Arquivo da categoria: Coluna do Deriel

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Você troca seu colete por todo o Condado? SIM!

 
Segue abaixo a descrição do quarto parágrafo sumido (os outros três foram apelidados por mim de "O Anel de  Saruman", "Tom Bombadil Gagá" e "Sam, o Esperto") de cinco encontrados até o momento e como ficaria uma possível tradução em português. E registro que a discussão e descoberta foi obra de uma pessoa do Fórum Valinor, da qual eu tive participação meramente marginal e de "juntar os caquinhos". Foi o ex.

Seguindo em frente, o que detectamos foi que a edição nacional de SdA deixa de fora um parágrafo importante. Na versão original em inglês o trecho é o seguinte, do qual foi colocado um parágrafo antes e um após o trecho faltante:

What? cried Gimli, startled out of his silence. A corselet of Moria-silver? That was a kingly gift!

Yes, said Gandalf. I never told him, but its worth was greater than the value of the whole Shire and everything in it.

Frodo said nothing, but the put his hand under his tunic and touched the rigns of his mail-shirt. (…)

Em português, temos (segundo tradução da Martins Fontes):

– O quê? – gritou Gimli, despertando do silêncio em que se encontrava. – Um colete de prata de Moria? Foi um presente de rei!

Frodo não disse nada, mas colocou a mão embaixo da túnica e tocou os anéis de seu colete de malha. (…)

O parágrafo ficaria, em português, segundo minha tradução pessoal e livre, da seguinte forma:

Sim, disse Gandalf. Eu nunca contei a ele, mas seu valor e maior que o do COndado e de tudo que está nele.

Coletezinho valioso, não? É interessante ressaltar que esta frase consta literalmente no filme feito pelo Peter Jackson! Os trechos acima citados encontram-se no capítulo IV do livro II, "Uma Jornada no Escuro".

[Agradecimento especial ao "ex"]

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Fanfics!

 
Quem já teve o (des)prazer de me encontrar em alguma das listas de discussão que frequento deve saber que eu tenho um verdadeiro ódio pelo Fëanor e pelo Túrin. Lógico que não como personagens literários, pois a história de ambos é interessante, rica e importante para o todo. Odeio-os do fundo do meu coração por suas atitudes, idéias e reações. Sempre quando (re)leio o Silmarillion fico torcendo para que o Fëanor caia de cabeça numa quina de um meio-fio qualquer em Túna e desapareça em Mandos antes de criar as Silmarilli ou que Túrin descubra uma inesperada veia artística e se torne um bardo meio efeminado ao invés de guerreiro… mas é claro que isso nunca vai acontecer. Mas e se acontecesse?

Também já fiquei por horas e horas e horas pensando, imaginando, teorizando sobre os Primeiros Elfos, aqueles três primeiros que acordaram em Cuiviénen antes de todos os outros e que deram origem à Três Famílias… mas não passam de conjecturas pois Tolkien não deixou nada específico escrito (afora o Cuivienyarma, claro) sobre esse fato. Mas e se tivesse escrito?

Como eu muitos dos fãs (senão todos) possuem essas mesmas dúvidas e questões na cabeça: "mas e se ao invés de assim as coisas tivessem acontecido de outra maneira?" e "como Tolkien descreveria tais e tais fatos, que ficaram sem maiores explicações?". Essas duas questões são a base do que chamamos "Ficção de Fã" ou simplesmente "FanFic" que são, em poucas palavras, histórias feitas por fãs utilizando personagens, histórias e localizações criadas por outra pessoa (no nosso caso específico, Tolkien).

É bastante divertido e desafiador escrever fanfics (eu prometo que ainda vou escrever sobre como seria se Túrin virasse um bardo meio efeminado) e os fãs realmente as adoram. É divertido nos transvestirmos de Tolkien por algumas horinhas e encarnar os personagens e mundos do Velho Professor.

Mas é claro que nem tudo são flores, pois entre o querer e o escrever existem mil dificuldades. A principal é que a maioria de nós não é nem tem lá muito traquejo para escritor, o que algumas vezes nos faz desistir antes mesmo de começarmos. Como já disse alguém certa vez, escrever bem depende de um certo treino e uma certa experiência (o talento é o tempero) e nunca vamos aprender a escrever se não escrevermos, certo? Portanto, não se deixe levar por preguiça ou desânimo e ponha-se a escrever. Os primeiros textos podem parecer meio simplórios, bobos ou até mesmo simplesmente uma droga, mas com certeza a gente vai melhorando e aprendendo aos poucos (eu espero algum dia saber escrever, enquanto isso vocês sofrerão com minhas Colunas

Um segundo ponto de inibição são as críticas, e escrever fanfics pode gerar críticas mais enérgicas que o normal, afinal você está escrevendo ao estilo de um autor renomado e de qualidade (Tolkien) gerando inevitáveis comparações. Também está usando personagens e locações do autor, o que pode gerar críticas de "quebra de lógica interna" na qual o autor afirma uma coisa mas você afirma outra em sua pequena obra. O conselho é batido, mas essencial: utilize as críticas para crescer e não para desistir.

Mas apesar das dificuldades (sempre existentes em tudo que se queira realizar)•é uma área muito legal de ser explorada pelos fãs… afinal, é a maneira que temos de explorar áreas inexploradas e explicar fatos inexplicados. O que aconteceu com as Entesposas? O que os dois Magos Azuis fizeram no leste da Terra-média e pq fracassaram? Qual teria sido o desfecho do inacabado "A Nova Sombra"? Como era a vida em Númenor? Quais seriam as canções dos Vanyar? As possibilidades são inesgotáveis! Ainda mais se quisermos entrar na área obscura do "e se…". Afinal, e se…
* Boromir não tivesse morrido?
* Gandalf tivesse pego o Um Anel?
* Fëanor tivesse aberto mão das Silmarilli?
* Fingolfin não tivesse acompanhado a Revolta dos Noldor?
* Ungoliant não tivesse se unido a Melkor?
* Os Valar demorassem mais a encontrar os Elfos?
* Frodo tivesse morrido no covil de Laracna?
* O Um Anel fosse levado a Minas Tirith?
* O Balrog de Moria tivesse obtido o Um Anel?

A Valinor mesmo tem dois espaços para fanfics que podem ser bastante úteis. No Fórum Valinor (http://forum.valinor.com.br) existe o "Clube dos Escritores" um local onde você pode colocar seus textos para serem comentados e criticados (no bom sentido da palavra). Para fazer parte dele é só entrar no Fórum e se cadastrar no Clube (peça ajuda ao V – sim, aquele mesmo do "V de Vingança" – que é o responsável pelo mesmo). E temos a Lothlorien (http://www.lothlorien.com.br), uma página da Valinor exclusivamente dedicada aos fãs e à produção dos fãs, como desenhos e, claro, fanfics. Se você for lá e der uma espiada vai reparar que temos algumas dúzias de fanfics, dos mais diversos estilos, sendo a maioria referente ao Concurso de aniversário da Valinor (por isso o tema "Valinor" na maioria delas). Repare que a grande vencedora é um conto de excepecional qualidade… impressionante mesmo! Caso queira disponibilizar alguma fanfic sua na Lothlorien ou maiores informações sobre o assunto, basta utilizar nosso velhor e conhecido [email protected], ok?

Bom, mãos à obra e asas à imaginação! Quem sabe você não tem um escritor de grande qualidade escondindo aí dentro?

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Onde há fumaça… há batalha!

 
O quinto e último parágrafo dos parágrafos faltantes (até agora) encontrados em todas as edições da tradução brasileira de SdA está publicado no texto abaixo. Os outros três foram apelidados por mim de "O Anel de  Saruman", "Tom Bombadil Gagá", "Sam, o Esperto" e "Você troca seu colete por todo o Condado? SIM! ". E registro que a discussão e descoberta foi obra de uma colega da lista de discussão Valinor Obras, da qual eu tive participação meramente marginal e de "juntar os caquinhos". Foi a Paula.

Seguindo em frente, o que detectamos foi que a edição nacional de SdA deixa de fora um parágrafo importante. Na versão original em inglês o trecho é o seguinte, do qual foi colocado um parágrafo antes do trecho faltante:

"I see a great smoke", said Legolas. "What may that be?"

"Battle and war!" said Gandalf. "Ride on!"

Em português, temos (segundo tradução da Martins Fontes):

– Vejo uma grande fumaça – disse Legolas – Que pode ser aquilo?

E o capítulo termina assim, sem a resposta de Gandalf. Estranho não?

O parágrafo final do capítulo ficaria, em português, segundo minha tradução pessoal e livre, da seguinte forma:

"Batalha e guerra!" disse Gandalf. "Cavalguemos!"

A frase é exatamente o final do capítulo V do livro III, "O Cavaleiro Branco".

[Agradecimento especial à Paula]

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É o Filme MALIGNO?

 
Há aproximadamente dois anos e meio convivemos como filme do Senhor dos Anéis (vou me permitir usar SdA a partir de agora), primeiro como notícias esparsas, imagens da produção, trailers e previews e por fim com o próprio filme e a repercursão do mesmo. E a comunidade de fãs virou um pandemônio. Personagens secundários e sem muito interesse, como  Legolas, descrito pelo próprio  Tolkien nas lendárias Letters, como o membro mais "inútil" da Comitiva, tornaram-se instantaneamente alvo dos holofotes. Passagens do filme, alteradas com relação ao livro, são consideradas como "válidas" dentro da obra e, heresia das heresias (queime-os, queime-os!!!) surgiram os fãs do filme que não gostam do livro. Brincadeiras à parte, o fandom sofreu um terremoto. Agora que a maior parte das expectativas com relação do filme já foram saciadas (apesar dos próximos dois filmes ainda a serem lançados) podemos analisar o real impacto dos filmes entre os fãs.

Antes, quando não existia o SdA do Peter Jackson (usarei PJ a partir de agora) o máximo que tinhamos era a piada do Bakshi, aquela animaçãozinha pretenciosa e rídicula feita em 1978 (e suas continuações insossas – "O Hobbit" e "O Retorno do Rei"). Nós, fãs de Tolkien, éramos uma espécie de "Sociedade Secreta Detentora do Segredo do Livro-mais-legal-do-mundo". Éramos poucos e de nichos bem específicos como jogadores de RPG e universitários. Por sermos poucos e de número constante (aparecia um ou outro novato de vez em quando) as discussões seguiam um crescente dentro da obra, cada vez mais intricandas e "aprofundadas". O surgimento da imensa massa de fãs produzidos pelo SdA de PJ interrompeu este processo, inundando de fãs novatos, leitores de primeira viagem ou apenas apreciadores do filme, fazendo as discussões derraparem e se repetirem sempre nos pontos mais inicias e básicos da obra além, claro, da mistureba de discussões sobre o filme.

Surgiu o fã ortodoxo, para quem as expressões "filme", "PJ" e "10 mais da Veja" funcionam como alho para um vampiro e agem como se tivesse sido tirados do paraíso e lançados no mais profundo fogo do inferno. Torcem para que o PJ morra antes de lançar os outros filmes, para que o livro encalhe nas livrarias e que nunca mais apareça nas listas de 10 mais. Sugerem listas só pros "antigos" (Cthulhiano isso, não? e são ríspidos com os novatos. Em suma, sentem-se magoados, marginais e participantes da "congregação-dos-fãs-de-verdade".

Não nego que por um bom tempo o parágrafo anterior me definiria perfeitamente ainda mais depois de ter, na pré-estréia do SdA, ter visto os TGP ("Três Grandes Pecados") do PJ: Isildur cortando o dedo de Sauron em batalha (arghhh!!! Gil-galad, cadê você, meu filho?), Arwen no lugar de Glorfindel e responsável pela inundação do Bruinen (tortura!!! enfiem lascas de bambu sob as unhas do PJ!) e a destruição completa de Lothlórien, com direito à Galadriel-Rá (a de vida eterna) e tudo mais. Confesso que fiquei chocado e desorientado. Novatos perguntando pela ducentésima nona vez (na mesma semana!) "quem era esse tal Glorfindel" ou "Balrogs têm asas?" me irritavam bastante. Lá por fevereiro/março de 2002 a Valinor nunca esteve tão bem e eu tão infeliz (como fã).

Porém… em um momento qualquer do primeiro semestre eu estava lendo uma entrevista de um intelectual (não me recordo do nome, desculpem) e o assunto da adaptação de obras literárias para o cinema veio à baila. Para meu choque, à pergunta "qual a pior adaptação de uma obra?" o intelectual respondeu sem titubear: "O Nome da Rosa, de Umberto Eco. O filme destruiu o livro". Fiquei pasmo, por um motivo: "O Nome da Rosa" é, muito provavelmente, meu filme preferido e já o assisti inúmeras vezes. Sou um fã do filme e nunca me preocupei em ler o livro (realmente não quero ler). De um momento para o outro, me vi do outro lado… eu era o fã do filme do PJ em meio a uma turba barulhenta de (pseudo-)intelectuais revoltados contra o filme.

A partir desse fato, comecei a me esforçar a ver o outro lado e a tentar usar o máximo de paciência para com os novos-fãs. Sinceramente, com algumas ressalvas, é claro, acho o filme muito bem realizado, capturando muito da "alma do livro", mesmo que o diretor não seja Tolkien e sim um fã dele, o PJ. É um filme feito com carinho e (relativo) cuidado. Nas listas de discussão os novatos devem receber atenção especial, afinal um dia já o fomos também. Eu sugiro aos fãs antigos, cansados das mesmas dicussões de sempre, organizarem FAQs (listas de perguntas/respostas frequentes) para serem disponibilizadas na Valinor e a serem indicadas aos fãs mais recentes, assim, além de ajudarem a estes, estarão resolvendo o problema das discussões recorrentes, mostrando seu próprio conhecimento (e todos ficamos felizes). E não há demérito nenhum em se ler um livro apenas por ele estar entre os 10 mais da Veja, aliás, que bom que ele está entre os 10 mais, assim mais e mais pessoas podem tomar contato com este grande autor!

Alguns acusam a "mídia" de estar explorando Tolkien, lançando desde chicletes até cadernos com os personagens. Oras bolas, e daí? Não os compre! Por acaso temos o direito de escolher quem deve ou não ser fã ou andar com uma camiseta do Gandalf na rua? Poupem-me. Quando a poeira abaixar, daqui a 3 ou 4 anos, tudo volta a ser como era antes do filme, e esses itens de marketing serão troféus dos colecionadores.

Na minha sincera opinião teremos ainda algum tempo de turbulência, claro, mas no final das contas o resultado é um só: fortalecimento do fandom. O número de livros traduzidos vai aumentar muito, os encontros estarão mais movimentados, teremos mais discussões e de maior qualidade. Pessoas com novos pontos de vista e de áreas antes inusitadas estão se unindo ao grupo de fãs. Quem sabe até mesmo surja uma convenção (estilão EIRPG) só de tolkienianos, tolkienólogos, tolkienólatras, tolkienistas e afins? O importante é percebermos que ninguém é obrigado a apreciar o filme ou livro mas todos podemos (e devemos!) conviver na idílica "paz das diferenças" (em tempo… tratarei do assunto "fanatismo" em alguma de minhas próximas colunas).

Portanto, relaxemos e deixemos as águas do Grande Rio Tempo fluirem, o que veio/virá, é/será para o bem. E, como eu costumo dizer (sob ameaças de morte e acusações de "o Deriel não é fã!"), "divirtamo-nos, afinal, é apenas um livro".

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Alerta de Ví­rus

 

e você recebeu um e-mail de algum @valinor.com.br contendo vírus, não abra! Apesar de não ser a Valinor que está com vírus, não podemos fazer muita coisa. Vou tentar explicar como o vírus age. Ele se instala em alguma computador, tendo sido recebido por e-mail. Nesse computador o vírus vai até a Lista de Endereços e se reenvia para todos os endereços constantes no mesmo. Portanto, se você pegar um vírus de e-mail, seus amigos todos vão acabar recebendo cópias do danado por estarem em sua Lista de Endereço.

Danadinho não? Mas ele é bem mais sacana do que isso!

Ao invés de apenas se reenviar para a sua Lista de Endereços, ele se reenvia fazendo-se passar por outra pessoa. Vamos supor que você seja a Carlota e tenha a Julinha e o Tiago na sua lista de Endereços. O vírus pode se mandar pra Julinha como se fosse o Tiago mandando. Ele simula, "mente", ele se faz passar por um e-mail da Valinor.

Infelizmente não há muito o que fazer contra isso. Por isso que e-mail é um meio inseguro. Não podemos impedir que o vírus, a partir de um computador infectado, acabe se fazendo passar por um @valinor.com.br ou por qualquer outro e-mail (quem já não recebeu e-mail do [email protected] ou qualquer outro endereço imaginável?). Os conselhos que damos, e que podem ajudar em muito em sua segurança é:

* anti-vírus sempre atualizado;
* evite utilizar o Outlook e o Outlook Express (sugiro o Thunderbird, no http://www.mozilla.org);
* se puder, evite usar Windows;
* não abra anexos;
* a Valinor não vai mandar e-mails em inglês pra ninguém;

Com isso pode-se reduzir muito os problemas com essas porcarias desses vírus infernais.

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E o Futuro, a Quem Pertence?

 
"Quando os homens se colocam a prever o futuro, os deuses riem." (Provérbio Chinês)

Há quanto tempo não me dedico a escrever uma Coluna do Deriel, ahn? Não que se aproveite muita coisa delas, mas é sempre bom colocar os neurônios e os dedos pra funcionarem e acho que alguns "insights" meus, vistos aqui de dentro da Valinor foram úteis no passado. Alguns até divertidos. Mas isso é passado e o que eu gostaria de tratar agora é do futuro.

Falar do futuro é sempre bastante fácil e direto: ninguém se lembrará de conferir este meu texto daqui a um ano, quando o mesmo passará a tratar do presente, portanto estou confortavelmente protegido por mais absurdas que minhas previsões se mostrem. Mas acho que não vou errar por muito, se é errar.

Têm-se falado, com mais e mais constância ao se aproximar do final dos filmes, sobre o destino do nosso fandom ("fandom" é um termo que engloba todos os fãs de uma determinada coisa… no nosso caso, Tolkien, claro). O que vai acontecer com os fãs de Tolkien após os filmes saírem de cartaz, as luzem se apaguerem e todo o frissom que estamos vivendo virar mera notícia de arquivo nos sites e revistas especializados?

Afinal, qual o futuro dos fãs de Tolkien no Brasil? Existe vida após o filme? Iremos todos nós arrumarmos nossas malas, rumarmos para os Portos Cinzentos e o último da fila que apague a luz e ponha o gato pra fora?

Responder essa pergunta existe dar uma passeada pela beirada de outros assunto (além do mais, eu também preciso dar uma aumentada no número de parágrafos da Coluna, senão vou acabar trocando de "Coluna do Deriel" pra "Bilhetes do Deriel" ou "Notas de Rodapé do Deriel"). E para falar do futuro de Tolkien no Brasil, vou falar, despudoradamente, da Valinor.

Cuidar da Valinor é quase como cuidar de uma empresa: é necessário ter alguma visão de futuro, prever passos e reciclar sempre. Nada mais chato do que uma página morta. E portanto o "o que vai acontecer quando os filmes se acabarem?" está por aqui, navegando em minha mente por algum tempo, ainda mais agora, que é uma possibilidade muito mais do que presente (menos de um mês!).

Nada melhor para prever o futuro do que dar uma espiada no passado. Eu ainda me recordo de algumas estatísticas da página e da lista de discussão ali pelo começo e meados de 2000, quando nem falava de filme ainda (filme mesmo só ali pelo final de 2000, meados de 2001). Então posso afirmar sem errar que o movimento daquela época era tão somente motivado pelos leitores fãs de Tolkien. Eram cerca de 75 visitantes por dia na página e uns 70 inscritos na lista de discussão. Pouco? Em termos de hoje sim, é, mas era mais que o suficiente pra manter uma lista bem divertida e agitada e a página ter um fluxo tal de visitantes que incentivasse cada vez mais novidades.

Agora passamos pra 2003. São cerca de 10 mil visitantes por dia, 3 mil inscritos nas listas de discussão, uns 800 jogadores no MUD e partindo pros 9 mil usuários do Fórum. É difícil dizer o quanto disso tudo é motivado apenas pelos filmes mas eu acredito que, novamente me arriscando a levar uns ovos na cara ou ser considerado biruta, a influência dos tais filmes em todos esses números embora grande não seja avassaladora e a ausência futura dos filmes não venha a causar o efeito de uma Bomba H jogada no centro de São Paulo.

A crença geral é de que findo os filmes o número de fãs remanescentes nas páginas, listas de discussão e fórum vai voltar ao número pré-filmes, ficando apenas os "fãs de verdade", os "leitores". Eu acho que não será nem de longe assim. Acho que o movimento todo vai baixar pouco. Vamos tomar como base as listas de discussão (da qual temos uma apenas para as obras) e o fórum (no qual temos seções separadas para os filmes e a obra em si).

Não vejo porque a lista de discussão sobre a obra deva perder movimento ou mensagens, já que nela é proibido falar dos filmes e mesmo a lista de discussão dos filmes tem movimento 20% inferior à das obras. No fórum, nas áreas estritamente Tolkien, o filme corresponde a cerca de 40% do total de mensagens. Interessante não? Mesmo com os filmes por aí o que realmente atrai o pessoal e impulsiona a discutir, descobrir e conhecer são mesmo as obras.

Esses números me levam a concluir que o final dos filmes, com seus últimos espasmos de vida na mídia, que serão a premiação do Oscar e o lançamentos dos DVD de SdA:RdR em 2004 não deve afetar o estado atual do fandom de Tolkien no Brasil, e que este já se encontra bastante maduro e estabilizado para sobreviver per si, sem filmes, sem mídia, sem festa. Claro que não deixará de existir alguns problemas justamente pela diminuição de divulgação, acredito que a renovação dos fãs e a entrada de novos fãs será muito reduzida.

Explico. Pouquíssimas pessoas permanecem por muito tempo nesse mundo virtual de fã, discutindo, conversando, lendo. Os dados são que a duração média da presença de um fã ou visitante, de forma constante, nas listas, fórum ou página está por volta dos 5 meses. Hoje me dia o fluxo está positivo (muito positivo!). Muitos mais fãs surgem do que aqueles que somem. Acredito que esses valores podem se igualar ou talvez sofrer um fluxo negativo por algum tempo até tudo se estabilizar novamente.

Enfim, existe vida após os filmes sim, e uma vida muito brilhante e interessante e, não contem pra ninguém, mas eu estou realmente ansioso para que os filmes realmente saiam dos holofotes e possamos nos dedicar, finalmente, somente às obras. Tantos planos, tantas idéias, tantos textos a produzir, tantos outros a traduzir.

Que venha o último minuto do último filme! Com certeza saíremos de toda nossa demanda com um fandom muito mais amadurecido, coeso e diversificado do que quando entramos. E os filmes ficarão aí, como vitrines por tempo indefinido, atraindo, através de seu visual fascinante, mais e mais fãs para dentro da obra.

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Press Release do Livro do Curso de Quenya

Livro ensina língua falada pelos elfos de J.R.R. Tolkien

Parceria entre editora e site traz para o Brasil curso de quenya, principal idioma ficcional do autor de O Senhor dos Anéis


Muitos escritores de fantasia já tentaram reproduzir o grande número de povos e regiões que enchem as páginas de O Senhor dos Anéis, mas poucos se arriscaram a imitar os fundamentos do universo do livro: os diversos idiomas ficcionais criados por seu autor, o inglês J.R.R. Tolkien. Ao criar línguas com milhares de palavras e fonologia e gramática detalhadas, Tolkien alcançou um nível sem precedentes de consistência narrativa e literária. Um livro lançado agora no Brasil traz uma visão abrangente sobre a principal dessas línguas e promete agradar a velhos e novos fãs do universo da Terra-média.

Curso de Quenya – A Mais Bela Língua dos Elfos, editado numa parceria entre a editora curitibana Arte & Letra e o site tolkieniano Valinor (www.valinor.com.br), chega às livrarias nesta semana. O livro nasceu do curso de quenya (ou alto-élfico, como também é conhecida essa língua ficcional) desenvolvido online pelo filólogo norueguês Helge Fauskanger, um dos maiores especialistas do mundo em lingüística tolkieniana. É a primeira vez que o curso ganha o formato de livro impresso, embora a Valinor já tivesse publicado uma versão traduzida dele. O curso original pode ser encontrado com os outros estudos de Fauskanger no site Ardalambion (http://www.uib.no/People/hnohf/)

“Isso é história acontecendo diante de nossos olhos e nas nossas mãos”, brinca Fábio Bettega, editor e fundador da Valinor. “Falando sério, acho que o livro amplia muito o acesso das pessoas no Brasil a conteúdo tolkieniano de qualidade, que ainda é relativamente escasso por aqui.” Thiago Marés, editor responsável pelo livro, mostra o mesmo entusiasmo: “A editora tem um grande interesse em publicações de fantasia, e nada melhor do que começar com Tolkien, que foi um divisor de águas nesse gênero. O livro não interessa apenas a fãs de Tolkien, mas a todas as pessoas que apreciam a força da imaginação”.

O quenya (literalmente “a fala”) começou a ser elaborado por J.R.R. Tolkien nos anos 1910 e continuou sendo refinado pelo autor até sua morte, em 1973. Falado pelos elfos mais sábios e nobres da Terra-média, o idioma aparece, por exemplo, na canção entoada por Viggo Mortensen no último filme da série O Senhor dos Anéis e em diversas passagens dos livros. Sua estrutura gramatical e fonologia foram influenciadas principalmente pelo latim, pelo finlandês e pelo grego, e sua sonoridade, especialmente nas vogais, lembra bastante o português.

O curso está estruturado em 20 lições que permitem ao leitor se familiarizar com a pronúncia, o vocabulário e a gramática do quenya, mesmo sem conhecimento nenhum de filologia ou lingüística. Como Fauskanger faz questão de frisar, Tolkien não deixou vocabulário suficiente para que fosse possível conversar casualmente em quenya, mas é possível escrever com relativa fluência na língua, e há uma literatura crescente em alto-élfico sendo desenvolvida por fãs e estudiosos (principalmente traduções de autores clássicos e poesia composta originalmente nessa língua). Estimativas sugerem que o quenya é a segunda língua artificial mais utilizada no mundo, perdendo apenas para o esperanto.

A tradução do original em inglês ficou a cargo de Gabriel Oliva Brum, do curso de Letras da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e um dos principais estudiosos de lingüística tolkieniana no Brasil.

Informações técnicas

Editora: Arte & Letra
Ano: 2004
Número de páginas: 448
Acabamento: lombada quadrada e costurada
Formato: 21×14 cm

Contatos para a imprensa:

Thiago Marés ([email protected]), editor da Arte & Letra
Fábio Bettega ([email protected]), editor do site Valinor
Reinaldo José Lopes ([email protected]), editor do site Valinor – tel.(16) 9147-5854