Arquivo da categoria: Textos e Ensaios

valinor

A Estranha História dos Orcs de Tolkien

Um panorama dos fatos da Terra-Média sobre os orcs imaginados por J. R. R. Tolkien, do seu lado cotidiano (o que comem, como se reproduzem) a questões mais existenciais dos orcs na cosmologia da Terra-Média.

“Há elfos, anões, trolls, dragões, príncipes e princesas, feiticeiros e, inevitavelmente, as mais difamadas criaturas fictícias, os orcs, o desprezado proletariado da fantasia conservadora…”
The Socialist Review[1]

 

 
“Eles sabem o que é um Orc”

Este ensaio examina os orcs de Tolkien assim como ele os concebeu. Antes de mais nada, é importante distinguir os orcs de Tolkien de suas adaptações mais amplas na literatura de fantasia.

A ficção escrita por J. R. R. Tolkien tem tido uma enorme influência no gênero da literatura de fantasia. Os personagens arquétipos e artifícios de trama que Tolkien usou em seu principal romance, O Senhor dos Anéis (SdA), têm sido adaptados por dúzias de outros escritores de fantasia, de maneiras mais ou menos criativas. Dos conceitos da Terra-Média de Tolkien, a idéia de orcs se destaca como a mais freqüentemente adaptada com mudanças mínimas[2]. Atingiu-se o ponto onde um crítico de fantasia, Terence Casey, deu um conselho aos escritores aspirantes de fantasia:

“Alguém que tem familiaridade com fantasia geralmente não vai ter um problema com ‘orcs’, seja em um romance ou jogo – eles sabem o que é um orc e estão acostumados com ele. Se você começar a criar seus próprios monstros ao invés de tirá-los da ‘fantasia genérica’, entretanto, a mera novidade deles pode dificultar para as pessoas a suspensão de descrença.”[3]

Esta afirmação é surpreendente por que Tolkien, na criação dos orcs, estava literalmente criando seus próprios monstros. Tolkien também usou os conceitos de elfos, hobbits, anões e reinos de estilo medieval na criação da Terra-Média. Entretanto, todos esses conceitos, ou seus equivalente simbólicos, estavam firmemente estabelecidos na mitologia européia e na literatura da fantasia antes que Tolkien começasse suas próprias obras. Não havia equivalente exato dos orcs[4]. O folclore europeu tem pequenas criaturas do mal – aparições, tommyknockers, duendes – e monstros aterrorizantes, de Grendel como imortalizado em Beowulf aos elementais do mal da tradição celta[5]. Mas não havia ser ou mal sobrenatural que fosse um paralelo dos guerreiros humanos, que os encarasse como iguais e que fossem mandados para exterminá-los.

Tolkien precisava criar seus monstros particulares, e sua novidade tinha um propósito. O estudioso de longa data de Tolkien, Tom Shippey, disse dos orcs de Tolkien: “Pode haver pouca dúvida que os orcs entraram na Terra-Média somente por que a história precisava de um suprimento contínuo de inimigos pelos quais ninguém precisasse sentir qualquer remorso.”[6]

Conseqüentemente, para os propósitos de suas próprias narrativas, Tolkien combinou componentes do então obscuro folclore com concepções mais modernas de violência e mal para modelar os orcs. Heróis eram mais heróicos com orcs para matar. Com orcs às suas ordens, vilões de alto calibre eram mais temíveis. Para estes propósitos, orcs eram um bem-sucedido artifício narrativo – um não visto previamente na literatura de fantasia.

Orcs eram bem mais que uma boa idéia. Houve trabalho autoral requerido para preparar o terreno para esta nova criação, especialmente para fazê-lo de uma maneira que ajudasse o leitor a aceitar o conceito[7]. Tolkien fez isso tão bem que, no processo, criou um novo arquétipo que tornou-se popular. É perturbador pensar que havia uma lacuna na imaginação e no mito para o que os orcs representam, mas sua popularidade mostra que este tinha sido realmente o caso.

Evolução dos Orcs na Terra-Média

Todos sabemos o que é um orc – mas somente para ter certeza, o que são orcs na Terra-Média? Eles são seres bípedes dotados de inteligência, que servem o mal. Tolkien comentou em uma de suas cartas[8] que adaptou a palavra orc da palavra do Inglês Antigo orc, que significa “demônio”, usando este termo “somente por causa de sua adequação fonética”. Nesta mesma carta ele comenta que os orcs “devem muito à tradição dos duendes, especialmente como aparece em George MacDonald”[9].

Em correspondência posterior, Tolkien comenta que a idéia do duende fundiu-se com uma concepção mais moderna; a do mal inerente aos seres humanos. Em correspondência em correspondência no livro publicado Cartas de Tolkien, ele compara humanos maus ou de mentalidade estreita aos orcs diversas vezes, nas cartas 66, 71 e 78, todas no contexto do serviço militar. Isso é mais expresso de maneira mais precisa na carta 153, onde Tolkien diz, como parte de uma idéia mais longa – “orcs, que são fundamentalmente uma raça de criaturas pensantes, ainda que horrivelmente corrompidas, se não mais que tantos Homens que se encontram hoje.”

As origens dos orcs na cosmologia da Terra-Média são descritas em O Silmarillion. Morgoth, um poderoso, egoísta Vala (equivalentes a um deus) caiu no mal, capturou alguns elfos (Quendi) nos primórdios da existência de sua raça.

“É, porém, considerado verdadeiro pelos sábios de Eressëa que todos aqueles quendi que caíram nas mãos de Melkor [depois Morgoth]… por lentas artes de crueldade, corrompidos e escravizados; e assim Melkor gerou a horrenda raça dos orcs, por inveja dos elfos e em imitação a eles, de quem eles mais tarde se tornariam os piores inimigos.”[10]

Esta idéia ajusta-se bem e tem um forte apelo com seu paralelo dos belos elfos diretamente ligados aos feios orcs. Contudo, em seus próprios escritos variados sobre orcs, Tolkien vacilou entre este conceito de orcs-dos-elfos e um conceito relacionado de orcs-dos-homens[11]. Ele mesmo brincou com a idéia de que orcs eram animais astutos, sem o elemento espiritual dos seres inteligentes, ou com o conceito de que orcs eram Maiar (espíritos divinos) servindo Morgoth que tinham sido corrompidos à forma de orcs. Ambos os conceitos de orcs-dos-homens e orcs-como-animais parecem vir da relutância pessoal de Tolkien de macular sua raça “ideal”. Entretanto, ele foi atraído de volta para a idéia de orcs-dos-elfos em diversos rascunhos de seu próprio ensaio sobre orcs, escrito de 1959 a 1960, e reconheceu que orcs-dos-elfos era a origem mais funcional para a linha temporal da Terra-Média que ele desejava.[12]

Christopher Tolkien, editando O Silmarillion depois da morte de J.R.R. Tolkien , optou pela origem orcs-dos-elfos. Ainda assim, este não é o fim do envolvimento dos orcs com outras raças. Em SdA, Tolkien nos presenteia com híbridos de orcs com humanos. Nunca é absolutamente declarado que os Uruk-hai, que podem suportar o sol melhor que orcs comuns, são parcialmente humanos. Isto é fortemente sugerido no diálogo dado ao Ent Barbárvore.

“Os seres malignos que vieram na Grande Escuridão têm como marca a característica de não suportarem o sol; mas os orcs de Saruman suportam, mesmo que o odeiem. Fico imaginando o que ele terá feito. Seriam eles homens que ele arruinou, ou teria ele misturado as raças dos orcs e dos homens. Isso seria uma maldade negra!”[13]

E é confirmado fora do romance em uma citação independente dos escritos posteriores de Tolkien:

“Homens podiam, sob o domínio de Morgoth ou de seus agentes em poucas gerações ser reduzidos quase ao nível de um orc, e então iriam, ou seriam obrigados a se acasalar com orcs, produzindo novas raças maiores e mais astuciosas. Não há dúvida que muito depois, na Terceira Era, Sauron redescobriu ou aprendeu por si mesmo, e em sua cobiça por poder, cometeu seu ato mais perverso: o acasalamento de homens e orcs.”
[14]

A idéia mais importante é que orcs não são uma forma de vida original. Orcs são uma forma de vida previamente existente que foi corrompida. Sua vontade está inextricavelmente ligada à dos principais poderes do mal – primeiro o de Melkor, posteriormente conhecido como Morgoth, e então o de Sauron.[15]

 
A Vida Como um Orc

Embora Tolkien não tenha se importado em deixar sua imaginação permanecer nos orcs, ele comentou os “fatos da vida” básicos deles para fazê-los uma parte sólida e crível da Terra-Média. Tolkien provê o leitor com esta informação através dos pontos de vista de seus protagonistas mais simpáticos, historiadores élficos e hobbits.

A falta de uma língua orc é uma prova que Tolkien, que expandiu os detalhes da Terra-Média para apoiar seu passatempo de criar línguas, não estava criativamente comprometido com eles. “Dizem que não tinham idioma próprio, mas adotavam o que podiam das outras línguas e o pervertiam a seu gosto; produziram, porém, somente jargões grosseiros, insuficientes até mesmo para suas próprias necessidades, a não ser quando usado em pragas e ofensas.”[16] Como resultado, os orcs usavam a Língua Geral da Terra-Média para comunicação entre tribos, e há uma evidente característica orc em seus diálogos. Sauron criou a Língua Negra para ser a língua de todos os seus servos[17], um tipo de esperanto do mal, e como o esperanto, nunca atingiu seu objetivo. Algumas palavras dela eram usadas pelos orcs, inconsistentemente, especialmente entre os orcs de Mordor. Tendo comentado o conceito básico da Língua Negra, Tolkien fez somente observações mínimas sobre seu vocabulário.[18]

Orcs estavam longe de serem invulneráveis; estavam sujeitos à doença, podiam morrer, não eram imortais e “precisavam comer, e beber, e descansar”[19]. Sua comida, apesar de não tentar o apetite, via de regra, pode ser comida por outros povos. Um herói faminto, Tuor, sente fome quando vê orcs assando carne (“até mesmo a carne dos orcs seria boa presa.”[20]). Nas mãos dos Uruk-Hai, Merry e Pippin são alimentados com pão dos orcs[21]. Depois, orcs que mantém Frodo cativo atacam o suprimento de comida dele e o alimentam, apesar de desprezarem especificamente o pão de viagem élfico, lembas[22]. Orcs também comem cavalos, pôneis e burros[23] e mais notoriamente, carne humana[24]. Pippin recusa-se a comer um pedaço de carne seca que um orc dá a ele, “a carne de uma criatura que ele não ousava adivinhar qual seria”. (Página 46) Surpreendentemente, não há referências no cânone a orcs comendo outros orcs, embora presumivelmente a cadeia alimentar em Moria tinha que se fechar de alguma maneira. Orcs temiam que os elfos atormentariam e comeriam seus prisioneiros orcs, apesar de que os elfos não cometiam nenhum dos dois atos[25].

Nos livros, orcs se reproduzem como humanos, hobbits, anões e elfos; o sexo resultando na gravidez e no parto. Tolkien descreve isto discretamente como “procriação intra-corporal” e se refere repetidas vezes aos orcs se ‘multiplicando’[26]. Ele são referidos como ‘reproduzindo-se rapidamente’ e ‘se multiplicavam como moscas’, termos que evocam animais[27]. Como observado previamente, orcs podem e de fato reproduziram com humanos mortais. A despeito destas constantes referências à reprodução dos orcs, Tolkien nunca nos apresenta com um personagem orc identificado como fêmea.

Tolkien mantém silêncio sobre uma pergunta que alguns leitores têm: orcs estupram? Isto parecia inteiramente típico da maldade dos orcs, da qual Tolkien diz, “Eles estavam de fato tão corrompidos que eram impiedosos, e não havia crueldade ou maldade que eles não cometeriam… eles tinham prazer em sua ações. Eles eram capazes de agir por si próprios, cometendo atos de maldade espontâneos para seu próprio divertimento.”[28] Mas Tolkien nunca atribui a eles este tipo de violência em particular. A terrível pergunta sobre orcs acasalando-se com elfos parece lograda pela afirmação de Tolkien que elfos morrem quando estuprados[29], e sendo Tolkien refinado demais para admitir a possibilidade de um elfo voluntariamente fazer sexo com um orc. Este pode ser um aspecto de porque a criação de orcs foi o “maior dos males”[30] de Morgoth. Há também um sinistro subtexto ao seqüestro de elfas[31] por orcs e a captura e tormento da senhora élfica Celebrían[32]. E o programa reprodutivo de Saruman entre mortais e orcs tinha que começar de algum lugar.

Tolkien não diz nada sobre a infância dos orcs ou sua criação. Tolkien gosta de crianças como se percebe em suas citações sobre crianças hobbits e élficas[33]. Esta pode ser a razão de seu silêncio sobre a presumível miséria da infância órquica.

Mas em SdA e n’O Silmarillion, faltam descrições da aparência dos orcs – Tolkien fornece mais descrições em SdA de como os orcs cheiram do que de sua aparência. Em RdR, há uma cena marcante com dois orcs de tamanhos diferentes, um pequeno orc batedor com pele negra e nariz ranhento trabalhando ao lado de um grande orc lutador[34]. Tolkien fornece uma descrição de como ele imaginava os orcs. Ironicamente, ele escreveu isto em uma carta criticando um tratamento proposto para o cinema de seus trabalhos:

“Os orcs são definitivamente especificados como corrupções da forma ‘humana’ vista nos elfos e homens. Ele são (ou eram) baixos, largos, narizes achatado, pele amarelada e com bocas grandes e olhos oblíquos, de fato, versões degradadas e repulsivas (para europeus) dos mais desagradáveis tipos mongóis.”[35]

O datado estereótipo racial nesta declaração é lamentável. Nas comparações orcs/humanos mais focadas de Tolkien em sua correspondência, ele compara membros do Eixo na Segunda Guerra Mundial e mesmo ingleses maus[36] aos orcs. Nos recentes filmes SdA, as interpretações de efeitos especiais dos orcs são muito mais racialmente neutras que a descrição de Tolkien, usando uma paleta de cinza, manchas ou pele desfigurada.

À parte de saques e pilhagens, orcs tinham uma veia criativa; uma repugnante, maligna veia criativa. Uma passagem em O Hobbit descreve a natureza da criatividade órquica: “Não fazem coisas bonitas, mas fazem muitas coisas engenhosas… Martelos, machados, espadas, punhais, picaretas, tenazes, além de instrumentos de tortura, eles fazem muito bem, ou mandam outras pessoas fazerem conforme o seu padrão.”[37]

Prazeres órquicos são poucos, tirando o divertimento que eles tiram da crueldade. Em um possível resquício de suas origens élficas, eles compõe canções e cantam.[38]

Entre si, orcs são capazes de amizades rústicas e alianças de clãs, apesar destas serem frágeis e prováveis de ruirem se eles se zangarem o suficiente. Isto é ilustrado com Ugluk em As Duas Torres, um Uruk-Hai que retorna a um grupo com quem discutiu por causa de ‘camaradas fortes’, e com dois orcs, Shagrat e Gorbag, planejando deixar Mordor algum dia com uns poucos ‘rapazes confiáveis’. Orcs odeiam elfos profundamente. Eles têm uma termo especial de desprezo e medo para mortais numenorianos, ‘tark’. Orcs tem alguns aliados. Sabia-se que faziam alianças com outros homens mortais, particularmente os Orientais[39]. Outro possível reminiscência dos elfos, que se comunicam com ‘bons animais’ é a aliança ocasional com animais maus, como lobos[40] e os lupinos wargs[41].

 
O Mal que os Orcs Fazem

Por que Tolkien nunca nos dá a perspectiva narrativa dos orcs, vivenciamos orcs na Terra-Média através de como seus atos são vistos por outros. Os orcs nunca são apresentados como compassivos, ou gentis, ou desejando se libertar do mal (apesar de desejarem se libertar de seus mestres). A aparição de um orc é causa de medo e um precursor imediato de violência. Às vezes, um ato maldoso de um orc serve para um propósito bom – em diversos pontos da história de SdA, orcs lutando entre si dão aos personagens hobbits chances de desafio ou fuga – mas nenhum orc é deliberadamente útil. Em ocasiões onde orcs se contém em torturar os prisioneiros, observa-se que assim agem sob comando, temendo um mal maior que si mesmos.

A natureza do mal órquico muda para se ajustar à história que Tolkien está contando. Orcs aparecem em cada um dos três romances de Tolkien: O Hobbit, SdA e O Silmarillion. O Hobbit é uma história infantil passada na Terra-Média. Em O Hobbit, esses orcs são, em qualidades e referências literais, confundíveis com ‘duendes’ do folclore e contos de fada vitorianos. A marcante descrição da criatividade dos orcs que Tolkien inclue aqui tem evidentes nuanças da tradição das entidades da mitologia celta. A ligeiramente diminutiva apresentação de orcs como “duendes” os coloca à altura do protagonista do livro, o hobbit Bilbo Bolseiro. Fica implícito em escritos relacionados posteriores que se outro personagem, Gandalf ou Thorin, tivesse narrado os encontros com orcs, eles teriam um tom diferente.[42]

O mais notável incidente com orcs em O Hobbit é a tentativa de Gandalf de conferenciar com os orcs quando o grupo de viagem de anões e hobbit é capturado. Esta é a única ocasião nos trabalhos de Tolkien onde um personagem ‘bom’ tenta argumentar com orcs, como se eles estivessem à altura das outras raças na Terra-Média. Isto está de acordo com a caracterização de Gandalf como uma representação do bem, enviado para inspirar a melhor parte dos habitantes da Terra-Média. O rei orc, Grão-Orc, não está à altura da situação, e segue-se imediatamente uma luta.

SdA, com seus personagens embarcando missão contra o mal, é o romance narrativo mais tradicional dentre os principais escritos de Tolkien. Aqui todas as raças mostradas em O Hobbit são apresentadas em uma perspectiva adulta. Orcs se libertaram de suas associações com os duendes, apesar de que, como em O Hobbit, o primeiro encontro dos protagonistas com os orcs ocorre nas profundezas subterrâneas. Os personagens orcs que aparecem depois na narrativa são cruéis, impetuosos e temíveis – e inconfundivelmente militares, com toque moderno. Pois os soldados orcs têm números atribuídos a eles[43]. Este não é o único lado curiosamente moderno deles; os orcs falam de maneira incisiva, grosseira e seca. Somente os personagens hobbits têm uma qualidade moderna similar em seus diálogos.

Uma nota de rodapé sobre os orcs em SdA é sua aparição no apêndice deste, O Conto dos Anos. Nele é apresentada a idéia de Tolkien de uma história de fundo na qual a atividade dos orcs tem aumentado progressivamente e esta afetou muitos dos protagonistas diretamente, em particular Aragorn e Arwen. Lacônico como um historiador, O Conto dos Anos comenta que a guerra dos Anões e Orcs (notas posteriores do apêndice tornam isto mais vívido e terrível) e um ataque orc no Condado, a idílica terra hobbit de Tolkien. Em adição a isto e ataques a Gondor e Rohan, os orcs a certo momento capturam, envenenam e torturam a mãe de Arwen, Celebrían. Celebrían é resgatada, mas não pode ser curada, e ela parte para as Terras Imortais. Isto dá a partida para uma futura tragédia que parece quase determinada. Os filhos de Celebrían juram vingança e começam a caçar orcs, às vezes na companhia de ancestrais de Aragorn. Em uma dessas caçadas, orcs matam o pai de Aragorn. Assim, anões, homens mortais, elfos e mesmo hobbits sofreram nas mãos dos orcs e teriam sofrido ainda mais se o mal tivesse triunfado.

O Silmarillion é uma cosmologia e história épica da Terra-Média em suas eras antes de SdA acontecer. Nós raramente recebemos detalhes íntimos sobre os personagens deste livro, e, ainda deste forma, orcs são apresentados como hordas do mal sem rosto. Sua criação é examinada, como observado previamente. Quando os elfos primeiramente encontram orcs, os elfos os comentam como a seguir: “E entre eles estavam os orcs, que mais tarde devastariam Beleriand… De onde vinham ou o que eram, os elfos não sabiam, supondo que talvez fossem avari (um tipo de elfo) que houvessem se tornado perversos e brutais no ambiente selvagem. Conta-se que, sob esse aspecto, infelizmente sua suposição estava quase correta.”[44]

Depois da tímida estréia dos orcs, eles participam de uma série de batalhas, com seu sucesso[45] ligado ao destino de seus mestres. Quando seus mestres caem, eles se dispersam e definham, mas como o próprio mal, alguns deles sempre resistem para serem convocados novamente. Mas, de maneira geral, os orcs de O Silmarillion representam um mal muito impessoal. Somente duas vezes há a menção de um ato cruel em específico[46]. Nenhum orc em O Silmarillion – nem em suas anotações originais, registradas na série History of Middle-Earth (HoME) – é digno de um nome.

A série HoME compõe-se doze volumes de anotações de Tolkien e histórias adicionais que nunca tinham sido publicadas. Revendo estes, é notável quão pouco os outros escritos de Tolkien tratam dos orcs que ele criou. Os principais escritos são os ensaios sobre orcs publicados em Morgoth’s Ring que incluem cerca de dez páginas no total. Nestes ensaios acerca de orcs, a preocupação de Tolkien é em como as grandes forças do mal da Terra-Média usam orcs e a significação espiritual destes.
 

O que Significam Orcs na Terra-Média

Orcs têm diversas camadas de significação além de serem alvos para espadas élficas. Como observado, o papel dos orcs nas narrativas de Tolkien é simples. É o lugar deles na cosmologia da Terra-Média que os faz complexos, envolvidos em questões sobre a natureza do mal, livre-arbítrio e redenção.

Por que orcs, na cosmologia de Tolkien, não deveriam existir, eles pareceriam representar o oculto, misterioso e errado – o clássico Outro[47]. A idéia do Outro se fortalece ao se refletir no próprio ser, e o que é refletido nos orcs é a possibilidade do mal corriqueiro em todos os povos, muito especificamente nos humanos.

Ao invés disso, orcs são o mal personificado, e um mal muito específico, a vontade de seus mestres. Tolkien nos dá um acontecimento em RdR que deixa isso claro. Depois de testemunhar um orc matando outro, um ato que impede Sam e Frodo de serem descobertos, Frodo comenta, “Mas este é o espírito de Mordor, Sam; está espalhado em todos os seus cantos. Os orcs sempre se comportam assim quando estão sozinhos, pelo menos é o que contam as histórias.”[48] Frodo continua e adiciona, “Mas você não pode alimentar muita esperança a partir desse fato.”, e realmente, quando quer que um orc apareça, há razão para temer, mesmo desesperar.

O mal dos orcs não é aquele dos mortos-vivos letárgicos. Há uma terrível vitalidade neles, que aparece em sua ferocidade, prontidão para lutar e se reproduzir, e suas emoções impulsivas e instintivas. Orcs estão vivos mas decaídos, são a marca viva e pulsante do cerco do mal no mundo da Terra-Média, um fenômeno que Tolkien resume como ‘Arda desfigurada’.[49]
 

Conclusões Sobre Os Orcs

Se os orcs são Arda desfigurada, eles podem ser redimidos? Talvez. Tolkien reluta em exluir essa possibilidade, embora, como outros pontos cosmológicos em suas anotações, ele explora diversas interpretações. Em um dos textos sobre orcs de Morgoth’s Ring ele diz que orcs ‘podem ser se tornado irredimíveis (pelo menos por elfos e homens), mas que eles tinham permanecido dentro da Lei’. Como parte disso, se um orcs tivesse pedido misericórdia, pessoas boas eram obrigadas a concedê-la, ‘a qualquer custo’. Arrependimento e redenção dos orcs, embora improváveis, deviam receber uma chance.

Significativamente, orcs não estão presentes em uma interpretação de Arda renovada e curada; parece que sendo uma espetacular aberração e escárnio, eles não deveriam existir de maneira alguma. Um comentário na Carta 153 prova o contrário, e, enquanto não apresenta uma solução, resume o enigma dos orcs:

“Eles seriam o maior dos pecados de Morgoth, o abuso de seu maior privilégio, e seriam criaturas nascidas do Pecado, e maus por natureza. (eu quase escrevi irremediavelmente más, mas isso seria ir longe demais. Por que em aceitando ou tolerando sua criação – o que é necessário para sua real existência – mesmo orcs se tornariam parte do mundo, o qual é de Deus e essencialmente bom).”

Tolkien está cônscio de que em sua cosmologia, Morgoth não criou os orcs, mas os corrompeu, e em seu comentário nisto é “Que Deus ‘toleraria’ aquilo, não parece uma doutrina pior que a tolerância da desumanização calculada de homens pelos déspotas que ocorre atualmente,”[50] Isto também ecoa o triste tema que, de todos os seres, grandes e pequenos, da Terra-Média, são os orcs que ele vê como tendo o efeito mais duradouro na humanidade.

Tolkien parece estar ciente da atração sombria que os orcs teriam em alguns leitores, e ter explorado isso, em observações sobre a rebeldia levando ao mal, em uma sequencia inacabada de SdA. Este seqüência, The New Shadow, existe na forma de dez páginas de manuscrito (publicadas em The Peoples of Middle-Earth). É o fragmento inicial de uma história passada em Gondor cerca de cem anos depois do início da Quarta Era. Um notável aspecto da trama está nos ‘cultos de orcs’ entre adolescentes[51]. Nesta futura Gondor, uma vez que os orcs desapareceram o bastante para serem uma peça de folclore ou história, parece haver um apelo de rebeldia em seus atos de maldade vazios e destrutivos, e alguns jovens provocadores começam a brincar fazendo ‘trabalho de orc’. Esta é uma sombra de um plano maligno mais amplo, e um sinal de renovado potencial para corrupção entre os mortais.

Leitores nunca saberão dos detalhes completos do que este trabalho de orc sinalizava. Tolkien tentou trabalhar na história diversas vezes, até quinze meses antes de sua morte.[52] Entretando, ele não terminou a história, dizendo que seu conceito demonstrou ser ‘sinistro e deprimente… não vale a pena fazer.’[53]

Tolkien, no fim, desistiu de aplicar mais criatividade a seus orcs do que o necessário para fazê-los verossímeis dentro da Terra-Média. Em seus escritos, eles não têm nada próprio de valor, são tratados como buchas de canhão, e sua iniden­tificável redenção nunca é mostrada. É um testemunho à criatividade de Tolkien que mesmo seus seguidores do mal, seus duendes crescidos, ecoam em nossas mentes modernas como ferozes arquétipos, são intrigantes e despertam curiosidade. Isto nos traz a observação que começa este ensaio: os fantasistas modernos que adotaram o arquétipo de Tolkien do orc, expandindo suas fundações. Alguns fantasistas, seguindo Tolkien, apresentam orcs como seguidores do mal ainda mais superficiais, seja em imitação ou paródia de Tolkien. Outros têm uma visão mais empática dos orcs, apresentado-os como patinhos feios, arquétipos do homem comum, ou representações de masculinidade poderosa.[54] Parece que os orcs serão redimidos, afinal de contas, em nossas imaginações.

Apêndice: Outros Orcs na Fantasia Moderna

Para apoiar minha afirmação de que a idéia dos orcs teve um grande impacto no gênero de literatura de fantasia, reuni esta lista de rpgs representativos e romances que usam orcs ou paralelos dos orcs.

Orcs nos RPGs

Orcs se tornaram uma parte tão importantes nos rpgs que uma grande convenção de ‘jogos de estratégia’ na Califórnia é chamada “OrcCon”.

O sistema de rpg Dungeons & Dragons publicado pela Wizards of the Coast, um famoso derivado de Tolkien, usa orcs e meio-orcs. Um bom exemplo disso é o livro módulo D&D Fury in the Wasteland: The Orcs of Terrene, o qual “investiga a cultura orc como nenhum outro livro fez antes. Assuntos como ciclo de vida, habitat, recreação, dieta, vestimentas, remédios e cuidados com saúde, relações de raça, comércio, e línguas são todos abordados.”

Sabertooth Games’ WarCry – outra editora de jogos convida os ávidos de poder a “Controlar as hordas da escuridão (Caos, Elfos sombrios, Orcs e Duendes) ou a Grande Aliança (Império, Altos Elfos, e Anões) em grandes batalhas que decidirão o destino de reinos!”

EverQuest – Apontado pela revista Forbes em 2001 como um fenômeno social dentre os jogos online, orcs são uma parte do jogo. Interessante observar que, enquanto orcs são npcs inimigos ou aliados, jogadores com anseios sombrios não podem escolher ser um personagem orc, mas são têm que escolher entre trolls, ogros, bípedes reptilianos do mal e elfos sombrios.


Orcs com qualquer outro nome

Os seguidores do mal destas séries são claramente semelhantes aos orcs.

A série Eragon de Christopher Paolini (2003, Knopf) – tem personagens análogos aos orcs chamados Urgalls.

A série Shannara de Terry Brooks (19 livros de 1977 até hoje, Ballantine Books) – tem personagens análogos aos orcs chamados Gnomes.

A série The Fionvar Tapestry de Guy Gavriel Kay (três livros, publicados em 1984, 1985, 1986, Roc) – tem personagens análogos aos orcs chamados Svart Alfar e Urgaches. Esta série – arthuriana em intento, interpretada por alguns como tolkieniana – foram os primeiros romances de Kay, publicados dez anos depois que ele ajudou Christopher Tolkien a editar “O Silmarillion”.

Orcs chamados “Orcs” em escritos não-Tolkien

Ao contrário de autores que usam similares dos orcs, estes autores chamam um orc de orc, frequentemente para destacar o contraste ou acentuar a sátira entre seus trabalhos e os de Tolkien.

Abacar the Wizard: Book One: A Tale of Magic, War, Elves, Goblins, Orcs, Monsters, Fantasy, and Adventure de Timothy Erenberger (Writer’s Club Press, 2001) – Já no título, orcs são diferenciados dos duendes e monstros como uma categoria distinta.

Grunts! de Mary Gentle (Bantam Press, 1992) – satiricamente consciente de sua derivação de Tolkien, neste romance, orcs (protagonistas empáticos) são contratados para proteger ladrões ‘pequenos’ que roubaram tesouros de um dragão. Entre esses tesouros estão incluídos armas dos Fuzileiros Navais dos EUA.

ORCS: First Blood de Stan Nicholls (série de diversos livros, Gollancz, 1997- 1999) – Aqui os orcs são descritos como, embora sendo feios e estúpidos, protagonistas heróicos/simpáticos.

Red Orc’s Rage de Philip Jose Farmer (Tor Books, 1991) – tecnicamente este pertence à seção “orcs com qualquer outro nome” por seu uso dos semelhantes dos orcs gworls. Entretanto, este livro singular foi escrito para uso em um tipo de psicoterapia, a terapia Tiersian, baseada em leitura de ficção evocativa. Apresenta um personagem problemático sendo convidado, como parte da terapia Tiersian, a projetar sua personalidade em qualquer tipo de pessoa que ele desejar em um mundo de fantasia específico – e ele escolhe o Orc Vermelho, o vilão mais proeminente do mundo de fantasia. Parte de uma série de ficção científica com objetivos terapêuticos, este livro é caracterizado por ser recursivo, auto-referencial e muito bizarro. Leia um artigo sobre terapia Tiersian, com menção do livro específico, aqui. http://www.psychiatrictimes.com/p010756.html

The Orc’s Treasure by Kevin Anderson, (I Books, 2004) – Protagonista orc como anti-herói: “Gree é um orc prosaico, sem muitas aspirações, tão gananciosas e sórdidas como são normalmente.”

The Orc Wars: The Yngling Saga, Books I & II
by John Dalmas, (Baen Books, 1992) – uma mistura de fantasia e ficção científica com orcs (como seguidores de um telepata do mal) e neo-vikings em uma Europa pós-apocaliptica.

The Thousand Orcs by R.A. Salvatore (Wizards of the Coast, 2003) – um romance em um mundo de fantasia que é um derivado do sistema de rpg D&D. A sinopse fala por si mesma: “O bando retorna de Icewind Dale na companhia dos anões de Mithrall Hall, que estão escoltando o rei Bruenor que volta para relutantemente assumir o seu trono. Encorajados por uma sombria aliança com os mortais gigantes gelados, uma horda de orcs está silenciosamente se reunindo, esperando com paciência incomum para se mover contra anões, elfos e humanos sem distinção.” Entretando, este romance em particular apareceu na lista de bestsellers do New York Times – não sendo a primeira vez deste autor nesta série.

Thraxas by Martin Scott (Baen Books, 2000) – ganhador do World Fantasy Award em 2000. Outro uso satírico dos orcs: “é um detetive azarado, um Sam Spade de um mundo de fantasia, vivendo em um mundo mágico que é refrescantemente clichê em suas ciladas…. um mundo povoado por reinos em conflito de humanos, elfos e orcs.”

[1] http://www.socialistreview.org.uk/article.php?articlenumber=7990

[2] Veja no Apêndice, uma lista de interpretações de outros autores de orc e role-playing games que incorporam orcs.

[3] http://www.skotos.net/articles/BSTG_40.shtml

[4] Rose, Carol; Spirits, Fairies, Gnomes and Goblins: An Encyclopedia of the Little People. 1996, ABC-Clio, Santa Barbara, California. Convenientemente, este livro divide a grande quantidade de criaturas folclóricas de todo o mundo em categorias. Criaturas negativas estão incluídas na categoria de demônios (malevolentes), diabos, espíritos associados com animais, espíritos associados com doenças, espíritos associados com florestas e outros lugares. Esta análise ajuda a mostrar que a maioria dos “duendes” são personificações de forças naturais negativas ou lugares perigosos. Orcs são diferentes, pois são apresentados como paralelos e iguais das outras raças da Terra-Média. Podia-se ver um orc cara a cara, eles não eram contos de fada, mas um fato terrível. Os orcs representam nada mais que a vontade e a cobiça do mal.

[5] Briggs, Katharine; An Encyclopedia of Fairies: Hobgoblins, Brownies, Bogies , and Other Spiritual, 1976, Pantheon Books, New York.

[6] Shippey, Tom, The Road to Middle-Earth. HarperCollins, 1992.

[7] Zipes, Jack, The Oxford Companion to Fairy Tales, 2000, Oxford University Press, New York. Esta não é uma referência específica à orcs, mas em referência ao fato que “a concepção de Tolkien de literatura de fantasia… é baseada na suspensão de descrença… que acontece quando, ao contrário dos contos de fadas, nós como leitores compreendemos a fantasia dentro de suas próprias premissas como ‘verdade’. Pois para Tolkien, fantasia autêntica e habilidosa cria a Crença Secundária (diversa da Crença Primária do mito ou religião), colocando o leitor em um estado temporário de encantamento.” Deste modo, Tolkien gastou muita energia autoral em estabelecer o lado prático da Terra-Média.

[8] Carpenter, Humphrey. The Letters of J.R.R. Tolkien. Houghton Mifflin Co., 1995; Carta 144.

[9] George MacDonald era um intelectual vitoriano que, como parte de sua contribuição à área de Artes e Ofícios da cultura vitoriana, escreveu diversas histórias de fantasia para crianças. O seu maior uso de duendes acontece numa composição literária chamada The Princess and the Goblin, na qual são descritos como tendo sido seres humanos comuns, que foram mudados e corrompidos quando foram viver no subterrâneo para evitar suas obrigações. Fãs modernos dos orcs que lerem esta história a acharão incrivelmente melosa.

[10] Tolkien, J.R.R; O Silmarillion (Silma), editado por Christopher Tolkien, Martins Fontes, 2001. Quenta Silmarillion, capítulo III – Da chegada dos elfos e do cativeiro de Melkor, página 49.

[11] Tolkien, J.R.R; Morgoth’s Ring: The Later Silmarillion Part One, Volume 10 of The History of Middle Earth (MR), editado por Christopher Tolkien. Houghton Mifflin Co, 1993. Fonte dos dois ensaios sobre Orcs e Myths Transformed.

[12] Ibid.

[13] Tolkien, J.R.R; As Duas Torres (ADT). Martins Fontes, 2000. Livro III, Capítulo 4 –  Barbárvore, página 70.

[14] MR, Orcs.

[15] MR, Myths Transformed.

[16] Tolkien, J.R.R; O Retorno do Rei (RdR). Martins Fontes, 2001. Apêndice F, página 423.

[17] Ibid.

[18] Allan, Jim (ed.) An Introduction To Elvish (And to Other Tongues and Proper Names and Writing Systems of the Third Age of Middle Earth As Set Forth in the Published Writings of Professor John Ronald Ruel Tolkien), 1978, Bran’s Head Books, Bath, UK.

[19] MR, Orcs.

[20] Tolkien, J.R.R.; Contos Inacabados de Númenor e da Terra-Média (CI), editado por Christopher Tolkien. Martins Fontes, 2002. Capítulo I – De Tuor e sua chegada a Gondolin

[21] ADT , Livro III,  Capítulo 3 – Os Uruk-Hai, página 46.

[22] RdR, Livro VI, Capítulo 1 – A Torre Cirith Ungol, página 185.

[23] Tolkien, J.R.R., O Hobbit, Martins Fontes, 2001, Capítulo 4 – Montanha acima, montanha adentro, página 61.

[24] ADT , Livro III,  Capítulo 3 – Os Uruk-Hai

[25] “Algo que Morgoth havia conseguido era convencer os Orcs além de qualquer contestação que os elfos eram mais cruéis do que eles, mantendo cativos somente por ‘diversão’ ou para comê-los (com os Orcs fariam em caso de necessidade.)” Nota de rodapé em MR, Orcs.

[26] MR, Orcs.

[27] Silma, Dos Anéis do Poder e da Terceira Era, página 369.

[28] MR, Orcs.

[29] MR, Leis e Costumes entre os Eldar.

[30] Silma, Quenta Silmarillion, Capítulo III – Da chegada dos elfos e do cativeiro de Melkor, página 49.

[31] Silma, Quenta Silmarillion, Capítulo XXI – De Túrin Turambar, página 271.

[32] RdR, Apêndice B – O Conto dos Anos.

[33] Tolkien cita resposta: crianças na Terra-Média: Carta 144: “Crianças hobbit são encantadoras…” Em Morgoth’s Ring: crianças élficas – “como se fossem filhos de homens belos e tranqüilos.”

[34] RdR, Livro VI, Capítulo 2 – A Terra da Sombra, página 199.

[35] Carta 210

[36] Carta 78

[37] O Hobbit, Capítulo IV –  Montanha acima, montanha adentro, página 61.

[38] ibid

[39] RdR, Apêndice B – O Conto dos Anos

[40] ADT, Livro III, Capítulo VIII – A estrada para Isengard, página 153.

[41] O Hobbit, Capítulo VI –  Da frigideira para o fogo, página 101.

[42] CI,  Parte III – A Terceira Era, Capítulo 3 – A busca de Erebor.

[43] RdR, Livro VI, Capítulo 2 – A Terra da Sombra, página 199.

[44] Silma, Quenta Silmarillion, Capítulo X – Dos Sindar, página 108.

[45] Depois de diversas derrotas iniciais, Morgoth mudou a forma como os orcs são usados em sua estratégia de batalha, pois “Morgoth percebeu agora que, sem ajuda, orcs não estavam à altura dos Noldor.” Em batalhas posteriores, ele usou Orcs de um modo muito específico, primeiramente visto na grande batalha de Dagor Bragollach. Aqui, ele mandou os Orcs primeiro “em multidões tais como os Noldor nunca tinham visto ou imaginado.” Isto é bem sucedido – até certo ponto; os Orcs ainda temem alguns senhores élficos em específico, e como resultado, certas fortalezas não caem. Em uma batalha posterior, a Nirnaeth Aenordiad, Morgoth levou em conta esta fraqueza dos orcs. Ele repetiu sua estratégia prévia de grandes quantidades de Orcs até que “os Orcs hesitaram, e seu ataque foi retardado, e alguns já estavam tentando fugir.” Então, Morgoth solta suas mais poderosas criaturas do mal na batalha. Significativamente, em Gondolin, mesmo um bando de Orcs deixados na área próxima a Gondolin para destruir qualquer um que escapasse recebe cobertura de um Balrog. Como nota de rodapé, as palavras “Orc” e “Orcs” sempre aparecem com letra maiúscula no texto do Silmarillion, mas não em O Hobbit ou em O Senhor dos Anéis.

[46] Um deles acontece quando os orcs pregam uma senhora élfica, Finduilas, em uma árvore com uma lança para matá-la. (Silma, De Túrin Turambar, página 275.) O outro é o ataque e perseguição pelos orcs, “pelo faro e pelas pegadas” de Isildur na Segunda Era. (Silma, Dos Anéis do Poder e da Terceira Era, página 376).

[47] O ensaio do estudioso de Tolkien Ainur Emlgreen: “The Image of the Enemy: An issue of Race and Class in the works of J.R.R. Tolkien” (A Imagem do Inimigo: Uma discussão sobre Raça e Classe nos trabalhos de J.R.R. Tolkien) traz uma sofisticada análise sobre o tema do orc como Outro).

http://www.ainurin.net/image_of_enemy_intro.htm

[48] RdR, Livro VI, Capítulo 2 – A Terra da Sombra, página 200.

[49] MR, Myths Transformed.

[50] Carta 154.

[51] Carta 338.

[52] Tolkien, J.R.R.; The Peoples of Middle-Earth, Volume 12 of The History of Middle Earth, editado por Christopher Tolkien. Houghton Mifflin Co, 1996.

[53] Carta 256.

[54] Notavelmente, todos esses papéis alternativos para os orcs na fantasia moderna (patinho feio, imagem do homem comum ou poder masculino) remetem a papéis importantes de protagonistas e poderes nos contos de fada europeus. O filho mais novo ou príncipe numa missão se tornou um orc! Referências em toda obra de Zipes.

{mos_vbridge_discuss:112}

valinor

Você sabia que em A Sociedade do Anel…

  • O título do primeiro capítulo em O Hobbit é Uma Festa Inesperada. O título do primeiro capítulo em A Sociedade do Anel é Uma Festa Muito Esperada
 
 
  • Não
    foi até os pais de Frodo terem se afogado em um acidente de bote no rio
    Brandevin que Frodo foi viver com o primo mais velho deles, Bilbo
    Bolseiro. Bilbo mais tarde adotou Frodo e o nomeou como seu herdeiro.
  • Hamfast Gamgi (conhecido como ‘o Feitor’) era jardineiro de Bilbo em Bolsão.
    Quando o Feitor se aposentou, foi seu filho, Sam Gamgi, que assumiu o
    trabalho. Sam e Frodo tornaram-se muito amigos. Bilbo contou a Frodo e
    Sam muitas histórias de suas aventuras e ensinou-lhes a poesia e
    tradição Élficas.
  • Bilbo e Frodo compartilhavam a mesma
    data de aniversário, que é 22 de setembro. Bilbo comemorava seu 111º
    aniversário na noite da ‘festa muito esperada’. Isso era muita idade
    para um hobbit, porém Bilbo tinha ainda a aparência e vitalidade de um
    hobbit de meia idade. A grande idade de Bilbo era um dos indícios que
    alertaram Gandalf ao fato que podia haver mais coisas a respeito do
    anel mágico de Bilbo.
  • Depois que Bilbo deu seu anel a
    Frodo e partiu para Valfenda, Gandalf pediu que os Guardiões dobrassem
    sua vigília, uma vez que muitas coisas maléficas tinham começado a se
    reunir em volta do Condado. Mesmo os hobbits tinham começado a relatar
    e queixar-se de muitas pessoas e criaturas estranhas espreitando ao
    redor das fronteiras.
  • Os homens e os hobbits que
    viviam nas terras fronteiriças sabiam da existência dos Guardiões, mas
    não sabiam qual era seu verdadeiro propósito. Em suas mentes, os
    Guardiões eram um povo estranho e suspeito. Os hobbits viviam em paz e
    liberdade no belo Condado devido à vigilância quieta e guarda
    incessante dos Guardiões.
  • Os dois filhos de Elrond de
    Valfenda, Elladan e Elrohir, cavalgavam freqüentemente com Aragorn e
    outros Guardiões em sua proteção do Norte. Nunca tendo esquecido o
    tormento de sua mãe, aproveitavam cada oportunidade para travar guerra
    contra Orcs e contra as forças de Sauron.
  • Gandalf
    tinha questionado por muito tempo a verdadeira natureza do anel mágico
    que Bilbo tinha ganhado de Gollum. Depois do comportamento estranho e a
    relutância de Bilbo em deixar ao anel a Frodo na noite de sua festa de
    aniversário, Gandalf sentia que devia ser um dos Anéis do poder, mas
    não tinha nenhuma prova. Aragorn disse a Gandalf que deveriam encontrar
    Gollum e questioná-lo.
  • Para aprender mais sobre a
    verdade do anel deixado com Frodo, Gandalf e Aragorn partiram numa
    longa busca, procurando por Gollum através de muitas terras. Após um
    período de diversos anos, com nenhum sinal de Gollum, Gandalf desistiu
    da tarefa e retornou sozinho a Minas Tirith para procurar nos arquivos
    informações sobre o anel de Isildur.
  • Aragorn continuou sozinho na busca por Gollum e procurou sempre mais perto de Mordor e do reino de Sauron.

O começo dos eventos durante os dois grandes anos da Guerra do Anel

  • Quinze anos haviam se passado desde que Bilbo deixara o anel com o Frodo.

Fevereiro

  • Finalmente e após grande perigo, Aragorn
    capturou Gollum nos Pântanos Mortos e começou a longa viagem de volta.
    Após cinqüenta dias, eles finalmente alcançaram o reino do rei
    Thranduil na Floresta das Trevas, onde Aragorn deixou Gollum. Aragorn
    comentou mais tarde que havia se esgotado demais na companhia de Gollum
    e esperava nunca vê-lo novamente.
  • Ao passar por
    Lórien, Gandalf ouviu que Aragorn havia passado por aquele caminho com
    a criatura Gollum. Gandalf partiu imediatamente para a Floresta das
    Trevas.
  • Quando Gandalf questionou Gollum, soube que Gollum tinha sido capturado e torturado por Sauron.
  • Gollum
    tinha revelado a Sauron que o Anel tinha sido encontrado por um hobbit
    do Condado, cujo nome era Bolseiro. Gandalf deixou Gollum aos cuidados
    do rei Thranduil e dos Elfos na Floresta das Trevas.

Abril

  • Gandalf retornou ao Condado para contar a Frodo
    sobre a natureza verdadeira do anel e sugeriu a Frodo que ele deveria
    deixar o Condado imediatamente, mas Frodo estava relutante a fazer isso
    até o outono daquele ano.

Junho

  • Após ter recebido a palavra de seus espiões que
    Gandalf havia questionado Gollum, Sauron mandou Orcs ao reino do Rei
    Thranduil com ordens para recapturar ou matar Gollum.
  • Ao
    passar perto da vila de Bri, Gandalf encontrou o mago Radagast.
    Radagast estava procurando por Gandalf com uma mensagem do mago
    Saruman. Saruman desejava avisar Gandalf que Espectros do Anel haviam
    cruzado as fronteiras de Mordor e estavam procurando por uma terra
    chamada Condado. Saruman disse também que se Gandalf desejasse sua
    ajuda, então deveria vir a Isengard de uma vez.
  • Ao
    ouvir esta notícia, Gandalf escreveu imediatamente uma carta a Frodo e
    disse-lhe para não deixar o Condado mais tarde do que julho. Gandalf
    deixou a carta com o estalajadeiro em Bri, e pediu a entrega imediata
    da carta. Gandalf também encontrou Aragorn e pediu que prestasse
    atenção para a vinda de Frodo. Gandalf saiu então para consultar com
    Saruman em Isengard.
  • Como chefe do conselho dos magos,
    Saruman havia estudado por muito tempo as artes do inimigo. Gandalf
    esperava que Saruman tivesse encontrado uma arma que pudesse ser usada
    contra os Nazgul.

Julho

  • Atraído para Isengard pela oferta de ajuda de
    Saruman, Gandalf foi feito prisioneiro. O estalajadeiro no Pônei
    Saltitante esqueceu-se de entregar a carta e Gandalf havia sido
    capturado por Saruman, portanto Frodo não teve nenhum aviso que os
    Cavaleiros Negros estavam procurando pelo Condado.
  • No verão, Frodo deixou seus amigos e vizinhos saber que planejava vender Bolsão e se mudar para Cricôncavo no outono.
  • Sam
    deixou avisado que planejava se mudar com Frodo para Cricôncavo para
    cuidar da casa nova. Somente Sam sabia que Frodo e ele planejavam na
    verdade ir para Valfenda.

Setembro

  • Gandalf escapou de Saruman e fugiu para
    Rohan para advertir o rei Théoden. Quando Théoden lhe disse para pegar
    um cavalo, Gandalf escolheu o lendário cavalo do Rei, Scadufax, sabendo
    que ele necessitaria de grande velocidade para alcançar Frodo a tempo.
  • Os
    homens de Rohan tinham estado em guerra em sua fronteira Oriental com
    as forças de Mordor por muitos anos. Uma grande cadeia de montanhas
    dominava o comprimento de Rohan na fronteira Ocidental. O Desfiladeiro
    de Rohan era a única passagem através das montanhas.
  • Isengard
    estava localizada perto do Desfiladeiro de Rohan. Saruman, no entanto,
    havia sido um amigo até Gandalf advertir o rei sobre a traição daquele.
    Imediatamente após a partida e o aviso de Gandalf, Saruman começou
    atacar Rohan na fronteira Ocidental e efetivamente fechou o
    Desfiladeiro de Rohan aos viajantes.
  • Sauron havia
    ouvido de falar sobre as atividades de Saruman e havia enviado alguns
    dos Cavaleiros Negros a Isengard. Os Nazgûl apareceram nas portas de
    Isengard alguns dias depois que Gandalf havia escapado. Saruman
    disse-lhes que que não tinha nenhum conhecimento de onde ficaria a
    terra do Condado, mas que Gandalf saberia, e estaria, de fato, indo
    para lá.
  • Incapazes de capturar Gandalf, os Cavaleiros
    Negros puderam determinar a posição do Condado a partir de espiões e
    servidores de Saruman.
  • Frodo fez suas malas em Bolsão
    e comemorou seu aniversário em 22 de setembro com seus amigos especiais
    Pippin Tûk e Merry Brandebuque. Frodo havia esperado Gandalf a qualquer
    momento desde agosto, mas somente ficou preocupado quando Gandalf
    faltou no seu aniversário.
  • Tornando-se mais e mais
    preocupado com a ausência de Gandalf, Frodo finalmente partiu com
    Pippin e Sam, no anoitecer no dia seguinte. Merry tinha ido adiante ver
    a casa em Cricôncavo.
  • Quatro Cavaleiros Negros
    dominaram os Guardiões que vigiavam uma das estradas para o Condado na
    noite do aniversário de Frodo. Um dos Cavaleiros Negros alcançou Bolsão
    logo após os hobbits partirem e confrontou o pai de Sam em uma
    tentativa de encontrar Frodo.
  • Frodo, Sam e Pippin
    encontraram-se com Merry em Cricôncavo e partiram em segredo no
    alvorecer. Em uma tentativa de evitar os Cavaleiros Negros, eles
    escolheram viajar através da traiçoeira Floresta Velha do que pela
    estrada principal que conduz a Bri. Naquela mesma noite, vários
    Cavaleiros Negros atacaram Cricôncavo, mas partiram quando perceberam
    que o Anel não estava ali.
  • Em seu caminho através da
    Floresta Velha, os hobbits encontraram perigo diversas vezes e
    escaparam por pouco com a ajuda do excêntrico Tom Bombadil.
  • Tom
    Bombadil é um personagem enigmático e poderoso cuja casa fornece um
    santuário provisório para os hobbits. Tom e a bela Fruta d´Ouro vivem
    em grande harmonia no meio da Floresta Velha. Quando Frodo disse a Tom
    sobre o Anel, Tom não foi tentado nem afetado pelo Anel.
  • Tom
    Bombadil deu a cada um dos hobbits uma espada antiga feita pelos homens
    de Ponente há muito tempo atrás. As espadas haviam sido feitas para a
    batalha contra o Rei Bruxo de Angmar. Estas espadas tinham qualidades
    acima do normal e estavam embebidas com virtudes e magias. Os fazedores
    de espadas haviam sido derrotados pelo Rei Bruxo, mas as espadas
    permaneceram intocadas pelos anos.
  • O Rei Bruxo de
    Angmar era o capitão dos Espectros do Anel. Era um feiticeiro cujo
    poder era igual ao de Gandalf. Gandalf e Elrond haviam-no enfrentado em
    batalha muito tempo atrás. O poder principal dos outros Nazgûl era sua
    habilidade de espalhar o medo e temor.
  • Tom Bombadil
    escoltou os hobbits à beira da Floresta Velha, algumas milhas da cidade
    de Bri e sugeriu que fossem à estalagem do Pônei Saltitante para a
    noite. Após o aviso de Gandalf, Aragorn manteve-se em torno da cidade
    de Bri, esperando por notícias dos hobbits. Viu-os emergir da Floresta
    Velha com Tom Bombadil e seguiu-os em Bri.
  • Após
    escapar de Saruman, Gandalf tentou desesperadamente encontrar Frodo e
    os hobbits, sabendo que estariam em grave perigo. Ele quase os perdeu
    diversas vezes. Montando Scadufax, chegou na Vila dos Hobbits alguns
    dias depois que Frodo a tinha deixado e soube que um Cavaleiro Negro
    havia sido visto. Após chegar em Cricôncavo e descobrir que não estavam
    lá, Gandalf seguiu a trilha dos Espectros do Anel e chegou no Pônei
    Saltitante em Bri na noite do dia em que os hobbits haviam partido com
    Aragorn.

Outubro

  • Tentando encontrar Aragorn e os hobbits,
    Gandalf alcançou o Topo do Vento (Amon Sûl) alguns dias antes deles.
    Gandalf foi atacado no Topo do Vento pelos Espectros do Anel. Após uma
    batalha feroz, Gandalf escapou e incitou quatro dos Cavaleiros Negros a
    segui-lo. Por causa disso, somente cinco dos Cavaleiros Negros atacaram
    Aragorn e os hobbits no Topo do Vento.
  • Gandalf
    cavalgou para Valfenda para obter ajuda de Elrond. Quando chegou
    próximo a Valfenda, Gandalf mandou Scadufax de volta para Rohan.
  • Foi o Rei Bruxo de Angmar que esfaqueou Frodo no Topo do Vento.
  • Elrond
    enviou diversos Elfos poderosos para procurar por Aragorn e os hobbits.
    O senhor Élfico Glorfindel encontrou-os vários dias após Frodo ter se
    ferido no Topo do Vento.
  • Foi Glorfindel que muito
    tempo atrás havia predito que ‘Não será pela mão do homem que o Rei
    Bruxo de Angmar cairá’. Glorfindel acompanhou Aragorn e os hobbits no
    resto do caminho para Valfenda. Quando alcançaram o Ford Bruinen, Frodo
    estava montando o cavalo branco de Glorfindel, Asfaloth. Quando os
    Espectros do Anel os emboscaram, Glorfindel comandou Asfaloth para
    fugir com Frodo através do rio. Vigiando de longe, Elrond desencadeou a
    inundação do rio assim que o capitão do Nazgul cavalgou na água.
  • Quando
    Frodo e seus companheiros finalmente alcançaram Valfenda, Bilbo tinha
    128 anos. Uma vez que Bilbo tinha passado o anel para Frodo, seus
    longos anos o haviam alcançado muito rapidamente e ele finalmente
    mostrou a aparência e fragilidade de sua grande idade.
  • Legolas
    Verdefolha, filho do rei Thranduil, veio a Valfenda para contar ao
    conselho de Elrond que Gollum havia escapado de seu cativeiro na
    Floresta das Trevas durante um ataque de Orcs.
  • O anão
    Glóin veio ao conselho de Elrond com seu filho, Gimli, advertir Bilbo
    que um mensageiro de Sauron tinha ido ao reino dos anões diversas
    vezes. Cada vez o mensageiro pediu informações sobre um hobbit que
    roubou um anel pertencente ao Senhor do Escuro.
  • Glóin era um dos treze anões que Bilbo acompanhou em suas aventuras à Montanha Solitária.
  • Boromir,
    o filho mais velho e herdeiro do regente de Gondor, veio à casa de
    Elrond em busca de respostas. Boromir e seu irmão mais novo haviam tido
    sonhos persistentes que indicaram que Valfenda guardava as respostas
    que ajudariam a Gondor em época da necessidade.
  • Como
    ninguém podia claramente lhe dizer onde Valfenda situava-se, Boromir
    viajou por 110 dias e superou muitos obstáculos em sua viagem.
  • O
    pai de Boromir, Denethor, é o regente do reino de Gondor. A posição
    hereditária de regente governa o reino na ausência do Alto Rei. Na vida
    de Boromir não tinha havido um rei em Gondor, nem nenhum conhecimento
    que um herdeiro da linhagem de Isildur ainda vivia. Boromir devia
    esperar governar Gondor após seu pai.
  • Bilbo também
    compareceu ao conselho de Elrond. Apesar de sua grande idade, após ter
    ouvido todas as notícias terríveis, Bilbo interrompeu Elrond para
    declarar que uma vez que ele, Bilbo, havia começado isto tudo ao
    encontrar o anel, ele deveria terminar. E quando ele deveria começar?
  • Narsil,
    a Espada-que-foi-quebrada, foi reforjada pelos Elfos em Valfenda antes
    da partida da Sociedade. Aragorn renomeou a espada como Andúril, Chama do Oeste, e carregou-a quando deixaram Valfenda.

Janeiro

  • Era inverno total quando a Sociedade tentou cruzar as montanhas de Caradhras.
  • Gandalf disse à Sociedade que uma vez que entrassem em Moria, seriam 40 milhas do Portão Oeste ao Portão Leste.
  • Gandalf e Aragorn haviam estado nas minas de Moria antes.
  • Quando
    Gollum escapou dos Elfos na Floresta das Trevas, escondeu-se dos Elfos
    e dos servidores de Sauron nas Minas de Moria. Entretanto, quando ele
    finalmente descobriu o caminho para o Portão Oeste de Moria, ele não
    podia sair, porque as portões estavam fechados. Gollum estava ainda na
    vizinhança do Portão Oeste quando a Sociedade entrou em Moria. Gollum
    sentiu imediatamente o anel e começou a segui-los.
  • Balin
    foi o líder dos anões que tentaram retomar as Minas de Moria. Balin foi
    um dos treze anões originais na companhia de Thorin Escudo de Carvalho
    e tinha sido um amigo próximo de Bilbo. Outros dois anões da companhia
    de Thorin, Ori e Oin, pereceram também com Balin em Moria. Embora toda
    a sociedade sofresse pela perda de Gandalf em Moria, Aragorn e Gandalf
    haviam sido bons amigos por mais que sessenta anos.

Fevereiro

  • Poucos hobbits ou homens já haviam visto um
    Elfo. Os Elfos de Lothlórien eram tão reservados e reclusos que sua
    existência era considerada pela maioria como sendo uma lenda.
  • Quando
    Haldir encontrou primeiramente a Sociedade nos bosques de Lothlórien,
    não se convencendo da dignidade de um anão, recusou a deixar Gimli
    prosseguir sem primeiro ter seus olhos vendados. Gimli recusou a menos
    que Legolas fosse vendado também. Isso não contribuiu em nada para
    melhorar as relações entre Gimli e Legolas.
  • Orcs das minas de Moria seguiram a sociedade até as fronteiras de Lothlórien.
  • Frodo e Sam olham no Espelho de Galadriel. Sam viu o Condado em ruínas e seu pai, o Feitor, desabrigado.
  • A
    partir do momento que Gimli colocou os olhos pela primeira vez na
    Senhora Galadriel, ficou profundamente apaixonado por ela e foi para
    sempre seu campeão.
  • Galadriel deu a cada um da
    Sociedade um presente especial quando saíram das fronteiras de
    Lothlorien. A Frodo foi dado um cristal que continha a luz de uma
    estrela, para ‘ser uma luz em lugares escuros, quando todas as outras
    luzes se apagarem’. A Sam foi dado uma caixa pequena que continha terra
    do jardim de Galadriel. Mesmo se tudo estivesse estéril e perdido
    quando o Sam retornasse ao Condado, o pó de Galadriel faria floresce-lo
    novamente como nos jardins de Lothlórien.
  • Galadriel
    não sabia o que dar a um anão de presente e perguntou a Gimli o que ele
    desejaria. Ele pediu a ela um único fio de seu cabelo dourado, para
    recordar a beleza de Lórien e de sua Senhora e deixou o presente ser
    uma promessa visível da boa vontade entre as Montanhas e os Bosques. Os
    outros Elfos estavam espantados com tal pedido corajoso, mas Galadriel
    riu e deu a Gimli três cabelos dourados.
  • Galadriel deu
    a Aragorn um presente que Arwen enviou para ele como um símbolo de
    esperança; uma grande gema de esmeralda em um broche de prata em
    formato de uma águia. A Pedra Élfica era uma peça de herança Élfica que
    Galadriel havia dado a sua filha Celebrian, que havia dado a sua filha
    Arwen. Aragorn sempre usou a Pedra Élfica, também conhecida como
    Elessar.
  • Quando a Sociedade deixou Lothlórien, Gollum estava se escondendo nos arredores dos Bosques Dourados e viu-os sair.
  • Em
    Amon Hen, Sauron tornou-se ciente de Frodo quando este colocou o anel
    para escapar de Boromir. O Olho começou então a procurar atentamente
    por ele, tentando localizar sua posição. Foi Gandalf que manteve Frodo
    fora de perigo neste momento perigoso persuadindo-o a finalmente
    retirar o Anel. Embora distante naquele momento, Gandalf se tornou
    ciente do perigo, e foi capaz de se comunicar com o Frodo para retirar
    finalmente o anel. Gandalf então distraiu o Olho e o atraiu para longe
    de Amon Hen e da Sociedade.

(Voc̻ sabia que em A Sociedade do Anel . . . Copyright (C) 2004 РPatty Howerton / Skies of Rohan)

 
[tradução de *Aredhel*]
valinor

Você sabia que antes da história começar em A Sociedade do Anel…

Embora os filmes de Peter Jackson sejam representações maravilhosas
do Senhor dos Anéis, os cineastas tiveram que comprimir a história em
muitas maneiras e realizar alterações apropriadas para uma audiência de
cinema. Por causa deste processo, grande parte da informação de fundo e
do desenvolvimento de personagens tiveram que ser deixados fora dos
filmes. As pessoas que somente viram os filmes podem ser surpreendidas
e entusiasmadas ao saber que os livros contêm muito mais informações,
detalhes e histórias sobre seus personagens favoritos. Os seguintes
documentos incluem curiosidades e teasers relacionados à linha da
história e aos personagens que não são encontrados nos filmes da New
Line Cinema do Senhor dos Anéis. É a esperança da Skies of Rohan, que
ao aprender mais detalhes da história, os freqüentadores de cinema
serão instigados a ler os livros que são a fonte dos filmes e descobrir
mais ainda a mágica da Terra-Média.
 
 
 
Você sabia que antes da história começar em A Sociedade do Anel

  • Os
    Anéis de Poder foram feitos há muito tempo por ferreiros Élficos, que
    foram ajudados em sua tarefa por Sauron de Mordor, que nessa época
    ainda era confiado pelos Elfos. Juntos, os ferreiros e Sauron fizeram
    os Nove Anéis para Homens Mortais, os Sete Anéis dos Anões e outros
    poucos Anéis de Poder. Sauron aprendeu bastante em seu auxílio sobre
    como criar os Anéis para secretamente criar o Um Anel, e fazendo com
    que este fosse o Anel Mestre sobre todos os outros. A natureza maléfica
    de Sauron foi revelada no momento em que ele usou o Um Anel pela
    primeira vez.
  • Depois que o Um Anel foi descoberto, o
    chefe dos ferreiros Élficos fez os três Anéis dos Reis Élficos. Os
    Elfos tiveram grande cuidado para manter seus anéis escondidos de
    Sauron e deu-os aos seus Elfos mais poderosos para mantê-los. Sauron
    não tocou em nenhum dos Três Anéis Élficos nem mesmo os viu.
  • O maior Anel Élfico era Vilya,
    o Anel do Ar, possuído pelo Alto Rei Gil-galad. Quando Gil-galad foi
    ferido mortalmente na batalha contra Sauron, deu o Anel do Ar a Elrond
    de Valfenda.
  • O segundo Anel Élfico de Poder, Narya,
    foi mantido por Círdan, o Guardião dos Portos Cinzentos. No começo da
    Guerra do Anel, Círdan deu o Anel do Fogo ao mago Gandalf, sabendo que
    Gandalf necessitaria dele em seus trabalhos de encontro ao mal de
    Sauron.
  • Embora Círdan e Gandalf mantivessem o local de Narya
    em segredo, o mago Saruman tornou-se, conseqüentemente, ciente que
    Gandalf havia sido confiado como guardião do Anel. Saruman invejou
    amargamente o fato de que o Anel tinha sido dado a Gandalf, e não a ele
    mesmo.
  • Galadriel de Lothlórien possuía o terceiro Anel Élfico, Nenya, o anel das águas.
  • Dos sete Anéis dados aos Anões, três foram recuperados por Sauron. Os outros anéis foram tomados e consumidos por dragões.
  • Quanto
    aos nove anéis para homens mortais, Sauron os deu a soberanos dos
    homens nas grandes terras na Terra-Média, dizendo-lhes que os anéis
    lhes concederiam poder e imortalidade. Os nove soberanos eram incapazes
    de abandonar seus anéis, mesmo quando perceberam que Sauron os tinha
    enganado. Incapazes de morrer, transformaram-se em Espectros do Anel, e
    estavam totalmente sob o domínio do Um Anel e tornaram-se os mais
    terríveis servidores de Sauron.
  • Elendil foi o primeiro
    Alto Rei dos reinos de Arnor e Gondor. Foi Elendil que formou a Última
    Aliança dos Homens com o Rei Élfico Gil-Galad na guerra contra Sauron.
  • Narsil,
    a Espada que foi Quebrada, era a espada de Elendil que quebrou debaixo
    dele quando caiu no combate com Sauron. O filho de Elendil, Isildur,
    pegou os restos quebrados de Narsil e cortou o Anel da mão de Sauron. Os fragmentos de Narsil
    eram estimados por todos os herdeiros de Elendil, mesmo quando todos as
    outras heranças foram perdidas. A Espada que foi Quebrada se tornou uma
    lenda e era um símbolo da luta contra Sauron.
  • Todos os
    Elfos que residiam na Terra-Média possuíam a escolha de pegar um navio
    nos Portos Cinzentos e passar através do oceano para a Terra-Élfica no
    Oeste e deixar a Terra-Média para trás para sempre. A maioria dos elfos
    tinha feito isso, no começo da Grande Guerra do Anel. Somente algumas
    comunidades de Elfos ainda permaneceram em Valfenda, Lothlórien,
    Mirkwood e nos Portos Cinzentos.
  • Elrond era casado com
    Celebrían, filha de Galadriel e Celeborn. Elrond e Celebrían tiveram
    dois filhos, Elladan e Elrohir, e uma filha, Arwen Estrela Vespertina.
  • Viajando
    a Lórien para visitar seus parentes um ano, Celebrían e sua escolta
    foram atacados por Orcs e ela foi capturada. Embora fosse salva por
    seus filhos, Celebrían tinha sido extremamente ferida durante seu
    cativeiro. Elrond podia curá-la, mas ela não encontrou mais alegria na
    Terra-Média e pegou um navio nos Portos Cinzentos muitos anos antes da Sociedade do Anel.
  • Elendil
    fundou os Reinos Dúnedain de Arnor no Norte e Gondor no Sul. A linhagem
    Meio-élfica dos Dúnedain os separava de outros homens, dando a eles
    força de caráter e poderes próximos aos Élficos, além de uma
    expectativa de vida mais longa do que outras raças de Homens.
  • Após
    a queda do Reino do Norte de Arnor, os Dúnedain trabalharam em segredo
    como os Guardiões Viajantes do Norte. Apesar de seus números terem sido
    grandemente reduzidos ao longo dos anos, os Guardiões sentiam que era
    sua tarefa continuar a guardar as Terras do Norte de Orcs e outros
    servidores do Senhor do Escuro, independentemente do custo a si mesmos.
  • Aragorn
    tinha somente dois anos quando seu pai foi morto por Orcs. Seu avô
    havia sido morto por Trolls no ano antes do nascimento de Aragorn. Após
    a morte do seu pai, Aragorn foi levado para morar com sua mãe em
    Valfenda, onde estaria protegido pelos Elfos. Elrond tomou o lugar de
    seu pai e passou a amá-lo como um filho. Embora o Senhor do Escuro
    achasse que havia matado todos os herdeiros ao trono, os servidores de
    Sauron nunca pararam de procurar por um herdeiro vivo de Isildur.
  • Para
    manter Aragorn em segurança, sua verdadeira identidade foi mantida
    escondida de todos em Valfenda. Elrond deu-lhe o nome Estel, que
    significava esperança.
  • O Hobbit relata a história de
    Bilbo Bolseiro do Condado, que é levado a uma aventura improvável para
    ser um assaltante para uma companhia de anões e acaba encontrando
    aventura, tesouro, amigos e um pequeno anel mágico.
  • Thorin Escudo de Carvalho, o Rei dos Anões sob a Montanha Solitária,
    encontra-se com Gandalf por acaso na cidade fronteiriça de Bri. Thorin
    conta a Gandalf sobre seus planos para conduzir um grupo de anões em
    uma expedição à Montanha Solitária. A vingança é planejada contra o
    grande dragão Smaug, que havia matado muitos quando tirou os anões de
    sua terra e roubou seus tesouros.
  • Smaug era o último
    dragão vivo na Terra-Média. Gandalf apoiou fortemente a busca de Thorin
    na esperança que Smaug seria destruído. Gandalf também tomou medidas
    extraordinárias para ter certeza que um hobbit de meia idade, com o
    nome de Bilbo Bolseiro, se tornasse parte da companhia.
  • É
    Thorin Escudo de Carvalho, que expressa primeiramente as palavras
    imortais ‘Que os pêlos em seus dedos do pé nunca caiam’, quando se
    encontra com Bilbo pela primeira vez.
  • Bilbo era um
    Hobbit muito respeitável e próspero que era extremamente aficionado por
    conforto e refeições freqüentes. Bilbo viveu sozinho em um bela casa
    (ou toca) chamada Bolsão, que foi construída em uma coluna na
    Vila dos Hobbits. Gandalf foi capaz de persuadir Bilbo para acompanhar
    os anões através de uma combinação de truques e apelos ao senso de
    aventura escondido de Bilbo.
  • O grupo de anões e Bilbo
    começou sua aventura com um encontro quase desastroso com Trolls.
    Depois que os Trolls foram derrotados, Bilbo encontrou uma pequena
    espada élfica nas coisas dos Trolls. A espada brilharia intensamente
    sempre que Orcs estivessem próximos. Bilbo nomeou-a ‘Ferroada‘.
  • Gandalf
    conduz aos anões e Bilbo a Valfenda, onde Bilbo se encontra com Elrond
    pela primeira vez. É plenamente possível que Bilbo pode também ter se
    encontrado com o jovem Estel (Aragorn) nesta época. Aragorn seria então um menino jovem, com aproximadamente dez anos, naquela época.
  • Bilbo
    se separa dos anões em uma caverna durante um encontro com o Orcs nas
    Montanhas Sombrias. Enquanto está vagueando através de um dos túneis
    escuros encontra e pega um pequeno anel de ouro. Por acaso, Bilbo
    descobre que o anel é mágico e o tornará invisível se colocá-lo.
  • Enquanto
    ainda estava perdido nos túneis, Bilbo encontra uma criatura estranha
    chamada Gollum. Gollum perdeu algo precioso e suspeita de Bilbo, mas
    teme a espada Ferroada. Gollum desafia Bilbo para um jogo de adivinhas.
    Embora Bilbo ganhe o jogo de adivinhas, ele somente pode escapar de
    Gollum colocando o anel e tornando-se invisível.
  • Bilbo
    e os anões encontram também os elfos da Floresta das Trevas. O Rei
    Thranduil era extremamente desconfiado dos anões e de suas atividades.
  • Ao
    atacar os Homens de Valle, o dragão Smaug foi finalmente morto por um
    arqueiro. Com a morte de Smaug, um dos maiores medos de Gandalf (que
    Sauron encontraria uma maneira de usar Smaug na grande guerra que
    estava por vir) foi acalmado.
  • Como parte de sua
    recompensa por ajudar os anões a derrotar o dragão, Thorin Escudo de
    Carvalho deu a Bilbo uma cota de malha feito do metal raro mithril. A cota havia sido encontrada e recuperada do tesouro acumulado de Smaug. O mithril havia sido minerado no reino perdido de Moria.
  • Após
    seu retorno inesperado ao Condado, Bilbo foi considerado muito
    excêntrico. Boatos diziam que tinha sacos de ouro e tesouro armazenados
    em seu lar, Bolsão, e que continuava a ter visitas de povos de outras terras, como os anões e o mago Gandalf durante todos os anos.
  • Quando
    Aragorn tinha vinte anos, Elrond revelou-lhe seu nome e herança
    verdadeiros. Nessa época, Elrond deu-lhe o anel de Barahir e os
    fragmentos da espada de Elendil, Narsil.
  • Aragorn
    encontrou-se com Arwen Estrela Vespertina em Valfenda quando era jovem.
    A partir do momento que se encontraram, Aragorn sabia que a amava.
    Quando Elrond percebeu que Aragorn amava Arwen, advertiu Aragorn que um
    grande destino o esperava, ascender aos seus pais ou cair na escuridão.
    Mas até esse tempo, não deveria ter nenhuma esposa nem ligar-se a
    nenhuma mulher. Logo depois disso, Aragorn deixou Valfenda e foi para
    Terras Selvagens para trabalhar na causa contra Sauron.
  • Aragorn
    e o mago Gandalf encontraram-se pela primeira vez e tornaram-se amigos
    alguns anos após Aragorn deixar Valfenda quando jovem. Viajaram juntos
    muitas vezes ao longo dos anos e foram bons amigos.
  • Aragorn
    viajou disfarçado e sob muitos nomes na maior parte de sua vida.
    Durante aqueles anos ele cavalgou com os Rohirrim e também com os
    homens de Gondor, sob o nome de Thorongil. Como Capitão dos Guardiões do Norte, era conhecido como O Dúnadan por muitos. Nas terras fronteiriças adquiriu o nome Passolargo.
  • Como Thorongil, Aragorn foi um grande Capitão de Gondor durante a regência de Ecthelion. Como regente de Gondor, Ecthelion mantinha Thorongil
    em muita estima e considerava-o um grande líder dos homens. Desta
    forma, Aragorn aconselhou Ecthelion para não confiar em Saruman, o
    Branco, mas para acolher preferivelmente Gandalf o Cinzento.
  • Quando
    os piratas Corsários em Umbar provaram ser uma grande ameaça a Gondor,
    Aragorn conduziu seus homens a uma vitória decisiva ao ir para cima da
    frota dos piratas à noite e ao queimar seus navios. Neste momento do
    triunfo, Aragorn enviou a palavra a Ecthelion que outras tarefas o
    aguardavam e que deveria deixar seu serviço. O capitão Thorongil não
    retornou a Minas Tirith e foi visto pela última vez viajando para o
    Leste, para Mordor.
  • Houve muito desânimo na Cidade
    quando o Capitão Thorongil não Retornou, à exceção de Denethor, o filho
    de Ecthelion. Denethor era um homem orgulhoso que nunca gostava de
    ficar em segundo lugar a Thorongil nos corações dos homens e na estima
    de seu pai.
  • Havia também pouco amor entre Gandalf e
    Denethor, e quando Denethor sucedeu à Gerência logo após a partida de
    Thorongil, ele tinha pouco acolhimento para Gandalf em Minas Tirith.
  • Aragorn
    encontrou-se novamente com Arwen trinta anos após seu primeiro
    encontro. Aragorn havia estado em perigo na borda de Mordor, e ao
    retornar a Valfenda, parou em Lothlórien para descansar. Arwen também
    estava visitando ali por um momento. Durante sua estada em Lothlórien
    passaram muito tempo juntos, e ao final de sua estada, firmaram o
    compromisso de sua fidelidade e Arwen havia feito sua decisão para
    viver uma vida mortal.
  • Como neta de Galadriel e filha
    de Elrond, Arwen era considerada um grande tesouro de seus povos, e era
    da mais elevada linhagem Élfica. Quando Elrond aprendeu que Arwen e
    Aragorn haviam prometido seu amor um ao outro, disse a eles que
    concordaria em deixá-los se casar somente se Aragorn retomasse o trono
    de Gondor e Arnor e fosse coroado como Alto Rei.
  • Ao
    longo de todos os longos e perigosos anos enquanto Aragorn viajava
    sozinho ao Leste e profundamente ao Sul, Arwen o vigiava de longe em
    Valfenda.

(Antes da história começar em A Sociedade do Anel. . . Copyright (C) 2004 – Patty Howerton / Skies of Rohan)
 
[tradução de *Aredhel*] 
 
valinor

Lista de Fatos sobre Elladan e Elrohir

Resumo: Quase todas as peças de informação do cânon tolkieniano
disponíveis a respeito dos filhos gêmeos de Elrond, Elladan e Elrohir.
Spoilers dos livros.

Aviso Legal: Estes personagens
e Terra-média são propriedade do Tolkien Estate e este ensaio de
não-ficção não pretende infringir os direitos autorais de forma alguma.

Obrigada a uma leitora chamada Claris por apontar uma
descrição física que foi adicionada ao Segundo parágrafo, e a outro
leitor que sugeriu a quebra em porcentagens da herança dos gêmeos.
Opiniões são bem-vindas em [email protected].

 
 
 
Quem são Elladan e Elrohir?

São
os filhos gêmeos idênticos de Elrond o Meio-elfo e Celebrían, a filha
de Galadriel e Celeborn. Isso os torna basicamente ¼ humanos, ¾
élficos. Arwen é a irmã deles. São personagens periféricos em O Senhor dos Anéis.

Há três descrições físicas deles no cânon de Tolkien. A mais detalhada
é a deles como: “… dois homens altos, nem jovens nem velhos. Eram tão
parecidos, os filhos de Elrond, que poucos conseguiam distingui-los;
cabelos escuros, olhos cinzentos, e suas faces belas como as de elfos,
vestidos de forma parecida em malha brilhante sob capuz de
cinza-prateado.” (A Passagem da Companhia Cinzenta, RdR). As duas outras descrições são fornecidas em sua íntegra na Linha do Tempo.

São Elfos?

Um dos pontos mais sutis em SdA
é o fato de os filhos de Elrond receberem uma identidade racial limiar
e excepcional, que é a de serem, literalmente, filhos de Elrond. Os
filhos de Elrond têm o seguinte destino, ligado ao de Elrond: “Enquanto
eu residir aqui, ela (Arwen) viverá com a juventude dos Eldar, e quando
eu partir, ela irá comigo, se assim ela escolher.” RdR Apêndice
A. Se Arwen permanece na Terra-média depois que Elrond partir, ela
escolhe tornar-se mortal e morrer. Uma afirmação citada mais tarde na
Linha do Tempo deixa claro que isso também se aplica a Elladan e
Elrohir, embora fique implícito que eles podem “adiar sua escolha”.

Tolkien também destaca que Elrond tinha “ancestrais mortais e Élficos
em ambos os lados; Tuor no lado de seu pai, Beren no de sua mãe”.
Cartas, #211. Ele parece ter ficado um pouco confuso entre Elladan e
Elrohir e Elrond aqui; os gêmeos são cerca de ¼ humanos, uma vez que
sua mãe, Celebrían, era a filha totalmente Elfa de Galadriel e Celeborn.

Um leitor astuto apontou que a herança de Elladan e Elrohir é
complicada pela ancestral Lúthien, sua trisavó. Lúthien era ½ Elfa e ½
espírito divino chamado Maia nos mitos de Tolkien. Portanto,
estritamente falando, Elladan e Elrohir são 73.5% élficos, 23.5%
humanos, e 3% Maiar. Outro leitor astuto forneceu as peças da história
familiar dos dois, que leva à essa conclusão; clique aqui para ler.

Tolkien é muito cuidadoso ao longo de O Senhor dos Anéis para não se
referir a Elladan e Elrohir como Elfos. Em vários lugares (anotados na
Linha do Tempo) eles estão distintamente NÃO-agrupados com Legolas
quando se fala de assuntos ou habilidades élficos. Ele sentem o temor
das Sendas dos Mortos; eles não vêem um Nazgûl voando por sobre suas
cabeças quando Legolas consegue. Também não se refere a eles como
Homens/humanos.

O que seus nomes significam?

De maneira muito fortuita, Tolkien traduziu os nomes deles em uma de
suas Cartas, apontada na coleção de suas cartas como Carta 211
endereçada a Rhona Beare. A tradução foi feita para responder à
seguinte pergunta de Rhona “Quando é que El- significa ‘elfo’ e quando
significa ‘estrela’?”

Elrohir = cavaleiro élfico.
Também é possível traduzi-lo como cavaleiro da estrela, o que seria
simpático, mas não há evidência de que Tolkien queria essa tradução.

Elladan
= homem élfico. Isso parece tedioso até analisarmos o significado
etimológico da palavra “dan”. Estritamente falando, significa “homem”.
Em uso, significa Númenoriano, homem avançado, homem sábio, como em
Dúnedain. Há também uma superposição com a palavra “dan” significando
“artesão ou artífice”. (Círdan [nome no singular, artesão de barcos ou
armador] Mírdain [nome no plural, artesãos de jóias]). Portanto, o que
está implícito aqui é o tipo de homem mais elevado, mais culto – um
homem de tradição e habilidade e idéias significantes no universo de
Tolkien.

A Linha do Tempo dos Gêmeos:

Segue aqui uma lista de cada aparição ou evento significativo relacionado a Elladan e Elrohir, em ordem cronológica.

SEGUNDA ERA

Em algum momento da Segunda Era:
Elrond vê Celebrían pela primeira vez e se apaixona por ela. Os Elfos
estão no meio de sua Guerra contra Sauron; ele não diz nada a ela
naquele momento.

Ano 3441: A Guerra da Última Aliança parece ser o fim de Sauron.

TERCEIRA ERA

Ano 100: Nessa época de paz, Elrond e Celebrían se casam.

Ano 139: Elladan e Elrohir nascem. Não há menção sobre a ordem de seu nascimento.

Ano 241:
Arwen nasce. Ou seja, Elladan e Elrohir eram completamente adultos
quando ela nasce. Elfos tornam-se adultos entre 50 e 100 anos, e eles
têm 135 anos naquela época.

2.268 anos passados.
Presumidamente Elladan e Elrohir aprenderam artes da Guerra e tradições
humanas e élficas, tornando-se guerreiros maduros e habilidosos.

Ano 2509:
O tormento e captura de Celebrían. Viajando para Lórien, Celebrían
sofre “emboscada no Passo do Chifre Vermelho, e recebe um ferimento
envenenado”. É levada e torturada nos covis dos orcs. Elladan e Elrohir
resgatam-na.

Ano 2510:[i] Elrond cura Celebrían, mas
ela, ainda “sob uma grande nuvem de medo”, parte para além-Mar. Elladan
e Elrohir começam a caçar orcs. Note-se que não é mencionado que eles
tenham feito qualquer juramento a respeito disso – eles apenas os caçam.


[i]Ano 2511:
Elladan e Elrohir ajudam o povo que se tornarão os Homens de Rohan numa
batalha contra orcs. Note-se que Rohan ainda não existe; este reino se
estabelece logo depois desta batalha. O relato completo está a seguir:

“Mas na dianteira do ataque eles viram dois grandes cavaleiros,
vestidos de cinza, diferentes de todos os outros, e os Orcs fugiram
diante deles; mas quando a batalha foi vencida eles não puderam ser
encontrados, e ninguém sabia de onde tinham vindo e para onde foram.
Mas em Valfenda foi registrado que eram os filhos de Elrond, Elladan e
Elrohir.” Peoples of Middle-Earth, Criando o Apêndice A.

Vejam que eles são descritos como “grandes” no sentido de imponentes, altos, fortes. O próprio Elrond é descrito em O Hobbit
como “poderoso entre Elfos e Homens”. Pode-se deduzir a partir disto
que os gêmeos eram fisicamente mais robustos que a maioria dos Elfos.

Ano 2511 até 3019: anos de jornadas de Elladan e Elrohir. Fica implícito que eles se tornaram mais próximos dos Dúnedain durante esta época.

Ano 2933:
O pai de Aragorn, Arathorn, “saiu cavalgando contra Orcs com os Filhos
de Elrond, e foi morto por uma flecha de orc que perfurou seu olho”.
Aragorn tem dois anos de idade na época. Apêndice A de RdR.

Anos 2940 – 2951:
Os gêmeos ensinam o jovem Aragorn a caçar orcs e outras habilidades na
selva. Eles não mencionam nem uma vez a respeito da irmã deles para
Aragorn naquela época, presumidamente devido a uma proibição por parte
de Elrond. Conforme se nota no Apêndice A de RdR, “Aconteceu que ele (Aragorn) retornou para Valfenda depois de grandes feitos na Companhia dos Filhos de Elrond…”

Ano 3018: A história de O Senhor dos Anéis começa. Elladan e Elrohir têm 2988 anos de idade.

24 de outubro: “Muitos Encontros”, SdA.
Aragorn não participa do banquete para celebrar a recuperação de Frodo
porque “Elladan e Elrohir retornaram dos Ermos sem serem esperados, e
tinham notícias que eu queria ouvir imediatamente.”

25 de outubro: “O Conselho de Elrond,” SdA.
Começa o Conselho de Elrond. Note-se que NÃO se menciona que Elladan ou
Elrohir estão presentes, embora estejam em Valfenda naquele momento.
Jamais se menciona por que Elladan e Elrohir não se juntam à Comitiva.

Novembro-Dezembro:
Depois do Conselho, Elladan e Elrohir cavalgam para Lórien com notícias
sobre o Portador do Anel e sua demanda, e depois retornam. Essa é uma
viagem de vai-e-volta que dura dois meses. “Os filhos de Elrond,
Elladan e Elrohir, foram os últimos a retornar; haviam feito uma grande
jornada, passando o Veio de Prata até uma terra estranha, mas sobre sua
incumbência não falaram nada a ninguém, exceto Elrond.” SdA, “O Anel Vai Para o Sul”.

Ano 3019: A história de O Senhor dos Anéis continua.

Fevereiro-Março:
Quando os Dúnedain se dirigem ao sul para ajudar Aragorn, Elladan e
Elrohir se juntam a eles. Eles se encontram novamente em Rohan em 6 de
março. Eles se reúnem a Aragorn no capítulo de RdR “A Passagem
da Companhia Cinzenta”, introduzidos por Halbarad: “Os irmãos Elladan e
Elrohir cavalgaram conosco, desejando ir para a guerra”. Temos as
seguintes descrições deles: “… disse Legolas, ‘E você notou os irmãos
Elladan e Elrohir? Seus trajes são menos sombrios do que os dos outros,
e são belos e elegantes como Senhores Élficos; e isso não é de se
admirar nos filhos de Elrond de Valfenda.'”

8 de março: Os gêmeos unem-se a Aragorn durante a Guerra do Anel. Elrohir diz a Aragorn, “Trago-lhe uma mensagem de meu pai: Os dias são curtos. Se estás com pressa, lembra-te das Sendas dos Mortos.
Eles cavalgam com Aragorn nas Sendas dos Mortos. Nas Sendas dos Mortos,
Elladan carrega uma tocha e caminha atrás de todos; fica ao lado de
Aragorn enquanto este examina um cadáver. Note-se que Elladan e Elrohir
sentem o medo dos Mortos, enquanto que o totalmente elfo Legolas não.
“Não havia um coração entre eles que não tenha estremecido, exceto o
coração de Legolas dos Elfos, para quem os mortos não têm terror.”
Elladan tem estas linhas melancólicas: “Sim, os Mortos vêm atrás de
nós. Eles foram convocados”, e ele responde à questão de Gimli sobre em
que lugar estão, dizendo, “Descemos das cabeceiras do Morthrond, o rio
longo e frio que… banha os muros de Dol Amroth. De agora em diante
você não precisa perguntar a razão de seu nome; Raiz Negra os homens o
chamam”. Na Pedra de Erech, Elrohir dá a Aragorn uma corneta de prata,
que Aragorn toca para convocar os Mortos.

15 de março: RdR
capítulo “A Batalha dos Campos do Pelennor”. Na Batalha do Pelennor, às
portas de Minas Tirith, cita-se que os gêmeos estão presentes, “Elladan
e Elrohir com estrelas em sua fronte”, e, presumidamente, atacando sem
dó.

16 de março: RdR capítulo “O Último Debate”.
Elladan e Elrohir participam de um conselho dos senhores da Guerra após
a Batalha do Pelennor. Segunda fala de Elrohir: “Viemos do norte com
esse propósito, e de Elrond, nosso pai, trouxemos exatamente esse
conselho. Não recuaremos.”

18 – 25 de março: RdR
capítulo “O Portão Negro se Abre”. Eles cavalgam com Aragorn até o
Portão de Morannon em Mordor para seu desafio corajoso, junto com os
Dúnedain. Note-se que Tolkien diferencia Elladan e Elrohir de Legolas
novamente; Legolas consegue ver os Nazgûl sobre suas cabeças, mas os
gêmeos não conseguem. “Eles (os Nazgûl) ainda voavam alto e fora do
campo de visão de todos exceto Legolas…”

8 de abril: RdR
capítulo “O Campo de Cormallen”. Frodo desperta depois de seu
sofrimento e há celebrações em sua honra e de Sam no Campo de
Cormallen. Elladan e Elrohir têm seus nomes gritados pelo menestrel nas
comemorações – mas novamente de uma forma que não os associa com o
totalmente elfo Legolas. “e Cavaleiros de Rohan, e vós, filhos de
Elrond, e Dúnedain do norte, e Elfo e Anão…”

8 de maio: “Éomer e Éowyn partem para Rohan com os filhos de Elrond”. Conto dos Anos, RdR.

14 de junho:
O gêmeos encontram “a escolta de Arwen�, que inclui Elrond, Galadriel,
e Celeborn, e retornam a Gondor. Em 16 de junho param em Edoras, Rohan.

1 Lite (Julho):
O grupo chega a Gondor. Elladan e Elrohir estão na dianteira. “Na
frente cavalgavam Elladan e Elrohir com uma bandeira de prata…” No
dia seguinte, Dia do Meio do Ano, Arwen casa-se com Aragorn. O Regente
e o Rei, RdR.

19 de julho: Com o cortejo fúnebre de Théoden, e na companhia de Elrond, Gandalf e o restante da Sociedade, os gêmeos deixam Gondor.

22 de setembro: Os gêmeos retornam para Valfenda com o resto da comitiva.

Ano 3021: Os filhos de Elrond permanecem em Valfenda quando Elrond atravessa o Mar. A história de O Senhor dos Anéis termina.

QUARTA ERA

Ano 5?:
Celeborn une-se a eles em Valfenda. “Mas após a partida de Galadriel,
em poucos anos Celeborn ficou cansado de seu reino e foi para Imladris
morar com os Filhos de Elrond”.

Ano 17: Elladan e Elrohir visitam o Rei Elessar e a Rainha Arwen no Lago Vesperturvo. A família de Samwise também vai. (Fim da Terceira Era, epílogo não-publicado de Tolkien para RdR.)

?????
Não se faz nenhuma menção ao destino final deles. Nenhuma. “O fim de
seus filhos, Elladan e Elrohir, não é contado; eles adiam sua escolha,
e permanecem por um tempo.” Cartas, #153. É deixado para o leitor decidir se eles atravessaram o Mar ou se tornaram mortais e morreram na Terra-média.

Eles estiveram no filme A Sociedade do Anel?

Ah, o grande debate. Em várias discussões, os fãs de cinema
identificaram cada elfo de cabelos escuros na cena do Conselho de
Elrond como sendo Elladan e/ou Elrohir. As coisas ficam confusas devido
ao fato de que dois Elfos de cabelos escuros estão sentados em ambos os
lados de Elrond em cadeiras de honra durante o Conselho, mas dois Elfos
de aparência diferente vêm com Arwen para dizer adeus à Sociedade
(Fotos publicitárias especiais da National Geographic). Alguns dizem
que os Elfos sentados ao lado de Aragorn são os gêmeos.

Provavelmente é seguro supor que os dois Elfos na cena do Conselho
sejam Elladan e Elrohir. Qual é qual, e se vão ou não aparecer nos
outros filmes (N. da T.: Este texto foi feito antes do lançamento dos
outros dois filmes), ainda não se sabe. Nota Posterior: Peter
Jackson disse especificamente que Elladan e Elrohir estão “caçando
fora” na época do Conselho de Elrond e, portanto, não fazem parte da
cena. Se você revisar a Linha do Tempo aqui, verá que no livro eles
estavam em Valfenda durante a época em que o Conselho de Elrond
aconteceu, mesmo que por um curto pedaço de tempo.

Por que os fãs se importam?

Fãs escreveram bem mais a respeito dos Filhos de Elrond do que o
próprio Tolkien, e o resultado são várias interpretações diferentes de
Elladan e Elrohir. São românticos no sentido clássico da palavra; há um
sentimento de grande tragédia em torno deles, eles se importam
profundamente com sua mãe, irmã e amigos, são misteriosos e fisicamente
atraentes. Nada sugere que sejam particularmente devotados um ao outro,
exceto pelo fato de que jamais são, em nenhum momento, mencionados
separadamente.

Fontes de Informação:

A Sociedade do Anel (SdA), J.R.R. Tolkien, Ballantine Books, 1954.

The End of The Third Age, Volume 14 de The History of Middle Earth, J.R.R. Tolkien, editado por Christopher Tolkien. Houghton Mifflin Co, 1997.

The Letters of J.R.R. Tolkien, J.R.R. Tolkien, editado por Humphrey Carpenter. Houghton Mifflin Co., 1995.

The Peoples of Middle-Earth, Volume 12 de The History of Middle Earth, J.R.R. Tolkien, editado por Christopher Tolkien. Houghton Mifflin Co, 1996.

O Retorno do Rei (RdR), J.R.R. Tolkien, Ballantine Books, 1955.

O Silmarillion, J.R.R. Tolkien, Ballantine Books, 1977.

A �rvore Genealógica de Elladan, Elrohir e Arwen:

A história da família de Elladan e Elrohir, e de sua irmã Arwen, é a
que segue. Foi providenciada por outra leitora astuta, Vikki. Uma vez
que as pessoas sempre fazem perguntas sobre isso, aqui está…todos
estes dados podem ser vistos em forma de árvore em O Silmarillion. As partes mais complicadas de sua ancestralidade são recontadas abaixo.

Trisavós:
Lado Paterno:
Beren: 100% Homem
Luthien: 50% Elfa (Sindarin), 50% Maia
Seu único filho é Dior.

Bisavós:
Lado Paterno:
Dior: 50% Homem, 25% Elfo (Sindar), 25% Maia
Nimloth: 100% Elfa (Sindar)
Eles têm filhos gêmeos e uma filha; apenas a filha, Elwing, sobrevive ao ataque a Doriath.
Enquanto isso, em Gondolin:
Tuor: 100% mortal (filho de Huor)
Casa com a 100% Noldorin Idril (filha de Turgon e Elenwë)
O filho deles é Eärendil.

Avós:
Lado Paterno:
Elwing: 25% Humana, 62.5% Elfa (Sindar), 12.5% Maia
Eärendil: 50% Humano, 50% Elfo (Noldorin)
E seus filhos são os gêmeos Elrond e Elros. Presenteados com uma
escolha pelos Valar, Elros escolhe tornar-se mortal e inicia a Linhagem
dos Reis. Elrond escolhe tornar-se totalmente Elfo.
Lado Materno:
Galadriel: ¼ Vanyarin, ¼ Noldorin (pai, Finarfin), e ½ Telerin (mãe, Eärwen de Alqualondë).
Celeborn: 100% Sindar e sem dúvida com muito orgulho. Não há
informações sobre seus pais, embora cite-se que ele tinha parentesco
com o rei Sindarin Thingol.
Sua filha é Celebrían.

Pais imediatos:
Pai: Elrond, 37.5% mortal, 31.25% Elfo (Sindar), 25% Elfo (Noldorin), e 6.25% Maia.
Mãe: Celebrían, inteiramente elfa, 1/8 Noldorin, 1/8 Vanyarin, e ¾ Sindarin.

O que nos leva a:
Elladan, Elrohir, e Arwen. 3/16 mortais, 25/32 Elfos e 1/32 Maia.

 
[tradução de Claurelin] 
valinor

Tolkien e Chivalry

[¹ “Chivalry” é um termo ambíguo em inglês, que pode significar tanto
“regras da cavalaria” e “cavalaria” quanto “cavalheirismo” ou
“bravura”, que era uma característica considerada altamente importante
na Idade Média. Dessa forma, optamos por traduzir por uma ou outra
forma dependendo do contexto da frase, uma vez que optar por uma só
tradução ao longo de todo o texto eliminaria o segundo sentido da
palavra. Que fique então claro para o leitor que no inglês, a palavra
“chivalry” tem um sentido bem mais amplo do que no português. N. da T.]
 
 
 
1. Tolkien e Chivalry hoje

Muitas
pessoas pensam em cavalheirismo e regras da cavalaria como um conceito
que vem dos contos de espadas, cavaleiros e magia da Idade Média.
Ironicamente, no entanto, uma das mais conhecidas histórias de espadas
e magia não vem da Idade Média de forma alguma, mas sim do século XX. O
Senhor dos Anéis, escrito por J.R.R. Tolkien, surgiu na década de 1950,
e desde a sua publicação a obra tem sido responsável por introduzir uma
nova geração inteira (ou, mais perto da verdade, várias novas gerações)
para um ideal de heroísmo e cavalaria que seria muito familiar para os
povos da Europa medieval.

Hoje, à medida que os leitores
descobrem e redescobrem a maravilhosa história de O Senhor dos Anéis,
tomemos alguns minutos para considerar as lições de cavalheirismo que
são encontradas nesse livro. Críticos da obra freqüentemente alegam que
O Senhor dos Anéis é simplista e enfadonho; muitos disseram que não é
nada mais do que uma elaborada história de ninar. Isso, no entanto, é
uma infeliz tentativa de atribuir a O Senhor dos Anéis uma aura de
sofisticação moderna e nuance contemporânea que, caso fosse verdade,
estaria totalmente fora de lugar em uma obra assim. A história de
Tolkien é tão sofisticada quanto cheia de nuances, mas são qualidades
que remetem a outra era.

A história da batalha pela
Terra-média escrita por Tolkien é claramente um esforço para introduzir
os leitores de hoje à uma maravilhosa tradição literária das sagas
épicas medievais. O exército de Aragorn enfrentando as hordas de Mordor
diante do Portão Negro traz à mente a imagem de Rolando em sua última
resistência em Roncevaux; o Conselho de Elrond em Valfenda tem uma
marcante semelhança com a reunião dos Cavaleiros da Távola Redonda; e a
batalha de Frodo com Laracna contém elementos da derrota da monstruosa
mãe de Grendel por Beowulf.

Mas a comparação não deveria ficar
restrita aos detalhes do roteiro da história — há também um rico senso
de cavalheirismo e virtudes de cavaleiros em O Senhor dos Anéis.
Aragorn, último herdeiro do trono de Gondor, sente o peso de seu dever
tanto quanto Rei Arthur sentiu, e ele põe de lado seus desejos pessoais
próprios a fim de servir seu povo, que precisa dele. Sam é a própria
imagem da lealdade, e ele é tão fiel ao homem que segue quanto Conde
Oliver eram em relação à Rolando. Galadriel, com graça e generosidade,
oferece inspiração ao Portador do Anel tão bem quanto Guinevere fez aos
cavaleiros buscando o Santo Graal. E a coragem e força de Éowyn, que se
equiparam às da leal Brunhilde, deveriam ser fortes o suficiente para
banir qualquer mito de que o Código da Cavalaria não se aplica às
mulheres.

De fato, O Senhor dos Anéis é tudo que uma
história de ninar deveria ser — é uma inspiradora lição sobre
cavalheirismo e honra que irá reafirmar a necessidade das Virtudes da
Cavalaria no coração de qualquer um que a ler, sejam jovens ou velhos.
Tolkien claramente tinha grande respeito pela tradição do cavalheirismo
e cavalaria tanto na literatura quanto na sociedade, e seus livros
podem ser uma fabulosa introdução ao mundo de heroísmo e cavaleiros em
armaduras reluzentes.

2. O Anel e as Virtudes do Cavaleiro

A revista “Time” recentemente publicou um artigo comentando a respeito
da súbita explosão de popularidade de O Senhor dos Anéis no novo
milênio. Embora os livros de Tolkien sempre tenham tido fortes
seguidores, a “Time” teorizou que a popularidade aumentada do gênero de
fantasia na mídia deve-se ao nosso desejo por tempos mais simples,
quando tudo era preto e branco, e os “mocinhos” podiam ser facilmente
distinguidos dos “vilões”. No fim, o artigo da “Time” criticava
levemente qualquer um que tivesse sido levado a acreditar que a vida
podia ser tão simples quanto era na Terra-média.

Embora a
história de O Senhor dos Anéis possa parecer simples na superfície, há,
na verdade, muita complexidade. O Anel do Poder, que está no coração do
conflito da história, tem um efeito em cada personagem que entra em
contato com ele. Cada um deles é tentado pela grande magia que o Anel
representa, embora jamais se esclareça se essa tentação vem do Anel ou
de dentro dos próprios personagens.

No entanto, a implicação é
que até mesmo a pessoa mais virtuosa é vulnerável à tentação. O Anel
traz à tona tudo que é o oposto ao cavalheirismo e bravura – covardia,
cobiça e vaidade.

Talvez Tolkien estivesse fazendo uma
declaração a respeito da natureza humana. Nesse caso, é uma declaração
que seria bastante familiar aos cavaleiros da Idade Média lutando para
fazer valer o Código da Cavalaria: nenhum de nós deveria dar a virtude
por certa. Devemos estar sempre vigilantes contra os inimigos do
cavalheirismo, e o maior destes inimigos vive dentro de nossos próprios
corações.

É interessante notar que, com o passar das eras,
críticos também alegaram que o Código da Cavalaria é simplista e
idealista. Mas as simples virtudes do código dos cavaleiros, como a
história “simples” de O Senhor dos Anéis, escondem uma complexidade
muito mais profunda que dão tanto ao cavalheirismo quanto a Tolkien uma
recém-descoberta relevância no mundo do século XXI.

3. Frodo e Coragem

Embora O Senhor dos Anéis tenha várias semelhanças com as sagas épicas
da Idade Média, o livro se separa de suas contrapartidas medievais em
um aspecto: os romances cavalheirescos de antigamente sempre traziam um
cavaleiro ou guerreiro poderosos como seu protagonista. Em O Senhor dos
Anéis, contudo, o herói é um Hobbit — um personagem humilde e até mesmo
tímido que não tem amor pela glória, e que preferiria muito mais um
generoso café-da-manhã do que partir em uma jornada épica.

Diferentemente de Galahad, Rolando ou Beowulf, Frodo Bolseiro
representa o “homem comum” universal. Embora ele possa sonhar acordado
com maravilhas distantes e grandes aventuras, sua vida é preenchida
pelos detalhes de cuidar de seu jardim e lida com vizinhos e parentes.
Isso significa que ele não pode ser um herói?

Similarmente,
cada um de nós pode fantasiar a respeito de salvar o mundo, ou combater
o mal, ou governar um reino mítico, mas provavelmente temos bem mais
coisas em comum com Frodo do que temos com Gandalf ou Aragorn; cuidamos
todos os dias de nossos negócios, lidamos com nossos vizinhos e amigos,
e nos perguntamos o que haverá para o café amanhã de manhã. Mas isso
significa que não podemos ser heróis?

Ao fazer essa pergunta,
descobrimos que O Senhor dos Anéis atravessou o reino da cavalaria hoje
em dia. Há trabalhos desagradáveis, difíceis e assustadores que devem
ser feitos todos os dias, e nós, como Frodo, devemos estar dispostos a
realizar as tarefas que recaem sobre nós, não porque nos trarão glória
ou riquezas ou títulos, mas simplesmente porque elas precisam ser
feitas. É disso que coragem e cavalheirismo tratam. É isso que torna
alguém um cavaleiro numa armadura reluzente.

Este é o curso
dos atos que movem as rodas do mundo: pequenas mãos os realizam porque
devem, enquanto os olhos dos grandes estão em outra direção.

Apenas uma das várias declarações escritas por J.R.R. Tolkien que nos
fazem lembrar porque O Senhor dos Anéis é um verdadeiro clássico, e um
grande lembrete da necessidade do cavalheirismo hoje em dia.

valinor

Elegia ao Fim do Mundo

Nunca houve um livro mais mal-interpretado
no século XX do que "O Senhor dos Anéis", de J.R.R. Tolkien. Seus
detratores afirmam que é "um livro muito mal escrito", sem "a angst de
um Wagner", com "insinuações homossexuais", "uma pura babaquice de
criança", "uma historinha da carrochinha com duendes e elfos",
terminando na mais interessante das conclusões – "mais um negócio que
prova o seguinte ditado: a cada minuto nasce um otário". Mas o pior
mesmo são justamente os seus defensores, fãs que levam o mundo que
Tolkien criou durante sessenta anos à uma realidade que nunca existiu,
fantasiosa, um meio para a fuga da vida que se transforma em estéril
fanatismo e em tudo o que seu criador não queria.
 
 
 
Nem "Finnegans Wake" teve essa
sorte. Pelo menos, seus (poucos) leitores sabiam que tudo aquilo era um
sonho, uma alucinação de trocadilhos que, somente depois de mil e uma
leituras, se tornava a famosa aventura da linguagem que Joyce
pretendia. Mesmo com a estréia da adaptação cinematográfica de Peter
Jackson, um projeto gigantesco com milhões de merchandising envolvidos,
a confusão em torno de "The Lord of the Rings", como o livro é
conhecido por seus seguidores no mundo inteiro, ainda impera. As
livrarias lotam de pessoas que compram os tomos de 1.500 páginas, com
os olhos esbugalhados, perguntando aos vendedores – "Qual é a história
deste livro?". E o vendedor, para explicar até para si mesmo o fato
daquele mastodonte ter virado best-seller, fala que é sobre um hobbit
chamado Frodo Bolseiro, que tem de destruir um Anel que dará a Sauron,
o senhor dos anéis do título, um poder ilimitável sobre a Terra-Média,
mundo que, na verdade, não é uma fantasia paralela, mas a Europa de
cinco mil anos atrás, muito antes da humanidade pensar em Platão,
Aristóteles e Jesus de Nazaré. O que Tolkien desejava com esse fiapo de
história é o xis da questão e a origem de toda a desinformação que
ronda a sua obra. A sua intenção, desde que participou da Primeira
Guerra Mundial, e esboçou a idéia do livro que se tornaria "O
Silmarillion", era criar um novo mito, e um mito que o pudesse se
aproximar da verdadeira Criação.

Para isso, temos de
conhecer ninguém menos que o próprio Tolkien. Jonh Ronald Reuel Tolkien
nasceu na �?frica do Sul, na vila de Bloemfontein, no dia 3 de janeiro
de 1892, filho de Arthur e Mabel Tolkien. A orfandadade atingiria o
garoto quatro anos depois, com a morte do pai em 1896, por causa de uma
febre reumática, contraída em Bloemfontein enquanto o resto da família
já havia imigrado para Birmingham, na Inglaterra. Ronald e seu irmão,
Hilary, foram educados pela família da mãe, e foi mais ou menos nessa
época que o pequeno Tolkien começou a se interessar pela arte de
histórias – lia contos de caveleiros, lendas de dragões e muito Hans
Christian Andersen. É durante a primavera de 1900 que Mabel Tolkien
toma uma decisão que irá influenciar a vida de todos ao seu redor,
inclusive a do seu filho Ronald: decide se tornar católica, o que
provocou a fúria instantânea no avô de Tolkein, metodista empedernido.
As dificuldades financeiras e a pressão da família levaram Mabel ao
esgotamento físico, agravado por uma diabetes fulminante que,
mal-cuidada, a fez falecer no dia 14 de novembro de 1904.

Duas coisas ampararam o jovem Jonh Ronald da perda devastadora: a
religião e a descoberta das línguas, especialmente a galesa. E se não
fosse pelo padre Francis Morgan, grande amigo de sua mãe, ele nunca
conheceria a mulher que seria sua esposa até o fim da vida: Edith
Bratt. Morgan pôs os dois irmãos numa pensão sombria na Duchess Roas,
37, e foi lá que Tolkien conheceu Edith, uma moça bonita, baixa, esguia
e de olhos cinzentos, além de ser dois anos mais velha que Ronald.

 
A história de amor entre J.R.R. Tolkien e Edith Bratt mostra a
determinação de um autor que criaria uma dos personagens mais
determinados da literatura, Frodo Bolseiro. Prestes a ganhar uma bolsa
de estudos pela Universidade de Oxford para o curso de filologia (então
Tolkien já tinha escolhido o estudo das línguas como seu meio de vida),
Ronald era pressionado pelo padre Morgan a não ver mais Edith até que
entrasse na maior idade. Durante quatro anos, Tolkien só se
correspondeu com Edith por cartas, e o que era uma aventura amorosa de
dois jovens se tornou um romance frustrado, com todas as pieguices e
impossibilidades que levam este tipo de romance, por mais impossível
que pareça, à perseverança que mantém o espírito vivo. Como os
obstáculos fazem parte desse tipo de história, Tolkien, ao voltar de
Oxford, escreveu uma carta apaixonada a Edith, pedindo-a em casamento
("Quanto mais até que possamos nos unir diante de Deus e do mundo?",
ele perguntava com aquela impaciência típica dos amantes) – sem saber
que ela iria casar-se com um outro homem chamado George Field.

Antes
que o leitor pense que Tolkien enfrentou o sr. Field a um duelo, é bom
esclarecer que a única coisa que Ronald fez foi voltar para Birmingham,
encontrar com Edith e, depois de uma conversa de duas horas,
convencê-la a desistir do casamento com George Field. Jonh Ronald não
era um temperamento vulcânico, romântico ou mesmo intenso. Era o
sujeito mais calmo de Oxford, e seu maior desejo era escrever poemas
sobre mitos gaélicos e germânicos. Adorava se reunir com seus amigos,
beber cerveja, fumar um cachimbo, recitar versos de "Sir Gawain and The
Green Helmet" (sua obra favorita, junto com "Beowulf"). Era Bilbo
Bolseiro em pessoa, e sua trânqüilidade no Condado em Oxford só poderia
acabar com a Primeira Guerra Mundial.

A experiência da
guerra foi crucial para Tolkien. Pela primeira vez, ele se confrontava
com o rosto da morte. Antes de embarcar para França, como membro do 13°
Batalhão, casou-se com Edith numa quarta-feira do dia 22 de março de
1916. O mesmo batalhão foi dizimiado na Batalha do Somme, e Tolkien,
que não foi para a linha de fogo, mas contraiu a "febre das
trincheiras", ficou acamado durante dias numa enfermaria do exército, e
foi lá que, com a história de Beren e Luthién, ele deu início à sua
mitologia, num livro que só chegaria nas mãos do público mais de
sessenta anos depois, com o título de "O Silmarillion".

Mas foi somente em 1934 que J.R.R. Tolkien
pôde dar o primeiro fruto de sua mitologia – um fruto tímido, diga-se
de passagem. Até então, "O Silmarillion" era um punhado de páginas
desconexas, reunidos sob o vago nome de "O Livro dos Contos Perdidos",
e somente a história de Beren e Luthién o satisfazia plenamente. Era o
conto em que contava o que acontecera com ele e Edith, com toda uma
linguagem pomposa disfarçando o mito. Não foi à tôa que Tolkien, já
velho, pediu ao seu filho Christopher, que o enterrasse com Edith com
as lápides escritas somente "Beren" (para Ronald) e "Luthién" (para
Edith).

E foi o mesmo Christopher, atualmente o homem
que comanda o espólio do pai, o grande responsável pela criação de
Bilbo Baggins. Tolkien queria contar uma história ao seu primogênito,
mas uma história de sua própria pena. Foi então que, numa noite, entre
uma baforada e outra de cachimbo, escreveu a seguinte frase: "Num
buraco vivia um hobbit". Que raios era um hobbit? Então veio a imagem
de um ser pequeno, peludo, fumante inveterado de cachimbo que se
envolve numa odisséia insólita em que se confronta com um dragão e com
um outro ser chamado Gollum, e acaba encontrando um anel mágico. "O
Hobbit" foi lançado em 1937, com estrondoso sucesso nas vendas de
Natal, transformando-se em um clássico da literatura infanto-juvenil. É
um livro claramente escrito para crianças, com uma trama mais ou menos
elaborada, personagens superficiais, com uma prosa límpida e clara, mas
sem nenhuma amostra que foi feita por um erudito de Oxford. Até hoje,
"O Hobbit" é responsável pelo grande número de confusões envolvendo "O
Senhor dos Anéis", pois, em primeiro lugar, todos acham que o segundo é
uma continuação do primeiro, já que Bilbo volta a aparecer e
descobrimos a verdadeira natureza do anel. No entanto, é um outro
grande engano: "O Senhor dos Anéis" não é sequer uma continuação da
mitologia que Tolkien pretendia criar – ele é o relato do fim daquele
mundo em particular, o mundo de magia que cerca a Terra-Média.

"O
Hobbit" era um mero apêndice numa saga que nunca teve a intenção de ter
um final feliz. Tolkien sabia que, para um mito ser verossímel, uma
dose de tragédia era necessária. E toda a tragédia envolve personagens
que confrontam suas vontades individuais com as leis divinas – o que
significava, para Tolkien, católico e papista devoto, um homem
profundamente religioso, que seu mito lidaria com o velho e bom tema da
batalha do Bem contra o Mal.

Claro que a ideía não
germinou tão depressa. Apesar dos pedidos do editor Stanley Unwin de um
"novo Hobbit", Tolkien só conseguiu terminar "O Senhor dos Anéis"
depois de doze anos de trabalho fatigante. O que o ajudou muito na
maturação da ideía foi sua relação com outro erudito, C.S.Lewis.
Irlandês de nascimento, Lewis – apelidado pelos amigos de "Jack" – era
um profundo conhecedor de mitologia nórdica e de lógica aristotélica,
mas sua amizade com Tolkien realmente cresceu por causa de suas
preocupações religiosas. Lewis se considerava um ateu, e depois de um
tempo tornou-se agnóstico, flertou com o gnosticismo e, segundo o
próprio Jack, foi Tolkien quem o ajudou a compreender o cristianismo,
numa conversa que aconteceu no dia 19 de setembro de 1931.

O
que acontece nessa conversa é um dado biográfico importante na vida de
Tolkien para quem quiser entender "O Senhor dos Anéis" direito. Mas,
antes, precisamos entender o companheirismo de Tolkien e Lewis, uma das
amizades mais frutíferas do século XX, e que mostram aos imbecis de
hoje que a lealdade e o respeito entre dois amigos não são, em hipótese
nenhuma, uma insinuação homossexual – como pensam muitos ao lerem as
passagens entre Frodo e Sam Gamgi em "O Senhor dos Anéis". Os dois
eruditos faziam parte de um grupo de intelectuais em Oxford, chamado
"The Inklings", e tanto Tolkien como Lewis recitavam seus poemas e
discutiam sobre os estudos que cada um fazia sobre "Beowulf" ou sobre a
natureza do mito. Obviamente, esse era o assunto que mais preocupava
Tolkien, e foi justamente numa discussão sobre mitos que foi provada
para Lewis, a verdade intrísica do Cristianismo. O biógrafo de Tolkien,
Humphrey Carpenter, detalha a conversa fundamental:

Era uma noite
tempestuosa, mas eles seguiram em frente, pela Addison´s Walk enquanto
discutiam o propósito dos mitos. Lewis, apesar de já ser um crente,
ainda não conseguia compreender a função de Cristo no cristianismo, não
conseguia perceber o significado da Crucificação e da Ressurreição.
Disse que tinha de entender o propósito desses eventos – ou, como diria
mais tarde numa carta ao um amigo, como a vida e a morte de Outra
Pessoa (quem quer que fosse) há dois mil anos pode ajudar-nos aqui e
agora – exceto na medida em que seu exemplo nos possa ajudar.

    À medida que a noite passava, Tolkien e Dyson [um
outro amigo dos dois, também cristão] mostraram-lhe que estava fazendo
uma exigência totalmente desnecessária. Quando encontrava a idéia de
sacríficio na mitologia de uma religião pagã, ele a admirava e se
emocionava com ela; a idéia da deidade que morre e renasce sempre
tocara sua imaginação desde que lera a história do deus nórdico Balder.
Mas dos Evangelhos (diziam eles) ele estava exigindo algo a mais, um
significado claro além do mito. Não poderia transferir seu apreço
comparativamente tácito pelo mito para a história verdadeira?

    Mas, disse Lewis, mitos são mentiras, mesmo que sejam mentiras envoltas em prata.

    Não, disse Tolkien, não são.

    E, indicando as grandes árvores do bosque de
Magdalen cujos ramos se curvavam ao vento, enveredou por uma linha
diferente de argumentação.

    Você chama uma árvore de árvore, disse, e não pensa
mais na palavra. Mas não era "árvore" até que alguém lhe desse esse
nome. Você chama uma estrela de estrela, e diz que é só uma bola de
matéria que se move numa trajetória matemática. Mas isto é meramente
como você a vê. Nomeando e descrevendo as coisas dessa maneira, você
está apenas inventando seus próprios termos para elas. E assim como a
fala é uma invenção sobre objetos e idéias, assim também o mito é uma
invenção sobre a verdade.

    Viemos de Deus (continuou Tolkien), e
inevitavelmente os mitos que tecemos, apesar de conterem erros,
refletem também um fragmento da verdadeira luz, da verdade eterna que
está com Deus. De fato, apenas ao fazer mitos, ao se tornar
"subcriador" e inventar histórias, é que o Homem pode se aproximar do
estado de perfeição que conhecia antes da Queda. Nossos mitos podem ser
mal orientados, mas dirigem-se, ainda que vacilantes, para o porto
verdadeiro, ao passo que o "progresso" materialista conduz apenas a um
enorme abismo e à Coroa de Ferro do poder do mal.

    (…)

    Quer dizer, perguntou Lewis, que a história de
Cristo é simplesmente um mito verdadeiro, um mito que nos afeta da
mesma forma que os outros, mas um mito que realmente aconteceu? Nesse
caso, disse ele, começo a compreender.

    (…)

    Doze dias depois, Lewis escreveu ao amigo Arthur
Greeves: Acabo de converter-me da crença em Deus à crença definitiva em
Cristo – no cristianismo. Tentarei explicar isto em outra ocasião.
Minha longa conversa noturna com Dyson e Tolkien teve muito a ver com
isso.

    (…)

    E Tolkien escreveu no seu diário: A amizade com
Lewis compensa muita coisa, e além de dar prazer e conforto constantes
me fez muito bem pelo contato com um homem ao mesmo tempo honesto,
valente, intelectual – um erudito, um poeta e um filósofo – e um
amante, ao menos após uma longa peregrinação, de Nosso Senhor.

"Por muito tempo, ele foi o meu único público", disse Tolkien,
reconhecendo a dívida que tinha com Jack Lewis. Foi em sua homenagem
que ele escreveu o poema que seria o germe de seu pensamento em relação
a "O Silmarillion" e ao "O Senhor dos Anéis" – "Mythopoeia". Ele o leu
numa conferência proferida em St. Andrews no dia 8 de março de 1939,
dois anos depois do sucesso de "O Hobbit". Como o tema era justamente
"o conto de fada", parece que Tolkien queria provar ao público e a si
mesmo que não era um escritor de livros infantis, mas sim um erudito,
que estava "por dentro da língua", e que podia criar suas próprias
teorias sobre a função de um contador de histórias. "Mythopoeia" era o
ponto crucial de suas idéias:

"The heart of man is not compound of lies
but draws some wisdom from the only Wise
and still recalls Him. Though now long estranged,
Man is not wholly lost of lordship once he owned:
Man, Sub-creator, the refracted light
through whom is splintered from a single White
to many hues, and endlessly combined
in living shapes that move from mind to mind.
Though all the crannies of the world we filled
with Elves and Goblins, though we dared to build
Gods and their houses out of dark and light,
and sowed the seed of dragons – ´twas our right
(used of misused). That right has not yet decayed:
we make atill by the law in which we´re made".

(O coração do homem não se compõe de mentiras,
mas retira alguma sabedoria do único Sábio,
e ainda O relembra. Embora há muito alheado,
o Homem não está totalmente perdido ou mudado.
Degradado talvez, mas não estronado,
mantém os farrapos do domínio outrora seu:
o Homem, Subcriador, a luz refratada
através da qual um único Branco se fende
em muitos tons, e infinitamente combinada
em formas vivas que se movem de uma mente à outra.
Embora tenhamos preenchido todas as frestas do mundo
com Elfos e Duendes, ousado moldar
Deuses e suas casas com a escuridão e a luz,
e semeado a semente de dragões – era nosso direito
(usado ou abusado). Esse direito não decaiu:
ainda criamos pela lei na qual fomos criados.)

[tradução de Ronald Eduard Kyrmse]

É um poema medíocre, para falar a verdade, mas ali está a idéia que
Tolkien desenvolveria com maior amplitude e sucesso em "O Senhor dos
Anéis". Havia um fundo cristão em todo esse exagero de teorias que só
poderia dar certo na hora de narrar uma história. "O cristão", disse
ele, "pode agora perceber que todas as suas inclinações e faculdades
têm um propósito, que pode ser redimido. É tão grande a graça que
recebeu que agora talvez possa ousar que, com justiça, que na Fantasia
ele realmente pode assistir no desdobramento e enriquecimento múltiplo
da criação".

Fica claro, ao ler essa declaração de princípios, que não se pode
entender "O Senhor dos Anéis" sem entender o fato de quem era o homem
Tolkien e como pensava esse sujeito. Apesar de viver no século XX,
J.R.R.Tolkien era alguém que não tinha nada a ver com o pensamento
moderno que impregnou nossa civilização. Era um peixe fora da água:
católico quando sua Igreja passava pela maior crise espiritual de sua
existência durante a Segunda Guerra Mundial, papista quando a figura do
Papa era levada a descrédito total, conservador em gostos literários
quando todos se impregnavam de "fluxo de consciência" e de "estilos
fragmentados", obecado pela verdade dos mitos quando o mito era
utilizado como paródia por James Joyce e T.S.Eliot. Somado a tudo isso,
adicione a revolução urbana, a decadência dos valores tradicionais e a
sensação que, com o advento do nazismo e a descoberta dos campos de
concentração, o fim de um mundo estava se aproximando com o ritmo
inexorável do fatalismo. A Europa não seria mais como antes, e
realmente a obra de Tolkien exala um profundo cheiro de nostalgia, em
que a saudade de um mundo dá lugar ao empobrecimento do espírito humano.

Esse é o assunto de "O Senhor dos Anéis", e o próprio Tolkien não fazia
reservas em confessar o tema central do livro, e não hesitando em
colocá-lo lado ao lado dos grandes épicos da literatura, de Homero a
Hermann Broch. Num documentário para a BBC, Tolkien, já com seus
setenta e oito anos, com o sucesso perseguindo a sua porta (hippies
invadiam o seu jardim em Oxford só para perguntar qual era a natureza
da estranha erva que Frodo usava para fumar seu cachimbo), escuta a
pergunta simples do entrevistador: "Poderia-nos dizer, sr. Tolkien,
qual é o verdadeiro tema de O Senhor dos Anéis?". E Tolkien dá uma
baforada no cachimbo (ele próprio se reconhecia como um hobbit) e
responde: "O tema de O Senhor dos Anéis é o que todos as epopéias falam
sem exceção: a morte inevitável".

Por morte, entenda-se dor e sofrimento, e esses dois são o cerne do
maior problema que persegue o ser humano desde o início dos tempos: o
problema do Mal. Moldado por sua visão católica do mundo, Tolkien não
queria, em hipótese nenhuma, que seu trabalho fosse visto como uma
alegoria ou como mera fantasia. Infelizmente, tanto os seus críticos,
como seus defensores, caíram nos dois erros. Com um início banal,
mostrando a vida no Condado e nos apresentando Frodo Bolseiro, o
sobrinho de Bilbo, o hobbit que roubou de Gollum o anel mágico, "O
Senhor dos Anéis" parece que será mais um conto de fadas no melhor
estilo "eu acredito em duendes". Mas é com a entrada do mágico Gandalf,
o Cinza, que a história dá sua primeira virada. Gandalf chega na festa
de aniversário de Bilbo, que, sem mais, nem menos, dá o anel de
presente a Frodo, e desaparece na frente de todos os convidados. O
sobrinho fica espantado com o comportamento do tio, mas realmente se
assusta quando o mago conta sobre o que é realmente o anel que seu tio
lhe dera. Aquele pequeno objeto aparentemente inofensivo é o Um-Anel,
forjado entre inúmeros anéis por Sauron, o Lorde das Trevas que vive na
Terra de Mordor, e o único que pode dá-lo o poder total.

Estão lançados os dados.
Depois dessa revelação, o que se segue são 1.500 páginas em que Frodo
Bolseiro terá de destruir o Um-Anel no Monte da Perdição, e para isso
ele tem de resisitir aos ataques dos assustadores cavaleiros negros de
Názgul, às batalhas contra repelentes orcs, às mordidas de aranhas
gigantescas, ao um patético Gollum (que deseja o seu anel de volta a
qualquer custo) e ao olho de Sauron, sempre onipresente, sempre
misterioso. Claro que esquecemos de um detalhe: Frodo deve resistir à
tentação do Anel que, com seu brilho, atrai ao seu portador a ilusão
que terá todo o poder do mundo.

A odisséia de Frodo, acompanhado pelos amigos Sam, Pippin e Merrin, é o
mote para Tolkien descrever, com minúcias de historiador, um mundo que
está prestes a acabar. E neste mundo ele encontrará diversas raças,
como os humanos, os elfos e os anões, todos interessados que o anel não
caia nas mãos de Sauron. A profusão de seres "exóticos" pode levar o
leitor a uma irritação constante – nem mesmo C.S.Lewis, que se
inspiraria em Tolkien para criar as suas Crônicas de Nárnia, aguentava
mais quando seu amigo começava a ler algumas páginas do livro, e logo
suspirava: "Not another fucking elf!". Mas Tolkien é
suficientemente habilidoso para não exagerar nos aspectos estranhos de
seus personagens, humanizando-os com os valores comuns a qualquer ser
vivo: amizade, lealdade, sacríficio, coragem e livre-arbítrio.

Através de seus encontros pela Terra-Média que Frodo e o leitor se
depara com uma galeria memorável: além de Gandalf, temos Aragorn,
Boromir, Gamgli, Legolas, Galadriel, Eówen, Theóden, e até mesmo Bill o
Pônei. O mal também tem sua força com Saruman, o bruxo que deseja o
anel para trair Sauron – e só por aí, temos a noção de que acontecerá
uma guerra extraordinária. Porque "O Senhor dos Anéis" é, em resumo, a
crônica de uma guerra – mais precisamente, a Guerra do Anel, evento
histórico, segundo a mitologia de Tolkien, que será o ponto derradeiro
da Terra-Média.

Mas é na visão peculiar que Tolkien tem do problema do Mal que ele
agarra os leitores pelo pescoço. Talvez junto com "Doutor Fausto", de
Thomas Mann, "O Senhor dos Anéis" é o livro que retrata, com maior
claridade, como o Mal se dissemina no coração das pessoas. Sauron nunca
aparece fisicamente; porém, ele está sempre presente, seja através dos
cavaleiros de Názgul, das nuvens escuras que dominam a paisagem da
Terra-Média ou na visão do próprio olho quando Frodo toma sua decisão
solitária no Trono da Visão. No entanto, Sauron não é o Mal encarnado.
Temos também Gollum, Saruman, os monstros Balrog e Laracna – e,
obviamente, o próprio Anel que é um personagem com vida própria, e
tenta os inocentes com suas promessas falsas de poder absoluto.

Pouco a pouco, o que deveria ser uma história para crianças na mente do
leitor desavisado, se torna uma saga sobre o Poder. E onde estará a
ordem, o Bem que tudo move? É aqui que entra a visão católica de
Tolkien. No momento em que se menos se espera, do lugar mais
improvável, da pessoa menos preparada, vem a luz. Quem, em sã
consciência, pode imaginar que será um anão peludo que carregará
tamanho fardo? Isso lembra uma outra história, quando disseram de um
sujeito que pregava sobre um outro reino – O que vem de bom de Nazaré?
O Mal é onipresente, mas não é onipotente. No decorrer da história,
vemos fiapos de luz entre as trevas, traços de esperança quando tudo
parecia estar perdido, decisões certas quando tudo caminhava para o
lado errado. O Bem sempre aparece do modo mais insólito, mais ilógico,
mais alucinante – e mais dolorido. Não são decisões feitas com simples
mágica ou fugas da realidade. Gandalf, por exemplo, é mais um sábio que
entende a lógica do mundo do que propriamente um mago superpoderoso: na
hora em que enfrenta o demônio Balrog, ele não usa um truque sequer.
Frodo, ao perceber que o seu mundo acabará de qualquer maneira mesmo se
cumprir sua missão, decide realizá-la sozinho para que as coisas não
tenham um fim trágico, e a única coisa que torna a resolução mais
suportável é a ousadia de Sam em acompanhá-lo até a Terra de Mordor.

Tolkien trata, em seu livro de "fantasia", da busca de um sentido, da
restauração de uma ordem. A vida se trata de uma interminável
peregrinação, de uma aventura única em que todos têm uma missão, e ela
deve ser cumprida, não importa o quão impossível. Assim, o que se tem
nas mãos é uma dessas experiências-limites da literatura em que o
prazer da leitura transforma "O Senhor dos Anéis" numa obra única no
século XX pela capacidade de prender o leitor a cada página que passa,
esperando que essa jornada termine de alguma maneira – mesmo sentindo a
implacável tristeza de que tudo que estamos lendo é, no fundo, uma
elegia ao fim de um mundo.

Nesse ponto, a adaptação de Peter Jackson para o cinema
preserva o espírito do livro, tanto em suas virtudes, como em seus
defeitos. No entanto, não tem a profundidade que Tolkien acreditava que
sua obra deveria ter. Por isso, não é o filme-evento que todos estão
esperando, mas sim um brilhante exemplo de cinema de aventura, com
Jackson jogando a câmera para lá e para cá como um bola de
pingue-pongue, os efeitos especiais exagerando o visual, às vezes
poético, muitas vezes "kitsch" e "new age".

Mas
isto não diminui a intenção do filme – ou da própria obra de Tolkien.
"O Senhor dos Anéis" deve ser lido por todos que acreditam que a
literatura é uma forma de compreender os problemas do espírito, sem
nenhum preconceito ou ideologia dogmática. Mesmo a visão católica do
autor é perspassada por um profundo senso de lealdade que nos dias de
hoje faz falta. Como o próprio Aragorn diz: "Enquanto formos leais aos
outros e a nós mesmos, a Sociedade do Anel se manterá". No mundo atual,
depois do Terror de 11 de setembro, a saga de J.R.R.Tolkien, com sua
alucinante sinceridade, deve ser mantida para aqueles que desejam
educar para o futuro pessoas que não se rendam à tentação do Poder, e
muito menos sucumbir ao horror do Mal, mesmo que tudo leva à escuridão
e à morte.

Martim Vasques da Cunha é escritor e jornalista
Leia seus outros artigos em
O Indivíduo

valinor

A Jornada do Herói na trilogia O Senhor dos Anéis

O presente ensaio pretende evidenciar a apropriação de estudos em
psicologia e mitologia comparada pela indústria cinematográfica
hollywoodiana com o intuito de exercer atração e domínio maior sobre o
público. Será usada a trilogia O Senhor dos Anéis como exemplo dessa
apropriação. O mito é considerado uma das primeiras formas de
sistematizar algum conhecimento na busca de compreensão da realidade.
Conjunto de narrativas permeadas de simbologias, a palavra grega mythos
significa “história� mas também “esquema�, “plano�. Expressando a
realidade através de representações em histórias fabulosas, o mito
mostra abstrações típicas da existência humana. Nas antigas
civilizações, atuavam como códigos de sabedoria empírica. Os mitólogos
modernos vêem no mito a expressão de modelos que permitem ao homem
inserir-se na realidade.
 
 
 
A fronteira entre tentativa de compreensão da
realidade ou mesmo inserção na mesma e a expressão de algo mais
primitivo e inerente à psique do indivíduo foi investigada pelo suíço
Carl Gustav Jung na década de 1930. Jung sustenta que, além do
inconsciente pessoal, descoberto por Freud, há uma parte mais
fundamental, comum a todos os homens em todos os tempos e lugares: uma
herança psicológica comum à toda humanidade. O inconsciente conteria
não apenas componentes pessoais, mas também impessoais, em forma de
arqu̩tipos Рmodelos. Esses arqu̩tipos se expressam por meio de
símbolos que se manifestam nos mitos de todas as tradições culturais,
como metáforas de nossa realidade interna mais profunda e essencial.
Jung traz assim a concepção de inconsciente coletivo.

Os mitos resultariam dessa tendência do inconsciente para projetar as
suas ocorrências internas, traduzindo-as em imagens. Isso explicaria,
por exemplo, porque lendas e estórias de grupos tão distintos quanto os
aborígines da Austrália e os antigos celtas da Europa apresentariam
estruturas semelhantes, obedecendo a um padrão universal. De todos os
mitos, o mais conhecido é o mito do herói. Se Freud toma a tragédia de
Édipo como o referencial de sua psicologia, Jung faz do mito do herói –
vem daí a concepção de arquétipo do herói – em busca de consciência
algo de similar importância e significação.

Para Jung, os arquétipos “não são disseminados apenas pela tradição,
idioma ou migração. Eles podem reaparecer espontaneamente a qualquer
hora, em qualquer lugar, e sem qualquer influência externa�. O
arquétipo é uma tendência para formar uma imagem de caráter típico.
Acredita-se que um arquétipo evoque emoções poderosas no leitor ou em
espectadores porque desperta uma imagem primordial da memória
inconsciente.

O arquétipo do herói personificaria a parte consciente da psique. A
“jornada do herói� se estruturaria em etapas bem definidas, embora não
necessariamente rígidas. O herói está em casa, ambiente seguro, quando
seus esforços são requisitados em alguma demanda. Geralmente hesita,
mas um encontro com algum mentor o convence a embarcar na aventura por
locais hostis. Nessa aventura, ele formará alianças e enfrentará
inimigos, chegando a algum lugar onde enfrenta a maior das provações e
invariavelmente vence. O herói é recompensado e retorna ao lar, onde
chega transformado. Nessa viagem de volta, deve trazer algo abstrato ou
concreto que será de serventia ao bem comum. Essa irrefletida
inconsciência com a qual o herói se lança na jornada é chamada de
“ingenuidade épica� por Adorno.

A expressão “jornada do herói� foi cunhada pelo escritor e professor
norte-americano Joseph Campbell ao constatar essas semelhanças
estruturais entre os mitos de culturas distintas. Campbell ficou
conhecido por seu trabalho no campo da mitologia comparada. Inspirado
nos estudos de Jung, assumiu uma postura oposta à do estudo acadêmico
tradicional, optando por evidenciar as semelhanças, que revelavam uma
espantosa unidade entre todos os mitos. Teorizou conseqüentemente que
todos os mitos e épicos estão ligados à psique humana. O cinema foi
particularmente marcado por seu pensamento. Seu primeiro livro
importante foi O Herói das Mil Faces, de 1949, no qual mostra que cada
herói adquire a face de sua cultura específica, mas sua jornada é
sempre a mesma. É o mesmo herói que vive sempre o mesmo mito, um
“monomito�. O conceito do monomito se relaciona intimamente com a
concepção de inconsciente coletivo junguiana.

Em 1983, Campbell foi convidado para assistir a estréia de Star Wars,
de George Lucas. O roteiro do primeiro filme foi inteiramente
construído sobre o conceito do monomito. Lucas havia lido O Herói das
Mil Faces. O sucesso obtido pelos filmes de Lucas demonstraram que o
conceito de monomito funcionava. Outros cineastas como John Boorman,
Steven Spielberg, George Miller e Francis Ford Coppola passaram a
empregar as concepções de Campbell. O monomito e a psicologia junguiana
explicariam porque o público era cativado por determinados filmes como
Star Wars e Contatos Imediatos de Terceiro Grau, assistindo-os inúmeras
vezes, como crianças que gostam de ouvir sempre as mesmas histórias e
não permitem nenhuma mudança mais significativa em seu enredo.

Na era dos guias práticos e de uma cultura cada vez mais massificada,
não demorou a popularização das teorias de Campbell em Hollywood. No
início dos anos 90, o analista de histórias dos estúdios Disney
Christopher Vogler escreveu um memorando interno, Guia Prático para o
Herói de Mil Faces, buscando maior eficiência dos roteiros. O sucesso
foi desconcertante. O livro de Campbell e a adaptação que Vogler fazia
dele mostraram-se úteis para a elaboração de roteiros cinematográficos
e tornaram-se febre em Los Angeles. Em pouco tempo, o memorando de
Vogler se tornaria um livro, intitulado A Jornada do Escritor, que
seria admirado como uma bíblia do roteiro. Vogler ajustou o monomito de
Campbell à estrutura dramática tradicional, herança aristotélica,
conforme ela é utilizada pelos roteiristas norte-americanos. George
Lucas já o havia feito na prática. Jung chegou assim a Hollywood por
intermédio de Vogler e isso explicaria grande parte do sucesso de
alguns filmes, inclusive da trilogia cinematográfica O Senhor dos Anéis.

Essa “jornada do herói� é facilmente identificada e determinada em O
Senhor dos Anéis, adaptação da trilogia literária homônima do
sul-africano John Tolkien. Fortemente influenciado pelo messianismo do
mito cristão, Tolkien narra uma guerra pela manutenção da paz e de uma
ordem tida como justa e benéfica para todos os povos livres do seu
imaginário. Um conflito, no qual as supostas forças do “Bem� – aliança
entre esses povos livres – só se lançam à batalha quando não há nenhuma
outra opção disponível.

Diversos heróis poderiam ser apontados na trilogia cinematográfica: o
elfo Legolas, que sai do reino de seu pai para formar a Sociedade do
Anel; Aragorn, o aspirante a rei dos homens, que, nos filmes,
inicialmente, preferiu a comodidade do exílio e se vê forçado a
reivindicar o trono; Éomer, o marechal da terra dos cavalos que
inicialmente se recusa a lutar contra a Sombra – nomenclatura junguiana
para o elemento representativo do “Mal� e das adversidades que deverão
ser enfrentadas pelo herói. Todos esses seguem as mesmas etapas
estruturais observadas e descritas por Jung e Campbell. Aqui, vamos nos
limitar à jornada do hobbit Frodo Baggins – encarregado de destruir a
arma mais poderosa do inimigo dos povos livres -, de Sam, seu
jardineiro e servo devoto, e da criatura Gollum. É uma jornada do herói
particular, não-convencional e por isso foi escolhida. É peculiar
porque o herói em questão é composto não por um único indivíduo
idealizado, mas por três seres engendrados em uma frágil e complexa
relação de interdependência. Não apenas três faces, mas três
personalidades, três índoles que caminham com vontades diferentes para
o mesmo propósito. As suas ações distintas e motivações diversas
confabulando para o êxito da demanda.

Para entender a especificidade dessa “jornada do herói�, deve-se
primeiro compreender a essência da raça hobbit. São originalmente
criaturas de índole pacífica, avessos a aventuras. Frodo Baggins herda
a arma mais poderosa da Sombra, o Um Anel, forjado para dominar toda a
mitológica Terra-média. É, assim, requisitado pelas circunstâncias a
embarcar em uma jornada para destruir esse anel e manter a paz. Ele não
é alto ou forte como o herói tradicional de outras lendas, o que o faz
originalmente incompleto para a missão. Frodo é, assim, uma
representação apenas da razão. Ele sabe que precisa fazer algo, mas ao
mesmo tempo reconhece que é incapaz de fazer isso sozinho.
Inicialmente, será auxiliado pelo devoto Sam e posteriormente pela
criatura Gollum, concretizando o arquétipo do herói.

Dos hobbits, Samwise Gamgi é o mais representativo de sua espécie por
ser detentor de toda uma gama de conhecimentos empíricos. Os hobbits
apresentam essa predisposição para medir e resumir a realidade através
de uma experiência limitada, em grande parte baseada na sabedoria
proverbial. São amáveis e cômicos. Essa trivialidade é retratada mesmo
na trilha sonora da trilogia. Cenas envolvendo hobbits sempre trazem
composições originalmente leves, com flautas, que vão ficando mais
melancólicas à medida que a história vai se desenrolando e eles se
afastam de casa, o Condado. Isso porque estar longe de casa é algo
muito mais angustiante para um hobbit do que para qualquer outro ser. É
Sam quem vai garantir a força de vontade a Frodo na sua demanda, ou
este não iria a lugar algum e o arquétipo desse herói específico
estaria incompleto. Sam era convencido, e no fundo um pouco orgulhoso;
mas seu orgulho é transformado por sua devoção a Frodo. No terceiro
momento do épico, ele literalmente carrega Frodo nas costas e o faz
chegar a seu objetivo.

O terceiro componente do herói que está sendo descrito é definido
inicialmente como a criatura Gollum. Um olhar mais cuidadoso vai
demonstrar que esse personagem nada mais é do que a combinação de
circunstâncias propícias com um caráter já problemático. O arquétipo do
herói tende a não apresentar defeitos significativos, apenas uma recusa
inicial em iniciar a jornada; Gollum, entretanto, é a parte do herói
tripartite descrito mais suscetível ao mal, a representação apoteótica
da tentação do anel. Essa tentação testará as vontades e a amizade dos
outros dois hobbits e trará a identificação e subseqüente piedade de
Frodo por motivos patentes: certamente se tivesse mantido o anel por
mais tempo, Frodo se tornaria como a criatura que ele inicialmente
repudia.

Gollum está intimamente ligado a Frodo por querer reaver o anel que foi
seu por séculos. Sam está ligado a Frodo por devoção e amizade. E Frodo
precisa desses aspectos – piedade, tentação e força de vontade – para
que a demanda seja cumprida. Deve-se ressaltar que as incursões de
Frodo por esse seu lado mais sombrio o tornam mais humano – nem
idealizado, nem perfeito como o herói tradicional – e conseqüentemente
mais próximo do público e mais cativante.

A arma do Inimigo e as circunstâncias que resultaram na sua posse
segmentaram a personalidade da criatura em duas: Sméagol, o hobbit
iludido pelas mentiras de poder do anel e Gollum (som gutural que fazia
repetidamente com a garganta), a criatura que usa o poder secundário da
jóia de atribuir invisibilidade a quem o usasse para capturar comida,
própria personificação da decadência da tentação. Gollum persegue Frodo
originalmente por causa da sua necessidade física e psicológica de ter
a jóia de volta, porque a sua relação com o anel era de amor, ódio, de
dependência. O anel mantinha as duas personalidades – Gollum e Sméagol
– em um frágil equilíbrio.

Esse grupo, formado aparentemente ao acaso, segue a jornada; enfrenta
fome, sede, frio e outras adversidades, tanto personificadas em
criaturas hediondas e cruéis quanto em situações. Enfrenta conflitos
internos porque o arquétipo do herói apresenta conflitos internos,
enquanto metáfora do processo de crescimento da psique. As maquinações
de Gollum para reaver o anel são uma fonte constante de problemas.
Nesse caso, uma parte do próprio herói provoca situações conflituosas
porque essas situações são necessárias no processo de auto-conhecimento
empreendido na jornada, segundo Jung. E esses conflitos são explorados
nos filmes de modo a explicitar a instabilidade e complementaridade dos
três componentes do herói em questão e novamente estabelecer vínculos
com a platéia. As pessoas podem assim se identificar com um dos três
segmentos; desenvolver uma simpatia maior por um por outro componente.
Falando diretamente ao inconsciente coletivo, a formatação da obra
cinematográfica desperta o interesse da platéia.

Mas o herói que destrói o Anel de Poder só é herói no sentido
convencional, completo, porque é formado por esses três hobbits. No
último momento, prestes a destruir o anel, situação em que só chegou
por auxílio da vontade (Sam) e guiado pela tentação (Sméagol/Gollum),
Frodo é impelido a enfrentar Sauron – O Senhor do Escuro -, manter o
anel e ser proclamado Senhor dos Anéis e governante perpétuo da
Terra-média. No último momento, a tentação do anel atingiu seu auge. De
modo algum, estando sozinho, Frodo teria posto fim à Guerra do Anel.
Portanto, a presença de Gollum ali era imprescindível. A piedade de
Frodo, que não o matou quando teve chance, determinou o destino de
todos.

Quando Frodo reivindica o anel para si, Gollum o ataca e arranca-lhe
dedo e o anel juntos. Ao comemorar o fato de ter recuperado o anel, cai
no fogo do vulcão com a jóia. Sméagol não pensou em termos de
possibilidade, ele representa assim apenas a fraqueza da tentação, um
desejo totalmente irrefletido. Ele não pensa o que ou a quem teria que
enfrentar para ser proclamado Senhor dos Anéis, ele nem pensa nesses
termos. Ele não objetiva ser senhor de coisa alguma, apenas quer a jóia
de volta. A tentação apenas objetiva algo, despida de outras
associações ou conjecturas e além das conseqüências mais práticas e
previsíveis. O querer possuir o anel no final é despido de toda e
qualquer razão, sistematização ou mesmo sanidade.

Assim termina a Guerra do Anel e a jornada do herói. Frodo e Sam
retornam ao lar, o Condado, e por lá nada mudou embora eles estejam
mudados. A tentação foi muito forte sobre Frodo e ele carrega marcas
das quais não vai poder se livrar no local de onde partiu. Isso foi de
fato uma tentação vinda da Sombra, uma última centelha de orgulho:
desejar ter retornado como um “herói�, não contente em ser um mero
instrumento do “bem�. O mito em questão mostra então mais
particularidades. O que restou do herói que cumpriu a demanda
primeiramente não é acolhido como tal. Os de sua espécie sequer os
reconhecem como heróis. Essa é uma situação de exceção na jornada do
herói, não ser reconhecido como benfeitor ou celebrado. Eles trazem
experiência, sob forma de lição, como as antigas fábulas, mas para o
público; essa experiência adquirida não será partilhada com a
comunidade que protegeram do conflito. E esse orgulho de Frodo estava
mesclado a outra tentação, mais sombria, porém que pode ser explicada,
ele não tinha de fato jogado fora o Anel por um ato voluntário: ele foi
tentado a lamentar sua destruição, e ainda desejá-lo. Isso mais do que
delimita a importância de Gollum enquanto terceira face do herói.

Frodo retornou e estava mudado. Mas diferente de Sam, ele está cansado
da Terra-média. Ele a salvou mas não para si. Ele manteve uma paz, mas
não para ele próprio; as marcas da tentação estavam impressas nele.
Essa recusa é uma característica do feito heróico: abandonar coisas que
lhe são caras em favor de um bem maior e da coletividade. Embora eles,
Frodo, Sam, ou mesmo Gollum, não tenham refletido sobre as concessões
que fariam ao se lançar na jornada. E por causa disso, a Frodo e a Sam,
Portadores do Anel, foi concedido ir para as Terras Imortais, para
permanecer com os elfos e se curar das marcas da tentação. Lá, teriam
alguma paz antes de morrerem. Isso foi de fato uma compensação dada ao
herói pelas suas perdas.

Esse é o fim da jornada do herói, seguindo o padrão estudado por Carl
Jung, embora a construção do herói tenha sido ligeiramente modificada
nesse mito e segmentada em três seres – princípios – basicamente
complementares para a resolução do conflito proposto pela narrativa.
Essa segmentação do herói pode ser entendida também como forma de
proporcionar mais possibilidades de identificação por parte da platéia,
que tem assim não um herói em um personagem, mas um herói formado por
três personagens. Dessa forma, a narrativa e a própria funcionalidade
dos respectivos personagens na adaptação cinematográfica podem ser
entendidas sob a égide do pensamento junguiano, utilizado com esse
propósito de provocar esse reconhecimento, mesmo que em nível
subconsciente, por parte dos espectadores. Isso poderia explicar o
fascínio exercido sobre indivíduos das mais diversas culturas, que de
certa forma vêem no arquétipo do herói em O Senhor dos Anéis, e em
outros tantos filmes hollywoodianos, uma projeção de seu próprio
inconsciente. O próprio modo como Hollywood explora essas
características dos personagens seria uma forma de falar ao
inconsciente coletivo. Favorecer a dramaticidade em closes dos hobbits
e dos monólogos de Gollum e manipular a edição, como que dizendo “veja,
é isso que você, espectador, almeja e teme, portanto se emocione, se
envolva, assista mais uma vez e depois mais uma e novamente�.

O Senhor dos Anéis, antes de ser um filme de fantasia, é também e
principalmente um épico, um filme de gênero, e quando tratado como tal,
esclarece ainda mais a efetividade do trabalho de Campbell e
subseqüentemente Vogler. O gênero épico, mais ainda que os outros, é
por excelência um filho da psicologia junguiana porque envolve
invariavelmente feitos grandiosos e heróicos. Naturalmente, seria
reducionismo atribuir o sucesso de um filme exclusivamente a essa
fórmula; porém, deve-se reconhecer que se apropriar de conceitos da
psicologia é um recurso na busca da indústria cultural para ocupar
todos os nichos possíveis e obter cada vez mais mercado. O monomito
serve para proporcionar a identificação com o público, não é uma
receita de bolo para toda e qualquer produção cinematográfica, embora
em O Senhor dos Anéis essa receita funcione. É um filme de gênero bem
realizado e se resolve como tal.

BIBLIOGRAFIA

ADORNO, Thedor. & HORKHEIMER, Max. (1994). Dialética de Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.
BARR, Donald (1955). Um mundo sombrio cheio de homens e hobbits – Uma
resenha de “As Duas Torres”, volume 2 da trilogia. New York Times.
GLEISER, Marcelo (2000). A dança do universo. 2ª ed. Companhia das Letras.
GULLO, Fábio “Vidal� (2003). Anatomia do Fantástico.
Disponível em:
http://www.a-arca.com/v2/artigosdt….sec=11&cdn=2378
Acessado em: 09/04/2004
IRWIN, Willian (2003). Matrix: Bem-Vindo ao Deserto do Real. 1ª ed. Madras.
JAVANBAKHT, Arash (2003). Os arquétipos na lenda de “O Senhor dos Anéis�, passo a passo.
Disponível em:
http://www.planeta.terra.com.br/sau…_dos_aneis.html
Acessado em: 12/03/200
JUNG, Carl Gustav (1988). Civilização em Transição. Rio de Janeiro: Ed. Vozes.
JUNG, Carl G. (2000). Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Tradução
de Dora Mariana R. Ferreira da Silva e Maria Luiza Appy, 1ª ed.
Petrópolis, RJ: Vozes
MACIEL, Luis Carlos (2003). Mitos de Hollywood: Como a teoria do
inconsciente coletivo de C. G. Jung aprimorou a psicologia
hollywoodiana.
Disponível em:
http://www.bravonline.uol.com.br/re…nsaio/index.php
em 5/6/2003
Acessado em: 20/03/2004
SILVEIRA, Nise da. C. G. Jun: Mitos.
Disponível em:
http://www.riototal.com.br/coojorna…iao-jung007.htm
Acessado em: 20/03/2004
TOLKIEN, John. R. R. Cartas.
Disponível em:
www.valinor.com.br
Acessado em: 20/03/2004
WALSH, Fran, BOYENS Philippa & JACKSON Peter. The Lord of the Rings.
Disponível em: http://www.allmoviescripts.com
Acessado em: 20/04/2004