Arquivo da tag: As Cartas de J. R. R. Tolkien

Sorteio Valinor: As Cartas de J. R. R. Tolkien

As Cartas de J. R. R. Tolkien
A Valinor e a Editora Arte & Letra estão sorteando um presentão de final de semana para você, fã de Tolkien e visitante da Valinor: um exemplar do livro As Cartas de J. R. R. Tolkien.

 

 

Para concorrer é a  coisa mais simples do mundo. Basta ir ao endereço http://www.valinor.com.br/sorteios/cartas , preencher seus dados e torcer para que no dia 6 de janeiro de 2008 você seja o sortudo ganhador.

Para quem não conhece, As Cartas de J. R. R. Tolkien
é um dos livros
mais importantes para todo fã de Tolkien que se preze e que queira entender um pouco mais sobre este
mundo maravilhoso criado por este grande autor. O livro foi lançado no Brasil pela Editora Arte & Letra com
tradução de Gabriel O. Brum (da Equipe Valinor e responsável pela
Ardalambion e
Meu Nome Élfico).
Leia mais sobre As Cartas de J. R. R. Tolkien na Valinor

FAQ de As Cartas de J.R.R. Tolkien

As Cartas de J.R.R. Tolkien, da editora Arte & Letra
Este documento é uma compilação de FAQ (do inglês Frequently Asked
Questions ou, em português, Questões Freqüentemente Perguntadas), ou
questões que podem ser perguntados, sobre as obras de J.R.R. Tolkien,
todas respondidas (ou pelo menos citadas) pelo próprio Tolkien em suas
próprias palavras como publicado no As Cartas de J.R.R. Tolkien de
Humphrey Carpenter. Não há respostas aqui – apenas o número das cartas que respondem
a questão
. Se você já é familiar com o livro, então pode querer pular
os próximos parágrafos e seguir ás questões. Se você ainda não leu ou
não comprou este livro, então continue lendo.

 

 

Durante a composição e processo de publicação de seus trabalhos literários, J.R.R. Tolkien continuamente se correspondeu com amigos, familiares, colegas e seus editores, e por anos após a publicação de O Senhor dos Anéis, também com seus leitores. De fato, muitas de suas cartas são respostas diretas (tanto quanto Tolkien conseguia ser direto) a questões sobre as quais as pessoas escreviam a ele. Suas cartas contêm muito pano de fundo e material explanatório que nunca foi publicado, e também uma grande quantidade de explicações sobre sua intenção ou propósito. Ele freqüentemente escrevia bastante para clarear os mal-entendidos de seus leitores. Em alguns casos, contudo, Tolkien não dá uma resposta clara, isso se dá alguma resposta, à questão (por exemplo, "Quem é Tom Bombadil?" ou "O que aconteceu às Entesposas?"), embora ele fale sobre esses assuntos em suas cartas, portanto nos deixando-nos pelo menos com a palavra final sobre o assunto diretamente do autor.

Enquanto há bastante informação sobre O Senhor dos Anéis infelizmente há preciosamente pouco sobre O Hobbit e O Silmarillion. O trecho a seguir é uma pequena citação da Introdução das Cartas de J.R.R. Tolkien:


"Entre 1918 e 1937 poucas cartas sobreviveram, e das que foram preservadas (infelizmente) nenhuma fala sobre o trabalho de Tolkien nO Silmarillion e nO Hobbit, os quais ele estava escrevendo àquele tempo. Mas de 1937 em diante há uma série ininterrupta de cartas até o fim de sua vida, relatando, freqüentemente em grande detalhe, sobre a escrita de O Senhor dos Anéis e o trabalho tardio nO Silmarillion e com freqüência incluem longas discussões sobre o significado de seus escritos"

Uma nota especial sobre a carta #131 (escrita em 1951): Quando Allen & Unwin não quis publicar O Silmarillion junto com O Senhor dos Anéis, Tolkien teve esperanças de que Milton Waldman da Collins pudesse publicar ambos os livros. Tolkien escreveu uma carta bastante extensa a Waldman demonstrando como O Senhor dos Anéis e O Silmarillion eram interdependentes e indivisíveis. A carta original tem 10.000 palavras e embora ligeiramente editada no livro, ela se prolonga por 18 páginas e meia. Esta carta deve ser leitura obrigatória para todo fã sério de Tolkien, que tenha dúvidas sobre seu legendarium. De fato, uma parte desta carta foi incluída como prefácio à segunda edição de O Silmarillion e desde então As Cartas de J.R.R. Tolkien foram lançadas no Brasil pela Arte & Letra com tradução de Gabriel O. Brum (da Equipe Valinor), tornando-a acessível ao leitor brasileiro.

As Cartas de J.R.R. Tolkien, em inglês
Deve-se estar ciente de que existem outras fontes autoritativas para informações sobre os mesmos assuntos listados aqui (por exemplo a Biografia autorizada, de Humphrey Carpenter, ou a série The History of Middle Earth, de Christopher Tolkien, apenas para citar alguns), e que estas outras fontes  e as cartas de Tolkien nem sempre concordam. Também é importante levar em consideração a data de qualquer carta sendo consultado e seu lugar no tempo com relação à publicação de seus livros ou de qualquer outros materiais de referência que reflitam as visões de Tolkien. Este FAQ tem duas funções: primariamente como uma referência – um tipo de índice, e secundariamente como um FAQ no sentido mais tradicional da palavra.

Se agora ou após ler este FAQ você desejar obter As Cartas de J.R.R. Tolkien, você pode fazê-lo imediatamente clicando no links no rodapé deste artigo. E agora, às questões:


Categorias:
I.    Publicando os Livros
II.    O Hobbit
III.    As Origens dO Senhor dos Anéis
IV.    O Senhor dos Anéis – Os Livros e os Títulos
V.    SdA – Elementos da História
VI.    SdA – Os Anéis
VII.    SdA – Sauron/O Um Anel
VIII.    SdA – Significados
IX.    O Silmarillion
X.    O Legendarium
XI.    A Mitologia
XII.    Povos/Raças da Terra-média
XIII.    Criaturas da Terra-média
XIV.    Cultura/Sociedade
XV.    Idiomas
XVI.    Nomenclaturas
XVII.    Opiniões de Tolkien
XVIII.    Miscelânea

I.    Publicando os Livros
a.    Quando Tolkien enviou uma cópia datilografada de O Hobbit para Allen&Unwin? #9
b.    Quais eras com comentários na jacket-flap de O Hobbit?   #15
c.    Como Tolkien reagiu aos comentários do leitor de Allen & Unwin sobre O Silmarillion e "Beren & Lúthien" #19, #294
d.    Quais foram os esforços iniciais de Tolkien para conseguir publicar O Senhor dos Anéis e O Silmarillion? #123, #124, #125, #126, #131
e.    Por que Collins não publicou SdA e/ou O Silmarillion? #133
f.    Quais são alguns dos detalhes da publicação de SdA #135, #137, #145, #146
g.    Como Tolkien lidava com a tradução de seus trabalhos? #188, #190, #204, #217, #228, #229, #239, #352
h.    O que Tolkien pensava da arte de capa da primeira edição dO Hobbit pela Ballantine?    #276
i.    Em anos mais tardios, quão esperançoso Tolkien estava em ver O Silmarillion publicado?    #322, #335, #353
j.    Como foram as vendas de O Hobbit e SdA durante a vida de Tolkien?   #340


II.    O Hobbit
a.    Qual é a tradução das runas na DUST JACKET de O Hobbit?    #12
b.    Quais imagens foram incluídas nas primeiras edições de O Hobbit?     #15
c.    Quais são as circunstâncias da segunda edição de O Hobbit?    #128, #129
d.    Tolkien se arrependeu de ter escrito O Hobbit "para crianças"?      #165, #215, #234
e.    A "batalha de trovões" nO Hobbit foi inspirado por um evento real?    #232, #306


III.    As Origens dO Senhor dos Anéis
a.    Qual foi a primeira reposta de Tolkien à idéia de "mais sobre hobbits"?    #17
b.    Tom Bombadil já foi considerado como herói de uma possível "nova história"?    #19
c.    Quando Tolkien mencionou pela primeira vez o primeiro capítulo de uma "nova história"?    #20
d.    Quando Tolkien mencionou pela primeira vez o  título da continuação dO Hobbit?    #335
e.    As Guerras Mundiais tiveram alguma influência em SdA? #226


IV.    O Senhor dos Anéis – Os Livros e os Títulos
a.    Como Tolkien se sentiu dividindo SdA em 3 volumes?    #136, #139
b.    O Senhor dos Anéis é uma trilogia? #149, #165, #252
c.    Qual era o preço original de venda do SdA? #135, #136
d.    Como se chegou ao título dos volumes?  #136, #136 (nota #1), #139, #140, #143
e.    Há títulos para os "livros" individuais (de 1 a 6)?    #136, #136 (nota #1), #139, #140, #143
f.    Quais torres são as mencionadas no título de As Duas Torres?   #140 (incl. nota 1),  #143


V.    SdA – Elementos da História
a.    Quem foi o verdadeiro herói do SdA?   #131 (p. 160-161)
b.    Qual foi o papel de Gandalf na história do SdA? #156
c.    Gandalf tinha conhecimento prévio do que iria acontecer?    #156, #200
d.    Como Gandalf retornou da morte?   #156, #181
e.    Qual é a razão para a "falha moral" de Frodo no clímax da história?    #181, #191, #192, #246
f.    Alguns dos personagens em SdA foram politicamente motivados?    #183
g.    Por que as Águias não auxiliaram os personagens mais freqüentemente?    #210
h.    Como Éowyn trocou o amor por Aragorn por Faramir tão rapidamente?    #244
i.    Éowyn "optou" por Faramir por não poder ter Aragorn?    #244
j.    Como Arwen conseguiu que Frodo viajasse para o Oeste?  #246
k.    Quão claramente Frodo compreendia o que aconteceu na Montanha da perdição e o que aconteceu consigo mesmo?    #246
l.    Por que alguns leitores gostam e outros desgostam de Sam? #246
m.    O quanto o entendimento das coisas (ou a falta dele) por Sam afetou os eventos da história?    #246
n.    O que poderia ter acontecido se Gollum tivesse obtido a posse do Anel um pouco antes?    #246
o.    O que poderia ter acontecido se Frodo tivesse reclamado a posse do Anel (sem ter sido atacado por Gollum)?    #246
p.    Scadufax foi para o Oeste com Gandalf?    #268
 

VI.    SdA – Os Anéis
a.    Os anéis Élficos conferiam invisibilidade a seus utilizadores? #131 (p. 152)
b.    Que características os Anéis de Poder tinham? #131 (p. 152)
c.    Por que os Elfos quiseram fazer os Três Anéis? #181
d.    Onde estavam os Nove Anéis no final da Terceira Era? #246


VII.    SdA – Sauron/O Um Anel
a.    Sauron é o "Necromante" de O  Hobbit? #131, #157-158
b.    Qual foi o efeito de não ter o Um Anel, em Sauron?    #131
c.    O que aconteceria a Sauron se alguém encontrasse e possuísse o Um Anel?    #131
d.    O que aconteceria a Sauron quando o Um Anel fosse destruído? #131, #200
e.    Quais são os efeitos da destruição do Um nos outros anéis?    #144
f.    Qual é a natureza do mal de Sauron (isto é, sua "queda")?  #183
g.    O que aconteceu com Sauron cada vez que seu corpo era destruído?  #200
h.    Como Sauron pode ser derrotado por Ar-Pharazôn quando Sauron tinha o Um Anel?    #211
i.    Como Sauron foi capaz de levar consigo o Um Anel após seu corpo ser destruído na queda de Númenor?    #211
j.    Como Sauron poderia reclamar o Anel de Frodo ou Gollum?  #246
k.    O Anel daria ao possuidor algum poder sobre os Espectros do Anel?    #246
l.    O que aconteceria em um confronto direto entre Sauron e um portador do anel?    #246
m.    Qual era a forma física de Sauron à época do SdA?   #246
n.    Como Gandalf teria agido se tivesse tomado posse do anel e se tornado Senhor do Anel?    #246


VIII.    SdA – Significados
a.    O Senhor dos Anéis é uma alegoria?  #34, #109, #131 (p. 144, 145), #144, #186, #203
b.    Há alguma mensagem nO Senhor dos Anéis? #208


IX.    Silmarillion
a.    Qual o significado da história de "Beren & Lúthien"?    #131 (p. 149)
 

X.    O Legendarium

a.    O que Tolkien disse sobre inconsistências e erros na mitologia/história?    #117
b.    Como SdA é "amarrado" aO Silmarillion? #124, #131 (incl. comentários), #144 (par. 4), #191
c.    Tolkien tinha um nome geral ou título para todo o legendarium?    #125, #227
d.    Por que não há mais histórias da Segunda Era? #131 (p. 150-151)
e.    Por que Tolkien abandonou "A Nova Sombra" (a continuação em potencial do SdA)?    #256
f.    Como o mapa da Terra-média corresponde ao mapa do mundo real?    #294
 

XI.    A Mitologia
a.    Qual é a natureza da magia na mitologia de Tolkien? #131, #155
b.    Se o mal não pode criar, por que Barbárvore fala que Sauron fez trolls e orcs?    #153
c.    Eram os Valar deuses?    #154, #286
d.    Qual é a relação (ou diferença entre) a criação de Elfos e Homens?    #181
e.    Qual era a natureza de Sauron e dos outros Maiar? #200
f.    Quem é maior e mais poderoso, Manwë ou Melkor? #211
g.    Em qual "Era" nós estamos agora (isto é, durante a vida de Tolkien)? #211 (nota de rodapé)
h.    O que acontecia aos Elfos quando morriam em batalha? #245
 

XII.    Povos/Raças da Terra-média
a.    Raça/racismo é um elemento nas obras de Tolkien?   #29, #30
b.    Há alguma outra descrição física dos hobbits? #27
c.    Qual é a natureza dos hobbits?    #131 (segunda nota de rodapé)
d.    Os magos de Tolkien são mais como feiticeiros ou anjos? #131 (1st footnote on p. 159), #156
e.    Quem é mais velho, Tom Bombadil ou os Ents?    #131
f.    Quem ou o que é Tom Bombadil?    #144, #153
g.    O que era Beorn?    #144
h.    Beorn ainda existia durante o SdA?   #144
i.    Qual é a natureza dos Elfos e sua imortalidade?  #153
j.    Todos os elfos eram bons e iluminados?    #154
k.    Gollum era maligno?    #181
l.    A noção de uma raça inteira ser má e sem possibilidade de redenção (Orcs) é herética?    #269
 

XIII.    Criaturas da Terra-média
a.    Deveria haver um dragão em SdA? #35
b.    O que aconteceu aos dragões?    #144
c.    Deveria haver um gigante em SdA? #35
d.    Orcs e goblins são a mesma coisa?   #131 (segunda nota de rodapé), #144
e.    Qual é a origem dos Orcs?    #144, #153
f.    Como os Orcs se pareciam?    #210 (comentário #19)
g.    O que eram os Wargs?    #297
h.    O que eram os Balrogs?    #144
i.    Qual é a origem dos Ents?    #247
j.    O que aconteceu às Entesposas?    #144, 338
k.    Laracna estava sob o comando de Sauron?    #144
l.    As montarias aladas dos Nazgûl eram pterodátilos?  #211
 

XIV.    Cultura/Sociedade

a.    Por que não há religião em SdA?  #142, #153 (rodapé), #156, #165, #211
b.    Como era a cultura dos Numenoreanos de Gondor?  #211
c.    Como era a coroa de Gondor?  #211 (ilustração)
d.    Como era a cultura de Gondor na Terceira Era? #131, #154
e.    Como era a cultura de Rohan?    #211
f.    O que era o costume hobbit de dar presentes?  #214
g.    Se os Hobbits davam presentes em seus aniversários, porque o povo de Sméagol parecia receber presentes em seus aniversários?    #214
h.    Quais eram as estruturas e costumes das famílias, casas e herdeiros hobbits?    #214
 

XV.    Idiomas
a.    Como o idioma se relacionava com as histórias de Tolkien? #131, #144, #205, #294, #297
b.    Por que Sam diz "O Elbereth Gilthoniel" ao invés de "A Elbereth Gilthoniel" em "As Escolhas do Mestre Samwise"?  #211
c.    Tolkien planejava produzir uma gramática e um vocabulário de Quenya e Sindarin? #313
d.    Tolkien criou números para acompanhar as letras Feanoreanas?  #344
e.    Por que os Homens tendiam a usar Quenya para nomes enquanto os Elfos tendiam para o uso do Sindarin? #347 (resposta 3)
 

XVI.    Nomenclaturas
a.    Qual é a origem do nome "Smaug"?  #25
b.    Como Tolkien se sentia com pessoas usando nomes de seus livros para nomear outras coisas?    #258, #342, #345
c.    Como Tolkien fez algumas de suas palavras e nomes?    #297, #324
d.    Qual foi a resposta/reação de Tolkien à idéia da inclusão da palavra "hobbit" no Dicionário Oxford?    #316
 

XVII.    Opiniões de Tolkien
a.    Tolkien gostava da arte de Pauline Baynes?  #120, #231, #233, #235, #260
b.    Como Tolkien se sentia com relação ao uso de sotaques nas atuações de SdA?    #193
c.    Quais foram os comentários de Tolkien sobre as performances dramáticas de SdA?    #194, #198, #201, #207, #210
d.    O que Tolkien achava da Sociedade Tolkien Americana? #276
e.    O que Tolkien achava das "fanfics", continuações de suas obras feitas por fãs?    #292
f.    Quais eram alguns dos trechos favoritos de Tolkien em SdA? #294
 

XVIII.    Miscelânea
a.    Como Tolkien pronunciava seu nome?   #347 (P.S.)
b.    Qual é a origem dos Inklings?   #298
c.    As obras de Tolkien são escritas para crianças?  #215, #234
d.    O que há de único no poema Errantry? #133
e.    Existe um verdadeiro Sam Gamgi?    #184
f.    Tolkien gostava de dar entrevistas?   #293, #294

 

Mais Informações:

As Cartas de J.R.R. Tolkien na Valinor

As Cartas de J.R.R. Tolkien na Arte & Letra

Editora Arte & Letra 

Uma Carta de Tolkien

Tolkien escreve a Elsie Honeybourne à mão em uma carta datada de 21 de dezembro de 1967, papel de 5,25 x 7 polegadas (13,3 x 17,8 cm – pouco mais que a página de um livro de bolso), cujo mais interessante não é o teor da mesma mas sim as imagens, permitindo visualizar com exatidão a letra e o estilo de Tolkien. Esta carta não se encontro no livro As Cartas de J.R.R. Tolkien (afinal, tem pouco ou nenhum interesse no geral da obra).
Abaixo segue a carta no original em inglês, completa, para facilitar o acompanhamento pela imagem da mesma, já que a letra de Tolkien não é tão legível assim:1967-december_21-honeybourne.jpg“Thank you so much for writing such kind and appreciative letters, brevity is not necessarily a virtue. I am interested in what you say of your name. I think it still probable that your father’s name nonetheless comes from near Evesham. It must be derived from a place-name; and though -Bourne (stream) is widespread in England, and occurs in Kentish names, Honeybourne is found only in Cow H. and Church H. near Evesham. There was a considerable movement and interchange between Kent and Worcestershire, largely because of the industries of fruit-growing. I shall certainly put Honeybourne on the Shire Map as soon as an opportunity of revision (much needed) occurs. I was deeply interested in your choice of passages, and quite agree about Pippin’s ride. An easing of tension was needed at the end of the ‘Book’ (but of course provided instinctively and not by planning). To ride with Gandalf must have been like being borne by a Guardian Angel, with stern gentleness a most comforting combination to children (as we all are).

I am sending you a copy of my recently published story. Not addressed to children (reached by age). An old man’s tale, mainly concerned with ‘retirement’ and bereavement.”

Em português temos:

“Muito obrigado por escrever tais cartas gentis e apreciativas, brevidade não é necessariamente uma virtude. Eu estou interessado no que você diz sobre seu nome. Eu acredito ainda ser provável que o nome de seu pai tenha vindo de perto de Evesham. Ele deve ser derivado de um nome de lugar; e embora -Bourne (córrego) seja espalhado pela Inglaterra, e ocorra em nomes de Kent, Honeybourne é encontrado apenas em Cow H. e Church H. perto de Evesham. Ocorreram movimentos e trocas consideráveis entre Kent e Worcestershire, principalmente devido às indústrias de cultivo de frutas.

Com certeza eu colocarei Honeybourne no Mapa do Condado tão logo uma oportunidade de revisão (muito necessitada) apareça.

1967-december_21-honeybourne_2.jpgEu fiquei profundamente interessado em suaescolha de trechos, e concordo sobre a cavalgada de Pippin. Um relaxamento de tensão era necessário ao final do ‘Livro’ (mas, claro, feita instintivamente e não planejada). Cavalgar com Gandalf deve ter sido como ser carregado por um Anjo da Guarda, com austera gentileza uma combinação das mais confortantes para crianças (como todos somos).

Estou enviando uma cópia de minha história recentemente publicada. Não direcionada a crianças (em idade). Um conto de um velho, principalmente relacionado com ‘aposentadoria’ e a tristeza da perda.”

Na carta Tolkien se refere à sua história “Smith of Wooton Major”, publicada pela primeira vez na revista Redbook em 23 de novembro de 1967. Tolkien também acrescenta uma breve nota a lápis no topo da primeira página com relação a seu atraso em ler a correspondência. Podemos ver aqui as maiores características pessoais de Tolkien, explorando idiomas e encontrando raízes para palavras e nomes. Línguas eram sua fonte de inspiração e aqui pela segunda vez ele diz que poderia adicionar Honeybource (algo como “riacho de mel”) ao mapa dO Hobbit.

Carta #181

[Antes de escrever uma resenha de O Senhor dos Anéis, Michael Straight, o editor do New Republic, escreveu para Tolkien fazendo algumas perguntas: primeiro, se havia um significado no papel de Gollum na história e na falha moral de Frodo no clímax; em segundo, se o capítulo O Expurgo do Condado era especialmente dirigido à Inglaterra contemporânea; e em terceiro, por que os outros viajantes deveriam partir dos Portos Cinzentos com Frodo ao final do livro – É assim devido à mesma razão pela qual há aqueles que conquistam a vitória mas não podem desfrutá-la?]

[Não datada; provavelmente de Janeiro ou Fevereiro de 1956] Caro Sr. Straight,

Obrigado pela sua carta. Eu espero que você tenha se divertido com O Senhor dos Anéis? Divertido é a palavra-chave. Pois ele foi escrito para entreter (em seu sentido mais elevado): para que a leitura seja agradável. Não há ‘alegoria’ moral, política ou contemporânea em todo o trabalho.

Ele é um “conto de fadas”, mas um escrito – de acordo com a convicção que certa vez exprimi em um extenso ensaio chamado On fairy-stories que eles são a audiência apropriada – para adultos. Porque eu acredito que contos de fadas têm sua própria forma de refletir a verdade, diferentemente de alegoria, ou (sustentada) sátira, ou realismo, e em certos aspectos mais poderosa. Mas antes de tudo deve proceder apenas como um conto, excitar, deleitar, e em alguma ocasião comover, e internamente a seu próprio mundo imaginário, estar de acordo (literariamente) ao seu propósito. Ser bem sucedido nisso era o meu objetivo primário.

Mas, evidentemente, se alguém decide se dirigir a adultos (mentalmente adultos, em qualquer caso), eles não serão excitados, deleitados ou comovidos ao menos que o todo, ou os incidentes, pareçam ser sobre algo que mereça consideração, mais exemplos que mero perigo e fuga: deve haver alguma relevância à situação humana (de todos os períodos). Então, algo das próprias reflexões e valores do contador de histórias irá, inevitavelmente, estar inserido no trabalho. Isso não é o mesmo que alegoria. Nós todos, em grupos ou como indivíduos, exemplificamos princípios gerais; mas nós não os representamos. Os Hobbits não são maior alegoria do que são (digamos) os pigmeus da Floresta Africana. Gollum, para mim, é apenas um personagem – alguém imaginado – que garantiu que a situação agisse mais ou menos sob forças opostas, como se parecesse para ele que provavelmente agiria (há sempre um elemento incalculável em qualquer indivíduo real ou imaginário: de outra forma ele/ela não seria uma individualidade mas um tipo.)

Eu vou tentar e responder suas questões específicas. A cena final da Demanda se deu daquela forma simplesmente porque em relação à situação, e com o caráter de Frodo, Sam e Gollum, aqueles acontecimentos a mim pareceram mecanicamente, moralmente e psicologicamente críveis. Mas, é claro, caso você deseje mais reflexão eu devo dizer que internamente ao desenvolvimento da história, a catástrofe exemplifica (um aspecto das) palavras familiares: Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

“Não nos deixeis cair em tentação” é o pedido mais difícil e o menos freqüentemente considerado. A visão, nos termos da minha história, é de que mesmo todo acontecimento ou situação tem (ao menos) dois aspectos: a história e o desenvolvimento do indivíduo (isto é algo a partir do qual ele pode tirar proveito, proveito fundamental, para si mesmo, ou falhar na tentativa de fazê-lo), e a história do mundo (que depende de suas ações para sua própria causa) – contudo, há situações anormais em que alguns podem ser relacionados. Situações de sacrifício, eu devo chamá-las: posições sacrificais nas quais o bem do mundo depende da conduta de um indivíduo em circunstâncias que necessitem do seu sofrimento e resistência muito além do normal – até mesmo, pode ocorrer (ou assim parece, humanamente falando), exijam uma força física e mental as quais ele não possui: ele está, de certa forma, fadado a fracassar, condenado a cair em tentação ou falhar pela pressão contra sua vontade: isso é, contra qualquer escolha que ele poderia fazer ou teria feito acorrentado, não sob coação.

Frodo estava em tal posição: uma armadilha completa, aparentemente: uma pessoa de poder natural maior nunca poderia, provavelmente, ter resistido à tentação do Anel por tanto tempo; alguém com menor poder não deveria esperar poder resisti-lo na decisão final. (Uma vez que Frodo não havia se mostrado disposto a danificar o Anel antes de partir em viagem, e era incapaz de entregá-lo a Sam.)

A Jornada estava fadada a falhar enquanto uma parte de um plano mundial, e também atada a terminar em desastre enquanto a história do desenvolvimento do humilde Frodo ao nobre, sua santificação. Ela falharia, e falhou, enquanto concernisse a Frodo, considerando-o sozinho. Ele “apostatizou” – e eu recebi uma carta irada, bradando que ele deveria ter sido executado como um traidor, não honrado. Acredite em mim, não foi até eu ter lido isto que tive eu mesmo alguma idéia sobre quão tópica tal situação deve aparentar. Ela nasceu naturalmente do meu projeto concebido na forma de um esboço principal em 1936 [1]. Eu não previ que antes que o conto estivesse publicado nós deveríamos entrar em uma era negra na qual a técnica da tortura e a dilaceração da personalidade iriam rivalizar com a de Mordor e o Anel, e presentear-nos com o prático problema de homens honestos de boa-vontade caídos a apóstatas e traidores.

Mas a esse ponto a salvação do mundo e a auto-salvação de Frodo são alcançadas pelas suas prévias piedade e perdão às injúrias. Em qualquer ponto, qualquer pessoa prudente teria dito a Frodo que Gollum iria certamente* traí-lo, e poderia roubá-lo no final. Ter piedade dele, refrear de matá-lo, foi mostra de tolice, ou uma crença mítica no derradeiro valor-próprio da piedade e generosidade, mesmo que desastroso no mundo àquele tempo. Ele de fato o roubou e feriu no final – mas por uma graça, aquela última traição deu-se em uma conjuntura precisa, quando a última ação do mal foi a mais benéfica que qualquer um poderia ter feito por Frodo! Por uma situação criada pela sua piedade, ele salvou a si mesmo e mitigou seu fardo. Ele foi muito justamente agraciado com as honras mais elevadas – visto que claramente ele e Sam nunca ocultaram a seqüência exata dos acontecimentos. Em um último julgamento acerca de Gollum, eu não me preocuparia em averiguar. Isso seria investigação “daquilo que compete a Deus”, como os medievais diziam. Gollum era digno de misericórdia, mas ele terminou em persistente maldade, e o fato de isso ter dado bons resultados não lhe é creditado. Sua prodigiosa coragem e resistência, tão grande quanto a de Frodo e Sam, ou maior, na medida em que foi usada para o mal, é nefasta, e não honorífica. Eu temo que, independentemente de nossas convicções, nós tenhamos de encarar o fato de que há pessoas que se rendam à tentação, rejeitam suas chances de nobreza ou salvação, e tornem-se condenáveis. Sua condenabilidade não é mensurável em termos macroscópicos (para onde isso pode ser bom). Mas nós todos que estamos no mesmo barco não devemos usurpar o Julgamento. A dominação do Anel era forte demais para a alma tão inferior de Sméagol. Mas ele nunca teria tido de suportá-la caso não tivesse se tornado um filho vil e ladrão antes que cruzasse seu caminho. Ela precisaria sempre ter cruzado seu caminho? Alguma coisa perigosa deve sempre cruzar nosso caminho? Alguma resposta poderia ser encontrada caso tentemos imaginar Gollum sobrepujando a tentação. A história teria sido muito diferente! Contemporizando, não fixando a vontade ainda não totalmente corrompida de Sméagol, inclinada para o bem no debate dentro da caverna de escória, ele enfraqueceu a si mesmo na última oportunidade, quando o começo da afeição por Frodo foi muito facilmente extinguido pelo ciúme de Sam, antes da toca de Laracna.

Não há referência especial à Inglaterra no Condado – exceto, é claro, que como um homem inglês que cresceu na aldeia quase rural de Warwickshire, nas fronteiras do próspera burguesia de Birmingham (por volta da época do Jubileu de Diamante!) Eu tomo meus modelos como qualquer outro – da vida como eu a concebo.Mas não há referência ao pós-guerra. Eu não sou um socialista de qualquer forma, quando eles conquistam poder, tornam-se muito nocivos – mas eu não diria que temos de sofrer a crueldade do Charcote e seus rufiões aqui. Embora o espírito de Isengard, se não Mordor, está sempre notadamente aparecendo inesperadamente. A presente intenção da Oxford sendo destruída para acomodar carros-motorizados é um exemplo [2]. Mas o nosso adversário principal é um membro de um Governo “Conservador”. Entretanto, você poderia aplicar isso a qualquer lugar, atualmente.

Sim: eu penso que os vitoriosos nunca podem usufruir da vitória – não nos termos que eles contemplaram; e na medida em que eles lutaram por algo para ser usufruído por eles mesmos (quer por aquisição ou mera preservação), menos satisfatória a vitória irá parecer. Mas a partida dos Portadores dos Anéis tem um outro lado, se nos referirmos aos Três. Há, é claro, uma estrutura mitológica por detrás dessa história. Ela foi, de fato, escrita primeiro, e talvez agora seja em parte publicada. Ela é, devo dizer, uma mitologia “sub-criacional” mas monoteísta. Não há encarnação do Um, ou Deus, que de qualquer maneira permanece afastado, fora do Mundo, e acessível diretamente apenas aos Valar ou Regentes. Eles ocupam o lugar dos “deuses”, mas são espíritos criados, ou aqueles de criação primária que por sua própria vontade entraram no mundo**. Mas o Um retém toda a autoridade principal, e (ou assim parece se visto em tempo em série) reserva o direito de introduzir o dedo de Deus na história: é assim para produzir realidades que não poderiam ser deduzidas mesmo de um completo conhecimento do passado prévio, mas cuja existência real torna-a parte do passado efetivo por todo tempo subseqüente (uma possível definição de um milagre). De acordo com a fábula, Elfos e Homens foram as primeiras dessas intrusões, criados, de fato, enquanto a história era apenas uma história e não realizada; eles não foram, portanto, em qualquer sentido, concebidos ou feitos pelos deuses, os Valar, e eram chamados de Eruhíni ou “Filhos de Eru”, e eram para os Valar um elemento incalculável: pois eram criaturas racionais de livre-arbítrio em relação a Deus, da mesma ordem histórica que os Valar, embora de muito inferiores poderes espirituais e intelectuais, e posição.

É claro que, de fato exteriores a minha história. Elfos e Homens são apenas aspectos diferentes do Humano, e representam o problema da Morte como visto por uma finita mas espontânea e auto-consciente pessoa. Nesse mundo mitológico, Elfos e Homens são em suas formas encarnadas, congêneres, mas em relação aos seus espíritos ao mundo no tempo, representam diferentes experimentações, cada um dos quais tendo sua própria tendência inata, e fraqueza. Os Elfos representam, assim como era, o artístico, o estético e puramente científico aspectos da natureza humana elevados a um nível superior em relação ao efetivamente visto nos Homens. Ou seja: eles têm um amor devotado do mundo físico, e um desejo de observar e compreendê-lo para sua própria consideração e como outro – sc. como uma realidade advinda de Deus no mesmo em que eles mesmos – não como material para usufruto ou como plataforma de poder. Eles também possuem uma faculdade sub-criacional ou artística de grande excelência. Eles são, por essa razão, imortais. Não eternamente, mas para perdurarem com e internamente ao mundo criado, enquanto sua história durar. Quando mortos, por ferimentos ou destruição de sua forma encarnada, eles não deixam o tempo, mas permanecem dentro do mundo, tanto desencarnados quanto sendo renascidos. Isso se torna um grande fardo à medida em que as estendem-se as eras, especialmente em um mundo no qual há maldade e destruição (eu não mencionei a forma mitológica em que a Maldade ou a Queda dos Anjos toma nessa fábula). Mera mudança como esta não é representada como mal: o desenrolar da história e a recusa a isto são, é claro, contrários ao desígnio de Deus. Mas a fraqueza élfica é, nesses termos, naturalmente para lamentar o passado, e para tornar relutante em face às mudanças: como se um homem odiasse um livro muito longo que ainda continua, e desejasse permanecer em seu capítulo favorito. Por essa razão eles caíram, em certa medida, nos estratagemas de Sauron: eles desejavam algum poder sobre as coisas como elas eram (que é totalmente diferente), para fazerem suas vontades particulares de preservação efetiva: interromper mudanças, e manter tudo permanentemente fresco e belo. Os Três Anéis eram imaculados, porque esses objetos eram, de determinada forma, bons; isso inclui a cura dos verdadeiros males da perversidade, assim como interrupção das mudanças; e os elfos não desejavam dominar outras vontades, ou usurpar todo o mundo para seu desfrute particular. Mas com a queda do Poder, seus pequenos esforços em preservar o passado foram feitos em pedaços. Não havia mais nada na Terra-Média para eles, a não ser fraqueza. Então, Elrond e Galadriel partiram. Gandalf é um caso especial. Ele não era o forjador ou portador original do Anel – mas foi dado a ele por Círdan, para ajudá-lo em sua tarefa. Gandalf estava retornando, seu labor e diligência terminaram, para sua casa, a terra dos Valar.

A passagem pelo Oceano não é a Morte. A mitologia é centrada nos elfos. De acordo com isso, houve inicialmente, de fato, um Paraíso Terrestre, lar e reino dos Valar como uma parte física da Terra.

Não há personificação do Criador em lugar algum desta história ou mitologia. Gandalf é uma pessoa criada; embora possivelmente um espírito que existia antes no mundo físico. Sua função enquanto um mago é de um mensageiro angélico dos Valar ou Regentes: auxiliar as criaturas racionais da Terra-Média a resistirem a Sauron, um poder grande demais para eles lidarem sem ajuda. Mas uma vez tendo em vista este conto e mitologia o Poder – quando domina ou pretende dominar outras vontades e mentes (exceto pelo assentimento de sua razão) – é mau, esses magos eram encarnados nas formas físicas da Terra-Média, e assim sofreram as dores tanto da mente quanto do corpo. Eles estavam também, pela mesma razão, envolvidos no risco dos encarnados: a possibilidade da queda, ou pecado, se preferir. A principal forma que isso assumiria com eles seria a impaciência, levando ao desejo de compelir outros a seus próprios bons finais, e então inevitavelmente afinal ao mero desejo de tornar suas próprias vontades reais por quaisquer meios. Saruman sucumbiu a este mal. Gandalf, não. Mas a situação tornou-se tão grave pela queda de Saruman que o bem foi obrigado a um maior esforço e sacrifício. Assim, Gandalf enfrentou e sofreu a morte; e retornou ou foi enviado de volta, como ele diz, com poder aumentado. Mas embora alguém possa nisto ser lembrado dos Evangelhos, não é na realidade, exatamente a mesma coisa. A Encarnação de Deus é algo infinitamente maior do que algo sobre o qual eu me atreveria a escrever. Aqui eu estou apenas interessado na Morte como parte da natureza, física e espiritual do Homem, e com a Esperança sem garantias. É por essa razão que eu me refiro ao conto de Arwen e Aragorn como o mais importante dos Apêndices; ele é um panorama do essencial na história, e apenas está lá descrito porque não poderia ser inserido na narrativa principal sem destruir sua estrutura: que é planejada para ser centrada nos hobbits, o que é primariamente, um estudo do enobrecimento (ou santificação) dos humildes.

[Nenhum dos esboços dos quais este texto foi montado foi completado.]

Notas:

[1] Mas veja nota 5 no número 131. [N. do T.: A referida nota diz: “Como cartas mais antigas neste livro mostram, O Senhor dos Anéis foi iniciado, de fato, em dezembro de 1937″].

[2] Uma referência a proposta de uma estrada de ‘alívio’ pelo prado da ‘Christ Church’. * Não por completo ‘certamente’. O desajeitamento na fidelidade de Sam foi o que finalmente levou Gollum por sobre o precipício, quando estava prestes a arrepender-se. ** Eles partilharam em sua ‘criação’, mas apenas nos mesmos termos em que nós ‘fazemos’ uma obra de arte ou história. Esta realização, a forma como é dada realidade a essa criação do mesmo grau de si mesmos, foi o ato de Deus Único.

As Cartas de J.R.R. Tolkien

As Cartas de J. R. R. TolkienTolkien passou uma enorme parcela de sua vida escrevendo cartas. Com efeito, o autor de O Senhor dos Anéis era um correspondente quase tão prolífico quanto os hobbits do Condado. Certa vez, quando quebrou o braço direito, ele chegou a confidenciar a seu editor: "Não ser capaz de usar uma caneta ou um lápis é, para mim, tão humilhante quanto seria a perda de seu bico para uma galinha".
 

The Letters of J.R.R. Tolkien (As Cartas de J.R.R. Tolkien), livro organizado por Humphrey Carpenter, biógrafo do autor, e por Christopher Tolkien, seu filho mais novo, reúne uma porção significativa da imensa correspondência entre Tolkien e seus familiares, amigos, editores e simples fãs (os quais, surpreendentemente, parecem ter recebido grande atenção por parte do Professor, principalmente nos anos que se seguiram à publicação de O Senhor dos Anéis).

Letters é fascinante em muitos aspectos: consegue revelar as opiniões pessoais de Tolkien sobre cultura, literatura, política, religião e vida familiar, ao mesmo tempo em que lança luz sobre aspectos de sua intrincada e sempre dinâmica mitologia. Ao mesmo tempo, Tolkien se revela um grande frasista, observador agudo das mazelas do século XX, crítico mordaz e irônico, mas que nunca perdia de vista o amor e a compaixão pelos seres humanos.

Algumas passagens são antológicas: os conselhos dados ao filho Michael sobre o amor entre homem e mulher, as cartas emocionadas a Christopher quando este servia a Força Aérea na África do Sul durante a Segunda Guerra Mundial, cartões postais em runas e caracteres fëanorianos para admiradores, observações iradas a respeito de um roteiro cinematográfico completamente distorcido para O Senhor dos Anéis, e até desenhos da coroa do Reino de Gondor.

Letters também ajuda a esclarecer algo que é motivo de tristeza para os fãs de Tolkien: o porquê de O Silmarillion nunca ter sido publicado durante sua vida. O Professor fez de tudo para publicar a mitologia dos Dias Antigos em conjunto com O Senhor dos Anéis, mas só conseguiu, a muito custo, que a editora Allen & Unwin publicasse este último. Quando o sucesso da Saga do Anel veio, era "tarde demais": Tolkien nunca pôde terminar O Silmarillion, por mais que tentasse.

Publicado em 1981, Letters inclui também muitas notas feitas por Humphrey Carpenter e um índice onomástico bastante completo.

 
Em 2006 o livro foi publicado no Brasil pela Editora Arte & Letra , traduzido por Gabriel O. Brum (da Equipe Valinor) e pode ser adquirido diretamente com a Editora neste link .
 

O Destino das Entesposas

Nenhuma resposta foi dada a essa questão na história. Porém,  Tolkien
escreveu sobre o assunto em duas cartas, e enquanto ele acautelava-se
em dizer “eu acho� e “eu não sei�, o tom desses comentários eram
completamente pessimistas. Além disso ele não parece ter mudado de
idéia posteriormente. O que se segue foi escrito em 1954 (antes da
publicação do Senhor dos Anéis):

 
 
 
“O que quer que tenha acontecido às entesposas
não está definido neste livro [O Senhor dos Anéis]. (…)Eu creio que
na verdade as entesposas desapareceram para sempre, tendo sido
destruídas junto com seus jardins durante a Guerra da Última Aliança
(3429 a 3441 S.E.) quando Sauron usou de métodos que calcinaram o solo
e que destruíram suas terras, no intuito de impedir o avanço dos
Aliados descendo o Anduin. Elas sobreviveram apenas na “agricultura�
transmitida aos homens (e hobbits). Algumas, é claro, devem ter fugido
para o leste, ou até mesmo escravizadas; pois mesmo nessas histórias os
tiranos deveriam possuir um esquema econômico e agrícola para seus
soldados e ferreiros. Assim sendo, se alguma sobreviveu, deveria de
fato ter sido grandemente afastada dos ents, e sua reaproximação seria
muito difícil — a não ser que a experiência de uma agricultura
militarizada e industrializada fizeram com que elas se tornassem um
pouco mais anárquicas. Tomara. Eu não sei.� (Letters, p. 149, n.º 144)

Percebam que, acima, a referência a “métodos que calcinaram o solo� de
Sauron, faz com que a destruição das terras das entesposas passe a ser
uma coisa muito mais deliberada e grave do que parecia ser na história
principal, na qual Barbárvore simplesmente mencionou que “a guerra
passara por ali� (As Duas Torres, livro III, cap. IV, p. 105). O trecho
a seguir foi escrito em 1972, o ano anterior à morte de Tolkien:

“Das Entesposas: Não sei. (…)Mas creio que em As Duas Torres,
106-107, fica claro que não haveria para os ents nenhuma reunião na
‘história’ — mas os ents e suas esposas, sendo criaturas racionais,
encontrariam alguma espécie de ‘paraíso terrestre’ até o fim deste
mundo: além do qual nem a sabedoria dos elfos nem dos ents poderiam
contemplar. Embora, talvez, eles tenham compartilhado da esperança de
Aragorn, de que eles não estavam para sempre presos aos círculos do
mundo, sendo que além daqueles haveria mais do que lembrança.�
(Letters, p. 419, n.º 338)

A referência a As Duas Torres, pp. 106-107, diz respeito à canção do
Ent e Entesposa, que foi recitada a Merry e Pippin por Barbárvore; a
fala de Aragorn que Tolkien comenta é a do Retorno do Rei, p. 518,
Apêndice A. Não obstante os comentários acima não soarem esperançosos,
ainda resta o mistério não solucionado do diálogo entre Sam Gamgi e Ted
Ruivão no Dragão Verde de Beirágua. Este diálogo se passa durante o
segundo capítulo de A Sociedade do Anel (p. 65) e foi apontado por
muitos como uma possível prova da sobrevivência das entesposas.

“— Tudo bem — disse Sam, rindo com os outros. — Mas e esses
homens-árvores, esses que podemos chamar de gigantes? Dizem que um
homem maior que uma árvore foi visto indo para os Pântanos do Norte há
pouco tempo.
— Quem disse isso?
— Meu primo Hal é um. Ele trabalha para o Sr. Boffin em Sobremonte e sobe até a Quarta Norte para caçar. Ele viu um.
— Disse que viu, talvez. Esse seu primo vive dizendo que viu coisas, e pode ser que ele veja coisas que não estão lá.
— Mas esse era grande como um olmo, e estava andando — avançava sete jardas a cada passo, como se fosse uma polegada.
— Então aposto que não era uma polegada. O que ele viu era um olmo, é bem possível.
— Mas esse estava andando, eu te digo; e não existe olmo nos Pântanos do Norte.
— Então Hal não pode ter visto um — disse Ted.� (A Sociedade do Anel, livro I, cap. II, p. 65

Esta conversa é situada cedo na história, quando seu aspecto ainda era
o ambiente de uma “história infantil� hobbit (teria o aspecto sido
mudado?). Quando é lido o excerto acima num primeiro momento, a reação
natural é aceitar que trata-se de um “mais do mesmo� (isto é, outra
miscelânea de “contos de fadas�). Todavia, uma vez que alguém tenha
aprendido mais a respeito dos ents, torna-se quase impossível uma
releitura do trecho sem pensar nas entesposas. A impressão torna-se
ainda mais acentuada pelas próprias palavras de Barbárvore a Merry e
Pippin:

“Fez com que eles descrevessem o Condado e sua região inúmeras
vezes. Disse uma coisa estranha nesse ponto. — Vocês nunca viram algum,
hm, algum ent por lá, viram? — perguntou ele. — Bem, não ents,
entesposas, eu deveria dizer na verdade.
— Entesposas? — disse Pippin. São parecidas com vocês?
— Sim, hm, bem, não: na verdade não sei agora — disse Barbárvore
pensativo. — Mas elas gostariam de sua terra, ou pelo menos achei que
sim.� (As Duas Torres, livro III, cap. IV, p. 98).

Juntas, essas duas conversações dão a noção bastante plausível de que,
o que Halfast teria na verdade visto, tratava-se de uma entesposa.
Contudo, tão logo é determinado que Tolkien nunca conectou a coisa toda
com as entesposas, explicitamente, é fato que ele jamais mencionou isso
de alguma forma. Então, nos é deixado o papel de especular. (O fato de
que uma criatura descrita como sendo “alta como um olmo� não ser um
ent, não prova nada de um modo ou de outro. Isso poderia indicar que a
história é tão somente uma invenção irreal de um hobbit, mas é
proporcionalmente possível de que um ent com mais de quatro metros de
altura poderia parecer gigantesco para um hobbit pego de surpresa, e
que a história poderia ter sido exagerada ao ser contada.) Tampouco a
análise textual ajuda em qualquer coisa. O próprio Tolkien, numa
discussão sobre seus métodos de invenção, mencionou que Barbárvore não
havia nem sequer sido imaginado até o momento em que entra na história:

“Já faz tempo que parei de inventar (…): Eu fico esperando até ter
a noção do que realmente aconteceu; ou até a coisa toda ‘escrever-se’.
Então, embora eu soubesse por anos que Frodo ingressaria em uma
‘aventura na floresta’ em algum lugar ao longo do Grande Rio, eu sequer
teria me lembrado de inventar ents. Enfim eu cheguei ao ponto em que
escrevi o capítulo ‘Barbárvore’ sem qualquer lembrança de ter tido
algum pensamento anterior sobre ents: exatamente como agora. Então eu
percebi, é claro, que a coisa não aconteceu a Frodo, desse modo.
(Letters, p. 231, n.º 180)

Os rascunhos em The History of Middle-earth confirmam que o diálogo
entre Sam e Ted fora composto muito antes da própria entrada dos ents
na história (Return of the Shadow, 253-254; Treason of Isengard,
411-414). Então, Tolkien não poderia tê-los em mente quando escreveu o
diálogo, além do que deve ter sido, originalmente, um elemento vago,
fantástico e aleatório. Por outro lado, quando ele diz algo a respeito
de Tom Bombadil, que também tomou parte na história bem cedo: “Eu não o
deixaria entrar se ele não tivesse alguma função, qualquer que fosse.�
(Letters, p. 178) A implicação é clara: tudo o que foi preservado nos
primeiros capítulos da história, foi preservado por alguma razão.
Quando ele fez isso com o diálogo entre Sam e Ted, ele deve ter-se dado
conta de quão sugestiva a coisa toda era. Mas como isso se encaixa com
as especulações obscuras expressadas em suas cartas, não é claro (a
menos que depois ele tenha mudado de idéia).

Esse pode ser um caso de que as emoções de Tolkien entraram em conflito
com seu raciocínio. T. A. Shippey percebeu que “ele [Tolkien] estava
‘misericordioso’ em relação a assuntos menores� (Road to Middle-earth,
p. 173). (Assim, Bill, o pônei, escapou, Scadufax recebeu a permissão
de ir pro Oeste com Gandalf, e nas narrativas escritas posteriormente,
nos Contos Inacabados, Isildur é mostrado usando o Anel com muito mais
relutância do que o Conselho de Elrond sugeria [Contos Inacabados, pp.
287-300] e um caminho é planejado de tal forma que Galadriel poderia
ser absolvida de toda culpa nos crimes de Fëanor [Contos Inacabados,
250-253]). Pode ser que, como um amante de árvores que era, Tolkien
desejou preservar pelo menos a esperança de que os ents e as entesposas
poderiam então encontrar-se e dar continuidade à raça. Mas as
conclusões indesejadas do que, em outro lugar, ele chamara “a lógica da
história� provou ser inescapável.

[tradução de Eduardo ‘Elros tar-Minyatur’ Chueiri]

Carta #183

Um comentário, aparentemente escrito para a própria satisfação de Tolkien e não enviado ou mostrado à qualquer outro, sobre “Ao término da Saga, Vitória”, uma crítica literária de O Retorno do Rei feita por W. H. Auden no Book Review do New York Times, em 22 de Janeiro de 1956. O texto dado aqui é uma reedição em alguma data mais tarde da versão anterior, agora perdida, que foi provavelmente escrito em 1956. Na resenha, Auden escreveu: “A vida, como eu a experimento em minha própria pessoa, é principalmente uma sucessão contínua de escolhas entre alternativas. Para objetivar esta experiência, a imagem natural é aquela de uma jornada com um propósito, atacada por riscos e obstáculos perigosos. Mas quando eu observo a humanidade, tal imagem parece falsa. Por exemplo, eu posso ver que só os ricos e aqueles de férias podem fazer jornadas; a maioria dos homens, a maior parte do tempo, tem que trabalhar em um lugar. Eu não posso observá-los fazendo escolhas, só as ações a que eles se submetem e, se eu conheço bem alguém, eu normalmente posso predizer como ele agirá em uma determinada situação. Se, então, eu tentar descrever o que vejo como se fosse uma câmera fotográfica impessoal, produziria, não uma Saga, mas um documento “naturalista”. Ambos extremos, é claro, falsificam a vida. Existem Sagas medievais que justificam a crítica feita por Erich Auerbach no seu livro Mimesis: “O mundo de experiências heróicas é um mundo de aventura. As façanhas [dos heróis] são feitos realizados ao acaso que não se ajustam politicamente em qualquer padrão proposital” … Sr.Tolkien foi mais bem sucedido que qualquer escritor anterior neste gênero usando as propriedades tradicionais da Saga.”

Caro Auden,

Estou muito grato por esta resenha. Muito encorajadora, tendo vindo de um homem que é ao mesmo tempo um poeta e um crítico de distinção. Não ainda (eu penso) alguém que tenha muita prática em narrar contos. Em todo caso estou um pouco surpreso por esta, pois apesar de seu elogio, me parece mais o modo de falar de um crítico em lugar de um autor. Não é, pelo que sinto, o jeito certo de considerar tanto Sagas em geral quanto a minha história em particular. Acredito que seja justamente porque não tentei, e nunca pensei em tentar “objetivar” minha experiência pessoal de vida, que o relato da Saga do Anel tivesse tido êxito em dar prazer a Auden (e a outros). Provavelmente também é a razão, em muitos casos, por não ter agradado alguns leitores e críticos. A história não é sobre JRRT absolutamente, e não é em nenhum ponto uma tentativa para alegorizar sua experiência de vida – por aquela é que o objetivo da sua experiência subjetiva em um conto deve significar, se qualquer coisa.

Eu sou historicamente preocupado. A Terra-média (Middle earth) não é um mundo imaginário. O nome é a forma moderna (surgida no século XIII e ainda em uso) de midden-erd > middel-erd, um nome antigo para oikoumene-, a residência dos Homens, objetivamente o mundo real, em uso especificamente oposto a mundos imaginários (como o Reino das Fadas) ou mundos não vistos (como Céu ou Inferno). O teatro de meu conto é esta terra, na qual nós vivemos agora, mas o período histórico é imaginário. Os elementos essenciais daquela residência estão todos lá (no caso para os habitantes do Noroeste da Europa), então naturalmente parece familiar, mesmo que um pouco glorificado pelo encanto da distância no tempo.

Homens realmente partem, e tem na história partido em jornadas e sagas, sem qualquer intenção de representar alegorias da vida. Não é verdade dizer que no passado ou no presente “só os ricos ou aqueles de férias podem fazer jornadas”. A maioria dos homens faz algumas jornadas. Quer sejam longas ou pequenas, com uma missão ou simplesmente para ir “lá e de volta outra vez”, não é a importância principal. Como tentei expressar na Canção de Caminhar de Bilbo, até mesmo um passeio ao entardecer pode ter efeitos importantes. Quando Sam não tinha ido mais além do que a Ponta do Bosque ele já tinha tido um “esclarecimento”.

Pois se há qualquer coisa em uma jornada de qualquer duração, para mim é isso: uma libertação do estado vegetativo de sofredor passivo e impotente, um exercício, ainda que pequeno de vontade, e mobilidade – e de curiosidade, sem a qual uma mente racional torna-se embrutecida. (Embora é claro que tudo isso seja uma reflexão tardia, e perca o ponto principal. Para um contador de histórias uma jornada é um artifício maravilhoso. Esta fornece uma linha forte na qual uma infinidade de coisas que ele tem em mente possa ser amarrada para fazer uma coisa nova, variada, imprevisível, e ainda coerente. Minha razão principal para usar esta forma foi simplesmente técnica).

Em todo caso não vejo os meus membros da raça humana que eu tenha observado do modo como foram descritos. Sou velho o bastante agora para ter observado alguns deles o suficiente para ter uma noção do que, eu suponho, Auden chamaria o seu caráter básico ou inato, enquanto notando mudanças (freqüentemente consideráveis) no seu modo de comportamento. Não sinto que uma jornada no espaço seja uma comparação útil para entender estes processos. Penso que a comparação com uma semente é mais esclarecedora: uma semente com sua vitalidade e hereditariedade inatas, sua capacidade para crescer e se desenvolver. Uma grande parte das “mudanças” em um homem é sem dúvida o desdobramento dos padrões escondidos na semente; embora estes naturalmente sejam modificados pela situação (geográfica ou climática) na qual esta é lançada, e que possam ser prejudicados por acidentes terrestres. Mas esta comparação omite inevitavelmente um ponto importante. Um homem não é apenas uma semente se desenvolvendo em um padrão definido, bem ou mal de acordo com sua situação ou seus defeitos como um exemplo de sua espécie; um homem é tanto uma semente como de certa forma também um jardineiro, para bem ou mal. Sou impressionado pelo grau no qual o desenvolvimento do “caráter” pode ser um produto de intenção consciente, a vontade para modificar tendências inatas em direções desejadas; em alguns casos a mudança pode ser grande e permanente. Conheci um ou dois homens e mulheres que poderiam ser descritos como “autoformados” neste respeito, com pelo menos tanta verdade parcial quanto “autoformados” possa ser aplicado àqueles cuja abundância ou posição possam ser ditas por terem sido alcançadas, em grande parte, pela sua própria vontade e esforços com pouca ou nenhuma ajuda de riqueza herdada ou posição social.

Em todo caso, descubro a maioria das pessoas imprevisíveis em qualquer situação específica ou emergência. Talvez porque eu não seja um bom juiz de caráter. Mas até mesmo Auden só diz que pode normalmente predizer como eles agirão; e pela inserção de “normalmente”, um elemento de incompatibilidade é admitido que, por menor que seja, está prejudicando seu ponto de vista.

Algumas pessoas são, ou parecem ser, mais previsíveis que outras. Mas isso é devido mais à sua sorte do que pela sua natureza (como indivíduos). As pessoas previsíveis residem em circunstâncias relativamente fixas, e é difícil pegá-las e observá-las em situações que são (para elas) estranhas. Essa é outra boa razão para enviar “hobbits” – uma visão de pessoas simples e previsíveis em circunstâncias simples e há muito estabelecidas – em uma jornada para longe do lar em terras estranhas e perigosas. Especialmente se eles são providos com algum motivo forte para resistência e adaptação. Embora sem qualquer motivo forte as pessoas realmente mudam (ou ainda, revelam o oculto) em jornadas: isso é um fato de observação usual sem qualquer necessidade de explicação simbólica. Em uma jornada de duração suficiente para fornecer o desfavorável em qualquer grau de desconforto para temer a mudança em companheiros bem conhecidos na “vida normal” (e em si mesmo) é freqüentemente notável.

Não gosto do uso da “política” em tal contexto; me parece falso. Parece-me claro que o dever de Frodo era “humano”, e não político. Ele naturalmente pensou primeiro no Condado, uma vez que suas raízes estavam lá, mas a saga teve como seu objeto não a preservação desta ou daquela política, como a meio república meio aristocracia do Condado, mas a liberação de uma tirania má de todos os “humanos”¹ – incluindo aqueles, como os “orientais” e os Haradrim, que ainda eram os servos da tirania.

Denethor estava corrompido pela mera política: conseqüentemente ocorreu seu fracasso e sua desconfiança de Faramir. Ela tinha se tornado para ele um motivo principal para preservar o governo de Gondor, como era, contra um outro potentado, que tinha se tornado mais forte e seria temido e oposto por essa razão mais propriamente do que pelo novo governo ser desumano e mau. Denethor menosprezava homens inferiores, pode-se estar seguro de que ele não distinguia entre orcs e aliados de Mordor. Se tivesse sobrevivido como vencedor, até mesmo sem uso do Anel, teria dado longos passos para se tornar um tirano, e as condições e tratos que outorgaria com os povos iludidos do leste e do sul teriam sido cruéis e vingativas. Ele tinha se tornado um líder “político”: sic. Gondor contra o resto.

Mas essa não era a política ou o dever estabelecido pelo Conselho de Elrond. Só depois de ouvir o debate e perceber a natureza da demanda é que Frodo realmente aceita o fardo da sua missão. De fato, os Elfos destruíram sua própria política em perseguição de um dever “humano”. Isto não aconteceu somente como um dano desastroso da Guerra; era sabido por eles ser um resultado inevitável da vitória, que poderia ser de nenhuma maneira vantajosa para os Elfos. Não pode ser dito que Elrond tem um dever ou um propósito político.

O uso da “política” por Auerbach pode à primeira vista parecer mais justificado; mas não é, eu penso, realmente inadmissível – nem mesmo se nós reconhecemos o enfado para qual a mera condição “errante” foi reduzida como a leitura de passatempo de uma classe principalmente interessada por feitos de armas e amor². A respeito do quão divertidas para nós (ou para mim) são histórias sobre cricket, ou contos sobre a viagem de um time, para aqueles que (como eu) acham cricket (como este agora é) um enfado ridículo. Mas os feitos de armas em um (diga-se) Romance Arturiano, ou romances presos àquele grande centro de imaginação, não precisam se “ajustar em um padrão politicamente deliberado”³. Assim era nas tradições Arturianas primitivas. Ou pelo menos esta linha de primitiva porém poderosa imaginação era um elemento importante nelas, como também em Beowulf. Auerbach deveria aprovar Beowulf, pois nele um autor tentou ajustar uma ação errante em um campo político complexo: as tradições inglesas das relações internacionais da Dinamarca, Gotland, e Suécia em dias antigos. Mas essa não é a força da história, antes a sua fraqueza. Os objetivos pessoais de Beowulf na sua jornada para a Dinamarca são precisamente aqueles de um herói posterior: o seu próprio renome, e acima disso a glória do seu senhor e rei; mas todo o tempo nós vislumbramos algo mais profundo. Grendel é um inimigo que atacou o centro do reino, e trouxe para dentro do corredor real a escuridão exterior, de forma que só na luz do dia o rei pode se sentar no trono. Isto é algo bastante diferente e mais horrível que uma invasão “política” de iguais – homens de um outro reino semelhante, tal como o posterior ataque de Ingeld à Heorot.

A subversão de Grendel faz um bom conto-maravilhoso, porque ele é muito forte e perigoso para qualquer homem comum derrotar, mas é uma vitória na qual todos os homens podem se regozijar porque ele era um monstro, hostil a todos os homens e para todo o companheirismo e alegria humana. Comparado a ele até mesmo os há muito politicamente hostis Dinamarqueses e Geatish eram Amigos, do mesmo lado. É a monstruosidade e a qualidade de conto de fadas de Grendel que realmente faz o conto importante, sobrevivendo ainda quando a política enfraquece e a cura das relações entre Dinamarqueses e Geatish em um “entendimento cordial” entre duas casas governantes um assunto secundário da história obscura. Naquele mundo político Grendel parece tolo, embora ele certamente não seja tolo, porém ingênua pode ser a imaginação do poeta e a descrição dele.

Claro que na “vida real” as causas não estão claras – se somente porque os humanos tiranos raramente são totalmente corrompidos em puras manifestações de intenção má. Até onde possa julgar, alguns parecem ter sido assim corrompidos, mas até mesmo eles devem reger assuntos apenas em parte regularmente corruptos, enquanto muitos ainda necessitam ter bons motivos, reais ou fingidos, apresentados a eles. Como nós vemos hoje. Ainda há casos claros: por exemplo, atos de agressão cruel transparente nos quais, portanto o certo está desde o princípio completamente em um lado, qualquer que seja o mal que o sofrimento ressentido do mal possa gerar eventualmente em membros do lado certo.

Também existem conflitos sobre idéias ou outras coisas importantes. Em tais casos sou mais impressionado pela extrema importância de estar do lado certo, do que estou transtornado pela revelação da selva de motivos confusos, propósitos particulares, e ações individuais (nobres ou vis) no qual o certo e o errado em conflitos humanos reais são normalmente envolvidos. Se o conflito realmente é sobre coisas propriamente chamadas de certa e errada, ou boa e má, então a retidão ou bondade de um lado não é demonstrada ou estabelecida pelas reivindicações de qualquer lado; deve depender de valores e convicções superiores e independentes do conflito particular. Um juiz deve apontar o certo e errado de acordo com princípios que ele considera válidos em todos os casos. Sendo assim, o direito permanecerá uma possessão inalienável do lado certo e justificará sua causa inteiramente. (Falo de causas, não de indivíduos. Claro que para um juiz cujas idéias morais têm uma base religiosa ou filosófica, ou realmente para qualquer um não obscurecido por fanatismo partidário, a retidão da causa não justificará as ações de seus defensores, como indivíduos que são moralmente maus. Mas embora a “propaganda” possa aproveitar casos como esses como provas de que sua causa não era de fato certa, isso não é válido. Os agressores são eles mesmos os primeiros a se culparem pelas más ações que procedem da sua violação original da justiça e das paixões que a sua própria maldade deve naturalmente (pelos seus padrões) ter sido esperada que despertasse. Eles não têm nenhum direito para exigir de qualquer modo que as suas vítimas quando atacadas não devam exigir olho por olho ou dente por dente).

Semelhantemente, ações boas por aqueles no lado errado não justificarão a sua causa. Pode haver ações no lado errado de coragem heróica, ou algumas de um nível moral mais alto: ações de clemência e paciência. Um juiz pode lhes outorgar honra e pode se alegrar por ver como alguns homens podem se elevar acima do ódio e da raiva de um conflito; até mesmo enquanto ele pode lamentar as ações más do lado certo e pode ficar preocupado por ver quanto o ódio uma vez provocado pode os arrastar para baixo. Mas isto não alterará o seu julgamento com relação a qual lado estava no direito, nem a sua designação da culpa primária para todo o mal que seguiu ao outro lado.

Em minha história não lido com Mal Absoluto. Não acho que exista tal coisa, uma vez que isso é insignificante. Não acho que de qualquer modo qualquer “ser racional” seja completamente mau. Satanás caiu. Em meu mito Morgoth caiu antes da Criação do mundo físico. Em minha história Sauron representa o mais próximo de uma vontade completamente má como é possível. Ele tinha percorrido o caminho de todos os tiranos: começando bem, pelo menos no nível que enquanto desejando ordenar todas as coisas de acordo com a sua própria sabedoria ele ainda no princípio considerou o bem-estar (econômico) de outros habitantes da Terra. Mas ele foi mais adiante que os tiranos humanos em orgulho e avidez pela dominação, sendo em origem um espírito imortal (angélico)4. Em O Senhor dos Anéis o conflito não é basicamente sobre “liberdade”, embora esta esteja naturalmente envolvida. É sobre Deus, e Seu exclusivo direito à honra divina. Os Eldar e os Númenorianos acreditaram no Único, o verdadeiro Deus, e consideravam a adoração de qualquer outra pessoa uma abominação. Sauron desejou ser um Deus-Rei, e foi considerado como tal por seus servos5; se ele tivesse sido vitorioso ele teria exigido honra divina de todas as criaturas racionais e poder temporal absoluto sobre o mundo inteiro. Então até mesmo se em desespero “O Oeste” tivesse criado ou contratado hordas de orcs e tivesse cruelmente saqueado as terras de outros Homens enquanto aliados de Sauron, ou somente para lhes impedir de ajudá-lo, a Causa deles teria permanecido irrevogavelmente certa. Como faz a Causa daqueles que se opõem agora ao Deus-Estado e Marechal Isto ou Aquilo como seu Alto Sacerdote, até mesmo se for verdade (como infelizmente é) que muitas das ações deles estejam erradas, até mesmo se fosse verdade (como não é) que os habitantes do “Oeste”, com exceção de uma minoria de chefes ricos, vivem em medo e esqualidez, enquanto os adoradores do Deus-Estado vivem em paz e abundância e em estima mútua e confiança.

Então sinto que a inquietação-esfraquecimento em resenhas e correspondência sobre elas, assim como se minhas “pessoas boas” eram amáveis e misericordiosas e davam abrigo (de fato elas assim o são), ou não, realmente não vem ao caso. Alguns críticos parecem determinados em me representar como um adolescente simplório, inspirado pelo, digamos, espírito de luta e justiça, e intencionalmente distorcem o que é dito em meu conto. Eu não tenho aquele espírito, e ele não aparece na história. Só a figura de Denethor é suficiente para prová-lo; mas eu não fiz nenhuma das pessoas do lado “certo”, Hobbits, Rohirrim, Homens de Valle ou de Gondor, nada melhor do que os homens tem sido ou são, ou possam ser. O meu não é um “mundo imaginário”, mas um momento histórico imaginário na “Terra-média” – que é nossa morada.

Notas do Autor

1. humanos: estes (estando em uma história de fadas) incluem-se é claro Elfos, e certamente todas as “criaturas falantes”.

2. Principalmente interessada: isto é como temas de “literatura” como uma diversão. Na verdade a maior parte deles era principalmente interessada na aquisição de terra e o uso de alianças por casamento em alcançar seus objetivos.

3. Nada a não ser “política” é estreitada (ou estendida) tanto que estamos considerando imaginativamente apenas um centro ou fortaleza de ordem e benevolência cercada por inimigos: florestas desabitadas e montanhas, homens bárbaros e hostis, feras selvagens e monstros, e o Desconhecido. A defesa do reino pode então na verdade se tornar simbólica da situação humana.

4. Da mesma espécie que Gandalf e Saruman, mas de uma ordem muito mais alta.

5. Por uma tripla traição: 1. Por causa de sua admiração pela Força ele se tornou um seguidor de Morgoth e caiu com ele dentro dos abismos do mal, se tornando seu principal agente na Terra-média 2. Quando Morgoth foi derrotado pelos Valar finalmente ele abandonou sua aliança; mas por causa de medo apenas, ele não apresentou-se aos Valar ou implorou por perdão, e permaneceu na Terra-média 3. Quando ele descobriu quão grandemente seu conhecimento era admirado por todas as outras criaturas racionais e quão fácil seria influenciá-las seu orgulho tornou-se ilimitado. No fim da Segunda Era ele assumiu a posição de representante de Morgoth. No fim da Terceira Era (embora na verdade muito mais fraco que antes) ele proclamou ser Morgoth retornado.