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Michael Martinez

Viajando na maionese de Asas e Cabelos

Michael Martinez

Novos livros de autoridade sobre a Terra-média são escassos e demandam enorme espera. Frequentemente, quando um novo livro é publicado fornecendo novas informações sobre a Terra-média, nossas queridas ideias que nutrimos por tanto tempo sofrem um sério desafio e devem ser reavaliadas.

The History of Middle-earth (HoME) caminha a passos tímidos para um nada profundo desfecho através das notas finais de Christopher Tolkien sobre “Tal-Elmar” finalizando The Peoples of Middle-earth. Seu papel no longo e meticuloso processo de organizar e publicar as anotações e manuscritos de seu pai termina de forma silenciosa. Tantas questões permanecem sem resposta no 12º volume da HoME que muitas pessoas expressam uma enorme frustração com este trabalho. “Isso é tudo que há para se falar sobre a Terra-média?”, perguntam elas.

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valinor

Os comerciantes da Terra-média

De vez em quando alguém pergunta que moeda era usada na Terra-média. É difícil de encontrar evidência de moeda (dinheiro) em O Senhor dos Anéis, mas existem sim algumas referências sobre isso. Quando Gandalf chegou à Vila dos Hobbits com uma carroça com fogos de artifício para o último aniversário de Bilbo e Frodo juntos, crianças hobbits o seguiram até Bolsão esperando por uma apresentação do mago. Ao invés disto, Bilbo atira para elas alguns centavos e as manda embora. Mestre Gamgi também relata que Bilbo é esbanjador em se tratando de dinheiro enquanto fala com os amigos.

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valinor

Contos Misteriosos da Terra-média

Não ouvimos falar com freqüência sobre as histórias de fantasmas que as
pessoas deviam contar umas às outras na Terra-média. O trabalho de
Tolkien é permeado por lendas bem trabalhadas que possuem, geralmente,
de fato um embasamento (dentro do escopo de sua pseudo-história), mas
quando paramos para considerar as imensas expansões de tempo que a
pseudo-história da Terra-média cobre, devemos nos perguntar quão
artificiais essas lendas se tornaram.
 
 
 
Todos já ouviram falar da história sobre o louco
que escapa de um sanatório e quase mata um casal jovem em uma estrada
escura, deixando sua garra pendurada na porta do carro (este seria, é
claro, um carro bastante antigo). Talvez essa história deva um pouco ao
mito nórdico do deus da guerra Tyr, que colocou sua mão na boca de
Fenris, deixando o lobo arrancá-la, enquanto os Aesir acorrentavam o
lobo. Tyr deveria ser um tanto quanto louco para fazer isso.

As primeiras histórias de fantasmas da Terra-média provavelmente foram
os contos há muito tempo esquecidos que os Elfos criaram sobre os
monstros de Melkor antes de Oromë descobrir sua morada em Cuiviénen. "E,
de fato, as canções mais antigas dos Elfos, cujos ecos ainda são
lembrados no Oeste, falam sobre formas sombrias que caminhavam nas
montanhas acima de Cuiviénen, ou passavam de repente pelas estrelas, e
do Cavaleiro Negro sobre seu cavalo selvagem, que perseguia aqueles que
vagavam, para tomá-los e devorá-los."

Os primeiros Elfos
eram um tanto ingênuos, em comparação aos seus sucessores Eldarin. Eles
não sabiam nada sobre quem eram os Valar, como o mundo se tornou o que
é, ou que monstros existiam (originados das criaturas inocentes de
Yavanna, ou Maiar corrompidos que assumiram formas de terror). Nem seus
poderes de mente e corpo estavam desenvolvidos. Será que os Elfos
sabiam, antes de encontrar os Valar, como utilizar suas faculdades
subcriacionais? Seria interessante se os primeiros menestréis Élficos,
que, em eras posteriores podiam "fazer com que as coisas sobre as quais eles cantavam aparecessem em frente aos olhos daqueles que estivessem escutando",
tenham feito canções de poder, onde suas audiências veriam novamente as
terríveis e místicas formas sombrias que rastejavam em seu mundo
outrora agradável.

Oromë levou os Eldar para o Oeste, através
de um mundo assustador, grande e desconhecido, para as margens
ocidentais da Terra-média, e a partir dali a maioria dos Eldar partiu
para uma terra de luz. É difícil imaginar os Altos-Elfos de Aman
vivendo sobre os fantasmas e demônios de seu passado. Eles seguiram o
estudo de alta civilização e arte e construíram grandes cidades e
artefatos poderosos. Mas os Eldar que permaneceram na Terra-média, os
Sindar, foram deixados na escuridão (ou na fraca luz das estrelas), e
apesar de por longas eras eles não terem sido perturbados pelas
criaturas de Melkor, ainda tinham razão para conhecer o medo.

Pois os Sindar eram perturbados pelos Noegyth Nibin, os Anões
inferiores, exilados das grandes cidades dos Anões do Leste, que
encontraram seus caminhos para Beleriand. Ali, nas Terras Selvagens
antes da vinda dos Elfos, eles estabeleceram sua própria cultura, da
qual não conhecemos praticamente nada, além do fato que eles eram
reservados e rancorosos. Os Noegyth Nibin atacaram os Elfos, que
revidaram ao caçá-los, sem saber de fato que os Noegyth Nibin eram
decaídos de um estado mais alto de civilização, tomando-os por animais
ou pequenos monstros da escuridão.

Com o tempo, os Sindar se
tornaram amigos dos Anões de Nogrod e Belegost, e eles aprenderam sobre
a verdadeira natureza dos Noegyth Nibin, e os povos deixaram cada um em
paz. Mas os Sindar eram de vez em quando avisados pelos Anões do Leste
que criaturas malignas estavam se multiplicando nas terras além de Ered
Luin. Se os Sindar tivessem tido tempo para esquecer os antigos
monstros, eles eram eventualmente lembrados, quando as criaturas de
Melkor começaram a se rastejar por Beleriand, "lobos… ou criaturas que andavam em forma de lobos, e outros seres sombrios cruéis".

Os Sindar se dividiram em dois grupos: Elfos das Florestas que se
espalharam para o Norte e Oeste a partir de Doriath e os Elfos
navegantes, que moravam nas terras costeiras ocidentais e se espalharam
pelo Norte. Muitos destes Elfos viviam fora das cidades, mais
provavelmente em cidadelas ou vilarejos que nunca apareceram em nenhum
mapa. Mas estando longe dos centros de poder e sabedoria, eles estavam
menos seguros em suas casas e talvez mais propensos para se perguntar
sobre as coisas misteriosas que se rastejavam ao redor deles. Será que
estes Elfos, talvez, cantavam sobre as coisas sombrias que assombravam
Beleriand?

Após o retorno dos Noldor e o começo da Guerra das
Gemas, criaturas sombrias e terríveis teriam se tornado bem conhecidas
através de Beleriand. Imagine se um exército de goblins, vampiros e
lobisomens estivesse prestes a invadir sua terra natal e permanecer
próximo por muitos anos. Você estaria propenso a contar "histórias de
fantasmas", sabendo que os fantasmas estavam logo além da montanha? Os
contos seriam histórias reais, não lendas. As criaturas seriam inimigos
conhecidos, e não terrores maléficos misteriosos.

Não seria
até após o colapso dos grandes reinos que de fato se tornaram lenda
novamente. Homens mortais se lembrariam das histórias e passariam as
mesmas para a frente, mas a cada geração, as histórias se tornaram
menos reais. Será que Dirhavel de Arvenien entendia sobre o que estava
cantando, se ele cantou sobre o conto de Barahir e seus fora-da-lei 70
anos após os eventos terem se desenvolvido? Quantos dos Elfos que
sobreviveram à destruição dos reinos em Arvenien e Ilha de Balar eram
velhos o suficiente para se lembrar das grandes batalhas ou do passado
antigo? Mesmo Elrond, que já era antigo na época da Guerra do Anel,
teria crescido nos dias em que Húrin e Túrin eram apenas memórias dos
homens e mulheres idosas, Hador era um ancestral distante e Cuiviénen
estava há gerações além de sua experiência.

Quão reais os
contos do Lobo-Sauron e Drauglin, pai dos lobisomens, e Thuringwethil,
a mensageira de Sauron em forma de morcego, e Gorlim, o fantasma
infeliz, teriam parecido às gerações de Homens e Elfos que cresceram no
início da Segunda Era? Seu mundo havia mudado. A maior parte de
Beleriand havia sumido. Os grandes reis, que lideraram os Elfos e Edain
na guerra contra Morgoth estavam todos mortos. Os Edain do Oeste
navegaram para construir uma grande civilização e os Edain do Leste
retrocederam às planícies e bosques onde eles lentamente esqueceram que
uma vez alguns de seu povo partiram para o outro lado das montanhas.

E ainda após Sauron ter começado a tumultuar novamente na Segunda Era,
reunindo mais uma vez criaturas maléficas sob seu controle, como
evidência do retorno do mal que se movia através das Terras Élficas, os
Homens devem ter apagado as antigas lendas sobre lobisomens, vampiros,
Orcs e demônios, e recontaram como havia uma vez um senhor do escuro
contra quem somente alguns Elfos e Homens se defenderam valentemente.

E ainda o mal, conseqüentemente, adquiriu um aspecto mais claro, e a
Guerra dos Elfos e Sauron trouxe um fim a muitos reinos Élficos e
Humanos, e muitos séculos de combate existiriam subseqüentemente. A
Segunda Era deve ter originado novas lendas de terror, principalmente
quando os Nazgûl apareceram na Terra-média, mas também pode ser, como
na Primeira Era, que a Segunda Era tenha trazido o mal para muito perto
de casa para as pessoas desenvolverem uma estranha fascinação por ele.
Somente sonhamos com vampiros e lobisomens quando sabemos que eles não
são reais e não podem nos machucar.

Mas a guerra final da
Segunda Era contribuiu para a fundação de uma das maiores lendas de
terror na Terceira Era. Isildur convocou um povo das montanhas para
marchar contra Sauron, e eles recusaram, uma vez que eles outrora
adoravam Sauron como um deus. A esses homens sem fé, Isildur condenou a
desaparecerem como um povo. Eles definharam e morreram, perdidos e
sozinhos nas terras altas, condenados a assombrar suas terras antigas
até o dia em que eles pudessem redimir seus juramentos para um Herdeiro
de Isildur.

O audacioso povo das montanhas de Gondor vivia ao
lado dos Mortos do Templo da Colina, e deve-se imaginar se eles não
passaram longas noites de inverno trocando contos de viajantes
imprudentes que se perderam nos caminhos dos Mortos, ou que encontraram
uma reunião de fantasmas à grande pedra de Erech em tempos
problemáticos. Ninguém sabe como a dama Élfica Nimrodel se perdeu nas
montanhas, mas será que o povo local a adotou como uma vítima de suas
lendas? Será que eles a imaginavam perdida e assustada, possuída pelos
antigos fantasmas?

Os caminhos dos Mortos eram famosos
através das terras dos Dúnedain, ao que parece. Malbeth, o vidente, que
vivia em Arnor, previu que um dia um Herdeiro de Isildur caminharia
naqueles caminhos e acordaria os Mortos. Séculos depois, quando os
Rohirrim se estabeleceram em Calenardhon e Brego, seu segundo rei,
terminou a construção do salão de Meduseld, ele e seus filhos passaram
pelas montanhas e encontraram um homem idoso sentado na entrada do
caminho dos Mortos.

"O caminho está fechado", ele disse a eles. "O
caminho está fechado. Foi feito por aqueles que estão Mortos, e os
Mortos o guardam, até a hora chegar. O caminho está fechado."
E
então ele morreu, e o príncipe Baldor resolveu entrar no caminho dos
Mortos e ver por si mesmo que segredos existiam ali. Ele nunca
retornou, e toda Rohan se questionou sobre o que se tornou dele.

Provavelmente os ossos que Aragorn encontrou dentro da passagem eram de Baldor: "Diante
dele estavam os ossos de um homem forte. Estivera vestido de malha
metálica, e sua armadura jazia ainda inteira, pois o ar da caverna era
seco como pó; sua cota era dourada. O cinto era de ouro e granadas, e
rico em ouro era o elmo sobre os ossos de sua cabeça, caída com o rosto
contra o chão. O homem tombara perto da parede oposta da caverna, pelo
que se podia presumir, e diante dele havia uma porta de pedra
hermeticamente fechada: os ossos de seus dedos ainda agarravam as
fendas. Uma espada quebrada e chanfrada jazia ao seu lado, como se ele
tivesse golpeado a rocha em seu último desespero"
.

O que
poderia ter acontecido dentro daquela caverna escura e solitária é que
um dos mais bravos guerreiros de Rohan teria ficado louco e rachado a
rocha em desespero? Ele deve ter sido atacado por um exército dos
Mortos, e procurando uma maneira de escapar e se desviou. Ou talvez ele
meramente sucumbiu ao medo e temor, estremecido a sua própria alma, e
irracionalmente, fugiu impetuosamente na escuridão até não poder mais
encontrar seu caminho, e lentamente, tristemente, passou seus últimos
dias ou horas em vão, procurando admissão em algum refúgio de natureza
duvidosa.

Os Mortos do Templo da Colina não eram as únicas
assombrações a habitar a Terra-média na Terceira Era. Os Nazgûl
surgiram de Mordor no ano 2000 e sitiaram a cidade montanhosa de Minas
Ithil. Após 2 anos eles tomaram a cidade e a transformaram em um lugar
de terror existente, e dizia-se que era a residência de fantasmas e
outros monstros. Até mesmo os Orcs que estavam posicionados ali estavam
enervados pelas criaturas terríveis com as quais os Nazgûl haviam
ocupado a cidade. Todas as terras vizinhas se tornaram desertas,
conforme as pessoas fugiam para o outro lado do Anduin, e com o tempo
somente as pessoas mais audaciosas de Gondor ousavam viver em Ithilien,
que uma vez havia sido uma terra muito agradável e bela.

Os
Nazgûl eram especialmente bons em acabar com as vizinhanças. Séculos
antes o Senhor dos Nazgûl havia rumado para o Norte para estabelecer o
reino de Angmar. Homens serviam a ele, mas também Orcs, Trolls, e
outras criaturas, incluindo espectros. Ele ensinou ou encorajou o povo
das colinas de Rhudaur a praticar feitiçaria, principalmente
necromancia, e na guerra com Cardolan e Arthedain no ano 1409, o Senhor
dos Nazgûl enviou espectros para habitar os antigos túmulos em Tyrn
Gorthad, próxima a Bri. Estes espíritos se tornaram as Criaturas
Tumulares. Eles animaram antigos ossos e ocuparam a terra com pavor e
medo. Seu poder era tão grande que, muitas gerações depois, os esforços
do Rei Araval para recolonizar Cardolan falharam, porque as pessoas não
poderiam viver perto de Tyrn Gorthad.

Quando os últimos
remanescentes do Reino do Norte foram arruinados, criaturas maléficas
ocuparam sua última capital, Fornost Erain, apesar de que depois de
apenas alguns meses elas foram destruídas ou expulsas por um grande
exército de Gondor e Lindon. Muito da terra estava limpa quando a
própria Angmar foi destruída, mas as Criaturas tumulares permaneceram,
e os Homens de Bri ficaram amedrontados em relação às ruínas de Fornost
Erain, conseqüentemente, denominando-as de Dique dos Mortos, porque
eles apenas podiam se lembrar do terror que brevemente havia governado
ali.

Arnor estava quase esvaziada de pessoas, e ruínas foram
deixadas por todos os lugares: Annúminas, Fornost, Tyrn Gorthad, as
colinas de Rhudaur, Topo do Vento. Tharbad, a última cidade de Arnor,
declinou e se tornou uma cidade ribeirinha, e conseqüentemente foi
abandonada após ter sido destruída por severas inundações. Quase toda
Eriador era uma terra vazia e desolada, com cidades esquecidas e
túmulos assombrados.

É um pouco estranho que os Hobbits que
partiram do Condado em 3018 não eram muito mais amedrontados em relação
ao mundo ao redor deles. Eles tinham lendas sobre a Floresta Velha, que
ficava nas fronteiras da Terra dos Buques, uma terra estranha onde as
árvores podiam se mover conforme queriam e que abrigavam um antigo ódio
pelos seres que caminhavam em duas pernas. Tolkien observa que "mesmo
no Condado, o rumor sobre as Criaturas Tumulares das Colinas dos
Túmulos além da Floresta foi ouvido. Mas não era um conto que qualquer
Hobbit gostaria de ouvir, mesmo em frente a uma confortável lareira bem
longe de tudo isso".

Mas Frodo e seus amigos não sabiam
nada sobre os terrores que existiam além das Colinas dos Túmulos e suas
criaturas, ou as lendas que ainda assombravam as terras, apesar das
criaturas que geraram terror aos contos terem desaparecido há muito
tempo. Se eles tivessem ido em busca de antigas histórias de fantasmas,
ao invés de buscar uma maneira de destruir o Um Anel, eles teriam
encontrado lendas suficientes para encher um livro. Havia o velho
monstro vivendo no alto das montanhas sobre Minas Morgul, as estranhas
e agourentas árvores da Floresta de Fangorn, o escuro e repugnante
Guardião na Água, o espírito de fogo e sombras que assombrava as
cavernas perdidas de Moria, a fria e cruel Caradhras, e coisas escuras
voadoras que bloqueavam as estrelas à noite, e os próprios Nazgûl.

A pobre e perdida Eregion se tornou a morada de lobos enfeitiçados e
tropas ameaçadoras de Crebain, e a terra esqueceu que uma vez fora lar
a um povo Élfico que ousara mexer com a força do Tempo na própria
Terra-média. Mas quando tudo estava feito e o Senhor dos Anéis
destruído, os Hobbits e seus aliados foram mais uma vez lembrados de
todos os grandes e antigos temores, e eles devem ter passado muitas
noites felizes trocando contos em frente à lareira, mantendo vivas as
estórias de fantasmas da Terra-média.

[tradução: Helena "Aredhel" Felts]

Michael Martinez

Cuidado com o Padeiro na Cozinha!

Não há nada como um bom vilão de Tolkien e, desafortunadamente, há tão poucos deles. Agora, antes que me enforquem, deixe-me explicar porque eu acho que Tolkien intencionalmente manteve seus bons vilões a um mínimo. Povos realmente malignos eram raros porque eles estariam corrompendo e manipulando todos os demais em direção ao mal. Nem Melkor nem Sauron iriam tolerar um Senhor do Escuro rival. Quase todos os outros caras eram apenas seus servos. É debatível se o Balrog de Moria estaria realmente servindo a Sauron na Terceira Era.

Mas o mal de Tolkien é diferente do mal da maioria das histórias. Ele não está focalizado no mal em seres humanos. Ele está focalizado no mal externo, o qual ele chama algumas vezes de Mal Encarnado. Quase pode-se ouvir estas palavras reverberando quando ele as fala. Trovões ressoariam nos céus, e nuvens bloqueariam o sol. Melkor e Sauron podem ter sido bons no início, mas eles percorreram aquele caminho sombrio que existe à frente de todos. Oras! Melkor abriu o caminho e Sauron o ampliou.

Existe mal humano na Terra-média: ambição, avareza, orgulho e assim por diante. Reis e heróis podem facilmente enlouquecer e deixar o caminho da Bondade e Luz. Tolkien produz sua tragédia a partir deste personagens humanos. Mas nem Melkor nem Sauron são trágicos, embora pudessem ser. Isto é, não existe retorno para a queda destes dois seres anteriormente notáveis e impressionantes. Eles eram Ainur, anjos, filhos do pensamento de Ilúvatar antes de existir um Tempo, antes dos Filhos de Ilúvatar terem sido trazidos à existência. Eles nem sempre foram da escuridão, antigamente eram da luz. E mesmo assim as escolhas que eles fizeram conduziram-nos à destruição. Suas corrupções não possuíam uma conclusão decidida de antemão.

Por outro lado, não há mal menor em Tolkien. Ninguém fica louco em sua vila e envenena o pão, por assim dizer, em um pequeno ato de vingança por zombarias e insultos. Todos os atos de maldade são universalmente desprezados. As pessoas possuem um senso do que é certo e do que é errado, e elas geralmente tentam viver por ele. Exceto por “aqueles outros caras”, os inimigos. Em cada guerra, os vencedores sãos os bons rapazes em sua própria visão. Então os seguidores de Sauron sem dúvida aproveitaram o sucesso que experimentaram porque estavam do lado certo. Eram os malignos Elfos e tirânicos Dunedain que precisariam ser destruídos.

De outra forma, alguém pode apressar-se em apontar, quem poderia pensar que os Orcs são “gente boa”? Mesmo os Orcs pareciam desprezar a si mesmos. Sim e não. Nós definimos bem e mal pelo valores que nos são ensinados ou com os quais crescemos. Os Orcs foram corrompidos. O que eles poderiam considerar bom não necessariamente faria sentido para nós, mas faria sentido para eles. “Quais são as melhores coisas da vida?” “Esmagar seus inimigos. Vê-los correr de você. Ouvir a lamentação de suas mulheres”. Não é exatamente um diálogo clássico de Tolkien, mas reflete os valores dos guerreiros na imaginação de algumas pessoas. [Nota do Tradutor: apesar de Martinez não citar a fonte, é um diálogo do filme “Conan”]

Bem, no sentido do que é o melhor para a comunidade, também existia entre os Orcs. Aragorn apontou que eles poderiam viajar grandes distâncias para vingar um capitão assassinado. Porque? O Orc estava morto, apesar de tudo, certo? O que existia para que os Orcs sobreviventes arriscassem suas vidas tentando se vingar de alguém que matou seu capitão o qual eles provavelmente odiavam? Orgulho. Mas não apenas orgulho. Eles deveriam ter um senso de bando, um sentimento tribal que daria suporte a todos os inevitáveis abusos. O rosnar e lutar e resmungar eram parte de seu sistema social de bando. Galinhas determinam uma hierarquia social e também os Orcs. Este é simplesmentemente o modo como as coisas são. E daí se o principal Orcs matou outros cinco chefes Orc para tomar o poder da tribo?

Os Orcs eram leais a seus mestres. Eles lutavam e morriam aos milhares por Melkor, Sauron e Saruman. Muitos deles devem ter perdido suas vontades próprias, mas mesmo Melkor [Tolkien fala isso em um de seus ensaios] não poderia controlar diretamente todos eles. Eles odiavam seus mestres mas os temiam. E mais, alguns dos Orcs pareciam ter orgulho de seus serviços. Shagrat, por exemplo, estava ferozmente determinado em ver Frodo entregue a Barad-dur. Porque? Gorbag e seus rapazes não pareciam tão determinados. Mesmo quando foi falado a Shagrat que um guerreiro Élfico havia ultrapassado suas defesas, ele insistia em enviar o prisioneiro para Lugburz [embora ao final apenas a cota de mithril de Frodo tenha sido levada]. Shagrat era um “bom Orc”. Ele seria o tipo de Orc que você gostaria de ter a seus serviço se você controlasse orcs. Gorbag não era assim tão bom.

Mas isso não quer dizer que os valores dos Orcs estariam lado a lado com o dos Elfos e Dunedain. Os Orcs viviam suas vidas de acordo com a vontade de seus mestres. Eles poderiam não saber que existia um padrão absoluto de bem e mal, derivados, em última instância, dos valores de Ilúvatar. Seriam os valores Dele que prevaleceriam sobre todos, e eles poderiam não necessariamente coincidir com o de Elfos e Homens. Ilúvatar, por exemplo, permitia ao mal existir. Porque? Esta é a mesma questão feita pela comunidade Judaica-Cristã há muito tempo. Porque Deus permite ao mal existir?

A resposta do Novo Testamente é que, se Deus fosse acabar com o mal hoje, então quase todos no mundo iriam perecer. Ele adia seu julgamento para dar às pessoas tanto tempo quanto Ele achar razoável para que reflitam sobre seus pecados e se afastem deles. Os propósitos de Ilúvatar não são tão claramente explicados. De fato, Tolkien estava perturbado pelas implicações de se extender aquele princípio a Ilúvatar. Ele reconhecia que os Orcs eram seres racionais encarnados, como Homens e Elfos, então Ilúvatar estaria criando espíritos que estariam condenados a liver vidas malignas. Porque Ilúvatar faria isso? Não eram tanto a predestinação quanto as circunstâncias que fariam o destino dos Orcs.

A resposta transtornou Tolkien. Ele decidiu apenas que Ilúvatar sabia o que estava fazendo, mas se os Orcs eram seres racionais encarnados, de alguma forma serviam aos propósitos de Iluvatar. Pode-se facilmente perguntar, contudo, porque Ilúvatar permitiria que um filho nascesse para crescer e se tornar Ar-Pharazon. Qual é a diferença entre o Rei de Numenor que se tornou maligno e os Orcs que foram criados malignos, exceto que aos Orcs não é dada escolha? Gandalf parece estar falando dos Orcs quando diz a Denethor, “E eu, tenho piedade até de seus [de Sauron] escravos“.

O mal existia nos dois lados da guerra. Então mal não era
realmente sobre “nós” e “eles”. É sobre as escolhas feitas dentro dos limites da vida de cada um. Uma escolha órquica de armar emboscadas e roubar pessoas é maligna. Sauron provavelmente não permitia assaltos nas estradas de seu reino. Todos os bens pertenciam a ele e servia a suas necessidades. Coitado do Orc que roubasse uma de suas caravanas de suprimento!

Mas se o mal pode ser encontrado em todo lugar, também é assim com o bem? Esta questão é mais difícil de responder. Os Orcs, em sua maioria, agiam em conformidade com as leis de Sauron. Eles o temiam e temiam a consequencias da desobediência. Mas um Orc cumpridor das leis seria “bom”? Vejamos de outra forma, um Homem vivendo sob o governo de Sauron [muitos viviam] e agindo da mesma forma que os Orcs seria menos maligno por ser um Homem? Seria melhor? Eu acho que não. Ele teria a vantagem da casta, talvez, mas apenas se os Homens em geral fossem tratados melhor que os Orcs, por Sauron. Pode ser que os Orcs tivessem um tratamento melhor [mas provavelmente todo mundo era mal tratado da mesma forma].

Saruman tentou colocar-se como um novo senhor escuro, e ele representa o que Sauron deve ter atingido num estágio bem anterior, antes da Guerra entre Elfos e Sauron. Sauron teve que começar como um Maia solitário em algum momento da Segunda Era. Deve ter levado bastante tempo para acumular seguidores e escravos. E até que se fixasse em Mordor, muito depois de fazer o Um Anel, quão efetivo era seu controle sobre outras criaturas? Quantas outras criaturas ele era capaz de subjugar sob sua vontade?

Quando Sauron começou a dominar os antigos servos de Melkor, ele deveria ser apenas um pouco pior que uma padeiro furioso. Isto é, seus pecados na Primeira Era foram, sem dúvida, numerosos, mas ele desitiu por um tempo. Um longo tempo. Pode ter levado séculos até que Sauron retornasse a seus desígnios malignos. Teria sido apenas um simples momento de fúria que levou-o a retornar ao mal e à escuridão? Teria sido assim que Saruman começou a trilhar o caminho?

A busca pelo mal na Terra-média é quase tão longa como a busca por redenção, aparentemente. Melkor esteve dividido durante o Ainulindale e aparentemente irritou Iluvatar, mas ele foi realmente mau? Quando Melkor entrou em Ea com os outros Valar, ele parece ter trabalhado bastante para ajudá-los a dar forma e substância ao universo. Não existiu nenhuma briga real até que começaram a trabalhar na região que seria conhecida como Arda. Então ele a clamou para si mesmo, ação à qual ele nào tinha direito. Quão longas foram as incontáveis Eras das Estrelas nas quais Melkor [e Sauron, e todos os outros Maiar não nomeados que eventualmente seguiram Melkor ao mal] ainda não tinha se tornado maligno?

Em uma escala menor, quanto tempo levou para os Noldor cairem nas mãos do mal? Eles não eram malignos quando alcançaram Aman. Eles ainda não tinham sucumbido ao pecado do orgulho ao qual Melkor os induziu após ser libertado. Eles não continuavam essencialmente um povo bom no dia em que Melkor foi solto de Mandos? Como aquele dia deve ter sido? E se Fëanor, que colocou-se à parte da Casa de seu pai, já estivesse sucumbindo ao orgulho [que foi sua queda] Melkor teria sentindo a marca de outro mal em Valinor?

Passou-se um longo tempo antes que Melkor de fato atingisse alguma coisa no sentido de corromper os Noldor. E embora Fëanor tenha rejeitado Melkor, os Valar acreditavam que Melkor fora de alguma forma responsável pelo temperamento de Fëanor. Se Melkor não tivesse destruído as Duas Árvores, além de Finwë, Fëanor poderia ter sido um pouco rude, mas ele não teria ultrapassado o limite. Mas fica claro que, quando ele subiu a colina de Tuna em desafio aos Valar e falou a seu povo, Fëanor tinha finalmente cruzado a linha, e os Noldor logo o seguiriam.

É difícil imaginar como os Noldor lentamente caíram pelo pecado do orgulho. Eles tornaram-se arrogantes e abertamente desconfiados uns dos outros. Devem ter havido argumentos e disputas , mas aparentemente nada chegou a brigas e espadas. Os padeiros ocasionalmente furam os bolos dos outros? Qual seria a tendência de um povo que poderia ser tão facilmente [aparentemente] dirigidos contra seus vizinhos [os Teleri de Alqualonde]? Como aconteceu isso, quando Fëanor ordenou a seu povo que roubasse os navios dos Teleri, ninguém perguntou porque Deus precisaria de uma espaçonave [ou, mais apropriadamente, porque Fëanor pensava que tinha o direito de tomar os navios]?

Seria muito tarde para divergências nas fileiras? Mesmo o bem intencionado Fingon foi correndo à batalha sem conhecer as causas justas e injustas dos combatentes e mesmo procurar conhecê-las. Seu ataque irresponsável e precipitado, originado da lealdade, parece ter condenado todo o seu povo. O que teria acontecido se Fingon primeiro tivesse perguntado o que estava acontecendo? O que aconteceria se ele tivesse se recusado a apoiar o roubo dos barcos por Fëanor? Teriam ainda os Noldor se lançado ao exílio ou apenas uma pequena fração do povo seria condenada?

O caminho para a escuridão parece ter muitas armadilhas, mas também existem algumas interrupções. Existem pontos onde pode-se avaliar o que foi feito e voltar atrás. A redenção de Boromir é um exemplo de como alguém poderia começar a trilha o caminho da escuridão mas não fazer a jornada completa. Ele continuou tendo que pagar com a vida por tentar se apoderar do Anel, mas sua morte foi uma morte nobre. Ele sacrificou-se tentando salvar seus dois companheiros.

Diz-se que mesmo Ar-Pharazon hesitou quando Sauron encorajou-o a cortar a Árvore Branca de Númenor. Foi o valente esforço de Isilidur em salvar a fruta antes da Árvore ser destruída que finalmente empurrou Ar-Pharazon para além dos limites. Pode ser afirmado que, mesmo Isildur não fazendo nada, o rei eventualmente concordaria com a sugestão de Sauron. Sauron não demonstrava piedade em seus esforços para corromper e destruir os Numenorianos. Em todo caso, a ação de Isildur estimulou a reação de Ar-Pharazon, e Ar-Pharazon retomou sua jornada na escuridão.

Earnur, o último Rei de Gondor da Linha de Anárion, não tornou-se exatamente mau, mas sucumbiu ao orgulho. E também sua queda foi atrasada. Na primeira vez que o Senhor dos Nazgul lançou um desafio ao rei, o Regente Mardil foi capaz de conter Earnur. Earnur teve uma pausa, mas a certa hora ele retomou seu percurso de auto-destruição. Ele respondeu ao segundo desafio.

Não era fácil para alguém tornar-se maligno, na Terra-média. Os Orcs não foram sempre malignos. Em algum momento em suas origens eles foram bons, tão bons quanto qualquer um. Eles não eram de fato Orcs. Então eventualmente chegou um dia em que eles puderam ser chamados Orcs, mas como foi o processo de transição? E eles teriam ido tão longe no caminho escuro que mesmo que desejassem de todo coração não poderiam retornar? A questão da redemibilidade dos Orcs perturbou Tolkien e incomodou muitos de
seus leitores. Muitas pessoas assumem que os Orcs foram todos destruídos na Guerra do Anel, mas não foi o caso. O Epílogo [que Tolkien foi persuadido a não publicar] indicava que os Orcs continuavam por aí. Sam especulou se os Orcs seriam, em algum momento, completamente destruídos e durante a Segunda Guerra Mundial Tolkien frequentemente fazia referência aos “Orcs” no exército britânico em cartas a seu filho.

Orcs, então, não seriam tão completamente malignos a ponto de sempre poderem ser distinguidos dos Homens. Ou talvez os Homens não seriam sempre tão bons a ponto de poderem ser distinguidos dos Orcs. A desobediência dos Elfos não foi universal como foi a desobediência dos Homens. Os Elfos foram capazes de aprender o erro de seus caminhos e rejeitar o caminho da escuridão. Os Homens tiveram que esperar por outra forma de redenção.

Todavia nós vemos o bem e o mal na Terra-média principalmente pelos olhos dos Hobbits. Existiram algums Hobbits malvados e Hobbits que serviram de livre vontade a Saruman. Mas em geral, os Hobbits possuiam uma inocência, uma fidelidade ao bem, que todos os Homens e Elfos uma vez dividiram. Isto não quer dizr que os Hobbits não partilharam da Queda dos Homens. Eles devem ter sido [como Tolkien disse] um ramo da raça Humana. Mas ele desistiram das trevas e nunca voltaram completamente para ela. Poucos, como Sméagol e Lotho Sacola-Bolseiro, seguiram o caminho e desapareceram no esquecimento.

Para os Hobbits, os Elfos eram bons e os Orcs eram maus. Este pensamento era ao mesmo tempo correto [pois os Hobbits julgavam Elfos e Orcs com base em suas ações] e errado [pois os Hobbits não olhavam mais profundamente em suas próprias experiências]. O que Sam pensava da rebelião de Fëanor? Bem, estaria tudo no passado para ele, sem dúvida. Seria um assunto há muito tempo resolvido. Mas ele teria entendido que os Orcs não eram de fato verdadeiramente culpados por suas naturezas? Ele compreendia por que Gandalf tinha piedade mesmo dos escravos de Sauron, e por quê?

Por outro lado, Hobbits eram geralmente de uma natureza gentil. Eles não batiam em seus filhos, aparentemente não sofriam de alcoolismo, e aparentemente não tinham muitos problemas com assalto a bancos, assassinatos e sequestros. O que um sequestrador Hobbit pediria como resgate, de qualquer forma? Uma carroça de erva-de-fumo? O orgulho e ira que derrubaram outros povos de fato não tinham muito a ver com os Hobbits. Eles eram um povo que tinham grande resistência, mas também falta de ambição. E todos os problemas dos Elfos e Homens parecem ter surgido da ambição. Ou desejo.

Aparentemente o mais ambicioso ato que um Hobbit de fora da família Sacola-Bolseiro poderia expressar seria roubar cogumelos ou conhecer tantas tavernas quanto possível. A ambição de Lotho em tornar-se o Chefe trouxe sobre ele um final triste e patético. Paladin II, o pai de Pippin, ficou horrorizado que alguém pudesse querer se estabelecer como governante do Condado, mas ele não fez nada para contestar Lotho. Os Tuks simplesmente esperaram fora da tormenta em suas próprias terras ao invés de marcharem para a guerra contra os Rufiões. Não parecia importante o suficiente para que Paladin iniciasse uma guerra que poderia resultar na morte de muitos Hobbits.

Em suas atividades de vilão, Lotho realmente parece não ter conseguido muito. No momento em que o leitor fica sabendo o que ele fez para o Condado, traindo-o para Saruman, ele já estava morto. Ele mesmo teve a desculpa de ser reconhecido como um tolo que foi além de suas capacidades. De uma certa forma, Grima Língua-de-Cobra também foi desculpado. Seu mal é mais prontamente reconhecido por Gandalf. Grima queria Eówyn. Mas ele também espera dividir o poder com Saruman. E quando Saruman é humilhado assim também é Grima, que o acompanha como um cão fiel, mas um cão cheio de amargura.

Existe uma hierarquia completa de caras maus que saqueiam os postos inferiores de alguma forma. Sauron permanece no topo, poderoso e vão, imutável. Abaixo dele ficam vários comandantes como Sauron e o Senhor dos Nazgul, poderosos à sua própria maneira, mas muito fracos para prevalecer sobre os Homens. Abaixo de Saruman ficavam servos como Grima e Lotho, criatura pequenas mas ambiciosas com pouco poder real. E mesmo assim ambos causaram grande mau a seus povos. E abaixo de Lotho estão rufiões como Bill Ferny, criminosos brutais sem ambições reais exceto serem maus e mesquinhos.

Existem muitas faces do mal nO Senhor dos Anéis, e graus de maldade e mesquinharia. Existe pouca redenção verdadeira. Boromir poderia ter sido muito pior do que Lotho e Grima. Ele poderia ter rivalizado Saruman, talvez, pois ele já era um príncipe de uma grande nação. Mas quase a totalidade dos que caem permanecem caídos. Mesmo o sábio velho Denethor, que quase voltou da beirada ao final, sofreu o destino que sua loucura decretou. Ele cedeu ao desespero.

O único personagem que Tolkien realmente desculpa completamente é Frodo. Frodo cede ao Anel no final, mas levou meses de tormento demoníaco para que Frodo reclamasse o Anel para si. A exigência não nasceu do orgulho e arrogância, não da ambição de se tornar um grande e poderoso senhor. Foi essencialmente um ato de insanidade, uma insanidade ocasionada pela ruptura de sua mente. Frodo é, de vários modos, reduzido ao estado de um Orc. Não um Orc maligno, mesquinho, cruel, sanguinário. Mas antes um Orc que teve sua livre vontade retirada, suas escolhas negadas. Ele não é melhor do que escravos Orcs que inicialmente cederam às vontade de Melkor e Sauron.

E se existe redenção para Frodo, e perdão, então deve haver redenção e perdão para os Orcs?

Tradução de Fábio Bettega

valinor

Doces ou travessuras? Uma Terra-média assustadora!

A maioria dos fãs de Tolkien geralmente vão lembrar que dia 22 de Setembro é o aniversário de Bilbo e de Frodo Bolseiro, mas o 22 de Setembro dos hobbits não era o nosso 22 de Setembro. O sistema de calendário que Tolkien criou para o Condado fez com que o o 22 de Setembro dos Hobbits caísse no nosso 14 de Setembro (13 de Setembro nos dias bissextos). Então, por muitos anos, você esteve desejando felicidades para Bilbo e Frodo com um atraso de 8 dias.

 

Halloween não é uma data tão importante nos calendários de Tolkien. Nosso 31 de Outubro (Dia de Todos os Santos) cai no dia 9 de Novembro para os Hobbits. Nesse período, o dia da colheita está próximo. Mas o Halloween não se originou num festival dde colheita, como alguns dizem. Começou como uma festa celta chamada Samhain em Gaélico Irlandes (pronunciado SÓU-rem, esqueça do "m" no meio da palavra).

De acordo com a tradição, Samhain era a hora em que os celtas extinguiam suas fogueiras, colocavam roupas especiais e tomavam conta de fogueiras feitas por druidas. Os celtas acreditavam que esta era a época do ano em que, assim como o Verão dava lugar ao Outono, os mortos retornavam ao mundo dos vivos. Era esperado que estes espíritos os ajudassem, prevendo seus futuros (e talvez causar um pouco de confusão). Os Celtas também vestiam roupas especiais ao celebrar o Ano Novo. Quando as festividades acabavam, os druidas entregavam à cada família da comunidade uma brasa da fogueira, e eles deveriam usá-la para reacender as suas próprias fogueiras, no novo ano. 

Os Eldar de Imladris consideravam seu Ano Novo sendo em volta do dia 6 de Abril do Condado, o que seria o nosso dia 29 de Março. O Ano Novo Hobbit era o nosso dia 23 de Dezembro. E os pobres Anões, vivendo por um Calendário Lunar pela maior parte de sua sombria história, celebravam por volta da última lua nova do Outono o seu Ano Novo, chamndo-o de Dia de Durin (talvez comemorando o dia em que Durin I acordou, ou o dia em que morreu). 

Lalaith sugere que o Dia de Durin pode ter sido o 14º dia do décimo mês do ano de 2941 TE (o único ano em que o Dia de Durin aparece destacada em uma história – sendo esta O Hobbit). Bem, nosso 14 de Outubro seria o 22 de Outubro do Condado, que é o mais perto que você pode conseguir para um feriado na Terra-Média no dia 31 de Outubro. 

A metade de outubro marca o período do Outono no Condado e terras adjacentes. E apesar do povo do Condado, que eram grandes fazendeiros, colocar enfase em suas colheitas, eles não ofereciam suas primeiras frutas para deuses pagãos, como os Celtas faziam. Os Hobbits também não faziam profecias ou se vestiam diferente. Eles provavelmente gostariam do costume atual de "doces-ou-travessuras", cuja criação é creditada à tradição da prática, patrocinada pela Igreja, de se oferecer doces para as pessoas pobres que pediam por comida no Dia De Todos Os Santos. As pobres pessoas deveriam agradecer rezando pelos parentes mortos dos doadores de bolo.

É possível que Frodo acordou em Valfenda por volta do Dia de Durin. Ninguém está realmente certo de quando isso aconteceu, apesar de Tolkien usar o Almanaque de 1942 pra calcular as fases da lua nO Senhor Dos Anéis. Frodo acordou em 24 de Outubro (Calendário do Condado, dia 18 de Outubro no nosso calendário).

Talvez não seja coincidência quando Gandalf conta a Frodo que ele esteve na beira do Mundo das Sombras. O machucado de Frodo causado pela faca de Morgul quase o transformou num fantasma, e Frodo só voltou para uma saúde perfeita com a ajuda de Elrond. E então Frodo começou um período de auto-exame que demorou por volta de uns dois meses. A marca mais profunda disso foi, com certeza, o Conselho de Elrond, onde vários representantos dos povos livres juntaram as peças do grande quebra-cabeça que Tolkien criou. Gandalf inclusive refletiu um pouco no dia em que Frodo acordou: ele olhou para Frodo e disse a si mesmo que Frodo poderia virar como um vidro cheio de uma clara luz para olhos que a podem ver.

Quando Frodo acordou de seu sono, Elrond promoveu celebrações para seu convidado, o Portador do Anel, e Frodo percebeu estar sentado perto de Gloin, um Anão. Depois disso, os festejantes se retiraram para o Salão do Fogo, onde Frodo estava reunido com Bilbo. Os Elfos cantaram muitas músicas homenageando Elbereth e os outros Valar. Passolargo foi desmascarado como sendo o Dunadan, e Gandalf foi comparado (por Frodo, ao que ele observava o mago na festa) à um sábio rei das lendas antigas.

Outro costume associado ao Halloween (e seus feriados derivados, como o antigo feriado romano da Feralia, no qual o dia da passagem dos mortos era comemorado) é o de contar histórias, geralmente sobre parentes e heróis mortos. Depois que Frodo se reuniu com Bilbo, ele começou a se sentir tonto e estranho, mas a canção de Bilbo sobre Earendil despertou o jovem Hobbit. Bilbo teve a coragem de cantar sobre Earendil, pai de Elrond, na casa de Elrond. De uma maneira sinistra, Bilbo estava honrando o "morto" de Elrond, apesar de Earendil não ter mesmo morrido. Ele sumiu no mundo mortal, mas Elrond ainda esperava ver seu pai algum dia. Viver para os Eldar em Aman era como viver um pouco num mundo e no outro (e Gandalf também disse a Frodo que no mesmo dia em que os Elfos estabeleceram moradia em Aman viviam ao mesmo tempo no mundo Conhecidos e Desconhecidos).

Apesar do Dia de Durin nunca mais ter aparecido em qualquer evento da Guerra do Anel, o Conto dos Anos diz que a guerra acabou oficialmente no começo de Novembro, o que seria perto do nosso dia 31 de Outubro. Saruman foi morto no Bolsão e seu espírito passou do mundo dos vivos pro mundo dos mortos. Em um ano, do Dia de Durin de 3018 para o Dia de Durin de 3019, a Terra-Média mudou para sempre. Os poderosos Maiar foram-se e seu trabalho na Terra-Média foi terminado. Os aflitos espíritos dos homens mortos (os Nazgul e as Criaturas Tumulares) foram libertados do aprisionamento e puderam procurar o descanso eterno.

Tolkien dizia que O Senhor Dos Anéis é uma história sobre morte e procura pela imortalidade. Mas também é sobre a vida, e sobre a procura em um propósito na vida. Uma renovação. É a passagem do velho e chegada do novo. Assim como os Celtas celebravam o fim do ano velho e a chegada do ano novo com um banquete e uma festa, nós também o fazemos, embora a gente o faça num período de tempo históricamente estranho (virtualmente, não há grande significado religioso para os cristãos ou os celtas em 31 de Dezembro e 1º de Janeiro).

Os Anéis do Poder, em sua maioria, conferiam aos usuários o poder de ver o Invisível, de interagir com os espectros. Essas habilidades foram aparentemente procuradas pelos Eldar de Eregion pelo seu medo de sumir. Este destino, contado aos Noldor pelos Valar, quando os Noldor marcharam para seu exílio de revolta, amedrontou até mesmo os poderosos elfos. Tolkien diz que os elfos queriam "vivar na mortal e histórica Terra-Média por
que acabaram se afeiçoando a ela (e talvez porque lá eles teriam as vantagens de ser uma raça superior), e então tentaram mudar sua história"
(Letter 154).

Por tentar mudar a história, os elfos esperavam evitar o futuro que Ilúvatar os reservou: a morte. Agora muitos podem dizer que para os Elfos lhes era reservada uma vida tão longa quanto a vida do mundo. Isto é verdade, eles viveriam naturalmente em Arda enquanto esta ainda existisse. Homens, no entanto, se entediaram do mundo e procuraram outro lugar. Por este lado, Tolkien parece estar falando de uma tipo diferente de morte. A morte em Tolkien geralmente se refere à morte do corpo. Mas este corpo é apenas uma casca física, nada mais que vestimentas segundo os Valar, que eram naturalmente espíritos desencarnados.

Para os Elfos, morte física significaria que seus espíritos foram convocados pelos Salões de Mandos. Se eles aceitassem a convocação, eles teriam a esperança de viver uma vida física novamente, apesar de deverem permanecer em Aman. Porém, se eles recusassem os pedidos, eles poderiam continuar na Terra-Média, onde residiam. Mas continuariam como espíritos incorpóreos, Seriam sombras, fantasmas. Os Elfos deveriam assombrar suas terras natais.

Tolkien discutiu o assunto dos espíritos élficos em "Leis e Costumes entre os Eldar", publicado no HoME: Morgoths Ring. Ele tratou os Elfos mortos de "sem-casa", e referiu-se aos seus espíritos descarnados de "fëa desabrigado". Os primeiros Elfos, que sabiam pouco ou nada dos Valar, freqüentemente recusavam as Convocações de Mandos. Quanto Morgoth tomou a posse de Angband, ele forçou à escravidão todo e qualquer espírito élfico que recusaram às Convocações. Estes espíritos viraram almas atormentadas, e especula-se que as Criaturas Tumulares e outros horrores possam ser espíritos élficos corrompidos à serviço do mal.

Elfos com certeza eram capazes de fazer o mal. Os Noldor atacaram os outros elfos nos três Fratricídios, e os Eldar de Beleriand muitas vezes lutaram entre si por ambição, inveja, e até medo. Traição parecia até comum, especialmente entre os elfos que escaparam de Angband. Mas depois da queda de Morgoth, os elfos foram libertos do perigo de serem forçados ao seu serviço. Os Elfos que amavam a Terra-Média não precisavam abandona-lá por completo na hora de sua morte. Em "Leis e Costumes", Tolkien nota:

"…e nesses dias mais e mais os elfos que viviam na Terra-Média , sejam eles da Eldalie original ou de outros grupos, agora se recusam as convocações de Mandos, e vagueiam sem casa pelo mundo, não querendo deixá-lo e não podendo habitá-lo, assombrando árvores, fontes e outros lugarem que só eles conheciam. Nem todos são bonzinhos ou intocados pela Sombra. Para falar a verdade, a recusa das convocações é em si própria um sinal da mácula."

Elfos mortos ainda estão espalhados pelo mundo, e talvez fossem abundantes na Segunda Era. Será que os antigos espíritos-escravos de Morgoth procuraram, depois de sua queda, cura em Aman? Talvez sim, talvez não. Pode ser que os Noldor, procurando a cura para o mal do mundo (que foi um de seus objetivos quando fizeram os Anéis do Poder), tentaram contactar seus irmãos mortos, e talvez comunar com eles, persuadindo-os a procurar conforto no Oeste. Estas práticas, porém, seriam totalmente proibidas, pelo menos pra homens. Tolkien comentou o assunto acima:

"É uma coisa tola e perigosa, além de ser uma coisa errada e proibida só por que foi dito pelos Senhores de Arda, se os vivos quiserem se comunicar com os Incorpóreos, apesar dos espíritos assim o desejarem, mesmo entre os mais desonrados entre eles. Para os fantasmas, andando pelo mundo, eles são os que recusaram a porta da vida e agora "vivem" no arrependimento e auto-piedade. Alguns estão imbuídos de amargura, sofrimento e inveja. Alguns, inclusive, foram escravizados pelo Senhor do Escuro e ainda fazem seu trabalho, apesar deste ter sido derrotado. Eles já não falam verdades ou sabedoria. Chamá-los é tolice. Tentar dominá-los e fazê-los servos de sua vontade é malícia. Estas são práticas de Morgoth; e os necromantes são tropas de Sauron seu servo."

Muitas vezes, os homens que praticam necromancia podem descobrir que seus corpos foram demonados pelos espíritos élficos, e eles mesmos estão agora sem corpo. E o que acontece com os espíritos humanos? Esta edição não fala, mas condena a necromancia em muitos termos. A prática poderia ser conhecia entre os elfos, e pode ser que suas tentativas em necromancia levaram os Valar a crer que esta comunicação estava passando dos limites. Mas o dano já fora feito. Pessoas sabiam que podiam falar com os mortos, apesar de não ter certeza de com quais mortos havia se comunicado.

A Guerra do Anel representa, então, uma limpeza no mundo, restauração da ordem natural. Apesar dos elfos poderem continuar na Terra-Média depois da morte, ao mundo foi garantido um alívio. Com os Anéis do Poder destruídos, os elfos não mais ficaram preocupados em cair na tentação de entrar em sua própria forma de necromancia. Muitos deles, especialmente aqueles que ficaram dependentes dos efeitos dos Três Anéis, sentiram o cansaço e o desgaste do mundo e viajaram através dos mares para procurar sua própria cura. Em Aman eles continuarão a ter vidas físicas, sustentadas pelos Valar.

O Senhor dos Anéis é, de alguma maneira, o melhor conto de Halloween, honrando heróis caídos e revelando grandes feitos para aqueles que seguem as regras e fazem o certo. A história reconhece a passagem do mundo mítico ao mundo histórico. Ele mostra a herança de povos esquecidos e de batalhas que removeram as representações físicas do mal do mundo, e ajudaram a dividir o mundo dos vivos do mundo dos mortos.

Então, quando pequenos Hobbits e Goblins venham fazer "doces ou travessuras" na sua porta da frete, lembre-se de lhes oferecer doces e ter certeza de ter uma cópia da música "Soul Food To Go" do Manhatten Transfer no CD-Player. Mas, principalmente, tenha uma cópia do melhor conto fantasma do século XX para o caso de alguem começar uma fogueira e começarem a contar histórias de terror. Eu lhe digo que será divertido e talvez faça um amigo ou dois. Só tenha certeza que aqueles são seus verdadeiros corpos…

valinor

Antes dos Numenoreanos Virem

As coisas na Terra Média mudaram radicalmente como resultado da Guerra da Fúria. A Guerra durou cerca de 42 anos , começando no ano 545 da Primeira Era e terminando no ano 587. Durante esse tempo vastas áreas da Terra Média- Beleriand, as distantes terras setentrionais, o mar interior de Helcar – foram destruídas ou mudaram de forma. Em Morgoth`s Ring Cristopher Tolkien apresenta um até então inédito ensaio do seu pai que reflete os motivos das várias forças no Silmarillion. Na primeira e segunda partes do ensaio JRRT esclarece como Melkor reduziu-se gradualmente ao se encarnar

[como Morgoth] permanentemente. Ele fez isso para controlar o hroa, a “carne” ou matéria física , de Arda. Ele procurou se identificar com ela. Um procedimento maior e mais perigoso, embora de feição similar às operações de Sauron com os Anéis. Assim, fora do Reino Abençoado, toda “matéria” tendia a possuir um “ingrediente Melkor”, e aqueles que tinham corpos, nutridos pelo hroa de Arda, possuíam, como ela própria uma tendência, pequena ou grande, de seguirem Melkor [1]: nenhum deles era completamente livre dele em suas formas encarnadas, e seus corpos tinham um efeito sobre seus espíritos”.

 

Essa notável conclusão [ em si própria nada além de uma premissa para conclusões posteriores abordadas mais tarde no ensaio] foi decidida ou talvez ponderada por Tolkien no fim dos anos cinquenta ou no início doa anos 60, menos de dez anos depois da publicação do Senhor dos Anéis e é aproximadamente contemporânea com os textos que formaram a base para muito do Silmarillion como foi publicado. Ë, portanto, razoável aceitar a explicação que segue a citação feita acima como o motivo por detrás da relutância dos Valar em agir diretamente contra Melkor no Silmarillion [ na forma com que foi publicado]:

Mas dessa forma, Morgoth perdeu [ ou trocou ou transmutou] a maior parte dos seus poderes “angélicos”, de mente e espírito, enquanto adquiria um terrível controle sobre o mundo físico. Por essa razão, ele tinha que ser combatido, principalmente por força física, e uma enorme ruína material seria a provável consequência de qualquer confronto direto com ele, vitorioso, ou não. Essa é a explicação principal da constante relutância dos Valar em entrar em combate aberto contra Morgoth. A tarefa e o problema de Manwë eram muito mais difíceis do que os de Gandalf. O poder relativamente menor de Sauron estava concentrado ; o vasto poder de Morgoth estava disseminado. Toda a Terra Média era o Anel de Morgoth, não obstante, de momento, a sua atenção estivesse principalmente concentrada no Noroeste. A menos que tivesse êxito rapidamente, a Guerra contra ele poderia muito bem transformar toda a Terra Média num caos, possivelmente até mesmo Arda inteira. É fácil dizer: “é o dever e função do Rei mais Velho governar Arda, e tornar possível para as Crianças de Eru viverem nela sem serem molestadas.


Mas o dilema dos Valar era esse: Arda só poderia ser liberada por uma batalha física mas o provável resultado de tal batalha seria a ruína irreparável de Arda”…

Portanto, na realidade, o ataque contra Morgoth, teria que se iniciar com um assalto sobre a própria Terra Média. Morgoth teria sido capaz de usar a própria terra para enfrentar a Hoste de Valinor, .E os Valar teriam que destruir a terra com o fito de minar a força de Morgoth. Então faz sentido que a Hoste de Valinor chegasse o mais distante para o Norte quanto fosse capaz, o mais próximo de Angband quanto fosse possível..Eles estariam evitando a maior parte da força disseminada de Morgoth. Mais importante do que isso, eles estariam mais perto da encarnação física de Morgoth , a qual era, essencialmente, o objetivo da Guerra deles.

A Guerra das Jóias, para todos os intentos e propósitos, terminou com o assalto contra Gondolin. Os Elfos nunca mais organizaram uma campanha contra Morgoth e ele nunca mais tomou qualquer medida direta contra eles. Com a Queda de Gondolin, os elfos foram reduzidos para três pequenos e inócuos agrupamentos: Ossiriand, onde uns poucos Feanörianos tinham se refugiado com os Elfos-verdes, Arvenien, onde refugiados de Doriath e Gondolin estabeleceram uma nova colônia com alguns dos Edain; e Balar, onde fugitivos de Hithlum [ Sindar como Annael], Nargothrond, e das Falas criaram uma colônia depois da Nirnaeth Arnoediad.

Muitos outros elfos vaguearam através de Beleriand, exilados ou Avari, ou foram escravizados em Angband .Alguns desses elfos, pode-se supor, eventualmente alcançaram Arvenien, e a partir de lá prosseguiram para Balar. Mas quando os Feanorianos destruíram Arvenien no ano 538, um número significativo de Elfos morreu. A população élfica de Beleriand foi reduzida ao seu menor tamanho. Dos Feanorianos, do povo de Balar e dos elfos de Ossiriand eventualmente provieram os Eldar que estabeleceram o reino de Lindon na Segunda Era.

Mas Gil-galad e Círdan devem ter de alguma forma se reconciliado com os Feanorianos remanescentes durante os três anos finais da Primeira Era. Isso deve ter ocorrido no tempo que os Elfos abandonaram Balar. A ilha teria afundada ou Gil-galad e Círdan simplesmente sentiram que era hora de retornar para o continente agora que Morgoth se fora? Nós nunca saberemos.

Os Edain de Estolad também migraram para o leste, mas eles se fixaram em Lindon ao longo da nova linha costeira. Nos Contos Inacabados a terceira nota de “Aldarion e Erendis” diz que os Numenoreanos acreditavam “que os homens deixados para trás descendiam dos homens perversos que, nos últimos dias da guerra contra Morgoth, haviam sido chamados por ele do Leste". Os Edain de Beleriand devem, portanto, ter perdido toda memória dos seus antigos parentes no leste, e essa perda implica que todos os seus mestres de sabedoria devem ter perecido nas guerras. As gerações que cresceram na escravidão devem ter aprendido muito pouco das suas origens, e os elfos, provavelmente, poderiam ter muito pouco a dizer a eles.

Essa divisão dos Edain teve um efeito profundo sobre suas culturas. Quando os Numenoreanos voltaram para a Terra Média no ano 600 da Segunda Era “eles viram homens que poderiam ter caminhado em Númenor sem serem reconhecidos como estrangeiros salvo por suas roupas e armamentos.”. Para os Edain de Eriador os Numenoreanos “pareciam antes com senhores Élficos do que homens mortais em comportamento e vestuário”. Os primeiros Edain haviam recebido as boas vindas em Númenor pelos Eldar de Tol Eressëa, sobreviventes de Beleriand, que presentearam os Edain com muitas dádivas e que ensinaram a eles novos conhecimentos. Mas os Edain haviam sido tutelados , também por Eonwë na Terra Média.

De fato, os Edain viveram em Lindon p
or cerca de 35 anos antes deles começarem a viajar através do Oceano, e em The Peoples of Middle Earth é dito que a migração para Númenor demorou pelo menos 50 anos.. Então os Edain de Lindon migraram através do Oceano entre o ano 32 da Segunda Era e o ano 82, aproximadamente. Durante esse tempo ele foram tutelados pelos Valar e ensinados por Eonwë e talvez por outros Maiar. .Mas eles parecem não ter tido contato com seus parentes no leste.

A primeira frota a rumar para Númenor consistiu de pelo menos 150 navios, talvez contasse até mesmo 300.Cada um era comandado por um dos marinheiros de Círdan, que, presumivelmente, retornaram para Lindon quando sua viagem foi concluída. Alquém pode se perguntar o que teria sido feito dos navios quando os Elfos terminaram de transportar os Edain através do mar .Alguns , sem dúvida, foram usados para viajar para Tol Erëssea, mas o restante deve ter sido incorporado à nova economia de Lindon Os navios eram pequenos, comportando entre 30 e 40 passageiros com utensílios e animais. Pode-se indagar quanto tempo terá levado para os Elfos contruírem os barcos? Círdan teve que treinar novos marinheiros?

Como os Edain deixaram Lindon os Anões de Belegost começaram a abandonar Ered Luin e a migrar para Khazâd-dum. Estes Anões muito possivelmente reforçaram os Anões Barbaslongas [ O povo de Durin] em suas novas guerras com os Orcs, que vindos da ruína de Angband , pareciam numerosos para o Povo de Durin .Se uma razão para a migração dos Anões deve ser procurada, é de se supor que os Barbaslongas convidaram os Anões de Belegost a se lhes juntarem como resultado das invasões dos Orcs.

Contudo,a migração dos Anões deve ter empobrecido Eriador, Os Edain devem ter tido Elfos Nandor para comerciar, mas poucos Anões. Então pode ser que seu desenvolvimento cultural tenha prosseguido através de diferentes caminhos em relação àqueles dos Edain das Terras Selvagens muitos dos quais se tornaram aliados dos Anões e se beneficiaram do comércio feito por eles. Ao que tudo indica uma diferença entre os [ principalmente ] Edain “Beorianos” de Eriador e os [ em sua maioria ] Edain “Marachianos” das Terras Selvagens foi o uso de cavalos. Os Marachianos usaram cavalos ainda em Beleriand, mas os Beorianos parecem não tê-los utilizado. Os Edain de Eriador fixaram residência nos Montes de Evendim, nas Colinas Setentrionais, nos Montes do Tempo, e nas terras entre eles tão distante para o oeste quanto o rio Baranduin. De acordo, tanto com o Contos Inacabados quanto com o The Peoples of Middle Earth, os Edain algumas vezes vagaram nas terras além do Baranduin mas aquele era um país élfico e eles não permaneceram lá.

Os Elfos que residiam entre Baranduin e Lhun devem ter sido Nandor em sua maioria. Os Noldor se fixaram em Forlindon com Gil-galad e Elrond . Esses eram provavelmente em sua maioria descendiam dos Noldor de Gondolin e do povo de Angrod [ da região setentrional de Nargothrond], muitos dos quais tinham fugido para Balar. Quase nenhum dos Noldor de Hithlum deve ter sobrevivido à Nirnaeth Arnoediad, ou, se eles o fizeram, devem ter sido escravizados. Então os Noldor restantes devem ter derivado do punhado de Feanorianos que sobreviveram à terceira Matança entre Famílias e de quaisquer refugiados que escaparam à queda de Nargothrond.

Muito embora o povo de Círdan tenha se estabelecido nos portos gêmeos de Mithlond, os Sindar de Doriath e os Elfos verdes de Ossiriand fixaram-se em Harlindon. Mas muitos desses Elfos eventualmente migraram para o leste , para os Vales do Anduin. Tolkien diz apenas que eles partiram " antes da contrução da Barad-dûr" [ que Sauron iniciou por volta do ano 1000]. Muitas pessoas acreditam que a migração sindarin deve ter ocorrido antes dos Noldor fundarem Eregion [ circa 700-750] . Porque Sauron começara a agir contra os Elfos por volta do ano 500[ aparentemente instigando homens do leste a molestarem os Elfos]. É possível que as migrações sindarin o levaram a fazer alguma coisa.[ é de se notar que em um esboço primitivo do Conto dos Anos da Segunda Era , a migração Sindarin coincidiu com a migração Noldorim para Inladris e Eregion.]

As populações em Lindon aumentaram e elas provavelmente cresceram tão rapidamente quanto as populações de Beleriand haviam crescido. Quer dizer, entre a reconciliação dos Noldor em Beleriand no início da Primeira Era e a Dagor Bragollach, os Noldor e Sindar aumentaram consideravelmente suas populações. Um período comparável de tempo sem qualquer intrusão dos Orcs como os que ocorreram ocasionalmente durante o Cerco de Angband teve lugar entre a partida e o retorno dos Numenoreanos.

O reino de Gil-galad, consequentemente, deve ter se tornado mais rico e poderoso. Os marinheiros de Círdan devem ter continuado a singrar os mares. Por que não? Eles tinham os navios, tinham a perícia. Tolkien nunca disse que eles visitaram Aman, mas a região norte de Aman, pelo menos teria estado facilmente dentro do seu alcance. E não teria sido uma jornada muito longa viajar de Númenor para Tol Erëssea enquanto eles estavam conduzindo os Edain através do Oceano .Em algum ponto o povo de Gil-galad travou contato com os Edain de Eriador. Esses homens , pensando que seus primos ocidentais tinham sido destruídos, nunca perguntaram a respeito deles quando visitavam os elfos. E os Elfos , tendo perdido contato com os Numenoreanos, nunca pensaram em informar o povo de Eriador que alguns dos seus parentes haviam sobrevivido. Se nós supormos que em média uma geração dos Edain, durava 25-30 anos, então houve cerca de 24 a 29 gerações entre o povo de Eriador depois que Estolad foi abandonada até os Numenoreanos retornarem para a Terra Média.

Aparentemente não houve interação entre esses Edain e os Homens de Minhiriath, os quais os Numenoreanos vieram a chamar os Gwathuirim .O povo de Haleth em Brethil tinha se originado desse povo, e eles também eram pertencentes aos Edain, mas falavam uma língua diferente daquela dos Beorianos e Marachianos. Os homens de Bree, muitos milhares de anos depois, descenderam dos Gwathuirim, mas parece que Bree não foi fundada até algum tempo depois da Guerra dos Elfos e Sauron. Os povos de Eriador devem ter estado relativamente isolados durante os primeiros séculos da Segunda Era. Os Elfos se mantiveram principalmente além do Baranduin mas eles eram amigáveis com os Edain. Gil-galad seguiu a política dos reis Eldarin de Beleriand em manter uma separação entre Elfos e Homens. Não havia uma Guerra da qual se falar que poderia tê-los unido. Os Elfos devem ter se tornado mais internalizados, aprimorando sua civilização até que a população e a perspectiva de comercio com Khazâd-dum se tornaram grandes o suficiente para desencadear as migrações para o leste.. Os Gwathuirim viveram sossegados em suas florestas. No Leste, os Anões e seus aliados Edain erigiram uma grande civilização. Mas a menção ocasional de interação sugere qu
e uma vasta rede de comunicação de algum tipo existiu entre todos esses povos. Gil -galad, eventualmente, ouviu rumores de algum poder negro que era hostil a Elfos e Homens .Quando os Barbaslongas descobriram Mithril os Noldor decidiram estabelecer uma colônia em Eregion para iniciar o comércio com Khazâd dum, e o relacionamento entre os dois povos foi tão forte que os Anões escavaram um túnel por todo o caminho através das montanhas para criar um portal ocidental para o uso dos Elfos.

A questão de quando esta rede se formou pode nunca ser solucionada. É possível que os Anões sempre preservaram seus antigos contatos, e que pelos primeiros séculos da Segunda Era eles trouxeram notícias entre o leste e o oeste, Elfos, Anões e Homens. Pode ser que os Nandor que perambulavam por Eriador eventualmente fizeram contato com o reino de Gil-galad e levaram notícias em direção ao oeste. E, talvez, os próprios Edain comerciaram livremente uns com os outros e com os Anões trazendo notícias e riqueza para o oeste proveniente de Khazâd-dum.

Nós sabemos que doze Edain foram corajosos o suficiente para encontrar Vëantur e seus Numenoreanos no ano 600. E nós sabemos que os Edain de Beleriand tinham mantido pelo menos um grande conselho onde seus líderes se reuniam para debater a guerra com Angband. Pode ser que conselhos similares fossem ocasionalmente feitos entre o povo de Eriador, e que os doze homens fossem líderes ou chefes de diversas tribos ou clãs. Um conselho de chefes de Eriador pode implicar que os Beorianos e Marachianos tinham desenvolvido uma cultura sofisticada, cooperando uns com os outros em tempos de necessidade. Tal confedereção de povos teria sido suficientemente forte para desencorajar ou rechaçar invasões e pode explicar por que os Easterlingues e Orcs não se fixaram no centro de Eriador, e por que os Gwathuirim não foram mais para o norte do que a orla das suas florestas.

O encontro com Vëantur sugere que o povo de Eriador falava a mesma língua ainda que essa língua, em mais de 700 anos tivesse se distanciado do Adunaic dos Numenoreanos. Então a inferência de que os Edain de Eriador tivessem mantido ou desenvolvido uma unidade cultural é forte. Eles teriam trocado livremente estórias e canções, retiveram as mesmas tradições e memórias, praticavam os mesmos costumes, e provavelmente continuaram com o antigo costume dos Edain de casarem seus filhos e filhas [ aos menos entre seus chefes com famílias de outras comunidades a fim de estabeler ou preservar vínculos fortes.

Esse Edain enterravam seus mortos em montes, e muito possivelmente, residiam em cidades e vilas fortificadas, criando ovelhas e bois e [ muito provavelmente, no caso dos poucos Marachianos em Eriador] cavalos. Eles devem ter sido principalmente fazendeiros e lenhadores, conservando um pequeno grupo de manufatureiros. Eles deveriam ter sido ávidos por conhecerem novas técnicas e artigos para o comércio através dos Numenoreanos. Aos Numenoreanos eles devem ter parecido muito com seus ancestrais em Beleriand, e Eriador deve ter proporcionado a aventureiros como Aldarion um vislumbre do passado.

Notas do tradutor:

[1] Ao contrário do que Michael Martinez sugere, os Valar não vieram eles próprios para a Terra Média na época da Guerra da Fúria como o haviam feito no tempo da Guerra dos Valar quando Utumno foi destruído e Melkor levado cativo pela primeira vez. Nessa ocasião, eles optaram por enviar um grande grupo de Maiar [cujo número não pode ser estimado mas que poderia corresponder ao de um exército], que era liderado pelo arauto de Manwë, Eonwë [ muito provavelmente o mais poderoso de todos os Maiar] e contando com o auxílio dos elfos Vanyar e dos Noldor que ficaram em Beleriand.

[2] Estas notas esclarecem muitas das sugestões e idéias feitas por Tolkien no capítulo da Narn i Hîm Húrin do Contos Inacabados [ a ser publicado este ano no Brasil], "As Palavras de Húrin e Morgoth".

[3] O mar de Helcar foi criado no fim da Era das Lâmpadas com a destruição causada pela queda de Iluin e uma das suas baías era justamente o lago de Cuiviénen onde os elfos despertaram.

Os mapas encontrados nos seguintes links darão uma idéia aproximada da sua localização relativa na Primeira e Segunda Eras, sendo que, no caso do segundo mapa, ele fornecerá uma noção das terras então existentes nas regiões outrora situadas em Helcar.

A comparação entre os mapas elucidará ao leitor a natureza das transformações ocorridas entre a Primeira e a Segunda Era [ tornando o texto traduzido mais transparente] e fornecerá dados para o cálculo aproximado das posições relativas de todas as localidades geográficas da mitologia tolkieniana.

Primeira Era de Arda

 

Tradução de Paulo ´Ilmarinen´ Lages

valinor

Shhhhhh! É um Anel Secreto!

Eu sou questionado sobre muitas perguntas a respeito do mundo de Tolkien e certas vezes, eu apenas arquivo as mais interessantes para futura referência. Mas outro dia alguém me perguntou algo que eu não acreditava nunca ter passado pela minha cabeça. Quem sabia sobre os anéis? Um leitor muito astuto ressaltou a mim que Boromir reconheceu o Anel imediatamente, Faramir compreendeu que havia um Anel que envolvia Gandalf e Denethor parecia saber de tudo sobre o Anel…Quando se trata exatamente disso, todos que entram em contato com Frodo parecem saber sobre o “Anel precioso” (como Bombadil o chamou).

 

Se eu puder pegar emprestada uma das comparações que Tolkien tanto detestava, é quase equivalente para todo frentista de posto de gasolina da Rota 66 pedindo a J. Robert Oppenheimer se ele pode dar uma olhada no Fat Man e Little Boy enquanto ele dirige para Los Alamos. O Anel de Sauron era para ser um grande segredo, no entanto, muitas pessoas que Frodo encontrou pareciam saber sobre ele. Gildor Inglorion compreendeu o que estava acontecendo (e como ele sabia que Frodo estava “suportando um grande fardo sem conselhos“, como Glorfindel diz, não é explicado em nenhum lugar).

Como poderia ser que tantas pessoas soubessem algo sobre o Um Anel ao fim da Terceira Era, principalmente considerando-se que estava limitado ao conhecimento daqueles que estavam mais envolvidos com ele por três mil anos?

A resposta deve estar nos dias de Elendil e Gil-Galad, quando eles primeiro formaram sua grande aliança. Tolkien escreveu muito pouco sobre o que realmente aconteceu, mas sabemos que Sauron atacou Gondor e tomou Minas Ithil. Isildur escapou com sua mulher e filhos. Anárion fortificou o Anduin e repeliu as forças de Sauron enquanto Isildur navegava para Arnor. Ali Isildur consultou-se com Elendil, que em troca, consultou-se com Gil-Galad.

Até esse tempo, podemos ter certeza, o total conhecimento dos Anéis de Poder estava limitado somente aos Elfos. Mas o quanto eles sabiam em geral? Qualquer Elfo mais velho saberia que existiam Anéis de Poder, ou o conhecimento era confinado a um grupo seleto? Bom, não há fatos para responder a essas questões. Isto é, não há nenhum ensaio ou nota de Tolkien já publicados que expliquem como o conhecimento sobre os Anéis se espalhou. Elrond contou às pessoas em seu conselho a história completa dos Anéis. “Uma parte de sua lenda era conhecida por alguns aqui, mas a lenda completa por nenhum”, Tolkien escreve no “Conselho de Elrond”.

Isso parece extraordinário. Nem mesmo Gandalf saberia toda a história dos Anéis? Bem, Gandalf não sabia da tradição do Anel até Bilbo aparecer, então talvez ele estava ainda alcançando o conhecimento. Mas a impressão é que a estória de Elrond foi rotulada como: “Segredo de Estado, Necessidade de saber e VOCÊ não precisa saber!” Exceto para ele, Galadriel e Círdan (e talvez Celeborn, mas todos sabem que ele era um forasteiro).

Quando Sauron primeiro se aproximou dos Elfos na Segunda Era, muitos suspeitaram dele, de acordo com a história descartada de Celeborn e Galadriel em Contos Inacabados. Galadriel não reconheceu Sauron (que se nomeou Aulendil por conta própria, apesar de que em outro lugar dizem que ele se nomeou Annatar). Ela desconfiou de um Maia que apareceu de repente e afirmou estar agindo em prol dos interesses dos Valar. É interessante que nenhuma tentativa foi feita para confirmar essa história com Valinor. Os Númenoreanos retornaram a Terra-Média em 600 da Segunda Era e Sauron começou a procurar por alguns bons trouxas alguns séculos depois. Devido a tal questão, os Eldar deveriam ter sido capazes de rezar para os Valar por algum tipo de conselho.

Então parece estranho começar com o fato de que as credenciais de Aulendil/Annatar nunca foram checadas. Talvez alguém tentou espiona-lo, mas talvez havia tantos Maiar que os antigos Noldor coçaram suas cabeças e falaram: “Bom, talvez…” Eu não posso deixar de pensar no prefeito em “The Music Man”, mandando os quatro conselheiros da cidade para descobrir quais eram as credenciais do Professor, e ele os transforma em um quarteto de barbeadores. Talvez Sauron era bastante como Robert Preston, especialmente dada à propensão dos Elfos para canções. Talvez Maglor foi mandado para verificar as credenciais e Sauron o perguntou por que parecia tão deprimido e…

O fato é que Sauron meneou seu caminho em Eregion numa época em que havia muitos Elfos por todos os lados da Terra-Média. O reinado de Gil-Galad se estendeu das costas de Lindon até o rio Brandevin. Os Nandor, Sindar e Noldor estavam aparentemente vagando ao redor do resto de Eriador. Muitos dos Noldor e Sindar estava vivendo alegremente em Eregion, comercializando com os Anões, construindo cidades e fazendo o que quer que os Elfos façam. No outro lado das Montanhas Sombrias os Sindar estabeleceram dois ou mais reinos entre os Elfos Silvan. E Edhellond era um canto calmo e refúgio ao sul das Ered Nimrais (Montanhas Brancas). Era, sobretudo, um mundo muito Élfico. Os Homens apenas por acaso andavam por ali, mas à parte dos numenoreanos, os Homens não faziam muito.

Sauron supostamente visitou mais de uma terra élfica em sua jornada por mentes élficas sugestionáveis. Presumivelmente os Elfos Silvan teriam tido pouco interesse na preservação da Terra-Média. E quanto a morrer? O que é a morte para eles? Talvez Eönwë tenha mencionado a probabilidade da morte dos Elfos, quando ele viajou convocando todos a Valinor, ou talvez não.

Em Lindon, Elrond e Gil-Galad recusaram-se a tratar com Sauron. Eles nem ao menos admitiriam ele no reino. Sauron deve ter mandado uma carta ou mensagem oferecendo-se para ensinar os Eldar em questões elevadas e nobres. Talvez foi um pouco de arrogância da parte de Sauron em fazer tal oferta, mas a reação de Gil-Galad deve ter sido de surpresa. Ele era apenas um rapaz quando Beleriand estava sendo invadida pelo mar pelos Valar. O que ele sabia sobre Valinor e sua felicidade?

Então pode ser que o povo de Gil-Galad era de fato composto, em sua maior parte, por Elfos mais jovens. Poucos dos Exilados originais realmente sobreviveram às Guerras de Beleriand. Destes, muitos aparentemente retornaram para o Oeste após a Interdição dos Valar foi dissipada. Então somente um punhado dos reais antigos Elfos deve ter permanecido na Terra-Média. Destes, a maior e mais bem conhecida era Galadriel, e por alguma razão, ela não ficou em Lindon por muito tempo; Então Galadriel devia estar em Eregion quando Sauron chegou farejando ao redor. De fato, é isso o que a história descartada conta, desde que ela e Celeborn eram (de acordo com esse relato) os soberanos originais de Eregion.

Sauron dedicou sua atenção a “Celebrimbor e seus companheiros ferreiros, que formaram uma sociedade ou irmandade, muito poderosa em Eregi
on, a Gwaith-i-Mirdain; mas ele trabalhou em segredo, desconhecido à Galadriel e Celeborn
”. Nesse relato, o sumário de Christopher Tolkien de um esboço que nunca foi totalmente publicado, Celebrimbor e a Gwaith-i-Mirdain tinham muitos segredos profissionais. Eles não dividiam seu conhecimento livremente com outros Noldor.

Os Noldor, os Fëanorianos em particular, eram muito sigilosos, até mesmo em Valinor. Eles eram de um tipo que não pareciam se dar bem uns com os outros. Até mesmo seus primos Avari, os Tatyar, parecem ter sido mais divididos que os Nelyarin Avari (que eram relacionados com os Teleri, os Eldar que vieram dos Sindar). Fëanor nunca chegou a revelar muitos de seus segredos para os outros Elfos. Então quando ele morreu, muito da sua sabedoria morreu com ele. É claro que muito da sabedoria antiga foi perdida nas Guerras de Beleriand de qualquer maneira. Celebrimbor e seus companheiros devem ter sido os últimos herdeiros dos grandes segredos da Primeira Era. Ou eles podem ter sido um grupo de renascimento, pegando emprestado tudo o que podiam dos Anões e descobrindo coisas por conta própria.

O resultado final foi que os Anéis de Poder eram um projeto originalmente secreto. A maioria dos Elfos não sabia nada sobre eles. As primeiras propostas de Sauron devem ter parecido um tanto quanto vagas, tirando proveito de suas dúvidas e preocupações de uma maneira geral. Não seriam vagas até que Sauron pudesse ter uma longa e sincera conversa de ambas as partes com Celebrimbor sobre o futuro dos Elfos que Sauron estaria apto para lançar o Grande Plano sobre o senhor Élfico. E não é provável que Celebrimbor tenha sido idiota. De fato, ele era provavelmente um dos Elfos mais inteligentes do início da Segunda Era. Sua penetrante sabedoria e insight se juntaram ao seu brilho. Isso teria feito dele um alvo crucial para a fraude de Sauron.

E essa fraude deve ter requerido séculos de trabalho. Sauron deve ter ensinado muito pacientemente aos Gwaith-i-Mirdain muitos segredos sobre a manufatura de várias coisas antes de ganharem sua total confiança. Tolkien nos oferece apenas um vislumbre dos tipos de artefatos que os Elfos eram capazes de fazer: os barcos de Lórien, as cordas e mantos dos Elfos Silvan e a bacia da Galadriel. Esses eram os mais modestos, aparentemente, assim como encantamentos diários, coisas de pouco interesse para os mestres ferreiros. Os Palantíri, criados em Valinor, devem ter sido o tipo de artefato que os Gwaith-i-Mirdain devem ter perseguido. Ou talvez eles se esforçaram para recriar as Silmarils, mesmo porque a Luz das Duas Árvores estava preservada somente na luz do Sol, da Lua e da Estrela de Eärendil.

A explicação de Elrond sobre os motivos dos fazedores de anéis implica que eles eram muito nobres em seus objetivos: “Aqueles que os fizeram não desejariam força, ou dominação, ou acúmulo de riquezas; mas entendimento, ações e curas, para preservar todas as coisas imaculadas.” Nós compreendemos o desejo de “preservar todas as coisas imaculadas”. Os Elfos quiseram criar um pouco de Valinor na Terra-Média através da retenção dos efeitos do Tempo. Mas “entendimento, ações e curas” parece um pouco desnecessário. O que precisaria ser entendido, o que precisaria ser curado, que todos os talentos naturais dos Elfos não seriam suficientes para entender ou curar?

Tolkien dá a entender em um ensaio que era a própria Terra-Média que precisava de cura. Estava poluída, manchada por Melkor, e danificada pela Guerra da Ira. Talvez os Gwaith-i-Mirdain tinham a esperança de criar algo que purificasse o elemento Melkor da Terra-Média. Irônica e tragicamente, eles confiaram nesse mesmo elemento para a criação dos Anéis.

Há uma outra estória envolvendo Galadriel e Celebrimbor. Esse é o conto de Elessar, a pedra élfica que Galadriel deu a Aragorn em nome da Arwen. A estória é, certamente, inacabada, e Tolkien mudou de idéia sobre muitos detalhes. No final, Celebrimbor era para se tornar um ferreiro de Gondolin (mas a estória foi composta antes de Celebrimbor estar incorporado à família de Fëanor) e fez duas Elessar. Uma foi levada para o Oeste por Eärendil e a segunda repôs a primeira e chegou até Aragorn.

O poder das Elessar estava envolvido com a cura e a preservação, e a segunda Elessar é dita como ter sido a maior criação de Celebrimbor depois dos Anéis de Poder. Deve ter sido um objeto muito potente, e a habilidade de Aragorn de curar muitas pessoas em Gondor deve, portanto, ser atribuída em certa medida pela sua posse de uma Elessar.

Desta maneira, parece que os Gwaith-i-Mirdain passavam a maior parte do seu tempo construindo itens mágicos que os Elfos usavam para curar ou preservar pequenas partes da Terra-Média, ou, de outra forma, aumentar seus talentos naturais. A ajuda de Sauron deve ter aumentado a efetividade de seus objetos. Por um tempo eles devem ter transformado os Anéis menores meros “ensaios na arte antes de estar totalmente crescido”, como Gandalf diz. Ele os descreve como sendo “de vários tipos, alguns mais potentes e outros menos”. A frase “vários tipos” é curiosa. Talvez dê a entender que os Anéis menores tinham apenas poderes e propriedades específicas, enquanto os Grandes Anéis, os Anéis de Poder, possuíam muitas propriedades.

Uma preocupação com a preservação e a cura teria dado a Sauron uma linha interna com os Elfos. Ele poderia introduzir mais e mais idéias e ajuda-los em avançar suas metas ao frustrar pequenos saltos. E então, um dia, ele seria capaz de implantar a idéia de criar artefatos poderosos novamente. Eu não acho que Sauron deva ter proposto essa idéia diretamente. Os elfos parecem ter se entusiasmado com tal projeto e, portanto, eles devem ter acreditado que era uma idéia deles mesmos. Uma fraude seria mais engenhosa desse modo. Mas também a fraude pareceria menos manipulativa na superfície, se Sauron estivesse meramente suportanto os Elfos em seus próprios esforços, ao invés de apenas dar a eles instruções explícitas sobre o que deveria ser feito.

E então deve ter ocorrido um razoável número de conversas e planejamentos. Analisar os objetivos do projeto sozinho poderia ter levado meses ou anos. E Por quê? Porque os Gwaith-i-Mirdain provavelmente não queriam que ninguém soubessem o que eles estavam fazendo. As implicações morais do que eles esperavam tentar para retardar os efeitos do Tempo não seriam totalmente compreendidas. Os Anéis de Poder representavam uma nova tecnologia, cujo impacto sobre a sociedade ainda não havia sido medido – uma sociedade que, naquele momento, era dominada pelos Elfos.

Além disso, a natureza secreta do projeto deve ter exigido o menor número de pessoas quanto fosse possível para estar inteiradas a ele. Pode ser que não mais qu
e dezessete Elfos sabiam sobre os Anéis: Celebrimbor e dezesseis outros Gwaith-i-Mirdain, talvez constituindo todos os membros da sociedade. Muitas pessoas dizem que é melhor procurar pelo perdão que pedir. Os Noldor em particular parecem ter favorecido essa filosofia. Quando chegou o tempo de decidir se deviam fazer a tentativa, Celebrimbor e seus companheiros devem ter tido longas discussões sobre as conseqüências morais de fazer qualquer coisa. Talvez no fim eles justificaram sua decisão final ao pesar todo o bem que eles esperavam alcançar contra o possível dano que eles estavam arriscando. Afinal ninguém nunca suspeitou que Sauron pudesse traí-los.

Então, antes dos Anéis serem feitos, os Gwaith-i-Mirdain devem ter tido boas razões para não revelar o que estava acontecendo a ninguém além da própria sociedade. Os Anéis, enquanto iam sendo produzidos, devem ter parecido anéis normais para os outros Elfos, se eles pudessem ser de fato notados. O véu de sigilo deve ter sido sobrecarregado com vergonha e culpa, assim que os Elfos perceberam a traição de Sauron. Imaginem como Celebrimbor deve ter se sentido, sabendo que ele forjou os Anéis em segredo, sabendo agora que Sauron era um antigo servidor de Melkor, agora com o seu próprio Anel Mestre. Quer Tolkien preservasse a rebelião de Celebrimbor (que foi registrada na história descartada de Galadriel e Celeborn) ou mudasse a estória, Celebrimbor teria que confrontar Galadriel com a verdade. Algo terrível havia acontecido, mas algo ainda pior estava para recair sobre os Elfos.

Então, uma vez que Galadriel soube sobre os Anéis, ela aconselhou Celebrimbor a esconde-los. Os Elfos não aceitavam em seus corações o fato de ter que destruir seus próprios trabalhos. Dois anéis foram dados a Gil-Galad, que deve ter sido informado sobre tudo. Quaisquer que tenham sido os sentimentos sobre a imprudência de Celebrimbor, ele também escolheu não destruir os Anéis. O medo de desaparecer deve ter sido muito impregnante na sociedade Noldorin. Então devemos nos perguntar a quem foi contado primeiramente, Elrond ou Círdan? Por um lado, Celebrimbor, Galadriel e Gil-Galad deviam saber que haveria uma guerra. Sauron tinha acabado de tentar escravizar os maiores e mais poderosos dos Noldor. Ele falhou, sua cobertura foi arrancada, e os Elfos souberam que a Terra-Média tinha um Senhor do Escuro novamente. Não era o tipo de situação que exigia que Sauron se escondesse até que a tempestade acalmasse.

De sua parte, Gil-Galad pediu ajuda aos Númenoreanos, mas não contou a eles sobre os Anéis. Tolkien menciona essa omissão nas relações Elfo-Dúnadan na Carta 211 (Letter211): “Eu não creio que Ar-Pharazon soubesse algo sobre o Um Anel. Os Elfos mantinham a questão dos Anéis bastante secreta, conforme podiam…" Então o apelo de Gil-Galad a Númenor deve ter sido muito cuidadosamente escrito. Ele tinha previamente requerido a ajuda de Númenor, enquanto Sauron estava atrapalhando toda a Terra-Média, incitando criaturas maléficas. Antes de Sauron decidir se estabelecer em Mordor, Gil-Galad estava apenas consciente de que algum poder maléfico estava organizando homens e antigos servidores de Morgoth. Mas ele não conseguia achar a fonte de suas preocupações. A revelação de Sauron como o forjador do Um Anel confirmou os piores medos de Gil-Galad. No mínimo ele tinha uma justificativa para começar uma guerra com Sauron.

Númenor mandou homens e mantimentos à Terra-Média, e durante o curso de 100 anos, os Númenoreanos construíram fortes e estoques ao longo dos rios Lhun e Gwathlo. A estratégia total parece ter sido defensiva. Os Elfos sabiam que uma guerra estava se aproximando, mas não sabiam quando. Sauron era poderoso, mas ele não controlou a Terra-Média do jeito que Morgoth fez. E Númenor ainda não comandava os enormes exércitos e navios que um dia iria formar. Um ataque prematuro ainda não havia sido considerado, aparentemente. Talvez Gil-Galad ainda não soubesse onde se estabelecia o domínio de Sauron. Mordor não parecia tão longe de Eriador quando olhamos no mapa, mas havia uma grande distância de cerca de 1000 milhas entre Barad-Dûr e Lindon. E Gil-Galad podia ainda não saber até mesmo em que direção começar a procurar.

Então os Elfos não falaram nada aos seus aliados sobre os Anéis de Poder, ou sobre o que a guerra era realmente. Isso pode ter sido apropriado para a política de sigilo deles de deixar Sauron atacar primeiro. Depois do ataque, justificaria o fato chamar Númenor para mais ajuda. Os Elfos seriam o grupo aflito. Eles já eram, considerando que Sauron havia tentado escravizar os Gwaith-i-Mirdain. Mas o motivo de queixa era moralmente fraco. Que interesse os Noldor tinham ao brincar com o Tempo de qualquer maneira? Porém, mais importante ainda, Gil-Galad parece não ter compartilhado a verdade com o seu povo. Eu duvido que muitos de seus conselheiros teriam conhecimento sobre os Anéis. Alguns dos Noldor podem apenas ter decidido jogar Celebrimbor e os Gwaith-i-Mirdain aos wargs que gastar seu sangue em outra guerra insana.

É claro, quanto mais pessoas descobrem um segredo, menos secreto ele é. Gil-Galad tinha capitães com potencial para mandar ao leste a fim de reforçar Eregion. Por que ele escolheu Elrond? Círdan era um antigo senhor dos Eldar, tendo como experiência as guerras de Beleriand (de fato, ele era o único comandante de campo que sobrevivera às guerras). Glorfindel havia retornado a Terra-Média para ajudar na guerra, de acordo com um breve ensaio que Tolkien escreveu tarde em sua vida. Ele também seria uma boa opção para mandar a Eregion. Mas foi Elrond quem Gil-Galad mandou. Eu acharia que Elrond devia estar presente quando Celebrimbor contou a Gil-Galad sobre os Anéis. Não que os nobres de Gil-Galad teriam se rebelado, mas para que sobrecarregá-los com uma culpa que não era deles?

Mas se o silêncio de Gil-Galad estaria condenando, o que Celebrimbor poderia ou deveria contar aos Elfos de Eregion? Muitos deles parecem ter escapado, por Moria ou fugindo por terra. No entanto, será que eles sabiam sobre o que era a guerra? Eu não acho que a tragédia da loucura de Celebrimbor seria aumentada se sua vergonha o tivesse proibido de confessar o que ele e os Gwaith-i-Mirdain haviam feito. Se eles não estavam contando nada aos Dúnedain pelo bem do sigilo, então também seria melhor não contar nada ao povo de Eregion. E então isso significa que os Anões de Moria não podiam saber sobre o que era a guerra. Tudo o que ia ser falado a todos era que o grande Senhor do Escuro estava chegando.

E ele chegou. Sauron espalhou-se para o norte e atacou tudo o que viu. Ele não apenas invadiu Eregion, como também foi para os Vales do Anduin e as terras ao leste da Grande Floresta Verde. Os Homens do Norte se dirigiram para as florestas e montanhas. Sua cultura foi virtualmente apagada. Muitos Elfos também devem ter perecido. Eregion tombou rapidamente e Sauron a destruiu. Assim como muitos Elfos
escaparam, muitos outros sofreram mortes horríveis enquanto Sauron procurava desesperadamente os Anéis de Poder. Se ele não podia ter os Elfos, ele certamente não queria que os Elfos tivessem sua Valinor na Terra-Média.

A defesa de Ost-Em-Edhil (Fortaleza dos Eldar) deve ter sido particularmente amarga. Na história descartada de Galadriel e Celeborn, conta-se que Celeborn liderou um ataque. O propósito do ataque não é de fato estabelecido, mas pode indicar que Celeborn havia reconhecido a falta de esperança na situação. Celeborn pode ter comandado os Elfos mais inocentes, enquanto os Gwaith-i-Mirdain e seus seguidores teriam ficado para trás para dar resistência à cidade. A última posição de Celebrimbor pode ter sido uma tentativa de reparar o que ele havia feito. Mas ao invés de morrer em batalha e guardar os segredos dos Anéis para sempre com ele, foi dirigido novamente para os degraus da Casa dos Mirdain. Sauron deve ter dado ordens para captura-lo vivo a todo custo. Imaginem os orcs sacrificando a si mesmos, assim como seus ancestrais fizeram ao levar Húrin após a Nirnaeth.

A perda de Eregion mais provavelmente significou que todos os Gwaith-i-Mirdain haviam perecido, e seu segredo vergonhoso foi preservado apenas pelos poucos senhores Eldarin que conheciam a contagem total. Os Gwaith nunca são mencionados novamente, em nenhum escrito. É interessante notar que outra sociedade, ou “escola”, os Lambengolmor (mestres de Línguas), sobreviveram à Guerra. Seu último membro foi Pengolod, que viveu em Eregion. Ele escapou, e após a guerra ele pegou um navio e deixou a Terra-Média. A destruição de Eregion parece indicar que muitos outros grupos antigos e eruditos também pereceram, ou sofreram tão terrivelmente que seus sobreviventes fugiram quando puderam. Numa nota encontrada no apêndice de “O Senhor dos Anéis”, Tolkien diz que os Eldar não tentaram nada de novo na Terceira Era. Pode simplesmente ser que não restou ninguém suficientemente talentoso nas artes sub-criativas para criar novos artefatos.

No despertar da guerra, Gil-Galad teve que reconstruir seu reino. Lindon sobreviveu, mas, sem sombra de dúvidas, sofreu muitos danos. Elrond também sobreviveu. Ele nunca teve sucesso ao reforçar Celebrimbor, mas ao invés disso ele foi dirigido para o norte (talvez com Celeborn). Elrond havia reunido tantos Homens e Elfos quanto pode e resistiu em Imladris. Naquele tempo muitas pessoas aflitas teriam perguntado: “Por quê? Por que essa guerra aconteceu?” E Elrond não seria capaz de responde-las. No entanto, ele tinha que saber a verdade. Sua defesa foi leal e valente, mas foi talvez fortalecida por uma solução nascida da culpa e do desejo de reparar as decisões terríveis que Celebrimbor – seu amigo – havia feito. De certo modo, a Guerra dos Elfos e Sauron marca uma perda final da inocência dos Noldor. Na Primeira Era, aqueles Noldor que eram nascidos em Beleriand conheciam sua história e patrimônio. Na Segunda Era, nenhum realmente sabia a contagem. Era muito perigoso contar a qualquer um. Os Anéis parecem ter tido um efeito muito debilitante no julgamento das pessoas que sabiam sobre eles. Nem Galadriel ou Gil-Galad, que não tinham nada a ver com a forja dos Anéis, conseguiam achar forças para destruir os Três.

Depois da guerra Gil-Galad convocou um Conselho em Imladris. Talvez ali ele finalmente revelou aos outros senhores Élficos o que realmente havia acontecido. Tolkien não nos conta quem compareceu, mas é possível que até mesmo os Númenoreanos foram excluídos do Conselho. Númenor ainda não estava realmente envolvida com a Terra-Média. Gil-Galad teria agradecido e recompensado os Númenoreanos profusamente, com certeza, mas ele não os contou sobre os Anéis de Poder. Seria presumido que Sauron teria achado os Nove e os Sete, uma vez que nenhum dos Elfos sobreviventes os possuíam. Não parece provável que os Elfos pudessem prever o que Sauron pretendia fazer com os Anéis. Por que eles permaneceriam calados se eles sabiam que os Homens e os Elfos poderiam estar sendo pressionados? E ainda, Gil-Galad e seus conselheiros devem ter percebido que Sauron poderia adquirir coisas terríveis com aparatos tão potentes. Então eles devem ter tomado uma postura do tipo “esperar para ver”.

Mas a decisão dos Eldar de não contar a ninguém sobre o Anel dificultou os erros dos Gwaith-i-Mirdain. Pois agora Sauron era capaz de influenciar Anões e Homens com impunidade. Certamente, muitas pessoas perguntam como Sauron ainda podia se locomover sem ser rotulado como inimigo público número 1. Ele deve ter assumido uma nova aparência. Tolkien escreveu que sua forma real era de esplendor, humanóide, embora mais largo que um Homem. Ele parecia gigantesco. E ainda ele poderia ter tomado a forma de um Anão ou de um modesto Drúadan Ele poderia se aproximar virtualmente de qualquer um no disfarce perfeito, ganhar sua confiança, e, finalmente, dado um Anel a eles. Ou pior, ele pode ter incitado tentado as pessoas a procurar os tesouros perdidos dos Elfos. Ambos os Homens e Anões estavam querendo procurar tesouros. Eles provaram isso antes. Então os Dezesseis Anéis de Poder capturados podem ter sido bem engenhosamente deixados em lugares secretos, para um punhado escolhido de Homens e Anões acharem. E eles não te
riam contado a ninguém sobre suas descobertas.

O véu de sigilo, portanto, trabalhou para os fins de Sauron. Ele pode ter falhado ao tentar escravizar os senhores Anões que pegaram os Sete Anéis, mas ele ainda era capaz de corromper seus corações. Os Nove Homens que pegaram os Anéis de Poder se transformaram em espectros e se tornaram os servidores mais terríveis de Sauron. Os Homens que se espalharam pela Terra-Média não imaginariam o que eram esses espectros do Anel, mas os Númenoreanos teriam se lembrado que Sauron era um antigo mestre de fantasmas e feitiçaria. Os servidores do Escuro não necessariamente deviam ser chamados de espectros do Anel. Eles podem ser percebidos como espectros, demônios, ou alguma outra coisa.

Ao passo que a Segunda Era avançara, os Númenoreanos se tornaram mais poderosos, mas então eles tornaram-se divididos. Então mesmo se Gil-Galad pudesse ter considerado revelar o segredo dos Anéis aos seus aliados, a crescente antipatia para com os Elfos entre os Reis e seus seguidores teria desencorajado tal política. Para que jogar lenha no fogo crescente? Os Númenoreanos podiam apenas tão facilmente ter culpado os Elfos por seus problemas como não.

E, no entanto, os fiéis Númenoreanos ficaram ao lado dos Elfos. Eles até mesmo colonizaram terras próximas ao reino de Gil-Galad a fim de continuar a aproveitar a companhia dos Elfos. Quão freqüentemente poderia Gil-Galad e Elrond ter olhado nos olhos dos Homens que os acolheram com total confiança e amizade, e que nada sabiam sobre os Anéis? Séculos de tal amizade deve ter provado ser um grande fardo a eles.

Finalmente, após Númenor ter sido
destruída e todos esperarem que Sauron pudesse estar morto por algum tempo, ele reapareceu com um exército e atacou Gondor. E Isildur espalhou as notícias sobre o ataque a Arnor, e ali Elendil se consultou com Gil-Galad. Obviamente, Sauron não ia ser fácil de se matar, mas os Dúnedain conheciam sua história. Aparentemente, não havia registro de nenhum Maia retornando à vida na Primeira Era. A morte para eles também era uma experiência muito potente. Como Sauron poderia ter sobrevivido? Imaginem as faces culpadas que devem ter confrontado Elendil e Isildur se eles tivessem feito essas questões a Gil-Galad e seus conselheiros. “Ei, caras, vocês não estão nos contando tudo, estão?”.

Então a Última Aliança dos Elfos e Homens teve que ser formada na base da absolvição.Isto é, Gil-Galad teria que contar a Elendil e Isildur o que estava acontecendo. E da parte deles, Elendil e Isildur tinham que perdoar Gil-Galad. Não apenas por si próprios, mas por incontáveis gerações de Homens que não podiam falar por si próprios. Em adição, eles tinham que se dar conta do que aconteceu com os Anéis de Poder perdidos. Os Nazgûl eram conhecidos por aproximadamente mil anos. Naquele tempo, os senhores Eldarin que sabiam sobre os Anéis de Poder devem ter imaginado se havia alguma conexão. De fato, quando os Nove Homens que se tornaram os espectros ainda estavam vivos, Tolkien conta que eles eram grandes reis e feiticeiros. Se eles foram famosos, será que os Elfos ouviram falar sobre seus estranhos poderes? Havia alguma curiosidade sobre eles?

Deve ter sido difícil para Gil-Galad saber tanto sobre os Anéis de Poder. Se Galadriel e ele não conseguiam achar o conhecimento que eles precisavam através de algum tipo de visão (como ela fez com o espelho em Lórien na Terceira Era), eles teriam que falar aos seus espiões e batedores o que procurar, ou eles apenas teriam que esperar e juntar bocados e pedaços de informações ao longo dos séculos.

Alguns leitores são da opinião que a rima do Anel em “O Senhor dos Anéis” deve ter sido composta logo após a Guerra dos Elfos e Sauron. Mas quem quer tenha composto a rima teria que saber quais eram os destinos dos Sete e dos Nove. Até então, não há como demonstrar que os Elfos sabiam algo sobre os Sete antes de estarem livres para falar com os Anões. Os Anões certamente não estavam andando por aí contando às pessoas que eles tinham Anéis mágicos. Então os Nove reis-bruxos que surgiram entre os Homens devem ter sido conspícuos somente em sua longevidade e sua aproximada expectativa contemporânea de vida. E ainda, se os Elfos estavam procurando por sinais dos Anéis de Poder, eles estavam procurando por Dezesseis, não Nove, ou Sete Anéis. O fato de Sauron ter pervertido os Anéis antes de distribuí-los iria, mais para frente, complicar as coisas para os Elfos. Gil-Galad pode não ter realmente entendido o que estava acontecendo até Durin IV ser convidado para a aliança.

Não sabemos com certeza se Durin IV era o Rei dos Longbeards no final da Segunda Era, mas há uma pequena evidência apontando para o seu nome. E a questão dele entrando na aliança não é fornecida. Parece que Gil-Galad e Elendil formaram sua aliança e então marcharam para Imladris. Dali, eles parecem ter mandado mensageiros para a Grande Floresta Verde, Lórien, Khazad-dûm e talvez outras regiões. Eu diria que é mais provável que Gil-Galad teria um segundo “conselho branco” em Imladris. Seria momentâneo como o Conselho de Elrond 3000 anos depois, ou talvez até mais. Nesse Conselho devem ter comparecido reis em atendimento e muitos senhores e príncipes. E seria a primeira vez que os Elfos falariam abertamente sobre os Anéis de Poder para todos os seus aliados.

Seria natural para os convidados querer saber por que eles deveriam se unir à aliança. Sauron vinha aterrorizando a Terra-Média por um longo período de tempo. Mas a sua morte em Númenor e reaparecimento 100 anos depois indicou que ele não estava apenas indo embora. E devido ao fato do problema dos Anéis ter se originado na Terra-Média, pode ser que quaisquer apelos a Valinor tenham chegado em ouvidos surdos. Os Elfos criaram o problema e precisavam resolve-lo. Mas eles não poderiam fazer isso sozinhos. E não serviria para nenhum propósito para os vários reis não-Eldarin proferir recriminação após recriminação. Principalmente uma vez que Celebrimbor e os forjadores dos Anéis estavam todos mortos. As pessoas verdadeiramente responsáveis pelo problema já haviam pagado com as suas vidas, e seu legado estava se tornando um fardo equivalente para todos.

Mas se os Elfos podiam enfrentar e admitir o que eles haviam feito, talvez os Anões fossem convencidos a confessar que foram dados Anéis aos seus ancestrais. Pode ser que Gil-Galad foi capaz, junto com a ajuda de Durin, trazer todos os Sete senhores dos Anões a Imladris. E ao ouvir que os Elfos tinham traído todos não uma vez, mas duas, a maioria dos Anões deve ter escolhido se afastar. Eles manteriam seus Anéis, que obviamente não iam prolongar suas vidas, ou transforma-los em espectros. E eles deixariam o mundo decidir seus próprios assuntos. Isso parece uma atitude bem típica dos Anões. Somente os Longbeards desenvolveram alguma real afinidade com os Eldar, mas os Nogrodians tinham um antigo motivo de rancor para com os Eldar. Os Quatro grupos do leste devem ter sido a minoria, mas eles certamente tinham pouca, senão nenhuma, conexão com os Elfos e os Dúnedain.

Então, deve ser que a rima dos Anéis foi criada nos anos iniciais da Última Aliança. Mais provavelmente foi composta em Imladris, logo após (senão durante) qualquer outro conselho que Gil-Galad realizara com os outros soberanos da Terra-Média. A natureza dos Nazgûl e a possessão dos Nove Anéis desaparecidos deveriam ser inferidas, mas era, a essa altura do tempo, certeza de quem estava com os Anéis. E o melhor segredo guardado da Terra-Média já não era mais de fato um segredo. No entanto, Gil-Galad não teria divulgado quem possuía os Três Anéis. Para mantê-los em segurança, ele deu seus dois Anéis a Elrond e Círdan. No entanto, a rima dos Anéis diz que os Três foram concedidos aos reis Élficos. O compositor da rima, portanto, não poderia ter sabido onde os Três estavam. Ele (ou ela) deve ter acreditado que Gil-Galad, Oropher e Amdir possuíam os Três. Convenientemente, todos os Três morreram em guerra, e ninguém reinvidicou os Três de seus corpos. Então os Elfos e seus aliados devem ter ficado em dúvida sobre quem tinha os Três logo após a morte de Gil-Galad. E essa dúvida seria refletida na rima do Anel se tivesse sido composta após a morte de Gil-Galad.

E isso nos traz à Terceira Era. A Última Aliança foi vitoriosa, e os vencedores semp
re escrevem as histórias das guerras. Sábios em Arnor, Gondor, Khazad-dûm e outras terras devem ter registrado muitas coisas sobre guerras. As bibliotecas de Arnor foram eventualmente perdidas ou destruídas. A sabedoria de Gondor declinou, e a maioria de seu povo esqueceu a maior parte de sua história. Khazad-dûm foi tomada por um balrog, e a maioria do povo de Durin se dispersou ou foi morta. No entanto, algumas pessoas preservaram a sabedoria de antigos eventos aqui e ali. Se a maioria dos homens de Arnor e Gondor em certa época entendeu sobre o que era a Guerra da Última Aliança, eles teriam passado a sabedoria para frente. Pois ainda havia Anéis de Poder ali, e eles eram coisas perigosas.

No fim da Terceira Era, Gandalf tinha poucos recursos para consultar em questões da sabedoria dos Anéis, mas Saruman havia sido o especialista. Ele pode ter achado muitos arquivos que Gandalf não tinha acesso. E Elrond deve ter tido muitas conversas com Saruman sobre os Anéis e aqueles que os fizeram. Ele, sem sombra de dúvidas, conhecera Celebrimbor pessoalmente, e deve ter conhecido alguns outros ferreiros do Anel. Outros membros da casa de Elrond, ou talvez senhores Élficos próximos, assim como Gildor Inglorion, podem ter sido capazes de contar a Saruman sobre a estada de Sauron em Eregion. Algo que Tolkien não nos conta é se Saruman acumulou sua própria biblioteca em Orthanc, após ele ter se estabelecido lá, com cópias de livros e pergaminhos, preservando o conto do Anel.

Deve ter sido útil estudar o conto dos Anéis, para ser capaz de imaginar quem poderiam ser os próximos “caras maus”. Saruman (e os Eldar) não poderiam saber se Sauron pegou os Anéis de volta dos Nazgûl. Não até Gandalf descobrir que Sauron estava reunindo todos os Anéis, em 2851. Mas os Reis Anões estavam desaparecendo. Estavam eles sendo consumidos por dragões, ou caindo nas mãos de aventureiros? O conhecimento de Saruman teria sido muito útil para os Eldar e Istari, uma vez que eles precisavam entender o que Sauron havia feito com os Anéis. E eles precisavam saber quem podia brandi-los também.

No final, o conhecimento dos Anéis deve ter escasseado nos cantos mofados da elite. Os sábios da Terra-Média tinham a tendência de vir de famílias abastadas. E assuntos de contos antigos, que poderiam um dia afetar o bem estar das nações, seriam cuidadosamente acumulados e cultivados pelos senhores dessas nações. Denethor era mestre de muitos segredos, e ele parecia estar totalmente consciente do que o Anel era. O intercâmbio que Gandalf comunica no Conselho de Elrond dá a impressão que Denethor não sabia sobre o pergaminho de Isildur, mas eu não estou convencido. Gandalf não estava exatamente dividindo suas preocupações com Denethor, então por que Denethor deveria ter dividido o que ele sabia sobre os Anéis? Denethor não tinha nenhuma razão para dar informações voluntárias, informações que ele não sabia que Gandalf estava procurando.

Faramir, certamente, era leal a Gandalf, e pôde muito bem ter estado com Gandalf quando o mago estava remexendo entre os antigos registros. Se Gandald confiou em Faramir para ser discreto, então o príncipe pode muito bem ter visto o pergaminho em que Gandalf estava mais interessado, e, portanto, ele pode tê-lo estudado. Então quando Faramir conheceu Frodo e Sam, ele foi capaz de conversar sabiamente sobre o Um Anel. Ele não necessariamente divulgou tudo o que sabia de prontidão, mas Faramir parece ter concordado muito rapidamente com o plano de Gandlaf. Por que isso? Ao menos que tenham contado a ele a história completa da guerra da Última Aliança, Faramir deveria ser bem leigo. Boromir revela que ele sabia sobre o Anel no Conselho de Elrond, mas se surpreende ao saber que Isildur o pegou. É dele a declaração que “se alguma vez tal conto foi contado no Sul, já foi esquecido há tempos”, o que nos leva a crer que ninguém em Gondor lembra do Um Anel.

A resposta deve ser que Boromir somente prestou atenção aos fatos do caso. Isto é, ele estava, provavelmente, somente interessado nos detalhes do poder, e não nas motivações que levavam à criação, nem nos eventos que o cercavam. Boromir era um guerreiro de coração e não muito um sábio de fato. Então Boromir passa uma primeira impressão pobre no leitor até então, enquanto os sábios de Gondor estão preocupados. Faramir conta a Frodo e Sam que a ele e seu irmão foi contada a estória de sua cidade e condados, e que os Stewards preservaram muita sabedoria antiga que somente poucas pessoas acessaram.

O fato da existência do Um Anel (e a existência de um grupo geral de “Anéis de Poder” mágicos) era assim, se não parte da sabedoria comum, então um fato ainda bem conhecido aos soberanos e as classes elitistas da Terra-Média de uma época. Até mesmo Glóin parece saber algo sobre os Anéis quando ele fala no Conselho de Elrond, embora ele saiba menos sobre os Anéis Élficos do que ele indica saber. Pode ser que Dáin tinha aberto a biblioteca de Erebor e havia dado informações a Glóin. Mas Glóin era primo de Dáin, um membro da família real. Parece pouco provável que ele seria completamente excluído dos registros de família. Ele provavelmente sabia tanto sobre a história geral dos Anéis de Poder quanto os mais sábios nobres de seus dias.

O conhecimento dos Anéis de Poder não estaria disponível entre as pessoas mais novas e nações. Os Homens do Norte eram antigos, mas suas culturas haviam evoluído e divergido através dos longos anos da Terceira Era. Os Rohirrim não mantiveram registros escritos, e eles não estavam interessados em questões antigas, exceto quando seus ancestrais figuravam como heróis de canções. Os Homens de Dale e os Woodmen de Mirkwood, mesmo se mantivessem alguns registros, não tinham de fato uma história antiga para sustentar um total relato sobre os Anéis de Poder. Arnor e seus reinos sucessores, Arthedain, Rhudaur e Cardolan, havían caído. Todos os que permaneceram foram os habitantes de Bri, os Hobbits do Condado e o povo de Aragorn. E os Hobbits não estavam muito preocupados com a história em absoluto, quanto mais com história antiga!

E assim que os séculos passaram, os Anéis se tornaram menos e menos importantes para os povos da Terra-Média. Sauron os queria, e o Conselho Branco sabia que eles ainda causariam uma ameaça para os Povos Livres. Mas não havia novas buscas para encontra-los, pois as pessoas que sabiam dos Anéis sabiam que eles eram perigosos. Ou ao menos elas deviam saber que grandes e terríveis guerras foram travadas devido aos Anéis no passado. A história completa provavelmente era conhecida somente por Elrond, Galadriel e Círdan, e mais provavelmente, por Saruman e Gandalf. Talvez alguns outros membros do Conselho Branco conheceram o relato completo também.
Para todos os outros, havia pedacinhos do conto passados de geração em geração.

Então, quando o primeiro ataque de Mordor foi derrotado e Aragorn e Gandalf se encontraram com Éomer e os senhores de Gondor e Rohan, eles foram capazes de falar abertamente sobre o Um Anel. Gandalf parece até mesmo ter confidenciado a Theóden um pouco sobre a jornada do portador do Anel, quando ele trouxe o rei envelhecido ao seu lado e falou com ele. Já era suficiente mencionar o Um Anel. Os Senhores sabiam sobre o que Gandalf estava falando. Eles entenderam que um grande e poderoso talismã estava sendo arriscado. Eles entenderam, essencialmente, que a guerra toda estava realmente sendo travada devido ao Anel.

Poderia-se dizer que gerações de nobres devem ter passado para frente o conhecimento mais básico sobre os Anéis de Poder de uma forma quase religiosamente dedicada. Quando todos os outros contos de dias antigos estavam perdidos ou esquecidos em meio a pergaminhos ilegíveis, os Homens se lembrariam de contar a seus filhos que, em uma certa época, havia um Senhor do Escuro que tinha um Anel terrível. E esse Anel era diferente de todas as outras coisas mágicas na Terra-Média. O conhecimento persistiu onde era mais preciso, então quando o dia chegou, serviu para aumentar a resolução dos Homens que tinham que enfrentar o Senhor do Escuro e rir na sua cara enquanto alguns Hobbits saíam correndo ao lado do Orodruin. Ninguém realmente precisava entender a história dos Anéis para lembrar que eles existiam. As pessoas estavam conscientes de que eles existiam, de uma forma geral e vaga. Mas os longos anos e as devastações arruinaram os Homens, Elfos e Anões que serviram para guardar o segredo contra a antiga vergonha dos Eldar.

Tradução de Helena ´Aredhel´ Felts