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Narya – Parte 05

CAPÍTULO XXIV
De volta à Vila dos Hobbits

Todos concordaram com Prímula, e se sentiram mais aliviados. Foi como se seus corações estivessem muito mais leves. Pippin já estava melhorando. Ainda estava com dor de garganta e um pouco de febre, mas ao final da tarde estava espantosamente melhor.
–Acho que já podemos ir procurá-los agora, se quiserem. – Disse Pippin num murmúrio quase inaudível.
–Tem certeza de que já está melhor? – Perguntou Merry. – Já fomos descuidados demais com você.
–Tudo bem. – Respondeu com um novo murmúrio – Já estou melhor. Podemos ir.
 
Frodo olhou pela janela e viu que já não ventava mais. Não enxergou mal então em ir. Saíram da estalagem e foram para a toca de Guess. Mas não havia ninguém. Novamente partiram para a toca de Bolly. Novamente vazia.
–Acho que usaram o Anel. – Disse Merry.
–Não seriam tão loucos. – Disse Prímula.
–Onde estão, então? – Perguntou Frodo.
Prímula ficou vermelha e gritou, numa explosão:
–Ai, como pude ser tão burra?
–O que foi? – Perguntou Sam.
–Não acredito que viemos até aqui à toa! – Exclamou ela, furiosa com si mesma.
–Por quê? – Pippin murmurou com esforço.
–A Vila dos Hobbits!
–Será que ainda estão lá? – Perguntou Frodo, também se achando muito burro por não ter pensado nisso antes.
–Devíamos tê-los procurado por lá antes de virmos para cá. – Disse Prímula.
–Temos que voltar, então. – Disse Frodo – Antes que seja tarde demais. Já demoramos o suficiente vindo para cá.
Se apressaram para a estalagem para pegarem suas coisas, e rumaram rapidamente para a balsa. Atravessaram muito cuidadosamente o rio, principalmente Pippin, que não queria cair de novo.
Andaram o mais rápido que puderam. Pararam somente ao final da tarde para dormir, e no outro dia voltaram a andar.
Pippin já estava melhor. Ainda tinha a garganta ardendo e estava um pouco rouco, mas a febre havia passado. Caminharam rapidamente e só pararam para almoçar. Voltaram a andar, e no final da tarde já estavam na Vila dos Hobbits.
Foram para Bolsão para descansarem. Estavam todos exaustos. Dormiram cedo, para acordarem cedo no outro dia. Frodo teve um sono agitado, mas acordou totalmente descansado. Foi o primeiro a acordar, resolveu então preparar o desjejum e, depois de tudo pronto, foi acordar os outros.
Ninguém pareceu satisfeito ou feliz em ser acordado mais cedo do que o costume, mas depois de algum tempo já estavam todos despertados e dispostos para apanhar os ladrões.
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Depois de comerem muito rapidamente, os cinco saíram de casa para procurarem os dois hobbits pela vila. Frodo guardou as chaves no bolso e se pôs a falar:
–Eu procuro pelo norte. Você, Sam, vá para o oeste. Merry, você vai pelo leste. Pippin, pelo sul. Prímula, você vai com Pippin. Não se esqueçam: procurem pelas ruas e pelas estalagens. Não quero que fique uma estalagem sem ser revistada. Nos encontramos aqui na hora do almoço. – E partiu para o norte, em passos largos para um hobbit.
Os outros fizeram o mesmo, mas para suas respectivas direções. Sam foi para o oeste, Merry, para o leste. Prímula e Pippin foram para o sul. Olharam em todos os lugares. Procuraram por ruas, estalagens, campos, fazendas, por todo lugar, mas nem sinal deles.
O meio dia se aproximava e nada encontraram. Depois de muito procurar voltaram ao local combinado. Prímula e Pippin foram os primeiros a chegarem. Depois veio Merry, depois Frodo, e por último Sam.
–Não encontramos. – Disse Prímula.
–Eu também não. – Disse Merry.
–Nem eu. – Disse Sam.
–Acho que não estão na vila. – Disse Frodo. – Só se estiverem hospedados na casa de algum amigo.
–O seu amigo! – Exclamou Prímula. – Devem estar lá.
–Quem? – Perguntou Frodo. E os outros hobbits fizeram uma expressão no rosto de "como eu não havia pensado nisso?".
–Fatty! – Todos gritaram. – Vamos para a toca dele.
E foram. Chegando em frente, logo deduziram que havia alguém em casa, pois saía fumaça pela chaminé. Frodo bateu na porta. Não esperaram muito, e Fatty apareceu à porta.
–Olá. – Disse ele. – Que surpresa agradável! Entrem!
Os outros entraram.
–Sentem-se. – E apontou para as poltronas em frente à lareira.
Lá estavam sentados Bolly e Guess. Eles não haviam até então virado para cumprimentar os visitantes, apenas quando Fatty disse:
–Bolly e Guess ainda estão aqui. Foi bom vocês terem vindo. Assim podemos conversar bastante. Quanto mais pessoas para conversar, melhor!
Só então os dois hobbits se levantaram, e deram um sorriso (cínico, na opinião de Frodo).
–Como estão? – Perguntou Frodo.
–Estamos bem. – Eles responderam.
Todos se sentaram em frente à lareira. Frodo e Prímula em poltronas, mas Sam, Merry e Pippin tiveram que se ajeitar no chão.
Depois de conversarem durante algum tempo, Fatty os convidou para almoçar. Todos aceitaram, obviamente.
Foram para a cozinha e se sentaram à mesa, enquanto Fatty preparava a comida.
–E então… – Começou Frodo – Onde é que vocês dormem aqui?
–Em um quarto ao lado do quarto de Fatty. – Respondeu Guess. – Mas não pretendemos ficar muito tempo, mais alguns dias e voltaremos para os Buques.
–Ah, sim.
–Vocês estão calados hoje. – Disse Bolly, referindo-se a Prímula, Merry, Pippin e Sam.
–Nós? – Perguntou Prímula. – Imagine, só estamos um pouco cansados.
Se calaram por um tempo. Fatty serviu a comida e todos começaram a comer. Frodo estava um pouco inquieto na cadeira. Não poderia esperar mais. Tinha que procurar Narya e o Livro Vermelho.
–Vocês me dão licença? – Perguntou ele – Preciso ir ao banheiro.
–Claro, pode ir. – Disse Fatty. – Sabe onde fica?
–Sei, sim, obrigado. Já se esqueceu que eu já vim muitas vezes aqui?
–Claro! Desculpe-me.
E Frodo se levantou, encostando a porta ao sair da cozinha. Caminhou não rumo ao banheiro, mas ao quarto onde Bolly e Guess estavam hospedados.
Entrou silenciosa e sorrateiramente no quarto. Revirou tudo cuidadosamente, tomando cuidado para não deixar nada fora do lugar. Dentro da gaveta do criado-mudo encontrou uma caixa. Frodo fico feliz. "Encontrei" pensou ele, mas se decepcionou ao abri-la, pois nela só encontrou um par de sapatos. Colocou a caixa de volta no criado-mudo e voltou à cozinha, desapontado. É claro que eles deviam guardar Narya e o Livro Vermelho em um lugar mais seguro, talvez até nos próprios bolsos. Enfim, Frodo voltou à cozinha e se sentou, continuando a comer.
Depois de todos comerem, foram se sentar à lareira. Conversaram muito pouco, e Frodo já se ofereceu para ir embora:
–Fatty, temos que ir embora. Obrigado pela recep&ccedi
l;ão e pelo almoço, mas agora estamos indo.
Se despediram, e Frodo, Prímula, Pippin, Merry e Sam saíram da toca.
–Encontrou? – Perguntou Prímula logo após terem dado alguns passos para longe.
–Não.
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CAPÍTULO XXV
Uma emboscada

–Não encontrou? – Gritaram todos.
–Não. Procurei pelo quarto todo, mas não os vi em lugar algum.
–É claro. – Disse Prímula – Nenhum ladrão iria deixar algo que roubou em algum lugar desprotegido, para alguém ver. Bolly e Guess devem ter guardado o Anel e o Livro Vermelho em algum lugar mais seguro, talvez em seus próprios bolsos.
–Foi justamente isso que pensei. – Disse Frodo – Por isso voltei rápido para a cozinha. Temos que arranjar outro jeito para conseguir de volta as coisas que eles roubaram.
–Não está pensando em saqueá-los, está? – Perguntou Pippin a Frodo.
–Foram eles quem roubaram primeiro. – Respondeu com um sorriso malicioso.
–Então, — disse Merry – vamos esperá-los aqui fora. Quando saírem, nós os agarramos e fazemo-los contar tudo.
–Boa idéia. – Disse Frodo. – O que você acha, Sam?
–Eu? Bem, eu acho que não devemos fazer nada a força. Temos que esperar, não fazer nada precipitado.
–Eles é que foram precipitados demais quando roubaram o Anel e o Livro no primeiro dia em que me visitaram.
–Você tem razão. – Disse Prímula – Não devemos perdoá-los. Se esperarmos mais, pode ser que seja tarde demais.
–Então está certo. – Disse Frodo, indo em direção à toca de Fatty.
–O que vai fazer? – Perguntou Merry – Vai bater na porta e perguntar "Onde está meu Anel e meu Livro?"
–Claro que não! – Disse Frodo. – Precisamos ser imprevisíveis.
E não disse mais nada, apenas andou para a direção da toca. Os outros o seguiram, já que não pensaram em mais nada a fazer. Mas o que será que Frodo estaria pensando?
–Venham! – Murmurou Frodo tão baixo que somente seus companheiros puderam ouvir. E se abaixou ao lado da casa, atrás de uma moita.
–Agora entendi. – Disse Merry – Vamos fazer uma emboscada!
Os outros também se abaixaram atrás da moita, que era bem grandinha, podendo abrigar todos sem precisarem se espremer. Tiveram que esperar algumas horas antes de ouvirem a porta ranger. Frodo apurou os ouvidos, mas não ouviu nada; ergueu-se cuidadosamente e pôs a ponta da cabeça para fora da moita. Não eram os dois ladrões, era Fatty Bolger, e estava sozinho. Ele estava indo para o centro da Vila, para fazer compras.
Frodo abaixou-se novamente e fez um sinal de negativo com a cabeça para seus amigos. Eles entenderam, e se desanimaram. Essa idéia de fazer uma emboscada estava ficando excitante. É muito emocionante saquear alguém, principalmente se estamos saqueando ladrões.
Esperaram mais alguns minutos. Meia hora depois a porta rangeu-se novamente. "Tomara que não seja Fatty voltando" pensou Frodo, levantando a cabeça para poder enxergar.
–Bolly e Guess! – Murmurou Frodo.
Os outros se animaram.
–Quem vem comigo? – Perguntou Frodo. – Preciso somente de uma pessoa.
–Eu vou. – Murmurou Prímula.
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Sorrateiramente os dois caminharam para perto dos ladrões. Chegaram por trás silenciosamente e taparam suas bocas, para que não pudessem gritar. Era uma sorte que não havia ninguém na rua a essa hora para presenciar o que acabaram de fazer. Frodo segurou firmemente a boca de Guess, e com a outra mão segurou seus pulsos. Prímula fez o mesmo com Bolly, e os dois foram puxados para trás da moita.
–Não gritem. – Disse Frodo – Se não só será pior para vocês mesmos.
Os dois fizeram um sinal positivo com a cabeça, e Frodo soltou a boca de Guess. Prímula soltou a de Bolly, mas ambos ainda mantinham as mãos firmemente segurando os pulsos dos prisioneiros.
–Comecem a falar! – Ordenou Frodo. Pippin, Merry e Sam ficaram somente observando. Frodo era bom mesmo em preparar emboscadas.
–Falar sobre o quê? – Perguntou Bolly, assustado.
–Não finja de idiota! Você sabe muito bem. Fale-nos sobre o roubo!
–Não sabemos do que está falando!
–Sabem muito bem! Não demorem, contem logo! – Ordenou Prímula.
–Já disse que não sabemos de nada! – Disse Bolly.
–Será pior para vocês. – Disse Frodo. Virou-se para seus amigos – Comecem a revistá-los.
Merry e Pippin começaram a revistá-los enquanto Prímula e Frodo seguravam-nos firmemente. Sam somente observava, horrorizado. Nunca vira seu mestre tão furioso.
–Não consigo encontrar. – Disse Merry.
–Eu também não. – Disse Pippin, ambos ainda revistando.
–Talvez não tenham trazido consigo. – Disse Prímula.
–Para onde é que vocês iam? – Perguntou Frodo.
–Passear um pouco. – Disse Guess. – Estava muito monótono ficar dentro de casa. Íamos andar por aí.
–E onde está? – Perguntou Frodo.
–Onde está o quê? – Perguntou Bolly.
–Ora! — Disse Frodo, largando os pulsos de Guess. – Não se façam de tontos! – Mas nesse instante, Guess se levantou rapidamente e saiu correndo, como o vento. Bolly aproveitou a oportunidade e se desvencilhou de Prímula. Correu também para bem longe.
–Não acredito! – Disse Frodo – Eles fugiram!
Levantou-se e correu para a porta da toca, tentando abri-la, mas essa estava trancada.
–Fatty deixa as chaves com Bolly e Guess? – Perguntou Frodo, revoltado. – Não deixo as minhas com ninguém! Fatty confia demais nos outros!
E saiu a passos largos rumo a Bolsão. Os outros o seguiram.
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CAPÍTULO XXVI
Verdade

–Como foi que pude deixar eles escaparem? – Gritava Frodo, revoltado.
–Calma! – Disse Prímula – Não foi culpa sua. De qualquer forma, não adianta chorar leite derramado.
–Não se preocupe, Sr. Frodo. – Disse Sam, animando-o. – Vamos encontrá-los novamente.
–Tomara que sim, Sam. Tomara que sim.
Caminharam rapidamente, e, dentro de poucos minutos já estavam em frente a Bolsão. Frodo levou um susto quando olhou para sua toca. A pequena porta redonda estava aberta, com a fechadura quebrada.
–Arrombaram a porta! – Gritou Frodo.
Neste instante apareceu um vizinho (já bem velho) de Frodo, saindo de Bolsão.
–Parece que tentaram roubar alguma coisa. – Disse o velho.
–O que o senhor está fazendo dentro da minha casa? – Perguntou Frodo, ainda mais revoltado.
–Calma, meu jovem. Eu só estava olhando.
–Olhando? Olhando o quê? Você viu quem arrombou a porta?
–Não vi, mas acho que quem arrombou não levou nada.
–Como é que o senhor sabe? – Perguntou Frodo – Você não sabe as coisas que haviam aqui para dar falta de alguma delas.
–Não sei, mas qualquer ladrão que se preze iria fazer um pouco de bagunça para procurar algum objeto de valor. Nã
o há bagunça alguma.
–Você entrou na minha casa só para ver se o ladrão fez alguma bagunça?
–Claro que não, seu mal agradecido. Eu entrei para ver se você estava em casa. Se estivesse, poderia estar machucado. Ladrões não são crianças com quem a gente brinca.
–Desculpe-me. – Disse Frodo, abaixando a cabeça.
–Mas acho que o ladrão não roubou nada. – Voltou a falar o velho.
–Como o senhor sabe?
–Qualquer ladrão roubaria um anel de ouro se estivesse à vista.
–Que anel de ouro? – Perguntou Frodo, ansioso.
–Um anel com uma pedra vermelha que está em cima do seu criado mudo.
–Anel com uma pedra vermelha? – Disse Frodo, mas não ouviu a resposta que o velho deu, apenas saiu correndo em direção a seu quarto.
Os outros obviamente saíram correndo atrás de Frodo, para verificar se era de Narya que o Velho estava falando. Chegando lá, Frodo viu o Livro Vermelho sobre seu criado-mudo. Em cima dele jazia Narya, com sua escrita em verde mais acesa do que nunca, iluminando sozinha o quarto todo, chegava até a ofuscar.
–Narya! – Gritou Frodo. – Está aqui! E o Livro Vermelho também!
Prímula deu pulinhos de alegria. Merry, Pippin e Sam olhavam espantados para as runas no Anel. Elas estavam realmente muito belas. Parecia que o Anel havia sido tocado por um elfo, de tão luminoso que estava. Normalmente o Anel não mostrava marca alguma quando não era tocado por nenhuma planta.
Frodo levantou o Anel e fitou-o por um longo tempo.
–Como foi que ele veio parar aqui? – Perguntou para si mesmo.
–Talvez Bolly e Guess tenham se arrependido. – Disse Pippin.
–Acho que pressionamos demais os dois. – Disse Prímula, rindo.
–Bem, seja o que for, — disse Frodo – já devolveram o Anel, o que significa que se arrependeram do que fizeram. Não importa que tenham arrombado a porta para devolvê-lo. – Colocou o Anel de volta sobre o criado-mudo e pegou o Livro Vermelho. – Estava com saudades de você! – E abraçou o Livro carinhosamente.
–Estou com fome. – Disse Sam – Que tal comermos alguma coisa para comemorar?
Todos foram alegremente para a cozinha, e desta vez Frodo levou consigo o Anel e o Livro.
Foi Frodo quem preparou a comida. – Hoje é por minha conta! – Disse ele. Cearam um banquete magnífico. Frodo havia caprichado, tamanha era sua alegria.
Comeram fartamente, e foram para a sala. Frodo levou o Anel e o Livro. Conversaram longamente.
–Posso ver o Livro? – Perguntou Prímula – Você prometeu que deixaria eu ver.
–Tudo bem! – Disse Frodo, entregando com o maior cuidado o Livro nas mãos de Prímula.
Ela folheou e observou várias páginas. Enquanto isso, Frodo fitava o anel. De repente ele viu em Narya uma pequena mancha dourada mais fosca.
–O que é isso? – Perguntou a si mesmo, passando o dedo por cima da mancha. – É um pedaço de folha de mallorn! Acho que Bolly e Guess resolveram envolver o Anel em uma folha de mallorn. Foram bem espertos.
–Frodo! – Chamou Prímula. – Você disse que não havia escrito nada sobre Narya no livro. Mas aqui tem várias anotações sobre ele. – E mostrou o Livro a Frodo.
Frodo ficou pasmo e branco ao ver aquelas anotações.
–Não acredito! – Disse ele. E todos olharam assustados. – Essa letra não é minha! É do… não acredito que você possa ter feito isso… Sam?
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CAPÍTULO XXVII
Explicações

Sam ficou branco, como se tivesse visto algum monstro.
–Não acredito, Sam… – Disse Frodo. – Quer dizer que Bolly e Guess são inocentes?
–Eu… eu… – e caiu de joelhos – Desculpe-me, Sr. Frodo!
Todos olhavam para Sam surpresos, como se ele fosse alguma criatura nunca vista antes.
–Eu explico! – Gritou, em prantos. – Foi sem querer, eu tentei explicar antes.
–Calma, Sam! – Disse Prímula. – Acalme-se, e conte tudo, desde o começo.
–Eu… – deu um suspiro – eu peguei o Anel e o Livro…
–Como pôde, Sam? – Perguntou Frodo, indignado.
–Deixe ele contar, Frodo! – Disse Prímula.
–Como eu estava dizendo… – Sam continuou, ainda chorando muito – eu peguei o Anel e o Livro para fazer uma experiência. Queria fazer uma surpresa para vocês. Então eu pus os dois em uma caixa, e disse que eram sementes que eu iria plantar sob o pé de mallorn. Na verdade eu fui para o pé de mallorn, mas foi para envolver o Anel, e ver o que acontecia para anotar no Livro Vermelho. No primeiro momento, apareceram somente as escritas, feitas em runas élficas, depois a intensidade da luz foi aumentando, até que o Anel inteiro explodiu em chamas. Essas chamas não eram de um vermelho comum, eram da cor da pedra, exatamente da cor da pedra que há sobre o Anel. O fogo também não era quente. Pelo contrário, era refrescante, trazia uma sensação de prazer à mão. Anotei tudo o que descobri no Livro. Anotei também um pouco sobre nossa viagem. Começou a ficar tarde, já estava anoitecendo quando percebi que estava na hora de voltar para casa. No meio do caminho encontrei o Sr. Frodo, que estava desesperado. Eu ia contar a ele sobre minha descoberta, mas ele me interrompeu, dizendo que haviam roubado o anel. Eu tentei contar que eu havia pego para fazer uma experiência, mas ele não me deu ouvidos, apenas ficou dizendo que Bolly tinha roubado. Tentei novamente contar, mas fui interrompido. O Sr. Frodo disse que nunca perdoaria o ladrão do Anel, mesmo sendo um amigo. Então eu fiquei com medo de contar. "O Sr. Frodo nunca me perdoaria" pensei, e resolvi esperar por uma oportunidade para devolver o Anel sem ser notado. Encontrei essa oportunidade tão esperada quando o Sr. Frodo pediu para irmos procurar Bolly. Nos separamos, e, ao invés de procurar Bolly e Guess, vim a Bolsão para devolver o Anel. A porta estava trancada e eu não tinha a chave, então resolvi arrombar. Peguei a caixa (que estava no meu quarto) e tirei o Anel e o Livro. Coloquei-os sobre o criado-mudo de Frodo. – Deu outro suspiro – E foi isso. Espero que me compreendam, e me desculpem.
–Oh, Sam! – Disse Frodo, comovido – Por que não me disse logo que tinha pegado o Anel e o Livro para fazer anotações? Eu iria entender, eu estava nervoso quando disse que não perdoaria o ladrão. Não estava falando sério.
–Então você me desculpa?
–Claro!
Sam começou a chorar novamente, desta vez não de medo, mas de emoção.
–Obrigado, Sr. Frodo. Você é o melhor mestre do mundo.
Frodo abraçou Sam longamente, e depois Prímula, Pippin e Merry o abraçaram.
–Vocês são os melhores amigos que um hobbit poderia ter! – Exclamou ele, comovido. – Se eu fosse algum de vocês eu não me perdoaria.
–Mas você não é nenhum de nós. – Disse Prímula – E nós o perdoamos.
Sam sentiu-se aliviado depois disso. Aquele Anel e o livro guardados em seu armário eram um peso em sua consciência. Mesmo depois de devolvê-lo Sam ainda sentia-se mal. Sentiu-se mais leve apenas quando contou a verdade a seus amigos. Era muito
bom desabafar. A cada palavra que dizia sentia-se um quilo mais leve.
–Depois de tanta explicação, — disse Sam – tudo o que eu desejo agora é um bom banho e uma cama quentinha. – Todos riram.
–Vamos, Sam. – Disse Frodo – Tivemos um dia muito cansativo hoje, principalmente para você. Merece um bom descanso.
–Obrigado, Sr. Frodo.
Sam estava saindo, quando Frodo disse:
–E não se esqueça, Sam: sempre que for pegar algo para fazer experimentos, me avise. Eu poderia ajudá-lo nisso. Adoro fazer experimentos.
Sam deu uma risada alta e contagiante, e saiu da sala, em direção ao banheiro. Entrou na banheira com água fumegante e sentiu-se flutuando, tamanho era seu alívio. "Nunca mais faço surpresa alguma" pensou ele.
Depois de algum tempo, Frodo, Prímula, Merry e Pippin também se levantaram para tomarem um banho para dormir. Todos estavam muito mais aliviados e reconfortados, tendo descoberto toda a verdade.
Depois de todos tomarem banho, foram dormir felizes. Essa foi a primeira noite em que todos dormiram sossegados, desde o desaparecimento de Narya.
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CAPÍTULO XXVIII
Um Pedido de Desculpas

Sam acordou e pensou "Hoje eu conto a verdade". Só depois se lembrou de que já havia contado tudo, e isso o fez se sentir feliz e leve. Foi ao banheiro para lavar o rosto, e depois rumou para a cozinha. Chegando lá, viu que Frodo, Prímula, Merry e Pippin estavam conversando, ao mesmo tempo em que comiam o desjejum. Sam se juntou a eles, e se sentou à mesa.
–Estou morrendo de fome! – Disse ele.
–Nossa, parece que você está bem mais alegre hoje. – Disse Prímula.
–E estou. Me sinto muito melhor depois de ter contado toda a verdade. Livrei-me de um peso!
–Que bom! – Disse Frodo – Agora só nos resta pedir desculpas a Bolly e Guess.
–Verdade. – Disse Pippin – Mas depois de tudo o que fizemos contra eles, eles merecem é uma festa como pedido de perdão.
–Isso é até demais. – Disse Merry – Eu não diria uma festa, mas acho que uma ceia comemorativa cairia bem.
–Concordo. – Disse Sam.
–Vamos convidá-los, então. – Disse Frodo – Esta noite será a Ceia de Desculpas.
–Mas e se nós não os encontrarmos? – Perguntou Prímula. – Eles podem ter ido embora, magoados.
–Iremos atrás deles. – Respondeu Frodo. – Nunca deixarei um amigo ofendido se ele for inocente. Preciso pedir desculpas. Não me sentirei bem pelo que fiz, não enquanto não me desculparem.
–Então vamos logo! – Disse Sam – Antes que eles resolvam realmente partir.
Acabaram com o desjejum e saíram de Bolsão, para procurarem Bolly e Guess. Foram até a toca de Fatty. Bateram na porta.
Foi Bolly quem atendeu a porta, mas no instante em que viu quem eram, fechou a porta imediatamente e a trancou.
–Não sei de nada sobre roubo nenhum. – Disse ele – Eu já disse!
–Mas não viemos perguntar nada! – Disse Prímula.
–Viemos pedir desculpas! – Exclamou Frodo.
Bolly hesitou um pouco, mas acabou abrindo a porta.
–Quem está aí? – Perguntou Guess, aparecendo no corredor. Mas não esperou resposta alguma; no momento em que viu quem eram, saiu correndo para o lugar de onde tinha chegado.
–Volte, Guess! – Gritou Frodo. – Viemos pedir desculpas!
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Instantes depois ele voltou, meio inseguro.
–Viemos pedir desculpas – disse Frodo novamente – e convidá-los para uma ceia.
–Uma ceia? – Perguntou Bolly.
–Sim. – Disse Prímula. – Queremos que aceitem nossos sinceros pedidos de desculpas.
–Mas por que fizeram aquilo conosco ontem? – Perguntou Guess, ainda mantendo uma certa distância dos recém chegados.
–Foi tudo um mal entendido. – Disse Sam.
–Haviam roubado algumas coisas nossas, — disse Merry – mas depois descobrimos que não roubaram, apenas pegaram emprestadas.
–E quem foi? – Perguntou Guess.
–Isso não vêm ao caso. – Disse Pippin, logo depois dando um sorriso para Sam.
–Então… – Começou Bolly – Acho que aceitamos o convite.
–Falando nisso, — disse Frodo – onde está Fatty?
–Foi fazer umas compras. – Guess respondeu, já um pouco mais próximo. – Esqueceu de algumas coisas ontem, e foi buscá-las hoje.
–Digam a ele que também está convidado. – Pediu Frodo.
–Diremos. – Disse Bolly.
–Então… – Disse Prímula – esperamos vocês à tarde lá em Bolsão.
–Está certo, então. – Disse Bolly.
Os visitantes saíram pela porta, e Bolly a fechou, sentindo-se mais aliviado.
O dia passou rápido, e a tarde logo chegou. Logo que o Sol se pôs bateram na porta. Frodo foi atender. Eram Fatty, Bolly e Guess.
–Que prazer tê-los aqui! – Disse Frodo. – Entrem! Sintam-se em casa.
Os três entraram, e Frodo fechou a porta. Do corredor apareceram Prímula, Sam, Merry e Pippin. Todos se cumprimentaram e se sentaram diante da lareira, pois ainda era muito cedo para cearem, mas não cedo demais para uma boa conversa. Frodo explicou tudo, sendo ajudado por Prímula, Merry e Pippin. Só Sam não dizia nada. Não contaram apenas quem foi que pegou o Anel e o Livro. Essa parte Frodo achou melhor omitir, disse-lhes que fora um amigo quem pegou o Anel para embrulhar na folha de mallorn e fazer anotações. Sam sentiu-se um pouco culpado. Quase chegou a contar que esse amigo era ele, mas depois achou melhor não dizer nada.
A tarde passou rapidamente, e a noite logo chegou. Foram enfim cear. Prímula já havia deixado tudo preparado, e depois só tiveram que arrumar a mesa. Banquetearam alegremente, contando histórias, vezes por outras cantando, e sempre, sempre rindo. Riam muito.
Tudo que é bom dura pouco, e a noite também passou muito rápida. Bolly, Guess e Fatty tomaram um bom vinho acompanhados de Prímula, Frodo, Merry, Pippin e Sam. Sam também riu muito, cantou, parecia outra pessoa, pois estava se sentindo muito mais aliviado; estava à vontade. Depois, os três convidados foram embora, e Bolly e Guess aceitaram muito bem o pedido de desculpas. Enfim, tudo acabou bem.
Depois de arrumarem toda a bagunça (Prímula não se ofereceu para lavar a louça, pois isso dava-lhe dor nas costas, mas ajudou em outras coisas), todos foram tomar um bom e reconfortante banho, para depois irem dormir.
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CAPÍTULO XXIX
A Viagem

Durante uma semana todos viveram alegres, e Prímula, com sua máquina fotográfica, fotografou cada metro da Vila dos Hobbits (ela havia levado muitos filmes). Mas chegou a hora de partirem.
–Está na hora de irmos. – Disse Prímula – Henrique estará me esperando naquele lugar daqui a cinco dias.
–Vocês combinaram data? – Perguntou Merry.
–Combinamos, — respondeu Prímula – pois é muito longe aquele lugar da Cidade onde eu vivo, que, coincidentemente, é aqui, mas no futuro.
–Então por que você e Frodo não colocam o Anel aqui mesmo? – Perguntou Pippin.
–É muito perigoso, Pippin. Alguém pode nos ver. Aquela cidade é muito po
pulosa, e muito maior do que essa vila. Decidimos que o melhor lugar para colocarmos o Anel seria lá, perto dos portos cinzentos, onde não há ninguém por perto, a não ser a estrada que passa por lá.
–Então acho melhor já irmos arrumando nossas mochilas. – Disse Frodo – Partiremos amanhã, logo depois da aurora.
–Eu irei com vocês, Sr. Frodo. – Disse Sam.
–Nós também. – Disseram Merry e Pippin.
E todos foram arrumar suas mochilas. Colocaram nelas poucas roupas, pois queriam deixar espaço o suficiente para bastante comida. Em pouco tempo já estava tudo arrumado. Só tiveram que esperar o tempo passar. Logo a noite chegou, e eles jantaram uma ceia de despedida. Prímula estava alegre, pois veria Henrique novamente; mas por outro lado estava triste, pois perderia seus amigos.
–Vamos fazer um brinde! – Disse Frodo, levantando seu cálice – À Prímula!
E todos levantaram os seus também, e bateram uns nos outros, produzindo um barulho fino de metal polido. Depois beberam tudo de uma só vez. Não falaram mais nada depois, apenas comeram. Não lavaram a louça após comerem, deixaram todos os pratos e cálices sobre a mesa. Foram diretamente para a sala. Ficaram sentados conversando durante horas, mas não ficaram até tarde. Foram dormir cedo, pois no outro dia teriam de acordar cedo, também.
Depois de um sono tranqüilo, todos acordaram dispostos. Comeram o desjejum rapidamente e colocaram as mochilas nas costas (a de Prímula ainda estava um pouco rasgada, por causa do warg). Frodo abriu a porta e todos saíram. As chaves foram guardadas na mochila de Frodo, e depois de uma última fotografia, todos começaram a caminhar. Bolsão foi ficando para trás, e atrás deles saltitavam várias crianças, dispostas a acompanharem Prímula.
Quando chegaram nas fronteiras da Vila dos Hobbits, Prímula teve que pedir às crianças para que elas não a seguissem mais, pois ela estava indo embora. As crianças não queriam que ela fosse, mas deixaram, quando Prímula prometeu que voltaria. Então eles continuaram a viagem.
–Você vai voltar mesmo? – Perguntou Pippin, meio confuso.
–É claro que não! – Disse Merry. – Você não percebeu que ela só disse aquilo para as crianças não chorarem?
Pippin não respondeu, apenas murmurou em voz baixa, para si mesmo:
–Seria bom se ela voltasse.
–Eu também gostaria de voltar, Pippin.
Pippin olhou para cima, não pensou que ela fosse escutar.
–E por que não volta? – Perguntou Sam.
–Eu já disse, não posso. – Abaixou a cabeça – Henrique não viria comigo, e eu não virei sem ele.
–E se nós o convencêssemos? – Perguntou Frodo.
–É quase impossível, — respondeu Prímula – mas você pode tentar, se quiser.
–Então eu tentarei. – Disse Frodo – Me aguardem! – disse olhando para Merry, Pippin e Sam – Por que quando eu voltar, Prímula e Henrique virão comigo.
Os outros deram risada, inclusive Prímula, embora ela achasse que não voltaria mais.
Lentamente a Vila dos Hobbits foi se distanciando, e lentamente eles estavam cada vez mais próximos de nunca mais verem Prímula. Mas isso não fez com que perdessem o senso de humor e a alegria, pelo contrário: cada vez mais eles faziam brincadeiras e riam, para aliviarem a tensão da partida.
Quando o relógio de Prímula apitou, todos pararam. Eles sabiam que o relógio apitava ao meio-dia. Pararam para comer e descansar, mas logo voltaram a andar. A estrada ia serpenteando, subindo e descendo colinas, e, a cada passo que davam, mais perto do final estavam.
No fim da tarde pararam em uma estalagem para dormirem. Frodo sonhou com o dia tão esperado: o dia em que ele e Prímula colocariam o Anel e voltariam para o futuro. No sonho ele viu Prímula e Henrique se beijarem, depois, os três montaram no carro e foram para a Cidade. No meio do caminho Henrique perguntou para Prímula se ela havia gostado da viagem. Ela balançou a cabeça, dizendo que sim. Depois, chegaram ao apartamento, e Frodo convenceu Henrique a voltar com eles. No outro dia bem cedo estavam voltando ao local de partida; os três colocaram Narya e voltaram para o passado. Sam, Merry e Pippin os receberam calorosamente, felizes em saber que Prímula estava de volta.
Frodo acordou feliz. Ele viu que todos os outros já estavam acordados, comendo o desjejum na sala da estalagem. Sentou-se com eles e começou a comer.
–Você vai voltar, Prímula. – Sussurrou Frodo, de repente, ao ouvido dela.
–Como você sabe?
–Tive um sonho. Sonhei que você, eu e Henrique voltamos, e vocês ficaram morando aqui conosco para sempre.
–Seria bom, se fosse verdade.
Cessou-se o assunto. Todos voltaram aos quartos e arrumaram suas mochilas. Colocaram um pouco mais de comida e partiram.
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CAPÍTULO XXX
Troll!

Ainda fazia frio, mas a caminhada esquentava seus corpos. Não havia mais neve, pois o inverno estava chegando ao fim. Estava fazendo um dia nublado, com muitos pássaros cantando a toda volta, e os quatro hobbits e Prímula andavam devagar, pois não tinham pressa: ainda faltavam quatro dias para Henrique ir ao local combinado para buscá-los.
Chegaram à fronteira do Condado, e todos estavam inseguros.
–Por que não combinaram de se encontrar em um local mais seguro? – Perguntou Pippin – Não gosto de estar fora do Condado, a não ser quando estou em Gondor.
–Já expliquei, Pippin! – Disse Prímula – O local que escolhemos é o local mais seguro.
–Mais seguro? – Retrucou ele – Não é seguro estar lá. Há orcs, lobos, trolls, e muitos animais selvagens.
–Não é desse tipo de segurança de que estamos falando. – Disse Frodo – Você não entende, Pippin? Perto da cidade é perigoso, alguém pode nos ver aparecer. Seria uma cena um pouco embaraçosa se nós aparecêssemos de repente bem em frente de uma multidão, não acha?
Pippin não respondeu, apenas abaixou a cabeça.
–Foi você mesmo quem optou por vir, Pippin. – Disse Merry – Agora não há volta, a não ser que você volte sozinho.
–Eu não disse nada. Não estou pedindo para ir embora.
Começou uma discussão, que somente se cessou quando de repente ouviram um grunhido. Sentiram o solo sob seus pés tremer.
–O que é isso? – Perguntou Prímula.
–Troll! – Gritaram os outros quatro hobbits, ao verem um enorme troll se aproximando correndo, vindo do meio das árvores mais à . frente. Um troll era um humanóide gigante, com o quádruplo do tamanho de uma pessoa normal, usava como roupas apenas alguns trapos amarrados à cintura, e não vivia armado, sua própria força era sua arma.
–O que faremos? – Gritou Sam, sacando sua espada. Frodo também sacou a sua, mas Merry, Pippin e Prímula não tinham espadas.
O troll não estava vindo na direção deles, mas ao ver as espadas nas mãos de Frodo e Sam, ele se assustou e ficou furioso. Só então come&ccedil
;ou a correr na direção deles.
–Corram! – Gritou Frodo.
Todos saíram correndo, mas o troll era rápido demais, e estava cada vez mais próximo, correndo muito mais em sua fúria.
–Vamos nos separar! – Gritou Sam.
Cada hobbit correu para uma direção, desviando-se das árvores às arvores, mas Prímula permaneceu correndo em linha reta. O troll não sabia em que direção correr. Prímula era mais fácil de ser pega, pois corria somente em linha reta, e era maior. Mas ao invés de correr atrás de Prímula, o troll foi guiado pela fúria, e se virou e começou a correr atrás de Frodo, pois sua espada reluzente convidava-o para um duelo.
Não sabendo o que fazer, Frodo parou de correr.
–O que está fazendo, Sr. Frodo? – Perguntou Sam.
–Não se preocupe. – Disse ele.
–Corra, Frodo, ou virar comida de monstro! – Gritou Prímula.
–Não se preocupem comigo.
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O troll chegava cada vez mais perto, e os companheiros de Frodo pararam de correr. Queriam socorrê-lo, mas o troll os mataria. Quando chegou perto o suficiente, o troll parou. Abaixou-se e pegou um pedaço velho de tronco de árvore que havia no chão. Frodo começou a correr novamente, com a espada empunhada. Mas não correu do troll; pelo contrário, correu na direção dele, mas desviou-se antes de colidir. O grande monstro sacudia seu bastão de um lado para outro, tentando acertar Frodo, enquanto este corria em volta dele.
De tanto girar, tentando acertar o pequeno hobbit, o troll ficou tonto e parou. Frodo também parou, ofegante, mas não perdeu tempo: desferiu um profundo golpe na canela do enorme humanóide.
O troll urrou, perdeu o equilíbrio e caiu sentado no chão. Mas não desistiu, estava ainda mais furioso, e investiu com seu bastão, que acertou raspando as costas de Frodo. Diante daquela cena, os outros três hobbits e Prímula se aproximaram correndo, tentando ajudar Frodo, mas não conseguiram chegar muito perto, pois o troll se postara novamente de pé, e corria manco, com o sangue negro jorrando de sua canela, atrás de qualquer pessoa que aparecesse em sua frente. Frodo estava agora machucado, mas não perdera suas forças, ainda corria de um lado para outro, tentando afastar o troll de perto de seus amigos.
Sam foi o único que conseguiu se aproximar de Frodo, pois sua espada deixava o troll relutante. Prímula, Merry e Pippin apenas assistiam de longe a cena de um enorme troll lutando e correndo atrás de dois pequenos hobbits.
Mas depois de tanto correr, Frodo sentiu-se muito cansado, e parou. O troll também estava cansado, mas não tanto quanto Frodo. Aproveitando a situação, Sam correu um pouco para longe (mas não longe o bastante), e deixou Frodo sozinho diante do monstro. Quando o troll foi desferir seu último golpe na cabeça de Frodo, Sam veio correndo por trás e, com um salto, enfiou a pequena espada nas costas do troll, que caiu no chão, quase em cima de Frodo. Frodo levantou-se ofegante e assustado, e correu para perto de Sam, que neste instante estava retirando sua espada da grossa pele imunda.
–Obrigado, Sam. – Disse Frodo, quase não agüentando falar, tamanho era seu susto.
–Não por isso, Sr. Frodo. Eu estava lhe devendo um favor, pelo susto que fiz o senhor passar pelo desaparecimento do Anel e do Livro.
Prímula, Merry e Pippin se aproximaram, pretendendo ficar perto de Frodo e Sam, mas longe do troll.
–Você está bem, Frodo? – Perguntaram os três ao se aproxima-rem.
–Mais ou menos. Estou com um pouco de dor nas costas.
–Deixe-me ver. – Disse Prímula.
Ela viu a camisa de Frodo rasgada nas costas, e se assustou ao levantá-la.
–Está ferido! – Disse ela. – Há um enorme corte nas costas. Pode infeccionar.
Nesse momento, um forte urro saiu da enorme boca do ser deitado no chão.
–Não está morto. – Disse Sam. E enfiou a faca (desta vez mais forte) bem na orelha no troll. Prímula tirou uma fotografia do troll morto.
–Agora está, com certeza. – Disse Frodo, tentando mostrar descontração, mas a dor em suas costas o fez gemer.
–Preciso cuidar disto. – Disse Prímula – Antes que infeccione.
valinor

Narya – Parte 02

CAPÍTULO VI
A Cidade
Conforme iam se aproximando da cidade, Frodo e Sam ficavam mais nervosos (e também mais assustados) com a idéia de viver, mesmo que por alguns dias, naquele horripilante cenário.
Passaram por uma placa que indicava o limite da cidade.
–Eu moro no Centro da Cidade, — disse Prímula – logo estaremos lá, cerca de uns 20 minutos.
–Estou com medo. – disse Sam. E realmente estava apavorado.
–Não se preocupe, Sam. Eu estou aqui com você, e Prímula também. Ela sabe o que fazer.
–Frodo está certo, Sam. Não se preocupe, não deixarei que nada de mal os aconteça.
Sam se encolheu contra o corpo de Prímula quando surgiram as primeiras casas e os primeiros carros. Finalmente chegaram á avenida, e estavam atravessando-a tranqüilamente (Sam já estava perdendo um pouco do medo), quando um carro buzinou.
 
–O que foi isso? – Disse Sam, muito amedrontado. Saltou da moto e começou a correr, até parar no meio da avenida, entre vários carros, que consequentemente, começaram a buzinar.
–Ei, Sam, volte! – Gritou Frodo.
–Venha, Sam, — gritou Prímula – você não pode ficar aí, vai ser atropelado!
Mas de nada adiantava os gritos. Sam desembainhou a espada e ficou parado, olhando assustado para todos os outros carros em sua volta, desafiando-os. Sentou-se no chão e colocou a cabeça entre os joelhos, chorando.
Prímula desceu da moto. – Fique aqui, Frodo, eu vou buscá-lo. – E com isso apoiou a moto e correu para onde Sam se encontrava. Os carros não paravam de buzinar, as pessoas gritavam coisas como: –Sai daí, garoto! Vai para casa!
–Ei, Sam! Sam! – Prímula chamou-o e levantou sua cabeça encaracolada com as mãos delicadamente. – Vamos, Sam. Não pode ficar aqui.
–Não, eles vão me pegar!
–Quem vai te pegar?
–Eles! – E apontou para os carros que estavam à sua volta.
–Não, Sam. Eles não podem te pegar. Não disse que eu ia protegê-lo?
Sam fez um sinal de sim com a cabeça.
–Então, você está a salvo comigo!
Sam se recusou a levantar de qualquer jeito. Prímula então tomou uma atitude mais drástica.
–Sam, vai ter que me desculpar por isso. – E pegou-o no colo, como uma criança. Levou-o de volta para a moto. Sam foi gritando até chegar lá.
–Assim está parecendo uma criança mesmo. – Disse Frodo.
Sam ficou sem graça, mas agradeceu Prímula, e prometeu não saltar mais da moto.
–Assim está melhor. – Disse Prímula, e acelerou.
Logo já estavam em frente ao prédio onde ela morava, e os dois hobbits ficaram espantados com o tamanho da propriedade.
–Tudo isso é seu? – Perguntou Frodo surpreso.
–Não, não. – Respondeu rindo. – Moro só em um apartamento, não no prédio todo. Esse prédio é dividido em várias outras casas, entendem?
–Acho que sim.
Foram até o estacionamento, deixaram a moto lá, e quando estavam entrando no prédio, o porteiro não se conteve.
–Oi, Prímula, quem são essas crianças?
–São filhos de uma amiga minha. Ela foi viajar e não pôde levá-los consigo, então, me ofereci para ficar com eles por uns dias, até ela voltar.
–Mas não somos cr… – Sam foi detido por um cutucão que Frodo lhe deu.
–Vamos, crianças… – Prímula disse, rindo. Sam pareceu não gostar muito da idéia, mas Frodo não ligou.
Chegaram em frente a uma porta fechada que se abriu sozinha quando Prímula apertou um botão. Entraram . Dentro era um lugar pequeno, cabiam no máximo umas oito pessoas. Apertou outro botão e os dois hobbits sentiram que estavam subindo.
–Para onde estamos indo, Prímula? – Perguntou Sam.
–Para meu apartamento. Fica no 16º andar, estamos subindo pelo elevador.
–E as escadas?
–Não precisamos delas. – O elevador parou e as portas se abriram.
Saíram e se encontraram em um corredor. Havia uma janela no canto, e Prímula os chamou para ver. Na ponta dos pés puderam olhar pela janela.
–Nossa, como é alto! – Exclamou Sam. — Como chegamos até aqui?
–Já disse, pelo elevador. Ele nos traz de baixo para cima, ou daqui de cima até lá embaixo.
–Nossa! – Disse Frodo. – Há várias portas aqui. Qual delas leva à sua casa?
–Aquela. – E apontou para uma porta no meio do corredor.
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CAPÍTULO VII
Na Casa de Prímula
Prímula procurou as chaves na bolsa e não as encontrou. "Será que as perdi?". Estava procurando desesperadamente por todos os lugares, até embaixo do tapete (onde ela sempre deixava), mas não encontrava em nenhum lugar.
–Acho que perdi as chaves – disse ela. – Não consigo pensar em nenhum lugar mais por onde procurar.
–E se estiver aberta? – Opinou Sam. – Você pode ter deixado a porta destrancada, talvez tenha esquecido.
–Eu nunca me esqueço de trancar a porta. Tenho certeza de que tranquei. Se não me engano, a chave deveria estar debaixo do tapete, é sempre lá que deixo, a não ser quando ponho-as na bolsa.
–Acho melhor pararmos de discussão. – Disse Frodo. – Prímula, tem certeza de que não deixou a porta aberta?
–Certeza absoluta.
Frodo não disse nada, mas ficou fitando a porta, tentando descobrir como se abria aquela porta, com uma maçaneta tão estranha. – Prímula, se você tivesse deixado a porta destrancada, como eu faria para abri-la?
–É só girar a maçaneta.
Frodo tentou girá-la. Fez um pouco de força e… A porta se abriu.
–Mas… – Exclamou Prímula. – Como foi que você…? – Mas ela viu as chaves sobre a mesa e resolveu não dizer mais nada. "Devo tê-la esquecido aberta, mesmo."
No mesmo instante um cachorro, ou melhor, uma cachorra veio correndo de dentro do apartamento e começou a pular nas pernas de Prímula.
–O que é isso? – Sam não se conteve.
–É um cachorro. – Respondeu ela.
–Eu sei que é um cachorro, eu quis perguntar de que raça é. É bem diferente de todos os outros cachorros que já vi.
–Ah, é um poodle. Deve estar estranhando porque ela tem cabelos encaracolados, como os seus.
–Muito bonito, seu cachorro. – Disse Frodo. – Pequeno e de cabelos encaracolados… daria um ótimo animal de estimação para um hobbit. – Todos riram. – Mas, como eu estava dizendo, como foi que eu consegui abrir a porta se não estava com as chaves? Vou repetir a mesma pergunta: Prímula, tem certeza de que não deixou a porta aberta? – Novos risos.
–Agora, tenho certeza de que deixei realmente a porta aberta. Mas deixemos esse assunto para outra ocasião. Vamos entrando, sintam-se em casa.
–Com todos esses objetos estranhos, acho que será difícil me sentir em casa. &ndas
h; Sussurrou Sam no ouvido de Frodo.
–Concordo plenamente.
–Bem, já está tarde. O que me dizem de jantarmos?
–Jantar? – Sam estava curioso. – O que é exatamente jantar?
–Não sabem? É comer, matar a fome, forrar o estômago.
–Cear, você queria dizer, então.
–É a mesma coisa!
–Não é!
–Se eu digo que é, é porque é!
–Chega! – Gritou Frodo – Será que nunca vão se entender?
Todos ficaram em silêncio, mas nem alguns segundos haviam se passado e ouviram uma voz vindo de dentro do quarto de Prímula:
–Que gritaria é essa? Não se pode mais dormir em paz, não? – E da direção que vieram os gritos surgiu um homem, somente vestido com as roupas de baixo, musculoso e mal humorado, com cara de sono. – Quem são essas crianças?
–Quem é você? – Perguntou Sam. – O que está fazendo aqui?
–Eu é quem deveria perguntar. Sou o namorado de Prímula, e vocês, pelo que parecem, são duas crianças imundas que estavam brincando na terra.
–Ora, seu… – Mas Sam foi impedido por Prímula. – Calma, vamos nos entender como pessoas decentes! Sem brigas!
–Sam, Frodo, esse é Henrique, meu namorado. Henrique, esses são Sam e Frodo, dois amigos que eu conheci quando estava voltando para a Cidade.
–E nós NÃO somos crianças! – Completou Sam.
–Ah, é? O que são então, adultos? Odeio crianças que acham que já cresceram.
–Não, somos hobbits! – Falou Frodo no lugar de Sam.
–E o que é hobbit? Alguma espécie de macaco? – E ele começou a rir.
–Henrique, não seja grosso! Peça desculpas, que depois eu explico tudo o que aconteceu.
Depois de relutar, Henrique finalmente se desculpou.
–Agora eu entendo por que a porta estava aberta… – disse Prímula. – Deveria ligar antes de vir, Henrique.
–Eu liguei, mas você não estava, então eu resolvi fazer uma surpresa.
–Surpresa? Você quase me matou de susto, pensei que tivesse entrado algum ladrão ou que eu tivesse perdido as chaves! Mas ande! Vá se trocar! Coloque alguma roupa por cima dessa cueca!
Henrique entrou no quarto com a cabeça baixa, parecia nervoso, mas Prímula pareceu não se importar, e perguntou aos hobbits:
–O que vão querer cear?
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CAPÍTULO VIII
Pizza

–Não sei, você deveria oferecer o que você tem, e não perguntar o que queremos, ficaremos gratos com qualquer coisa. – disse Frodo.
–Mas eu não tenho nada, estava pensando em pedir alguma coisa.
–Pedir para quem? – Perguntou Sam. – Nós também não temos nada, bem, só um pouquinho, mas não dá para todos nós.
Prímula riu. – Não estava pensando em pedir para vocês, eu queria dizer pedir para algum restaurante entregar comida aqui em casa.
–Já sei, não precisa explicar: restaurante é onde vende comida, acertei? – Disse Sam.
–Acertou sim, Sam. E o que vão querer? Que tal pizza?
–O que… – Sam nem terminou de fazer a pergunta quando Henrique apareceu, já trocado, e exclamou:
–Pizza! Ótima escolha, eu quero a minha de atum.
–Calma, Henrique, eu nem sei se eles gostam de pizza. Não seja apressado!
–Comemos qualquer coisa, — disse Frodo — mesmo essa tal de… como é que se diz, mesmo?
–Pizza! P-I-Z-Z-A, — disse Henrique. – Não sabem o que é? De onde vocês vem, do passado?
–Na mosca! – Exclamou Prímula. – Agora não atormente mais os coitadinhos, depois eu explico tudo para você.
–Obrigado, Prímula. – Agradeceu Sam. – Mas nós comemos essa tal de pizza mesmo. Nós, hobbits, gostamos de qualquer coisa para comer.
–E o que vão querer beber?
–Agora, se não se importa, eu gostaria de opinar. – Disse Frodo.
–E o que é?
–Cerveja. Isso é, se vocês tiverem, é claro.
–Como é que é? – perguntou Henrique. – Vocês não têm vergonha? Tão pequenos e já tomam cerveja?
–Antes de tudo, eu queria esclarecer uma coisa para esse tal do seu namorado, Prímula. – Disse Sam. E virou-se para ele. – Não nos chame mais de crianças porque agora você já sabe: Eu tenho 45 anos, ou seja, sou bem mais velho que você. E o Sr. Frodo tem 57.
Henrique riu mais alto que nunca. Ele não acreditava que duas pessoas pequenas com cara de crianças poderiam ter 45 anos, muito menos 57. – Estão brincando comigo! – Mas ele viu que todos estavam sérios, e ninguém riu nem um pouco, então ele parou e achou melhor não discutir. Na verdade, estava até começando a acreditar no que eles diziam. Se fosse mentira, sabiam mentir muito bem. Mas não teriam coragem de brincar com uma coisa dessas, talvez nem imaginação o suficiente para inventar isso. Henrique já sabia que algo de estranho estava acontecendo, mas não pensara que chegaria a esse ponto.
–Tudo bem. – Disse ele cabisbaixo. – Vocês me convenceram. Podem tomar a sua cerveja, se quiserem. Eu vou tomar um banho para refrescar a cabeça. Enquanto isso, podem ir pedindo a pizza. – E saiu.
–Vamos, enquanto eu peço, vocês podem ficar assistindo televisão.
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Os hobbits não entenderam, mas se sentaram no sofá em que ela apontou. Sam viu um pequeno objeto sobre a mesinha que estava diante deles. Ficou curioso e o pegou na mão. Ele percebeu que haviam vários botões sobre o objeto, e que apesar de pequeno, deveria servir para alguma coisa útil, pois havia várias coisas escritas sobre os botões. Sam resolveu apertar algum botão para ver o que ele fazia.
–Sam, — apressou-se Frodo – é melhor não mexer. Pode quebrar, ou coisa parecida. Aliás, você nem sabe para que serve.
Prímula virou-se e viu Sam colocando o controle da televisão de volta na mesinha. Ela riu um pouco, pois tinha se esquecido que eles provavelmente não sabiam o que era uma televisão, e disse:
–Apertem o botão vermelho.
Sam adorou a sugestão e mal havia colocado o controle sobre a mesa já pegou-o novamente e apertou o botão vermelho. Seguido de um barulho agudo, quase inaudível, o objeto grande que havia sobre a mesa se iluminou e a imagem de uma pessoa apareceu no centro. Ambos os hobbits deram um grito, pois não faziam idéia do que era aquilo. Pensaram que fosse uma pessoa aprisionada em um cubículo.
–Não se assustem, é só a televisão. Ela funciona para que nós possamos ter notícias de tudo o que acontece no mundo.
–Tudo? – Assustou-se Frodo. – Tudo mesmo?
–Bem, quase tudo.
–Mas, como é que esse homem pode ficar dentro de uma caixa menor que ele? – Perguntou Sam.
–Não há nenhum homem aí, é só uma imagem. Na realidade, esse homem está em outro lugar. Entenderam?
–Não. – Disseram os dois hobbits no mesmo instante.
–Tudo bem, mas vocês entenderam que não é ele que está aí, não é?
–Bem, acho
que eu entendi um pouco, pelo menos eu entendi que há coisas muito estranhas nesses tempos. – Disse Frodo.
–E a pizza, você já foi pedir? – Perguntou Sam.
–Já. Desde que vocês se sentaram no sofá.
–Mas eu nem a vi sair. A porta nem sequer abriu. Não teria dado tempo de você sair, está brincando conosco.
–Mas eu pedi pelo telefone!
–Telefone?
–É, serve para falarmos com as pessoas sem termos que sair de casa.
–Verdade? – Frodo espantou-se.
Prímula pegou o telefone e o trouxe para perto dos hobbits. – Aqui está.
–Quero falar com alguém pelo telefone. – Pediu Sam.
–Mas você não conhece ninguém daqui, Sam. – Disse Frodo.
Então Sam desistiu, e satisfez-se somente com ficar olhando para a televisão. Pegou o controle e ficou apertando os botões, admirando-se com cada imagem que aparecia. Frodo também gostou da idéia de ver coisas que acontecem em outros lugares. Os dois se divertiram tanto que nem viram quando a pizza chegou, mas logo que sentiram o cheiro se deram conta de que pizza devia ser uma comida bastante gostosa.
No mesmo instante Henrique também apareceu, ainda secando os cabelos (que eram poucos) com a toalha, e se sentou na cadeira da ponta da mesa. A cachorra de Prímula também pareceu agradada pelo cheiro.
Prímula serviu a todos e eles comeram e beberam, até não agüentarem mais. Os hobbits gostaram da pizza, pois além de gostosa era um tipo de comida para pegar com as mãos, e isso eles sabiam fazer. Gostaram ainda mais da cerveja, apesar de ser um pouco mais forte do que eles pensaram que fosse.
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CAPÍTULO IX
Uma idéia quase perfeita

Após comerem, eles ainda ficaram sentados, conversando à mesa. Quem mais falava era Henrique; mas Prímula resolveu mudar de assunto e conversar um pouco sobre os hobbits e sobre a Vila dos Hobbits.
–Então, como foi que exatamente vocês chegaram até aqui? – Perguntou Prímula.
–Deve ter sido voando. – Brincou Henrique. Os hobbits o olharam com cara feia, e ele resolveu parar de fazer essas brincadeiras (pelo menos por enquanto).
–Não sei ao certo, Prímula, — disse Frodo – mas eu acho que foi quando colocamos o Anel no dedo.
–Anel, mas que anel? – Prímula ainda não sabia do anel.
–Ainda não contamos? – Perguntou Sam.
–Não que eu me lembre. Então contem, assim Henrique pára de falar um pouco, e também ele poderá ouvir como foi que vocês chegaram até aqui, e entenderá realmente de onde vêm.
Então Frodo e Sam contaram tudo desde a partida de Frodo para os portos cinzentos (incluindo o fato de que Gandalf possuía Narya, o Grande). – Bem, — continuou Frodo – eu e Sam estávamos caminhando, com destino à Vila dos Hobbits, quando paramos um pouco para descansar, e eu mostrei Narya para Sam, e nós o colocamos no dedo (os dois juntos); foi quando surgiu um clarão e um estrondo ensurdecedor, como se fosse um trovão, só que muito mais alto. – Sam concordava com a cabeça, ou dizia alguma exclamação de aprovação, como "isso mesmo". – Então percebemos que estávamos no mesmo lugar, mas as coisas estavam diferentes, como se tivéssemos andado no tempo; descobrimos que foi isso mesmo que aconteceu quando encontramos a estrada, e, consequentemente, Prímula.
–Daí em diante eu sei o que aconteceu. – Disse Henrique, surpreso em ouvir essa história quase inacreditável. – Então vocês vieram com Prímula até aqui e aqui estamos!
–Não precisaria ser muito esperto para deduzir isso. – Disse Sam com um certo tom de repugnância na voz.
–Ih, já vi que você não gostou de mim, baixinho.
–Vamos parar de discussão! – disse Prímula. – Sam, eu sinto muito pela perda de sua família, meus pêsames.
Tendo dito isso, Prímula reparou que Sam ficou um bom tempo sem falar nada, como se estivesse sufocando o choro. Então ela decidiu mudar de assunto.
–Então, Frodo, continuemos. Onde está o tal Anel que leva pessoas no tempo? Mostre-o para nós.
Frodo tirou o anel do bolso, e eles puderam ver que realmente o anel era muito grande, não era de admirar caber dois dedos indicadores, mesmo sendo de dois pequenos hobbits. Prímula e Henrique ficaram encantados com tamanha beleza. O anel era de ouro, mas não um ouro comum, esse ouro era diferente, tinha uma aparência pura e trazia uma sensação boa. E aquela pedra vermelha realçava a aparência, tornando-o mais belo ainda.
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–Posso tocá-lo? – Perguntou Henrique.
–C… Claro. – Respondeu Frodo meio relutante. – E colocou o anel sobre as mãos de Henrique, que estavam estendidas sobre a mesa.
Depois de muito examinar Henrique perguntou: –Como pode?
–O quê? – disse Frodo.
–Não, eu só estava pensando um pouco alto, mas já que perguntou, como é que um Anel pode ter tanto poder e beleza?
–Foi feito pelos elfos. – Se adiantou Sam. – E os elfos possuem poderes e fazem mágica.
–Não vou perguntar o que são elfos pois você ficaria anos e anos falando deles. Você fala demais! – Henrique tentou dar o troco.
–Não tanto quanto você.
–Vamos parar de brigar? – Disse Frodo. – Não chegaremos a lugar algum dessa maneira.
–Frodo tem razão. – Disse Prímula. – Estamos tentando descobrir a razão por que chegaram aqui, e não quem é mais chato.
Sam e Henrique ficaram um tanto cabisbaixos, mas nada que o tempo não resolva.
–Eu queria saber como é que vamos embora. – Murmurou Frodo.
–Mas não há registros, nada que fale sobre esse Anel? – Perguntou Prímula. – Vocês não sabiam desse poder antes de usá-lo? Nunca leram nada sobre ele?
–Registros? Ler? – Frodo pareceu ter uma idéia. – É isso! Por que não pensei nisso antes?
–O que foi? –Perguntaram todos ao mesmo tempo.
–Você tem lareira? – Perguntou Frodo a Prímula. O rosto de Sam se iluminou, ele entendera a idéia de Frodo.
–Não, mas…
–Não tem? Então eu posso fazer uma fogueira aqui?
–Fogueira? É fogo que você quer?
–Isso mesmo, eu tive uma idéia.
–Serve o fogo do fogão?
–Não sei se serve. Posso vê-lo?
Então Prímula levou Frodo e Sam para a cozinha, e Henrique foi atrás, curioso. Ela acendeu o fogão somente virando um botão e apertando outro. Sam admirou-se com a facilidade com que ela conseguia o que eles queriam.
–Acho que serve. – Disse Frodo. – E aproximou o Anel do fogo, segurando na pedra, para não se queimar. O anel já estava ficando um pouquinho mole quando ele resolveu tirá-lo. Ficou observando o anel por alguns minutos, tentando procurar alguma marca, mas nada.
Frodo passou o anel para Prímula: — Consegue ver alguma coisa? – Perguntou.
–Não, nada.
–Tem certeza? Talvez alguma escrita bem fina.
Prímula observou minuciosamente o Anel e depois o passou para Sam e para Henrique, mas ninguém enxergou nada.
–Como
sou burro! – Exclamou Frodo. – Eu me esqueci, pôr o Anel no fogo não adiantaria nada!
–Mas com o Um Anel funcionou. – Disse Sam.
–Isso porque o Um Anel foi feito por Sauron, e ele sentia falta do calor de sua mão. Mas Narya foi feito pelos elfos, e calor não adiantaria nada.
–Os elfos são um povo puro, — disse Sam – então temos que pensar em alguma coisa pura para envolver o anel. Talvez assim apareça alguma escrita.
–Será que água é pura o suficiente? – Arriscou Henrique. – Não entendo nada sobre elfos, mas talvez possa funcionar.
–Você tem razão. – Disse Frodo. E virou-se para Prímula: — Você poderia arranjar algum pote com um pouco de água limpa?
–Claro. – Virou-se e abriu uma prateleira que havia sobre a pia; pegou uma panela e a encheu com um pouco de água mineral. – Aqui está.
Frodo pegou a panela e colocou-a sobre a pia, então mergulhou o anel dentro da água. Esperaram alguns minutos antes de tirarem-no.
–Não consigo ver nada. Pelo menos não até agora. Talvez precise de mais tempo. – Disse Frodo. – Vamos esperar até amanhã.
–Sim, — disse Prímula – e além disso já passou da hora de irmos dormir. Vamos agora, e amanhã veremos o que o Anel terá a nos revelar.
Saíram da cozinha e foram até a sala. Prímula havia se esquecido de que era Sábado e não precisariam dormir cedo, mas Henrique a lembrou e todos ficaram conversando. Já estava ficando tarde, e Sam, que estava sentado ao lado de Frodo, começou a cabecear e lutar contra o sono, até não agüentar mais. De repente Prímula percebeu que Sam não falava nada e viu que ele estava dormindo.
–Nossa, já está muito tarde! Vamos, é hora de dormir. – Disse ela.
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CAPÍTULO X
A Decepção

Sam acordou ao ouvir Prímula chamá-los para dormir e levantou-se rapidamente. Sentiu-se um pouco envergonhado, mas logo passou.
–Vocês gostariam de tomar um banho antes de dormir? – Perguntou Prímula aos hobbits.
–Eu gostaria. – Disse Frodo.
–Eu também. – Completou Sam.
Prímula conduziu-os ao banheiro e colocou duas toalhas sobre a pia. Henrique foi para sua própria casa e prometeu voltar no dia seguinte para ajudá-los com o Anel.
–Para abrir a água quente, girem a torneira da esquerda, e para abrirem a fria, girem a da direita. – Disse Prímula. – Enquanto vocês tomam banho eu irei arrumar a cama de vocês, isso é, se não se importarem de dormir em um colchão no chão.
–De maneira alguma, — disse Frodo – dormimos em qualquer lugar que nos arranjar.
–Ótimo. – Disse ela. – Então, quem vai tomar banho primeiro? Eu só tenho um banheiro.
Os dois hobbits se olharam e depois de muitas gentilezas decidiram que Sam tomaria banho primeiro, pois ele estava mais sonolento. Enquanto Sam se divertia com as torneiras e com a temperatura da água, Frodo ajudou Prímula a colocar dois colchões no chão ao lado de sua cama.
Sam terminou de tomar banho 45 minutos depois, ele adorou tomar banho de chuveiro. Prímula deu-lhe uma camisola para vestir (Sam não gostou da idéia, mas era melhor do que colocar a roupa suja que estava antes) e ele deitou-se e logo adormeceu.
Depois que Frodo tomou banho, também teve que vestir uma camisola, então, todos dormiram.
No outro dia Frodo acordou e encontrou Prímula parada na porta do quarto, olhando para ele. Sam ainda dormia profundamente.
–O que foi? – Perguntou Frodo a ela.
–O Anel. Não há marca alguma nele.
–Não? O que faremos agora? Temos que descobrir outra maneira para voltar para casa.
–Bem, aqui está o anel. – Disse Prímula. – Ainda está molhado, mas não demonstra marca alguma. – E colocou o Anel na mão de Frodo.
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Frodo abaixou o rosto e ficou pensativo, ainda sentado no colchão. Depois levantou-se e foi para a cozinha, acompanhado de Prímula. Ela deu-lhe um copo de leite e algumas bolachas para comer. Ele comeu muito rapidamente e depois ficou sentado observando o anel pensativamente.
Minutos depois Sam apareceu, ainda com os olhos inchados de sono. Também comeu o desjejum muito rapidamente, e se sentou ao lado de Frodo. Ao ver o Anel e a expressão na face de Frodo e de Prímula, Sam deduziu que a idéia da água não havia dado certo.
Meia hora depois a campainha tocou.
–O que foi isso? – Perguntou Sam.
–Foi só a campainha, — disse Prímula – alguém a toca para dizer que chegou.
Prímula abriu a porta; era Henrique. Eles se beijaram e entraram.
–Foi bom você ter chegado, Henrique. – Disse Prímula. – Você pode fazer companhia a eles enquanto eu vou ao shopping comprar algumas roupas para os Pequenos vestirem.
Logo depois Prímula saiu e Henrique se sentou à mesa com os hobbits.
–E aí, gostaram de se vestirem como mulheres? – Brincou ele.
–Gostamos, quer um beijinho? – Disse Sam. Os três riram.
–Falando sério, agora. O que estava escrito no anel? – Perguntou Henrique.
–Nada, a idéia da água não deu certo. – disse Frodo.
–Foi idéia sua! – Disse Sam a Henrique.
–Foi uma boa idéia, sim! Pena que não funcionou, vou ter que aturá-lo por mais alguns dias, pelo visto, baixinho.
Logo Sam e Henrique já estavam discutindo. Frodo não estava prestando atenção, estava observando o Anel, procurando alguma pista, pensando em como voltaria para casa. Estava com muitas saudades de Bolsão, havia anos não o via, queria voltar a morar lá. Também queria rever Merry e Pippin, saber o que lhes aconteceu.
Os três nem perceberam o tempo passar. Logo Prímula já estava de volta e só então Henrique e Sam cessaram a discussão. Frodo ainda estava pensativo e levou um susto ao ver Prímula parada à sua frente.
–Comprei algumas vestes para vocês. Vejam se fica bem ao corpo, experimentem!
Sam foi para o quarto pôr as roupas, e Frodo foi para o banheiro. Ficaram felizes em se livrarem das camisolas. Depois de colocarem as roupas (que eram infantis), ficaram ainda mais parecidos com crianças.
–Estão uma gracinha! – Disse Prímula. – Não aparentam ter mais do que nove anos de idade.
–Mas eu não quero parecer uma criança! – Exclamou Sam indignado.
–Mas tem que parecer uma se quiser sair do apartamento e ir lá fora. – Disse Frodo. – Eu também não queria parecer, mas é necessário, não podemos sair por aí com roupas de hobbits.
Estavam vestindo calças jeans, camisetas com coletes e tênis.
–Um toque final. – Disse Prímula ao se aproximar deles com dois relógios de pulso na mão.
–O que é isso? – Perguntaram ambos os hobbits juntos.
–Relógios. Servem para marcar a hora. – Foi Henrique quem respondeu.
–Marcar a hora? Não vêem a hora conforme a posição do Sol? – Perguntou Sam.
–Sim, — disse Prímula – o relógio marca a posição do sol.
Ela agac
hou perto dos hobbits, pediu para estenderem os braços esquerdos e colocou os relógios em seus pulsos. – Pronto! – Disse ela.
–E como vemos a hora aqui? – Perguntou Frodo. Então Prímula ensinou-lhes. Sam ficou impressionado com a quantidade de coisas úteis que haviam no futuro, ele adorou o relógio.
Ficaram conversando durante horas, Frodo e Sam aproveitaram para contar-lhes a história da Guerra do Anel, sobre o Um Anel. Henrique e Prímula ficaram impressionados com as aventuras e os perigos que eles haviam enfrentado.
–Há tantas coisas estranhas assim lá no passado? – Perguntou Henrique.
–Não! Aqui é que há coisas estranhas. – Disse Sam.
–Não vejo nada de estranho aqui.
–Vamos parar logo antes que vocês comecem a discutir. – Disse Frodo.
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CAPÍTULO XI
A Luz

Sam e Henrique abaixaram as cabeças e todos se calaram. Sam foi o primeiro a quebrar o silêncio. Ele olhou no relógio e disse:
–Se não me engano, está na hora de comermos. Meio-dia, certo?
–Certo! – Disse Prímula. – Que tal irmos a um restaurante?
Saíram do apartamento e novamente estavam no corredor. Entraram no elevador e Sam vibrou de alegria quando a porta fechou:
–Daqui a pouco não estaremos mais aqui, certo?
–Certo, estaremos lá embaixo. Ou melhor, já estamos. – Disse Prímula.
A porta se abriu e estavam na recepção. Iam saindo quando o porteiro os abordou:
–Como vão as crianças? Estão indo passear?
Sam se segurou para não gritar (odiava ser chamado de criança). Mas Prímula respondeu:
–Estamos indo almoçar.
E saíram. Foram para a garagem do prédio e pararam em frente a um carro azul.
–O que é isso? – Perguntou Sam.
–Carro. Vamos com ele ao restaurante. – Respondeu Henrique.
–Pensei que fôssemos de moto. – Disse Frodo.
–O carro é meu, não de Prímula, e além do mais, não caberíamos todos na moto.
Meio intrigados os hobbits entraram no carro, no banco de trás. Quando partiram, Sam e Frodo ficaram satisfeitos com a comodidade do carro. Era muito melhor do que andar de moto ou a cavalo. Henrique acelerou muito e o carro atingiu uma grande velocidade na avenida. Chegaram ao restaurante rapidamente, e logo já estavam fora do carro esperando Henrique estacionar. Quando entraram no restaurante, Frodo e Sam se assustaram com a quantidade de pessoas, todas sentadas em mesas, comendo. Prímula e Henrique escolheram uma mesa no canto, bem no fundo do restaurante, pois não sabiam se os hobbits sabiam comer com talheres, e, se não soubessem, certamente passariam vergonha.
O garçom parou ao lado da mesa e perguntou o que gostariam de comer. Foi Henrique quem fez o pedido. Os hobbits comeram como se não comessem há dias (somente usando as colheres). Tomaram suco de laranja, pois Prímula achou que seria desagradável pedir cerveja para as supostas crianças tomarem.
A hora da sobremesa foi a hora que Sam e Frodo mais gostaram, pois nunca tinham comido doces tão saborosos. Depois de terem pagado a conta, Frodo e Sam experimentaram uma bebida surpreendentemente relaxante: café. Os dois hobbits nunca pensaram que viajar para o futuro pudesse ser tão gostoso.
Quando saíram do restaurante, um jardim (pequeno, mas belo) chamou a atenção de Sam.
–Veja, Sr. Frodo! Que belo jardim!
Frodo olhou para o jardim e fez-se a luz.
–Sam! O jardim! O jardim! – Disse ele.
–O que é que tem o jardim, Frodo? – Perguntou Prímula.
–É isso! – Disse Frodo no momento em que arrancava violentamente algumas folhas e flores.
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O gerente saiu do restaurante e parou ao lado de Frodo:
–O que pensa que está fazendo, moleque?
–Nada! – Respondeu Prímula. – Ele só está brincando, mas nós já estamos indo embora. – E pegou Frodo no colo e foi em direção ao carro.
–Ei, ponha-me no chão, eu posso andar sozinho! – Gritava Frodo.
Henrique e Prímula puseram Frodo e Sam no banco de trás do carro e saíram em um arranque. Frodo ainda segurava firmemente as flores e folhas, mas depois enfiou-as no bolso. Quando chegaram ao apartamento, Frodo correu e sentou-se em uma cadeira, tirando as folhas e colocando-as sobre a mesa.
–Por que você fez aquilo, Frodo? – Perguntou Prímula – O Gerente ficou bravo. Você estragou o jardim dele!
–E era um jardim muito bonito, Sr. Frodo. – Disse Sam – Não deveria ter feito aquilo.
–Mas Sam, você ainda não entendeu?
–Entendi o que?
Frodo estava impaciente. – Onde é que os elfos vivem? Do que eles mais gostam?
O rosto de Sam se iluminou:
–Eles vivem nas florestas, gostam de plantas e árvores!
–É isso, então! – Disse Prímula – As folhas! As flores!
Até Henrique pareceu radiante e feliz com a descoberta, mas continuou com seu jeito convencido:
–Se vocês tivessem me contado sobre os elfos, eu teria descoberto isso há mais tempo.
–Mas você disse que não queria ouvir! – Exclamou Sam.
–Não importa, deveria ter me contado do mesmo jeito.
–Parem de brigar! – Gritou Prímula.
Frodo impacientemente pegou o Anel e embrulhou-o nas flores e folhas. Após alguns instantes ele desembrulhou-o e observou. De seus olhos brotaram lágrimas.
–Consegui! – Gritou ele – A escrita apareceu!
Todos curvaram-se e se aproximaram se Frodo. Puderam ver linhas muito finas, iluminadas de um tom esverdeado, mas bem visíveis.
Do lado de fora do anel havia uma seguinte inscrição.
E do lado de dentro, uma mais extensa.
–Não consigo entender o que está escrito. – Disse Prímula – Parece um tipo de código!
–São Runas Élficas, — disse Sam – eu não sei todas, mas algumas eu entendo.
–Eu posso ler. – Disse Frodo.
–E o que está esperando? – Perguntou Henrique – Leia logo!
–Do lado de fora do anel a escrita diz: NARYA; no lado de dentro está escrito: II-FUTURO ,
 
III-PASSADO.
–O que quer dizer? – Perguntou Henrique.
–Mas não está óbvio? – Disse Frodo – A primeira inscrição é o nome do Anel; a segunda significa que se o anel for usado por duas pessoas, elas serão transportadas para o futuro, e se for usado por três pessoas, elas serão transportadas para o passado! O Anel é uma espécie de PORTAL!
valinor

Hobbits no Mc Donalds

Era uma vez… no meio de uma cidade qualquer, quatro pequenas figuras com roupas estranhas que observavam uma lanchonete…

 

– Então! – começa Frodo – Acho que é aqui o estaleiro que aqueles meninos nos indicaram para comer.

– Você achou Senhor Frodo – Sam exclama – É ele mesmo! Olha o M amarelo.

– Isso! – Merry – Vamos logo! Eu estou morrendo de fome!

Enquanto isso uma figura misteriosa, do outro lado da rua , acompanhava os quatro hobbits!

– Porta estranha – Pippin quando entram no estabelecimento – não tem maçaneta no meio. Aii!!!!! Aqui dentro está gelado.

– O que a gente faz agora? – Merry tremendo – Será que eles tem cogumelos?

– Não tem foto de cogumelos ali! – Sam – Vamos entrar atrás desse pessoal!

O cliente na frente dos hobbits sai carregando uma bandeja.

– O próximo por favor! – balconista do Mac Donald´s.

(silencio…)

– Por favor o próximo cliente?

Uma cabeleira cacheada, e dois olhos azuis com um ar de curiosidade, emerge atrás do balcão!.

– É, eu queria fazer um pedido senhorita Liebe! – Frodo lendo o crachá.

– Onde está seu pai , meu querido? – diz gentilmente a balconista

– Eu não tenho pai, só o meu primo Bilbo! – Frodo com lágrimas nos olhos – Meu pai e minha mãe morreram afogados.

– Então você está sozinho aqui? – balconista.

Mais uma cabeça surge atrás do balcão. Dessa vez com um semblante bravo.

– Mas é claro que não. O senhor Frodo está com os amigos! – Sam – Quem é você para fazer o Senhor
Frodo chorar?

– Me desculpe! Não fica assim! Toma! Leva um brinde do Mac Lanche Feliz! – Liebe envergonhada

– Oba! Eu ganhei um bonequinho roxo! – Frodo – Obrigada Senhorita Liebe! Foi melhor que o bastão de luz que eu ganhei da senhora Galadriel.

– Vocês vão fazer o pedido dos seus outros amigos? – Liebe

– Não, meus amigos estão vindo! Eles só foram buscar mais cadeiras! – Sam

– Cadeiras? – Liebe – Para que cadeiras?

– É? Como você acha q eu alcancei o balcão? – Sam aborrecido

Mais duas cabeleiras encaracoladas emergem no balcão…

– Então? Qual é o pedido de vocês agora? – Liebe começando a ficar irritada

– Nós não estamos acostumados. Você pode nos indicar alguma coisa? – Sam mais simpático

– Eu quero um bonequinho roxo também. – Merry

– E eu também! – Pippin grita

– Eu não posso doar mais brindes! – diz Liebe tentando acalmar os dois hobbits. “Esses caras estão detonando meu primeiro dia nesse emprego”

Então Pippin se debruça em cima do balcão e estica o braço para tentar alcançar um dos brindes do Mac Lanche Feliz. Liebe grita com ele, e os outros fregueses olham assustados sem entender a situação. Ou melhor, entendendo o outro sentido.

– TIRA ESSA MÃO DAÍ!!!!!!!!! – Liebe

– Mas você deu para o Frodo! Então você tem que dar para mim e para o Pippin também. – Merry grita sem entender o porque dos outros clientes estarem olhando e rindo.
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– Toma então! Brinde para vocês dois. E você! – virando-se para Pippin – Nem pense em colocar esses pés peludos em cima do balcão de novo. É totalmente anti-higiênico! Eu devia expulsar vocês por estarem descalços. Então, decidiram o que vão pedir?

– Eu quero aquele ali senhorita Liebe! O maior! O maior!! – grita Pippin

– Bem, esse é o Big Mac, o número 1! – Liebe mais calma – Você quer a promoção?

– O que é a promoção? O que é promoção? – indaga um Tûk confuso.

– Vem o hambúrguer, bebida e fritas – Liebe. "Carinhas estranhos"

– Fritas??? Hambúrguer? – Pippin mais confuso

– É, batatas fritas. E o pão com salada, molho e carne. – Liebe começa a se irritar novamente

– Eu quero com tudo então. – Pippin

– Eu quero um igual ao do Pippin. – Merry – Ou se possível maior.

– O que for bom para o Mestre Frodo é para mim também – diz Sam se manifestando depois de duas eras

– Eu quero alguma coisa com porco – Frodo – O que vocês tem com carne de porco salgada?

– Nós temos o Mac Salad Bacon – Liebe – Vocês querem que tirem a salada?

– Não!!!!!!!!!! Não tira nada! Coloca mais! – Frodo indignado

– Eu também quero um igual ao do  Frodo e do  Sam! – Merry

– Vamos fazer assim. 4 promoções do Big Mac e 4 do Mac Salad Bacon. – confirma Liebe – tudo certo? Posso fechar a conta? “Se eu ganhasse por comissão”

– Eu também quero o que aquela menina de rosa ali tá pedindo . – Pippin começa a agitar os braços e apontar!

– Sossega! – Liebe – Nuggets? Nós temos com 4 ou 8 pedaços.

– Oito!!!!!!!!!!!! – respondem quatro hobbits em coro.

– E o que mais você pode adicionar no hambúrguer? – Frodo após um violento ronco na barriga

– Um bife a mais, ovo e queijo! – Liebe . " Eu vou ser eleita a funcionaria do mês após fechar esse pedido"

– Então pode colocar em todos! Mais nos queremos as fritas grandes e 4 porções de nuggets. – Frodo

– Então está bem. Agora eu vou registrar! – diz uma Liebe sorridente

– Registrar? – Pippin

– É aqui na maquina. Em quando trazem os seus pedidos para ver quanto vai dar? – Liebe

– Eu quero registrar! – Pippin

– Sinto muito é contra a companhia da casa – Liebe – TIRA A MAO DAÌ. Você registrou um monte de torta de maçãs.

– Pode deixar aí! O tio Bilbo esta financiando nosso intercâmbio no mundo dos homens. Ele tem grana para ca**. – Frodo

“Estrangeiros, isso explica tudo!” – Liebe

– É por isso que o Sam está quieto. Ele está comendo as batatas “fitras” senhorita Liebe . – Pippin acusa o amigo

– Larga ! Esse pedido não é seu! – Liebe, vermelha, já sem paciência – Deixa eu trazer todos os pedidos. E você apaga esse cachimbo! É proibido fumar aqui dentro.

– Mas é só erva! Não tem problema- Merry choraminga

– Erva? Você pode ser preso por isso menino! – Liebe

– Não sou um menino! Sou um hobbit! – diz Merry indignado enquanto apaga o cachimbo

– Sei! E o menino de óculos na fila do lado é o Harry Potter. Então decidam o que vocês querem beber. – Liebe
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– Você tem cerveja do Dragão Verde? – Sam

– Vocês bebem??? Ta explicado. “Maconheiros alcoólatras” – Liebe – – A gente não vende bebida alcoólica. Alem do mais é proibido para menores de 18.

– Ni
nguém aqui tem menos do que 18. – Merry

– Sei dessa. Por acaso não querem chá de cogumelo também???–Liebe sorri irônica

– Cogumelo????????? – novamente os quatro em coro

– Manda 4 canecões então de chá de cogumelo. – Frodo

– Era brincadeira. "Eu devia chamar a policia" – Liebe – Guaraná está ótimo?

– Pode ser. – um Frodo um tanto quanto decepcionado.

– Então deu R$ 69,90 – Liebe recebe o dinheiro de um Frodo ainda emburrado.

Cada hobbit sai com uma bandeja imensa, atrás de um lugar para sentar. Enquanto isso Liebe respira fundo. Toma um copo de água com açúcar e um três calmantes. E suspira, rezando para eles não resolverem repetir. Arruma os cabelos e volta para seu posto.

– O Próximo – Liebe cruzando os dedos esperando um cliente normal – O próximo??? “ De novo Não”

Uma criatura horrorosa pula na mesa.

– Dá peixe para nós. Peixxxxxxxe Cru! Para eu e para o preciosssso. – Gollum – E sssem asss batatasss do hobbit gorducho. Só o delicioso peixxxxxxxxxxe cru. SSSShhhhhh!!!!

– NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!!!! – grita uma Liebe desesperada, arrancando o uniforme do Mac Donald´s e correndo dali. Sua foto está na parede até hoje, como funcionária desaparecida. Os amigos e a família se recusam a falar sobre o assunto.

FIM

valinor

Diário de Elrond

Dia 1: O tempo fechou entre mim e Isildur. Como se ser um pervertido tarado por hobbit já não fosse ruim o bastante, ele teima em usar jóias bregas de ouro contra meu conselho. Confirma minhas suspeitas de que a raça humana não só é a mais fraca da Terra-média, como também não sabe combinar um maldito acessório.
PS: Grande batalha, nós ganhamos, Sauron derrotado. Barad-dur saqueada mas faltou coisas bonitas para levar para casa. O gosto de Sauron para decoração definitivamente tomba para o preto, rústico, desleixado… Nada a ver comigo.

 

Dia 3: Isildur cercado por orcs e morto. Bem que eu disse a ele que seu gosto duvidoso para se vestir atrairia todos os tipos errados.

Dia 2,0045: Tão chato em Valfenda. Decidi fazer uma reunião de conselho e chamá-la pelo meu próprio nome. Convidarei todos os machos disponíveis da Terra-média que não tem nada melhor para fazer no fim de semana que vem. Lá vou eu!
Espero que Legolas não apareça; ainda me lembro da festa que dei na Segunda Era onde ele desapareceu misteriosamente, junto com dois galões da minha espuma de banho de morango favorita, uma garrafa de azeite, e três daquelas criaturinhas hobbit do Condado por quem Isildur era tão estranhamente apaixonado.

Dia 200048: Droga. Legolas foi a primeira pessoa a responder meu convite para a festa. Espero que ele não traga seu estojo com aroma de rosas que me faz espirrar. Mas bem que poderia se oferecer a trazer o Twister para jogarmos. Junto com a bola de espelhos que peguei emprestada com Sauron na Primeiro Era, a festa iria ficar perfeita!

Dia 200050: Foi uma surpresa inesperada quando Gandalf apareceu, aparentemente só para se lamentar sobre a briga grande que ele teve com Saruman. Ignorei-o – eu lá me pareço com uma tia lamurienta? Por que todo o mundo vem a mim com problemas?

Dia 200051: Gandalf não gosta da idéia do Twister e rejeitou minha sugestão de um polca para tema do Conselho. Ao invés disso, insiste em nós nos sentarmos em círculo e falarmos sobre o velho e triste destino da Terra-média, derrota do mal definitivo, blá blá blá…. Não vejo porque todos nós temos que sofrer só porque Isildur não pôde desistir da mania de jóias dele.

Dia 200059: Gandalf me fez devolver a bola de discoteca para Sauron. Me disse que pusesse em ordem minhas prioridades. Ele que o diga–ele é que atraiu uma multidão esta tarde com aquele truque do chapéu pontudo que ele gosta de fazer. Glorfindel ficou tão horrorizado que ele não parava de soluçar espasmodicamente até ser acalmado por uma boa dose de erva de hobbit. Essa nova geração de elfos é tão fresca.

Dia 200061: Finalmente todos chegaram para festa – opa, espera, quero dizer – o saco da Reunião Secreta do Conselho. Dei uma saída para arejar as idéias, e esbarrei no hobbit menor que estava no gramado do jardim. Achei que era um enfeite, mas logo provou que ele estava muito vivo. Disse que o nome dele é Pippin. Talvez Isildur afinal de contas estivesse certo sobre todos esses hobbits.

Dia 200068: Certo, quem está usando toda a minha espuma de banho de morango?
Certamente não era Aragorn, a julgar pelo estado do cabelo *dele*.

Dia 200071: Uma barulheira de água espirrando emana do banheiro do primeiro andar. Ninguém pode entrar. Legolas fica se amostrando na sala da reunião, Boromir rodeia os fragmentos de Narsil esperando que Aragorn obviamente apareça, e Gandalf ainda domando o seu chapéu pontudo novo. Tentava ter um minuto de sossego no jardim quando descobri que alguém tinha desenterrado todas as cenouras. Não há mais paz nesse lugar?

Dia 200072: Recusei-me a deixar Arwen assistir ao Conselho de Elrond, se ela o fizesse, ela certamente notaria que eu peguei emprestada a tiara dela.
A tiara fica melhor em mim de qualquer maneira.

Dia 200075: Conselho muito chato. Tive que dizer "PERDIÇÃO" algumas vezes num tom mais dramático, mas temo que o Portador do Anel não ficou impressionado, já que estava ocupado fugindo dos avanços de Aragorn que estava fazendo todos os tipos de comentários sugestivos sobre espada. É melhor ele prestar atenção. Sam o matará se ele tentar qualquer coisa.
Tentei me animar experimentando o vestido púrpura favorito de Arwen, mas tenho quase certeza que alguém estava olhando. Juro que ouvi ruído de risadas vindo do closet. Não vejo qual é a graça – o vestido púrpura fica fabuloso em mim.

Dia 200076: A Sociedade parte amanhã. Decidi dar a Pippin um tour de despedida por Valfenda. Em tempo, o vestido púrpura ficou todo esticado. Espero que Arwen não note–ela é tão apegada as suas coisas, e desde que eles fecharam todas as lojas no caminho para Rohan, provavelmente não vai ter jeito de arrumar outro vestido como aquele.
Pippin me disse que púrpura é decididamente minha cor. Eu tô podendo!

valinor

Diário de Pippin – Parte 2 (ADT)

Dia Um: Ai! Ai! Ai! Ai!

Dia Dois: Ai! Ai! Ai! Ai! Merry comeu a última cenoura. Não dividiu. Bastardo!

 

Dia Três: Ai! Ai! Ai! Ai!
Perdi o brochinho de folha bonitinho. Muito chateado. Transporte não apreciou a massagem então perdi o broche por nada. Cheiro muito ruim no ar. Faz até o fedor de Orc ser refrescante. Capitão Uruk-hai se interessando por mim. Tive que cooperar ou arriscar-me a um desmembramento. Ao todo, dia muito ruim.

Dia Cinco: Estou desenvolvendo uma assadura muito dolorosa por estar roçando em costas largas, musculosas e suadas. Merry não demonstra a menor compaixão. Me pediu que ficasse de olho caso aparecesse alguma marmota. Mas que diabo está acontecendo?
Uruk-hai muito chato e tedioso. Nenhuma comida. Nenhum entretenimento. Só conversa mole de Orc e " Oh, você parece fresco!" e "É verdade que o Príncipe de Mirkwood é loiro oxigenado?" ou "Podemos ver sua tatuagem?". Incompetentes inatos.

Dia Sete: Fuga de Uruk-hai nos conduziu para uma floresta escura e assustadora. Perseguido por orc tarado pouco disposto a romper nossa relação. Por quê todo o mundo quer um compromisso sério comigo?
Orc tarado nos perseguiu por milhas até que inesperadamente foi pisado por uma enorme árvore móvel. Durante fuga, tinha escalado a tal árvore e descobri que tinha arrumado um novo namorado quando os calções escorregaram. Normalmente não faço tal coisa no primeiro encontro mas descobri que seiva alivia assaduras um pouco.
Merry aborrecido. Costumava achar minha perseverança a característica mais atraente. Perdemos o encanto, aparentemente.
Assadura realmente começa a aborrecer de novo.

Dia Oito: Barbárvore (novo namorado) nos levou para ver Gandalf que não está morto, e de fato parece bastante asseado. Então o velho fanfarrão contou uma lorota grande sobre matar o Balrog E tomar um banho, mas este Tûk aqui não engoliu essa. Passei dias com o malandro velho suado em Valfenda, e nem uma vez o vi no banheiro do primeiro andar.
Merry disse que Gandalf esconde chapéu pontudo debaixo da túnica. Tenho que admitir, estou aliviado. Pensei por um momento que ele estava muito inacreditavelmente feliz em nos ver.

Dia Nove: Gandalf foi embora. Barbárvore insaciável. Merry acha que Ent soa igual ao Gimli. Tolice. Merry é um pervertido tarado por anões, francamente.
Situação da assadura: Muito dolorosa. Descobri lascas em uma região assada muito delicada. Transaria com um Balrog agora mesmo por um par de pinças e um creme hidratante.
Tentando não reclamar já que Merry está obviamente com ciúmes da atenção que estou tendo do Ent. Tentarei me acertar com ele depois. Vou cooperando por enquanto, já que posso ser pisado.

Dia Dez: Merry delicadamente ofereceu-se para extrair as lascas problemáticas enquanto os Ents tagarelam sobre o que quer que seja que os Ents estejam tagarelando. Merry não é tão mau. Talvez não seja um bastardo afinal de contas.

Dia Onze: Ai! Ai! Ai! Ai! Ai! Ai!

Dia Doze: Merry tirando um cochilo. Murmurando no sono algo sobre meia-arrastão. Muito interessante. Não saiba que Merry era chegado nesse tipo de coisa.
Ents ainda tagarelando sem parar.
Saí para um passeio. Encontrei uma marmota muito amigável. Suave. Carinhosa, muito boa em remover lascas.
Floresta Fangorn não é tão ruim. Má reputação imerecida. Exceto talvez por ter que se ter muito cuidado para não aliviar a bexiga em uma árvore que possa ser um Ent.

Dia Treze à Dezesseis: Mas que bosta de Warg! Esses malditos Ents nunca se calam?
Lado bom: Merry arrumou uma lasca minúscula no pé e agiu como bebê chorão. Quem é agora o grande hobbit manhoso, hein?
DEPOIS: Barbárvore diz que ele é amante, não guerreiro. Nada de guerra.
Nos ofereceu uma carona até a fronteira e pedi para ir para Isengard. Orc-beijoqueiro não é meu passatempo favorito, mas não agüento mais as lascas do Ent ancião possessivo.
Situação da assadura: Alastrando.
Continuo ouvindo risadinhas de Merry. Não sei a razão. Estou de mau humor, me coçando muito e muito enjoado de tanto balançar em Barbárvore. Pela primeira vez em vida tenho uma enxaqueca.

Dia Dezessete: Isengard. Que espelunca! Estava esperando encontrar uma loja de conveniência na vizinhança. Preciso de pinças e loção hidratante desesperadamente. Sinto falta das patas mágicas da marmota.
DEPOIS: Estamos em guerra. Oba!! Barbárvore esqueceu completamente de mim! Oba!!! Está possesso com Saruman sobre algo. Realmente não consigo entender a metade do que os Ents dizem.

Dia Dezoito: SURFANDO!!!
Coceira violenta na virilha. Discretamente tentei remover eu mesmo as lascas da região. Acho que Barbárvore teve impressão de que eu estava fazendo qualquer outra coisa. Distração minha. Agora não posso usar a desculpa da enxaqueca.
Situação da guerra: Orcs golpeados na cabeça com pedregulhos. 34. Muito bom.

Dia Dezenove: Cheiro em Isengard muito ruim. Merry continua mencionando Aragorn. Como se eu ligasse se ele sente falta de um gigolô de Elfo desprezível e quase monarca. Saí para um passeio – principalmente para ficar longe de Barbárvore que quer compromisso. Surpreso? Não eu! Não vou continuar o namoro com a planta grande! Essa é a idéia de diversão de Merry, não minha!
Encontrei um camarada gorduroso vestido de veludo negro e agarrado à uma edição de moda praia da PlayEorlinga. Troquei algumas pastilhas para hálito por uma cenoura razoável. HURRAH!!
Agora tenho algo que Merry quer. Farei o desgraçado me implorar por isto.

valinor

Os íšltimos Companheiros do Anel

    Até mesmo as pesadas botas de Anão faziam pouco barulho na macia grama dos jardins de Ithilien. Um trabalho primoroso em pedra, planta e flor – assim Elfos e Anões haviam transformado a cidade das Estrelas ao longo dos anos. Gimli, filho de Glóin, tivera papel importante nisso e, agora que a idade lhe deixara grisalhos cabelo e barba, passara a orgulhar-se de tal fato tanto, ou até mais do que de seus feitos na Guerra do Anel.
 
    Caminhando pelos jardins à procura de seu amigo Elfo, ele observava tudo com olhos de mestre construtor. Faltava, talvez, uma boa trilha de cascalho ou seixos naquele gramado extenso. Sim, deveria falar com Legolas sobre isso.
    E lá estava ele, sentado à sombra de uma faia.
    O mesmo belo rosto, nenhum fio grisalho em sua brilhante cabeleira. Em Legolas os anos não deixavam marcas. Ele trocara as roupas simples de um elfo-viajante que costumava usar nos tempos da Demanda do Anel por trajes mais apropriados a um príncipe, mas, de resto, nada nele mudara. Entretanto… Gimli franziu o cenho, intrigado. Havia algo errado. Que expressão sombria era aquela na face normalmente serena e alegre de seu amigo?
    Ele já vira aquela expressão em Lord Elrond e… sim, também nela, a Lady que jamais saía de seus pensamentos.
    Mas não em Legolas. Nunca, nem mesmo nos piores momentos da Guerra, quando tudo parecia perdido. Tristeza, sofrimento, preocupação, talvez, mas aquilo, não.
    Era uma espécie de cansaço que parecia vir de tempos imemoriais, como se o peso de muitos séculos de repente desabasse sobre seus ombros. Mas… quantos anos teria Legolas? Gimli acostumara-se a encará-lo e a tratá-lo como a um jovem, pois ele parecia jovem e, embora tivesse a sabedoria e o conhecimento dos elfos, também era alegre e brincalhão – e, às vezes muito irritante – como um jovem. A verdade, porém, é que não tinha a menor idéia de sua idade.
    O elfo sentiu a presença do amigo e sorriu. A sombra foi varrida de seu semblante e ele alegrou-se.
    – Elen síla lúmenn omentielvo, meu amigo.
    – Com efeito, ela brilha, mas num céu raiado de nuvens, me parece. – respondeu o anão. – O que há com você? Mais um pouco e eu o teria surpreendido. Onde estão os seus aguçados sentidos de elfo?
    – Estava distraído. – Legolas pôs-se de pé e espreguiçou-se. – Muitas coisas em que pensar. Até os elfos se distraem às vezes, sabe?
    – Teve pensamentos terríveis, a julgar pela sua cara. Vamos lá, passei tempo o bastante engolindo suas esquisitices élficas para saber que algo está errado só de olhar para você. Diga logo o que há.
    O elfo ficou calado por um momento. Depois, deu um suspiro resignado e disse:
    – Acho que já é mesmo hora de dizer-lhe. Lembra-se do aviso que Lady Galadriel me deu sobre as gaivotas?
    – Lembro-me, claro. – os olhos de Gimli se enevoaram. Como esquecer o quer que fosse que se referisse à Lady da Floresta Dourada? Levou a mão ao peito. Num bolso interno de sua camisa, dentro de um saquinho de fino tecido dourado, estava a mecha de cabelo que Galadriel lhe dera. Muitas vezes pensara em fazer um estojo de ouro ou mithril para guardá-la em casa, mas não conseguia separar-se dos preciosos fios dourados.
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    – (…)"Se na praia gaivotas gritarem por ti / Descanso jamais acharás por aqui", ela disse. – a voz clara do amigo despertou o anão de seu devaneio. – E, de fato, desde que as ouvi, nunca mais tive paz. Amo a Terra Média, amo Ithilien, que ajudei a reconstruir, e tenho sido feliz aqui, mas o chamado das gaivotas ecoa em meus ouvidos o tempo todo. E a cada dia soa mais alto, mais insistente.
    Foi a vez de Gimli suspirar. Disfarçando mal a tristeza, ele perguntou, bruscamente.
    – Você vai partir, é isso?
    – Meu tempo está se esgotando, Gimli. Meu corpo está se tornando um fardo que, às vezes, pesa tanto que mal consigo respirar. Meu coração anseia pelo Mar, pelo Oeste. A Sociedade do Anel se desfez, o Rei Elessar se foi. Minha missão está cumprida.
    "Vi Gandalf, Frodo e Sam partirem. Estive à cabeceira de Merry e Pippin quando morreram. E também ao lado da Rainha Arwen, quando ela deu o seu triste adeus ao Rei Elessar. Estou cansado de ficar para trás, Gimli."
    O anão suspirou novamente.
    – Entendo o que diz, Legolas, mas e quanto a mim? O que será de Gimli, filho de Glóin, o último dos Companheiros do Anel? Você deu a Merry, Pippin, e a Aragorn um último conforto no fim de suas vidas.     E a mim, vai negar isso? Se você partir, quem estará ao meu lado quando a minha hora chegar?
    Legolas ajoelhou-se para poder encarar o amigo de frente, e pôs a mão em seu ombro.
    – Peço-lhe este sacrifício, meu amigo, você que é forte e duro como pedra e nobre de coração. – a bela voz falhou. – Deixe-me partir sem mágoa, Gimli. Imploro-lhe, pois sinto que o tempo urge e, em breve, o caminho para o Oeste se fechará. Se isto acontecer, estarei condenado a viver em tormento, até que a dor e o sofrer levem minha alma, pois é este o destino dos elfos que recebem o chamado e não o atendem.
    Houve um momento de silêncio. Gimli apanhou uma pedrinha no chão e ficou a rodá-la entre os dedos. Não queria ser causa de sofrimento para o amigo, mas relutava em ceder. Então, uma idéia veio-lhe à mente.
    – Leve-me com você! – exclamou.
    O elfo arregalou os olhos, surpreso.
    – Levá-lo? Sabe o que está dizendo, meu caro anão? Aqueles que forem para o Oeste agora, não voltarão jamais à Terra Média. Nem sei se deixariam você entrar nas Terras Imortais, e, mesmo se deixassem, você poderia ser feliz longe de seu lar, seu povo, de tudo o que lhe é familiar?
    – Não me importa. Todos os que me eram mais caros já se foram: meu pai, Balin, nossos amigos da     Sociedade do Anel. Além disso, ela está lá, não é?
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    Legolas sorriu, compreendendo, afinal.
   – Sim, Lady Galadriel está lá. 
  – Então, o que mais posso querer? Eu sempre disse que daria a vida por uma chance de vê-la novamente, nem que fosse por um momento! Leve-me com você, Legolas. Se não me deixarem entrar, atiro-me ao mar sem uma palavra de queixa, prometo. Mesmo isso será melhor do que morrer só e desgostoso, sem vislumbre
de um rosto amigo.
    Uma brisa suave começou a soprar de repente, trazendo um doce perfume de elanor, e o canto de pássaros que não existiam naquelas terras. O elfo inclinou-se ligeiramente, como se ouvisse algo mais. Seu belo rosto iluminou-se.
    – Sim, Gimli, filho de Glóin, iremos juntos para o Oeste, e você não precisará atirar-se ao mar, pois diz o meu coração que lá, terá boa acolhida. Sua lealdade e nobreza não foram esquecidas pela Lady.
    Ao ouvir tais palavras, os olhos de Gimli encheram-se de alegria e, esquecido da idade avançada, ele pôs-se a pular e dançar.
    – Então, o que estamos esperando, meu caro elfo? Vamos, vamos já para o Oeste!
    Assim, naquele mesmo dia, Legolas iniciou a construção de um pequeno barco, pois os Portos Cinzentos há muito tinham sido abandonados, e não restava mais navio nem marinheiro que os conduzisse para as Terras Imortais. Apesar de não conhecer o mar, Legolas, um Elfo da Floresta, sabia trabalhar bem a madeira e, pesquisando aqui e ali, entre elfos e humanos, acabou conseguindo construir uma bela embarcação, pequena, porém forte e fácil de manobrar.
    Partiram na alvorada do primeiro dia do último mês do ano de 1541, O Elfo Legolas, filho de Thranduil, príncipe que jamais seria rei, e o Anão Gimli, filho de Glóin, o Amigo-dos-Elfos. Se alcançaram o Reino Bendito, ou se o Mar, na fúria de uma tempestade, acabou por tomar suas vidas, ninguém sabe. Mas a glória de seus feitos nunca foi esquecida, e, se alguém houvesse presenciado sua partida, teria visto uma alegria sem par em seus semblantes, e uma suave luz branca que cintilava, protetora, sobre suas cabeças…

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Chamas da Vida

Às vezes, pego-me admirando as chamas da indústria petroquímica de Capuava. Aquele fulgurante sinal de que fizeram cagada e estão queimando as provas do crime. Vendo o bruxulear daquelas labaredas, não consigo parar de pensar quão parecidas somos. As chamas e nossas vidas.

E penso que o justo seria podermos brilhar pelo tempo que nos é concedido. Viver se você me entende. Mas a vida parece injusta: quando nossa luz brilha mais forte, alguém vem soprar as velas.

 

 

Por brilhar, não quero dizer apenas fazer sucesso no mundo, ficar rico. Por brilhar eu quero dizer: fazer queimar aquela parte mais íntima de nossa alma, aquela de gente “que sabe e faz a hora, não espera aconteceer”.

Perdi a conta, sabe? De histórias de pessoas que se doaram por completo, fizeram acontecer… e suas chamas bruscamente apagadas, suas vidas extintas deste mundo.

Às vezes é uma médica que atendia na periferia e é morta na frente da clínica de atendimento gratuito. Outras vezes, um bombeiro que salva uma vida, mas voltando para casa é assaltado e morto. As vezes, uma criança… que ainda não teve tempo de dar sua contribuição (sei lá… de repente ela crescia e inventava a cura do cancer) e nos é tirada bruscamente de nós.

Gente que se doa… que faz esse mundo ficar um pouco melhor.

Essas chamas logo se extinguem. Consumidas por nossa apatia, por nossa incapacidade de assumir nossas responsabilidades. E nosso mundo caminha cada vez mais para a merda.

Mas se as coisas boas morrem e só ficam as merdas… não é de espantar que o mundo seja uma merda, não é mesmo? A mesma coisa com as pessoas: as pessoas boas morrem e só ficam os vasos ruins que não quebram.

O pessoal fala com temor de cultos satânicos. Acho que nós – a humanidade como um todo – já somos um culto satânico. Idolatramos as chamas da destruição, não as chamas que dão calor e proteção. Sacrificamos ovelhas para deuses da ganância, ambição e egoísmo. Deixamos morrer pessoas boas, pessoas que querem fazer um mundo melhor enquanto o sacrifício delas é usado para salvar gente que não merece nem lamber o chão onde elas descansam em paz.

Eu queria muito… que as pessoas parassem de esperar acontecer. Que elas se doassem mais sem esperar coisas em troca. Que tentassem fazer um mundo melhor, porque é do interesse delas também.

Queria que a vida daqueles que morreram e se sacrificam por nós pudesse ficar mais longa. E ficaria se todos tomassem as rédeas e responsabilidades de suas vidas, se todos parássem de ficar culpando os outros, parássem de ficar escondendo-se de suas obrigações. Parássem de exigir direitos que alguém conseguiu para eles e lutar também para que o mundo seja mais justo e melhor.

Queria que a chama da vida fosse tão intensa, que sua luz transfigurasse a Terra na terra prometida, Que criássemos Valinor.