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Tolkien fica fora da lista de livros mais lidos por crianças britânicas pela primeira vez em seis anos

John-Ronald-Reuel-Tolkien-10Os livros de J.R.R. Tolkien pela primeira vez deixaram de aparecer na lista dos mais lidos por crianças britânicas, de acordo com a pesquisa What Kids Are Reading. A pesquisa analisa os hábitos de leitura de mais de 2.700 crianças nas escolas do Reino Unido.

Os títulos de Tolkien, que costumavam ficar nas 10 primeiras posições, saíram da lista e deram lugar para as distopias e fantasias urbanas como Divergente (Veronica Roth) e Jogos Vorazes (Suzanne Collins).

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Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Por que Tolkien não ganhou o Nobel?

Qualquer fã mais entusiasmado da obra de J.R.R. Tolkien já deve ter pensado por que no final das contas ele nunca ganhou o Nobel de Literatura. Pois a pesquisa de Andreas Ekström parece trazer uma resposta bem ruim: o comitê sueco simplesmente considerava sua prosa fraca. Conforme noticiado pelo jornal sueco Sydsvenska Dagbladet, o nome de Tolkien chegou a ser cogitado em 1961 junto com outros nomes como Robert Frost e Graham Greene. Mas naquele ano quem ganhou o nobel foi o iugoslavo Ivo Andrić, por causa da “força épica com a qual ele traçou temas e retrata os destinos humanos retirados da história de seu país”.

As reuniões que decidem quem será o ganhador do prêmio Nobel são secretas, mas passados cinquenta anos da reunião os arquivos dessa são abertos para o público, e foi a partir desse estudo que Ekström pescou a informação de que um jurado chamado Andres Osterling chegou a dizer que Tolkien “de forma alguma chega ao nível de narrativa de alta qualidade”.

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Novo livro de Tolkien no Brasil – A Lenda de Sigurd e Gudrún

Não sei se já foi anunciado aqui na Valinor, mas não custa falar de novo. Deu no site da editora Martins Fontes que entre os próximos lançamentos está A lenda de Sigurd e Gudrún. Uma boa notícia para nós leitores brasilieros. O texto do site é o seguinte:

“Muitos anos atrás, J.R.R. Tolkien compôs sua própria versão, agora publicada pela primeira vez, da grande lenda da antiguidade setentrional, em dois poemas estreitamente relacionados, aos quais deu os títulos de A Nova Balada dos Völsungs e A Nova Balada de Gudrún.

Na Balada dos Völsungs é contada a linhagem do grande herói Sigurd, matador de Fáfnir, o mais celebrado dos dragões, cujo tesouro ele tomou para si; de como despertou a valquíria Brynhild, que dormia cercada por uma parede de fogo, e de como foram prometidos um para o outro; e de sua chegada à corte dos grandes príncipes chamados Niflungs (ou nibelungos), com quem contraiu fraternidade de sangue. Nessa corte nasceu grande amor, mas também grande ódio, provocado pelo poder da feiticeira, mãe dos Niflungs, habilidosa nas artes da magia, da mudança de forma e das poções de esquecimento.

Em cenas de dramática intensidade, de identidades confundidas, paixão frustrada, ciúme e amarga contenda, a tragédia de Sigurd e Brynhild, do Niflung Gunnar e de sua irmã Gudrún, escala até o desfecho com o assassinato de Sigurd pelas mãos de seus irmãos de sangue, o suicídio de Brynhild e o desespero de Gudrún. Na Balada de Gudrún, contam-se seu destino após a morte de Sigurd, seu casamento a contragosto com o poderoso Atli, soberano dos hunos (o Átila histórico), como este assassinou seus irmãos, senhores dos Niflungs, e como ela se vingou de modo horrendo.

Numa versão derivada primariamente dos detalhados estudos da antiga poesia norueguesa e islandesa conhecida por Edda Poética (e, nos casos onde não existe poesia antiga, da obra posterior em prosa, a Völsunga Saga), J.R.R. Tolkien empregou uma forma poética de estrofes curtas cujos versos corporificam em inglês os exigentes ritmos aliterantes e a energia concentrada dos poemas da Edda.”

O site não informa data de lançamento ou qualquer informação sobre a publicação, mas está listada nos próximos lançamentos.  Agora é esperar.

O livro já foi comentado em dois momentos aqui na Valinor:

Thiago Tizzot é editor, livreiro e autor dos livros O Segredo da Guerra, A Ira dos Dragões e outros contos e Três Viajantes.

Obituário de J. R. R. Tolkien

J. R. R. Tolkien morreu aos 81 anos; Escreveu “O Senhor dos Anéis”

3 de Setembro de 1973


Pelo “The New York Times”

Londres, 2 de Setembro – J. R. R. Tolkien, lingüista, acadêmico e autor
de “O Senhor dos Anéis”, morreu hoje em Bournemouth. Ele tinha 81 anos de idade. Deixou para trás três filhos e uma filha.

Criador de um Mundo

John Ronald Reuel Tolkien lançou um feitiço sobre dezenas de milhares de americanos nos anos 60 com sua trilogia de 500.000 palavras, “O Senhor dos Anéis”, em essência uma fantasia da guerra entre o bem e o mal fundamentais.

Criando o complexo mas consistente mundo da Terra-média, completo com mapas elaborados, Tolkien o povoou com hobbits, elfos, anões, homens, magos e Ents, e Orcs (goblins) e outros servos do Senhor do Escuro, Sauron. Em particular, ele descreveu as aventuras de um hobbit, Frodo, filho de Drogo, que tornou-se o Portador do Anel e a figura chave na destruição da Torre Escura. Como Gandalf, o mago, observou, havia mais nele do que se podia ver.

A história pode ser lida sob muitos níveis. Mas o autor, um acadêmico e lingüista, professor por 39 anos, negou enfaticamente que fosse uma alegoria. O Anel, descoberto pelo tio de Frodo, Bilbo Bolseiro, em um livro anterior, “O Hobbit”, tem o poder de tornar seus usuários invisíveis, mas ele é infinitamente maligno.

Os admiradores de Tolkien o compararam favoravelmente com Milton, Spenser e Tolstoy. Seu editor inglês, Sir Stanley Unwin, especulou que “O Senhor dos Anéis” provavelmente viveria mais além de seu tempo e de seu filho do que qualquer outro trabalho que ele havia impresso.

“Literatura Escapista”

Mas detratores, entre eles o crítico Edmund Wilson, citaram “O Senhor dos Anéis”, a mais famosa e mais séria fantasia de Tolkien, como um “livro infantil que de alguma forma fugiu do controle”. Um crítico do Observer de Londres o condenou em 1961 como “pura literatura escapista… enfadonho, mal escrito e excêntrico” e expressou o desejo de que o trabalho de Tolkien passasse logo ao “misericordioso esquecimento”.Foi tudo menos isso. Foi apenas quatro anos depois, impresso em brochura neste país pela Ballantine e Ace Books, que um quarto de milhão de cópias da trilogia foi vendida em 10 meses. No final dos anos 60, brotaram fãs-clubes por toda América, tal como a Sociedade Tolkien da América, e membros do culto – muitos deles estudantes – decoravam suas paredes com os mapas da Terra-média. A trilogia foi também publicada em capa dura pela Houghton Mifflin e foi um Livro-do-Mês da Seleção do Clube.O criador desse monumental e controverso trabalho (ou subcriador, como ele preferia chamar escritores de fantasia) foi uma autoridade em anglo-saxão, inglês médio e Chaucer. Ele era gentil, de olhos azuis, um homem de aparência meticulosa que preferia lã, fumava um cachimbo e gostava de fazer caminhadas e andar em uma bicicleta velha (embora ele a tenha substituído por um carro elegante com o sucesso de seus livros).De 1925 a 1959, ele foi professor em Oxford, e por fim Professor de Língua Inglesa e Literatura de Merton e um fellow da universidade Merton. Ele ficou um tanto estupefato pela aclamação que sua fantasia extracurricular recebeu – das interpretações intermináveis que variavelmente a chamaram de grande parábola Cristã, a última obra-prima literária da Idade Média e um jogo filológico.

Tolkien insistia, no entanto, que não ela não fora planejada como uma alegoria. “Eu não gosto de alegorias. Eu nunca gostei de Hans Christian Andersen porque eu sabia que ele estava sempre se insinuando a mim”, disse.

A trilogia foi escrita, ele lembrou, para ilustrar uma aula sua de 1938 na Universidade de Glasgow sobre contos de fadas. Ele admitiu que contos de fadas eram algo como uma fuga, mas não via por que não poderia ser uma fuga do mundo de fábricas, metralhadoras e bombas.

Era a alegria, disse, que era a marca do verdadeiro conto de fadas: “…Por mais selvagens que sejam os acontecimentos, por mais fantásticas ou terríveis que sejam as aventuras, pode dar para uma criança ou homem que a ouvir, quando o ‘clímax’ vem, uma tomada de fôlego, uma batida e aceleração do coração, próximo a (ou de fato acompanhado por) lágrimas, tão penetrante quanto aquele dado por qualquer forma de arte literária, e tendo uma qualidade peculiar”.

Sua própria fantasia, foi dito, tinha começado quando ele estava corrigindo provas um dia e acabou por rascunhar no topo de uma das mais maçantes “em um buraco no chão vivia um hobbit”. Então os hobbits começaram a tomar forma.

Eles eram, decidiu, “pessoas pequenas, menores que os barbudos anões. Hobbits não têm barbas. Há pouca ou nenhuma magia eles, exceto do tipo comum que os ajuda a desaparecer discreta e rapidamente quando gente grande e estúpida como você e eu aproxima de modo desajeitado, fazendo barulho como elefantes que eles podem ouvir a uma milha de distância. Eles tendem a ser gordos na barriga; vestem cores claras (principalmente verde e amarelo); não usam sapatos porque em seus pés crescem solas naturais como couro e pêlos espessos e castanhos; têm dedos morenos, longos e habilidosos, rostos amigáveis e dão gargalhadas profundas e deliciosas (especialmente depois do jantar, que eles têm duas vezes por dia, quando podem).”


Descobrindo a Inglaterra

Ele instalou esses inocentes reservados em uma terra chamada Condado, modelado  com base no campo inglês que ele havia descoberto quando era uma criança de 4 anos, chegando de sua terra natal na África do Sul, e enviou alguns deles em perigosas aventuras. A maioria deles, no entanto, ele concebeu como amigáveis e aplicados, mas ligeiramente tolos, o que ocasionou seu rabisco sobre aquele fortuito exame.

“Se você realmente quer saber no que a Terra-média é baseada, é no meu encanto e deleite pela terra como ela é, particularmente a natureza”, Tolkien disse uma vez. Sua trilogia é recheada com seus conhecimentos sobre botânica e geologia.

O autor nasceu em Blomfontein em 3 de Janeiro de 1892, filho de Arthur Reuel Tolkien, um gerente de banco, e Mabel Suffield Tolkien, que serviu como missionária em Zanzibar. Seus pais vieram de Birmingham, e quando o pai do garoto morreu, sua mãe levou ele e seu irmão para morar na região central da Inglaterra.

A Inglaterra parecia-lhe “uma árvore de Natal” depois da aridez da África, onde ele fora picado por uma tarântula e mordido por uma cobra, onde ele fora “seqüestrado” temporariamente por um empregado negro que quis exibi-lo em seu vilarejo. Foi bom, depois daquilo, estar em um lugar confortável onde as pessoas moravam “afastadas de todos os centros de distúrbio”.

Ao mesmo tempo, ele uma vez observou em um ensaio de contos de fadas, “Cobicei dragões com um profundo desejo. Claro, eu em meu corpo tímido não os quis para estarem na vizinhança, intrometendo-se em meu mundo relativamente seguro…”

Sua mãe foi sua primeira professora, e seu amor pela filologia, assim como seu anseio por aventuras, foram atribuídos à influência dela. Mas em 1904 ela morreu.Os Tolkiens eram convertidos ao Catolicismo, e ele e seu irmão tornaram-se os pupilos de um padre em Birmingham (Alguns críticos afirmaram que a desolação de Birmingham industrial foi a inspiração para a maligna terra do Inimigo, Mordor, de sua trilogia).

Serviu na 1ª Guerra Mundial

O jovem Tolkien cursou a Escola Secundária King Edward’s e seguiu para a Faculdade Exeter, Oxford, com bolsa de estudos. Ele recebeu seu diploma em 1915. Mas a 1ª Guerra Mundial começou, e, com 23 anos, ele começou a servir nos Fuzileiros de Lancashire. Um ano depois, ele casou com a senhorita Edith Bratt.

A guerra, foi dito por seus amigos, o afetou profundamente. O escritor C. S. Lewis insistiu que isso estava refletido em alguns dos mais sinistros aspectos de sua obra e no prazer de seus heróis pela camaradagem. O regimento de Tolkien sofreu duras perdas e, quando a guerra acabou, apenas um de seus amigos próximos ainda estava vivo.

Invalidado dos Fuzileiros, Tolkien decidiu no hospital que o estudo de línguas seria sua profissão. Ele retornou para Oxford para receber seu mestrado em 1919 e para trabalhar como assistente no Oxford Dictionary. Dois anos depois ele começou sua carreira de ensino na Universidade de Leeds.

Dentro de quatro anos, ele era professor, e publicou também um “Vocabulário do Inglês Médio” e uma edição (com E. V. Gordon) de “Sir Gawayne and the Green Knight”. Ele recebeu um chamado de Oxford, onde suas aulas de filologia logo deram a ele uma reputação extraordinária.

Seus alunos lembram dele por realizar esforços sem fim para interessá-los. Uma aluna recordou que havia algo de hobbit nele. Ele caminhava, ela disse, “como se tivesse pés peludos”  e possuía uma alegria atraente.

Enquanto isso, uma vez rabiscada aquela palavra “hobbit” em um exame, sua curiosidade sobre hobbits foi estimulada, e o livro com esse nome – o precursor do mais sério “O Senhor dos Anéis” – começou a crescer.

Ele foi estimulado pelos encontros semanais com seus amigos e colegas, inclusive o filósofo e romancista C. S. Lewis e seu irmão, W. H. Lewis, e o romancista místico Charles Williams. Os Inklings, como eles se chamavam, reuniam-se na Faculdade Magdalen ou em um pub para beber e compartilhar uns com os outros seus manuscritos.

C. S. Lewis pensava bem o suficiente de “O Hobbit”, que Tolkien começou a escrever em 1937 (e contou aos seus filhos), para sugerir que ele o submetesse à publicação para a George Aleen e Unwin, Ltd. A sugestão foi aceita, e a edição americana ganhou um prêmio Herald Tribune como melhor livro infantil.

O autor sempre insistiu, porém, que nem “O Hobbit” nem “O Senhor dos Anéis” foram destinados para crianças.

“Não é mesmo muito bom para crianças”, disse de “O Hobbit”, que ele mesmo ilustrou. “Escrevi uma parte dele em um estilo para crianças, mas isso é o que elas detestam. Se eu não tivesse feito isso, no entanto, as pessoas teriam pensado que eu era louco”.

“Se você é um homem consideravelmente jovem”, ele contou a um repórter de Londres, “e não quer ser zombado, você diz que está escrevendo para crianças”.

“O Senhor dos Anéis”, ele admitiu, começou como um exercício em “estética lingüística” e também como uma ilustração de sua teoria sobre contos de fadas. Então a própria história o prendeu.

Levou 14 anos para ser escrito

Em 1954, “A Sociedade do Anel”, o primeiro volume da trilogia, apareceu. “As Duas Torres” e “O Retorno do Rei” foram a segunda e a terceira partes. O trabalho, que tinha um apêndice de 104 páginas e levou 14 anos para ser escrito, é cheio de jogos verbais, alfabetos desconhecidos, nomes do nórdico, anglo-saxão e galês. Sua história invoca, entre outros, a lenda de “O Anel dos Nibelungos” e o antigo clássico escandinavo, o “Edda Poético”.

Enquanto isso, Tolkien também estava ocupado com escritas acadêmicas, que incluíam “Chaucer As a Philologist”, “Beowulf, the Monster and the Critics” e “The Ancrene Wisse”, um guia para as ermitãs medievais.

Após a aposentadoria, ele morou em Headington, no subúrbio de Oxford, “trabalhando pra diabo”, disse, estimulado a reiniciar sua escrita sobre um mito da Criação e Queda chamado “O Silmarillion”, que ele tinha começado antes mesmo de sua trilogia. Como ele disse em uma entrevista há poucos anos atrás, “Uma caneta está para mim como um bico está para uma galinha”.

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Tolkien em sua última fotografia sob sua árvore preferida - Jardim Botânico de Oxford.
Tolkien em sua última fotografia sob sua árvore preferida – Jardim Botânico de Oxford.

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Mitos Transformados X – Orcs

The History of Middle-earth 10

Forneço aqui ((Christopher Tolkien escrevendo em primeira pessoa)) um texto de um tipo completamente diferente, um ensaio praticamente finalizado sobre a origem dos Orcs (( Este é o terceiro dos três artigos (numerados de VIII a X) sobre Orcs contidos no Mitos Transformados do The History of Middle-earth X e que a Valinor tem a honra de publicar. Os dois anteriores podem ser vistos em VIII e IX. )). É necessário explicar algo sobre as relações deste texto.

 

Existe um trabalho maior, o qual eu espero publicar no The History of Middle-earth, chamado Essekenta Eldarinwa ou Quendi e Eldar. Ele existe em uma boa cópia datilografada feita por meu pai em sua última máquina de datilografia, tanto a cópia principal quanto a cópia em carbono; e é precedido em ambas as cópias por uma página manuscrita descrevendo o conteúdo do trabalho:Questionamento sobre as origens dos nomes Élficos para os Elfos e seus variados clãs e divisões: com Apêndices sobre seus nomes por outros Encarnados: Homens, Anões e Orcs; e sobre a análise de sua própria língua, Quenya: com uma nota sobre a “Língua dos Valar”.Contando com os apêndices, Quendi e Eldar ocupa perto de cinqüenta páginas datilografadas, e sendo um trabalho altamente finalizado e lúcido do maior interesse.A uma das páginas de rosto meu pai acrescentou o seguinte:Ao qual está acrescentado um resumo do Ósanwë-kenta ou “Comunicação de Pensamento” que Pengolodh colocou ao final de seu Lammas ou “Registro das Línguas”Este é um trabalho em separado ocupando oito páginas datilografadas, paginadas separadamente, mas encontrado junto com ambas as cópias de Quendi e Eldar. Em adição, e não citado nas páginas de rosto, existe ainda outro texto datilografado de quatro páginas (também encontrada com ambas as cópias de Quendi e Eldar) intitulado Orcs; e este é o texto fornecido aqui.Todos os três elementos são idênticos em aparência geral, mas Orcs fica à parte dos demais, não tendo nenhuma relação lingüística; e em vista disso eu pensei que seria legítimo resumi-lo e imprimi-lo neste livro junto com as outras discussões sobre a origem dos Orcs dadas como os textos VIII e IX.Para datar este grupo de textos, uma das cópias está preservada em um jornal dobrado de Março de 1960. Neste meu pai escreveu: “’Quendi e Eldar’ com Apêndices”, e abaixo há uma breve lista dos Apêndices, todos os itens escritos à mesma época, e incluem tanto o Ósanwë quanto Origem dos Orcs (o mesmo é verdade com relação à capa da outra cópia do grupo de textos Quendi e Eldar). Todo o material, portanto já existia quando o jornal foi utilizado para este propósito, e embora, como em outros casos similares, não forneça um terminus ad quem perfeitamente certo, não há razão para duvidar que ele pertença a 1959 – 60.O Apêndice C de Quendi e Eldar, “Nomes Élficos para os Orcs”, é primariamente relacionado com etimologia, mas inicia-se com o seguinte trecho:

Não é aqui o lugar para debater a questão da origem dos Orcs. Eles foram engendrados por Melkor, seu engendramento era o mais maligno e lamentável de seus trabalhos em Arda, mas não o mais terrível. Pois claramente eles, em sua malícia, representariam um escárnio aos Filhos de Ilúvatar, mas completamente subservientes à sua vontade, e criados com um implacável ódio a Elfos e Homens.

Os Orcs das guerras tardias, após a fuga de Melkor-Morgoth e seu retorno à Terra-média, não eram nem espíritos nem fantasmas, mas criaturas vivas, capazes de falar e de algumas habilidades e organização, ou pelo menos capazes de aprender tais coisas de criaturas superiores ou de seu Mestre. Eles procriavam e se multiplicavam rapidamente sempre que deixados imperturbados. É improvável, como uma consideração da origem última desta raça deixará claro, que os Quendi tenham encontrado quaisquer Orcs deste tipo, antes de serem encontrados por Oromë e da separação entre Eldar e Avari.

Mas é sabido que Melkor tornara-se ciente dos Quendi antes dos Valar terem começado sua guerra contra ele, e a felicidade dos Elfos na Terra-média já havia sido escurecida pelas sombras do medo. Formas terríveis começaram a assombrar os limites de suas moradias, e alguns de seu povo desapareceram na escuridão e deles não se ouviu mais nada. Algumas dessas coisas podem ter sido fantasmas e ilusões, mas algumas eram, sem dúvida, formas assumidas pelos servos de Melkor, escarneando e degradando as próprias formas dos Filhos. Pois Melkor tinha a seu serviço um grande número de Maiar, que tinham o poder, assim como seu Mestre, de tomar forma visível e tangível em Arda.

Sem dúvida meu pai foi levado por suas próprias palavras “É improvável, como uma consideração da origem última desta raça deixará claro, que os Quendi tenham encontrado quaisquer Orcs deste tipo, antes de serem encontrados por Oromë” e escrever aquela “consideração”, que segue abaixo. Será visto que uma passagem desta afirmação inicial foi re-utilizada.

 


Orcs ((a partir deste ponto, o texto é do próprio J. R. R. Tolkien))

A origem dos Orcs é um assunto de discussões. Alguns os chamaram de Melkorohíni, os Filhos de Melkor; mas os mais sábios dizem: não, os escravos de Melkor, mas não seus filhos; pois Melkor não tinha filhos (( E uma cópia do texto meu pai escreveu a lápis ao lado desta sentença os nomes Eruseni, Melkorseni. )). Contudo, foi pela malícia de Melkor que os Orcs surgiram, e claramente eles representariam um escárnio aos Filhos de Ilúvatar, sendo gerados para ser completamente subservientes à sua vontade e cheios de um implacável ódio a Elfos e Homens.Os Orcs das guerras tardias, após a fuga de Melkor-Morgoth e seu retorno à Terra-média, não eram nem espíritos nem fantasmas, mas criaturas vivas, capazes de falar e de algumas habilidades e organização, ou pelo menos capazes de aprender tais coisas de criaturas superiores ou de seu Mestre. Eles procriavam e se multiplicavam rapidamente sempre que deixados imperturbados. Tanto quanto pode ser vislumbrado a partir das lendas que chegaram até nós de nossos dias mais antigos (( ‘lendas que chegaram até nós de nossos dias mais antigos’; isto tinha a intenção de ser um texto Élfico. Sauron é citado subseqüentemente como estando no passado; mas na última sentença do ensaio os Orcs são uma praga que ainda aflige o mundo )), parece que os Quendi ainda não haviam encontrado nenhum Orc deste tipo antes da chegada de Oromë a Cuiviénen.Aqueles que acreditam que os Orcs foram gerados a partir de alguma raça de Homens, capturados e pervertidos por Melkor, afirmam que seria impossível para os Quendi ter conhecimento dos Orcs antes da Separação e da partida dos Eldar. Pois, embora o tempo do acordar dos Homens não ser conhecido, mesmo os cálculos dos mestres de conhecimento que o colocam mais cedo não dão a ele uma data muito anterior ao início da Grande Marcha (( O tempo do Acordar dos Homens é agora colocado bem para trás; compare com o texto II, A Marcha dos Eldar atravessa grandes Chuvas? Homens despertam em uma ilha em meio à enchente’; ‘A chegada dos Homens será, portanto, muito anterior’; ‘Homens devem acordar enquanto Melkor ainda está [na Terra-média] – por causa de sua Queda. Portanto em algum período durante a Grande Marcha’. Na cronologia dos Anais de Aman e Anais Cinzentos a Grande Marcha começa no Ano das Árvores 1105, e as companhias mais avançadas de Elfos chegaram ao litoral do Mar em 1125; Homens acordaram em Hildorien no ano do primeiro nascer do Sol, que foi no Ano das Árvores 1500. Portanto, se o Acordar dos Homens está colocado mesmo na parte final do período da Grande Marcha dos Eldar ele terá sido trazido mais de 3500 Anos do Sol para trás. )), certamente não suficiente antes dela de forma a permitir a corrupção de Homens em Orcs. Por outro lado, é claro que logo após seu retorno Morgoth tinha a seu comando um grande número dessas criaturas, com as quais ele sem demora começou a atacar os Elfos.  Houve ainda menos tempo entre seu retorno e esses ataques para a geração dos Orcs e para a transferência de suas hordas para o oeste.Esta visão das origens dos Orcs, portanto, encontra dificuldades de cronologia. Mas embora Homens possam se confortar com isso, a teoria ainda permanece como a mais provável.

Ela está de acordo com tudo que é conhecido de Melkor, e da natureza e comportamento dos Orcs – e dos Homens. Melkor era impotente para produzir qualquer coisa viva, mas habilidoso na corrupção de coisas que não procediam de si mesmo, se ele pudesse dominá-las. Mas se ele de fato tivesse tentado fazer criaturas de si mesmo em imitação ou escárnio dos Encarnados, ele teria, como Aule, tido sucesso em produzir apenas títeres: suas criaturas agiriam apenas enquanto a atenção de sua vontade estivesse sobre elas, e elas não mostrariam nenhuma relutância em executar qualquer comando dele, mesmo se fosse para destruírem a si mesmas.Mas os Orcs não eram desse tipo. Eles certamente eram dominados por seu Mestre, mas seu domínio era pelo medo, e eles estavam cientes desse medo e o odiavam. Eles eram, de fato, tão corrompidos que eram impiedosos, e não havia crueldade ou vileza que eles não cometeriam; mas esta era a corrupção de vontades independentes, e eles tinha  prazer em seus feitos. Eles eram capazes de agir por si mesmos, realizando feitos malignos para seu próprio divertimento, sem terem sido ordenados; ou se Morgoth ou seus agentes estivesse longe, eles poderiam negligenciar seus comandos. Eles algumas vezes lutavam [> Eles odiavam uns aos outros e freqüentemente lutavam] entre eles mesmos, em detrimento dos planos de Morgoth.Além disso, os Orcs continuavam a viver e se reproduzir e a continuar com seus próprios atos destrutivos e saques após Morgoth ter sido derrubado. Eles possuíam também outras características dos Encarnados. Eles tinham idiomas próprios, e falavam entre eles em várias línguas de acordo com as diferenças de linhagem que eram dicerníveis entre eles. Eles precisavam de comida e bebida, e descanso, embora muitos fossem, por treinamento, tão resistentes quando os Anões em resistir a interpéries. Eles poderiam ser mortos, e estavam sujeitos a doenças; mas mesmo sem doenças eles morriam e não eram imortais, nem mesmo de acordo com as maneiras dos Quendi; de fato eles parecem naturalmente ter vidas curtas comparadas com Homens de raça superior, como os Edain.Este último ponto não era bem compreendido nos Dias Antigos. Pois Morgoth tinha muitos servos, dos quais os mais antigos e mais poderosos eram imortais, pertencendo aos Maiar, inicialmente; e estes espíritos malignos, assim como seu Mestre, podiam assumir formas visíveis. Aqueles cujas responsabilidades eram comandar os Orcs freqüentemente assumiam formas Órquicas, embora fossem maiores e mais terríveis ((  Confira com o texto IX: ‘Mas sempre entre eles [Orcs] (como servidores especiais e espiões de Melkor, e como líderes) devem ter existido numerosos espíritos menores corrompidos que assumiram formas corpóreas similares; e também o texto VIII. )). Por isso que as histórias contam de Grandes Orcs ou capitães-Orc que nunca eram mortos, e que reapareciam em batalhas através de períodos muito maiores do que a duração das vidas dos Homens (( A nota de rodapé neste ponto, iniciando com ‘Boldog, por exemplo, é um nome que ocorre muitas vezes nos contos da Guerra’ e ‘é possível que não seja um nome pessoal’, é curiosa. Boldog aparece inúmeras vezes na Balada de Leithian como o nome do capitão-Orc que lidera um ataque a Doriath (referência no Índice para As Baladas de Beleriand); ele reaparece no Quenta (HoME IV), mas não é mencionado depois. Eu não conheço nenhuma outra referência a um Orc chamado Boldog. )). ((* [nota de rodapé ao texto] Boldog, por exemplo, é um nome que ocorre muitas vezes nos contos da Guerra. Mas é possível que Boldog não seja um nome pessoal e sim um título ou mesmo o nome de um tipo de criatura: os Maiar em forma de Orc, apenas menos formidáveis do que os Balrogs)) 

E finalmente, há um ponto relevante, embora horrível de se relatar. Com o tempo ficou claro que os Homens poderiam, sob a dominação de Morgoth ou de seus agentes, em algumas poucas gerações ser reduzidos quase a um nível Órquico em mente e hábitos; e então eles iriam ou poderiam ser induzidos a cruzar com Orcs, produzindo novas linhagens, freqüentemente maiores e mais espertos. Não há dúvida de que muito mais tarde, na Terceira Era, Saruman redescobriu isto, ou aprendeu sobre isso no conhecimento passado, e em seu desejo por comando ele o cometeu, eu feito mais vil: o intercruzamento de Orcs e Homens, produzindo tanto Homens-orc grandes e espertos quanto Orcs-homens traiçoeiros e vis.

Mas mesmo antes de existirem suspeitas quanto a esta maldade de Morgoth os Sábios dos Dias ensinavam que os Orcs não foram ‘feitos’ por Morgoth, e, portanto, não eram originalmente malignos. Eles podem ter se tornado irredimíveis (ao menos para Elfos e Homens), mas eles permaneciam dentro da Lei. Ou seja, embora por necessidade, sendo os dedos da mão de Morgoth, eles devessem sem combatidos com a máxima severidade, eles não poderiam ser lidados nos próprios termos de crueldade e traição. Cativos não deveriam ser torturados, nem mesmo para descobri informação para a defesa das casas dos Elfos e Homens. E se qualquer Orc se rendesse e pedisse misericórdia, isso lhe deveria sem concedido, mesmo a um custo. ((  [nota de rodapé ao texto] Poucos Orcs o fizeram nos Dias Antigos, e em qualquer época nenhum Orc trataria com um Elfo. Pois uma coisa que Morgoth conseguira fora convencer os Orcs além de refutação que os Elfos era mais cruéis que eles mesmos, fazendo prisioneiros apenas para ‘divertimento’ ou para comê-los (como os Orcs faziam, em caso de necessidade)  )) Este era o ensinamento dos Sábios, embora no horror da Guerra ele nem sempre fosse seguido.

É verdade, claro, que Morgoth mantinha os Orcs em selvagem servidão; pois em suas corrupções eles tinham perdido quase toda a possibilidade de resistir à dominação de suas vontades. Tão grande, de fato, esta pressão sobre eles se tornou antes da queda de Angband que, se ele colocasse seu pensamento em direção a eles, eles estariam conscientes de seu ‘olho’ seja lá onde estivesse; e quando Morgoth foi finalmente removido de Arda os Orcs que sobreviveram no Oeste se espalharam, sem líder e quase sem juízo, e estiveram por um longo tempo sem controle ou propósito.

Esta servidão a uma vontade central que quase reduziu os Orcs a uma vida parecida com a de formigas foi vista ainda mais claramente na Segunda e Terceira Era sob a tirania de Sauron, segundo-em-comando de Morgoth. Na verdade Sauron conseguiu um controle ainda maior sobre seus Orcs do que Morgoth conseguira. Ele estava, claro, operando em um escala menor, e ele não tinha inimigos tão grandes e tão sinistros quanto os Noldor em ápice nos Dias Antigos. Mas ele também tinha herdado daqueles dias  algumas dificuldades, como a diversidade de linhagens e línguas dos Orcs, e a disputas entre eles;e em muitos lugares da Terra-média, após a queda de Thangorodrim e durante o tempo de ocultamento de Sauron, os Orcs, recuperando-se de sua impotência, estabeleceram pequenos reinos próprios e se tornaram acostumados à independência. Apesar disso Sauron conseguiu uni-los todos em um ódio sem limites a Elfos e a Homens que se unissem a eles; e os Orcs de seus próprios exércitos treinados estavam tão completamente sobre sua vontade que se sacrificariam sem hesitação a seu comando.* E ele também se provou ainda mais habilidoso do que seu Mestre na corrupção de Homens que estavam além do alcance dos Sábios, e em reduzi-los à vassalagem, na qual eles marchariam com os Orcs, e competiriam com eles em crueldade e destruição.

É, portanto, provavelmente a Sauron que devemos olhar em busca da solução do problema de cronologia. Embora imensamente menor em poder nativo do que seu Mestre, ele permaneceu menos corrupto, mais frio e mais calculista. Isso ao menos nos Dias Antigos e antes dele ter sido afastado de seu mestre e cair na tolice de imitá-lo, se esforçando para tornar a si mesmo supremo Senhor da Terra-média. Enquanto Morgoth continuava, Sauron não buscou sua própria supremacia, mas trabalhou e manipulou para outro, desejando o triunfo de Melkor, a quem no começou ele adorou. Então ele era freqüentemente capaz de obter coisas, inicialmente escondido de Melkor, as quais seu mestre não concluía ou não podia concluir na furiosa velocidade de sua malícia.

(* [nota de rodapé ao texto] Mas restou uma falha em seu controle, inevitável. No reino de ódio e medo, a coisa mais forte é o ódio. Todos os seus Orcs odiavam uns aos outros, e deveriam ser mantidos em guerra com algum ‘inimigo’ para prevenir que se matassem uns aos outros.)

Nós podemos assumir, então, que a idéia da geração dos Orcs veio de Melkor, inicialmente não tanto para a provisão de servos ou infantaria para suas guerras de destruição, como para a desecração dos Filhos e o blasfemo escárnio dos desígnios de Eru. Os detalhes da realização desta vilania foram, contudo, deixados principalmente à sutileza de Sauron. Neste caso a concepção mental dos Orcs pode ter sido muito antes na noite dos pensamentos de Melkor, embora o começo de sua geração de fato devesse esperar o acordas dos Homens.

Quando Melkor foi feito cativo, Sauron fugiu e se escondeu na Terra-média; desta forma pode-se compreender como o cruzamento de Orcs (sem dúvida já iniciado) seguiu em frente com velocidade acelerada durante a era que Noldor residiram em Aman; de tal forma que quando eles retornaram à Terra-média encontraram-na já infestada com esta praga para o tormento de todos que ali residiam, Elfos ou Homens ou Anões. Também foi Sauron que secretamente reparou Angband para o auxílio de seu mestre quando ele retornasse (( Sobre a história posterior de que Angband fora construída por Melkor nos dias antigos e que esta era comandada por Sauron ver HoMe 10, “The Later Quenta Silmarillion”. Lá não há referência a uma reparação de Angband ao retorno de Morgoth, e confira o último desenvolvimento da narrativa no Quenta Silmarillion da história de seu retorno: Morgoth e Ungoliant ‘estavam chegando perto das ruínas de Angband onde sua grande fortaleza ocidental havia estado’ )); e lá os escuros lugares subterrâneos já estariam povoados com hordas de Orcs antes de Melkor finalmente retornar, como Morgoth o Inimigo Negro, e enviá-los para trazer ruína sobre tudo quer fosse belo. E embora Angband tenha caído e Morgoth removido, eles continuam a surgir de locais sem luz e com a escuridão em seus corações, e a terra murchava sob seus pés impiedosos.

Esta então, como parece, foi a visão final de meu pai sobre o assunto: Orcs foram gerados dos Homens, e se ‘a concepção mental dos Orcs pode ter sido muito antes na noite dos pensamentos de Melkor’ foi Sauron quem, durante as eras de prisão de Melkor em Aman, trouxe à existência os exércitos negros que estavam disponíveis a seu Mestre quando este retornou.

Mas, como sempre, não é assim tão simples. Acompanhando uma cópia do texto datilografado deste ensaio estão algumas páginas manuscritas das quais meu pai usou o reverso em branco de papéis dados pelos editores, datado de 10 de Novembro de 1969. Estas páginas possuem duas notas sobre o ensaio ‘Orcs’: uma discutindo a grafia da palavra orc; a outra é uma nota surgida de algo do ensaio que não está citado, mas que obviamente é a passagem discutindo a natureza de títeres das criaturas trazidas à existência por algum dos próprios grandes Poderes: a note tinha a intenção de estar relacionadas às palavras ‘Mas os Orcs não eram desse tipo’.

Os orks, é verdade, algumas vezes pereciam ter sido reduzido a uma condição bastante similar, embora continue a existir uma diferença profunda. Aqueles orks que por muito tempo viveram sob a atenção imediata de sua vontade – como vigias de suas fortalezas ou elementos dos exércitos treinados para propósitos especiais em seus desígnios de guerra – agiriam como rebanhos, obedecendo instantaneamente, como tendo uma única vontade, seus comandos mesmo se ordenados a sacrificar suas vidas a seu serviço. E como foi visto quando Morgoth foi finalmente subjugado e excluído, aqueles orks que haviam sido assim absorvidos se espalharam impotentes, sem propósito a não ser fugir ou lutar, e logo morreram ou se mataram.

Outras criaturas originalmente independentes, e Homens entre elas (mas não Elfos ou Anões), também poderiam ser reduzidas a uma condição semelhante. Mas ‘títeres’, sem vida ou vontade independentes,  iria simplesmente parar de se mover  ou fazer qualquer coisa quando a vontade de seu criador fosse reduzida a nada. Em qualquer caso o número de orks que era de tal forma ‘absorvida’ sempre foi uma pequena parte de seu total. Mantê-los em absoluta servidão requeria um grande esforço de vontade. O poder possuído por Morgoth no início era vasto, mas finito; e foi este gasto de vontade nos orks, e ainda mais sobre as outras e muito mais poderosas criaturas a seu serviço, que eventualmente dissiparam tanto seus poderes mentais que a derrubada de Morgoth. Então a maior parte dos orks, embora sob suas ordens e com a sombra escura de seus medos dele, eram apenas intermitentemente objetos de seu pensamento e preocupações imediatas, e quando este era removido eles retornavam à independência e se tornavam consciente de seu ódio dele e de sua tirania. Então eles poderiam negligenciar suas ordens ou se engajar em

 


Aqui o texto é interrompido. Mas a coisa curiosa é que um rascunho para o segundo parágrafo desta nota (escrito no mesmo papel, tendo a mesma data) assim começa:

Mas Homens podiam (e ainda podem) ser reduzidos a tal condição. ‘Títeres’ simplesmente parariam de se mover ou ‘viver’, quando não colocados em movimento pela vontade direta de seu criador. De qualquer forma, embora o número de orks no ápice do poder de Morgoth, e ainda após o retorno dele da prisão, pareça ter sido muito grande, aqueles que eram ‘absorvidos’ foram sempre uma pequena parte do total.

As palavras que eu coloquei em itálico refutam uma concepção essencial do ensaio.A outra nota diz assim:

Orcs
Esta grafia foi retirada do Inglês Antigo. A palavra parecia, por si mesma, bastante adequada às criaturas que eu tinha em mente. Mas o significado de orc no Inglês Antigo – tanto quanto é sabido – não se encaixava (( Ver os Comentários à Quinta Seção dos Anais de Aman. )). Também a grafia do que, na situação lingüística posterior mais organizada deve ter sido uma forma na Língua Comum de uma palavra ou grupo de palavras similares, deveria ser ork. Se nenhuma outra razão então pelas dificuldades de grafia no Inglês moderno: um adjetivo orc + ish se torna necessário, e orcish não satisfaria (( ‘orcish não satisfaria’: porque seria pronunciado ‘orsish’. A língua Orkish (Órquica) foi grafada dessa forma em O Senhor dos Anéis desde a Primeira Edição. )). Em qualquer publicação futura eu usarei ork.
No texto IX (a texto breve no qual meu pai declarou a teoria da origem Élfica ser correta) ele grafou a palavra Orks, e disse ‘dessa forma eu deverei grafar em O Silmarillion’. No atual ensaio, obviamente posterior ao texto IX, está gravado Orcs; mas então, em 1969 ou mais tarde, ele afirmou novamente que deveria ser Orks.
Notas

Mitos Transformados

The History of Middle-earth 10J. R. R. Tolkien começou a rever e reanalisar vários aspectos de seu legendarium, de sua mitologia, principalmente na época pós-Senhor dos Anéis. Estas reconsiderações – embora nunca tenha passado do estágio de rascunhos criativos – são de imenso valor ao revelar a opinião de Tolkien sobre certos aspectos de sua obra.

Os textos originais são do The History of Middle-earth 10, com introdução e comentários de Christopher Tolkien. Este artigo introdutório serve de base para os demais textos bem como de índice para os mesmos, na Valinor.

Nesta última seção do livro eu forneço alguns textos tardios de meuc pai, variados em natureza, mas relacionados a, genericamente falando,  uma reinterpretação de elementos centrais na “mitologia” (ou  legendarium, como ele chamava) de acordo com os imperativos de uma  concepção fundamental grandemente modificada.
Alguns destes papéis (há notáveis exceções) oferecerem uma dificuldade excepcional: fluidez de idéias, expressão ambígua e alusiva, passagens ilegíveis. Mas o maior dos problemas é que existe pouca indicação de data externa ou relativa: ordená-los, mesmo em uma seqüência aproximada de composição, parece impossível (embora eu acredite que virtualmente todos eles vieram dos anos que viram a escrita de Leis e Costumes entre os Eldar, o Athrabeth e revisões tardias de partes do Quenta Silmarillion – o final dos anos de 1950, na pós-publicação de O Senhor dos Anéis)

Nestes textos pode ser lido o registro de um prolongado debate interior. Anos antes deste tempo, os primeiros sinais de idéias emergentes puderem ser vistos, sinais que se perseguidos causariam um distúrbio massivo em O Silmarillion: eu mostrei, como acredito, que quando meu pai começou a revisar e reescrever as narrativas existentes dos Dias Antigos, antes de O Senhor dos Anéis estar completo, ele escreveu uma versão do Ainulindalë na qual introduziu uma transformação radical do mito astronômico, mas àquele tempo ele conteve a mão. Mas agora, como será visto em muitos dos ensaios e notas que se segue, ele veio a acreditar que tal vasta agitação era uma necessidade, e ao mesmo tempo ele foi impelido a tentar construir uma base “teórica” ou “sistemática” mais segura para os elementos no legendarium que não seriam removidos. Com seus questionamentos, suas certezas dando espaço à dúvida, suas resoluções contraditórias, estes escritos devem ser lidos tendo-se consciência do estresse intelectual e imaginativo em face de tal desmantelamento e reconstituição, acreditada ser uma necessidade inescapável, mas nunca alcançada.

Os textos, organizados em uma seqüência frouxamente “temática”, são numerados com numerais Romanos. Quase todos receberam pequenas edições menores (assuntos de pontuação, inserção de palavras omitidas e afins). Notas numeradas (não presentes em todos os casos) seguem os textos individuais.

I

II – Criação do Sol e da Lua

III

IV

V

VI – Melkor Morgoth

VII – Notas sobre os motivos no Silmarillion

VIII – Orcs (i)

IX- Orcs (ii)

X- Orcs (iii)

XI- Aman

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Mitos Transformados IX – Orcs

The History of Middle-earth XEsta é outra nota, bastante distinta, sobre a origem dos Orcs, escrita rapidamente a lápis e sem nenhuma indicação de data.
 
 

 
Isto sugere – embora não seja explícito – que os "orcs" eram de origem élfica. Sua origem é tratada mais claramente em outro lugar. Um ponto apenas é certo: Melkor não poderia "criar criaturas" vivas de vontades independentes.

Ele [e todos os "espíritos" dos "Criados–primeiro", conforme seus limites] poderia assumir formas corpóreas; e ele [e eles] poderia dominar as mentes de outras criaturas, incluíndo elfos e homens, pela força, medo, ou por engôdos, ou por pura magnificência. Os elfos de épocas remotas inventaram e usaram uma palavra ou palavras com uma base [o]rok para indicar qualquer coisa que causasse medo e/ou terror. Isto teria sido originalmente aplicado a "fantasmas" [espíritos assumindo formas visíveis] tão bem quanto a quaisquer criaturas existindo independentemente. Sua aplicação [em todas as línguas élficas] especificamente às criaturas chamadas orcs – assim devo escrevê-la no Silmarillion – foi posterior.

Uma vez que Melkor não poderia "criar" espécies independentes, mas tinha imensos poderes de corrupção e distorção daquelas que caíam em seu poder, é provável que estes orcs tivessem uma origem mista. A maioria deles claramente [e biologicamente] eram corrupções de elfos [e, posteriormente, de homens provavelmente também]. Mas sempre entre eles [como servos especiais e espiões de Melkor, e como líderes] deviam haver numerosos espíritos menores corrompidos que assumiram formas corpóreas semelhantes. [Estes apresentariam personalidades aterrorizantes e demoníacas]

Os elfos teriam classificado as criaturas chamadas "trolls" [no Hobbit e Senhor dos Anéis] como orcs – em personalidade e origem – mas eles eram maiores e mais lentos. Pareceria evidente que os orcs eram corrupções de tipos humanos primitivos.

 

 
No rodapé da página meu pai escreveu: "Ver O Senhor dos Anéis Apêndice p. 410"; este é o trecho do Apêndice F relativo aos Trolls.

Parece possível que sua palavras iniciais nesta nota "Isto sugere – embora não seja explícito – que os ‘orcs’ eram de origem élfica" na verdade se refere ao texto anterior fornecido aqui, VIII, onde ele inicialmente escreveu "elfos, como uma fonte, são muito improváveis", mas mais tarde concluiu que "permanece, portanto, terrivelmente possível que houvesse uma linhagem élfica nos orcs". Mas se realmente for isso, as palavras que se seguem "Sua origem é tratada mais claramente em outro lugar" deve se referir a alguma outra coisa.

Ele agora expressamente afirma a visão inicial de que os Orcs eram originalmente Elfos corrompidos, mas observa que "mais tarde" alguns provavelmente derivaram de Homens. Ao dizer isto (como o último parágrafo e a referência ao Apêndice F de O Senhor dos Anéis sugerem) ele parece estar pensando nos Trolls, e especificamente nos Olog-hai, os grandes Trolls que aparecem no final da Terceira Era (como dito no Apêndice F): "Ninguém duvidava que tivessem sido engendrados por Sauron,  mas não se sabia a partir de que linhagem. Alguns afirmavam que não eram trolls e sim orcs gigantes; mas os olog-hai eram, na conformação do corpo e da mente, bem diferentes até mesmo dos maiores orcs, a quem sobrepujavam amplamente em tamanho e força".

A concepção de que entre os Orcs "deviam haver numerosos espíritos menores corrompidos que assumiram formas corpóreas semelhantes" aparece também no texto VIII: "Melkor corrompeu muitos espíritos – alguns grandes, como Sauron, ou menores, como balrogs. Os menores poderiam ter sido primitivos (e muito mais poderosos e perigosos) orcs"

Mitos Transformados VIII – Orcs

The History of Middle-earth 10Este texto faz parte de um conjunto de ensaios intitulados "Mitos Transformados", contidos no The History of Middle-earth 10. A Valinor já possuía grande parte deles e está agora tradiuzindo os faltantes bem como acrescentando as notas e comentário. Este texto VIII trata da origem dos Orcs.
 
 
 

 
Na última sentença da versão curta original do texto VII meu pai
escreveu que os Eldar acreditavam que Morgoth gerou os Orcs ‘capturando
de Elfos (e Homens) cedo’ (isto é, nos primeiros dias de suas
existências). Isto indica que suas visões sobre este assunto mudaram
desde os Anais de Aman.
 
Para a teoria da origem dos Orcs como esta estava,
no ponto dos registros escritos nas narrativas (1), a este tempo ver os
Anais de Aman. Na forma final de Os Anais de Aman ‘isto é tido como
verdade pelos sábios de Eressëa’:

que todos aqueles dos Quendi que acabaram nas mãos de Melkor, antes de
Utumno ser quebrada, foram lá postos na prisão e por artes lentas de
crueldade e maldade foram corrompidos e escravizados. Desta forma
Melkor gerou a terrível raça dos Orkor em inveja e paródia aos Eldar,
de quem se tornaram após isto os mais amargos inimigos. Pois os Orkor
tinham vida e se multiplicavam à maneira dos Filhos de Ilúvatar; e nada
do que tem vida por si mesmo, nem a aparência de vida, Melkor jamais
poderia criar, desde sua rebelião no Ainulindalë antes do Começo: assim
dizem os sábios.

No texto datilografado de Os Anais de Aman meu pai escreveu ao lado do
registro da origem dos Orcs: ‘Alterar isto. Orcs não são Élficos’.  

O presente texto, entitulado ‘Orcs’, é um ensaio curto (em grande parte
um registro de ‘pensando com a caneta’) encontrado na mesma pequena
coleção reunida em um jornal de 1959 como os textos III e VI. E como
estes ele foi escrito nos papéis do Merton College de 1955; e como o
texto VI ele faz referência a ‘Finrod e Andreth

 


 
Sua natureza e origem requerem mais reflexão. Elas não são fáceis de inserir na teoria e no sistema.
 
[1] Como o caso de Aulë e os Anões mostra, somente Eru podia criar criaturas com vontades independentes e com capacidade de raciocínio.
Mas os Orcs parecem possuir ambas: eles podem tentar enganar
Morgoth/Sauron, rebelar-se contra ele ou criticá-lo.

[2] ? Portanto, eles devem ser corrupções de alguma coisa pré-existente.

[3] Mas os Homens não haviam ainda aparecido quando os Orcs já
existiam. Aulë construiu os Anões a partir de sua memória da Música; mas Eru não
sancionaria a obra de Melkor de modo a permitir a independência dos Orcs. (A não ser que os Orcs fossem em essência remediáveis ou pudessem
ser corrigidos e "salvos".)


Também parece claro que, embora Melkor pudesse corromper e arruinar
indivíduos completamente, não é possível contemplar sua perversão
absoluta de um povo inteiro, ou grupo de pessoas, e sua criação que
afirma hereditariedade
(2) [Adicionado posteriormente: Este último deve [se
um fato] ser um ato de Eru].

Neste caso os Elfos, como uma fonte, são muito improváveis. E os Orcs
são "imortais" no sentido élfico? Ou os Trolls? Parece claramente
implícito em O Senhor dos Anéis que os Trolls existiam independentemente, mas foram "modificados" por Melkor (3).

[4] E o que dizer de feras falantes e pássaros com raciocínio e fala? Esses foram adotados levianamente por mitologias menos
"sérias", mas representam um papel que agora não pode ser cortado. São certamente "exceções" e não muito usados, mas suficientemente para
mostrar que eles são uma faceta reconhecida do mundo. Todas as
criaturas os aceitam como naturais, se não comuns.

 
Mas criaturas
"racionais" verdadeiras, "povos falantes", são todas de forma
humana/"humanóide". Somente os Valar e Maiar são inteligências que
podem assumir formas de Arda à vontade. Huan e Sorontar poderiam ser
Maiar – emissários de Manwë. (4) Mas, infelizmente, em O Senhor dos Anéis é
dito que Gwaehir e Landroval são descendentes de Sorontar [Thorondor] (5).

De qualquer forma, é provável ou possível que mesmo os menores dos Maiar
se tornariam orcs? Sim: tanto fora de Arda como dentro dela, antes da
queda de Utumno. Melkor corrompeu muitos espíritos – alguns grandes,
como Sauron, ou menores, como Balrogs. Os menores poderiam ter sido orcs
primitivos (e muito mais poderosos e perigosos); mas, por procriarem
quando encarnados, eles (ver Melian) [se tornariam] cada vez mais
ligados à terra, incapazes de retornar ao estado de espírito (mesmo
forma demoníaca), até serem libertados pela morte (assassinato), e definhariam em força. Quando libertados eles estariam, claro, como
Sauron, "condenados": isto é, reduzidos à impotência, infinitamente
recessiva: ainda odiando, mas incapazes cada vez mais de fazê-lo
de modo efetivo fisicamente (ou não seria o estado órquico muito definhado de
morte um poltergeist?).


Mas novamente – Eru proveria fëar a tais criaturas? Para as águias etc., talvez. Mas não para os Orcs (6).

Entretanto, parece melhor ver o poder de corrupção de Melkor como
sempre começando, pelo menos, no nível moral ou teológico. Qualquer
criatura que o tomava por Senhor (e especialmente aquelas que
de modo blasfemo o chamaram de Pai ou Criador) logo tornava-se corrompida
em todas as partes de seu ser, o fëa arrastando o hröa em sua
queda ao morgothismo: ódio e destruição. Quanto aos Elfos serem
"imortais": eles na verdade possuiam vidas excepcionalmente longas, e
foram "cansando-se" fisicamente e sofrendo um enfraquecimento lento e
progressivo de seus corpos.

Em resumo: eu acho que se deve supor que "falar" não é
necessariamente o sinal da posse de uma "alma racional" ou fëa. (7) Os Orcs
eram feras de forma humanizada [para zombar de Homens e Elfos] deliberadamente pervertidos/convertidos em uma semelhança mais próxima
dos Homens. Sua "fala" era na verdade "gravações" recitadas, colocadas
neles por Melkor. Melkor ensinou-lhes a fala e ao reproduzirem-se herdaram isso; e possuíam tanta independência  quanto, digamos, cães ou
cavalos possuem de seus mestres humanos. Sua fala era em grande parte ecoada (como
papagaios). Em O Senhor dos Anéis é dito que Sauron inventou um idioma para eles (8).

O mesmo tipo de coisa pode ser dito de Huan e as Águias: os Valar lhes ensinaram um idioma e os elevaram a um nível
superior – mas eles ainda não possuíam fëa.

Mas Finrod provavelmente foi longe demais em sua afirmação de que Melkor
não poderia corromper completamente qualquer obra de Eru, ou que Eru (necessariamente) interferiria para anular a corrupção ou para cessar a
existência de Suas próprias criaturas, pois elas teriam sido
corrompidas e voltadas para o mal (9).

Permanece, portanto, terrivelmente possível que houvesse uma linhagem
élfica nos Orcs. (10) Estes podem então ter sido cruzados com feras (estéreis!) – e posteriormente com Homens. Seu tempo de vida seria
diminuído. E morrendo eles iriam para Mandos e seriam mantidos aprisionados
até o Fim.

Ver Melkor. Lá será visto que as vontades dos Orcs e Balrogs etc., são
parte do poder de Melkor "dispersado". O espírito deles é de ódio. Mas
o ódio é não-cooperativo (exceto sob medo direto). Daí as rebeliões,
motins, etc., quando Morgoth parecia estar distante.  Os Orcs são feras e
os Balrogs Maiar corrompidos. Além disso (n.b.), Morgoth, não Sauron, é a fonte das
vontades dos orcs. Sauron é apenas outro (se não maior) agente. Os Orcs
podem se rebelar contra ele sem perder sua própria fidelidade
irremediável ao mal (Morgoth). Aulë queria amor. Mas, claro, não
pensava em dispersar seu poder. Apenas Eru pode dar amor e
independência
. Se um subcriador finito tenta fazer isso, ele na
verdade quer uma ardorosa obediência absoluta, mas ela vira servidão
robótica e torna-se mal.

 
NOTAS

1. Em uma longa carta a Peter Hastings datada de Setembro de 1954, a qual ele não enviou (As Cartas de J. R. R. Tolkien, #153), meu pai escreveu o que se segue com relação à questão de que Orcs ‘poderiam ter "almas" ou "espíritos"’:

… uma vez que em meus mitos de forma alguma eu concebo a criação de almas ou espíritos, coisas de uma ordem igual senão de poder igual aos Valar, como uma possível ‘delegação’, eu ao menos representei os Orcs como seres reais pré-existente nos quais o Senhor Escuro exerceu a totalidade de seu poder remodelando-os e corrompendo-os, mas não os criando… podem ter ocorridos outras ‘criações, contudo, as quais eram mais como títeres preenchidos (apenas à distância) com a mente e vontade de seu criados, ou agindo como formigas sob o comando de uma rainha central.

Anteriormente, nesta carta, ele citou as palavras de Frodo a Sam no capítulo "A Torre de Cirith Ungol": ‘A sombra que os criou só pode arremedar, não pode criar: nada realmente novo que se origine dela mesma. Não acho que lhes tenha dado vida, apenas os arruinou e deformou’; e ele continua: "Nas lendas dos Dias Antigos é sugerido que o Diabolus subjugou e corrompeu alguns dos primeiros Elfos…". Ele também disse que os Orcs "são fundamentalmente uma raça de criaturas ‘racionais encarnadas’".

2. No Athrabeth Finrod declarou:

Mas nunca, mesmo na noite, acreditamos que ele [Melkor] pudesse prevalecer contra os Filhos de Eru. Este ele poderia iludir, ou aquele ele poderia corromper; mas mudar o destino de todo um povo dos Filhos, roubá-los de sua herança: se ele pudesse fazer tal coisa à revelia de Eru, então de longe maior e mais terrível é ele do que imaginávamos…

3. Em O Senhor dos Anéis Apêndice F (I) é dito dos Trolls:

Nos seus primórdios, no crepúsculo dos Dias Antigos, eram criaturas de natureza obtusa e bruta, sem outra linguagem que não a dos animais. Mas Sauron fizera uso deles, ensinando-lhes o pouco que eram capazes de aprender e aumentando sua inteligência com maldade.

Na longa carta de Setembro de 1954 citada na Nota 1 escreveu sobre eles:

Eu não estou certo sobre os Trolls. Eu acho que era eram meras ‘imitações’ e portanto (embora aqui eu esteja, claro, usando apenas elementos de antigos mitos bárbaros que não tinham uma metafísica ‘consciente’) eles retornam a simples estátuas de pedra quando não estão no escuro. Mas há outras espécies de Trolls além daqueles bastante ridículos, embora brutais, Trolls-das-rochas, para os quais outras origem são sugeridas. Claro… quando você faz Trolls falarem você está dando a eles poder, o qual em nosso mundo (provavelmente) denota a posse de uma "alma".

4. Ver comentários finais da Sexta Seção de os Anais de Aman. Ao final da página contendo o breve texto V meu pai escreveu rapidamente a seguinte nota, inteiramente desconectada com o assunto do texto:

Coisas vivas em Aman. Assim como os Valar poderiam se vestir como os Filhos, muitos dos Maiar vestiam-se como outras coisas vivas menores, como árvores, flores, bestas. (Huan.).

5. "Lá vinha Gwaihir, o Senhor dos Ventos, e Landroval, seu irmão, as maiores de todas as Águias do Norte, e os mais poderosos descendentes do velho Thorondor"  ("O Campo de Cormallen" em O Retorno do Rei).

6. A este ponto existe uma nota que começa com ‘Crítica de (1) (2) (3) acima’ (ou seja, os pontos iniciais deste texto) e então se refere obscuramente a ‘última batalha e a queda de Barad-dur etc.’ em O Senhor dos Anéis. Em uma visão do que se segue meu pai estava presumivelmente pensando no capítulo ‘A Montanha da Perdição’:

De todas as suas planos e teias de medo e traição, de todos os seus estratagemas e guerra sua mente se livrou; e através de todo o seu reino ocorreu um tremor, seus escravos se acovardaaram, seus exércitos pararam, e seus capitães repentinamente sem direção, privados de vontade, hesitaram e se desesperaram. Pois eles foram esquecidos.
    
A nota continua

Eles tinham pouca ou nenhuma vontade quando não ‘cuidados’ de fato pela mente de Sauron. Suas traições e rebeliões davam aquela possibilidade a animais como cães etc.?
       
7. Compare com fim do trecho citado na carta de 1954 na nota 3.

8. Apêndice F (I): ‘Diz-se que a Língua Negra foi inventada por Sauron nos Anos Escuros’.

9. Ver a citação do Athrabeth na nota 2. Finrod de fato não afirma a última parte da opinião aqui atribuída a ele.

10. A afirmação de que ‘permanece, portanto, terrivelmente possível que houvesse uma linhagem élfica nos orcs’ aparece meramente para contradizer o que foi dito sobre serem não mais do que ‘bestas falantes’ sem avançar em novas considerações. No trecho acrescentado ao final do texto a afirmação de que ‘Orcs são bestas’ é repetida.
 

Os 116 Anos de J. R. R. Tolkien

J. R. R. TolkienJ. R. R. Tolkien nasceu em 3 de janeiro de 1892 e faria 116 anos em 2008. Como não poderíamos deixar a data passar em branco e para desejar nosso Alassea Nostarya!! (em Quenya, lógico) ao nosso Professor, selecionamos alguns links especiais da Valinor para vocês saber mais sobre a vida de Tolkien e até mesmo vê-lo falando sobre a própria obra.
 
 
Começamos do começo – sempre o melhor lugar – que é a Biografia de J.
R. R. Tolkien
. Indo por este caminho podemos dar uma espiada na Oxford
e na Birmingham de Tolkien, locais onde ele viveu e de onde tirou
inspiração para alguns lugares que aparecem em o Senhor dos Anéis. Sem
deixar o entusiasmo diminuir, porque não ser sobre os Inklings, o grupo
literário do qual Tolkien, junto com C. S. Lewis e Christopher Tolkien, participava e onde
foram lidos trechos de O Senhor dos Anéis antes mesmo deste ser lançado?

Infelizmente a melhor biografia de Tolkien, escrita pro Humphrey
Carpenter, está esgotada no Brasil. Então, para sabermos mais sobre
Tolkien precisamos também ler As Cartas de J. R. R. Tolkien, um
fantástico apanhado de cartas sobre sua obra, cartas enviadas durante
mais de 50 anos das quais podemos ter um gostinho na seção Cartas de Tolkien. Falando em cartas, que tal dar uma espiada na letra de
Tolkien? Aqui temos o original de uma das cartas. Letra difícil, não?
Mas difícil mesmo era entender Tolkien falando, como podemos ver neste
vídeo
. E que melhor maneira de conhecer Tolkien senão lendo Tolkien? É
só ir na Bibliografia e escolher alguns títulos, muitos já traduzidos
no Brasil, para começar. Há muito mais além de O Hobbit e O Senhor dos
Anéis
(aliás, falando nisso, sabia que O Hobbit já foi confirmado como
filmes para 2010 e 2011
?).

E não se esqueçam de, junto com milhares de outros fãs em todo o mundo, brindar ao aniversário de J. R. R. Tolkien em 2008!


Alasse merendenna i Carmo!

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Retrospectiva Valinor 2007

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2007 foi um excelente ano para os fãs de Tolkien: quando todos estavam achando que com a coleção e Oscar para o Retorno do Rei
morreria todo ou qualquer interesse sobre Tolkien, bastante gente
mostrou o contrário. Primeiro, com o lançamento de Children of Húrin
(ainda sem tradução no Brasil), e agora no fim do ano, com a
confirmação da produção de O Hobbit.

Como vocês poderão ver ao longo desta restrospectiva, durante o ano que
passou uma coisa ficou clara: as pessoas ainda querem mais da
Terra-média, e ainda existem fãs tão apaixonados quanto aqueles que
apareceram fantasiados em filas de pré-estréias. E a Valinor, como não
poderia deixar de ser, cumpriu o papel de levar informação sobre
Tolkien para todos, sejam os fãs antigos, sejam os novos fãs que estão
chegando.

 
 
JANEIRO: A briga entre Bob Shaye e Peter Jackson cai como uma bomba , acabando com qualquer esperança de que o diretor conduzisse O Hobbit.
O ano também começou com algumas homenagens à Tolkien, seja batizando
uma nova espécie descoberta como Gollum, ou apelidando uma nova galáxia
de hobbit
.

FEVEREIRO: Se por um lado chega a má na notícia sobre o adiamento do desenvolvimento do jogo The Lord of the Rings: The White Council , por outro as notícias envolvendo o lançamento de Children of Húrin não paravam de chegar, especialmente as que divulgavam a capa e a arte de Alan Lee para a edição de luxo .

MARÇO: Mais um bom mês para as obras, com a divulgação do conteúdo detalhado de Children of Húrin,
além do anúncio de uma edição de luxo de O Hobbit lá fora. Em março
também foi noticiada uma pesquisa que colocava O Senhor dos Anéis em
segundo lugar entre os livros favoritos dos britânicos
.

ABRIL: Mês dos dois principais lançamentos relacionados à Tolkien de 2007. Chega às livrarias The Children of Húrin e também é lançado o MMORPG Lord Of The Rings Online . Ainda nos destaques do mês… Você já pensou em chamar seu filho de Lehgolaz?

MAIO: No meio de rumores sobre quem poderá ser o novo diretor de O Hobbit e de novas informações sobre As Aventuras de Tom Bombadil , vem a triste notícia do falecimento do ilustrador Angus McBride .

JUNHO: Tivemos o privilégio de publicar uma resenha sobre o tão
comentado Musical O Senhor dos Anéis, sob o ponto de vista de um fã
brasileiro
. Além disso, a trilogia de PJ continuava rendendo
notícias: O Senhor dos Anéis entrou na lista dos 100 melhores
filmes americanos segundo a AFI
, e a New Line seguia enroscada com
problemas legais
(e não só com Peter Jackson!).

JULHO: Notícias pareciam mostrar que a novela sobre O Hobbit estava para chegar ao fim . E para os fãs, dois trabalhos novos: a divulgação do RC1 do Modo Tengwar Português – MTP3 e além desse, o livro The Frodo Franchise, que investigava como um filme virou uma máquina de fazer dinheiro.

AGOSTO: É anunciada a idéia de desenvolver um jogo de tabuleiro para O Senhor dos Anéis. Surgem boatos de que Peter Jackson e Sam Raimi trabalhariam juntos em O Hobbit. O artigo "J.R.R. Tolkien" ganha destaque na Wikipédia, servindo como modelo de bom artigo.

SETEMBRO: Sam Raimi joga um balde de água fria em quem estava espalhando o boato de que ele dirigiria O Hobbit,
anunciando que não estava envolvido com a produção. É anunciado o cd
com a trilha sonora completa de O Retorno do Rei
(cujo lançamento saiu
um pouco mais tarde do que o previsto) e a saga dos Hobbits da Ilha das
Flores sofre uma reviravolta
.

OUTUBRO: O MMORPG The Lord of the Rings Online mostra
novos recursos
que fazem do jogo algo completamente diferente do que já
foi visto, especialmente quando o aproxima do Second Life. E uma vez
que o EW parecia anunciar que a paz tinha retornado à Terra-média
, por
que não comemorar fazendo uma cirurgia para ter orelhas de elfos?

NOVEMBRO: E os dois grandes lançamentos continuam sendo notícia juntos: enquanto a HarperCollins lança uma edição de luxo para Children of Húrin, The Lord of the Rings Online ganha como melhor jogo para computador de 2007. Além disso, é lançado The History of the Hobbit, de John D. Rateliff. Mais um livro mostrando que o interesse na obra de Tolkien continua vivo.


DEZEMBRO
: Se por um lado Zaentz e New Line voltam ao Tribunal, por
outro, finalmente, chega a notícia que todos queriam ouvir desde que
começou a briga de Peter Jackson com a New Line. Paz oficialmente
selada e, o que é ainda melhor, a produção de O Hobbit é anunciada
, incluindo Peter Jackson. Para coroar este excelente ano, The Children of Húrin aparece na lista dos melhores lançamentos de 2007.

E é isso aí. Que 2008 traga notícias ainda mais doces para todos nós =D