Summoning – Entrevista para a Metal-BR

 
Nesta longa conversa com os únicos dois membros da banda, Silenius e Protector, pode-se saber um pouco mais sobre a trajetória do Summoning, detalhes sobre o novo álbum e várias curiosidades à respeito dos (numerosos) projetos paralelos de ambos os integrantes. Inesperadamente, houve até uma participação especial do líder da banda gótica Whispers In The Shadow no meio da entrevista. Confira o resultado…

Metal-BR: Bem, quando o novo álbum estará saindo? Como vocês poderiam descrevê-lo? É possível compará-lo com os outros lançamentos do Summoning?

Protector: Esperamos que o novo álbum (que se chama "Let The Mortal Heroes Sing Your Fame") seja lançado no dia 22 de outubro deste ano se maiores problemas não acontecerem. Desta vez nós tentamos fazer uma boa mistura do nosso último lançamento (no som das guitarras e nos vocais), o "Stronghold", com os nossos CDs mais antigos (mais variedade nos teclados e seguindo mais o estilo "hino" do que no "Stronghold"). A novidade é que nós fizemos mais experimentos com samples de falas e, pela primeira vez, nós temos uma canção com um coro de vozes normais.

Metal-BR: Vocês dois fizeram os coros de vozes limpas?

Silenius: Sim, nós fizemos.
Protector: Nós pusemos muita energia para deixá-los soar como um verdadeiro coral e acho que alcançamos nossa meta.
Silenius: Os vocais não soam tão clássicos quanto, por exemplo, no Die Verbannten Kinder Evas. Eles são mais ásperos. Mas é apenas no refrão da última canção.

Metal-BR: Vocês não tem medo de possíveis comparações com o Raventhrone, por exemplo? Ou ambos os sons não tem nada a ver um com o outro?

Silenius: Não, nós até que não estamos com medo disso. Os vocais limpos do Raventhrone soam completamente diferentes. A propósito, eu acho que o novo álbum do Raventhrone será lançado em breve pela Avantgarde. Eu ainda não ouvi, mas ele difere um monte do primeiro.

Metal-BR: Eu suponho que vocês gostem do Raventhrone?

Silenius: Sim, nós gostamos do seu primeiro lançamento. E além do mais, o Ray foi um de nossos melhores amigos enquanto ele ainda morava em Viena. Mas desde que ele se mudou para o Canadá nós não temos mais contato com ele.

Metal-BR: Tania Borsky aparecerá novamente no novo álbum?

Silenius: Não, porque sua voz é muito clássica e lembra demais o típico gothic metal ou então darkwave. Dentro desses tipos de música seus vocais cabem perfeitamente, mas como nós não queremos que o Summoning se torne uma banda de gothic metal, nós não faremos isso de novo.
Protector: Ela se adaptou bem no "Stronghold" porque este CD não lembra muito batalhas e coisas com este toque épico da Terra Média.

Metal-BR: Qual foi o estúdio escolhido para as gravações do novo álbum? Por que vocês não gravaram o "Stronghold" no tradicional Tonstudio Hörnix?

Silenius: Como o nosso último álbum, nós gravamos o novo no estúdio caseiro do Protector, o "Nachtschattenstudio". As vantagens estão bem à mão, porque nós temos todo o tempo que quisermos e precisarmos para gravar e mixar ao contrário dos poucos dias que teríamos no estúdio Hörnix como nos velhos tempos.
Protector: Nós também incluímos muitos detalhes no som, como sensíveis diferenças no som de todos os instrumentos, que nós não poderíamos fazê-lo em um estúdio normal, onde nós não temos a possibilidade de programar todos os movimentos precisamente.

Metal-BR: Ao compararmos o "Stronghold" com o "Dol Guldur", podemos notar que talvez os riffs de guitarra ganharam um destaque um pouco maior no "Stronghold". Esta afirmação está correta na sua opinião?

Protector: Você está certo. Nós decidimos que o "Stronghold" seria o nosso álbum mais puxado pelas guitarras. Ele foi também o primeiro álbum onde nós não usamos linhas de guitarra tipicamente black metal (eu me refiro a não usar apenas riffs de guitarra com tremolo). Nós manteremos este estilo de guitarra no novo CD, mas também usaremos as guitarras com tremolo (principalmente nos refrãos). E os teclados terão um papel mais forte do que no "Stronghold".

Metal-BR: Eu ia perguntar sobre as guitarras no novo álbum, mas agora você já respondeu. (risos) O "coração" da música será então 50% guitarras e 50% teclados?

Silenius: Vendo do ponto de vista técnico, ele será 50% / 50%. Mas partindo da informação da melodia, ele é 70% teclados e 30% guitarras. Desta vez o som da bateria também desempenha um papel forte porque ele é muito mais alto e pesado do que no "Stronghold".

Metal-BR: Agora que você mencionou o som da bateria, a bateria eletrônica do Summoning é sensacional na minha opinião, mas depois do Trifixion, vocês nunca mais pensaram em adicionar um baterista à banda?

Protector: Não, não pensamos. Isso porque nós vemos a integração da bateria eletrônica (ou melhor dizendo, dos sons de bateria do meu sintetizador) como o início do som real do Summoning. Nós gostamos desse típico e bombástico som de bateria na nossa música. Nossos ritmos não deveriam lembrar um baterista suado e exausto; (risos) então nós preferimos esse tipo de ritmo de bateria de marcha militar.

Metal-BR: Mas com a bateria alta e os teclados intensos, vocês não temem que o Summoning possa ficar mecânico e "frio" demais?

Protector: Não, porque tudo é tocado de um modo muito poderoso.
Silenius: Nós deduzimos que havia esse perigo, mas daí você poderia dizer o mesmo dos nossos lançamentos antigos (de um jeito ou de outro).
Protector: Você também poderia perguntar "vocês não tem medo de que um baterista possa enfraquecer o som do Summoning e levar embora o sentimento de um distante mundo de fantasia"?

Metal-BR: Na minha opinião as canções do Summoning são tão "mágicas" que quase não se percebe o tempo passando quando as escutamos, mesmo elas sendo tão longas. De qualquer forma, vocês acham que é mais difícil desenvolver su
as idéias em uma usual música de uns 3 minutos de duração?

Silenius: Nós realmente achamos que a variedade de informação no nosso novo álbum é a melhor.
Protector: Com certeza seria possível criar músicas de 3 minutos, mas daí nós perderíamos a opção de criar a nossa típica construção (que vai crescendo mais e mais forte durante a canção).

Metal-BR: Então com certeza a criação de músicas longas é algo que vem naturalmente?

Silenius: Como as linhas melódicas dentro das nossas canções são lentas e longas, é natural que nós precisemos de tempo para apresentá-las ao ouvinte.
Protector: É claro que é natural. Nós nunca criaríamos uma canção e então daí discutiríamos qual será a duração dela (isso talvez seja trabalho de um produtor ou de uma "boyband", não nosso). (risos)

Metal-BR: Quando vocês estão compondo para o Summoning, vocês tentam alcançar primordialmente o sentimento interior ou a perfeição musical?

Silenius: Nosso objetivo não é alcançar a perfeição musical. Criar música é algo que deveria vir sempre do nosso âmago, não de nosso cérebro (eu sei que esta frase não é muito original). Mas o que nós queremos criar e transportar para dentro de nossa música são sentimentos simples e atmosferas que ativem a criatividade do ouvinte a ponto de que ele mesmo construa o seu próprio mundo (baseado em nossa música) dentro de sua mente.
Protector: Para mim não há contrariedades no que diz respeito ao sentimento e a perfeição. A única diferença é que os principais sentimentos vêm primeiro e, uma vez que eles estão lá, eu começo a lidar com a perfeição de nossa música.

Metal-BR: Vocês viram o trailer do filme "O Senhor Dos Anéis"? Quais as suas expectativas para esse épico? Eu suponho que vocês estejam curiosos para assistí-lo.

Silenius: Eu estou muito excitado. O trailer é realmente sensacional e eu sinceramente espero que o filme terá o valor que está sendo prometido.

Metal-BR: Quando vocês leram os livros de J.R.R. Tolkien a primeira vez? A fascinação pelo tema foi algo instantâneo?

Silenius: Eu acho que a primeira vez em que eu tive contato com os livros eu deveria ter algo por volta de uns 15 anos. Eu também conheço uma porção de outros autores de fantasia. A impressão que eu tive foi realmente sensacional, por causa de todos os detalhes da criação de todo um mundo. Esta fascinação me levou a, anos mais tarde, traduzir os meus sentimentos para a música do Summoning.

Metal-BR: Protector, você tem o mesmo tipo de sentimento em relação a Tolkien que Silenius?

Protector: Apesar de que no geral eu não sou muito interessado em literatura de fantasia, eu também divido esses sentimentos sobre a imaginação dessas histórias, lendas e sagas sobre selvageria e paisagens intocadas.

Metal-BR: Silenius, você recém mencionou uma coisa que eu ia perguntar agora… O Tolkien é o único autor no qual vocês se inspiram para compôr as músicas do Summoning?

Silenius: Ele não é o único. Desta vez, por exemplo, nós temos alguma inspiração lírica de Michael Moorcock. Também, a arte da capa nova foi extraída de um livro dele e mostra um imenso dragão cercado por letras velhas e uma moldura dourada.

Metal-BR: Então dessa vez vocês realmente estavam à procura de algo novo?

Silenius: Sim, eu estava procurando um monte por outros autores de fantasia que incluíssem poemas e músicas em seus trabalhos e no fim eu o achei nos livros de Michael Moorcock, que eu mencionei antes.

Metal-BR: Vocês convidaram o Peter Kubik (do Abigor) para escrever as letras do "Dol Guldur"…

Silenius: Sim, PK fez algumas letras do "Dol Guldur". Mas depois nós acabamos por perceber que ele tirou uma porção de rimas diretamente do livro (como nós mesmos fazemos o tempo inteiro…).

Metal-BR: Por que as letras nunca são impressas nos CDs? Isto é para manter uma certa aura de mistério? Se for, vocês conseguiram fazê-lo.

Silenius: Não, a razão é muito mais simples. No nosso primeiro CD, nós não apresentamos as letras simplesmente porque elas eram ruins demais; no nosso segundo, nós as perdemos no estúdio, mas nós nem ligávamos muito para elas mesmo; em todos os outros nossos CDs, nós pegamos as letras diretamente de Tolkien ou então deixamos outras pessoas escreverem para nós.
Protector: Além disso, sempre há uma chance dos ouvintes conseguirem as letras em nossa homepage (http://www.summoning.tsx.org).

Metal-BR: A propósito, no site do Summoning há uma espécie de enquete para que os fãs elejam sua música favorita. Se vocês participassem, em qual música votariam?

Silenius: É claro que votaríamos em uma das nossas novas canções e, nesse caso, eu acho que a faixa de abertura, "South Away", e a que fecha o álbum, "Farewell", são as que irão atrair mais as pessoas.
Protector: Eu tenho muitas diferentes canções favoritas, e seria duro escolher apenas uma.
Silenius: De todas as canções antigas, eu acho que "Marching Homewards" ainda é uma das minhas favoritas.

Metal-BR: O que vocês poderiam me dizer sobre aquela canção sem título do Summoning que aparece no primeiro volume da coletânea "With Us Or Against Us" da Napalm Records?

Silenius: Esta canção foi a primeira que nós fizemos após chutarmos da banda o nosso antigo baterista e ela foi apenas uma espécie de experiência para testarmos o uso de baterias eletrônicas uma primeira vez. E, a propósito, essa canção foi a última que eu compus com o meu baixo. Apenas umas poucas pessoas sabem disso, mas a maiorias das linhas melódicas do "Lugburz" foram compostas no baixo.

Metal-BR: Quais são os seus métodos comuns para compôr as músicas do Summoning?

Protector: Primeiro o Silenius vem para o meu estúdio e toca as suas novas idéias para canções completas
nos teclados. Depois que ele terminou de tocar todas as canções, eu começo a adicionar novas melodias, assim como a bateria e as linhas de guitarra. No fim, nós dois começamos a gravar nossas linha vocais.

Metal-BR: Desde o começo vocês nunca pensaram sobre a possibilidade de uma performance ao vivo?

Silenius: Nós realmente achamos que somos bons compositores, mas músicos terríveis. (risos) E também, nós não temos interesse em performances ao vivo, até porque nós não teríamos capacidade de tocar as músicas, uma vez que depois de finalizá-las, já não mais lembramos de como tocá-las. Nós as gravamos em um dia e no dia seguinte já esquecemos de como tocá-las.

Metal-BR: O Quorthon do Bathory sempre disse que não fazia shows porque isso implicaria em uma perda da atmosfera e potência da música. Talvez com o Summoning pudesse ocorrer o mesmo, não?

Protector: Nos shows o som nunca é tão bom quanto no CD, então com certeza a música do Summoning perderia muito da sua atmosfera. Além disso, eu acho que a aparição de dois seres humanos suando feito criaturas sobre o palco iria destruir a imaginação de um mundo cheio de orcs e elfos.

Metal-BR: Depois de 5 álbuns e mais um vindo em breve, é possível dizer que a Napalm Records é a casa perfeita para o Summoning?

Silenius: O Max e a Karli da Napalm são amigos muito próximos meus. Então nós nunca pensamos em mudar de selo. Nós temos toda a liberdade artística que queremos e eu acho que a Napalm faz um bom trabalho para nós. Então, porque mexer em um time que está ganhando?

Metal-BR: Os álbuns do Summoning recentemente conseguiram uma distribuição decente no Brasil (através da Hellion Records). No entanto, a banda já é razoavelmente conhecida por aqui. Vocês costumam receber e-mails ou cartas de fãs brasileiros?

Silenius: Eu não estou a par da situação da distribuição dos nossos CDs no Brasil, mas mesmo assim é bom saber que nós não somos assim tão desconhecidos por aí. Eventualmente nós recebemos cartas de fãs do seu país, mas isso não é muito freqüente.

Metal-BR: Vocês conhecem algo da cena brasileira de metal?

Silenius: Para ser honesto, não. Já faz alguns anos que eu não ouço nada de metal. Mas eu lembro de algumas capas de CDs de bandas daí, já que eu trabalho em uma grande loja de CDs com uma boa seção de metal.

Metal-BR: Eu sei que vocês já devem ter respondido esta pergunta umas 666 vezes, mas… Por que o Trifixion foi expulso do Summoning?

Silenius: Porque ele era um merdinha arrogante e sem talento que queria ser um músico de metal tentando tirar vantagem das oportunidades que tinha, estando em contato com nossas idéias e objetivos. E como ele realmente se achava insubstituível, foi uma grande sensação para nós, chutar o seu traseiro para fora da banda imediatamente após o término das gravações do "Lugburz". Você realmente precisava ter visto a tola cara de surpresa dele.

Metal-BR: Eu gostaria de saber um pouco mais sobre as bandas paralelas de vocês agora… Silenius, como vai indo o Kreuzweg Ost? O que podemos esperar para um futuro próximo no que diz respeito à banda?

Silenius: Em se tratando de um futuro próximo, é melhor você não esperar nada do Kreuzweg Ost. Nós deveríamos participar de um tributo industrial a Ernst Jünger, mas não pudemos fazê-lo porque nós dois (Martin e eu) estamos ocupados demais com nossas próprias bandas (Summoning, Hollenthon e Pungent Stench). Talvez nós façamos algo no ano que vem, mas por enquanto isso não é muito certo, uma vez que o Martin já tem uma porção de turnês e shows agendados. Veremos o que acontece.

Metal-BR: Pois é, você não acha que agora que o Pungent Stench está voltando e o Hollenthon vai indo bem, o Martin vai ficar meio sem disposição para trabalhar com o Kreuzweg Ost?

Silenius: Você está certo. O Martin não sabe bem se ainda quer continuar com o Kreuzweg Ost ou não. Mas eu espero conseguir persuadí-lo a continuar trabalhando no projeto.

Metal-BR: Quando você e Martin lançaram o debut-álbum do Kreuzweg Ost, vocês já estavam mais ou menos preparados para encarar prováveis acusações de "nazismo" contra a banda?

Sillenius: Sim, mas no fim as coisas acabaram sendo menos dramáticas do que nós temíamos. Mas é claro que persuadir a Napalm e todos as distribuidoras a trabalhar com o nosso CD foi algo um tanto duro. Você sabe, ninguém realmente gosta de lidar com esse tipo de música.

Metal-BR: Você ainda tem planos de lançar o material do Mirkwood?

Silenius: Não haverá nenhum CD do Mirkwood, mas talvez as quatro músicas existentes venham a se tornar disponíveis através da página do Summoning no ano que vem. A razão pela qual as canções não serão lançadas (além do fato de por elas serem um tanto velhas) é que nós perdemos os arquivos MIDI delas. E à essas alturas, um CD do Mirkwood não faria muito sentido, já que atualmente eu venho me focando mais em música industrial militarista.

Metal-BR: Por que você perdeu o interesse na música do Abigor? E o que você acha dos álbuns que o Abigor lançou após sua saída da banda?

Silenius: Eu deixei o Abigor porque eu perdi muito do meu interesse no tipo de música que a banda vinha fazendo. Desde muito tempo atrás que o Abigor vinha se tornando progressivo demais para mim, soando cada vez mais como death metal. Até que um dia eu resolvi deixar a banda. Pelo fato de eu não ter muito contato com o PK, eu realmente não conheço bem os lançamentos mais recentes do Abigor (e também não estou lá muito interessado em fazê-lo mesmo).

Metal-BR: Protector, algumas pessoas costumam pensar que o Summoning é a sua principal banda, enquanto que o Die Verbannten Kinder Evas e o Ice Ages são "apenas" projetos paralelos. Isto seria o inverso? Ou todos os seus projetos têm a mesma importância para você?

Protector: Para mim, todas as bandas tem definitivamente a mesma importância. Elas são todas fortalecidas umas pelas outras. Eu preciso das nuances poderosas do Summoning e dos climas frios e mecânicos do Ice Ages da mesma forma que as ambientações mórbidas do Die Verbannten Kinder Evas.

Metal-BR: Você realmente considera o Die Verbannten Kinder Evas "mórbido"? Eu o chamaria mais de… "belo".

Protector: Sim, você também pode chamá-lo de belo, mas ele também contém certos tipos de sentimentos que lembram eras passadas há muito tempo atrás. Ao contrário do Summoning, o Die Verbannten Kinder Evas tem um toque mais desesperado.

Metal-BR: Agora que o Die Verbannten Kinder Evas é apenas você e a sua namorada Tania, você acha que as coisas funcionam melhor?

Protector: É claro que isto é uma vantagem, já que podemos compôr e gravar qualquer coisa que quisermos. Mas o fato dela ser minha namorada não é a razão pela qual ela canta. Eu gostaria de ter sua voz nos CDs do Die Verbannten Kinder Evas de qualquer jeito.

Metal-BR: Você acha que quem compra e aprecia a música do Die Verbannten Kinder Evas e do Ice Ages é a mesma pessoa que gosta da música do Summoning? Ou você acha que existem dois públicos distintos?

Protector: Como minha própria experiência já provou, as pessoas dificilmente podem ser divididas em três grupos distintos. Para minha própria surpresa, a maioria das pessoas gosta de todos os meus projetos. Algumas gostam mais de um do que de outro, mas apenas uma minoria chega e diz "eu adoro o Die Verbannten Kinder Evas mas odeio o Summoning".

Metal-BR: Como você poderia descrever o som e o conceito da demo-tape "In Schwindendem Licht" do Grabesmond, gravada em 1995? E você acha que Lucia-M. Fåroutan-K. tem feito um bom trabalho com a banda atualmente?

Protector: Desculpe, mas aí há um comum mal-entendido. Eu nunca fui membro do Grabesmond. Eu apenas fiz (junto com o Silenius) a música para a primeira demo e nada mais. Sendo assim, nós não nos importamos sobre como a banda se desenvolveu depois disso. E nós não temos praticamente mais nenhum contato com PK ou Lucia desde anos atrás.

Metal-BR: Como foram as suas colaborações na banda liechtensteiniense Weltenbrand? Por que você deixou a banda?

Protector: Eu nunca fui realmente um membro do Weltenbrand. O Oliver (o líder) sempre foi um grande fã do Die Verbannten Kinder Evas, então ele um dia me perguntou se eu gostaria de cantar na banda dele e eu aceitei. A razão pela qual eu deixei a banda foi simplesmente porque eu não tinha tempo suficiente para me dedicar à ela (por causa das minhas atividades com meus outros projetos e também por causa da longa distância entre Viena e Liechtenstein).

Metal-BR: E quanto à sua colaboração com a banda Whispers In The Shadow?

Protector: A mesma coisa que o Weltenbrand. Eu simplesmente não tinha tempo suficiente para suprir as exigências do líder da banda, Ashley. A propósito, o Ashley está aqui agora.

Metal-BR: É mesmo? Ei, Ashley, que lembranças você tem da época em que trabalhava com o Protector?

Ashley: Não muitas, já que naquela época muitas substâncias eram mais importantes do que praticar a nossa música. (risos)

Metal-BR: Obrigado. (risos) Protector, o que você tem a me dizer sobre o álbum da banda Sanguis Et Cinis no qual você participou? Após você terminar de gravá-lo, o resultado final foi de seu agrado?

Protector: Você nunca cometeu erros na sua vida? (risos) Eu perdi completamente o contato com o Sanguis Et Cinis. Eu sempre me senti como uma ferramenta sem cérebro enquanto estava nessa banda. Ele (o líder da banda) sempre usava os seus "servos" (que eram os únicos capazes de tocar um instrumento) e nada mais. Sobre o resultado final, foi OK para mim na época, mas hoje em dia eu vejo que este não era nem um pouco profissional.

Metal-BR: Que tipo de sentimento você quer passar através do Ice Ages? Que tipo de conceito tem a banda?

Protector: Para mim, o Ice Ages me remete a um mundo futuro onde dificilmente algum humano ainda viveria e onde minha voz me lembra uma máquina que comanda tudo. É um mundo cheio de frieza e inumanidade onde, apesar de tudo, você ainda pode encontrar alguns sentimentos humanos bem escondidos por trás da atmosfera fria.

Metal-BR: Dentro deste conceito, uma música industrial/eletrônica se adapta perfeitamente, na minha opinião. Aliás, eu suponho que o seu interesse por industrial e atmospheric music seja maior do que por metal, correto?

Protector: Você está certo, nos últimos anos eu tenho me dedicado mais a bandas de dark electronics do que de metal. A razão para isto é que eu conheço metal desde quando eu tinha 15 anos e essa música dark/eletrônica é algo novo para mim. Eu sempre considerei o metal como sendo "dark music" e sempre achei que uma guitarra com distorção forte possuísse um sentimento muito mecânico (isto porque esta com certeza não transporta tanto sentimento quanto uma acústica). A conseqüência lógica para mim foi me focar em máquinas reais. Máquinas reais como sintetizadores.

Metal-BR: Você tem planos de relançar o álbum "Strike The Ground", do Ice Ages? E para os próximos álbuns, você tem planos de ter outras pessoas escrevendo letras para as músicas (como ocorreu no álbum "This Killing Emptiness")?

Protector: Não, eu nunca pensei em relançar o CD. Eu não acho que isso faria muito sentido, já que este CD é um tanto velho e eu acho que todo mundo que o queria, já o comprou. Se o Grom (que é quem escreveu as letras no "This Killing Emptiness") quiser me escrever algumas letras para o próximo álbum, eu não vejo razão para procurar por ainda outras pessoas para executar tal tarefa. Isso porque as letras que ele fez foram simplesmente perfeitas para o Ice Ages (você pode ter um ótimo exemplo disso na própria canção "This Killing Emptiness").