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A Incrível Conexão J.R.R. Tolkien – Peter Jackson

Se for perguntado a qualquer fã de J. R. R. Tolkien e de Peter Jackson, qual é  a conexão entre o autor inglês e o diretor neozelandês, a resposta será mais ou menos esta: Jackson é o cineasta responsável por adaptar para o cinema O Senhor dos Anéis e O Hobbit, ambas obras de Tolkien. Porém, existem outras conexões entre eles.

Tolkien e o “Tommy”

Com mais de um milhão de mortos, feridos e desaparecidos, a Batalha do Somme é considerada uma das maiores tragédias da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Uma experiência que o jovem oficial J. R. R. Tolkien nunca esqueceu, pois lá lutou contra o Exército Imperial Alemão e perdeu alguns de seus amigos mais íntimos. E é da Batalha do Somme que nos é revelada uma curiosidade, pois ainda outro jovem esteve naquele momento na França: o avô do diretor neozelandês Peter Jackson, o inglês William John Jackson.

W.J. Jackson-1915 e J.R.R. Tolkien-1916
W.J. Jackson-1915 e J.R.R. Tolkien-1916

A genealogista e historiadora Christine Clement (do site Ancestry.com.au) encontrou em sua pesquisa William John Jackson entre os combatentes do Exército Britânico na Batalha do Somme, no segundo Batalhão dos “South Wales Borderers”. Em 24 de Julho de 1916 chegou ao Somme um oficial de comunicações, o jovem segundo tenente John Ronald Reuel Tolkien. Sua unidade, o primeiro Batalhão dos “Lancashire Fusiliers” substituiu a unidade de William J. Jackson. “[William] fez um trabalho de reconhecimento por lá. O seu batalhão foi rendido pelos Lancashire Fusiliers de Tolkien”, disse Clement.  A probabilidade, portanto, de os dois terem se cruzado no acampamento britânico não é pequena, e é uma incrível coincidência que os dois estivessem na França naquele verão de 1916.

Em uma carta de 1941, endereçada a seu filho Michael, que servia no Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial, Tolkien revela sua simpatia pelos soldados comuns, os homens desconhecidos vindos do interior da Grã-Bretanha ou dos mais longínquos rincões do vasto Império de Sua Majestade. “[…] E somos parecidos apenas por compartilharmos uma profunda simpatia e compaixão pelo ‘tommy’ [nome dado ao soldado raso britânico], especialmente pelo soldado simples dos condados agrícolas”¹. As centenas de milhares de “tommys”, grupo do qual William Jackson era apenas mais um, foram a base para a criação do fiel hobbit Samwise Gamgi.

Os "tommys" britânicos durante a I GM - 1916
Os “tommys” britânicos durante a I GM – 1916

Dois destinos: o autor e o avô do diretor

O que talvez não seja apenas uma coincidência é o que reuniu essas duas linhas décadas mais tarde. A obra de Tolkien é fortemente influenciada por suas experiências horríveis nas trincheiras da chamada Grande Guerra. Em particular, as descrições das experiências de Frodo e Sam nos Pântanos Mortos ou em Mordor nos dão uma ideia do que o próprio Tolkien tenha experimentado no primeiro grande conflito mundial. “Os Pântanos Mortos e as proximidades do Morannon devem algo ao norte da França depois da Batalha do Somme”², revela Tolkien em uma carta.

Peter Jackson, no entanto, interessou-se pelas experiências de guerra de seu avô (que ele nunca chegou a conhecer) e pelos eventos da Primeira Guerra Mundial desde a infância. Esse interesse tornou-se uma paixão: Jackson começou com miniaturas³ (confira algumas aqui) a recriar famosas batalhas da Grande Guerra e a coletar e colecionar artefatos deste período, especialmente os relacionados à aviação de guerra. Quando o romance O Senhor dos Anéis caiu em suas mãos, ele ficou fascinado com as mesmas descrições de batalhas e imaginou que daria um bom filme se algum dia alguém decidisse filmar a história contada por Tolkien. Porém, o fato de que tanto as horríveis experiências de Tolkien na guerra, assim como as de seu avô, aconteceram no mesmo lugar, ao mesmo tempo, ele não tinha ideia. “Ele sabe sobre o seu avô ter sido condecorado, mas não que Tolkien também estivesse lá”, disse Christine Clement.

Peter Jackson num Spitfire da IIGM
Peter Jackson num Spitfire da IIGM

William John Jackson lutou nas principais batalhas da Primeira Guerra Mundial e, assim como Tolkien, sobreviveu a ela e foi condecorado com a Medalha de Distinção e Conduta por seus esforços na Frente Ocidental. Tolkien, por sua vez, contraiu febre de trincheira no mesmo ano de 1916 e foi afastado dos campos de batalha.  Hospitalizado, começa a escrever as primeiras linhas de A Queda de Gondolin, mais tarde texto importante de O Silmarillion, o pontapé inicial de sua mitologia, da qual O Senhor dos Anéis é apenas uma parte. Com a saúde debilitada em decorrência do desgaste físico durante a guerra, W. J. Jackson morreu na Inglaterra em 1940, aos 51 anos, no momento em que a Grã-Bretanha era bombardeada pela Alemanha de Hitler (outro combatente do Somme), em preparação para uma invasão que nunca chegou a acontecer. Pouco tempo depois, em 1942, o Professor Tolkien serviu seu país como Supervisor de Ataques Aéreos, e faz referência a essa função em algumas cartas.

William John Jackson deixou cinco filhos, incluindo William “Bill” Arthur Jackson, a quem o filho, Peter Jackson, dedicou seu filme A Sociedade do Anel (2001). Enquanto Tolkien escrevia O Senhor dos Anéis, o pai de Peter Jackson também lutava pelo Exército Britânico durante a Segunda Guerra Mundial, assim como também lutaram no segundo conflito mundial os filhos do autor J. R. R. Tolkien, Michael e Christopher Tolkien.

William “Bill” Arthur Jackson na Sicília, Itália, durante a Segunda Guerra
William “Bill” Arthur Jackson na Sicília, Itália, durante a Segunda Guerra

O bisneto de Tolkien e o neto de William J. Jackson

J. R. R. Tolkien morreu em 2 de Setembro 1973, com a idade de 81 anos, deixando ao mundo uma mitologia única e que serviram de base para os épicos filmes de Peter Jackson sobre a Terra-média. Durante as filmagens da última parte da trilogia, O Retorno do Rei, o bisneto de Tolkien e neto de Michael Tolkien, Royd Allan Reuel Tolkien, participou como um ranger gondoriano nas filmagens do cerco à Osgiliath. Fã de Peter Jackson desde quando o neozelandês ainda dirigia filmes de terror trash, Royd Tolkien é sempre recebido de braços abertos pelo diretor quando vai à Nova Zelândia. O bisneto de Tolkien esteve em novembro de 2012 na premiere mundial de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, em Wellington, e visitou os sets do filme.  E, ao ir à Nova Zelândia, reuniu mais uma vez sobre o mesmo chão um Tolkien e um Jackson.

Royd Tolkien na premiere de “O Hobbit” e nas filmagens de “OSdA”
Royd Tolkien na premiere de “O Hobbit” e nas filmagens de “OSdA”
Royd Tolkien com Graham McTavish (Dwalin) e Aidan Turner (Kili), 2012
Royd Tolkien com Graham McTavish (Dwalin) e Aidan Turner (Kili), 2012

Notas: 

1: Tolkien, John Ronald ReuelAs Cartas de J.R.R. Tolkien – organização de Humphrey Carpenter, com assistência de Christopher Tolkien; tradução de Gabriel Oliva Brum. – Curitiba: Arte e Letra Editora, 2006, p. 57

2: Idem, p.289

3: A paixão de Peter Jackson por miniaturas e recriar combates foi muito útil durante a produção da trilogia O Senhor dos Anéis, em que miniaturas foram usadas para criar os cenários da Terra-média e miniaturas de soldados de plástico ajudaram a reproduzir exércitos em pré-visualizações de cenas.

Referências: 

Tolkien, John Ronald ReuelAs Cartas de J.R.R. Tolkien – organização de Humphrey Carpenter, com assistência de Christopher Tolkien; tradução de Gabriel Oliva Brum. – Curitiba: Arte e Letra Editora, 2006

Notícias, entrevistas e artigos consultados:

*New Zealand Herald – Peter Jackson link to Tolkien revealed

*Stuff – Peter Jackson shares tribute to Anzac heroes

*Nota de Peter Jackson no Facebook: Anzac Day

*Herr Der Ringe-film – Die historische Jackson-Tolkien-Connection

*Digital Spy – ‘The Hobbit’: Q&A with Royd Tolkien

*Metro – Royd Tolkien: I was welcomed with open arms on Hobbit set

*Stuff – Sir Peter Jackson’s Anzac Day family ties

*The Telegraph – Battle of Somme: the ‘animal horror’ that inspired JRR Tolkien

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Senhor dos Anéis é o melhor da década!

Deixando para trás nomes de peso como Batman – O Cavaleiro das Trevas, O Segredo de Brokeback Mountain, Gladiador, Wall-E, Moulin Rouge e Quase Famosos, o Senhor dos Anéis amealha mais esse prêmio pra estante (que já deve estar lotada.

Aí vai o que o pessoal da EW disse sobre a trilogia:

"Trazer um livro adorado para a telona? Sem drama! A trilogia de Peter Jackson – ou, como gostamos de chamá-la, nossa preciossssssa – manifestou sua atração irresistível tanto em falantes de élfico avançado quanto em neófitos."

A lista completa você pode ver aqui  

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Os Sons da Terra-média – Parte II: As Duas Torres

Dando continuidade a primeira parte já publicada aqui na Valinor – OS SONS DA TERRA MÉDIA – PARTE I: A SOCIEDADE DO ANEL -, seguimos agora com a sonoplastia utilizada na segunda parte da trilogia “O Senhor dos Anéis – As Duas Torres”:

 

 

 
Segundo o próprio Peter Jackson, nenhum dos elementos utilizados nos efeitos sonoros poderiam ser produzidos em estúdio, mas sim, criados por alguém.

Era de grande importância gravar os sons em ambientes externos, possivelmente para uma maior realidade em sua finalização. Mas… Wellington é uma cidade barulhenta, então o pessoal da produção teve que encontrar lugares fora da cidade, para que não fossem constantemente interrompidos por barulhos de aviões, carros e helicópteros.

E mais ainda: para obterem sons claros, ou seja, sem realmente nenhum distúrbio sonoro, gravavam geralmente à noite. E encontraram um cemitério num distrito vizinho à Wellington, que parecia ser o local perfeito. Peter Mills, o assistente marcava os expedientes de gravação e avisava a polícia local com antecedência, para que assim comunica-se aos vizinhos do cemitério que os gritos e tiros que ouviriam deviam-se aos “malucos” de “O Senhor dos Anéis” fazendo seu trabalho.

No segundo filme é notável que as multidões são bem presentes. Portanto, como reproduzir o som de 10.000 uruk hais? Poderiam gravar as vozes de algumas pessoas e reproduzi-las inúmeras vezes até chegarem no que se poderia esperar de gritos de milhares de vozes em uníssono. Mas o dinamismo e a dimensão não seriam os mesmos de uma verdadeira multidão. Daí veio a idéia de gravarem num estádio onde acontecia uma partida de críquete. Peter Mills trabalhou em conjunto com a Liga de Críquete para preparar o evento. A multidão estava em alvoroço, porque a Nova Zelândia estava jogando e estava ganhando a partida. No intervalo, Peter intervêm e entra no meio de campo. Eles precisavam da linguagem gutural dos uruk hais. Peter explicou à multidão o que iam fazer e pediu a todos para recitarem o discurso, olham para o telão no estádio. Pediu também para baterem no peito e baterem os pés, mas como lidavam com fãs de esporte que já haviam bebido cerveja, podia-se ouvir no meio da multidão alguns palavrões ou então “Hey, Peter! Nós te amamos!”.

Por isso, só aproveitaram mesmo a cantoria (vista no filme no discurso de Saruman aos Uruk Hais antes de partirem ao ataque a Rohan).

Criar o mundo sonoro de Fangorn antes de lidarem com Barbárvore faz parte da história também. Quiseram torná-la um lugar úmido e ameaçador, sem revelar demais o que os esperava na floresta. Mas é notável o som de algumas árvores ao longe. E nada melhor que o som de vaca para isso. Uma vaca em tons graves. John Rhys Davies faria a voz de Barbárvore. E pensaram em várias hipóteses para dar-lhe um efeito arbóreo, por assim dizer: construíram uma caixa de madeira, de 1,80m de comprimento x 1m de diâmetro. Construíram refletores dentro para que o som pudesse viajar por vários lados da caixa. Inseriam a voz com os diálogos, gravavam, acrescentavam o som e gravavam novamente. Obtinham, assim, várias camadas do que nomearam “ressonâncias arbóreas”.

Todos os sons possíveis de árvores foram gravados, até mesmo do pai de um dos sonoplastas que estava cortando árvores em sua casa de campo. Foram até lá e cortaram 50 árvores, o que serviu para a concepção dos passos de Barbárvore e dos Ents. Vale lembrar, pessoal, que árvores de reflorestamento podem ser cortadas, pois outras serão plantadas no local. Ou mesmo se a propriedade for privada, corte de árvores devem ter a permissão do órgão responsável pelo meio ambiente, geralmente a Guarda Florestal. Não entrem em pânico, pois nada foi feito ilegalmente na obra cinematográfica de Peter Jackson.

Para a cena em que Gandalf reaparece, eles não queriam que o público, logo de cara, soubesse que ali o Mago havia retornado como O Branco. Peter queria duas vozes, as de Gandalf e de Saruman fundidas numa só. Pediram então a Christopher Lee e Ian McKellen que lessem o mesmo diálogo. Pediram também para que Ian tentasse ler como se fosse Christopher falando e Christopher imitando Ian, para ficar mais convincente. Sobrepuseram as duas vozes e fazendo uso do gráfico de volume do Pro Tools conseguiram aumentar umas das vozes e diminuir a outra, fazendo com que se fundissem. Bom… O resultado é realmente fantástico! Vale à pena rever!

O ataque dos wargs não foi tão complicado. Na verdade, Peter Jackson queria mais ouvir mais cães latirem e mais barulho ao fundo. Como precisavam terminar no dia marcado, Dave Farmer passou horas montando o som de cães enraivecidos. Ele mesmo latia e gravava os sons produzidos. Diz que se não podem conseguir os sons, eles mesmos têm que produzi-los.

O som da criatura alada usada pelos Nazgûl, desde o começo, foi decidido como o zurrar de um burro. Se deslocaram até uma fazenda com burrinhos e gravaram os “ió ió” dos mesmos. Como não poderiam utilizar este som, usaram alguns outros sons que os burros conseguem reproduzir. Ou seja: o que se escuta quando o Nazgûl alado sobrevoa os Pântanos, nada mais é que um burro reclamando e aperfeiçoado pela tecnologia.

O som que se ouve quando o mesmo sobrevoa Osgiliath nada mais é que um ralador de queijo atado á uma corda e rodado por uma pessoa, produzindo o som do rabo.

Em breve, a última parte de “Os Sons da Terra Média – Parte III – O Retorno do Rei”.

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Os Sons da Terra-média – Parte I: A Sociedade do Anel

Nas edições estendidas da trilogia “O Senhor dos Anéis” encontramos inúmeras informações à respeito de todo o processo de produção.

 

 

 

É um prato mais do que cheio para todo fã ardoroso de Tolkien (cheio até demais! É praticamente impossível “comer com os olhos” tanta informação em poucos dias! Eu demorei um mês pra finalizar, enfim… são quase seis horas de centenas e centenas de informações sobre a produção dos filmes. E um dos pontos que mais me chamou a atenção foi a produção da sonoplastia. É inacreditável como os caras tiveram que se desdobrar para conseguir os sons perfeitos, que Peter Jackson tanto exigia, pois o mesmo queria que o público fosse transportado para a Terra Média. Neste primeiro artigo, abordaremos como foram concebidos os sons para o filme “A Sociedade do Anel”.

 • O Vigia do Lago: Peter Jackson não queria o monstro com muitos efeitos vocais, mas sim que os sons deveriam vir de seus movimentos. David Farmer, um dos produtores sonoros, disse que teve a brilhante idéia de ir até um riacho perto de sua casa e colocou-se a brincar com um desentupidor de pia. Ele o mergulhou na água e alí saiu um som estranho de sucção. Num segundo momento, os caras foram até um estacionamento e puseram-se a balançar tapetes de automóveis molhados e batê-los em coisas. Depois juntaram ambos os sons (o da sucção e dos tapetes molhados sendo batidos) e o resultado foi surpreendente. O som vocal de dor que ele produz (quando Boromir corta um de seus tentáculos ou quando Legolas lhe atira uma flecha) foi conseguido com o som de uma morsa.

Os Orcs de Moria: Diferentemente das outras criaturas monstruosas da Terra Média, a dificuldade em produzir o som dos orcs, é o fato de que eles são muito humanóides. Optaram por captar sons de pequenos animais ferozes, além de imitá-los com suas próprias vozes, ou seja: além de captar o som destes animais, os próprios produtores os imitaram, para mesclarem lá na frente e dar o som que conhecemos dos orcs. Um dos animais usados foi um porco guinchando. Para produzirem o som apavorante de vários orcs juntos se movimentando, Peter Jackson queria que eles se inspirassem no aspecto “barata” dos orcs, e tudo o que eles tentavam não ficava legal. Até que um dia, quando sentaram para tomar uma cerveja, e viram nada mais, nada menos que uma barata em cima do balcão. Acreditem se quiser, mas a equipe teve a brilhante (e nojenta) idéia de pregar baratas em uma tábua, amarrar nos sapatos e sair caminhando e esmagando-as, fazendo aqueles barulhos craquelentos.

O Troll das Cavernas: É uma mistura de morsa, tigre e lince. Eles tiveram que imitar a inspiração e a expiração destes animais também (para aquela farejada do troll na cena em que o mesmo procura por Frodo). Para o som emitido pelo troll quando o mesmo é mortalmente atingido pela flecha de Legolas, os sons foram totalmente modificados, passando do agressivo ao cansado, para um som triste de uma morsa mortalmente ferida.

• Balrog: Peter Jackson deu a seguinte descrição do Balrog para a equipe: “Não é uma criatura física, mas basicamente chama e sombra, feito de rocha e lava, e por isso precisa ser muito natural, rochoso e orgânico ao toque.” Então o pessoal pensou em uma rocha grande caindo de uma altura generosa, para gerar um som opressivo e perverso. E gravaram também sons de blocos de cimento sendo arrastados num chão de madeira. Mesclando os dois sons, deu-se o som terrível do Balrog. Mas não para por aí! Para dar a impressão que o som saía realmente de uma mina, eles foram até uns túneis antigos, construídos numa colina em Wellington. Nestes túneis os ecos não acabavam jamais. Levaram para lá o som do Troll das Cavernas, passando do computador para os auto-falantes, obtendo-se, desta forma, o som desejado. E assim prosseguiram com o som do Balrog e dos orcs.

• Os Espectros do Anel: Um grito da Fran Walsh gerou tudo aquilo! Levaram a mesma até um palco, que inspirou profundamente e gritou o mais que pôde. E dizem que foram os gritos mais arrepiantes que já escutaram na vida. Acabou por tornar-se um dos elementos vitais dos espectros.

• O Um Anel:
No script, o Anel era tido como um personagem, com força, poder e energia. Tinha várias tonalidades: para uma pessoa poderia ser sedutor, para outra, apaixonado, etc. E acabou por tornar-se um ator que manteve a coerência da voz ao longo do filme. Alan Howard gravou narrações do que Phillipa e Fran escreviam. Decorou uma série de frases da Língua Negra e ele mesmo acabou por gravá-las.

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A Grande Famí­lia

Todos os fãs que acompanharam a produção da trilogia O Senhor dos Anéis já ouviram dezenas de histórias sobre a amizade que surgiu nos sets de filmagem, sendo a mais conhecida aquela da tatuagem do "9" simbolizando a união dos membros do elenco principal (se você AINDA não conhece a história, pode conferir neste artigo aqui).

 

 

Mas o que poucos sabem é que a idéia de união foi muito mais além na produção: em certo momento foram tantos parentes envolvidos que não seria incorreto chamar o elenco de "uma grande família". Todos tiveram uma brechinha para participar não só atrás, mas também na frente das câmeras. Duvida? Pois confira só esta lista de parentes e outros envolvidos na produção que acabaram fazendo uma "ponta" na trilogia.

(clique nas imagens para vê-las em tamanho maior) 

Alan Lee e John Howe

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Conhecidos ilustradores das obras de Tolkien, foram convidados para serem os "artistas conceituais" no filme, responsáveis pela criação de cenários e afins. Aparecem já no prólogo de A Sociedade do Anel como os reis que receberam os anéis de Sauron (Howe é o segundo à esquerda, Lee o segundo à direita).

 

Billie e Katty Jackson 

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Os filhos de Peter Jackson e Fran Walsh, aparecem mais de uma vez no filme. Primeiro, na festa de Bilbo (creditados como "Cute Hobbit Child" no IMDb, que em português ficaria "Criança hobbit fofinha"), depois em As Duas Torres (como "Cute Rohan Refugee Child", algo como "Crianças rohirrim fofinhas refugiadas").

 

Hanna Wood 

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Irmã da Elijah Wood, também fazendo uma pontinha em As Duas Torres

 

Royd Tolkien 

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Bisneto de J.R.R. Tolkien, dá as caras no filme e mostra que nem todo mundo do clã é contra a produção. 

 

Callum Gittins 

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Filho da roteirista Phillipa Boynes, aparece em As Duas Torres como Haleth, filho de Háma. 

 

Henry Mortensen

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Filho do ator Viggo Mortensen (Aragorn), é creditado no IMDb como "Reluctant Rohan Child Warrior", ou "Relutante criança guerreira rohirrim".

 

Dan Hennah

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Responsável pela supervisão da direção de arte, aparece junto com Alan Lee (primeiro à esquerda) em As Duas Torres

 

Sadwyn Brophy 

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Eldarion, o filho de Aragorn e Arwen que vemos em O Retorno do Rei, é na vida real filho de Jed Brophy, o ator que interpretou o orc Snaga. 

 

Christian Rivers

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Um dos responsáveis pelos efeitos visuais, faz uma ponta em O Retorno do Rei

 

Rick Porras 

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O co-produtor da trilogia aparece como um dos guardas de Minas Tirith, no filme O Retorno do Rei.

 

Jane Abbott 

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Dublê de Liv Tyler, aqui aparece como uma das "damas de companhia" da elfa já no final de O Retorno do Rei.

 

Alexandra Astin

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Filha de Sean Astin, aparece em O Retorno do Rei como Elanor Gamgi, filha de Sam e Rosinha.

 

Maisie McLeod

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Filha da atriz Sarah McLeod, aparece no final de O Retorno do Rei como… "Bebê Gamgi"? 

 

Peter Jackson 

peter1

peter2

peter3

O diretor também aparece, e nos três filmes. Na ordem, as "participações especiais" de PJ em A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei:  

 
 

Fonte: sagralisse.mediawood.net 

  

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Mudanças no SdA:RdR – Refutadas

Rumores desmentidos:

 

 
Arwen Luta em Minas Tirith

FILMES: Arwen participa de uma batalha em Minas Tirith.

LIVROS: Ela não chega à Gondor até o seu casamento com Aragorn, depois que Sauron foi derrotado.

FONTES:

· TORN Spy Report 6/26/00 (primeira divulgação)

NEGADO POR:

· Ian McKellen nega a participação de Arwen nas batalhas de Minas Tirith

· Bill Weldon Interview 7/27/01 (confirmação)

CREDIBILIDADE: -3/5

Queda de Sauron

FILMES: Quando o Anel é destruído, Barad-dûr explode e Sauron é impelido para morte, sendo empalado em uma estaca.

LIVROS: Varias estruturas de Mordor são destruídas, mas Sauron vira vapor.

FONTES:

· Dark Horizons Spy Report 7/9/01 (primeira divulgação)

NEGADO POR:

· TORN Spy Report 7/18/01 (primeira divulgação)

CREDIBILIDADE: -1/5

[Tradução de Nénar]

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Construindo o Palácio Dourado

"Vejo
um rio branco que desce da neve. No ponto onde ele sai da sombra do
vale, uma colina verde se ergue sobre o leste. Um fosso, uma poderosa
muralha e uma cerca-viva de espinhos a contornam.
Lá dentro se erguem
os telhados de casas, e no meio, sobre uma plataforma verde, ergue-se
imponente uma grande casa de homens. E parece aos meus olhos que o teto
é de ouro. A luz dele brilha por toda a região. Dourados também são os
batentes das portas. Ali diviso homens vestidos em malhas metálicas
brilhantes;" (Legolas – O Rei do Palácio Dourado)
 
 
 
O cenário de Edoras foi um dos maiores desafios da produção de O Senhor dos Anéis.
Foram sete meses de trabalho para que tanto a cidade quanto Meduseld
fossem realmente construídos no alto do monte Sunday, no Vale Rangatata
(Ilha Sul da Nova Zelândia).

A
produção trabalhou em conjunto com o Departamento de Conservação da
Nova Zelândia, já que foi necessário remover parte da vegetação e
construir uma estrada para ter acesso ao local. As árvores retiradas
eram levadas para uma espécie de “enfermaria�? onde foram mantidas vivas
até o final das filmagens, quando foram replantadas. A cada duas
semanas, pessoas do Departamento de Conservação visitavam o local para
se assegurarem de que as regras do acordo feito com a produção estavam
sendo cumpridas.

Mike Heffernan, encarregado da construção recorda: “As
principais construções de Edoras foram feitas em uma rocha que se ergue
de um vale esculpido por geleiras há milhares de anos. Em algumas
manhãs havia gelo no chão e o frio era congelante, mas era
absolutamente formidável. O cenário era de tirar o fôlego."

Esta locação, assim como outras da trilogia, foram concebidas pelos
artistas Alan Lee e John Howe, famosos ilustradores da obra de Tolkien
convidados por Peter Jackson para a criação dos cenários. O diretor
visitava o local para acompanhar os trabalhos e quando encontrava algum
problema, os disigners redesenhavam o que fosse preciso.

Edoras
foi erguida em uma rocha tão sólida e em um lugar com ventos tão fortes
(podiam chegar a 120 nós) que foi preciso contratar uma equipe de
perfuradores para ancorar o cenário ao chão. No topo das âncoras foi
erguida uma armação de aço, parafusada e coberta com lâminas de madeira.

O telhado principal do Palácio Dourado demorou 3 semanas para ser
construído e 25 acres de trigo foram comprados e cortados para que ele
fosse coberto. A decoração de Meduseld (os entalhes dos cavalos, por
exemplo) foi esculpida em placas de madeira compensada e poliestireno.

Cerca de 50 pessoas trabalharam na construção de Edoras. Foram 2
mestres de obra, 20 carpinteiros, 10 a 15 marreteiros e 10 a 15 peões.
Havia também um engenheiro e cerca de 10 pessoas cuidando do
paisagismo. A equipe responsável acordava às cinco da manhã e seguia de
ônibus até o local. Chegavam por volta das sete horas e trabalhavam até
as seis, fazendo duas pausas, para o café e o almoço.

Como
estavam o tempo todo à beira de um penhasco, eles mantiveram equipes de
segurança distribuídas em vários pontos da locação para que, em caso de
acidente, houvesse alguém pronto para agir.

Os atores que tiveram o privilégio de conhecer Edoras contam como foi
gravar em um dos cenários mais remotos e memoráveis da Terra Média.

Karl Urban (Éomer):

“Edoras
era de tirar o fôlego. Não apenas por ser esta cidade da Terra Média,
extraordinariamente detalhada, construída no topo destas montanhas, mas
também por estar situada neste vale glacial com montanhas de ambos os
lados e lindas planícies entre elas. Foi um privilégio estar lá,
realmente estar em Edoras. Ela existiu de verdade. Levou meses para ser
construída , nós trabalhamos lá por duas semanas e então eles
desmancharam tudo.�?

Miranda Otto (Éowyn):

"O
primeiro dia em que chegamos a Edoras foi memorável. Ser levada às 3 da
manhã para uma viagem de uma hora e meia de carro até um set que eu
nunca tinha visto e então chegar à montanha e ver o Palácio Dourado
realmente construído, no meio do nada, cercado por essas montanhas
cobertas de branco – exatamente como descrito no livro – foi
fantástico. É como quando você era criança e pensava em ser uma
princesa e ter um palácio e então você acorda uma manhã, e lá está . E
eles ainda vestem você com esse figurino fabuloso!�?

Viggo Mortensen(Aragorn):

"A
locação de Edoras foi, para mim, uma das mais bonitas e
impressionantes. Tudo foi construído nesta colina e, lendo o livro, é
exatamente como você sonharia ou esperaria que Edoras fosse.�?

Ian McKellen(Gandalf):

“Todos
os dias em que íamos lá, os espíritos se elevavam, não importava se
tivesse nevado a noite toda, se o sol estava brilhando, ou se a chuva
estava tamborilando. Havia majestade naquela locação. Parecia um vale
secreto. Um lugar que, se não fosse pelo filme, nós nunca teríamos
visitado. Foi um período mágico.�?

“Finalmente atingiram o topo da montanha. Ali ficava uma alta
plataforma, sobre um planalto verde, ao pé do qual um riacho cristalino
jorrava de uma pedra esculpida na forma de uma cabeça de cavalo;
embaixo via-se uma grande bacia, da qual a água extravasava,
alimentando a correnteza que descia. Subindo o planalto verde havia uma
escada de pedra, alta e larga, e em cada um dos lados do degrau mais
alto estavam cadeiras esculpidas na pedra. Ali estavam sentados outros
guardas, com espadas depositadas sobre os joelhos. Os cabelos dourados
caíam-lhes em tranças sobre os ombros; seus escudos verdes ostentavam o
sol, os longos corseletes reluziam, e quando se levantavam pareciam
mais altos que os homens mortais.�? (O Senhor dos Anéis – O Rei do
Palácio Dourado)