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Disputa de Autores (Fase Final)

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Clara, 9 Mar 2013.

?

Afinal, quem é o melhor?

Enquete fechada 13 Mar 2013.
  1. Fiódor Dostoiévski (defendido pelo Spartaco)

    50,0%
  2. Gabriel Garcia Marques (defendido pela Liv)

    50,0%
  1. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    Vamos dar início à grande Final da
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    , que será entre os vencedores da
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    :

    O russo Fiódor Dostoiévski, defendido pelo Spartaco vs. o colombiano Gabriel Garcia Marques, defendido pela Liv


    Como sempre, não custa lembrar as regras da disputa:


    Vamos começar?

    Liv e Spartaco, fiquem à vontade para postar suas defesas. ;)
     
    • Gostei! Gostei! x 2
  2. Spartaco

    Spartaco James West

    Após as etapas anteriores desta disputa, não é muito fácil mencionar algo mais a respeito de Dostoiévski, afinal, tendo em vista minha limitação em defendê-lo, acho que disse o essencial a seu respeito e de sua magnífica obra.

    No entanto, fico pensando o que podemos ainda destacar como elemento extremamente significativo no sistema estrutural da obra desse gênio, além de sua grande contribuição não só para a literatura russa como mundial? É a posição do autor diante do seu objeto. Posição esta que deposita inteira confiança na capacidade de uma personagem de exprimir a sua própria verdade, pois rejeita qualquer possibilidade dela exprimir a verdade do outro, vale dizer, das outras personagens da trama.

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    Posso concluir que Dostoiévski fez surgir uma literatura que escapa dos limites de toda uma época, quer do ponto de vista histórico-social e geográfico, quer do ponto de vista literário, apontando infinitamente para a modernidade. Portanto, é atemporal.

    Creio realmente que nenhum outro escritor em seu tempo fez isso, pois ao tentar redefinir e assimilar, na estrutura de suas obras, a nova posição do indivíduo no mundo, ele criou uma forma inédita, capaz de exprimir uma nova visão do homem e de sua realidade.

    Por tudo isso, podemos dizer que ele teve influência significativa no processo da evolução da literatura mundial.
     
    • Gostei! Gostei! x 6
    • Ótimo Ótimo x 2
  3. Liv

    Liv Visitante

    Vam' começar? :cheer: :cheer:

    Vou resgatar o que já publiquei/conversei a respeito:

    Na primeira fase da disputa:
    - - - Updated - - -

    E na segunda fase

     
    Última edição por um moderador: 5 Out 2013
    • Ótimo Ótimo x 4
    • Gostei! Gostei! x 3
  4. Liv

    Liv Visitante

    Na real eu vou precisar de uma ajudinha: tem mais alguma coisa a se postar a respeito do Gabo que vocês queiram saber?
     
  5. Spartaco

    Spartaco James West

    Também o meu repertório praticamente se esgotou. Se algum amigo forista quiser saber algo mais sobre Dostoiévski é só falar; caso contrário reporto-me ao que já foi dito nas etapas anteriores.
     
    • Ótimo Ótimo x 1
  6. Liv

    Liv Visitante

    Foda, né. Não pensei que ia passar da segunda fase hahahahahahahah Acho que se a conexão permitir, volto com comentários de outro livro.
     
  7. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    Que tal falarem um pouco sobre influências?

    Por quem foram influenciados e quem influenciaram posteriormente?
     
    • Gostei! Gostei! x 2
  8. Spartaco

    Spartaco James West

    Acho que já mencionei algo a respeito da influência de Dostoievski; com certeza esta não pode ser superestimada: de Herman Hesse a Marcel Proust, de William Faulkner a Alberto Camus, de Franz Kafka a Gabriel García Márquez; virtualmente qualquer grande escritor do século XX não escapou a sua influência.

    Sabemos que ele influenciou decisivamente importantes nomes como Nietzsche, Sartre, Freud, Orwell, Huxley, dentre tantos outros, especialmente no tocante ao existencialismo e expressionismo.

    Nietzsche referiu-se a Dostoiévski como o único psicólogo com que tenho algo a aprender: ele pertence às inesperadas felicidades da minha vida, até mesmo a descoberta Stendhal. Certa vez disse, referindo a Memórias do Subsolo: chorei verdade a partir do sangue. Nietzsche refere-se constantemente a Dostoiévski em suas notas e rascunhos no internato entre 1886 e 1887, além de escrever diversos resumos das obras de Dostoiévski.
     
    • Gostei! Gostei! x 5
  9. Mavericco

    Mavericco I am fire and air. Usuário Premium

    Dostoiévski tem alguma obra que poderia ser encaixada no realismo fantástico? (Ou, no mínimo, uma obra que se pareça com ele?)
    E o Garcia Marquez? Ele tem obras que não são de realismo fantástico? (idem no parêntesis de cima)

    E aproveitando essa parte do post da Liv:

    Vou fazer a pergunta agora pro Spartaco: existem textos do Dostoiévski que não são tão, digamos, pesados, agourentos, pessimistas? (acho que deu pra entender, né? Falo se ele tem "textos cor-de-rosa" e não "textos escuros".)

    O Spartaco falou uma coisa bem legal também num post passado:

    Assim, pelo que eu entendi, é como se Dostoiévski deixasse com que as personagens andassem com suas próprias pernas, visto que ele as trata como se fossem crescidinhas.

    Mas e com o Gabô: existe também isso? Me corrija se eu estiver errado, mas me parece que o realismo fantástico é justamente um movimento contrário em relação a isso: a personagem aos poucos vai perdendo sua forma de exprimir a verdade ante o absurdo da vida ou que aquele momento da vida expõe.

    É isso mesmo ou outros livros do Gabô exploram uma perspectiva parecida com a do Dostô?
     
    • Gostei! Gostei! x 3
    • Ótimo Ótimo x 1
  10. Cantona

    Cantona Tudo é História

    Bom, Mavericco, sei que a pergunta foi pra Liv e que tenho lá minhas limitações, até por ter começado no Márquez agora, mas gosto da História da América Latina e vejo na obra do Gabo inúmeras passagens calcadas em episódios históricos, numa interpretação não mais do colonizador, mas do colonizado.

    Eu, longe de teórico literário, entendo o Realismo Fantástico, vá lá, numa concepção histórica, como resposta latino americana ao racionalismo europeu. Vejo como uma espécie de independência, ou antes, uma tentativa de independência cultural, rompendo com o eurocentrismo. Marquéz, Llosa e Alejo Carpentier, para citar os que tive contato, colocam em suas letras as superstições, as lendas, os sons e as crenças indo-africanas (e mesmo europeias, trazidas pelo colonizador e somadas ao caldeirão cultural da América Espanhola) como práticas cotidianas, não exóticas e menores como foram e continuam sendo tratadas. Longe de negar a tecnologia racionalista do Velho Continente, o Realismo Fantástico busca essa co-existência, trazendo os nossos elementos como fundamentais na construção sócio-cultural, e mesmo político-econômica. É literatura latino americana por latino americanos, numa proposta de nos medirmos por nossa própria régua. Então, penso que os personagens não perdem sua forma de exprimir a verdade ante ao absurdo que a vida impõe. Eles fazem a passagem por esse absurdo e se afirmam por ele.

    Enfim, quis dar meu pitaco.

    - - - Updated - - -

    Ô, Spartaco, tu esqueceu do Lima Barreto?

    Só de birra, vou votar no Márquez.
     
    Última edição: 12 Mar 2013
    • Gostei! Gostei! x 3
    • Ótimo Ótimo x 1
    • Mandar Coração Mandar Coração x 1
  11. Liv

    Liv Visitante

    Olha, de cabeça eu só lembro da Isabel Allende (tem até tópico dela no "Autores da Semana"). Volto depois com mais influências, pode ser?

    Perguntinha complicada. Já li quase todos os livros dele e posso dizer que o realismo mágico está inserido no cotidiano das personagens, arrisco dizer que é como uma parte da personalidade deles, compreende? Como um "jeito" de viver a vida ou sobreviver a ela. A coisa toda está ali arraigada e as personagens vão resistindo as loucuras que a vida apresenta. Por isso acho tão legal tudo o que ele escreve! A vida é um absurdo sem fim e a gente meio que sobrevive a essa maluquice toda, né.

    Acho que o livro que menos tem "realismo mágico" dele é: Notícia de um sequestro.
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    Bom, eu nunca li nada de Dostoiévski, mas concordo contigo em gênero, número e degrau. :dente:
     
    Última edição por um moderador: 10 Mar 2013
    • Gostei! Gostei! x 4
  12. Spartaco

    Spartaco James West

    Que é isso Cantona, foi apenas um lapso de memória. :doh:
     
    • LOL LOL x 3
  13. Liv

    Liv Visitante

    Nem vem, Spartaco. O voto dele é pro Gabo! :grinlove:
     
  14. Spartaco

    Spartaco James West

    Sobre essa primeira indagação do Mavericco, posso salientar que segundo Joseph Frank, o autor da principal biografia de Fiódor Dostoiévski, menciona em seu livro Pelo prisma russo (p. 167-184), que o autor russo inaugurou uma nova forma de literatura confessional irônica, que ele próprio denominou de realismo fantástico:

    Ainda de acordo com Frank, já em seu primeiro romance Gente Pobre temos uma introspecção sutil e estarrecedora da interioridade humana, por isso Diévuchkin (personagem dessa obra) demonstra uma capacidade de questionamento e de indignação perante a padronização do próprio indivíduo e reivindica a sua singularidade recusando ser comparado com Akaki, personagem d’O Capote de Gogol, e dotado de consciência de sua situação e de posse de uma linguagem própria, expressa suas idéias reagindo às ofensas dirigidas a ele. O perceptível é o enfoque da singularidade e autonomia que Dostoiévski confere as suas personagens constituindo, assim, sua originalidade diante dos seus contemporâneos ou, até mesmo, de seus antecessores. Por isso é que ele afirma, em uma de suas correspondências dirigida a seu irmão, que:

    Ou seja, não entenderam a dinâmica e o realismo fantástico impregnado em suas obras que anunciava o novo que consistia numa mescla do absurdo e do trágico, do extraterreno e do transcendente como força que controla a vida humana.
     
    • Gostei! Gostei! x 3
    • Ótimo Ótimo x 1
  15. Pips

    Pips Old School.

    Spartaco, por que "Os Irmãos Karamazov" é tão incrível? Você poderia nos dizer como a obra influenciou Freud exatamente?
     
  16. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    • LOL LOL x 5
    • Mandar Coração Mandar Coração x 1
  17. Spartaco

    Spartaco James West

    Para responder a essa indagação peço vênia para transcrever um trecho do ensaio de autoria de Bruno Wagner de Souza Santana:

    Freud se utiliza de três grandes obras literárias para exemplificar o que vinha querendo dizer com seus conceitos: Édipo Rei de Sófocles, Hamlet de Shakespeare, e Os Irmãos Karamázov de Dostoiévski.

    Cabe lembrarmos aqui que, em 1927, Freud juntou à tragédia antiga e ao drama shakespeariano uma terceira vertente: Os Irmãos Karamázov. Este romance de Fiódor Dostoiévski é considerado o mais freudiano dos três, pois em vez de mostrar um inconsciente disfarçado de destino (como Édipo Rei) ou uma inibição culpada, ele põe em cena, sem máscara alguma, a própria pulsão assassina, isto é, o caráter universal do desejo parricida: cada um dos três irmãos, com efeito, é habitado pelo desejo de matar realmente o pai.


    Otto Maria Carpeaux, na introdução que faz à obra em questão, nos diz:

    Em Dostoiévski, a frequência de cenas de masoquismo tem uma razão pessoal: o grande escritor nunca dissimulou os seus próprios maus instintos, antes exibindo-os cruelmente nas suas obras, a menos que a censura do subconsciente o impedisse. Este último caso se deu nos Irmãos Karamázov. Mikhail Andreievitch Dostoiévski, o pai do escritor, foi assassinado pelos próprios servos, fato que lembra imediatamente o assassinato do velho Karamazov pelo bastardo Smerdiakov; e o romance presta-se muito bem para explicações psicanalíticas. Desde Sófocles, o “complexo de Édipo” não encontrou maior realização artística do que no romance em que três filhos do terrível pai são suspeitos do parricídio, do qual é o verdadeiro culpado o quarto filho. Não há dúvida de que o conflito subconsciente está na raiz da obra. Mas a solução do conflito leva o autor para outras regiões, por assim dizer, para regiões da superestrutura da alma.

    Como já disse em uma das fases anteriores, a grande obra-prima de Dostoiévski é, sem dúvida nenhuma, Os Irmãos Karamazov. Trata-se de um romance único, que alcança as profundezas e os mistérios da alma humana. Ali encontramos assassinato, guerra, miséria, suicídio, loucura, religião e ateísmo. Apesar de todos esses elementos já aparecerem, em algum momento em outros livros, como Humilhados e Ofendidos, O idiota e Os Demônios, é naquele que tais temas são abordados de maneira pormenorizada e que o transformou na maior obra da história, segundo Sigmund Freud.
     
    • Ótimo Ótimo x 3
  18. Clara

    Clara Que bosta... Usuário Premium

    E não é que o Cantona votou mesmo no GG Marques?

    :lol:

    - - - Updated - - -

    Só sete votos até agora? :ahn?:

    Vamos lá, gente.
    A enquete acaba amanhã hoje à noite!



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    Morpheus está gentilmente te convidando a votar.
    (Caso contrário vai até aí te encher de porrada.)
     
    • LOL LOL x 1
  19. Spartaco

    Spartaco James West

    A respeito da questão levantada pelo Mavericco, podemos dizer que O Eterno Marido (1870), embora tenha a sua dose dramática, é um dos livros mais cômicos e engraçados de Dostoiévski. Além disso, trata-se de um livro curto e leve.

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    Ele foi alvo de comentários e análises no extinto Clube de Leitura do fórum Meia Palavra, mas para quem não leu, o tema central da obra é a infidelidade.

    É interessante observar que em determinado ponto do livro, o protagonista afirma que algumas mulheres parecem ter nascido para serem infiéis, mas que, para esse tipo de mulher, existe um tipo de homem correspondente: o eterno marido. A trama está cheia de surpresas e o suspense é conduzido de modo magistral até o respectivo final.

    Com O Eterno Marido, Dostoiévski é exaltado por especialistas justamente por ter adiantado nessa obra muitas das questões que seriam desenvolvidas pela psicanálise nos anos seguintes.
     
    Última edição: 13 Mar 2013
  20. Liv

    Liv Visitante

    Pois é, sete votos é tão pouco!
     

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