mesmo lançado o ataque. A vantagem em lançar o ataque estaria na chance de Sauron de dividir a hoste élfica e destruir os Elfos Silvestres. Uma vez que Amdír e mais da metade de seu exército foram mortos, as forças de Sauron nesta área foram bastante efetivas. Mas visto que Sauron, por fim, abandonou o campo [49], seu flanco direito deve ter desmoronado sob o ataque dos outros exércitos da Aliança. É possível que a força inteira que combateu Amdír nos pântanos tenha sido abandonada por Sauron na retirada.

Embora não saibamos se partes do exército de Sauron sobreviveram à Batalha de Dagorlad, podemos estar certos de que suas forças foram muito diminuídas. Ele ainda aparentemente foi capaz de manter mais uma resistência fora de Barad-dûr, pois Oropher liderou um ataque prematuro a Mordor [50]. Os Elfos Silvestres podem ter se enfurecido com o massacre que ocorrera nos pântanos, e talvez Oropher tenha pensado que as forças de Sauron eram mais fracas do que realmente eram.

Mas embora os Elfos Silvestres tenham novamente sofrido graves perdas [51], Gil-galad e a Aliança penetraram em Mordor, empurrando Sauron de Udûn por todo o caminho de volta a Barad-dûr, onde eles começaram o cerco de sete anos. Nessa hora Anárion deve ter levado o exército de Gondor para Mordor, talvez passando através das Ephel Dúath para assegurar que Sauron não pudesse escapar para o sul.

A defesa de Sauron de Barad-dûr não foi passiva. Ele enviou muitos ataques [52]. A própria fortaleza usava armas de projéteis para infligir grandes perdas aos exércitos da Aliança, incluindo a tomada da vida de Anárion em 3440 [53].

A breve descrição de Elrond da última luta entre Sauron e seus adversários indica que Gil-galad fixara uma posição em Orodruin. Esta parece ser uma distância bem grande de Barad-dûr, mas pode ser que, durante os anos do cerco, Gil-galad tivesse que lidar com forças fora de Barad-dûr, nas terras ao leste e ao sul. Sendo assim, então Orodruin teria se tornado um excelente posto de comando, mas isto também significaria que os exércitos da Aliança (enfraquecidos pelas batalhas no norte) deviam estar pouco espalhados.

Desse modo, parece que, ou Sauron foi capaz de pegar Gil-galad de surpresa, ou ele liderou uma última e massiva investida contra Orodruin. Logo que Sauron alcançou as encostas da montanha de fogo, apenas Elendil permaneceu próximo o suficiente para ajudar diretamente o rei élfico, embora Elrond, Círdan, e Isildur estivessem mais próximos do que outros. Como Sauron conseguiu chegar tão perto de Gil-galad? Teria talvez o rei élfico oferecido a Sauron um desafio para um combate único (assim como seu avô Fingolfin desafiou Morgoth)? Sauron esperava matar Gil-galad e assim desencorajar seus inimigos?

No evento, Gil-galad caiu ante o ataque de Sauron e foi Elendil quem desferiu o golpe “mortal” que derrubou o Senhor do Escuro. Sauron, apesar disso, devia ter guardado força suficiente e presença de espírito para se projetar sobre Elendil, uma vez que fora o calor de seu corpo que matou o rei Dúnadan. Isildur então subiu a encosta para cortar o Anel da mão de Sauron, mas ele fez isso sabendo que o espírito de Sauron escaparia ou ele foi atraído imediatamente pelo poder do Anel?

O combate final deve ter resultado em uma perda de força de vontade quase completa entre os Orcs e Trolls sobreviventes [54]. Se quaisquer Orientais ou Haradrim continuaram a existir fora de Barad-dûr, eles ou fugiram ou lutaram até serem destruídos, como aconteceu com as forças de Sauron no final da Terceira Era [55]. Mas a própria Barad-dûr teve que ser demolida, e fortalezas foram construídas nas Ephel Dúath e em Udûn para manter uma vigilância sobre [56].

A maioria dos líderes originais da Aliança nunca viu o final que eles se esforçaram tanto para atingir: Gil-galad, Elendil, Oropher, Amdír, e Anárion: todos pereceram. As forças élficas sofreram perdas terríveis, como aparentemente também sofreu o exército de Arnor. Nada é dito do que aconteceu com o exército e o rei de Khazad-dûm.

Um dos prováveis benefícios da guerra para os Povos Livres foi a diminuição de Númenorianos Negros que, embora não destruídos, foram incapazes de estabelecer um grande reino como Gondor ou Arnor (a menos que este fosse Umbar, que eventualmente foi conquistado). Mas um dos grandes custos da guerra teria sido a virtual ruína da antiga civilização Beleriândica em Lindon. O povo de Círdan incorporou o restante do povo de Gil-galad em Mithlond e alguns podem ter se assentado em ou próximo a Imladris, mas a maioria dos sobreviventes abandonou a Terra-média [57].

Arnor emergiu da luta enormemente enfraquecido. Gondor, entretanto, cresceu em poder daquela época em diante, e por mais de 1600 anos manteve uma vigília sobre Mordor contra o eventual retorno de Sauron. A Aliança falhou em atingir uma vitória permanente sobre Sauron, em grande parte porque no final Isildur falhou em destruir o Um Anel quando teve a chance. E ainda assim, tivesse ele seguido o conselho de Círdan e Elrond, o que seria dos Elfos na Terra-média? A tolice de Isildur foi o triunfo da Aliança, pois os Eldar foram assim capazes de usar seus três Anéis de Poder remanescentes por mais de 3000 anos para melhorar seu mundo.

Tolkien escreveu que a Terceira Era era “os últimos anos dos Eldar. Viveram em paz por um longo tempo, controlando os Três Anéis, enquanto Sauron dormia e o Um Anel estava perdido; mas não tentaram nada de novo, vivendo de recordações do passado”. (O Retorno do Rei, p. 1148). Eles talvez não estabeleceram novos reinos, mas as canções élficas relatando as trágicas histórias de Nimrodel e a busca dos Ents pelas Entesposas mostram que os Elfos continuaram a prosperar e interagir com outros povos ao redor deles, muito após a guerra ter terminado.

Fim da parte 2.

Está tudo em famí­lia: Os Finwënianos

O papel central da mitologia de Tolkien está designado à família de Finwë, o primeiro rei dos Noldor. Ao contrário dos Minyar (Primeiros), todos aqueles que migraram para Valinor e se tornaram conhecidos como os Vanyar, os Tatyar (segundos) e Nelyar (Terceiros), se dividiram em dois grupos. Aqueles Tatyar que se comprometeram a realizar a Grande Jornada se tornaram os Teleri, e Elwë e Olwë eram seus líderes. Portanto, Finwë, Elwë e Olwë eram somente reis dos membros de seus clãs que os seguiram na Grande Jornada. Os Elfos remanescentes, conhecidos coletivamente como os Avari, eram chefiados por outros (inominados) capitães.

O significado dessa distinção é que o isolamento de Finwë dos Tatyarin Avari fortalece a visão emergente de Tolkien que Finwë deveria ser um Elfo da primeira geração. Apesar de Tolkien nunca ter afirmado isso, deveria ser respeitável por parte da primazia de Fimwë, se todos os Tatyar aceitaram sua decisão de ir a Aman. Uma vez que Ingwë, Finwë e Elwë tiveram que persuadir seu povo para realizar a jornada, nós sabemos que eles não tinham o poder autocrático dos reis Eldarin, enquanto todos os Elfos viviam em Cuiviénen. A estrutura social da primitiva cultura élfica deve, portanto, ter sido substancialmente diferente daquela dos reinados Eldarin em eras posteriores. Fëanor também tentou persuadir os Noldor a segui-lo, mas ele estava fazendo um apelo emocional durante um tempo de crise, enquanto ele ainda estava sob a banição dos Valar. Sua legitimidade como rei era questionável, uma vez que Fingolfin ainda estava agindo tecnicamente como rei em Tirion. Na Terra-Média, Turgon não parece ter tido que persuadir seu povo para segui-lo quando ele se deslocou de Nevrast para Gondolin. Ele simplesmente fez essa decisão e todo o reino se mudou.

É desta maneira evidente que havia ali um processo de evolução na autoridade dos líderes Eldarin. É certamente discutível que uma sociedade menos sofisticada pode não ter providenciado aos Elfos mais velhos o poder dos monarcas. Mas se é esse o caso, então a suposição de que Finwë deve ter se identificado com Tata, o mais velho dos Tatyar, é mais adiante enfraquecida. Tal identificação não necessita ser limitada com a identificação de caráter com caráter. Não é aparente que Finwë deve ser um descendente de Tata e Tatië. Ele poderia ter vindo de qualquer família e ascendido à proeminência através de sua coragem e sabedoria.

No entanto, os Noldor, mais que qualquer outro povo élfico cuja cultura Tolkien escrevera, mantiveram um sistema muito patriarcal. Os reis Noldorin alcançaram uma autoridade quase absoluta sobre seu povo, bem como a autoridade que Melkor exercera sobre seus próprios assuntos. De um modo, os Noldor se tornaram uma paródia daquilo que eles mais desprezavam: o reino de Morgoth. Sua estrutura social deve ter sido compelida para tal autocracia por antigos costumes mais do que por experimentação. De fato, é sensato inferir a partir dos nomes de vários grupos Avarin que os Tatyar eram mais propensos a divisões que os Nelyar. Se for assim, então a habilidade de Finwë em reter a total lealdade de seu povo em Aman foi extraordinária. Fëanor era bem menos popular que seu pai.

Então, a autoridade autocrática dos últimos reis Noldorin indica que eles devem ter herdado uma autoridade primária de Tata. A personalidade de Finwë deve ter participado de um papel maior em estabelecer a autoridade, mais do que sua herança. Isto é, para os Noldor, descender de Finwë seria mais importante do que descender de Tata. Sem falar que os capitães originais dos Tatyar não devem ter descendido de Tata. Faz sentido que, se Ilúvatar selecionou Tata para ser o primeiro a acordar entre os Elfos, ele deveria ter as qualidades de um líder natural que Ilúvatar sentira que os Tatyar necessitariam. Tata deveria (se ele fosse um bom pai) criar seus filhos para serem bons líderes também. Liderança deveria ter se tornado o papel natural da família simplesmente porque a família exercia liderança. Portanto, se Finwë teve irmãos ou primos que decidiram não ir para Valinor, eles devem ter se tornado os líderes dos Tatyarin Avari.

A questão se Finwë tinha outros parentes é interessante, apesar de não ser necessariamente crucial para o entendimento da cultura Noldorin. Havia outras casas principescas entre os Noldor. Elas devem ter compartilhado uma aliança com a casa real através de descendência comum de Tata, mas Tolkien nunca explora o assunto em nenhuma obra publicada. Havia príncipes em Gondolin, como Glorfindel (de quem Gandalf comenta com Frodo que Glorfindel descende de uma casa de príncipes). Infelizmente, a história dos textos de Gondolin faz com que seja impossível determinar quantos príncipes havia em Gondolin, ou qual deveria ter sido sua relação (se é que havia) com os Finwënianos. Voronwë reinvidicou aliança com a Casa de Fingolfin. Um descendente comum de Tata pode explicar essa aparente discrepância. Um descendente através de uma filha de Fingolfin (um daqueles que foi ao exílio) deve também explicar a reinvidicação de Voronwë. Mas algumas pessoas discutem que a declaração de Voronwë pode somente explicar uma relação entre sua família e a família de Fingolfin.

Então Gondolin não nos oferece qualquer insight sobre as complexas hierarquias sociais dos Noldor. No entanto, Nargothrond é uma história diferente. Há pelo menos uma casa de príncipes que (aparentemente) não reinvidica aliança com os Finwënianos. Essa é a família de Guilin, cujo filho Gwindor iniciou a responsabilidade de chefe por lançar o desastroso ataque que iniciou a Nirnaeth Arnoediad. Gwindor também trouxe Túrin a Nargothrond, o que posteriormente levou ao fim daquele reino. Tolkien fala que Gwindor é “um príncipe muito valioso”. Em qualquer outro lugar, Gwindor é “um senhor de Nargothrond”. Seu posto é, no entanto, nobre, mas ele não é um Finwëaniano. Se a família de Guilin foi considerada nobre de tempos antigos ou foi elevada a esse status por Finwë ou um dos reis de Nargothrond, é um mistério.

O que podemos ter certeza é que, no entanto, os Finwënianos derivaram seu status especial do próprio Finwë. A monarquia Noldorin começou com Finwë e todos os reis legítimos dos Noldor exigiram a descendência dele. Mais ainda, nenhum príncipe Noldorin de fora da família já tinha estabelecido um domínio próprio. A estima cuja família de Finwë teve por seu povo foi forte o suficiente, tanto que eles limitaram sua escolha de reis somente para seus descendentes. Portanto, até mesmo se todos os capitães Tatyarin fossem descendentes de Tata, tal patrimônio era insuficiente para justificar um prestígio real.

O carisma de Finwë é também evidente pelo fato de que mais de uma mulher élfica o amava. Em “Leis e Costumes entre os Eldar” (“Morgoth’s Ring”, pg 207-253), Tolkien escreve: “Os Eldar casavam somente uma vez na vida, e por amor, ou pelo menos por livre arbítrio de ambas as partes…Casamento, exceto por raras chances ou destinos estranhos, era o curso natural da vida de todos os Eldar…Aqueles que deveriam depois se tornar casados, deveriam se escolher cedo na juventude, até mesmo quando crianças (e de fato isso acontecia de vez em quando em dias de paz)…”

Se o curso natural dos Eldar os levou a se casar somente uma vez na vida, então a habilidade de Finwë de atrair e amar mais que uma mulher era extremamente fora do comum. Sua personalidade deveria ser extremamente carismática. Não é justo falar que alguma coisa deva ter acontecido para Indis amar Finwë até mesmo quando ele estava casado com Míriel. Seu amor era sem dúvida puro e natural. Não há nunca uma dica de qualquer sinal de sombra ou corrupção em ambos Finwë ou Indis nas estórias relacionadas ao seu casamento. Até certo ponto, seu casamento é reconhecido como um sinal de cura para o pesar de Finwë sobre a morte de Míriel e a recusa de retornar à vida. Apesar da narrativa dizer que as coisas seriam melhores para os Noldor em geral se Finwë não se casasse novamente, o amor que ele e Indis compartilhavam parece ter sido tão forte e natural como o amor que seria encontrado em qualquer primeiro casamento entre os Eldar.

A personalidade distinta de Finwë deve, portanto, ter sido expressada em todos os seus filhos de uma maneira ou outra. Crescer em uma família de um líder que as pessoas devem ter idolatrado deve ter imbuído as crianças de Finwë com um senso de prestígio. Mas ver seu pai interagir com seu povo como um líder, e sem dúvida ouvi-lo palestrar sobre como governar ou liderar o povo deve ter providenciado uma educação espetacular a Fëanor, Fingolfin e Finarfin no equivalente Noldorin de uma pessoa culta. Finwë deve ter sido muito bom em julgar os humores dos outros e descobrir o que ele queria. Os Noldor assim desenvolveram um relacionamento muito próximo com seu rei, muito mais próximo (parecia) do que aquele entre os Vanyar e Ingwë ou entre os Teleri e Elwë e Olwë.

No entanto, Tolkien adicionou um pouco de divisão política lingüisticamente inspirada ao ambiente que produziu os Finwënianos. Isto é, em “The Shibboleth of Fëanor”, Tolkien documenta a transição consciente que a maioria dos Noldor incumbiram em seu diálogo entre o uso de um som (chamado Thorn, foneticamente relacionado à th) e outro (que tomava o lugar do som antigo). Os Vanyar, que aderiram à prática antiga, retiveram o antigo som. Fëanor aderiu ao antigo som como um símbolo de seu amor para com sua mãe. Finwë, por outro lado, tomou a nova pronúncia, talvez como um sinal de que ele estaria prosseguindo com sua vida. Indis também tomou a nova pronúncia, pois ela sentiu que estando unida aos Noldor, deveria falar como eles.

A intransigência de Fëanor derivou-se em parte da natureza teimosa que ele tinha herdado de sua mãe. Mas a decisão dos Valar de proibir o retorno de Míriel à vida para permitir que Finwë e Indis se casassem levou Fëanor a concluir que Indis era a fonte de sua infelicidade. Ele aparentemente não comparecera ao conselho onde os Valar debateram sobre os prós e contras de permitir que Finwë tivesse uma segunda esposa, então ele não entendia que foi a intransigência de Míriel que levou ao grande problema. Os Valar queriam somente o que era justo, e à vista deles (particularmente de Manwë), Míriel estava sendo muito egoísta. Ela tinha, portanto, perdido seus direitos como um ser vivo encarnado. Tudo o que Fëanor vira era o fato de que ele nunca falaria com sua mãe novamente, o que pareceria (em seu luto e raiva) uma promessa quebrada dos Valar. Apesar de tudo, os Elfos supostamente viveriam com a vida de Arda. Míriel deveria ter sido restaurada à vida por fim. Esse era o natural a acontecer com um Elfo.

Assim, quando Finwë e Indis se casaram, o ressentimento de Fëanor da intrusão de Indis na família assegurou que ele iria se isolar da família de Finwë. Quando Fëanor criou seus filhos, estes questionaram por que seus tios e tias falavam de uma maneira diferente da deles. Ele e sua família respeitavam a língua de sua amada mãe. Fëanor fez disso uma questão pessoal, e dessa forma alienou os contadores de estória Noldorin que iriam de outra forma ter aceitado e suportado seus argumentos contra a mudança lingüística. Como comparação, considere como (no idioma americano), muitas pessoas hoje utilizam o pronome “myself” incorretamente (de acordo com as regras antigas). Quando falamos de outra pessoa e de si mesmo, devemos usar “me” no objetivo e “I” no subjetivo. No entanto, muitas pessoas têm sido repreendidas por professores e parentes por usar “me” quando deveriam usar “I”, então acabaram substituindo “myself” por “me”.

Em outras palavras, ao invés de falar “They were speaking to my sister and me”, a maioria das pessoas fala “They were speaking to my sister and myself”. “Myself” é, de acordo com as regras gramaticais, um pronome reflexivo. Deve ser precedido somente por “I” ou “me”, e não utilizado sozinho. Agora, imaginem se o Príncipe Charles fosse lançar uma cruzada pessoal para corrigir cada pessoa que utiliza o “myself” incorretamente! Quanto tempo levaria antes que as pessoas decidissem que ele é arrogante o bastante para se respeitar? E imagine que enquanto o Príncipe Charles faz campanha contra o idioma vulgar, sua mãe, a Rainha, começa a usar o “myself” incorretamente. O amor e o respeito do povo para com uma monarca popular continuará intacto, porque ela estaria falando como eles e não faria tempestade em copo d´água acerca de uma questão tão pequena. No entanto, esse amor e respeito não seriam transferidos ao seu filho.

Fëanor assim elevou um desentendimento erudito ao status de ordem política. Todos aqueles Noldor que usavam a pronúncia nova eram contra ele, e todos aqueles que retiveram a pronúncia Thorn o apoiavam. Ironicamente, Fëanor ignorou os Vanyar, que eram praticantes da pronúncia Thorn, enquanto ele possuía uma aliança com os teleri, cuja fala era radicalmente diferente do Quenya falado pelos Noldor e Vanyar. Mais ainda, Finarfin reteve a pronúncia Thorn por motivos próprios. O “Shibboleth” diz que Galadriel mudou para a nova pronúncia, em parte devido a sua animosidade para com Fëanor.

Todas essas mudanças ameaçadoras de vida na pronúncia, desta maneira, simbolizavam a polarização das lealdades dos Noldorin. Porém, ainda mais importante, elas enfatizaram a transição entre a autoridade primitiva dos capitães Élficos e a autocracia dos reis Noldorin. Fëanor estava fazendo sua linguagem de seu modo, e ele reuniu com ele todos aqueles que se sentiram reunidos. Mas devido ao fato de ele ter sido uma pessoa tão maestral, ele chegou a dominar as decisões de seus seguidores. A transição de seus seguidores a quase autômatos políticos foi completada por suas participações voluntárias no ataque de Alqualondë. Eles devem ter pensado que estavam apenas roubando navios, mas quando a luta começou a ficar sangrenta, nenhum dos Fëanorianos pareceu ficar de lado e falado: “Esperem um pouco! O que estamos fazendo?”.

Em uma menor extensão, a divisão sobre a pronúncia deve ter influenciado os outros Noldor, não meramente para suportar Finwë e Fingolfin. A divisão deve tê-los forçado a ter um pensamento do tipo “nós e eles”. Alguns seguiram Fëanor e outros seguiram Finwë e Fingolfin. Subseqüentemente, o prestígio de Finwë entre os Noldor deve ter diminuído. Ele tinha, apesar de tudo, desonrado seu próprio filho ao não apoiar Fëanor. Deve ter sido um momento de orgulho para os Fëanorianos quando Finwë partira de Tirion para viver com seu filho em exílio. Apesar do papel de Finwë na disputa entre Fëanor e Fingolfin ser silencioso, seria somente um pequeno salto de imaginação retrata-lo controvertido, como quando ele tenta restaurar a paz entre seus filhos e descobre que os Valar tinham chegado para proferir sua própria justiça. Então, para adicionar ferida ao insulto, eles exilaram seu filho, não considerando tudo o que ele possa ter falado em nome de Fëanor (sem mencionar a tentativa de reconciliação de Fingolfin). Evidentemente, empunhar uma espada contra seu irmão em público é algo bem desagradável. Mas a autoridade de Finwë estava comprometida. Ele não podia dispensar a justiça dentro de sua família, muito menos entre seu próprio povo.

O ato da rebelião de Finwë foi o começo real da rebelião de Fëanor, apesar de todos os conflitos que precederam tal rebelião. A intromissão de Melkor deve ter inflamado o orgulho dos Noldor, mas era, no fim, a própria decisão de exilar Fëanor de Tirion, que ocasionou a seqüência final dos eventos em andamento. O que não é dizer que a rebelião deva ter ocorrido de outra forma. Fëanor deve, por fim, ter sido empurrado da beira apesar do que aconteceu. O assassinato de Finwë por Melkor jogou Fëanor numa profunda depressão final, que resultou no que pode ser caracterizado como sua loucura. Fëanor perdera toda a sua perspectiva racional, e devido a ele ter aperfeiçoado seus poderes de persuasão durante anos e devido ao fato de que os Noldor eram uma nação em luto pela morte inesperada de seu Rei e pela perda das Duas “rvores, Fëanor tinha esse como o momento perfeito para infectar seu povo com sua loucura.

A dinâmica da personalidade culta dos Finwënianos do modo como era, foi assim, fundada sobre um forte laço emocional entre os reis e o povo. Fëanor havia alienado a maioria dos Noldor quando Melkor assassinara Finwë, mas a miséria ama companhia, e Fëanor tinha muita companhia após Melkor e Ungoliant terem matado as Duas “rvores e atacaram Formenos. Todas as decisões justas e populares de Finwë através do equivalente de centenas de anos haviam preparado o caminho para o apelo emocional de Fëanor. Ele deve ter tido os poderes de um incrível locutor motivador para começar, mas Fëanor provavelmente não poderia ter influenciado os Noldor a unirem-se a ele em qualquer outra época da história. A morte de Finwë e o modo como Melkor capturara os Valar completamente sem guarda em seu próprio reino deve ter abalado a fé dos Noldor em Manwë e Varda.

No entanto, Fëanor não tinha nada a seu favor. Fingolfin, igualmente em luta por seu pai, e muito amado e respeitado pelos Noldor, discutiu contra Fëanor. O debate durou um longo tempo. Deveriam ter trocado palavras amargas e duras. O sarcasmo e ridicularização devem ter sido jorrados da língua de Fëanor rápida e furiosamente. Fingolfin deve ter parado de se conter por um tempo, e simplesmente descarregou tudo em Fëanor. Tudo o que nos é contado é que palavras violentas despertaram, e então mais uma vez a ira chegou próxima a beira das espadas. O que estava em jogo não era simplesmente o destino da nação Noldorin, nem mesmo a aliança dos Noldor. Questões pessoais estavam pressionando para frente e ambos Fëanor e Fingolfin estavam investigando (ou tinham investigado) eles próprios em questões de prestígio e poder pessoal. Isto é, Fingolfin nessa época sentia que ele deveria ser rei dos Noldor. Ele era, de certa maneira, quase orgulhoso e arrogante como seu irmão.

As ambições maquiavélicas de Fingolfin foram despertadas pelas mentiras de Melkor, que gerou dissensão entre os Noldor. Foi quando Fingolfin fez um apelo emocional ao seu pai para reprimir Fëanor por ter empunhado sua espada sobre Fingolfin. Fëanor acusou Fingolfin de abrigar ambição real. Pode ser que Fëanor estava lendo os desejos de seu irmão corretamente. Fingolfin, apesar de tudo, não falava estranhamente como Fëanor falava. Ele também não ficava por aí com espadas, ameaçando parentes na frente do rei e seu povo. Ele deve ter se julgado um candidato melhor para o reinado que seu irmão (apesar de que, naquela época, não havia razão para ninguém ficar pensando sobre quem deveria suceder ao seu pai). “Deixem que o melhor príncipe governe” era a ordem do dia, mas Fingolfin não era aparentemente melhor em evitar as manipulações de Melkor que Fëanor. Portanto, quando Finwë desistiu de sua coroa para compartilhar do exílio de Fëanor, Fingolfin não tinha outra escolha a não ser aceitar humildemente a pesada responsabilidade de governar a maioria dos Noldor em Tirion.

Dez anos de reinado devem representar uma estabilidade muito dependente. Fingolfin deve ter restituído a coroa para seu pai, mas ele não desejava renunciá-la a Fëanor. Quando Melkor assassinou Finwë, o reinado Noldorin entrou em disputa imediata. Apesar dos Valar não terem ainda restabelecido seu local entre os Noldor, Fëanor entrou em Tirion e convocou Finwë. Tal intimação era uma clara usurpação da autoridade real. Mais encolerado, Fëanor se declarou como o legítimo Rei dos Noldor. Fingolfin não abdicara sua própria autoridade, embora temporariamente isso era destinado a ocorrer. Como Finwë havia enfrentado os Tatyar muito tempo atrás e ofereceu a eles uma nova vida em Aman, Fëanor agora enfrentava os Noldor e propunha uma oferta similar de vida nova na Terra-Média. A antiga estrutura social não estava trazendo sentido. Fingolfin tinha que responder a Fëanor, mas se sua esperança era restaurar o reinado de Finwë através de suas próprias leis, isso provou ser inútil. A maioria dos Noldor não queria mais nada com os Valar e Valinor. Alguns deles foram convencidos a se unir à rebelião, apesar da afeição por Valinor. E uma menor parte da nação recusou a aceitar ambos Fëanor ou Fingolfin se eles estavam determinados a liderar os Noldor ao exílio, mesmo se Fingolfin somente concordasse em ir apenas para ter certeza de que Fëanor não deixaria que ninguém fosse morto.

No fim, Finarfin provou ser o único filho de Finwë com qualquer bom senso real. Ele aparentemente nunca caiu nas mentiras que Melkor semeara entre os Noldor. Quando um grande mentiroso espalha confusão, normalmente há algumas pessoas que ficam acima da discórdia, e Finarfin era esse tipo de indivíduo. Ele, também, tentou persuadir os Noldor a não seguir Fëanor ao exílio. E assim como Fingolfin, ele concordou em ir relutantemente, em maior parte porque seus filhos queriam tentar a sorte na Terra-Média, e porque ele temia o que poderia acontecer com as pessoas se elas fossem deixadas à mercê da liderança de Fëanor. Quando os Noldor atacaram Alqualondë e os Valar os condenaram a um destino terrível, Finarfin silenciosamente retirou-se da rebelião e procurou o perdão dos Valar (e, esperançosamente, dos Teleri, seu povo por casamento). No fim, o reinado foi outorgado a Finarfin, cujas mãos não eram manchadas de sangue e cujo coração tinha a menor ambição dentre os filhos de Finwë.

Outros membros da família de Finwë que receberam praticamente nenhuma atenção ao longo dos anos foram as filhas de Finwë com Indis. Finwë tinha filhas? Bem, isso é o que “The Shibolleth of Fëanor” nos passa. Findis foi, de fato, a filha primogênita de Finwë e Indis. Ela era aparentemente muito parecida com a sua mãe em temperamento. Indis ficou em Tirion quando Finwë se uniu a Fëanor em Formenos. Ela não participou de nenhuma parte no governo dos Noldor, parecia, e Findis parece ter permanecido próxima de sua mãe. Quando a notícia da morte de Finwë chegou a elas, ambas partiram e retornaram aos Vanyar.

Originalmente, Finwë teria três filhas com Indis. Christopher Tolkien menciona que, de 1959 até 1968, foi a época que seu pai preparara várias genealogias para os Finwënianos. No entanto, a segunda filha, Faniel, nunca é mencionada em “The Shibboleth”, e pode ser que Tolkien pretendia tira-la da família. Como dito no Shiboleth, Irien (originalmente chamada Irimë, a terceira filha) nasceu entre Fingolfin e Finarfin. Ela era também chamada de Lalwendë, e foi o nome que em Sindarin se tornou Lalwen. Fingolfin e Lalwen eram muito próximos, e ela o acompanhou no exílio. Não sabemos mais nada sobre ela, mas algumas pessoas se perguntavam se Aranwë, pai de Voronwë, não poderia ser o marido ou filho de Lalwen. Presumivelmente, Lalwen permaneceu em Hithlum e deve ter sido morta ou capturada após a Nirnaeth. E uma vez que ela era próxima a Fingolfin, ela deve ter ativamente apoiado suas reinvidicações para o reinado.

Fingolfin afirmou sua realeza ao usar seu nome paterno. Finwë nomeou seus três filhos a partir de seu nome: Curufinwë (Fëanor), Nolofinwë (Fingolfin) e Aranfinwë (Finarfin). Fingolfin, ao que parece, iniciou o costume de usar o nome de seu pai como um símbolo de autoridade real. Portanto, ele se autodenominava Finwë Nolofinwë, talvez durante o debate com Fëanor em Tirion, mais provavelmente após o ataque em Alqualondë. O Shibboleth diz: “Fingolfin prefixou o nome Finwë a Nolofinwë antes dos Exílios alcançar a Terra-Média. Isto foi devido a dedicação a sua reinvidicação de ser o capitão de todos os Noldor após a morte de Finwë, e então enraiveceu Fëanor de tal forma que essa foi sem dúvida uma das razões para de sua traição ao abandonar Fingolfin a roubar todos os navios.”

Finafin não usou o nome Finwë. Curiosamente, o Shibboleth fala que Finrod criou o nome “Finwë Arafinwë”, ou Finarfin, após a morte de Fingolfin, numa época em que os Noldor se dividiram em reinados separados. Apesar de que essa afirmação pareceria contradizer “O Silmarillion” (que menciona explicitamente os reis dos Noldor anteriores à morte de Fingolfin), as intenções de Tolkien não são claras. Contudo, o uso do nome de Finwë como um prefixo se tornou uma prerrogativa real. De alguma forma, o nome de Finwë deve ter se tornado um sinônimo da palavra-título rei, e seria apropriado falar do governador dos Noldor como “O Finwë”. Após a Primeira Era, Gil-Galad teria sido o “Finwë” na Terra-Média.

As esposas dos filhos de Finwë receberam pouca atenção de Tolkien. A esposa de Fëanor, Nerdanel, era filha de um ferreiro chamado Mahtan em “O Silmarillion”. A família de Mahtan possuía cabelo castanho-avermelhado e ele deve ter sido o líder de uma comunidade de Noldor que morava perto dos salões de Aulë. Nerdanel tinha uma tez avermelhada, cujo filho Caranthir herdara. Numa nota adicionada ao “The Shibboleth of Fëanor”, o pai de Nerdanel é chamado Aulendur e Urundil, e fala-se que Aulendur suplantou Mahtan, que, no entanto, foi o nome que Christopher utilizou para ele em “O Silmarillion”. Outro nome para sua personagem, do qual Christopher não tem muita certeza, deve ter sido “Sarmo”. Ele usava uma auréola de cobre em volta de sua cabeça e gostava muito de cobre. Maedhros era aparentemente muito parecido com ele em temperamento e aparência, e também usava uma auréola de cobre. Quando Fëanor se tornou beligerante demais a ponto de Nerdanel não suporta-lo mais, ela retornou para a casa de seu pai. Aulë persuadiu Aulendur e sua família para não seguir Fëanor ao exílio. Nerdanel pediu que Fëanor deixasse os filhos mais novos em Aman, mas ele recusara. Ela então previu que os mais novos nunca chegariam a Terra-Média.

A esposa de Fingolfin era Anairë. Ela era uma Noldo, mas tudo o que sabemos é que ela era amiga de Eärwen (esposa de Finarfin) e que ela recusou a seguir Fingolfin ao exílio “em grande parte devido a sua amizade com Earwën”. Earwën era filha de Olwë de Alqualondë. Ela tinha cabelos prateados como outros membros de sua família. Numa primitiva história de Galadriel publicada em “Contos Inacabados”, Tolkien escreveu que Finrod “tinha também de sua mãe Teleri um amor pelo mar e sonhos de terras longínquas que ele jamais vira” Não está claro se Eärwen era antiga o bastante para ter nascido na Terra-Média, mas o texto parece dar a entender que os Teleri de Alqualondë (ou pelo menos Eärwen), não eram totalmente alheios a Terra-Média. Os Teleri haviam passado grande parte de seu tempo vivendo na ilha de Tol Eresseä antes de Ulmo comandar Ossë a ensina-los a arte da construção de barcos para que eles pudessem finalmente navegar até Aman e se unir aos Eldar ali.

Fëanor e Nerdanel tiveram sete filhos, como O Silmarillion nos fala: Maedhros, Maglor, Celgorm, Curufin, Caranthir, Amrod e Amras. O Shibboleth fala que seus nomes paternos (dados em Quenya) eram Nelyafinwë (“Finwë Terceiro”, como em Finwë III, Finwë o Terceiro), Karafinwë, Kurufinwë (Curufinwë no Silmarillion), Morifinwë, Pityafinwë (“Pequeno Finwë”) e Telunfinwë (“Último Finwë”). Fala-se que Maedros era o mais belo dos filhos, e Curufin era o favorito do pai porque ele era o mais parecido com Fëanor em espírito e habilidade. Curufin também parecia com sua mãe mais do que os outros filhos. Seus nomes maternos eram Maitimo, Makalaure, Tyelkormo, Atarinke (“Pequeno Pai”), Carnistir (“Cara Avermelhada”), Ambarusso e Ambarusso. Os dois Ambarussos eram gêmeos e Fëanor pedira a Nerdanel para dar a um deles um nome diferente. Ela escolhera Umbarto (“Destinado”), que Fëanor mudara para Ambarto (“Exaltado”), e ele deu esse nome ao mais novo.

“The Shibboleth of Fëanor” conta que Nerdanel pedira a Fëanor para deixar os gêmeos com ela, ou pelo menos um deles, quando ele estava preparando para a liderança dos Noldor ao exílio. Ele recusou, repreendendo-a por seguir o conselho de Aulë ao invés da vontade de seu marido, e Nerdanel profetizou que um de seus filhos não chegaria a Terra-Média. Quando Fëanor queimou os navios roubados em Losgar, ele reuniu seus filhos na costa e encontrou somente seis deles. Então Ambarussa contou a ele que Ambarto havia dormido em seu navio. “Aquele navio eu destruí primeiro”, Fëanor respondeu. “Então certo você estava em nomear o mais novo dos seus filhos”, Ambarussa respondeu, “e Umbarto o Destinado era a sua forma verdadeira”. Uma nota final diz que o nome de Ambarussa se tornou Amros em Sindarin (e não Amrod, como registrado no Silmarillion). Onde quer que o Silmarillion fale de Amros e Amras após a queima em Losgar, é mais correto entender que somente Amros estava presente.

Dos filhos de Fëanor e Nerdanel, somente três tiveram esposas: Maglor, Curufin e Caranthir. Na nota sete, adicionada ao ensaio “Dos Anões e Homens” (“The Peoples of Middle-Earth”, pp. 295-330), Christopher cita uma nota que seu pai fez em 1966 após a segunda edição de Senhor dos Anéis ter sido publicada. Nela, Tolkien decidiu que Celebrimbor (chamado senhor de Eregion nos apêndices) deve ser o filho de Curufin, pois Maedhros e os gêmeos não tiveram esposas. Curufin, herdando a maior parte da habilidade paterna dentre os sete, passou sua habilidade (e provavelmente muita história) para Celebrimbor, que desaprovou o comportamento de seu pai em Nargothrond. Celebrimbor ficou para trás. A mulher de Curufin escolheu não seguir seu marido no exílio, então ela permaneceu em Aman dentre as pessoas governadas por Finarfin (e era, portanto, provavelmente uma Noldo). Não há menção de quaisquer outros netos de Fëanor e Nerdanel, e os destinos das esposas de Maglor e Caranthir não são dados.

Fingolfin e Anairë tiveram quatro filhos: Findekano (Fingon), Turukano (Turgon), Irissë (Aredhel) e Arakano (Argon). Apesar de Anairë ter permanecido em Valinor quando Fingolfin foi ao exílio, todos seus filhos seguiram Fingolfin. Fingon liderou a vanguarda da multidão de Fingolfin, e ele foi acompanhado de sua mulher, Elenwë dos Vanyar. Irissë era próxima a Turgon como sua tia Irien (Lalwen) era próxima a Fingolfin. Irissë permanecera com o povo de Turgon até persuadir que ele a deixasse visitar Fingon em Hithlum. Em vez disso, após deixar Gondolin, ela fugiu de sua escolta e vagou ao leste em Nan Elmoth. Ali ela casou-se com Eöl e teve um filho, Maeglin, com quem ela retornou a Gondolin muitos anos depois.

Arakano surgiu relativamente atrasado, provavelmente após a segunda edição de Senhor dos Anéis ter sido publicada. Ele é descrito como “o mais alto dos irmãos e o mais impetuoso”. Tolkien achou difícil designa-lo um papel na história completa em geral, e primeiro ele criou mortes para Arakano em Aman. Mas por fim Tolkien decidiu que a multidão de Fingolfin seria atacada por um exército de Orcs quando os Noldor passassem ao sul ao longo da costa da Terra-Média. Ali Arakano distinguiria e se sacrificaria por seu povo:

Quando o começo do ataque dos Orcs pegou a multidão desprevenida como se ela estivesse marchando ao sul e as fileiras dos Eldar estavam abrindo caminho, ele saltou e cortou um caminho através dos inimigos, amedrontando por sua estatura e pela terrível luz de seus olhos, até chegar o capitão Orc e ele render-se. Então apesar de estar cercado e morto, os Orcs estavam consternados, e os Noldor os perseguiram com matança.

O nome de Arakano assim nunca foi formalmente transformado para o Sindarin, “mas a forma Sindarim Argon foi mais para frente por vezes utilizada como um nome pelos Noldor e Sindar em memória de seu valor” (“Peoples of Middle-Earth”, p.345).

Fingon também era impetuoso. Ele não apenas se apressou para ajudar Fëanor, ele liderou os ataques opostos contra as forças de Morgoth, quando quer que Hithlum fosse atacada. E quando Gwindor liderou sua companhia de soldados Nargothrondianos contra o exército de Morgoth na Nirnaeth, Fingon não podia mais se conter. Ao invés de esperar por Maedhros, como ele devia, ele pôs seu capacete, montou em seu cavalo, e encarregou-se para a glória, morte e derrota. Fingon era sem dúvida um dos maiores guerreiros dos Eldar, pois foi preciso mais do que um Balrog para mata-lo no fim, e suas realizações pessoais registradas no campo de batalha superaram àquelas de outros príncipes Élficos.

Turgon era sem dúvida o mais sábio dos filhos de Fingolfin, e por uma razão não revelada, ele era um dos favoritos de Ulmo entre os príncipes Noldorin. Pode ser que, uma vez que Turgon tomou o governo sobre os Elfos Sindarin de Nevrast, Ulmo sentiu que Turgon seria o único rei Noldorin a encomendar a construção de navios com o propósito de procurar ajuda para Aman. O Shibboleth registra que a mulher de Turgon, Elenwë, pereceu em Helcaraxë. Ela e sua filha, Itaril se renderam, e Turgon resgatara Itaril, mas Elenwë foi esmagada pelo gelo. Parecia, através de uma observação enigmática no Shibboleth, que Irissë e Elenwë eram amigas muito próximas.

Quando Fingolfin nomeou Findekano, ele não necessariamente usou o termo originário de “Finwë”, um antigo nome Élfico dado em uma época quando nomes eram outorgados a alguém conforme eles soavam. Nem, o Shibboleth nos conta, deve ter sido necessário. O uso de uma palavra similar honrava o nome ancestral. Findekano é descrito usando “seu longo cabelo escuro em grandes tranças amarradas com ouro”. Tolkien tinha várias considerações sobre a vida pessoal de Findekano. Apesar do Silmarillion nos contar que Gil-Galad era seu filho, Christopher Tolkien admite em ambas as obras “The War of The Jewels” e “The Peoples of Middle-Earth” que ele estava errado quando incorporou Gil-Galad no livro como um filho de Fingon. Christopher menciona que todas as tabelas genealógicas mostram Fingon com uma esposa não nomeada e dois filhos: Ernis (mais tarde Erien) e Finbor. Mas sua família foi retirada da genealogia final e Tolkien escreveu uma nota dizendo que Fingon “não tivera mulher ou filhos”.

Deveria ser, sem dúvida, necessário interpretar algum destino deprimente para ambos Erien e Finbor, uma vez que Finbor seria o herdeiro de Fingon. Serviu para o propósito de Tolkien mover Gil-Galad para a família de Finarfin. Então, o Alto Reinado passou de Fingon, que não tinha filhos, para Turgon, e então para a família de Fingolfin (a linhagem masculina que terminava com Turgon) para a família de Finarfin.

Os filhos de Finarfin e Eärwen eram Findarato Ingoldo (Finrod), Angarato (Angrod), e Newendë Artanis (mais tarde chamada Altariel, Galadriel). O Silmarillion coloca Orodreth (Artaher ou Arothir) entre os filhos de Finarfin, mas a decisão final foi que ele fosse filho de Angrod e Eldalote (Edhellos em Sindarin). Ela era uma Noldo, e Arothir nascera em Aman. O Silmarillion fala que Orodreth ficou ao lado de Finarfin quando este defendeu com os Noldor a decisão de não seguir Fëanor para o exílio.Seria totalmente inconsistente com a genealogia final para Arothir manter esse papel. Ele era um rei guerreiro relutante e somente gradualmente ele se permitiu influenciar pelas medidas agressivas de Túrin.

A decisão final de Tolkien acerca de Finrod é intrigante. Em agosto de 1965, ele escreveu uma breve explicação sobre a descendência de Gil-Galad. O texto diz “Finrod deixou sua mulher em valinor e não teve nenhum filho no exílio”. A esposa de Finrod (não nomeada aqui) deve ser Amarie dos Vanyar. Mas a frase pode significar uma das três coisas: que Finrod e Amarië tiveram filhos que permaneceram em Valinor, que eles não tiveram filhos, ou que eles tiveram filhos após os Valar terem restaurado sua vida. É tentador racionalizar a afirmação de Gildor Inglorion, quem Frodo, Sam e Pippin conheceram no Condado, com sua declaração um tanto quanto ambígua. Isto é, Gildor contou a Frodo que ele era “da casa de Finrod”. Até aonde sabemos, havia somente um Finrod. Originalmente, o nome Finrod foi dado ao pai, e o príncipe que fundou o reino de Nargothrond foi chamado de Inglor. Mas ao revisar O Senhor dos Anéis para a segunda edição, Tolkien modificou Finrod para Finarphir (mais tarde se tornou Finarphin, Finarfin) e Inglor para Finrod. Mas ele não mudou o nome de Gildor.

Se Gildor é realmente um descendente de Finrod, ele deve ter nascido em Valinor. Mas se é esse o caso, como ele chegou na Terra-Média, e quando? Tolkien parece ter omitido Gildor completamente. E as pessoas são rápidas a notar que Gildor nomeia a si mesmo como um Exilado (ou, melhor, ele diz, “Nós somos Exilados”). Como Gildor poderia ser um Exilado se ele nasceu após Finrod ter sua vida restaurada? A resposta para essa questão é simples: qualquer filho dos Noldor que foi para o exílio, e que estava vivendo na Terra-Média, seria um Exilado (um subgrupo dos Noldor) tanto quanto ainda era um Noldor. No entanto não há nenhum texto que associa Gildor com o renomeado Finrod/Finarfin ou o renomeado Inglor/Finrod (exceto seu próprio nome, que significa “parente de Inglor”).

Uma nova dificuldade surgindo da conexão de Gildor com Finrod é que, se ele estava vivo na Terra-Média quando Gil-Galad perecera, não deveria ele ser apto para reinvidicar a Alta Soberania sobre os Noldor? Pode ser que tal reinvidicação seria julgada inválida, uma vez que o reinado passara para a linhagem de Orodreth (assim como passara da linhagem de Fëanor para a de Fingolfin e depois para a de Finarfin). O reinado poderia descer, mas não subir. No entanto isso é insatisfatório. Poderia ser também que Gildor tenha chegado com um dos Istari, apesar de ser falado que apenas Glorfindel chegou a Terra-Média após a Queda de Númenor. De fato, há uma frase associada ao Shibboleth que afirma que “pouco foi ouvido na Terra Média sobre Aman após a partida dos Noldor. Aqueles que retornaram para aquela direção nunca mais voltaram, desde a mudança do mundo. Eles foram para Númenor muitas vezes em seus primeiros dias, mas pequena parte das lendas e histórias de Númenor sobreviveram a sua Queda”.

Novamente temos aqui uma frustrante frase ambígua. “Aqueles que retornaram (para Aman) nunca voltaram, desde a mudança do mundo”. O que seria a mudança do mundo, senão o evento no qual Ilúvatar transformara o mundo, removendo Aman dos círculos do mundo e destruindo Númenor? A frase a seguir parece indicar que os Noldor (de Tol Eressëa) somente navegaram para o leste como para Númenor em seus anos primordiais. Mais ainda, a passagem não descarta completamente uma travessia para o leste por alguém de uma geração mais nova. De fato, em uma de suas últimas notas sobre Glorfindel, Tolkien decidiu que ele realmente retornou a Terra-Média por meio de Númenor em meados da Segunda Era, quando Gil-Galad estava se preparando para o ataque de Sauron no século XVII (A Guerra entre os Elfos e Sauron durou de 1695 a 1701).

Qualquer que seja a verdadeira relação de Gildor com os Finwënianos, ele não pode ser um descendente de Finwë que passou para o exílio com Fëanor e Fingolfin. Ele também nem pode ser um filho de Finrod nascido na Terra-Média. Se ele fosse um descendente de Finrod, apesar de que ele pode originalmente ter sido um filho de Finrod, seu nome, como preservado no cânone de Senhor dos Anéis indica que deveria haver um Inglor, que poderia talvez ser filho de Finrod e Amarië, nascido em Valinor após Finrod ter voltado à vida. Mas tais especulações não vão longe, faltando apoio textual.

A história de Galadriel é tão intrigante e complicada quanto à ancestralidade de Gildor. Tolkien mudou sua história mais de uma vez e, fazendo tais mudanças, Tolkien alterou suas relações com ambos Celebrimbor e Celeborn. Celeborn era originalmente um elfo da floresta, mas como o tempo ele foi modificado para ser um Elfo Sindarin com parentesco com Elwë, através de um irmão mais novo, Elmo. Porém, no último ano de sua vida, Tolkien decidiu que Celeborn deveria ser um neto de Olwë, nascido em Alqualondë. Parece que Tolkien esqueceu (em períodos de sua vida) as antigas restrições Eldarin contra o casamento entre dois primos de primeiro grau. (cujo princípio é referido na estória de Maeglin, apesar de, como publicado em “O Silmarillion”, essa estória é em maior parte trabalho de edição de Christopher e redução de materiais mais antigos).

Apesar disso, podemos ter certeza de que Galadriel era filha de Finarfin e Eärwen, e que ela nunca se deu bem com Fëanor. No entanto, ela compartilhou dos sonhos de Finrod de outras terras, e ela era ambiciosa. Ela desejava governar seu próprio reino. Apesar de quer ela tenha seguido para o exílio com Fëanor ou (como conta a última estória de 1972) precedeu ele com Celeborn, Galadriel foi levada para o destino dos Noldor. Como seu povo, ela estava proibida de retornar a Aman. Também permanece certo que Galadriel, de alguma forma, se tornou proximamente ligada a Melian em Doriath por um tempo, e que ela e Celeborn passaram por Ered Lindon antes de Nargothrond e Gondolin terem sido destruídas.

A partida de Galadriel de Beleriand não é mencionada no Silmarillion. Eu suspeito que isso teria acontecido em alguma ocasião entre a Dagor Bragollach (455) e a Nirnaeth Arnoediad (473). Muitos Sindar do norte fugiram para o leste através de Ered Lindon durante ou imediatamente em seguida a Dagor Bragollach. A melhor oportunidade para Galadriel e Celeborn de partir seria quando esses Sindar estavam abandonando a guerra. Galadriel e Celeborn teriam sido acolhidos entre eles, e a desaprovação de Galadriel das medidas Noldorin deve ter induzindo-a a sair de Beleriand enquanto estava tudo bem.

Angarato (Angrod) trouxe sua esposa, Eldalote, e seu filho, Arothir (Orodreth), para o exílio. Eles se estabeleceram em Dorthonion com Aikanaro (Aegnor), que nunca se casou. Angrod possuía uma grande força e ele ganhou o apelido de “Angamaite” (mãos de ferro). Angrod pereceu na Dagor Bragollach, mas Arothir escapou e fugiu para o sul para se juntar a Finrod na Nargothrond.

Conta-se que Aikanaro (Aegnor) foi “renomado como um dos mais valentes dos guerreiros, muito temido pelos Orcs: em ira ou batalha a luz de seus olhos eram como chamas, apesar de que, de outra maneira, ele era de natureza generosa e nobre. Mas no começo da juventude a luz ardente podia ser observada; enquanto seu cabelo era notável: dourado como o de seus irmãos e irmãs, mas forte e duro, erguendo-se de sua cabeça como chamas”. Aegnor não teve esposa, mas emerge em “Athrabeth Finrod ah Andreth” (“Morgoth´s Ring) que ele se apaixonou por Andreth, uma sábia mulher Beoriana, enquanto ela era um tanto jovem. Apesar de ele desejar casar com ela, ele aparentemente confiou a Finrod (ou Finrod entendeu implicitamente) o fato de que ele previra sua própria morte em batalha, e ele não desejava deixa-la viúva, ou qualquer criança que ela poderia ter com ele órfã. Andreth viveu até envelhecer e deve ter vivido até a Dagor Bragollach, apesar da data de sua morte não ser registrada.

A genealogia dos Finwënianos envolve alguns nomes espalhados nas gerações seguintes: Celebrimbor, filho de Curufin; Idril (Itaril), filha de Turgon; Arothir (Orodreth), filho de Angrod e Eldalote; e Celebrian, filha de Galadriel e Celeborn. Idril se casou com Tuor e teve um filho dele, Eärendil. Ela era sábia o bastante para prever a necessidade de um caminho escondido para escapar de Gondolin, e seu cabelo era tão dourado quanto o de sua mãe Vanyarin. Arothir (Orodreth) permaneceu próximo de Finrod e estava entre os poucos nobres que apoiaram Finrod quando ele se sentiu obrigado a pagar sua dívida a Beren. Finrod fez de Arothir seu capataz em Nargothrond, e quando se ouviu falar da morte de Finrod, Arothir guiou Celegorm e Curufin fora do reino.

Arothir casou com uma dama Sindarin do norte, apesar de seu nome não ser registrado. Seus filhos foram Erenion (descendente de reis) e Finduilas. Finduilas era loira, e o próprio Arothir devia ter sido loiro. Apesar de que ela amava Gwindor, quando ela conheceu Túrin, ela não podia fazer nada além de se apaixonar por ele. E, no entanto, Túrin não correspondera aos seus sentimentos. Finduilas foi aprisionada quando Nargothrond rendeu-se a Glaurung e seus Orcs, mas os Orcs mataram-na e também os outros prisioneiros quando eles caíram numa cilada armada pelos Homens de Brethil.

Ereinion escapou do saque de Nargothrond e seguiu seu caminho ao sul para a desembocadura do Sirion. Dali ele chegou a Círdan na ilha de Balar e foi nomeado Alto Rei dos Noldor no Exílio. Sua mãe nomeou-o Gil-Galad.

A autoridade real de Finwë terminou com Gil-Galad. Mas a ambição dos príncipes Finwënianos parece ter parado com Gil-Galad também. Pois apesar dele ter estabelecido um reino poderoso em Lindon, que durara mais de 3000 anos, ele, aparentemente não teve uma esposa. Eärendil deixara a Terra-Média para sempre, e as ambições de seus ancestrais parecem somente ter sido realizadas por seu filho Elros, quem dada a oportunidade entre escolher a mortalidade e o reino dos Elfos, escolheu ser Rei de Númenor, porém mortal. Seu irmão Elrond escolheu ser do povo dos Elfos, mas nunca estabelecera seu próprio reino. Ele governara Imladris como um posto avançado do reino de Gil-Galad na Segunda Era e manteve-o como uma fortaleza do poder Eldarin na Terra-Média. Mas Elrond nunca teve o título de rei. Pode ser que, legalmente, ele sentia que não podia exigir um reinado, uma vez que Eärendil era filho de um homem mortal e não de um Rei Élfico.

Mas talvez Elrond reconheceu que o tempo dos Finwënianos Élficos tinha vindo e acabado. Por quatro mil anos eles governaram reinos poderosos na Terra-Média, e opuseram-se aos seus inimigos. Apesar de suas falhas, os Finwënianos forneceram grande sabedoria aos Homens, e através do casamento de Idril com Tuor eles outorgaram um antigo e nobre patrimônio às grandes casas de Númenor e seus reinos sucessores. Enquanto os príncipes Eldarin desapareciam, um por um, seus primos Númenoreanos ascenderam à cena principal e assumiram o papel central na obra em andamento da história da Terra-Média.

[Tradução de Helena ´Aredhel´ Felts]

A Mágica dos Menestréis

Duas coisas que você não
encontrará mencionadas na Terra-média de Tolkien são os palhaçoes e
atores. Tampouco irá encontrar referências a jogos, dramatizações,
malabaristas, acrobatas ou teatros, carnavais, feiras e circos.

 

 

 
O que o povo da Terra-média fazia para seu próprio
entretenimento? Ele pareciam não ter nenhuma grande arena como os
Romanos, nem casas teatrais, nem humoristas nômades, nem nenhum dos
enfeites da tradição do drama ou comédia.

As duas grandes
forma de apresentação na Terra-média eram a narração de histórias e a
música. Mas embora pareça que todo mundo parecia apreciar uma boa
história ou música, existem poucas evidências do desenvolvimento
profissional para ambas as formas de apresentação. De fato, apenas dois
menestrés profissionais são mencionados em O Senhor dos Anéis. Gleowine
era o menstrel de Théoden, e depois que escreveu a canção fúnebre que
os Cabaleiros de Rohan cantaram ao redot do túmulo de Théodin ele nunca
mais fez outra música novamente. E algum menestrel anônimo de Gondor
compôs a balada de "Frodo dos Nove Dedos e o Anel da Destruição"
[auxiliado no título da balada por Sam].

Para um livro que
está repleto de canções e referências a antigas baladas, poder-se-ia
quase esperar encontrar um bardo ou trovador saltando de cada capítulo,
vagando de cidade em cidade para manter as massas entretidas. Mas ao
contrário, não existe indicação real de uma classe vagante de
entretenedores. Em Eriador os Dunedain do Norte ocasionalmente traziam
história para o povo de Bree, e os Hobbits qye viajavam entre o
Condado, Terra dos Buques e Bree compartilhavam histórias, mas é tudo
que temo sobre isso.

A mais forte implicação parece ser de que
o entretenimento profissional era raro e limitado a grandes grupos.
Rohan e Gondor poderia manter menestréis mas não as pequenas populações
dos países do norte. E pode ser que um patrocínio real ou nobre fosse
necessário para sustentar entretenedores profissionais. Patroçinio é um
costume antigo que de fato morreu apenas com o advento dos direitos
autorais e da produção em massa. Artistas e escritores podem agora
gerar suas rendas diretamente, mas por um milênio tiveram que contar
com alguma outra pessoa para pagar as contas.

Em um mundo como
a Terra-média de Tolkien poderia não haver nenhum possibilidade de um
artista ganhar a vida pela produção de uma música ou pintura, exceto em
uma sociedade bastante grande e rica como Gondor. E mais, a Terra-média
retartada pelO Senhor dos Anéis não é a imagem completa. Sauron esteve
em ação por dois mil anos, enfraquecendo seus inimigos, afastando
Elfos, Homens e Anões uns dos outros. Existe, de fato, fracos ecos de
uma tradição mais rica de entretenimento na história que Tolkien nos
conta.

"Existe uma canção Élfica que fala disso," diz Barbárvore a Merry e Pippin quando conta a eles da longa separação de Ents e Entesposas. "Costumava ser cantada acima e abaixo no Grande Rio." Ele a canta para eles, tomando as funções de Ent e Entesposa, e diz que a canção é Élfica. E Barbárvore também diz "existem canções sobre a busca dos Ents pelas Entesposas cantadas entre Elfos e Homens de Mirkwood até Gondor".

Todas as grandes cancões e histórias, claro, parecem ser Élficas em sua
origem. Aragorn canta parte de uma canção sobre Beren e Luthien para
Frodo e os Hobbits no Topo dos Ventos. "Não existe ninguém agora, exceto Elrond, que se lembre corretamente como era contada nos tempos antigos," diz ele. "É um belo conto, embora seja triste, como são todos os contos da Terra-média".

Porque todos os contos da Terra-média eram tristes? Pode ser que os
Elfos fossem mais tocados pelos contos tristes que pelos felizes, e
portanto compunham seus maiores poemas sobre seus maiores pesares. A
única canção composta em Aman que é nomeada é o "Aldudenie", feito por
Elemmire dos Vanyar. Foi levado para a Terra-média aparentemente pelos
Exilados, ou aprendido por eles após a Guerra da Ira quando o Exército
de Valinor reuniu-se com os Exilados no que restou de Beleriand. E
"Aldudenie" relembra a tristeza de Elfos e Valar pela destruição das
Duas �?rvores.

O dom Élfico para a canção era suplementado
pelos seus poderes sub-criativos, sua "mágica". No conto de Aragorn e
Arwen, ele pensou ter conjurado uma imagem de Luthien quando viu Arwen
pela primeira vez, porque ele estava cantanto uma parte da balada de
beren e Luthien, "e ele parou surpreso, pensando que estivesse
penetrado em um sonho, ou tivesse recebido o dom dos menestréis
Élficos, que podiam fazer as coisas sobre as quais cantavam aparecerem
ante os olhos daqueles que ouviam."

Se a arte dos Elfos
estava quase esquecida ao final da Terceira Era, nós devemos dar uma
"chacoalhada total" [Nota do Tradutor: que trocadilho infeliz,
Michael…] e verificar seu início. Os Eldar foram a civilização
dominante na Terra-média por milhares de anos. Após a Guerra da Ira não
restou muito da civilização, exceto pelas cidades Anãs nas Montanhas
Nebulosas e além. Então Gil-galad e seu povo iniciaram a reconstrução
da civilização bem como os Dunedain partiram sobre o Mar para criar sua
própria civilização na distante Númenor.

Os Eldar de Lindon
espandiram-se através de Eriador, e estabeleceram o reino de Eregion, e
alguns dos Sindar migraram para o leste e possivelmente para o sul para
estabelecer novos reinos bem além do alcance de Gil-galad. Os reinos
Sindarin podem não ter alcançado o mesmo que suas contrapartes
Noldorin, em termos de contruir uma grande civilização, mas continuavam
a ser reinos Élficos, e todos os Elfos tinham o dom da música.

Embora algumas poucas facções reacionárias como a de Oropher podem ter
desejado negar a cultura Eldarin e tornar-se mais como os Avari e
Nandor do leste, eles continuavam sendo membros de uma antiga raça com
antigas tradições. Eles construíam suas casas nas florestas dos Vales
do Anduin mas continuavam a viver em cidade e mantiveram comércio ou
alguma forma de contato com seus vizinhos. As canções Élficas devem ter
sido ouvidas através de todo o norte da Terra-média durante grande
parte da Segunda Era.

Um aspecto da cultura Élfica que
permanece grandemente obscuro é a tradição das Companhias Errantes.
Embora Frodo, Sam e Pippin tenham encontrado Gildor Inglorion e seu
povo, eles eram Exilados, Noldor, que estavam retornando de uma espécie
de perigrinação em Lindon para suas casas em ou perto de Valfenda. Eles
não estavam muito interessados em assuntos da Terra-média e os
mantinham para si mesmos.

No início da Segunda Era existiam
muitas Companhias Errantes em Eriador, e estas pareciam ser compostas
principalmente de Nandor. Seus interesses parecem ter sido muito
diferentes daqueles do povo de Gildor, que estavam apenas "enrolando"
um pouco antes de finalmente partirem para o Mar. As Companhias
Errantes Nandorin devem ter sido eventualmente integradas com a
civilização Eldarin de Lindon, tanto porque os Elfos de Lindon
aumentaram sua população e expandiram-se para o leste quanto porque os
Nandor teriam sido forçados a tomar refúgio com os Noldor e Sindar em
Lindon durante a Guerra dos Elfos e Sauron.

As Companhias
Errantes podem então ter tido um papel significativo na grande cultura
dos Elfos durante a maior parte da Segunda Era. Eles devem ter se
tornado condutores de notícias e canções. Eles podem ter se tornado
entretenedores viajantes. Embora Tolkien nunca tenha comparado as
Companhias Errantes a ciganos ou trupes circenses, eles devem ter
compartilhado algumas similaridades com essas culturas. Famílias ou
clãs viajantes desenvolvem seus próprios costumes e tradições. Eles
podem assimilar alguns aspectos das culturas que eles visitam mas eles
são frequentemente vistos como estranhos e suas existências exige que
eles mantenham costumes que um povo sedentário não possui.

Então é razoável perguntar se as Companhias Errantes não se tornaram, a
certo tempo, os entretenedores da Terra-média. Quandos os Eldar eram a
civilização dominante e as cidades do norte da Terra-média falavam
Sindarin as Companhias Errantes poderiam ter provido uma maneira fácil
de espalhar novas canções e histórias pelas regiões. os menestréis
Élfico não precisavam estudar os grandes segredos de mineração de Aulë
ou aprender os mistérios dos oceanos de Ulmo e Osse para que pudessem
compor e executar sas canções mágicas.

Visões de grande
guerreiros, belas damas, árvores encantadas e outros contos Élficos
podem ter dançado ante os olhos de multidões através da Terra-média.
Homens podem ter achado tal entretenimento estranho e diferente ou
talvez mesmo assustador, mas tem-se a impressão que os povos Edainicos
de Eriador dividiam com os Elfos algo parecido com a amizade que ps
Edain de Beleriand haviam conhecido. Se os Elfos não saíam de seus
caminhos para entreter os Homens, eles podem, em todo caso, ter
permitido aos Homens visitar suas comunidade e compartilhar de sua
mágica.

Tal ligação entre Elfos e Homens podem ter se tornado
mais fortes quando os Numenorianos começaram a se ficar em Eriador. Os
Numenorianos Fiéis migraram para o norte da Terra-média quando os
Homens do Rei tornavam sua antiga terra natal mais e mais inamistosa.
Ao tempo em que Elendil chegou em Lindon Eriador deveria possuir um
grande população de Dunedain ou Homens de sangue misturado. A amizade
entre os Eldar e os Dunedain deve ter sustentado e promovido a
interação entre as duas raças.

Então talvez os Elfos visitaram
a corte de Elendil em Annuminas, e Elfos entreteram os Dunedain de
Tharbad, Fornost Erain, Osgiliath e Pelargir. Pode ser que o
estabelecimento dos reinos de Arnor e Gondor tenha iniciado um breve
período de quase igualdade entre Elfos e Homens em termos de trocas
culturais. Como os Eldar de Tol Eressea sentiam prazer em visitar
Numenor, pode ser que os Eldar de Lindon também visitassem Arnor e
Gondor, trazendo presentes e compartilhando lembranças e antigas
experiências.

De fato, todas as boas coisas eventualmente
chegam a um fim, e a amizade entre Eldar e Edain esvaneceu, na
Terra-média. Gil-galad e Elendil foram lançados em uma grande guerra
com Sauron e muitos Elfos morreram nos campos de batalha. No
pós-batalha a Terra-média teve uma trégua, mas a civilização Élfica
estava diminuída. Cirdan e Elrond mantiveram suas antigas amizades com
os Dunedain, mas a Terceira Era marcou o declínio da cultura Eldarin na
Terra-média.

As Companhias Errantes devem eventualmente ter
tornado-se poucas. As cidades Dunadan definharam e sumiram. Os Homens
passaram a temer e a não confiar nos Elfos, os Elfos tornaram-se
cautelosos com os Homens, e o tempo continou adiante na inevitável
alienação das duas raças. Os Elfos que passavam acima e abaixo no
Anduin cantando canções sobte os Ents e as Entesposas provavelmente
acabaram-se com o surgimento de Dol Guldur. Thranduil liderou seu povo
para o norte e perderam contato com os Elfos de Lothlorien. Os
amigáveis Homens dos Vales do Anduin foram gradualmente desalojados
pelos Orientais trazidos por Sauron.

Em Gondor sul pode ter
permanecido uma amizade estreita com os Elfos de Edhellond, mas aquela
cidade foi eventualmente abandonada por seu povo antes do último Rei de
Gondor desaparecer. Nos dias dos Regentes os Homens que visitavam os
Elfos eram poucos. Se os Elfos da Floresta passassem por Gondor em seus
caminhos para o Mar eles não seriam molestados, mas também não seriam
convidados a ficar. A história de Mithrellas, criada de Nimrodel, e seu
marido Dunadan termina cheia de tristezas, pois ela o deixa durante a
noite.

A certo tempo aconteceu dos Dunedain relembrarem as
canções Élfica e as executarem. Mas os Dunedain diminuiram e
definharam, tornaram-se mais preocupados em sobreviver em um mundo
hostil e lentamente esqueceram seus antigos contos. E quando os
Dunedain de Arnor passaram para o ermo os Homens e Elfos que ficaram
para lembravam pouco, se lembravam algo, da grande civilização Élfica.
As Companhias Errantes ficaram para si mesmas.

Os Hobbits do
Condado tornaram-se tão conservadores que eles não iam além mesmo das
fronteiras de suas próprias terras. Então é improvável que algum deles
tenha viajado através do Condado cantando canções cou contando
histórias. Estas tradições foram reduzidas a um costume local. Todos
contavanm as histórias e cantavam as cancões, e ninguém ganhava
reconhecimento especial por algum talento ou dom particular. As
famílias e comunidades entretinham a si mesmos. As estalagens algumas
vezes contavam com viajantes ocasionais [em sua maioria Anões] que
podiam compartilhar novas canções e histórias, ou contos há muito
esquecidos, e por um processo lento o amálgama de culturas e
experiências diferentes continuou.

De uma certa maneira o
processo de desenvolver grandes tradições de contar histórias e criar
canções deve ter começado novamente. Privados da influência dos Elfos
os Homens continuavam precisando trocar notícias e relembrar grandes
feitos de seus heróis. Mas embora eles pudessem ter alcançado grande
beleza com seus próprios meios, eles careciam da mágica que deve ter
aprimorado a arte dos mestréis Élficos. os feitos dos Homens
sobreviveram aos feitos dos Elfos, mas as canções dos Homens seriam não
mais do que uma recordação do encantamento que a Terra-média uma vez
possuiu.

Uma História da Última Aliança de Elfos e Homens, Parte 3

Notas

1. O Silmarillion, pág. 365. “Sauron descobriu que os Homens eram os mais fáceis de influenciar dentre todos os povos da Terra; mas por muito tempo procurou convencer os Elfos a lhe prestarem serviço, pois sabia que os Primogênitos tinham maior poder. E andava livremente em meio a eles, e sua aparência ainda era de alguém belo e sábio.

2. Contos Inacabados, pág. 266. “…A nota prossegue dizendo que Galadriel não foi enganada, pois aquele Aulendil não pertencia ao séqüito de Aulë em Valinor….” Esta e todas as referências subseqüentes à Galadriel e Celeborn fazem uso do ensaio “Acerca de Galadriel e Celeborn”, fornecido no Contos Inacabados, que na maior parte encaixa-se com os eventos detalhados em outras obras de Tolkien. Entretanto, esta narrativa determina que Amroth era filho deles, uma idéia que Tolkien posteriormente abandonou, cuja decisão é aceita e incorporada nesta obra.

3. Ibid., pág. 229. “Uma nova sombra ergue-se no Leste…” A carta que Gil-galad escreveu para Tar-Meneldur foi composta em 882 S.E. Uma vez que Tolkien declara em outro lugar Sauron começara a movimentar-se novamente por volta de 500 S.E., é possível que Gil-galad estivesse ciente de algum mal crescente bem antes do final do nono século.

4. Ibid., pág. 268-69. “…Finalmente os atacantes irromperam em Eregion com ruína e devastação, e capturaram o principal objeto do ataque de Sauron…Então Celebrimbor foi torturado…Acerca dos Três Anéis, Sauron nada pôde saber por Celebrimbor; e mandou matá-lo.

Apesar de outras partes desta história divergirem de algumas das fontes, esta concorda em muito com “Dos Anéis de Poder e da Terceira Era “ em O Silmarillion (pág. 367), o qual indica que Celebrimbor morrera lá.

5. O Retorno do Rei, pág. 1147. “O Conto dos Anos” relata apenas que os Númenorianos começaram a construir portos permanentes por volta do ano 1800 S.E. O Contos Inacabados revela algo de Lond Daer (Vinyalondë) nas seções sobre Númenor e a História de Galadriel e Celeborn. Umbar e Pelargir são mostrados em várias fontes, e outros portos sem nome são ditos terem sido construídos mais ao sul e ao leste.

6. O Silmarillion, pág. 340. “Sauron, porém, sempre fora astuto. E o que se diz é que, entre aqueles que ele apanhou na armadilha dos Nove Anéis, três eram grandes senhores da raça númenoriana.” Uma vez que Sauron não visitou Númenor anteriormente ao seu “aprisionamento” lá, ele teria que ter seduzido os três Númenorianos na Terra-média. É interessante que ele fora capaz de fazer isto em relativamente pouco tempo após a Guerra dos Elfos e Sauron. Talvez eles já fossem muito velhos para sua raça quando aceitaram os Anéis.

O Contos Inacabados (pág. 251) indica que a Sombra primeiro caiu sobre Númenor nos dias de Tar-Atanamir, mas seu pai, Tar-Ciryatan, foi o primeiro rei “voluntarioso”, e seu registro em “A Linhagem de Elros” sugere que a Sombra pode ter caído em sua época. Então, é possível que os Númenorianos estivessem se tornando desconfortáveis com sua mortalidade na época da Guerra dos Elfos e Sauron e, logo, três idosos senhores Númenorianos poderiam ser facilmente seduzidos por Sauron.

7. O Silmarillion., pág. 343. “…Pois Pharazôn, filho de Gimilkhâd…muitas vezes viajara como líder nas guerras que os Númenorianos iniciavam então na região litorânea da Terra-média…Pois ele soubera na Terra-média da força do reino de Sauron, e de seu ódio por Ponente. E agora lhe chegavam os mestres de navios e comandantes que voltavam do leste, a relatar que Sauron vinha demonstrando seu poder desde que Ar-Pharazôn deixara a Terra-média e estava investindo contra as cidades litorâneas….

8. Ibid., pág. 370. “…Lá [Sauron] descobriu que o poder de Gil-galad se tornara imenso nos anos de sua ausência; e agora cobria vastas regiões do norte e do oeste, tendo ultrapassado as Montanhas Nevoentas e o Grande Rio até chegar aos limites da Grande Floresta Verde, e se aproximava dos locais fortificados onde no passado ele se sentia seguro.

9. Contos Inacabados, pág. 276. “…Mais tarde ele [o Glanduin], juntamente com o Gwathló, que era formado por sua confluência com o Mitheithel, representou o limite sul do Reino do Norte.

10. O Silmarillion diz de Elendil que “seu povo habitava muitos lugares em Eriador, junto aos cursos do Lûn e do Baranduin; mas sua cidade principal era Annúminas, às margens do Lago Nenuial. Em Fornost, nas Colinas do Norte, também moravam os Númenorianos; assim como em Cardolan e nas Colinas de Rhudaur…” (pág. 370).

11. Contos Inacabados, pág. 277. “…Antes da decadência do Reino do Norte…ambos os reinos tinham um interesse compartilhado nessa região [Enedwaith], e juntos construíram e mantiveram a Ponte de Tharbad bem como os longos diques que levavam a estrada até ela, de ambos os lados do Gwathló e do Mitheithel, atravessando os pântanos das planícies de Minhiriath e Enedwaith….

12. O Retorno do Rei, pág. 1193. “…Também estranha, ou apenas remotamente aparentada, era a língua dos habitantes da Terra Parda. Estes eram remanescentes dos povos que haviam habitado os vales das Montanhas Brancas em épocas passadas. Os Mortos do Templo da Colina eram da sua estirpe. Mas nos Anos Escuros outros haviam se mudado para os vale meridionais das Montanhas Sombrias, e de lá alguns haviam migrado para as terras vazias ao norte, até as Colinas do Túmulos. Deles descendiam os Homens de Bri…

13. Ibid., pág. 1104. “Este [Lossoth] é um povo estranho e hostil, remanescente dos Forodwaith.” Onde os Forodwaith realmente viviam no final da Segunda Era é matéria de especulação, na medida em que Tolkien realmente não nos conta nada de sua história. Cf. nota 14 abaixo.

14. The War Of The Jewels, pág. 61. “Não era sabido que o povo de Ulfang já estavam secretamente a serviço de Morgoth antes que chegassem a Beleriand. Assim não era com o povo de Bór, que era um povo valoroso e lavradores da terra. Deles, é dito, vieram os mais antigos dos Homens que habitavam o norte de Eriador na Segunda Era e posteriormente.

A conexão entre o Povo de Bór (e Ulfang) e os homens mais setentrionais de Eriador na Segunda Era indica que os Lossoth (e, portanto, os Forodwaith, dos quais os Lossoth eram “remanescentes”) eram de fato os descendentes destes clãs.

15. O Retorno do Rei, pág. 1099. “…Elendil tornou-se o Alto Rei e morava no norte, em Annúminas; o governo do sul foi entregue a seus filhos, Isildur e Anárion. Ali eles fundaram Osgiliath, entre Minas Ithil e Minas Anor, não muito longe das fronteiras de Mordor. Acreditavam que pelo menos uma coisa boa resultara da ruína, que Sauron também perecera.

16. O Silmarillion, pág. 371. “…A principal cidade desse reino meridional era Osgiliath, que era cortada ao meio pelo Grande Rio…” De fato, a narrativa não faz tal conexão. Mas por que Isildur e Anárion contruiriam suas cidades ao norte de Pelargir e Emyn Arnen? O fato de que a narrativa menciona Herumor e Fuinur indica que eles eram de algum modo significantes para os historiadores de Gondor.

17. Ibid., pág. 371. “…e a oeste, Minas Anor…como um escudo contra os homens selvagens das várzeas…

Tolkien diz muito pouco sobre as “tribos” que compunham esta raça. O grupo que quebrou seu juramento a Isildur prestou-o em Erech mas assombrava a Senda dos Mortos, no lado setentrional das montanhas. Havia provavelmente outras tribos no que se tornou Lamedon, uma habitando os vales superiores na fonte do Lefnui, outra morando próxima ao Adorn, outra ao norte do Isen, e outra tribo morando em Calenardhon. Obviamente outros grupos viviam ao norte daquela região até Bri.

18. O Silmarillion diz “outras construções fortes e maravilhosas [os Númenorianos] realizaram na Terra nos tempos de seu poder, nas Argonath, e em Aglarond, assim como no Erech. E no círculo de Angrenost…” (pág. 371). Nenhuma data específica é dada para quando essas obras foram erguidas, embora o contexto indique os primeiros anos da história de Gondor.

Contudo, O Retorno do Rei diz que Minalcar “construiu os pilares dos Argonath e a entrada para Nen Hithoel” (pág. 1108), enquanto é dito que Isildur erigiu a pedra em (pág. 826). Também sabemos que um dos Palantíri, dados a Amandil pelos Eldar de Tol Eressëa e levadas para a Terra-média por Elendil e seus filhos, foi colocado em Orthanc, em Angrenost; logo, a fortaleza deve ter sido construída não muito depois do início do reino de Gondor.

Se Angrenost e Aglarond eram mais antigas do que Gondor, então talvez foram construídas como uma defesa contra Mordor; mas se Isildur e Anárion construíram a fortaleza, eles as teriam usado para proteger Calenardhon contra os Terrapardenses (os quais por muito tempo haviam sido inamistosos aos Dúnedain), já que os Dúnedain pensavam que Sauron havia perecido na Queda de Númenor.

19. O Silmarillion, pág. 193. Tolkien diz aqui que somente (após a morte de Fingolfin) “seu jovem filho Ereinion (que mais tarde foi chamado de Gil-galad) [Fingon] enviou para os Portos.” “Jovem” indica que Ereinion ainda não era um Elfo completamente adulto. O Morgoths Ring afirma que os Elfos precisavam de cerca de cinqüenta anos (do Sol) para atingir a maturidade completa (pág. 210). Assim, Ereinion provavelmente nasceu algum tempo após o ano 405 P.E. (supondo que a Dagor Bragollach e a morte de Fingolfin ocorreram em 455 P.E.).

20. O Retorno do Rei, pág. 364. Esta entrada no “Conto dos Anos” concorda com a decrição dada no Contos Inacabados em “Acerca de Galadriel e Celeborn”, que descreve a guerra detalhadamente publicada até esta data.

21. O Silmarillion, pág. 137. Na Mereth Aderthad, Tolkien escreve, os Elfos fizeram juramentos de aliança. Círdan era um dos senhores que estavam presentes na festa. Ele subsequentemente ajudou os Noldor em várias ocasiões (págs. 157-58, 201 e 247).

22. Contos Inacabados., págs. 193, 196. “…Mas existiam armadores entre eles que haviam sido formados pelos Eldar…” e “…Diz-se que seu atraso [de Aldarion] foi devido à sua avidez em aprender de Círdan tudo o que pudesse, tanto na feitura e manejo dos navios quanto na construção de muralhas que resistissem à ânsia do mar.

23. A Sociedade do Anel, pág. 252. “…Fazia-me recordar da glória dos Dias Antigos e das tropas de Beleriand, nas quais tantos príncipes importantes e capitães foram reunidos. E, mesmo assim, nem tantos, e nem tão belos como na ocasião em que as Thangorodrim foram quebradas…

24. Contos Inacabados, pág. 269. Como com o destino de Celebrimbor, parece razoável usar “Acerca de Galadriel e Celeborn” como uma fonte com respeito a outros indivíduos, tais como Elrond. A fundação deThe Imladris é certamente confirmada no “Conto dos Anos”. Cf. nota 20 acima.

25. Ibid, pág. 290. “…Oropher…retirara-se para o norte, além dos Campos de Lis. Fez isto para livrar-se do poder e das transgressões dos Anões de Moria…e também se ressentia das intrusões de Celeborn e Galadriel em Lórien.” Os motivos e a história de Oropher, como os de Galadriel e Celeborn, contêm algumas inconsistências. Cf. também págs. 291-2.

26. Ibid. Na verdade, a passagem afirma que “os Elfos Silvestres eram vigorosos e valentes, mas mal equipados com couraças ou armas em comparação com os Eldar do Oeste. Eram também independentes e não estavam dispostos a se submeter ao comando supremo de Gil-galad.

27. O nome deste Rei-elfo é duvidoso. Em uma narrativa ele é chamado Amdír e em outra Malgalad (Contos Inacabados, pág. 272, 276, 291). Christopher Tolkien é incapaz de estabelecer qual nome seu pai preferia para este personagem; assim, adotei a convenção de me referir a ele como Amdír Malgalad, ou simplesmente Amdír, que é usado mais freqüentemente e é compatível com o estilo de Amroth, o nome de seu filho.

28. O Silmarillion, pág. 367. “Daquela época em diante, a guerra nunca mais cessou entre Sauron e os Elfos….” Sendo o mais perto de Mordor de todos os reinos élficos, o reino de Amdír em Lorinand deve ter suportado o impacto deste período prolongado do conflito, e o fluxo de Noldor e Sindar vindos de Eregion após a queda daquele reino élfico teria fornecido impulso para uma amizade entre o povo de Amdír e os Anões, embora certamente não uma tão próxima como existia entre Eregion e Khazad-dûm.

29. Ibid, pág. 347. “…Pois [Isildur] entrou sozinho e disfarçado em Armenelos e chegou aos pátios do Rei, acesso que agora era proibido aos Fiéis. Foi ao local da Árvore, que era interditado a todos por ordens de Sauron; e a Árvore era vigiada dia e noite por guardas a seu serviço…E Isildur passou pelos guardas, tirou da Árvore um fruto que dela estava suspenso…

30. Ibid, pág. 373. “Portanto, quando Sauron julgou chegada a hora, investiu com força enorme contra o novo reino de Gondor, tomou Minas Ithil…Contudo, Isildur escapou…e, velejando, partiu das Fozes do Anduin à procura de Elendil. Enquanto isso, Anárion resistia em Osgiliath contra o Inimigo, e por algum tempo conseguiu rechaçá-lo para as montanhas…

31. Ibid, pág. 294. Sustentar que este rei era realmente chamado Durin pode ser errôneo. A passagem diz apenas: “Dos Anões, poucos lutaram, fosse de um lado, fosse do outro. Mas a linhagem de Durin de Moria combateu Sauron.” Se ele fosse chamado Durin, então ele não poderia ter sido Durin III, porque este era o Durin que se opôs a Sauron a Guerra dos Elfos e Sauron (Contos Inacabados, pág. 269). Assim, ou ele era Durin IV, ou Durin V. Preferi chamá-lo Durin IV pela falta de qualquer informação acerca dos dois.

Também é estranho que Tolkien diga “…a linhagem de Durin…” ao se referir a estes Anões. Em outro lugar ele escreve que a maioria dos Anões de Nogrod e Belegost migrou para Khazad-dûm no início da Segunda Era. Eles parecem ter mantido suas linhagens distintas até o final da Teceira Era como o Apêndice em O Retorno do Rei diz “Bifur, Bofur e Bombur descendiam dos Anões de Moria mas não eram da linhagem de Durin” (pág. 1144).

32. O Silmarillion, pág. 373. Também, O Retorno do Rei, pág. 1148.

33. O Silmarillion, pág. 373. Cf. nota 30 acima.

34. O Retorno do Rei, pág. 826. “…Pois em Erech se ergue uma pedra negra…e ela foi colocada sobre uma colina, e sobre ela o Rei das Montanhas jurou fidelidade a ele [Isildur] no início do reino de Gondor. Mas, quando Sauron retornou e ficou outra vez poderoso, Isildur convocou os Homens das Montanhas para que cumprissem seu juramento, e eles não cumpriram: tinham adorado Sauron durante os Anos Escuros.

35. The Treason Of Isengard, pág. 310. Este passo era a nascente do rio Harnen nas montanhas meridionais de Mordor.

36. O Silmarillion, pág. 374. A existência de tal conselho é especulativa. A passagem diz apenas “Ora, Elendil e Gil-galad examinaram juntos a questão…” Entretanto, é improvável que uma decisão tão séria fosse tomada apenas por esses dois.

37. Deduzi que Gildor e Glorfindel podem ter se envolvido na Última Aliança. A história de Gildor só é mostrada a partir do ano 3001 da Terceira Era, quando Bilbo diz adeus ao povo de Gildor no Condado (A Sociedade do Anel, pág. 82). Contudo, ele era o senhor de uma companhia de Noldor e seu sobrenome, Inglorion, significa “filho de Inglor”. Inglor era o nome original de Finrod Felagund. Gildor também disse ser “da Casa de Finrod”, e Finrod era o nome original de Finarfin. Parece que Tolkien originalmente pretendia uma conexão entre a família de Gildor e Galadriel, mas esta conexão não foi mantida quando revisões foram feitas a’O Senhor dos Anéis. Logo, Gildor é enigmatico, mas supondo que ele estivesse cansado das terras mortais ao final da história, concluí que ele devia ser muito velho no final da Terceira Era.

Glorfindel é mais provavelmente um participante na guerra. De acordo com Christopher Tolkien, seu pai “chegou à conclusão de que o Glorfindel de Gondolin, que caiu para morte em combate com um Balrog após o saque da cidade, e o Glorfindel de Valfenda eram a mesma pessoa; ele foi liberado de Mandos e retornou à Terra-média na Segunda Era” (The Return Of The Shadow, págs. 214-5). A implicação profunda dessa conclusão é que Glorfindel desempenhou algum papel na Guerra da Última Aliança, embora talvez um não tão grande como é aqui pressuposto.

38. O Silmarillion, pág. 374. “…Criaram portanto aquela liga que é chamada de Última Aliança, e marcharam para o leste, para o interior da Terra-média, reunindo um imenso exército de Elfos e Homens…

39. A Sociedade do Anel, pág. 192. “…Conta-se que Elendil ficava ali [na torre de Amon Sûl] olhando, à espera de Gil-galad que vinha do Oeste, nos dias da Última Aliança.

40. O Retorno do Rei, pág. 1156. “O Conto dos Anos” indica apenas a duração da estada em Imladris. Realmente não há algum texto que conte como Gil-galad convenceu Oropher e Amdír a se unirem à Aliança.

41. Sauron de fato enviou tropas para o norte, pois os Orcs que emboscaram Isildur vários anos mais tarde eram de tal grupo. Contudo, o exército pressuposto aqui é admitido como sendo uma força qualquer que se dirigiu para o sul e entrou na Batalha de Dagorlad.

42. Em algum ponto durante a guerra, Isildur enviou seus filhos Aratan e Ciryon para defender Minas Ithil contra a fuga de Sauron: “Todos os três [filhos de Isildur] haviam combatido na Guerra da Aliança, mas Aratan e Ciryon não haviam estado na invasão de Mordor e no cerco a Barad-dûr, pois Isildur os enviara para guarnecer sua fortaleza de Minas Ithil, para que Sauron não escapasse a Gil-galad e Elendil e tentasse forçar uma passagem através de Cirith Duath…” (Contos Inacabados, pág. 484).

43. The Letters of J.R.R. Tolkien, pág. 179. “Eu penso que as Entesposas desapareceram para sempre, sendo destruídas com seus jardins a Guerra da Última Aliança…quando Sauron insistiu em uma política de terra queimada e incendiou sua terra contra o avanço dos Aliados descendo o Anduin….

44. Os Dúnedain parecem não ter usado a cavalaria nesta época. O Contos Inacabados (pág. 305, Cf. nota 7) diz que a maioria do cavalos usados pelos Dúnedain na guerra foram mortos, mas se os animais eram usados por emissários ou para mover arqueiros mais leves, os Dúnedain provavelmente não possuíam uma força de cavalaria efetiva.

Lindon, por outro lado, representava a última grande nação Noldorin na Terra-média, e Gil-galad provavelmente ainda possuía muitos cavalos élficos. É possível que os Elfos vivendo em e perto de Imladris também tenham contribuído para tal força.

Em O Hobbit, o Rei-élfico cavalga para caçar várias vezes, mas ele não usa cavalos na Batalha dos Cinco Exércitos; logo, não parece provável que Oropher possuísse uma cavalaria. O exército de Amdír era pequeno, mas possuía Noldor e Sindar de Eregion. Apesar disso, os poucos fatos publicados sobre a guerra não indicam que Lorinand tinha cavalaria.

45. Contos Inacabados, pág. 290. “…Malgalad e mais da metade de seus seguidores pereceram na grande batalha de Dagorlad, pois foram apartados da hoste principal e expulsos para os Pântanos Mortos.” Os sobreviventes podem ter sido subseqüentemente incorporados ao exército de Oropher, mas talvez tenham sido mantidos na reserva as batalhas seguintes.

46. Ibid., pág. 280. A suposição da participação de Edhellond na guerra é sustentada apenas por uma passagem em “Dos anéis de poder e da Terceira Era”: “Naquele dia, todos os seres vivos estavam divididos; e alguns de cada espécie, mesmo entre os animais selvagens e as aves, eram encontrados dos dois lados, à única exceção dos Elfos. Somente eles não se dividiram e seguiram a liderança de Gil-galad” (O Silmarillion, pág. 374).

A suposição de que ainda outros reinos élficos (isto é, Avari) estavam envolvidos é vagamente sustentada por uma passagem anterior descrevendo como Sauron eventualmente seduziu os Elfos de Eregion (Cf. nota 1 acima).

47. O Silmarillion, pág. 374. “Dos Anões, poucos lutaram, fosse de um lado, fosse do outro…” Tolkien não oferece nenhuma explicação de quem eram esses Anões ou por que eles lutaram por Sauron. Pode ser que ele fosse capaz de influenciar um ou dois de seus reis através de um Anel de Poder, a despeito de sua incapacidade de dominá-los completamente como ele dominou os Nazgûl. Ou pode ser que houvesse um grupo malicioso de Anões que escolheram ficar ao lado do Senhor do Escuro.

48. As Duas Torres, pág. 659. Sam, Frodo, e Gollum viram as faces dos Homens, Orcs e Elfos mortos nos pântanos. Os Orcs obviamente serviam Sauron, mas talvez também os Homens. Cf. nota 45 acima.

49. A Sociedade do Anel, pág. 252. “…Estive na Batalha de Dagorlad diante do Portão Negro de Mordor, onde vencemos: pois à Lança de Gil-galad e à Espada de Elendil, Aiglos e Narsil, ninguém podia resistir…

50. Contos Inacabados, pág. 290. “…Oropher foi morto no primeiro ataque a Mordor, precipitando-se à frente de seus guerreiros mais audazes antes que Gil-galad tivesse dado o sinal para avançar.

51. Ibid. “Seu filho Thranduil sobreviveu; mas, quando a guerra terminou…ele levou de volta para casa menos de um terço do exército que marchara para a guerra.

52. O Silmarillion, pág. 374. “Então Gil-galad e Elendil entaram em Mordor e cercaram o reduto de Sauron. Sitiaram a fortaleza por sete anos e sofreram graves perdas pelo fogo, por lanças e por setas do Inimigo, e Sauron fez muitas investidas contra eles.

53. Ibid. “…Ali, no vale de Gorgoroth, Anárion, filho de Elendil, foi morto, além de muitos outros.

54. Morgoths Ring, pág. 420. “Mas Sauron conseguiu em tempo unir a todos em ódio irracional a elfos e aos homens que se associaram a eles; enquanto que os orcs de seus próprios exércitos treinados estavam tão completamente sob sua vontade que sacrificariam a si mesmos, sem hesitação, ao seu comando.

O Retorno do Rei, pág. 1006. “…Como formigas que vagam sem destino e sem propósito, para depois morrerem exauridas, quando a morte golpeia o ser inchado e incubante que habita o formigueiro e a todas mantém sob controle, da mesma maneira as criaturas de Sauron, orcs ou trolls ou animais escravizados por encantamento, corriam de um lado para o outro sem rumo; alguns se matavam ou se jogavam em abismos, ou ainda fugiam gemendo para se esconderem em buracos e lugares escuros e sem luz, distantes de qualquer esperança.

55. Ibid., “…Mas os Homens de Rhûn e Harad, Orientais e Sulistas, viram a destruição de sua guerra e a grande majestade e glória dos Capitães do Oeste. E aqueles que havia mais tempo estavam mais envolvidos na servidão maligna, odiando o oeste, e contudo eram homens altivos e corajosos, por sua vez se ajuntaram numa resistência desesperada.

56. O Silmarillion, pág. 375. “A Torre Escura caiu ao chão, arrasada, mas seus alicerces permaneceram, e ela não foi esquecida. Os Númenorianos com efeito montaram guarda sobre a terra de Mordor…

57. Ibid., pág. 379. “Em Eriador, Imladris era a principal morada dos Altos-Elfos; mas nos Portos Cinzentos de Lindon vivia também um remanescente do povo de Gil-galad, o Rei élfico.” Círdan de fato manteve Elfos suficientes, ou seus números recuperaram-se o suficiente, para ajudar os Dúnedain de Arnor em pelo menos três ocasiões na Terceira Era, mas ele nunca foi capaz de erguer um exército como o de Gil-galad.

Bibliografia:

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Carpenter, Humphrey. The Letters Of J.R.R. Tolkien, Houghton Mifflin Company, 1981.

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