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Fake News e O Senhor dos Anéis: Grima Língua de Cobra

O seguinte artigo é uma colaboração de Rodrigo Alves Correia, cientista político e leitor da Valinor. Deixamos aqui registrado nossos agradecimentos ao Rodrigo.

Filho de Gálmód, Grima esteve a serviço do rei Théoden de Rohan, como conselheiro. Ele era conhecido como “Grima Língua-de-Cobra” (ou língua de verme), em referência ao fato de que ele sistematicamente mentiu e enganou, mesmo antes de sua descoberta como agente de Saruman.

Sua descrição física nos livros foi sempre pouco elogiosa: Tinha um rosto pálido e escuro, olhos pesados e caídos, mesmo Saruman não escondia seu desprezo e chamava Grima apenas de Verme. Continue lendo

Andy Serkis lendo ao vivo o Hobbit Completo

Andy Serkis, o ator que interpretou Góllum, estará lendo O Hobbit inteiro, ao vivo, numa maratona que irá começar 7:00 de amanhã, 8 de maio de 2020 e que deve durar 12 horas. O objetivo é angariar fundos para o combate ao COVID.

A página oficial da empreitada é https://www.gofundme.com/f/thehobbitathoncovid19appeal

É Chegada a Hora

A Valinor está ativa há quase 19 anos (completará em julho/2020 – o ano da quarentena). Se fomos contar as antecessoras que se uniram para criar a Valinor, completamos 20 anos agora em fevereiro. É muito tempo! Pessoas nem nascidas estão dirigindo carros, e pessoas que estavam conosco estão com famílias formadas. Então é chegada a hora.

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TATIANA FELTRIN CONTINUA ERRADA SOBRE O SILMARILLION

E lá vamos nós de novo. Saiu o vídeo da booktuber Tatiana Feltrin sobre “O Silmarillion” e, conforme o esperado, as críticas dela à tradução feita pelo Reinaldo José Lopes, membro da Equipe Valinor, são o puro suco da desinformação. Aqui está o vídeo do Reinaldo rebatendo as críticas dela. Na descrição do vídeo dele vocês podem encontrar as fontes e o link para o vídeo da Tatiana. É lamentável que uma booktuber como ela seja tão limitada do ponto de vista teórico e literário.

caca no silmarillion? resposta a tatiana feltrin

A booktuber Tatiana Feltrin criticou a nova tradução de “O Silmarillion” em comentários de um de seus vídeos recentes, dizendo que não há arcaísmo no texto e que parágrafos inteiros foram traduzidos ao pé da letra e não fazem sentido em português. O Reinaldo José Lopes, da Equipe Valinor e tradutor do livro, explica neste vídeo por que ela não disse coisa com coisa em suas críticas.

UM TRIBUTO A CHRISTOPHER TOLKIEN

A pedido dos amigos do Clube Literário Tolkieniano de Brasília, faço aqui meu devido tributo ao trabalho hercúleo de Christopher Tolkien, o filho caçula de J.R.R. Tolkien que foi o grande arqueólogo literário da Terra-média. Para mais detalhes sobre as origens da lenda de Númenor, confira os volumes V e IX da série The History of Middle-earth, chamados “The Lost Road” e “Sauron Defeated”, respectivamente. Confira o vídeo.

Diversidade no elenco de “o senhor dos anéis”? Sim, é possível — e desejável

A presença de pessoas com origem asiática, latino-americana e africana no elenco da nova série “O Senhor dos Anéis”, que está sendo produzida pela Amazon, gerou acusações de “lacração” por parte de alguns fãs. O vídeo abaixo tem o objetivo de mostrar que, pelo contrário, a presença desses atores ressalta alguns aspectos importantes e menos maniqueístas da obra, em especial nos textos mais maduros de Tolkien. Discuto isso com base em trechos dos livros “O Silmarillion”, “Contos Inacabados” e “O Senhor dos Anéis”. Discuto também aspectos do pensamento ambiental e antropológico da obra de J.R.R. Tolkien. Confira.

A INVENÇÃO DA TRADIÇÃO NA TERRA-MÉDIA

Por que a obra de Tolkien tem uma complexidade literária tão superior à de praticamente todas as outras obras de fantasia? Do meu ponto de vista, a resposta passa pela maneira como ele inventou a tradição cultural de seu próprio mundo, em especial fingindo ser o tradutor de manuscritos antigos que chegaram até ele em diferentes versões.

É o que explico no vídeo acima, que é uma gravação da palestra que dei a convite do pessoal da Toca-RJ e da Unirio. Pra quem quiser ver muitos mais detalhes do mesmo raciocínio, é possível baixar gratuitamente minha tese de doutorado clicando aqui.

Mais uma espécie de “hobbit” é descoberta no sudeste asiático

Agora virou festa: apareceu mais uma espécie extinta de hominídeo nanico, desta vez nas Filipinas. Conto a história na minha reportagem de hoje na Folha de S.Paulo. Confiram abaixo.

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Há 67 mil anos, a ilha de Luzon, onde hoje fica a capital das Filipinas, era habitada por um misterioso parente dos seres humanos que parece ter combinado traços similares aos do Homo sapiens com outros bem mais primitivos.

A criatura, batizada de Homo luzonensis, acaba de ser apresentada à comunidade científica internacional em artigo na revista especializada Nature. O trabalho é assinado por Florent Détroit, do Museu do Homem de Paris, e Armand Salvador Mijares, da Universidade das Filipinas.

Se a análise dos parcos restos mortais do H. luzonensis descobertos até agora estiver correta, a descoberta indica que as ilhas do Sudeste Asiático funcionaram como um grande laboratório da evolução dos hominídeos (ancestrais e parentes próximos do homem) até épocas muito recentes do ponto de vista geológico.

Com efeito, a espécie filipina não é o primeiro caso de hominídeo peculiar a dar as caras nessa região do planeta. Na década passada, os estudiosos da evolução humana foram pegos de surpresa com a descoberta do chamado “hobbit” da ilha de Flores, na Indonésia.

Tal como a raça de seres diminutos de O Senhor dos Anéis, o “hobbit” indonésio media apenas 1,10 m, segundo seus descobridores. Batizado de Homo floresiensis, ele teria vivido entre 200 mil e 50 mil anos atrás, fabricando instrumentos de pedra e caçando parentes anões dos elefantes.

Os achados em Flores não foram aceitos de modo unânime – alguns pesquisadores passaram a defender a ideia de que os indivíduos da ilha não passavam de seres humanos modernos com alguma deficiência grave, como microcefalia. Mas os novos fósseis filipinos parecem indicar que a situação na Indonésia se repetiu em outras ilhas do Pacífico tropical.   

Isso porque, tal como os “hobbits”, os sujeitos achados na caverna de Callao parecem ter sido pequeninos. Até agora, foram desenterrados apenas 13 pedaços da anatomia da espécie – principalmente dentes, além de ossos das mãos e dos pés e um pedaço do osso da coxa. Já é o suficiente, no entanto, para estimar que os restos correspondem a pelo menos três indivíduos.

Comparados com os nossos, os dentes supracitados são minúsculos, apesar de compartilharem algumas características com os do Homo sapiens e de uma espécie ancestral, o H. erectus, que viveu a partir de 1,8 milhão de anos atrás. O detalhe anatômico que mais chama a atenção, no entanto, é o formato de um osso dos dedos dos pés (veja infográfico).

Ocorre que esse osso é curvado, e não relativamente reto, como acontece com os seres humanos modernos. Na verdade, a estrutura é semelhante ao que se vê em esqueletos de australopitecos, os “homens-macacos” africanos mais primitivos que, pelo que sabemos, acabaram dando origem ao nosso gênero, o Homo.

Acredita-se que tais ossos fossem curvados porque os australopitecos ainda eram capazes de passar certo tempo nas árvores, tal como os grandes símios dos quais descendiam, ou então simplesmente porque tinham retido parte das características anatômicas ancestrais.

É bem mais estranho, no entanto, encontrar esse mesmo traço, bem como o peculiar mosaico de anatomia moderna e primitiva, nos ossos do H. luzonensis – e coisas parecidas também são vistas no esqueleto do “hobbit” da ilha de Flores, embora os detalhes de cada espécie sejam bem diferentes entre si.  

Como explicar, então, a convergência entre as duas versões “de bolso” dos hominídeos? Em tese, o tamanho diminuto é o mais fácil de entender. Animais de grande porte costumam ser “miniaturizados” em ilhas após milhares de anos, já que os recursos mais limitados desse tipo de ambiente levam a seleção natural a favorecer corpos menores e que exigem menos alimento. Existiram diversas espécies de elefantes pequeninos nas ilhas do Mediterrâneo, por exemplo. Assim, isolados, ambos os hominídeos teriam se tornado nanicos.

O mais difícil é saber qual forma ancestral deu origem aos dois. O candidato mais óbvio é o H. erectus, que já foi encontrado em boa parte da Ásia e, inclusive, na própria Indonésia. Pelo que se sabe, ele foi o primeiro hominídeo a deixar o berço africano do grupo. Mas os traços primitivos das formas anãs, que lembram australopitecos, poderiam sugerir que alguma espécie menor e mais antiga poderia ter feito a jornada rumo à Ásia de forma independente. Só mais estudos – e, de preferência, mais fósseis – permitirão desfazer o mistério.

Valinor no Nerdcast, vídeo sobre tradução de versos e Tolkien Reading Day!

Tivemos alguns dias bastante movimentados por aqui. Na sexta, por exemplo, foi ao ar o Nerdcast sobre Tolkien com participação deste membro da Equipe Valinor que vos fala e do amigo Cesar Machado, do canal Tolkien Talk. Você pode conferir o Nerdcast 665, com o título “As letras e lendas de Tolkien”, clicando aqui. 

No mesmo dia, aproveitando a contenda em torno da nova tradução do Verso do Anel, publiquei um vídeo explicando como é o método de tradução poética adotado de modo quase universal e aplicado à obra de Tolkien. Confira abaixo.

E, pra não deixar em branco o Tolkien Reading Day ou Dia de Ler Tolkien, li um trechinho da minha tradução de O Silmarillion, mais especificamente do Akallabêth, a Queda de Númenor. De novo, o vídeo segue abaixo.