Figurinos

A difícil tarefa de desenhar o figurino do Senhor
dos Anéis ficou nas mãos de Ngila Dickson, que já havia trabalhado com
o diretor Peter Jackson e recentemente esteve envolvida na série de TV
neozelandesa Xena – A Princesa Guerreira.
 
 
 
Buscando transformar cada
ingresso de cinema em uma passagem de primeira classe rumo à Terra
Média, Dickson demonstrou atenção meticulosa à pequenos detalhes.
Abusando de cores e materiais inusitados, criou peças de uma riqueza
impressionante. A intenção de Dickson não era que suas criações se
destacassem, mas que fizessem parte da composição de cada personagem. "Quanto
menos pessoas notarem os detalhes do figurino melhor terá sido o nosso
trabalho, pois isso significa que os figurinos ajudaram na completa
imersão do público na história"
. Ela não estava sozinha nessa
tarefa, na verdade, trabalhou com mais de 40 alfaiates, desenhistas,
sapateiros, bordadores e ourives.


A equipe de Ngila enfrentou muitos desafios. Entre eles, o de criar a
mesma roupa em tamanhos diferentes, mas em mesma escala para serem
usadas pelos atores e seus dubles. Logo depois de serem feitas, muitas
das peças tinham que ser literalmente "destruídas", para parecerem
envelhecidas e desgastadas (alguns dos atores eram cobertos de lama
antes de gravarem suas cenas). Ao mesmo tempo, era preciso que fossem
duráveis para resistirem ao longo período de filmagens.

A
designer contou com a colaboração dos atores durante todo o processo,
mesmo quando era preciso abrir mão do conforto em troca do resultado
desejado pelo diretor (Peter Jackson e Alan Lee [ilustrador dos livros
de Tolkien] queriam que os figurinos fossem bastante reais) . Viggo
Mortensen (Aragorn) recebeu elogios. Ele teria levado as roupas para
casa, usado e se oferecido para lavar e efetuar pequenos reparos como o
próprio Aragorn teria feito. "Ele simplesmente deu vida ao seu figurino".

As roupas dos hobbits, que de acordo com Tolkien "vestiam-se com cores vivas, gostando notadamente de verde e amarelo"
foram as primeiras a serem confeccionadas, sendo inspiradas na Europa
do século XVIII. Ngila usou pequenos truques para que as roupas dos
hobbits ajudassem na miniaturização e tivessem um ar divertido. Ela
colocou os bolsos em uma posição mais alta do que o normal, usou botões
(feitos de latão) grandes e um pouco desalinhados. O comprimento das
calças, assim como o das mangas era curto. Os colarinhos eram
desproporcionalmente grandes. Foram empregados tecidos pesados com
cores naturais – amarelos, verdes e tons de marrom.

O chapéu de Gandalf representou um desafio à parte. Os primeiros modelos pareciam, de acordo com Dickson "grandes navios na cabeça de Ian MacKellen". Trabalhando em conjunto com Peter Jackson, ela conseguiu chegar a um chapéu que fosse ao mesmo tempo "impressionante, antigo e mágico".

Para Ngila, "Os elfos são altos, esbeltos e elegantes".
Para criar um figurino à altura destes personagens, foram utilizados
tecidos especiais como veludo de seda e brocado de seda indiana (que
foi lavado para realçar os fios metálicos). As peças de veludo
receberam tratamento especial. Foram gravadas com ácido formando
desenhos de folhas no estilo Art Nouveau. Em seguida, eram bordadas e
recebiam acabamento manual com fios de seda e fios metálicos. As mangas
eram enroladas nos braços dos atores e eram feitas em formato de folhas
(um dos mais belos detalhes da roupa de Legolas). Ourives
confeccionaram botões e fivelas de cinto em forma de flores e folhas.

As peças feitas para o anão Gimli (John Rhys-Davies) incluíam cotas de malha e elmo com incrível riqueza de detalhes.

Merecidamente Ngila Dickson recebeu uma indicação para o Oscar de
melhor figurino por seu trabalho em O Senhor dos Anéis. Agora é só
torcer para que sua dedicação e seu trabalho sejam reconhecidos quando
os prêmios da academia forem entregues no dia 24 de Março.

 

    

    

    
 

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