Arquivo da categoria: Coluna do Deriel

Onde há fumaça… há batalha!

 
O quinto e último parágrafo dos parágrafos faltantes (até agora) encontrados em todas as edições da tradução brasileira de SdA está publicado no texto abaixo. Os outros três foram apelidados por mim de "O Anel de  Saruman", "Tom Bombadil Gagá", "Sam, o Esperto" e "Você troca seu colete por todo o Condado? SIM! ". E registro que a discussão e descoberta foi obra de uma colega da lista de discussão Valinor Obras, da qual eu tive participação meramente marginal e de "juntar os caquinhos". Foi a Paula.

Seguindo em frente, o que detectamos foi que a edição nacional de SdA deixa de fora um parágrafo importante. Na versão original em inglês o trecho é o seguinte, do qual foi colocado um parágrafo antes do trecho faltante:

"I see a great smoke", said Legolas. "What may that be?"

"Battle and war!" said Gandalf. "Ride on!"

Em português, temos (segundo tradução da Martins Fontes):

– Vejo uma grande fumaça – disse Legolas – Que pode ser aquilo?

E o capítulo termina assim, sem a resposta de Gandalf. Estranho não?

O parágrafo final do capítulo ficaria, em português, segundo minha tradução pessoal e livre, da seguinte forma:

"Batalha e guerra!" disse Gandalf. "Cavalguemos!"

A frase é exatamente o final do capítulo V do livro III, "O Cavaleiro Branco".

[Agradecimento especial à Paula]

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

É o Filme MALIGNO?

 
Há aproximadamente dois anos e meio convivemos como filme do Senhor dos Anéis (vou me permitir usar SdA a partir de agora), primeiro como notícias esparsas, imagens da produção, trailers e previews e por fim com o próprio filme e a repercursão do mesmo. E a comunidade de fãs virou um pandemônio. Personagens secundários e sem muito interesse, como  Legolas, descrito pelo próprio  Tolkien nas lendárias Letters, como o membro mais "inútil" da Comitiva, tornaram-se instantaneamente alvo dos holofotes. Passagens do filme, alteradas com relação ao livro, são consideradas como "válidas" dentro da obra e, heresia das heresias (queime-os, queime-os!!!) surgiram os fãs do filme que não gostam do livro. Brincadeiras à parte, o fandom sofreu um terremoto. Agora que a maior parte das expectativas com relação do filme já foram saciadas (apesar dos próximos dois filmes ainda a serem lançados) podemos analisar o real impacto dos filmes entre os fãs.

Antes, quando não existia o SdA do Peter Jackson (usarei PJ a partir de agora) o máximo que tinhamos era a piada do Bakshi, aquela animaçãozinha pretenciosa e rídicula feita em 1978 (e suas continuações insossas – "O Hobbit" e "O Retorno do Rei"). Nós, fãs de Tolkien, éramos uma espécie de "Sociedade Secreta Detentora do Segredo do Livro-mais-legal-do-mundo". Éramos poucos e de nichos bem específicos como jogadores de RPG e universitários. Por sermos poucos e de número constante (aparecia um ou outro novato de vez em quando) as discussões seguiam um crescente dentro da obra, cada vez mais intricandas e "aprofundadas". O surgimento da imensa massa de fãs produzidos pelo SdA de PJ interrompeu este processo, inundando de fãs novatos, leitores de primeira viagem ou apenas apreciadores do filme, fazendo as discussões derraparem e se repetirem sempre nos pontos mais inicias e básicos da obra além, claro, da mistureba de discussões sobre o filme.

Surgiu o fã ortodoxo, para quem as expressões "filme", "PJ" e "10 mais da Veja" funcionam como alho para um vampiro e agem como se tivesse sido tirados do paraíso e lançados no mais profundo fogo do inferno. Torcem para que o PJ morra antes de lançar os outros filmes, para que o livro encalhe nas livrarias e que nunca mais apareça nas listas de 10 mais. Sugerem listas só pros "antigos" (Cthulhiano isso, não? e são ríspidos com os novatos. Em suma, sentem-se magoados, marginais e participantes da "congregação-dos-fãs-de-verdade".

Não nego que por um bom tempo o parágrafo anterior me definiria perfeitamente ainda mais depois de ter, na pré-estréia do SdA, ter visto os TGP ("Três Grandes Pecados") do PJ: Isildur cortando o dedo de Sauron em batalha (arghhh!!! Gil-galad, cadê você, meu filho?), Arwen no lugar de Glorfindel e responsável pela inundação do Bruinen (tortura!!! enfiem lascas de bambu sob as unhas do PJ!) e a destruição completa de Lothlórien, com direito à Galadriel-Rá (a de vida eterna) e tudo mais. Confesso que fiquei chocado e desorientado. Novatos perguntando pela ducentésima nona vez (na mesma semana!) "quem era esse tal Glorfindel" ou "Balrogs têm asas?" me irritavam bastante. Lá por fevereiro/março de 2002 a Valinor nunca esteve tão bem e eu tão infeliz (como fã).

Porém… em um momento qualquer do primeiro semestre eu estava lendo uma entrevista de um intelectual (não me recordo do nome, desculpem) e o assunto da adaptação de obras literárias para o cinema veio à baila. Para meu choque, à pergunta "qual a pior adaptação de uma obra?" o intelectual respondeu sem titubear: "O Nome da Rosa, de Umberto Eco. O filme destruiu o livro". Fiquei pasmo, por um motivo: "O Nome da Rosa" é, muito provavelmente, meu filme preferido e já o assisti inúmeras vezes. Sou um fã do filme e nunca me preocupei em ler o livro (realmente não quero ler). De um momento para o outro, me vi do outro lado… eu era o fã do filme do PJ em meio a uma turba barulhenta de (pseudo-)intelectuais revoltados contra o filme.

A partir desse fato, comecei a me esforçar a ver o outro lado e a tentar usar o máximo de paciência para com os novos-fãs. Sinceramente, com algumas ressalvas, é claro, acho o filme muito bem realizado, capturando muito da "alma do livro", mesmo que o diretor não seja Tolkien e sim um fã dele, o PJ. É um filme feito com carinho e (relativo) cuidado. Nas listas de discussão os novatos devem receber atenção especial, afinal um dia já o fomos também. Eu sugiro aos fãs antigos, cansados das mesmas dicussões de sempre, organizarem FAQs (listas de perguntas/respostas frequentes) para serem disponibilizadas na Valinor e a serem indicadas aos fãs mais recentes, assim, além de ajudarem a estes, estarão resolvendo o problema das discussões recorrentes, mostrando seu próprio conhecimento (e todos ficamos felizes). E não há demérito nenhum em se ler um livro apenas por ele estar entre os 10 mais da Veja, aliás, que bom que ele está entre os 10 mais, assim mais e mais pessoas podem tomar contato com este grande autor!

Alguns acusam a "mídia" de estar explorando Tolkien, lançando desde chicletes até cadernos com os personagens. Oras bolas, e daí? Não os compre! Por acaso temos o direito de escolher quem deve ou não ser fã ou andar com uma camiseta do Gandalf na rua? Poupem-me. Quando a poeira abaixar, daqui a 3 ou 4 anos, tudo volta a ser como era antes do filme, e esses itens de marketing serão troféus dos colecionadores.

Na minha sincera opinião teremos ainda algum tempo de turbulência, claro, mas no final das contas o resultado é um só: fortalecimento do fandom. O número de livros traduzidos vai aumentar muito, os encontros estarão mais movimentados, teremos mais discussões e de maior qualidade. Pessoas com novos pontos de vista e de áreas antes inusitadas estão se unindo ao grupo de fãs. Quem sabe até mesmo surja uma convenção (estilão EIRPG) só de tolkienianos, tolkienólogos, tolkienólatras, tolkienistas e afins? O importante é percebermos que ninguém é obrigado a apreciar o filme ou livro mas todos podemos (e devemos!) conviver na idílica "paz das diferenças" (em tempo… tratarei do assunto "fanatismo" em alguma de minhas próximas colunas).

Portanto, relaxemos e deixemos as águas do Grande Rio Tempo fluirem, o que veio/virá, é/será para o bem. E, como eu costumo dizer (sob ameaças de morte e acusações de "o Deriel não é fã!"), "divirtamo-nos, afinal, é apenas um livro".

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Alerta de Ví­rus

 

e você recebeu um e-mail de algum @valinor.com.br contendo vírus, não abra! Apesar de não ser a Valinor que está com vírus, não podemos fazer muita coisa. Vou tentar explicar como o vírus age. Ele se instala em alguma computador, tendo sido recebido por e-mail. Nesse computador o vírus vai até a Lista de Endereços e se reenvia para todos os endereços constantes no mesmo. Portanto, se você pegar um vírus de e-mail, seus amigos todos vão acabar recebendo cópias do danado por estarem em sua Lista de Endereço.

Danadinho não? Mas ele é bem mais sacana do que isso!

Ao invés de apenas se reenviar para a sua Lista de Endereços, ele se reenvia fazendo-se passar por outra pessoa. Vamos supor que você seja a Carlota e tenha a Julinha e o Tiago na sua lista de Endereços. O vírus pode se mandar pra Julinha como se fosse o Tiago mandando. Ele simula, "mente", ele se faz passar por um e-mail da Valinor.

Infelizmente não há muito o que fazer contra isso. Por isso que e-mail é um meio inseguro. Não podemos impedir que o vírus, a partir de um computador infectado, acabe se fazendo passar por um @valinor.com.br ou por qualquer outro e-mail (quem já não recebeu e-mail do [email protected] ou qualquer outro endereço imaginável?). Os conselhos que damos, e que podem ajudar em muito em sua segurança é:

* anti-vírus sempre atualizado;
* evite utilizar o Outlook e o Outlook Express (sugiro o Thunderbird, no http://www.mozilla.org);
* se puder, evite usar Windows;
* não abra anexos;
* a Valinor não vai mandar e-mails em inglês pra ninguém;

Com isso pode-se reduzir muito os problemas com essas porcarias desses vírus infernais.

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

E o Futuro, a Quem Pertence?

 
"Quando os homens se colocam a prever o futuro, os deuses riem." (Provérbio Chinês)

Há quanto tempo não me dedico a escrever uma Coluna do Deriel, ahn? Não que se aproveite muita coisa delas, mas é sempre bom colocar os neurônios e os dedos pra funcionarem e acho que alguns "insights" meus, vistos aqui de dentro da Valinor foram úteis no passado. Alguns até divertidos. Mas isso é passado e o que eu gostaria de tratar agora é do futuro.

Falar do futuro é sempre bastante fácil e direto: ninguém se lembrará de conferir este meu texto daqui a um ano, quando o mesmo passará a tratar do presente, portanto estou confortavelmente protegido por mais absurdas que minhas previsões se mostrem. Mas acho que não vou errar por muito, se é errar.

Têm-se falado, com mais e mais constância ao se aproximar do final dos filmes, sobre o destino do nosso fandom ("fandom" é um termo que engloba todos os fãs de uma determinada coisa… no nosso caso, Tolkien, claro). O que vai acontecer com os fãs de Tolkien após os filmes saírem de cartaz, as luzem se apaguerem e todo o frissom que estamos vivendo virar mera notícia de arquivo nos sites e revistas especializados?

Afinal, qual o futuro dos fãs de Tolkien no Brasil? Existe vida após o filme? Iremos todos nós arrumarmos nossas malas, rumarmos para os Portos Cinzentos e o último da fila que apague a luz e ponha o gato pra fora?

Responder essa pergunta existe dar uma passeada pela beirada de outros assunto (além do mais, eu também preciso dar uma aumentada no número de parágrafos da Coluna, senão vou acabar trocando de "Coluna do Deriel" pra "Bilhetes do Deriel" ou "Notas de Rodapé do Deriel"). E para falar do futuro de Tolkien no Brasil, vou falar, despudoradamente, da Valinor.

Cuidar da Valinor é quase como cuidar de uma empresa: é necessário ter alguma visão de futuro, prever passos e reciclar sempre. Nada mais chato do que uma página morta. E portanto o "o que vai acontecer quando os filmes se acabarem?" está por aqui, navegando em minha mente por algum tempo, ainda mais agora, que é uma possibilidade muito mais do que presente (menos de um mês!).

Nada melhor para prever o futuro do que dar uma espiada no passado. Eu ainda me recordo de algumas estatísticas da página e da lista de discussão ali pelo começo e meados de 2000, quando nem falava de filme ainda (filme mesmo só ali pelo final de 2000, meados de 2001). Então posso afirmar sem errar que o movimento daquela época era tão somente motivado pelos leitores fãs de Tolkien. Eram cerca de 75 visitantes por dia na página e uns 70 inscritos na lista de discussão. Pouco? Em termos de hoje sim, é, mas era mais que o suficiente pra manter uma lista bem divertida e agitada e a página ter um fluxo tal de visitantes que incentivasse cada vez mais novidades.

Agora passamos pra 2003. São cerca de 10 mil visitantes por dia, 3 mil inscritos nas listas de discussão, uns 800 jogadores no MUD e partindo pros 9 mil usuários do Fórum. É difícil dizer o quanto disso tudo é motivado apenas pelos filmes mas eu acredito que, novamente me arriscando a levar uns ovos na cara ou ser considerado biruta, a influência dos tais filmes em todos esses números embora grande não seja avassaladora e a ausência futura dos filmes não venha a causar o efeito de uma Bomba H jogada no centro de São Paulo.

A crença geral é de que findo os filmes o número de fãs remanescentes nas páginas, listas de discussão e fórum vai voltar ao número pré-filmes, ficando apenas os "fãs de verdade", os "leitores". Eu acho que não será nem de longe assim. Acho que o movimento todo vai baixar pouco. Vamos tomar como base as listas de discussão (da qual temos uma apenas para as obras) e o fórum (no qual temos seções separadas para os filmes e a obra em si).

Não vejo porque a lista de discussão sobre a obra deva perder movimento ou mensagens, já que nela é proibido falar dos filmes e mesmo a lista de discussão dos filmes tem movimento 20% inferior à das obras. No fórum, nas áreas estritamente Tolkien, o filme corresponde a cerca de 40% do total de mensagens. Interessante não? Mesmo com os filmes por aí o que realmente atrai o pessoal e impulsiona a discutir, descobrir e conhecer são mesmo as obras.

Esses números me levam a concluir que o final dos filmes, com seus últimos espasmos de vida na mídia, que serão a premiação do Oscar e o lançamentos dos DVD de SdA:RdR em 2004 não deve afetar o estado atual do fandom de Tolkien no Brasil, e que este já se encontra bastante maduro e estabilizado para sobreviver per si, sem filmes, sem mídia, sem festa. Claro que não deixará de existir alguns problemas justamente pela diminuição de divulgação, acredito que a renovação dos fãs e a entrada de novos fãs será muito reduzida.

Explico. Pouquíssimas pessoas permanecem por muito tempo nesse mundo virtual de fã, discutindo, conversando, lendo. Os dados são que a duração média da presença de um fã ou visitante, de forma constante, nas listas, fórum ou página está por volta dos 5 meses. Hoje me dia o fluxo está positivo (muito positivo!). Muitos mais fãs surgem do que aqueles que somem. Acredito que esses valores podem se igualar ou talvez sofrer um fluxo negativo por algum tempo até tudo se estabilizar novamente.

Enfim, existe vida após os filmes sim, e uma vida muito brilhante e interessante e, não contem pra ninguém, mas eu estou realmente ansioso para que os filmes realmente saiam dos holofotes e possamos nos dedicar, finalmente, somente às obras. Tantos planos, tantas idéias, tantos textos a produzir, tantos outros a traduzir.

Que venha o último minuto do último filme! Com certeza saíremos de toda nossa demanda com um fandom muito mais amadurecido, coeso e diversificado do que quando entramos. E os filmes ficarão aí, como vitrines por tempo indefinido, atraindo, através de seu visual fascinante, mais e mais fãs para dentro da obra.

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Press Release do Livro do Curso de Quenya

Livro ensina língua falada pelos elfos de J.R.R. Tolkien

Parceria entre editora e site traz para o Brasil curso de quenya, principal idioma ficcional do autor de O Senhor dos Anéis


Muitos escritores de fantasia já tentaram reproduzir o grande número de povos e regiões que enchem as páginas de O Senhor dos Anéis, mas poucos se arriscaram a imitar os fundamentos do universo do livro: os diversos idiomas ficcionais criados por seu autor, o inglês J.R.R. Tolkien. Ao criar línguas com milhares de palavras e fonologia e gramática detalhadas, Tolkien alcançou um nível sem precedentes de consistência narrativa e literária. Um livro lançado agora no Brasil traz uma visão abrangente sobre a principal dessas línguas e promete agradar a velhos e novos fãs do universo da Terra-média.

Curso de Quenya – A Mais Bela Língua dos Elfos, editado numa parceria entre a editora curitibana Arte & Letra e o site tolkieniano Valinor (www.valinor.com.br), chega às livrarias nesta semana. O livro nasceu do curso de quenya (ou alto-élfico, como também é conhecida essa língua ficcional) desenvolvido online pelo filólogo norueguês Helge Fauskanger, um dos maiores especialistas do mundo em lingüística tolkieniana. É a primeira vez que o curso ganha o formato de livro impresso, embora a Valinor já tivesse publicado uma versão traduzida dele. O curso original pode ser encontrado com os outros estudos de Fauskanger no site Ardalambion (http://www.uib.no/People/hnohf/)

“Isso é história acontecendo diante de nossos olhos e nas nossas mãos”, brinca Fábio Bettega, editor e fundador da Valinor. “Falando sério, acho que o livro amplia muito o acesso das pessoas no Brasil a conteúdo tolkieniano de qualidade, que ainda é relativamente escasso por aqui.” Thiago Marés, editor responsável pelo livro, mostra o mesmo entusiasmo: “A editora tem um grande interesse em publicações de fantasia, e nada melhor do que começar com Tolkien, que foi um divisor de águas nesse gênero. O livro não interessa apenas a fãs de Tolkien, mas a todas as pessoas que apreciam a força da imaginação”.

O quenya (literalmente “a fala”) começou a ser elaborado por J.R.R. Tolkien nos anos 1910 e continuou sendo refinado pelo autor até sua morte, em 1973. Falado pelos elfos mais sábios e nobres da Terra-média, o idioma aparece, por exemplo, na canção entoada por Viggo Mortensen no último filme da série O Senhor dos Anéis e em diversas passagens dos livros. Sua estrutura gramatical e fonologia foram influenciadas principalmente pelo latim, pelo finlandês e pelo grego, e sua sonoridade, especialmente nas vogais, lembra bastante o português.

O curso está estruturado em 20 lições que permitem ao leitor se familiarizar com a pronúncia, o vocabulário e a gramática do quenya, mesmo sem conhecimento nenhum de filologia ou lingüística. Como Fauskanger faz questão de frisar, Tolkien não deixou vocabulário suficiente para que fosse possível conversar casualmente em quenya, mas é possível escrever com relativa fluência na língua, e há uma literatura crescente em alto-élfico sendo desenvolvida por fãs e estudiosos (principalmente traduções de autores clássicos e poesia composta originalmente nessa língua). Estimativas sugerem que o quenya é a segunda língua artificial mais utilizada no mundo, perdendo apenas para o esperanto.

A tradução do original em inglês ficou a cargo de Gabriel Oliva Brum, do curso de Letras da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e um dos principais estudiosos de lingüística tolkieniana no Brasil.

Informações técnicas

Editora: Arte & Letra
Ano: 2004
Número de páginas: 448
Acabamento: lombada quadrada e costurada
Formato: 21×14 cm

Contatos para a imprensa:

Thiago Marés ([email protected]), editor da Arte & Letra
Fábio Bettega ([email protected]), editor do site Valinor
Reinaldo José Lopes ([email protected]), editor do site Valinor – tel.(16) 9147-5854

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Cuidado com as Compras no Exterior!

 
Com a Internet e Cartões de Crédito Internacionais é possível facilmente fazer compras no exterior, recebendo na comodidade do seu lar. Basta ligar 1406 e você terá… bom, brincadeiras à parte, comprar no exterior atualmente está mais fácil do que ser assaltado em uma grande cidade. Claro que, como toda compra, exige cuidado e atenção.

O primeiro deles, nem preciso comentar, é a segurança do site. Esqueça totalmente aqueles sites que não utilização conexão segura na hora da compra (dá pra saber facilmente, pois no endereço vai constar https:// aou invés do tradicional http://). Fuja dos sites sem segurança como fugiria de uma briga de torcidas organizadas. Em geral, as compras em sites conhecidos e com conexão segura são altamente confiáveis.

O segundo detalhe é não esqueça que os preços estarão em outras moedas (geralmente dólares) e que existe a taxa de entrega, ou frete, que algumas vezes pode chegar a ser bem carinha.

E por terceiro, os impostos. Livros, revistas, impressos e alguns outros poucos produtos não pagam imposto de importação, mas todos os outros pagam. Isso inclui jóias, CDs, DVDs, jogos, produtos de informática, brinquedos e todo o resto. O imposto de importação é de 60% sobre o preço pago pelo produto, incluindo frete. Se a sua compra foi de 80 dólares e teve um frete de mais 20 dólares, totalizando 100 dólares, o imposto será de 60 dólares, fazendo o valor a ser pago subir para 160 dólares. Além disso tem a taxa de ICMS que equivale a mais ou menos 18% sobre o total anterior, ou seja, valor da compra + frete + imposto de importação. No nosso exemplo, teríamos 160 dólares mais 18%, totalizando 188,80 dólares. E ainda temos 2,5% de taxa do cartão de crédito e, dependendo do caso, uns 10 reais de taxa aduaneira. Portanto nossa inocente compra de 80 dólares chega no nosso cartão de crédito como quase 200 dólares, duas vezes e meia o valor original. Ah! A cobrança do imposto é por amostragem, portanto você pode ter sorte e seu produto passar sem ser vistoriado, ou seja, sem os 60% de imposto de importação e os 18% de ICMS.

Portanto, atenção e cuidado nas compras no exterior!

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Perfil e Notí­cias

 
Saudações a todos!

Desde que iniciamos o processo de desenvolvimento do sistema de Perfil e da possibilidade do usuário inserir as próprias notícias na Valinor estamos atentos para verificar possíveis problemas e melhorias.

Além do que estamos desenvolvendo pro sistema de Perfil, algumas coisas do mesmo não foram percebidas ou foram negligenciadas. Recebemos algumas queixas de que "existem notícias demais da Lothlórien" ou "existem notícias demais referentes a atualizações". De fato, o ritmo de atualizações anda frenético mas vocês não são obrigados a lerem tais notícias! Reparem no Perfil (ali no canto superior direito da Valinor) que vocês têm a opção de não visualizar as notícias referentes a atualizações da Valinor e da Lothlórien. Eu mesmo não as visualizo (afinal, sei de cor

E além dessas tem várias outras coisinhas legais no Perfil que realmente valem uma espiada com mais calma, para avaliação. Garanto pra vocês que ele melhorará a experiência de visitar a Valinor

Outro detalhe que nos sentimos na obrigação de ressaltar é o sistema de Envio de Notícias por parte dos usuários. Infelizmente estamos tendo muitos casos de copy/paste direito de notícias a partir de excelentes sites nacionais, principalmente Omelete, E-Pipoca e Cinema em Cena. Gostaria de pedir encarecidamente que não mandassem notícias dessa forma. Além de não ser legal é injusto, pois alguns sites precisam de receitas para se manterem. Montem suas próprias notícas, não é difícil, só demora um pouco mais do que simplesmente copiar todo o conteúdo.

Também não enviem comentários pessoais como notícias, o lugar dos mesmos é no Fórum Valinor (onde serão grandemente apreciados!). Notícias de uma ou duas linhas também ficamos impossibilitados de publicar, por simples falta de conteúdo das mesmas. Portanto, gastemos alguns minutinhos a mais para enviarmos nossas notícias, garanto que vai valer a pena!

Sei que são novidades de peso, mas com paciência e boa vontade todos poderemos usufruir as novidades da melhor maneira possível!

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

E o Pergunte ao Mago, como vai?

 
Fui dar uma espiada no andamento do Pergunte ao Mago, inclusive perguntei aos magos (não resisti ao trocadilho  ) como estavam as coisas. O que temos é que em 41 dias de funcionamento do "Escritório Avançado para Atendimento das Raças Extra-Aman Com Excessão dos Servos de  Sauron Através de Perguntas aos Sábios e Ilustríssimos Istari" mas mais conhecido comoPaM (Pergunte ao Mago) recebeu exatas 750 perguntas (mais de 18 por dia!!) das quais 484 foram respondidas e 166 encontram-se pendentes.

Atualmente o maior problema encontrado pelos Istari é exatamente o caráter fugidio dos mesmos. Nunca se sabe direito quando algum Istari disponível vai responder as questões. Falando em questões, as sobre Balrogs então provocam reações beirando o histerismo:

"O próximo que mandar uma sobre Balrogs eu vou mandar pro Vazio junto com Morgoth"

– Istar Que Deseja Permancer Anônimo

"Eu simplesmente as ignoro"
– Istar Que Ignora Todas as Outras Perguntas Também

"Bando de preguiçosos que não lêem os textos da Valinor"
– Istar Púrpura Com Bolinhas Laranja, ajeitando a Boina

Enfim,as coisas andam de vento em popa. As famosas perguntas sobre a sexualidade de ***** e *** (nomes foram censurados para preservar a privacidade dos mesmos) se reduziram a um mínimo e as perguntas sérias nunca foram tão numerosas! E tudo isso sem perder o senso de humor (quer dizer, tem o Istar Púrpura…).

Espero que usufruam e aproveitem o PaM, afinal ele está aí pra isso mesmo, e quando eu criei o mesmo lá pelos idos de 2000 não esperava que a resposta fosse ser tão positiva. Já mandou sua pergunta hoje?

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Cadastrando-se no Yahoogrupos!

 
Tenho notado uma certa dificuldades das pessoas em lidarem com as listas de discussão da Valinor, que estão no Yahoogrupos. Pensando nisso e atendendo a pedidos (né, Lasgalen? resolvi fazer um guiazinho bem simples e básico de como se cadastrar e gerenciar o próprio e-mails nas listas de discussão. Com ele você fica livre de Moderadores e de cadastros e descadastros via e-mail. Tudo fica muito mais rápido e simples.

São 20 itens. Parece bastante, mas não é, eles estão bem detalhados, passo-a-passo mesmo (eu segui todo o percurso para criá-lo) e não deve demorar mais do 5 ou 10 minutos para percorrê-lo integralmente. É importante ressaltar que é um guia para leigos e que sim, existem atalhos em vários pontos do mesmo, mas preferi não comentá-los para evitar complicar.

Qualquer dúvida me escreva detalhadamente o problema e o erro que eu posso tentar ajudar e a melhorar o Guia. Bom, vamos lá!

1) Acesse a seguinte URL:

http://br.groups.yahoo.com

2) Nela você vai encontrar um link ao lado superior da tela

"Novos usuários
Clique aqui para entrar"

(e você clica ali para entrar)

3) Vai aparecer um Termo de Compromisso (que você lê com carinho e aceita, claro)

4) Um daqueles horríveis e pentelhos formulários. Lutando um pouco com ele você vai conseguir preencher. Lembre-se da regra de ouro: não entre em pânico, o máximo que vai acontecer é você precisar alterar depois ou no pior caso, começar de novo.

5) Você vai chegar numa tela "Registro Completo – bem-vindo ao Yahoo!". Desmarque aquela opção "Sim, quero personalizar meu navegador com a barra de ferramentas Yahoo! Companion" que só vai te encher a paciência, anote os dados que estarão no quadradinho cinza (ID do Yahoo e novo e-mail) e clique no "Continue to Yahoo!".

6) Vai cair numa tela onde no canto superior direito você tem os seguintes links:

"criar um grupo – meus grupos – inf. conta – sair"

Clique em "inf. conta", entre com sua senha recém criada e dê ok.

7) vai cair em uma tela "editar informações: seu ID recem criado "

Vá em Informações de e-mail, clique no radio button ("select primary email address") e coloque o endereço de e-mail que você usa/deseja usar(nas listas de discussão) naquele "alternate email 1". Clique em concluído… e em concluído de novo.

8) Você voltou pra mesma tela do item 6) certo? No canto superior esquerdo tem um link escrito assim: "use nosso assistente para associação para localizar os seus grupos" (na verdade ao tempo do item 6) ele já estava ali, mas não clicamos nele (nem deveríamos ter clicado). Agora cliquemos.

9) Clique em continuar.

10) O endereço de e-mail que vc usa realmente e que você colocou no item 7) estará como "os seguintes endereços de e-mail ainda não foram verificados" e terá um link "verificar" ao lado. Clique nele.

11) Senha (dinovo) coloque e sigamos adiante.

12) Estamos agora em "Yahoo! Account Information". Você não fará nada nela e sim no seu e-mail! Depois de um tempo (que pode variar entre poucos segundos e algumas horas) você vai receber um e-mail do Yahoogroups com um link : "importante! Por favor clique aqui para verificar este endereço de e-mail para sua conta". Clique nele !

13) Vai abrir um browser e pedir (dinovo!) sua senha. Coloque e clique em verificar.

14) Caimos na "Etapa 1. Selecione os endereços de e-mail para usar na busca pelos grupos aos quais você é associado". Clique em Continuar.

15) Agora chegamos em algum lugar ! Vai aparecer na tela "Etapa 2. Especifique um perfil do Yahoo! para cada grupo ao qual você é associado" que vai mostrar todos os grupos no qual seu e-mail está cadastrado (correto?) vá ali em "Selecione um perfil para ser usado em TODOS esses grupos" e escolha o que você criou no item 4) e clique em Continuar. Clique em continuar (dinovo!)

16) PARABÉNS! (clique em ir para a página "meus grupos")

17) Vc deve estar na URL http://br.groups.yahoo.com/mygroups (recomendo que você coloque-a nos Favoritos)

18) clique em um dos grupos/listas desta tela, vai reparar que no canto superior direito vai ter um "edit my membership" (ou seu equivalente em português): clique nele para vermos uma coisinha.

19) Tem uma telinha legal … um dos itens é "message delivery" (ou seu equivalente em português) e temos as seguintes opções (ou suas equivalentes em português):

* Individuals e-mails. Send individual email messages.
* Daily digest. Send many emails in one message.
* Special notices. Only send me important update emails from the group moderator.
* No email. Dont send me email, Ill read the messages at the web site.

Escolha sua preferida! só acho que a única que não presta pra nada é a terceira.

20) Pronto ! Agora é só acessar através do http://br.groups.yahoo.com/mygroups e você vai poder ler, configurar, sair e várias outras coisas do seus grupos. Uma liberdade bem maior!

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Senhor dos Anéis, o Filme por… J.R.R. Tolkien!!!

 
Nesses tempos de "filme, filme, filme" eu tive uma curiosidade: o que Tolkien diria sobre o filme? Quais seriam as reações dele? Nós temos pouquíssimas fontes para o assunto… uma biografia que não é de muita ajuda, um filho inacessível e nosso colega de todas as horas, senhor supremo das dúvidas tolkienianas e talvez o livro mais esclarecedor tanto sobra a obra quanto sobre o homem, nosso amado e idolatrado "Letters of J.R.R. Tolkien". Após uma pequena pesquisa consegui alguns fatos interessantes. Inúteis na prática, claro, mas bem curiosos.

Poucos dentre nós fãs sabemos, sem culpa claro, que Tolkien foi bastante famoso já em vida e que bastante cedo após o lançamento do livro o mesmo foi adaptado (ou cogitou-se adaptá-lo) para outras mídias. Em 1955 (apenas um ano após o lançamento do SdA) a BBC de Londres transmitiu uma versão radiofônica do livro, um costume bastante comum àquele tempo. Não foram muito felizes, sob a ótica de Tolkien:

"Eu acho que o livro é bastante inadequado para dramatização, e eu não gostei da radiodifusão (…)" [Carta #175, 30/nov 1955]

Ele odiou especialmente Tom Bombadil e as besteiras que foram ditas na introdução – que Fruta dOuro era filha do Tom e que o Velho Salgueiro era um aliado de Mordor. Aparentemente os próximos meses foram bastante agitados para Tolkien, pois ele alega numa carta de dezembro do mesmo ano [Carta #177] que a correspondência dele havia aumentado muito por causa de fãs furiosos com a radiodifusão e/ou com os críticos do livro (viu, caros e inflados fãs inimigos do filme do Peter Jackson… vocês não estão sozinhos – há mais de 45 anos, aliás .

Até aqui nada de muito novo ou inesperado – até chegarmos em meados de 1957. Tolkien recebe uma proposta de um cineasta americano para a produção de um desenho animado do SdA! Vou transcrever a carta na íntegra, pois vale a pena e nos revela detalhes bastante iinteressantes:

"Até o ponto em que estou interessado pessoalmente, eu deveria dar boas-vindas à idéia de um filme animado, mesmo com todo o risco de vulgarização; e assim além do brilho do dinheiro, embora a possibilidade de uma aposentadoria não ser uma possibilidade desagradável. E acredito que acharia a vulgarização menos dolorosa que a tolificação* alcançada pela B.B.C." [Carta #198, 19/jun/1957]

* sillification, no original

Ora, ora! Quanto nos é revelado em tão curtas linhas. Vamos lá:

a) Tolkien não se opunha às adaptações de sua obra, embora a achasse "inadequada à dramatização". Outra indicação disso é a venda dos direitos autorais para o cinema;

b) O brilhinho das moedas de ouro atraía nosso Bom Professor tanto quanto a Bilbo nO Hobbit. Fica a sincera impressão (por essa e outras cartas) que ele aprovaria a adapatação apenas pelo dinheiro (nada contra, acredito que todos temos o direito de usufruir do que produzimos);

c) O que incomodava Tolkien não era tanto a vulgarização da obras, mas sim que a mesma fosse mostra de forma tola ou bobinha (e disso não podemos acusar PJ!). No "On Fairie Stories" Tolkien bate bastante na tecla de que contos de fadas não devem ser tolos ou bobos… e nem são direcionados à crianças. Portanto a adaptação de Bakshi, de 1978, deveria ter provocado ascos em Tolkien;

Menos de três meses depois Tolkien recebe a primeira sinopse da animação e fica bastante contrariado por cair exatamente no que ele desejava impedir, a "tolificação". Aparentemente a animação estava muito comprimida, as pessoas "galopavam" em águias à primeira chance e Lothlórien fora transformada num castelinho de fadas com "delicados minaretes". Mas Tolkien não desiste e oferece-se pessoalmente para auxiliar com correções e conselhos – caso os produtores decidam que vale a pena.

Aparentemente ainda valia, pois em abril de 1958 Tolkien recebia um novo story line do filme… e quase surtou. A principal reclamação dele foi de que os diálogos do original não foram em nada respeitados, afirmando que o escritor do story line leu o livro rapidamente e gerou um script de lembranças pessoais, sem novas consultas ao livro, transformando Boromir em Borimor e Radagast em uma águia. Novamente fala sobre tolificação, mas, como ele afirma "eu preciso e logo deverei precisar muito mais de dinheiro" [Carta #207] e portanto se oferece pra tentar ajustar e consertar o que puder.

Mas em junho de 1958 finalmente a paciência de Tolkien se acaba e ele manda o escritor do story line praticamente às favas. Ele escreve uma longa carta, detalhando ponto por ponto o que ele não conseguia engolir… e agora é muita coisa. Dessa vez ele praticamente não aceita nenhuma alteração do que ele escreveu, embora aceite alguma compressão e adaptação. Coisas aparentemente sem maior importância, como fogos de artíficio em forma de bandeira durante a festa de Bilbo são motivos de reclamação de Tolkien. Ele reclama de tudo, desde a utilização constante das águias, passando pela incorreta utilização dos nomes chegando a canções que não deveriam ser cantadas em determinadas circunstâncias. E a Parte III "é totalmente inaceitável para mim. como um todo e em detalhes" [Carta #210]. Para finalizar, "The Doom of Tolkien": "O Senhor dos Anéis não pode ser deturpado dessa forma". [Carta #210]

E o assunto morre por aqui mesmo. É, realmente Tolkien não era muito amigo do cinema Ele odiava a Disney: "por cujos trabalhos eu tenho sincero asco" [Carta #13].

Bom, agora entramos na boataria, coisas que provavelmente nunca saberemos em detalhes. Até meados de 2000 ou 2001 existia uma "lenda" bastante difundida de que Tolkien, por necessidade de dinheiro, teria vendido os direitos de filmagem dO Senhor dos Anéis por meros U$ 10.000,00. À época da espera da filmagem e lançamento do primeiro filme da trilogia do PJ, o Tolkien Estate veio a público desmentir tal afirmação, afirmando que os direitos foram vendidos
por "algumas centenas de milhares de libras e uma percentagem na produção", pois é, de bobo Tolkien não tinha nada e garantiu em vida o bem-estar de algumas gerações de "Tolkiens".

No final o que ficou foi a impressão de que, se tratado com respeito e envolvido desde o começo da produção, por gente séria e sincera, o envolvimento Tolkien x Cinema teria sim dado certo. Teríamos um filme muito próximo do que temos hoje mas sem os pontos grosseiros de alterações radicais (como a aparição de Gil-galad, Arwen e mais umas coisinhas). Tolkien não se enquadrava no que chamamos de "afável" e o pessoal de cinema é conhecidamente difícil de lidar, mas se ultrapassassem as primeiras fases o envolvimento poderia dar certo sim. Mas poderia se tornar um porre, já que a linguagem que Tolkien conhecia era a lentidão dos livros. Bom, mas é só um exercício (saboroso!) de imaginação.

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português