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Diário de í‰omer

Dia Um:
Orcs orcs orcs! Tipo, não tenho uma folga com meu cavalo e ainda estou treinando-o a usar um remo.
 

Dia Dois
Théodred quase morto. Otário. Tipo, isto vai pegar MUITO mal no meu currículo.

Dia Três:
Cavalgando para Edoras com o filho quase morto do Rei Théoden. Estou ficando assado, mas tipo, estou gostando disso.

Dia Quatro:
Uau. Tipo, é um camarada realmente pálido e feio esse novo assistente pessoal do Rei Tio, e cara… Tio Rei parece um maracujá de gaveta. Não vou com os cornos do A.P. Grimy.
Íngua de Cobra está totalmente caidinho por Éowyn, mas você conhece minha irmãzinha. Olhe, mas não toque.
MAIS TARDE:
Fui exilado. Então, cavalgando para o Norte para um rodeio. Eu sou o locutor convidado. Viva eu!

Dia Cinco:
Matamos um grupo de orcs. Queimamos eles. Assamos marshmallows na fogueira no desjejum, mas eles ficaram com um sabor rançoso de orc. Tivemos que apelar para pastilhas de hortelã.

Dia Seis:
Conheci um sujeito – Arrogante filho de Aerosmith, ou algo assim, e o elfo mais abicharado que você possa imaginar. As raízes dele REALMENTE estavam aparecendo. Tentei não dizer nada.
Notei o anão Gimli "ajeitando o machado" e só então percebi que ele parece/age como o meu primeiro pônei! Pequeno. Cabeludo. Vestido de couro. Coçando-se muito. Um Rohirrim nunca esquece sua primeira montaria. Estou totalmente a fim dele. Tipo, será que Anões podem manejar machado como remo?
Tentei dar em cima do anão. Quase levei com as flechas do Elfo no meio dos olhos.

Dia Dez:
Não consigo tirar o anãozinho da cabeça. Melhor que ser um pervertido tarado por hobbit, certo? Mas que diabo é um hobbit afinal de contas? Mandarei um recado para mana Éowyn em Edoras. Peça ao Anão o endereço dele. Tipo, depois do rodeio, posso marcar uma fim de semana com ele em Osgiliath ou algo assim.

Dia Treze:
Gandalf apareceu naquele fofoqueiro do Scadufax, tagarelando sobre Elfos e clareador e algo sobre 10.000 orcs e uma carnificina.
MAIS TARDE:
Gimli precisa de mim!! Só quero subir na sela e ir, tipo AGORA, mas Mithrandy precisa passar no mercado para comprar uma dúzia de meias arrastão brancas e condicionador anti-frizz para o cabelo dele.
Pedi ao Mago para apanhar 34 galões de pomada para assaduras para 2000 Rohirrim doloridos.
Me deu um olhar tão frio que meus mamilos ainda doem.
Remos totalmente fora de cogitação até que a estúpida assadura se vá.

Dia Quinze:
Tipo, salvamos totalmente o dia. Orcs perseguidos até a floresta. Orcs abatidos por Árvores de Fangorn. Não saiba que as árvores eram chegadas naquele tipo de coisa. Transaria com um Balrog para ter dois minutos a sós com Gimli mas tivemos que cavalgar até um monte e encarar a Montanha da Perdição ao longe enquanto o Mago fazia um discurso chato sobre Hobbits, esperança, mal, algo assim. Então ele deu o clareador para aquele Elfo afeminado e exigiu que o Elfo fizesse algo inominável primeiro. Elfo ficou p. da vida.
Recado enviado para Gimli. Espero que anão saiba ler.

Dia Dezessete:
Uau! Tipo, anão não só tem gosto de galinha, como sabe todos os tipos de truques exóticos com cordas.

Dia Dezenove:
Segui Gimli até Isengard. Ele montou com o recentemente clareado Elfo. WAH!! Estou triste.
Não. Estou muito p. da vida. Anão não é uma conquista barata, e apesar do grande salvamento, Tio Rei não deu aumento de salário.
MAIS TARDE:
Encontrei Hobbits. Tipo, os camaradinhas tinham Gimli na palma da mão. Anões aparentemente fazem qualquer negócio por carne de porco salgada.

Dia Quatorze:
Merry decididamente não é chegado em remo.
Relutantemente aprendi um jeito novo de esconder grande raiz leguminosa.

Dia Dezesseis:
Tipo, Pippin tentou surrupiar o saco do Mago e terminou encontrando com Palantir e Sauron. Gandalf teve um faniquito e rasgou a meia arrastão. Foi embora com o hobbit para Minas Tirith. Aposto que Scadufax contará depois detalhes da cenoura.

Dia Dezenove:
Guerra em Minas Tirith. Rei Tio supostamente morto pelo Rei Bruxo, mas Éowyn deu uma de esperta. Acho que Éowyn é uma pervertida tarada por hobbit. De repente ávida por cenouras e não são para seu cozido horroroso.
Arrogante sumiu há alguns dias atrás, mas tipo, apareceu com um grupo de camaradas mortos verdes e brilhantes. Tipo, se você cheira mal daquele jeito, provavelmente é o único modo de arrumar um encontro. Gimli ainda montando com aquele elfo convencido e horroroso. O que é o elfo tem que eu não tenho?

Dia Vinte e Um:
Guerra no Portão Negro foi totalmente deprimente. Gimli AINDA montando com o Elfo. A perua da Floresta das Trevas está apoiando o fedorento Arrogante. Arrogante olhando para a Montanha da Perdição lamentando sobre algum hobbit que ele está à fim chamado Frodo. Francamente, pensei que as Forças Gondorianas fossem mais viris.
MAIS TARDE:
Estou só. Eu ainda tenho cavalo. Ainda tenho cenouras do hobbit. Cavalo gosta de cenouras. Se eu for flexível o bastante, talvez funcione…

Dia Vinte e Três:
Guerra ganha. A águia gigante fez mais sucesso que o Elfo. VIVA À ÁGUIA!!
Dia Vinte e Quatro:
Tenho acesso à conta bancária do Rei de Rohan mas percebi que está totalmente sem dinheiro e não posso sustentar o anão de maneira adequada. Théoden provavelmente torrou tudo em maquilagem ruim e vídeos da PlayEorlingas.
Ainda tenha a cenoura. Espere converter o Anão a filosofia Vegetariana.
MAIS TARDE:
Fui até o quarto de Gimli e o Hobbit Frodo montava loucamente o Garanhão Caolho. Estou arrasado. Se soubesse que Anões eram tão safados nunca teria me interessado por um.
Éowyn se divertindo com o Pervertido Capitão Gondoriano Faramir e o Hobbit Merry.
Tipo, fiquei sem fala! Vou acabar como o Tio, de bengala, e fumando até ficar com o nariz do tamanho de Edoras.

Dia 25
Hobbit Sam muito interessado em acessórios de couro, remo e truques com cordas. Brinquei de "Selar o Pônei" até amanhecer. Bebedeira Pós-guerra não foi uma perda total. Talvez faça uma assinatura do Canal Erótico Hobbit. Tenho que convencer Éowyn a me dar um empréstimo. Onde será que ela está conseguindo todas aquelas jóias ultimamente?
MAIS TARDE:
Anão quer ménage à trois com o Elfo.
Não vou! Não vou! Não vou!!
OK, talvez.
MAIS TARDE AINDA:
Elfo não é tão mau afinal de contas. Me deu um chapéu muito bonito.
VIVA EU!

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Narn Vendeniel – Parte 07

Capítulo VII – A primeira batalha

Não muito longe dali, Aragorn recuperava-se de uma queda que sofrera durante uma batalha com um warg. Ele achara um cavalo e estava montado agora. Havia visto as tropas de Saruman marchando. Deveriam haver mais de dez mil orcs, meio-orcs e bárbaros da Terra Parda. Aragorn cavalgava rápido, pois deveria chegar ao Abismo de Helm antes dos inimigos. Lá longe, porém ele viu um grupo se aproximar a cavalo. Tentou fugir, mas o grupo o interceptou. Aragorn cavalgou o mais rápido que pode, mas o grupo avançava rápido e quando eles estavam bem próximos, o mortal ouviu uma voz suave e cristalina.

 

– Ai na vedui Dúnadan! Mae govannen!

Aragorn parou e viu quem vinha atrás dele. Era Vendeniel, acompanhada de sua comitiva, mais Elladan e Elrohir! – Depois disso ninguém mais pode dizer que milagres não acontecem. – disse ele, aliviado. – Vamos, sigam-me e se apressem. Explicarei no caminho! – Os outros seguiram Aragorn. – É uma graça de Elbereth vocês terem aparecido. – disse Aragorn. – Nós saímos de Moria sem Gandalf, e em Lórien pegamos barcos, e viemos com eles até o Tol Brandir.
– Vimos os restos do seu acampamento. – disse Haryon.
– Frodo e Sam resolveram ir para Mordor, mas orcs de Saruman nos atacaram. – continuou Aragorn. – Boromir morreu e Merry e Pippin foram levados pelos orcs. Eu, Legolas e Gimli os seguimos até Fangorn. Lá encontramos Gandalf, que ressuscitou e nos ajudou. Fomos até Edoras e avisamos Théoden.
– Então Elladan estava certo. Ele previu que você faria isso. – disse Vendeniel.
Aragorn sorriu. – Mas Théoden estava possuído por Saruman, que o controlava. Gandalf o ajudou e o aconselhou a fugir para o Abismo de Helm. Mas no meio do caminho fomos atacados por wargs, e eu caí no precipício. Sorte minha haver um riacho ali, se não eu teria morrido. Achei o cavalo e vi o exército de Saruman.
Vendeniel ficou séria. – Quantos?
– Cerca de dez mil orcs, meio-orcs e bárbaros. Na velocidade em que vão, alcançarão o Abismo ao anoitecer. Precisamos ser rápidos! Noro lim, noro lim – disse Aragorn, apressando o cavalo.
Chegaram na fortaleza do Abismo de Helm e entraram. Logo que entrou, Vendeniel olhou para todos os lados na esperança de ver Legolas, mas não o achou. Com a roupa escondendo sua aura, ela passou as rédeas do cavalo para os homens do portão e olhou em volta: centenas de pessoas espremidas em escadas, torres e tudo mais: em sua maioria, mulheres e crianças, mas haviam homens também, a maioria ou muito jovem ou muito velha. Aragorn foi em direção de alguém e o abraçou. Era Legolas! Ele passou para Aragorn uma pequena corrente. Vendeniel, oculta pelo povo, não foi notada. Ela se dispersou de sua comitiva e foi atrás de Legolas.

O elfo estava numa sala, procurando um colete de malha. Ele não reparou que Vendeniel entrou, pois estava de costas para a porta e a elfa não fazia barulho ao andar.
Vendeniel falou num sussurro. – Pelo visto, está em dúvida.

Legolas se virou e quando viu a elfa ali, a abraçou fortemente e a beijou. – Esse é o maior presente que eu poderia ter ganhado!
– Eu tive tanto medo… Pensei que pudesse ter acontecido alguma coisa com você… – e Vendeniel contou tudo o que havia acontecido nos últimos dias: a partida de Lórien, o encontro com Aragorn.
Legolas então a abraçou novamente. – Que lástima eu não ter lhe reconhecido lá fora. Em meio a tantas pessoas, e a dama mais bela do mundo escondendo-se com uma capa e capuz.
– Acho que minha aura causaria muito transtorno. Mas agora devemos nos preparar! Segundo Aragorn, uma tropa de dez mil à comando de Saruman marcha para cá!
Legolas ficou sombriamente sério. – Dez mil! Somos apenas trezentos… quatrocentos no máximo!
Vendeniel o acalmou beijando-o. – Acalme-se! Vamos, eu desejo falar com Théoden.
Legolas a levou até onde Théoden estava. Aragorn já estava lá, e pelo visto, acabara de dizer ao rei o que vira. O Senhor dos Cavaleiros estava extremamente angustiado. Vendeniel tirou seu capuz e foi até ele. Chegando em frente à cadeira onde Théoden estava, ela reverenciou-o e ele olhou espantado.
– Rei Théoden – disse Aragorn, – aqui há uma aliada valorosa. Esta é Vendeniel de Hennut, Além Mar. Veio para a Terra Média para ajudar os povos livres na luta contra Sauron, e evidentemente, contra Saruman.
– Estou pronta para batalhar, majestade. – disse Vendeniel.
Théoden olhou para a moça. – Não, eu não posso deixar uma mulher lutar. Você irá para as cavernas, então. Proteja os que estão lá, esta será sua tarefa.
Vendeniel suspirou. – O senhor não me compreendeu. Eu não pedi permissão para lutar. Eu vim avisar que vou lutar.
– Controle sua audácia, Hiril Athangaear! – disse Théoden.
Vendeniel estava com raiva. Virou-se e saiu. Aragorn tentou converter a situação. – Vendeniel é uma guerreira experiente. Traz consigo seis outros bons guerreiros élficos. Não é uma ajuda que se pode recusar, majestade. Gandalf lhe diria isso, se estivesse aqui.
Théoden olhou para Aragorn. – Então eu confiarei em você, Aragorn. Diga à moça que ela pode lutar, então.
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Legolas escondia, mas também se sentia mais aliviado em Vendeniel ficar fora da luta. Ele temia por ela, mesmo sabendo que era uma boa guerreira. Aragorn então veio de dentro da sala. – Théoden não sabia quem você era, Vendeniel. Eu falei com ele e lhe expliquei a situação, e ele falou que não irá impedir-lhe de lutar.
Vendeniel sorriu. Tirou a bainha de sua espada do cinto e pôs o punho da espada na mão de Aragorn. – Então, ponho-me à sua disposição, Aragorn, herdeiro de Isildur e Rei de Gondor!

Depois disso, todos foram se preparar para a batalha. Vendeniel disse aos outros que fora falar com Théoden, e isso não era uma mentira por inteira. Foram até a sala onde estava o arsenal. Mas os elfos que vieram com Vendeniel já possuíam seus trajes de batalha: cada um dos vanyar possuía uma armadura dourada e uma capa azul. Vendeniel arrumou um arco que ganhara em Lórien e prendeu sua espada na bainha.

Elladan e Elrohir pegaram coletes de malha e elmos, cada um, e eles possuíam lanças e espadas. Aragorn e Legolas também não tiveram problemas com as cotas de malha, já Gimli… O colete ia até seus pés e sobrava meio metro depois das mãos. O anão optou por ficar com sua armadura habitual e escolheu para si um elmo.
Á noite, todos já se preparavam: as mulheres e crianças foram para as cavernas, lideradas por Éowyn, a sobrinha do rei. Todo homem ou rapaz que pudesse carregar uma arma foi requisitado também. Vendeniel ficava horrorizada ao ver meninos com armaduras, as mães desesperadas e sendo levadas para as cavernas.
Mas às oito horas aconteceu uma coisa inesperada. Um grupo veio marchando e parou nos portões. Eram mais ou menos duzentos e estavam vestidos com capas cinzentas e ostentavam estandartes élficos. Vendeniel, sua comitiva, Aragorn, Legolas, Gimli, Elladan e Elrohir foram então até Théoden. Aqueles eram elfos, de Lórien, Valfenda e dos portos, todos os que Círdan, Elrond e Galadriel puderam reunir. Eram liderados por Haldir de Lórien. Ele parou em frente a Théoden.
– Salve Théoden, Rei de Rohan! – dizia Haldir. – Que nesses dias escuros possamos mais uma vez criar uma aliança entre elfos e homens para o bem da Terra Média!
Depois de falar com Théoden, foi até Aragorn, e os dois conversaram um pouco. Depois, Haldir comandou os elfos até a muralha e agora eles eram suficientes para protege-la. O silêncio era mortal, o exército de Saruman chegaria a qualquer hora. Começou a chover. A chuva era forte e machucava seus rostos. As auras dos Vanyar emanavam um brilho pálido e fraco. Os relâmpagos iluminavam o horizonte.
De repente, barulho de pesadas botas e armaduras tinindo. Um relâmpago anunciou a chegada dos orcs no horizonte. Haryon pegou o estandarte de Vendeniel e o ergueu o mais alto possível. Aragorn falava em élfico para que os elfos o entendessem.
– Dail ú chyn. Ú-danno i failad a thi; an úben tannatha le failad!( Não mostrem compaixão, pois vocês não receberão nenhuma) – Ele dizia.
Os elfos respondiam. – Gurth an Glamhoth! (Morte à horda do alarido!)
Os orcs chegaram perto e começavam a bater as armaduras e fazer um barulho insuportável. Os grunhidos e palavras em sua língua nojenta enchiam o ar.
A voz de Aragorn levantou-se, alta e imponente, como um trovão. – Dartho! (Esperem!). – Mas não adiantou falar. Um rohirrim que fazia a mira do alto da Torre de Menagem, em seu nervosismo disparou. Conseguiu acertar um dos orcs na cara. Os outros, então, partiram. Aragorn então continuou. – Leithio i philinn! (Atirem as flechas!)
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Os elfos, inclusive os de Vendeniel, atiraram. Os tiros eram perfeitos. Os orcs vieram com suas lanças e miraram. Os elfos atiravam para detê-los. Mas quanto mais eram mortos, mais vinham. Em desespero, Vendeniel gritou e sua aura explodiu em luz, e seu grito encorajou os elfos:
– A Elbereth Gilthoniel o menel palan-diriel, le nallon sí di-nguruthos! A tiro nin, Fanuilos!

Mais flechas élficas acertavam os orcs. Então, eles vieram com escadas. Os elfos guardaram seus arcos e sacaram as espadas. A espada de Vendeniel brilhava, e ela parecia maior e imponente, terrível e cruel.

– Herio! (Comecem!) – veio a ordem de Aragorn e logo milhares de orcs e pedaços de escada caíam. Gimli, que não conseguia enxergar pela ameia, estava se mostrando eficiente com seu machado. Legolas arranjara duas espadas e golpeava os orcs o mais rápido que podia. Vendeniel, assim que pode, tomou uma espada de um inimigo e usava as duas. Como Varda dissera, os inimigos temeriam Hennut Nárë e os aliados sentiam sua coragem renovada.
À uma ordem de Aragorn, os elfos desceram e abandonaram a muralha. Os orcs tentavam agora forçar o portão. Gimli e Aragorn tentaram detê-los, e conseguiram. Mas Helm tinha um defeito: um único ponto fraco. Uma abertura de meio metro, que servia para a passagem de água. Saruman criou uma espécie de feitiço maligno e os orcs colocaram um barril cheio de um pó preto na abertura do dique. Aragorn percebeu o que ocorria, mas era tarde demais. Ele só conseguiu dizer:
– Am Marad! Am Marad! Haldir, am Marad! (Para a Torre de Menagem! Para a Torre de Menagem! Haldir, para a Torre de Menagem!)
Os orcs explodiram a muralha e agora a salvação era a Torre de Menagem. Na fuga desesperada, uma flecha atingiu Findar, que precisou ser carregado por Haryon e Fingwë. Haldir ficara para trás, com os orcs. Um ataque repentino de uma cimitarra veio por trás, e acertou a cabeça de Haldir, que caiu morto imediatamente. Aragorn correu para salvar o corpo do elfo, e quase foi morto, se não fosse Gimli salvar sua vida.
Já a salvo, Vendeniel examinava o ferimento do primo. A flecha devia ter algum tipo de substância química, e acertara Findar por trás, na altura do pulmão. Ele não sobreviveria por muito tempo.
– É culpa minha. É tudo culpa minha. – murmurava Vendeniel.
Findar sorriu. – Não. Eu lhe segui por que quis, você não me obrigou. Você sempre me foi muito cara. – ele respirava com dificuldade e de repente fechou os olhos.
– Findar! – dizia Vendeniel, aflita. – Findar, acorde. Por favor. – quando ela percebeu que a respiração do seu primo parara e que o pulso também, ela se deu conta. – Estë! Estë! – Em seu desespero, começava a chamar o nome da Vala da Cura.
Nada mais adiantava fazer. Aragorn tentava cuidar dos feridos. Agora a vitória parecia muito distante. Vendeniel levantou-se e enxugou as lágrimas. – Agora, se temos que morrer, que seja com honra.
Théoden vinha chegando e vendo os feridos. – Aragorn, Vendeniel. Eles estão tentando arrombar a Torre. Cavalguem comigo, seja para a vitória ou para um fim glorioso.
Eles conseguiram os cavalos. Ao centro vinha Théoden, ladeado por Aragorn e Vendeniel, e depois vinham também Legolas, Elladan, Elrohir e a comitiva de Hennut. Gimli correra para o alto da torre e soprava a corneta do forte, que ecoava e respondia nos abismos. Os orcs estavam arrombando a porta. Eles entraram e o cavalo de Vendeniel empinou.

– A Elbereth Gilthoniel! A tiro nin, Fanuilos! – disse ela e então eles avançaram, derrubando os orcs. Desesperados, talvez pela aura de Vendeniel e pelo brilho de Hennut Nárë. Os cavaleiros desceram e saíram, indo pela ponte do Forte. Mas ao sair, haviam muitos orcs, milhares, dezenas de milhares. Ouviu Théoden dizer ao seu lado:

– Morreremos com honra! – Nesse momento, estava próximo o amanhecer. Logo o sol apontaria no leste. Mas aqueles orcs eram aperfeiçoados por Saruman: podiam andar à luz do sol sem se preocuparem. Aragorn repentinamente olhou para o leste. Podiam ver pessoas subindo a cavalo por uma das íngremes paredes do abismo, no exato momento da aurora. Vinham liderados por um Cavaleiro Branco, que segurava um cajado. Gandalf! E tinha trazido reforços! Com a coragem renovada, os rohirrim que estavam dentro do forte saíram e partiram para a batalha. Destruíram os orcs, cujos corpos foram postos em uma fogueira e queimados.
Depois de tudo, as mulheres saíram das cavernas, e todo o povo de Rohan estava feliz, pois haviam vencido! Mesmo com a conta dos homens que vieram Gandalf, o número de guerreiros não chegara a mil. Reunidos numa sala do Forte, estavam aqueles que cavalgaram com Théoden, mais Éowyn, Gimli, Gandalf e Éomer, sobrinho de Théoden, mas que fora banido de Rohan pois ameaçara de morte o servidor de Saruman em Edoras, Gríma (que era mais conhecido como Língua-de-Cobra).
Éowyn serviu vinho na taça de Théoden, e disse – Ferthu Théoden hál! – em sua pr&oacut
e;pria língua, e todos repetiram a saudação. Mas Vendeniel apenas ergueu sua taça, mas não disse nada.
Dessa vez, estava numa ponta, ao lado de Théoden. À sua frente estava Gandalf, ladeado por Aragorn, e ao seu lado, Legolas. Quando ela pousou sua mão sobre a perna, sentiu que Legolas pôs a mão dele por cima da dela, e que a acariciava. Sorte de Vendeniel que Haryon estava entretido numa conversa com os filhos de Elrond e não percebeu. Mas alguém viu o discreto gesto. Aragorn percebeu, mas sorriu, indicando que não daria uma palavra sobre aquilo. Depois da refeição, Gandalf e Théoden resolviam o que fariam.
– Devemos partir para Isengard. – dizia o mago. – imediatamente. Tenho algumas coisas para falar com Saruman.
Théoden então disse. – Eu irei com você.
– Se então quer ir, vá. – disse Gandalf. – mas não podemos demorar muito.
Então partiram para Isengard Théoden, Éomer, Gandalf, Aragorn, Gimli, Elladan, Elrohir, Vendeniel, sua comitiva e mais dez cavaleiros. Partiram logo após comerem e cavalgaram a toda velocidade. No final do primeiro dia chegaram ao rio Isen, e podiam ver uma fumaça no Nan Curunír, o Vale do Mago.
– Estou pensando no que Saruman está preparando para nos receber. – disse Aragorn, olhando a fumaça. – isso definitivamente não é normal.
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Indo para Valinor

– Você conhece Valinor?

– Vali quem?

– Valinor. E não é quem, é o quê.

– E o que é?

 

 

 
– Sei lá. Por que acha que perguntei? Esses caras tão nos levando pra um lugar isolado, sem ninguém por perto pra ferrar com a gente.

– Só existimos nós agora. Qualquer lugar que nos levarem será isolado, sem ninguém por perto.

– Isso é o que eles querem que você pense. É tudo uma armação, você vai ver.

– Manera, meu. Um emissário dos Valar nos disse para ir pro oeste, então é pra lá que estão nos levando.

– E você sabe o que é um Valar? Aquilo foi tudo invenção só pra nos pegar desprevenidos, mas não pegarão a mim: Dumbelf.

– Belo nome, hein?

– Algo contra?!

– Nada, nada! Agora vamos, eles já estão continuando.

E depois de muito tempo caminhando, se esforçando, fizeram outra parada de sua dura jornada para o oeste, em direção à Valinor. Lá, os elfos pararam para descansar mais uma vez, onde os outros dois podiam continuar seu “papo cabeça”.

– Nós paramos. Por quê?

– Pra gente descansar, quem sabe? Te acalma, Dumbelf.

– Não, cara. Eles só tão esperando a gente virar as costas pra nos levar.

– Eles quem?

– Ora, quem mais: os azevinhos.

– Quem?!

– Nunca leu Tolkien? É azevinho isso, azevinho aquilo. Foi tudo planejado e arquitetado desde o início. Te descuida que tu desaparece. Se eu fosse você, dormiria com um dos olhos abertos daqui pra frente.

– Tu não acha que ta sendo um pouco paranóico demais?

– Isso não é paranóia, é precaução. É sempre bom saber quem são seus inimigos.

– Nós não temos inimigos.

– Claro que não.

E Dumbelf terminou sua frase sarcasticamente, deixando seu amigo confuso. A verdade era que Dumbelf estava tão paranóico que duvidava da própria mãe:

– Sua velha asquerosa, nojenta! Também quer me pegar, né?! Mas eu sou esperto demais pra você ou suas companhias da hora do chá!

Porém, seu amigo ainda conseguia mantê-lo razoavelmente são. O problema é, por quanto tempo?

Algum tempo depois, eles voltaram a andar e o fizeram por muito mais tempo, até que, ao longe, podiam ver campos abertos, um palácio enorme e belas criaturas que os esperavam. Ao verem aquilo, seu líder falou:

– Vejam, é Valinor!

Então, o amigo de Dumbelf falou:

– Viu, não tem nada com que se preocupar.

– É tudo armação, tu vai ver só.

Então, próximo a ele, um elfo falou:

– Dumbelf, com quem estás falando.

E Dumbelf se virou e viu que não havia ninguém ao seu lado. Nunca houvera. Sua paranóia era tanta que, para manter a sanidade, criara um amigo imaginário. Talvez fosse hora de esquecer e continuar sua vida. Talvez…

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Glória e Angústia – O Conto de Fëaruin, o Noldo

Capítulo Primeiro: Valinor e a Primeira Era do Sol

Num dia de primavera valinoriana, nascia, sob a luz das Duas Árvores no Reino Abençoado o filho de Nolwë, um grande senhor entre os noldor, aparentado com o próprio Rei Finwë. Nolwë encantou-se com o filho e viu nele uma força secreta; nomeou-o, então, Fëaruin, Fëarúnyo na forma plena, ”Espírito de Chama Vermelha”. Fëaruin cresceu belo e forte, e era um dos mais poderosos dos noldor fora da Casa de Finwë. Ele vivia em Valinor juntamente com os outros Primogênitos, e quando já havia quase atingido o auge de sua forma física, a mãe de Fëaruin chamou-o Amanon, “Livre do Mal”. Desse nome Fëaruin gostava muito, e o adotou como segundo nome, mas por ele era pouco chamado.

Como fruto da união de poderosos senhores noldorin, sendo seu pai grande amigo e discípulo de Aulë, Fëaruin era bastante hábil nas artes e em todos os ofícios, sendo um grande mestre artífice, principalmente na forjaria, pois era ele mesmo grande entre aqueles a quem Aulë ensinava, e dos noldor, apenas Mahtan, pai de Nerdanel, ocupava maior espaço do que Fëaruin no coração do Vala.

 
Fëaruin era um elfo notável; muito sábio e forte, era alto e de cabelos lisos e muito compridos, negros e lustrosos, e seus olhos brilhavam intensamente um verde-mar acinzentado. Era um dos noldor que recebia ensinamentos do sábio Olórin, o Maia, e dos Valar, os que mais admirava além de Varda eram Aulë e Ulmo. Mas Oromë também ele estimava muito, e com ele Fëaruin saía para caçar, assim como Celegorm, filho de Fëanor. E Oromë lhe deu Ninquënor, um grande cavalo branco, como presente. E quando atingiu a plena maturidade, Fëaruin desposou Helyanwë, uma das mais belas donzelas noldorin; com ela, teve em Valinor dois filhos, Ingolon e Maegnor, e mais tarde já na Terra-média nasceria Silmë, o seu terceiro filho.

Como todos os outros quendi naqueles tempos, vivia em tranqüilidade, e era amigo e parente dos filhos de Fëanor, sendo que tinha Maedhros e Maglor em maior estima, e de Fingolfin, com quem aprendeu grande parte do talento das armas e a ser corajoso, e com Finarfin, ele aprendeu que nem sempre devemos seguir os impulsos de nosso orgulho. Pelo sangue, poderia fazer parte do povo de Fëanor, mas preferiu escolher fazer parte do povo de Fingolfin, também seu parente, pois tinha mente e ideais mais parecidos com eles; e desses, era um dos mais poderosos entre os capitães do príncipe élfico, era amigo de Fingon; e Fingolfin aprovava mais a amizade de Fingon e Fëaruin do que a de seu filho para com Maedhros, amizade essa que, entretanto, era bem mais forte do que a de seu filho para com o filho de Nolwë. Mesmo assim, Fëaruin permaneceu ao lado de Fingon até que ele tombasse. Ele era amigo também de seu outro parente, Fëanor, e reconhecia a sua grande força, e com ele muito aprendeu, mas nele não confiava muito.

O tempo passou e depois que Melkor destruiu as Árvores e roubou as Silmarilli, Fëanor começou a Rebelião dos Noldor. Todos marcharam no começo, e com Fëaruin, da poderosa Casa de Fingolfin, não foi diferente. Relutante, o noldo partiu para honrar seu parentesco. Contudo, Nolwë, pai de Fëaruin, nunca aprovou sua partida, e a despedida dos dois não foi mais feliz do que a dor de dar adeus ao Reino Abençoado, pois Nolwë cria que o filho partia por delírios de grandeza, mas Fëaruin partia por não tolerar saber que seus parentes sofreriam tanto no futuro vindouro e que, se não partisse, seria impotente quanto a isso. Ora, ele sabia da força de Fëanor, mas as palavras do primogênito de Finwë não lhe causaram o devido efeito, e ele partia pesaroso. Entretanto, mais tarde, na Terra-média e em Aman, muitas canções falariam da coragem daquele guerreiro-élfico cuja valentia inabalável e nobreza de caráter sempre foram lendárias.

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No Fratricídio de Alqüalonde, porém, Fëaruin não tomou parte, assim como vários outros da Casa de Fingolfin. Ele vinha no final da segunda comitiva de elfos, já que Fingolfin o designara a comandar uma pequena parcela de sua hoste, e quando chegou, seu coração se abalou com o acontecimento, e ele não acreditou nos boatos que rapidamente se espalhavam de que os teleri haviam preparado uma emboscada para os noldor a mando dos Valar. A batalha já tinha quase se encerrado, mas mesmo assim Fëaruin não ousou desembainhar sua espada, e não permitiu que seus filhos o fizessem.

Na Condenação de Mandos, quando a Casa de Finarfin virou-se para retornar a Valinor, Fëaruin lembrou-se dos conselhos que o próprio Finarfin lhe havia dado, e em seu íntimo teve o desejo de retornar. Entretanto viu que Fingolfin continuaria, e resolveu segui-lo, pois tinha grande estima no príncipe noldo, além disso, sentia-se obrigado a ir, pelo seu parentesco. E então, Fëaruin, capitão da Casa de Fingolfin, marchou, continuando a árdua e triste jornada. Enquanto isso muitos presságios passavam por sua mente. Presságios de dor, força, agonia, glória, traição, destruição e morte.

Quando Fëanor queimou as alvas embarcações dos teleri em Losgar, Fëaruin enraiveceu-se e ficou decepcionado; – O céu torna-se rubro como o sangue dos Teleri, derramado injustamente. Suas obras agora se erguem em chamas vermelhas e deixam para sempre de existir; fomos deixados para morrer aqui, pois Fëanor tornou-se cruel em sua própria loucura – disse ele a Fingolfin. E então, sem escolha, eles prosseguiram por Helcaraxë e seu frio atritante. Montado em seu cavalo Ninquënor, Fëaruin fez a travessia rapidamente, pois Ninquënor era um cavalo dos bosques de Oromë; forte, veloz e imortal; com ele, veio também montada no magnífico animal sua amada Helyanwë. Muitos, porém, morreram, e difícil foi consolar Turgon quando Elenwë, sua esposa, perecera.

Depois de muita exaustão e frio, a hoste de Fingolfin chegou na Terra-média. E assim que eles pisaram nas praias de Beleriand uma grande luz prateada surgiu no leste distante, que lhes deu um pouco de esperança. Era Isil, a ilha da Lua, conduzida por Tilion, do povo dos Maiar.

Fëaruin permaneceu em Beleriand juntamente com os príncipes dos noldor, e até sua partida para o Leste, relatada adiante, ele lutou em todas as Grandes Batalhas que marcaram a Primeira Era do Sol após a sua chegada; e dos capitães e guerreiros dos noldor, Fëaruin era um dos mais poderosos e temíveis. Vivia com o povo de Fingolfin aos arredores do Lago Mithrim, no período em que ele reinava sobre os noldor. Era um dos principais comandantes das hostes de Fingon, mas Fingolfin achava que Fëaruin era extremamente valoroso e necessário, e o convocava sempre para Eithel Sirion com o intuito de ajudar na vigília de Ard-Galen, pois Fëaruin era resistente e forte, e os orcs o temiam; e, além disso, ele sempre foi um estrategista brilhante, e o Rei Supremo dos noldor o estimava e nele confiava muito. Em Eithel Sirion, então, Fëaruin pass
ava a maior parte do ano, ao lado de Fingolfin e Fingon, mas sempre retornava a Mithrim, onde era sua bela casa e vivia sua família. Mas servindo a Fingon que ele atingiu seus maiores louvores em batalha, e ganhou sua fama, estando entre os maiores dos guerreiros dos noldor, pois em combate revelava-se cruel e destemido. Estava inclusive entre aqueles da comitiva de cavaleiros que atacou Glaurung quando esse saiu de Angband pela primeira vez. Foi no período de tranqüilidade e vigia que, em Hithlum, nasceu o terceiro filho de Fëaruin, e Silmë era seu nome, e seus irmãos mais velhos eram Ingolon e Maegnor, que haviam nascido ainda em Valinor

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Na Dagor Bragollach, os exércitos de Hithlum foram assombrosamente rechaçados, e não puderam auxiliar os filhos de Finarfin, pois foram empurrados de volta às suas montanhas, e uma grande quantidade de inimigos estava entre eles e os outros príncipes dos noldor. Foi quando Fingolfin desiludiu-se, e estava encolerizado e partia para enfrentar Morgoth. Fëaruin, que havia recentemente retornado da batalha nas fronteiras, ouviu soldados dizendo da fúria de Fingolfin, e que ele partira, sem que ninguém pudesse contê-lo. Grande pesar sentiu então Fëaruin, e viu que este seria o fim do valente filho de Finwë.

Grande dor ele então sentiu quando Fingolfin tombou, e Fingon, o agora Rei Supremo dos noldor, tornou Fëaruin seu principal comandante e conselheiro, pois tinha nele uma grande estima e amizade; e tinha ciência do quão forte e sábio ele era, e o seu valor como guerreiro. E ao lado de Fingon, Fëaruin guerreou heróica e incansavelmente, e os orcs fugiam perante a sua fúria, pois quando enraivecido, o semblante de Fëaruin tornava-se terrível, e diziam que ele aparentava até mesmo Oromë em ira.

Finalmente, quando tudo o mais já parecia ter acontecido, veio o grande ataque de Angband; os orcs se aproximaram da Ered Wethrin, e provocaram os elfos. Como relatado no Silmarillion, os capitães de Fingon queriam avançar, mas Húrin disse-lhes para que se acautelassem e esperassem. Com as mesmas idéias que Húrin estava Fëaruin, pois cria que aquela não era toda a força de Morgoth; – Ouça as palavras do filho de Galdor – disse ele a Fingon – Pois se fizermos o contrário, e cedermos às provocações dos orcs, haveremos de sofrer enormes perdas e grandes suplícios. Morgoth pode ser um tolo, mas não é desprovido de inteligência ou astúcia.

Fingon confiava muito em Húrin e Fëaruin, e esperou. Quando os orcs mataram Gelmir, e Gwindor, seu irmão, começou a atacar, uma sombra veio no coração de Fëaruin, e ele pressentiu que da impaciência de alguns, muitos sofreriam demais. Ele tentou censurar Fingon quando esse colocava seu elmo e ordenava tocar seus clarins, mas foi inútil. Avançou então Fëaruin, e batalhou de maneira inconcebível, e os orcs se intimidaram. E os exércitos avançaram até Anfauglith, e a lâmina de Fëaruin, o maior entre os comandantes de Fingon, fendia os orcs que ousavam desafiá-lo. Por fim, Morgoth enviou reforços, e o exército de Fingon foi atacado e obrigado a recuar, com grandes perdas. Mas eles foram cercados pelos flancos por um enorme número de orcs, e Fëaruin lutava com aflição, pois eles dificilmente escapariam dali com vida.

Quando a esperança estava perdida, foram ouvidas as trompas de Turgon. Ele chegara em auxílio a Fingon, e com ele vinha grande exército, e abriu uma grande fissura na horda de orcs, e finalmente encontrou-se com Fingon, e com Húrin e Fëaruin, que estavam ao lado do Rei Supremo. E alegraram-se e estavam esperançosos, mas rapidamente voltaram à batalha. Foi então que ouviram os clarins de Maedhros. Ele finalmente chegara.

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Daí veio o ataque final de Morgoth. Vieram Glaurung, dragões, e balrogs e trolls, e cavaleiros sobre lobos. Glaurung atacou Maedhros, e separou a sua hoste da de Fingon. E os balrogs vieram sobre Fingon, e Fëaruin lutou contra eles e os trolls, e muitos trolls tombaram frente a ele. Mas Gothmog veio, e ele foi separado de Fingon. Húrin conseguiu permanecer ao lado de Turgon, mas Fëaruin estava apenas com uma guarda reduzida; mas ainda assim lutou admiravelmente, abatendo inúmeros soldados rivais; ele havia ordenado a seus filhos mais velhos, Ingolon e Maegnor, que recuassem da batalha e corressem, para proteger a mãe e o jovem irmão deles, e com eles foi Ninquënor, o cavalo magnífico de Fëaruin; mas o próprio Fëaruin continuou lutando, e muitos inimigos ele destruiu, orcs nefastos e trolls gigantescos. Restava apenas ele de sua guarda, quando lutava contra Morthaur, o balrog, o principal tenente de Gothmog. O duelo era assaz árduo para ambos, e já durava muito. Finalmente, Morthaur foi auxiliado por outro balrog, que trouxe consigo mais trolls, e eles derrubaram Fëaruin, que já estava muito ferido e exausto da peleja, e o capturaram vivo, pois achavam que por ele podiam saber mais das estratégias dos elfos em combate. Foi levado então para Angband, e deixado acorrentado e sozinho no inferno de Melkor, onde sofreu atrozes torturas e escravidão. Porém, manteve-se firme e esperançoso, apesar de grande tristeza estar em seu coração, e ele nem bem sabia o porquê. E Morthaur não conseguiu obter informação alguma de Fëaruin, e este zombava do tenente de Angband, chamando-o de covarde e escravo.

Todavia, ao ver que seria pego, Fëaruin deixou Valnáril, sua poderosa espada e Cálëmehtar, sua cota magnífica feita para ele pelos anões de Nogrod, com seu cavalo Ninquënor, quando o ordenou que fugisse e se escondesse, e que buscasse sua família. Ninquënor, como o fogo pela mata seca, correu para longe, temendo por seu senhor e amigo. Valnáril, que na Alta-Língua dos Noldor significa Brilho do Fogo Poderoso, era o maior tesouro material de Fëaruin. Tão poderosa era a espada que, diz-se, com ela podia-se cortar quase qualquer material; e ela era cara para Fëaruin como eram as Silmarils a Fëanor; uma obra tal qual ele nunca mais poderia repetir. De fato, Fëaruin demorou-se na forjaria da espada, e começou seu trabalho bem cedo e o fez com cuidado, pois temia pelo futuro vindouro, futuro no qual ele precisaria de uma arma poderosa, para que perante tal os inimigos tombassem e se amedrontassem; e nessa espada utilizou todo seu conhecimento adquirido com Aulë, e grande força ele colocou em sua lâmina. Ela refulgia imponente quando erguida, e nunca se manchava nem perdia o corte, e Fëaruin sempre a empunhou sem nenhum escudo, e quando entrava em combate, usava apenas a espada, e não precisava de mais nenhuma arma. Das espadas de todo o Reino de Arda, poucas superavam o poder de Valnáril, e dessas, a maioria já se perdeu.

Depois de passar muito tempo naqueles calabouços imundos e escuros, com o cheiro da própria morte, Fëaruin resolveu tentar escapar, num movimento desesperado. Sua chance era quando orcs o levariam para trabalhar nas minas das Montanhas de Ferro.

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Foi então que, num ato ousado, Fëaruin atacou os guardas, munido apenas da picareta que tinha em mãos. Matou todos os guardas que mantinham ele e alguns outros noldor e sindar, vigiando-os nas minas. Agora juntos, Fëaruin e os outros elfos roubaram as
armas dos orcs e vestiram as armaduras negras, e com sua habilidade de elfo, Fëaruin ilusionou o grupo em sombras por um curto período. Ora, Fëaruin era hábil nas batalhas e manufaturas, mas também tinha outras habilidades, já que era um grande elda que havia vivido sob a Luz das Duas Árvores.

Sob disfarce, Fëaruin conduziu o grupo de elfos, que agora o seguiam, pelos corredores de pedra das Montanhas de Ferro. Quando finalmente saiu, o Sol ardeu os olhos do noldo, pois muito tempo ele passara na quase total escuridão, e dos aprisionados da Batalha, foi ele possivelmente quem sofrera os maiores suplícios, à óbvia exceção de Húrin. Correram então para o leste de Angband, esquecendo-se da fome e do cansaço, livrando-se da negra armadura e do disfarce depois que estavam numa distância segura. Mas o grupo só parou de correr quando chegaram numa caverna na fronteira de Dorthonion, próxima a Passagem de Aglon. Lá, eles descansaram, menos Fëaruin, que se manteve alerta, e não fechava os olhos para nada.

Por sorte ou destino, dois dias depois Ninquënor os encontrou, e junto com ele vinham guardas de confiança de Fëaruin e alguns parentes mais próximos que haviam sido separados dos outros, fugindo por causa da guerra, e entre esses estavam os três filhos do noldo, Ingolon, Maegnor e Silmë. Eles lhes trouxeram comida e água, e ficaram espantados ao olhar Fëaruin, pois ele agora parecia muito mais forte, como alguém que enfrentou a própria morte de perto, e seus olhos traziam um novo brilho pálido, amedrontador e imponente. Com muita agonia ele recebeu a notícia funesta que seus filhos traziam, e porque de sua aflição foi revelada, pois nas decorrências à grande batalha, foi tomada a vida de Helyanwë, a sua amada e mãe de seus filhos, e seus olhos se encheram de lágrimas.

Depois de pensar um pouco e refletir sobre suas ações passadas e vindouras, Fëaruin finalmente chegou a uma decisão, e resolveu então dizer aos outros sobre o que ele pretendia fazer.

– Para o Leste hei de partir – disse ele – Irei buscar vida nova, pois o Oeste está perdido, e as terras de Beleriand me trazem lembranças de dor. E nada do que disserem ou fizerem irá me dissuadir. Se necessário for, irei sozinho, levando apenas minha espada e minha malha prateada.

E então seus companheiros silenciaram, mas Ninquënor, seu grande cavalo branco, postou-se a seu lado – Não te abandonarei – disse ele, pois sabia a língua dos senhores dos elfos.

Maegnor, em seguida, ergueu sua cabeça, e encarou seu pai. – Minha mãe foi assassinada, o Rei Fingon está morto e os elfos e homens estão desorientados. Nada mais me resta além de meu pai, e se ele partirá para o Leste, não ousarei abandoná-lo, e partirei com ele – e então se colocou ao lado de Fëaruin. Seus dois irmãos repetiram o ato de Maegnor, e decidiram que iriam com o pai para o exílio.
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Dos outros elfos que lá estavam, a maioria resolveu acompanhar o poderoso Fëaruin, já que eles viam nele a força, coragem e nobreza dos grandes príncipes dos calaquendi; a Luz das Árvores ainda brilhava em seus olhos cinzento-esverdeados, e os anos de cativeiro em Angband lhe deram nova força. Foi assim que partiram Fëaruin e seus filhos, seus amigos e parentes mais próximos, cansados, famintos, sem-rumo e sem-esperança. À exceção do próprio Fëaruin, que parecia ter em mente o que planejava fazer, e Maegnor, de tanta estima que tinha no pai. E enquanto caminharam, alguns outros elfos perdidos e desorientados se uniram a eles, já que eles já haviam perdido tudo o mais.

Depois de muito tempo de viagem, e após atravessarem as Ered Luin, eles encontraram um bando bárbaro e nômade, mas não eram homens, eles eram mais altivos e tinham uma beleza parecida com a deles próprios. Fëaruin então soube: eram avari, os Relutantes, elfos que recusaram a Grande Marcha dos Eldar. Nunca ele imaginara que eles haveriam de chegar até ali. Surpreendeu-se então, pois sabia que os avari haviam explorado muito da Terra-média, enquanto que os Calaquendi viviam à Luz de Laurelin e Telperion.

Devido à imponência de Fëaruin montado em seu cavalo magnífico e vestido de cota prateada e capa azul, e sua poderosa espada ao seu lado, os avari o reverenciaram, e apesar da língua um pouco diferente, já que os avari e os calaquendi haviam sido separados muito tempo atrás e a língua havia tomado rumos diferentes, Fëaruin interpretou rapidamente a fala dos Relutantes, e soube que havia uma pequena cidade avari à Leste. Eles então partiram para lá, onde puderam descansar e se alimentar, estabelecendo morada em Grothbar, “Caverna da Morada”, na costa leste das Ered Luin.

Após alguns anos vivendo entre os avari, Fëaruin e os outros fugidos ensinaram muito àquele povo, inclusive ensinava-os já a falar, ler e escrever sindarin, e os ritos a Ilúvatar. O quenya dos noldor era mais difícil, e apenas alguns dos avari conseguiam aprendê-lo.

Muitos já haviam sido os feitos do noldo a prol dos avari quando, após um ataque duma companhia de homens servos de Morgoth, que Laitahero, o então líder dos moriquendi rebelou-se, pois vira que o calaquendi tinha então mais poder que ele. Sucedeu-se o duelo de Fëaruin e Laitahero, e no final Fëaruin prevaleceu, pois era bem mais forte e poderoso, e Laitahero, derrotado, humilhado e nutrindo ódio eterno, foi expulso da cidade pelos avari, sendo Fëaruin eleito pelos elfos de lá como Rei e governante.

Os avari estavam no meio da construção de uma cidade fortaleza para viverem, quando irrompeu a Guerra da Ira. E eles sentiam a repercussão da guerra, pois o chão tremia e a terra rachava. Mais uma vez em sua longa vida, Fëaruin soube que era hora de partir, desta vez para o Sul, ou melhor, o Sudeste, para ficar ainda mais longe de Melkor. E Fëaruin podia sentir o mal de Melkor inquieto e irritado.

Eles marcharam durante toda a Guerra da Ira, e quando esta finalmente terminou, Fëaruin sentiu o mal de Melkor sendo levado e derrotado, e a Terra havia mudado. Entretanto, ele ainda sentia o mal de Sauron. Nos calendários de seu povo, Fëaruin marcou então aqueles acontecimentos como o final da Primeira Era do Sol, e início da Segunda Era, a que mais tarde ele chamaria de outro nome.

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Capítulo Segundo: De Alcarost, o reinado de Fëaruin, e da volta de Laitahero

Foi por volta do vigésimo ano da Segunda Era que Fëaruin encontrou uma grande e imponente cadeia de montanhas, e foi posto o conhecimento de quais eram aquelas montanhas. Seus filhos se postaram ao seu lado. – Contemplem – disse Fëaruin – os imponentes picos da Orocarni, sob tais montanhas os primeiros quendi despertaram, muito tempo atrás, quando o mundo era jovem.

E foi lá que eles encontraram um vale verde entre os grandes penhascos das Orocarni, e lá estabeleceram sua morada, para que pudessem começar a construção de sua cidade, e mesmo com o frio do inverno daquele local, que mesmo no verão não é dos mais quentes, eles construíram sua morada, dia e noite.

No q&uum
l;inquagésimo ano da Segunda Era, sob a liderança do alto-elfo, a cidade foi terminada; e ela era belíssima, de mármore branco e liso, com torres brilhantes, e a torre-palácio do Alto-Rei Fëaruin, a mais alta, era bela e terrível, e era algo digno dos contos e canções dos grandes bardos e da visão dos Valar. Uma cidadela magnífica que se elevava pelas Orocarni, as Montanhas do Leste, ficando num vale entre as montanhas, protegida e poderosa. Sua entrada era escondida e extremamente bem guardada, com arqueiros que poderiam enxergar alguém a grandes distâncias. Fëaruin estava orgulhoso, e até mesmo surpreendeu-se com o resultado do esforço. E em seu discurso do término da cidadela, Fëaruin disse isso, e elogiou seus súditos, que haviam tornado-se fortes e belos, lembrando os senhores élficos da Primeira Era, e a cidade chamou-se Alcarost, Cidadela de Glória no idioma nativo do Rei, o Alto-Élfico, e em muito a Cidadela era como foi Minas Tirith, em Gondor. A imponente morada do Alto-Rei foi chamada de Tirioninquë, que significa Alta Torre Branca, e ela era alta de fato, e rivalizava com os picos das montanhas. Mesmo sendo toda construída num vale entre as Orocarni, subindo por suas encostas, a cidade possuía campos verdejantes onde cresciam animais fortes e belos. E além das grandes muralhas e o esconderijo entre as montanhas, a Cidade era protegida pela força do povo de Fëaruin; e nela o sangue dos elfos de Beleriand se misturava ao dos resistentes avari, e o povo de Alcarost tornou-se cada vez mais forte e belo.

A despeito de toda a imponência da poderosa Alcarost, os alcarindrim, como foram assim chamados os que ali moravam, não viveram totalmente em paz, pois muitas foram as guerras em que eles se envolveram para sobreviver. E nos cento e oitenta anos que se seguiram ao término da construção de Alcarost, o Rei Fëaruin enfrentou muitos orcs, trolls, outros avari e elfos corrompidos, bárbaros; e até grandes dragões foram inimigos do Alto-Rei Élfico. Entretanto todos acabavam derrotados, morrendo ou fugindo dos exércitos de Fëaruin, de malhas prateadas e capas azuis, que ostentavam o brasão da Espada coroada pela Valacirca, a foice das sete estrelas dos Valar.

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No período seguinte, entretanto, Fëaruin expandiu suas forças, fundando novos pequenos postos de vigia, sendo o maior deles Hópatir, um grande forte portuário escondido na floresta que margeia o Mar de Rhûn, que os alcarindrim chamavam de Taurwén, a Floresta Refrescante. Fëaruin era cauteloso, pois sabia que Sauron ainda habitava a Terra-média. A essa época então foi dado o nome de Era da Glória. E Fëaruin recebeu de seu povo um segundo nome: Alcarintur, que significa Senhor Glorioso. Daí em diante, Fëaruin começou a ser chamado de Fëaruin Alcarintur, e uma grande e longa paz tomou conta da bem-aventurada Alcarost, onde as crianças élficas cresciam felizes, e os alcarindrim eram belos e fortes. Maegnor então desposou Laurelas, a Loura, uma donzela sindarin de cabelos que refulgiam como ouro, a mais bela donzela élfica da cidadela, e com ela teve um filho: Findelaurion, o Dourado, forte como o pai e louro e belo como a mãe. Silmë também teve um herdeiro, com uma donzela dos avari, e Findecarno era o nome do filho deles. Dos três filhos de Fëaruin, apenas Ingolon permaneceu sem esposa ou filho, pois sua amada era uma vanya que permanecera em Valinor, e que sempre amou outro. Apesar disso, a serenidade de Alcarost foi longa e feliz, durando aproximadamente três mil anos.

A paz prolongada terminou depois que uma mensagem foi trazida por um dos batedores de Fëaruin. Era uma declaração de vingança e guerra assinada por Laitahero, que declarava abertamente sua servidão a Sauron, e clamava ser seu grande general no Leste. Fëaruin entristeceu-se com tal notícia. – Se apenas Laitahero pedisse pelo meu perdão e se mostrasse como alguém arrependido, e não um servo de Sauron, eu lhe permitiria morar em Alcarost – disse ele. Mas foi atentado por Maegnor para a mensagem, a qual foi sucedida por ataques de exércitos órquicos e de homens bárbaros ensandecidos, mas não era só isso: a inquietação do povo nefasto de Laitahero atraiu muitos trolls em busca de sangue e guerra, que seguiram devastando muitos dos pequenos postos de vigia distantes de Alcarost. Iniciava-se a Guerra da Provação.

Laitahero, que era chamado de Morcáno, mostrou-se um general formidável, vencendo os exércitos da Espada várias vezes em várias pequenas batalhas. Depois de várias vitórias, pilhando e escravizando, o Elfo-negro começou a marchar em direção a Alcarost, pois ele havia descoberto, vagamente, a sua localização, e a despeito de sua servidão a Sauron, Laitahero queria saciar uma vingança pessoal contra Fëaruin. E fala-se que Sauron teria vindo pessoalmente atacar Alcarost, não fosse pela preocupação com o conflito iminente com os numenoreanos.

O poder de Laitahero, o Elfo-negro, conferido por Sauron, era grandioso e incompreensível, e criaturas escusas, de nefandos propósitos, seguiam a aura infame do Elfo-negro, e assim suas hostes, além de orcs e homens e semi-trolls, era formada de trolls e criaturas estranhas. Diz-se que até um dos Anéis destinados aos Anões chegou a posse do inimigo de Fëaruin, sendo que assim ele era sujeito a vontade de Sauron como um rato sórdido é sujeito à doença. E foi por esse poder que eles foram seguidos pelos trolls gigantescos das montanhas.

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Fëaruin Alcarintur, num ato desesperado, reuniu o exército da Cidade para atacar Laitahero incontinente, antes que ele e sua grande horda chegassem, pois além de não desejar que a localização exata de sua cidade fosse revelada, queria exterminar o principal foco de força de Sauron no Leste. Os clarins prateados das hostes de Alcarost foram então tocados, e ressoaram por entre as montanhas, e os orcs tremeram. Um batalhão élfico descia as montanhas e outros chegavam a cavalo, e a visão de Fëaruin em seu cavalo, de cota e espada em punho despertou medo nos orcs. Os elfos então se bateram para cima das hostes de Laitahero, Fëaruin saltou de seu cavalo em meio aos orcs, e deu-se início à Batalha da Glória Incontestável, a maior e mais extraordinária de todas as batalhas no Leste, na qual um campo de batalha sangrento e escuro era o cenário. Inúmeros inimigos tombaram frente à lâmina de Valnáril e a força de Fëaruin, mas muitas foram as mortes do povo sob o estandarte azul e prateado da Espada e das Sete Estrelas dos Valar.

O exército de Laitahero foi rechaçado em grandes proporções logo na primeira investida dos alcarindrim, mas os orcs eram ferozes e não paravam de combater até que estivessem mortos. Uma nova frente de combate de orcs e homens bárbaros se juntou ao corpo principal do ataque do Elfo-negro, e os alcarindrim foram forçados a recuar. Mas então vieram Silmë e velozes arqueiros a cavalo, e Ingolon e Maegnor, liderando uma nova força de cavaleiros élficos, investiram no flanco do exército de Morcáno. Ingolon e Maegnor abriram caminho em meio aos orcs até Fëaruin, e os três se encontraram no m
eio da batalha, e os orcs os temeram ainda mais, por estarem todos juntos. Silmë, entretanto, não conseguiu vir de encontro a seu pai e seus irmãos, pois fora cercado por muitos soldados. E quando quase todos da sua guarda haviam morrido, veio o próprio Laitahero, e ele e Silmë engajaram-se num duelo. E apesar de Silmë ser um grande guerreiro e filho do poderoso Fëaruin, o poder de Laitahero o superava, e ele foi mortalmente ferido pelo Elfo-negro, que o deixou no chão enlameado de sangue, para morrer ali.

Nesse momento, Ingolon resolveu partir à procura do irmão, pois começara a se preocupar com ele, e abriu caminho em meio aos soldados de Laitahero para ir ao encontro de Silmë. Encontrou-o caído e muito ferido, à beira da morte. Ingolon ficou aflito, mas ergueu seu irmão e o colocou em seus ombros. Chamou Ninquënor, o cavalo de seu pai, e pediu-lhe para montar-lhe para assim levar Silmë de volta para tentar salvá-lo. Ninquënor aceitou antes mesmo de Ingolon terminar de falar, e ele o montou; e Ninquënor correu espantosamente veloz de volta a Alcarost, e ninguém entrou no caminho do vulto branco do cavalo.

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A Batalha era terrível e sangrenta, e no seu auge, o solo tremia, e rugidos e sons estranhos se aproximavam. De ambos os lados tombavam soldados, apavorados pelos enormes trolls do mundo antigo, que matavam tanto orcs quanto elfos, e somente os mais fortes e valentes dos dois lados venciam os trolls. Naquela noite, fala-se que quase cinqüenta trolls tombaram frente Fëaruin e sua lâmina implacável.

Mas surgiu, então, na longa noite, um grande troll negro, imenso e ameaçador, assassínio de muitos; uma mescla hedionda de um grande troll com alguma espécie de gigante das montanhas. Todos fugiam dele, que ansiava por sangue. Então, o próprio Fëaruin, sozinho e com Valnáril em punho, desafiou e abateu, numa terrível peleja, a criatura. Quando o enorme gigante-troll tombou, todos pensaram que havia acabado, já que os exércitos de Laitahero, a exceção do próprio e poucos soldados mais corajosos, haviam sido derrotados ou fugido, apavorados com a força da cidadela élfica; e muitos dos soldados de Fëaruin já retornavam à Cidade entoando canções de lamento, pois muitos morreram no campo de batalha. Laitahero e seus guardas então fugiram para as montanhas, mas foram avistados e seguidos por Fëaruin, Maegnor e seus capitães mais destemidos.

Seguindo Laitahero, Fëaruin e seus soldados chegaram numa grande cidade dentro das montanhas, escavada e construída há muito tempo. Ficava a uns três dias de Alcarost, em ritmo de marcha, mas os elfos corriam e não paravam para nada. Fëaruin logo deduziu que era lá era o lar de Laitahero e seus servos. Que escavaram aquele lugar com muita fúria e ganância. Era rústico, fétido e escuro. E demasiado próximo de Alcarost.

Os salões subterrâneos, porém, estavam desertos; os ataques do Elfo-negro envolveram quase todo o seu povo. Caçando o avar pelos salões e túneis, Fëaruin e sua guarda enfrentaram alguns orcs, mas eles não podiam conter a força do Rei Alcarintur e dos seus.

Quando finalmente encontrou Laitahero, um grande temor veio das profundezas dos rochosos e amplos corredores. Fëaruin se conteve, e parecia reconhecer o poder que se aproximava, como se já tivesse encontrado tal força antes. Fechou os olhos e parecia meditar.

Foi quando, de repente, veio das trevas um aterrorizante balrog. Se ele já estava lá, não se sabe, pois nem Laitahero parecia saber da existência dessa criatura. Talvez ele tenha ido para lá depois que Laitahero e os seus súditos saíram para a guerra, anos atrás; disso, ninguém sabe. Mas o temor emitido pela criatura era impossível de ser ignorado. E não foram poucos os que ajoelharam e oraram a Ilúvatar por sua perdição.

O terror dominou todos naquela câmara escura. Esconderam-se e fugiram, até Laitahero escondeu-se atrás duma grande pilha de rochas. Todavia, permanecia, sozinho, imponente e desafiador, Fëaruin Alcarintur, Alto-Rei dos Elfos do Leste. E quando seus súditos viram que seu Rei não fugiria, pararam e se viraram, mas não tiveram coragem de avançar, e só assistiam. Quando o balrog se aproximou, Fëaruin se postou em seu caminho, em desafiou, e fitou os olhos de fogo.

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Nesse momento, em seu íntimo Fëaruin hesitou, pois aquele balrog ele reconheceu, já que era ninguém menos que Morthaur, o grande tenente de Gothmog, que o capturara tanto tempo atrás e que havia escapado da ira dos Valar. Mas o espírito sofrido do noldo então se inflamou, e sua vontade ergueu-se em força, e ele fitou novamente o balrog com olhos brilhantes e perfurantes, e enfim proferiu: – Enfim nos reencontramos, Morthaur, Abominável Escuridão, um mero rato de Morgoth Bauglir, o tolo; e em nome de todo o meu povo amaldiçôo-te! Das trevas saíste para espalhar o terror, e para as trevas voltarás hoje em derrota. Hás de tombar perante um daqueles a quem os seus infligiram tanta dor e sofrimento – O balrog então caminhou em ira na direção de Fëaruin, já que ele também o reconhecera, pois Fëaruin foi o prisioneiro mais importante de Morthaur, mas havia escapado dele; avançou em cólera, e já empunhava sua negra cimitarra. Em meio à sombra de terror do balrog, cintilava o rei Fëaruin, de espada desembainhada, em posição de desafio. Sucedeu-se, então, o combate entre Fëaruin e Morthaur, e tal era a magnitude dos golpes, que os próprios alicerces das montanhas tremiam. Na grande negritude do balrog, Fëaruin, em sua armadura prateada, movia-se rápida e agilmente, e Valnáril, sua poderosa espada, causava grande dor ao demônio quando o feria, e a cada golpe que Fëaruin acertava em Morthaur, o demônio soltava um grito terrível, que era como uma fria lâmina de aço no coração dos menos corajosos. Eles combateram por horas a fio, no meio de pedras empilhadas e armas enferrujadas. Os rústicos salões escavados pelos escravos amaldiçoados de Laitahero ruíam.

Finalmente, após muito tempo de dura peleja, Morthaur foi aniquilado pela força do noldo, e tombou nas profundezas. E os capitães saudaram seu senhor. Durante a luta, entretanto, Laitahero fugiu dali, amedrontado pelo poder de seu inimigo; Fëaruin queria que a perseguição continuasse, mas foi persuadido a retornar, não havia vestígios mais do Elfo-negro, e o próprio Fëaruin estava quase morto. Difícil foi convencê-lo, mas acabou cedendo por amor a seus filhos, Maegnor, que estava a seu lado, e Ingolon e Silmë, que Fëaruin não sabia onde estavam; e nem ao menos se ainda estavam vivos.

Após o sumiço de Laitahero, a aurora veio bela e dourada, e a guerra havia terminado. Uma guerra que durou cerca de trinta anos, e que causou grandes baixas em Alcarost. Mas a notícia de Ingolon foi a mais funesta para Fëaruin, pois ele viera até o pai, após seu retorno da batalha, e lhe informou que Silmë, o mais jovem dos filhos do Rei, havia perecido devido aos ferimentos causados pelo próprio Laitahero. Ingolon caiu em prantos frente seu pai e se
considerou culpado, pois não havia conseguido curar o irmão dos ferimentos. Mas seu pai o consolou, dizendo-lhe que não tinha culpa alguma. Grande tristeza, entretanto, sentiu o Rei Alcarintur, e uma grande cerimônia foi feita para seu filho assassinado.

Laitahero fugiu para Mordor, para reportar sua derrota e o poder do Alto-Rei do Leste. Sauron, entretanto, não lhe deu atenção, pois estava muito preocupado com os numenoreanos, e via neles adversários que ele não poderia derrotar por força bruta. Ainda mais depois de perder tal força no Leste.

Um ano depois, Sauron foi capturado por Ar-Pharazôn, acorrentado e levado para Númenor, mas Laitahero fugiu e se escondeu.

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Capítulo Terceiro: Da ida de Fëaruin para o Oeste

Ora, o Rei Fëaruin era sábio, e percebera que Sauron não estava na Terra-média. Deu-se início então aos Anos de Vigia, nos quais ele enviava grupos batedores para procurar Laitahero, sempre sem sucesso, e quando o grupo nem ao menos retornou, o Rei parou de enviar grupos de caçadores e batedores, pois não desejava que seu povo sofresse mais. Ainda, mesmo vendo que o Elfo-Negro desaparecera, Fëaruin não baixou sua guarda, pois sabia que ele era astuto, e sempre manteve suas espadas afiadas e suas flechas pontiagudas. E mantinha forte vigília nas minas onde enfrentou Morthaur e, uma vez mais, quase morrera.

Depois dum breve período de paz, o mundo foi mudado, tornando-se redondo, e o Rei sentiu o retorno de Sauron, e resolveu partir para o Oeste da Terra-média, o qual ele há muito deixara, pois ansiava por ver de perto como estavam as terras distantes e ajudar na batalha contra Sauron. Fëaruin muito sabia das terras do Oeste, já que consigo, para o exílio no Leste, ele levou um palantír que, dizem, se comunica com os Teleri em Alqüalondë, e também muito pode ver da Terra-média. Resolveu então partir nessa demanda, mas de valor ele não carregou nada. Até mesmo sua espada e não levou, e a deixou com seu cavalo e amigo Ninquënor na grande Cidadela, pois não sabia o que poderia acontecer. Ele partiu então, deixando a cidade a comando de seu filho mais velho, Ingolon Minyon.

O que ele passou no Oeste poucos sabem. Dizem alguns que ele rumou até Lindon e foi até Gil-galad, que o reconheceu e se lembrou de Fëaruin, de tanto tempo atrás, da época em que ele servia seu pai Fingon; e Ereinion Gil-galad viu nele muito dos antigos príncipes dos noldor; ora, o Rei Alcarintur era um elfo alto e forte, como eram os elfos da Primeira Era. Em Lindon, portanto, Fëaruin fora bem recebido, e seu encontro com Gil-galad fora venturoso. Pouco tempo depois, Sauron, de volta a Terra-média, tornara-se uma grande ameaça; a guerra era inevitável. Fëaruin então marchou com Gil-galad sob honrarias, pois o Rei de Lindon fez dele um de seus grandes capitães; o mais poderoso decerto. Assim foi que Fëaruin fez parte do exército d’A Última Aliança, e ele marchou com os elfos de Lindon e com Elrond, e viu Sauron, e como ele tombou perante elfos e homens; e muita dor sentiu quando Gil-galad, o último Rei Supremo dos noldor na Terra-média, tombou em combate contra o próprio Sauron.

Após a guerra contra Sauron, Fëaruin partiu de novo, logo após recuperar-se; despediu-se de Elrond e marcou para si quando terminara a Segunda Era do Sol, para que assim nos registros de Alcarost fosse registrado o início da Terceira Era, seguindo os registros do Oeste; consigo levou mapas da Terra-média e lembranças de amizade.

Peregrinou por alguns anos pela Terra-média, visitou a Senhora Galadriel, que se lembrou dele dos tempos em Valinor. Dizem que ele convidou a donzela élfica e Celeborn para viver com ele, mas ela recusou, pois não queria abandonar o Oeste. Decepcionado, mas venturoso, Fëaruin logo depois retornou para sua casa, reassumindo seu trono, e deixando para trás memórias de alguém sábio, bondoso e forte; e também promessas de eterna amizade. E Elrond pouco falava dele, mas via nele esperança para os elfos que permaneceriam na Terra-média quando por fim se iniciasse o Domínio dos Homens.

Algum tempo depois, teve de matar, brandindo Valnáril, um grande dragão negro que atormentava seu povo, que viera morar nas minas dos anões quando ele se ausentou. Essa foi a única ameaça que eles sofreram logo após a guerra contra Sauron, e a despeito disso, Alcarost começava a Terceira Era do Sol com calma e regozijo.

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Capítulo Quarto: Dos escassos relatos da Terceira Era, da Queda de Fëaruin e Ruína de Alcarost

Na Terceira Era pouco se sabe dos acontecimentos em Alcarost. Do pouco conhecido, é sabido que Fëaruin tranqüilizou-se graças à queda de Sauron e, de seu povo, muitos rumaram para Valinor em busca de sossego. Durante meados esta Era, os alcarindrim evitavam afastar-se muito dos domínios do Rei Alcarintur, pois muitos bárbaros uniam-se, principalmente próximos ao Belegailin, o Mar de Rhûn, e os grupos de homens eram grandes demais (estes foram os homens bárbaros que atacaram Gondor e os Éothéod). Fëaruin não queria tentar avançar sobre eles e colocar seu povo em risco; eles já haviam sofrido demais. Mas em seus domínios, planícies próximas a Alcarost, os bárbaros não conseguiam entrar, e pouco tentaram, pois temiam o Rei Élfico como a uma lenda fantasmagórica; e naquelas terras onde o inverno era rigoroso, os homens bárbaros não conseguiam se manter por muito tempo, mesmo tendo incrível resistência às intempéries do mundo.

Os alcarindrim então viveram em paz na maior parte da Terceira Era, a não ser por poucas e pequenas batalhas contra os bárbaros para evitar posses de terras; e sobre tempos de felicidade, não há muito para contar. Enquanto que os tempos de guerra rendem muitos contos e muitas canções.

O reino imponente de Fëaruin Alcarintur durou até o final da Terceira Era, quando tombou perante a chamada Ascensão dos Bárbaros, que eram liderados por Laitahero, o Traidor; segundo alguns, a mando de Sauron. O Elfo-negro matou Ingolon, filho do rei, numa contenda; e muitos outros foram mortos antes de Laitahero lançar um ataque direto a Alcarost. E ele tinha um espião nos alcarindrim: Sercë, um dos tenentes de Fëaruin, a quem ele havia trazido para seu lado prometendo-lhe o reino do Rei Alcarintur que ele tanto invejava. O Elfo-negro utilizava agora armadilhas e subterfúgio para conseguir o que queria.

Fëaruin muito viajava para o Mar de Rhûn, que ele chamava de Belegailin, já que ele adorava a água e reverenciava Ulmo, e nela buscava descanso e inspiração. A nova ameaça dos bárbaros era algo totalmente inesperado, e numa das poucas vezes em sua vida, Fëaruin estava perdido em pensamentos, e não sabia o que fazer; as terras ao seu redor estavam infestadas de homens bárbaros com intuitos sangrentos, Laitahero havia retornado e seu filho mais velho, Ingolon, o Sábio, estava morto. Empreendeu então longa viagem ao Belegailin, para lá buscar alguma inspiração ou visão das águas de Ulmo. Desejava também resgatar o pequeno núm
ero de alcarindrim que residiam por ali, e trazê-los de volta a Alcarost. Foi para apenas encontrar uma vila élfica destruída, pilhada e em cinzas. Desanimado e um tanto confuso, acampou perto da margem do Belegailin, com o intuito de partir logo pela manhã. Foi nessa noite que algo nefasto aconteceu.

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Na triste e fria madrugada às margens das águas do Belegailin, distante de Alcarost, enquanto lamentava pela recente morte do filho e ponderava sobre quais deveriam ser suas ações, Fëaruin foi traído por Sercë, que disse ao inimigo onde ele estaria, e que estaria sozinho. Assim, o Rei foi emboscado por Laitahero e seus filhos, Mórë e Mandë, sendo pego despreparado e com a guarda baixa; e havia alguns soldados com o Elfo-negro. Ainda assim o rei matou Sercë, os dois filhos de Laitahero e toda a guarda do Elfo-negro que o atacou, e no final só restavam o soberano de Alcarost, Fëaruin Alcarintur, e Laitahero Morcáno, o Maldito. Eles lutaram durante toda a noite, e a força de seus golpes era tremenda, pois ambos eram muito antigos, e o poder que corria pelos espíritos de cada um deles era enorme. Todavia, os inúmeros ferimentos das armas envenenadas dos servos de Laitahero comprometeram o desempenho de Fëaruin, que, num golpe ousado, perdeu sua espada, que caiu nas águas do Belegailin. Laitahero então, trespassou-lhe a sua negra lâmina pelo seu peito. Fëaruin ajoelhou-se pelo golpe mortal, e Laitahero ergueu sua espada negra para então decapitar o Rei Alcarintur. Foi quando Fëaruin agarrou a lança de Mórë, que estava caída ao seu lado, ergueu-a em suas últimas forças e fincou-a no coração escuro de Laitahero, que no mesmo momento largou sua espada e tombou ao lado de Fëaruin.

– Poderias ter sido grandioso entre os alcarindrim, se tudo tivesse sido diferente – disse ele a Laitahero.

– Se tudo tivesse sido diferente, eu seria aquele chamado de Alcarintur – retrucou Laitahero, e então fechou seus olhos e morreu.

Pouco tempo depois chegou ao campo de batalha Maegnor, que partira atrás do pai após um sonho de mau agouro, e para ele, Fëaruin proferiu suas últimas palavras com o último fio de vida que lhe restava.

– Sinto agora que é próximo o momento de me libertar do esforço de viver. E vejo, que mesmo jazendo adormecida, a Condenação dos Noldor nunca me abandonou, e a sina imposta pelo Oráculo dos Valar é algo de que não se pode evadir; e foi esse fado que fez-me ser traído para a minha destruição. Não, não tenta sanar minhas feridas; elas são mortais e hão de me fazer perecer. Vivi como um guerreiro e é assim que anseio ir-me embora.- Maegnor então caiu em prantos.

– Não te consternes, meu filho, já que irei para enfim ter paz, e para rever teus irmãos; e após tanto tempo, a tua mãe, a quem amo mais que qualquer coisa em Arda. E estou orgulhoso de tudo que conseguimos, e tudo pelo que lutamos para manter o baluarte da liberdade. Lembra-te, contudo, que és um noldo assim como eu, e a Condenação também está sobre ti! Os homens bárbaros ergueram-se com um poder implacável, e todos os empenhos teus e de Alcarost para conter essa ameaça serão debalde, e o nosso reinado além de Belegailin há de ultimar, pois não cabe aos elfos dominar.

– Lutarei para honrá-lo, meu pai – Disse Maegnor em meio às lágrimas.

– Não, não luta por mim; luta por ti mesmo, se lutar é o que deseja. Sobreviva!- Mas Fëaruin via nos olhos de Maegnor que ele lutaria até vencer todo o exército que vinha a Alcarost, ou então morreria tentando – Então, quando necessário for, e necessário será, manda teu herdeiro para longe junto com aqueles que a guerra poupar, pois eles precisarão de alguém para liderá-los, e para que assim nosso sangue não desapareça de forma tão infame – Fëaruin fechou os olhos e então disse suas últimas palavras – A única esperança agora repousa nas lâminas e nas lanças, e não nos lamentos e no apego aos triunfos de outrora. Em nome de Eru Ilúvatar te abençôo; vá!, meu filho.
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Por fim tombou Fëaruin, desprovido da vida, e Maegnor pranteou muito. Então enterrou o corpo de seu pai num monte na floresta de Taurwén, como era chamada pelos alcarindrim, que margeia o Mar de Rhûn, e para ele construiu um grande túmulo de pedra. A relva cresceu sempre verde acima do morro em que Fëaruin foi enterrado, que foi chamado de Haudh-en-Alcarintur, e ninguém, fossem elfos, homens, anões, trolls, orcs ou qualquer ser, ninguém ousou jamais violar o sepulcro do Alto-Rei de Alcarost. Valnáril, porém, Maegnor não encontrou, uma vez que ela caiu no Belegailin na luta contra Laitahero. E esse foi o fenecimento daquele que dos noldor não foi dos menos formidáveis. E muitos choraram a sua morte; e Findelaurion, filho de Maegnor, viu na morte de Fëaruin o fim de Alcarost.

Após a queda de Fëaruin, numa grande batalha, o exército de Alcarost bateu-se num combate violento contra um outro que era mais de três vezes maior que o seu, formado por homens bárbaros incansáveis, chefiados por Ulfor, o Poderoso, general de Laitahero e agora rei dos homens do leste. Conduzidos por Maegnor, o último dos filhos de Fëaruin, os alcarindrim lutaram heroicamente, reduzindo o exército de Ulfor em grandes proporções, e o grande machado de lâmina-dupla do príncipe de Alcarost fumegava na carne dos bárbaros; mas seus esforços foram baldados no campo de batalha. Não obstante, sem a liderança do Alto-Rei, o reino de Alcarost sucumbiu. Os atrozes bárbaros eram fortes e brutais, e suas fileiras estavam cheias de guerreiros grandes e poderosos, tais quais os semi-trolls descritos no Livro Vermelho; e, conta-se, saciavam sua sede com o sangue dos mortos em combate. Ao ver seu exército ser dizimado, Maegnor ordenou a seu filho que fugisse, levando com ele quem ele conseguisse, como pediu seu pai, Fëaruin, o Glorioso, a ele em suas últimas palavras; e por ele, Maegnor lutou como nunca lutara antes com força e fúria, e os bárbaros tremeram em pavor ao poder do Príncipe de Alcarost, e por um momento hesitaram. Mas nem mesmo a força de Maegnor poderia resistir a um ataque tão destruidor.

Seguindo as palavras do pai, Findelaurion abriu caminho a espadadas até a sua mãe Laurelas, e com ela encontrou poucos sobreviventes, estando entre eles Findecarno. Eles correram até uma passagem escondida, mas foram surpreendidos, pois muitos inimigos estavam no encalço, e eles foram encurralados por muitos soldados. Mas Findecarno se adiantou perante os inimigos e ordenou a fuga de seu parente e dos sobreviventes. Com fúria e orgulho ele desafiou os nefastos bárbaros, e os combateu, cobrindo o escape dos seus companheiros. Lutou por muito tempo, e muitas vezes gargalhava enquanto brandia a espada, amaldiçoando os bárbaros, até que terminou encoberto pelas carcaças de um grande número de adversários e repleto de ferimentos; e ali morreu o valente Findecarno, filho de Silmë, e graças ao seu sacrifício a tradição de Alcarost não feneceu na Terra-média. O seu
feito originou estórias entre os bárbaros, e a lenda do guerreiro do norte de cabelos-de-fogo perdurou por muito tempo, amedrontando os mortais.

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Findelaurion bateu em retirada, temendo pelo pai e pelo primo, e quase morrendo devido aos ferimentos, e seu destino aqui não é contado. De Maegnor se sabe muito bem o que aconteceu, pois após ordenar a fuga de seu filho, o filho de Fëaruin então lutou na praça em frente a Tirioninquë com o próprio Ulfor, e no combate o venceu, decepando sua cabeça de seu pescoço; mas em seguida foi atacado por uma grande saraivada de flechas e homens com lanças, que o atacaram incontinente. Maegnor batalhou por muito tempo, esquecendo-se do cansaço e dos inúmeros ferimentos, e os bárbaros caíam aos montes a sua volta. Mas finalmente, ele foi atacado por uma enorme guarda dos malditos semi-trolls, e sofreu ferimentos mortais, e Ulfan, o filho de Ulfor, lhe aplicou o último golpe, que por fim fê-lo tombar. Assim morreu Maegnor, o Elfo do Machado, dos filhos de Fëaruin, o mais nobre e valente. A cidade de Alcarost foi então destruída, mas a torre do Rei, quando finalmente ruiu, esmagou inúmeros dos súditos de Ulfor, como que um derradeiro esforço vingativo pelas antigas tradições de Alcarost. Assim, o trono de pedra e prata de Fëaruin nunca foi maculado pela imundície dos bárbaros, que começaram a acreditar que aquele vale era mal-assombrado.

O destino insensível fez com que toda a glória do passado áureo da imponente cidadela construída e defendida com tanta labuta e sofrimento terminasse, e tornou-se lembrada apenas em lendas na Terra-média, a não ser por poucos mestres de tradições; mas no exímio anal de Valinor ela sempre foi lembrada com louvores; sua história era contada com orgulho, e sua luz impoluta nunca desapareceu completamente.

Como já foi dito, Ulfor foi morto por Maegnor em combate individual. Então, Ulfan, filho de Ulfor, assumiu a chefia dos bárbaros, e seu povo estabeleceu sua morada nas encostas das Orocarni, mas longe das ruínas de Alcarost, pois acreditavam que aquele lugar era amaldiçoado, e que espíritos élficos caçavam e levavam para a morte quem ousasse pisar naquele solo. Nas montanhas os bárbaros permaneceram, e Ulfan atingiu a incrível idade de cento vinte anos. Viveram lá por alguns séculos, onde levavam uma vida ociosa, mas cheia de disputas; até começarem a ser importunados por orcs e outras criaturas escusas e esquecidas pelos reinos do Oeste. Então finalmente, após inúmeras guerras, se levantaram com o intuito de devastar o Oeste, comandados por Barak, descendente direto de Ulfor.

De Findelaurion, as únicas estórias contadas são as de que ele se escondeu, e retornou à cidade apenas para recolher o corpo de seu pai, e o enterrou ao lado do túmulo de Fëaruin, em Haudh-en-Alcarintur, com seu grande machado sobre seu peito. Depois disso, ele fugiu para o Oeste, mas evitou contato com homens ou anões, e foi viver, com o remanescente de seu povo, no norte da Terra-média, em moradas escondidas nas Ered Mithrin, em terras perigosas, próximas às habitadas pelos descendentes dos Grandes Dragões, mas onde também habitavam muitas das Grandes Águias, que descendiam do povo de Thorondor. E os elfos e as águias tornaram-se amigos, e se ajudavam mutuamente. Lá Findelaurion tornou-se líder, e o chamavam de Herdeiro de Fëaruin. Mas Laurelas mergulhou em uma grande tristeza, até que pediu a seu filho que lhe construísse um barco para que ela alcançasse Valinor, em busca de seu esposo, Maegnor.
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Findelaurion fez a vontade de sua mãe, e foi então construído um barco branco para ela, e ele desceu todo o Anduin com ela até o Grande Mar. Lá eles se despediram, e Laurelas colocou-se a velejar para o Oeste, e quando o seu barco finalmente desapareceu no horizonte, Findelaurion, que até então permanecera imóvel olhando para o barco da mãe, virou-se e começou sua longa e solitária caminhada em retorno a nova morada de seu reduzido povo. Entretanto, ele ouviu a música do Mar e o som da canção de Ulmo ficou em sua mente, e a vontade de atravessá-lo foi despertada em seu coração. Ele habitou ainda a Terra-média durante um grande período, mas é dito que eventualmente ele construiu um pequeno barco, e desceu até o Grande Mar, com o intuito de velejar para o Antigo Oeste.


Epílogo
Diz-se que, após sua morte, o espírito de Fëaruin Amanon Alcarintur partiu para os palácios de Mandos, e lá reencontrou sua amada Helyanwë, que o havia esperado durante tanto tempo. Fëaruin então se dirigiu ao próprio Námo, e prostrou-se diante dele, implorando pelo perdão dos Valar devido aos atos que poderiam tê-los magoado ou irritado, perdão o qual, segundo o Oráculo dos Valar, ele já havia obtido de Manwë, já que o próprio Manwë dissera que o alto-elfo já havia pagado caro demais por fazer parte da rebeldia dos noldor; e ele não participara de nenhum fratricídio, e suas ações na Terra-média salvaram a vida de muitos e trouxe a destruição a seres nefastos e criaturas malditas, servos de Melkor no passado; e ele enfrentou ameaças que não merecia, e tornou-se grandioso entre os quendi, digno de muito mais do que teve em sua vida em Endor; e sua demonstração de humildade e arrependimento perante Mandos foi o ato que faltava para que ele pudesse obter o completo e abençoado perdão do Rei Mais Velho; e se outros o haviam recebido, Fëaruin não era dos que menos o mereciam; ele que partira com tanto pesar. E Valnáril, que caiu nas águas do Mar de Rhûn, foi recolhida e trazida a Valinor pelos servos de Ulmo, Senhor dos Mares, ao comando de seu mestre. Pela graça dos Valar, os corpos de Fëaruin e Helyanwë foram então restaurados, para que assim seus fëar voltassem a habitá-los, pois eles tinham recuperado a inocência primordial dos eldar; e foi-lhes permitido voltar à vida no Reino Abençoado. E Fëaruin reencontrou seus filhos assassinados; e lá viveu tranqüilamente e feliz. E nunca mais voltou a desembainhar Valnáril, uma lembrança de sua glória e de sua angústia, enquanto perdurou a bem-aventurança de Valinor.
valinor

Faramir: Guia do Usuário e Manual de Instruções

*** PARABÉNS! ***
Você agora é a feliz proprietária de um FARAMIR! Para obter o melhor desempenho do seu Homem de Gondor, por favor siga os procedimentos detalhados neste manual.

Seu FARAMIR deve chegar completamente montado e na posição vertical. Por favor cheque se você tem todos os seus acessórios (veja lista parcial abaixo) e que você recebeu a edição do FARAMIR que encomendou, pois há duas:

(a) FARAMIR Tipo I (copyright Tolkien, 1954)

(b) FARAMIR Tipo II (copyright Jackson/Wenham, 2002)

 
ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS
Nome: Faramir
Tipo: Humano (sexo masculino, Gondoriano de extração Numenoreana)
Fabricantes: Denethor e Finduilas, (Stewards‘R’Us Ltd.), Minas Tirith
Data de Fabricação: Ano 2983 da Terceira Era
Altura: 1,88 m
Peso: 83 kg
Comprimento: Dados não disponíveis mas garantidamente satisfatórios
Cor:
FARAMIR I – cabelos negros com olhos de cor cinza.
FARAMIR II – cabelos louros com olhos azuis.
(*Nota: caso você deseje mudar a cor dos olhos do seu FARAMIR, lentes de contato da WETA LTD. estão disponíveis)

ACESSÓRIOS
Seu FARAMIR deve ser enviado a você completamente vestido numa embalagem protetora. Embora originalmente enviado em seu uniforme de Guardião de Ithilien, ele vem com uma grande gama de acessórios, incluindo espada, capa de viagem, arco e Corneta (para maiores informações a respeito deste último equipamento por favor cheque a seção de perguntas freqüentes).

Seu FARAMIR chegará até você em sua condição de fábrica, sujo pelas viagens. É recomendável que você remova imediatamente suas roupas e coloque-o num banho quente de banheira com espuma. Isso manterá suas partes móveis na condição original e totalmente funcionais. Como seu FARAMIR é um soldado e não desfruta freqüentemente de banhos de banheira você pode ser obrigada a mergulhar com ele para assegurar que todas as suas partes estão ensaboadas adequadamente.
***ATENÇÃO*** Proprietárias de FARAMIR casadas/comprometidas devem se assegurar de que seus companheiros estão ocupados em outras atividades como jardinagem/manutenção do carro/caça a crododilos etc. antes de realizar esse procedimento. A companhia não se responsabiliza por custos de divórcio, pagamento de pensões, ou contas de hospital devidos à execução descuidada desse procedimento na companhia de companheiros ciumentos.

OPERAÇÃO
Seu FARAMIR foi projetado para permitir o uso amigável e eficiente. Seus controles são ativados por voz. Por favor dê suas instruções em inglês ou sindarin. Você também pode optar por ensinar ao seu FARAMIR comandos em diferentes línguas. Você descobrirá que seu FARAMIR é habilidoso com muitos idiomas e seu desempenho deverá se provar satisfatório.
Além do valor estético de seu FARAMIR como um ótimo exemplar da austera masculinidade gondoriana, ele pode ser utilizado em diversas atividades de casa e jardim:
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Tutor – seu FARAMIR foi um "Aprendiz de Mago" e portanto possui um vasto cabedal de conhecimentos em assuntos vegetais, animais, minerais, filosóficos e marciais.
Agente de viagens – o conhecimento do seu FARAMIR em mapas e rotas se provará valioso no planejamento de suas férias.

Contador de histórias – seu FARAMIR vem pré-programado com milhares poemas e contos variados em seus bancos de memória. Ele proverá uma atmosfera adequada para o jantar, a hora de dormir, e qualquer outra ocasião. Cuidado: se ligado na posição CORTEJAR BELA DAMA, seu FARAMIR vai jorrar toda sorte de prosa romântica elevada. Se você prevê que isso será um aborrecimento, recomendamos desabilitar essa função, pois seu FARAMIR é conhecido por mudar espontaneamente.
Diretor de Atividades Físicas – seu FARAMIR, por ser um soldado, está acostumado a surtos de atividade física intensa. Coloque esta aparentemente ilimitada energia em bom uso e impeça que seu FARAMIR fique ocioso fornecendo-lhe toda sorte de atividades físicas. Essas atividades podem ir de jardinagem leve ao teste intensivo das molas da cama, e manterá seu FARAMIR feliz e em forma.

COMPATIBILIDADE COM OUTROS MODELOS
Você descobrirá que seu FARAMIR é compatível com a maioria dos outros homens, magos e elfos. No entanto deve-se tomar cuidado ao usar um FARAMIR II em conjunto com hobbits a não ser que se tenha um SAM por perto para oferecer avisos de precaução.
O uso de um FARAMIR em conjunto com uma ÉOWYN também não é recomendável, a menos que você aprecie dividir e ouvir intermináveis declamações de poesia.

LIMPEZA
As proprietária que já possuem um modelo BOROMIR devem estar sob a falsa impressão de que é impossível manter um Homem em um estado decente de limpeza, a não ser por banhos de neve. No entanto, seu FARAMIR pode ser mantido em condições higiênicas se você seguir este tratamento diariamente:
* Pentear o cabelo.
* Aparar barba e bigode.
* Limpar as unhas.**
* Trocar túnica/camisa/calças/capa.***
* Dar uma chuveirada na unidade FARAMIR completa.
Para completar o procedimento de limpeza, seque seu FARAMIR esfregando-o vigorosamente com uma toalha grande. Não use secadora. Não o pendure no varal, a menos que você queira ouvir fofocas dos vizinhos.
**Você pode desejar adquirir um LEGOLAS tipo II para fazer isso, já que ele é adepto de todos os tratamentos de limpeza e seu toque leve não deixará feridas. A não ser que você queira dividir, no entanto, certifique-se de que a função "Gay" está desabilitada em ambas as unidades antes de continuar.
***Foi levado à nossa atenção que é mais fácil manter o FARAMIR limpo sem esses adornos. Embora seja verdade, você pode desejar mantê-lo em casa nessas condições, a não ser que queira que seus vizinhos comentem.

REPROGRAMAÇÃO

O FARAMIR tipo II pode ser atualizado com um programa "Edição Estendida" de novembro de 2003. Por favor, consulte sua videolocadora [ou importadora] local para detalhes. Isso irá melhorar a compatibilidade do seu FARAMIR com outros modelos, especialmente Hobbits.
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PRECAUÇÕES
Não exponha seu FARAMIR ao fogo, campos magnéticos fortes, eletricidade, umidade excessiva ou unidades ÉOWYN, a menos que você esteja disposta a compartilhar.

Perguntas Freqüentes (FAQ)

P: Eu pensei que só o BOROMIR fosse equipado com uma Corneta de Gondor. Por que o FARAMIR tem uma?
R: FARAMIR é o segundo na linha de sucessão à Regência e portanto deve t
ambém estar de posse de uma Corneta adequada.

P: Meu FARAMIR tem pesadelos recorrentes, normalmente envolvendo poesia elaborada. Isso é normal?
R: Oh, é da natureza do seu FARAMIR sonhar em rima. Ele também é extremamente solidário aos pensamentos de outras pessoas e freqüentemente assustará você dizendo-lhe o que você sonhou na noite anterior. Isso pode ser embaraçoso ou informativo, dependendo das circunstâncias. Atualmente não há remédio para isso, mas um barrilzinho de cerveja pode amenizar os sintomas.

P: Eu já tenho um BOROMIR. Para que eu preciso de um FARAMIR?
R: Devido a certas peculiaridades do seu BOROMIR, ele não é garantido e pode terminar num estado perfurado, especialmente se tiver contato com um LURTZ. Embora seja possível continuar usando seu BOROMIR para propósitos estéticos nessa condição perfurada – foi de fato percebido que ele então se torna "ainda mais belo que em vida" – ele estará tristemente inadequado para outros usos. Por isso, você pode desejar adquirir também um FARAMIR para propósitos suplementares, uma vez que ele está garantido por 120 anos completos.

P: Meu FARAMIR deu para seqüestrar os gnomos de jardim do vizinho e escondê-los no porão. Quando eu pergunto por que, tudo que ele diz é que eles tinham uma aparência desagradável. O que está havendo?
R: Seu FARAMIR percebe os gnomos como intrusos em seu reino e está tomando medidas apropriadas para um Guardião de Ithilien. Contanto que ele não abuse fisicamente dos gnomos, isso não é motivo para maiores preocupações. Se o problema crescer é recomendado que você ative imediatamente o Discurso Motivacional SAM 1.1. Isso provocará mudança imediata no coração do seu FARAMIR.

P: Posso levar meu FARAMIR ao zoológico?
R: Tecnicamente, você pode levar seu FARAMIR ao zoológico (dever são outros quinhentos). No entanto, evite de todas as maneiras o cercado dos elefantes, já que a visão de bestas enormes com presas invariavelmente acionará a seqüência de reação FLECHA-ARCO-FOGO!, que poderá ser fatal para o elefante (e para o seu FARAMIR se os guardas o apanharem).

SOLUCIONADOR DE PROBLEMAS

Problema: Seu FARAMIR está excepcionalmente temperamental. Ele senta à mesa estalando os nós dos dedos e repetindo "Gondor não tem Rei, Gondor não precisa de Rei". Você comprou uma ÉOWYN mas ele não reage a ela.
Solução: Você recebeu por engano um BOROMIR. Isso não é incomum uma vez que a semelhança física entre os dois é impressionante. Infelizmente a política da companhia não permite troca em nenhum caso. Pelo lado positivo, você recebeu um BOROMIR por engano. Pare de reclamar!!
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Problema: Você está tentando acionar o programa de Atividades Alternativas do seu FARAMIR mas não consegue. Ele não reage aos seus avanços, ao invés disso diz que não a tomaria nem que a encontrasse na estrada.
Resposta: Você muito provavelmente recebeu um FARAMIR tipo I. Sua habilidade de resistir a tentações é bem documentada e inabalável. Embora não seja possível enviar a você um FARAMIR substituto, sugerimos que você baixe a atualização de Peter Jackson para seu FARAMIR. Isso atualizará sua programação para o software tipo II e o tornará muito mais suscetível à tentação, especialmente se você andar por aí usando jóias de ouro.

Problema: Seu FARAMIR senta no jardim repetindo a frase "Flores são belas, e as damas são mais", e fazendo correntes de flores.
Solução: Seu FARAMIR foi exposto a uma Éowyn. Não há remédio para isso atualmente. A única solução é adquirir um ARAGORN e colocá-lo ao lado de Éowyn no jantar. Com alguma sorte ela vai se apaixonar e deixar você e seu FARAMIR em paz.

Problema: Seu FARAMIR fica filosófico ao dar recados telefônicos, preferindo dizê-los da seguinte forma: "Imagino quem ele era, e quem era sua família, e qual era seu interesse neste reino".
Solução: Essa é uma peculiaridade inerente ao modelo FARAMIR. Acostume-se. Tente encarar isso como uma daquelas deliciosas excentricidades que o fazem interessante. Se o seu FARAMIR ficar muito prolixo você pode se oferecer para polir sua Corneta, isso pode distraí-lo a ponto de fazê-lo perder a capacidade para frases com mais de três palavras. Se isso não surtir efeito compre uma secretária eletrônica e reserve seu FARAMIR para outras tarefas mais apropriadas.

Problema: Seu FARAMIR parece ter tomado aversão a roupas e anda pela casa só com as roupas de baixo.
Solução: E isso é problema? Se você realmente acha isso indesejável, confira a etiqueta dele. É possível que você tenha recebido um JOSH do filme australiano "Better Than Sex". Se isso é insatisfatório você pode leiloá-lo no eBay e tirar um bom lucro.

Problema: Seu FARAMIR se trancou no galpão do jardim e não quer sair.
Solução: Seu FARAMIR provavelmente foi exposto a um DENETHOR. Isso não é recomendável pela companhia pois pode causar grave angústia ao seu FARAMIR. O único remédio para essa exposição é abrir um barril de cerveja e trazer um BOROMIR para dividi-lo (caso deseje você também pode participar da diversão). Isso aliviará a dor da exposição e esperançosamente devolverá seu FARAMIR ao seu normal.

NOTA FINAL
Sua unidade FARAMIR tem garantia de 120 anos em condições normais de uso. Os proprietários já acostumados às garantias de 6.342.000 meses das unidades élficas podem achar a garantia do FARAMIR decepcionante; console-se sabendo que os custos de manutenção das unidades FARAMIR são muito mais em conta, uma vez que não exigem consultoria pessoal de estilo nem os melhores produtos de higiene.

valinor

Diário Secreto de Cevado Carrapicho

Dia 36:
Como foi o meu dia hoje: Estranho.
Gandalf, o velho barbudo e chato veio até aqui falar comigo e pediu (Sabia que ele iria pedir alguma coisa, ele nunca vem aqui sem alguma intenção!) para eu levar uma carta até o Condado. Mas que cara folgado! São uns 200 km daqui até o Condado e se eu mandar por correio, vai ficar muito caro e eu vou perder meu precioso dinheiro.
Deixei a carta na gaveta

 

 
 
Dia 40:
Como foi o meu dia hoje: Relaxante, Muito bom e feliz.
Ahh! Como fazia tempo que eu não tinha um dia desses! Hoje é o meu aniversário e por isso fechei a estalagem e mandei Bob massagear minhas costas enquanto eu ficava deitado contando meu precioso dinheiro e Nob ficava aparando meu bigode.
Alguns bêbados reclamaram de eu ter fechado a estalagem, mas fazer o quê? Eu estava totalmente relaxado lá dentro de um quarto, em uma cama macia e comemorando meu aniversário com Bob e Nob e nada (Nada mesmo!) poderia me interromper.

Dia 46:
Como foi o meu dia hoje: Normal, mas estranho.
Hoje um tal de Passolargo (Metido pra caramba) veio até aqui dizendo que queria falar com Gandalf, falei que ele não estava então o cara foi embora.
O pior foi que eu lembrei de alguma coisa quando o nome Gandalf veio a minha mente…
Ah, verdade, a carta de Gandalf, mas ela ainda está na gaveta.

Dia 54 e 55:
Como foi o meu dia: No começo do dia foi normal, mas no fim o dia foi assustador!
Hoje de manhã o tal de Passolargo Metidão veio novamente e mais tarde chegaram quatro hobbits do Condado pedindo para mim avisar Gandalf que eles chegaram, mas falei que não via Gandalf fazia seis meses para não ficar nada suspeito se os hobbits falassem sobre a tal carta. Não tirei a carta da gaveta.
O final do dia foi terrivelmente assustador! Veja só o que aconteceu, Querido Diário: Passolargo me ameaçou e eu então dei a carta, depois eles pegaram vários travesseiros e lençóis que foram estragados (Mais despesas para mim) por aqueles terríveis cavaleiros negros e ainda por cima pediram emprestado meu precioso dinheiro para comprar um pônei.
Jurei para mim mesmo que quando eu visse aqueles hobbits folgados e aquele Passolargo metido eu colocaria veneno nas cervejas deles. He, He, He, como eu sou mal.

Dia 67:
Como foi o meu dia hoje: Assustador.
Hoje enquanto eu passeava pelas ruas de Bri vi algo assustador: Gandalf vindo na direção da minha estalagem!
Entrei rapidamente na estalagem e mandei Bob colocar um bigode e uma peruca ridícula e ficar atendendo os clientes dizendo que ele era o Cevado Carrapicho, dono da estalagem (Ou seja, eu!) enquanto eu me escondia em algum canto para não ser percebido por aquele velho barbudo.
Coitado do Bob, Gandalf deve ter perguntado alguma coisa sobre a carta, mas ele não sabia de nada!
Mas como eu sou esperto He, He, He! Espere aí… Aquele sapo me parece familiar! Bob!

valinor

Diário de Elladan

Dia 1 – Brigas em  Valfenda. Quando é que meu pai vai parar de roubar as roupas de  Arwen? Desde a Segunda Era que todos tentam convence-lo que ele não fica bem de roxo, mas não dá certo!

Dia 2 – Toda essa confusão sobre moda terminou com Arwen de cara amarrada e Glorfindel sendo despachado para bem longe. Acho que vou andar por aí também.

 

 

 

Dia 9 – Na Floresta das Trevas. Fui direto para o bordel de Dol Guldur. De lá se controla também todas as plantações ilegais da erva dos hobbits nas "zonas escuras" da floresta. È impressionante como Thranduil consegue manter tudo debaixo dos panos

Dia 10 – Hoje achei a criatura mais atraente da Terra Média em Dol Guldur. È loirinha de olhos azuis e bem safadinha. Tenho que manter segredo…

Dia 11 – Ouvi falar que Aragorn está em Valfenda. Tenho que contar para ele imediatamente que descobri que Thranduil tem convites extras para a Valinor Fashion Week.

Dia12 – Aragorn logo que soube dos convites quis voltar para a floresta, mas não adiantou muita coisa, pois um prisioneiro dos elfos roubou os convites e fugiu. Parece que se chama Gollum. Aragorn aparentemente já andou caçando essa criatura antes, talvez para a

Dia 15 – Conselho de Elrond. Meu pai definitivamente não sabe dar uma festa. Espere! A coisinha de Dol Guldur está aqui! È Legolas, filho de Thranduil! Será que ele tem convites também?

Dia 16 – Legolas realmente tem convites, mas nem eu nem Aragorn conseguimos nada. Pensei em chamar Glorfindel para ajudar, mas eles tiveram uma discussão fenomenal mais cedo. Aragorn também não ajuda! Fica o tempo todo atrás de Frodo! Pervertido tarado por Hobbits! Sam vai mata-lo se ele tentar algo.E Arwen nem percebe…

Dia 17 – Adivinhem para quem Legolas vai dar os convites?! O anão do Gimli. Quem ele teve que subornar ( e como ) para conseguir permissão para um anão entrar em Valinor eu não sei, mas…

Dia 18 – Ninguém mais tem convites extras.Tenho que caçar o tal do Gollum.

Dia 20 – Gollum ta perseguindo a Comitiva, e Aragorn tentando pegar ele por conta própria. Já aumentou a concorrência!

Dia 25 – Fui atrás de Gollum, mas não consegui passar de Lothlórien, porque Haldir mandou fechar cerco, já que ele também tem os convites. Já to começando a achar que é melhor juntar todo mundo que quer os convites e arrumar outro jeito de entrar. Vamos fretar um barco de Círdan, e Manwë ou Finarfin devem ter algum ponto fraco…è, vou avisar todo mundo.