Lendo o Contos Inacabados – Parte 2

Contos InacabadosNo último artigo, começamos pelo meio e voltamos ao início do livro, vendo os contos da Terceira e da Primeira Era da Terra-média, respectivamente. Com os números ímpares para trás, veremos agora a Quarta e Segunda Parte, nesta ordem.

Como no History Channel

Há uma certa semelhança entre a Quarta Parte e meu canal favorito de TV, o History Channel. Esta semelhança está na forma com a qual ela é conduzida, parecida com uma série de documentários. Portanto, imagine que a narração do livro é a mesma que você encontraria em um desses programas.

Capítulo 1

Aqui você encontra uma descrição dos drúedain, um dos povos humanos que você provavelmente não se lembra. Quando eu li esse capítulo pela primeira vez, já não lembrava de Ghan-buri-Ghan ou dos homens-púkel.

As páginas 415-21 podem ser lidas de forma contínua. Há um conto interessante nelas. As notas adicionais estão cheias de rascunhos que não queremos ler no momento.

Capítulo 2

Até hoje eu não conheci um leitor de Tolkien que não tenha se perguntado sobre a origem dos Magos. Está na hora de descobrir mais sobre eles!

As páginas 425-30 trazem uma daquelas “narrativas History Channel”. Quando você ver um parágrafo em letras menores na p. 430, pare de ler. Volte à leitura na p. 431, no último parágrafo (sim, o de letras menores). Pare de ler novamente na p. 432, no parágrafo que termina em “como amigo”. A minha ideia não era quebrar minhas próprias regras, mas não incluir essas duas últimas páginas parece a mim privar vocês de algo que todo mundo quer saber.

Se você é fã do Legolas, é melhor pular direto para o próximo capítulo. Se você não gosta dele, você vai adorar ler o último parágrafo da p. 434. Sendo o resto do capítulo uma discussão infindável sobre os nomes de Gandalf, vamos ao próximo.

Capítulo 3

Os palantíri são aquelas bolas de cristal negro que, se você só assistiu os filmes, vai lembrar de Saruman utilizando. Ao contrário do que acontece lá, a operação de um palantír é bem diferente nos livros. O capítulo é um ensaio ininterrupto, portanto não há muito o que dizer. Você não deverá ter problemas em seguir o texto, mas se achá-lo chato, não tema em pular para a Segunda Parte.

Não há nenhuma parte da história da Terra-média mais repleta de problemas…

Na Segunda Parte, a última de nosso guia, você encontrará um ensaio geográfico de Númenor (a Atlântida de Tolkien), um conto inédito com início, meio e quase um fim, uma “cópia” do Pergaminho dos Reis de Númenor e, por fim, o capítulo mais confuso do livro inteiro.

Capítulo 1

Esse capítulo é uma continuação do estilo History Channel. Só recomendaria sua leitura agora àqueles que têm algum interesse em geografia, ou que têm boa memória para esse tipo de informação. Não é o meu caso, com certeza!

Capítulo 2

Da página 194 até o segundo parágrafo da p. 236 é possível ler o conto tranquilamente. O resto do capítulo traz versões conflitantes dos acontecimentos após Aldarion se tornar rei, assim como a breve história de sua filha — que também tem versões conflitantes; que novidade!

Capítulo 3

O capítulo é um resumo da vida dos Reis de Númenor. Pode ser lido por completo.

Capítulo 4

As primeiras palavras desse capítulo são: “Não há nenhuma parte da história da Terra-média mais repleta de problemas que a história de Galadriel e Celeborn”. Então apertem os cintos!

Pule direto à p. 257. Leia até o fim das letras menores na p. 258. Esse é o resumo da versão mais conhecida. Uma versão mais longa e com algumas divergências — quase todas ignoráveis — pode ser encontrada do último parágrafo da p. 263 até a linha de quebra horizontal da p. 272. Claro, nem tudo pode ser ignorado. Amroth como filho dos dois é uma mudança tremenda, que acho melhor você desconsiderar por enquanto.

A história de Amroth pode ser encontrada em letras pequenas nas pp. 272-4. Na p. 275, último parágrafo de letras menores até o fim delas na p. 276 está outro pedaço. Retornamos novamente nas letras menores das pp. 277-8. Há um pequeno conto aqui também, em letras menores, nas pp. 281-2 sobre como a linhagem de Dol Amroth ganhou seu sangue élfico.

Nas pp. 283-5 há duas versões diferentes para a origem da Elessar, a Pedra Élfica que Galadriel deu a Aragorn como presente de noivado com Arwen, por parte de mãe.

Conclusão

Se você seguiu o guia, deve conhecer metade do livro que comprou. Uma metade com boas histórias, mais ou menos coesa e que vai lhe render uns bons dias de leitura. Novamente, minha intenção é permitir que você encontre uma diversão sem traumas, mas nunca lhe desencorajar a ir além. A riqueza da história de Tolkien está nos detalhes, e isto foi o que você menos viu.

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