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The History of Middle-earth VI – The Return of the Shadow

The Return of the Shadow, sexto livro da série The History of Middle-earth, inicia uma nova fase no relato da evolução da mitologia tolkieniana. Até então, Christopher Tolkien havia apresentado os textos de seu pai que lidavam com as lendas dos Dias Antigos e da Segunda Era. Entretanto, como todos sabemos, a elaboração dessas lendas foi interrompida em 1937, quando Tolkien começou a escrever a "seqüência de O Hobbit", tão pedida por seus leitores e editores, e que iria se transformar em O Senhor dos Anéis.
 

Assim, The Return of the Shadow (A Volta da Sombra), título que chegou a ser cogitado para o primeiro volume de O Senhor dos Anéis, mostra os primeiros anos da composição da obra-prima de Tolkien, durante os quais o tom grandiloqüente e épico do livro ainda não se havia firmado, e Tolkien lutava para definir o escopo da obra.

Basta dizer que a própria natureza da missão de Frodo (no início chamado Bingo Baggins, e filho de Bilbo) ainda estava incerta, e Tolkien chegou a cogitar um ataque de dragões no Condado ou até mesmo uma viagem por Mar até o Antigo Oeste como aventuras para os hobbits. Mesmo depois que o anel mágico de Bilbo se tornou o Um Anel do Senhor do Escuro, as coisas ainda estavam longe de se definir. Um exemplo é que toda a história da Última Aliança de Gil-galad e Elendil não aparece a princípio, e é um elfo anônimo que se apodera do Um Anel e acaba morto pelos orcs no Grande Rio.

Personagens que iriam se tornar importantíssimos quando o livro alcançasse sua versão final aparecem sob as formas mais insuspeitas em The Return of the Shadow. Um exemplo é Trotter (o futuro Strider ou Passolargo), a princípio um hobbit de aparência estranha, rosto moreno e que usava sapatos de madeira! O Fazendeiro Magote é um sujeito intolerante e violento, que quase tinha matado Bingo (Frodo) por invadir sua fazenda, e o próprio Barbárvore é um gigante traiçoeiro e secretamente aliado a Sauron.

O livro cobre um período que vai mais ou menos de 1937 a 1939, quando a primeira das grandes "paradas" na narrativa aconteceu; nesse momento, a história já havia chegado a Moria e ao túmulo de Balin, mas a Companhia do Anel era formada por SETE membros, dos quais cinco eram hobbits (Bingo, Sam, Merry, Odo, o futuro Pippin, e Trotter) e os demais eram Gandalf e Boromir, então "filho do rei de Ond". O Senhor dos Anéis ainda iria passar por transformações radicais antes de que alcançar sua forma definitiva.

The Return of the Shadow também inclui reproduções de alguns dos primeiros manuscritos da obra-prima de Tolkien e do primeiro mapa do Condado a ser feito pelo Professor.

Conteúdo do Livro

The First Phase O começo do Senhor dos Anéis, até "Em Valfenda". Inclui alguns rascunhos da Estrada entre o Topo dos Ventos e Valfenda. dez 1937 – outuno 1938

The Second Phase Reescrita de "Uma Festa Há Muito Esperada" até "Tom Bombadil". Outono 1938.

The Third Phase Primeira aparição de "Sobre os Hobbits" daí vai de "Uma Festa Há Muito Esperada" até a festa em Valfenda. "News uncertainties and New Projects" contém planos, questões e vários fragmentos de textos. Inverno 1938/39 e outono 1939

The Story Continued Inicia em "Na Casa de Elrond" e segue até "As Minas de Moria". Poemas incluem "Elbereth Gilthoniel" em Élfico. O mais antigo mapa das terras do sul também é incluso. Final de 1939.

Mestre Gil de Ham

Mestre Gil de Ham

Nem só de Terra-média vivia Tolkien, embora muitos leitores brasileiros ainda não saibam disso. O Professor também escreveu diversos contos fascinantes cuja ambientação não é a mesma de O Senhor dos Anéis, sem que a aura de beleza e fantasia tão característica de seus textos esteja ausente. E uma das melhores histórias dessa safra é, sem dúvida, Farmer Giles of Ham (Fazendeiro Giles de Ham).
 

A trama de Farmer Giles se passa numa imaginária Grã-Bretanha antes do Rei Arthur, quando gigantes e dragões ainda ameaçavam os reinos da ilha e seus pobres habitantes. No sonolento vilarejo de Ham, o fazendeiro Aegidius Ahenobardus Julius Agricola de Hammo (Giles de Ham para os íntimos) leva uma vida pasmacenta, no melhor estilo do Condado, quando um gigante invade suas terras e Giles o derrota, virando o herói da região.

O fazendeiro até que se adapta bem à nova posição de prestígio, mas o temível dragão Chrysophylax resolve atacar o reino onde Giles vive e a tarefa de enfrentar a criatura acaba sobrando para o pobre Aegidius.

Farmer Giles of Ham consegue misturar de maneira muito inteligente e bem-humorada sátira, fantasia, aventura e erudição. Um atrativo à parte são as engraçadíssimas citações e nomes em latim, além do retrato nem um pouco lisonjeiro que Tolkien traça da nobreza medieval. A história pode ser encontrada em conjunto com Smith of Wooton Major ou na coletânea Tales from the Perilous Realm.

Leaf by Niggle

 Niggle está longe de ser um pintor de sucesso. Há anos ele trabalha no mesmo quadro, uma árvore gigantesca cujos detalhes parecem aumentar cada vez mais à medida que ele prossegue na pintura. E seu vizinho Parish, incomodando-o todo o tempo, também não ajuda muito. Mas, sem saber, os dois estão prestes a pintar a árvore mais perfeita que já existiu.
 

Esse é o ponto de partida de "Leaf by Niggle" (Folha de Niggle), sem dúvida uma das histórias mais "diferentes" e apaixonantes escritas pelo mestre J.R.R. Tolkien. Às vezes surrealista ou até kafkiana, misturando compaixão e um sombrio humor britânico, o conto é mais um tributo de Tolkien à capacidade libertadora da arte para o ser humano.

Na verdade, a história de Niggle é a mais perfeita metáfora para o conceito da sub-criação, uma das idéias mais importantes no trabalho literário de Tolkien. "Leaf by Niggle" é uma profissão de fé na capacidade do artista de criar mundos novos e, assim, transformar este nosso mundo.

"Leaf by Niggle" também pode ser encontrado na coletânea "Tales from the Perilous Realm".

Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média

"Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média" (Unfinished Tales of Númenor and Middle-earth) foi publicado pela primeira vez em 1980, sete anos após a morte de Tolkien. Como o título indica, o livro abriga diversas narrativas que não estão concluídas, seja por realmente chegarem a um final abrupto, com indicações vagas de como a história continuaria a partir dali, seja por possuírem diversas versões conflitantes, sem que Tolkien tivesse optado definitivamente por nenhuma delas.
 
 

E é justamente esse um dos grandes charmes de "Contos Inacabados": o livro permite que o leitor descubra a riqueza do gênio criativo de Tolkien e sua obsessão pela perfeição nos mínimos detalhes. O escritor que vemos nos "Contos" é alguém que tem uma relação dinâmica, viva e nem um pouco estática com sua criação, refinando aqui e ali com a delicadeza de um ourives, criando para seus personagens diversas origens e "tradições" que contam sua história. A semelhança com uma mitologia "verdadeira", criada por um povo em séculos de tradição oral, é impressionante: como os grandes mitos gregos, as lendas tolkienianas são riquíssimas em variantes e mutações no decorrer do tempo.

Mas o outro grande atrativo dos "Contos" é a variedade de cenários, e as informações reveladas sobre personagens e ambientes até então obscuros. O livro está dividido em seções correspondentes às Três Eras da Terra-média, com narrativas ligadas a essas respectivas épocas, além de uma última seção com temas diversos. Na Primeira Era, o leitor encontra as histórias de Tuor e de sua chegada a Gondolin, bem como a de Túrin Turambar, ambas com incrível riqueza de detalhes se comparadas aos capítulos de "O Silmarillion" que tratam dessas mesmas personagens.

Na seção dedicada à Segunda Era, temos a única narrativa em prosa sobre Númenor em seu apogeu que conseguiu sobreviver à Queda, além da "História de Galadriel e Celeborn", texto que fornece uma visão ampla do desenvolvimento da rainha de Lórien como personagem, além de informações extremamente interessantes sobre Amroth e Nimrodel. Na Terceira Era, o panorama é ainda mais vasto e fascinante: a história da morte de Isildur, o início da amizade entre Gondor e Rohan, o relato de Gandalf explicando como ele convenceu Thorin a aceitar Bilbo para a jornada até Erebor. Finalmente, a seção final conta com ensaios fantásticos sobre os Drúedain, os homens selvagens que ajudaram Théoden em sua jornada para Gondor, sobre os Istari (os Magos) e os poderes e funcionamento dos palantíri.

"Contos Inacabados", assim como "O Silmarillion", possui amplo indíce onomástico, além de notas escritas por Christopher Tolkien. O livro vem com o mapa da Terra-média que aparece em "O Senhor dos Anéis", além do único mapa da ilha de Númenor feito por Tolkien. Já existe a edição portuguesa dos "Contos", da Editora Europa-América, e a Editora Martins Fontes está prometendo uma versão brasileira do livro para 2001.

History of Middle-earth XI – The War of the Jewels

"The War of the Jewels" ou "A Guerra das Jóias" se refere, é claro, à terrível contenda entre os Noldor e seus aliados élficos e humanos contra Morgoth, o Inimigo do Mundo, pela posse das Silmarils. O livro continua o esquema iniciado em "Morgoths Ring" ao mostrar como as lendas dos Dias Antigos foram sendo reelaboradas por Tolkien depois que ele terminou "O Senhor dos Anéis".

 

O foco do livro é o período que segue a chegada dos Noldor à Terra-média até o fim da Primeira Era. O Quenta Silmarillion continua, acompanhada pelos chamados Anais Cinzentos. Não há grandes novidades para quem já conhece "O Silmarillion", com a notável exceção de um belo texto que descreve a relação entre o sindarin e o quenya e como os Noldor se adaptaram, na marra, ao novo idioma (no caso, o élfico-cinzento).

Os grandes atrativos e surpresas do livro vêm depois. O primeiro deles é "The Wanderings of Húrin" (As Andanças de Húrin), que relata parte do que aconteceu ao maior guerreiro humano da Primeira Era depois de ser libertado de Angband. Acredite se quiser, Christopher Tolkien acochambrou em "O Silmarillion": a idéia de Tolkien era que Húrin entrasse em Brethil para vingar a morte de seu filho Túrin, causando uma guerra civil entre os Haladin. Infelizmente, como essa versão estava inacabada, Christopher precisou criar seu próprio final para Húrin.

Fechando com chave de ouro o livro, temos "Quendi and Eldar", um monumental texto filológico que também traz novas revelações sobre a história élfica.

Resumo de O Senhor dos Anéis – Livro IV (Cap. 1 a 10)

Capítulo 1: Sméagol Domado
A ação se volta para Frodo e Sam, que estão atravessando as colinas dos Emyn Muil, e sofrem com as paredes íngremes que os impedem de descer. Eles acham um lugar onde uma descida poderia ser possível, e Frodo tenta descer; um grito terrível atravessa o céu naquele momento [provavelmente de um dos nazgûl], e Frodo cai. Felizmente ele cai em uma saliência na rocha. Sam se lembra da corda que os elfos de Lórien lhe deram, e salva Frodo com ela; então ambos descem pela corda, e para a surpresa deles, conseguiram recuperá-la facilmente, como se não tivesse sido amarrada. Eles planejam passar a noite debaixo do precipício. Notam então Gollum, que os tinha seguido todo o tempo; ele escala facilmente, quase como uma aranha, mas cai na parte final da subida. Sam o ataca, e com a ajuda de Frodo eles forçam Gollum a prometer que os conduziria até Mordor. Logo depois Gollum tenta escapar, mas eles o pegam e descobrem que a corda élfica, com a qual eles quiseram amarrá-lo, o machuca muito. Ele jura pelo Anel que os obedeceria, e eles o desamarram. Um tempo depois, quando a lua estava no céu, eles partem novamente.
 
Capítulo 2: A travessia dos pântanos
Os dois hobbits, conduzidos por Gollum, estão fazendo o seu caminho lentamente para os Portões Negros de Mordor. Já que atravessar por campo aberto, cheio de estradas orc, seria muito perigoso, Gollum os conduz ao longo de caminhos menos conhecidos pelas terras pantanosas. Eles cruzam os Pântanos Mortos, onde foram enterrados muitos guerreiros caídos durante a guerra entre a Última Aliança e o Senhor do Escuro no final da Segunda Era; agora luzes estranhas chamejam, e podem ser vistas horríveis faces de mortos debaixo da lama. Espectros do Anel voam freqüentemente sobre eles, aparentemente procurando o Anel e sentindo sua presença de alguma maneira; e o fardo do Anel sempre parece maior a Frodo conforme eles se aproximam de Mordor. Dentro de Gollum duas "personalidades" estão lutando pela dominação: o Sméagol bom, e o Gollum mau; e o desejo pelo anel parece estar vencendo novamente. Finalmente eles chegam às terras desoladas e estéreis diante de Mordor, e somente com o comando rígido de Frodo é que Gollum os guiará mais além.

Capítulo 3: O Portão Negro está fechado
Os companheiros chegam ao Portão Negro de Mordor. O Portão é vigiado pelos Dentes de Mordor, duas torres altas erguidas há muito tempo pelos Homens de Gondor, mas depois abandonadas e então ocupadas pelas forças de Sauron. Também há muitas outras muralhas e números enormes de orcs; várias estradas conduzem ao portão, e numerosos exércitos do Leste e do Sul estão entrando em Mordor. Entrar em Mordor parece absolutamente impossível. Neste momento Gollum sugere outro caminho: ir para o sul na cidade fantasma de Minas Ithil, e então até a passagem de Cirith Ungol. Lá as chances de não serem notados são um pouco maiores; naquela direção Sauron conquistou terras até o Anduin, e sente-se mais seguro. Assim, não é provável que o lugar seja vigiado completamente. Gollum afirma ter escapado de Mordor ao longo daquele mesmo caminho; entretanto, parece provável que essa "fuga" era conhecida e aprovada pelo Senhor do Escuro. No entanto Frodo, depois de um pouco de hesitação, decide aceitar esse plano.

Capítulo 4: De ervas e coelho cozido
Viajando para o sul, os hobbits alcançam Ithilien, que só foi conquistada recentemente pelo Senhor do Escuro, e não foi devastada nem maculada. Sam está cada vez mais preocupado com a comida: a única comida deles é lembas, que apenas durará até que eles alcançam Orodruin, e certamente não mais que isso. Assim, certo dia, enquanto eles descansam em uma floresta, Sam pede para Gollum que pegue algo comestível. Gollum pega um par de coelhos jovens e Sam prepara um ensopado. Porém, logo que eles terminam de comer , o fogo começa a fazer fumaça e o dois hobbits são rodeados por quatro soldados de Gondor, um deles sendo Faramir, o Capitão. Frodo explica algo sobre a sua missão, e Faramir parece muito interessado nisso; mas no momento ele deixa dois homens para os vigiar, e vai embora preparar-se para a batalha: os homens de Minas Tirith vieram a Ithilien para atacar exércitos que vieram de Harad, ao sul de Mordor, para se juntar às forças de Sauron. Sam vê uma coisa surpreendente durante esta batalha: um "olifante", um dos grandes animais cinzentos que só são conhecidos no Condado através de velhas canções.

Capítulo 5: A janela no oeste
Depois da batalha, Faramir [que é o irmão de Boromir] volta e questiona Frodo durante algum tempo; ele é no princípio um pouco desconfiado, e conta que tinha visto o barco com o corpo de Boromir flutuando no Anduin. Depois ele decide que Frodo e Sam deveriam vir com ele e seu exército a um refúgio escondido, uma caverna oculta atrás de uma cachoeira. Diferente de Boromir, que sempre buscou ganhar glória com sua coragem nas guerras, Faramir não é tão hostil e tem um maior respeito pelas coisas antigas e tradições [e pelos elfos]. Ele fala por muito tempo com os dois hobbits, e conta muito sobre Minas Tirith e as suas guerras, a história de Gondor, sua aliança com os rohirrim; Frodo descreve a viagem dos Nove Andantes, evitando o assunto do Anel cuidadosamente. Quando o assunto da conversa são os elfos e Lórien, Sam menciona o Anel acidentalmente. Aqui Faramir prova que ele é verdadeiro em suas palavras, e não tenta pegar ou mesmo ver o Anel.

Capítulo 6: O lago proibido
Depois, naquela noite, Gollum aparece no lago perto da caverna, pegando peixes, sem saber do lugar escondido. As leis de Gondor requerem que qualquer um que chegar perto da caverna deve ser morto; mas Faramir desperta Frodo e lhe pergunta a opinião dele. Frodo explica que a criatura que eles viram era Gollum, e que ele os guiou, e que ele não deveria ser morto. Faramir não deixa Gollum vagar livremente sobre a área, e Frodo vai até o lago e convence Gollum a segui-lo. Dois dos guardas pegam-no e o levam para a caverna, vendado e amarrado. Faramir interroga Gollum, e Gollum jura que ele nunca voltará à caverna escondida. Então Faramir dá permissão a Frodo para andar livremente por Gondor, e o adverte, dizendo que Minas Morgul é um lugar mau e perigoso.

Capítulo 7: Viagem às Encruzilhadas
Faramir dá a cada um dos hobbits um cajado e também algumas provisões, e então os hobbits e Gollum partem. Eles viajam para o sul durante dois dias e chegam perto da estrada das ruínas de Osgiliath para Minas Ithil. Gollum continua dizendo-lhes para se apressarem, enfatizando o perigo que estão correndo. Eles viram para o leste, para as Encruzilhadas, o cruzamento da estrada de Osgiliath e a estrada norte-sul. No dia seguinte a escuridão começa a emergir de Mordor; grandes nuvens cobrem o céu, e o dia é tão escuro quanto a noite. Eles alcançam as Encruzilhadas; uma grande estátua de pedra de um rei está lá. Sua cabeça estava derrubada, aparentemente cortada pelos servos de Sauron, e jazia no chão perto da estátua; o sol aparece detrás de uma nuvem escura e um de seus últimos raios brilha na cabeça como uma coroa, dando a Frodo esperança nova.

Capítulo 8: As Escadas de Cirith Ungol
Os viajantes passam pela cidade de Minas Morgul, e Frodo sente que o Anel atraía-o na direção dela. Eles vêem um grande ajuntamento de exércitos da cidade, indo aparentemente em direção a Gondor, conduzido pelo Capitão dos Espectros do Anel. Então os hobbits e Gollum sobem uma escada longa e íngreme, seguida por outra, mais longa mas não tão íngreme. Eles decidem descansar durante algum tempo, e enquanto Frodo e Sam estão falando Gollum desaparece; ambos caem adormecidos, e Sam desperta para ver Gollum, que se agacha na direção de Frodo. Embora pareça que ele não teve nenhuma intenção má naquele momento, Sam está cheio de desconfiança. Ele desperta Frodo, que diz para Gollum partir livremente, como se os hobbits pudessem continuar sozinhos dali. Mas Gollum diz que eles não podem alcançar o topo da passagem por si próprios, e os três se preparam para continuar.

Capítulo 9: A Toca de Laracna
Pouco tempo depois eles alcançam uma grande parede onde o caminho continua por um túnel. Um fedor terrivelmente asqueroso está vindo dali. O túnel é muito longo, e sobe sempre, com passagens laterais em alguns lugares. Os hobbits, enquanto caminham alguns passos atrás de Gollum, notam que o fedor está se tornando cada vez pior, até que eles alcançam uma passagem lateral de onde o cheiro desagradável parece estar vindo. Eles passam por ela, e o ar começa a melhorar; mas logo eles chegam a uma bifurcação do túnel principal. Gollum parece tê-los abandonado; eles tentam uma das passagens e descobrem que está bloqueada. Naquele momento eles notam os olhos de alguma criatura terrível atrás deles. Frodo se aproxima dela com o Frasco de Galadriel em uma mão e Ferroada na outra, e os olhos se retiram da luz. Os hobbits continuam depressa pelo túnel, mas acham a saída bloqueada por uma barreira que se mostra ser a teia de uma aranha gigantesca. Frodo corta a teia com a espada dele, e começa a correr para a passagem, que está distante só alguns passos. Sam vem atrás dele; contudo a criatura que eles viram no túnel faz o mesmo: Laracna, uma aranha enorme. Laracna surge de uma entrada lateral no túnel e começa a correr na direção de Frodo. Antes que Sam pudesse ajudá-lo é atacado por Gollum; depois de uma briga desesperada, Gollum foge.

Capítulo 10: As Escolhas de Mestre Samwise
Sam corre e acha Laracna, que se agacha sobre o corpo de Frodo. Isto deixa Sam furioso, e ele ataca a aranha gigantesca; ele fere os olhos da criatura e corta uma de suas garras, mas ela coloca seu corpo enorme por cima dele e tenta esmagá-lo. Porém, Sam mantém sua espada erguida, e Laracna acaba recebendo um ferimento profundo com sua própria força. Ela então abandona os hobbits e foge. Sam tenta acordar Frodo, que não mostra nenhum sinal de vida. Sam se desespera e não pode decidir o que fazer; no fim das contas, sabendo que tudo pereceria se desistisse, ele decide continuar a Demanda, e toma consigo a espada de Frodo, o Frasco de Galadriel e o Anel. Depois de dar os primeiros passos, porém, ele ouve vozes de orcs que se aproximam, e coloca o Anel. Ele descobre que pode entender a língua dos orcs quando usa o Anel: parece que há duas companhias, uma da torre de vigia na passagem e uma de Minas Morgul. Eles levam o corpo de Frodo e atravessam um túnel; Sam os segue, e escutando os capitães orc ele descobre que Frodo provavelmente ainda está vivo, e que será preso, e não morto. A companhia de orcs atravessa portas grandes, que se fecham antes que Sam pudesse atravessá-las.


[tradução de Luciano Soares e Reinaldo]

O Hobbit

O Hobbit, capa original de 1937"O Hobbit" foi, de muitas maneiras, o estopim para que os mundos fantásticos criados pela imaginação de Tolkien pudessem chegar até nós. O livro, que surgiu como uma simples história para dormir contada pelo autor para seus filhos, se tornou um grande sucesso de público e crítica quando foi lançado em 1937. Encorajado por esse êxito, Tolkien começou a escrever uma seqüência para "O Hobbit", que eventualmente se tornaria "O Senhor dos Anéis".

 

O protagonista do livro é o hobbit Bilbo Baggins, um dos mais respeitáveis e pacatos habitantes da Vila dos Hobbits. Bilbo, entretanto, tem sua vidinha tranqüila virada do avesso quando, certa manhã, o grande mago Gandalf aparece na soleira de sua porta. Junto com treze anões – Thorin Escudo de Carvalho e seus doze companheiros – Gandalf convoca um relutante Bilbo para uma perigosa aventura: viajar até Erebor, a Montanha Solitária no distante Leste, destruir o terrível dragão Smaug e recuperar o tesouro do Reino sob a Montanha, roubado por Smaug e que pertencera aos antepassados de Thorin.

Como romance de aventura, "O Hobbit" é fantástico – viagens por florestas tenebrosas, encontros com lobos selvagens, grandes batalhas e atos de heroísmo, tudo permeado pela evolução da personalidade de Bilbo, que se transforma de hobbit tímido em aventureiro experiente. Além disso, porém, "O Hobbit" é também prelúdio para "O Senhor dos Anéis", tanto através dos vislumbres das antigas lendas da Terra-média – Elrond, Gondolin, Moria, o Necromante – quanto através do aparecimento do Anel, o elo entre a aventura de Bilbo e os grandes eventos do final da Terceira Era. Não é à toa que o sisudo jornal londrino The Times considerou "O Hobbit" como "uma obra-prima sem retoques".