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Mimos para os primeiros compradores de "The Children of Hurin"

Para o lançamento mundial de "The Children of Hurin", a Tolkien Society e a livraria Waterstone's oferecerão um mimo para os primeiros 50 compradores do livro: as cópias virão assinadas por Christopher Tolkien.
 
 
Outro agrado para os fãs é a presença de Alan Lee, que assinará livros das 10 da manhã até às 3 da tarde. O lançamento também contará com a presença de Bernard Hill (que interpretou Théoden na trilogia O Senhor dos Anéis), fazendo uma leitura do primeiro capítulo do livro.
 
Gil-galad

O Parentesco de Gil-galad

Meu pai originalmente supôs que Gil-galad era o filho de Felagund Rei de Nargothrond. Esta informação provavelmente é encontrada pela primeira vez no texto FNII da Queda de Númenor (HoME 5 pag 33); e continuou sendo sua crença até após o término de O Senhor dos Anéis, como visto no principal texto inicial do Conto dos Anos e no Sobre os Anéis de Poder, onde, no texto publicado (O Silmarillion) Fingon é uma alteração editorial de Felagund.

 

Em adições de data incerta feitas no Quenta Silmarillion (HoME 11 pag 242) é dito que Felagund enviou sua mulher e filho Gil-galad de Nargothrond para os Portos de Falas para garantir-lhes segurança. Deve ser notado também no texto do Conto dos Anos acima referido que não apenas Gil-galad era o filho de Felagund mas Galadriel era irmã de Gil-galad (e portanto filha de Felagund). Surgiu, contudo, nos Anais Cinzentos de 1951 (HoME 11 pag 44 $108) que Felagund não tinha esposa, pois à Vanya Amarië a quem ele amava não foi permitido deixar Aman.

 

Aqui algo deve ser dito sobre Orodreth, filho de Finarfin e irmão de Felagund, que  tornou-se o segundo Rei de Nargothrond. Nas árvores genealógicas dos descendentes de Finwë, que podem ser datadas de 1959 mas que meu pai continuava utilizando e alterando quando esreveu o texto sobre The Shibboleth of Feanor, a curiosa história de Orodreth pode ser traçada. Colocada o mais concisamente possível, Finrod (Felagund) a início tinha um filho chamado Artanaro Rhodothir (e portanto contradizia a história dos AnaisCinzentos de que ele não tinha esposa) o segundo Rei de Nargothrond e pai de Finduilas. Portanto “Orodreth” fora agora movido para uma geração abaixo, tornado-se o filho de Finrod ao invés de seu irmão. No próximo estágio meu pai (recordando, aparentemente, a história dos Anais Cinzentos) anotou que Finrod “não tinha filhos {ele deixara a esposa em Aman)” e moveu Artanaro Rhodothir para se tornar,

ainda na mesma geração, o filho do irmão de Finrod, Angrod (que com Aegnor manteve Dorthonion e foi morto na Batalha das Chamas Repentinas).

 

O nome do filho de Angrod (ainda mantendo a identidade de “Orodreth”) foi então alterado de Artanaro para Artaresto. Em uma nota isolada encontrada com as genealogias, escrita com grande rapidez mas ainda assim datada, Agosto de 1965, meu pai sugeriu que a melhor solução para o problema do parentesco de Gil-galad era encontrá-lo como “o filho de Orodreth”, ao qual aqui é dado o nome de Artaresto, e continua:

 

Finrod deixou sua esposa em Valinor e não tinha filhos no exílio. O filho de Angrod era Artaresto, que era amado por Finrod e escapou quando Angrod foi morto, e morou com Finrod. Finrod fez dele seu “regente” e ele o sucedeu em Nargothrond. Seu nome Sindarin era Rodreth (alterado pata Orodreth devido ao seu amor pelas montanhas ……. Seus filhos eram Finduilas e Artanaro = Rodnor mais tarde chamado Gil-galad. (A mãe deles era uma dama Sindarin do Norte. Ela chamou seu filho Gil-galad). Rodnor Gil-galad escapou e eventualmente chegou à Foz do Sirion e foi Rei dos Noldor lá.


 

As palavras que eu não consegui ler aparentemente contém uma preposição e um nome próprio, e este último pode ser Faroth (o Alto Faroth a oeste do rio Narog). Na última das tabelas genealógicas Artanaro (Rodnor) chamado Gil-galad aparece, com uma nota de que “ele escapou e morou na Foz do Sirion”. A única mudança posterior foi a rejeição do nome Artaresto e sua substituição por Artaher, Sindarin Arothir; e portanto nos apêndices Arothir [Orodreth] é nomeado como o “parente e regente” de Finrod, e Gil-galad é “o filho de Arothir, sobrinho de Finrod”.


A genealogia final era:

 

                              Finrod Felagund ---- Angrod
                                               |
                                   Artaher/Arothir [Orodreth]
                                               |
                                  Artanaro/Rodnor/Gil-galad

Uma vez que Finduilas permaneceu sem correção na última genealogia como a filha de Arothir, ela tornou-se irmã de Gil-galad.* 

Portanto não há dúvidas de esta era a última palavra de meu pai sobre o assunto; mas nada de sua concepção tardia e radicalmente alterada tocou as narrativas existentes e foi obviamente impossível incluí-las no Silmarillion publicado. De qualquer modo teria sido muito melhor deixar o parentesco de Gil- Galad obscuro [N.T. no Silmarillion publicado].

 

Também devo mencionar que no texto publicado sobre Aldarion e Erendis (Contos Inacabados) a carta de Gil-galad para Tar-Meneldur abre ”Ereinion Gil-alad filho de Fingon”, mas o original era “Finellach Gil-galad da Casa de Finarfin” (onde Finellach foi mudado de Finhenlach, e este de Finlachen). E também no texto de Uma Descrição da Ilha de Númenor (Contos Inacabados) eu imprimi “Rei Gil-galad de Lindon” onde o original era “Rei Finellach Gil-galad de Lindon”; eu mantive, contudo, as palavras “sua parente Galadriel”, uma vez que Fingon e Galadriel eram primos de primeiro grau. Não há traços entre as muitas notas e sugestões escritas nas tabelas genealógicas da descendência proposta de Gil-galad a partir de Finarfin; mas de qualquer forma Aldarion e Erendis e o proximamente relacionado Descrição de Numenor precediam por algum tempo (eu agora sou inclinado a datá-los de cerca de 1960) a tranformação de Gil- Galad no neto de Angrod, com o nome Artanaro Rodnor, que aparece pela primeira vez como uma nova decisão na nota de Agosto de 1965 citada acima. Uma análise muito mais detalhada do admitidamente complexo material do que a que eu fiz vinte anos atrás torna claro que Gil-galad como filho de Fingon (ver HoME 11 pag 243) era uma idéia efêmera.

 

[Nota do Tradutor]* O texto acima é de Christopher Tolkien, com excessão do trecho em itálico, que é do próprio Tolkien. Interessante reparar nesse texto, além do mea culpa de Christopher quanto ao parentesco incorreto de Gil-galad publicado no Silmarillion, o número de “influências editoriais” exercidas por ele sobre os textos do pai.

Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média

"Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média" (Unfinished Tales of Númenor and Middle-earth) foi publicado pela primeira vez em 1980, sete anos após a morte de Tolkien. Como o título indica, o livro abriga diversas narrativas que não estão concluídas, seja por realmente chegarem a um final abrupto, com indicações vagas de como a história continuaria a partir dali, seja por possuírem diversas versões conflitantes, sem que Tolkien tivesse optado definitivamente por nenhuma delas.
 
 

E é justamente esse um dos grandes charmes de "Contos Inacabados": o livro permite que o leitor descubra a riqueza do gênio criativo de Tolkien e sua obsessão pela perfeição nos mínimos detalhes. O escritor que vemos nos "Contos" é alguém que tem uma relação dinâmica, viva e nem um pouco estática com sua criação, refinando aqui e ali com a delicadeza de um ourives, criando para seus personagens diversas origens e "tradições" que contam sua história. A semelhança com uma mitologia "verdadeira", criada por um povo em séculos de tradição oral, é impressionante: como os grandes mitos gregos, as lendas tolkienianas são riquíssimas em variantes e mutações no decorrer do tempo.

Mas o outro grande atrativo dos "Contos" é a variedade de cenários, e as informações reveladas sobre personagens e ambientes até então obscuros. O livro está dividido em seções correspondentes às Três Eras da Terra-média, com narrativas ligadas a essas respectivas épocas, além de uma última seção com temas diversos. Na Primeira Era, o leitor encontra as histórias de Tuor e de sua chegada a Gondolin, bem como a de Túrin Turambar, ambas com incrível riqueza de detalhes se comparadas aos capítulos de "O Silmarillion" que tratam dessas mesmas personagens.

Na seção dedicada à Segunda Era, temos a única narrativa em prosa sobre Númenor em seu apogeu que conseguiu sobreviver à Queda, além da "História de Galadriel e Celeborn", texto que fornece uma visão ampla do desenvolvimento da rainha de Lórien como personagem, além de informações extremamente interessantes sobre Amroth e Nimrodel. Na Terceira Era, o panorama é ainda mais vasto e fascinante: a história da morte de Isildur, o início da amizade entre Gondor e Rohan, o relato de Gandalf explicando como ele convenceu Thorin a aceitar Bilbo para a jornada até Erebor. Finalmente, a seção final conta com ensaios fantásticos sobre os Drúedain, os homens selvagens que ajudaram Théoden em sua jornada para Gondor, sobre os Istari (os Magos) e os poderes e funcionamento dos palantíri.

"Contos Inacabados", assim como "O Silmarillion", possui amplo indíce onomástico, além de notas escritas por Christopher Tolkien. O livro vem com o mapa da Terra-média que aparece em "O Senhor dos Anéis", além do único mapa da ilha de Númenor feito por Tolkien. Já existe a edição portuguesa dos "Contos", da Editora Europa-América, e a Editora Martins Fontes está prometendo uma versão brasileira do livro para 2001.

Uma nota sobre o Capí­tulo 22 Da Ruí­na de Doriath do Silmarillion publicado

[Nota do Tradutor: Texto de autoria de Christopher Tolkien, contido
no HoME 10. Junto ao texto "Sobre o parentesco de Gil-galad, já
traduzido e publicado na Valinor, este texto é essencial para o estudo
e quantificação da influência pessoal de Christopher Tolkien em "O
Silmarillion" publicado. O ponto-chave de ambos os textos não são as
minúcias sobre o real parentesco de Gil-galad ou qual a melhor solução
possível para "A Queda de Doriath" e sim a interferência pessoal
inserido por C. Tolkien em todo "O Silmarillion", que é muito mais
ampla e intrusiva do que costuma-se imaginar. C. Tolkien não se
contenta com sua postura de editor dos textos do pai e assume um
indevido papel de co-autor, mas não vou me alongar sobre o assunto
neste momento pois o mesmo é merecedor de um ensaio especial e bem mais
cuidadoso a ser publicado dentro em breve na Valinor.]
 
 
 
Exceto por uns poucos detalhes em textos e notas não publicados, tudo
que meu pai escreveu sobre o assunto da ruína de Doriath já foi
lançado: da história original no "Conto de Turambar" (HoME II.113-15) e
no "Conto do Nauglafring" (HoME II.221 e próximas), passando pelo
"Rascunho da Mitologia" (HoME IV.32-3, com comentários 61-3) e o
"Quenta" (HoME IV. 132-4, com comentários 187-91), junto ao pouco que
pode ser visualizado no "O Conto dos Anos" e em algumas poucas
referências tardias. Se estes materiais forem comparados à história
contada em "O Silmarillion" publicado percebe-se logo de início que
este último foi fundalmentalmente alterado, para uma forma que em
certas características essenciais não existe referência alguma mesmo
nos próprios escritos de meu pai.

Existem alguns problemas bastante evidentes com a antiga história. Se
ele voltasse a trabalhar nela algum dia, meu pai sem dúvida encontraria
alguma outra solução que não aquela no "Quenta" para a questão "Como o
tesouro de Nargothrond foi levado a Doriath?". Lá, a maldição que Mîm
pôs sobre o ouro à sua morte "caiu sobre os seus possuidores. Cada um
dos companheiros de Hurin morreu ou foi morto em lutas na estrada; mas
Hurin foi a Thingol e pediu sua ajuda e o povo de Thingol levou o
tesouro para as Mil Cavernas". Como é dito no HoME IV.188, "isto
arruína o gesto, se Hurin deve chegar diretamente ao rei para enviar o
ouro com o qual então ele foi humilhado". Parece para mim mais provável
(mas isto é mera especulação) que o meu pai reintroduziria os
fora-da-lei dos antigos Contos (HoME II.113-15,222-3) como os
portadores do tesouro (mas não a dura batalha entre eles o os Elfos da
Mil Cavernas): nos escritos desordenados ao final do "The Wanderings of
Hurin" Asgon e seus companheiros reaparecem após o desastre em Brethil
e vão com Hurin a Nargothrond.

Como ele trataria o comportamente de Thingol com relação aos Anões é
impossível dizer. A história só foi contada inteiramente uma vez, no
Conto do Nauglafring, no qual a conduta de Tinwelint (precursor de
Thingol) estava em completo desacordo com a concepção posterior do rei
(ver HoME II.245-6). No "Rascunho da Mitologia" nada mais é dito sobre
o assunto além de que os Anões foram "expulsos sem pagamento", enquanto
no "Quenta" "Thingol… não cumpriu adequadamente sua prometida
recompensa por seus trabalhos; e palavras amargas surgiram entre eles,
e houve uma batalha nos Salões de Thingol". Parece não haver dicas ou
pistas nos escritos posteriores (no "Conto dos Anos" a mesma frase é
utilizada em todas as versões "Thingol discutiu com os Anões"), exceto
uma encontrada nas palavras transcritas do "Sobre Galadriel e
Celeborn": Celeborn em sua versão da destruição de Doriath ignora a
parte de Morgoth "e os próprios erros de Thingol".

No "Conto dos Anos" meu pai parece não ter considerado o problema da
passagem de um exército Anão para o interior de Doriath apesar do
Cinturão de Melian, mas ao escrever as palavras "não pode" na versão D
ele mostrou que ele considerava a história que delineou como
impossível, por aquela mesma razão. Em outro local ele rascunhou uma
possível solução: "De alguma forma deve ser delineado que Thingol foi
atráido para fora ou foi à guerra além de suas bordas e lá foi morto
pelos Anões. Então Melian parte e com o cinturação removido Doriath é
destruída pelos Anões".

Na história que aparece em "O Silmarillion" os fora-da-lei que vão a
Nargothrond com Hurin foram removidos e também a maldição de Mîm; e o
único tesouro que Hurin toma de Nargothrond é o Nauglamir – o qual aqui
supõe-se feito para Finrod Felagund pelos Anões e que era o tesouro de
Nargothrond ao qual eles davam maior valor. Hurin é representado como
finalmente livre das ilusões inspiradas por Morgoth em seu encontro com
Melian em Menegroth. Os Anões que incrustaram a Silmaril no Nauglamir
já estavam em Menegroth, engajados em outros trabalhos e foram eles que
mataram Thingol; e àquele tempo o poder de Melian foi retirado de
Neldoreth e Region e ela sumiu da Terra-média, deixando Doriath sem
proteção. A emboscada e destruição dos Anões em Sarn Athrad foi dada
novamente a Beren e os Elfos da Floresta (seguindo a carta de 1963 de
meu pai, citada à página 353, onde os Ents "Pastores de �?rvores", são
introduzidos).

Esta história não foi tola ou facilmente concebida, mas foi o resultado
de uma longa experimentação entre concepções diversas. Neste trabalho
Guy Kay assumiu um grande papel e o capítulo como eu finalmente o
escrevi deve muito às minhas discussões com ele. É, e era, óbvio que um
estava sendo um Passo de uma ordem diferente de qualquer outra
"manipulação" dos escritos de meu pai ao longo do livro: mesmo na
história de "A Queda de Gondolin", para qual meu pai nunca retornou,
algo poderia ser deduzido sem introduzir mudanças radicais na
narrativa. Pareceu àquele tempo que existiam elementos inerentes à
história da Ruína de Doriath como ela exitia que eram radicalmente
incompatíveis com "O Silmarillion" como projetado e que havia uma
escolha inescapável: ou abandonar aquela concepção projetada ou alterar
a história. Eu acho agora que aquela foi uma visão equivocada e que as
inegáveis dificuldades poderiam ter sido, e deveriam ter sido,
ultrapassadas sem exceder tanto as fronteiras da função editorial.

 
[Tradução de Fábio ´Deriel´ Bettega]
Vinyar_Tengwar

Os Rios e Faróis das Colinas de Gondor

Rios e Fárois de Gondor, com comentários sobre os Numerais Eldarin, de um ensaio não publicado no HoME 12 por falta de espaço

Editado por Carl F. Hostetter
Com comentário e materiais adicionais
fornecidos por Christopher Tolkien
Textos de J.R.R. e Christopher Tolkien ©2001 The Tolkien Trust

Introdução
Este ensaio histórico e etimológico intitulado apenas “Nomenclatura”
por seu autor, pertencente entre outros trabalhos semelhantes que
Christopher Tolkien datou de c. 1967-69 (XII.293-94), incluindo Of
Dwarves and Men, The Shibboleth of Feanor, e The History of Galadriel
and Celeborn, e que foram publicados, por completo ou em parte, em
Contos Inacabados e The Peoples of Middle-earth. De fato, Christopher
Tolkien mostrou numerosos trechos desta composição em Contos
Inacabados. Ele preparou uma apresentação mais completa do texto para
The Peoples of Middle-earth, mas foi omitido daquele volume devido ao
tamanho.

Christopher Tolkien forneceu-me amavelmente tanto o
texto completo da composição quanto sua própria versão editada e
planejada para The Peoples of Middle-earth. Esta edição, sendo
destinada ao público em geral e feita com restrição de espaço,
naturalmente omite um número maior de passagens técnicas e/ou
filológicas discursivas e notas. Editando o texto para o público mais
especializado de Vinyar Tengwar, claro que restabeleci tal assunto
filológico todo. Eu também retive, com seu cortês consentimento, tanto
o próprio comentário de Christopher Tolkien na composição como
praticável (claramente identificado como tal ao longo dela), como provi
algum comentário adicional e notas próprios, principalmente em assuntos
lingüísticos. Além de Christopher Tolkien, eu gostaria de estender
minha gratidão a John Garth, Christopher Gilson, Wayne Hammond,
Christina Scull, Arden Smith, e Patrick Wynne, todos quem leram este
trabalho em rascunho e me apoiaram com muitos comentários úteis e
correções.

O ensaio consiste em treze páginas
datilografadas, numeradas de 1 à 13 por Tolkien. Uma rasgada pela
metade e sem número que continha uma nota manuscrita entitulada
“Complicado demais” (contendo e referindo-se a um longo, discursivo
debate do sistema numérico Eldarin, em particular a explicação do
número 5) foi colocada entre as páginas 8 e 9. Outra folha sem número
segue a última página, contendo uma nota manuscrita no nome Belfalas
(que é parafraseada em CI:281). Todas essas folhas são vários
formulários de escritório da George Allen & Unwin, com os escritos
de Tolkien limitados aos lados em branco, exceto no caso da última
folha. Aqui, o lado impresso foi usado para o rascunho manuscrito do
Juramento de Cirion em Quenya (já muito perto da versão publicada; cf.
CI:340) que foi continuado no topo (relativo à impressão) do lado em
branco. A nota em Belfalas é escrita com a folha de ponta a cabeça (do
rascunho em relação ao impresso).

Sobre a origem e data
deste ensaio, escreve Christopher Tolkien: “Em 30 de junho de 1969 meu
pai escreveu uma carta ao Sr. Paul Bibire, que havia escrito a ele uma
semana antes contando-lhe que tinha passado no exame para Bacharel de
Filosofia em Inglês Antigo em Oxford; ele demonstrava um certo
desapontamento com seu sucesso, alcançado apesar da negligência de
certas partes do curso que ele achou menos atraente, e particularmente
os trabalhos do antigo poeta inglês Cynewulf (ver Sauron Defeated, pág.
285 nota 36). Ao término de sua carta Sr. Bibire disse:
´Conseqüentemente, há algo sobre o que eu tenho desejado saber desde
que eu vi a adição relativa à segunda edição [de O Senhor dos Anéis]:
se o Rio Glanduin é o mesmo que ‘Cisnefrota’ (para a referência ver
Sauron Defeated, pág. 70 e nota 15)”. Christopher Tolkien proveu as
porções referentes a resposta de seu pai (que não foi incluída na
coleção de cartas editadas com Humphrey Carpenter):¹

Foi
amável da sua parte escrever para mim novamente. Eu estava muito
interessado em notícias suas, e muito solidário. Eu achei e acho o caro
Cynewulf um caso lamentável, porque é digno de lágrimas que um homem
(ou homens) com talento em tramar as palavras, o qual deve ter ouvido
(ou lido) tanto agora perdido, tenha gasto seu tempo compondo coisas
tão sem inspiração.² Também em mais de uma vez em minha vida eu
arrisquei minhas perspectivas por negligenciar coisas que não achei
divertidas naquela oportunidade!…

Eu sou agradecido a você
por mostrar o uso de Glanduin no Apêndice A, SdA III, pág. 319.³ Eu não
tenho nenhum índice dos Apêndices e tenho que fazê-lo. O Glanduin é o
mesmo rio que o Cisnefrota, mas os nomes não estão relacionados. Eu
noto no mapa com correções que estão para ser feitas na edição nova a
aparecer ao término deste ano que este rio está marcado por mim como
Glanduin e várias combinações com alph ´Cisne´.4 O nome Glanduin
significa ´rio da fronteira´, um nome dado desde a Segunda Era quando
ele era a fronteira meridional do Eregion, além do qual estavam os
povos hostis de Dunland. Nos primeiros séculos dos Dois Reinos,
Enedwaith (Povo do Meio) era uma região entre o reino de Gondor e o
reino de Arnor, em vagaroso estado de desaparecimento (incluiu
Minhiriath originalmente (Mesopotamia)). Ambos os reinos compartilhavam
um interesse na região, mas estavam principalmente preocupados com a
manutenção da grande estrada que era o meio principal de comunicação
com exceção do mar, e a ponte a Tharbad. O povo de origem Númenoriana
não viveu lá, exceto em Tharbad, onde uma guarnição grande de soldados
e guardiões de rio foram mantidas uma vez. Naqueles dias haviam
trabalhos de drenagem, e foram fortalecidos os bancos do Hoarwell e
Greyflood. Mas nos dias de O Senhor dos Anéis a região tinha a muito
ficado em ruínas e retornado a seu estado primitivo: um rio largo lento
correndo através uma cadeia de pântanos e charcos: o abrigo de hóspedes
como cisnes e outros pássaros aquáticos.

Se o nome Glanduin
ainda fosse lembrado ele só se aplicaria ao curso superior onde o rio
corria rapidamente para baixo, tão logo se perdesse nas planícies e
desaparecesse nos pântanos. Eu acho que eu posso manter Glanduin no
mapa para a parte superior, e marcar a parte mais baixa como os
pântanos com o nome Nîn-em-Eilph (terras aquáticas dos Cisnes) que
explicará o rio Cisnefrota adequadamente SdA III.263.5
Alph
´Cisne´ ocorre até onde eu me lembro só no SdA III, pág. 392.6 Não
poderia ser Quenya, já que ph não é usado em minha transcrição de
Quenya, e Quenya não tolera consoantes finais diferentes das dentais,
t, n, l, r depois de uma vogal.7 Quenya para ´Cisne´ era alqua (alkw�?).
O ramo “Céltico” do Eldarin (Telerin e Sindarin) mudou kw > p, mas
não, como Céltico, alterou p original.8 O tão alterado Sindarin da
Terra-Média mudou as consoantes paradas para fricativas depois de l, r,
como fez o Galês: assim *alkw�? > alpa (Telerin) > S. alf (grafado
alph em minha transcrição).

Ao término da carta Tolkien adicionou um pós-escrito:

Eu me recuperei muito – embora já tenha passado um ano que me
acidentei.9 Agora eu posso caminhar quase que normalmente, até duas
milhas ou mais (ocasionalmente), e ter um pouco de energia. Mas não
bastante para enfrentar um composição contínua e o interminável
“aprimoramento” de meu trabalho.

No cabeçalho do presente
ensaio, Tolkien escreveu “Nomenclatura”, seguido por: “Rio Cisnefrota
(SdA edição rev., III 263) e Glanduin, III Apên. A. 319 “; e então por:
“Examinado por P. Bibire (carta 23 de junho de 1969; resp. 30 de
junho). Como mais brevemente declarado em minha resposta: Glanduin quer
dizer ´rio da fronteira´”. O ensaio é deste modo visto como uma
expansão e elaboração das observações em sua resposta.

Os nomes dos Rios

O ensaio começa com o longo excerto e nota do autor dados em CI:298-99
(e assim não reproduzido aqui). Umas poucas variações entre o texto
publicado e o datilografado são dignos de nota: onde o texto publicado
tem Enedwaith, o datilografado lê Enedhwaith (esta era uma mudança
editorial feita em todos os excerto deste ensaio que contém o nome em
Contos Inacabados; cf. XII:328-29 n. 66); e onde o texto publicado tem
Ethraid Engrin, o datilografado tem Ethraid Engren (mas note (Ered)
Engrin, V.348 s.v. ANGÄ€-, V.379 s.v. ÓROT-, e muitos outros lugares).
Além disso, uma oração que se refere ao porto antigo chamada Lond Daer
Enedh foi omitida antes da última oração da nota do autor em CI:298;
lê-se: “Era a entrada principal para os Númenorianos na Guerra contra
Sauron (Segunda Era 1693-1701)” (cf. SdA:1147; e CI:268, 295-99).
Também, de encontro a discussão da aproximação para Tharbad que fecha o
primeiro parágrafo em CI:298, Tolkien forneceu a referência cruzada em
“SdA I 287,390 “.10Seguindo a passagem que termina no
início de CI:298, o ensaio continua com esta discussão etimológica, com
referência ao nome Glanduin:

glan: base (G)LAN, ´beira,
ponta, borda, fronteira, limite´. Isto é visto em Q. verbo lanya
´limitar, cercar, separar de, marcar o limite de; lanwa ´ dentro dos
limites, limitado, finito, (bem-)definido´; landa ´uma fronteira´; lane
(lani-) ´margem´; lantalka ´ posto ou marco de fronteira´; cf. também
lanka ´beirada acentuada, final súbito´, como por exemplo uma
extremidade de precipício, ou a extremidade polida de coisas feitas ou
montadas à mão, também usada em sentidos figurados, como em
kuivie-lankasse, literalmente ´na beira da vida´, de uma situação
perigosa na qual é provável resultar em morte.

É debatido se
gl- era um grupo inicial em Eldarin Comum ou era uma inovação de
Telerin-Sindarin (muito estendido em Sindarin). Neste caso, de qualquer
maneira, o gl- inicial é compartilhado por Telerin e Sindarin e é
encontrado em todos os derivado nesses idiomas (exceto em T. lanca, S.
lane, os equivalentes de Q. lanka): T. glana ´extremidade, borda´; 11
glania – ´confinar, limitar´; glanna ´limitado, confinado´; glanda ´uma
fronteira´: S. glân, ´bainha, borda´ (de tecidos e outras coisas feitas
à mão), gland > glann ´fronteira´; glandagol ‘marco de fronteira’;
12 gleina- ´fronteira, cerca, limite´. 13

Tolkien então
comenta: “Os nomes dos Rios dão algum trabalho; eles foram feitos às
pressas sem exame suficiente”, antes de embarcar sobre uma consideração
para cada nome por vez. Partes significantes desta seção do ensaio
foram fornecidas em Contos Inacabados. Não são repetidas as passagens
longas aqui, mas seus lugares estão indicados no ensaio.

Adorn

Este não está no mapa, mas é dado como o nome do rio pequeno que flui
no Isen vindo do oeste de Ered Nimrais no Apên. A, SdA III 346.14 Ele
é, como seria esperado em qualquer nome na região de origem
não-Rohanense, de uma forma adequado ao Sindarin; mas não é
interpretável em Sindarin. Deve-se supor que seja de origem
pré-Númenoriana adaptado ao Sindarin.15

Deste apontamento,
Christopher Tolkien nota: “Na ausência do nome no mapa – referindo é
claro ao meu mapa original de O Senhor dos Anéis, o qual foi
substituído muito tempo depois pelo redesenhado, feito para acompanhar
Contos Inacabados – ver CI:295, nota de rodapé “.

Gwathló

Do próximo apontamento, entitulado “Gwathlo (-ló)�?, Christopher Tolkien
escreve: “A longa discussão que surge sobre este nome é encontrada em
CI:294-95, com a passagem relativa a mudança dos homens Púkel e citada
na seção no Drúedain, CI.423-424. Na passagem posterior a oração
‘Talvez até mesmo nos dias da Guerra do Anel alguns do povo de Drú
permaneceram nas montanhas de Andrast, além da parte ocidental das
Montanhas Brancas’ contém uma mudança editorial: o texto original tem
´as montanhas de Angast (Cabo Longo)´, 16 e a forma Angast acontece
novamente mais de uma vez no ensaio. Esta mudança foi baseada na forma
Andrast comunicada por meu pai à Pauline Baynes para inclusão, com
outros novos nomes, em seu mapa ilustrado da Terra-Média; ver CI:294,
nota de rodapé”. Uma mudança editorial adicional pode ser notada: onde
o texto publicado tem Lefnui (CI:296, repetidos na nota extraída sobre
os homens Púkel, CI.423) o datilografado lê Levnui; cf. o apontamento
para Levnui está adiante.
Uma nova nota sobre “o grande
promontório… que formou o braço norte da Baía de Belfalas” lê:
“Depois ainda chamado Drúwaith (Iaur) ´(Velha) terra Pukel´, e seus
bosques escuros eram pouco visitados, nem considerado como parte do
reino de Gondor” Também, uma oração cancelada por Tolkien segue
“árvores enormes… sob as quais os barcos dos aventureiros rastejavam
silenciosamente para a terra desconhecida�?, lê: “É dito que até alguns
nesta primeira expedição vieram tão longe quanto os grandes pântanos
antes que eles retornassem, temendo ficar desnorteados em seus
labirintos.�?
A discussão continuou originalmente com a nota etimológica seguinte, cancelada ao mesmo tempo que a oração apagada:

Então era aquele o rio chamado em Sindarin Gwathlo (em Adunaico
Agathurush) ´rio da sombra´. Gwath era uma palavra Sindarin de uma base
do Eldarin Comum Wath ou Wathar estendido. Era muito usado; embora o
referente em Quenya waþar , mais tarde vasar, não estava em uso
diário.17 O elemento -lo também era de origem Eldarin Comum, derivado
de uma base (s)log: em Eldarim Comum sloga tinha sido uma palavra usada
para rios de tipos variáveis e sujeitos a alagarem seus bancos nas
estações e causarem inundações quando cheios por chuvas ou derretimento
de neve; principalmente como o Glanduin (descrito acima) que tinha sua
origem nas montanhas e desaguava à princípio rapidamente, mas era
contido nas terras mais baixas e planas, *sloga se tornou em Sindarin
lhô; mas não era em tempos mais recentes usado exceto em rios ou nomes
de pântanos. A forma Quenya teria sido hloä.

Esta passagem
contém uma nota, também cancelada, no nome Ringló, ocorrendo depois de
“Sindarin lhô” e citada na discussão daquele apontamento adiante.

A passagem apagada foi substituída por aquela dada em CI:296 começando
em “Então o primeiro nome que eles deram a ele foi ´Rio da Sombra´,
Gwath-hîr, Gwathir “. Pode ser notado que o palavra lo nesta passagem
foi corrigida no texto datilografado por lhô. Uma nota no nome Ringló,
omitida da passagem em Contos Inacabados, acontece depois das palavras
“Gwathlo, o rio sombrio dos pântanos”. Para esta nota, e seu
desenvolvimento, veja o apontamento para Ringló adiante. Depois desta
nota, uma declaração etimológica intervém antes do último parágrafo do
excerto publicado em Contos Inacabados:

Gwath era uma
palavra em Sindarin Comum para ´sombra´ ou meia-luz – não para as
sombras de objetos reais ou pessoas causadas por sol ou lua ou outras
luzes: estas eram chamadas morchaint ´formas-escuras´.18 Eram derivadas
de uma base Eldarin Comum WATH, e também aparecia em S. gwathra-
´obscureça, escureça, oculte, obscure´; gwathren (pl. gwethrin)
´sombrio, turvo´. Também relacionado era auth ‘uma forma escura,
aparição espectral ou vaga’, de *aw´tha. Esta também era encontrada no
Quenya auþa, ausa de sentido semelhante,; mas por outro lado a raiz só
era representada em Quenya pela extensão waþar, vasar ´ um véu´,
vasarya – ´velar´.

Lô foi derivado da base Eldarin Comum LOG
´molhado (e mole), ensopado, pantanoso, etc.´ A forma *loga produziu S.
lô e T. loga; e também, de *logna, S. loen, T. logna ´encharcando de
água, alagado´. Mas a raiz em Quenya, que devido a mudanças sonoras
causaram seus derivados a não combinar com outras palavras, era pouco
representada exceto na forma intensiva oloiya – ‘inundar, alagar’;
oloire uma grande enchente´.

Sobre as palavras “que devido a
mudanças sonoras causaram seus derivado a não combinar com outras
palavras” Tolkien adicionou esta nota:

Assim a forma Quenya
do S. lô teria sido *loa, idêntica a Q. loa <*lawa ´ano´; a forma de
S. loen, T. logna teria sido *lóna idêntico a lóna ´charco, lagoa´ (da
base LON também vista em londe ‘porto’, S. land, lonn).

Erui

Embora este fosse o primeiro dos Rios de Gondor, o nome não quer dizer
‘primeiro’. Em Eldarin er não era usado para contagem em série:
significava ‘um, único, sozinho’. Erui não é Sindarin habitual para
‘único, só’: que era ereb (

Sobre as palavras “o fim adjetival muito comum -ui de Sindarin” Tolkien adicionou esta nota:

Este era usado como um fim adjetival geral sem significado específico
(como por exemplo em lithui ‘de cinza’, ou ‘pálido, cor de cinza,
cinzento, empoeirado’). É de origem incerta, mas provavelmente foi
derivado do adjetival Eldarin Comum -ya que quando adicionado a
substantivos-raízes que terminam em E.C. -o, -u produziria em Sindarin
-ui. Este sendo mais distinto foi transferido então para outras raízes
gramaticais. Os produtos de �?ya > oe, e de ăya, ĕya, ĭya > ei;
�?ya, Å­ya > æ, e, não foram preservados em Sindarin.19 Mas -i que
poderia vir de Ä“ya e de Ä«ya, também permaneceu em uso(mais limitado);
cf. Semi adiante. A transferência é exemplificada nos ordinais que em
Sindarin foram formados com -ui de ‘quarto’ em diante, entretanto -ui
só estava historicamente correto em othui ‘sétimo’ e tolhui ‘oitavo’.
‘Primeiro’ era em Sindarin mais antigo e mais literário mein (Q.
minya); mais tarde minui foi substituído [cancelado: no idioma
coloquial; tadeg ‘segundo’; neleg ‘terceiro’]; então cantui (canhui)
‘quarto’, encui, enchui20 ‘sexto’, nerthui ‘nono’ [cancelado: caenui21
‘décimo’], etc. ‘Quinto’ ver adiante no nome Lefnui.

Serni

Christopher Tolkien escreve: “A declaração sobre este nome é dada no
�?ndice de Contos Inacabados, mas com uma errata que nunca foi
corrigida: a palavra Sindarin para ‘seixo’ é sarn, não sern “. Na
oração de abertura lê-se: “Uma formação adjetival do S. sarn ‘pedra
pequena, seixo (como descrito acima), ou um coletivo, o equivalente em
Q. sarnie (sarniye) ‘telha, seixo de rio”. Em uma nova oração, vinda
antes de “Sua foz era bloqueada com seixos” lê-se: “Foi o único dos
cinco a entrar no delta do Anduin “.

Sirith

Isto simplesmente significa ‘um rio’: cf. tirith ‘vigiando, guardando’ da raiz tir- ‘vigiar’.

Celos

Christopher Tolkien escreve: “A declaração sobre este nome é dada no
�?ndice de Contos Inacabados. No marcação errônea de Celos em meu mapa
redesenhado de O Senhor dos Anéis, ver VII:322 n. 9 “.

Gilrain

Uma
porção significante de observações neste nome de rio foi dada em
CI:274-75; mas a discussão começa com uma passagem omitida de Contos
Inacabados:

Este se assemelha ao nome da mãe de Aragorn.
Gilraen; mas a menos que haja erro na grafia, deve ter tido um
significado diferente. (Originalmente a diferença entre o Sindarin
correto ae e ai era ignorada, ai mais comum em inglês sendo usado para
ambos na narrativa geral. Assim Dairon, agora corrigido, para Daeron um
derivado do S. daer ‘amplo, grande’: E.C. *daira < P>

Sobre esta última oração Tolkien proveu uma nota etimológica:

Base
E.C. RAY ‘rede, trama, urdidura ou entrelace’; também [cancelado:
‘prender’] ‘envolver em uma rede, entrelaçar´. Cf. Q. raima ‘uma rede’;
24 rea e raita 1) ‘fazer rede ou entrelaçar´; raita 2) prender em uma
rede’; 25 [cancelado: também raiwe ´trama´;] carrea (

Desta
nota Christopher Tolkien escreve: “Compare O Senhor dos Anéis, Apêndice
E (i), pág. 393. 29 – Tressure(rede), uma rede para conter o cabelo, é
uma palavra do inglês medieval que meu pai tinha usado na tradução dele
de Sir Gawain and the Green Knight (estrofe 69): ‘as jóias claras / que
estavam entrelaçadas em sua rede(tressure) em grupos de vinte’ onde o
original tem a forma tressour.”
A anotação então conclui:

Em
Gilrain o elemento -rain embora semelhante era distinto em origem.
Provavelmente foi derivado da base RAN “vagar, errar, tomar curso
incerto�?, o equivalente do Q. ranya. Isto não pareceria adequado a
nenhum dos rios de Gondor…

A porção dada em Contos
Inacabados começa aqui (pág. 274). A oração final do primeiro extrato
da discussão de Gilrain em CI:275 omite o final; na oração inteira
lê-se: “Esta lenda [de Nimrodel] era bem conhecida em Dor-en-Ernil
(Terra do Príncipe) e sem dúvida o nome [Gilrain] foi dado como
lembrança disto, ou conferido na forma Élfica de um nome mais antigo de
mesmo significado”. Também omitido foi o parágrafo que segue essa
oração, o qual lê-se: “A viagem de Nimrodel foi datada pelos
cronologistas como 1981 da Terceira Era. Um erro no Apêndice B aparece
neste momento. Na anotação correta lia-se (ainda em 1963): “Os Anões
fogem de Moria. Muitos dos Elfos da Floresta de Lorien fogem para o
sul. Desaparecem Amroth e Nimrodel�?. Em edições ou reimpressões
subseqüentes ‘fogem de Moria…�? para ‘Elfos da Florestas foram por
razões desconhecidamente omitidas “. A leitura correta desta anotação
foi restabelecida na edição mais recente (Sda:1151). Além disso, a
primeira oração do parágrafo seguinte, introduzindo a passagem com o
qual o extrato dado em Contos Inacabados (pág. 275) recomeça, lê-se:
“Naquele momento foi Amroth, na lenda, chamado Rei de Lorien. Como isto
está de acordo com a lei de Galadriel e Celeborn, será esclarecido em
um resumo da história de Galadriel e Celeborn”. Finalmente, a última
oração do último parágrafo dado em CI:276 foi omitida; lê-se: “ A
comunicação era mantida constantemente com Lorien “.

Uma
nota datilografada anexada depois da primeira oração em CI:277, sobre a
frase “os pesares de Lorien, que estava agora sem monarca” e
subseqüentemente cancelada por Tolkien, lê: “Amroth nunca tomou uma
esposa. Durante longos anos ele tinha amado Nimrodel, mas tinha buscado
o amor dela em vão. Ela era da raça da Floresta e não amava os
Intrusos, os quais (ela disse) trouxeram guerras e destruíram a antiga
paz. Ela falaria só a Língua da Floresta, até mesmo depois que tivesse
caído em desuso entre a maioria dos povos. Mas quando o terror saiu de
Moria ela fugiu sem rumo, e Amroth a seguiu. Ele a achou perto dos
limites de Fangorn (os quais nesses dias ficavam muito mais próximos a
Lorien). Ela não ousou entrar na floresta, as árvores (ela disse)
ameaçaram-na, e algumas moveram-se para bloquear seu caminho. Lá eles
tiveram uma longa conversa; e no fim eles ficaram noivos, Amroth jurou
que por ela ele deixaria seu povo até em hora de necessidade e com ela
buscaria um refúgio de paz. ‘Mas não havia tal’ “. A nota cancelada
termina aqui, em meio a oração. Como Christopher Tolkien observa
(CI:274), esta passagem é a semente da versão da lenda de Amroth e
Nimrodel dada em CI:272-74.

A discussão sobre Gilrain conclui (seguindo o primeiro parágrafo dado em UT:245) com esta nota:

O
rio Gilrain se relacionado à lenda de Nimrodel tem que conter um
elemento derivado de E.C. RAN ‘vagar, errar, seguir sem rumo´. Cf. Q.
ranya ‘viagem errante’, S. rein, rain. Cf. S. randír ‘errante’ em
Mithrandir, Q. Rána nome do espírito (Máya) que dizia-se morar na Lua
como seu guardião.

Ciril, Kiril

Incerto,
mas provavelmente do KIR ‘cortar’. Ele começava em Lamedon e corria
para o oeste por algum caminho em um fundo canal rochoso.

Ringló

Para
o elemento -ló ver discussão de Gwathló acima. Mas não há registro de
qualquer pântano ou charco em seu curso. Era um rio rápido (e frio),
como o elemento ring- implica.30 Suas primeiras águas vinham de um alto
campo nevado que alimentava uma pequena lagoa gelada nas montanhas. Se
esta na estação em que a neve derretia, se espalhava em um lago raso,
isso explicaria o nome, mais um dentre muitos que se referem à nascente
de um rio.

Cf. a anotação Ringló no índice de Contos
Inacabados. Esta explicação do nome que Ringló só surgiu no curso da
composição deste ensaio; para a discussão de Gwathló que Tolkien
cancelou ele tinha adicionado esta nota originalmente:

Este
[o elemento ló] também aparece no nome Ringló, o quarto dos Rios de
Gondor. Pode ser traduzido como Rio Gelado. Descendo gelado das neves
das Montanhas das Névoas em curso rápido, depois de sua união com o
Ciril e depois com o Morthond formava pântanos consideráveis antes que
atingisse o mar, entretanto estes eram muito pequenos comparados com os
pântanos do Cisnefrota (Nîn-em-Eilph) perto de Tharbad.

Na discussão revisada de Gwathlo (CI:294) esta nota foi substituída pela seguinte:

Um
nome semelhante é achado em Ringló, o quarto dos rios de Gondor.
Nomeado como vários outros rios, como Mitheithel e Morthond (raiz
negra), depois de sua nascente Ringnen ‘água-gelada’, ele era chamado
posteriormente Ringló, uma vez que formava um pantanal perto de sua
confluência com o Morthond, entretanto este era muito pequeno comparado
com o Grande Pântano (Lô Dhaer) do Gwathló.

Tolkien cancelou
então a parte posterior desta nota (de “uma vez que formava um
pantanal�? até o fim), substituindo-a com um objetivo de considerar a
explicação final de Ringló dada acima, na qual o elemento lo não é
derivado dos pantanais perto da costa (não há de qualquer pântano ou
charco em seu curso “) mas do lago que formava a nascente do rio “na
estação em que a neve derretia”.

Morthond

Semelhantemente
o Morthond ‘Raiz Negra�?, que surge em um vale escuro nas montanhas
exatamente no sul de Edoras, chamado Mornan,31 não só por causa da
sombra das duas montanhas altas entre as quais se deita, mas porque por
ele passava a estrada do Portão dos Mortos, e os vivos não iam lá.

Levnui

Não
havia nenhum outro rio nesta região, “ao longo de Gondor”, até que
chegasse ao Levnui, o mais longo e mais largo dos Cinco. Este era
represado para ser o limite de Gondor nesta direção; para mais além
repousar no promontório de Angast e no deserto da “Velha Terra Púkel�?
(Drúwaith Iaur) a qual os Númenorianos nunca tinha tentado ocupar com
povoados permanentes, entretanto eles mantiveram uma força de guarda
Costeira e faróis no final do Cabo Angast.
É dito que Levnui
significa ´quinto´ (depois de Erui, Sirith, Semi, Morthond), mas sua
forma oferece dificuldades. (está grafado Lefnui no Mapa; e que é
preferível. Mas embora nos Apêndices seja dito que f tem o som do f
inglês, exceto quando posicionado ao término de uma palavra,32 o f mudo
não acontece medianamente antes de consoantes (em palavras ou nomes não
compostos) em Sindarin; enquanto v é evitado antes de consoantes em
inglês).33 A dificuldade é só aparente.

Tolkien embarca
então imediatamente em uma longa e elaborada discussão dos números em
Eldarin, a qual foi transferida para um apêndice adiante.

Seguindo
com esta discussão, Tolkien (continuando para o oeste no mapa de
Levnui) reapresentou o nome Adorn, e repetiu o conteúdo das observações
anteriores: “Este rio flui do Oeste de Ered Nimrais para o Rio Isen,
combina em estilo ao Sindarin, mas não tem nenhum significado naquele
idioma, e provavelmente é derivado de um dos idiomas falado nesta
região antes da ocupação de Gondor pelos Númenorianos que começou muito
tempo antes da Queda de Númenor”. Ele continuou então:

Vários
outros nomes em Gondor são aparentemente de origem semelhante. O
elemento Bel- em Belfalas não tem nenhum significado apropriado em
Sindarin. Falas (Q. falasse) significava ´litoral´ – especialmente o
exposto a grandes ondas e arrebentações (cf. Q. falma ´uma crista de
onda, onda). é possível que Eel tivesse um sentido semelhante em uma
língua estrangeira, e Bel-falas é um exemplo do tipo de nome-de-local,
não incomum quando uma região está ocupada por um novo povo no qual
dois elementos de mesmo significado topográfico são unidos: o primeiro
sendo o mais antigo e o segundo no novo idioma.34 Provavelmente porque
o primeiro foi tomado pelos Intrusos como um nome próprio. Porém, em
Gondor o litoral da foz do Anduin para Dol Amroth foi chamada Belfalas,
mas na verdade normalmente referiam-se a ele como i·Falas ´a praia da
rebentação´ (ou às vezes como Then-falas ´praia curta´,35 em contraste
à An-falas ´praia longa´, entre a foz de Morthond e Levnui). Mas a
grande baía entre Umbar e Angast (o Cabo Longo, além de Levnui) foi
chamado a Baía de Belfalas (Côf Belfalas) ou simplesmente de Bel (Côf
gwaeren Bêl ´a ventosa Baía de Bêl´).36 Então é mais possível que Bêl
fosse o nome ou parte do nome da região mais tarde chamada normalmente
de Dor-en-Ernil ´terra do Príncipe´: talvez fosse a parte mais
importante de Gondor antes da colonização Númenoriana.

Christopher
Tolkien escreve: “Com ´a ventosa Baía de Bêl´ cf. o poema The Man in
the Moon came down too soon em The Adventures of Tom Bombadil(1962),
onde o Homem na Lua desceu ´para um banho de espuma na ventosa Baía de
Bel´, identificada como Belfalas no prefácio do livro. -Esta passagem
foi cancelada, presumivelmente de imediato, uma vez que o próximo
parágrafo começa novamente “Vários outros nomes em Gondor são
aparentemente de origem semelhante�?. Uma página com manuscrito curto
encontrada com o ensaio datilografado mostra meu pai esboçando uma
origem completamente diferente para o elemento Bel-. Eu me referi a
este texto e citei-o em parte em Contos Inacabados (pág. 281),
observando que representa uma concepção completamente diferente da
estabelecida para o porto élfico norte (Edhellond) de Dol Amroth
daquela dada em Of Dwarves and Men (XII:313 e 329 n. 67), onde é dito
que a razão de sua existência era ´a navegação dos Sindar provenientes
dos portos ocidentais de Beleriand que fugiram em três navios pequenos
quando o poder de Morgoth subjugou os Eldar e os Atani´. A página
manuscrita pertence obviamente ao mesmo período que o ensaio, como é
visto tanto pelo papel no qual é escrito e quanto pelo fato de que a
mesma página carrega o rascunho para o Juramento de Cirion em Quenya
(CI:340)”. Esta página manuscrita é dada abaixo na íntegra; duas notas
que Tolkien fez ao texto estão adicionadas a seu fim:

Belfalas.
Este é um caso especial. Bel- é certamente um elemento derivado de um
nome pré-Númenoriano; mas sua origem é conhecida, e era de fato
Sindarin. As regiões de Gondor tiveram uma história complexa no passado
distante, tão antiga quanto sua população podia se dar conta, e os
Númenorianos evidentemente encontraram muitos assentamentos de povos
misturados, e numerosas ilhas de povos isolados ou que permaneciam em
velhas habitações, ou em refúgios na montanha protegidos dos invasores
(Nota 1). Mas havia um pequeno (mas importante) componente em Gondor de
um grupo bastante singular: uma colônia Eldarin.37 Pouco é conhecido de
sua história até pouco antes de seu desaparecimento; para os Elfos de
Eldarin, talvez Exilados de Noldor ou Sindar à muito enraizados, que
permaneceram em Beleriand até sua desolação na Grande Guerra contra
Morgoth,; e então se eles não foram para o Mar e vagaram rumo ao oeste
[sic; leia "ao leste "] em Eriador. Lá, especialmente próximo a
Hithaeglir (em qualquer lado), eles acharam colônias dispersas dos
Nandor, Elfos de Telerin que nunca tinham completado na Primeira Era a
jornada para as costas do Mar; mas ambos os lados reconheceram suas
linhagens como Eldar. Porém, lá parece no princípio da Segunda Era, ter
sido um grupo de Sindar que foi para o sul. Eles eram remanescentes,
parece, do povo de Doriath que ainda nutria rancor contra os Noldor e
deixaram os Portos Cinzentos por isso e todos os navios lá eram
comandados por Cirdan (um Noldo). Tendo aprendido a arte de construção
naval (Nota 2) eles viajaram por anos buscando um lugar para seus
próprios portos. Finalmente eles povoaram a foz do Morthond. Já havia
lá um porto primitivo de uma colônia de pescadores; mas estes fugiram
para as montanhas com medo dos Eldar. A terra entre Morthond e Serni
(as partes costeiras de Dor-en-Ernil).

Nota 1.
Embora nenhuma das regiões dos Dois Reinos existissem antes (ou
depois!) das colônias densamente povoadas de Númenorianos como nós
deveríamos supor.

Nota 2:
Todos os Elfos eram naturalmente hábeis na construção de barcos, mas a
arte que era fazer uma viagem longa pelo Mar, perigosa até mesmo para a
habilidade dos Elfos uma vez que a Terra Média estaria para atrás,
exigia mais perícia e conhecimento.

A página manuscrita termina aqui, incompleta, e sem chegar uma
explicação do elemento Bel-. Christopher Tolkien escreve: “Era talvez
uma extensão puramente experimental da história, imediatamente
abandonada; mas a afirmação que Cirdan era um Noldo é muito estranha.
Isto vai contra toda a tradição que concerne a ele – ainda que seja
essencial à idéia esboçada nesta passagem. Possivelmente foi sua
compreensão disto que levou meu pai a abandoná-la pela metade”.
O
texto datilografado recomeça com uma substituição da passagem rejeitada
em Belfalas (e evitando agora discussão daquele nome problemático):

Vários outros nomes em Gondor são aparentemente de origem semelhante.
Lamedon não tem nenhum significado em Sindarin (se fosse Sindarin seria
atribuída a *lambeton -, *lambetân -, mas E.C. lambe- ‘idioma’ pode
dificilmente ser considerado). Arnach não é Sindarin. Pode ser
relacionado com Arnen no lado oriental de Anduin. Arnach era empregado
aos vales no sul das montanhas e suas montanhas menores entre Celos e
Erui. Existiam muitas áreas rochosas lá, mas geralmente muito piores
que os vales mais altos de Gondor. Arnen era um rochedo distante do
Ephel Dúath, ao redor do qual o Anduin, ao sul de Minas Tirith, fazia
uma curva larga.

Sugestões dos historiadores de Gondor que arn- é um elemento em algum
idioma pré-Númenoriano que significa ´pedra´ é somente uma suposição.38
Mais provável é a visão do autor (desconhecido) de Ondonóre Nómesseron
Minaþurie (´Pesquisa sobre os Nomes de Gondor´) preservado
fragmentadamente.39 Conforme evidência interna ele viveu na época do
reinado de Meneldil, filho de Anárion-nenhum evento posterior àquele
reino é mencionado – quando recordações e registros dos primeiros dias
das colonizações agora perdidos ainda estavam disponíveis, e o processo
de nomear ainda estava em curso. Ele destaca que o Sindarin não era bem
conhecido por muitos dos colonos que deram os nomes, marinheiros,
soldados, e imigrantes, embora todos aspirassem ter um pouco de
conhecimento dele. Gondor certamente era ocupada no começo pelos Fiéis,
homens do grupo dos amigos dos Elfos e seus seguidores; e estes em
revolta contra os ´Reis Adunaicos´ que proibiram o uso das línguas
Élficas deram todo os novos nomes no reino novo em Sindarin, ou adaptou
nomes mais antigos para a maneira Sindarin. Eles também renovaram e
encorajaram o estudo do Quenya, no qual documentos importantes,
títulos, e fórmulas eram compostos. Mas era provável que enganos fossem
cometidos.40 Uma vez que um nome tivesse se tornado comum ele era
aceito pelos administradores e organizadores. Então ele pensa que Arnen
originalmente queria dizer ´ao lado da água, sc. Anduin´; mas ar- neste
sentido é Quenya, não Sindarin. Embora como no nome completo Emyn Arnen
o Emyn é plural Sindarin de Amon ´colina´, Arnen não pode ser um
adjetivo Sindarin, uma vez que um adjetivo de tal forma teria o plural
Sindarin ernain, ou ernin. O nome deve ter significado então ‘as
colinas de Arnen’. É esquecido agora, mas pode ser visto nos registros
antigos que Arnen era o nome mais antigo da maior parte da região mais
tarde chamada Ithilien. Este foi dado à faixa estreita entre o Anduin e
o Ephel Dúath, principalmente para a parte entre Cair Andros e a ponta
meridional da curva do Anduin, mas vagamente estendia-se ao norte para
o Nindalf e sul em direção à Poros. Foi quando Elendil tomou como sua
residência o Reino Norte, devido à amizade dele com os Eldar, e confiou
o Reino Sul aos seus filhos, eles então dividiram-no, como é dito em
anais antigos: “Isildur tomou como sua própria terra toda a região de
Arnen; mas Anárion tomou a terra de Erui ao Monte Mindolluin e deste em
direção oeste à Floresta do Norte”, (mais tarde chamada em Rohan a
Floresta Firien), “mas o sul de Ered Nimrais de Gondor eles controlavam
em comum “.

Arnach, se a explicação
acima for aceita, não é relacionado então a Arnen. Sua origem e fonte
estão nesse caso agora perdidas. Geralmente era chamado em Gondor
Lossarnach. Loss é Sindarin para ´neve´, especialmente a caída e a
muito acumulada. Por que razão que isto foi anteposto à Arnach é
incerto. Seus vales superiores eram famosos por suas flores, e abaixo
deles havia grandes pomares dos quais na época da Guerra do Anel ainda
vinham muitas das frutas necessárias em Minas Tirith. Embora nenhuma
menção disto seja encontrada em qualquer crônica -como é freqüente no
caso de assuntos de conhecimento comum- parece provável que a
referência seja de fato às floradas. Expedições para Lossarnach para
ver as flores e árvores freqüentemente eram feitas pelas pessoas de
Minas Tirith. (Ver índice Lossarnach adendo III 36,140;41 Imloth Melui
“vale da flor doce”, um lugar em Arnach). Este uso de ´neve´ seria
especialmente provável em Sindarin, no qual as palavras para neve caída
e flor eram muito semelhantes, embora diferentes em origem: loss e
loth, o significando(posterior) ´inflorescência, um cacho de flores
pequenas. Loth é de fato mais freqüentemente usado em Sindarin para
coletivo, equivalente a goloth; e uma única flor indicada por elloth
(er-loth) ou lotheg.42

Com Imloth Melui “vale da
flor doce�? cf. a menção de Ioreth de “as rosas de Imloth Melui”, SdA:
916. Sobre as palavras Sindarin loss e loth Tolkien fez a seguinte
nota:

S. loss é um derivado de
(G)LOS ´branco´; mas loth é de LOT. Sindarin usa loss como um
substantivo, mas forma intensiva gloss como um adjetivo ´branco
(brilhante)´, loth era o único derivado de LOT que reteve,
provavelmente porque outras formas da raiz gramatical assumiram uma
forma fonética que parecia imprópria, ou era confundível com outras
raízes (como LUT ´flutuar´): por exemplo *lod, *lûd. loth é do
diminutivo lotse e provavelmente também derivado de lotta-. Cf. Q.
losse ´neve´, lossea ´branco- neve´; e late ´uma flor´ (principalmente
aplicado as flores grandes individualmente); olóte ´buque, conjunto de
flores de uma única planta´; lilótea ´tendo muitas flores’; lotse ´uma
única flor pequena´; losta ´florescer´, (t-t em inflexão> st.)
Quenya e Sindarin mantêm para ´neve´ só a intensiva loss- uma vez que o
s mediano entre vogais sofria mudanças que o fazia inadequado ou
conflitante com outras raízes.

Os Nomes dos Faróis das Colinas

O sistema completo de faróis que ainda operava na época da Guerra do
Anel não pode ter sido anterior ao estabelecimento dos Rohirrim em
Calenardhon cerca de 500 anos antes; a sua função principal era
advertir os Rohirrim que Gondor estava em perigo ou (mais raramente) o
contrário. Quão antigos eram os nomes então usados não poderia ser
dito. Os faróis eram instalados em colinas ou nos cumes altos de
cordilheiras que corriam por fora das montanhas, mas alguns não eram
objetos muito importantes.

A primeira parte desta declaração foi citada na seção Cirion e Eorl em CI:335 n.35.

Amon Dîn

Esta anotação é dada na íntegra em CI:500 n. 51 (último parágrafo).

Eilenach e Eilenaer

Esta anotação é dada na mesma nota em Contos Inacabados, mas neste caso ligeiramente reduzida. No original a passagem começa:

Eilenach (melhor grafado Eilienach). Provavelmente um nome estrangeiro;
não Sindarin, Númenoriano, ou Idioma Comum. Na verdade eilen de
Sindarin só poderia ser derivado de *elyen, *alyen, e seria escrito
eilien normalmente. Isto e Eilenaer (nome mais velho de Halifirien:
veja isso abaixo) são os únicos nomes deste grupo que são certamente
pré-Númenorianos. Eles estão evidentemente relacionados. Ambos eram
notavelmente importantes.

O
nome e nota parentética em Eilenaer começam aqui, assim como alterações
para o texto datilografado. Christopher Tolkien escreve: “O nome
Eilenaer de fato não ocorre relacionado a Halifirien neste ensaio: meu
pai pretendeu introduzí-lo, mas antes que o fizesse ele rejeitou aquela
relação em sua totalidade, como será visto”. Ao término da descrição de
Eilenach e Nardol como dados em Contos Inacabados, onde é dito que o
fogo em Nardol poderia ser visto de Halifirien, Tolkien adicionou uma
nota:

A linha de faróis de
Nardol para Halifirien se dispunha em uma curva suave dobrando um pouco
para o sul, de forma que os três faróis intervenientes não cortassem a
visão.

As declarações seguintes dizem respeito a Erelas e Calenhad, elementos os quais foram usados no índice de Contos Inacabados.

Erelas

Erelas era um farol pequeno, como também era Calenhad. Estes não eram
sempre iluminados; a iluminação deles como em O Senhor dos Anéis era um
sinal de grande urgência. Erelas é Sindarin em estilo, mas não tem
nenhum significado satisfatório naquele idioma. Era uma colina verde
sem árvores, de forma que nem er- ´único´ nem las(s) ‘folha’ parecem
aplicáveis.

Calenhad

Calenhad era semelhante mas bastante maior e mais alto. Galen era a
palavra comum em Sindarin para ´verde´ (seu sentido mais antigo era
´brilhante´, Q. kalina). -had parece ser para sad (com mutação comum em
combinações); se não grafado erroneamente este deriva de SAT ´espaço,
lugar, sc. uma área limitada naturalmente ou artificialmente definida´
(também aplicado para identificar períodos ou divisões de tempo),
´dividir, demarcar´, visto em S. sad ´uma área limitada naturalmente ou
artificialmente definida, um lugar, marca´, etc. (também sant ´um
jardim, campo, pátio, ou outro lugar em propriedade privada, se cercado
ou não´; said ´privado, separado, não comum, excluído´; seidia – ´posto
em separado, destinado a um propósito ou dono especial´); Q. satì -
verbo, com sentido de S. seidia – (< P etc. -); [Q. adj.] satya [com
mesmo sentido] said; [Q.] asta divisão ano, ?mês? (sati Quenya tempo
espaço).44 Calenhad significaria desta simplesmente ?espaço verde?,
aplicado cume plano gramado colina. Mas had pode representar (os mapas
usam este caso onde poderiam ser envolvidos dh, menos Caradhras
omitido, Enedhwaith está grafado errado [?ened]. 45 -hadh seria então
sadh (em uso isolado sâdh) ?relva, grama? – base SAD ?pelar, esfolar,
descascar?, 46>

Halifirien

O ensaio termina (inacabado) com uma discussão longa e notável sobre
Halifirien; As notas entremeadas de Tolkien estão juntadas ao término
desta discussão. Com este relato cf. CI:334-1, 335-1.

Halifirien é um nome no idioma de Rohan. Era uma montanha com fácil
acesso ao seu ápice. Aos pés das suas encostas do norte crescia a
grande floresta chamada em Rohan a Floresta Firien. Esta se tornava
densa no terreno mais baixo solo, para o oeste ao longo do Ribeirão
Mering e em direção ao norte para a planície úmida pela qual o Ribeirão
fluía para o Entágua. A grande Estrada Oeste atravessava por uma longa
trilha ou clareira através da floresta, para evitar a terra úmida além
de seus limites. O nome Halifirien (modernizado em grafia de
Háligfirgen) significava Monte Sagrado. O nome mais antigo em Sindarin
tinha sido Fornarthan ´Farol Norte´; 47 a floresta tinha sido chamada
Eryn Fuir ´Floresta Norte´. A razão para o nome de Rohan não é
conhecida agora com certeza. A montanha era considerada com reverência
pelos Rohirrim; mas de acordo com suas tradições na época da Guerra do
Anel foi porque em seu ápice que Eorl o Jovem encontrou Cirion,
Governante de Gondor; e lá quando eles tinham examinado a terra adiante
eles fixaram os limites do reino de Eorl, e Eorl fez a Cirion o
Juramento de Eorl – “o juramento inquebrável” – de amizade perpétua e
aliança com Gondor. Desde então em juramentos da maior solenidade foram
invocados os nomes dos Valar (Nota 1) – e embora o juramento fora
chamado “o Juramento de Eorl” em Rohan também foi chamado “o Juramento
de Cirion” (para Gondor foi empenhado ajudar Rohan igualmente) e ele
usaria termos solenes em sua própria língua – isto poderia ser
suficiente para sacramentar o local.

Mas o relato em anais contém dois detalhes importantes: que havia no
lugar onde Cirion e Eorl estavam o que pareceu ser um monumento antigo
de pedras irregulares quase da altura de um homem com um topo plano; e
que naquela ocasião Cirion para o espanto de muitos invocou o Um (que é
Deus). As palavras exatas dele não estão registradas, mas elas
provavelmente tomaram a forma de termos alusivos como Faramir usou
explicando a Frodo o conteúdo da reverência “silenciosa” (antes de
refeições comunais) isso era um ritual Númenoriano, por exemplo “Estas
palavras permanecerão pela fé dos herdeiros da Terra da Estrela que
mantém os Tronos do Oeste e daquele que está acima de todos os Tronos
para sempre “.

Isto consagraria de fato o lugar por tanto tempo quanto durasse os
reinos dos Númenorianos, e não havia dúvida que a intenção era essa,
não sendo de qualquer forma uma tentativa para restabelecer a adoração
ao Um no Meneltarma (‘pilar de céu’), a montanha central de Númenor
(Nota 2), mas uma lembrança dela, e da reivindicação feita pelos
“herdeiros de Elendil�? que desde que eles nunca tinham vacilado em sua
devoção ainda era permitido a eles (Nota 3) dirigirem-se ao Um em
pensamento e oração.

O “antigo
monumento” – que foi evidentemente o significado de uma estrutura feita
antes da vinda dos Númenorianos – é um detalhe curioso, mas não há
nenhuma sustentação à opinião de que a montanha já era em algum sentido
“sagrada” antes de seu uso na tomada do juramento. Se tivesse ela sido
considerada de significado “religioso�? isto teria feito de fato seu uso
impossível, a menos que pelo menos tivesse sido completamente destruída
primeiro (Nota 4). Para uma estrutura religiosa que era “antiga” só
poderia ter sido erguida pelos Homens de Escuridão, corrompidos por
Morgoth ou o criado dele Sauron. Os Povos Médios, descendentes dos
antepassados dos Númenorianos, não eram considerados como nocivos nem
inimigos inevitáveis de Gondor. Nada é registrado da religião deles ou
práticas religiosas antes que eles entrassem em contato com os
Númenorianos (Nota 5), e aqueles que se associaram ou mesclaram com os
Númenorianos adotaram seus costumes e crenças (incluído no
“conhecimento” que Faramir fala de como tendo sido aprendido pelos
Rohirrim). O “antigo monumento” não pode ter sido assim feito pelos
Rohirrim, ou reverenciado por eles como sagrado, uma vez que eles não
tinham ainda se estabelecido em Rohan na época do Juramento (logo
depois da Batalha do Campo de Celebrant), e tais estrutura em lugares
altos como lugares de adoração religiosa não fazia parte dos costumes
dos Homens, bom ou mal (Nota 6). Pode porém ter sido uma tumba.

As notas do autor ao relato de Halifirien

Nota 1: Cf. a Coroação de Aragorn.
Nota 2: Isso teria sido considerado sacrílego.
Nota 3: E, como geralmente era confiado a seus governantes, todos que
aceitassem sua liderança e recebessem suas instruções. Veja próxima
nota.
Nota 4: Para a visão Númenoriana dos habitantes anteriores
veja a conversa de Faramir com Frodo, especificamente SdA II 287.49 Os
Rohirrim eram de acordo com sua classificação os Povos Médios, e a
importância deles para Gondor em sua época dele era principalmente em
mente e modifica seu relato; a descrição dos vários homens dos “feudos�?
meridionais de Gondor, que eram principalmente de descendência
não-Númenoriana, mostrava que outros tipos de Povos Médios, descendia
de outras das Três Casas dos Edain, que permaneceram no Oeste, em
Eriador (como os Homens de Bree), ou mais adiante ao sul –
principalmente os povos de Dor-en-Ernil (Dol Amroth).

Nota 5: Porque tais assuntos tiveram pouco interesse pelos cronistas
Gondorianos; e também porque foi suposto que eles tinham em geral
permanecido fiéis ao monoteísmo dos Dúnedain, aliados e seguidores dos
Eldar. Antes da remoção da maioria dos sobreviventes das “Três Casas
dos Homens” para Númenor, não há nenhuma menção da reserva de um lugar
importante para adoração do Um e a proibição em todos os templos
construídos à mão que era característico dos Númenorianos até a sua
rebelião e que entre os Fiéis (dos quais Elendil era o líder) depois da
Queda e perda do Meneltarma tornou-se uma proibição em todos os lugares
de adoração.

Nota 6: Os Homens de
Escuridão construíram templos, alguns de grande tamanho, normalmente
cercados por árvores escuras, freqüentemente em cavernas (naturais ou
cavadas) em vales secretos de regiões montanhosas; como os corredores
terríveis e passagens sob a Montanha Assombrado além do Portão Negro
(Portão dos Mortos) em Dunharrow. O horror singular do portão fechado
antes do qual o esqueleto de Baldor foi achado provavelmente era devido
ao fato de que a porta era a entrada para um salão de um templo
maléfico para o qual Baldor tinha vindo, provavelmente sem oposição até
aquele ponto. Mas a porta estava fechada na face dele, e inimigos que o
tinham seguido em silêncio vieram e quebraram suas pernas e o deixaram
para morrer na escuridão, incapaz de descobrir algum modo de sair.

Nas palavras “Pode porém ter sido uma tumba.”. Tolkien abandonou este
texto, e (sem dúvida que imediatamente) marcando o relato inteiro de
Halifirien para cancelamento.

Christopher Tolkien escreve: ” Estas últimas palavras podem bem
significar o momento preciso a qual a tumba de Elendil em Halifirien
[cf. CI:339] entrou na história; e é interessante observar o modo de
seu aparecimento. O original ´Firien era a ´colina negra´ na qual
estavam as cavernas de Dunharrow (VIII:251); também foi chamado ´o
Halifirien´ (VIII:257, 262), e Dunharrow era ´ dito para ser um
haliern´ (inglês antigo hálig-ern ´lugar santo, santuário´) ´e para
conter alguma relíquia antiga dos velhos dias antes da Escuridão´;
enquanto Dunharrow, na palavras posteriores de meu pai, é ´uma
modernização de Rohan DÅ«nhaerg “o templo pagão na encosta”, denominado
porque este refúgio do Rohirrim… estava no local de um lugar sagrado
dos antigos habitantes (VIII:267 n. 35). O nome Halifirien foi logo
transferido para se tornar a último dos faróis-das-colinas de Gondor,
no final ocidental da cadeia (VIII:257) que tinha sido nomeado Mindor
Uilos primeiro (VIII:233); mas não há nenhuma indicação de tudo do que
meu pai tinha em mente, com respeito ao real significado expresso do
nome Halifirien, quando ele fez esta transferência. O relato dado
acima, escrito tão tarde na vida dele, parece ser a primeira declaração
no assunto; e aqui ele assumiu sem questionamento que (logo que a
colina surgiu os Sindarin a chamaram Fornarthan ‘Farol Norte’) foram os
Rohirrim que a chamaram ´a Montanha Sagrada: e eles a chamaram assim,
´de acordo com suas tradições na época da Guerra do Anel´, por causa da
profunda gravidade e solenidade do juramento de Cirion e Eorl assumido
em seu topo no qual o nome de Eru foi invocado. Ele se refere a um
registro nos anais que ‘um monumento antigo de pedras irregulares quase
da altura de um homem com um topo plano’ situado no cume de Halifirien
- mas ele imediatamente continua a discutir fortemente que sua presença
não pode ser ´nenhum apoio para a versão de que a montanha era em algum
sentido “sagrada” antes de seu uso na tomada do juramento´, uma vez que
qualquer objeto antigo de significado ‘religioso’ só poderia ter sido
erguido pelos Homens de Escuridão, corrompido por Morgoth ou seu criado
Sauron´ Mas: ´Pode porém ter sido uma tumba.´

“E assim a ´consagração´ da colina (antigamente chamada Eilenaer) foi
feita dois mil e quinhentos anos atrás antes do Rohirrim se
estabelecerem em Calenardhon: já no começo da Terceira Era ela era a
Colina da Admiração, Amon Anwar dos Númenorianos, por causa daquela
tumba em seu topo. Eu não tenho nenhuma dúvida que o relato dado do
Juramento de Cirion e Eorl, com os textos intimamente relacionados, em
Contos Inacabados, seguiram muito brevemente e talvez sem intervalo a
todo o abandono deste ensaio nos nomes dos rios e faróis-das-colinas de
Gondor.

“É
assim visto que não só o trabalho presente mas toda a história do
Halifirien e a tumba de Elendil surgiu a partir do breve questionamento
do Sr. Bibire.

“Este é um lugar
conveniente para notar uma fase no desenvolvimento da história da tumba
de Elendil que não foi mencionada em Contos Inacabados. Há uma página
de rascunho rejeitada para a passagem que reconta a definição dos
limites de Gondor e Rohan por Cirion e Eorl que ligeiramente difere do
texto impresso em Contos Inacabados até o início do parágrafo: ´Por
este pacto apenas uma pequena parte da Floresta de Anwar…. ´
(CI:342). Aqui o texto rejeitado lê:

Por este acordo originalmente só uma pequena parte da Floresta à oeste
do Ribeirão Mering foi incluída em Rohan; mas a Colina de Anwar foi
declarada por Cirion para ser agora um lugar sagrado de ambos os povos,
e qualquer deles só poderia ascender agora a seu topo com a permissão
do Rei dos Éothéod ou do Governante de Gondor.
Durante o dia
seguinte depois da tomada dos juramentos Cirion e Eorl com doze homens
ascenderam a Colina novamente; e Cirion deixou abrir a tumba. “Está
correto agora afinal,” ele disse, “que os restos do pai dos reis sejam
trazidos para ficarem a salvo nos santuários de Minas Tirith.
Indubitavelmente se tivesse ele voltado da guerra sua tumba teria
estado muito longe no Norte, mas Arnor definhou, e Fornost está
desolada, e os herdeiros de Isildur entraram nas sombras, e nenhuma
palavra deles veio a nós por muitas vidas de homens “.

“Aqui meu pai parou, e tomando uma nova página escreveu o texto como
está em Contos Inacabados, adiando a abertura da tumba e a remoção dos
restos de Elendil para Minas Tirith para um ponto mais adiante na
história (CI:346).”

Apêndice: Os numerais Eldarin

O texto seguinte foi removido do apontamento para o nome do rio Levnui (S. ´quinto´) anterior à este apêndice.

As raízes dos números em Eldarin Comum (o qual até 12 concordam
exatamente nos idiomas derivados) era: 1 ´único´ (não-consecutivo) ER;
´um, primeiro de uma série´ MIN. 2 TATA, ATTA. 3 NEL, NEL-ED. De 3 à
951 as raízes eram dissílabas (Nota 1) (triconsonantal, embora duas
delas não tinham nenhuma consoante inicial, como não era raro em
Eldarin Comum neste padrão): 4 kan-at. 6 en-ek(w) (o (w) só aparece em
Quenya). 7 ot-os. 8 tol-ot. 52 9 net-er. 10 kwaya, kway-am. 11
minik(w). 12 yunuk(w). 53 5 é omitido porque é raro. Teve a raiz lepen,
e uma suposta variante lemen(mas veja mais adiante) nenhuma das quais
nunca apareceria sem a terceira consoante.

Os números, como é habitual, não são na maioria dos casos
referenciáveis a outras raízes ou bases com certeza. A forma min
provavelmente é a mesma em origem como MIN que aparece em palavras que
se aplicam às coisas imponentes isoladas, como campanários, torres
altas, cumes montanhosos proeminentes, minya ´primeiro´ tanto
significava eminente, proeminente´, cf. Q. eteminya ´proeminente´;
também minde ´torre´, aumentada em mindon ´torre alta´, minasse, S.
minas: ´forte, cidade, com uma fortaleza e torre de vigília central´.
´Cinco´ era sem dúvida primordialmente um número especial em povos de
forma de élfica/humana, sendo o número dos dedos em uma mão. Assim
lepen está sem dúvida relacionada à raiz LEP ´dedo´ (Nota 2). Também é
certo que 10 kwaya, e kwayam (-m que também é de origem plural), é
relacionado a base KWA (kwa-kwa, kwa-t) ´cheio, completo, tudo, todo”,
e significava ´tudo, o lote inteiro, todos os dez dedos’.54 Mas já em
Eldarin Comum os múltiplos de três, especialmente seis e doze, eram
considerados especialmente importantes, por razões aritméticas gerais;
e eventualmente ao lado da numeração decimal um sistema duodecimal
completo foi inventado para cálculos, alguns dos quais, como as
palavras especiais para 12 (dúzia), 18, e 144 (grossa), usado em
geral.55 Mas desde então isto aparece ter sido um desenvolvimento
relativamente recente (só começado depois do Eldarin Comum [?Período]
com exceção da palavra para 12), 56 a vaga semelhança de nel(ed),
e-nek-we, net-er provavelmente não são significantes.

Em Eldarin Comum as formas cheias com ómataima (longo ou curto)57 foram
empregadas como cardinais: como Telerin canat, Sindarin canad 4 lepne
geraria lempe sem necessidade de substituir m. Veja mais adiante em
Ordinais.
O ordinais em Eldarin Comum parecem ter sido formados
por adição de – y�? adjetival a uma raiz na qual a segunda vogal estava
ausente. Não através de síncope, mas de acordo com os modos primitivos
de derivação de bases. Em Quenya o final -ea foi generalizado para 3º,
4º, 6º, 9º inclusive. Era a forma natural para Quenya em 3º, 4º, 6º,
9º, e excluía-se o oya próprio para 7º, 8º. As formas em Quenya eram:
1º minya; 2º tatya (Nota 4) logo substituído por attea; 3º nelya,
também neldea,; 4º kantea; 5º lemenya (a forma comum; lempea só aparece
mais tarde em Quenya); 6º enquea; 7º otsea; 8º toldea; 9º nertea; 10º
quainea. As formas em Sindarin eram cardinais 1 mîn, er; 2 tâd; 3 nêl;
4 canad; 5 leben; 6 eneg; 7 odog (a forma histórica odo
Nesta
colocação as anomalias Q. lemenya e S. levnui podem ser entendidas
melhor. A forma lemenya em Quenya claramente sustenta a opinião que o
número Eldarin Comum para 5 diferiu dos outros de 3 à 9: não era
originalmente uma raiz de triconsonantal, o final nasal era um inflexo,
e não havia nenhum ómataima além dele no momento primordial quando
estes adjetivos foram inventados; o -ya adjetival foi adicionado então
direto ao nasal. O m é porém uma alteração de Quenya baseada em lempe.
Em Telerin, em contraste com Quenya e Sindarin, o ordinais, sob a
influência de minya, tatya, nelya, e lepenya, generalizaram o padrão no
qual -ya foi somado direto à consoante final da raiz: assim T. 4º
canatya, 6º enetya, 7º ototya, 8º tolodya, 9º neterya, 10º paianya,.
Pode ser observado que 5º eram lepenya; desde que o cardinal era lepen
e não havia nenhuma forma tal como Q. lempe para induzir uma mudança
para lemen-. O Telerin, embora em muitas formas a mais arcaica das
línguas dos Eldarin, não era imune a mudanças analógicas como é visto
na forma ototya (com tya em vez de sya) depois de -tya em 2º, 4º, 6º;
mas não seria razoável supor que T. lepenya tem p depois de lepen em
vez de m como em Q. lemenya; desde que o m está isolado em Quenya e
satisfatoriamente explicável de lempe, enquanto que uma raiz variante
*lemen seria obscura em suas relações para lepen que tem conexões
etimológicas confiável.

O S. levnui não
sustenta *lemen. É verdade que *lemnui feito em um padrão semelhante
para os outros números geraria levnui; mas o mesmo faria uma forma-raiz
lepn- em Sindarin. Em Sindarin paradas mudas [i.e., p, t, k] antes de
nasais tornam-se sonoras > b, d, g, e então junto com as paradas
sonoras originais nesta posição tornam-se nasais antes de nasais
homorgânicas (tn, dn> nn; pm, bm> mm), mas antes de outras nasais
tornam geralmente fricativas como medianas (pn, bn> vn; tm, dm>
ðm, depois> ðv, ðw,; kn, gn> gn> em; km, gm> gm> im>
iv, iw). Como, entretanto, Quenya e Telerin mostram claramente que a
raiz lepen não é uma raiz primordialmente distinta capaz do
deslocamento da segunda vogal, a história real da anomalia Sindarin é
provavelmente esta: a seqüência do E.C. lepenya teriam produzido
*lepein(a) [cancelado: mais provavelmente lebein(a)], mas sua anomalia
em relação a seus vizinhos teria só o apoio do distante *neil(a) 3º,
que não era uma raiz triconsonantal; era então remodelada a lepni(a)
depois de enki(a) 6º e nerti(a) 9º e o padrão semelhante das raízes em
*kantaia 4º, otsoia 7º, toltoia 8º. O lepni seguiu o desenvolvimento
Sindarin normal então para levni e subseqüentemente adotando como todos
os outros vizinhos o final ui.

Uma folha rasgada ao meio colocada entre esta discussão de números em Eldarin lê:

Complicado demais. lemenya deve ser abandonado, o reflexo do Antigo
Quenya em Vanyarin era lepenya (como em Telerin). Em Noldorin Quenya
essa anomalia era corrigida por lempea (com -ea dos outros ordinais)
derivado de lempe, e antes do Exílio esta já era a forma habitual
falada de 5º em Quenya Noldorin, embora os Noldor todos conhecessem
lepenya desde que era usado em Vanyarin e também em Telerin.

Notas do autor para o relato dos numerais Eldarin

Nota 1: As mais simples, e provavelmente mais antigas, formas
bi-consonantais ocorrem, entretanto, em formas adverbiais ou prefixos:
como AT(A) ´

Dos Anões e Homens

Importante texto da série HoME que trata dos Anões, seus clãs, suas alinças com os Homens e também relata sbre os Homens do Norte.
[Christopher Tolkien:Este longo ensaio não possui título, mas em uma página de rosto meu pai escreveu:

"Uma história e comentário extenso sobre a inter-relação das linguagens em O Silmarillion e em O Senhor dos Anéis, originadas de considerações sobre o Livro de Mazarbul, mas tentando clarificar e onde necessário corrigir ou explicar as referências a tais assuntos espalhadaos por O Senhor dos Anéis, especialmente no Apêndice F e na Fala de Faramir no SdA II"

´Fala de Faramir´ é uma referência à conclusão do capítulo A Janelasobre o oeste no As Duas Torres. Para um vago resumo do ensaio ele deu o título Anões e Homens, o qual adotei.

O texto começa manuscrito mas após três páginas e meia torna-se datilografado até sua conclusão (28 páginas ao todo). Ele foi escrito em papéis timbrados fornecidos pela Allen and Unwin, nos quais a última data é Setembro 1969. Uma parte do trabalho foi impressa no Contos Inacabados, Parte Quatro, Seção I, Os Drúedain, mas de outra forma pouco uso foi feito dele naquele livro. Infelizmente a primeira página do texto foi perdida (e já estava faltando quando recebi os papéis de meu pai) e inicia-se no meio de uma frase de um trecho discutindo o conhecimento da Língua Comum.

Em relação à primeira parte do ensaio, que se refere aos Anões Barbalonga, achei que seria útil primeiramente citar o que é dito sobre os Anões nas duas principais fontes anteriores. O texto a seguir é encontrado no capítulo Sobre os Anões do Quenta Silmarillion, como revisado e aumentado em 1951:

A língua-mãe dos Anões foi criada pelo próprio Aulë e suas línguas não tinham parentesco com aquelas dos Quendi. Os Anões não ensinavam de boa vontade suas língua para aqueles de outra raça; e no uso da mesma a tornaram dura e intrincada, assim daqueles poucos que foram recebidos plenamente em amizade poucos a aprenderam bem. Mas eles próprios aprendiam rapidamente outras línguas e em conversações eles podem usar as línguas dos Elfos e Homens com os quais negociam. Mas apenas em segredo eles utilizam sua própria fala e ela (como é dito) muda lentamente, dessa forma mesmo os reinos e casas que há muito se distanciaram podem se entender bem umas às outras. Nos dias antigos os Naugrim habitavam muitas montanhas da Terra-média e lá conheceram os Homens mortais (dizem eles) muito antes dos Eldar; por isso muitas das línguas dos Orientais mostram parenteco com a fala dos Anões ao invés de com a fala dos Elfos.

O segundo trecho é do Apêndice F, Anões.

Na Terceira Era, contudo, ainda se encontrava em muitos lugares uma profunda amizade entre Homens e Anões; e era compatível com a natureza dos Anões o fato de, viajando, trabalhando e comerciando pelas terras afora, como fizeram depois da destruição de suas antigas mansões, usarem as línguas dos homens entre os quais habitavam. Em segredo, porém (um segredo que, ao contrário dos Elfos, não revelavam voluntariamente, nem aos seus amigos), usavam sua estranha língua, pouco mudada pelos anos; pois tornara-se uma língua de tradição, e não de berço, e eles a cultivavam e guardavam como um tesouro do passado. Poucos membros de outras raças conseguiram aprendê-la. Nesta história ela aparece somente como topônimos que Gimli revelou aos companheiros e no seu grito de batalha no cerco do Forte da Trombeta. Esse, pelo menos, não era secreto, e foi ouvido em muitos campos desde que o mundo era jovem. Baruk Khazâd! Khazâd aimênu!" Machado dos Anões! os Anões estão sobre vós!"

O próprio nome de Gimli, porém, eos nomes de toda a sua gente, são de origem setentrional (Humana). Seus nomessecretos e "interiores", seus nomes verdadeiros, jamais foram revelados pelos Anões a quem fosse de raça alheia. Nem mesmo em seus túmulos eles os inscrevem.

Aqui segue o texto do ensaio que eu chamei Dos Anões e Homens.]

…apenas ao falar com outros de diferentes raças e línguas, a divergência poderia ser grande, e a intercomunicação imperfeita [1]. Mas este nem sempre era o caso: dependia da história dos povos relacionados e suas relações com os reinos Numenorianos. Por exemplo, entre os Rohirrim existiam muitos poucos que não compreendiam a Língua Comum e a maioria era capaz de falá-la bastante bem. A casa real, e sem dúvida muitas outras famílias, falavam-na (e escreviam-na) correta e familiarmente. Era de fato a língua nativa do Rei Théoden: ele nasceu em Gondor e seu pai Thengel utilizava a Língua Comum em sua própria casa mesmo após seu retorno a Rohan [2]. Os Eldar usavam-na com o cuidado e perícia que aplicavam a todos os assuntos lingüísticos, e sendo longevos e de longa memória eles tendiam, especialmente quando falavam formalmente ou sobre assuntos importantes, usar uma linguagem de certa forma arcaica [3].

Os Anões eram, de muitas maneiras, um caso especial. Eles tinham uma antiga língua própria da qual se orgulhavam bastante; e mesmo quando, como entre os Anões Barbalonga do Oeste, cessou de ser sua língua nativa e tornou-se uma “língua de livro”, foi cuidadosamente preservada e ensinada a todas as suas crianças bastante cedo. Servia, portanto, como lingua franca entre todos os Anões de todos os tipos; mas também era a língua escrita utilizada em todas as histórias e conhecimentos importantes, e no registro de todos os assuntos que não tinham intenção de serem lidos por outros povos. Este Khuzdul (como eles a chamavam), parcialmente devido à sua própria secritude natural, parcialmente por sua dificuldade inerente [4], raramente era aprendida por aqueles de outra raça.

Os Anões não eram, contudo, lingüístas hábeis – em muitos aspectos eles não era adapatáveis – e falavam com um notável sotaque anão. Eles também nunca inventaram nenhuma forma de escrita alfabética [5]. Eles, contudo, rapidamente reconheceram a utilidade dos sistemas Élficos, quando eles finalmente se tornaram suficientemente amigos com qualquer Eldar para aprendê-los. Isto ocorreu principalmente na convivência próxima de Eregion e Moria na Segunda Era. Em Eregion não apenas a Escrita Feanoriana, que há muito tornara-se um modo de escrita utilizado comumente (com várias adaptações) entre todos os povos ”alfabetizados” em contato com as colônias Numenorianas [6], mas também o antigo alfabeto “rúnico” de Daeron elaborado[> usado] pelos Sindar era conhecido e utilizado. Isto se devia, sem dúvida, à influência de Celebrimbor, um Sinda que se dizia descendente de Daeron [7]. Em todo caso, mesmo em Eregion as Runas eram principalmente um “assunto de sabedoria” e raramente utilizadas informalmente. Elas, contudo, capturaram a maneira dos Anões; pois embora os Anões ainda morassem em seus próprios reinos populosos, como Moria, e saíssem em viagens apenas para visitar seus parentes, eles tinham pouco contato com outros povos exceto seus vizinhos imediatos, e necessitavam escrever muito pouco; embora fossem orgulhosos das inscrições, de todos os tipos, feitas em pedra. Para tais propósitos as Runas era convenientes, sendo originalmente utilizadas para tal.

Os Anões Barbalonga adotaram as Runas, modificando-as para seus próprios usos (especialmente a escrita do Khuzdul); e eles aderiram a ela mesmo ao final da Terceira Era, quando estavam esquecidas pelos demais exceto os mestres da sabedoria dos Elfos e Homens. De fato, era geralmente suposto pelos não estudados que ela haviam sido inventadas pelos Anões, e eram amplamente conhecidas como “letras dos Anões” [8].

Aqui estamos interessados apenas na Língua Comum. A Língua Comum, quando escrita de alguma forma, em seu início era expressa através da Escrita Feanoriana [9]. Apenas ocasionalmente e escritas não feitas com caneta ou pincel alguns Elfos de descendência Sindarin usavam as Runas de Daeron. Os Anões originalmente aprenderam a Língua Comum de ouvido o melhor que puderam e não tiveram oportunidade de escrevê-la; mas na Terceira Era foram obrigados, devido ao comércio e outros assuntos com Homens e Elfos, a aprender a ler a Língua Comum escrita e muitos acharam conveniente aprender a escrevê-la de acordo com os costumes gerais do Oeste. Mas eles apenas o faziam nos assuntos com outros povos. Para seus próprios propósitos (como dito) eles preferiam as Runas e aderiam a elas.

Portanto em documentos tais como o Livro de Mazarbul – não “secreto” mas direcionado principalmente a Anões, e provavelmente mais tarde tendo como intenção fornecer material para crônicas [10] – eles usavam as Runas. Mas a escrita estava misturada e irregular. Em geral e por intenção básica era uma transcrição da escrita corrente da Língua Comum em Runas; mas esta era freqüentemente “incorreta”, devido à rapidez e conhecimento imperfeito dos Anões; e isto misturado com os numerosos casos de palavras escritas foneticamente (de acordo com a pronúncia dos Anões) – por exemplo, letras que na pronúncia coloquial do final da Terceira Era cessaram de ter qualquer função eram algumas vezes omitidas [11].

Na preparação de um exemplo do Livro de Mazarbul, e fazendo três páginas rasgadas e parcialmente ilegíveis [12], eu segui o princípio geral mantido no todo: a Língua Comum era representada como o inglês de hoje, formal ou coloquial conforme o caso exigia. Consequentemente o texto foi feito na língua inglesa atual, modificada para parecer que os escritores estavam com pressa e tinham um conhecimento imperfeito da forma escrita e que estavam, também, (na primeira e terceira páginas) transliterando o inglês em um alfabeto diferente – um que, por exemplo, não empregasse qualquer letra em mais de um valor distinto, por isso a distribuição do inglês k,c – c,s foi reduzido a k – s; enquanto que o uso de s e z é variável uma vez que o inglês usa s frequentementem como se fosse z. Adicionalmente alguns documentos deste tipo quase sempre mostravam o uso de letras ou emformas peculiares ou nunca encontradas em outros lugares, algumas poucas das quais também foram acrescentadas: como os símbolos para os pares ingleses de vogais ea, oa, ou (sem relação aos seus sons).

Ficou bastante bom, e talvez dê alguma noção do tipo de texto que Gandalf tentava ler muito rapidamente na Câmara de Mazarbul. Também está de acordo com o tratamento geral das línguas em O Senhor dos Anéis: apenas as formas atuais dos nomes e palavras do período, que estavam nas línguas Élficas, foram preservados como supunha-se serem sua forma real [13]. Além disso, este tratamento foi imposto pelo fato de que, embora a Língua Comum tenha sido rascunhada em termos de elementos fonéticos e estrutura, e um certo número de palavras inventado, é impossível traduzir tais pequenos trechos em formas reais contemporâneas, se fossem visualmentee representados. Mas esta é uma extensão errônea do tratamento lingüístico geral.É uma coisa representar todos os diálogos da história em várias formas de inglês:  supôe-se que isto seja feito por “tradução” – da memória de sons não registrados ou de documentos perdidos e não impressos, seja assim afirmado ou não, qualquer que seja a narrativa lidando com tempos passados ou terras estrangeiras. Mas é outra coisa completamente diferente prover representações visuais de escritos ou gravações supostamente feitos à data da narrativa [14].

O real paralelo neste caso é o relance de Quenya dado no lamento de galadriel – seja na transcrição para o nosso alfabeto (para tornar o estilo da linguagem mais facilmente apreciável) ou na escrita contemporânea (com na The Road Goes Ever On) – seguida por uma tradução. Uma vez que, como dito, a provisão de um texto contemporâneo na Língua Comum não é possivel, o único procedimento adequado era produzir uma tradução para o inglês das palavras legíveis das páginas rapidamente examinadas por Gandalf [15]. Isto foi feito no texto; e pouco da contrução da Língua Comum, suficiente para permitir o texto estar na forma contemporânea, tudo que pôde ser legitimamente feito.

Uma dificuldade especial é apresentada pela inscrição no túmulo de Balin. Ela é efetiva em seu lugar: dando uma idéia do estilo das Runas quando gravadas com mais cuidado para propósitos solenes, e proporcionando um vislumbre de uma língua estranha; embora tudo que era realmente necessário para o conto são as seis linhas [16] (com a tradução da inscrição em letras maiores e mais fortes). A representação da inscrição, entretanto, caiu em alguns absurdos[17].

O uso, na inscrição, de valores e formas mais antigos e mais “corretos” das Argenthas, e não do posterior “uso de Erebor” não é absurdo (embora possivelmente seja uma elaboração desnecessária); está de acordo com a história das Runas como rascunhada no Apêndice E. As Runas mais antigas seriam utilizadas para tal propósito, uma vez que foram utilizadas em Moria antes da fuga dos Anões, e apareceria em outras inscrições afins - e Balin clamava ser descendente e sucessor dos antigos Senhores de Moria. O uso da língua dos Anões (Khuzdul) é possível em uma inscrição tão curta, uma vez que esta língua foi rascunhada em algum detalhe de sua estrutura e com um vocabulário bastante pequeno. Mas os nomes Balin e Fundin em tal contexto são absurdos. Os Anões, como já dito, tinham nomes em sua própria língua; estes eles apenas utilizavam entre eles mesmo (em ocasiões solenes) e os mantinham estritamente secretos a outros povos e portanto nunca os escreviam em textos ou inscrições que pudessem ser vistos por estranhos. Em tempos ou locais onde eles tinham assuntos, seja de negócios ou amizade, com seus vizinhos, eles adotaram ”nomes externos” para conveniência [19].

Estes nomes tinham forma geralmente adaptada à estrutura da Língua Comum [> à estrutura da língua das quais derivavam]. Muito frequentemente eles possuíam significados reconhecíveis naquela língua ou eram nomes comuns na mesma; algumas vezes eram nomes [> comuns na mesma, sendo nomes] utilizados pelos Homens na vizinhança em que residiam, e eram derivados da línguas Humanas nas quais eles poderiam continuar a ter um significado, embora nem semprefosse o caso [esta frase foi riscada][20]. Se os nomes adotados que possuíam significados foram escolhidos por estes significados terem algumas relação com seus ”nomes internos” não pode ser determinado. Os nomes adotados poderiam ser alterados e algumas vezes eram – geralmente em consequência de algum evento, como uma migração dos Anões os de seus amigos, que os separassem.

O caso dos Anões de Moria é um exemplo da adoção de nomes das línguas Humanas do Norte, não da Língua Comum[21]. Poderia ter sido melhor, nesse caso, dar os nomes em suas formas originais. Mas continuando com a teoria (necessária para reduzir o peso da invenção de nomes em diferentes estilos de linguagem) que nome derivados de línguas e dialetos Humanos do Oeste historicamente relacionados à Língua Comum deveriam ser representados por nomes encontrados (ou construídos de elementos encontrados em) línguas relacionadas aos inglês, os nomes dos Anões foram tomados do Norueguês, uma vez que as línguas humanas das quais eles os adotaram é bastante próxima da língua do sul da qual se derivou a língua de Rohan (representada pelo Inglês Antigo, devido ao seu grande arcaísmo se comparada àqueles elementos da Língua Comum derivados da línguas de mesmo parentesco). Em consequência nomes como Balin não apareceriam em nenhuma inscrição contemporânea utilizando Khuzdul [22].

Relacionamentos dos Anões Barbalongas e Homens [23]

Nas tradições dos Anões da Terceira Era os nomes dos locais onde cada um dos Sete Ancestrais “acordaram” foram preservados; mas apenas dois deles são conhecidos dos Elfos e Homens do Oeste: o mais ocidental, o local do acordar dos ancestrais dos Barbas-de-fogo e dos Vigalargas; e aquele do ancestral dos Barbalongas[24], o mais antigo a ser criado e o primeiro a acordar. O primeiro foi o norte das Ered Lindon, o grande muro leste de Beleriand, do qual as Montanhas Azuis da Segunda Era e eras posteriores são remanescentes; o segundo foi o Monte Gundabad (originalmente um nome Khuzdul), o qual era, portanto, reverenciado pelos Anões e sua ocupação na Terceira Era pelos Orks [N.T. escrito assim mesmo, com K] de Sauron foi uma das principais razões de seu grande ódio aos Orks [25]. Os outros dois locais eram a leste, a distâncias tão grandes ou maiores do que entre as Montanhas Azuis e Gundabad: a origem dos Punhos-de-Ferro e dos Barba-Bífidas e àquele dos Ferrolho-Negros e Pés-de-Pedra. Embora estes quatro pontos fossem bastante separados os Anões das diferentes famílias estavam em contato, e nas primeiras eras mantinham assembléias de representantes no Monte Gundabad. Em tempos de grande necessidade mesmo os mais distantes mandariam auxílio para qualquer um de seu povo; como no caso da grande Guerra contra os Orks (Terceira Era, 2793-2799). Embora não gostassem de migrar e fazer moradias permanentes ou “mansões” longe de suas casas originais, exceto  sob grande pressão de inimigos ou após alguma catástrofe como a ruína de Beleriand,eram grandes e resistentes viajantes e hábeis construtores de estradas; e também todas as famílias dividiam uma língua comum [26].Mas em dias distantes os Anões eram secretivos [riscado: - e nenhum mais do que os Barbalongas - ] e possuíam poucos negócios com os Elfos. No Oeste ao fim da Primeira Era os negócios dos Anões das Ered Lindon com o Rei Thingol terminaram em desastre e na Ruína de Doriath, a lembrança da qual continuou a envenenar as relações entre Elfos e Anões em Eras posteriores. Àquele tempo as migrações dos Homens do Leste e Sul trouxeram grupos avançados a Beleriand; mas não eram em grande número, embora mais ao leste em Eriador e Rhovanion (especialmente as áreas mais ao norte) seus parentes tenham ocupado a maior parte da terra. Lá os negócios entre Homens e os Barbalongas logo começaram. Para os Barbalongas, embora os mais orgulhosos das Sete Casas, também eram os mais sábios e os de visão mais longa. Homens mantinham-nos em temor e eram ávidos por aprender com eles; e os Barbalongas tinham grande interesse em usar os Homens para seus próprios interesses. Portanto cresceu a economia, naquela região, mais tarde característica dos negócios entre Anões e Homens (incluindo Hobbits): Homens tornaram-se os principais fornecedores de comida, comocriadores de gado, pastores e cultivadores, pela qual os Anões trocavam por trabalho como construtores, fazedores de estradas, mineradores e criadores de muitos artefatos, de ferramentas úteis a armas e muitas outras coisas de grande custo de habilidade. Para o grande proveito dos Anões. Não apenas para ser contado em horas de trabalho, embora em tempos iniciais os Anões devem ter obtido bens que eram o produto de maior e mais extenso esforço do que as coisas ou serviços que eles davam em troca - antes dos Homens se tornarem mais sábios e desenvolverem habilidades deles mesmos. A principal vantagem para eles era a liberdade de continuar com seus trabalhos sem obstáculos e de refinar suas artes, especialmente na metalurgia, à maravilhosa habilidade que alcançaram antes do declínio e do diminuir de Khazad.

Este sistema se desenvolveu lentamente, e foi muito antes dos Barbalongas sentirem qualquer necessidade de aprender a língua de seus vizinhos, muito menos adotar nomes através dos quais eles pudessem sem conhecidos individualmente para os “de fora”. Este processo não começouem trocas ou negócios, mas na guerra; pois os Barbalongas se expandiram para o sul nos Vales do Anduin e fizerem sua “mansão” e forte principalem Moria; e também a leste para as Colinas de Ferro, cujas minas eram a principal fonte de minério de ferro. Eles consideravam as Colinas de Ferro, as Ered Mithrim e as escarpas leste das Montanhas Nebulosas como de sua posse. Mas eles estavam sob ataque dos Orks de Morgoth. Durante a Guerra das Jóias e o Cerco de Angband, quando Morgoth precisou de toda sua força, estes ataques cessaram; mas quando Morgoth caiu e Angband foi destruída, hordas de Orks fugiram para o leste procurando moradia. Estavam agora sem mestre e sem qualquer liderança geral, mas eram bem armados e muito numerosos, cruéis, selvagens e sem piedade no ataque. Nas batalhas que se seguiram os Anões ficaram em menor número e embora fosse os guerreiros mais irredutiveis de todos os Povos Falantes eles ficaram satisfeitos em fazer aliança com os Homens.[27]

Os Homens com os quais eles então se associaram eram em maior parte aparentados em raça e língua com os homens altos e em sua maioria com belos cabelos povo da “Casa de Hador”, a mais renomada e numerosa dos Edain, os quais foram aliados dos Eldar na Guerra das Jóias. Estes homens, ao que parece, foram em direção oeste até encontrarema Grande Floresta Verde e então se dividiram: alguns chegaram ao Anduin e cruzaram-no em direção norte para os Vales; alguns cruzaram o norte da Floresta e as Ered Mithrim. Apenas uma pequena parte deste povo, já muito numeroso e dividido em muitas tribos, passou para Eriador e finalmente para Beleriand. Eles eram um povo bravo e leal, de bom coração, odiadores de Morgoth e seus servos; e a príncipio recusaram o pedido dos Anões, temendo que estivessem sob a Sombra (como disseram) [28]. Mas eles ficaram satisfeitos com a aliança, pois eles eram mais vulneráveis aos ataques dos Orks: eles residiram principalmente em vilas e agrupamentos espalhados, e se se uniam em pequenas cidades defendiam-na pobremente, no máximo comfossos e cercas de madeira. Também tinham apenas armamento leve, principalmente arcos, pois possuíam pouco metal e os poucos ferreiros entre eles não possuíam grandes habilidade. Estas coisas os Anões consertaram em troca do grande serviço que os Homens poderiam oferecer. Eles eram adestradores de bestas e aprenderam a maestria dos cavalos, e muitos eram cavaleiros hábeis e sem medo [29]. Estes freqüentemente cavalgavam longe como batedores e mantinham vigilância dos movimentos dos inimigos; e se os Orks ousassem se reunir em campo aberto para algum grande ataque, eles poderiam reunir uma grande força de arqueiros montados para cercá-los e destruí-los. Desta forma a Aliança dos Anões e Homens no Norte rapidamente veio a comandar uma grande força no começo da Segunda Era, rápida em ataque e valente e bem preparada na defesa, e naquela região cresceram o respeito e a estima entre Anões e Homens, e algumas vezes grande amizade.
Foi àquele tempo, quando os Anões eram associados aos Homens tanto na guerra quanto no ordenar das terras que eles obtiveram[30], que os Barbalongas adotaram a língua dos Homens para se comunicarem com eles. Eles não tinham desejo de não ensinar sua própria língua aos Homens com os quais tinham uma amizade especial, mas os Homens a achavam difícil e eram lentos a aprender mais do que palavras isoladas, muitas das quais eles adotaram e inseriram em seus próprias línguas. Mas em um ponto os Barbalongas eram tão rigidamente secretivos quanto todos os outros Anões. Por razões que nem os Elfos nem os Homens entenderam completamente eles não revelavam nenhum nome pessoal a pessoas de outra raça [31], nem mais tarde quando eles adquiriram as artes da escrita jamais permitiram que estes fossem gravados ou escritos. Eles então pegaram nomes em forma dos Homens, pelos quais poderiam ser conhecidos a seus aliados [32]. Este costume permaneceu entre os Barbalongas até a Quarta Era e além do escopo destas histórias. Aparentemente quando falando com Homens com os quais tinham uma amizade próxima, ao falar das histórias e memórias de seus povos, eles também davam nomes similares aos Anões lembrados em seus anais muito antes do encontro de Anões e Homens. Mas destes tempos antigos apenas um nome foi preservado na terceira Era: Durin, o nome que eles deram ao primeiro ancestral dos Barbalongas e pelo qual ele foi conhecido entre Elfos e Homens. (Parece ter sido simplesmente uma palavra para “rei” na língua dos Homens do Norte na Segunda Era) [33]. Assim não são conhecidos listas de nomes dos Barbalongas anteriores à ruína de Moria (Khazaddum), 1980 da Terceira Era; mas eles eram todos do mesmo tipo, isto é, em uma língua dos Homens há muito “morta”.

Isto apenas pode ser explicado supondo-se que estes nomes do início da Segunda Era foram adotados pelos Anões, e preservados com tão poucas alterações quanto sua própria língua, e continuaram sendo dados (e freqüentemente repetidos) por algo em torno de quatro mil anos ou mais desde que a Aliança foi destruída pelo poder de Sauron! Desta forma eles logo se tornaram, para os Homens de mais tarde, nomes especiais de Anões [34], e os Barbalongas adquiriram um vocabulário de nomes tradicionais peculiares a eles mesmo, enquanto mantinham seus verdadeiros nomes “internos” completamente em segredo.

Muitas mudanças aconteceram enquanto a Segunda Era prosseguia. Os primeiros navios dos Numenorianos apareceram às costas da Terra-média por volta de 600 da Segunda Era, mas nenhum rumor desse acontecimento atingiu o distante Norte. Ao mesmo tempo, contudo, Sauron saiu do seu esconder-se e se revelou com bela aparência. Por muito tempo ele deu pouca atenção a Anões e Homens e dedicou-se a ganhar a amizade e confiança dos Eldar. Mas lentamente ele voltou a seguir Morgoth e começou a buscar poder atarvés da força, tomando o comando novamente e direcionando os Orks e outras criaturas malignas da Primeira Era, e secretamente construindo sua grande fortaleza na terra cercada de montanhas, no sul, que mais tarde ficou conhecida como Mordor. A Segunda Era tinha atingido apenas a metade de seu curso (por volta de 1695) quando ele invadiu Eriador e destruiu Eregion, um pequeno reino estabelecido pelos Eldar que migraram da ruína de Beleriand e que também formaram uma aliança com os Barbalongas de Moria. Isto marcou o fim da Aliança entre Barablongas e Homens do Norte. Pois embora Moria continuasse inexpugnável por muitos séculos, os Orks, reforçados e comandados por servos de Sauron invadiram as montanhas novamente. Gundabad foi retomada, as Ered Mithrim infestadas e a comunicação entre Moria e as Colinas de Ferro cortadas por um tempo. Os Homens da Aliança foram envolvidos em uma guerra não apenas contra os Orks mas também com Homens estrangeiros malignos. Pois Sauron conseguiu domínio sobre muitas tribos selvages do Leste (corrompidas no passado por Morgoth), e ele agora os instigou a tomar a terra e saquear o Oeste. Quando a tempestade passou [35], os Homens da antiga Aliança estavam reduzidos e separados, e aqueles que permaneciam nas antigas regiões estavam empobrecidos, e viviam principalmente em cavernas ou nas bordas da Floresta.

Os mestres Élficos do conhecimento mantinham que, em matéria de línguas, as mudanças na fala (como em todos os aspectos de seus vidas) dos Povos Falantes foram muito mais lentas nos Dias Antigos do que se tornaram mais tarde. As línguas dos Eldar mudaram principalmente em aparência; a dos Anões resistia a mudanças pela própria vontade destes; as muitas línguas dos Homens mudavam sem atenção no rápido passar de suas gerações. Em Arda todas as coisas mudavam, mesmo no Reino Abençoado dos Valar; mas lá a mudança era tão lenta que não podia ser observada (exceto talvez pelos Valar) em grandes eras do tempo. A mudança na linguagem dos Eldarpoderia portanto ser parada em Valinor [36]; mas em seus dias iniciais os Eldar continuaram a aumentar e refinar sua língua, e a alterá-la, mesmo em estrutura e sons. Tais mudanças, contudo, para permanecerem uniformes requeriam que os falantes deveriam continuar em comunicação. Por isso aconteceu que as línguas dos Eldar que permaneceram na Terra-média divergiram das línguas dos Altos Eldar de Valinor tão grandemente que nenhuma delas poderia ser entendida por falantes da outra; pois elas foram separadas por tão grande espaço de tempo, durante o qual mesmo o Sindarin, a mais bem preservada delas na Terra-média, foi sujeita a grades mudanças nos anos que se passaram, mudanças que os Teleri estavam menos interessados  em conter ou direcionar que os Noldor.

 

II.
Os Atani e suas línguas[37]

Os Homens entraram em Beleriand ao final da Primeira Era. Aqueles com os quais estamos lidando e cujas linguagens tiveram anotações preservadas pertencem principalmente aos três povos, diferentes em fala e raça, mas conhecidos em comum pelos Eldar como os Atani (Sindarin Edain)[38]. Estes Atani era a vanguarda de grupos muito maiores das mesmas famílias migrando para oeste. Quando a Primeira Era terminou e Beleriand foi destruída e a maior parte dos Atani que sobreviveram passaram sobre o mar para Númenor, seus parentes mais atrasados estavam ou em Eriador, alguns estabelecidos, outros ainda vagando ou nunca cruzaram as Montanhas Nebulosas e estavam, espalhados entre as Colinas de Ferro e o Mar de Rhun a leste da Grande Floresta, ou nas bordas da qual, tanto a leste como a oeste, muitos se fixaram.Os Atani e seus parentes eram os decendentes de povos que nas Eras Escuras resistiram a Morgoth ou tinham renunciado a ele, e migraram para oeste de suas casas, localizadas no extremo Leste, buscando pelo Grande Mar, do qual rumores distantes os alcançaram. Eles não sabiam que o próprio Morgoth havia deixado a Terra-média[39]; pois eles estavam sempre em guerra com as coisas vis que ele gerou, e especialmente com Homens que fizeram dele seu Deus e acreditavam que não podiam prestar-lhe serviço mais prazeiroso do que destruir os ”renegados” com todo tipo de crueldade. Foi no Norte da Terra-média, ao que parece, que os “renegados” sobreviveram em números suficientes para manter suas independências como povos bravos e duros; mas de seu passado eles preservaram apenas lendas, e suas histórias orais alcançavam no passado não mais do que umas poucas gerações de Homens.

Quando suas vanguardas finalmente alcançaram Beleriand e o Litoral Oeste eles desanimaram. Pois eles não podiam seguir adiante, mas também não encontraram paz, apenas terras engajadas na guerra com o próprio Morgoth, que havia fugido de volta à Terra-média. “Por eras esquecidas”, eles disseram, “nós vagamos, procurando escapar dos Domínios do Senhor do Escuro e de sua Sombra, apenas para encontrá-lo aqui à nossa frente” [40]. Mas sendo um povo tão bravo quanto desesperadorapidamente se tornaram aliados dos Eldar,foram instruídos por eles e tornaram-se enobrecidos e avançados em conhecimentos e artes. Nos anos finais da Guerra das Jóias eles proporcionaram muitos dos mais valentes guerreiros e capitães dos exércitos dos reis Élficos.

Os Atani eram três povos, independentes em organização e lideranças, cada um dos quais diferindo em fala e também em formas corpóreas dos demais – embora todos eles mostrassem traços de terem se misturado no passado com Homens de outros tipos. Estes povos os Eldar nomearam o Povo de Beor, o Povo de Hador e o Povo de Haleth, em razão dos nomes dos chefes que os comandava quando chegaram pela primeira vez em Beleriand [41]. O Povo de Beor foram os primeiros Homens a entrar em Beleriand – eles foram encontrados nos vales de Beleriand Oriental pelo Rei Finrod, o Amigo dos Homens, pois eles haviam encontrado uma passagem através das Montanhas. Eles eram um povo pequeno, tendo não mais, como é dito, do que dois mil homens adultos; e eles pobres e parcamente equipados, mas foram forçados a viagens duras e cansativas carregando grandes cargas, pois eles não tinham bestas de carga. Não muito depois, a primeira das três hostes do Povo de Hador veio do sul e  duas outras de quase mesmo tamanho se seguiram antes do outono daquele ano. Eles eram um povo mais numeroso; cada uma das hostes era tão grande quanto todo o Povo de Beor, e eles eram melhor armados e equipados; também possuíam muitos cavalos e alguns burros além de pequenos rebanhos de ovelhas e cabras. Eles cruzaram Eriador e alcançaram o sopé leste das Montanhas (Ered Lindon) um ano ou mais à frente de todos outros, mas não tentaram encontrar nenhuma passagem e voltaram atrás procurando um estrada através das Montanhas, as quais, como seus batedores a cavalo reportaram, ficavam cada vez menores ao sul. Alguns anos mais tarde, quando o outro povo estava fixado, o terceiro povo dos Atani entrou em Beleriand [42]. Eles eram, provavelmente, mais numerosos que o Povo de Beor, mas nenhuma contagem correta deles foi feita; pois eles vieram secretamente em pequenos grupos e se escondiam nas florestas de Ossiriand onde os Elfos não demonstravam amizade para com eles. Além disso eles possuíam dissensões  internas e Morgoth, agora ciente da chegada de Homens hostis em Beleriand, enviou seus servos para os afligir. Aqueles que eventualmente se deslocaram para oeste e entraram em amizade e aliança com os Eldar foram chamados de Povo de Haleth, pois Haleth era o nome da chefe que os conduziu para as florestas ao norte de Doriath onde lhes foi permitido viver.

O Povo de Hador sempre foi o maior em números entre os Atani, e em renome (exceto apenas por Beren, filho de Barahir, descendente de Beor). Em sua maior parte eles eram um povo alto, com cabelos amarelados ou dourados e olhos azuis-acinzentados, mas não existiam poucos dentre eles com cabelos escuros, mas todos belos [43]. De qualquer forma eram aparentados com o Povo de Beor, como o mostrava suas línguas. Não era necessário conhecimentos de línguas para perceber que elas eram bastante próximas, pois embora pudessem entender uns aos outros apenas com dificuldade eles possuíam muitas palavras em comum. Os sábios Élficos [44] eram da opinião de que ambas as línguas eram descendentes de uma que divergiu (devido à algum tipo de divisão do povo que a falava) no decorrer de, talvez, mil anos de lenta mudança na Primeira Era [45]. Embora o tempo possa muito bem ter sido menor e a mudança mais acelerada pelo misturar dos povos; pois a língua de Hador era aparentemente menos mudada e mais uniforme em estilo, enquanto a linguagem de Beor continha muitos elementos que eram estrangeiros em caráter. Este contraste em fala era provavelmente conectado com as diferenças físicas observáveis entre os dois povos. Existiam homens e mulheres de cabelos claros entre o Povo de Beor, mas a maioria deles tinha cabelo castanho (e geralmente olhos castanhos), e muitos tinham a pela menos bonita, alguns tendo, de fato, pele escura. Homens tão altos quanto os do Povo de Hador eram raros entre eles, e muitos eram mais troncudos e de compleição mais compacta [46]. Em associação com os Eldar, especialmente com os seguidores do Rei Finrod, eles tornaram-se tão desenvolvidos em artes e maneiras quanto o Povo de Hador, mas se estes os ultrapassavam em rapidez de mente e corpo, em generosidade nobre e agradável [47], o Povo de Beor eram os mais firmes nas resistência às dificuldades e tristezas, lentos nas lágrimas e nas gargalhadas; sua força não necessitava de esperança para mantê-la. Mas estas diferenças de corpo e mente tornaram-se menos marcantes com o passar das gerações, pois os dois povos tornaram-se muitos misturados por casamentos e por desastres da Guerra [48].

O Povo de Haleth eram estranhos para os outros Atani, falantes de uma língua diferente; embora mais tarde tenham se unido a eles na aliança com os Eldar, permaneceram um povo à parte. Entre eles aderiam à própria língua, e embora por necessitade tenham aprendido Sindarin para se comunicarem com os Eldar e os outros Atani, muitos o falavam com dificuldades e alguns daqueles que raramente se aventuravam além das bordas de suas próprias florestas não a usavam de forma alguma [49]. Eles de boa vontade não adotavam novas coisas ou costumes e mantinham muitas práticas que pareciam estranhas aos Eldar e aos outros Atani, com os quais eles tinham poucos negócios exceto na guerra. De qualquer forma, eles eram conhecidos como aliados leais e guerreiros irredutíveis,apesar das companias que eles mandavam às batalhas além de suas bordas serem pequenas. Pois eles eram e continuavam a ser um povo pequeno, preocupado principalmente com a proteção de suas próprias florestas, e eram excelentes em batalhas dentro delas. De fato por muito tempos mesmo aqueles Orks especialmente treinados para tal [batalhas em florestas] não se aproximavam de seus limites. Uma das muitas práticas comentadas era a de que muitos guerreiros eram mulheres,mas poucas destas lutaram nas grandes batalhas. Este costume era evidentemente antigo[50]; pois sua chefe Haleth era uma renomada amazona com uma guarda pessoal de mulheres.

[Christopher Tolkie: A este ponto um subtítulo foi escrito a lápis no texto datilografado: os Druedain (Homem Pukel); após isto não existem mais divisões com subtítulos inseridos. Junto com o paragráfo que conclui a seção II acima, o texto sobre os Druedain que se segue é dado no Contos Inacabados, terminando com a história chamada A Pedra Fiel; e não há necessidade de repeti-la aqui [51]. Ao final da história há uma passagem comparando Hobbits e Drugs, o qual é dado de forma reduzida no Contos Inacabados e colocado aqui completo; o texto atual então segue até o fim, ou melhor, abandono, do ensaio. ]

Este longo texto sobre os Druedain foiaqui colocadopois lança alguma luz sobre os Homens Selvagens que continuavam a sobreviver ao tempo da  Guerra do Anel no final leste das Montanhas Brancas e o reconhecimento de Merry deles como sendo as formas vivas dos Homens Pukel esculpidos em Dun Harrow. A presença de membros da mesma raça entre os Edain de Beleriand portanto faz outra conexão entre O Senhor dos Anéis e O Silmarillion, e permite a introdução de personagens de alguma maneira similares aos Hobbits de O Senhor dos Anéis em algumas das lendas da Primeira Era (por exemplo o velho servo (Sadog) de Hurin, na lenda de Turin) [52].

Os Drugs ou Homens Pukel não devem, contudo, ser confundidos com ou considerados uma mera variante do tema hobbit. Eles eram bastante diferentes em forma física e aparência. Sua altura média (1,20 m) era alcançada apenas por hobbits excepcionais; eles eram de constituição mais pesada e forte; e suas características faciais não eram agradáveis (julgadas por parâmetros humanos gerais). Fisicamente eles compartilhavam a ausência de pelos na face; mas enquanto o cabelo dos hobbits era abundante (mas próximo e encaracolado), os Drugs tinham apenas cabelo esparso e fino e nenhum pelo em suas pernas e pés. Em caráter e temperamento eles eram algumas vezes felizes e alegres, como hobbits, mas tinham um lado sinistro em suas naturezas em podiam ser sarcásticos e rudes; e eles possuíam ou acreditava-se possuírem poderes estranhos ou mágicos. (Os contos, como o “A Pedra Fiel”, que fala da transferência de parte de seus “poderes” para seus artefatos, lembra uma miniatura da transferência do poder de Sauron para as fundações de Barad-dur e o Anel Governante) [53]. Também os Drugs eram um povo frugal,comiam com parcimônia mesmo em tempos de paz e abundância e não bebiam nada exceto água. Em alguns aspectos eles lembravam mais os Anões: em constituição, estatura e resistência (embora não em cabelo); em suas habilidades em esculpir pedra; no lado sinistro de seus caráteres; e nos “estranhos poderes”. Embora as habilidades “mágicas” creditadas aos Anões fossem muito diferentes; também os Anões eram mais ”sinistros” etinham vida longa, enquanto os Drugs tinham vida curta se comparados a outros tipos de Homens.

Os Drugs encontrados nos contos da Primeira Era – co-habitando com o Povo de Haleth, que era um povo das florestas - davam-se por contente em viver em tendas ou alojamentos leves contruídos ao redor de troncos de grandes árvores, pois eram uma raça dura. Para seus antigos lares, de acordo com suas lendas, eles utilizavam cavernas nas montanhas, mas principalmente as usavam como depósitos apenas ocupados como moradias e locais de dormir em climas severos. Eles possuíam refúgios similares em Beleriand para os quais todos excetos os mais duros se recolhiam em tempos de tempestade ou clima ruim, mas estes locais eram guardados e nem mesmo seus amigos mais próximos entre o Povo de Haleth eram bem-vindos lá.

Hobbits, por outro lado, eram em praticamente todos os aspectos Homens normais, mas de estatura muito baixa. Eles eram chamados “halflings” (N.T. “metade do comprimento/altura”); mas isto se refere à altura normal de Homens de descendência Numenoriana ou à altura dos Eldar (especialmente aqueles de origem Noldorin), que aparentemente seria de cerca de sete de nossos pés (N.T. cerca de 2,10 m) [54]. Sua altura referente aos períodos mencionadosera normalmente mais de três pés (N.T. 90 cm) para homens embora muito poucos excedessem três pés e seis polegadas (N.T. 1,05 m); mulheres raramente excediam 3 pés. Eles não eram tão numerosos ou variados quanto os Homens comuns, mas evidentemente mais numerosos e adaptáveis a diferentes modos de vida e habitat que os Drugs, e quando eles se encontraram pela primeira vez nas histórias já mostravam divergências de cor, estatura e constituição e em seus modos de vida e preferências por tipos diferentes de regiões de moradia (ver o Prólogo do O Senhor dos Anéis). Em seu passado não registrado eles devem ter sido um povo primitivo, mesmo ”selvagem” [55], mas quando os encontramos eles tinham (em graus variados) adquirido muitas artes e costumes através do contato com Homens, e em menos extensão com Anões e Elfos. Eles reconheciam seu parentesco com Homens de estatura normal, mas consideravam Anões e Elfos, fossem amigos ou hostis, como estranhos, com os quais suas relações eram difíceis e nubladas pelo medo [56]. O comentário de Bilbo (O Senhor dos Anéis I) [57] que a co-habitação do Povo Grande e do Povo Pequeno no mesmo local em Bri era peculiar e não encontrada em nenhum outro lugar provavelmente era verdadeira a seu tempo (final da Terceira Era) [58]; mas parece que de fato os Hobbits gostavam de viver com ou perto de um Povo Grande de tipo amigável, que com sua grande força os protegiam de muitos perigos e inimigos e outros Homens hostis e recebiam em troca muitos serviços. Por isso é digno de nota que os Hobbits do oeste não preservaram traços ou memória de uma língua própria deles. A língua que eles falavam quando entraram em Eriador era evidentemente adotada dos Homens dos Vales do Anduin (relacionados aos Atani, em particular àqueles da Casa de Beor [> das Casas de Hador e Beor]); e depois de sua adoção da Língua Comum eles mantiveram muitas palavras daquela origem. Isto indica uma associação próxima com o Povo Grande; pois a rápida adoção da Língua Comum em Eriador [59] mostra os Hobbits sendo especialmente adaptáveis neste aspecto. Também a divergência dos Stoors, que se associaram com Homens de um tipo diferente antes de irem para o Condado.

A vaga tradição preservada pelos Hobbits do Condado dizia que eles haviam vivido nas terras à margem de um Grande Rio, mas há muito a deixaram e encontraram uma rota através ou ao redor de altas montanhas, quando não mais se sentiram bem em seus lares devido à multiplicação do Povo Grande e de uma sombra de medo que caiu sobre a Floresta. Isto evidentemente reflete os problemas de Gondor na parte inicial da Terceira Era. O aumento dos Homens não era o aumento normal daqueles com os quais viviam em amizade, mas o constante aumentar dos invasores do Leste, ao sul sendo detidos por Gondor, mas no Norte além dos limites do Reino perturbando os antigos habitantes “Atanicos” e mesmo ocupando a Floresta em certos locais e atravessando-a até o vale do Anduin. Mas a sombra de que a tradição fala não é somente devido à invasão humana. Claramente os Hobbits perceberam, antes mesmo dos Magos e dos Eldar se tornarem completamente cientes, o ressurgir de Sauron e sua ocupação de Dol Guldur [60].

Sobre as relações de diferentes tipos de Homens em Eriador e Rhovanion com os Atani e outros homens das lendas da Primeira Era e a Guerra das Jóias veja O Senhor dos Anéis III [no capítula "A janela para o oeste"]. Lá Faramir faz um breve relato da classificação atual em dos Homens em Gondor em três tipos: Altos Homens ou Numenorianos (de descendências mais ou menos pura); Homens Médios e Homens da Escuridão. Os Homens da Escuridão era um termo genérico aplicado a todos aqueles que eram hostis aos Reinos, e que eram (ou pareciam a Gondor serem) movidos por algo mais do que a ambição humana por conquista e saque, um ódio fanático pelos Altos Homens e seus aliados como inimigos de seus deuses. O termo não toma conotações de diferenças de raça, cultura ou língua. Com relação aos Homens Médios Faramir fala principalmente dos Rohirrim e atribuia a eles descendência direta do Povo de Hador da Primeira Era. Esta era uma crença geral em Gondor àquele tempo [61], e foi usada para explicar (para o conforto do orgulho Numenoriano) da cessão de tão grande parte do Reino para o povo de Eorl.

O termo Homens Médios, contudo, era de origem antiga. Foi cunhado na Segunda Era pelos Humenorianos quando começaram a estabelecer portos e assentamentos no litoral oeste da Terra-média. Surgiu entre os colonizadores no Norte (entre Pelargir e o Golfo de Lune) ao tempo de Ar-Adunakhor; pois os colonizadores dessa região se recusaram a se unir à rebelião contra os Valar e foram aumentados por muitos exilados dos Fiéis que fugiram da perseguição por eles e os demais Reis de Numenor. Foi portanto modelado na classificação pelos Atani dos Elfos: os Alto Elfos (ou Elfos da Luz) eram os Noldor que retornaram em exílio do Oeste Distante; os Elfos Médios eram os Sindar, que apesar do parentesco próximo aos Alto Elfos tinham permanecido na Terra-média e nunca viram a luz de Aman; e os Elfos da Escuridão eram aqueles que não viajaram ao Litoral oeste e não tiveram desejo de ver Aman. Esta não era igual às classificações feitas pelos Elfos, as quais não nos interessam aqui, exceto o fato de que “Elfos Escuros” ou “Elfos da Escuridão” era usado por eles, mas de nenhuma forma implicava em qualquer mal ou subordinação a Morgoth; se referia apenas à ignorância da “luz de Aman” e incluía os Sindar. Aqueles que nunca fizeram a jornada para o Litoral oeste eram chamados de “os Relutantes” (Avari).É duvidoso se qualquer dos Avari alguma vez tenha alcançado Beleriand [62] ou foi conhecido pelos Numenorianos.

Nos dias dos primeiros assentamentos de Numenor existiam muitos Homens  de diferentes tipos em Eriador e Rhovanion; mas em sua maior partemoravam distantes da costa. A região de Forlindon e Harlindon era habitada por Elfos e eram a parte principal do reino de Gil-galad, que se extendia ao norte do Golfo de Lune para incluir as terras a leste das Montanhas Azuis e oeste do Rio Lune tão longe quanto o Pequeno Lune [63]. (Além disso era território Anão)[64]. Ao sul do Lune ele não tinha limites claros, mas as Colinas das Torres (como mais tarde foram chamadas) eram mantidas como um posto avançado[65]. O Minhiriath e a metade oeste de Enedhwaith entre o Greyflood e o Isen ainda eram cobertos por uma densa floresta[66]. O litoral da Baía de Belfalas ainda era basicamente desolado, exceto por um porto e um pequeno agrupamento de Elfos na foz da confluência do Morthond e Ringlo [67].  Mas isso foi muito antes dos colonos Numenorianos das cercanias da Foz do Anduin terem se aventurado ao norte de seu grande porto em Pelargir e fazerem contato com Homens que residiam em vales em ambos os lados das Montanhas Brancas. Seu termo Homens Médios era portanto aplicado originalmente aos Homens de Eriador, os que moravam mais a oeste dentre todos da Humanidade na Segunda Era e conhecidos dos Elfos do reino de Gil-galad [68]. Àquele tempo existiam muitos homens em Eriador, principalmente, ao que parece, de parentesco original com o Povo de Beor, embora alguns fossem parentes do Povo de Hador. Eles moravam ao redor do Lago Evendim, nas Depressões Norte, na Colina do Tempo e nas terras entre elas, tão longe quanto o Brandywine, a oeste do qual eles frequentemente vagavam, porém não residiam lá. Eles eram amigáveis com os Elfos, embora sob temor e amizade próxima entre eles era rara. Também temiam o Mar e não olhavam para ele. (Sem dúvida rumores de seus terrores e da destruição da terra além das Montanhas (Beleriand) os alcançaram, e alguns de seus ancestrais podem de fato terem sido fugitivos, parte dos Atani que não deixaram a Terra-média mas fugiram para leste).

Portanto o termo Numenoriano Homem Médio é confuso em sua aplicação. Seu principal teste era o sentimento geral de amizade com relação ao Oeste (a Elfos e Numenorianos), mas era aplicado usualmente apenas a Homens cuja estatura e aparência fossem similares àquelas dos Numenorianos, emboraa definição de “amicabilidade” fosse mais importante e não confinada a povos de apenas um tipo racial. Era uma marca de todos ostipos de Homens que eram descendentes daqueles que abjuraram a Sombrade Morgoth e seus servos e vagaram para oeste para escapar da mesma- e certamente incluía ambas as raças de pequena estatura, Drugs e Hobbits. Também precisa ser dito que a “animosidade” com relação aos Numenorianos e seus aliados não era sempre devido à Sombra, mas em dias tardios às ações dos próprios Numenorianos, portanto muitos moradores das florestas do litoral sul das Ered Luin, especialmente em Minhiriath, eram, como reconhecidos por historiadores mais tardios, da raça do Povo de Haleth; mas eles tornaram-se inimigos amargos dos Numenorianos, devido ao rude tratamento e à devastação das florestas[69], e este ódio continuou não apaziguado em seus descendentes, fazendo-os se unir com qualquer inimigo de Numenor. Na Terceira Era seus sobreviventes eram o povo conhecido em Rohan como os Dunlendings.

Também existe o assunto da linguagem. Foi após seiscentos anos depois da partida dos sobreviventes dos Atani por sobre o mar para Numenor que o primeiro navio da Terra-média saiu do oeste e aportou no Golfo de Lune [70].

[Christopher Tolkien: A história que se segue recontando o encontro dos marinheiros Numenorianos com doze Homens de Eriador na Colina das Torres, seu mútuo reconhecimento de um parentesco distante e a descobertar de que suas línguas embora profundamente alteradas eram de origem comum, foi dada nos Contos Inacabados [71]. Seguindo-se à conclusão daquele trecho (que termina com as palavras ”eles perceberam que compartilhavam muitas palavras ainda claramente reconhecíveis e outras que poderiam ser compreendidas com atenção, e eram capazes de conversar de com certa dificuldade sobre assuntos simples”) o ensaio continua como se segue.]

Então veio aos Numenorianos que o parentesco de linguagem, mesmo que reconhecível apenas sob estudos atenciosos, era uma das marcas dos ”Homens Médios” [72].

Os sábios dos dias tardios mantinham que as línguas dos Homens na Terra-média, pelo menos aquelas dos Homens “sem sombra”, mudaram menos rapidamente antes da Segunda Era e da mudança do mundo com a Queda de Numenor. Visto que em Numenor ela mudava ainda mais lentamente devido à longevidade dos Atani. Ao primeiro encontro dos Marinheiros e os Homens de Eriador ocidental foi apenas seiscentos anos após os Atani terem partido sobre o mar, e o Adunaico que eles falavam poderia apenas dificilmente ter mudado; mas fazia mil anos ou mais que os Atani que alcançaram Beleriand haviam se separado de seus parentes. Mesmo agora em um mundo mutável línguas que foram separada há quinze séculos podem ser reconhecidas como aparentadas para aqueles não estudados na história das línguas.

Ao longo da passagem dos longos anos a situação mudou. O antigo Adunaico de Numenor tornou-se inusado pelo tempo – e por negligência. Pois devido à desastrosa história de Númenor ela não era mais mantida com honra pelos “Fiéis” que controlavam a Costa de Lune até Pelargir. Pois as línguas Élficas eram proscritas pelos Reis rebeldes e apenas o uso do Adunaico era permitido e muitos dos antigos livros em Quenya ou em Sindarin foram destruídos. Os Fiéis, portanto, usavam Sindarin, e naquela língua construíram nomes para todos os lugares que criaram na Terra-média [73]. Adunaico foi abandonado à mudança descuidada e corrupção como língua de uso diário, e a única língua dos não estudados. Todos os homens de alta linhagem e todos aqueles que eram ensinados a ler e escrever usavam Sindarin, até mesmo como língua diária entre eles. Em algumas famílias oSindarin tornou-se a língua nativa e a língua vulgar de origem Adunaica era apenas aprendida casualmente quando necessária [74]. O Sindarin, contudo, não era ensinada a estrangeiros, tanto porque era mantida como uma marca de descendência Numenoriana quanto porque se provou difícil de adquirir - muito mais do que a “língua vulgar”. Portanto aconteceu que enquanto os assentamentos Numenorianos aumentavam em poder e faziam contato com os Homens da Terra-média (muitos dos quais acabaram sob governo Numenoriano, ampliando sua população) a “língua vulgar” começou a se expandir amplamente como lingua franca entre os povos de muitos tipos diferentes. Este processo se iniciou no final da Segunda Era, mas tornou-se de importância geral principalmente após a Queda e o estabelecimento dos “Reinos no Exílio” em Arnor e Gondor, Estes reinos penetraram fundo na Terra-média, e seus reis eram reconhecidos além de suas bordas como senhores. Portanto no Norte e Oeste todas as terras entre as Ered Luin e o Greyflood e Hoarwll [75] tornaram-se regiões de influência Numenoriana nas quais a “língua vulgar” tornou-se amplamente corrente. Ao Sul e Leste Mordor permaneceia impenetrável; mas embora a extensão de Gondor ser limitada ele era mais populoso e poderoso que Arnor. As fronteiras do antigo reino continham aquelas terras marcadas nos mapas do fim da Terceira Era como Gondor, Anorien, Ithilien, Ithilien Sul e Rohan (anteriormente chamada Calenardhon) a oeste do Entwash [76]. Sobre sua extensão em seu pico de poder, entre os reinos de Hyarmendacil I e Romendacil II (Terceira Era 1015 a 1366) ver O Senhor dos Anéis Apêndice A [77]. As amplas terras entre Anduin e o Mar de Rhun nunca foram, contudo, efetivamente ocupadas ou assentadas e o único verdadeiro limite norte do Reino a leste do Anduin era formado pelas Emyn Muil e os pântanos a sul e leste das mesmas. Contudo a influência Numenoriana alcançava muito além destas fronteiras extendidas, passando pelos Vales do Anduin a suas fontes e alcançando as terras a lestre da Floresta, entre o Rio Celon [78] (Corredor) e o Rio Carnen (Água Vermelha).

Dentro das fronteiras originais dos Reinos a “língua vulgar” logo tornou-se a fala corrente e eventualmente a língua nativa de praticamente todos os habitantes de qualquer origem emigrantes aos quais foram permitidos se fixarem dentro das fronteiras a adotaram. Seus falantes geralmente a chamavam Westron (de fato Aduni, e Annunaid em Sindarin). Mas ela se espalhou muito além das fronteiras dos Reinos - inicialmente em negócios com “os povos dos Reinos” e mais tarde como uma “língua Comum” conveniente para o relacionamento entre povos que mantinham muitas línguas próprias. Os Elfos e Anões a usavam uns com os outros e com Homens

[Christopher Tolkien: O texto termina aqui abruptamente (sem sequer um ponto final após a última palavra, embora isso possa não ser significante), no meio de uma página]

Notas:

[1] Um caso notável é o da conversação entre Ghan, chefe dos Homens Selvagens, e Théoden. Provavelmente poucos dos Homens Selvagens além de Ghan usavam a Língua Comum e ele tinha apenas um vocabulário de palavras limitado aos hábitos de sua língua nativa.

[2] Os Reis e seus descendentes após Thengel também conheciam a língua Sindarin – a língua dos nobres de Gondor [vide Apêndice A (II), na lista dos Reis do Marco, sobre a estadia de Thengel em Gondor. É dito que após seu retorno a Rohan "a língua de Gondor foi usada em sua casa, e nem todos os homens acharam isso bom".]

[3] O efeito sobre faladores atuais da Língua Comum em Gondor sendo comparável àquele que sentiríamos se um estrangeiro, um linguísta tanto hábil quando estudado, ao ser cortez ou lidando com assuntos importantes usasse fluentemente um inglês de, digamos, cerca de 1600 D.C., mas adaptado à nossa pronúncia atual.

[4] Estrutural e gramaticalmente diferia grandemente de todas as outras línguas do Oeste àquele tempo; embora tivesse algumas características em comum com o Adunaico, a antiga língua “nativa” de Númenor. Isto deu origem à teoria (provável) de que em um passado não registrado algumas das línguas dos Homens – incluindo os elementos dominantes entre os Atani do qual o Adunaico foi derivado – teria sido influenciado pelo Khuzdul.

[5] Ele tinha, é dito, um complexo sistema próprio pictográfico ou ideográfico de escrita ou inscrição. Mas este eles mantinham resolutamente secreto.

[6] Incluindo seus inimigos tais como Sauron e seus maiores seguidores, os quais era de fato parcialmente de origem Numenoriana.

[7] [Christopher Tolkien: Como Gil-galad, Celebrimbor foi uma figura que apareceu inicialmente em O Senhor dos Anéis cuja origem meu pai mudou muitas vezes. A mais antiga referência ao assunto é encontrada no texto pós-Senhor dos Anéis "Sobre Galadriel e Celeborn" onde é dito (conforme Contos Inacabados):

"Galadriel e Celeborn tinham como companhia um artífice Noldorin chamado Celebrimbor. Ele era de origem Noldorin e um dos sobreviventesde Gondolin, onde fora um dos maiores artífices de Turgon - mas ele também havia adquirido alguma mancha de orgulho e uma obsessão quase "anã" com artefatos."

Ele aparece como um dos joalheiros de Gondolin no texto "A Elessar" (também do Contos Inacabados); mas contra a passagem no "Sobre Galadriel e Celeborn" acima citada meu pai anotou que seria melhor "torná-lo um descendente de Fëanor". Portanto na Segunda Edição (1966) de O Senhor dos Anéis, ao final das anotações antes do Contos dos Anos da Segunda Era, ele adicionou a sentença: "Celebrimbor era senhor de Eregion e o maior dentre seus artífices; ele era descendente de Fëanor".

Em uma de suas cópias de O Retorno do Rei ele sublinhou o nome Fëanor nesta sentença e escreveu as seguintes duas notas na página oposta (o começo da primeira diz, acredito eu: "Então qual era seu parentesco? Ele deve ser descendente de um dos filhos de Feanor, sobre cujas progênies nada foi dito").

"Como ele poderia sê-lo? Os únicos descendentes de Feanor foram seus sete filhos, seis dos quais alcançaram Beleriand. E nada foi dito sobre suas mulheres e filhos. Parece provável que Celebrinbaur (punhos-de-prata, > Celebrimbor) fosse filho de Curufin, mas embora herdando sua perícia ele era um Elfo de temperamento completamente diferente (sua mãe se recusou a tomar parte na rebelião de Feanor e permaneceu em Aman com o povo de Finarphin). Durante sua morada em Nargothrond como refugiado eleamou Finrod "e sua esposa, e estava contra as atitudes de seu pai e não iria com ele. Ele mais tarde tornou-se grande amigo de Celeborn e Galadriel"".

A segunda nota diz:

"Maedhros o mais velho aparentemente não se casou assim como os dois mais jovens (gêmeos, um dos quais por um maléfico infortúnio foi queimado com os navios); Celegorm também, uma vez que pretendia tomar Lúthien como esposa. Mas Curufin, o mais querido de seu pai e principal herdeiro de suas habilidades, era casado, e teve um filho que veio com ele para o exílio, embora sua esposa (não nomeada) não. Outros casados eram Maelor e Caranthir".

Sobre a forma Maelor, ver HoME X, pag 182 $41. A referência na primeira daquelas notas à esposa de Finrod Felagund é notável, uma vez que, há muito, nos Anais Cinzentos, a história que emergiu foi de que Felagund não tinha esposa e que "aquela a quem ele amou foi Amarië dos Vanyar, e não foi permitido a ela que partisse com ele ao exílio". Aquela história foi, de fato, abandonada, ou esquecida, mas agora retorna.

Estas notas sobre Celebrimbor filho de Curufin foram a base das passagens introduzidas editorialmente no Silmarillion publicado e no "Sobre os Anéis de Poder". Mas em escrito tardio (1968 ou mais tarde) sob o assunto de palavras Eldarin para "mão" meu pais
escreveu isso:

"Eldarin Comum tinha uma raiz KWAR "pressionar junto, amassar". Um derivativo era *kwara: Quenya quar, Telerin par, Sindarin paur. Esta pode ser traduzida "punho", embora seu uso principal seja em referência a uma mão fortemente fechada como quando no uso de um implemento ou ferramenta ao invés de "punho" no sentido usado em socar. Por exemplo o nome Celebrin-baur> Celebrimbor. Esta era uma forma Sindarizada do Telerin Telperimpar (Quenya Tyelpinquar). Era um nome frequente entre os Teleri, os quais em adição à navegação e construção de navios também eram renomados artífices em prata. O famoso Celebrimbor, heróico defensor de Eregion na guerra da Segunda Era contra Sauron, era um Teler, um dos três Teleri que acompanhou Celeborn no Exílio. Ele era um grande artífice da prata e foi para Eregion atraído pelos rumores do maravilhoso metal encontrado em Moria, prata-de-Moria, para o qual ele deu o nome mithril. No trabalhar desta ele se tornou um rival dos Anões, ou melhor um igual, pois existia grande amizade entre os Anões de Moria e Celebrimbor, e eles dividiam suas habilidades e segredos de artífice. Da mesma forma Tegilbor era utilizado para alguém hábil em caligrafia (tegil era uma forma Sinderizada do Quenya tekil "caneta", não conhecida dos Sindar até a chegada dos Noldor)".

Quanto meu pai escreveu isto ele ignorou a adição ao Apêndice B na Segunda Edição, afirmando que Celebrimbor "era descendente de Fëanor"; sem dúvida ele esqueceu que aquela teoria foi publicada, pois ele certamente se lembrariacaso se sentisse preso a ela. Sobre a afirmação de que Celebrimbor era "um dos três Teleri que acompanharam Celeborn no exílio" veja o Contos Inacabados.

E mesmo aqui neste presente ensaio, de mais ou menos a mesma época das palavras Eldarin para "mão" acima citadas, uma origem radicalmente diferente de Celebrimbor é dada: "um Sinda que afirmava descender de Daeron".]

[8] Elas não aparecem, contudo, nas inscrições no Portão Oeste de Moria. Os Anões diziam que em cortesia aos Elfos que as letras Feanorianas foram utilizadas naquele portão, uma vez que ele se abria para sua região e era principalmente utilizado por eles. Mas os Portões Leste, que foram destruídos na guerra contra os Orks, abriam-se para o mundo aberto e era menos amigável. Ele possuía inscrições Rúnicas em várias línguas: magias de proibição e exclusão em Khuzdul e comandos para que todos que não tivessem a permissão do Senhor de Moria deveriam partir escritos em Quenya, Sindarin, Língua Comum, línguas de Rohan, de Dale e de Dunland.

[Christopher Tolkien: Na margem ao lado do parágrafo a esta altura do texto meu pai escreveu:

“N.B. Foi dito por Elrond nO Hobbit que as Runas foram inventadas pelos Anões e escritas com canetas de prata. Elrond era meio-Elfo e um mestre do conhecimento e da história. Então ou devemos tolerar esta discrepância ou modificar a história das Runas, fazendo a Argenthas Moria grandemente um assunto de invenção dos Anões.”

Em notas associadas a este ensaio eles é visto ponderando o último curso, considerando a possibilidade de que de fato os Anões Barbalonga foram os originais criadores das Runas; e que foi delas que Daeron derivou suas idéias, mas uma vez que as primeiras Runas não eram bem organizadas (e diferiam de uma mansão dos Anões para outra) ele as ordenou em um sistema lógico.

Mas sem dúvida no Apêndice E(II) ele afirmou bastante explicitamente a origem das Runas: “As Cirth foram criadas primeiramente em Beleriand pelos Sindar”. Foi Daeron de Doriath que desenvolveu a “forma mais rica e ordenada” das Cirth, o Alfabeto de Daeron, e seu uso em Eregion levou à sua adoção pelos Anões de Moria, de onde o nome Argenthas Moria. Portanto a inconsistência, se existe uma, dificilmente pode ser removida; mas de fato não existia nenhuma. Eram as “runas da lua” que Elrond declarou (ao final do

 

O Silmarillion

Lançado em 1977, quatro anos após a morte de Tolkien, “O Silmarillion” é o resultado do trabalho de uma vida inteira, mais até do que “O Senhor dos Anéis”. O autor começou a escrever as primeiras versões do livro em 1917, e nunca deixou de refinar, ampliar e revisar a narrativa ao longo de sua vida. Ao morrer, Tolkien deixou instruções para que seu filho Christopher pudesse organizar o material mais próximo da versão definitiva e o publicasse.

“O Silmarillion” é a história da Primeira Era, os Dias Antigos do universo tolkieniano. A narrativa, escrita num estilosolene e poderoso, comparável ao da Bíblia, revela ao leitor a origem de elfos e homens, a grande jornada dos Eldar para o Reino Abençoado de Valinor, e o retorno dos Noldor à Terra-média, liderados por Fëanor. Este príncipe dos Eldar, o mais genial artífice dos elfos, havia criado as Silmarils, jóias perfeitas nas quais estava contida parte da luz das Árvores de Valinor. Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro, roubou as Silmarils e se refugiou em sua fortaleza de Angband, no norte da Terra-média. Fëanor e seu povo saíram ao encalço de Morgoth e iniciaram uma guerra desesperada contra o Grande Inimigo.Além do “Quenta Silmarillion” (“A História das Silmarils”), o relato principal que dá nome ao livro, a obra inclui também quatro outros trabalhos menores. O primeiro deles é o “Ainulindalë” (“A Canção dos Ainur”), o mito da criação de Arda, a Terra, onde se revela o papel de Deus na mitologia tolkieniana. A seguir, temos o “Valaquenta” (“Relato dos Valar”), texto que explica a natureza e as atribuições dos Valar, os Poderes Angélicos que regem o mundo, bem como a relação destes com Morgoth, o Inimigo, e seu servo Sauron. O “Akallabêth” (“A Queda de Númenor”) relata a origem do reino insular dos Dúnedain, seu esplendor e sua queda, causada pelo orgulho de seus habitantes e pelas mentiras de Sauron. Finalmente, “Dos Anéis do Poder e da Terceira Era” conta como Sauron criou os Anéis num plano para estender seu domínio pela Terra-média e como os Povos Livres, ajudados pelos Istari (os Magos) puderam resistir ao poder do Senhor do Escuro e destruí-lo.

“O Silmarillion” inclui também mapas da Terra-média durante a Primeira Era, quadros genealógicos dos principais personagens, um índice onomástico extremamente detalhado e um apêndice com diversas raízes e elementos das línguas élficas. A versão brasileira do livro foi lançada pela Editora Martins Fontes no final do ano passado.