Beleg Cúthalion

tn-beleg_is_slain-web.jpgChefe da guarda de fronteiras do Rei Thingol de Doriath, amigo de Túrin, pelo qual foi morto. Beleg era um elfo Sindarin. Foi um arqueiro altamente qualificado e usava o arco Belthronding, feito de madeira de teixo escuro. Ele era forte, tinha grande resistência e era sagaz na visão e na mente. Ele era iniciado nas artes de cura e podia curar rapidamente.
 
 
Beleg foi o maior de todos habitantes da floresta a seu tempo. Ele morava em acampamentos na floresta perto da fronteira norte de Doriath. Doriath foi um reino da floresta cercada por uma barreira de proteção denominada Cinturão de Melian,a qual era mantida pela esposa de Thingol. Mas, servos de Morgoth vagueavam próximos das fronteiras, em especial daquelas do norte, e Beleg e seus guardas de fronteira lutavam contra aqueles que tentavam aproximar-se de Doriath.
 
Próximo ao ano 458 da Primeira Era, uma legião de orcs veio através da passagem do Sirion e aproximou-se da Floresta de Brethil, que ficava nos limites de Doriath. Beleg e uma companhia de elfos juntaram forças com Halmir e os homens da Floresta de Brethil para emboscar e derrotar os orcs. Por um bom tempo, a ameaça por parte dos orcs naquela região ficou reduzida.

Em 466, o Cinturão de Melian foi quebrado por Carcharoth, o lobo de Angband, que tinha engolido a Silmaril que Beren e Lúthien haviam roubado de Morgoth. Uma caça ao lobo foi levada à cabo e dela participaram Beleg, Mablung, Thingol, Beren e Huan (o cão de Valinor). Carcharoth foi morto por Huan, não sem antes ter ferido Beren e o próprio Huan mortalmente.

Thingol não enviou um exército para a Batalha das Lágrimas Incontáveis, Nirnaeth Arnoediad, em 472 devido a sua rivalidade com os filhos de Fëanor, que pleiteavam a Silmaril em sua posse. Contudo, Beleg e Mablung quiseram lutar e receberam então permissão do Rei para ir a batalha, eles juntaram-se às forças de Fingon. A batalha representou uma grande derrota para os elfos e homens de Beleriand, mas, tanto Beleg quanto Mablung sobreviveram.

No início do ano 473, Beleg estava caçando nos bosques de Doriath, quando se encontrou com um menino de oito anos de idade chamado Túrin e seus acompanhantes Gethron e Grithnir. Túrin tinha sido enviado para Doriath por sua mãe, Morwen, depois que seu pai, Húrin, não retornou da Batalha das Lágrimas Incontáveis. Túrin e seus companheiros não puderam ultrapassar o Cinturão de Melian, perderam-se e estavam com frio e fome. Beleg os levou para seu acampamento e enviou mensagem a Thingol, que permitiu a entrada de Túrin em Doriath. 

Beleg ensinou a Túrin as habilidades de um homem da floresta e o treinou no tiro com arco e na esgrima. Quando Túrin completou dezessete anos, juntou-se as guardas de fronteiras. Túrin perdia em habilidade com armas apenas para Beleg. Beleg e Túrin lutaram lado a lado e tornaram-se grandes amigos.

No ano de 484, Túrin entrou em confronto com Saeros, o qual, perseguido por Túrin, caiu na ravina de um córrego e morreu. Thingol estava inclinado a banir Túrin de Doriath, mas Beleg tomou conhecimento de que Nellas, uma elfa que vivia na floresta, tinha visto que Saeros foi quem primeiro atacara Túrin. Beleg levou Nellas para Menegroth para que ela pudesse testemunhar em nome de Túrin e Thingol decidiu perdoá-lo, contudo, Túrin já havia fugido.

Beleg prometeu então encontrar Túrin. Depois que Beleg deixou Doriath, os servos de Morgoth tornaram-se mais ousados em seus ataques às fronteiras de Doriath, uma vez que nem Beleg nem Túrin estavam presentes para detê-los.

Beleg já procurava por Túrin a quase um ano quando ouviu notícias do amigo de alguns homens da floresta ao sul do Rio Teiglin. Beleg tomou conhecimento de que Túrin estava conduzindo um bando de proscritos e seguiu-os, embora Túrin escondesse sua trilha utilizando-se das habilidades que Beleg havia lhe ensinado. Beleg por fim, encontrou o covil dos proscritos, porém, quando Túrin não estava presente. Andróg, um dos proscritos do bando, convenceu os outros a amarrar Beleg a uma árvore sem comida e água.

Depois de dois dias, Túrin voltou e libertou Beleg. Túrin recusou-se a voltar para Doriath apesar do perdão de Thingol. Beleg então partiu para Dimbar, perto da fronteira norte de Doriath, para lidar com uma invasão de orcs. Beleg pediu que Túrin o encontrasse ali, Túrin por outro lado pediu que Beleg o encontrasse em Amon Rûdh.

Beleg passou por Doriath para reportar para Thingol sobre o paradeiro de Túrin e pedir-lhe permissão para seguir com Túrin. Thingol assim o permitiu a Beleg escolher um presente de despedida, no que Beleg escolheu Anglachel apesar de Melian advertir-lhe de que havia malícia na lâmina fabricada por Eöl, o elfo-escuro. Melian também lhe presenteou com lembas. Beleg então marchou para Dimbar e, após rechaçarem os orcs e o inverno chegar, Beleg partiu para encontrar-se com Túrin novamente.

Túrin e seus homens estabeleceram um covil em Amon Rûdh, em uma caverna pertencente a Mîm, o anão-pequeno. No inverno houve uma tempestade de neve e muitos dos homens ficaram famintos e doentes. Beleg chegou com suprimentos e lembas e compartilhou-os com os homens, e trabalhou para curar os feridos. Entretanto, Andróg e Mîm ficaram com inveja e ressentimento do vínculo entre Túrin e Beleg.

Na primavera do ano seguinte, houve um aumento das incursões de orcs nas terras ao redor do Rio Sirion. Túrin e Beleg levaram a companhia para expulsar os orcs que vagueavam próximo de Amon Rûdh. Durante uma incursão, Andróg sofreu ferimento mortal, mas Beleg foi capaz de curá-lo.

Túrin usava o elmo-de-dragão de Dor-lómin, que Beleg havia trazido consigo, e Beleg utilizava seu arco Belthronding. As terras ao redor ficaram conhecidas como a Terra do Arco e do Elmo e outros homens e elfos vieram juntar-se aos dois capitães, entretanto, apesar do sucesso, Beleg sentia-se inquieto.

No ano de 489, Mîm entregou a localização da fortaleza de Túrin para os orcs de Morgoth. Segundo, uma versão da história, Mîm foi em grande parte motivado pelo seu ódio e inveja de Beleg e que havia pedido para os orcs deixarem este para ele matar e que poupassem a vida de Túrin.

Os orcs atacaram Amon Rûdh e Túrin e Beleg recuaram com alguns de seus homens até uma escada oculta que conduzia ao topo da colina. Os homens foram mortos e Túrin feito prisioneiro. Beleg tinha sido amarrado e Mîm estava prestes a matá-lo quando Andróg, que havia sido mortalmente ferido, conduziu Mîm para longe e libertou Beleg antes de morrer.

Beleg seguiu or orcs através do Passo de Anach até os bosques apavorantes da Taur-nu-Fuin. Ali Beleg encontrou Gwindor de Nargothrond que havia sido capturado durante a Nirnaeth Arnoediad, mas havia escapado de Angband. Beleg e Gwindor seguiram as pistas dos seqüestradores de Túrin e avançaram até o deserto de Anfauglith. Ali os orcs montaram seu acampamento, celebraram e caíram bêbados.

Beleg apanhou seu arco, matou quatro lobos-sentinelas e depois entrou com Gwindor no acampamento. Ele e Gwindor carregaram Túrin, que estava sem sentidos, até um matagal a curta distância. Beleg utilizava Anglachel para cortar os laços que prendiam Túrin, mas a espada escorregou e picou o pé de Túrin. Túrin acordou e vendo uma figura de pé sobre ele com uma espada, agarrou Anglachel e matou Beleg pensando tratar-se de um inimigo. Na claridade de um raio, Túrin viu o rosto de Beleg e percebeu o ato terrível que havia feito.

“Foi esse o fim de Beleg Arcoforte, amigo fidelíssimo, o mais hábil de todos os que se abrigavam nos bosques de Beleriand nos Dias Antigos, morto pelas mãos de quem ele mais amava. E essa dor ficou gravada no rosto de Túrin para nunca mais se apagar.”
O Silmarillion: “De Túrin Turambar”, p. 208.

Túrin e Gwindor enterraram Beleg em uma cova rasa com seu arco Belthronding. Húrin compôs uma canção chamada Laer Cú Beleg, a “Canção do Grande Arco”. Túrin manteve Anglachel e passou a chamá-la de Gurthang, depois de muitas novas tragédias, foi essa a espada que Túrin usou para tirar a própria vida.  
 

Nomes & Etimologia

O nome de Beleg significa “poderoso”em Sindarin. Ele foi chamado de Beleg Arcoforte ou Beleg Cúthalion de “arco” e thalion “forte, destemido”.
 
 
Fontes Adicionais:
 
The Silmarillion: "Of the Ruin of Beleriand," p. 157; "Of Beren and Lúthien," p. 185-86; "Of the Fifth Battle," p. 189; "Of Turin Turambar," p. 199-209, 225; Index, entry for Beleg; "Appendix – Elements in Quenya and Sindarin Names," entries for beleg, cu, and thalion 

Unfinished Tales: "Of Tuor and His Coming to Gondolin," p. 37, 51 note 2; "Narn I Hin Húrin," p. 73-74, 77, 79-80, 82-85, 90-96, 134, 145, 147 note 11, 147-48 note 12, 151-54 

The Children of Húrin: "The Departure of Turin," p. 75-76; "Turin in Doriath," p. 81, 86, 91-97; "Turin among the Outlaws," p. 107-20; "Of Mim the Dwarf," p. 122, 139-40; "The Land of Bow and Helm," passim; "The Death of Beleg," passim; "Turin in Nargothrond," p. 159; "The Death of Turin," p. 256; "Appendix (2) – The Composition of the Text," p. 286-87 

The History of Middle-earth, vol. V, The Lost Road and Other Writings: "The Etymologies," entries for BEL, KU3 and STALAG 

The History of Middle-earth, vol. XI, The War of the Jewels: "The Grey Annals," p. 56-57, 63, 81-83, 102, 126, 133, 138, 140, 160