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A Estranha História dos Orcs de Tolkien

Um panorama dos fatos da Terra-Média sobre os orcs imaginados por J. R. R. Tolkien, do seu lado cotidiano (o que comem, como se reproduzem) a questões mais existenciais dos orcs na cosmologia da Terra-Média.

“Há elfos, anões, trolls, dragões, príncipes e princesas, feiticeiros e, inevitavelmente, as mais difamadas criaturas fictícias, os orcs, o desprezado proletariado da fantasia conservadora…”
The Socialist Review[1]

 

 
“Eles sabem o que é um Orc”

Este ensaio examina os orcs de Tolkien assim como ele os concebeu. Antes de mais nada, é importante distinguir os orcs de Tolkien de suas adaptações mais amplas na literatura de fantasia.

A ficção escrita por J. R. R. Tolkien tem tido uma enorme influência no gênero da literatura de fantasia. Os personagens arquétipos e artifícios de trama que Tolkien usou em seu principal romance, O Senhor dos Anéis (SdA), têm sido adaptados por dúzias de outros escritores de fantasia, de maneiras mais ou menos criativas. Dos conceitos da Terra-Média de Tolkien, a idéia de orcs se destaca como a mais freqüentemente adaptada com mudanças mínimas[2]. Atingiu-se o ponto onde um crítico de fantasia, Terence Casey, deu um conselho aos escritores aspirantes de fantasia:

“Alguém que tem familiaridade com fantasia geralmente não vai ter um problema com ‘orcs’, seja em um romance ou jogo – eles sabem o que é um orc e estão acostumados com ele. Se você começar a criar seus próprios monstros ao invés de tirá-los da ‘fantasia genérica’, entretanto, a mera novidade deles pode dificultar para as pessoas a suspensão de descrença.”[3]

Esta afirmação é surpreendente por que Tolkien, na criação dos orcs, estava literalmente criando seus próprios monstros. Tolkien também usou os conceitos de elfos, hobbits, anões e reinos de estilo medieval na criação da Terra-Média. Entretanto, todos esses conceitos, ou seus equivalente simbólicos, estavam firmemente estabelecidos na mitologia européia e na literatura da fantasia antes que Tolkien começasse suas próprias obras. Não havia equivalente exato dos orcs[4]. O folclore europeu tem pequenas criaturas do mal – aparições, tommyknockers, duendes – e monstros aterrorizantes, de Grendel como imortalizado em Beowulf aos elementais do mal da tradição celta[5]. Mas não havia ser ou mal sobrenatural que fosse um paralelo dos guerreiros humanos, que os encarasse como iguais e que fossem mandados para exterminá-los.

Tolkien precisava criar seus monstros particulares, e sua novidade tinha um propósito. O estudioso de longa data de Tolkien, Tom Shippey, disse dos orcs de Tolkien: “Pode haver pouca dúvida que os orcs entraram na Terra-Média somente por que a história precisava de um suprimento contínuo de inimigos pelos quais ninguém precisasse sentir qualquer remorso.”[6]

Conseqüentemente, para os propósitos de suas próprias narrativas, Tolkien combinou componentes do então obscuro folclore com concepções mais modernas de violência e mal para modelar os orcs. Heróis eram mais heróicos com orcs para matar. Com orcs às suas ordens, vilões de alto calibre eram mais temíveis. Para estes propósitos, orcs eram um bem-sucedido artifício narrativo – um não visto previamente na literatura de fantasia.

Orcs eram bem mais que uma boa idéia. Houve trabalho autoral requerido para preparar o terreno para esta nova criação, especialmente para fazê-lo de uma maneira que ajudasse o leitor a aceitar o conceito[7]. Tolkien fez isso tão bem que, no processo, criou um novo arquétipo que tornou-se popular. É perturbador pensar que havia uma lacuna na imaginação e no mito para o que os orcs representam, mas sua popularidade mostra que este tinha sido realmente o caso.

Evolução dos Orcs na Terra-Média

Todos sabemos o que é um orc – mas somente para ter certeza, o que são orcs na Terra-Média? Eles são seres bípedes dotados de inteligência, que servem o mal. Tolkien comentou em uma de suas cartas[8] que adaptou a palavra orc da palavra do Inglês Antigo orc, que significa “demônio”, usando este termo “somente por causa de sua adequação fonética”. Nesta mesma carta ele comenta que os orcs “devem muito à tradição dos duendes, especialmente como aparece em George MacDonald”[9].

Em correspondência posterior, Tolkien comenta que a idéia do duende fundiu-se com uma concepção mais moderna; a do mal inerente aos seres humanos. Em correspondência em correspondência no livro publicado Cartas de Tolkien, ele compara humanos maus ou de mentalidade estreita aos orcs diversas vezes, nas cartas 66, 71 e 78, todas no contexto do serviço militar. Isso é mais expresso de maneira mais precisa na carta 153, onde Tolkien diz, como parte de uma idéia mais longa – “orcs, que são fundamentalmente uma raça de criaturas pensantes, ainda que horrivelmente corrompidas, se não mais que tantos Homens que se encontram hoje.”

As origens dos orcs na cosmologia da Terra-Média são descritas em O Silmarillion. Morgoth, um poderoso, egoísta Vala (equivalentes a um deus) caiu no mal, capturou alguns elfos (Quendi) nos primórdios da existência de sua raça.

“É, porém, considerado verdadeiro pelos sábios de Eressëa que todos aqueles quendi que caíram nas mãos de Melkor [depois Morgoth]… por lentas artes de crueldade, corrompidos e escravizados; e assim Melkor gerou a horrenda raça dos orcs, por inveja dos elfos e em imitação a eles, de quem eles mais tarde se tornariam os piores inimigos.”[10]

Esta idéia ajusta-se bem e tem um forte apelo com seu paralelo dos belos elfos diretamente ligados aos feios orcs. Contudo, em seus próprios escritos variados sobre orcs, Tolkien vacilou entre este conceito de orcs-dos-elfos e um conceito relacionado de orcs-dos-homens[11]. Ele mesmo brincou com a idéia de que orcs eram animais astutos, sem o elemento espiritual dos seres inteligentes, ou com o conceito de que orcs eram Maiar (espíritos divinos) servindo Morgoth que tinham sido corrompidos à forma de orcs. Ambos os conceitos de orcs-dos-homens e orcs-como-animais parecem vir da relutância pessoal de Tolkien de macular sua raça “ideal”. Entretanto, ele foi atraído de volta para a idéia de orcs-dos-elfos em diversos rascunhos de seu próprio ensaio sobre orcs, escrito de 1959 a 1960, e reconheceu que orcs-dos-elfos era a origem mais funcional para a linha temporal da Terra-Média que ele desejava.[12]

Christopher Tolkien, editando O Silmarillion depois da morte de J.R.R. Tolkien , optou pela origem orcs-dos-elfos. Ainda assim, este não é o fim do envolvimento dos orcs com outras raças. Em SdA, Tolkien nos presenteia com híbridos de orcs com humanos. Nunca é absolutamente declarado que os Uruk-hai, que podem suportar o sol melhor que orcs comuns, são parcialmente humanos. Isto é fortemente sugerido no diálogo dado ao Ent Barbárvore.

“Os seres malignos que vieram na Grande Escuridão têm como marca a característica de não suportarem o sol; mas os orcs de Saruman suportam, mesmo que o odeiem. Fico imaginando o que ele terá feito. Seriam eles homens que ele arruinou, ou teria ele misturado as raças dos orcs e dos homens. Isso seria uma maldade negra!”[13]

E é confirmado fora do romance em uma citação independente dos escritos posteriores de Tolkien:

“Homens podiam, sob o domínio de Morgoth ou de seus agentes em poucas gerações ser reduzidos quase ao nível de um orc, e então iriam, ou seriam obrigados a se acasalar com orcs, produzindo novas raças maiores e mais astuciosas. Não há dúvida que muito depois, na Terceira Era, Sauron redescobriu ou aprendeu por si mesmo, e em sua cobiça por poder, cometeu seu ato mais perverso: o acasalamento de homens e orcs.”
[14]

A idéia mais importante é que orcs não são uma forma de vida original. Orcs são uma forma de vida previamente existente que foi corrompida. Sua vontade está inextricavelmente ligada à dos principais poderes do mal – primeiro o de Melkor, posteriormente conhecido como Morgoth, e então o de Sauron.[15]

 
A Vida Como um Orc

Embora Tolkien não tenha se importado em deixar sua imaginação permanecer nos orcs, ele comentou os “fatos da vida” básicos deles para fazê-los uma parte sólida e crível da Terra-Média. Tolkien provê o leitor com esta informação através dos pontos de vista de seus protagonistas mais simpáticos, historiadores élficos e hobbits.

A falta de uma língua orc é uma prova que Tolkien, que expandiu os detalhes da Terra-Média para apoiar seu passatempo de criar línguas, não estava criativamente comprometido com eles. “Dizem que não tinham idioma próprio, mas adotavam o que podiam das outras línguas e o pervertiam a seu gosto; produziram, porém, somente jargões grosseiros, insuficientes até mesmo para suas próprias necessidades, a não ser quando usado em pragas e ofensas.”[16] Como resultado, os orcs usavam a Língua Geral da Terra-Média para comunicação entre tribos, e há uma evidente característica orc em seus diálogos. Sauron criou a Língua Negra para ser a língua de todos os seus servos[17], um tipo de esperanto do mal, e como o esperanto, nunca atingiu seu objetivo. Algumas palavras dela eram usadas pelos orcs, inconsistentemente, especialmente entre os orcs de Mordor. Tendo comentado o conceito básico da Língua Negra, Tolkien fez somente observações mínimas sobre seu vocabulário.[18]

Orcs estavam longe de serem invulneráveis; estavam sujeitos à doença, podiam morrer, não eram imortais e “precisavam comer, e beber, e descansar”[19]. Sua comida, apesar de não tentar o apetite, via de regra, pode ser comida por outros povos. Um herói faminto, Tuor, sente fome quando vê orcs assando carne (“até mesmo a carne dos orcs seria boa presa.”[20]). Nas mãos dos Uruk-Hai, Merry e Pippin são alimentados com pão dos orcs[21]. Depois, orcs que mantém Frodo cativo atacam o suprimento de comida dele e o alimentam, apesar de desprezarem especificamente o pão de viagem élfico, lembas[22]. Orcs também comem cavalos, pôneis e burros[23] e mais notoriamente, carne humana[24]. Pippin recusa-se a comer um pedaço de carne seca que um orc dá a ele, “a carne de uma criatura que ele não ousava adivinhar qual seria”. (Página 46) Surpreendentemente, não há referências no cânone a orcs comendo outros orcs, embora presumivelmente a cadeia alimentar em Moria tinha que se fechar de alguma maneira. Orcs temiam que os elfos atormentariam e comeriam seus prisioneiros orcs, apesar de que os elfos não cometiam nenhum dos dois atos[25].

Nos livros, orcs se reproduzem como humanos, hobbits, anões e elfos; o sexo resultando na gravidez e no parto. Tolkien descreve isto discretamente como “procriação intra-corporal” e se refere repetidas vezes aos orcs se ‘multiplicando’[26]. Ele são referidos como ‘reproduzindo-se rapidamente’ e ‘se multiplicavam como moscas’, termos que evocam animais[27]. Como observado previamente, orcs podem e de fato reproduziram com humanos mortais. A despeito destas constantes referências à reprodução dos orcs, Tolkien nunca nos apresenta com um personagem orc identificado como fêmea.

Tolkien mantém silêncio sobre uma pergunta que alguns leitores têm: orcs estupram? Isto parecia inteiramente típico da maldade dos orcs, da qual Tolkien diz, “Eles estavam de fato tão corrompidos que eram impiedosos, e não havia crueldade ou maldade que eles não cometeriam… eles tinham prazer em sua ações. Eles eram capazes de agir por si próprios, cometendo atos de maldade espontâneos para seu próprio divertimento.”[28] Mas Tolkien nunca atribui a eles este tipo de violência em particular. A terrível pergunta sobre orcs acasalando-se com elfos parece lograda pela afirmação de Tolkien que elfos morrem quando estuprados[29], e sendo Tolkien refinado demais para admitir a possibilidade de um elfo voluntariamente fazer sexo com um orc. Este pode ser um aspecto de porque a criação de orcs foi o “maior dos males”[30] de Morgoth. Há também um sinistro subtexto ao seqüestro de elfas[31] por orcs e a captura e tormento da senhora élfica Celebrían[32]. E o programa reprodutivo de Saruman entre mortais e orcs tinha que começar de algum lugar.

Tolkien não diz nada sobre a infância dos orcs ou sua criação. Tolkien gosta de crianças como se percebe em suas citações sobre crianças hobbits e élficas[33]. Esta pode ser a razão de seu silêncio sobre a presumível miséria da infância órquica.

Mas em SdA e n’O Silmarillion, faltam descrições da aparência dos orcs – Tolkien fornece mais descrições em SdA de como os orcs cheiram do que de sua aparência. Em RdR, há uma cena marcante com dois orcs de tamanhos diferentes, um pequeno orc batedor com pele negra e nariz ranhento trabalhando ao lado de um grande orc lutador[34]. Tolkien fornece uma descrição de como ele imaginava os orcs. Ironicamente, ele escreveu isto em uma carta criticando um tratamento proposto para o cinema de seus trabalhos:

“Os orcs são definitivamente especificados como corrupções da forma ‘humana’ vista nos elfos e homens. Ele são (ou eram) baixos, largos, narizes achatado, pele amarelada e com bocas grandes e olhos oblíquos, de fato, versões degradadas e repulsivas (para europeus) dos mais desagradáveis tipos mongóis.”[35]

O datado estereótipo racial nesta declaração é lamentável. Nas comparações orcs/humanos mais focadas de Tolkien em sua correspondência, ele compara membros do Eixo na Segunda Guerra Mundial e mesmo ingleses maus[36] aos orcs. Nos recentes filmes SdA, as interpretações de efeitos especiais dos orcs são muito mais racialmente neutras que a descrição de Tolkien, usando uma paleta de cinza, manchas ou pele desfigurada.

À parte de saques e pilhagens, orcs tinham uma veia criativa; uma repugnante, maligna veia criativa. Uma passagem em O Hobbit descreve a natureza da criatividade órquica: “Não fazem coisas bonitas, mas fazem muitas coisas engenhosas… Martelos, machados, espadas, punhais, picaretas, tenazes, além de instrumentos de tortura, eles fazem muito bem, ou mandam outras pessoas fazerem conforme o seu padrão.”[37]

Prazeres órquicos são poucos, tirando o divertimento que eles tiram da crueldade. Em um possível resquício de suas origens élficas, eles compõe canções e cantam.[38]

Entre si, orcs são capazes de amizades rústicas e alianças de clãs, apesar destas serem frágeis e prováveis de ruirem se eles se zangarem o suficiente. Isto é ilustrado com Ugluk em As Duas Torres, um Uruk-Hai que retorna a um grupo com quem discutiu por causa de ‘camaradas fortes’, e com dois orcs, Shagrat e Gorbag, planejando deixar Mordor algum dia com uns poucos ‘rapazes confiáveis’. Orcs odeiam elfos profundamente. Eles têm uma termo especial de desprezo e medo para mortais numenorianos, ‘tark’. Orcs tem alguns aliados. Sabia-se que faziam alianças com outros homens mortais, particularmente os Orientais[39]. Outro possível reminiscência dos elfos, que se comunicam com ‘bons animais’ é a aliança ocasional com animais maus, como lobos[40] e os lupinos wargs[41].

 
O Mal que os Orcs Fazem

Por que Tolkien nunca nos dá a perspectiva narrativa dos orcs, vivenciamos orcs na Terra-Média através de como seus atos são vistos por outros. Os orcs nunca são apresentados como compassivos, ou gentis, ou desejando se libertar do mal (apesar de desejarem se libertar de seus mestres). A aparição de um orc é causa de medo e um precursor imediato de violência. Às vezes, um ato maldoso de um orc serve para um propósito bom – em diversos pontos da história de SdA, orcs lutando entre si dão aos personagens hobbits chances de desafio ou fuga – mas nenhum orc é deliberadamente útil. Em ocasiões onde orcs se contém em torturar os prisioneiros, observa-se que assim agem sob comando, temendo um mal maior que si mesmos.

A natureza do mal órquico muda para se ajustar à história que Tolkien está contando. Orcs aparecem em cada um dos três romances de Tolkien: O Hobbit, SdA e O Silmarillion. O Hobbit é uma história infantil passada na Terra-Média. Em O Hobbit, esses orcs são, em qualidades e referências literais, confundíveis com ‘duendes’ do folclore e contos de fada vitorianos. A marcante descrição da criatividade dos orcs que Tolkien inclue aqui tem evidentes nuanças da tradição das entidades da mitologia celta. A ligeiramente diminutiva apresentação de orcs como “duendes” os coloca à altura do protagonista do livro, o hobbit Bilbo Bolseiro. Fica implícito em escritos relacionados posteriores que se outro personagem, Gandalf ou Thorin, tivesse narrado os encontros com orcs, eles teriam um tom diferente.[42]

O mais notável incidente com orcs em O Hobbit é a tentativa de Gandalf de conferenciar com os orcs quando o grupo de viagem de anões e hobbit é capturado. Esta é a única ocasião nos trabalhos de Tolkien onde um personagem ‘bom’ tenta argumentar com orcs, como se eles estivessem à altura das outras raças na Terra-Média. Isto está de acordo com a caracterização de Gandalf como uma representação do bem, enviado para inspirar a melhor parte dos habitantes da Terra-Média. O rei orc, Grão-Orc, não está à altura da situação, e segue-se imediatamente uma luta.

SdA, com seus personagens embarcando missão contra o mal, é o romance narrativo mais tradicional dentre os principais escritos de Tolkien. Aqui todas as raças mostradas em O Hobbit são apresentadas em uma perspectiva adulta. Orcs se libertaram de suas associações com os duendes, apesar de que, como em O Hobbit, o primeiro encontro dos protagonistas com os orcs ocorre nas profundezas subterrâneas. Os personagens orcs que aparecem depois na narrativa são cruéis, impetuosos e temíveis – e inconfundivelmente militares, com toque moderno. Pois os soldados orcs têm números atribuídos a eles[43]. Este não é o único lado curiosamente moderno deles; os orcs falam de maneira incisiva, grosseira e seca. Somente os personagens hobbits têm uma qualidade moderna similar em seus diálogos.

Uma nota de rodapé sobre os orcs em SdA é sua aparição no apêndice deste, O Conto dos Anos. Nele é apresentada a idéia de Tolkien de uma história de fundo na qual a atividade dos orcs tem aumentado progressivamente e esta afetou muitos dos protagonistas diretamente, em particular Aragorn e Arwen. Lacônico como um historiador, O Conto dos Anos comenta que a guerra dos Anões e Orcs (notas posteriores do apêndice tornam isto mais vívido e terrível) e um ataque orc no Condado, a idílica terra hobbit de Tolkien. Em adição a isto e ataques a Gondor e Rohan, os orcs a certo momento capturam, envenenam e torturam a mãe de Arwen, Celebrían. Celebrían é resgatada, mas não pode ser curada, e ela parte para as Terras Imortais. Isto dá a partida para uma futura tragédia que parece quase determinada. Os filhos de Celebrían juram vingança e começam a caçar orcs, às vezes na companhia de ancestrais de Aragorn. Em uma dessas caçadas, orcs matam o pai de Aragorn. Assim, anões, homens mortais, elfos e mesmo hobbits sofreram nas mãos dos orcs e teriam sofrido ainda mais se o mal tivesse triunfado.

O Silmarillion é uma cosmologia e história épica da Terra-Média em suas eras antes de SdA acontecer. Nós raramente recebemos detalhes íntimos sobre os personagens deste livro, e, ainda deste forma, orcs são apresentados como hordas do mal sem rosto. Sua criação é examinada, como observado previamente. Quando os elfos primeiramente encontram orcs, os elfos os comentam como a seguir: “E entre eles estavam os orcs, que mais tarde devastariam Beleriand… De onde vinham ou o que eram, os elfos não sabiam, supondo que talvez fossem avari (um tipo de elfo) que houvessem se tornado perversos e brutais no ambiente selvagem. Conta-se que, sob esse aspecto, infelizmente sua suposição estava quase correta.”[44]

Depois da tímida estréia dos orcs, eles participam de uma série de batalhas, com seu sucesso[45] ligado ao destino de seus mestres. Quando seus mestres caem, eles se dispersam e definham, mas como o próprio mal, alguns deles sempre resistem para serem convocados novamente. Mas, de maneira geral, os orcs de O Silmarillion representam um mal muito impessoal. Somente duas vezes há a menção de um ato cruel em específico[46]. Nenhum orc em O Silmarillion – nem em suas anotações originais, registradas na série History of Middle-Earth (HoME) – é digno de um nome.

A série HoME compõe-se doze volumes de anotações de Tolkien e histórias adicionais que nunca tinham sido publicadas. Revendo estes, é notável quão pouco os outros escritos de Tolkien tratam dos orcs que ele criou. Os principais escritos são os ensaios sobre orcs publicados em Morgoth’s Ring que incluem cerca de dez páginas no total. Nestes ensaios acerca de orcs, a preocupação de Tolkien é em como as grandes forças do mal da Terra-Média usam orcs e a significação espiritual destes.
 

O que Significam Orcs na Terra-Média

Orcs têm diversas camadas de significação além de serem alvos para espadas élficas. Como observado, o papel dos orcs nas narrativas de Tolkien é simples. É o lugar deles na cosmologia da Terra-Média que os faz complexos, envolvidos em questões sobre a natureza do mal, livre-arbítrio e redenção.

Por que orcs, na cosmologia de Tolkien, não deveriam existir, eles pareceriam representar o oculto, misterioso e errado – o clássico Outro[47]. A idéia do Outro se fortalece ao se refletir no próprio ser, e o que é refletido nos orcs é a possibilidade do mal corriqueiro em todos os povos, muito especificamente nos humanos.

Ao invés disso, orcs são o mal personificado, e um mal muito específico, a vontade de seus mestres. Tolkien nos dá um acontecimento em RdR que deixa isso claro. Depois de testemunhar um orc matando outro, um ato que impede Sam e Frodo de serem descobertos, Frodo comenta, “Mas este é o espírito de Mordor, Sam; está espalhado em todos os seus cantos. Os orcs sempre se comportam assim quando estão sozinhos, pelo menos é o que contam as histórias.”[48] Frodo continua e adiciona, “Mas você não pode alimentar muita esperança a partir desse fato.”, e realmente, quando quer que um orc apareça, há razão para temer, mesmo desesperar.

O mal dos orcs não é aquele dos mortos-vivos letárgicos. Há uma terrível vitalidade neles, que aparece em sua ferocidade, prontidão para lutar e se reproduzir, e suas emoções impulsivas e instintivas. Orcs estão vivos mas decaídos, são a marca viva e pulsante do cerco do mal no mundo da Terra-Média, um fenômeno que Tolkien resume como ‘Arda desfigurada’.[49]
 

Conclusões Sobre Os Orcs

Se os orcs são Arda desfigurada, eles podem ser redimidos? Talvez. Tolkien reluta em exluir essa possibilidade, embora, como outros pontos cosmológicos em suas anotações, ele explora diversas interpretações. Em um dos textos sobre orcs de Morgoth’s Ring ele diz que orcs ‘podem ser se tornado irredimíveis (pelo menos por elfos e homens), mas que eles tinham permanecido dentro da Lei’. Como parte disso, se um orcs tivesse pedido misericórdia, pessoas boas eram obrigadas a concedê-la, ‘a qualquer custo’. Arrependimento e redenção dos orcs, embora improváveis, deviam receber uma chance.

Significativamente, orcs não estão presentes em uma interpretação de Arda renovada e curada; parece que sendo uma espetacular aberração e escárnio, eles não deveriam existir de maneira alguma. Um comentário na Carta 153 prova o contrário, e, enquanto não apresenta uma solução, resume o enigma dos orcs:

“Eles seriam o maior dos pecados de Morgoth, o abuso de seu maior privilégio, e seriam criaturas nascidas do Pecado, e maus por natureza. (eu quase escrevi irremediavelmente más, mas isso seria ir longe demais. Por que em aceitando ou tolerando sua criação – o que é necessário para sua real existência – mesmo orcs se tornariam parte do mundo, o qual é de Deus e essencialmente bom).”

Tolkien está cônscio de que em sua cosmologia, Morgoth não criou os orcs, mas os corrompeu, e em seu comentário nisto é “Que Deus ‘toleraria’ aquilo, não parece uma doutrina pior que a tolerância da desumanização calculada de homens pelos déspotas que ocorre atualmente,”[50] Isto também ecoa o triste tema que, de todos os seres, grandes e pequenos, da Terra-Média, são os orcs que ele vê como tendo o efeito mais duradouro na humanidade.

Tolkien parece estar ciente da atração sombria que os orcs teriam em alguns leitores, e ter explorado isso, em observações sobre a rebeldia levando ao mal, em uma sequencia inacabada de SdA. Este seqüência, The New Shadow, existe na forma de dez páginas de manuscrito (publicadas em The Peoples of Middle-Earth). É o fragmento inicial de uma história passada em Gondor cerca de cem anos depois do início da Quarta Era. Um notável aspecto da trama está nos ‘cultos de orcs’ entre adolescentes[51]. Nesta futura Gondor, uma vez que os orcs desapareceram o bastante para serem uma peça de folclore ou história, parece haver um apelo de rebeldia em seus atos de maldade vazios e destrutivos, e alguns jovens provocadores começam a brincar fazendo ‘trabalho de orc’. Esta é uma sombra de um plano maligno mais amplo, e um sinal de renovado potencial para corrupção entre os mortais.

Leitores nunca saberão dos detalhes completos do que este trabalho de orc sinalizava. Tolkien tentou trabalhar na história diversas vezes, até quinze meses antes de sua morte.[52] Entretando, ele não terminou a história, dizendo que seu conceito demonstrou ser ‘sinistro e deprimente… não vale a pena fazer.’[53]

Tolkien, no fim, desistiu de aplicar mais criatividade a seus orcs do que o necessário para fazê-los verossímeis dentro da Terra-Média. Em seus escritos, eles não têm nada próprio de valor, são tratados como buchas de canhão, e sua iniden­tificável redenção nunca é mostrada. É um testemunho à criatividade de Tolkien que mesmo seus seguidores do mal, seus duendes crescidos, ecoam em nossas mentes modernas como ferozes arquétipos, são intrigantes e despertam curiosidade. Isto nos traz a observação que começa este ensaio: os fantasistas modernos que adotaram o arquétipo de Tolkien do orc, expandindo suas fundações. Alguns fantasistas, seguindo Tolkien, apresentam orcs como seguidores do mal ainda mais superficiais, seja em imitação ou paródia de Tolkien. Outros têm uma visão mais empática dos orcs, apresentado-os como patinhos feios, arquétipos do homem comum, ou representações de masculinidade poderosa.[54] Parece que os orcs serão redimidos, afinal de contas, em nossas imaginações.

Apêndice: Outros Orcs na Fantasia Moderna

Para apoiar minha afirmação de que a idéia dos orcs teve um grande impacto no gênero de literatura de fantasia, reuni esta lista de rpgs representativos e romances que usam orcs ou paralelos dos orcs.

Orcs nos RPGs

Orcs se tornaram uma parte tão importantes nos rpgs que uma grande convenção de ‘jogos de estratégia’ na Califórnia é chamada “OrcCon”.

O sistema de rpg Dungeons & Dragons publicado pela Wizards of the Coast, um famoso derivado de Tolkien, usa orcs e meio-orcs. Um bom exemplo disso é o livro módulo D&D Fury in the Wasteland: The Orcs of Terrene, o qual “investiga a cultura orc como nenhum outro livro fez antes. Assuntos como ciclo de vida, habitat, recreação, dieta, vestimentas, remédios e cuidados com saúde, relações de raça, comércio, e línguas são todos abordados.”

Sabertooth Games’ WarCry – outra editora de jogos convida os ávidos de poder a “Controlar as hordas da escuridão (Caos, Elfos sombrios, Orcs e Duendes) ou a Grande Aliança (Império, Altos Elfos, e Anões) em grandes batalhas que decidirão o destino de reinos!”

EverQuest – Apontado pela revista Forbes em 2001 como um fenômeno social dentre os jogos online, orcs são uma parte do jogo. Interessante observar que, enquanto orcs são npcs inimigos ou aliados, jogadores com anseios sombrios não podem escolher ser um personagem orc, mas são têm que escolher entre trolls, ogros, bípedes reptilianos do mal e elfos sombrios.


Orcs com qualquer outro nome

Os seguidores do mal destas séries são claramente semelhantes aos orcs.

A série Eragon de Christopher Paolini (2003, Knopf) – tem personagens análogos aos orcs chamados Urgalls.

A série Shannara de Terry Brooks (19 livros de 1977 até hoje, Ballantine Books) – tem personagens análogos aos orcs chamados Gnomes.

A série The Fionvar Tapestry de Guy Gavriel Kay (três livros, publicados em 1984, 1985, 1986, Roc) – tem personagens análogos aos orcs chamados Svart Alfar e Urgaches. Esta série – arthuriana em intento, interpretada por alguns como tolkieniana – foram os primeiros romances de Kay, publicados dez anos depois que ele ajudou Christopher Tolkien a editar “O Silmarillion”.

Orcs chamados “Orcs” em escritos não-Tolkien

Ao contrário de autores que usam similares dos orcs, estes autores chamam um orc de orc, frequentemente para destacar o contraste ou acentuar a sátira entre seus trabalhos e os de Tolkien.

Abacar the Wizard: Book One: A Tale of Magic, War, Elves, Goblins, Orcs, Monsters, Fantasy, and Adventure de Timothy Erenberger (Writer’s Club Press, 2001) – Já no título, orcs são diferenciados dos duendes e monstros como uma categoria distinta.

Grunts! de Mary Gentle (Bantam Press, 1992) – satiricamente consciente de sua derivação de Tolkien, neste romance, orcs (protagonistas empáticos) são contratados para proteger ladrões ‘pequenos’ que roubaram tesouros de um dragão. Entre esses tesouros estão incluídos armas dos Fuzileiros Navais dos EUA.

ORCS: First Blood de Stan Nicholls (série de diversos livros, Gollancz, 1997- 1999) – Aqui os orcs são descritos como, embora sendo feios e estúpidos, protagonistas heróicos/simpáticos.

Red Orc’s Rage de Philip Jose Farmer (Tor Books, 1991) – tecnicamente este pertence à seção “orcs com qualquer outro nome” por seu uso dos semelhantes dos orcs gworls. Entretanto, este livro singular foi escrito para uso em um tipo de psicoterapia, a terapia Tiersian, baseada em leitura de ficção evocativa. Apresenta um personagem problemático sendo convidado, como parte da terapia Tiersian, a projetar sua personalidade em qualquer tipo de pessoa que ele desejar em um mundo de fantasia específico – e ele escolhe o Orc Vermelho, o vilão mais proeminente do mundo de fantasia. Parte de uma série de ficção científica com objetivos terapêuticos, este livro é caracterizado por ser recursivo, auto-referencial e muito bizarro. Leia um artigo sobre terapia Tiersian, com menção do livro específico, aqui. http://www.psychiatrictimes.com/p010756.html

The Orc’s Treasure by Kevin Anderson, (I Books, 2004) – Protagonista orc como anti-herói: “Gree é um orc prosaico, sem muitas aspirações, tão gananciosas e sórdidas como são normalmente.”

The Orc Wars: The Yngling Saga, Books I & II
by John Dalmas, (Baen Books, 1992) – uma mistura de fantasia e ficção científica com orcs (como seguidores de um telepata do mal) e neo-vikings em uma Europa pós-apocaliptica.

The Thousand Orcs by R.A. Salvatore (Wizards of the Coast, 2003) – um romance em um mundo de fantasia que é um derivado do sistema de rpg D&D. A sinopse fala por si mesma: “O bando retorna de Icewind Dale na companhia dos anões de Mithrall Hall, que estão escoltando o rei Bruenor que volta para relutantemente assumir o seu trono. Encorajados por uma sombria aliança com os mortais gigantes gelados, uma horda de orcs está silenciosamente se reunindo, esperando com paciência incomum para se mover contra anões, elfos e humanos sem distinção.” Entretando, este romance em particular apareceu na lista de bestsellers do New York Times – não sendo a primeira vez deste autor nesta série.

Thraxas by Martin Scott (Baen Books, 2000) – ganhador do World Fantasy Award em 2000. Outro uso satírico dos orcs: “é um detetive azarado, um Sam Spade de um mundo de fantasia, vivendo em um mundo mágico que é refrescantemente clichê em suas ciladas…. um mundo povoado por reinos em conflito de humanos, elfos e orcs.”

[1] http://www.socialistreview.org.uk/article.php?articlenumber=7990

[2] Veja no Apêndice, uma lista de interpretações de outros autores de orc e role-playing games que incorporam orcs.

[3] http://www.skotos.net/articles/BSTG_40.shtml

[4] Rose, Carol; Spirits, Fairies, Gnomes and Goblins: An Encyclopedia of the Little People. 1996, ABC-Clio, Santa Barbara, California. Convenientemente, este livro divide a grande quantidade de criaturas folclóricas de todo o mundo em categorias. Criaturas negativas estão incluídas na categoria de demônios (malevolentes), diabos, espíritos associados com animais, espíritos associados com doenças, espíritos associados com florestas e outros lugares. Esta análise ajuda a mostrar que a maioria dos “duendes” são personificações de forças naturais negativas ou lugares perigosos. Orcs são diferentes, pois são apresentados como paralelos e iguais das outras raças da Terra-Média. Podia-se ver um orc cara a cara, eles não eram contos de fada, mas um fato terrível. Os orcs representam nada mais que a vontade e a cobiça do mal.

[5] Briggs, Katharine; An Encyclopedia of Fairies: Hobgoblins, Brownies, Bogies , and Other Spiritual, 1976, Pantheon Books, New York.

[6] Shippey, Tom, The Road to Middle-Earth. HarperCollins, 1992.

[7] Zipes, Jack, The Oxford Companion to Fairy Tales, 2000, Oxford University Press, New York. Esta não é uma referência específica à orcs, mas em referência ao fato que “a concepção de Tolkien de literatura de fantasia… é baseada na suspensão de descrença… que acontece quando, ao contrário dos contos de fadas, nós como leitores compreendemos a fantasia dentro de suas próprias premissas como ‘verdade’. Pois para Tolkien, fantasia autêntica e habilidosa cria a Crença Secundária (diversa da Crença Primária do mito ou religião), colocando o leitor em um estado temporário de encantamento.” Deste modo, Tolkien gastou muita energia autoral em estabelecer o lado prático da Terra-Média.

[8] Carpenter, Humphrey. The Letters of J.R.R. Tolkien. Houghton Mifflin Co., 1995; Carta 144.

[9] George MacDonald era um intelectual vitoriano que, como parte de sua contribuição à área de Artes e Ofícios da cultura vitoriana, escreveu diversas histórias de fantasia para crianças. O seu maior uso de duendes acontece numa composição literária chamada The Princess and the Goblin, na qual são descritos como tendo sido seres humanos comuns, que foram mudados e corrompidos quando foram viver no subterrâneo para evitar suas obrigações. Fãs modernos dos orcs que lerem esta história a acharão incrivelmente melosa.

[10] Tolkien, J.R.R; O Silmarillion (Silma), editado por Christopher Tolkien, Martins Fontes, 2001. Quenta Silmarillion, capítulo III – Da chegada dos elfos e do cativeiro de Melkor, página 49.

[11] Tolkien, J.R.R; Morgoth’s Ring: The Later Silmarillion Part One, Volume 10 of The History of Middle Earth (MR), editado por Christopher Tolkien. Houghton Mifflin Co, 1993. Fonte dos dois ensaios sobre Orcs e Myths Transformed.

[12] Ibid.

[13] Tolkien, J.R.R; As Duas Torres (ADT). Martins Fontes, 2000. Livro III, Capítulo 4 –  Barbárvore, página 70.

[14] MR, Orcs.

[15] MR, Myths Transformed.

[16] Tolkien, J.R.R; O Retorno do Rei (RdR). Martins Fontes, 2001. Apêndice F, página 423.

[17] Ibid.

[18] Allan, Jim (ed.) An Introduction To Elvish (And to Other Tongues and Proper Names and Writing Systems of the Third Age of Middle Earth As Set Forth in the Published Writings of Professor John Ronald Ruel Tolkien), 1978, Bran’s Head Books, Bath, UK.

[19] MR, Orcs.

[20] Tolkien, J.R.R.; Contos Inacabados de Númenor e da Terra-Média (CI), editado por Christopher Tolkien. Martins Fontes, 2002. Capítulo I – De Tuor e sua chegada a Gondolin

[21] ADT , Livro III,  Capítulo 3 – Os Uruk-Hai, página 46.

[22] RdR, Livro VI, Capítulo 1 – A Torre Cirith Ungol, página 185.

[23] Tolkien, J.R.R., O Hobbit, Martins Fontes, 2001, Capítulo 4 – Montanha acima, montanha adentro, página 61.

[24] ADT , Livro III,  Capítulo 3 – Os Uruk-Hai

[25] “Algo que Morgoth havia conseguido era convencer os Orcs além de qualquer contestação que os elfos eram mais cruéis do que eles, mantendo cativos somente por ‘diversão’ ou para comê-los (com os Orcs fariam em caso de necessidade.)” Nota de rodapé em MR, Orcs.

[26] MR, Orcs.

[27] Silma, Dos Anéis do Poder e da Terceira Era, página 369.

[28] MR, Orcs.

[29] MR, Leis e Costumes entre os Eldar.

[30] Silma, Quenta Silmarillion, Capítulo III – Da chegada dos elfos e do cativeiro de Melkor, página 49.

[31] Silma, Quenta Silmarillion, Capítulo XXI – De Túrin Turambar, página 271.

[32] RdR, Apêndice B – O Conto dos Anos.

[33] Tolkien cita resposta: crianças na Terra-Média: Carta 144: “Crianças hobbit são encantadoras…” Em Morgoth’s Ring: crianças élficas – “como se fossem filhos de homens belos e tranqüilos.”

[34] RdR, Livro VI, Capítulo 2 – A Terra da Sombra, página 199.

[35] Carta 210

[36] Carta 78

[37] O Hobbit, Capítulo IV –  Montanha acima, montanha adentro, página 61.

[38] ibid

[39] RdR, Apêndice B – O Conto dos Anos

[40] ADT, Livro III, Capítulo VIII – A estrada para Isengard, página 153.

[41] O Hobbit, Capítulo VI –  Da frigideira para o fogo, página 101.

[42] CI,  Parte III – A Terceira Era, Capítulo 3 – A busca de Erebor.

[43] RdR, Livro VI, Capítulo 2 – A Terra da Sombra, página 199.

[44] Silma, Quenta Silmarillion, Capítulo X – Dos Sindar, página 108.

[45] Depois de diversas derrotas iniciais, Morgoth mudou a forma como os orcs são usados em sua estratégia de batalha, pois “Morgoth percebeu agora que, sem ajuda, orcs não estavam à altura dos Noldor.” Em batalhas posteriores, ele usou Orcs de um modo muito específico, primeiramente visto na grande batalha de Dagor Bragollach. Aqui, ele mandou os Orcs primeiro “em multidões tais como os Noldor nunca tinham visto ou imaginado.” Isto é bem sucedido – até certo ponto; os Orcs ainda temem alguns senhores élficos em específico, e como resultado, certas fortalezas não caem. Em uma batalha posterior, a Nirnaeth Aenordiad, Morgoth levou em conta esta fraqueza dos orcs. Ele repetiu sua estratégia prévia de grandes quantidades de Orcs até que “os Orcs hesitaram, e seu ataque foi retardado, e alguns já estavam tentando fugir.” Então, Morgoth solta suas mais poderosas criaturas do mal na batalha. Significativamente, em Gondolin, mesmo um bando de Orcs deixados na área próxima a Gondolin para destruir qualquer um que escapasse recebe cobertura de um Balrog. Como nota de rodapé, as palavras “Orc” e “Orcs” sempre aparecem com letra maiúscula no texto do Silmarillion, mas não em O Hobbit ou em O Senhor dos Anéis.

[46] Um deles acontece quando os orcs pregam uma senhora élfica, Finduilas, em uma árvore com uma lança para matá-la. (Silma, De Túrin Turambar, página 275.) O outro é o ataque e perseguição pelos orcs, “pelo faro e pelas pegadas” de Isildur na Segunda Era. (Silma, Dos Anéis do Poder e da Terceira Era, página 376).

[47] O ensaio do estudioso de Tolkien Ainur Emlgreen: “The Image of the Enemy: An issue of Race and Class in the works of J.R.R. Tolkien” (A Imagem do Inimigo: Uma discussão sobre Raça e Classe nos trabalhos de J.R.R. Tolkien) traz uma sofisticada análise sobre o tema do orc como Outro).

http://www.ainurin.net/image_of_enemy_intro.htm

[48] RdR, Livro VI, Capítulo 2 – A Terra da Sombra, página 200.

[49] MR, Myths Transformed.

[50] Carta 154.

[51] Carta 338.

[52] Tolkien, J.R.R.; The Peoples of Middle-Earth, Volume 12 of The History of Middle Earth, editado por Christopher Tolkien. Houghton Mifflin Co, 1996.

[53] Carta 256.

[54] Notavelmente, todos esses papéis alternativos para os orcs na fantasia moderna (patinho feio, imagem do homem comum ou poder masculino) remetem a papéis importantes de protagonistas e poderes nos contos de fada europeus. O filho mais novo ou príncipe numa missão se tornou um orc! Referências em toda obra de Zipes.

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Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Você sabia que em A Sociedade do Anel…

  • O título do primeiro capítulo em O Hobbit é Uma Festa Inesperada. O título do primeiro capítulo em A Sociedade do Anel é Uma Festa Muito Esperada
 
 
  • Não
    foi até os pais de Frodo terem se afogado em um acidente de bote no rio
    Brandevin que Frodo foi viver com o primo mais velho deles, Bilbo
    Bolseiro. Bilbo mais tarde adotou Frodo e o nomeou como seu herdeiro.
  • Hamfast Gamgi (conhecido como ‘o Feitor’) era jardineiro de Bilbo em Bolsão.
    Quando o Feitor se aposentou, foi seu filho, Sam Gamgi, que assumiu o
    trabalho. Sam e Frodo tornaram-se muito amigos. Bilbo contou a Frodo e
    Sam muitas histórias de suas aventuras e ensinou-lhes a poesia e
    tradição Élficas.
  • Bilbo e Frodo compartilhavam a mesma
    data de aniversário, que é 22 de setembro. Bilbo comemorava seu 111º
    aniversário na noite da ‘festa muito esperada’. Isso era muita idade
    para um hobbit, porém Bilbo tinha ainda a aparência e vitalidade de um
    hobbit de meia idade. A grande idade de Bilbo era um dos indícios que
    alertaram Gandalf ao fato que podia haver mais coisas a respeito do
    anel mágico de Bilbo.
  • Depois que Bilbo deu seu anel a
    Frodo e partiu para Valfenda, Gandalf pediu que os Guardiões dobrassem
    sua vigília, uma vez que muitas coisas maléficas tinham começado a se
    reunir em volta do Condado. Mesmo os hobbits tinham começado a relatar
    e queixar-se de muitas pessoas e criaturas estranhas espreitando ao
    redor das fronteiras.
  • Os homens e os hobbits que
    viviam nas terras fronteiriças sabiam da existência dos Guardiões, mas
    não sabiam qual era seu verdadeiro propósito. Em suas mentes, os
    Guardiões eram um povo estranho e suspeito. Os hobbits viviam em paz e
    liberdade no belo Condado devido à vigilância quieta e guarda
    incessante dos Guardiões.
  • Os dois filhos de Elrond de
    Valfenda, Elladan e Elrohir, cavalgavam freqüentemente com Aragorn e
    outros Guardiões em sua proteção do Norte. Nunca tendo esquecido o
    tormento de sua mãe, aproveitavam cada oportunidade para travar guerra
    contra Orcs e contra as forças de Sauron.
  • Gandalf
    tinha questionado por muito tempo a verdadeira natureza do anel mágico
    que Bilbo tinha ganhado de Gollum. Depois do comportamento estranho e a
    relutância de Bilbo em deixar ao anel a Frodo na noite de sua festa de
    aniversário, Gandalf sentia que devia ser um dos Anéis do poder, mas
    não tinha nenhuma prova. Aragorn disse a Gandalf que deveriam encontrar
    Gollum e questioná-lo.
  • Para aprender mais sobre a
    verdade do anel deixado com Frodo, Gandalf e Aragorn partiram numa
    longa busca, procurando por Gollum através de muitas terras. Após um
    período de diversos anos, com nenhum sinal de Gollum, Gandalf desistiu
    da tarefa e retornou sozinho a Minas Tirith para procurar nos arquivos
    informações sobre o anel de Isildur.
  • Aragorn continuou sozinho na busca por Gollum e procurou sempre mais perto de Mordor e do reino de Sauron.

O começo dos eventos durante os dois grandes anos da Guerra do Anel

  • Quinze anos haviam se passado desde que Bilbo deixara o anel com o Frodo.

Fevereiro

  • Finalmente e após grande perigo, Aragorn
    capturou Gollum nos Pântanos Mortos e começou a longa viagem de volta.
    Após cinqüenta dias, eles finalmente alcançaram o reino do rei
    Thranduil na Floresta das Trevas, onde Aragorn deixou Gollum. Aragorn
    comentou mais tarde que havia se esgotado demais na companhia de Gollum
    e esperava nunca vê-lo novamente.
  • Ao passar por
    Lórien, Gandalf ouviu que Aragorn havia passado por aquele caminho com
    a criatura Gollum. Gandalf partiu imediatamente para a Floresta das
    Trevas.
  • Quando Gandalf questionou Gollum, soube que Gollum tinha sido capturado e torturado por Sauron.
  • Gollum
    tinha revelado a Sauron que o Anel tinha sido encontrado por um hobbit
    do Condado, cujo nome era Bolseiro. Gandalf deixou Gollum aos cuidados
    do rei Thranduil e dos Elfos na Floresta das Trevas.

Abril

  • Gandalf retornou ao Condado para contar a Frodo
    sobre a natureza verdadeira do anel e sugeriu a Frodo que ele deveria
    deixar o Condado imediatamente, mas Frodo estava relutante a fazer isso
    até o outono daquele ano.

Junho

  • Após ter recebido a palavra de seus espiões que
    Gandalf havia questionado Gollum, Sauron mandou Orcs ao reino do Rei
    Thranduil com ordens para recapturar ou matar Gollum.
  • Ao
    passar perto da vila de Bri, Gandalf encontrou o mago Radagast.
    Radagast estava procurando por Gandalf com uma mensagem do mago
    Saruman. Saruman desejava avisar Gandalf que Espectros do Anel haviam
    cruzado as fronteiras de Mordor e estavam procurando por uma terra
    chamada Condado. Saruman disse também que se Gandalf desejasse sua
    ajuda, então deveria vir a Isengard de uma vez.
  • Ao
    ouvir esta notícia, Gandalf escreveu imediatamente uma carta a Frodo e
    disse-lhe para não deixar o Condado mais tarde do que julho. Gandalf
    deixou a carta com o estalajadeiro em Bri, e pediu a entrega imediata
    da carta. Gandalf também encontrou Aragorn e pediu que prestasse
    atenção para a vinda de Frodo. Gandalf saiu então para consultar com
    Saruman em Isengard.
  • Como chefe do conselho dos magos,
    Saruman havia estudado por muito tempo as artes do inimigo. Gandalf
    esperava que Saruman tivesse encontrado uma arma que pudesse ser usada
    contra os Nazgul.

Julho

  • Atraído para Isengard pela oferta de ajuda de
    Saruman, Gandalf foi feito prisioneiro. O estalajadeiro no Pônei
    Saltitante esqueceu-se de entregar a carta e Gandalf havia sido
    capturado por Saruman, portanto Frodo não teve nenhum aviso que os
    Cavaleiros Negros estavam procurando pelo Condado.
  • No verão, Frodo deixou seus amigos e vizinhos saber que planejava vender Bolsão e se mudar para Cricôncavo no outono.
  • Sam
    deixou avisado que planejava se mudar com Frodo para Cricôncavo para
    cuidar da casa nova. Somente Sam sabia que Frodo e ele planejavam na
    verdade ir para Valfenda.

Setembro

  • Gandalf escapou de Saruman e fugiu para
    Rohan para advertir o rei Théoden. Quando Théoden lhe disse para pegar
    um cavalo, Gandalf escolheu o lendário cavalo do Rei, Scadufax, sabendo
    que ele necessitaria de grande velocidade para alcançar Frodo a tempo.
  • Os
    homens de Rohan tinham estado em guerra em sua fronteira Oriental com
    as forças de Mordor por muitos anos. Uma grande cadeia de montanhas
    dominava o comprimento de Rohan na fronteira Ocidental. O Desfiladeiro
    de Rohan era a única passagem através das montanhas.
  • Isengard
    estava localizada perto do Desfiladeiro de Rohan. Saruman, no entanto,
    havia sido um amigo até Gandalf advertir o rei sobre a traição daquele.
    Imediatamente após a partida e o aviso de Gandalf, Saruman começou
    atacar Rohan na fronteira Ocidental e efetivamente fechou o
    Desfiladeiro de Rohan aos viajantes.
  • Sauron havia
    ouvido de falar sobre as atividades de Saruman e havia enviado alguns
    dos Cavaleiros Negros a Isengard. Os Nazgûl apareceram nas portas de
    Isengard alguns dias depois que Gandalf havia escapado. Saruman
    disse-lhes que que não tinha nenhum conhecimento de onde ficaria a
    terra do Condado, mas que Gandalf saberia, e estaria, de fato, indo
    para lá.
  • Incapazes de capturar Gandalf, os Cavaleiros
    Negros puderam determinar a posição do Condado a partir de espiões e
    servidores de Saruman.
  • Frodo fez suas malas em Bolsão
    e comemorou seu aniversário em 22 de setembro com seus amigos especiais
    Pippin Tûk e Merry Brandebuque. Frodo havia esperado Gandalf a qualquer
    momento desde agosto, mas somente ficou preocupado quando Gandalf
    faltou no seu aniversário.
  • Tornando-se mais e mais
    preocupado com a ausência de Gandalf, Frodo finalmente partiu com
    Pippin e Sam, no anoitecer no dia seguinte. Merry tinha ido adiante ver
    a casa em Cricôncavo.
  • Quatro Cavaleiros Negros
    dominaram os Guardiões que vigiavam uma das estradas para o Condado na
    noite do aniversário de Frodo. Um dos Cavaleiros Negros alcançou Bolsão
    logo após os hobbits partirem e confrontou o pai de Sam em uma
    tentativa de encontrar Frodo.
  • Frodo, Sam e Pippin
    encontraram-se com Merry em Cricôncavo e partiram em segredo no
    alvorecer. Em uma tentativa de evitar os Cavaleiros Negros, eles
    escolheram viajar através da traiçoeira Floresta Velha do que pela
    estrada principal que conduz a Bri. Naquela mesma noite, vários
    Cavaleiros Negros atacaram Cricôncavo, mas partiram quando perceberam
    que o Anel não estava ali.
  • Em seu caminho através da
    Floresta Velha, os hobbits encontraram perigo diversas vezes e
    escaparam por pouco com a ajuda do excêntrico Tom Bombadil.
  • Tom
    Bombadil é um personagem enigmático e poderoso cuja casa fornece um
    santuário provisório para os hobbits. Tom e a bela Fruta d´Ouro vivem
    em grande harmonia no meio da Floresta Velha. Quando Frodo disse a Tom
    sobre o Anel, Tom não foi tentado nem afetado pelo Anel.
  • Tom
    Bombadil deu a cada um dos hobbits uma espada antiga feita pelos homens
    de Ponente há muito tempo atrás. As espadas haviam sido feitas para a
    batalha contra o Rei Bruxo de Angmar. Estas espadas tinham qualidades
    acima do normal e estavam embebidas com virtudes e magias. Os fazedores
    de espadas haviam sido derrotados pelo Rei Bruxo, mas as espadas
    permaneceram intocadas pelos anos.
  • O Rei Bruxo de
    Angmar era o capitão dos Espectros do Anel. Era um feiticeiro cujo
    poder era igual ao de Gandalf. Gandalf e Elrond haviam-no enfrentado em
    batalha muito tempo atrás. O poder principal dos outros Nazgûl era sua
    habilidade de espalhar o medo e temor.
  • Tom Bombadil
    escoltou os hobbits à beira da Floresta Velha, algumas milhas da cidade
    de Bri e sugeriu que fossem à estalagem do Pônei Saltitante para a
    noite. Após o aviso de Gandalf, Aragorn manteve-se em torno da cidade
    de Bri, esperando por notícias dos hobbits. Viu-os emergir da Floresta
    Velha com Tom Bombadil e seguiu-os em Bri.
  • Após
    escapar de Saruman, Gandalf tentou desesperadamente encontrar Frodo e
    os hobbits, sabendo que estariam em grave perigo. Ele quase os perdeu
    diversas vezes. Montando Scadufax, chegou na Vila dos Hobbits alguns
    dias depois que Frodo a tinha deixado e soube que um Cavaleiro Negro
    havia sido visto. Após chegar em Cricôncavo e descobrir que não estavam
    lá, Gandalf seguiu a trilha dos Espectros do Anel e chegou no Pônei
    Saltitante em Bri na noite do dia em que os hobbits haviam partido com
    Aragorn.

Outubro

  • Tentando encontrar Aragorn e os hobbits,
    Gandalf alcançou o Topo do Vento (Amon Sûl) alguns dias antes deles.
    Gandalf foi atacado no Topo do Vento pelos Espectros do Anel. Após uma
    batalha feroz, Gandalf escapou e incitou quatro dos Cavaleiros Negros a
    segui-lo. Por causa disso, somente cinco dos Cavaleiros Negros atacaram
    Aragorn e os hobbits no Topo do Vento.
  • Gandalf
    cavalgou para Valfenda para obter ajuda de Elrond. Quando chegou
    próximo a Valfenda, Gandalf mandou Scadufax de volta para Rohan.
  • Foi o Rei Bruxo de Angmar que esfaqueou Frodo no Topo do Vento.
  • Elrond
    enviou diversos Elfos poderosos para procurar por Aragorn e os hobbits.
    O senhor Élfico Glorfindel encontrou-os vários dias após Frodo ter se
    ferido no Topo do Vento.
  • Foi Glorfindel que muito
    tempo atrás havia predito que ‘Não será pela mão do homem que o Rei
    Bruxo de Angmar cairá’. Glorfindel acompanhou Aragorn e os hobbits no
    resto do caminho para Valfenda. Quando alcançaram o Ford Bruinen, Frodo
    estava montando o cavalo branco de Glorfindel, Asfaloth. Quando os
    Espectros do Anel os emboscaram, Glorfindel comandou Asfaloth para
    fugir com Frodo através do rio. Vigiando de longe, Elrond desencadeou a
    inundação do rio assim que o capitão do Nazgul cavalgou na água.
  • Quando
    Frodo e seus companheiros finalmente alcançaram Valfenda, Bilbo tinha
    128 anos. Uma vez que Bilbo tinha passado o anel para Frodo, seus
    longos anos o haviam alcançado muito rapidamente e ele finalmente
    mostrou a aparência e fragilidade de sua grande idade.
  • Legolas
    Verdefolha, filho do rei Thranduil, veio a Valfenda para contar ao
    conselho de Elrond que Gollum havia escapado de seu cativeiro na
    Floresta das Trevas durante um ataque de Orcs.
  • O anão
    Glóin veio ao conselho de Elrond com seu filho, Gimli, advertir Bilbo
    que um mensageiro de Sauron tinha ido ao reino dos anões diversas
    vezes. Cada vez o mensageiro pediu informações sobre um hobbit que
    roubou um anel pertencente ao Senhor do Escuro.
  • Glóin era um dos treze anões que Bilbo acompanhou em suas aventuras à Montanha Solitária.
  • Boromir,
    o filho mais velho e herdeiro do regente de Gondor, veio à casa de
    Elrond em busca de respostas. Boromir e seu irmão mais novo haviam tido
    sonhos persistentes que indicaram que Valfenda guardava as respostas
    que ajudariam a Gondor em época da necessidade.
  • Como
    ninguém podia claramente lhe dizer onde Valfenda situava-se, Boromir
    viajou por 110 dias e superou muitos obstáculos em sua viagem.
  • O
    pai de Boromir, Denethor, é o regente do reino de Gondor. A posição
    hereditária de regente governa o reino na ausência do Alto Rei. Na vida
    de Boromir não tinha havido um rei em Gondor, nem nenhum conhecimento
    que um herdeiro da linhagem de Isildur ainda vivia. Boromir devia
    esperar governar Gondor após seu pai.
  • Bilbo também
    compareceu ao conselho de Elrond. Apesar de sua grande idade, após ter
    ouvido todas as notícias terríveis, Bilbo interrompeu Elrond para
    declarar que uma vez que ele, Bilbo, havia começado isto tudo ao
    encontrar o anel, ele deveria terminar. E quando ele deveria começar?
  • Narsil,
    a Espada-que-foi-quebrada, foi reforjada pelos Elfos em Valfenda antes
    da partida da Sociedade. Aragorn renomeou a espada como Andúril, Chama do Oeste, e carregou-a quando deixaram Valfenda.

Janeiro

  • Era inverno total quando a Sociedade tentou cruzar as montanhas de Caradhras.
  • Gandalf disse à Sociedade que uma vez que entrassem em Moria, seriam 40 milhas do Portão Oeste ao Portão Leste.
  • Gandalf e Aragorn haviam estado nas minas de Moria antes.
  • Quando
    Gollum escapou dos Elfos na Floresta das Trevas, escondeu-se dos Elfos
    e dos servidores de Sauron nas Minas de Moria. Entretanto, quando ele
    finalmente descobriu o caminho para o Portão Oeste de Moria, ele não
    podia sair, porque as portões estavam fechados. Gollum estava ainda na
    vizinhança do Portão Oeste quando a Sociedade entrou em Moria. Gollum
    sentiu imediatamente o anel e começou a segui-los.
  • Balin
    foi o líder dos anões que tentaram retomar as Minas de Moria. Balin foi
    um dos treze anões originais na companhia de Thorin Escudo de Carvalho
    e tinha sido um amigo próximo de Bilbo. Outros dois anões da companhia
    de Thorin, Ori e Oin, pereceram também com Balin em Moria. Embora toda
    a sociedade sofresse pela perda de Gandalf em Moria, Aragorn e Gandalf
    haviam sido bons amigos por mais que sessenta anos.

Fevereiro

  • Poucos hobbits ou homens já haviam visto um
    Elfo. Os Elfos de Lothlórien eram tão reservados e reclusos que sua
    existência era considerada pela maioria como sendo uma lenda.
  • Quando
    Haldir encontrou primeiramente a Sociedade nos bosques de Lothlórien,
    não se convencendo da dignidade de um anão, recusou a deixar Gimli
    prosseguir sem primeiro ter seus olhos vendados. Gimli recusou a menos
    que Legolas fosse vendado também. Isso não contribuiu em nada para
    melhorar as relações entre Gimli e Legolas.
  • Orcs das minas de Moria seguiram a sociedade até as fronteiras de Lothlórien.
  • Frodo e Sam olham no Espelho de Galadriel. Sam viu o Condado em ruínas e seu pai, o Feitor, desabrigado.
  • A
    partir do momento que Gimli colocou os olhos pela primeira vez na
    Senhora Galadriel, ficou profundamente apaixonado por ela e foi para
    sempre seu campeão.
  • Galadriel deu a cada um da
    Sociedade um presente especial quando saíram das fronteiras de
    Lothlorien. A Frodo foi dado um cristal que continha a luz de uma
    estrela, para ‘ser uma luz em lugares escuros, quando todas as outras
    luzes se apagarem’. A Sam foi dado uma caixa pequena que continha terra
    do jardim de Galadriel. Mesmo se tudo estivesse estéril e perdido
    quando o Sam retornasse ao Condado, o pó de Galadriel faria floresce-lo
    novamente como nos jardins de Lothlórien.
  • Galadriel
    não sabia o que dar a um anão de presente e perguntou a Gimli o que ele
    desejaria. Ele pediu a ela um único fio de seu cabelo dourado, para
    recordar a beleza de Lórien e de sua Senhora e deixou o presente ser
    uma promessa visível da boa vontade entre as Montanhas e os Bosques. Os
    outros Elfos estavam espantados com tal pedido corajoso, mas Galadriel
    riu e deu a Gimli três cabelos dourados.
  • Galadriel deu
    a Aragorn um presente que Arwen enviou para ele como um símbolo de
    esperança; uma grande gema de esmeralda em um broche de prata em
    formato de uma águia. A Pedra Élfica era uma peça de herança Élfica que
    Galadriel havia dado a sua filha Celebrian, que havia dado a sua filha
    Arwen. Aragorn sempre usou a Pedra Élfica, também conhecida como
    Elessar.
  • Quando a Sociedade deixou Lothlórien, Gollum estava se escondendo nos arredores dos Bosques Dourados e viu-os sair.
  • Em
    Amon Hen, Sauron tornou-se ciente de Frodo quando este colocou o anel
    para escapar de Boromir. O Olho começou então a procurar atentamente
    por ele, tentando localizar sua posição. Foi Gandalf que manteve Frodo
    fora de perigo neste momento perigoso persuadindo-o a finalmente
    retirar o Anel. Embora distante naquele momento, Gandalf se tornou
    ciente do perigo, e foi capaz de se comunicar com o Frodo para retirar
    finalmente o anel. Gandalf então distraiu o Olho e o atraiu para longe
    de Amon Hen e da Sociedade.

(Voc̻ sabia que em A Sociedade do Anel . . . Copyright (C) 2004 РPatty Howerton / Skies of Rohan)

 
[tradução de *Aredhel*]

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Você sabia que antes da história começar em A Sociedade do Anel…

Embora os filmes de Peter Jackson sejam representações maravilhosas
do Senhor dos Anéis, os cineastas tiveram que comprimir a história em
muitas maneiras e realizar alterações apropriadas para uma audiência de
cinema. Por causa deste processo, grande parte da informação de fundo e
do desenvolvimento de personagens tiveram que ser deixados fora dos
filmes. As pessoas que somente viram os filmes podem ser surpreendidas
e entusiasmadas ao saber que os livros contêm muito mais informações,
detalhes e histórias sobre seus personagens favoritos. Os seguintes
documentos incluem curiosidades e teasers relacionados à linha da
história e aos personagens que não são encontrados nos filmes da New
Line Cinema do Senhor dos Anéis. É a esperança da Skies of Rohan, que
ao aprender mais detalhes da história, os freqüentadores de cinema
serão instigados a ler os livros que são a fonte dos filmes e descobrir
mais ainda a mágica da Terra-Média.
 
 
 
Você sabia que antes da história começar em A Sociedade do Anel

  • Os
    Anéis de Poder foram feitos há muito tempo por ferreiros Élficos, que
    foram ajudados em sua tarefa por Sauron de Mordor, que nessa época
    ainda era confiado pelos Elfos. Juntos, os ferreiros e Sauron fizeram
    os Nove Anéis para Homens Mortais, os Sete Anéis dos Anões e outros
    poucos Anéis de Poder. Sauron aprendeu bastante em seu auxílio sobre
    como criar os Anéis para secretamente criar o Um Anel, e fazendo com
    que este fosse o Anel Mestre sobre todos os outros. A natureza maléfica
    de Sauron foi revelada no momento em que ele usou o Um Anel pela
    primeira vez.
  • Depois que o Um Anel foi descoberto, o
    chefe dos ferreiros Élficos fez os três Anéis dos Reis Élficos. Os
    Elfos tiveram grande cuidado para manter seus anéis escondidos de
    Sauron e deu-os aos seus Elfos mais poderosos para mantê-los. Sauron
    não tocou em nenhum dos Três Anéis Élficos nem mesmo os viu.
  • O maior Anel Élfico era Vilya,
    o Anel do Ar, possuído pelo Alto Rei Gil-galad. Quando Gil-galad foi
    ferido mortalmente na batalha contra Sauron, deu o Anel do Ar a Elrond
    de Valfenda.
  • O segundo Anel Élfico de Poder, Narya,
    foi mantido por Círdan, o Guardião dos Portos Cinzentos. No começo da
    Guerra do Anel, Círdan deu o Anel do Fogo ao mago Gandalf, sabendo que
    Gandalf necessitaria dele em seus trabalhos de encontro ao mal de
    Sauron.
  • Embora Círdan e Gandalf mantivessem o local de Narya
    em segredo, o mago Saruman tornou-se, conseqüentemente, ciente que
    Gandalf havia sido confiado como guardião do Anel. Saruman invejou
    amargamente o fato de que o Anel tinha sido dado a Gandalf, e não a ele
    mesmo.
  • Galadriel de Lothlórien possuía o terceiro Anel Élfico, Nenya, o anel das águas.
  • Dos sete Anéis dados aos Anões, três foram recuperados por Sauron. Os outros anéis foram tomados e consumidos por dragões.
  • Quanto
    aos nove anéis para homens mortais, Sauron os deu a soberanos dos
    homens nas grandes terras na Terra-Média, dizendo-lhes que os anéis
    lhes concederiam poder e imortalidade. Os nove soberanos eram incapazes
    de abandonar seus anéis, mesmo quando perceberam que Sauron os tinha
    enganado. Incapazes de morrer, transformaram-se em Espectros do Anel, e
    estavam totalmente sob o domínio do Um Anel e tornaram-se os mais
    terríveis servidores de Sauron.
  • Elendil foi o primeiro
    Alto Rei dos reinos de Arnor e Gondor. Foi Elendil que formou a Última
    Aliança dos Homens com o Rei Élfico Gil-Galad na guerra contra Sauron.
  • Narsil,
    a Espada que foi Quebrada, era a espada de Elendil que quebrou debaixo
    dele quando caiu no combate com Sauron. O filho de Elendil, Isildur,
    pegou os restos quebrados de Narsil e cortou o Anel da mão de Sauron. Os fragmentos de Narsil
    eram estimados por todos os herdeiros de Elendil, mesmo quando todos as
    outras heranças foram perdidas. A Espada que foi Quebrada se tornou uma
    lenda e era um símbolo da luta contra Sauron.
  • Todos os
    Elfos que residiam na Terra-Média possuíam a escolha de pegar um navio
    nos Portos Cinzentos e passar através do oceano para a Terra-Élfica no
    Oeste e deixar a Terra-Média para trás para sempre. A maioria dos elfos
    tinha feito isso, no começo da Grande Guerra do Anel. Somente algumas
    comunidades de Elfos ainda permaneceram em Valfenda, Lothlórien,
    Mirkwood e nos Portos Cinzentos.
  • Elrond era casado com
    Celebrían, filha de Galadriel e Celeborn. Elrond e Celebrían tiveram
    dois filhos, Elladan e Elrohir, e uma filha, Arwen Estrela Vespertina.
  • Viajando
    a Lórien para visitar seus parentes um ano, Celebrían e sua escolta
    foram atacados por Orcs e ela foi capturada. Embora fosse salva por
    seus filhos, Celebrían tinha sido extremamente ferida durante seu
    cativeiro. Elrond podia curá-la, mas ela não encontrou mais alegria na
    Terra-Média e pegou um navio nos Portos Cinzentos muitos anos antes da Sociedade do Anel.
  • Elendil
    fundou os Reinos Dúnedain de Arnor no Norte e Gondor no Sul. A linhagem
    Meio-élfica dos Dúnedain os separava de outros homens, dando a eles
    força de caráter e poderes próximos aos Élficos, além de uma
    expectativa de vida mais longa do que outras raças de Homens.
  • Após
    a queda do Reino do Norte de Arnor, os Dúnedain trabalharam em segredo
    como os Guardiões Viajantes do Norte. Apesar de seus números terem sido
    grandemente reduzidos ao longo dos anos, os Guardiões sentiam que era
    sua tarefa continuar a guardar as Terras do Norte de Orcs e outros
    servidores do Senhor do Escuro, independentemente do custo a si mesmos.
  • Aragorn
    tinha somente dois anos quando seu pai foi morto por Orcs. Seu avô
    havia sido morto por Trolls no ano antes do nascimento de Aragorn. Após
    a morte do seu pai, Aragorn foi levado para morar com sua mãe em
    Valfenda, onde estaria protegido pelos Elfos. Elrond tomou o lugar de
    seu pai e passou a amá-lo como um filho. Embora o Senhor do Escuro
    achasse que havia matado todos os herdeiros ao trono, os servidores de
    Sauron nunca pararam de procurar por um herdeiro vivo de Isildur.
  • Para
    manter Aragorn em segurança, sua verdadeira identidade foi mantida
    escondida de todos em Valfenda. Elrond deu-lhe o nome Estel, que
    significava esperança.
  • O Hobbit relata a história de
    Bilbo Bolseiro do Condado, que é levado a uma aventura improvável para
    ser um assaltante para uma companhia de anões e acaba encontrando
    aventura, tesouro, amigos e um pequeno anel mágico.
  • Thorin Escudo de Carvalho, o Rei dos Anões sob a Montanha Solitária,
    encontra-se com Gandalf por acaso na cidade fronteiriça de Bri. Thorin
    conta a Gandalf sobre seus planos para conduzir um grupo de anões em
    uma expedição à Montanha Solitária. A vingança é planejada contra o
    grande dragão Smaug, que havia matado muitos quando tirou os anões de
    sua terra e roubou seus tesouros.
  • Smaug era o último
    dragão vivo na Terra-Média. Gandalf apoiou fortemente a busca de Thorin
    na esperança que Smaug seria destruído. Gandalf também tomou medidas
    extraordinárias para ter certeza que um hobbit de meia idade, com o
    nome de Bilbo Bolseiro, se tornasse parte da companhia.
  • É
    Thorin Escudo de Carvalho, que expressa primeiramente as palavras
    imortais ‘Que os pêlos em seus dedos do pé nunca caiam’, quando se
    encontra com Bilbo pela primeira vez.
  • Bilbo era um
    Hobbit muito respeitável e próspero que era extremamente aficionado por
    conforto e refeições freqüentes. Bilbo viveu sozinho em um bela casa
    (ou toca) chamada Bolsão, que foi construída em uma coluna na
    Vila dos Hobbits. Gandalf foi capaz de persuadir Bilbo para acompanhar
    os anões através de uma combinação de truques e apelos ao senso de
    aventura escondido de Bilbo.
  • O grupo de anões e Bilbo
    começou sua aventura com um encontro quase desastroso com Trolls.
    Depois que os Trolls foram derrotados, Bilbo encontrou uma pequena
    espada élfica nas coisas dos Trolls. A espada brilharia intensamente
    sempre que Orcs estivessem próximos. Bilbo nomeou-a ‘Ferroada‘.
  • Gandalf
    conduz aos anões e Bilbo a Valfenda, onde Bilbo se encontra com Elrond
    pela primeira vez. É plenamente possível que Bilbo pode também ter se
    encontrado com o jovem Estel (Aragorn) nesta época. Aragorn seria então um menino jovem, com aproximadamente dez anos, naquela época.
  • Bilbo
    se separa dos anões em uma caverna durante um encontro com o Orcs nas
    Montanhas Sombrias. Enquanto está vagueando através de um dos túneis
    escuros encontra e pega um pequeno anel de ouro. Por acaso, Bilbo
    descobre que o anel é mágico e o tornará invisível se colocá-lo.
  • Enquanto
    ainda estava perdido nos túneis, Bilbo encontra uma criatura estranha
    chamada Gollum. Gollum perdeu algo precioso e suspeita de Bilbo, mas
    teme a espada Ferroada. Gollum desafia Bilbo para um jogo de adivinhas.
    Embora Bilbo ganhe o jogo de adivinhas, ele somente pode escapar de
    Gollum colocando o anel e tornando-se invisível.
  • Bilbo
    e os anões encontram também os elfos da Floresta das Trevas. O Rei
    Thranduil era extremamente desconfiado dos anões e de suas atividades.
  • Ao
    atacar os Homens de Valle, o dragão Smaug foi finalmente morto por um
    arqueiro. Com a morte de Smaug, um dos maiores medos de Gandalf (que
    Sauron encontraria uma maneira de usar Smaug na grande guerra que
    estava por vir) foi acalmado.
  • Como parte de sua
    recompensa por ajudar os anões a derrotar o dragão, Thorin Escudo de
    Carvalho deu a Bilbo uma cota de malha feito do metal raro mithril. A cota havia sido encontrada e recuperada do tesouro acumulado de Smaug. O mithril havia sido minerado no reino perdido de Moria.
  • Após
    seu retorno inesperado ao Condado, Bilbo foi considerado muito
    excêntrico. Boatos diziam que tinha sacos de ouro e tesouro armazenados
    em seu lar, Bolsão, e que continuava a ter visitas de povos de outras terras, como os anões e o mago Gandalf durante todos os anos.
  • Quando
    Aragorn tinha vinte anos, Elrond revelou-lhe seu nome e herança
    verdadeiros. Nessa época, Elrond deu-lhe o anel de Barahir e os
    fragmentos da espada de Elendil, Narsil.
  • Aragorn
    encontrou-se com Arwen Estrela Vespertina em Valfenda quando era jovem.
    A partir do momento que se encontraram, Aragorn sabia que a amava.
    Quando Elrond percebeu que Aragorn amava Arwen, advertiu Aragorn que um
    grande destino o esperava, ascender aos seus pais ou cair na escuridão.
    Mas até esse tempo, não deveria ter nenhuma esposa nem ligar-se a
    nenhuma mulher. Logo depois disso, Aragorn deixou Valfenda e foi para
    Terras Selvagens para trabalhar na causa contra Sauron.
  • Aragorn
    e o mago Gandalf encontraram-se pela primeira vez e tornaram-se amigos
    alguns anos após Aragorn deixar Valfenda quando jovem. Viajaram juntos
    muitas vezes ao longo dos anos e foram bons amigos.
  • Aragorn
    viajou disfarçado e sob muitos nomes na maior parte de sua vida.
    Durante aqueles anos ele cavalgou com os Rohirrim e também com os
    homens de Gondor, sob o nome de Thorongil. Como Capitão dos Guardiões do Norte, era conhecido como O Dúnadan por muitos. Nas terras fronteiriças adquiriu o nome Passolargo.
  • Como Thorongil, Aragorn foi um grande Capitão de Gondor durante a regência de Ecthelion. Como regente de Gondor, Ecthelion mantinha Thorongil
    em muita estima e considerava-o um grande líder dos homens. Desta
    forma, Aragorn aconselhou Ecthelion para não confiar em Saruman, o
    Branco, mas para acolher preferivelmente Gandalf o Cinzento.
  • Quando
    os piratas Corsários em Umbar provaram ser uma grande ameaça a Gondor,
    Aragorn conduziu seus homens a uma vitória decisiva ao ir para cima da
    frota dos piratas à noite e ao queimar seus navios. Neste momento do
    triunfo, Aragorn enviou a palavra a Ecthelion que outras tarefas o
    aguardavam e que deveria deixar seu serviço. O capitão Thorongil não
    retornou a Minas Tirith e foi visto pela última vez viajando para o
    Leste, para Mordor.
  • Houve muito desânimo na Cidade
    quando o Capitão Thorongil não Retornou, à exceção de Denethor, o filho
    de Ecthelion. Denethor era um homem orgulhoso que nunca gostava de
    ficar em segundo lugar a Thorongil nos corações dos homens e na estima
    de seu pai.
  • Havia também pouco amor entre Gandalf e
    Denethor, e quando Denethor sucedeu à Gerência logo após a partida de
    Thorongil, ele tinha pouco acolhimento para Gandalf em Minas Tirith.
  • Aragorn
    encontrou-se novamente com Arwen trinta anos após seu primeiro
    encontro. Aragorn havia estado em perigo na borda de Mordor, e ao
    retornar a Valfenda, parou em Lothlórien para descansar. Arwen também
    estava visitando ali por um momento. Durante sua estada em Lothlórien
    passaram muito tempo juntos, e ao final de sua estada, firmaram o
    compromisso de sua fidelidade e Arwen havia feito sua decisão para
    viver uma vida mortal.
  • Como neta de Galadriel e filha
    de Elrond, Arwen era considerada um grande tesouro de seus povos, e era
    da mais elevada linhagem Élfica. Quando Elrond aprendeu que Arwen e
    Aragorn haviam prometido seu amor um ao outro, disse a eles que
    concordaria em deixá-los se casar somente se Aragorn retomasse o trono
    de Gondor e Arnor e fosse coroado como Alto Rei.
  • Ao
    longo de todos os longos e perigosos anos enquanto Aragorn viajava
    sozinho ao Leste e profundamente ao Sul, Arwen o vigiava de longe em
    Valfenda.

(Antes da história começar em A Sociedade do Anel. . . Copyright (C) 2004 – Patty Howerton / Skies of Rohan)
 
[tradução de *Aredhel*] 
 

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Lista de Fatos sobre Elladan e Elrohir

Resumo: Quase todas as peças de informação do cânon tolkieniano
disponíveis a respeito dos filhos gêmeos de Elrond, Elladan e Elrohir.
Spoilers dos livros.

Aviso Legal: Estes personagens
e Terra-média são propriedade do Tolkien Estate e este ensaio de
não-ficção não pretende infringir os direitos autorais de forma alguma.

Obrigada a uma leitora chamada Claris por apontar uma
descrição física que foi adicionada ao Segundo parágrafo, e a outro
leitor que sugeriu a quebra em porcentagens da herança dos gêmeos.
Opiniões são bem-vindas em [email protected].

 
 
 
Quem são Elladan e Elrohir?

São
os filhos gêmeos idênticos de Elrond o Meio-elfo e Celebrían, a filha
de Galadriel e Celeborn. Isso os torna basicamente ¼ humanos, ¾
élficos. Arwen é a irmã deles. São personagens periféricos em O Senhor dos Anéis.

Há três descrições físicas deles no cânon de Tolkien. A mais detalhada
é a deles como: “… dois homens altos, nem jovens nem velhos. Eram tão
parecidos, os filhos de Elrond, que poucos conseguiam distingui-los;
cabelos escuros, olhos cinzentos, e suas faces belas como as de elfos,
vestidos de forma parecida em malha brilhante sob capuz de
cinza-prateado.” (A Passagem da Companhia Cinzenta, RdR). As duas outras descrições são fornecidas em sua íntegra na Linha do Tempo.

São Elfos?

Um dos pontos mais sutis em SdA
é o fato de os filhos de Elrond receberem uma identidade racial limiar
e excepcional, que é a de serem, literalmente, filhos de Elrond. Os
filhos de Elrond têm o seguinte destino, ligado ao de Elrond: “Enquanto
eu residir aqui, ela (Arwen) viverá com a juventude dos Eldar, e quando
eu partir, ela irá comigo, se assim ela escolher.” RdR Apêndice
A. Se Arwen permanece na Terra-média depois que Elrond partir, ela
escolhe tornar-se mortal e morrer. Uma afirmação citada mais tarde na
Linha do Tempo deixa claro que isso também se aplica a Elladan e
Elrohir, embora fique implícito que eles podem “adiar sua escolha”.

Tolkien também destaca que Elrond tinha “ancestrais mortais e Élficos
em ambos os lados; Tuor no lado de seu pai, Beren no de sua mãe”.
Cartas, #211. Ele parece ter ficado um pouco confuso entre Elladan e
Elrohir e Elrond aqui; os gêmeos são cerca de ¼ humanos, uma vez que
sua mãe, Celebrían, era a filha totalmente Elfa de Galadriel e Celeborn.

Um leitor astuto apontou que a herança de Elladan e Elrohir é
complicada pela ancestral Lúthien, sua trisavó. Lúthien era ½ Elfa e ½
espírito divino chamado Maia nos mitos de Tolkien. Portanto,
estritamente falando, Elladan e Elrohir são 73.5% élficos, 23.5%
humanos, e 3% Maiar. Outro leitor astuto forneceu as peças da história
familiar dos dois, que leva à essa conclusão; clique aqui para ler.

Tolkien é muito cuidadoso ao longo de O Senhor dos Anéis para não se
referir a Elladan e Elrohir como Elfos. Em vários lugares (anotados na
Linha do Tempo) eles estão distintamente NÃO-agrupados com Legolas
quando se fala de assuntos ou habilidades élficos. Ele sentem o temor
das Sendas dos Mortos; eles não vêem um Nazgûl voando por sobre suas
cabeças quando Legolas consegue. Também não se refere a eles como
Homens/humanos.

O que seus nomes significam?

De maneira muito fortuita, Tolkien traduziu os nomes deles em uma de
suas Cartas, apontada na coleção de suas cartas como Carta 211
endereçada a Rhona Beare. A tradução foi feita para responder à
seguinte pergunta de Rhona “Quando é que El- significa ‘elfo’ e quando
significa ‘estrela’?”

Elrohir = cavaleiro élfico.
Também é possível traduzi-lo como cavaleiro da estrela, o que seria
simpático, mas não há evidência de que Tolkien queria essa tradução.

Elladan
= homem élfico. Isso parece tedioso até analisarmos o significado
etimológico da palavra “dan”. Estritamente falando, significa “homem”.
Em uso, significa Númenoriano, homem avançado, homem sábio, como em
Dúnedain. Há também uma superposição com a palavra “dan” significando
“artesão ou artífice”. (Círdan [nome no singular, artesão de barcos ou
armador] Mírdain [nome no plural, artesãos de jóias]). Portanto, o que
está implícito aqui é o tipo de homem mais elevado, mais culto – um
homem de tradição e habilidade e idéias significantes no universo de
Tolkien.

A Linha do Tempo dos Gêmeos:

Segue aqui uma lista de cada aparição ou evento significativo relacionado a Elladan e Elrohir, em ordem cronológica.

SEGUNDA ERA

Em algum momento da Segunda Era:
Elrond vê Celebrían pela primeira vez e se apaixona por ela. Os Elfos
estão no meio de sua Guerra contra Sauron; ele não diz nada a ela
naquele momento.

Ano 3441: A Guerra da Última Aliança parece ser o fim de Sauron.

TERCEIRA ERA

Ano 100: Nessa época de paz, Elrond e Celebrían se casam.

Ano 139: Elladan e Elrohir nascem. Não há menção sobre a ordem de seu nascimento.

Ano 241:
Arwen nasce. Ou seja, Elladan e Elrohir eram completamente adultos
quando ela nasce. Elfos tornam-se adultos entre 50 e 100 anos, e eles
têm 135 anos naquela época.

2.268 anos passados.
Presumidamente Elladan e Elrohir aprenderam artes da Guerra e tradições
humanas e élficas, tornando-se guerreiros maduros e habilidosos.

Ano 2509:
O tormento e captura de Celebrían. Viajando para Lórien, Celebrían
sofre “emboscada no Passo do Chifre Vermelho, e recebe um ferimento
envenenado”. É levada e torturada nos covis dos orcs. Elladan e Elrohir
resgatam-na.

Ano 2510:[i] Elrond cura Celebrían, mas
ela, ainda “sob uma grande nuvem de medo”, parte para além-Mar. Elladan
e Elrohir começam a caçar orcs. Note-se que não é mencionado que eles
tenham feito qualquer juramento a respeito disso – eles apenas os caçam.


[i]Ano 2511:
Elladan e Elrohir ajudam o povo que se tornarão os Homens de Rohan numa
batalha contra orcs. Note-se que Rohan ainda não existe; este reino se
estabelece logo depois desta batalha. O relato completo está a seguir:

“Mas na dianteira do ataque eles viram dois grandes cavaleiros,
vestidos de cinza, diferentes de todos os outros, e os Orcs fugiram
diante deles; mas quando a batalha foi vencida eles não puderam ser
encontrados, e ninguém sabia de onde tinham vindo e para onde foram.
Mas em Valfenda foi registrado que eram os filhos de Elrond, Elladan e
Elrohir.” Peoples of Middle-Earth, Criando o Apêndice A.

Vejam que eles são descritos como “grandes” no sentido de imponentes, altos, fortes. O próprio Elrond é descrito em O Hobbit
como “poderoso entre Elfos e Homens”. Pode-se deduzir a partir disto
que os gêmeos eram fisicamente mais robustos que a maioria dos Elfos.

Ano 2511 até 3019: anos de jornadas de Elladan e Elrohir. Fica implícito que eles se tornaram mais próximos dos Dúnedain durante esta época.

Ano 2933:
O pai de Aragorn, Arathorn, “saiu cavalgando contra Orcs com os Filhos
de Elrond, e foi morto por uma flecha de orc que perfurou seu olho”.
Aragorn tem dois anos de idade na época. Apêndice A de RdR.

Anos 2940 – 2951:
Os gêmeos ensinam o jovem Aragorn a caçar orcs e outras habilidades na
selva. Eles não mencionam nem uma vez a respeito da irmã deles para
Aragorn naquela época, presumidamente devido a uma proibição por parte
de Elrond. Conforme se nota no Apêndice A de RdR, “Aconteceu que ele (Aragorn) retornou para Valfenda depois de grandes feitos na Companhia dos Filhos de Elrond…”

Ano 3018: A história de O Senhor dos Anéis começa. Elladan e Elrohir têm 2988 anos de idade.

24 de outubro: “Muitos Encontros”, SdA.
Aragorn não participa do banquete para celebrar a recuperação de Frodo
porque “Elladan e Elrohir retornaram dos Ermos sem serem esperados, e
tinham notícias que eu queria ouvir imediatamente.”

25 de outubro: “O Conselho de Elrond,” SdA.
Começa o Conselho de Elrond. Note-se que NÃO se menciona que Elladan ou
Elrohir estão presentes, embora estejam em Valfenda naquele momento.
Jamais se menciona por que Elladan e Elrohir não se juntam à Comitiva.

Novembro-Dezembro:
Depois do Conselho, Elladan e Elrohir cavalgam para Lórien com notícias
sobre o Portador do Anel e sua demanda, e depois retornam. Essa é uma
viagem de vai-e-volta que dura dois meses. “Os filhos de Elrond,
Elladan e Elrohir, foram os últimos a retornar; haviam feito uma grande
jornada, passando o Veio de Prata até uma terra estranha, mas sobre sua
incumbência não falaram nada a ninguém, exceto Elrond.” SdA, “O Anel Vai Para o Sul”.

Ano 3019: A história de O Senhor dos Anéis continua.

Fevereiro-Março:
Quando os Dúnedain se dirigem ao sul para ajudar Aragorn, Elladan e
Elrohir se juntam a eles. Eles se encontram novamente em Rohan em 6 de
março. Eles se reúnem a Aragorn no capítulo de RdR “A Passagem
da Companhia Cinzenta”, introduzidos por Halbarad: “Os irmãos Elladan e
Elrohir cavalgaram conosco, desejando ir para a guerra”. Temos as
seguintes descrições deles: “… disse Legolas, ‘E você notou os irmãos
Elladan e Elrohir? Seus trajes são menos sombrios do que os dos outros,
e são belos e elegantes como Senhores Élficos; e isso não é de se
admirar nos filhos de Elrond de Valfenda.'”

8 de março: Os gêmeos unem-se a Aragorn durante a Guerra do Anel. Elrohir diz a Aragorn, “Trago-lhe uma mensagem de meu pai: Os dias são curtos. Se estás com pressa, lembra-te das Sendas dos Mortos.
Eles cavalgam com Aragorn nas Sendas dos Mortos. Nas Sendas dos Mortos,
Elladan carrega uma tocha e caminha atrás de todos; fica ao lado de
Aragorn enquanto este examina um cadáver. Note-se que Elladan e Elrohir
sentem o medo dos Mortos, enquanto que o totalmente elfo Legolas não.
“Não havia um coração entre eles que não tenha estremecido, exceto o
coração de Legolas dos Elfos, para quem os mortos não têm terror.”
Elladan tem estas linhas melancólicas: “Sim, os Mortos vêm atrás de
nós. Eles foram convocados”, e ele responde à questão de Gimli sobre em
que lugar estão, dizendo, “Descemos das cabeceiras do Morthrond, o rio
longo e frio que… banha os muros de Dol Amroth. De agora em diante
você não precisa perguntar a razão de seu nome; Raiz Negra os homens o
chamam”. Na Pedra de Erech, Elrohir dá a Aragorn uma corneta de prata,
que Aragorn toca para convocar os Mortos.

15 de março: RdR
capítulo “A Batalha dos Campos do Pelennor”. Na Batalha do Pelennor, às
portas de Minas Tirith, cita-se que os gêmeos estão presentes, “Elladan
e Elrohir com estrelas em sua fronte”, e, presumidamente, atacando sem
dó.

16 de março: RdR capítulo “O Último Debate”.
Elladan e Elrohir participam de um conselho dos senhores da Guerra após
a Batalha do Pelennor. Segunda fala de Elrohir: “Viemos do norte com
esse propósito, e de Elrond, nosso pai, trouxemos exatamente esse
conselho. Não recuaremos.”

18 – 25 de março: RdR
capítulo “O Portão Negro se Abre”. Eles cavalgam com Aragorn até o
Portão de Morannon em Mordor para seu desafio corajoso, junto com os
Dúnedain. Note-se que Tolkien diferencia Elladan e Elrohir de Legolas
novamente; Legolas consegue ver os Nazgûl sobre suas cabeças, mas os
gêmeos não conseguem. “Eles (os Nazgûl) ainda voavam alto e fora do
campo de visão de todos exceto Legolas…”

8 de abril: RdR
capítulo “O Campo de Cormallen”. Frodo desperta depois de seu
sofrimento e há celebrações em sua honra e de Sam no Campo de
Cormallen. Elladan e Elrohir têm seus nomes gritados pelo menestrel nas
comemorações – mas novamente de uma forma que não os associa com o
totalmente elfo Legolas. “e Cavaleiros de Rohan, e vós, filhos de
Elrond, e Dúnedain do norte, e Elfo e Anão…”

8 de maio: “Éomer e Éowyn partem para Rohan com os filhos de Elrond”. Conto dos Anos, RdR.

14 de junho:
O gêmeos encontram “a escolta de Arwen�, que inclui Elrond, Galadriel,
e Celeborn, e retornam a Gondor. Em 16 de junho param em Edoras, Rohan.

1 Lite (Julho):
O grupo chega a Gondor. Elladan e Elrohir estão na dianteira. “Na
frente cavalgavam Elladan e Elrohir com uma bandeira de prata…” No
dia seguinte, Dia do Meio do Ano, Arwen casa-se com Aragorn. O Regente
e o Rei, RdR.

19 de julho: Com o cortejo fúnebre de Théoden, e na companhia de Elrond, Gandalf e o restante da Sociedade, os gêmeos deixam Gondor.

22 de setembro: Os gêmeos retornam para Valfenda com o resto da comitiva.

Ano 3021: Os filhos de Elrond permanecem em Valfenda quando Elrond atravessa o Mar. A história de O Senhor dos Anéis termina.

QUARTA ERA

Ano 5?:
Celeborn une-se a eles em Valfenda. “Mas após a partida de Galadriel,
em poucos anos Celeborn ficou cansado de seu reino e foi para Imladris
morar com os Filhos de Elrond”.

Ano 17: Elladan e Elrohir visitam o Rei Elessar e a Rainha Arwen no Lago Vesperturvo. A família de Samwise também vai. (Fim da Terceira Era, epílogo não-publicado de Tolkien para RdR.)

?????
Não se faz nenhuma menção ao destino final deles. Nenhuma. “O fim de
seus filhos, Elladan e Elrohir, não é contado; eles adiam sua escolha,
e permanecem por um tempo.” Cartas, #153. É deixado para o leitor decidir se eles atravessaram o Mar ou se tornaram mortais e morreram na Terra-média.

Eles estiveram no filme A Sociedade do Anel?

Ah, o grande debate. Em várias discussões, os fãs de cinema
identificaram cada elfo de cabelos escuros na cena do Conselho de
Elrond como sendo Elladan e/ou Elrohir. As coisas ficam confusas devido
ao fato de que dois Elfos de cabelos escuros estão sentados em ambos os
lados de Elrond em cadeiras de honra durante o Conselho, mas dois Elfos
de aparência diferente vêm com Arwen para dizer adeus à Sociedade
(Fotos publicitárias especiais da National Geographic). Alguns dizem
que os Elfos sentados ao lado de Aragorn são os gêmeos.

Provavelmente é seguro supor que os dois Elfos na cena do Conselho
sejam Elladan e Elrohir. Qual é qual, e se vão ou não aparecer nos
outros filmes (N. da T.: Este texto foi feito antes do lançamento dos
outros dois filmes), ainda não se sabe. Nota Posterior: Peter
Jackson disse especificamente que Elladan e Elrohir estão “caçando
fora” na época do Conselho de Elrond e, portanto, não fazem parte da
cena. Se você revisar a Linha do Tempo aqui, verá que no livro eles
estavam em Valfenda durante a época em que o Conselho de Elrond
aconteceu, mesmo que por um curto pedaço de tempo.

Por que os fãs se importam?

Fãs escreveram bem mais a respeito dos Filhos de Elrond do que o
próprio Tolkien, e o resultado são várias interpretações diferentes de
Elladan e Elrohir. São românticos no sentido clássico da palavra; há um
sentimento de grande tragédia em torno deles, eles se importam
profundamente com sua mãe, irmã e amigos, são misteriosos e fisicamente
atraentes. Nada sugere que sejam particularmente devotados um ao outro,
exceto pelo fato de que jamais são, em nenhum momento, mencionados
separadamente.

Fontes de Informação:

A Sociedade do Anel (SdA), J.R.R. Tolkien, Ballantine Books, 1954.

The End of The Third Age, Volume 14 de The History of Middle Earth, J.R.R. Tolkien, editado por Christopher Tolkien. Houghton Mifflin Co, 1997.

The Letters of J.R.R. Tolkien, J.R.R. Tolkien, editado por Humphrey Carpenter. Houghton Mifflin Co., 1995.

The Peoples of Middle-Earth, Volume 12 de The History of Middle Earth, J.R.R. Tolkien, editado por Christopher Tolkien. Houghton Mifflin Co, 1996.

O Retorno do Rei (RdR), J.R.R. Tolkien, Ballantine Books, 1955.

O Silmarillion, J.R.R. Tolkien, Ballantine Books, 1977.

A �rvore Genealógica de Elladan, Elrohir e Arwen:

A história da família de Elladan e Elrohir, e de sua irmã Arwen, é a
que segue. Foi providenciada por outra leitora astuta, Vikki. Uma vez
que as pessoas sempre fazem perguntas sobre isso, aqui está…todos
estes dados podem ser vistos em forma de árvore em O Silmarillion. As partes mais complicadas de sua ancestralidade são recontadas abaixo.

Trisavós:
Lado Paterno:
Beren: 100% Homem
Luthien: 50% Elfa (Sindarin), 50% Maia
Seu único filho é Dior.

Bisavós:
Lado Paterno:
Dior: 50% Homem, 25% Elfo (Sindar), 25% Maia
Nimloth: 100% Elfa (Sindar)
Eles têm filhos gêmeos e uma filha; apenas a filha, Elwing, sobrevive ao ataque a Doriath.
Enquanto isso, em Gondolin:
Tuor: 100% mortal (filho de Huor)
Casa com a 100% Noldorin Idril (filha de Turgon e Elenwë)
O filho deles é Eärendil.

Avós:
Lado Paterno:
Elwing: 25% Humana, 62.5% Elfa (Sindar), 12.5% Maia
Eärendil: 50% Humano, 50% Elfo (Noldorin)
E seus filhos são os gêmeos Elrond e Elros. Presenteados com uma
escolha pelos Valar, Elros escolhe tornar-se mortal e inicia a Linhagem
dos Reis. Elrond escolhe tornar-se totalmente Elfo.
Lado Materno:
Galadriel: ¼ Vanyarin, ¼ Noldorin (pai, Finarfin), e ½ Telerin (mãe, Eärwen de Alqualondë).
Celeborn: 100% Sindar e sem dúvida com muito orgulho. Não há
informações sobre seus pais, embora cite-se que ele tinha parentesco
com o rei Sindarin Thingol.
Sua filha é Celebrían.

Pais imediatos:
Pai: Elrond, 37.5% mortal, 31.25% Elfo (Sindar), 25% Elfo (Noldorin), e 6.25% Maia.
Mãe: Celebrían, inteiramente elfa, 1/8 Noldorin, 1/8 Vanyarin, e ¾ Sindarin.

O que nos leva a:
Elladan, Elrohir, e Arwen. 3/16 mortais, 25/32 Elfos e 1/32 Maia.

 
[tradução de Claurelin] 

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Tolkien e Chivalry

[¹ “Chivalry” é um termo ambíguo em inglês, que pode significar tanto
“regras da cavalaria” e “cavalaria” quanto “cavalheirismo” ou
“bravura”, que era uma característica considerada altamente importante
na Idade Média. Dessa forma, optamos por traduzir por uma ou outra
forma dependendo do contexto da frase, uma vez que optar por uma só
tradução ao longo de todo o texto eliminaria o segundo sentido da
palavra. Que fique então claro para o leitor que no inglês, a palavra
“chivalry” tem um sentido bem mais amplo do que no português. N. da T.]
 
 
 
1. Tolkien e Chivalry hoje

Muitas
pessoas pensam em cavalheirismo e regras da cavalaria como um conceito
que vem dos contos de espadas, cavaleiros e magia da Idade Média.
Ironicamente, no entanto, uma das mais conhecidas histórias de espadas
e magia não vem da Idade Média de forma alguma, mas sim do século XX. O
Senhor dos Anéis, escrito por J.R.R. Tolkien, surgiu na década de 1950,
e desde a sua publicação a obra tem sido responsável por introduzir uma
nova geração inteira (ou, mais perto da verdade, várias novas gerações)
para um ideal de heroísmo e cavalaria que seria muito familiar para os
povos da Europa medieval.

Hoje, à medida que os leitores
descobrem e redescobrem a maravilhosa história de O Senhor dos Anéis,
tomemos alguns minutos para considerar as lições de cavalheirismo que
são encontradas nesse livro. Críticos da obra freqüentemente alegam que
O Senhor dos Anéis é simplista e enfadonho; muitos disseram que não é
nada mais do que uma elaborada história de ninar. Isso, no entanto, é
uma infeliz tentativa de atribuir a O Senhor dos Anéis uma aura de
sofisticação moderna e nuance contemporânea que, caso fosse verdade,
estaria totalmente fora de lugar em uma obra assim. A história de
Tolkien é tão sofisticada quanto cheia de nuances, mas são qualidades
que remetem a outra era.

A história da batalha pela
Terra-média escrita por Tolkien é claramente um esforço para introduzir
os leitores de hoje à uma maravilhosa tradição literária das sagas
épicas medievais. O exército de Aragorn enfrentando as hordas de Mordor
diante do Portão Negro traz à mente a imagem de Rolando em sua última
resistência em Roncevaux; o Conselho de Elrond em Valfenda tem uma
marcante semelhança com a reunião dos Cavaleiros da Távola Redonda; e a
batalha de Frodo com Laracna contém elementos da derrota da monstruosa
mãe de Grendel por Beowulf.

Mas a comparação não deveria ficar
restrita aos detalhes do roteiro da história — há também um rico senso
de cavalheirismo e virtudes de cavaleiros em O Senhor dos Anéis.
Aragorn, último herdeiro do trono de Gondor, sente o peso de seu dever
tanto quanto Rei Arthur sentiu, e ele põe de lado seus desejos pessoais
próprios a fim de servir seu povo, que precisa dele. Sam é a própria
imagem da lealdade, e ele é tão fiel ao homem que segue quanto Conde
Oliver eram em relação à Rolando. Galadriel, com graça e generosidade,
oferece inspiração ao Portador do Anel tão bem quanto Guinevere fez aos
cavaleiros buscando o Santo Graal. E a coragem e força de Éowyn, que se
equiparam às da leal Brunhilde, deveriam ser fortes o suficiente para
banir qualquer mito de que o Código da Cavalaria não se aplica às
mulheres.

De fato, O Senhor dos Anéis é tudo que uma
história de ninar deveria ser — é uma inspiradora lição sobre
cavalheirismo e honra que irá reafirmar a necessidade das Virtudes da
Cavalaria no coração de qualquer um que a ler, sejam jovens ou velhos.
Tolkien claramente tinha grande respeito pela tradição do cavalheirismo
e cavalaria tanto na literatura quanto na sociedade, e seus livros
podem ser uma fabulosa introdução ao mundo de heroísmo e cavaleiros em
armaduras reluzentes.

2. O Anel e as Virtudes do Cavaleiro

A revista “Time” recentemente publicou um artigo comentando a respeito
da súbita explosão de popularidade de O Senhor dos Anéis no novo
milênio. Embora os livros de Tolkien sempre tenham tido fortes
seguidores, a “Time” teorizou que a popularidade aumentada do gênero de
fantasia na mídia deve-se ao nosso desejo por tempos mais simples,
quando tudo era preto e branco, e os “mocinhos” podiam ser facilmente
distinguidos dos “vilões”. No fim, o artigo da “Time” criticava
levemente qualquer um que tivesse sido levado a acreditar que a vida
podia ser tão simples quanto era na Terra-média.

Embora a
história de O Senhor dos Anéis possa parecer simples na superfície, há,
na verdade, muita complexidade. O Anel do Poder, que está no coração do
conflito da história, tem um efeito em cada personagem que entra em
contato com ele. Cada um deles é tentado pela grande magia que o Anel
representa, embora jamais se esclareça se essa tentação vem do Anel ou
de dentro dos próprios personagens.

No entanto, a implicação é
que até mesmo a pessoa mais virtuosa é vulnerável à tentação. O Anel
traz à tona tudo que é o oposto ao cavalheirismo e bravura – covardia,
cobiça e vaidade.

Talvez Tolkien estivesse fazendo uma
declaração a respeito da natureza humana. Nesse caso, é uma declaração
que seria bastante familiar aos cavaleiros da Idade Média lutando para
fazer valer o Código da Cavalaria: nenhum de nós deveria dar a virtude
por certa. Devemos estar sempre vigilantes contra os inimigos do
cavalheirismo, e o maior destes inimigos vive dentro de nossos próprios
corações.

É interessante notar que, com o passar das eras,
críticos também alegaram que o Código da Cavalaria é simplista e
idealista. Mas as simples virtudes do código dos cavaleiros, como a
história “simples” de O Senhor dos Anéis, escondem uma complexidade
muito mais profunda que dão tanto ao cavalheirismo quanto a Tolkien uma
recém-descoberta relevância no mundo do século XXI.

3. Frodo e Coragem

Embora O Senhor dos Anéis tenha várias semelhanças com as sagas épicas
da Idade Média, o livro se separa de suas contrapartidas medievais em
um aspecto: os romances cavalheirescos de antigamente sempre traziam um
cavaleiro ou guerreiro poderosos como seu protagonista. Em O Senhor dos
Anéis, contudo, o herói é um Hobbit — um personagem humilde e até mesmo
tímido que não tem amor pela glória, e que preferiria muito mais um
generoso café-da-manhã do que partir em uma jornada épica.

Diferentemente de Galahad, Rolando ou Beowulf, Frodo Bolseiro
representa o “homem comum” universal. Embora ele possa sonhar acordado
com maravilhas distantes e grandes aventuras, sua vida é preenchida
pelos detalhes de cuidar de seu jardim e lida com vizinhos e parentes.
Isso significa que ele não pode ser um herói?

Similarmente,
cada um de nós pode fantasiar a respeito de salvar o mundo, ou combater
o mal, ou governar um reino mítico, mas provavelmente temos bem mais
coisas em comum com Frodo do que temos com Gandalf ou Aragorn; cuidamos
todos os dias de nossos negócios, lidamos com nossos vizinhos e amigos,
e nos perguntamos o que haverá para o café amanhã de manhã. Mas isso
significa que não podemos ser heróis?

Ao fazer essa pergunta,
descobrimos que O Senhor dos Anéis atravessou o reino da cavalaria hoje
em dia. Há trabalhos desagradáveis, difíceis e assustadores que devem
ser feitos todos os dias, e nós, como Frodo, devemos estar dispostos a
realizar as tarefas que recaem sobre nós, não porque nos trarão glória
ou riquezas ou títulos, mas simplesmente porque elas precisam ser
feitas. É disso que coragem e cavalheirismo tratam. É isso que torna
alguém um cavaleiro numa armadura reluzente.

Este é o curso
dos atos que movem as rodas do mundo: pequenas mãos os realizam porque
devem, enquanto os olhos dos grandes estão em outra direção.

Apenas uma das várias declarações escritas por J.R.R. Tolkien que nos
fazem lembrar porque O Senhor dos Anéis é um verdadeiro clássico, e um
grande lembrete da necessidade do cavalheirismo hoje em dia.

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Eu Acredito em Duendes!!

Quando li O Hobbit pela primeira vez (numa velha
edição de bolso publicada em 1973 pela Ballantine Books, NY), poderia
jurar que vi um duende.
 
 
 

Não. Não apenas um: um monte deles, na verdade.

 

Uma porção de duendes simplesmente brotou da pedra lá pelo capítulo
Over hill and under hill, deixando praticamente sem reação Bilbo e a
comitiva de anões.

 

“Out jumped the goblins, big goblins, great ugly-looking goblins, lots of goblins, before you could say rocks and blocks”..

 

Sim, eram
duendes. Eles tinham uma cidade subterrânea, e aprisionaram Bilbo e
seus companheiros. Eram descritos como cruéis, malvados, pervertidos e
engenhosos. Eram habilidosos com túneis e mineração, embora
desorganizados e sujos. Gostavam muito de rodas, motores e explosões,
como também de não trabalhar com as mãos além do estritamente
necessário, não sendo – aliás – improvável que tivessem inventado
algumas das máquinas que desde então perturbaram o mundo, especialmente
os instrumentos criados para matar um grande número de pessoas de uma
só vez.

 

Foi nas
profundezas da cidade dos duendes sob as Montanhas Nevoentas que Bilbo
encontrou Gollum. Foi de lá que Bilbo escapou espetacularmente,
trazendo o Um Anel de volta para a superfície. No entanto, tempos
depois, quando reli o mesmo capítulo (Montanha acima, montanha
adentro), numa edição traduzida para o português (a segunda edição da
Martins Fontes, de 1998), os duendes haviam sumido. Em seu lugar…

 

“Da
fenda saltaram os orcs, grandes orcs, grandes e horríveis orcs, um
monte de orcs, antes que alguém pudesse dizer rocha e tocha”.

 

Orcs?!? E onde foram parar os duendes?

 

Se não se pode descobrir para onde foram, uma ligeira consulta ao
Letters of J. R. R. Tolkien nos dá ao menos uma boa noção a respeito de
onde eles vieram:

 

Conforme
as cartas 131, 144 e 151, o termo “goblin” (duende) foi emprestado por
Tolkien da tradição européia (especialmente dos duendes das histórias
de George MacDonald), de onde também, conforme confessa na carta 144,
teria vindo a própria idéia de um povo (ou raça) com tais
características.

 

Há
que se reconhecer que, no contexto da obra, conforme Tolkien explica na
carta 151, a palavra “duende” foi usada em O Hobbit (que, dentro do
legendarium, é um livro escrito por Bilbo) como uma tradução na Língua
Geral (tal como usada pelos hobbits) de um termo em Sindarin: “orc”
(plural “yrch”).

 

Mas
a riqueza da questão não se esgota aí. Essa é apenas a explicação
imaginada pelo autor para justificar, dentro da obra, uma variação
terminológica (duende/orc) que se explica (em última análise) fora
dela: Tolkien não convivia bem com a idéia de ter simplesmente
emprestado o termo duende das histórias tradicionais européias, sem
fazer modificações. Conforme justifica na carta 151, os duendes das
suas histórias já não eram “duendes”, tais como os das histórias
tradicionais européias. Tinham características próprias que os
diferenciavam até mesmo dos duendes de George MacDonald (embora ainda
fossem em muitos aspectos a eles assemelhados).

 

Como não eram simples duendes, passaram a ser… “orcs”.

 

Esse
novo termo (fruto do gosto pessoal do Professor) foi criado para
libertar os duendes de Tolkien do arcabouço lendário tradicional,
naturalmente relacionado aos “duendes” pelo imaginário europeu. Tolkien
chegou a cogitar (ainda na carta 151) que o mesmo artifício poderia ter
sido utilizado com proveito em relação ao termo “elfos”, cujo
significado ancestral e original embora suficientemente compatível com
as criaturas a que se refere o legendarium tolkieniano, havia sido
imperdoavelmente desfigurado por Sheakespeare.

 

Mas, voltando aos duendes… embora a explicação oficial dentro do
contexto da obra (carta 151) seja de que “duende” é tradução em Westron
da palavra “orc” (termo em Sindarin), uma pitoresca passagem de O
Senhor dos Anéis não permite que o exame do assunto se esgote
tranqüilamente:

 

No
capítulo “A Partida de Boromir” em “As Duas Torres”, Aragorn vasculha
uma repugnante pilha de cadáveres à procura de respostas. Em meio a
armas chamuscadas e membros incinerados de orcs derrotados pelos
cavaleiros de Rohan, Passolargo se depara com um estranho enigma:

 

 

“E
Aragon olhou para os mortos, e disse: РAqui esṭo muitos que ṇo ṣo
do povo de Mordor. Alguns são do Norte, das Montanhas Nevoentas, se é
que sei alguma coisa sobre orcs e suas espécies”.

 

Mais adiante, já no capítulo “Os Uruk-hai”, Pippin tem um vislumbre do que pode ser a chave para completar o quebra-cabeças.

 


“In the twilight he saw a large black Orc, probably Ugluk, standing
facing Grishnakh, a short crook-legged creature, very broad and with
long arms that hung almost to the ground. Round them were many smaller
goblins. Pippin supposed that these were the ones from the North. They
had drawn their knives and swords, but hesitated to attack Ugluk.”

 

Em português:

 

“No
crepúsculo, Pippin viu um orc negro e grande, provavelmente Úgluk, em
pé e encarando Grishnákh, uma criatura de pernas curtas e tortas, muito
entroncada e com longos braços que chegavam quase até o chão. Em volta
deles estavam muitos duendes menores. Pippin imaginou que estes eram os
do norte. Estavam empunhando facas e espadas, mas hesitavam em atacar
Úgluk”.

 

Mas, aqui também, a tradução brasileira infelizmente falhou. E continuou seguindo à risca o lema “eu atropelo duendes”.

 

Na quarta tiragem da primeira edição de O Senhor dos Anéis da Martins
Fontes (a edição brasileira que eu possuo), o termo “goblin” (duende),
que aparece em alguns lugares (inclusive o trecho transcrito acima),
foi sistematicamente (mal) traduzido como “orc”.

 

Grishnákh
é descrito várias vezes no texto original (na língua inglesa) de As
Duas Torres como um “goblin”. Mas para a edição brasileira, ele é
sempre um orc.

 

Se é verdade que, a rigor, um duende não deixa de ser um orc dentro da
lógica das histórias de Tolkien, mesmo assim não se pode dizer que a
simplificação foi inocente e inócua. Ela trouxe prejuízos à compreensão
do texto, e no mínimo, privou o púbico de um particular aspecto da
riqueza vocabular da obra original.

 

Seja
qual for a razão que impele os tradutores a suprimirem a distinção, a
sua obstinada caça aos duendes, infelizmente, ainda não acabou.
Tomou-se o cuidado de atropelar também uma das únicas ocorrências do
termo “goblin” na edição brasileira de “The Book of Unfinished Tales”.

 

Para
a edição brasileira de Contos Inacabados, o amigo feioso de Bill
Samambaia é “muito parecido com um orc”. Na versão original na língua
inglesa “He looks more than half like a goblin.”

 

Pelo que se vê, para os tradutores das obras de Tolkien no Brasil, orcs e duendes definitivamente são a mesma coisa.

 

Mas
se Aragorn de fato sabia alguma coisa sobre orcs e suas espécies,
Grishnákh e seus rapazes não eram simplesmente orcs. Eram duendes. Orcs
de uma particular espécie que vivia nas Montanhas Nevoentas.

 

Entre os tradutores e o Rei, eu fico ao lado do último.

 

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Crí­ticas sobre Tolkien

Os trabalhos de Tolkien têm sido elogiados não apenas pelos leitores,
mas também por estudiosos literários. Este documento é uma compilação
de críticas acadêmicas sobre “A Sociedade do Anel” de Tolkien.
 
 
 
Sobre a Possibilidade de Escrever Críticas sobre Tolkien
Por Neil D. Issacs

“. . . a popularidade em massa de Tolkien não foi promovida pela mídia
em massa; ela surgiu a partir das qualidades e apelos da obra em si, e
foi simplesmente comunicada na mídia.� (Isaacs 1)

O Destronamento do Poder
Por C. S. Lewis

“Acho que alguns leitores, vendo (e não apreciando) essa rígida
demarcação de preto e branco, imaginam que estão vendo uma rígida
demarcação entre pessoas negras e brancas. Olhando para os quadrados,
elas supõem (desafiando os fatos) que todas as peças devem estar
fazendo movimentos de bispo que os confinam a uma só cor. Mas até mesmo
esses leitores mal poderão manter essa ótica durante os dois últimos
volumes. Motivos, mesmo do lado bom, estão misturados. Aqueles que
agora são traidores geralmente começaram com intenções comparativamente
inocentes. A heróica Rohan e a imperial Gondor estão parcialmente
doentes. Até mesmo o devastado Sméagol, até bem tarde na história, tem
impulsos de bondade; e, por um trágico paradoxo, o que finalmente o
empurra no abismo é um não premeditado discurso feito pelo personagem
mais desprendido de todos.” (Lewis 13)

“Há dois Livros em
cada volume e agora que todos os seis estão diante de nós, a altíssima
qualidade arquitetural do romance é revelada. O Livro I constrói o tema
principal. No Livro II este tema, enriquecido com muito material
retrospectivo, continua. Então vem a mudança. No III e V o destino da
comitiva, agora dividida, torna-se entrelaçada com um imenso complexo
de forças que estão se agrupando e reagrupando em relação a Mordor. O
tema principal, isolado disso, ocupa IV e o começo do VI (esta última
parte trazendo todas as resoluções, é claro). Porém jamais nos é
permitido esquecer a conexão íntima entre ele (o tema) e o resto. Por
um lado, o mundo todo está indo para a guerra; a história ressoa com
cascos galopantes, trombetas, aço no aço. Por outro lado, muito longe
dali, duas minúsculas e miseráveis figuras rastejam (como ratos em uma
pilha de resíduos) através do crepúsculo de Mordor. E todo o tempo
sabemos que o destino do mundo depende muito mais do pequeno movimento
do que do grande. Esta é uma invenção estrutural da mais alta ordem:
acrescenta muito à situação, ironia e grandeza do conto.” (Lewis 13)

“A . . . excelência está no fato de que nenhum indivíduo, e nenhuma
espécie, parecem existir apenas para fins de roteiro. Todos existem por
seu próprio direito e teria valido a pena criá-los por seu próprio
sabor, mesmo se eles fossem irrelevantes.”

(Lewis 14) “. .
. o texto em si nos ensina que Sauron é eterno; a guerra do anel é
apenas uma das mil guerras contra ele. A cada vez seremos sábios se
tivermos medo de sua vitória final, após a qual não haverá “mais
canções”. Repetidas vezes teremos boas evidências de que “o vento está
se estabelecendo no Leste, e o murchar de todas as florestas pode estar
se aproximando ” (II,76). Cada vez que ganharmos, deveremos saber que
nossa vitória não é permanente. Se insistirmos em perguntar pela moral
da história, esta é sua moral: um chamado do otimismo fácil e
pessimismo gemente, para aquela dura, embora ainda não tão desesperada
visão que penetra a imutável situação do Homem, pela qual viveu-se em
heróicas eras. É aqui que a afinidade nórdica torna-se mais forte:
golpes de martelo, porém com compaixão”. (Lewis 15)

O Senhor dos Hobbits: J.R.R. Tolkien
Por Edmund Fuller

“Para este mundo [Terra-média] ele criou uma geografia contida em si
mesma, com mapas, mitologia e cancioneiro, uma história de grande
profundidade e completude em sua organização, estendendo-se para bem
anteriormente ao tempo em que sua história se passa. Ele criou várias
línguas e alfabetos rúnicos, e dentro destes traçou elaboradas
inter-relações lingüísticas. A moldura histórica deste mundo está
repleta de genealogias e o que pode ser chamado de estudos étnicos em
suas espécies não-humanas. Há extensa flora e fauna além das que já
conhecemos. Todos estes elementos são tecidos ao longo do conto, mas
tão profunda é a imersão de Tolkien neste mundo que, no fim da
trilogia, há seis apêndices, totalizando 103 páginas, com notas de
rodapé elaboradas, lidando com os temas supra-citados. Embora os
apêndices contribuam para a persuasiva verossimilhança da história,
elas não são necessárias para esse propósito. Elas refletem a própria
intensidade de Tolkien em sua experiência interna e total absorção
neste ato de sub-criação. É isto que torna seu feitiço tão grande e,
por sua vez, atrai os leitores para que o acompanhem nesta posterior
compilação extra de dados sobre um mundo imaginário, que eles odeiam
ter que abandonar.” (Fuller 18)

“Uma rima rúnica fala de:
Três Anéis para os Reis Élficos sob este céu, / Sete para os Senhores
dos Anões em seus rochosos corredores, / Nove para os Homens Mortais
fadados ao eterno sono, / Um para o Senhor do Escuro em seu escuro
trono/ Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam. / Um Anel para a
todos governar, Um Anel para encontrá-los,/ Um Anel para a todos trazer
e na escuridão aprisioná-los/ Na Terra de Mordor onde as sombras se
deitam. ” (Fuller 20)

“Ele [Tolkien] cria rimas rúnicas e
canções de bardos com um extenso alcance de humores e metragens, do
cômico ao heróico ao to Idílico, homenageando os que já foram, nas
formas das canções que caracterizam a literatura Anglo-Saxã e
Escandinava” (Fuller 21)

“[Saruman] busca persuadir
Gandalf: Um novo Poder se levanta. Contra ele, os velhas alianças e
políticas não nos ajudarão em nada.. . . Esta então é uma escolha
diante de você, diante de nós. Podemos nos unir a esse Poder. . . . A
vitória dele se aproxima; e haverá grandes recompensas para aqueles que
o ajudarem . . . e os Sábios, como você e eu, poderão, com paciência,
vir finalmente a governar seus rumos, e a controlá-lo. Podemos esperar
nossa hora. . . talvez deplorando as maldades feitas incidentalmente,
mas aprovando o propósito final e mais alto: Conhecimento, Liderança,
Ordem . . . . Não precisaria haver . . . qualquer mudança em nossos
propósitos, só em nossos meios. (I, 272-3)” (Fuller 25)


Não podemos usar o Anel Governante. . . . A força que tem. . . é grande
demais para qualquer um controlar por sua própria vontade, com exceção
apenas daqueles que já têm um grande poder próprio. Mas, para estes, o
perigo é ainda mais fatal. Apenas desejá-lo já corrompe o coração. . .
Se algum dos Sábios derrotasse com esse Anel o Senhor de Mordor, usando
as próprias artes, então se colocaria no trono de Sauron, e um outro
Senhor do Escuro surgiria. E esta é outra razão pela qual o Anel deve
ser destruído: enquanto permanecer no mundo, representará um perigo até
mesmo para os Sábios. Pois nada é mau no início. Até mesmo Sauron não
era. Tenho medo de tomar o Anel para escondê-lo. E não vou tomá-lo para
fazer uso dele. (I, 281) Aqui somos trazidos à clássica qualidade
corruptível do poder diretamente proporcional à sua proximidade com o
absoluto. No entanto, é claro que não é o poder em si que corrompe, mas
o orgulho que tal poder pode engendrar, que por sua vez produz a veloz
corrupção do poder. A natureza primária do pecado do Orgulho, trazendo
a queda de anjos diante da sedução e queda do Homem, é o desejo de
usurpar a Primária e única Fonte de Poder, incorruptível in Sua
natureza porque Ele é o Poder e Fonte e não tem nada a usurpar, por ser
Tudo.” (Fuller 26)

” [O Anel] é uma demonstração do fato de
que, a vida nem sempre nos oferece escolhas claras a respeito de bem ou
mal. Muitas vezes temos que escolher entre níveis de maldade, e temos
sorte quando sabemos que estamos fazendo isto. Frodo, às vezes, é
compelido a usar o Anel devido a seu poder de invisibilidade, como
alternativa imediata para não perder tudo. No entanto, toda vez que ele
o faz, dois resultados ruins estão envolvidos: a sempre nociva
influência do Anel sobre Frodo aumenta perceptivelmente, e Sauron fica
instantaneamente a par de seu uso e a mente dele é capaz de captar, de
maneira geral, sua localização, como um sinal de rádio.” (Fuller 28)

” [Comentário sobre Destino : Gandalf] Por trás disso havia algo mais
em ação, além de qualquer desígnio de quem fez o Anel. Não posso dizer
de modo mais direto: Bilbo estava designado a encontrar o Anel, e não
por quem o fez. Nesse caso você também estava designado a possuí-lo.
(I, 65) ” (Fuller 30)

” [Comentário sobre Destino: Gandalf]
. . . ele [Gollum] está ligado ao destino do Anel. Meu coração me diz
que ele tem ainda algum tipo de função a desempenhar, para o bem ou
para o mal, antes do fim; e quando a hora chegar, a pena de Bilbo pode
governar o destino de muitos – e oseu também. (I, 69) ” (Fuller 30)

” [Comentário sobre SDA: ?] Esta demanda pode ser tentada pelos fracos
com tanta esperança quanto teriam os fortes. E de fato este é
geralmente o caminho das façanhas que movem as rodas do mundo: as
pequenas mãos as realizam porque devem, enquanto que os olhos dos
grandes estão em outro lugar. (I, 283) ” (Fuller 31)


[Comentário sobre o Mal em SDA: ?] Sempre depois de uma derrota e um
intervalo, a Sombra toma outra forma e cresce novamente . . . . O mal
de Sauron não pode ser totalmente curado, ou considerado como se jamais
tivesse existido . . . .Há outros males que poderão vir; pois Sauron é
apenas um servidor do emissário. E não é nossa função controlar todas
as marés do mundo, mas fazer o que devemos para socorrer estes anos em
que estamos, arrancando as raízes do mal dos campos que conhecemos,
para que os que viverem depois de nós tenham terra limpa para cultivar.
(I,60; II, 154; III, 155)” (Fuller 33)

” Nunca há um lugar
para se esconder, ou um momento em que o perene porém Proteano dilemma
moral tenha sido resolvido para sempre. Embora sintamos com Frodo,
“Quem dera isto não tivesse acontecido no meu tempo, temos que aceitar
o fato de que O grande mundo os cerca: vocês podem se trancar aqui
dentro, mas você jamais conseguirão trancá-lo para fora para sempre.
(I,92). Com Aragorn, homem mais importante da história, nos deparamos
com o que ele austeramente chama de A sina da escolha . . . . Há
algumas coisas que é melhor começar do que recusar, embora o fim possa
ser escuro. (II, 36,43)” (Fuller 33)

” [Comentário sobre o
mal] Como pode um homem julgar o que fazer em tempos assim? Como sempre
julgou, disse Aragorn. O bem e o mal não mudaram desde o ano passado;
nem são uma coisa para elfos e anões e outra coisa para os homens. (II,
40-41)” (Fuller 33)

“Fica claro a partir da natureza e
poderes de Sauron – nem sempre mau, mas tornando-se, e não sendo o
maior de sua espécie – que ele é um tipo de anjo caído. Na era da
criação dos vinte Anéis da rima rúnica, até mesmo alguns dos
sub-angélicos Altos Elfos foram num momento enganados por ele e,
fazendo paralelos bíblicos e Faustianos, aprisionados por sua “ânsia
por conhecimento� (I, 255). Aprendemos que é perigoso estudar a fundo
as artes do Inimigo, para o bem ou para o mal. (I, 276).” (Fuller 35)

O Herói da Demanda
Por W.H. Auden

“Procurar um botão de colarinho perdido não é uma verdadeira busca:
para estar em uma demanda significa procurar algo sem ter experiência;
uma pessoa pode imaginar como será, mas se a imagem que essa pessoa faz
é verdadeira ou falsa, só será sabido por quem a encontrar.” (Auden 40)

“A Demanda é uma das mais antigas, mais difíceis e o mais
popular dentre todos os genros literários. Em alguns casos, pode estar
fundada em um fato histórico – A “Demanda do Felocino de Ouro� pode ter
tido sua origem na busca dos mercadores navegantes por âmbar – e certos
temas, como o da cruel princesa encantada cujo coração somente pode ser
“derretido� pelo amor predestinado, podem ser lembranças distorcidas de
ritos religiosos, mas o apelo persistente da Busca como forma literária
deve-se, acredito, a sua validade como uma descrição simbólica de nossa
experiência pessoal subjetiva da existência como algo histórico” (Auden
42) “Os elementos essenciais na Demanda típica são seis. (1) Um
precioso Objeto a ser encontrado para ser possuído e/ou Pessoa a ser
encontrada para casamento. (2) Uma longa jornada para encontrá-lo, pois
seu paradeiro não é originalmente conhecido pelos que o estão
procurando. (3) Um herói. Ninguém consegue encontrar o Objeto Precioso,
exceto aquela pessoa que possui as qualidades certas de concepção de
caráter. (4) Um Teste ou uma série de Testes pelos quais os indignos
são afastados da cena, e o herói é revelado. (5) Os Guardiões do Objeto
que devem ser superados antes que ele seja ganho. Eles podem ser apenas
mais um teste para o herói, ou então podem ser malignos em si mesmos.
(6) Os Ajudantes, que com seu conhecimento e poderes mágicos ajudam o
herói, e sem a ajuda dos quais ele jamais seria bem sucedido. Podem
aparecer na forma humana ou animal.” (Auden 44)

“Um mundo
de sonhos pode estar cheio de lacunas inexplicáveis e inconsistencies
lógicas; um mundo imaginário não pode, pois é um mundo de lei, não de
desejo. Suas leis podem ser diferentes daquelas que governam nosso
mundo, mas elas devem ser tão inteligíveis e invioláveis quanto. Sua
história pode ser incomum, mas não deve contradizer nossa noção do que
a história é, ou seja, uma interação entre Destino, Escolha e Sorte.
Por último, não pode violar nossa experiência moral. Se o Bem e o Mal
devem ser encarnados em indivíduos e sociedades, conforme geralmente se
requer em uma Demanda, temos que ser convencidos de que o lado Mau é
aquilo que qualquer homem são, independentemente de sua nacionalidade
ou cultura, consideraria como mau. O triunfo do Bem sobre o Mal, que o
resultado bem-sucedido da Demanda implica, deve parecer historicamente
possível, não um devaneio. O poder físico e, até certo grau,
intelectual, deve ser mostrado como aquilo que sabemos que é:
moralmente neutro e efetivamente real: batalhas são vencidas pelo lado
mais forte, seja ele bom ou mau” (Auden 51)

“Os extremos do
bem e do mal na história são representados pelos elfos e Sauron,
respectivamente. Aqui está um verso de um poema em élfico: A Elbereth
Gilthoniel, / silivren penna míriel / o menel alglar elenath! /
Na-chaered palan díriel. / o galadhremmin ennorath, / Fanuilos, le
linnathon / nef aer, sí nef aearon. E aqui temos um feitiço do mal na
Língua Negra inventada por Sauron: Ash nazg durbatulûk, ash nazg
gimbatul, ash nazg thrakatalûk, agh burzum-ishi-krimpatul.” (Auden 52)

“Um mundo imaginário deve ser tão real para os sentidos do leitor
quanto o mundo verdadeiro. Para que ele considere o imaginário
convincente, ele deve sentir que está enxergando a paisagem da mesma
maneira que o viajante fictício a enxerga, considerando o modo de
locomoção e as circunstâncias de sua tarefa. Felizmente, o talento do
Sr. Tolkien para descrições topográficas é equivalente a seu talento
para nomear pessoas e sua fertilidade na criação de incidentes. Seu
herói, Frodo Bolseiro, está na estrada, excluindo o resto, durante
oitenta dias e percorre mais de 1800 milhas, a maior parte à pé, e com
seus sentidos é mantido perpetualmente afiado pelo medo, procurando
sinais de seus perseguidores a cada passo do caminho; e Tolkien
consegue nos convencer de que não há nada que Frodo tenha notado que
ele tenha esquecido de descrever.” (Tolkien 53)

“Alguns dos
personagens de O Senhor dos Anéis, Gandalf e Aragorn, por exemplo, são
expressões da vocação natural de talento. É Gandalf quem deve planejar
a estratégia da Guerra contra Sauron porque ele é um homem muito sábio;
é Aragorn quem deve liderar os exércitos de Gondor porque ele é um
grande guerreiro e herdeiro legítimo ao trono. Não importando aquilo
que eles estejam arriscando e sofrendo, eles estão, de certo modo,
fazendo aquilo que querem fazer. Mas a situação do verdadeiro herói,
Frodo Bolseiro, é bem diferente. Quando a decisão de enviar o Anel para
o Fogo foi tomada, seus sentimentos são os mesmos de Papengo: estas
explorações perigosas não são para um pequeno hobbit como eu. Eu
preferiria bem mais ficar em casa do que arriscar minha vida na remota
chance de conseguir glória. Mas a consciência dele lhe diz: Você pode
não ser ninguém em especial em si mesmo, mas por razões inexplicáveis,
e não por escolha sua, o Anel veio para suas mãos, então é você, e não
Gandalf ou Aragorn, quem tem a função de destruí-lo.” (Auden 55)

” [Comentário sobre o conflito do Bem e do Mal] Não podemos conquistar
a vitória por meio das armas. . . Ainda alimento a esperança na
vitória, mas não através de armas. Pois em meio a todas estas
estratégias está o Anel do Poder, o alicerce de Barad-dûr e a esperança
de Sauron. . . Se ele o conseguir de volta, a valentia de vocês será
inútil, e a vitória dele será rápida e completa; tão completa que
ninguém pode prever o fim dela enquanto durar o mundo. Se ele for
destruído, então Sauron cairá; e sua queda será tão grande que ninguém
pode prever a possibilidade de que jamais venha a ascender de novo. . .
.Este, então, é o meu conselho: não possuímos o Anel. Por sabedoria, ou
por uma grande loucura, nós o enviamos para longe para ser destruído e
para evitar que nos destruísse. Sem o Anel, não podemos pela força
destruir a força de Sauron. Mas devemos a todo custo manter seu Olho
longe do verdadeiro perigo que o ameaça. Não podemos conquistar a
vitória por meio das armas, mas por meio das armas podemos dar ao
Portador do Anel sua única oportunidade, por mais frágil que seja.
(III, 154-156).” (Auden 57)

” [Comentário sobre o fim da
Demanda] Entende agora por que sua vinda aqui representa para nós a
passada do Destino? Pois, se você falhar, então seremos expostos ao
Inimigo. Mas se você for bem-sucedido, então nosso poder diminuirá, e
Lothlórien desaparecerá, e as marés do tempo a levarão embora.
Partiremos para o Oeste, ou seremos reduzidos a um povo rústico de vale
e caverna, para lentamente esquecermos e sermos esquecidos. (I, 380)”
(Auden 61)

” [ Comentário sobre o fim da Demanda ] Mas,
disse Sam, com as lágrimas brotando em seus olhos, achei que o senhor
também ia desfrutar o Condado . . . por muitos e muitos anos, depois de
tudo o que fez. Eu também já pensei desse modo. Mas meu ferimento foi
muito profundo, Sam. Tentei salvar o Condado, e ele foi salvo, mas não
para mim. Muitas vezes precisa ser assim, Sam, quando as coisas correm
perigo: alguém tem de desistir delas, perdê-las, para que outros possam
tê-las. (III, 309)” (Auden 61)

O Apelo de SDA: Uma Batalha pela Vida
Por Hugh T. Keenan

“A parte abstrata da Morte e da Vida é personificada pelos Nazgûl e pelos seres semelhantes à árvores, os Ents.” (Keenan 63)

“Os Guardiões, conforme Miss Spacks destaca, entendem a linguagem das
feras e aves, enquanto que Tom Bombadil é mais íntima comunhão com as
forces naturais; ele tem o poder da própria terra.” (Keenan 63)

“Em Beowulf, Grendel e sua mãe podem ser vistos como a personificação
(em parte) das falhas do rei Hrothgar e das falhas da corte dele. Em O
Senhor dos Anéis, Sauron pode ser visto, de forma similar, como a
personificação dos medos e da auto-destruição (instinto de morte) dos
habitantes da Terra-média.” (Keenan 66)

“O que justifica o
fato de Frodo ser o herói? Neste ponto, chega-se a um paradoxo. Frodo
possui a natureza semelhante a de um coelho e uma criança, comum a um
hobbit do campo. Ele gosta de fumar, de festas de aniversário,
presentes, boa comida, e boa companhia. Mas à medida que realize sua
jornada em direção a Mordor, ele perde um pouco desta vitalidade.
Torna-se isolado, menos bem-humorado, mais racional, e até mesmo
místico, em contraste com seu antigo ser, emocional e animal. Em outras
palavras, Frodo cresce; torna-se adulto num sentido humano. Torna-se
consciente de seu dever de sacrifício. Torna-se humilde à medida que
aprende sobre o mundo for a do Condado, e à medida que percebe os
caminhos da mortalidade por meio da passagem dos justos e belos.”
(Keenan 67)

“. . . há uma forte sugestão de que Frodo e sua
raça representam psicologicamente a eternal criança que deve ser
sacrificada para que o homem possa viver.” (Keenan 67)

Duas pessoas não são afetadas pelo Anel: Sam + Tom Bombadil

“Somados aos símbolos [florestas & árvores], encontramos padrões de
contraste de caráter, incidents e locais que definem o tema da vida
contra a morte. No início da jornada, Frodo e os três hobbits encontram
Tom Bombadil e sua consorte Fruta d’Ouro. No final da jornada, Frodo e
Sam encontram Gollum e sua senhora-governante Laracna. Além dos
paralelos e contrastes de personalidade – Tom Bombadil (vida) e Gollum
(morte), Fruta d’Ouro (preservadora) e Laracna (destruidora) – há ações
paralelas. No começo da história, Tom resgata o perdido Frodo e
companhia da Floresta Velha, e então os salva das Criaturas Tumulares.
Mais tarde, Gollum resgata o perdido Frodo e seu companheiro Sam na
parte selvagem das Emyn Muil e os guia através do traiçoeiro Vale dos
Mortos. Enquanto um os guia para a segurança e vida, o outro os guia
para a traição e morte. Enquanto Tom Bombadil não pode ser afetado pelo
Anel, Gollum jamais pode estar livre dele.” (Keenan 75)

Poder e Significado em O Senhor dos Anéis
Por Patricia Spacks

Hobbit análogo ao quase-herói islandês (83)

“. . . a simplicidade do sistema ético de [SDA] é redimida pela
complexidade filosófica de seu contexto: simplicidade não é igual à
superficial. O sistema de instituição pagão com o qual SDA mais se
assemelha é redimido de sua superficialidade pela magnitude da oposição
que enfrenta. O herói épico anglo-saxão opera sob a sombra do destino;
sua luta está condenada ao fracasso final – o dragão em algum encontro,
vencerá por fim. Apenas a coragem e vontade do herói se opõem às forces
escuras do universo; elas representam sua triunfante afirmação de si
mesmo como homem, sua insistência na importância humana, apesar da
fraqueza humana.” (Spacks 85- 86) Dois temas principais – “liberdade de
vontade e ordem no universo, mnas operações do destino” (Spacks 87)
Corrupção do Poder (Saruman)

“Todos os grandes segredos sob
as montanhas haviam se tornado apenas noite vazia: nada mais havia para
descobrir, nada que valesse a pena fazer, apenas comer furtivamente
coisas desagradáveis e lembranças ressentidas. Ele [Gollum] estava
totalmente devastado. Odiava a escuridão, e odiava a luz ainda mais:
odiava tudo, e o Anel mais do que tudo. . . . Ele o odiava e o amava,
como odiava e amava a si mesmo. Não conseguia se livrar dele. Ele não
tinha mais vontade própria na situação” (I, 64)” (Spacks 94)

“Na apresentação da destruição de Gollum do Anel, a idéia de livre
arbítrio intimamente envolvida com o destino recebe sua declaração mais
forte. A mesma idéia já foi sugerida antes; agora se torna inescapável.
A livre escolha do bem pelo indivíduo envolve sua participação num
amplo padrão de Bondade; atos individuais tornam-se parte do Destino.
Frodo optou repetidas vezes por comportar-se com piedade em relação a
Gollum, mesmo diante da traição por parte do outro. Seus atos piedosos
determinam seu destino e, devido ao fato de que sua aceitação da missão
dá a ele uma posição simbólica, tais atos também determinam o destino
do mundo em que ele vive. Gollum, por outro lado, embora seja
comparativamente fraco na maldade, tornou-se o representante simbólico
do mal. Sua aceitação original do mal o tornou desprovido de vontade; é
apropriado que pelo menos no fim ele se tornasse um instrumento daquele
destino essencialmente benevolente por meio do qual, como Sam se dá
conta seu patrão foi salvo; ele voltou a ser o que era, ele estava
livre. (III, 225) – livre mas ao custo de mutilação física, o emblema
de sua fraqueza humana (ou de hobbit)- da mesma maneira que o herói de
Lewis, Ransom, que em Perelandra é bem-sucedido em sua luta física com
o Diabo, mas emerge dela com um ferimento incurável no calcanhar”
(Spacks 95)

“Da mesma forma que o mundo irreal ricamente
imaginado, a linguagem atrai o lado infantil de seus leitores; evoca
lembranças de contos de fadas e de lendas de cavalaria. A figura
cinzenta do homem, Aragorn, filho de Arathorn, era alta, firme como uma
rocha, a mão sobre o punho de sua espada; parecia que um rei tinha
surgido das névoas do mar e pisado sobre as praias de homens menores.
Diante dele se curvava a velha figura [Gandalf], branca, agora
brilhando como se alguma luz a iluminasse de dentro, inclinada,
sobrecarregada pelos anos, mas detentora de um poder acima da força dos
reis” (II, 104)” (Spacks 98)

(Aliteração + Épico Nórdico primitivo) usado na história

Homens, Pequenos, e Adoração pelo Herói
Por Marion Bradley

“Frodo compartilha por um tempo as recompenses dos trabalhos deles, mas
ele tem que suportar para sempre três ferimentos: ferimento à faca no
Topo do Vento, devido à loucura; a picada de Laracna, devido à
confiança exagerada; e o dedo arrancado com o Anel, devido ao orgulho.”
(Bradley 124)

“Merry, também, atingiu a estatura de um
grande adulto; para ele, o retorno ao Condado é como um sonho que
desapareceu vagarosamente mas para Frodo é como adormecer de novo.”
(Bradley 125)

Sam é o representante da Era Heróica, não Frodo.

Tolkien e a História de Fadas
Por R.J. Reilly

“. . . Richard Hughes, que mencionou a conexão de “The Faerie Queeneâ€?
com a obra; Naomi Michinson, que levou a obra tão a sério quanto leva
“Mallory�; C.S. Lewis, que comparou a inventividade de Tolkien com
Ariosto e considerou Tolkien o melhor; e Louis Halle, que achou que a
obra tem o mesmo significado que a Odisséia, Gênesis, e Fausto.”
(Reilly 133)

“Douglass Parker [Ver “Hwaet We Holbylta . . .
,” Hudson Review, IX (Inverno, 1956-57), 598-609] relembra o leitor a
respeito da interpretação que Tolkien fez de Beowulf e afirma que o que
Tolkien fez na trilogia foi recriar o mundo, e a vis]ao de mundo, do
poema. As palavras que Tolkien tomou de Widsith para aplicar a Beowulf
pode ser aplicada também na trilogia: Lif is laene: eal sceacep, leoht
ond lif samod, A vida é fugaz: tudo passa, luz e vida juntas.” Ele
acredita que sobre o conto pende a mesma nuvem de determinismo que
pende sobre Beowulf. O fim de uma era está chegando, e não há nada que
homens ou hobbits ou elfos possam fazer para evitar este fim. Face à
inexorável extinção, a única reposta que um homem ou hobbit pode dar é
ser heróico. Tolkien fez todo o possível para fazer este mundo
prodigioso e . . . imperturbável construção da imaginação, imitando o
mundo do poema de Beowulf, porque Tolkien sentia que apenas dessa forma
ele conseguirá o que o autor de Beowulf (também um antiquário)
conseguiu: um senso da Verganglichkeit do homem, sua não-permanência,
sua deterioração. E este mundo imaginário tem relevância para o real.
Seus empréstimos de, ou reconstrução de, mitos anglo-saxões, celtas e
nórdicos fornecem uma ponte do mundo dele para o nosso; eles fazem a
afirmação implícita de que nosso mundo, na Era dos homens, a Quarta
Era, é uma continuação da dele, e irá recapitular seus acontecimentos
em novos termos, assim como a Terceira Era recapitulou a Segunda, e a
Segunda fez com a Primeira.” (Reilly 135)

“Faërie pode ser
traduzido aproximadamente como Mágica, mas não a mágica vulgar do
mágico; na verdade é mágica de disposição e poder particulares, e ela
não tem seu fim nela mesma, mas sim em suas operações. Dentre estas
operações está a satisfação de certos desejos humanos primordiais tais
como o desejo de investigar a profundidade do espaço e tempo e o desejo
de viver em comunhão com outras coisas viventes.” (Reilly 138)

“O próprio [Senhor dos Anéis] é da Terceira Era, mas a história está
repleta de ecos do passado turvo; de fato, a trilogia é em grande parte
uma tentativa de sugerir as profundezas do tempo, que torna antiquada a
antiguidade e tem uma arte de fazer poeira de todas as coisas. A
Terceira Era é, para o leitor, mais velha do que se possa medir, mas os
seres desta era contam histórias de eras ainda mais remotas nos escuros
confins e abismo do tempo, e de fato geralmente se sugere que estas
histórias recontam apenas os eventos de tempos relativamente recentes –
o estabelecimento de parte do tempo de Browne – e que as coisas mais
velhas estão perdidas além da memória.” (Reilly 139)

“Os
Ents, por exemplo, as grandes árvores da Terceira Era, estão dentre as
coisas viventes mais velhas. Elas falam com os hobbits numa linguagem
tão velha, tão lenta e cuidadosamente articulada, quanto a própria. E
quando Tom Bombadil fala, é como se a própria Natureza – não-racional,
interessada apenas na vida e nas coisas que crescem – estivesse
falando. Os elfos, os anões, até mesmo Gollum e os orcs, são gradações
– tanto para cima quanto para baixo – do nível humano; eles são outras
coisas viventes com as quais os leitores mantêm comunhão no mundo de
trilogia de maravilhas imaginadas.” (Reilly 139)

” (Sobre
‘Histórias de Fadas’ de Tolkien) A mente encarnada, a língua, e a
história são coesas em nosso mundo. A mente humana, dotada dos poderes
de generalização e abstração, não vê apenas grama verde,
discriminando-a das outras coisas . . . mas vê que é verde além de ser
grama. Mas como foi poderosa e estimulante, para a faculdade que a
produziu, a invenção do adjetivo: nenhum feitiço ou encantamento em
Faerie é mais potente. E isto não é surpreendente: tais encantamentos
podem de fato ser considerados como uma nova visão de adjetivos, uma
parte da fala numa gramática mística. A mente que pensou em leve,
pesado, cinza, amarelo, parado, veloz, também concebeu a mágica que
tornaria coisas pesadas em leves e capazes de voar, tornaria chumbo
cinza em ouro amarelo, e a pedra estática em água veloz. Se pudesse
fazer um, poderia fazer o outro; inevitavelmente fez os dois. Quando
conseguimos tirar o verde da grama, azul do paraíso, e vermelho de
sangue, já temos um poder de feiticeiro – sobre um plano; e o desejo de
usar esse poder no mundo exterior ao das mentes desperta. Não ocorre de
usarmos bem este poder em qualquer plano. Podemos colocar um verde
mortal no rosto de um homem e produzir um terror; podemos colocar uma
rara e terrível lua azul para brilhar; ou podemos fazer florestas
brilharem com folhas de prata e ramos com frutos de ouro, e colocar
fogo ardente na barriga do verme frio. Mas tal fantasia, como é
chamada, recebe uma nova forma; Faërie começa; O homem torna-se um
sub-criador. (pp. 50-51)” (Reilly 141)

“Ele [Tolkien] está
a par das implicações da palavra fantástico, que implica que as coisas
com as quais lida não poderão ser encontradas nos Mundos Primários. De
fato, ele considera tais implicações bem-vindas, pois é exatamente isso
que ele quer dizer com o termo; que as imagens que ele descreve não
existem no mundo real. Que elas são uma virtude, não um vício..
Lembramo-nos das linhas de Shelley: Formas mais reais que o homem que
vive, / Sementes de imortalidade. Só porque Fantasia lida com coisas
que não existem no Mundo Primário, sustenta Tolkien, não é inferior,
mas sim uma forma superior de Arte, de fato a forma mais próxima da
pureza, e então (quando conseguida), a mais potente ” (Reilly 143)

“. . . redescobrimos o significado de heroísmo e amizade à medida que
vemos os dois hobbits escalando a Montanha da Perdição; vemos novamente
o incessante mal da ambição e egoísmo em Gollum, alterado e desprovido
de forma moral por anos de desejo pelo Anel; reconhecemos de novo a
angústia essencial de ver coisas belas e frágeis – inocência, amor
jovem, crianças – desaparecendo quando lemos sobre a inevitável jornada
da Senhora Galadriel e dos elfos para o Oeste e para a extinção, e os
vemos como Frodo os vê, uma visão viva daquilo que já foi deixado bem
para trás pelos córregos correntes do Tempo. Vemos moralidade surgindo
deste ou daquele ato humano e assistindo à moralidade inerente’ a qual
todos os seres da Terceira Era – os maus tanto quanto os bons –
testemunham.” (Reilly 145)

Tolkien: Os Monstros e as Criaturas
Por Thomas Gasque

“É a força da imaginação mitológica nórdica que . . . pôs os monstros
no centro, deu a eles a vitória mas não honra, e encontrou uma potente
porém terrível solução na vontade e coragem nuas. . . . Tão potente é
isto que, enquanto a velha imaginação sulista desapareceu para sempre
como ornamento literário, a nórdica tem poder para reavivar seu
espírito mesmo em nosso próprio tempo. (J.R.R. Tolkien, Beowulf: os
Monstros e os Críticos, p.77)” (Gasque 151)

“Tom [Bombadil]
divide pelo menos uma característica com os dois monstros: sua
indiferença em relação ao Anel. Para ele, assim como para o Balrog e
Laracna, o Anel não tem poder nem para o bem nem para o mal. Ele (Tom)
está interessado apenas em sustentar a vida e aproveitar dela; eles (o
Balrog e Laracna) se importam apenas pela destruição ou, no caso de
Laracna, em satisfazer seu apetite. E nenhum dos três aceita qualquer
outra criatura como seu senhor. Todos os três possuem uma independência
que os posiciona do lado de fora da preocupação moral central da
história – a destruição do Anel. A amoralidade deles, assim como sua
não-humanidade, os revela como sendo princípios alegóricos: Tom da vida
ou natureza, Laracna da morte ou apetite cego, e o Balrog da desordem
central que nenhuma criatura pode suportar.” (Gasque 157)

Inglês Arcaico em Rohan
Por John Tinkler

“Quando Éowyn passa a taça, oferecendo-a primeiramente ao rei, como é
apropriado, ela diz Ferthu Théoden hál!” Isto é inglês arcaico para,
“Go though Théoden healthy (Algo como “vá com saúde, Théodenâ€?). A
língua de Rohan não apenas lembra inglês arcaico, é inglês arcaico.”
(Tinkler 169)

Noda de rodapé para passagem acima: “Ver
Beowulf, 11. 615 ff. para uma comemoração semelhante. Todo o capítulo O
Rei do Palácio Dourado , em muito de sua ação e boa parte de sua
linguagem, parece depender das passagens de Heorot em Beowulf�.

A Poesia da Fantasia: Verso em SDA
Por Mary Kelly

Poesia Hobbit “O! Water Cold we may pour at need / down a thirsty
throat and be glad indeed; / but better is Beer, if drink we lack, /
and Water Hot poured down the back (I, 111)” (Kelly 175)

“Aágua fria podemos mandar/ goela abaixo e nos alegrar;/ melhor é
Cerveja, no copo da gente/ e lombo abaixo �gua bem Quente. � Rima
descomplicada; rima de crianças; calor, divertimento. Poesia de Tom
Bombadil “Fear neither root nor bough! Tom goes on before you. / Hey
now! merry dol! Well be waiting for you! (I, 130)” (Kelly 180)

“Não temer ramo ou raiz! Tom estará lá na certa. / Salve, feliz neneca!
Esperemos de porta aberta!â€? Rima descomplicada”Tom promete renovar a
vida – simbolizada pela água, floresta e colina – e prover calor e luz
– simbolizados pelo fogo, sol, e lua – quando a ajuda é necessária”
(Kelly 182)

Poesia dos túmulos

“Cold
be hand and heart of bon, / and cold be sleep under stone: / never more
to wake on stony bed, / never, till the Sun fails and the Moon is dead
(I, 152)” (Kelly 182)

“Frio haja nas mãos, no coração e na
espinha, / e frio seja o sono sob a pedra daninha: / que nunca
despertem de seu pétreo leito, / nunca, até a Lua morta, até o Sol
desfeitoâ€?.Rima descomplicada porém irregular. Repetida em “frio,
escuro, nebulosas Colinas dos Túmulos” (Kelly 182)

“palavras severas, duras e frias, cruéis e miseráveis” (Kelly 182)

Poesia élfica

“A canção [The Lay of Tinúviel/ A Balada de Tinúviel] é de fato uma das
mais belas de todo o trabalho. As nove stanzas de oito linhas iâmbicas
quadrimétricas têm, em cada uma, o complicado esquema de rimas
“abacbabcâ€?”. (Kelly 185)

“[Os poemas de Tolkien] são
abundantes em efeitos musicais. Há vinte exemplos de aliteração nas
linhas curtas, duas delas causando tripla aliteração. Tolkien
frequentemente usava sons consonantais, especialmente adequados ao
contexto. Os sons dos vários aspirados (h and wh), dentais surdos (f
and th), e sibilantes surdas (s and sh and ch) ajudam a criar imagens
da “falta de fôlego� da perseguição dos amantes. Ainda mais
proeminentes são os sons nasais (n and m and ng) e os líquidos (l and
r), todos contribuindo para a ressonância de várias das linhas, e
tornando o poema mais adequado para cantar.” (Kelly 187)

“He heard there oft the flying sound / Of feat as light as
linden-leaves, / Or music welling underground, / In hidden hollows
quavering, / Now withered lay the hemlock-sheaves, / And one by one
with sighing sound / Whispering fell the beechen leaves / In the wintry
woodland wavering. (I, 197-198)” (Kelly 188)

“Ouvia o som da
fugitiva / Com pés de tília por leveza; / Do chão saía música viva, /
De valos fundos um trilar. / Já a cicuta perde a beleza / E uma a uma
pensativas / Da faia as folhas com tristeza / No chão do inverno vão
rolar.�

Poemas de Rohan

dactylic hexameter (hexamétrico?) ; ritmo ubi sunt

Referente à sociedade “duguth� do tipo anglo-saxão (Kelly 195)

O Senhor dos Anéis como Literatura
Por Burton Raffel

“[Comentário de Tolkien] Não acho que o leitor ou criador de contos de
fadas deve se sentir envergonhado da “escapada� do arcaísmo: ao não
preferi dragões, mas sim cavalos, castelos, barcos, arcos e flechas;
não apenas elfos, mas cavaleiros e reis e padres. Pois no fim das
contas, é possível para um homem racional, após reflexão (deveras
desconectada com contos de fadas ou romance), alcançar a condenação . .
. de coisas progressivas como fábricas, ou as armas automáticas e
bombas que parecem ser seus mais naturais e inevitáveis e, ousemos
dizer, inexoráveis produtos. . . . O mais louco castelo que já surgiu
da sacola de um gigante em uma louca história gaélica não é muito menos
feio do que uma fábrica de robôs, é também (para usar uma frase bem
moderna) num senso bem real, bem mais real. . . . É de fato uma era de
meios melhorados opera fins deteriorados”. (Raffel 236)

“Suspeitamos de Aragorn, no primeiro encontro. Ele é um homem de
aparência estranha e marcada pelos anos, sentado num canto escuro . . .
escutando a conversa dos hobbits com muita atenção. . . . Podia-se ver
o brilho em seus olhos enquanto observava os hobbits (I, 168). Mas da
forma como Frodo e os outros rapidamente descobrem, Aragorn é ouro
puro. Ele é corajoso, leal, honesto fiel – tudo em Faërie que alguém
esperaria de um rei (que é o que ele se torna no fim). Gandalf também é
tudo que alguém espera de um mago, e durante muito tempo ele é bem mais
do que isso. Gandalf é imprevisível, no sentido de se ajustar à sua
posição no momento, no ambiente, para humanos, hobbits, elfos ou magos,
não se tornando todas as coisas para todas as pessoas, mas não supondo,
tampouco, a respeito do conhecimento ou capacidades de ninguém. Ele é
flexível, e também é limitado: este não é um mago que pode fazer o que
quiser, mas um mago real que, até onde sabemos, more nos túneis de
Moria, puxado para sua morte por um Balrog, uma grande sombra, no meio
da qual havia uma forma escura, talvez humanóide, mas maior; poder e
terror pareciam estar nela e ao seu redor (I, 344). No fim do primeiro
volume da trilogia, Gandalf é uma memória heróica, uma memória amada.
Menos de duzentas páginas depois, no Segundo volume, ele retorna,
passou pelo fogo e águas profundas, (II, 98) ressuscitou depois de sua
– um é tentado a dizer, depois de Sua Paixão, embora Sacrifício sirva.
E Aragorn diz a ele Você é nosso capitão e nossa insígnia. O Senhor do
Escuro tem Nove: Mas nós temos Um, mais poderoso que eles: o Cavaleiro
Branco. Passou pelo fogo e pelo abismo, e eles devem temê-lo. Iremos
aonde nos levar. (II, 104)” (Raffel 238)

“Tomando alegoria
em seu senso mais amplo, acho que O Senhor dos Anéis é
indiscutivelmente alegórico. Não quero dizer que Frodo, ou mesmo
Gandalf (assim que o conhecemos), seja uma representação simbólica do
Bem – embora certamente os Nazgûl, para não mencionar o Senhor de
Mordor são símbolos do Mal. Também não quero dizer que a jornada de
Frodo é uma nítida representação, digamos, do tipo de jornada que
Niggle realiza. Mais do que isto: é tanta Fé fundamentando a trilogia,
é tão forte o sentimento sobre o mundo (o tão-chamado mundo real, como
Tolkien diria), que os elementos representativos são inevitáveis: esta
é, novamente, a ‘uma história do bem e do mal.’ Quando Frodo alcança
Valfenda, por exemplo, e Gandalf está contando a ele sobre ‘o Senhor do
Escuro em Mordor,’ Gandalf exclama: ‘Nem todos os seus servidores e
empregados são espectros! Há orcs e trolls, há wargs e werewolves;
houve e ainda há muitos homens, guerreiros e reis, que andam vivos sob
o sol, e mesmo assim estão sob�. seu domínio. E o número desses homens
cresce dia a dia. (I, 234). Pode ser argumentado que a referência aos
homens é essencial, uma vez que eles são parte da Terra-média. No
entanto, deve ficar claro que os homens são destacados por
Gandalf-Tolkien, recebendo atenção muito especial e detalhada, além da
necessidade da história própria. Uma pessoa não precisa apontar nenhuma
alegoria precisa, ou mesmo alguma referência tópica particular, para
ver aquilo que C. S. Lewis chamou de a relevância da trilogia para a
verdadeira situação humana. Em termos amplos, isto é alegórico o
suficiente.” (Raffel 244)

Referências Bibliográficas

Isaacs, Neil D., Zimbardo, Rose A. Tolkien and the Critics. University
of Notre Dame Press. Notre Dame 1968 Este livro foi retirado da
Biblioteca Pública Elmhurst.

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português