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J.R.R. Tolkien nas verdadeiras Montanhas Nevoentas

J-R-R-Tolkien-1Muitas vezes a experiência pessoal de um autor o influencia no momento de criar seus mundos e personagens, mas quanto da experiência pessoal de J. R. R. Tolkien há em seus escritos? Nem sempre é fácil dizer e, ao tentar, corre-se o risco de fazer afirmações levianas demais. Porém, quando o próprio autor nos dá as pistas, a história é outra.

Quem já leu a biografia de Tolkien, seja a escrita por Humphrey Carpenter ou a de Michael White, ou já leu As Cartas de J.R.R. Tolkien, deve conhecer um episódio importante em sua vida: a viagem que fez à Suíça durante sua juventude.

Território ocupado por parte significativa dos Alpes, uma das cadeias de montanhas mais famosas do mundo, a Suíça foi o destino que um grupo de amigos ingleses, liderados pela família Brookes-Smith, escolheu para passar alguns dias entre os meses de julho e agosto de 1911. Entre eles, o jovem John Ronald Reuel Tolkien.

Assim como Bilbo Bolseiro foi marcado pela experiência de atravessar pela primeira vez as Montanhas Nevoentas (também conhecidas como Montanhas Sombrias por leitores do Brasil, numa tradução de Misty Mountains contestada por muitos), também Tolkien o foi, ao visitar pela primeira vez, aos 19 anos, as neves eternas das alterosas e impressionantes montanhas dos Alpes e caminhar por suas passagens estreitas e perigosas. A experiência o influenciaria ao escrever partes de O Hobbit e O Senhor dos Anéis.

Num artigo publicado recentemente pelo fan site The One Ring, em que seu autor relata a vivência de visitar os lugares por onde Tolkien passou na Suíça, foi revelada uma fotografia em que aparecem quinze pessoas posando para a câmera.

Tolkien 1911-Suíça

Foto rara e que se encontra no livro Tolkien’s Gedling: The Birth of a Legend, de Andrew H. Morton e John Hayes, e que originalmente vem de um livro de memórias de Colin Brookes-Smith, ela mostra Tolkien e seus quatorze companheiros durante a aventura nos Alpes suíços.

Da direita para a esquerda: Doris Brookes-Smith, Tony Robson, Colin Brookes-Smith, Phyllis Brookes-Smith, Reverendo C. Hunt, um amigo não identificado de J.R.R. Tolkien, Jane Neave (tia de Tolkien), Hilary Tolkien (irmão mais novo de Tolkien, de camisa branca), uma mulher não identificada, o próprio Tolkien (com um lenço ou cachecol branco ao pescoço), Jeanne Swalen (babá suíça), Muriel Hunt, Dorothy Le Couteur (uma inspetora de escola), Helen Preston (uma amiga de Jane Neave), e o guia suíço.

 Um grupo de quinze pessoas! O mesmo número de integrantes do grupo de Thorin Escudo de Carvalho, que no livro O Hobbit organiza uma demanda de 13 anões, um hobbit e um mago para recuperar o reino (e o tesouro) de seus ancestrais que foi tomado pelo Dragão Smaug. Ao ler Tolkien relatando sua experiência nos Alpes, o leitor imediatamente reconhece as passagens em que Bilbo, Gandalf e os Anões se aventuram pelas Montanhas Nevoentas:

[Foi] “… (com um grupo misto de cerca do mesmo tamanho da companhia em O Hobbit) que viajei a pé com uma mochila pesada por boa parte da Suíça e por sobre muitas passagens elevadas. Foi ao nos aproximarmos da Aletsch que fomos quase destruídos por grandes pedras desprendidas ao sol que rolaram uma encosta nevada abaixo. Uma rocha enorme de fato passou entre mim e o próximo na frente. Isso e a ‘batalha dos trovões’ – uma noite ruim em que nos perdemos e dormimos em um estábulo – aparecem e O Hobbit”. – As Cartas de J.R.R. Tolkien, p.294.

Quando o filho de Tolkien, Michael, visitou a Suíça, o autor escreveu-lhe uma carta, datada de 1967, felicitando-o e novamente reconhecendo sua aventura nos Alpes como influência marcante em seus textos.  Segue o relato com mais detalhes:

“Estou …. muito feliz por você ter conhecido a Suíça e a própria parte que antigamente eu melhor conhecia e que teve o efeito mais profundo sobre mim. A viagem do hobbit (de Bilbo) de Valfenda ao outro lado das Montanhas Nevoentas, incluindo a descida pela encosta nevada e de pedras escorregadias até o bosque de pinheiros, é baseada em minhas aventuras de 1911 […]. Nossas andanças, principalmente a pé, em um grupo de 12 [nota: há uma pequena contradição aqui quanto ao número de membros do grupo em relação à fotografia acima] agora não estão claras em seqüência, mas deixam muitas imagens vívidas tão claras como se tivessem ocorrido ontem (isto é, tão claras quanto se tornam as lembranças remotas de um velho). Fomos a pé carregando grandes mochilas praticamente todo o caminho de Interlaken, principalmente por caminhos montanhosos, até Lauterbrunnen e assim até Mürren e, por fim, até a ponta do Lauterbrunnenthal […]. Dormíamos de maneira rústica – os homens –  , frequentemente em celeiros de feno ou estábulos evitando estradas e jamais fazendo reservas em hotéis e, após um magro café da manhã, alimentávamos-nos ao ar livre […]. Deixei a vista de Jungfrau com profundo pesar: neve eterna, entalhada, ao que parecia, em uma luz do sol eterna, e o Silberhorn pontiagudo contra o azul escuro: o Pico de Prata (Celebdil) de meus sonhos”.  – As Cartas de J.R.R. Tolkien, p. 370-371

Ao ver imagens de Lauterbrunnen, localidade citada acima por Tolkien, nota-se outra referência de sua viagem à Suíça em seus escritos: o vale de Valfenda, A Última Casa Amiga a Leste do Mar, refúgio da tradição e sabedoria na Terra-média, e onde se encontra parte do povo élfico e Elrond Meio-Elfo. Lugar importante nas sagas de Bilbo e Frodo Bolseiro.

O vale de Valfenda, por Tolkien, e o vale de Lauterbrunnen
O vale de Valfenda, por Tolkien, e o vale de Lauterbrunnen

Tolkien também cita o Silberhorn, a influência para Celebdil, o pico das escadas infinitas que ligam os salões mais profundos de Kazad-dûm ao topo da Torre de Durin, em que Gandalf persegue o Balrog de Moria até sua extremidade superior, e lá ambos encontram seu fim, mas onde Gandalf é mandado de volta, mais poderoso e como O Branco.

Silberhorn-Celebdil

 A viagem de Tolkien à Suíça em 1911 foi tão marcante em sua vida, a ponto de identificá-la em passagens de seus livros e paisagens da Terra-média, que o autor sentia uma profunda saudade e vontade de revisitá-la.  Em outra carta, datada de 1947, Tolkien a finaliza desejando boa viagem à Suíça a seu editor, Sir Stanley Unwin.

“Desejo ao senhor e a Rayner [o filho de Stanley Unwin] uma boa viagem, negócios bem-sucedidos e depois ótimos dias entre as Montanhas. Como desejo ver as neves e as grandes alturas novamente!” – As Cartas de J.R.R. Tolkien, p. 121

Se o leitor ainda não conhecia esta passagem das Cartas, mas lhe parece já ter lido algo assim antes, você não está enganado. A citação acima é muito parecida com o que Bilbo Bolseiro diz a Gandalf no capítulo “Uma Festa Muito Esperada”, em O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel. “Quero ver montanhas de novo, Gandalf – montanhas […].”

Parece que não só as aventuras do jovem J. R. R. Tolkien tornaram-se as aventuras de Bilbo Bolseiro, como também alguns de seus anseios e desejos mais íntimos foram colocados como parte importante da personalidade e destino do hobbit, já que, de volta a Valfenda, em O Senhor dos Anéis, e ao contrário de Tolkien, Bilbo teve a chance de novamente contemplar as Montanhas pela última vez, antes de sua última viagem rumo às Terras Imortais.

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Dica: Para aqueles que desejam percorrer os caminhos que Tolkien fez pela Suíça, a partir de outubro deste ano uma empresa passou a oferecer esse serviço. Consulte: A Middle Earth tour at the source—The Swiss Alps.

Referências:

Tolkien, John Ronald Reuel, As Cartas de J.R.R. Tolkien – organização de Humphrey Carpenter, com assistência de Christopher Tolkien; tradução de Gabriel Oliva Brum. – Curitiba: Arte e Letra Editora, 2006, pp. 121, 294, 370-371.

Tolkien, J. R. R. O Senhor dos Anéis: primeira parte: a sociedade do anel. Tradução de Lenita Rímoli Esteves, Almiro Pisetta; revisão técnica e consultoria Ronald Eduard Kyrmse: coordenação Luís Carlos Borges. – 2ª Ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 33.

TheOneRing.net:  In Tokien’s Real Misty Mountains

Artigos relacionados:

Lauterbrunnen

Torre que pode ter inspirado Tolkien será aberta ao público

Leia também: As Cartas de J. R. R. Tolkien

Brinde de aniversário de Tolkien 2011

Neste dia 3 de janeiro, data de aniversário de Tolkien, a Tolkien Society promove novamente o Brinde de Aniversário de Tolkien. O convite do site é para que às 21h do dia 3 de janeiro de 2011 todos nós, fãs de Tolkien, leventemos nossas taças e brindemos dizendo juntos “The Professor“.

O evento é registrado na Tolkien Society desde 2002, através de uma lista na qual os fãs podem dizer onde e com o que brindarão o professor. Se você deseja participar, basta colocar os dados neste formulário .

Para aqueles não familizaridos com as cerimônias britânicas de brinde: para realizar o Brinde Britânico você fica em pé, ergue seu copo com a bebida de sua escolha (não necessariamente alcoólica) e diz as palavras “O Professor” (ou “The Professor”) antes de tomar um gole. Sente-se e aproveite o restante de sua bebida.

Então não esqueçam: dia 3 de janeiro às 21h, vamos celebrar o aniversário de Tolkien através de um brinde. Tim-tim!

Brinde de Aniversário de Tolkien 2010

Para aqueles não familizaridos com as cerimônias britânicas de brinde:
para realizar o Brinde Britânico você fica em pé, ergue seu copo com a
bebida de sua escolha (não necessariamente alcoólica) e diz as palavras
"O Professor" (ou "The Professor") antes de tomar um gole. Sente-se e
aproveite o restante de sua bebida.
 
Então não esqueçam: dia 3 de janeiro às 21h, vamos celebrar o aniversário de Tolkien através de um brinde. Tim-tim!

A Serviço da Rainha

tolkien.jpg

Quase todo o fandom sabe que Tolkien lutou na Primeira Guerra Mundial, que ele escreveu grande parte de sua obra em versos de formulários da época e que a discussão sobre se a Guerra marcou ou não suas obras.

 

Mas são poucos os que sabem que essa não foi a única guerra que contou com a participação do Professor.

 

É isso mesmo, senhoras e senhores. Este que vos escreve não está variando: Tolkien, um dos mais respeitados linguistas de sua época, foi recrutado, junto com um destacamento de intelectuais da época (como, por exemplo, Alan Turing) para trabalhar no Bletchley Park, o quartel general da inteligência britânica em Buckinghamshire.

A equipe de Tolkien foi responsável por uma das maiores conquistas britânicas na Segunda Guerra: a quebra do Enigma, o código secreto nazista que era, até então, indecifrável. Esse feito possibilitou à Inglaterra impedir que a ilha fosse tomada por nazistas.

De acordo com gravações do GCCS (Government Code and Cypher School, Escola Governamental de Códigos e Criptogramas, em inglês) recém-reveladas por ocasião das comemorações pelo fim da Segunda Guerra, Tolkien passou três dias do mês de março de 1939 em treinamento no quartel general do órgão de inteligência mas depois, apesar de se mostrar "muito interessado" pelo projeto, Tolkien abandonou o órgão e a gratificação de £500 por ano, por razões ainda desconhecidas.

De acordo com um historiador do GCHQ (Government Communications Headquarters, Quartel General Governamental de Comunicacções, em inglês), "JRR Tolkien é conhecido por todo o mundo devido a seus romances, mas seu envolvimento com a guerra deve pegar muitas pessoas de surpresa.

Embora ele não tenha se registrado, como provavelmente planejava, ele participou do treinamento de três dias e estava ‘muito interessado’ por mais.

Por que ele não se juntou aos outros ainda é um mistério: Não há nenhum registro oficial sugerindo o motivo, então podemos apenas supor que ele queira se concentrar em seus escritos". O Hobbit foi lançado apenas um ano e meio depois da experiência secreta de Tolkien.

O CGCS começou a se preparar para uma possível Segunda Guerra Mundial no fim da década de 30, quando seu diretor, conhecido apenas como "Alastair G Denniston", fez uma lista de 50 nomes de possíveis candidatos para o serviço secreto. Essa lista foi elaborada com a colaboração de professores que já h aviam trabalhado para a Inglaterra na Primeira Guerra das duas maiores universidades britânicas: Cambridge e Oxford, onde Tolkien lecionou de 1925 a 1959.

Em uma carta, datada de 25/11/1939, ao Foreign Office (o Ministério de Relações Exteriores inglês), Denniston disse: "Eu estive em contato com as duas universidades através de professores que trabalharam conosco durante a guerra, de forma que agora temos uma lista de 50 homens designados para o serviço caso aconteça a guerra.

Segue anexa uma cópia da listapara que vocês saibam que tipo de  homem pretendemos convocar."

Tolkien, juntamente com outros 12 homens, concordou em passar um dia no QG do GCCS em Londres como experiência. Lá, ele foi treinado em línguas escandinavas e espanhol. Por três dias, entre 27 e 29 de março, Tolkien visitou a casa quando ela ainda ficava em Londres (a mudança para Bletchley Park ocorreu em agosto daquele ano, por medo de bombardeios na capital) e a ficha com seu nome traz a inscrição "muito interessado".

O historiador do GCHQ explica: "A guerra estava chegando e o Governo sabia da complexidade da criptografia eletrônica, por isso esteve convidando pessoas de várias universidades para fazerem cursos de forma que, quando eles fossem convocados, teríamos um agrupamento de pessoas treinadas.

Alan Turing […] fez três cursos apenas sobre o Enigma em janeiro de 1939, então eles sabiam que tipo de habilidades eram necessárias."

Os aprovados no curso receberiam por ano o equivalente a £50000 em valores atuais, mas Tolkien, que foi aprovado com louvor, rejeitou a oferta.

"Simplesmente não sabemos por que ele não se juntou aos outros. Talvez foi porque declaramos guerra à Alemanha, e não a Mordor", brinca o  historiador.

Todas essas informações, além de documentos da Primeira Guerra Mundial, várias maquinas Enigma capturadas, entre outros espólios de guerra, encontram-se em exposição no museu do GCHQ, mas é restrita ao pessoal que trabalha lá.

"O museu é importante para dar às pessoas uma noção do passado e de onde nós viemos. É sobre nosso passado, mas sobre para onde iremos no futuro", diz Chris Marshall, porta voz do GCHQ.

Fonte: The Telegraph  

Qual é a pronúncia correta do sobrenome do professor?

last_tolkien_photograph.jpgVocê já teve esta dúvida? Ou nunca passastes pela tua cabeça como é que se pronuncia ‘Tolkien’ e você simplesmente fala o que ‘der na telha’? Queira você acredite ou não, a dúvida sobre como é a pronúncia correta do sobrenome do professor gera disputas e discussões acirradas pela internet.
 

Faça o teste, digite “pronounce Tolkien” ou “pronunciation of the name Tolkien” no Google e verás. 

Existem duas posições principais. Uma insiste em “Tol-kenn”, que é a pronúncia americana mais comum. A outra argumenta que Tolkien é um nome alemão e, portanto, deve ser pronunciado “Tolk-een”. Esta última parece ser a pronúncia mais comum na Grã-Bretanha.

Se você já está treinando alguma das pronúncias apresentadas acima, pare agora, pois, segundo Erik Even, o autor da notícia a partir da qual esta foi feita, ambas estão erradas.

Segundo o autor, basta não ignorarmos a família de Tolkien assim como a New Line Pictures. “Confira as entrevistas com os descendentes de Tolkien e ouça como eles pronunciam o nome da família: ‘Toll-kee-en’”.

“Trata-se de três sílabas, mas as duas últimas são pronunciadas como uma só. Parecido com o que uma pessoa japonesa diria: ‘kyen’ – ‘Tol-kyen’”.

Neste site, vocês podem ouvir a pronúncia correta.

No vídeo abaixo, vocês podem ouvir Adam, neto de Tolkien, pronunciar o sobrenome (em 00:01:50). Soa muito parecido com “Tol-keen”, mas a terceira sílaba existe. Note que o apresentador no início diz “Tol-kenn’, mas depois diz a pronúncia correta (em 00:04:37). A narradora diz “Tol-keen”.

 

 


Infelizmente, como nem tudo são flores, neste vídeo (o qual discute sobre o lançamento do livro Children of Húrin) a pronúncia de Húrin é feita de maneira errônea.

 

Fonte:

Examiner  

 

 

Obras inspiradas por Tolkien

 As obras de J.R.R. Tolkien que serviram de inspiração para pintores, músicos, filmes políticos e escritores, de tal forma que Tolkien é por vezes visto como o "pai" de todo o gênero de fantasia. A produção de tais trabalhos derivados é, por vezes, de duvidosa legalidade, porque trabalhos de Tolkien publicados permanecerão com direitos até 2043. O filme, as exibições e os direitos de O Hobbit e O Senhor dos Anéis são detidas pela Tolkien Enterprises, enquanto os direitos de O Silmarillion e outros materiais permanecem com a JRR Tolkien Estate Ltd.
 

Artes e Ilustrações

As primeiras ilustrações das obras de Tolkien foram desenhadas pelo próprio autor. Em 1937, O Hobbit foi pela primeira vez ilustrado por desenhistas profissionais para a edição americana. Tolkien fez muitas crítica em relação a esta, e em 1946 ele rejeitou ilustrações de Horus Engels para a edição alemã do Hobbit, alegando que ela era muito "Disneyficada".

Milein Cosman ilustrou "Mestre Gil de Ham" em 1948, e Tolkien também não ficou muito feliz com esse trabalho. Em  1949, Cosman foi substituído por Pauline Baynes, que se tornou a ilustradora favorita de Tolkien e que criou os desenhos para As Aventuras de Tom Bombadil, bem como para Mestre Gil de Ham. A Princesa Coroada Margarida (hoje Rainha Margarida II) da Dinamarca, uma pintora bem-sucedida e aclamada pela crítica foi inspirada pelas ilustrações de O Senhor dos Anéis no começo dos anos 70. Ela os mandou para Tolkien, que ficou espantado pela semelhança do estilo de Margarida com seus próprios desenhos. A edição dinamarquesa do livro foi publicada em 1977 com os desenhos da Rainha e relançada em 2002, com os desenhos retocados pelo artista britânico Eric Fraser.

Outros ilustradores conhecidos durante as primeiras décadas após a publicação de O Senhor dos Anéis foram Tim e Greg Hildebrandt.

Na década de 70, o artista britânico Jimmy Cauty criou um pôster de O Hobbit que foi sucesso de vendas na loja Athena.

Proavelmente os ilustradores mais conhecidos de Tolkien nos anos 90 e 2000 são John Howe, Alan Lee e Ted Nasmith — Alan Lee pelas edições ilustradas de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, Ted Nasmith pelas edições ilustradas de O Silmarillion e John Howe pelas capas de várias publicações de Tolkien. (Howe e Lee também estiveram envolvidos na criação da trlogia de Peter Jackson como artistas conceituais  – Nasmith também foi convidAdo para participar dos filmes, mas foi forçado a relutantemente recusar devido a uma crise pessoal). Em 2004, Lee ganhou um Oscar de Melhor Direção de Arte pelo seu trabalho em O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei.

Outros artistas que acharam em Tolkien a inspiração para seus trabalhos incluem Catherine Karina Chmiel, Inger Edelfeldt, Anke Katrin Eißmann, Roger Garland, Michael Hague, Tove Jansson (ilustrador das edições sueca e finlandesa de O Hobbit), Tim Kirk, Angus McBride, Kay Miner, Billy Mosig e Jenny Dolfen.

Peças de rádio

Três rádios tocaram peças baseadas em O Senhor dos Anéis, que tocaram em 1955-1956, 1979 e 1981, respectivamente. O primeiro e o último foram produzidos pela BBC.

Música

Uma lista completa das músicas inspiradas por J.J.R. Tolkien podem ser vistas no Tolkien Music List .

Rock

Bandas de rock progressivo como Rush, Mostly Autumn, Bo Hansson, compuseram várias músicas baseadas em personagens e histórias de Tolkien, assim como as bandas de indie rock The Appleseed Cast e Gatsbys American Dream e a banda de rock Led Zeppelin¹ (certamente "Over the Hills e Far Away "," Misty Mountain Hop "," The Battle Of Evermore", e" Ramble On ", com debate sobre Stairway To Heaven).Tom Rapp musicou grande parte do Verso do Anel em Ring Thing, música do segundo álbum do Pearl’s Before Swine, Balaklava.

Muitas bandas de heavy-metal têm sido influenciadas por Tolkien. O Blind Guardian escreveu muitas músicas relacionadas com a Terra-Média, incluindo o álbum Nightfall in Middle Earth (anoitecer na Terra Média) que segue O Silmarillion.

Quase todas as músicas do Summoning e toda a discografia do Battlelore têm temática tolkeniana. Bandas de power metal como Epidemia, Nightwish, entre outras, já fizeram músicas tolkien-based. Gorgoroth tomou seu nome emprestado de uma área de Mordor, Burzum tirou seu nome de uma palavra na Língua Negra de Mordor e Amon Amarth é o nome de uma banda de viking metal, assim como o nome élfico da Montanha da Perdição. O vocalista do Dimmu Borgir, Shagrath, tomou seu nome de um capiutão orc que aparece em O Senhor dos Anéis.

Música folk

A cantora irlandesa Enya contribuiu para a canção "May It Be" para a trilha sonora do filme O Senhor dos Anéis e a Sociedade do Anel (2001). Foi designado no Oscar de Melhor Canção Original. Ela também fez a canção intitulada "Lothlorien", em 1991 no seu álbum "Shepherd Moons".

Musica clássica/Trilhas sonoras

Donald Swann compôs as melodias para "The Road Goes Ever On" (A Estrada Vai Sempre em Frente), uma coletânea de de músicas e poemas de Tolkien. O trabalho de Swann foi aprovado pelo próprio Tolkien.

Ensio Kosta compôs, entre 1980 e 1982, uma série de músicas de câmara chamada "Music of Middle-earth" (Música da Tera-Média), com movimentos como "Awakening of Shire" (Despertar do Condado), "Incantation" (Encantamento), "Winding Paths" (Caminhos Sinuosos), "Lament of Galadriel" (Lamento de Galadriel), "Riders of Rohan" (Cavaleiros de Rohan) e "Grey Havens" (Portos Cinzentos).

A primeira sinfonia de Johan de Meij, O Senhor dos Anéis, é baseada no romance. A sinfonia consiste em cinco movimentos separados, cada um ilustrando um personagem ou acontecimento importante da série. A sinfonia foi escrita entre março de 1984 e dezembro de 1987, tendo sua estreia em 15 de março de 1988, em Bruxelas, Bélgica.

Leonard Rosenman compôs as músicas para o filme de Ralph Bakshi e Howard Shore, as músicas para a trilogia de Peter Jackson.

A Tolkien Ensemble publicou 4 CDs de 1997 a 2005 com o objetivo de criar "a primeira interpretação musical completa dos poemas e canções de O Senhor dos Anéis". Tanto a Harper Collins quanto a Tolkien Estate deram seu aval para o projeto e a Rainha Margarida deu permissão para que suas ilustrações fossem usadas no encarte dos CDs.

A.R. Rahman colaborou com Värttinä para compor a música para a adaptação "The Lord of the Rings Musical".

Cinema

Tolkien originalmente vendeu os direitos de O Hobbit e O Senhor dos Anéis a United Artists, em 1968, mas nunca fez um filme, e em 1976, os direitos foram vendidos a Tolkien Enterprises, uma divisão da Saul Zaentz Company 

No começo da década de 70, John Boorman planejava um filme de O Senhor dos Anéis, mas os planos nunca foram adiante por causa das políticas dos estúdios. Uma parte do trabalho foi aprovietada nas gravações de Excalibur em 1981.

Ralph Bakshi dirigiu um filme animado de O Senhor dos Anéis, em 1978, que abrangeu apenas a primeira metade de O Senhor dos Anéis. Rankin-Bass abrangeu o segundo semestre com uma animação infantil na TV O Retorno do Rei (1980) que fizeram uma animação de TV O Hobbit (1977).

O Senhor dos Anéis foi adaptado como uma trilogia de filmes (2001 – 2003), dirigidos por Peter Jackson.

A separação entre as obras de Tolkien Tolkien Enterprises e do Tolkien Estate significa que produtos do Tolkien Enterprises não podem incluir materiais fora O Hobbit e O Senhor dos Anéis, e, portanto, um filme do Silmarillion é altamente improvável.

Literatura

Muitos escritores também encontraram inspiração na obra de Tolkien. Seguindo o sucesso de O  Hobbit e O Senhor dos Anéis na década de 60, as editoras rapidamente tentaram suprir uma nova demanda por literatura fantástica no mercado americano. Ballantine, sob direção do editor Lin Carter, publicou algumas obras relativamente obscuras de domínio público com o selo "Fantasia Adulta Ballantine". Lester Del Rey, entretanto, procurou por novas obras que se espelhassem o trabalho de Tolkien e publicou The Sword of Shannara (A Espada de Shannara), de Terry Brooks e The Chronicles of Thomas Covenant, the Unbeliever (As Crônicas de Thomas Covenant, o Cético), de Stephen R. Donaldson. Nick Perumov criou uma série não-autorizada de histórias sobre a Terra-Média e a trilogia A Torre de Ferro de Dennis L. McKiernan, que pretendia ser uma sequência para O Senhor dos Anéis, e teve de ser alterada por problemas autorais.

Através das duas décadas seguintes, o termo fantasia se tornou sinônimo de influência tolkeniana: várias raças, incluindo anões e elfos, uma jornada para destruir um artefato mágico e um mal que tenta dominar o mundo. O enredo de There and Back Again (Lá e de Volta Outra Vez) de Pat Murphy confunde-se com a de O Hobbit, mas é transposta para um cenário de ficcção científica que envolve até viagens temporais. Eragon, Eldest e Brisingr, as três primeiras partes do ainda interminado Ciclo da Herança de Christopher Paolini são grandes releituras de O Senhor dos Anéis e criaturas como elfos e anões aparecem nos livros com qualidades muito similares a elfos e anões da Terra-Média. Alguns chegam ao ponto de acusar Paolini de plágio, mas isso ainda está sob discussões. Mesmo a série de Harry Potter reflete temas e copia nomes de O Senhor dos Anéis, como no enredo de Harry Potter e as Relíquias da Morte, que se concentra na  destruição da horcruxes para derrotar Voldemort reflete a destruição do Um Anel para derrotar Sauron. Nomes semelhantes incluem a Erva de Longbottom (Vale Comprido)/ Neville Longbottom e o COnselho Branco e a Ordem da Fênix.

Poesias

Algumas pessoas se inspiraram para compor poemas em Quenya ou Sindarin, os dois idiomas mais desenvolvidos de Tokien. Por exemplo, Helge Kåre Fauskanger traduziu os dois primeiros capítulos do Gênesis em Quenya. Tyalië Tyelelliéva é uma revista dedicada a poemas dessas línguas.

Jogos

Existem vários jogos baseados em modelos, jogos de cartas, jogos de tabuleiro e video games que ocorrem na Terra-Média, a maioria retratando cenas e personagens de O Senhor dos Anéis. Em um sentido mais amplo, muitos RPGs, tais como Dungeons e Dragons e DragonQuest foram fortemente influenciados pelas obras de Tolkien. Tais jogos apresentam criaturas como orcs, trolls, elfos, anões e ents, comuns ao legendarium de Tolkien, mesmo não se passando na Terra-Média.

 

Para mais informações sobre o Led Zeppelin-Tolkien ver este artigo .

Traduzido da Wikipedia

 

Hobbits, Elfos e Magos

Aos amantes do mundo Tolkien

 

Há 25 anos, Michael Stanton estuda e dá aulas de Literatura Inglesa na Universidade de Vermont, em especial sobre Dickens, Melville e J.R. Tolkien. Com esta autoridade, ele reuniu o que sabe sobre o Senhor dos Anéis e escreveu Hobbits, Elfos e Magos, que a Frente Editora traz aos leitores brasileiros, já que vivemos o advento de Tolkien no cinema.

 Para Stanton, o livro do escritor inglês é um santuário de lingüística, um mito heróico, fábula religiosa, uma obra literária, recriação da Europa pré-cristã, um romance antibélico. Tolkien levou 17 anos para escrevê-lo e foi editado na Inglaterra em 1954 por um aparentemente convencional professor de inglês, órfão de pais desde os 12 anos, católico, pai de quatro filhos e conhecido como um inventor de línguas (antes de entrar na adolescência, Tolkien tinha criado dois ou três idiomas e durante sua vida criou mais uma dúzia pelo menos). Tudo começa na palavra, pois afirmou Tolkien que "a invenção do idioma é o fundamento… O nome vem em primeiro lugar e a história se segue". O fato é que ele tinha um fantástico senso de imaginação, uma fantasia ilimitada e seus personagens – hobbits, elfos e magos – têm características próprias e sofrem os efeitos de uma peculiar geografia moral: o bem flui do oeste e a ele volta… O ataque ao mal vem sempre do oeste. A Terra-Média, cenário da história, fica entre as forças do bem e do mal, campo de batalha de O Senhor dos Anéis. Quem leu e se apaixonou pelos personagens não vai largar Hobbits, Elfos e Magos, pois que Stanton decifra em grande parte a recriação do mundo de J.R. Tolkien e responde às centenas de indagações a ele trazidas por seus alunos, durante todos os anos em que participou de discussões e deu aulas sobre o tema. Fonte: Redação O Estado do Paraná  em 19/07/2008 às 15:15h. E aqui uma breve biografia e contexto literário desta obra na visão de Michael Stanton:

Seguem alguns elementos da vida de Tolkien. Podemos observar como os diferentes eventos que marcaram sua história se encaixam na criação de sua obra.  John Ronald Reuel Tolkien nasceu em 3 de janeiro de 1892, o primogênito de Arthur e Mabel (Suffield) Tolkien, em Bloemfontein, África do Sul, onde seu pai trabalhava para o Bank of Africa. Depois de uma longa e produtiva carreira dedicada largamente aos estudos literários, ao ensino e à escrita, J.R.R. Tolkien morreu em 2 de setembro de 1973, na cidade costeira inglesa de Bournemouth.

Em seguida ao nascimento de Hilary, irmão de Tolkien, em 1894, Mabel Tolkien voltou à Inglaterra com os meninos, onde, em fevereiro de 1896, recebeu a notícia da morte do marido. Tol­kien cresceu em um vilarejo simpático e à moda antiga chamado Sarehole. Sua agradável qualidade pastoral e os rústicos cidadãos ajudaram a moldar a visão que Tolkien tinha da zona rural do centro da Inglaterra, conhecida como the Shire, e de seus habitantes.

Sua infância conteve mais um evento trágico — a morte da mãe quando tinha 12 anos. Entretanto, ele guardou sua lembrança e nunca se esqueceu que foi ela quem o apresentou à fé católica romana e ao estudo de idiomas, duas áreas que o sustentaram, de formas completamente diferentes, pelo resto da vida. Após a morte de Mabel, Ronald e Hilary passaram à guarda do padre Francis Morgan e foram criados por uma tia.

Tolkien formou-se pelo Exeter College, Oxford, em 1915 e, praticamente em seguida, serviu na Segunda Guerra Mundial como segundo-tenente dos fusileiros de Lancashire. Foi durante uma licença médica para se recuperar da febre das trincheiras, em 1917, que Tolkien colocou no papel os primeiros elementos de um ciclo de histórias, dentre as quais aquelas que viriam a formar O Silma­rillion, o primeiro broto da grande árvore da Terra-média.

Entre 1918 e 1920, foi um dos vários editores assistentes do OED, como é carinhosamente chamado o Oxford English Dictionary. De 1920 a 1925, foi professor assistente e depois professor de inglês na Universidade de Leeds.

De 1925 a 1945, foi membro do conselho da Pembroke Colle­ge, Oxford, com o título de Professor Rawlinson and Bosworth de Anglo-Saxão. Em 1945, mudou de faculdade e tornou-se membro da Merton College, com o título de Professor Merton de Língua e Literatura Inglesas até sua aposentadoria em 1959 (pouco antes que a Universidade de Oxford tenha revisado e melhorado seu programa de pensão, lembrou Tolkien pesarosamente). É interessante destacar que, embora tenha acumulado rica coleção de honrarias acadêmicas, Tolkien nunca estudou além do grau de bacharel.Casou-se com Edith Bratt em 1916, com quem teve três filhos e uma filha (a quem escrevia deliciosas cartas anuais do Papai Noel, que foram recentemente reunidas e publicadas); era católico devoto em um país e instituição famosos por suas tendências anti-católicas; era amigo íntimo de C.S. Lewis e outros graduados da Universidade de Oxford.

Se quisermos, podemos analisar a relevância que esses dados têm no contexto de O Senhor dos Anéis. Sua data de nascimento: é importante ter em mente que Tol­kien já era adulto antes do início da Primeira Guerra Mundial. Até certo ponto, seu pensamento e sensibilidade foram produtos da cultura vitoriana tardia. Eles se formaram em uma era, talvez não mais inocente que a nossa, mas certamente mais esperançosa. Tol­kien dava pouca importância à maioria das informações biográficas, mas considerava importante enfatizar que “Nasci em 1892 e vivi no ‘Shire’ em uma época pré-mecânica.”

A experiência da guerra: como Tolkien escreve no “Prefácio” do Senhor dos Anéis, “Em 1918, todos os

meus amigos íntimos, com a exceção de um, estavam mortos.” A Primeira Grande Guerra teve um custo terrível à geração de Tolkien e sente-se que O Senhor dos Anéis é, entre outras coisas, uma história anti-bélica. Ao mesmo tempo, é necessário evitar, resistir e mesmo combater uma leitura puramente alegórica: Mondor não é a Alemanha nazista, a pequena província de Tom Bombadil não é a Suíça etc. Tolkien fala de “aplicabilidade” (I, XV) — o comportamento do Mal é repetidamente o mesmo em diversos tempos e lugares; todas as lutas pelo poder têm características em comum.

A editoração do OED e os cargos de professor: O Senhor dos Anéis é, no sentido mais básico, sobre idiomas. A qualidade da língua de um povo é um ponto de referência moral na narrativa: a língua dos Elfos é musical e bela (aos nossos ouvidos); os Elfos são bons. O idioma dos Orcs é duro e gutural; os Orcs são maus. A re­lação entre o grande valor moral e a beleza da linguagem é implicitamente causal: os Elfos muito fizeram e sofreram com o passar das eras na Terra-média; adquiriram sabedoria, nobreza e poesia e, assim, seus idiomas transformaram-se em instrumentos de grande expressividade. Os Orcs, criaturas deformadas nascidas da escuridão, não possuem inteligência, mas sim astúcia, e são brutais e traiçoeiros. Sua áspera linguagem expressa essas qualidades.

As histórias da Terra-média iniciaram-se a partir do amor pelas línguas, como Tolkien declarou: “A invenção do idioma é o fundamento… Para mim, o nome vem em primeiro lugar e a história se segue.” Para Tolkien, o início está na palavra. É importante considerar como isso vai fundo. Inventar um planeta ou país imaginário tem suas dificuldades criativas, é claro, mas inventar uma língua, com vocabulário, sons, regras e sintaxe é uma operação psicologicamente extenuante.

Mas esse era o ofício de Tolkien: ele já tinha inventado dois ou três idiomas antes de entrar na adolescência e, durante sua carreira, inventou pelo menos uma dúzia de outros, baseando-se ou influenciando-se pelas línguas que conhecia ou que estava aprendendo. Já falava pelo menos quatro idiomas quando chegou ao colegial.Segue abaixo uma lista das línguas que Tolkien conhecia ou estudou, além do grego, latim, lombardo e gótico:   entre as línguas germânicas: nórdico ou islandês antigo, sue­co, norueguês e dinamarquês modernos, inglês antigo ou anglo-saxão, vários dialetos do inglês médio, alemão e holandês modernos;  entre as línguas românicas: francês, espanhol e italiano;   em outros grupos lingüísticos: galês moderno e medieval, russo, finlandês (as duas grandes influências no desenvolvimento da língua dos Elfos foram o galês e o finlandês). Apesar de estes fatos atestarem o contrário, traçar paralelos entre a vida e a obra tem utilidade limitada. Entretanto, a amizade de Tolkien e C.S. Lewis deve ser mencionada. Eles foram grandes amigos durante muitos anos, embora tenham se afastado nos últimos anos da vida de Lewis. Tolkien sempre relatou que foi a confiança de Lewis no valor de O Senhor dos Anéis e a sua insistência em que Tolkien desse continuidade à obra que o fizeram completar o livro.

Tolkien era um homem claramente trivial: roupas desalinhadas, salvo o brilhante colete que usava ocasionalmente, comida corriqueira, uma casa inexpressiva, quadros comuns nas paredes. Ele tinha muito pouco tempo ou utilidade para a moda ou o bom gosto.Tudo acontecia no interior, na imaginação: ele nunca se interessou por viagens, porque, de uma certa maneira, já tinha viajado. “Quando se escreve uma história (como O Senhor dos Anéis), não a partir de folhas de árvores que ainda temos que observar…, mas que cresce como uma semente na escuridão, que se alimenta das emboloradas folhas da mente, de tudo que já foi visto ou pensado ou lido e que há muito foi esquecido…”.

Apesar de sua timidez, Tolkien era um professor fascinante. Anglo-saxão não é a matéria mais glamourosa, e ainda assim, um de seus alunos, J.I.M. Stewart (Michael Innes) escreveu: “Ele transformava um auditório em um salão de festas; ele era o bardo e nós, os convidados que se alimentavam atentamente de suas palavras.”

Tolkien também se destacou como estudioso. Escreveu os primeiros comentários críticos do poema em inglês antigo, Beowulf, e foi um dos primeiros eruditos a tratar esse poema épico como uma obra de arte e não como uma mina de ouro para lingüistas pedantes. Com E.V. Gordon, editou vários textos medievais. O Senhor dos Anéis é um texto altamente literário, como exploraremos mais adiante.

Ainda assim, Tolkien completou um obra menos extensa do que poderia ter feito, pois, entre seus traços de personalidade, salien­tam-se a procrastinação e o perfeccionismo. É por isso que O Senhor dos Anéis levou 17 anos para ser escrito e publicado e O Silmarillion só viu a luz do dia postumamente, quando o filho Christopher o tomou em mãos após Tolkien ter trabalhado nele por mais de sessenta anos.

Quando os Hobbits apareceram pela primeira vez?Desde o início, os Elfos apareceram na obra imaginativa de Tolkien. Por outro lado, os Hobbits foram criados muito mais ­tarde, no final dos anos 20, ou início dos 30, quando Tolkien corrigia uma pilha monótona de provas. Sem pensar, ele escreveu no alto
de uma delas: “em um buraco no solo vivia um Hobbit”.

Conforme disse, o nome veio primeiro e depois a história. Começou então a desenvolver informações sobre os Hobbits: o que eram, em que tipo de lugar viviam, quais aventuras seriam surpreen­dentes para eles ou para um deles. Esse esforço resultou em O Hob­bit, publicado em 1937.

Quando falava sobre O Hobbit, Tolkien buscava corrigir dois mal-entendidos: O livro não foi escrito simplesmente para crianças apesar dos “‘apartes’ para os leitores juvenis”, como o biógrafo de Tolkien, Humphrey Carpenter, os chama. Tolkien “começou a se aborrecer com eles e passou a acreditar que tratar as crianças com condescendência é um erro para um escritor”. De fato, o paternalismo e o preciosismo que prejudicam O Hobbit estão ausentes em O Senhor dos Anéis; Tolkien aprendera a lição. Como respondeu a outro indagador, se O Hobbit parece “‘vestido’ para crianças em estilo ou forma, sinto muito. E as crianças também devem sentir”.

Hobbits não são pessoas pequenas. Não se deve confundí-los com os mini elfos e fadas que se escondem nas prímulas silvestres, nem com duendes ou nenhuma outra raça de seres cuja essência é ser “uma gracinha”. São pessoas de verdade e sua concepção se originou da experiência de Tolkien com a vida no campo. Ele disse: “Os Hobbits são simplesmente ingleses rústicos diminuídos no tamanho para refletir o pequeno alcance da sua imaginação, mas não o pequeno alcance de sua coragem ou força latente.”

Embora este estudo pretenda concentrar-se quase que exclusiva­mente em O Senhor dos Anéis, é apropriado dispensar algumas palavras ao Hobbit. Há pouca continuidade entre a primeira e a segun­da narrativa. O anel que Bilbo encontrou ou ganhou sob a montanha torna-se O Anel. Os próprios Hobbits, e Gollum e Gandalf, fornecem associações, mas as dessemelhanças são mais abundantes que as semelhanças: os locais são diferentes, a maioria dos personagens muda (em O Senhor dos Anéis, a raça dos Anões tem apenas dois representantes), a elaboração de paisagem e ambiente é extremamente diferente. A natureza do enredo é outra: o que acontece com Bilbo na obra anterior é uma série de aventuras de pequena escala, enquanto o destino de Frodo e seus amigos, no livro posterior, faz parte de uma batalha mundial.

E, acima de tudo, confirmando a declaração de Tolkien, o tom é diferente. Há maior seriedade em O Senhor dos Anéis; nele, as implicações morais são sentidas mais intensamente e o leitor não faz parte de uma “brincadeira íntima” com crianças imaginárias em volta de uma lareira ilusória. Personagens que aparecem nos dois livros, como Gandalf, parecem ter pelo menos uma dimensão a menos em O Hobbit.

O histórico autoral e editorialComo acontece ao longo da mitologia criada por Tolkien, partes deste conto já existiam no início de sua carreira; fragmentos de O Senhor dos Anéis antecederam os esforços conscientes de Tolkien de contar uma história longa. O sucesso de O Hobbit no Natal de 1937 levou o editor Allen and Unwin a incentivar Tolkien a escrever uma seqüência.

A composição de O Senhor dos Anéis como o conhece­mos começou logo depois do lançamento de O Hobbit.

Finalmente, 17 anos e 600.000 palavras mais tarde, O Senhor dos Anéis surgiu em 1954 e 1955. A propósito, a obra não é uma trilogia, o que implicaria que cada volume se sustentaria sozinho, podendo ser lido separadamente e fazer sentido. Ela é, na verdade, uma longa obra de ficção em três volumes (que é a forma como eram publicadas obras de autores como Dickens, no século XIX). O formato em três volumes é uma conveniência para o editor: ele não somente torna a tarefa do leitor menos volumosa, mas também garante três momentos separados de críticas. Depois de vários capítulos, começando com “Uma festa muito esperada” (todos aprovados pelo jovem Rayner Unwin), ficou claro que a história tinha mudado de direção. Segundo Humphrey Carpenter, “Tolkien não queria mais escrever histórias como O Hobbit; ele queria dar início a um trabalho sério: sua mitologia.”

Em todo caso, a guerra, seus deveres acadêmicos, mudanças de carreira e talvez a simples inabilidade de ver onde a história estava indo (ver comentários de Tolkien abaixo), impediram a finalização de um primeiro rascunho até o final de 1947. Então, a história tinha de ser revisada e, “na verdade, em grande parte reescrita” (I, XIV) e passada a limpo. Tolkien e Allen and Unwin também tiveram alguns desentendimentos. O autor ofereceu o original à editora Collins, que no final o recusou, e Tolkien voltou a negociar com sua primeira editora. Rayner Unwin sempre acreditou na história, mas, claramente, ela não seria o best-seller juvenil que O Hobbit tinha sido. A firma concordou em publicar O Senhor dos Anéis como um item de prestígio, acreditando que, na melhor das hipóteses, venderia poucos milhares de cópias. Assim, fez-se um acordo financeiro pouco comum na indústria editorial moderna: em vez do acordo de direitos autorais normal, pelo qual o autor obtém uma porcentagem de cada cópia vendida a partir da primeira, em geral 10 a 15 por cento, Tolkien não receberia nada até que os custos de produção fossem cobertos. A partir daí, ele e a editora dividiriam os ganhos meio a meio.

Alguns motivos que atrasaram a escrita de O Senhor dos Anéis já foram mencionados, mas vale à pena discorrer ligeiramente sobre o processo. Tolkien não fala do desdobramento da narrativa como se ele estivesse controlando ou mesmo escrevendo a história, mas sim como se a história estivesse acontecendo com ele. Ele escreveu: “a Busca essencial teve início imediatamente, mas encontrei no caminho coisas que me chocaram.” Ele já conhecia Tom Bombadil e havia ouvido falar das Minas de Moria e dos Cavaleiros de Rohan, mas Passolargo, e a cidade de Bri, a Floresta Dourada de Lothlórien e a Floresta de Fangorn (entre outros) eram completamente novos. O mais estranho é que Saruman ainda não lhe havia ocorrido e, assim, não entendia por que Gandalf não ia ao encontro conforme prometido!

Os autores em geral falam de suas criaturas dessa forma e, para a imaginação de Tolkien, ele estava quase literalmente na Terra-média.

De todo modo, o livro recebeu boas críticas e a edição de capa dura teve reputação modesta na Inglaterra e nos Estados Unidos até 1965, quando a edição pirata da Ace apareceu na América do ­Norte. Houghton Mifflin detinha os direitos da obra de Tolkien nos Estados Unidos e as batalhas e processos legais ofereceram para O Senhor dos Anéis uma valiosa publicidade. Foi nesse momento que, no final de 1965, Ballantine Books, em acordo com Houghton ­Mifflin, lançou a versão de bolso autorizada e revisada pelo autor.

O crescimento das vendas que se sucedeu foi o resultado não apenas do interesse público levantado pela guerra legal, mas também do boca-a-boca entre leitores. Nos dez meses seguintes ao lançamento da edição de bolso Ballantine, 250.000 cópias foram vendidas.

 No final dos anos 60, Tolkien, seu livro e personagens tornaram-se um cult nas universidades americanas. Viam-se broches e grafites com a inscrição “Frodo Vive!” em todos os lugares; a ­Tolkien Society foi formada em Harvard e o Tolkien Journal passou a ser publicado. Havia mapas, cartazes e calendários. Hoje em dia, com milhões de leitores, O Senhor dos Anéis não pode mais ser visto como um texto cult se a expressão se define por um pequeno grupo de devotos excêntricos. A influência da fantasia de Tolkien pode ser medida por dois fatos um pouco antipáticos: originou uma série de imitadores (na sua maioria mercantilistas) e tornou-se tema da crítica literária acadêmica.

 

1968 BBC entrevista com J. R. R. Tolkien

tolkien.jpgEm
Fevereiro de 1968 J.R.R. Tolkien foi entrevistado em conjugação com o
documentário de televisão BBC "Tolkien em Oxford", de que também uma
parte foi incluída na JRR Tolkien: Um Retrato em Áudio.
 
 

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Tanto quanto
sabemos, esta entrevista só foi liberada no ano passado no lançamento
do livro Os Filhos de
Húrin no dia 7 de abril de 2007. Desde então, uma pequena
parte da entrevista que pode ser encontrado na BBC News Archives, a
entrevista ainda está longe de ser completa. Foi  localizado algumas
outras partes da mesma entrevista, que foram libertados pela Australian
Broadcasting Corporation em 19 de abril de 2007. Foi incluído também
uma
interessante entrevista com Adam Tolkien, o filho de Tolkien sobre os
Filhos de Húrin, conduzido por Razia Iqbal pelo programa Newsnight da
BBC.

Portanto, aqui vai seguir dois vídeos do youtube e duas
transcrições; agora vamos esperar mais cedo ou mais tarde a entrevista
completa.


O que é interessante é que aqui
Tolkien fala abertamente sobre "deuses", "deus" e até mesmo "divino
paraíso" … É algo estranho ouvir de alguém que sempre alegou que ele
detestava esta alegoria! No final de sua vida
Tolkien falou mais abertamente sobre os elementos católicos utilizados
para a construção da sua mitologia. Outra fascinante verdade
é que esta entrevista foi feito quase 9 anos antes do Silmarillion,
onde
finalmente publicado, ainda, é claro que ele está falando sobre isso.

  

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tolkien.jpgJ.R.R.
Tolkien:
Todos, incluindo espíritos divinos abaixo de Deus, cometem erros nessa
mitologia, e é claro que os deuses cometem um erro primário. Ao invés de deixar
elfos e homem acharem sozinhos seu caminho sob os conselhos de Deus, eles incitaram
os elfos porque o rebelde entre eles, o perverso deus Melkor, estava vivo e
devastou uma grande parte do mundo. Eles os colocaram em seu paraíso no oeste
para protegê-los, e então toda a maquinaria começa da rebelião dos elfos, e portanto,
na rebelião do mal eles se foram do paraíso.

Assim, o que
você tem em nosso período são duas porções de elfos: Os que nunca se foram,
simplesmente porque não quiseram, nunca se preocuparam em ser algo maior do que
foram, estiveram na usual floresta dos elfos do extremo-leste.

Aqueles que
partiram para o paraíso divino e nunca chegaram lá, que são os elfos cinzentos
do oeste, e aqueles que foram e voltaram como exilados.

 

Os
altos-elfos, que cantam aquela canção para Elbereth no começo d’O Senhor dos
Anéis, são elfos exilados que uma vez souberam o que era ver os emergentes
deuses em pessoa. Agora
anões criam uma dificuldade, não criam, nesse específico assunto. Eles têm
certas queixas contra homens e contra elfos. Eles encarnam em corpos. Enquanto
eles são como nós, não sabemos muito sobre eles, mas aparentemente são mortais,
vivem por muito tempo. Onde eles entram no arranjo? Bem, certamente, um grande
golpe de sorte prover sua origem.

Eu não acho
que direi algo sobre isso no momento, mas eles têm uma origem lógica relatada
em seu tema, mas eles não são parte dos filhos de Deus. Isso é tudo que posso
realmente dizer sobre isso.

Homens são
apenas homens.


 

 

 

 

obrien_kerry_copy.jpgKerry
O’Brien
: O sucesso de bilheteria da versão Hollywood de Peter Jackson da trilogia
do "Senhor dos Anéis" ajudou a tornar o trabalho do autor Inglês, J.R.R.
Tolkien, acessível à toda nova geração de leitores em todo o mundo.

 É agora
seguido por um extraordinário acontecimento literário – um novo livro de
Tolkien. Muitos anos após a morte do autor, editado de suas notas por seu filho
Christopher. O programa Newsnight da BBC deu acesso ao livro e a uma entrevista
com o próprio Tolkien, que nunca foi transmitida antes.

 Razia Iqbal,
dos relatórios do Newsnight da BBC.

 

(Canção de
Miranda Otto. Tirada de ‘As Duas Torres’ (2002) New Line Cinema)

 

 

 

razia237x161.jpg

Razia
Iqbal
: Um queixoso lamento da épica trilogia de filmes "O Senhor dos
Anéis”.

 Há no entanto
pouco a lamentar sobre a “marca” Tolkien. Surpreendentes 150 milhões de pessoas
compraram os livros. Cinqüenta milhões dessas desde a trilogia cinematográfica
impressionou fãs e críticos igualmente.

 A Obra
clássica de fantasia de J.R.R. Tolkien começou a ser feita em sua mente como um
livro escrito para seus filhos.

 

 

 
tolkien.jpg

J.R.R.
Tolkien
: Eu escrevo para meus filhos. Escrevo para os dois mais velhos que
mostraram um gentil e, como um todo, favorável interesse nisso. Mas eles
criticaram muito severamente e primeiro abriram meus olhos para toda a situação
que levou para meu ensaio sobre histórias de fadas, criticaram muito
severamente todas aquelas coisas que, possuindo modelos ruins, eu no entanto
achava conveniente colocar em uma história infantil. Eles odiaram.
Eles detestaram tudo que fez parecer como se você fosse falar para um, um
público real.

 

 

razia237x161.jpg

 Razia
Iqbal
: O público dos livros de Tolkien continua voraz e empenhado. E agora
cerca de 50 anos após a publicação do "Senhor dos Anéis" o patrimônio
literário de Tolkien publicou um novo trabalho, "Os Filhos de Húrin".

  Tolkien
começou a escrevê-lo nas trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial. Partes
do mesmo, no entanto, foi visto antes.

 

  
adam.jpg

Adam
Tolkien
: ‘Os Filhos de Húrin’ não foi publicado como um conto isolado e sim em
trabalhos e também a um bom tempo atrás, entre outras coisas, antes dos filmes
de Tolkien serem duplamente, triplamente populares. E são publicados no que são
trabalhos eruditos e você pode ler as histórias somente pelas histórias,
pulando as notas, mas você não vai encontrar uma simples história
começa-e-termina. E eles são publicados com o nome da exata análise literária,
o que significa que se a história, é uma versão da história e se é
interrompida, ela pára lá uma vez que ‘Os Filhos de Húrin’, o novo livro, é
trabalhado junto de todas as palavras do autor. Mas virar uma história isolada
que pode ser lida como tal.

 (Música do
filme)

 

 

razia237x161.jpg

Razia
Iqbal
: No entanto, fãs de Bilbo Baggins podem estar um pouco em choque com ‘Os
Filhos de Hurin’. É um escuro conto de incesto e traição e aquele em que a
maioria dos protagonistas matam a si mesmos ou uns aos outros.

 
 

 

 

 

adam.jpg

Adam
Tolkien
: Acho um pouco demais ser feito do incesto. Isto é, é parte da tragédia
da história – que esses irmão e irmã não sabem que são irmão e irmã. Mas sim,
definitivamente é um conto trágico.

 Mas não sei,
não sei o que as pessoas farão disso. Ele toma lugar em uma parte da
Terra-média que não existe mais quando ‘Senhor dos Anéis’ toma lugar, mas é bem
na Terra-média, é bem o mesmo mundo. E sim, é um conto mais sério em um sentido
que o ‘Senhor dos Anéis’.

  

 

razia237x161.jpg

Razia
Iqbal
: Enquanto ‘O Hobbit’ e o ‘Senhor dos Anéis’ continuam a ser os mais
populares dos livros de Tolkien, seus trabalhos mais obscuros que lidam com a
antiga história de elfos e homens foram para ele todos parte de uma mesma
tapeçaria mítica.


 

 

 

tolkien.jpgJ.R.R.Tolkien: Há na
existência uma coleção bem grande, agora uma coleção impraticavelmente escrita,
mas lendas sobre o, o mundo do passado, particularmente depois dos exilados
retornarem e conduzirem sua guerra contra o diabo no norte-ocidental como parte
disso, desse mundo que vivemos. E a conexão dos, dos homens que se juntaram a
eles.

 

 

 

 

adam.jpg

Adam
Tolkien
: Esperamos que acerte um acorde nas pessoas que descobrirem as
histórias da Terra-média com o ‘Senhor dos Anéis’, mas quem realmente não saiba
sobre os outros trabalhos ou quem soube, ache-os realmente difíceis. E nós, achamos
que esse conto em particular, que era um conto que o autor trabalhou o bastante
de forma que pudéssemos produzir uma história de grande duração, é um belo
conto por si só. E pode ou não acertar um acorde. As pessoas podem achar que
não tem Hobbits o bastante nele, porque não há nenhum.

 (Música do
filme)

 

obrien_kerry_copy.jpg

 

Kerry
O’Brien:
E essa entrevista com Tolkien foi realizada cinco anos antes de sua
morte.

 

 

 


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Aqui encerramos a tradução da entrevista, há
possibilidades de termos acesso à continuação dela. Por enquanto, continuaremos
pesquisar novas entrevistas de Tolkien e colocá-las na Valinor.

Caso alguém tenha/saiba de alguma entrevista de Tolkien,
que ainda não foi traduzida, favor enviar para [email protected], enderece-a para Gustavo Braga, pois assim, os responsáveis pela tradução das entrevistas 
de Tolkien terá acesso mais rápido,  e então começarão analisar e se possível, traduzi-las. 

Agradecemos desde já a colaboração de todos.

Equipe Valinor, Luz e Guga.

 

Entrevista de J. R. R. Tolkien em 1971

JohnRonaldReuelTolkien_VaLiNoR2013
Essa entrevista nos mostra a importância das velhas gravações. Elas podem nos dizer muito mais do que apenas cartas e biografias, porque ouvindo a voz de alguém você pode ouvir como ele reage e sente melhor como eles pensam sobre vários assuntos.
Para aqueles interessados, essa entrevista pode ser encontrada em “J.R.R. Tolkien: An Audio Portrait (CD) (2001)”, apresentada por Brian Sibley. Foi primeiramente lançada em uma versão editada em 1980 como uma fita de áudio comercial por BBC Casettes, Londres, e Audio-Forum em Guilford, Connecticut.
_______________________________________

J.R.R. Tolkien: Há muito tempo atrás eu escrevi O Hobbit, e muito tempo antes de eu escrever isso, eu construí esse mundo mitológico.

D. Gerrolt: Então você possuía algum esboço em cima do qual era possível trabalhar?

J.R.R. Tolkien: Sagas imensas, sim… Eu fui absorvido por elas como o próprio Hobbit fez, como você sabe, O Hobbit era originalmente sobre aqueles anões e tão logo ele saiu mundo afora ele se emocionou e sutilmente deslizou para dentro desse mundo.

D. Gerrolt: Então seus personagens e sua história realmente tomaram conta. [Silêncio] Quando eu digo tomaram conta, eu não quero dizer que você estava completamente sob seu feitiço ou qualquer coisa deste tipo.

J.R.R. Tolkien: Oh não não, eu não me desvio com respeito a sonhos de maneira nenhuma, não [risos] não não, não é uma obsessão de forma alguma. Você tem essa sensação que nesse ponto [fuma seu charuto] A, B, C, D, apenas A ou um deles é certo e você tem que esperar até ver. Eu tenho mapas, é claro. Se você está elaborando uma história complicada, você deve trabalhar em um mapa, senão você pode nunca fazer um mapa dela depois. As luas, eu acho, finalmente as luas e o pôr-do-sol funcionaram de acordo com o que eles foram nessa parte do mundo em 1942, na verdade. Deve ter sido algo por volta disso.

D. Gerrolt: Você começou a escrevê-lo em 1942, não foi?

J.R.R. Tolkien: Oh não, eu comecei assim que O Hobbit saiu – nos anos 30.

D. Gerrolt: E quando acabou de escrevê-lo, ele foi publicado em seguida.

J.R.R. Tolkien: Eu escrevi o último… em 1949 – eu lembro que realmente chorei na conclusão da história. Mas então, é claro, havia uma quantidade enorme de revisões. Eu datilografei toda essa obra duas vezes e muito dela, muitas vezes, sobre uma cama no sótão. Eu não pude arcar, é claro, com a impressão. Há alguns erros ainda e também me diverte dizer, como eu creio, que estou em uma posição onde não importa o que as pessoas pensam de mim agora. Havia alguns terríveis erros de gramática, os quais, para um Professor da Língua Inglesa e Literatura, são particularmente chocantes.

D. Gerrolt: Eu não notei nenhum.

J.R.R. Tolkien: Tinha um onde eu usei cavalgou como o particípio de cavalgar! [risos]

D. Gerrolt: Você sente algum tipo de culpa como filólogo, como Professor de Língua Inglesa, com os quais você estava preocupado com as origens factuais da língua, por você ter dedicado uma grande parte da sua vida a uma coisa fictícia?

J.R.R. Tolkien: Não. Estou certo de que realmente fiz o idioma muito bem! Há muita compreensão lingüística nele. Não sinto qualquer complexo de culpa sobre O Senhor dos Anéis.

D. Gerrolt: Você tem uma afeição particular por essas coisas simples e confortáveis da vida que o Condado incorpora: o lar e o cachimbo e o fogo e a cama – as virtudes humildes?

J.R.R. Tolkien: Você não?

D. Gerrolt: E você não, professor Tolkien ?

J.R.R. Tolkien: É claro, sim sim sim.

D. Gerrolt: Você tem então um afeto particular pelos Hobbits ?


J.R.R. Tolkien:
Isso é o motivo de me sentir em casa… olha, O Condado é bem o tipo de mundo no qual eu pela primeira vez me tornei ciente das coisas. O que foi talvez rude para mim porque não nasci nele. Eu nasci em Bloomsdale na África do Sul. Eu era muito novo quando voltei, mas ao mesmo tempo bate na sua memória e imaginação, mesmo se você não pense nisso. Se a sua primeira árvore de Natal for um eucalipto murcho e você normalmente fica incomodado com o calor e a areia… e então ter justamente a idade na qual sua imaginação está se expandindo e de repente encontrar-se em uma tranqüila aldeia de Warwickshire creio que gera um amor específico pelo o que você poderia chamar de interior inglês das Midlands centrais. Baseado em boa água, pedras e olmeiros e pequenos e tranqüilos rios e assim por diante, e é claro, camponeses nos arredores.


TolkienBiblioteca-ValinorDez2013D. Gerrolt:
Com que idade veio você para a Inglaterra ?


J.R.R. Tolkien:
Eu creio… eu tinha por volta de três anos e meio. Muito impressionante é claro, porque é uma das coisas que as pessoas dizem não lembrar, é como constantemente fotografar a mesma coisa sobre o mesmo prato. Leves mudanças simplesmente fazem um borrão. Mas se uma criança tem uma mudança repentina como essa, é consciente. O que tenta fazer é ajustar as novas memórias às antigas. Eu tenho uma imagem perfeitamente clara e vívida de uma casa que eu agora sei que é na realidade um bem trabalhado pastiche de minha própria casa em Bloemfontein e a casa da minha avó em Birmingham. Posso ainda me lembrar de descer a estrada em Birmingham e me perguntar o que tinha acontecido à grande galeria, o que aconteceu ao balcão. Conseqüentemente, lembro das coisas extremamente bem, eu consigo lembrar de me banhar no Oceano Índico antes dos dois anos de idade e eu lembro bem claramente.


D. Gerrolt:
Frodo aceita o fardo do Anel e ele incorpora, como um personagem, as virtudes de longo sofrimento e perseverança, e por suas ações alguém quase poderia dizer, no senso budista, que ele “adquire mérito”. Ele se torna, na realidade, quase uma figura de Cristo. Por que você escolheu um Pequeno, um Hobbit para esse papel?


J.R.R. Tolkien:
Eu não escolhi. Eu não fiz muitas escolhas, eu escrevi O Hobbit, entende… tudo que eu estava tentando fazer era continuar do ponto onde O Hobbit parou. Eu tinha Hobbits em minhas mãos, não tinha?


D. Gerrolt:
Realmente, mas não há nada em particular “como Cristo” sobre Bilbo?


J.R.R. Tolkien:
Oh não. Não não.

D. Gerrolt: Mas diante do mais espantoso perigo ele luta e continua, e chega ao seu objetivo.


J.R.R. Tolkien:
Mas isso se parece, creio eu, mais com uma alegoria da raça humana. Eu sempre tive a impressão que estamos aqui sobrevivendo por causa da coragem invencível de pessoas muito pequenas contra chances impossíveis: selvas, vulcões, animais selvagens… eles lutam, quase cegamente, de certa maneira.


D. Gerrolt:
Eu pensei que de modo concebível Midgard poderia ser a Terra-média ou possuir alguma conexão.


J.R.R. Tolkien:
Oh sim, elas são a mesma coisa. Muitas pessoas cometeram esse erro de achar que a Terra-média é um tipo particular de terra ou é outro planeta do tipo de ficção científica, mas é apenas um velho termo moldado para esse mundo em que vivemos, como imaginado cercado pelo oceano.


D. Gerrolt:
Parecia para mim que a Terra-média era de certo como, como você diz, este mundo que vivemos, mas em uma era diferente.


J.R.R. Tolkien:
Não… em um grau diferente de imaginação… sim.


D. Gerrolt:
Você tencionou em O Senhor dos Anéis que certas raças deveriam incorporar certos princípios: a sabedoria de elfos, a arte de anões, a administração e as batalhas dos homens, e assim por diante?

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J.R.R. Tolkien:
Eu não o planejei. Mas quando você tem esses povos nas mãos, você tem que fazê-los diferentes, não tem? Bem, é claro, como todos nós sabemos, no final das contas nós temos apenas a humanidade com quem trabalhar. Temos apenas o corpo humano. Nós todos… ou pelo menos a maior parte da raça humana… deveríamos gostar de ter maior poder mental, maior poder de arte, pelo que eu penso que a distância entre a concepção e o poder de execução deveria ser abreviado, e nós deveríamos desejar um tempo maior, se não um tempo indefinido, com o qual continuar aprendendo mais e fazendo mais.

Então fazemos os elfos imortais em uma lógica. Eu tive que usar imortal, mas não quis dizer que eles eram eternamente imortais, simplesmente que eles possuem vida muito longa e sua longevidade provavelmente dura enquanto durar a habitabilidade da Terra.

Os anões, é claro, são bem óbvios, você não poderia dizer que de várias formas eles lembram os judeus? Suas palavras são semitas obviamente, construídas para serem semitas.

Hobbits são apenas ingleses rústicos, feitas de baixa estatura porque isso reflete (no geral) o pequeno alcance de sua imaginação – não o pequeno alcance de sua coragem ou poder latente.

D. Gerrolt: Isto parece ser uma das grandes forças do livro, esta conglomeração enorme de nomes – alguém não se perde, pelo menos não depois da primeira leitura, depois a segunda leitura do livro.


J.R.R. Tolkien:
Fico muito contente que você me diga isso, porque eu fiquei muito preocupado. Além disso, me dá grande prazer, um bom nome. Eu sempre, na escrita, comecei com um nome; me dê um nome e isso produz uma história, e não o contrário, como é feito normalmente.


D. Gerrolt:
Dos idiomas que você conhece qual foi de maior ajuda para você na criação de O Senhor dos Anéis?


J.R.R. Tolkien:
Oh… sim… obviamente as línguas modernas, eu deveria dizer que o Galês sempre me atraiu. Por seu estilo e som mais que qualquer outra, mesmo apesar de tê-lo visto pela primeira vez em vagões de carvão, eu sempre quis saber sobre o que era.


D. Gerrolt:
Parece a mim que obviamente a melodia do galês aparece nomes que você escolheu para montanhas e para lugares em geral. Você reconhece isso?

J.R.R. Tolkien: Muito. Contudo uma mais rara, mas bem forte influência sobre mim foi o finlandês.

D. Gerrolt: O livro é para ser considerado como uma alegoria?


J.R.R. Tolkien:
Não. Eu não gosto de alegoria, não importa quando eu a percebo.


D. Gerrolt:
Você considera o declínio do mundo como o declínio da Terceira Era em seu livro? E você vê uma Quarta Era para o mundo no momento, nosso mundo?


J.R.R. Tolkien:
Na minha idade, eu sou exatamente o tipo de pessoa que viveu dentro de um dos mais rápidos períodos de mudança conhecidos na história. Certamente nunca houve em setenta anos tanta mudança.


D. Gerrolt:
Há uma característica outonal ao longo do todo de O Senhor dos Anéis, em um caso um personagem diz que “a história continua, mas eu pareço ter perdido o rumo dela…” porém, tudo está enfraquecendo, empalidecendo, pelo menos em direção ao fim da Terceira Era. Toda escolha tende à violação de alguma tradição. Agora isso me parece ser um pouco como a citação de Tenysson “a velha ordem muda, dá lugar a uma nova, e Deus se realiza de muitas maneiras”. Onde está Deus em O Senhor dos Anéis?


J.R.R. Tolkien:
Ele é mencionado uma vez ou duas.


D. Gerrolt:
Ele é o Único?


J.R.R. Tolkien:
O Único… sim.


D. Gerrolt:
Você é de fato um teísta?


J.R.R. Tolkien:
Oh, eu sou um católico romano! Um devoto católico romano.


D. Gerrolt:
Você deseja ser lembrado principalmente por suas escritas em filologia e outros assuntos ou por O Senhor dos Anéis e O Hobbit?


J.R.R. Tolkien:
Eu não deveria pensar que havia muita escolha no assunto – se eu sou lembrado de alguma maneira, será pelo O Senhor dos Anéis, eu aceito isso. Não será especialmente como o caso de Longfellow? As pessoas lembram que Longfellow escreveu Hiawatha, esquecem totalmente que ele foi um Professor de Línguas Modernas!

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Obituário de J. R. R. Tolkien

J. R. R. Tolkien morreu aos 81 anos; Escreveu “O Senhor dos Anéis”

3 de Setembro de 1973


Pelo “The New York Times”

Londres, 2 de Setembro – J. R. R. Tolkien, lingüista, acadêmico e autor
de “O Senhor dos Anéis”, morreu hoje em Bournemouth. Ele tinha 81 anos de idade. Deixou para trás três filhos e uma filha.

Criador de um Mundo

John Ronald Reuel Tolkien lançou um feitiço sobre dezenas de milhares de americanos nos anos 60 com sua trilogia de 500.000 palavras, “O Senhor dos Anéis”, em essência uma fantasia da guerra entre o bem e o mal fundamentais.

Criando o complexo mas consistente mundo da Terra-média, completo com mapas elaborados, Tolkien o povoou com hobbits, elfos, anões, homens, magos e Ents, e Orcs (goblins) e outros servos do Senhor do Escuro, Sauron. Em particular, ele descreveu as aventuras de um hobbit, Frodo, filho de Drogo, que tornou-se o Portador do Anel e a figura chave na destruição da Torre Escura. Como Gandalf, o mago, observou, havia mais nele do que se podia ver.

A história pode ser lida sob muitos níveis. Mas o autor, um acadêmico e lingüista, professor por 39 anos, negou enfaticamente que fosse uma alegoria. O Anel, descoberto pelo tio de Frodo, Bilbo Bolseiro, em um livro anterior, “O Hobbit”, tem o poder de tornar seus usuários invisíveis, mas ele é infinitamente maligno.

Os admiradores de Tolkien o compararam favoravelmente com Milton, Spenser e Tolstoy. Seu editor inglês, Sir Stanley Unwin, especulou que “O Senhor dos Anéis” provavelmente viveria mais além de seu tempo e de seu filho do que qualquer outro trabalho que ele havia impresso.

“Literatura Escapista”

Mas detratores, entre eles o crítico Edmund Wilson, citaram “O Senhor dos Anéis”, a mais famosa e mais séria fantasia de Tolkien, como um “livro infantil que de alguma forma fugiu do controle”. Um crítico do Observer de Londres o condenou em 1961 como “pura literatura escapista… enfadonho, mal escrito e excêntrico” e expressou o desejo de que o trabalho de Tolkien passasse logo ao “misericordioso esquecimento”.Foi tudo menos isso. Foi apenas quatro anos depois, impresso em brochura neste país pela Ballantine e Ace Books, que um quarto de milhão de cópias da trilogia foi vendida em 10 meses. No final dos anos 60, brotaram fãs-clubes por toda América, tal como a Sociedade Tolkien da América, e membros do culto – muitos deles estudantes – decoravam suas paredes com os mapas da Terra-média. A trilogia foi também publicada em capa dura pela Houghton Mifflin e foi um Livro-do-Mês da Seleção do Clube.O criador desse monumental e controverso trabalho (ou subcriador, como ele preferia chamar escritores de fantasia) foi uma autoridade em anglo-saxão, inglês médio e Chaucer. Ele era gentil, de olhos azuis, um homem de aparência meticulosa que preferia lã, fumava um cachimbo e gostava de fazer caminhadas e andar em uma bicicleta velha (embora ele a tenha substituído por um carro elegante com o sucesso de seus livros).De 1925 a 1959, ele foi professor em Oxford, e por fim Professor de Língua Inglesa e Literatura de Merton e um fellow da universidade Merton. Ele ficou um tanto estupefato pela aclamação que sua fantasia extracurricular recebeu – das interpretações intermináveis que variavelmente a chamaram de grande parábola Cristã, a última obra-prima literária da Idade Média e um jogo filológico.

Tolkien insistia, no entanto, que não ela não fora planejada como uma alegoria. “Eu não gosto de alegorias. Eu nunca gostei de Hans Christian Andersen porque eu sabia que ele estava sempre se insinuando a mim”, disse.

A trilogia foi escrita, ele lembrou, para ilustrar uma aula sua de 1938 na Universidade de Glasgow sobre contos de fadas. Ele admitiu que contos de fadas eram algo como uma fuga, mas não via por que não poderia ser uma fuga do mundo de fábricas, metralhadoras e bombas.

Era a alegria, disse, que era a marca do verdadeiro conto de fadas: “…Por mais selvagens que sejam os acontecimentos, por mais fantásticas ou terríveis que sejam as aventuras, pode dar para uma criança ou homem que a ouvir, quando o ‘clímax’ vem, uma tomada de fôlego, uma batida e aceleração do coração, próximo a (ou de fato acompanhado por) lágrimas, tão penetrante quanto aquele dado por qualquer forma de arte literária, e tendo uma qualidade peculiar”.

Sua própria fantasia, foi dito, tinha começado quando ele estava corrigindo provas um dia e acabou por rascunhar no topo de uma das mais maçantes “em um buraco no chão vivia um hobbit”. Então os hobbits começaram a tomar forma.

Eles eram, decidiu, “pessoas pequenas, menores que os barbudos anões. Hobbits não têm barbas. Há pouca ou nenhuma magia eles, exceto do tipo comum que os ajuda a desaparecer discreta e rapidamente quando gente grande e estúpida como você e eu aproxima de modo desajeitado, fazendo barulho como elefantes que eles podem ouvir a uma milha de distância. Eles tendem a ser gordos na barriga; vestem cores claras (principalmente verde e amarelo); não usam sapatos porque em seus pés crescem solas naturais como couro e pêlos espessos e castanhos; têm dedos morenos, longos e habilidosos, rostos amigáveis e dão gargalhadas profundas e deliciosas (especialmente depois do jantar, que eles têm duas vezes por dia, quando podem).”


Descobrindo a Inglaterra

Ele instalou esses inocentes reservados em uma terra chamada Condado, modelado  com base no campo inglês que ele havia descoberto quando era uma criança de 4 anos, chegando de sua terra natal na África do Sul, e enviou alguns deles em perigosas aventuras. A maioria deles, no entanto, ele concebeu como amigáveis e aplicados, mas ligeiramente tolos, o que ocasionou seu rabisco sobre aquele fortuito exame.

“Se você realmente quer saber no que a Terra-média é baseada, é no meu encanto e deleite pela terra como ela é, particularmente a natureza”, Tolkien disse uma vez. Sua trilogia é recheada com seus conhecimentos sobre botânica e geologia.

O autor nasceu em Blomfontein em 3 de Janeiro de 1892, filho de Arthur Reuel Tolkien, um gerente de banco, e Mabel Suffield Tolkien, que serviu como missionária em Zanzibar. Seus pais vieram de Birmingham, e quando o pai do garoto morreu, sua mãe levou ele e seu irmão para morar na região central da Inglaterra.

A Inglaterra parecia-lhe “uma árvore de Natal” depois da aridez da África, onde ele fora picado por uma tarântula e mordido por uma cobra, onde ele fora “seqüestrado” temporariamente por um empregado negro que quis exibi-lo em seu vilarejo. Foi bom, depois daquilo, estar em um lugar confortável onde as pessoas moravam “afastadas de todos os centros de distúrbio”.

Ao mesmo tempo, ele uma vez observou em um ensaio de contos de fadas, “Cobicei dragões com um profundo desejo. Claro, eu em meu corpo tímido não os quis para estarem na vizinhança, intrometendo-se em meu mundo relativamente seguro…”

Sua mãe foi sua primeira professora, e seu amor pela filologia, assim como seu anseio por aventuras, foram atribuídos à influência dela. Mas em 1904 ela morreu.Os Tolkiens eram convertidos ao Catolicismo, e ele e seu irmão tornaram-se os pupilos de um padre em Birmingham (Alguns críticos afirmaram que a desolação de Birmingham industrial foi a inspiração para a maligna terra do Inimigo, Mordor, de sua trilogia).

Serviu na 1ª Guerra Mundial

O jovem Tolkien cursou a Escola Secundária King Edward’s e seguiu para a Faculdade Exeter, Oxford, com bolsa de estudos. Ele recebeu seu diploma em 1915. Mas a 1ª Guerra Mundial começou, e, com 23 anos, ele começou a servir nos Fuzileiros de Lancashire. Um ano depois, ele casou com a senhorita Edith Bratt.

A guerra, foi dito por seus amigos, o afetou profundamente. O escritor C. S. Lewis insistiu que isso estava refletido em alguns dos mais sinistros aspectos de sua obra e no prazer de seus heróis pela camaradagem. O regimento de Tolkien sofreu duras perdas e, quando a guerra acabou, apenas um de seus amigos próximos ainda estava vivo.

Invalidado dos Fuzileiros, Tolkien decidiu no hospital que o estudo de línguas seria sua profissão. Ele retornou para Oxford para receber seu mestrado em 1919 e para trabalhar como assistente no Oxford Dictionary. Dois anos depois ele começou sua carreira de ensino na Universidade de Leeds.

Dentro de quatro anos, ele era professor, e publicou também um “Vocabulário do Inglês Médio” e uma edição (com E. V. Gordon) de “Sir Gawayne and the Green Knight”. Ele recebeu um chamado de Oxford, onde suas aulas de filologia logo deram a ele uma reputação extraordinária.

Seus alunos lembram dele por realizar esforços sem fim para interessá-los. Uma aluna recordou que havia algo de hobbit nele. Ele caminhava, ela disse, “como se tivesse pés peludos”  e possuía uma alegria atraente.

Enquanto isso, uma vez rabiscada aquela palavra “hobbit” em um exame, sua curiosidade sobre hobbits foi estimulada, e o livro com esse nome – o precursor do mais sério “O Senhor dos Anéis” – começou a crescer.

Ele foi estimulado pelos encontros semanais com seus amigos e colegas, inclusive o filósofo e romancista C. S. Lewis e seu irmão, W. H. Lewis, e o romancista místico Charles Williams. Os Inklings, como eles se chamavam, reuniam-se na Faculdade Magdalen ou em um pub para beber e compartilhar uns com os outros seus manuscritos.

C. S. Lewis pensava bem o suficiente de “O Hobbit”, que Tolkien começou a escrever em 1937 (e contou aos seus filhos), para sugerir que ele o submetesse à publicação para a George Aleen e Unwin, Ltd. A sugestão foi aceita, e a edição americana ganhou um prêmio Herald Tribune como melhor livro infantil.

O autor sempre insistiu, porém, que nem “O Hobbit” nem “O Senhor dos Anéis” foram destinados para crianças.

“Não é mesmo muito bom para crianças”, disse de “O Hobbit”, que ele mesmo ilustrou. “Escrevi uma parte dele em um estilo para crianças, mas isso é o que elas detestam. Se eu não tivesse feito isso, no entanto, as pessoas teriam pensado que eu era louco”.

“Se você é um homem consideravelmente jovem”, ele contou a um repórter de Londres, “e não quer ser zombado, você diz que está escrevendo para crianças”.

“O Senhor dos Anéis”, ele admitiu, começou como um exercício em “estética lingüística” e também como uma ilustração de sua teoria sobre contos de fadas. Então a própria história o prendeu.

Levou 14 anos para ser escrito

Em 1954, “A Sociedade do Anel”, o primeiro volume da trilogia, apareceu. “As Duas Torres” e “O Retorno do Rei” foram a segunda e a terceira partes. O trabalho, que tinha um apêndice de 104 páginas e levou 14 anos para ser escrito, é cheio de jogos verbais, alfabetos desconhecidos, nomes do nórdico, anglo-saxão e galês. Sua história invoca, entre outros, a lenda de “O Anel dos Nibelungos” e o antigo clássico escandinavo, o “Edda Poético”.

Enquanto isso, Tolkien também estava ocupado com escritas acadêmicas, que incluíam “Chaucer As a Philologist”, “Beowulf, the Monster and the Critics” e “The Ancrene Wisse”, um guia para as ermitãs medievais.

Após a aposentadoria, ele morou em Headington, no subúrbio de Oxford, “trabalhando pra diabo”, disse, estimulado a reiniciar sua escrita sobre um mito da Criação e Queda chamado “O Silmarillion”, que ele tinha começado antes mesmo de sua trilogia. Como ele disse em uma entrevista há poucos anos atrás, “Uma caneta está para mim como um bico está para uma galinha”.

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Tolkien em sua última fotografia sob sua árvore preferida - Jardim Botânico de Oxford.
Tolkien em sua última fotografia sob sua árvore preferida – Jardim Botânico de Oxford.

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português