21 de maio de 2012

Por que Tolkien é mitologia

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Relendo "Os Filhos de Húrin" pela enésima vez (não leu ainda?! Vassuncê tá esperando o quê, mizifi?), pus-me a refletir porque, em seus melhores momentos, o texto de Tolkien é tããão parecido com mitologia "de verdade", da legítima, da pura. (Reflexão que só podia ser coisa de doutorando em Letras veadinho feito eu, veja você.) A pista para matar a charada estava nas minhas fuças, no emaranhado de frases de "Os Filhos de Húrin". Tolkien é mitologia porque SOA COMO mitologia, porque a trama do estilo do Professor é construída de maneira inerentemente mitológica. Tentarei … [Leia mais...]

Faça amor, não faça guerra? O caso de Númenor

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Uma das críticas mais manjadas (e infundadas) contra a obra de Tolkien é que ela seria "unidimensional". Em linguagem de homem: tudo estaria preto no branco demais. Bonzinhos são muito bonzinho, mauzinhos são muito mauzinhos, enquanto "todos nós" (aquele "nós" malandrinho que inclui todas as pessoas tão inteligentes quanto o sábio que está falando) sabemos que "no mundo real" a coisa é mais complicada, com inúmeros tons de cinza. Pode até ser -- embora às vezes eu desconfie que essa conversa seja a desculpa perfeita pra lavar as mãos quando a situação exige uma forma de … [Leia mais...]

A história de "O Hobbit" – Gollum bonzinho

Tirith-Aear

Os leitores atuais da Saga do Anel sabem que Bilbo inicialmente disse que Gollum havia dado o Anel "de presente" após o desafio das adivinhas. Só depois, prensado (oops! no bom sentido!) por Gandalf, é que o hobbit finalmente contou a verdade sobre o misterioso artefato. O que pouca gente sabe é que essa mudança se deve ao texto original, da primeira edição de "O Hobbit", no qual Gollum, incrivelmente, de fato estava disposto A CEDER O ANEL (oops! de novo, no bom sentido!) a Bilbo. Assim mesmo, na boa, sem luta. Após escrever "O Senhor dos Anéis", quando o Anel se tornou muito mais … [Leia mais...]

Tolkien reimagina mitologia escandinava em novo livro

Logotipo Valinor: Escudo com Valacirca

Como você deve ter depreendido do parágrafo acima, "The Legend" não tem nada a ver com a Terra-média, em princípio. Não é um livro pra qualquer um, no melhor dos sentidos. São estrofes e mais estrofes, com oito linhas cada uma, da esquisitíssima (pros nossos ouvidos) rima aliterativa germânica, aquela na qual o que importa é a presença dos mesmos sons (consonantais ou de vogais) nas sílabas tônicas das principais palavras do verso. (É, é complicado, mas a sonoridade pode ser belíssima, como é nesse caso ou nos poemas/canções de Rohan no SdA.) A intenção de Tolkien era … [Leia mais...]

A história de "O Hobbit": Beren e Lúthien?!

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O que está em jogo, na verdade, é como Tolkien concebia o mundo de "O Hobbit" desde o começo. Lembra-se de que, quando o livro começou a ser escrito, ele já estava trabalhando nos textos que dariam origem a "O Silmarillion" havia quase 20 anos. Já vimos há alguns dias que o Professor citou até o deserto de Gobi nas primeiras versões do capítulo inicial do livro. Será, então, que a história ocorreria numa época bem mais próxima da nossa? Não se levarmos em … [Leia mais...]

A história de "O Hobbit" – O que há num nome?

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Quem já leu a biografia de Tolkien escrita por Humphrey Carpenter talvez já tenha ouvido a história. Resumindo, originalmente o nome de Thorin Escudo de Carvalho era... Gandalf. Boa. Já o mago cinzento era conhecido como Bladorthin. O dragão Smaug era Pryftan, Beorn era Medwed, e por aí vai. Até aí, nada a surpreender, aparentemente. Tolkien era famoso por refinar e refinar até a exaustão dos seus personagens. O engraçado, no entanto, é perceber como esses nomes DURARAM nos rascunhos de "O Hobbit". … [Leia mais...]

Ciência da Terra-média: as terras debaixo das ondas

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Ocorre que, na época em que Tolkien escrevia "O Senhor dos Anéis", havia uma lacuna importantíssima no conhecimento geológico. É que a comunidade científica não aceitava a tese da deriva continental, que postula que os continentes navegam lentamente pela crosta terrestre, na velocidade em que as unhas da sua mão crescem, boiando sobre "balsas" -- as chamadas placas tectônicas. A deriva dessas placas explica porque um dia Brasil e África estiveram ligados no pedaço onde hoje existe o oceano … [Leia mais...]

Os alfabetos cientí­ficos de Tolkien

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Desconfio que, para grande parte do público e da crítica menos entusiasmada com a obra tolkieniana, poucos elementos do trabalho do escritor são mais desprezivelmente nerds do que o uso de alfabetos especialmente criados para o mundo da Terra-média. Para essas pessoas, a única utilidade dessas construções elaboradas é enfeitar frontispícios de livros - ou se transformar em tatuagens nos ombros de fãs igualmente nerds. Trata-se, no entanto, de um preconceito injusto. Tal como a invenção de idiomas ou a … [Leia mais...]

Ciência da Terra-média: Nomenclatura tolkieniana

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O pessoal andou reclamando que a última edição do Ciência da Terra-média estava impenetrável, difícil de entender, o escambau. Então, em deferência aos nobres leitores, vamos a um tema leve e divertido: como a mitologia tolkieniana influenciou os nomes em pseudolatim que os cientistas dão aos seres vivos.   "Pseudolatim" é meio sacanagem, eu sei, mas o fato é que a nomenclatura binomial -- gênero mais espécie, como em Homo (gênero) sapiens (espécie) -- é um … [Leia mais...]

"O Hobbit" virado do avesso — ou quase

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Que o gentil leitor da Valinor me perdoe se pareço colocar o carro na frente dos bois com a primeira parte desta série sobre a história do clássico "O Hobbit". No entanto, convém que começos sejam acompanhados de uma dose considerável de impacto, o que me levou a tomar a decisão de principiar com informações que são do conhecimento de poucos leitores de Tolkien, mesmo os mais fiéis. Estou falando da revisão radical do livro, que o Professor iniciou por volta de 1960 e acabou abandonando tempos … [Leia mais...]

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