Mais uma espécie de “hobbit” é descoberta no sudeste asiático

Agora virou festa: apareceu mais uma espécie extinta de hominídeo nanico, desta vez nas Filipinas. Conto a história na minha reportagem de hoje na Folha de S.Paulo. Confiram abaixo.

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Há 67 mil anos, a ilha de Luzon, onde hoje fica a capital das Filipinas, era habitada por um misterioso parente dos seres humanos que parece ter combinado traços similares aos do Homo sapiens com outros bem mais primitivos.

A criatura, batizada de Homo luzonensis, acaba de ser apresentada à comunidade científica internacional em artigo na revista especializada Nature. O trabalho é assinado por Florent Détroit, do Museu do Homem de Paris, e Armand Salvador Mijares, da Universidade das Filipinas.

Se a análise dos parcos restos mortais do H. luzonensis descobertos até agora estiver correta, a descoberta indica que as ilhas do Sudeste Asiático funcionaram como um grande laboratório da evolução dos hominídeos (ancestrais e parentes próximos do homem) até épocas muito recentes do ponto de vista geológico.

Com efeito, a espécie filipina não é o primeiro caso de hominídeo peculiar a dar as caras nessa região do planeta. Na década passada, os estudiosos da evolução humana foram pegos de surpresa com a descoberta do chamado “hobbit” da ilha de Flores, na Indonésia.

Tal como a raça de seres diminutos de O Senhor dos Anéis, o “hobbit” indonésio media apenas 1,10 m, segundo seus descobridores. Batizado de Homo floresiensis, ele teria vivido entre 200 mil e 50 mil anos atrás, fabricando instrumentos de pedra e caçando parentes anões dos elefantes.

Os achados em Flores não foram aceitos de modo unânime – alguns pesquisadores passaram a defender a ideia de que os indivíduos da ilha não passavam de seres humanos modernos com alguma deficiência grave, como microcefalia. Mas os novos fósseis filipinos parecem indicar que a situação na Indonésia se repetiu em outras ilhas do Pacífico tropical.   

Isso porque, tal como os “hobbits”, os sujeitos achados na caverna de Callao parecem ter sido pequeninos. Até agora, foram desenterrados apenas 13 pedaços da anatomia da espécie – principalmente dentes, além de ossos das mãos e dos pés e um pedaço do osso da coxa. Já é o suficiente, no entanto, para estimar que os restos correspondem a pelo menos três indivíduos.

Comparados com os nossos, os dentes supracitados são minúsculos, apesar de compartilharem algumas características com os do Homo sapiens e de uma espécie ancestral, o H. erectus, que viveu a partir de 1,8 milhão de anos atrás. O detalhe anatômico que mais chama a atenção, no entanto, é o formato de um osso dos dedos dos pés (veja infográfico).

Ocorre que esse osso é curvado, e não relativamente reto, como acontece com os seres humanos modernos. Na verdade, a estrutura é semelhante ao que se vê em esqueletos de australopitecos, os “homens-macacos” africanos mais primitivos que, pelo que sabemos, acabaram dando origem ao nosso gênero, o Homo.

Acredita-se que tais ossos fossem curvados porque os australopitecos ainda eram capazes de passar certo tempo nas árvores, tal como os grandes símios dos quais descendiam, ou então simplesmente porque tinham retido parte das características anatômicas ancestrais.

É bem mais estranho, no entanto, encontrar esse mesmo traço, bem como o peculiar mosaico de anatomia moderna e primitiva, nos ossos do H. luzonensis – e coisas parecidas também são vistas no esqueleto do “hobbit” da ilha de Flores, embora os detalhes de cada espécie sejam bem diferentes entre si.  

Como explicar, então, a convergência entre as duas versões “de bolso” dos hominídeos? Em tese, o tamanho diminuto é o mais fácil de entender. Animais de grande porte costumam ser “miniaturizados” em ilhas após milhares de anos, já que os recursos mais limitados desse tipo de ambiente levam a seleção natural a favorecer corpos menores e que exigem menos alimento. Existiram diversas espécies de elefantes pequeninos nas ilhas do Mediterrâneo, por exemplo. Assim, isolados, ambos os hominídeos teriam se tornado nanicos.

O mais difícil é saber qual forma ancestral deu origem aos dois. O candidato mais óbvio é o H. erectus, que já foi encontrado em boa parte da Ásia e, inclusive, na própria Indonésia. Pelo que se sabe, ele foi o primeiro hominídeo a deixar o berço africano do grupo. Mas os traços primitivos das formas anãs, que lembram australopitecos, poderiam sugerir que alguma espécie menor e mais antiga poderia ter feito a jornada rumo à Ásia de forma independente. Só mais estudos – e, de preferência, mais fósseis – permitirão desfazer o mistério.

Tolkien, as motosserras e o clima do Brasil

Não sei se vocês sabem, mas tenho um plano maligno de espalhar a palavra de Tolkien por todos os aspectos da cultura nacional. (Tá, na verdade eu só tento falar de Tolkien toda vez que tenho uma brecha mesmo). Resolvi citar o professor numa das minhas colunas recentes da página de Ciência da Folha de S.Paulo, sobre o efeito do desmatamento no clima do Brasil. Confiram o texto abaixo.

Sem árvores, o Brasil torra


“O som selvagem da motosserra nunca silencia onde quer que árvores ainda sejam encontradas crescendo”, escreveu J.R.R. Tolkien, o filólogo e autor de “O Senhor dos Anéis”, em carta datada de 30 de junho de 1972, no ano anterior à sua morte. Nisso, e ao classificar as máquinas que queimam combustíveis fósseis de “motores de combustão inferna” (um trocadilho com “interna”), o criador dos hobbits ainda é uma voz profética. Afinal, é bem possível que o tal som selvagem nos carregue um pouquinho mais para perto do Inferno nos próximos 30 anos.

Chame-me de alarmista se assim o desejar, gentil leitor, mas um estudo publicado na semana que passou por cientistas brasileiros aponta justamente nessa direção calorosa (no mau sentido). Ao analisar como o desmatamento tem afetado o clima local no Brasil e no mundo, eles calculam que uma derrubada sem freios pode aumentar a temperatura média do país em 1,45°C até 2050. Como já disse aquele sábio do jornalismo esportivo, 2050 é logo ali, amigo.

Repare que eu disse “clima local” ali em cima. A análise, que está na revista científica de acesso livre Plos One, levou em conta não a quantidade de gases causadores do aquecimento global emitidos pelo desmatamento —algo que vai para a atmosfera e acaba afetando a temperatura média do mundo todo, em certa medida. No lugar disso, o estudo considera as mudanças climáticas de pequena escala geradas quando uma área antes florestada perde sua cobertura de árvores.

A equipe do estudo, que inclui Gisele Winck, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e Jayme Prevedello, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), explica didaticamente que o efeito climático local das florestas depende principalmente de duas variáveis.

A primeira é o albedo –grosso modo, uma medida de quanto o solo reflete ou absorve a luz. A folhagem escura das florestas corresponde a um albedo relativamente baixo, que absorve a radiação solar e, portanto, tende a esquentar.

Entretanto, é preciso a considerar a segunda variável, a evapotranspiração –grosso modo, a maneira como as florestas “suam”. E, nesse caso, a seta aponta para o outro lado: ao transpirar, as florestas refrescam mais a superfície da Terra do que a vegetação mais aberta, como pastagens.

Com esses princípios em mente e com dados sobre cobertura florestal e clima no mundo todo, Winck, Prevedello e seus colegas se puseram a fazer as contas. Acabaram concluindo que a presença de florestas tem efeitos variados dependendo da região do mundo onde se encontram.

Nas regiões tropicais e, em menor grau, nas zonas temperadas, florestas tendem a ter um efeito local de ar-condicionado, diminuindo a temperatura. Perto dos polos, a situação se inverte – basicamente porque, quando não há a folhagem escura da mata, temos chão coberto por neve, que tem um albedo elevado – o branco, afinal de contas, reflete toda a luz solar.

Bem, como você sabe, moramos num país tropical (a parte do “abençoado por Deus e bonito por natureza” tem ficado menos verossímil). Pelos cálculos da equipe, se o desmatamento não for controlado com seriedade, enfrentaremos o calorzinho nada agradável descrito acima daqui a 30 anos. Parece-me uma razão mais do que suficiente para botar uma focinheira nas motosserras selvagens.

por que traduzir os nomes na obra de tolkien?

Além de todas as tretas das traduções novas, existe um ponto mais básico que muita gente ainda questiona: por que, afinal, traduzir nomes próprios na obra de Tolkien? Em nome próprio a gente não mexe, certo? Errado! Neste vídeo, explico em detalhes a lógica por trás dessa decisão, as mudanças de posição de Tolkien sobre o tema e por que, embora necessária, essa abordagem quase nunca dá um resultado perfeito. Bônus: você pode rir da minha cara de mané enquanto eu quase quebro a câmera (e o iPad).

Novo Silmarillion chega ao top 10 dos mais vendidos no Brasil

Taí a imagem que não me deixa mentir: a nova tradução de O Silmarillion, feita para a editora HarperCollins Brasil por este escriba que vos fala, estreou na lista de mais vendidos de ficção da revista Veja neste fim de semana, alcançando a sexta posição.

Vale lembrar que todos os livros de Tolkien lançados pela HarperCollins Brasil até agora chegaram ao top 10 da maior revista semanal do país — além de O Silmarillion, isso também aconteceu com A Queda de Gondolin e Beren e Lúthien. Neste ano também teremos o lançamento das novas traduções de O Hobbit e O Senhor dos Anéis.

Explicando O Silmarillion para quem nunca leu Tolkien

Como explicar O Silmarillion e sua importância literária para quem nunca leu Tolkien? Foi o que tentei fazer, já faz um tempinho, para a revista Diário de Bordo, uma publicação voltada para fãs de Star Trek. Confiram o resultado abaixo e não deixem de conferir a nova edição do Silma, que está lindona!

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É impressionante a quantidade de leitores iniciantes (ou mesmo não tão iniciantes assim) da obra de J.R.R. Tolkien (1892-1973) que, depois de amar O Hobbit e/ou O Senhor dos Anéis, os livros escritos em vida pelo britânico que são quase unanimidade entre os amantes da fantasia, acabam levando uma sova das poucas centenas de páginas da principal obra póstuma dele, O Silmarillion. “Cadê o fio da meada da história?”, questiona um, prestes a arrancar os cabelos. “Mano, é muito nome! Só de gente com o sufixo –fin no epíteto são uns 30”, queixa-se outro.

Sim, sou o primeiro a admitir que o livro é “difícil”. Aliás, foi escrito para ser difícil, em certo sentido. Por outro lado, confesso que sou parte mais do que interessada no destino desse texto esquisito e fascinante. Fui encarregado recentemente de produzir uma nova tradução do livro para o português do Brasil e fiz meu mestrado e doutorado sobre a obra de Tolkien, com ênfase justamente na massa interminável de rascunhos que acabariam dando origem à versão “canônica” de O Silmarillion. Por isso, na melhor tradição do proselitismo (quase) religioso, ouso dizer: regozijai-vos, irmãos! O livro vale a pena. É, na verdade, uma pedra preciosa que precisa ser lapidada pela paciência do leitor para que brilhe em toda a sua glória, como faziam os elfos ou os anãos de outrora com suas gemas mágicas. Encare este artigo como um guia para os perplexos: espero que você passe a enxergar o livro com outros olhos depois de lê-lo.

O Silmarillion, para quem não conhece, é uma espécie de Antigo Testamento do mundo criado por J.R.R. Tolkien (embora a analogia não seja tão boa assim; eu já explico). Do ponto de vista literário e narrativo, trata-se de um livro com uma das abordagens mais take no prisoners do século 20, talvez apenas comparável – por motivos totalmente diferentes, claro – a clássicos modernistas que praticamente ninguém leu, como Finnegans Wake, de James Joyce.

Nessa obra na qual trabalhou durante quase 60 anos de sua vida, e que não chegou a terminar para valer, Tolkien basicamente dá uma banana para as convenções novelísticas tradicionais, aquelas que dizem que é importante você desenvolver de forma equilibrada a psicologia de cada personagem, que é preciso construir conflitos e solucionar os ditos cujos de forma relativamente linear e lógica ou que, horror dos horrores para a geração das maratonas do Netflix, jamais se deve soltar spoilers se você deseja prender a atenção do leitor da primeira à última página.

Bem, não há quase nada dessas regras de boa conduta ficcional no livro. O sujeito que resolver ler O Silmarillion antes de O Hobbit ou de O Senhor dos Anéis (foi esse o meu caso nos idos de 1998) terá diante de si uma seção inteira do volume, a última, batizada de “Dos Anéis de Poder e da Terceira Era”, que não passa de um grande spoiler do que ocorrerá nos dois romances mais famosos de Tolkien. E, mesmo nas seções anteriores do livro, a narrativa é constantemente afetada pela “sombra do futuro”: em alguma medida, já fica claro em que direção caminham os personagens (rumo a quantidades cavalares de sangue, suor e lágrimas, resumindo).

Teogonia, cosmogonia e guerra
Como escrevi alguns parágrafos atrás, a questão é que faz sentido que o livro tenha essa cara aparentemente tão esquisita e dificultosa, porque, atenção para o ponto crucial, ele não é um romance. O Silmarillion é a pedra fundamental do que Tolkien deseja que fosse sua “mitologia para a Inglaterra” (expressão usada por ele em uma de suas cartas a um possível editor, que acabou não publicando seus livros).

Como toda boa mitologia do mundo real, a nova mitologia inglesa criada pelo autor começa com uma teogonia e uma cosmogonia, ou seja, um relato das origens dos seres divinos e do Cosmos. Trata-se, a rigor, de uma visão reimaginada do nosso próprio Universo, no qual a única verdadeira divindade – Eru Ilúvatar, identificado com o Deus judaico-cristão – delega sua tarefa de Criador a “poderes angélicos” que se assemelham superficialmente aos deuses das mitologias que conhecemos. Esses seres, os Valar, precisam enfrentar seu membro mais poderoso, Morgoth, que se rebela contra o desígnio do Criador (qualquer semelhança com Lúcifer não é mera coincidência) e tenta dominar Arda, a Terra, e seus habitantes – elfos, anões, seres humanos e hobbits, entre outros.

Embora os elementos que citei tenham paralelos fáceis de enxergar com mitos pré-existentes e com a Bíblia, a combinação específica deles no livro dá à criação de Tolkien um sabor único. Como estudioso de línguas, manuscritos e narrativas antigas da Europa, ele conseguiu estruturar os ciclos de histórias de O Silmarillion de tal modo que eles parecem refletir uma longa história de transmissão cultural, com grande número de versões e variantes em prosa e verso (se você não gosta de poesia, a boa notícia é que quase não há poemas espalhados ao longo do texto em prosa, ao contrário do que acontece na Saga do Anel ou em O Hobbit). De fato, a qualidade do texto em si está entre os grandes atrativos do livro: longe das descrições detalhadas de lugares e construções de O Senhor dos Anéis, a narrativa é econômica, às vezes seca, de um lirismo arcaico como os mitos que a inspiraram.

Cor-de-rosa? Sério?
Um ponto que vale a pena salientar está ligado a outra crítica recorrente, e altamente injusta, à visão de mundo de Tolkien. De novo, quem só conhece superficialmente O Hobbit e O Senhor dos Anéis por vezes se sente tentado a classificar o filólogo britânico como um otimista incorrigível, um sujeito doido para relatar finais felizes a qualquer custo.

O leitor que diz isso no caso dos livros mais conhecidos se apega ao fato de que “o Bem” vence neles, embora claramente não tenha prestado atenção no preço altíssimo que a Demanda do Anel cobra de Frodo; no fato de que o heroicamente leal Sam, com sua falta de tato, também é o responsável por eliminar a última chance de redenção de Gollum; e por aí vai. As coisas são muito mais sombrias em O Silmarillion, porém. Uma frase enigmática da rainha élfica Galadriel na Saga do Anel – a de que ela e seu esposo Celeborn passaram milênios lutando “a longa derrota” contra as forças das trevas – fica abundantemente clara com a leitura do livro póstumo.

A narrativa principal da obra registra tantas desgraças e resistências heroicas fadadas ao fracasso que o leitor fica esperando que a qualquer momento apareça a frase “E todos morreram. FIM.” Os elfos retratados em tons quase sempre róseos em O Senhor dos Anéis se revelam perfeitamente capazes de guerras fratricidas, megalomania, incesto e genocídio durante a Primeira Era. Os seres humanos incrivelmente longevos, poderosos e sábios da ilha de Númenor, a Atlântida tolkieniana, acabam embarcando numa carreira nada edificante de imperialismo e “satanismo” (ou “morgothismo”, para usarmos uma terminologia mais adequada ao mundo ficcional do autor) que os conduz à ruína. Há algo de podre no reino de Arda, em suma.

Tal retrato da “longa derrota” combina com o forte veio de pessimismo da personalidade de Tolkien, para quem a história humana do mundo real funcionava de acordo com mais ou menos esses mesmos princípios. Mas também é um veículo para que ele exponha uma das grandes lições que costumava depreender das antigas mitologias do norte da Europa. Segundo o escritor, o conceito unificador desses mitos, de origem germânica/escandinava, era a “teoria da coragem do Norte”. Naquelas mitologias, vai acontecer uma espécie de Apocalipse, como nas narrativas judaico-cristãs, mas as profecias dizem que as forças das trevas vão vencer no final. É o que preveem, por exemplo, os textos sobre o Ragnarök (“destruição dos deuses” em nórdico antigo).

Mesmo assim, diz Tolkien num de seus textos teóricos mais famosos, os deuses escandinavos continuam lutando até o fim, e jamais acham que o fato de estarem fadados ao fracasso significa que deveriam mudar de lado. Essa lógica trágica e heroica está condensada de modo admirável em O Silmarillion. Só isso já faz valer a pena encarar as linhas mais complicadas do livro.

Valinor no Nerdcast, vídeo sobre tradução de versos e Tolkien Reading Day!

Tivemos alguns dias bastante movimentados por aqui. Na sexta, por exemplo, foi ao ar o Nerdcast sobre Tolkien com participação deste membro da Equipe Valinor que vos fala e do amigo Cesar Machado, do canal Tolkien Talk. Você pode conferir o Nerdcast 665, com o título “As letras e lendas de Tolkien”, clicando aqui. 

No mesmo dia, aproveitando a contenda em torno da nova tradução do Verso do Anel, publiquei um vídeo explicando como é o método de tradução poética adotado de modo quase universal e aplicado à obra de Tolkien. Confira abaixo.

E, pra não deixar em branco o Tolkien Reading Day ou Dia de Ler Tolkien, li um trechinho da minha tradução de O Silmarillion, mais especificamente do Akallabêth, a Queda de Númenor. De novo, o vídeo segue abaixo.

O novo Silmarillion está chegando – e aqui está a Nota do Tradutor!

Como vocês sabem, tive a imensa alegria de traduzir a nova edição de O Silmarillion que está prestes a chegar a todas as livrarias do Brasil. Aqui vai um dos “Easter eggs” do livro: a nota sobre a tradução que escrevi. Espero que atice o interesse do pessoal da Valinor pelo novo Silma!

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NOTA DE TRADUÇÃO

Quando publicou O Hobbit, sua primeira obra de ficção, J.R.R. Tolkien decidiu incluir no livro uma nota introdutória que começava dizendo o seguinte: “Esta é uma história de muito tempo atrás”. Se essa afirmação vale para as aventuras de Bilbo, ela é incomensuravelmente mais verdadeira para O Silmarillion, uma narrativa que começa com as origens de Eä, o Universo, e de Arda, o Reino da Terra, e narra “as estranhas histórias antes do princípio da História”, como diz, de novo, o narrador de O Hobbit. A linguagem usada por Tolkien nos textos que compõem este livro reflete esse fato de modo muito claro. O narrador e os personagens da obra falam uma língua que está muito longe de ser o inglês coloquial – ou mesmo literário – do século XX. Em muitos aspectos, o estilo e o vocabulário se aproximam do idioma formal de uns 500 anos atrás.

Na presente tradução, tentei refletir ao máximo essa ambição de Tolkien – a de contar uma história do passado primevo numa linguagem que ecoa esse mesmo passado – usando equivalentes que temos à nossa disposição em língua portuguesa. No vocabulário, a opção central foi pelo arcaísmo ou, para ser mais preciso, para palavras que possuem uma história relativamente longa no nosso idioma. De fato, Tolkien em geral não usa palavras esquecidas que ninguém mais entende, mas sim vocábulos “clássicos”, que um inglês da época de Shakespeare (1564-1616) teria tanta facilidade de compreender quanto uma pessoa comum na Oxford dos anos 1960.

Para alcançar esse objetivo, usei apenas termos que estão presentes em português pelo menos desde os séculos XVI e XVII, o que equivale de modo bastante preciso ao vocabulário moderadamente arcaico, mas sempre compreensível, de O Silmarillion. Também procurei usar palavras que respeitem as origens (majoritariamente) latinas do português, mas que, ao mesmo tempo, são da língua corrente das últimas centenas de anos. Evitei neologismos eruditos forjados diretamente a partir do latim e do grego. Elfos e Homens, por exemplo, são “as Duas Gentes”, não “As Duas Etnias”.

A influência da Bíblia e do cristianismo medieval, tanto nas ideias quanto no estilo, é inegável neste volume. Por isso, busquei levar em conta boas traduções da Bíblia para o português no meu trabalho. Os reflexos bíblicos (e o de outros autores pré-modernos) em O Silmarillion aparecem também na estrutura peculiar das frases do livro, seja nas frases construídas com várias conjunções “e” (como no Ainulindalë), seja na ordem inversa das palavras (Tolkien adora começar um parágrafo com um objeto indireto, por exemplo). Tentei manter esses detalhes saborosos ao máximo em português.

Os trechos poéticos da Balada de Leithian que constam do livro foram traduzidos pelo colega Ronald Kyrmse como parte de seu trabalho em Beren e Lúthien, pelo qual eu e todos os entusiastas da obra de Tolkien no Brasil somos muito gratos. Boa leitura!

Entrevista exclusiva com Ricky Whittle, o Shadow de Deuses Americanos!

Tem coisas que só o Valinor faz pra vocês 😉 No ano passado, bati um papo muito interessante com Ricky Whittle, o Shadow da série American Gods/Deuses Americanos, baseada no livro de mesmo nome do mestre Neil Gaiman. Eis aqui o áudio da conversa, em inglês. Temos legendas automáticas em inglês e também em português feitas “no braço”. Confira no canal do YouTube abaixo.

Você também pode acompanhar a íntegra da entrevista em formato de texto abaixo. O resumo está na reportagem publicada aqui no site da Folha. 

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REINALDO – Imagino como deve ser difícil enfrentar esse monte de entrevistas num dia só.

RICKY – Não tem problema, estou cheio de energia, então vai dar tudo certo!

REINALDO – Que bom! Bom, já que você está cheio de energia, posso começar com a pergunta mais chata?

RICKY – Claro!

REINALDO – Você certamente sabe que houve vários relatos sobre problemas quando vocês estavam filmando a segunda temporada. Resumindo, por que você acha que filmar essa segunda temporada foi tão complexo e tão difícil?

RICKY – Há problemas na filmagem de qualquer programa de TV, qualquer filme, de qualquer tamanho. É só a produção, é o que acontece, e não é diferente de qualquer outro programa. O que é diferente é que temos nas mãos um programa que é um monstro, que é enorme.

Então, para nós, o importante é que cada um faça seu trabalho. Nós, atores, decoramos nossas falas, gente como eu e como Pablo Schreiber precisa malhar, temos de comer nossas 5.000 calorias por dia e chegar a um certo peso porque temos de ficar com uma certa aparência, aparecemos no set de filmagem e somos profissionais.

Tenho a benção de fazer parte de um elenco incrível que rala pra caramba, que aparece todo dia para o trabalho com uma ética de trabalho incrível. Eles continuam a elevar os patamares e continuam a ser o melhor elenco conjunto da TV, é incrível. E cabe a nós manter essa responsabilidade para os nossos personagens. Na temporada 1, desenvolvemos esses personagens com Bryan Fuller e Michael Green e estabelecemos esses personagens.

E isso realmente criou raízes em nós e se desenvolveu, e agora eles são parte de nós. Então não importa quem acaba chegando à série. Quando Jesse Alexander veio para a temporada 2, ele não precisou se preocupar com os personagens, porque era nossa responsabilidade manter essa consistência. Assim, se algo não estava muito bem, havia essa enorme colaboração para termos certeza de que tudo prosseguiria sem problemas.

Vai ser a mesma coisa no futuro. Quem quer que se integre à equipe, cabe a nós, atores individuais, manter a consistência e a continuidade dos personagens. Se Shadow diz alguma coisa que não soa certa, cabe a mim dizer “Não acho que ele diria isso, acho que diria algo mais desse jeito”, e aí temos uma conversa a respeito e achamos a melhor solução para seguir em frente.

REINALDO – OK. Falando sobre o próprio Shadow, é um papel difícil, certo? Por que, ao menos no livro, ele é um cara muito taciturno, você raramente sabe o que ele está pensando por meio do que ele fala, tudo acontece dentro da cabeça dele. Como você faz isso na série, onde é preciso ter diálogos, sem mudar demais essa característica do Shadow?

RICKY – Sinto que talvez essa seja a parte mais difícil como ator, para mim, essa coisa de retratar as emoções de Shadow sem falar. Muito da história de Shadow no livro é retratado como monólogo interno, que temos no programa, mas sem palavras. Então meu papel é ter esse monólogo interno na cabeça e mostrar para o público o que ele está pensando por meio das expressões, das reações dele.

Shadow está sempre pensando, em todos momentos e todas as cenas, seja na temporada 1, quando ele fica pensando se o Sr. Wednesday é um velho pervertido, ou um sujeito misterioso, ou um mocinho ou um vilão, ele está sempre pensando em alguma coisa. Sabe, de fato é um grande desafio, mas fica mais fácil com a ajuda de atores como Ian McShane, que é incrível, e eu estou apenas reagindo ao seu trabalho fantástico.

Então às vezes há momentos em que podemos acrescentar uma voz para retratar algo que não está sendo passado diretamente, em outras horas é meu papel transmitir tudo de maneira visual, como reação de atuação. Mas é muito difícil transmitir as nuances desses monólogos internos lindos que Neil Gaiman escreveu no livro e, como ator, minha tarefa muitas vezes é deixá-los “tocando” na minha cabeça para entender o que Gaiman quis dizer e mostrar o que Shadow estava tentando pensar ou está pensando em algum momento específico. Sim, essa é provavelmente a parte mais difícil de representar Shadow.

REINALDO – Outra coisa que as pessoas provavelmente te perguntam muito: você era um leitor de livros sobre mitologia ou folclore antes da série, era algo que te interessava?

RICKY – Não, não me interessava nem um pouco…

REINALDO – De jeito nenhum?

RICKY – De jeito nenhum! Nunca foi uma coisa minha. Quando eu era criança, adorava biografias, adorava ler sobre meus heróis esportivos favoritos, suas lutas e dificuldades e coisas assim, astros do futebol ou Michael Jordan, ou comediantes, como Billy Connolly, que eu adorava. Então eu comecei a estudar mitologia quando a série começou, e passei a descobrir coisas muito interessantes que talvez eu devesse ter aproveitado antes.

Neil Gaiman já escreveu tantos livros do gênero, sobre esses assuntos, mas, tal como Shadow, eu vou aprendendo ao longo do caminho. A série é uma plataforma fantástica, um jeito de educar o mundo sobre várias religiões, mitologias, raças, fés, e é algo capaz de mostrar todas elas em sua verdadeira beleza, de mostrar como cada cultura é bela.

Não é algo que mostre que uma é verdadeira e outra falsa, que meu deus é verdadeiro e o seu é de mentira, mas mostra que eles podem coexistir, que todos existem juntos, contanto que você acredite neles – o importante é acreditar. Nesta nova temporada, temos uma nova personagem, Sam Crow, que é interpretada por Devery Jacobs. Sam Crow é uma lésbica e membro das Primeiras Nações [indígenas americanos]…

REINALDO – É uma personagem muito divertida no livro!

RICKY – Ela é fodona! Pois é, e na vida real Devery Jacobs é uma lésbica e membro das Primeiras Nações! Continuamos esse processo de escolher o elenco a partir do livro. Os fãs estão felizes, mas estamos também representando o máximo possível de pessoas, este é o elenco mais etnicamente diverso da TV e o melhor conjunto de atores da TV. Tomara que continue! Ainda não chegamos lá, mas estamos cobrindo bastante coisa. Espero que no futuro todo mundo seja representado, porque estamos retratando o mundo da maneira como ele é hoje.

Quando Salim e o Gênio apareceram naquela cena de sexo, foi a primeira vez que personagens muçulmanos do mesmo sexo apareceram tendo um relacionamento numa tela de TV. Não deveria ser a primeira vez, porque isso é uma coisa de todo dia, é a vida hoje em dia, então a ideia é retratar o mundo como ele realmente é, sabe, fazer com que todas as pessoas sejam vistas o máximo possível e mostrando a beleza de cada pessoa. Por isso, tenho muito orgulho da série, do que ela representa e do que estamos nos esforçando para fazer, e que isso tenha uma vida longa.

REINALDO – Já que você mencionou a religião, você pessoalmente é religioso ou não?

RICKY – Sim, eu acredito em alguma coisa.

Fui criado como católico, frequentei uma escola católica e tive freiras como professoras, o que foi uma ótima experiência, elas eram adoráveis e muito assustadoras às vezes. Mas agora eu tendo a lidar com a crença da maneira como a mostramos na série.

Eu dou graças antes de cada refeição, mas é mais como um “obrigado”, não é necessariamente para alguém ou algo, é mais como a minha maneira de dizer obrigado a quem quer que seja pela vida que estou levando, porque toda vez que a gente acorda, respira o ar e fica de pé, estou cercado por amigos e familiares lindo, eu amo meu trabalho em “American Gods”, sinto-me muito sortudo e abençoado nessa vida, e por isso sou grato. E sinto que devo dar graças por isso, que a gente não deveria simplesmente existir nesta vida.

Devíamos realmente vivê-la, e sinto que estou vivendo minha vida. Estou vivendo uma boa vida. E por isso sou muito grato, e muito agradecido, e me sinto muito abençoado. Assim, todo dia vou dar graças e sempre agradecer a quem quer que seja por tudo isso.

REINALDO – Legal. É uma bela atitude. Bom, você já falou um pouco sobre o tema dessa próxima pergunta, mas queria saber o que acha. Quando a série estreou, foi um pouco esquisito, mas também muito legal, ver as pessoas dizendo como ela era politicamente relevante, especialmente na Era Trump – considerando que no fundo é uma série sobre imigrantes. Esse tipo de relevância política é algo que é confortável pra você, é algo que traz uma dimensão interessante pro seu trabalho?

RICKY – Eu acho isso incrivelmente importante – e incrivelmente impressionante, porque Neil Gaiman escreveu isso em 2001. E agora virou a série mais politicamente relevante da TV!

Na pré-estreia da série em Los Angeles, ele me disse que daria todo o dinheiro, toda a riqueza, a fama, o reconhecimento, para que esse show continuasse a ser só uma fantasia. Mas infelizmente toda essa fantasia a respeito da qual ele escreveu agora é a vida real.

Todos esses temas – homofobia, racismo, misoginia, controle de armas – todos esses temas que há na série foram jogados por Trump nas primeiras páginas de todos os jornais ao fazer seus comentários ultrajantes para obter algum tipo de marca política.

Então, sinto que é nossa oportunidade e nossa responsabilidade fazer com que a conversa sobre esses temas continue acontecendo, porque minha sensação é que às vezes pessoas negativas vão continuar a dividir nações e oprimir outras pessoas quando o foco deveria ser a positividade, o estímulo para que as pessoas sejam as melhores versões de si mesmas.

E não segregar as pessoas, empurrá-las para longe por causa de sua raça, seu sexo, religião ou o país de onde vêm, isso não tem nada a ver, não passa de uma agenda pessoal. Do meu ponto de vista, o importante é criar um mundo positivo, uma pessoa de cada vez – se eu continuo sendo positivo, é possível que eu consiga transformar você numa pessoa positiva também.

Você não precisa acreditar no que eu acredito, isso não me incomoda. Nós dois podemos vir de países diferentes – é o nosso caso –, podemos ter raças diferentes, ter interesses sexuais diferentes, religiões e crenças diferentes, que seja. Eu julgo as pessoas com base no seguinte: se elas são pessoas boas ou más. E, quanto mais pessoas boas continuarem assim, e quanto mais pessoas más pudemos converter, melhor o mundo será, e vamos poder parar de dividir as pessoas o máximo possível, que é o que aquele homem está tentando fazer.

E não é uma boa estratégia. Os EUA são um grande país por causa de todos os sabores de diferentes culturas. O país inteiro é construído com base na imigração. A não ser que você seja das Primeiras Nações, um nativo americano, todos são imigrantes naquele país, tal como o próprio Trump e suas muitas esposas. Então, acho importante abraçar a riqueza das outras pessoas em vez de provocar o medo, que é um método de controle.

Essa é a minha opinião – mantenha essa positividade e mantenha a grandeza dos EUA do jeito que deveria ser, com diferentes culturas e religiões e fés e crenças, e todo mundo ascendendo como uma coisa só.

REINALDO – Última pergunta, prometo! Em termos de história – se é que você pode contar, se não for spoiler demais –, qual é o núcleo narrativo mais importante da temporada 2? É a House on The Rock/Casa na Pedra?

RICKY – Nós começamos onde tínhamos parado na temporada 1. Na primeira temporada, Laura foi contar a seu marido, Shadow, que ela foi morta pelo Sr. Wednesday, ou por Mad Sweeney por ordem do Sr. Wednesday. Então, quanto e como ela contou a Shadow?

Começamos então com os quatro dentro de um carro – Laura, Shadow, Wednesday e Sweeney –, e as tensões já ficam altas desde a cena 1 do episódio 1. E essa tensão continua a subir até culminar no maior final de temporada possível. É enorme. Os últimos dois episódios são épicos. Seguindo o ímpeto da temporada 1, a segunda temporada só vai ficando cada vez maior.

Continuamos seguindo a linha do tempo do livro, vamos nos encaminhando para a Casa na Pedra, temos alguns momentos incríveis nesse lugar e depois vamos para o salão funerário…

REINALDO – Com o Sr. Ibis…

RICKY – Isso, Shadow vai encontrar o Sr. Ibis e também Bast, que é conhecida dos fãs do livro…

REINALDO – Há uma cena bastante sexy com Bast…

RICKY – Foi uma cena sexy de filmar, não vou mentir, foi bem interessante, para dizer o mínimo. E vamos continuar nessa linha com cenas que não necessariamente estão no livro, então fãs do livro terão um material novo, sobre o qual não sabem nada, que poderão curtir. E isso vai nos levar finalmente até Lakeside.

Neil Gaiman disse, na ComicCon de Nova York, que não chegamos a Lakeside, e que essa seria a temporada 3, e isso está correto, a temporada 3 vai ser em Lakeside. Mas vamos seguir o livro até lá, e vai ser uma temporada ainda melhor que a primeira. Como eu disse, preste atenção no final da temporada, vai ser épico. Se a temporada 1 foi de apresentações, foi “olá”, a temporada 2 vai ser “adeus”.

REINALDO – E vocês conseguiram filmar dentro da verdadeira House on The Rock, ou foi mais no set?

RICKY – Filmamos praticamente tudo na House on the Rock. Mandaram a maioria dos atores até o Wisconsin e… É um lugar de verdade.

REINALDO – Eu sei, eu sei!

RICKY – As pessoas costumam comentar como a casa é maluca no livro. Neil Gaiman na verdade deu uma maneirada…

REINALDO – … em quão maluca a casa é…

RICKY – … em quão maluca a casa é, porque as pessoas não iam acreditar.

Depois de ter estado lá eu mesmo, agora entendo o que ele quis dizer, porque o lugar é MALUCO. A coisa chega a este ponto: nossa série é cheia de efeitos especiais, temos uma equipe maravilhosa de efeitos especiais. Mas com a mágica da House on the Rock, a gente não precisou de efeitos especiais, porque a mágica já é trazida pelo fato de essa casa ser tão incrível. É uma locação de fazer você pirar.

Chris Burn, que é nosso produtor-executivo e diretor, filmou a primeira e a última cena do episódio final, não precisou usar efeitos especiais. Só de filmar no carrossel já foi um negócio mágico. Só de filmar as diferentes salas você já pira e começa a pensar em como eles fizeram isso aqui, como carregaram isso aqui pra cá, por que esse negócio está no meio do nada – a casa é insana, é maluca, recomendo fortemente que as pessoas vão até lá conhecer, é bizarro.

Mas economizou muito dinheiro do orçamento, já que não precisamos de efeitos especiais por causa da insanidade da casa.

REINALDO – OK. Ótimo, maravilhoso, maravilhoso.

Nova tradução de “O Hobbit” CONCLUÍDA!

É com prazer que comunico à comunidade Valinor que, dez minutos atrás, concluí a tradução do último capítulo de “O Hobbit” para a HarperCollins Brasil. Leiam mais em julho, quando sair a nova edição do livro no Brasil. Estou tão feliz que prometo gravar a versão em português das duas canções dos Anãos que apareceram nos filmes de Peter Jackson — no dia em que o livro sair, para não termos spoilers, é claro. Que venha a série The History of Middle-earth (não, ainda não sei quando, mas virá)!

A teologia e filosofia de “O Senhor dos Anéis” no podcast Estado da Arte

Já faz um tempinho, no ano passado, eu e dois colegas estudiosos da obra de J.R.R. Tolkien, Cristina Casagrande e Diego Klautau, fomos convidados para participar do podcast Estado da Arte, num episódio sobre “O Senhor dos Anéis”. Este “videocast” contém a íntegra da conversa, na qual vocês podem ouvir como eu me embanano tentando resumir a trama de mais de mil páginas do livro em menos de um minuto. Tentamos abordar vários aspectos teológicos e filosóficos da obra, muito ligados à fé católica de Tolkien. Confira.

Você também pode acessar a página do podcast para ouvi-lo sem precisar do vídeo.

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