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“A Game of Thrones” e “O Silmarillion”

Vamos deixar as coisas claras: a série de TV “A Game of Thrones” é sensacional. Assim como “A Song of Ice and Fire”, a série de livros que a inspirou. Mas tá enchendo o saco a comparação malfeita das obras com o universo de Tolkien, por gente que não entende picas de nenhum dos dois mundos mas acha que o mais recente é coisa pra macho e Tolkien é pra mariquinhas.

Tentei corrigir um pouco essa percepção estapafúrdia num texto recente que escrevi para a Folha de S.Paulo e que compartilho com a galera da Valinor abaixo. Ainda devo postar mais meditações sobre o novo fenômeno da literatura de fantasia nos próximos dias.

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OPINIÃO

Livro que deu origem à série bebeu na fonte de J.R.R. Tolkien

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Comparar “Game of Thrones” com “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, é coisa de quem não tem o menor olho para sacar como as coisas funcionam na literatura de fantasia.
O paralelo correto para o best-seller de Martin na obra de Tolkien é “O Silmarillion”, bem mais obscuro, mas nem por isso menos genial.
Ambas as histórias não passam de competentes atualizações das sagas escandinavas, obcecadas como são por laços de sangue e pelos vários tipos de caquinha que as pessoas (sejam elfos, humanos ou mestiços) fazem por causa deles.
São meditações sobre o entrelaçar de hereditariedade e ambiente que arrasta os personagens para seu destino, por mais que esperneiem. E são profundamente pessimistas, por mais que críticos ceguetas gostem de rotular Tolkien como “ingênuo”.
É claro que esses temas existenciais cativam, mas outro elemento importantíssimo presente nas obras de mestre e discípulo é a extremamente bem bolada ilusão de profundidade cultural.
Com referências cuidadosamente plantadas aqui e ali, que o narrador faz questão de não explicar de cara, o leitor se sente capaz de entrever uma estrutura histórica “de verdade” por trás do texto (às vezes porque o autor realmente a criou e talvez a publique um dia, ou só porque é muito hábil em sugeri-la sem criá-la para valer).
A sensação é a de que a trama é o topo de uma cebola temporal e que basta uma descascadinha para alcançar as outras camadas e ter uma visão ainda mais majestosa do “mundo secundário” inventado, como dizia Tolkien, por oposição ao nosso, o mundo “primário”.
Martin pode colocar quantas doses de lascívia quiser no seu caldeirão: no essencial, ele e Tolkien são parecidíssimos. Certas predileções vocabulares em “Game of Thrones” não me deixam mentir: “lordling” (lordezinho) e “lesser men” (homens inferiores) vieram direto do dicionário tolkieniano.

Estude Tolkien em Harvard

Que tal estudar Tolkien e ainda mais na famosíssima universidade de Harvard? Pois a mesma disponibiliza um curso de extensão chamado “ANTH E-164 Tolkien as Translator: Language, Culture, and Society in Middle-Earth (23228)” por módicos $950. Mas você pode assistir à primeira aula de graça e on-line!

A sinopse do curso é essa:

Sendo uma suposta “tradução” de registros antigos de antes do início da história aceita, O Senhor dos Anéis de J. R. R. Tolkien lida com temas linguísticos e de identidade raramente vistos em livros de fantasia. Neste curso, estudantes estudarão o papel do idioma no ato de trazer as culturas e sociedades da Terra-média à vida, e são introduzidos a conceitos de antropologia linguística que lançam luz nos métodos e propósitos de Tolkien.

E se você já for estudante de Harvard o curso ainda vale 4 créditos. Confira abaixo a primeira aula, on-line (em inglês e sem legenda):

http://cm.dce.harvard.edu/2010/02/23228/L01/index.shtml

Sindarin, a terceira lí­ngua artificial mais falada

A revista Superinteressante deste mês de Setembro traz uma pequena matéria falando sobre os idiomas artificiais mais falados no mundo. E adivinhe? O Sindarin, criado por Tolkien está na lista, em terceiro lugar. 
 

O primeiro lugar das línguas artificiais mais faladas é do Esperanto, que conta com 200 mil falantes e foi criado em 1887 por L.L. Zamenhof com o objetivo de ser um "idioma universal" e promover a paz entre as nações. O segundo lugar fica com o Klingon, criado sob encomenda por Mark Okrand em 1982 para a série Jornada nas Estrelas e que possui 20 mil falantes. 

E em terceiro lugar temos o nosso conhecido Sindarin, que tem 10 mil falantes ao redor do globo. E eu sempre achei que o Quenya fosse mais falado. Acho que esses números – que estão mais para estimativas – são meio furados, mas tudo bem, o importante é ver um dos idiomas de Tolkien bem colocado na lista. 

Dez lí­nguas mais nerds: Tolkien na cabeça

O site da revista Wired fez uma lista com as dez línguas inventadas mais nerds do planeta e, claro, os idiomas ficcionais do professor não poderiam faltar, não é mesmo?
 

Tolkien foi lembrado pelo sindarin, considerado pelo autor do post como "a mais bonita" das línguas élficas (há controvérsias). Achei engraçado ele não levar em conta o quenya, que me parece mais conhecida e mais usada mundo afora, mas cada um é cada um, certo?

Os outros membros da lista são: esperanto (essa criada pra ser usada no mundo real), fremen (da série Duna), qwghlmian (do romance "Cryptonomicon), vampirês (dos filmes da série "Blade"), gelfling (de "O Cristal Negro"), huttês (a língua de Jabba, o Hutt em "Guerra nas Estrelas"), R’lyehian (da obra de H.P. Lovecraft), city speak (Blade Runner) e, claro, klingon.

Eu ainda acho um absurdo que o adûnaico não esteja na lista :oP

Gosta de Filologia? Então irá gostar do novo livro do Mark T. Hooker

hobbitonian.jpgO autor Mark T. Hooker acabou de publicar, no dia 17 de junho de 2009, um novo trabalho sobre a obra de JRR Tolkien. O livro “The Hobbitonian Anthology: of Articles on J. R. R. Tolkien and his Legendarium” é composto por uma série de artigos sobre Tolkien e o seu Legendarium. Este novo livro dá continuidade a sua obra anterior “A Tolkienian Mathomium”. E é uma miscelânea, em grande parte composta por artigos que versam sobre lingüística.
 
 
O livro é dividido em duas partes. A primeira parte trata sobre nomes (aqui cito-os em seu original, sem me ater à traduções, é estou fugindo de assuntos controversos): Bilbo, Bag-End, Boffin, Farmer Maggot, Puddifoot, Stoor, Huggins, Tom Bombadil, The Ivy Bush, The Golden Perch e um pequeno grupo de nomes no bairro de Evesham, o lar ancestral da família da mãe do professor, o Suffields. Ele discute os seus significados e seus análogos em inglês, tanto a partir do ponto de vista lingüístico quanto do geográfico e biográfico. 
 
Na segunda parte Hooker explora os termos bootless, nine day’s wonder, confusticate e bebother, hundredweight e leechcraft. E continua seus estudos sobre as traduções das obras do professor. Nesta parte Hooker versa sobre as traduções búlgara, bielorussa, checa, eslovaca, holandesa, alemã, polonesa, russa, sérvia e ucraniana para a obra “The Hobbit” e apresenta uma série de comparações sobre a forma com que os tradutores trataram a nomenclatura tolkieniana. Alguns desses artigos foram originalmente publicados na Beyond Bree, mas outros tantos são apresentados pela primeira vez.

Os elogios a sua obra anterior “A Tolkienian Mathomium” são tantos que é de se esperar que Hooker não decepcione e tenha a oferecer muitas análises interessantes sobre a obra tolkieniana. Os que gostam de filologia e querem aprender mais sobre o professor a partir de uma abordagem diferente vão de certo encontrar aqui muitas informações novas sobre Tolkien e sua predileção por nomes. Ainda não tenho o meu exemplar, mas já está na minha wishlist. Quero deixar claro aqui que aceito doações!

 
Detalhes do livro:
hobbitonian_contracapa.jpgTítulo: The Hobbitonian Anthology: of Articles on J.R.R. Tolkien and his Legendarium
Tipo: Brochura
Tamanho: 286p
Formato: 22,86 X 15,24 X 1,52cm
Editora: CreateSpace
Idioma: Inglês
ISBN-10: 1448617014
ISBN-13: 978-1448617012
O livro pode ser adquirido através da Amazon por $14,95.
 
 
Sobre o autor:
Mark T. Hooker é especialista em Tradução Comparativa. Seus artigos sobre Tolkien têm sido publicados em inglês na Beyond Bree, Parma Nölé, Translating Tolkien e Tolkien Studies; em holandês no Lembas (o jornal da Dutch Tolkien Society); e em russo no Palantir (o jornal da St. Petersburg Tolkien Society).
São suas as obras: Tolkien Through Russian Eyes (Walking Tree, 2003); Implied, But Not Stated (distribuído pela Slavica, 1999); The History of Holland (Greenwood, 1999) e A Tolkienian Mathomium, esta última já chegou a sua segunda edição.
 
Fonte: 
 

Novo livro trata de Tolkien, Lewis, os Inklings e Oxford

inklings_of_oxford.jpg

A terra natal dos hobbits e de Narnia documentada em um novo livro de dois professores.

O mundo habitado por Tolkien e Lewis acaba de ser desbravado em mais um livro. E não se trata de nenhuma montanha altaneira, prado verdejante ou deserto indômito. O que os professores Harry Lee “Hal” Poe e Jim Veneman fizeram desde 2007 e que agora mostram em seu recém-lançado livro “The Inklings of Oxford” [sem tradução para o português] é uma descrição, por meio de imagens e palavras, da cidade de Oxford, tal qual era na década de 30, quando era habitada por CS Lewis, JRR Tolkien e seus amigos, os Inklings. 

 

Os Inklings, para aqueles que não sabem, são um grupo de escritores de Oxford, encabeçados por Tolkien, CS Lewis e o irmão deste, Warren (os únicos, aliás, que nunca deixaram o grupo). Esse grupo se reunia as terças e quintas e tinha por objetivo encorajar seus participantes a seguirem em frente com sua carreira literária, principalmente quando a literatura era fantástica.

Os encontros se realizaram por 30 anos, sendo interrompidos com a morte de Lewis em 63.

“Esse livro é uma apresentação dos escritores e suas obras através do lugar onde eles viveram”, diz Poe. “É a exploração de uma amizade que teve como resultado o encorajamento.”

“Tolkien tinha parado de escrever uma história várias vezes, mas Lewis o encorajou até que Tolkien finalmente terminou o que se tornaria a trilogia de O Senhor dos Anéis”, ele explica. “Ao mesmo tempo, Tolkien estimulava o amigo a entrar no ramo da ficção com ‘Out of the Silent Planet’ [Além do Planeta Silencioso], romance de ficção científica. A relação deles foi um ótimo negócio.”

De acordo com Veneman, Poe foi o guia turístico do duo em Oxford.

“Como nunca fui a Oxford antes e nunca vi nenhuma dessas coisas que fotografei nessa maravilhosa jornada, eu fui definitivamente conduzido por Hal”, ele diz. “Na verdade, eu fui apenas um seguidor com uma câmera.”

A relação de Poe com Oxford vem desde os seus tempos de quando fazia excursões anuais para a cidade.

“Estudei em Oxford para minha tese de doutorado”, ele diz. “Então eu conhecia a cidade como um pedestre, andando entre as construções medievais e os jardins espalhados entre as universidades. A atmosfera significava muito para mim em se tratando de conhecer esses autores.”

Armado com uma Nikon D200, Veneman tirou centenas de fotos de Oxford e de sua Universidade.

Cada dia era reservado a um tema específico: algumas vezes as fotos eram de pessoas, outras, de paisagens. Enquanto isso, Poe ia entrevistando pessoas que, assim como os Inklings, eram ligadas por fortes amizades.

“Enquanto estava lá e ouvia Hal contar história depois de história, eu podia jurar que Hal era um membro ex officio dos Inklings,” diz o fotógrafo. “Nós podíamos estar numa esquina qualquer da cidade e eu perguntava: ‘Hal, o que aconteceu aqui? ’ e ele logo me contava. Eu só ouvia história depois de história. Isso foi muito diferente de qualquer trabalho que eu já fiz.”

Outro motivo que tornou esse trabalho tão diferente para Veneman foi o fato de que as fotografias eram quase sempre de lugares, não de pessoas.

“Como um fotojornalista, as imagens quase sempre giram em torno de pessoas, suas histórias e suas situações,” ele diz. “De uma forma, eram coisas semelhantes… Mas era um formato diferente para eu trabalhar. Eu sempre procurei por momentos, pela mais leve expressão. E, de repente, não tive mais que fazer isso.”

De acordo com Poe, o livro é para aqueles que, apesar de terem lido As Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis, não são tão familiarizados com a história dos Inklings.

Em rasgados elogios a seu fotógrafo, Poe comenta que o livro não passaria de um projeto se não fosse o olhar especial de seu companheiro.

“A fotografia está impressionante”, ele diz. “Jim é um grande artista. As imagens são importantes, especialmente para esse livro. Foi uma aula para mim ver a criatividade e o olho dele. Precisa ser um artista de verdade para tirar as fotos que estão nesse livro.”

Continuando a rasgação de seda, Veneman, que leu o rascunho de Poe várias vezes para planejar sua viagem, diz:

“Eu fiquei cativado pela maneira que Hal conta a história. Eu sabia um pouco sobre o assunto, mas havia algumas áreas que eram simplesmente um vácuo para mim. Hal escreveu com a perspectiva de um contador de histórias. Está realmente muito fácil de ler.”

“E a história é mesmo sobre um grupo de pessoas e as ligações entre eles”, diz Veneman. “Essas ligações foram fundamentais, tanto para a vida pessoal de cada um quanto para suas carreiras, em suas aventuras de escritores.”

Fonte: Jackson Sun  

Veja abaixo algumas fotos de Oxford. 

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