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Os Anais de Aman – Quarta Seção

The History of Middle-earth X - Morgoth's RingA Valinor tem a honra de publicar a quarta parte de um total de seis que compõem os Anais de Aman,
um longo registro dos acontecimentos desde a criação de Arda até a Criação do Sol e da Lua escrito  pelo próprio J. R. R. Tolkien e publicado no The History of Middle-earth 10. Esta quarta parte (leia também a primeira, a segunda e a terceira) engloba o período desde a Libertação de Melkor até a Destruição das Árvores.
Quarta Seção dos Anais de Aman
[Esta seção dos Anais possui uma grande quantidade de mudanças feitas durante a escrita, e também várias alterações e adições – algumas substanciais – que certamente parecem pertencer basicamente à mesma época. Estas foram incorporadas ao texto fornecido aqui, com detalhes das alterações mais importantes registrados nas notas que se seguem. Algumas poucas adições curtas que são decididamente posteriores estão colocadas nas notas.]

1179

§78 Fëanor, filho mais velho de Finwë, nasceu em Tirion sobre Túna. Sua mãe foi Byrde Míriel (1).


§79 Então os Noldor (2) passaram a apreciar todos os conhecimentos e todos os trabalhos práticos e Aulë e seu povo vinham com freqüência entre eles. Mas tal era a habilidade que Ilúvatar dera a eles que, em muitos aspectos, especialmente naqueles que demandavam destreza e grande qualidade no trabalho manual, eles logo ultrapassaram seus professores. É dito que a este tempo os construtores da Casa de Finwë, escavando as montanhas em busca de pedras para suas construções (pois eles apreciavam a construção de altas torres), descobriram pela primeira vez as gemas da terra, nas quais a Terra de Aman eram, de fato, incrivelmente ricas. E seus artífices desenvolveram ferramentas para cortar e modelar as gemas, as esculpiram em muitas formas de radiante beleza e não as guardavam em tesouros mas as davam livremente para todos que as desejassem, e toda Valinor foi enriquecida por seus trabalhos (3).

§80 Neste ano Rúmil, o mais renomado dos mestres do conhecimento da fala, criou pela primeira vez letras e começou a registrar em escrita os idiomas dos Eldar e suas canções e sabedoria (4).


1190

§81 Neste ano nasceu Fingolfin filho de Finwë, que mais tarde foi Rei dos Exilados.


1230

§82 Finrod filho de Finwë nasceu.


1250

§83 A este tempo começou a se desenvolver a habilidade de Fëanor filho de Finwë, que era dentre todos os Noldor o maior criador e artífice. E ele pensou e desenvolveu novas letras, melhorando os sistemas de Rúmil, e estas letras os Eldar têm usado desde aquele dia. Isto foi senão o início dos trabalhos de Fëanor. Ele amava grandemente as gemas, e ele começou a estudar como, pela habilidade de sua mão e mente, ele poderia fazer outras maiores e mais brilhantes do que aquelas escondidas na terra (5).

§84 [A este tempo também, é dito entre os Sindar, os Naugrim (6) a quem também chamamos os Nornwaith (os Anões) vieram por sobre as montanhas para Beleriand e foram conhecidos pelos Elfos. E os Anões eram grandes ferreiros e construtores, sendo, de fato (assim se acredita) trazidos à existência por Aulë; mas antigamente pouco beleza havia em suas obras. Portanto cada povo teve grande benefício no outro, embora sua amizade sempre tenha sido fria. Mas àquele tempo não havia desavenças entre eles e o Rei Thingol deu-lhes as boas-vindas, e os Barbalongas de Belegost ajudaram-no na escavação e construção dos grandes salões de Menegroth, onde ele passou a morar com Melian, sua Rainha. Assim disse Pengolod] (6)

1280

§85 Neste ano Finrod filho de Finwë casou-se com Ëarwen filha do Rei Olwë de Alqualondë, e houve uma grande desta na terra dos Teleri. Portanto os filhos de Finrod, Inglor e Galadriel, eram parentes do Rei Thingol Capacinzenta em Beleriand.

1350

§86 [A este tempo, parte dos Elfos perdidos do povo de Dân após longas andanças chegaram a Beleriand a partir do Sul.  Seu líder era Denethor filho de Dâ, e ele os conduziu a Ossiriand onde sete rios corriam das Montanhas de Lindon. Estes são os Elfos Verdes. Eles tinham a amizade de Thingol. Quoth Pengolod.](8)

1400

§87 Veio a acontecer que Melkor residiu sozinho sob Mandos forçadamente pelas três eras definidas pelos Valar, e veio ante seu conclave ser julgado. E Melkor implorou por perdão aos pés de Manwë, humilhou-se, jurou seguir suas regras e a ajudar os Valar de todas as formas que pudesse pelo bem de Arda e o benefício dos Valar e dos Eldar, se a ele fosse concedida liberdade e um lugar como o último dentre todos os povos de Valinor.

§88 E Niënna auxiliou no seu pedido (devido ao seu parentesco) e Manwë o concedeu, pois sendo livre de todo o mal ele não viu as profundezas do coração de Melkor, e acreditou em seus juramentos. Porém Mandos ficou em silêncio e o coração de Ulmo ficou em dúvida.

1410

§89 Então Melkor residiu sob vigilância por algum tempo em uma casa humilde em Valmar, e não tinha permissão de andar sozinho livremente. Mas, uma vez que àquele tempo todas as suas palavras e trabalhos eram belos e ele se tornara em todas as formas e aparências como os Valar seus irmãos, Manwë deu a ele liberdade dentro de Valinor. Mas a alegria de Tulkas ficava enevoada sempre que ele via Melkor passar, e as unhas de seus dedos marcavam a palma de suas mãos, devido aos esfoço que fazia para se conter.

§90 E realmente Melkor fora falso e traiu a clemência de Manwë, e usou sua liberdade para espalhar amplamente mentiras e envenenar a paz de Valinor. Então uma sombra caiu sobre a Terra Abençoada e seu Meio Dia dourado passou; mas ainda levaria tempo para que as mentiras de Melkor frutificassem, e os Valar continuaram vivendo em felicidade.

§91 Em seu coração Melkor odiava mais os Eldar, tanto por sua beleza e alegria e porque neles ele via a razão do destaque dos Valar e sua própria queda e humilhação. Portanto mais do que tudo ele fingia amor por eles, procurava suas amizades, e oferecia a eles o serviço de seu conhecimento e trabalho em qualquer grande feito que eles fizessem. E muitos dos Noldor, devido ao seu desejo por todo conhecimento, lhes deram ouvidos e se deliciaram com seus ensinamentos. Mas os Vanyar não se envolveram com ele.

1449

§92 Neste Ano Fëanor começou aquele trabalho que é renomado acima de todos os trabalhos da Eldalië; pois seu coração concebeu as Silmarils, e ele fez muitos estudos e muitos ensaios antes que sua fabricação pudesse começar. E embora Malkor tenha dito mais tarde que Fëanor teve sua instrução naquele trabalho, ele mentiu em seu desejo e sua inveja; pois Fëanor foi conduzido apenas pelo fogo de seu próprio coração, e era ávido e orgulhoso, trabalhando sempre rapidamente e sozinho, não pedindo ajuda e não buscando conselho.

1450



As Silmarilli de Fëanor são feitas

§93 Neste ano as Silmarils ficam completamente prontas, a maravilha de Arda. Como três grandes jóias elas eram em forma. Mas não até o Fim, quando Fëanor deverá retornar, ele que pereceu quando o Sol era jovem e senta-se agora nos Salões da Espera e não virá mais entre sua raça, não antes do Sol passar e a Lua cair, será conhecida a substância com a qual foram feitas. Como o cristal dp diamante ela se parecia mas era mais forte que o adamante, de forma que nenhuma violência dentro dos muros deste mundo pode marcá-la ou quebrá-la. Aquele cristal era para as Silmarils como é o corpo para os Filhos de Ilúvatar: a casa de seu fogo interior, que está dentro dela e também em todas as partes dela, e sua vida. E o fogo interno das Silmarills Fëanor fez com a Luz misturada das Árvores de Valinor que ainda vive nelas, embora as Árvores há muito tenham secado e não brilhem mais. Portanto mesmo na mais completa escuridão as Silmarils brilham por sua própria luz como as estrelas de Varda, e mais, como são de fato coisas vivas, elas se deliciam na luz, a recebem e a dão de volta em tons ainda mais belos que antes.

§94 E todo o povo de Valinor ficou impressionado com o trabalho manual de Fëanor, e ficaram maravilhados e deliciados, e Varda abençoou as Silmarils, de forma que dali em diante nenhum mortal nem coisa maligna ou suja poderia tocá-las, ou seriam marcados e queimados com intolerável dor. E Melkor desejou as Silmarils e a simples memória de sua luz era como um fogo queimando em seu coração.


1450 – 1490

§95 Devido a isso, embora continuasse a dissimular seus propósitos com grande sutileza, Melkor procurava agora ainda mais ansiosamente como poderia destruir Fëanor e encerrar a amizade de Valar e Eldar. Longamente esteve ele trabalhando, e lento e infrutífero era seu esforço inicialmente. Mas aquele que semeia mentiras no final não deixará de ter uma colheita, e de fato logo ele pode descansar do esforço, enquanto outros colhiam e semeavam em seu lugar. Mesmo Melkor encontrou alguns ouvidos que o ouviriam, e algumas línguas que aumentariam o que ouviram. Pois as mentiras de Melkor criavam raízes pela verdade que havia nelas.

§96 Então aconteceu que surgiram murmúrios em Eldamar de que os Valar haviam trazido os Eldar a Valinor por inveja de suas belezas e habilidades, e temendo que eles pudessem crescer fortes demais para serem governados nas terras livres do Leste. E então Melkor predisse a chegada dos Homens, dos quais os Valar ainda não haviam falado aos Elfos, e novamente foi murmurado que os deuses tinham a intenção de reservar os reinos da Terra-média para a raça mais jovem e mais fraca, os quais eles poderiam dominar mais facilmente, destituindo os Elfos da herança de Ilúvatar.

§97 Então finalmente os príncipes dos Noldor começaram a murmurar contra os Valar, e muitos ficaram cheios de orgulho, esquecendo tudo que os Valar os havia ensinado e dado. E naquele tempo (tendo criado ira e orgulho) Melkor falou aos Eldar sobre armas, que antes eles não tinham possuído ou conhecido; pois os arsenais dos Valar foram fechados após o acorrentamento de Melkor. Mas agora os Noldor começaram a fundição de espadas e machados e lanças; e escudos eles fizeram contendo os símbolos de muitas casas e grupos que competiam uns contra os outros.

§98 Um grande ferreiro era Fëanor naqueles dias, e um príncipe orgulhoso e dominante, vigilante de tudo que ele tinha; e Melkor o vigiava. Pois ainda desejava as Silmarils; mas agora raramente Fëanor as trazia à luz, e as mantinha trancadas na escuridão do tesouro de Túna; e ele começou a limitar a visão delas a todos exceto a seu senhor e seus sete filhos. Por isso Melkor lançou novas mentiras de que Fingolfin estava planejando suplantar Fëanor e seu pai aos olhos dos Valar, e conseguiria, pois os Valar estavam aborrecidos pelo fato das Silmarills não terem sido deixadas a seus cuidados. Por essas mentiras disputas surgiram entre os orgulhosos filhos de Finwë e Melkor estava satisfeito; pois tudo ia conforme seu planejamento. E repentinamente os Valar ficaram cientes que a paz de Valinor fora quebrada e as espadas desembainhadas em Eldamar.

1490

§99 Então os Deuses se enfureceram, e eles chamaram Fëanor perante eles. E eles expuseram todas as mentiras de Melkor; mas por ter sido Fëanor o primeiro a quebrar a paz e ameaar violência em Aman ele foi, pelo julgamento deles, banido por vinte (10) anos de Tirion. E ele partiu  e residiu ao norte de Valinor perto dos salões de Mandos, e construiu um novo tesouro e forte em Formenos, e grande riqueza em jóias ele colocou no tesouro, e as Silmarils foram trancadas em uma sala de ferro. E para este lugar veio Finwë, pelo amor que dedicava a Fëanor, e Fingolfin governou os Noldor de Túna. Desta forma as mentiras de Melkor foram aparentemente feitas verdade, e o amargor que ele criou permaneceu por muito tempo entre os filhos de Fingolfin e Fëanor.

§100 Diretamente do Círculo do Destino Tulkas foi rapidamente colocar as mãos em Melkor, mas Melkor sabendo que seus esquemas foram revelados (11) ocultou-se, e uma nuvem estava ao redor dele, e pareceu ao povo de Valinor que a luz das Árvores tornou-se mais fraca do que costumava ser, e as sombras eram mais negras e longas.

1492

§101 E é dito que Melkor não foi visto novamente por algum tempo; mas repentinamente ele apareceu ante as portas da casa de Finwë e Fëanor em Formenos e buscou falar com eles. E disse a eles: Contemplem a verdade de tudo que eu falei, e como você está, de fato, banido injustamente. E não pense que as Silmarils estejam seguram em qualquer tesouro dentro do reino dos deuses. E se o coração de Fëanor ainda é livre e corajoso como suas palavras o foram em Túna, então eu irei ajudá-lo e levá-lo para longe desta terra estreita. Pois não sou eu um Vala tal como eles? Sim, e mais do que eles, e sempre fui um amigo dos Noldor, o mais habilidoso e valoroso de todos os povos de Arda.

§102 Então o amargor aumentou no coração de Fëanor e se encheu com medo pelas Silmarils, e naquele estado de espírito permaneceu. Mas as palavras de Melkor tocaram fundo demais, e despertaram um fogo mais terrível do que ele pretendia; e Fëanor olhou para ele com olhos brilhantes, e veja! viu através da aparência de Melkor e vislumbrou as secritudes de sua mente, percebendo ali o desejo pelas Silmarils. Então o ódio suplantou todo o medo e ele amaldiçoou Melkor e ordenou sua partida. ‘Partais de meu portão, andarilho (12), corvo da prisão de Mandos’, disse ele, e fechou as portas de sua casa no rosto do mais poderoso de todos os habitantes de Ëa.

§103 E àquele tempo, estando ele próprio em perigo, Melkor partiu, consumido pela raiva, e vingança amarga ele planejou por sua humilhação. E Finwë se encheu com grande medo e rapidamente enviou mensageiros a Manwë em Valmar.

§104 Então Oromë e Tulkas partiram em perseguição a Melkor, mas antes que tivessem cavalgado longe mensageiros chegaram de Eldamar, relatando que Melkor fugira através do Kalakiryan (13), passando pela colina de Túna em fúria, como uma nuvem de tempestade. Com a fuga de Melkor a sombra foi retirada de Valinor e por algum tempo toda a terra foi bela novamente. Mas os deuses procuraram em vão por sinais de seu inimigo, e dúvida desceu sobre seus corações sobre qual seria o novo mal que ele poderia tentar.

§105 É dito que Melkor chegou à região escura de Arvalin. Aquela terra estreita ficava ao sul da Baía de Eldamar, mas a leste das montanhas das Pelóri, e seu longo e melancólico litoral se estendia até o Sul do mundo, sem luz e inexplorado. Ali, entre os lisos muros das montanhas e o Mar frio e escuro, as sombras eram as mais profundas do mundo. E ali secretamente Ungoliantë fizera sua morada. De onde viera nenhum dos Eldar sabe, mas talvez ela tenha vindo para o Sul das escuridões de Ëa, no tempo em que Melkor destruiu as luzes de Illuin e Ormal, e devido às suas moradas no Norte a atenção dos Valar foi voltada principalmente para lá e o Sul ter ficado por muito tempo esquecido. Dali ela ela rastejava lentamente em direção ao reino de luz dos Valar. Pois ela ansiava pela luz e a odiava. Em uma fenda profunda das montanhas ela residia, e tomou forma como se fosse uma aranha monstruosa, sugando toda a luz que podia encontrar ou que passava por sobre os muros de Valinor, e a lançava de volta na forma de teias negras de opressiva escuridão, até que nenhuma luz pudesse mais chegar à sua morada e ela estivesse faminta.

§106 Pode muito bem ser que Melkor, se nenhum outro, soubesse dela, sua existência e sua morada, e que ela fosse no início um daqueles que ele corrompeu a seu serviço. E chegando finalmente a Arvalin, procurou por ela e exigiu ajuda em sua vingança. Mas ela estava relutante em enfrentar os perigos de Valinor e a grande fúria  dos deuses, e não partiria de seu esconderijo antes de Melkor ter jurado dar a ela uma recompensa que curaria a persistente dor de sua fome e raiva.

1495

§107 E finalmente tendo organizado bem seus planos Melkor e Ungoliantë partiram. Uma grande escuridão que Ungoliantë tecera estava ao redor deles, e cordas negras ela também lançara e fixara entre as rochas e depois de longo esforço, de teia a teia, ela escalou finalmente até o pico de Hyarantar, que é o mais alto pináculo das montanhas ao sul de Taniquetil. Lá, de fato (exceto por aquela torre de vigia do Sul), as Pelóri era menos imponentes e menor era a vigilância dos Valar, pois eles tinha sempre estado em guarda principalmente contra o Norte.

§108 Então Ungoliantë teceu uma escada de cordas e a lançou para baixo, Melkor a escalou e então chegou àquele local elevado, de onde podia observar o Reino Vigiado abaixo. E abaixo ficavam as verdejantes florestas selvagens de Oromë, e longe no oeste os brilhantes campos e pastos de Yavanna, de um dourado pálido abaixo dos altas plantações de grãos dos deuses. E Melkor olhou para o norte, e viu ao longe a planície radiante, os domos prateados de Valmar reluzindo na junção das luzes de Telperion e Laurelin. Então Melkor gargalhou alto e desceu rapidamente ao longo da encosta oeste; Ungoliantë estava a seu lado e sua escuridão os cobria.

§109 Ora, era um tempo de festival, como Melkor bem sabia. Pois, embora todas as marés e estações estivessem sob a vontade dos Valar e não existisse em Valinor inverno de morte, os deuses residiam então no reino de Arda que não era mais do que um pequeno reino nos salões de Ëa, cuja vida é Tempo, que flui sempre desde a primeira nota ao último acorde de Eru. E era então o prazer dos Valar (como dito no Ainulindalë) vestirem-se nas formas dos Filhos de Ilúvatar, e comiam e eles bebiam e colhiam os frutos de Yavanna, e retiravam força da Terra a qual sob Eru eles fizeram.

§110 Portanto Yavanna fixou tempos para o florescer e a maturação de todas as coisas que crescem: crescimento, florescimento e tempo da semente. E de cada primeiro colher de frutos Manwë fazia um clímax de exaltação a Eru, e todo o povo de Valinor externava sua felicidade em música e canção. E tal era esta hora; e Manwë, esperando de que fato a sombra de Melkor tivesse sido removida da terra, e temendo nada pior do que, talvez, uma nova guerra com Utumno e uma nova vitória para encerrar tudo, decretou que esta comemoração deveria ser mais gloriosa do que qualquer outra feita desde a chegada dos Eldar. Ele também desejou curar o mal que surgiu entre os Noldor, e todos eles foram chamados, por isso, para ir até ele e compartilhar com os Maiar em seus salões sobre o Taniquetil e lá deixar de lado todos os pesares que permaneciam entre seus príncipes e esquecer de uma vez por todas as mentiras de seu Inimigo.

§111 Lá foram os Vanyar, e lá foram os Noldor, e os Maiar estavam reunidos, e os Valar estavam adornados em sua beleza e majestade, e cantaram ante Manwë em seus altos salões, ou se divertiram sobre as encostas gramadas a oeste do Taniquetil , em direção às Árvores. Naquele dia as ruas de Valmar estavam vazias e as escadas de Túna silenciosas, apenas os Teleri além das montanhas continuavam cantando no litoral do Mar, pois eles se importavam pouco com estações ou tempos, e não pensavam nas preocupações dos Regentes de Arda ou na sombra que caíra sobre Valinor, pois ela não os tocara, ainda.

§112 Apenas uma coisa maculou os desígnios de Manwë. Fëanor de fato veio, pois apenas a ele Manwë comandou que viesse; mas Finwë não veio nem nenhum outro dos Noldor de Formenos. Pois disse Finwë, ‘Enquanto o banimento permanecer sobre Fëanor meu filho, que ele não possa ir a Túna, eu me mantenho afastado da coroa, e não encontrarei meu povo, nem aqueles que governam em meu lugar’. E Fëanor não foi em vestimentas de festival, e não usava nenhum ornamento, nem prata nem ouro nem nenhuma gema; e vetou a visão das Silmarils aos Eldar e Valar, e as deixou trancadas nas escuridão de sua sala de ferro. Contudo, ele encontrou Fingolfin ante o trono de Manwë e se reconciliou em palavras, e Fingolfin colocou um fim ao desembainhar da espada.

§113 É dito que enquanto Fëanor e Fingolfin estavam perante Manwë, ocorreu a União das Luzes e ambas as Árvores estavam brilhando e a silenciosa cidade de Valmar foi preenchida com radiância como de prata e ouro, e naquela hora Melkor e Ungoliantë vieram à planície e pararam à frente do Monte Verdejante. Então Melkor veio e com sua lança negra feriu cada Árvore até seu centro, um pouco acima das raízes, e suas seivas escorreram, como se fosse seu sangue, e se esparramaram sobre o chão. E Ungoliantë a sugou, e indo então de Árvore a Árvore ela colocou seus lábios imundos em suas feridas, até que estivessem exauridas; e o veneno que existia nela passou para seus corpos e as murchou; e elas morreram. E Ungoliantë continuava sedenta, e foi aos Vasos de Varda e tomou deles até secarem; e Ungoliantë expelia vapores negros enquanto bebia, e cresceu para uma forma tão vasta e horrível que mesmo Melkor ficou aterrorizado.

§114 Então a Escuridão caiu sobre Valinor. De todos os feitos daquele dia muito é dito no Aldudénië (o Lamento pelas Árvores) que Elemírë dos Vanyar compôs e é conhecido de todos os Eldar. Mas nenhuma canção ou conto poderia conter todo o pesar e terror que então caiu. A Luz falhou, e isto era já era calamidade suficiente, mas a Escuridão que se seguiu era mais do que a perda de luz. Naquela hora foi criada a Escuridão que parecia não ausência mas uma coisa com existência própria: pois era de fato feita por malícia a partir da Luz, e tinha o poder de atingir os olhos, adentrar coração e mente, e estrangular a própria vontade.

§115 Varda olhou para baixo da Montanha Sagrada e contemplou a Sombra subindo em repentinas torres de escuridão; Valmar foi encoberta em um profundo mar de noite. Logo Taniquetil ficou sozinho, como uma última ilha de luz em um mundo que afundara. Toda música cessou. Houve silêncio em Valinor e nenhum som podia ser ouvido, exceto apenas aquele de longe que vinha com o vento através da fenda nas montanhas, o lamento dos Teleri como o grito frio das gaivotas. Pois ventou gelado do Leste naquela hora, e as vastas sombras do Mar se voltaram contra os muros do litoral.

§116 E Manwë de seu alto trono olhou, e apenas seus olhos atravessavam a escuridão, e viu ao longe como uma Escuridão além do escuro se movia para o norte pela terra, e ele soube que Melkor estava lá. Então a perseguição começou, e terra tremeu sob os cavalos da hoste de Oromë, e o fogo que saiu dos cascos de Nahar foi a primeira luz que retornou a Valinor. Mas tão logo quanto chegavam à Nuvem de Ungoliantë os cavaleiros dos Valar eram cegados e desencorajados, e se separaram e não sabiam mais para onde ir; e o som da Valaróma hesitou e falhou.  E Tulkas era como um homem pego em uma teia negra na noite, e ele ficou impotente e golpeava o ar em vão. E quando a Escuridão passou, era tarde demais: Melkor tinha ido para onde queria, e sua vingança estava totalmente realizada.


NOTAS


1.
Este registro é uma substituição antiga, o registro original, referente ao casamento de Finrod e Ëarwen filha de Olwë, reaparece em forma bastante no manuscrito como originalmente escrito sob o ano de 1280. Mais tarde, com caneta esferográfica, meu pai alterou a data deste registro para 1169 e adicionou novos registros para 1170, ‘Míriel adormeceu e passou para Mandar’, e 1172 ‘Julgamento de Manwë com relação aos casamentos dos Eldar’. Sobre estes assuntos ver nota 4 abaixo. os novos registros aparecem na versão datilografada original.


2.
O nome Noldor é aqui escrito com um til, Noldor (representando a nasal posterior, o ng de king, ver HoME IV). Esta se tornou a forma normal em todos os escritos tardios de meu pai, embora frequentemente omitido de maneira casual (nenhum de seus datilógrafos possuía este sinal); ele não é representado na escrita do nome Noldor neste livro.


3.
A parte final deste trecho, referente às gemas, é em grande parte uma adição. Como inicialmente escrito, tudo que foi dito sobre o assunto era:

É dito que a por volta desta época os artífices da Casa de Finwë (de quem Fëanor seu filho mais velho era o mais habilidoso) primeiramente divisaram gemas, e toda Valinor foi enriquecida por seus trabalhos.

Ver nota 5.


4.
Um novo registro foi adicionado aqui ao mesmo tempo daqueles dados na nota 1: ‘1185 Finwë se casa com Indis dos Vanyar’.


5.
Esta sentença (‘Ele amava grandemente as gemas…’) é uma adição acompanhando a mudança e expansão citadas na nota 3.


6.
Naugrim foi escrito a lápis sobre o original Nauglath (o qual, contudo, não foi riscado), e a palavra ‘também’ (em ‘a quem também chamamos’) adicionada ao mesmo tempo.


7.
Esta interpolação feita em Beleriand por Pengolod, entre colchetes no original, foi uma adição ao manuscrito; confira nota 8. Ao lado dela meu pai mais tarde escreveu a lápis: ‘Transferir para os A[nais] de B[eleriand]’.


8.
Esta interpolação de Pengolod, entre colchetes, foi uma adição ao manuscrito; e como aquela citada na nota 7 foi marcada mais tarde para ser transferida para os Anais de Beleriand. O nome do líder dos Nandor foi inicialmente escrito Enadar, alterado imediatamente para Denethor (o nome em AV2, QS e o Lhammas).

Mas tarde meu pai adicionou aqui a lápis um novo registro, para 1362: ‘Aqui nasceu Isfin filha de Fingolfin, a Dama Branca dos Noldor’ (ver nota 9).

9. Uma adição rápida a tinta, subsequentemente riscada, dá um registro para 1469: ‘Aqui nasceu a primeira filha de Fingolfin, a Dama Branca dos Noldor’ (ver nota 8). Não é dito em outro lugar que Fingolfin tinha outra filha além de Isfin.


10.
O manuscrito tem ‘três’ o ‘ten’ > ‘vinte’ (Anos dos Valar).


11.
Do inglês bewrayed: ‘revelado’, ‘traído’.


12.
Do inglês gangrel (‘vagabundo’) substituindo beggarman (‘pedinte’, ‘mendigo’).


13.
Meu pai inicialmente escreveu Kalakilya, a forma antiga, mas alterou-a imediatamente para Kalakirya; -n foi adicionado mais tarde (ver §67).


Comentários sobre a quarta seção dos


Anais de Aman
Esta seção dos Anais corresponde em conteúdo ao Capítulo 4 de QS ‘Das Silmarils e o Escurecimento de Valinor‘ (HoME V), e a AV 2 registros 2500 até o começo de 2990 (HoME V). O registro em AAm não tem comparação com o rápido AV 2, e representa um impulso totalmente diferente; de fato, nesta seção nós vemos a forma de registros desaparecendo enquanto narrativas completas surgem. Com frequentemente no caso dos trabalhos de meu pai, a história toma conta e se amplia seja quais forem as restrições de forma que ele optou. A nova narrativa tem o dobro do tamanho daquela em QS, à qual é relacionada em estrutura. Em expressão é quase inteiramente nova, mas mesmo assim uma comparação entre eles mostrará que AAm tende antes a uma maior definição da narrativa do que a mudanças significativas na estrutura ou novas adições notáveis – embora ambas estejam presentes. Os comentários a seguir de forma alguma têm a intenção de serem uma análise de todas as diferenças de ênfase, sugestão e detalhe entre AAm e QS.


§
78 Cedo no AAm, sob o ano 1115, aparecem inserções rejeitadas (ver a Terceira Seção dos Anais de Aman, notas 3 e 5) nas quais estão registradas o nascimento de Fëanor por Indis esposa de Finwë na Terra-média durante a Grande Jornada, e a subseqüente morte dela numa queda nas Montanhas Nebulosas. Escritas com caneta esferográfica estas inserções parecem ser relativamente tardias; aqui, por outro lado, no que parece ser uma adição antiga (escrita cuidadosamente com tinta, veja nota 1 acima), Fëanor nasceu em Tirion, e sua mãe foi Morial, chamada Byrde Míriel (do Inglês antigo byrde ‘bordadeira’). Em adições tardias (notas 1 e 4 acima) é registrado que em 1170 Míriel ‘adormeceu’ e passou para Mandos e em 1185 Finwë casou-se com Indis dos Vanyar.

§79 Em um ponto do começo de QS (§40) é dito que os Noldor ‘desenvolveram a criação de gemas'; similarmente em AV 2 (HoME V) eles ‘inventaram gemas’ e novamente em Ainulindalë B (HoME V). Esta idéia é encontrada em todos os textos antigos, retrocedendo até o elaborado registro no antigo conto de ‘A Chegada dos Elfos‘ (ver HoME I). No período posterior ela sobreviveu na versão final D do Ainulindalë (§35), e continua presente inicialmente em AAm (ver nota 3 acima). A reescrita deste trecho rejeita a idéia de ‘invenção': as gemas dos Noldor foram minadas em Aman.


§80 A associação dos Noldor com escrita alfabética retorage até os Contos Perdidos, onde esta arte é associada principalmente a Aulë (HoME I); ‘naqueles dias Aulë auxiliado pelos Gnomos desenvolveu alfabetos e escritas’ (HoME I). No Ainulindalë B (HoME V) os Noldor ‘acrescentaram muito aos ensinamentos [de Aulë] e tinham grande prazer em idiomas e alfabetos’, e isto sobreviveu em versões posteriores. Agora Rúmil e (em §83) Fëanor surgem como os grandes inventores. Confira O Senhor dos Anéis, Apêndice E (II):

Os Tengwar… foram desenvolvidos pelos Noldor, a família dos Eldar mais habilodosa em tais assuntos, muito antes de seu exílio. As letras Eldarin mais antigas, os Tengwar de Rúmil, não foram usadas na Terra-média. As letras posteriores, os Tengwar de Fëanor, foram amplamente uma invenção nova, embora devesse algo às letras de Rúmil.

Se Rúmil foi o autor dos Anais de Aman, como é dito no preâmbulo, ele está aqui se descrevendo com as palavras ‘mais renomado dos mestres de conhecimento de idiomas’.


§82 Finrod: nome inicial de Finarfin (Finarphin).


§84 A forma Nauglath (ver nota 6) é, curiosamente, uma reversão ao nome original em Gnômico para os Anões no Contos Perdidos (ver HoME I), embora Naugrim ocorra como uma forma original em QS em um ponto posterior na narrativa (§122). [A entrada Naugrim foi inadvertidamente excluída do índice para o HoME V. As referências são 273, 277, 405.] – Sobre o nome Sindar veja §74.

Sobre referências antigas aos Anões em Beleriand veja IV.336; como eu comentei lá, a afirmação na segunda versão do primeiro Anais de Beleriand (HoME IV) de que os Anões tinham ‘de antigamente’ uma estrada para Beleriand é o primeiro sinal da idéia posterior de que os Anões tinham estado ativos em Beleriand muito antes do Retorno dos Noldor. Mas o presente trecho é a primeira referência aos Anões ajudando Thingol na escavação e contrução de Menegroth. – A lenda da criação dos Anões por Aulë é citada nos textos do período inicial: AB 2 (HoME V), o Lhammas (HoME V e comentários) e QS (§123 e comentários).


§85 Aqui aparece o importante desenvolvimento de acordo com o qual os príncipes da Terceira Casa dos Noldor se tornaram próximos a Thingol de Doriath (Elwe Singollo, irmão de Olwë de Alqualondë, §58); e Galadriel é introduzida dO Senhor dos Anéis. Confira Apêndice F (I, Dos Elfos): ‘A dama Galadriel da casa real de Finrod, pai de Felagund, Senhor de Nargothrond’ (uma afirmação que foi alterada na Segunda Edição de O Senhor dos Anéis, quando Finrod se tornou Finarphin e Inglor se tornou Finrod (Felagund)).

§86 Em AV 2 (HoME V, também em uma interpolação de Pengolod) e em QS (§115) os Elfos sob Denethor não chegaram a Beleriand ‘a partir do Sul’, mas por sobre as Montanhas Azuis; o significado aqui provavelmente é que eles cruzaram as montanhas em uma região ao sul de Ossiriand. Não haviam sete rios correndo das montanhas, mas seis: o sétimo rio de Ossiriand era o grande rio Gelion, para o qual os seis fluíam.


§88 devido ao seu parentesco: em AAm §3 (assim como em AV 2 e em QS §9) Niënna era ‘irmã de Manwë e Melkor’. Em AAm* ela é dita ser apenas irmã de Manwë.

§92 Em AV 2 duas eras se passaram (A.V. 2500 – 2700) entre a criação das Silmarils e a libertação de Melkor; da maneira similar em QS (§§46-7). Em AAm a relação dos dois é invertida, com a libertação de Melkor colocada no Ano das Árvores 1400 e o término das Silmarils em 1450.

§93 Com o que é dito aqui sobre o destino de Fëanor confira QS §88: ‘tão cheio de fogo era seu espírito que seu corpo se transformou em cinzas assim que seu espírito partiu; e nunca mais apareceu sobre a terra nem deixou o reino de Mandos’.

§87 Sobre a ignorância dos Elfos com relação a armas ver §97.

§98 Nenhuma menção é feita em QS (§52) das dissensões chegando a ponto de desembainhar espadas. Em AAm §112 ‘Fingolfin colocou um fim ao desembainhar da espada’, e na margem do texto datilografado a este ponto meu pai escreveu ‘se refere a que?’. Uma expansão posterior do capítulo no QS, próxima em tempo à escrita de AAm, conta que Fëanor ameaçou Fingolfin com a espada desembainhada (§52); e em vista de §112 parece provável que isto tenha sido inadvertidamente omitido aqui.


§99 O termo do banimento de Fëanor (ver nota 10 acima) não é citado em textos mais antigos. O nome formenos agora aparece, em uma adição ao texto.


§102 o mais poderoso de todos os habitantes de Ëa: ver §2.


§105 O tempo da chegada de Ungoliantë a Arda é colocado (como uma suspeita) junto com a entrada de Melkor e sua hoste antes da derrubada das Lâmpadas (ver §19). Compare ‘talvez ela tenha vindo para o Sul das escuridões de Ëa’ com QS §55: ‘da Escuridão Exterior, talvez, aquela que se estende além das Muralhas do Mundo’.


§106 Embora novamente colocada como uma suspeira, a origem de Ungoliantë é agora encontrada em sua antiga corrupção por Melkor, e é sugerido que ele foi para Arvalin com o próximo definido de encontrá-la.

§107 A alta montanha na cadeia sul das Pelóri agora recebe um nome, Hyarantar (mais tarde substituído por Hyarmentir).

§109 No Contos Perdidos a razão do grande festival era a comemoração da chegada dos Eldar a Valinor (HoME I), mas em textos posteriores sua razão não é especificada. Agora um novo e notável registro é dado, com uma referência à passagem no Ainulindalë (§25) onde as formas visíveis assumidas pelos Valar em Arda são descritas; e aqui a idéia destas ‘formas’ é ampliada (como parece) ao ponto onde os grandes espíritos podem comer, e beber, e ‘retirar força da Terra’. Completamente nova também nesta passagem é o elelemtno do propósito de Manwë em obter concórdia entre os Noldor.

§112 Em QS (§60) Fëanor estava presente ao festival na Taniquetil; agora entra a história de que ele foi sozinho de Formenos, sendo comandado a fazê-lo por Mnwe, em vestimentas sóbrias, que Finwë se recusou a ir enquanto seu Filho vivesse em banimento, e que Fëanor se reconciliou ‘em palavras’ com Fingolfin perante o trono de Manwë. A este ponto, é claro, Fëanor e Fingolfin ainda eram irmãos (e não meio-irmãos).

§114 Não há sinal do texto Aldudénië entre os papéis de meu pai. Compare a passagem relativa à Escuridão que veio com a extinção da Luz das Árvores com o Ainulindalë §19: ‘e pareceu [aos Ainur] que naquele momento eles perceberam uma nova coisa, Escuridão, a qual eles não conheciam antes, exceto em pensamento’.

§116 Sobre o chifre Valaróma de Oromë ver Ainulindalë D, §34.


*

Há um grande número de notas e alterações feitas no texto datilografado, algumas acrescentadas pelo datilógrafo sob a instrução de meu pai; mas apenas algumas poucas precisam ser registradas.


§78 Os dois novos registros dados na nota 1 acima, e aquele na nota 4, aparecem no texto datilografado original.

§81 Após a entrada para 1190 uma nova entrada foi acrescentada para o ano 1200: ‘Luthien nasce’ (com uma interrogação).

§84 Um espaço em branco é deixado no texto datilografado onde o manuscrito tem Naugrim escrito sobre Nauglath, possivelmente porque o datilógrafo não sabia qual forma colocar (ver nota 6). O espaço em branco não foi preenchido, mas o nome Nornwaith que se segue foi riscado.

§85 Após o registro para 1280 as seguintes entradas Beleriândricas foram colocadas:

1300    Daeron, mestre do conhecimento de Thingol, desenvolve as Runas
Turgon, filho de Fingolfin, e Inglor, filho de Finrod, nascem.

1320    Os Orcs aparecem pela primeira vez em Beleriand

§86 Após o registro para 1350 duas entradas foram adicionadas:

1362    Galadriel, filha de Finrod, nasce em Eldamar Isfin, Dama Branca dos Noldor, nasce em Tirion

A segunda destas aparece como uma adição a lápis ao manuscrito (nota 8).

§97 Ao lado das palavras ‘Melkor falou aos Eldar sobre armas, que antes eles não tinham possuído ou conhecido’ meu pai escreveu no texto datilografado: ‘Não! Eles devem ter possuído armas na Grande Jornada’. Compare com a passagem em QS sobre este assunto (nota de rodapé para o §49): ‘Os Elfos antes haviam possuído apenas armas de caça, lanças e arcos e flechas’.

§99 A duração do banimento de Fëanor foi alterado mais uma vez (ver nota 10), de ‘vinte’ para ‘doze’.

§113 Após ‘o Monte Verdejante’ foi adicionado: ‘de Ezellohar’. Este nome foi acrescentado em ocorrências anteriores: §25. ‘Os Vasos de Varda’ se tornaram ‘Os Poços de Varda'; ver §28.

§114 O datilógrafo leu incorretamente Elemírë, e meu pai corrigiu o erro para a forma Elemmírë.

Eu não sei qual intenção está por trás da introdução dos registros Beleriândricos dados sob §§81,85 acima.

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