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The Father Christmas Letters

Carta de 1925
A cada dezembro um envelope selado no Pólo Norte chegava para os filhos de J. R. R. Tolkien. Dentro estava uma carta escrita com uma estranha caligrafia tremida e belos desenhos e rascunhos. As cartas eram do Papai Noel. Elas contavam fantásticas histórias do Pólo Norte e continuaram de 1920 até 1943. A coleção de cartas foi publicada em 1976 com a edição de Baillie Tolkien, a segunda esposa de Christopher Tolkien.
 
 
John Francis Reuel Tolkien recebeu sua primeira carta do Papai Noel
(Father Christmas) ‘datada’ de 22 de dezembro de 1920, na Rua Alfred 1,
St Giles, Oxford. Papai Noel aparentemente escutou John perguntando a
seu pai como Papai Noel era e onde ele vivia e escreveu uma carta
explicando esses detalhes, em uma caligrafia limpa, mas tremida, que
Tolkien manteve por muitos anos. A carta veio com um belo
"auto-retrato" auarelado do Papai Noel com uma imagem de sua casa logo
abaixo. Os selos do Papai Noel são do Correio do Pólo Norte (North Pole
Post), e cada carta veio em um envelope escrito com capricho. Algumas
vezes ele assinava como Fr. Nicholas Christmas (Papai Nicolau Natal).

Selo do Pólo Norte
Em 23 de dezembro de 1924, Michael Hilary Tolkien recebeu sua primeira
carta do Papai Noel, e com o nascimento dos outros filhos
ele acrescentou Christopher e Priscilla. Outro personagem, o Urso do Pólo
Norte foi acrescentado logo, com cada carta contendo anedotas dos
problemas e logística da preparação do Natal. Todas as cartas foram
ilustradas com aquarelas, com desenhos adicionais acrescentados para
ilustrar eventos particularmente interessantes na preparação natalina.
As cartas seguem o nascimentos dos filhos e sua mudança para Leeds e de
volta a Oxford.

Em 1932, quando a Europa estava começando a ficar perigosa, os Goblins
são mencionados pela primeira vez nas cartas, que de fato é uma
história curta sobre um ataque goblin; e em 1933, o Papai Noel escreve
"Goblins. O pior ataque que tivemos em séculos. Eles estão
temerosamente selvagens e raivosos desde que recuperamos os brinquedos
roubados no ano passado e jogamos fumaça verde."
A ilustração desta
carta mostra o Urso do Pólo Norte e os Gnomos Vermelhos lidando com os
goblins (mesmo estando em menor número). Em 1936, o alfabeto Goblin foi
enviado junto com a carta.

Carta de 1933, com o Ataque Goblin
1934 marca a primeira menção a Priscilla Tolkien, que foi a razão pela
qual  dois parentes do Urso do Pólo Norte apareceram para ficar na Casa
do Penhasco (residência do Papai Noel). John e Michael, tendo crescido,
não mais recebiam cartas do Papai Noel. Papai Noel estava ficando velho
então contratou um ajudante – um Elfo chamado Ilbereth. Isto poupou
Tolkien de ter que escrever com a mão tremida de Papai Noel, e a carta
de 1937 tem uma frase curta em élfico.

Em 1939 os problemas em conseguir matéria-prima para os presentes de
Natal perturbaram Papai Noel. Suas cartas agora eram endereçadas apenas
a Priscilla Mary R Tolkien. As cartas do Papai Noel continuaram até
1943 e o Urso do Pólo Norte melhorou sua caligrafia para uma espécie de
escrita rúnica.

Os Filhos de Húrin / The Children of Húrin

Os Filhos de Húrin (The Children of Húrin) é um romance de alta fantasia épica com origem em um
conto inacabado de J.R.R. Tolkien, que escreveu a versão original da
história no final da década de 1910, revisou-a inúmeras vezes depois
disso, mas não a completo até sua morte em 1973. Seu filho, Christopher
Tolkien, editou os manuscritos para formar uma narrativa consistente e
o publicou em 2007 como um trabalho independente.

 

 
Capa do Os Filhos de Húrin
Os Filhos de Húrin foi publicado em 17 de abril de 2007, pela HarperCollins no Reino Unido e Canadá, e pela Houghton Mifflin nos Estados Unidos. Alan Lee, ilustrador de outras obras de fantasia de J.R.R. Tolkien (O Hobbit e O Senhor dos Anéis) criou a sobrecapa, bem como as ilustrações internas do livro. Christopher Tolkien também incluiu um artigo sobre a evolução do conto, várias árvores genealógicas e um redesenho do mapa de Beleriand.

 
Pano de Fundo

A história e descendência dos personagens principais são dadas nos parágrafos iniciais do livro, e a história de fundo é elaborada nO Silmarillion. Ela começa 500 anos antes das ações do livro, quando Morgoth, um ser imortal encarnado possuindo grandes habilidades sobrenaturais e que é o poder maligno primevo, escada do Reino Abençoado de Valinor para o noroeste da Terra-média. De sua fortaleza de Angband ele iniciou a reconquista de toda a Terra-média, iniciando uma guerra com os Elfos que residiam mais ao sul, em Beleriand.

Contudo, os Elfos conseguiram resistir a seu ataque e a maioria dos reinos permaneceu sem ser conquistada; o mais poderoso destes sendo Doriath, governado por Thingol Capa-cinzenta. Em adição a isso, após algum tempo os Elfos Noldor deixaram Valinor e seguiram Morgoth até a Terra-média para se vingarem. Juntos com os Sindar de Beleriand, eles iniciaram um Cerco a Angband, e estabeleceram novas fortalezas e reinos na terra-média, incluindo Dor-lómin por Fingon, Nargothrond de Finrod Felagund e Gondolin de Turgon.

Após três séculos, os primeiros Homens apareceram em Beleriand. Estes eram os Edain, descendentes daqueles Homens que se rebelaram contra o governo dos servos de Morgoth e partiram para o oeste. A maioria dos Elfos lhes deu boas-vindas e a eles foram dados feudos em Beleriand. A Casa de Bëor governou sobre a terra de Ladros, o Povo de Haleth recuou para a floresta de Brethil e governo de Dor-lómin foi dado à Casa de Hador. Mais tarde outros homens adentraram Beleriand, os Orientais, muitos dos quais estavam em acordos secretos com Morgoth.

Eventualmente Morgoth conseguiu furar o Cerco de Angband na Batalha das Chamas Repentinas. A Casa de Bëor foi virtualmente destruída e os Elfos e Edain sofreram grandes baixas; contudo, muitos reinos permaneceram sem serem conquistados, incluindo Dor-lómin, onde o governo havia passado a Húrin Thalion.

 
 
Resumo

O livro Os Filhos de Húrin começa com um registro da chegada de Húrin e seu irmão Huor à cidade oculta de Gondolin. Após morarem lá por um ano, eles juraram jamais revelar a localização da mesma a ninguém e foi-lhes permitido partir para Dor-lómin. Lá Húrin se casou com Morwen Edhelwen e tiveram dois filhos, Túrin e Lalaith. O livro continua com a história da criação de Túrin, a morte prematura de Lalaith e a partida de Húrin para a guerra.

Na desastrosa derrota da Batalha das Lágrimas Incontáveis Húrin foi capturado vivo. O próprio Morgoth o torturou, tentando forçá-lo a revelar a localização de Gondolin mas, apesar de seus esforços, Húrin resistiu e mesmo debochou de Morgoth. Por isso Morgoth o amaldiçoou e a toda sua família.

Sob o comando de Morgoth os Ocidentais sobrepujaram Hithlum e Dor-lómin. Morwen, temendo a captura de seu filho, enviou Túrin ao reino de Doriath, por segurança. Logo depois Morwen deu a luz a uma segunda filhas, Nienor. Em Doriath, Túrin foi tomado como filho adotivo pelo Rei Thingol e se tornou um guerreiro poderoso, tornando-se amigo de Beleg Arco-forte, como um dos guardas das fronteiras. Contudo, após muitos anos Túrin causou a morte de um dos conselheiros de Thingol, o Elfo Saeros. Recusando a se desculpar por suas ações, Túrin foge de Doriath e entra nas terras ermas.

Túrin se uniu a um grupo de foras-da-lei, os Gaurwaith, e logo se tornou seu líder. Enquanto isso, Thingol descobriu as circunstâncias da morte de Saeros e  perdoou o ato de Túrin, enviando Beleg para procurá-lo. Ele teve sucesso em encontrar o bando, mas Túrin se recusou a retornar para Doriath. Beleg então partiu para participar das batalhas nas fronteiras norte de Doriath.

Algum tempo depois Túrin e seus homens capturaram Mîm o não, que resgatou sua vida conduzindo o bando às cavernas da colina de Amon Rûdh onde ele tinha sua morada.  Os foras-da-lei se entrincheiraram nas cavernas e logo Beleg retornou e se uniu a eles. O bando gradualmente se tornou mais ousado e bem sucedido na guerrilha contra as tropas de Morgoth, e Túrin e Beleg chegaram a estabelecer o reino de Dor-Cúarthol. Contudo, após alguns anos, Mîm os traiu, revelando o quartel-general do bando às forças de Morgoth. Os foras-da-lei foram vencidos, Túrin foi capturado mas Beleg escapou.

Túrin frente a Orodreth em Nargothrond
Beleg seguiu a companhia de Orcs, encontrando um Elfo mutilado, Gwindor de Nargothrond, no caminho. Eles encontram Túrin dormindo e solto de suas amarras, mas Túrin, pensando que um Orc veio atormentá-lo, mata Beleg antes de perceber seu erro. Gwindor conduz Túrin a Eithel Sirion, onde Túrin recupera o juízo, e mais tarde a Nergothrond. Lá Túrin obtém o favor do Rei Orodreth e o amor da filha deste, Finduilas. Após liderar os Elfos a consideráveis vitórias, ele se tornou o conselheiro chefe de Orodreth e virtual comandante de todas as forças de Nargothrond.

Contudo, após cinco anos Morgoth enviou uma grande força de Orcs sob o comando do dragão Glaurung e derrotou o exército de Nargothrond no campo de Tumhalad, onde tanto Gwindor quando Orodreth foram mortos. As forças de Morgoth saquearam Nargothrond e capturaram seus moradores. Em um tentativa de evitar isso, Túrin encontrou Glaurung, que enfeitiçou Túrin e o fez retornar a Dor-lómin para procurar sua mãe e irmão ao invés de resgatar Finduilas e os outros prisioneiros.

Quando Túrin retornou a Dor-lómin, ele descobriu que Morwen e Nienor já haviam fugido para Doriath. Em um ataque de fúria, Túrin incitou uma luta e teve que fugir novamente. Ele seguiu os captores de Finduilas até a floresta de Brethil, apenas para descobrir que ela havia sido morta pelos orcs quando os homens-da-floresta tentaram resgatá-la. Quase destruído por seu pesar, Túrin pediu asilo entre o Povo de Haleth, que mantinha uma resistência tenaz contra as forças de Morgoth. Em Brethil túrin se renomeou Turambar, "Senhor do Destino" em Alto-élfico, e gradualmente superou o Chefe Brandir.

Enquanto isso, Morwen e Nienor ouviram rumores dos feitos de Túrin em Nargothrond e tentaram encontrá-lo. Lá foram atacadas por Glaurung, que enfeitiçou Nienor de tal forma que ela esqueceu tudo enquanto Morwen se perdia. Eventualmente Morwen chegou a Brethil, onde foi encontrada por Turambar; sem perceber seu parentesco eles se apaixonaram e se casaram, apesar dos conselhos de Brandir.

Após algum tempo Glaurung partiu ao extermínio dos Homens de Brethil, mas Turambar o matou, perfurando por baixo enquanto este cruzava a ravina de Cabed-en-Aras. contudo, quando Turambar puxou a espada, o sangue envenenado de Glaurung escorreu por sua mão, fazendo-o ficar inconsciente. Nienor, grávida, encontrou Turambar caído inconsciente, e o moribundo Glaurung fez sua memória retornar. Percebendo com horror que seu marido era também seu irmão, ela se atirou do despenhadeiro próximo no rio Taeglin, e foi levada por este. Quando Turambar acordou e ouviu de Brandir que Nienor estava morta, o matou em sua fúria e mais tarde se jogou sobre sua própria espada.

A parte principal da narrativa termina com o enterro de Túrin. Anexo a este há um trecho extraído de As Andanças de Húrin, o próximo conto do legendarium de Tolkien. Este reconta como Húrin foi finalmente libertado por Morgoth e chegou ao túmulo de seus filhos. Ali encontrou Morwen, que também conseguiu encontrar o local, mas morria agora nos braços de seu marido, ao pôr-do-sol.

 

História do Conto

Uma breve versão da história forma a base do capítulo XXI dO Silmarillion, colocando o conto no contexto das guerras de Beleriand. Embora baseado nos mesmos textos utilizados para completar o novo livro, o Silmarillion deixa de fora grande parte do conto. Outras versões incompletas que foram publicadas em outros livros:

    * O Narn i Hîn Húrin no Contos Inacabados.
    * A série The History of Middle-earth (HoME), com destaque a:
          o Turambar e o Foalókë, do The Book of Lost Tales (HoME 1)
          o O Lay of the Children of Húrin, uma narrativa antiga em forma de poema.
          o Versões em prosa do Lay (ou Húrinssaga), eventualmente levando a versões mais antigas e alternativas do Narn e também ao Os Filhos de Túrin.

Nenhum destes textos forma uma narrativa completa e madura. O Os Filhos de Húrin publicado é uma síntese dessas fontas e de outros textos, inéditos até então.

 
 
Críticas 

Mr. Bliss

Mr. Bliss é um livro infantil ilustrado de autoria de J.R.R. Tolkien, publicado postumamente em formato de livro em 1982. Um dos trabalhos curtos menos conhecidos de Tolkien, ele conta a história de Mr. Bliss (algo como "Senhor Feliz") e seu primeiro em seu novo carro. Muitas aventuras acontecem: encontros com ursos, visinhos bravos, donos de loja irritados  e uma série de colisões.

 

 
Mr. Bliss, de J.R.R. TolkienA história foi baseada nos próprios desencontros veiculares de Tolkien com seu primeiro automóvel, em 1932. Os ursos foram baseados nos ursos de pelúcia dos filhos de Tolkien. Tolkien foi tanto o autor quando o ilustrador do livro. A narrativa mantém a história e as ilustrações bem amarradas, e o texto frequentemente comenta diratamente as imagens.

Mr. Bliss não foi publicado durante a vida de Tolkien. Ele enviou aos seus editores como um "paliativo" aos leitores que estava ávidos por mais Tolkien depois do sucesso de O Hobbit. As ilustrações aquareladas e pintadas a lápis teriam tornado o custo de produção proibitivo. Tolkien concordou em redesenhar as ilustrações de maneira mais simples, mas descobriu que não tinha tempo para isso. O manuscrito ficou em uma gaveta até 1957, quando foi vendido (bem como os manuscritos originais de O Senhor dos Anéis, O Hobbit e Mestre Gil de Ham) para a Universidade Marquette por 1.250 libras esterlinas.

O livro foi publicado em 1982, com as ilustrações e a letra manuscrita díficil de ler de Tolkien em uma página e uma transcrição na página oposta.

Oliphaunt

Talvez o menos conhecido trabalho de Tolkien seja o pequeno poema "Oliphaunt", publicado em formato de livro ilustrado, com capa dura, em 1989 pela Contemporary Books/Calico. Na verdade não é um livro no sentido estrito da palavra, mas apenas um poema dividido em 14 páginas com uma série de ilustrações duramente criticadas. Atualmente o livro se encontra fora de catálogo e só pode ser encontrado como usado.

 

A capa do livro pode ser visto logo abaixo à direita e o poema completo é o que se segue:

 

Grey as a mouse,
Big as a house,
thumb_oliphaunt

Nose like a snake,
I make the earth shake,


As I tramp through the grass;
Trees crack as I pass.
With horns in my mouth
I walk in the South,
Flapping big ears.


Beyond count of years
I stump round and round,
Never lie on the ground,
Not even to die.
Oliphaunt am I,
Biggest of all,
Huge, old, and tall.
If ever you'd met me
You wouldn't forget me.
If you never do,
You won't think I'm true;
But old Oliphaunt am I,
And I never lie.

Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média

"Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média" (Unfinished Tales of Númenor and Middle-earth) foi publicado pela primeira vez em 1980, sete anos após a morte de Tolkien. Como o título indica, o livro abriga diversas narrativas que não estão concluídas, seja por realmente chegarem a um final abrupto, com indicações vagas de como a história continuaria a partir dali, seja por possuírem diversas versões conflitantes, sem que Tolkien tivesse optado definitivamente por nenhuma delas.
 
 

E é justamente esse um dos grandes charmes de "Contos Inacabados": o livro permite que o leitor descubra a riqueza do gênio criativo de Tolkien e sua obsessão pela perfeição nos mínimos detalhes. O escritor que vemos nos "Contos" é alguém que tem uma relação dinâmica, viva e nem um pouco estática com sua criação, refinando aqui e ali com a delicadeza de um ourives, criando para seus personagens diversas origens e "tradições" que contam sua história. A semelhança com uma mitologia "verdadeira", criada por um povo em séculos de tradição oral, é impressionante: como os grandes mitos gregos, as lendas tolkienianas são riquíssimas em variantes e mutações no decorrer do tempo.

Mas o outro grande atrativo dos "Contos" é a variedade de cenários, e as informações reveladas sobre personagens e ambientes até então obscuros. O livro está dividido em seções correspondentes às Três Eras da Terra-média, com narrativas ligadas a essas respectivas épocas, além de uma última seção com temas diversos. Na Primeira Era, o leitor encontra as histórias de Tuor e de sua chegada a Gondolin, bem como a de Túrin Turambar, ambas com incrível riqueza de detalhes se comparadas aos capítulos de "O Silmarillion" que tratam dessas mesmas personagens.

Na seção dedicada à Segunda Era, temos a única narrativa em prosa sobre Númenor em seu apogeu que conseguiu sobreviver à Queda, além da "História de Galadriel e Celeborn", texto que fornece uma visão ampla do desenvolvimento da rainha de Lórien como personagem, além de informações extremamente interessantes sobre Amroth e Nimrodel. Na Terceira Era, o panorama é ainda mais vasto e fascinante: a história da morte de Isildur, o início da amizade entre Gondor e Rohan, o relato de Gandalf explicando como ele convenceu Thorin a aceitar Bilbo para a jornada até Erebor. Finalmente, a seção final conta com ensaios fantásticos sobre os Drúedain, os homens selvagens que ajudaram Théoden em sua jornada para Gondor, sobre os Istari (os Magos) e os poderes e funcionamento dos palantíri.

"Contos Inacabados", assim como "O Silmarillion", possui amplo indíce onomástico, além de notas escritas por Christopher Tolkien. O livro vem com o mapa da Terra-média que aparece em "O Senhor dos Anéis", além do único mapa da ilha de Númenor feito por Tolkien. Já existe a edição portuguesa dos "Contos", da Editora Europa-América, e a Editora Martins Fontes está prometendo uma versão brasileira do livro para 2001.

History of Middle-earth XI – The War of the Jewels

"The War of the Jewels" ou "A Guerra das Jóias" se refere, é claro, à terrível contenda entre os Noldor e seus aliados élficos e humanos contra Morgoth, o Inimigo do Mundo, pela posse das Silmarils. O livro continua o esquema iniciado em "Morgoths Ring" ao mostrar como as lendas dos Dias Antigos foram sendo reelaboradas por Tolkien depois que ele terminou "O Senhor dos Anéis".

 

O foco do livro é o período que segue a chegada dos Noldor à Terra-média até o fim da Primeira Era. O Quenta Silmarillion continua, acompanhada pelos chamados Anais Cinzentos. Não há grandes novidades para quem já conhece "O Silmarillion", com a notável exceção de um belo texto que descreve a relação entre o sindarin e o quenya e como os Noldor se adaptaram, na marra, ao novo idioma (no caso, o élfico-cinzento).

Os grandes atrativos e surpresas do livro vêm depois. O primeiro deles é "The Wanderings of Húrin" (As Andanças de Húrin), que relata parte do que aconteceu ao maior guerreiro humano da Primeira Era depois de ser libertado de Angband. Acredite se quiser, Christopher Tolkien acochambrou em "O Silmarillion": a idéia de Tolkien era que Húrin entrasse em Brethil para vingar a morte de seu filho Túrin, causando uma guerra civil entre os Haladin. Infelizmente, como essa versão estava inacabada, Christopher precisou criar seu próprio final para Húrin.

Fechando com chave de ouro o livro, temos "Quendi and Eldar", um monumental texto filológico que também traz novas revelações sobre a história élfica.

Resumo de O Senhor dos Anéis – Livro IV (Cap. 1 a 10)

Capítulo 1: Sméagol Domado
A ação se volta para Frodo e Sam, que estão atravessando as colinas dos Emyn Muil, e sofrem com as paredes íngremes que os impedem de descer. Eles acham um lugar onde uma descida poderia ser possível, e Frodo tenta descer; um grito terrível atravessa o céu naquele momento [provavelmente de um dos nazgûl], e Frodo cai. Felizmente ele cai em uma saliência na rocha. Sam se lembra da corda que os elfos de Lórien lhe deram, e salva Frodo com ela; então ambos descem pela corda, e para a surpresa deles, conseguiram recuperá-la facilmente, como se não tivesse sido amarrada. Eles planejam passar a noite debaixo do precipício. Notam então Gollum, que os tinha seguido todo o tempo; ele escala facilmente, quase como uma aranha, mas cai na parte final da subida. Sam o ataca, e com a ajuda de Frodo eles forçam Gollum a prometer que os conduziria até Mordor. Logo depois Gollum tenta escapar, mas eles o pegam e descobrem que a corda élfica, com a qual eles quiseram amarrá-lo, o machuca muito. Ele jura pelo Anel que os obedeceria, e eles o desamarram. Um tempo depois, quando a lua estava no céu, eles partem novamente.
 
Capítulo 2: A travessia dos pântanos
Os dois hobbits, conduzidos por Gollum, estão fazendo o seu caminho lentamente para os Portões Negros de Mordor. Já que atravessar por campo aberto, cheio de estradas orc, seria muito perigoso, Gollum os conduz ao longo de caminhos menos conhecidos pelas terras pantanosas. Eles cruzam os Pântanos Mortos, onde foram enterrados muitos guerreiros caídos durante a guerra entre a Última Aliança e o Senhor do Escuro no final da Segunda Era; agora luzes estranhas chamejam, e podem ser vistas horríveis faces de mortos debaixo da lama. Espectros do Anel voam freqüentemente sobre eles, aparentemente procurando o Anel e sentindo sua presença de alguma maneira; e o fardo do Anel sempre parece maior a Frodo conforme eles se aproximam de Mordor. Dentro de Gollum duas "personalidades" estão lutando pela dominação: o Sméagol bom, e o Gollum mau; e o desejo pelo anel parece estar vencendo novamente. Finalmente eles chegam às terras desoladas e estéreis diante de Mordor, e somente com o comando rígido de Frodo é que Gollum os guiará mais além.

Capítulo 3: O Portão Negro está fechado
Os companheiros chegam ao Portão Negro de Mordor. O Portão é vigiado pelos Dentes de Mordor, duas torres altas erguidas há muito tempo pelos Homens de Gondor, mas depois abandonadas e então ocupadas pelas forças de Sauron. Também há muitas outras muralhas e números enormes de orcs; várias estradas conduzem ao portão, e numerosos exércitos do Leste e do Sul estão entrando em Mordor. Entrar em Mordor parece absolutamente impossível. Neste momento Gollum sugere outro caminho: ir para o sul na cidade fantasma de Minas Ithil, e então até a passagem de Cirith Ungol. Lá as chances de não serem notados são um pouco maiores; naquela direção Sauron conquistou terras até o Anduin, e sente-se mais seguro. Assim, não é provável que o lugar seja vigiado completamente. Gollum afirma ter escapado de Mordor ao longo daquele mesmo caminho; entretanto, parece provável que essa "fuga" era conhecida e aprovada pelo Senhor do Escuro. No entanto Frodo, depois de um pouco de hesitação, decide aceitar esse plano.

Capítulo 4: De ervas e coelho cozido
Viajando para o sul, os hobbits alcançam Ithilien, que só foi conquistada recentemente pelo Senhor do Escuro, e não foi devastada nem maculada. Sam está cada vez mais preocupado com a comida: a única comida deles é lembas, que apenas durará até que eles alcançam Orodruin, e certamente não mais que isso. Assim, certo dia, enquanto eles descansam em uma floresta, Sam pede para Gollum que pegue algo comestível. Gollum pega um par de coelhos jovens e Sam prepara um ensopado. Porém, logo que eles terminam de comer , o fogo começa a fazer fumaça e o dois hobbits são rodeados por quatro soldados de Gondor, um deles sendo Faramir, o Capitão. Frodo explica algo sobre a sua missão, e Faramir parece muito interessado nisso; mas no momento ele deixa dois homens para os vigiar, e vai embora preparar-se para a batalha: os homens de Minas Tirith vieram a Ithilien para atacar exércitos que vieram de Harad, ao sul de Mordor, para se juntar às forças de Sauron. Sam vê uma coisa surpreendente durante esta batalha: um "olifante", um dos grandes animais cinzentos que só são conhecidos no Condado através de velhas canções.

Capítulo 5: A janela no oeste
Depois da batalha, Faramir [que é o irmão de Boromir] volta e questiona Frodo durante algum tempo; ele é no princípio um pouco desconfiado, e conta que tinha visto o barco com o corpo de Boromir flutuando no Anduin. Depois ele decide que Frodo e Sam deveriam vir com ele e seu exército a um refúgio escondido, uma caverna oculta atrás de uma cachoeira. Diferente de Boromir, que sempre buscou ganhar glória com sua coragem nas guerras, Faramir não é tão hostil e tem um maior respeito pelas coisas antigas e tradições [e pelos elfos]. Ele fala por muito tempo com os dois hobbits, e conta muito sobre Minas Tirith e as suas guerras, a história de Gondor, sua aliança com os rohirrim; Frodo descreve a viagem dos Nove Andantes, evitando o assunto do Anel cuidadosamente. Quando o assunto da conversa são os elfos e Lórien, Sam menciona o Anel acidentalmente. Aqui Faramir prova que ele é verdadeiro em suas palavras, e não tenta pegar ou mesmo ver o Anel.

Capítulo 6: O lago proibido
Depois, naquela noite, Gollum aparece no lago perto da caverna, pegando peixes, sem saber do lugar escondido. As leis de Gondor requerem que qualquer um que chegar perto da caverna deve ser morto; mas Faramir desperta Frodo e lhe pergunta a opinião dele. Frodo explica que a criatura que eles viram era Gollum, e que ele os guiou, e que ele não deveria ser morto. Faramir não deixa Gollum vagar livremente sobre a área, e Frodo vai até o lago e convence Gollum a segui-lo. Dois dos guardas pegam-no e o levam para a caverna, vendado e amarrado. Faramir interroga Gollum, e Gollum jura que ele nunca voltará à caverna escondida. Então Faramir dá permissão a Frodo para andar livremente por Gondor, e o adverte, dizendo que Minas Morgul é um lugar mau e perigoso.

Capítulo 7: Viagem às Encruzilhadas
Faramir dá a cada um dos hobbits um cajado e também algumas provisões, e então os hobbits e Gollum partem. Eles viajam para o sul durante dois dias e chegam perto da estrada das ruínas de Osgiliath para Minas Ithil. Gollum continua dizendo-lhes para se apressarem, enfatizando o perigo que estão correndo. Eles viram para o leste, para as Encruzilhadas, o cruzamento da estrada de Osgiliath e a estrada norte-sul. No dia seguinte a escuridão começa a emergir de Mordor; grandes nuvens cobrem o céu, e o dia é tão escuro quanto a noite. Eles alcançam as Encruzilhadas; uma grande estátua de pedra de um rei está lá. Sua cabeça estava derrubada, aparentemente cortada pelos servos de Sauron, e jazia no chão perto da estátua; o sol aparece detrás de uma nuvem escura e um de seus últimos raios brilha na cabeça como uma coroa, dando a Frodo esperança nova.

Capítulo 8: As Escadas de Cirith Ungol
Os viajantes passam pela cidade de Minas Morgul, e Frodo sente que o Anel atraía-o na direção dela. Eles vêem um grande ajuntamento de exércitos da cidade, indo aparentemente em direção a Gondor, conduzido pelo Capitão dos Espectros do Anel. Então os hobbits e Gollum sobem uma escada longa e íngreme, seguida por outra, mais longa mas não tão íngreme. Eles decidem descansar durante algum tempo, e enquanto Frodo e Sam estão falando Gollum desaparece; ambos caem adormecidos, e Sam desperta para ver Gollum, que se agacha na direção de Frodo. Embora pareça que ele não teve nenhuma intenção má naquele momento, Sam está cheio de desconfiança. Ele desperta Frodo, que diz para Gollum partir livremente, como se os hobbits pudessem continuar sozinhos dali. Mas Gollum diz que eles não podem alcançar o topo da passagem por si próprios, e os três se preparam para continuar.

Capítulo 9: A Toca de Laracna
Pouco tempo depois eles alcançam uma grande parede onde o caminho continua por um túnel. Um fedor terrivelmente asqueroso está vindo dali. O túnel é muito longo, e sobe sempre, com passagens laterais em alguns lugares. Os hobbits, enquanto caminham alguns passos atrás de Gollum, notam que o fedor está se tornando cada vez pior, até que eles alcançam uma passagem lateral de onde o cheiro desagradável parece estar vindo. Eles passam por ela, e o ar começa a melhorar; mas logo eles chegam a uma bifurcação do túnel principal. Gollum parece tê-los abandonado; eles tentam uma das passagens e descobrem que está bloqueada. Naquele momento eles notam os olhos de alguma criatura terrível atrás deles. Frodo se aproxima dela com o Frasco de Galadriel em uma mão e Ferroada na outra, e os olhos se retiram da luz. Os hobbits continuam depressa pelo túnel, mas acham a saída bloqueada por uma barreira que se mostra ser a teia de uma aranha gigantesca. Frodo corta a teia com a espada dele, e começa a correr para a passagem, que está distante só alguns passos. Sam vem atrás dele; contudo a criatura que eles viram no túnel faz o mesmo: Laracna, uma aranha enorme. Laracna surge de uma entrada lateral no túnel e começa a correr na direção de Frodo. Antes que Sam pudesse ajudá-lo é atacado por Gollum; depois de uma briga desesperada, Gollum foge.

Capítulo 10: As Escolhas de Mestre Samwise
Sam corre e acha Laracna, que se agacha sobre o corpo de Frodo. Isto deixa Sam furioso, e ele ataca a aranha gigantesca; ele fere os olhos da criatura e corta uma de suas garras, mas ela coloca seu corpo enorme por cima dele e tenta esmagá-lo. Porém, Sam mantém sua espada erguida, e Laracna acaba recebendo um ferimento profundo com sua própria força. Ela então abandona os hobbits e foge. Sam tenta acordar Frodo, que não mostra nenhum sinal de vida. Sam se desespera e não pode decidir o que fazer; no fim das contas, sabendo que tudo pereceria se desistisse, ele decide continuar a Demanda, e toma consigo a espada de Frodo, o Frasco de Galadriel e o Anel. Depois de dar os primeiros passos, porém, ele ouve vozes de orcs que se aproximam, e coloca o Anel. Ele descobre que pode entender a língua dos orcs quando usa o Anel: parece que há duas companhias, uma da torre de vigia na passagem e uma de Minas Morgul. Eles levam o corpo de Frodo e atravessam um túnel; Sam os segue, e escutando os capitães orc ele descobre que Frodo provavelmente ainda está vivo, e que será preso, e não morto. A companhia de orcs atravessa portas grandes, que se fecham antes que Sam pudesse atravessá-las.


[tradução de Luciano Soares e Reinaldo]