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Maerton – Capí­tulo 2 – Os Maerton antes do sono

Assim que os valar chegaram a Eä, e começaram a trabalhar, os Maerton nasceram. Como já foi citado, os Menoir os criaram na música dos Ainur. Quando surgiram, eram 300 – 150 patriarcas, e 150 matriarcas. Eram divididos em cinco grandes grupos: o primeiro, e mais importante (de maior status), era o dos imponentes, os mais inteligentes e os mais bonitos, cujo líder foi, mais tarde, nomeado Gil (estrela, pois ele se achava uma), e sua esposa foi nomeada Taranari; o segundo, era dos fortes, que eram valorizados, pois a força era uma grande atração de status, seu líder foi mais tarde nomeado Tauron (senhor das florestas, pois ele as amava) cuja esposa foi nomeada Normanfin; o terceiro era o dos grandes ferreiros (não só ferreiros, mas todos trabalhavam muito bem com metais e rochas), seu líder foi mais tarde nomeado Felak (escavador, pois trabalhava em túneis e cavernas), algumas comparações tardias (depois da quarta era), o diziam tão bom quanto Fëanor, ou até melhor, ele não era casado; o quarto era dos que se envolviam em magia, estes eram o menor grupo, que só continha uma matriarca, seu líder foi nomeado mais tarde Sereg (sangue, pois este era seu principal ingrediente nas alquimias), ele não era casado; o quinto, era o dos grandes guerreiros, estes não conseguiam altos status pois não havia guerras,seu líder foi nomeado Lómin (pois Melkor gritou algo do tipo quando este o atacou), cuja mulher foi Lira.
 
Quando os Valar criaram Illuin e Ormal os Maerton se apaixonaram pelas lamparinas, por isso, quando Melkor as destruiu todos se iraram com ele, e, como Seregorr pertencia a Lómin, este a pegou para usar pela primeira vez. Lómin correu muitas léguas, até que alcançou os portões de Utumno, e estes ele arrebentou com um chute (os Valar ainda não haviam limitado as forças dos Maerton). A primeira resistência que encontrou, foram orcs – “Coisinhas fracas que usavam umas roupinhas de metal que minha Seregorr cortava como uma faca corta a casca de uma laranja.” (Lómin disse após morto)-, depois veio algo mais duro: Lobisomens! – “Umas coisas grandes e feias que minha Seregorr cortava como uma faca quando corta carne.” (Lómin disse após morto)-, depois vieram os mais potentes: Balrogs, comandados por Gothmog! – “Estes eram como touros, e minha Seregorr os feriam como se fosse empenhada por um Homem contra um touro. ”(Lómin disse após morto)- e então veio o chefão, e este era muito forte, e usava um martelo gigante, recém forjado (provavelmente foi forjado para destruir as lamparinas). – “Eu pulei o mais alto que já havia pulado, e feri seu olho, deixando uma cicatriz, mas Seregorr me traiu, ele desceu seu martelo para cima de mim, coloquei Seregorr na frente,como defesa, mas esta cravou no martelo, que desceu até me esmagar!”(Lómin disse após morto).

Melkor pegou o resto do corpo de Lómin, partiu-o ao meio, e jogou com toda força no chão, explodindo-o, e os lobos e lobisomens de Utumno o devoraram. Depois, Melkor pegou seu martelo que estava rachado, desencravou Seregorr dele, e, em sua ira, a arremessou longe, em Eriador (isso foi um grande erro, pois aquela espada podia matar um Vala). Ela caiu em uma pedra grande, mais tarde conhecida como Pedra das Três Quartas. Depois, ele pegou um pouco de lama preta e colocou em sua cicatriz, para omitir a sua vergonha. Dizem que mais tarde, Thorondor retirou a lama seca, e a cicatriz na região ocular, reapareceu. Os Valar perceberam então, quão forte eram os Maerton, e fizeram todos dormirem por longos anos na “pedra da espada”. Seregorr eles retiraram e foi guardada por Eonwë, em Taniquetil, por longos anos.

Viagem de um Anão – Capí­tulo 4 – Luzes e Estranhos Vigilantes na Floresta

viagens-de-um-anao.jpgMorit continuou em frente, enquanto Rarum ressonava monstruosamente nas traseiras da carroça e a hortelã que mascava ininterruptamente lhe retirava a sonolência. O cavalo, que, como todos os animais, não era afectado pelo pó dos sonhos continuava a caminhar. Passaram por eles inúmeros viajantes, alguns a pé, outros a cavalo, um ou outro de carroça. Outros ainda ultrapassaram-nos agarrados as suas altivas montadas, cavalos de todo o mundo, galopando com os seus cascos ferrados martelando na terra batida. Mas todos a mascar hortelã. As enormes planícies começavam a ficar longe e o terreno era agora composto por colinas e mais colinas e ainda mais colinas. A cada ponto alto na estrada Morit podia ver a floresta cada vez mais perto, mas ainda longe.
 
Quatro dias se passaram. Rarum ainda dormia, devido a enorme quantidade de pó de sonhos que havia inspirado. O cavalo subia uma colina. Uma colina como todas as outras que haviam atravessado, com a diferença que esta era a ultima antes da grande floresta. Dolorosamente, o animal subia a íngreme elevação. Quando Morit reparou que o cavalo chegou ao fim da escalada esperou uns dolorosos segundos enquanto a carroça seguia o seu puxador e quando chegou ao cimo da colina finalmente viu a floresta. Uma gigantesca, enorme e monstruosa massa verde estendia-se para lá de onde o olhar humano alcança. Pequenas aves saíam e entravam na enorme extensão arborizada, sobrevoando as arvores altas e belas e pousando em ninhos escondidos em ramos compridos. Durante o tempo que a carroça ficou parada no cimo da elevação, a uns escassos cem metros da orla da floresta apenas o som do sussurrar do vento nas folhas leves e húmidas dos abetos e pinheiros e o constante “piu-piu” das diversas aves ecoava pelos ouvidos do mago. De repente, Morit notou que algo não estava bem. Havia um som que estava ausente… o ressonar de Rarum! Quando Morit olhou para trás verificou com um gigantesco espanto que o anão comia uma grande fatia de bolo de mel.

-Rarum! Dorminhoco de primeira, bem me parecia que algo não estava certo! Então sabe quanto tempo esteve adormecido?!

-Não, não sei. E você desiludiu-me bastante meu velho! Podia-me ter avisado que estávamos a chegar ao Pântano dos Sonhos mas não! Preferiu esperar que eu fizesse aquela figura para se divertir!

-Ora, ora! Não julgue os outros antes de saber as suas razões! Eu apenas queria poupar-lhe  uma viagem longa e aborrecida! Esteve quatro dias adormecido se é que quer saber, e fartou-se de ressonar!

-O quê?! Eu, ressonar?! Você não deve estar lá muito bem!

-Basta Rarum! Não desperdicemos o nosso tempo com discussões imbecis! Veja, olhe para a frente. Não vai querer passar toda a travessia da floresta de costas viradas para mim pois não?!

Rarum hesitou por breves momentos, mas depois respondeu sem grande demora:

-Tudo bem! Ganhou! Está desculpado. Mas vá, ponha esse cavalo a andar que temos muito caminho pela frente.

Morit cumpriu o pedido do seu amigo e com um grito de “yah, yah”, pôs o cavalo a andar.

Ora o cavalo avançou os escassos cem metros a descer, que os separavam da floresta e penetrou nesta. Entrou por entre os abetos e a estrada encolheu ligeiramente. Tudo ficava agora para trás. O sol não penetrava pelas altas árvores, com uma altura incalculável, e, apesar de linda, a floresta tornava-se mais escura a cada metro que avançavam. Rarum já lá tinha passado antes. Mas não se recordava de nada. Agora apenas os pássaros que habitavam altos ninhos nas copas das árvores, os milhares de insectos que viviam em galerias subterrâneas e os restantes animais desconhecidos que povoavam o solo húmido da extensão arborizada se faziam ouvir ali. Um piu-piu aqui mais um zzzzzz acolá e seguia-se um tumulto inquebrável. A estrada seguia para Norte, para se juntar à estrada de Dirigor a capital élfica. Esse era o longo itinerário dos nossos amigos. Depois de Dirigor seguiriam até Dolir onde fariam escala para se dirigirem a Sûl-fikir e aí apanharem a estrada para as Montanhas Longrock. O cavalo puxava a carroça calmamente e sem grande esforço pelo solo húmido da estrada velha, enquanto Morit e Rarum tomavam atenção a todos os ruídos. Depois Rarum decidiu quebrar o silêncio:

-Morit, meu amigo, diga-me, já estamos nos domínios dos Elfos?

-Ainda não meu caro. Esta pequena parte da Floresta é a única que pertence ainda aos homens do Sul. Mas não se preocupe, dentro de apenas cinquenta km estaremos no grande reino élfico onde poderá desfrutar da hospitalidade dos seus queridos aliados.

-Sim é verdade. Apenas acho aquela subida até ao cimo dos abetos e pinheiros um pouco cansativa. Mas uma vez lá em cima… Que maravilha!

-Meu amigo, não se pode esquecer de que os abetos aqui na grande floresta chegam a ter cento e vinte metros! Essas escadas e o necessário para chegar ao cimo das árvores que lhes proporcionam protecção. Mas olhe, você não tem fome?

-Por acaso tenho, a fatia de bolo não me satisfez o apetite, tendo em conta os quatro dias de “jejum” involuntário!

-Então está decidido! Paramos aqui na berma e almoçamos!

Com um pequeno toque nas rédeas, Morit desviou o cavalo para a berma direita, onde havia erva para o animal se banquetear. Rarum esticou o seu braço e retirou das traseiras da carroça o necessário para o jantar: Um pão, mel, compotas, água e presunto.

De seguida disse a Morit:

-Então meu caro, que vai comer?

-Para mim apenas uma fatiazinha do seu bolo de mel meu amigo.

Rarum acenou com a cabeça, esticou-se de novo, retirou o bolo de mel do cesto de verga e cortou uma pequena fatia. Depois entregou-a ao mago que a comeu calma e serenamente, ao contrário de Rarum, que comeu, fatia atrás de fatia, pão com geleia, pão com mel, pão com doces de todo o tipo, pão com presunto e muita água. Depois da afortunada refeição tudo foi colocado de novo no seu devido lugar e, de barriga cheia, Rarum, Morit (uma fatia de bolo de mel é o suficiente para alimentar um mago durante um dia inteiro!) e até o cavalo, voltaram a entrar na estrada e a seguir caminho, debaixo das copas altas das árvores.

Os casco do cavalo não produziam nenhum som em contacto com a estrada, devido á sua humidade, por isso o silêncio era total. Os pássaros e insectos que há menos de uma hora piavam e zumbiam na floresta estavam agora calados: A noite aproximava-se. De um momento para o outro a escuridão total abateu-se sobre a floresta. Calmamente, Morit acendeu uma luz ténue na ponta do bordão e disse:

-Rarum pega nas rédeas enquanto eu acendo as velas.

Rarum cumpriu a ordem do mago e, enquanto este abria as portinholas envidraçadas das lamparinas e acendia as velas que se encontravam no interior com a pedra do seu bordão em brasa, ele fitava com atenção o caminho escuro e solitário à frente. A copa das árvores formava uma abóbada que cobria a estrada e que dava a Rarum uma certa sensação de que estava protegido, mas não o deixava totalmente seguro. Morit voltou a sentar-se, tirou as rédeas das mãos trémulas de Rarum e conduziu o cavalo em frente. A luz das duas lamparinas iluminava a estrada e as bermas com uma luz amarelo-torrado muito trémula. Rarum tinha um frio na barriga: ouviu estalidos de troncos e folhas a remexer na floresta. Olhos vigilantes e cintilantes vigiavam-nos no lado direito da floresta, o lado onde Rarum se sentava. Rarum não imaginava o que poderia ser aquilo. Passava já da meia-noite. A criatura continuava a segui-los. Coisas assustadoras e arrepiantes passaram-lhe pela mente, a cada estalido um calafrio percorria-lhe o corpo e a cada vez que a esguia criatura revelava os seus olhos frios, uma sombra de medo abatia-se sobre ele. Pensava, pensava e pensava atormentando-se a cada novo pensamento com sombras de medo. De repente, Morit interrompeu as suas deduções:

-É uma raposa da montanha. Deve ter-se perdido das Montanhas Farî e percorreu este longo caminho. Segue-nos desde que almoçamos, mas só quando anoiteceu se sentiu segura para se aproximar tanto. Não nos fará mal, isso nota-se pela quietude do cavalo. Se ela nos estivesse a seguir com o intuito de nos atacar o pobre animal já estaria a relinchar e a dar coices.

-Mas… então que quer ela? Tem a certeza que não nos vai atacar?

-Absoluta meu velho anão. Os animais entendem-se uns aos outros, e garanto-lhe que se o seu cavalo consegue manter tamanha calma a uns escassos quatro metros de uma raposa das montanhas é porque nada nos acontecerá. Quanto ao que ela quer é simples:

A raposa das montanhas é um animal manso para quem não o ataca, e se nos segue é porque sentiu o cheiro a presunto. Se amanha de manhã ainda não nos tiver deixado, dar-lhe-emos um pouco de presunto e ela deixará de nos seguir.

-Mas porque abandonou ela as montanhas?

-Bem por alguma razão que desconhecemos. A raposa é esperta, e esta espécie em particular, é dotada de uma inteligência magnífica!

-Com todo o respeito, Morit, você não está a dizer coisa com coisa! Uma raposa inteligente? Explique-se!

-Você não conhece a lenda de Olguin?

-Não, mas agradecia que ma contasse, se é que tem alguma utilidade para o tema.

-É claro que tem! A lenda de Olguin é a lenda do deus raposa, o deus élfico dos mamíferos! Passo a contar uma história muito velha. Não há provas em relação à sua veracidade, mas eu acredito que tem a sua pontinha de verdade. Ora aqui vai: há muitos milhares de anos, pouco depois do início dos tempos, o concelho dos deuses élficos reuniu-se nos seus tronos mágicos para atribuírem um deus a cada família de animal. Ratastap, o visão-de-águia, ficou a governar as aves. Goduitir, o escama-dura, ficou a governar os peixes e mamíferos aquáticos. Libior, o martelo-de-formiga, ficou encarregue de todos os insectos. Aldoizin, lingua-de-víbora, ficou como rei dos répteis. Mas então uma discussão surgiu. Luin, o garra-de-urso, queria ficar a governar os mamíferos terrestres, mas o seu irmão, Forterion, o dente-de-elefante, também quis esse cargo. Como ambos tinham esse direito, o deus que regulava o concelho decidiu que ambos deviam partilhar o trono e governar todos os mamíferos terrestres em harmonia com o deus da natureza, Filiton, flor-de-mar. Luin aceitou, mas Forterion não concordou com a decisão. Depois de recorrer várias vezes no tribunal dos deuses élficos, e de perder sempre, ele decidiu montar uma cilada ao irmão: iria conduzi-lo até à fonte das mil vidas e tirar-lhe a imortalidade. Dessa maneira Luin seria expulso do concelho dos deuses. E foi assim que fez. Usou a lira dos mil encantos para o atrair com a sua música encantada até a fonte. Quando Luin lá chegou, sem saber que se encontrava na fonte das mil vida, o seu irmão disse-lhe: “Meu irmão, peço-te que te banhes nestas águas puras, para provar o fim das hostilidades entre nós.” Ao que Luin lhe respondeu, desconfiado: “Que fonte é esta meu irmão? Estás tu disposto a partilhar o trono comigo?”. Forterion ficou nervoso e respondeu-lhe “Meu irmão, não hesiteis mais! É uma fonte que eu construí só para ti, para te banhares nas suas águas e te lembrares que foi aqui que acabaram os conflitos com o teu irmão!”. Luin disse-lhe “Então, meu irmão, como gesto de confiança, peço-te para te banhares antes de mim.” Forterion entrou em desespero e sem saber o que dizer, vendo que o irmão não se banharia voluntariamente, atacou-o e tentou atirá-lo para dentro de água. Mas nesse momento, uma raposa atirou-se e mordeu Forterion no pescoço. O golpe foi fatal. E então, quando soube do terrível acontecimento, o concelho chamou Luin e disse-lhe para trazer a raposa. Mas depois de muita ponderação os deuses decidiram não punir o animal que  tinha salvo o deus. E Luin garra-de-urso passou a chamar-se Olguin, que significa mamífero protector, raposa-da-montanha. E deu inteligência divina àquela espécie de raposa, a que deu o nome de, adivinhe só, raposa da montanha.

-Uau… bem mas penso que isso seja apenas uma lenda! Não é que eu não acredite nos deuses mas… enfim estou um pouco mais tranquilo.

O que Morit disse a Rarum acalmou-o um pouco mas o pobre anão continuava assustado. Enquanto tentava esquecer a presença do animal tentava descobrir algo dentro da escassa luz das velas para pensar e se entreter. Mas nada parecia tirar-lhe aquele medo incontrolável de dentro. Rarum era um anão, e estava familiarizado com os grandes animais da montanha, como os ursos, mas aquele animal era algo especial. Mas depois começou a pensar noutras coisas, com alguma dificuldade. Lembrou-se da bonita vista da sua casa para o sol poente, estampado contra um céu vermelho alaranjado, e as casas de pedra branca com longas chaminés salientes de tectos de colmo, expelindo um fumo sereno em direcção à imensidão do céu. Do bater de martelos contra o ferro em brasa, das badaladas das oito horas, o chamamento das mulheres para os maridos e crianças irem jantar. Lembrou-se dos festins em casa do primo Birrask, com os melhores presuntos, queijos, vinhos, pão e muitas mais iguarias deliciosas. Lembrou-se também dos soberbos almoços nas casas dos homens grandiosos do norte, em Siliman, com as especiarias que estes exímios marinheiros iam buscar às terras do sul e às ilhas distantes no mar Oriental enquanto os furacões não chegavam, todos aqueles ingredientes exóticos de países longínquos, temperados com todos os tipos de especiarias e servidos no calor das suas cidades esculpidas contra a colina. Crianças corriam à sua volta, alegres, a rir. E de vez em quando havia uma que caía no chão e ia a correr chorar para ao pé da mãe. E a mãe consolava-o.  

Mas um pensamento terrível se abateu sobre ele: Itridin! Se ele conseguisse conquistar aquelas terras tudo isso estaria perdido. Passou-lhe pela mente a imagem de hostes de Orcos e Ogres destruindo e queimando as suas casas, escravizando homens, mulheres e crianças. Nada lhe tirava aquilo do pensamento. Desejava que o sono lhe invadisse o espírito para poder dormir e descansar, mas os quatros dias de descanso anteriores não lhe davam misericórdia. De repente despertou daquele pensamento terrível com o chamamento de Morit:

-Eh! Então meu velho? Está na lua? Não ouviu nada do que eu lhe disse?

-Peço desculpa meu amigo, estava aqui a pensar e… distraí-me. Não se importa de repetir?

-Estava a dizer que já devem ser umas cinco da manhã. Dentro de uma hora e pouco começará a amanhecer. Vá preparando duas ou três fatias do seu presunto porque a raposa continua a perseguir-nos!

-Ah sim claro… e se ela não nos abandonar?

-Nesse caso ela que venha atrás de nós… não temos nada a perder e até ganhamos uma vigia! As raposas da montanha são óptimos animais de estimação!

-Você endoideceu de vez Morit?! Adoptar uma raposa como animal de estimação??? Só se for para você porque eu não me atrevo!

-Ora não seja tolo! As raposas da montanha chegam a ser bem mais mansas que um cão! Para além disso o primeiro que a treinar, tenha ela a idade que tiver, torna-se imediatamente mestre dela! Ah e um pequeno pormenor… são bem mais mansas que um cão para si, mas se você a manda atacar alguém, aí são melhores que qualquer cão de guarda! Vai ver que umas fatias de presunto e uns minutinhos de treino e ganha o animal de estimação mais gracioso que há!

-Mas Morit você está bem? Como pode dizer que uma raposa é mais mansa que um cão? E se é esse o caso porque as pessoas não usam raposas em vez de cães?

-Meu velho eu disse raposa das montanhas! Não simplesmente raposa! E as pessoas não usam raposas das montanhas em vez de cães é porque elas só vivem nas montanhas Farî e estão protegidas pelo rei élfico.

-Não sei se essa ideia me agrada Morit!

-Se não quer fico eu com ela. Mas enfim ainda não sabemos se ela não se afastará. Esperaremos até lá. Já estamos dentro do território élfico desde as onze e meia.

-Por favor, explique-me o truque para se saber as horas numa floresta tão densa que não entra luz nenhuma e a lua não se vê?

-É segredo de mago, Rarum! Não deixe que a sua curiosidade típica de anão o deixe fazer perguntas a mais senão vai-se arrepender!

-Mas…

No momento em que o anão ia responder uma luzinha cor-de-rosa no meio do arvoredo escuro do lado esquerdo, fora do alcance da luz fraca das velas, chamou a atenção de Morit, que com um gesto súbito, ordenou ao anão que se calasse. Depois disso uma luz e outra, e mais outra, uma verde, outra amarela, uma vermelha, outra lilás, foram aparecendo na floresta. Morit disse, baixinho, a Rarum:

-A raposa está mesmo atrás de si. Não se vire bruscamente nem fale alto. Ela saltou silenciosamente por cima da tábua, na traseira da carroça, que segura a mercadoria. Sentiu-os. Sabe que eles não lhe farão mal, mas por precaução, e porque já nos acompanha há algum tempo, decidiu buscar protecção aqui.

O sangue estava gelado nas veias de Rarum. Mas este fez um esforço para responder, com uma voz trémula e hesitante, muito baixinha:

-Mas… eles quem?

-Guardas elfos. – respondeu Morit, baixinho – Estão a fazer a patrulha, com a ajuda de pirilampos mágicos multi-colores. Em breve vão perceber quem somos e, quando o sol nascer, provavelmente, convidar-nos-ão a subir as suas casas. Mas por agora mais vale estar quieto e esperar que eles nos examinem.

Rarum respondeu-lhe, indignado com a calma do companheiro, mas muito baixo na mesma:

-Isso é facílimo de dizer quando não se tem uma raposa das montanhas a fazer-lhe cócegas com a sua respiração!

Um sorriso ténue e compreensivo mostrou-se na boca de Morit, que respondeu, sempre no mesmo tom:

-Estique a mão muito, e sublinho a palavra muito, devagar até ao cesto e retire duas das fatias de presunto que cortou ao almoço.

E o pobre e terrificado anão cumpriu as ordens do mago. Demorou quase dois minutos a alcançar o cesto. Abriu-o muito devagar, retirou duas fatias que havia cortado, para o almoço, e que tinham sobrado, e num ápice virou-se e deu o presunto ao imponente animal, que parecia já saber o que se ia passar. Depois de mastigar o alimento, deitou-se nas traseiras da carroça e fechou os olhos. Rarum não hesitou em resmungar, logo a seguir, baixinho, sem se esquecer das patrulhas de elfos:

-É preciso ter lata! Eu aqui com o maior dos cuidados, a uma velocidade mínima, para não despertar a atenção, viro-me de repente pensando “Pronto! Já está! Assustou-se e agora estou metido em mãos lençóis!” e sua excelência limita-se a tirar-me o presunto da mão, como se adivinhasse!

-É a prova da inteligência deste animal. Ele não adivinhou. Ele calculou. Quando ouviu o barulho do cesto a fechar percebeu logo o que se passava e nem se deu ao trabalho de o ameaçar.

-Isso é no mínimo um insulto! Eu não produzi o mais pequeno som!

-Esquece-se que uma raposa das montanhas não possui ouvidos de humano, nem de anão nem sequer de elfo! Podia ouvir uma mosca a voar quinhentos metros daqui!

-É impressionante! Eu desperdiço duas fatias do meu melhor presunto para uma raposa e é desta maneira que elogiam a coragem que tive!

-Oh não seja exagerado!

E a discussão prosseguiu, sempre muito baixinho. A luz ténue da carroça penetrava a penumbra da floresta e seguia pela estrada velha e gasta. Cerca de cinco elfos, com os seus pirilampos mágicos presos em lamparinas envidraças, seguiam atentamente os dois companheiros. As cinco luzinhas, uma cor-de-rosa, uma lilás, uma verde, uma amarela e ainda outra verde água percorriam silenciosamente o ar da floresta, sobre a abóbada formada pelas copas das árvores. Leves como penas, os pés ágeis e calçados com sapatos de tecido e sola fina de madeira, dos elfos, avançavam silenciosamente pelo solo húmido, fértil e mole da densa floresta, com seus cabelos escuros e chapéus verdes e cómicos aquecendo as suas cabeças, os seus olhos penetrantes a vigiar a carroça, os seus ouvidos de longo alcance ouvindo a discussão engraçada dos nossos amigos e as suas bocas graciosas descrevendo leves e ténues sorrisos estampados contra os seus rosto pálidos e vigilantes.

Durante quase uma hora foi este o cenário até que um ténue e muito fraco raio de luz surgiu. Estava a amanhecer e, apesar de não entrar quase luz nenhuma por entre as copas das árvores, os elfos aperceberam-se disso e esconderam-se rapidamente. Depois Morit disse:

-Está a amanhecer. É altura de acabarmos a discussão e, enquanto tomamos o pequeno-almoço, esperar que os elfos se dirijam a nós.

-Encoste ali à frente. Há muita erva para o cavalo – respondeu Rarum, com um aceno de concordância.

E Morit seguiu o conselho do seu amigo. Parou uns quatro metros à frente, antes de uma pequena curva, onde havia boa erva para o cavalo.

Maerton – Capí­tulo 1 – A Criação

No princípio, Eru criou os Ainur, e ordenou a estes, que criassem uma música, com o tema que lhes deu. Porém, Melkor – o mais poderoso dos Ainur – fugiu do tema imposto por Eru, e criou sua própria música. É citada no Silmarillion que outros Ainur se uniram a Melkor, e também fugiram do tema.

 
Tolkien, porém, não cita os Menoir – alguns Ainur que perceberam que Melkor pretendia pegar para si todo o poder e estragar a criação da música de Eru. Destes, o líder era Liäniníndil, que, durante a sua música (os Menoir mudaram a música para combater Melkor), criou Seregorr, a melhor espada de todas. Outros deles foram Galiniel, que criou Manestríndil, a segunda melhor espada, e Calanosserniomë, que criou Ravena, a terceira espada.

Todos os Menoir, juntos, criaram os Maerton – povo mais poderoso que os elfos, de maior estatura, inteligência, agilidade e beleza – também para combater a música de Melkor. Dos Menoir, porém, nenhum virou Vala, e todos ficaram com Eru, fora de Eä. Seregorr era a única espada capaz de matar um Vala, com isso, é notável que foi feita com a intenção de matar Melkor. Manestríndil e Ravena eram as únicas espadas capazes de suportar o tranco de Seregorr (naquela época), e isso mostra a preocupação de Seregorr cair nas mãos do inimigo.

Viagem de um Anão – Capí­tulo 3 – A caminho do Pântano dos Sonhos

viagens-de-um-anao.jpgRarum e Morit atravessaram a cidade. Estava um tempo bom. O sol não queimava pois uma brisa fria cortava o ar e atenuava o calor do astro. Entraram por uma grande avenida e foram a direito ate aos portões da cidade, no lado Ocidental. Aí subiram a muralha, que não era muito alta e que contrastava com a cidade branca, pois era feita de uma madeira cor de mel, por umas escadas um pouco acidentadas. Rarum ia a frente, andando rápido, com sua barba grande a afastar-se da cara devido ao vento e com o mago Morit logo atrás. Chegou ao pé de um homem alto, que estava de costas, com cabelo loiro comprido, esticou-se o máximo que podia e deu-lhe uma pancadinha no ombro. O homem virou-se, olhando em frente, vendo o mago. Mas só depois olhou para baixo e viu o anão olhando-o com um pequeno sorriso na cara. O homem era de seus trinta e tal anos e tinha também uma pequena barba loira. Cabelo e barba, e preciso fazer notar, eram de um loiro torrado e não élfico. Tinha roupas de lã e uma cota de malha antiga por baixo delas, que se acusava na zona entre o peito e o pescoço onde a gola da camisola não chegava. Tinha uma espada a cintura, com um punho coberto de cota de malha. Segurava o capacete debaixo do braço e o capuz de cota de malha encontrava-se torto, apoiado nos ombros. Assim que viu Rarum disse, com um ar preocupado:
 
 
-Oh Rarum, meu amigo! Peço desculpa mas a minha altura não me permitiu notar a sua presença de imediato. Sempre vai?

-Vou sim, Lorent, a guerra chama-me, e o meu povo precisa de mim… está tudo pronto?

-Está sim meu amigo, a carroça está arranjada e os cavalos prontos para a puxarem. Eu vou lá busca-la.

-Eu e Morit vamos consigo. Oh mas que indelicadeza! Esqueci-me completamente de lhe apresentar o meu amigo e companheiro, o mago Morit. Lorent este é Morit, Morit este e Lorent.

Os dois curvaram ligeiramente a cabeça um ao outro e depois Lorent disse:

-Bom então venham. Faz-se tarde e ir a caminho da floresta Central á noite é cansativo.

Ora Lorent encaminhou-os pela cidade fora, e entrou pela rua trinta e quatro do bairro Ocidental. Se havia uma rua menos mal frequentada naquele bairro era aquela! Depois de percorrer uns 10 metros da rua, que era larga e tinha casas, ao contrário do bairro Oriental, de uma pedra amarelo torrado e com varandas de madeira escura e grandes arcos em forma de ferradura, com grandes portas de madeira, bateu na porta correspondente a letra E. Abriu a porta, que era pesada e, tal como as outras, em arco de ferradura, com uma chave grande e dourada, e entrou na casa. Não se pode dizer que fosse uma casa rica. Pelo contrario. Apesar de maior que a confortável casa do anão, esta tinha fendas nas paredes, que não eram cobertas de madeira. Tinha um corredor central com varias portas, que davam para as diferentes divisões. Depois tinha uma escada que dava para o sótão, que por sua vez tinha uma bonita varanda de madeira castanha, e era coberto por pequenas telhas. Ao fundo do corredor encontrava-se mais um dos muitos arcos de ferradura, que eram usados em todo o bairro, devido a superstição em relação aos viajantes. Ora passo a explicar: No reino dos homens havia um herói Homem-elfo, que defendia todos os homens que viajavam pelas terras a cavalo. O símbolo deste deus era a ferradura e inclusive, há um enorme templo no centro da cidade que em sua homenagem. Ora não é de estranhar que um bairro pobre, de viajantes, que não tem dinheiro para as casas de pedra branca do bairro oriental, construa as entradas das portas em forma de ferradura, para afastar os maus acontecimentos dos viajantes.

Transpuseram essa porta e entraram num grande quintal, com um chão de grandes lajes e algumas laranjeiras. Num dos cantos estava um cavalo castanho com um ar muito saudável e um pêlo que mais parecia seda. Já ligada a esse cavalo, estava uma carroça, com duas rodas, as de trás grandes e as da frente um pouco mais pequenas. Tinha uma espécie de “tenda” atrás, que formava um pequeno túnel coberto de tecido cinzento. Tinha uma tábua, na parte da frente, para servir de acento e outra, mais em baixo, para apoiar os pés. Tinha também duas pequenas lanternas, com velas novas no se interior, penduradas em ganchos, um em cada extremidade da carroça. Era uma carroça de tamanho normal, e tinha espaço suficiente para as coisas de Rarum.

-Ora aqui está o seu cavalo e a sua carroça. O meu pai, exímio artesão, talvez o melhor em madeira de toda a cidade, reforçou a carroça e ela está capaz de percorrer o deserto sem se enterrar na areia. Entretanto escovou o cavalo e alimentou-o bem. Está pronta para partir. – disse Lorent, com ar triste mas apressado.

-Muito obrigado por me ter guardado a carroça e o cavalo estes anos todos, como já lhe expliquei não tenho quintal e seria difícil deixa-los a porta, dado o risco de serem roubados. Obrigado também pró os ter tratado tão bem, vejo que o cavalo está bem alimentado. Bom vou andando, ainda tenho de ir carregar as coisas. Até a próxima meu amigo!

-Até a próxima, velho bandido – respondeu Lorent.

Depois disto, Morit, que tinha estado calado este tempo todo, fez uma ligeira vénia ao guarda, sentou no banco da carroça, junto a Rarum, e saiu pelo protão do quintal que era alto e de madeira velha. Seguiram pelas ruas da cidade e atravessaram todo o bairro Ocidental até chegaram ao oposto. A diferença era ofuscante: para trás, uma aglomeração de casas, todas elas de um amarelo-torrado, e num milésimo de segundo, só casas de pedra branca acinzentada e bastante antiga mas imponente. Entraram pela rua estreita de Rarum, com esforço para não roçar nas paredes e pararam os cavalos em frente da porta do anão. Ai Rarum abriu a porta e começou, em varias idas e voltas, a carregar a carroça: coisas de valor que lhe pertenciam, duas garrafinhas de vinho, muita agua, muito pão e muitas carnes salgadas, ervinhas para o chá, alguns temperos, mantas, um pequeno cajado de madeira tosca, dois frascos de compota, uma cana de pesca, tachos, panelas e tachos e muitas outras coisas necessárias para uma grande viagem. Depois selou a pequena tábua, da parte de trás da carroça que impedia que as coisas caíssem pela traseira, e sentou-se de novo no banco (banco esse, esqueci-me de referir, era almofadado e muito confortável) e disse para Morit:

-Bem a caminho! Saia pela extremidade oposta com cuidado, que desemboca numa avenida muito frequentada por guardas e não me apetece ser questionado.

E foi assim que Morit fez. Conduziu a carroça com cuidado, ao longo da estreita rua e entrou na avenida, vendo se não haviam guardas nas redondezas. E assim seguiu. Mais uma vez atravessaram a cidade e saíram pelo enorme portão, em direcção a floresta.

Rarum suspirou.

O caminho a frente era estranho e até assustador. A estrada percorria umas enorme planície de tons cinzentos, apenas com ervas rasteiras, e era extremamente estranho pois não viam nenhum dos imensos caminhantes que afluíam todos os dias a cidade. Talvez da distância pois tinham cerca de duzentos quilómetros pela frente e isso e muito espaço para caminhantes… podiam estar dispersos. Mas Rarum não quis saber. Apenas se preocupava em ir rapidamente para as suas terras. Lá muito ao longe, quase invisível aos seus olhos encontrava-se a grande floresta central, que ele tinha que atravessar para chegar a sua cidade. Duzentos quilómetros faltavam ainda para chegar a floresta, e mais de mil tinha de atravessar dentro dela, e depois dela mais setecentos para chegar a sua cidade, no vale de Ortich. Mas isso não o assustava! Sabia que ainda tinha de ir as montanhas e cidades dos elfos pois Morit tinha que lá tratar de assuntos. A floresta é um sítio lindo, mas escuro e talvez perigoso, para quem sai da estrada. Mas tinham também a protecção dos elfos nas suas casas nas árvores e isso agradava Rarum, pois anões e elfos são grandes amigos. A carroça seguiu pelas planícies frias. Lá atrás a cidade tornava-se mais pequena e as terras quentes do sul, distantes, encontravam-se agora fora do alcance visual.

Eram quase seis da tarde quando passou pelos olhos de Rarum uma vontade imensa de dormir. Achou estranho aquele súbito cansaço, pois não tinha acordado muito cedo e tinha-se alimentado bem. De qualquer maneira dobrou-se para trás, esticou-se o mais que pode e retirou um grande pedaço de pão que comeu devagar. Morit soltava breves e leves sorrisos, o que deixou Rarum num tal estado de agitação que mordeu a própria língua umas duas ou três vezes enquanto mastigava o pão. Mas a enorme sonolência que o invadia não lhe permitia sequer perguntar a Morit o que se passava. Aliás ele sabia o que se passava. Já tinha atravessado aquele lugar antes. Mas desta vez esqueceram-se de o avisar e o pobre anão esquecera-se completamente que tinha de atravessar o Pântano dos sonhos. Ora o Pântano dos Sonhos e uma enorme concentração de pó dos sonhos, pó esse usado por soldados, feiticeiros e até assassinos para por alguém a dormir. Este enorme pântano invisivel estende-se por oitenta quilómetros e só mascando folhas de hortelã se pode resistir ao seu curioso poder.

Mas enfim, Rarum não teve coragem para se dirigir a Morit, que nessa altura já se ria a gargalhada com o aspecto sonolento e cómico do seu alegre companheiro. Deixou de resistir, arrastou-se até á parte de trás da carroça e deitou-se numa abertura que se encontrava entre as malas e os sacos.

Viagem de um Anão – Capí­tulo 2 – Chá de tí­lia e pão com mel

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Depois de um ou dois segundos calados Morit quebrou o silêncio:

-Bom então está pronto?

 

 

-Estou sim Morit… estou farto de estar nesta cidade de homens presunçosos. E no outro bairro é só má gente! Maldita a hora em que me mandaram para aqui. Bom o que interessa e que era suposto eu ter vindo apenas entregar uma carta do meu venerável rei Loirin, o loiro, ao rei dos homens do sul, Sarat, e já cá estou á quase dois anos! Bom eu vou buscar a carroça a casa do guarda Lorent, o único amigo que fiz nesta maldita cidade, trago-a até a entrada da rua e depois carrego com as coisas. Lembre-me de deixar a chave por cima da porta, para a senhoria a levar.

– Rarum, meu amigo, não seria melhor acalmar-se, comer qualquer coisa e beber um chá quente? É melhor acalmar-se, com tanto nervosismo não chegará as montanhas vermelhas sem alguns acontecimentos indesejáveis pelo meio.

– Bom… talvez tenha razão meu sábio amigo. Tenho saudades das montanhas. Como vão as coisas por lá?

– Sinceramente, meu amigo, vão mal. Os seus compatriotas anões por 5 vezes, este ano, tiveram de se refugiar nos subterrâneos Vermgus. Mas as suas cidades continuam, seguras por enquanto.

É preciso descrever como eram as cidades dos anões. Ora estas eram apenas construídas nas zonas interiores das Montanhas vermelhas (e em tempos nos montes solitários que entretanto foram derrotados por inimigos cruéis). As que em tempos foram construídas nos montes externos são agora fortalezas contra os exércitos das ilhas negras.Ora estas cidades são construídas nas pequenas planícies (a maior, onde se situava Galit, a capital, tem apenas 4 km). No centro dessas planícies eram artificialmente elevados pequenos montes onde construíam o núcleo da cidade (palácio do senhor, mercado…), em volta as habitações e os pequenos comerciantes: ferreiros, mineiros, artesãos…) e por fim eram rodeadas por altíssimas muralhas cinzentas. Todas essas cidades eram construídas de forma circular, pois os anões diziam que em noites de lua cheia é a noite dos ferreiros, e os melhores ferreiros do mundo são, sem dúvida, os anões.

Ora Rarum pôs uma chaleira por cima da lareira e colocou lá as ervinhas da tília. Depois cortou duas fatias de pão, fininhas e barrou-as com bastante mel. Colocou cada uma no seu prato, entregou um a Morit e colocou o outro no colo, depois de se ter sentado novamente. Deu uma pequena dentada no pão e disse:

-Bom mas é lá que eu pertenço! Á minha querida terra. E se está em guerra eu combato. Antes de vir para esta maldita terra combati durante largos anos os Orcos de Itridin.

-Eu sei isso. Só estava a tentar avisá-lo de que os tempo por lá estão difíceis… as Ilhas Negras estão a ganhar terreno no reinos dos anões e na parte ocidental da floresta central. Apesar de esta parecer um sitio estranho devido as pessoas que de lá vêem parecerem sombrias isso não é assim: a grande floresta central só é estranha e perigosa num raio de cerca de 200 km a partir da ponte negra. De resto é o sítio mais seguro, neste momento, das terras do norte. Você devia ir para lá, olhe que as hostes de Itridin estão verdadeiramente evoluídas.

-Eu não tenho medo desse negro Feiticeiro, nem do seu negro bordão e muito menos dos seus negros emissários! Se ao menos as terras do sul não fossem inabitáveis (a não ser por homens primitivos, muito pouco evoluídos), e as terras tropicais não fossem atormentadas pelos furacões do verão eu iria para algum desses sítios… mas as terras do norte são as únicas habitáveis, neste milénio! Os tempos antigos passaram, e as terras longínquas do outro lado do mundo estão igualmente perdidas. Por isso eu digo que, contra os exércitos de das ilhas negras, estou tão seguro nas montanhas vermelhas como em qualquer parte da floresta central.

Nesse momento a água do chá começou a ferver e o som da chaleira a expelir vapor ecoou pela pequena sala e o anão correu para a lareira. Serviu duas chávenas de chá, entregou uma a Morit, e sentou-se com a outra na mão. Entretanto o pão com mel já tinha desaparecido e o prato já estava no chão.

Depois disse:

-Estou farto de pão, mel, chá de tília e tudo o mais que as pessoas desta estúpida cidade consideram “adorável” e “delicioso”. Um bom copo de vinho tinto das vinhas do norte, servido com um enorme prato de fatias de presunto, um bom queijo das montanhas e como sobremesa as mais diferente iguarias que os nossos admiráveis amigos Elfos nos fornecem são os melhores alimentos que alguém pode ingerir em todo o mundo! – parou durante uns segundos, enquanto dava um golo no chá quente, e prosseguiu – Maldita cidade “civilizada”! Irei para o norte sim, para defender o reino dos anões do poder de Itridin.

-Você decide, Rarum. Eu não o impeço de nada.

Vejo ser necessário contar quem é e o que fez Itridin. Ora no ano de 944 do 14º milénio, depois das guerras com os bárbaros das terras desconhecidas e de muitas outras guerras antigas, o poderoso feiticeiro Itridin foi encarregue de explorar as ilhas Aljin, no oeste das terras do norte (terras que na altura estavam a começar a ser habitadas, e as terras do sul, tal como as terras de Fultir, no outro lado do mundo, e as ilhas tropicais estavam
abandonadas). A travessia foi feita de barco, atravessando o estreito de Aljin, nas costas centrais do oeste das terras do norte. Itridin teve de fazer um desvio, depois de atravessar o estreito, ao longo da costa, para as praias do norte da Galdûr, a ilha principal, pois ate ai a costa era formada por gigantescas falésias de rocha cinzenta. Quando Itridin desembarcou, dirigiu-se para o centro de Galdûr. No caminho deparou-se com uma extensa e espessa floresta, com copas tão altas que tapavam a face do sol. O chão era coberto por raízes, mas graças a encantamentos Itridin conseguiu manter a sua rota em direcção ao centro da terrível ilha. Quando lá chegou encontrou uma grande rede de cavernas. Aí caminhou durante dias e dias ate que chegou a uma grande porta de ferro, prateado, com letras da língua antiga, que nem ele conseguia decifrar. Aí apenas conseguiu distinguir as duas palavras “Ortig sîn”, ou seja, caverna proibida, em língua antiga. Itridin tentou, de diversas formas (inclusive, com feitiços), abrir a grande porta, mas esta era protegida por algum tipo de feitiço antigo que ele desconhecia. Por fim Itridin desistiu e olhou fixamente para a porta, enquanto descansava sentado. De repente o seu bordão, que estava apoiado no chão, tremeu violentamente e caiu. Depois toda a sala começou a tremer e a porta cedeu. Um raio de sorte acabava de atingir Itridin. Quando o terramoto parou, Itridin correu para a sala de bordão apontado para a frente. O seu bordão (que era preto e com uma grande esfera vermelha) iluminou a sala com uma luz vermelha proveniente da sua esfera, e o que viu espantou-o por completo: uma estante cobria toda a parede, cheia de livros antigos, sobre as línguas perdidas, as lendas e mitos do mundo, todas as batalhas tinham um livro destinado a si, livros intermináveis sobre poções mágicas, fabrico de armas encantadas, livros de bordões mágicos, listas de todos os magos e feiticeiros do mundo e livros sobre… magia negra. No centro desse grande salão estava uma rocha cilíndrica com uma taça em cima que parecia ser de cristal mas totalmente negra. Itridin pensou no que deveria fazer e finalmente chegou a uma conclusão: iria levar a jarra para o exterior, pois não se atrevia a abri-la naquele lugar escuro, e voltaria acompanhado para levar os livros. E assim fez. Caminhou durante vários dias, com a pesada taça numa mão, e o bordão na outra mas graças a sua memória de feiticeiro consegui encontrar a saída.

Aí respirou durante largos segundos o ar fresco do exterior, mesmo que pesado devido á grande floresta. Depois pousou a grande taça numa pedra e ficou a olhar para ela durante uns minutos. A taça era realmente, toda de cristal e tinha duas asas, tinha cerca de cinquenta centímetros de altura e era toda negra. Era extremamente pesada, e isso Itridin já tinha percebido pois o seu braço terrivelmente dorido. Aproximou-se lentamente, colocou a mão na pequena esfera que ornamentava a tampa da taça e abriu-a. De repente um enorme impulso projectou-o para trás. Itridin rastejou até ao seu bordão, agarrou-o e virou-se novamente para a taça. Agora todo o mundo a sua volta era invadido por uma neblina de sombras. Itridin viu o poder das trevas invadirem-lhe a mente. Ele acabara de libertar o poder das trevas, de dentro da taça de Arnail. As sombras que os deuses élficos haviam aprisionado no inicio dos tempos. Itridin ouviu vozes na sua cabeça e foi corrompido. Passou-se para o mal naquele exacto momento. Depois voltou as cavernas. Durante dezenas de anos esteve lá, leu todos os livros da biblioteca, passeou-se pelas cavernas, ate as conhecer tão bem como a palma da sua mão. E lá cresceu em poder. Tornou-se no mais poderoso de todos os feiticeiros, e não haviam segredos na arte da magia para ele. Entretanto, os feiticeiros e magos começaram a estranhar a sua prolongada ausência. Então Vigil, o vigilante, foi enviado as ilhas negras para procurar Itridin. Encontrou-o nas cavernas. Itridin corrompeu Vigil e transformou-o no seu maior servo. Vigil foi enfeitiçado: seu corpo e suas vestes eram agora feitos de fogo e o seu bastão desfeito. Agora o primeiro senhor das trevas tinha um servo. Juntos criaram os orcos, óptimos arqueiros, fortíssimos, os Ogres, gigantes feios e verdes empunhando martelos enormes, e criaram Golin, o cavalo de Vigil, negro com crina, cauda e cascos de fogo. Depois construíram Ortig-sîn, uma grande cidade negra. Fortificaram as cavernas e transformaram-nas em negros recantos, onde os orcos e ogres criavam mas orcos e ogres. Por cima ergueram milhares de torres todas ligadas. Assim era Ortig-sîn, na ponta do negro desfiladeiro a que ele chamou “Montanhas Tar-Matir”. Depois queimaram toda a floresta, arrancaram as suas raízes. Descobriram que a floresta se estendia por toda a ilha de Galdûr e para além dela: também se estendia para Mortim, a segunda ilha. Depois das ilhas estarem transformada em terras de pó negro e estéril, Itridin mandou construir a fortaleza de Dol-Dilai, os portos de Argan, os portos de Escalera, a cidade de Silican, a ponte Galeer, a grande ponte Negra, rodeou Mortim e Galdûr de enormes muralhas ao longo da linha da costa e fortificou as pontes. Abriu as fendas de Escalera, gigantescas fendas no chão de onde ele subtraía a lava com que produzia o metal duríssimo com que fabricava as armas dos seus exércitos. Capturou cinco elfos que corrompeu e transformo nos formidáveis guerreiros Albidan, montados em cavalos negros. Depois de trezentos e cinquenta anos de evolução começou a guerra contra os anões e os elfos da grande floresta Central.

E assim se tem mantido há quatrocentos anos.

Bom voltemos a sala confortável de Rarum. Morit e o anão acabaram de beber o seu chá, e saíram de casa para ir buscar a carroça a casa do guarda Lorent.

Viagem de um Anão – Capí­tulo 1 – Um Estranho Caminhante

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No bairro Ocidental da cidade de Alin, uma cidade no sul da grande floresta central, situada numa longa planície, viviam muitas pessoas estranhas… era um bairro de caminhantes, de aventureiros e era atravessado pela estrada que entrava na Grande floresta, alguns quilómetros a norte. Ora não é difícil imaginar que um bairro onde passam milhares de caminhantes por dia (ainda para mais, atravessado por uma estrada que conduzia a um sitio tão imenso como a Grande Floresta Central) fosse um sitio algo estranho. Homens solitários alugavam quartos sinistros em pensões decadentes, velhos feiticeiros carrancudos instalavam-se literalmente no meio da rua e jovens aventureiros regressavam da floresta desfeitos. Nunca faltavam homens nas tabernas, e estas mantinham-se abertas graças ás desgraças dos pobres caminhantes, como que velhos abutres a espera da batalha. Ora pelo contrário, o velho bairro Oriental, o qual era significativamente longe da estrada, era menos mal frequentado, mas não menos agitado. No bairro Ocidental instalavam-se os estranhos que estavam de passagem, e no Oriental os habitantes fixos da cidade.

 
Porem houve um dia que um estranho homem entrou no bairro Oriental. Era um acontecimento nunca visto um homem destes entrar naqueles lados. Tinha aquele aspecto que as pessoas adoram definir como “marginal” “sem abrigo” ou “criminoso”. Como devem imaginar, toda a população do venerável bairro que se considerava “admiravelmente respeitável” e “veneradamente bem educada” parou os seus afazeres para observar, de alto a baixo, a estranha personagem. Ora era um homem raro de aparecer, tanto ali como em todo o lado. Tinha uma barba branca acinzentada que lhe chegava aos joelhos e que ele prendia entre o cinto, que era de um cabedal castanho-escuro incrivelmente gasto. Esse cinto prendia (para alem da grande barba) uma grande túnica azul-escura, túnica essa que era coberta com um manto azul-escuro, feito de uma espécie de seda que arrastava longamente pelo chão. As suas sobrancelhas eram brancas como a neve e os olhos verdes. O seu rosto era enrugado e preocupado. Tinha cabelos cinzentos que lhe chegavam as costas, mas que eram consideravelmente mais pequenos que a invulgar barba, e por cima desses cabelos erguia-se um altivo chapéu bicudo, sem aba, e que, adivinhem só, era azul-escuro… as suas botas não se viam pois eram tapadas pela longa túnica, e mesmo a andar, os pés nunca saiam de fora dela. Apoiava o peso do seu corpo (que devia ser pouco pois apesar de ter a altura de um homem normal, e de as suas vestes não deixarem ver a sua massa corporal, era obvio que andava demasiadamente apressado para homem gordo) num bordão de madeira que ultrapassava a sua cabeça em quatro ou cinco centímetros. Este não era totalmente direito e era feito se uma madeira clara, a qual tinha aspecto de ser magica pois era um castanho cor de leite com café, e nenhuma arvore tinha uma madeira deste tipo em todas as terras do Norte. Este bordão terminava na forma de uma ave de bico virado para baixo, como fazem os flamingos, mas o bico era totalmente cilíndrico e devia ter talvez um centímetro de diâmetro. A cabeça da ave tinha duas tiras de madeira rectangulares, com cerca de vinte centímetros de altura, com alguns milímetros de diâmetro, mas extremamente resistente, que subia e dava uma volta. Entre as duas encaixava um cristal redondo. Era um cristal transparente, com algumas partes esbranquiçadas.

Ora esta estranha personagem andou apressadamente pela rua principal, olhando para todos os lados procurando algo ou alguém (sempre sobre o olhar atento dos populares). Chegou a uma rua estreita e por ai se meteu. Essa rua tinha pouca luz mas dava para ver bem as portas. As casas, como em toda a cidade eram de pedra branca, mas as portas eram de uma madeira exótica. Ao chegar a porta número dezassete parou, olhou atentamente para a varanda em cima, durante alguns segundos, e por fim bateu na porta com a sua mão áspera. Esta demorou intermináveis segundos a produzir algum som. De repente, do interior da casa, ouviu-se um som. Eram sons de passos. Eram passos ruidosos. De repente a porta rangeu e abriu-se lentamente. Apareceu uma cara assustada por entre a porta, as assim que esta reconheceu os estranho homem (pelos vistos, não era o seu primeiro encontro) o medo desapareceu do seu olhar e abriu a porta por completo. Era uma figurinha baixa, talvez de um metro e vinte, barba pela cintura e cabelo igualmente pela cintura com vestes multi-colores, todas elas, cores muito vivas e um cinto com a fivela de prata (cinto esse que segurava um punhal com a pega de ouro). A barba e o cabelos eram brancos como a qual, ao contrario do seu rosto que era queimado e enrugado. Os seus olhos eram um laranja acastanhado… não era cor de mel, era mais escuro. As suas sobrancelhas, ao contrário do cabelo, eram ruivas e estranhamente peludas. As suas mãos eram pequenas, e os pés (encontrava-se descalço pois estava em sua casa) eram grandes e enrugados.

Ora tudo isto faz qualquer um deduzir que esta criatura seria um anão. E era isso que ele era.

-Morit, meu amigo! Há muito aguardo por si! Então por onde tem andado, seu velho mocho? Praticando mais um dos seus grandes feitiços? Ah sua raposa matreira, nem sabe as tormentas que tenho passado nesta maldita cidade de homens! – disse o nosso anão com olhar extremamente alegre.

Como já devem ter percebido o estranho homem chamava-se Morit e era um feiticeiro. Ora como resposta, Morit disse a Rarum (esse era o nome do anão):

-É bom que me respeite Rarum! Pois eu sou um Mago, não um mago qualquer, mas sim Morit, o caminhante!

Seguiu-se o silêncio, com os dois fintando-se atentamente. Depois, não aguentando mais a pressão (pois o olhar de um mago e bastante cansativo), quebrou o silêncio e disse:

-Ora deixe-se de patetices e entre de uma vez! O pão já e de anteontem e quanto mais demorarmos mais ele endurece!

Morit começou a rir-se e, ao mesmo tempo que passava pela porta de entrada disse:

-Pois bem, você nunca me ganhará, o meu olhar de mago não deixa ficar calado. Ah ah ah!

-Um dia eu ganharei Morit, escreva o que eu lhe digo!

E com estas palavras Rarum fechou a porta olhando atentamente, para ter a certeza de que ninguém havia seguido o feiticeiro até ali.

A casa do anão era realmente bonita, apesar de bastante pequena pois aquela rua era demasiado estreita para albergar mansões. Toda a casa era como que “forrada” com madeira, inclusive o tecto. Era baixa, mas alta o suficiente para albergar um homem, mesmo que alto. Passando por um estreito e baixo corredor, com uma longa alcatifa foram dar a uma sala com três confortáveis cadeirões, outra grande alcatifa, uma mesa de madeira, baixinha, com centenas de mapas, livros, papeis soltos… enfim uma grande confusão típica de um anão (ainda para mais, um anão amigo de caminhantes, e para aumentar mais o vosso conhecimento sobre Rarum digo-vos que ele próprio era um caminhante!). Tinha também uma grande lareira (que se encontrava com uma grande chama acesa no seu interior) e por cima estava um mapa das terras do norte, desenhado por ele próprio e orgulhosamente emoldurado. Ora nas terras do norte as temperaturas de verão está entre os 30º graus no norte e os 40º no sul. Mas as de Inverno encontram-se entre os 25º graus no sul e os -10º no norte! Ora nesse dia de Inverno estavam 20º graus em Alin. Por isso Morit, como se fosse o dono da casa, arrastou a mesa para o canto da pequena sala, também esta forrada de madeira, colocou um dos grandes cadeirões em frente da lareira, sentou-se confortavelmente, encostou o bordão ao ombro e ergueu as mãos de palmas viradas para o fogo. Rarum fez o mesmo.

Um Antigo e Mais novo Inimigo da Terra-média – Cap. 15

Cap. 15: Revelação – A expressão de Pallando muda de um leve sorriso para a seriedade,
afinal aquela era uma batalha decisiva e duríssima, a única vantagem
dos homens era a poderosa muralha de Helm, reconstruída e reforçada com
pelos anões, pois, os goblins estavam em maioria. Virando-se para os
soldados falou em alto e bom som pra que todos ouvissem:

 

 
– Não confiem apenas nas muralhas para garantir nossa defesa, os goblins são criaturas rápidas e astutas, escalam paredões e muralhas como se estivesse se movimentando no chão plano, só que com menos velocidade, essa falta de velocidade é outro ponto que devemos aproveitar, portanto, fiquem todos apostos nas muralhas!

Eomér Completou:

– Vamos soldados se posicionem, armem as catapultas e as balistas, quero os arqueiros a frente! Gastem todas as suas flechas nesses malditos enquanto tentam subir, temos que debilitá-los o máximo enquanto escalam, pois quando começaram a invadir as muralhas nossos cavaleiros devem agir!

Os soldados começaram a se posicionar e quando ainda estavam se organizando, um grande som se ouviu vindo do meio das tropas, parecia um grande sopro semelhante ao chifre de Gondor, mas era um som maligno e macabro e, quando procuraram, via-se no centro Gorkil montado em seu escorpião gigante soprando um pedaço de chifre de Mumakil, logo em seguida muitos gritos de guerra ouvia-se vindo das tropas de Gorkil. Trolls, Gigantes e Goblins, era uma junção de sons gasguitos e rocos que quando se misturavam produziam uma sonoridade intimidadora.

– Não se intimidem homens de Rohan, não podemos nos abater com esse som maligno que vem com a intenção de nos destruir, temos que impor nosso porte, nossa superioridade e destruí-los por completo! – Gritava Pallando para as Tropas-

Mas o som intimidador somado aos constantes sopros de Gorkil não eram simplesmente um ato intimidador, era um chamado, e enquanto Pallando tentava evitar que os soldados tivessem sua moral abalada os som emitidos pelas tropas de Gorkil para subitamente e a voz de Pallando ecoou sendo interrompida pelo grito de Halmá do alto próximo a uma das balistas, parecia assustado.

– Algo vem do horizonte no ar, tem asas e parece gigantesco!

Todos olharam assustados e mantiveram seu olhar fixo para um grande vulto que vinha pelo ar numa velocidade impressionante, e, quando se aproximou o suficiente viram que era um Dragão imenso, vermelho como o fogo, e muitas listras negras. Em sua cabeça viam-se três chifres, dois enormes que pareciam crescer para trás chegando até metade do pescoço do dragão, e sobre seu nariz mais um chifre, pontiagudo, mas não tão comprido quanto os outros e assim como seu filho Dargortt, Dargorot tinha uma grande bola ao final de sua cauda semelhante a uma maça estrelada.

– É tudo o que eu temia. Dargorot um dos mais poderosos dragões da época da verdadeira sombra negra de Arda, não sabia que ele estava vivo, achei que os anões o tinham matado…, mas não, ele é que está por trás de tudo isso, ele é que é o verdadeiro comandante dos goblins e decidiu se revelar nessa batalha… Dizia Pallando para Eomér com uma profunda tristeza e surpresa estampada em sua face.

A expressão de Eomer era de terror, todos os soldados estavam completamente abalados, e paralisados enquanto o dragão se aproximava, os goblins por sua vez, estavam agitados e com a certeza da vitória. O dragão então sobrevoou suas tropas e era saldado com muitos gritos e ovações logo em seguida dirigiram-se até próximo as muralhas e começou a falar:

– Foi por Culpa de Vocês que meu filho Dargortt foi morto, aquelas malditas árvores gigantes o mataram, agora a minha ira é profunda e a raça humana deve ser destruída por completo! Sua voz era imponente e poderosa, ecoava como se muitos estivessem falando ao mesmo tempo e abalou ainda mais a moral dos soldados.

Pallando toma Frente e começa a falar e conforme falava seu tom aumentava a cada frase:

– Fangorn me contou do acontecido em Isengard, e a culpa Dargorot é completamente sua! Você é o responsável pela morte de seu filho! Você que o mandou juntamente com esses malditos goblins para tentar invadir e assaltar Isengard! Portanto você é o único responsável por isso! Não nos acuse de atitudes as quais você se arrepende profundamente de ter feito e por não querer assumir isso tenta culpar outros pelo acontecido, essa sua “fuga” não vai adiantar nada, por que o que vai pesar mesmo é a sua consciência por ter matado seu próprio filho! E esse vai ser o maior dos sofrimentos para você Dragão!

-Cale-se mago! Eu não tenho consciência! Não tenho tempo para esses sentimentos humanos fracos e inúteis!

-Mas não é o que parece, assim que falou de seu filho seus olhos brilharam de ódio, ódio esse por ele ter perecido, no fundo, Dargorot, ainda sobrou um pouco de instinto animal em você, Melkor não lhe corrompeu por completo, pois antes dele você como animal foi criado por Iluviatar e ninguém podia, pode e nem poderá jamais com seu poder! Iluviatar é onipotente Dargorot.

-Não tenho tempo a perder com você mago. E virando-se para as tropas gritou – Vamos goblins ataquem!

Nesse momento Gorkil que já estava à frente das tropas levantou sua espada e complementou a ordem de Dargorot, os goblins começaram a corre em direção a muralhas e escalá-la, os trolls se dirigiram aos portões, enquanto os gigantes arremessavam as enormes pedras contra os soldados no forte visando às catapultas e balistas.

– Você é o primeiro mago. Disse Dargorot e lançou uma bola de fogo incandescente contra o mago e todos aqueles próximos.

– Não é tão simples Dargorot! E com movimentos rápidos Pallando aponta seu cajado em direção a bola de fogo, dele insurgiu uma grande ventania que se chocou com abola de fogo de Dargorot dissipando-a e logo em seguida atingindo o dragão em cheio e afastando-o, em um grito Dargorot se desequilibrou e perdeu altitude, mas rapidamente se recompôs e num poderoso bater de asas fez uma poderosa ventania contra-atacando derrubando Pallado e um grande grupo de soldados próximos.

-Afastem-se de mim. Gritava Pallando com os soldados ainda no chão tonto e continuou. Eu cuidarei deste dragão, vão defender os portões!

Os soldados correram em direção aos portões e quando estavam próximos uma grande bola de fogo desferida por Dargorot os atingiu em cheio matando a todos.

Enquanto isso os arqueiros atiravam incansavelmente contra os goblins que escalavam as muralhas, mas, ainda assim ficavam cada vez mais próximos.

-Precisam atirar mais rápidos! Gritava Eomér. Eles estão avançando! Rápido, preciso de arqueiros nos portões os trolls estão o destruindo dividam-se, mais nos portões, mais nos portões!

No alto Halmá comandava as catapultas e balistas, muitas já haviam sido destruídas pelas pedras dos gigantes, e também alguns deles já tinham sido abatidos principalmente pelas balistas.

-Continuem atirando! Gritava Halmá. Do alto ele via o combate em baixo cada vez mais complicado, Goblins já começavam a penetrar nas muralhas e os portões já estavam começando a ceder, bolas de fogo eram desferidas por Dargorot para todos os lados e muitos soldados já tinha perecido.

-Maldito dragão… virem-se homens, vamos virem essa balista em direção ao dragão!

Halmá esperou o momento certo e disparou contra Dargorot. Quando este viu o tiro já estava muito próximo e pouco pode fazer para desviar, ele tentou um mergulho, mas a grande flecha da balista encravou na sua asa esquerda que já estava cheia de flechas dos arqueiros, um grito se ouviu, Dargorot então arrancou a grande flecha de sua asa e mergulhou contra Halmá e os homes na balista tentando abocanhá-los, estes, se jogaram ao chão e Dargorot atingiu apenas um, percebendo isso, ainda golpeou o local com sua poderosa cauda atingindo dois dos homens fazendo um grande estrondo e uma cratera no local do impacto onde os corpos dos soldados estavam esmagados, pegando Halmá de raspão, arremessado-o contra a parede que estava atrás deles deixando-o desacordado.

Enquanto isso embaixo os homens começaram a perder terreno, os trolls derrubaram os portões e invadiram o primeiro circulo seguido de Gorkil e dezenas de goblins.

-Recuem! Para o segundo circulo, vamos homens subam! Gritava Pallando

Muitos soldados conseguiram subir inclusive Eomér e Pallando e enquanto os outros subiam, Dargorot, num mergulho desceu e pousou no topo da rampa esmagando quem estivesse e impedindo que os demais subissem. Os soldados pararam assustados, a rampa estava completamente tomada por eles, um dos soldados então conteve seu medo decidiu atacar o dragão, ao ver essa atitude os demais soldados que subiam ergueram suas espadas e partiram para cima do Dragão.
Pallando e Eomér Pararam se voltando para rampa e viram a cena, desesperado Pallando Gritou:

-Afastem-se ele vai acabar com vocês… rápido Eomér mostre-me sua lança!

Eomér levantou sua mão e lá estava a lança, rapidamente Pallando segura na ponta da lança e um forte brilho emana de sua mão encantando a lança.

Enquanto isso na rampa os olhos de Dargorot brilham num vermelho intenso abre sua boca e desfere uma poderosa baforada de fogo, matando todos da rampa instantaneamente, inclusive goblins que perseguiam os soldados

-Nãooooooooooooo!! Gritou Eomér e tomado pelo ódio arremessa sua lança contra o Dragão. Metade da lança encrava em suas costas e mais um grito terrível é ouvido, a dor de Dargorot era imensa, imediatamente ele levanta vôo e virando-se desfere uma bola de fogo contra Pallando e Eomér, Pallando mais uma vez lança uma poderosa onda de vento que dissipa a bola de fogo numa explosão, o impacto derruba os dois, a fumaça os encobre e quando se dissipa via-se Dargorot descendo mais uma vez tentando abocanhá-los, porém uma das catapultas o atinge em cheio no ar derrubando-o ao chão num estrondo.

Pallando já estava cansado, muito de sua energia ele tinha usado naquela luta contra o Dragão, e foi levantado por Eomér.

Muitos cavaleiros lutavam contra os Goblins, e na direção deles vinha Gorkil montado em seu escorpião gigante, derrubando cavaleiros um a um sem muita dificuldade, as patas juntamente com o ferrão do escorpião eram letais e corpos ficavam pelo chão por onde ele passava, vinha em direção a Eomér e Pallando subindo a Rampa.

Eomér assistia aos poucos, cada vez menos cavaleiros e mais goblins, a grande maior parte da destruição era feita por Dargorot que não poupava sequer aliados, ele continuava a lançar suas bolas de fogo e mergulhar golpeando os soldados em chão, mesmo sendo ferido várias vezes e ter suas asas quase que completas por flechas.

A noite já começara a ir embora e o negrume estava lentamente dando lugar ao belo azul do céu, como se a esperança mesmo nas maiores dificuldades sempre viriam mais cedo ou mais tarde, então ela se concretizará e todos os temores desapareceriam dando lugar a alegria e felicidade assim como a noite vira dia.

– Não podemos com eles Pallando, temos que fugir!

Um pouco ofegante Pallando completou:

– Não podemos com Dargorot, Eomér. Precisamos de muito mais soldados para detê-lo, tenho certeza que se ele não tivesse aparecido mesmo com um contingente daquele dos Goblins nós venceríamos, venha chame todos para os dentro do palácio, vamos ter que fugir pela passagem secreta.

Eomér chamou todos os homens para dentro do palácio, e lentamente foram recuando e entrando, alguns tiveram que ficar do lado de fora para que outros entrassem. Dos elfos apenas Elor ainda estava vivo e veio carregando Halmá ainda desmaiado.

Ficar do lado de fora era um sacrifico doloroso, mas, que buscava salvar a vida da maioria, grandes amigos e familiares foram separados, pais ficaram do lado de fora para salvar os seus filhos e a pior parte foi aceitar que um tinha que se sacrificar pelos outros, mas a guerra é assim e rapidamente aqueles que entraram, e sobreviveriam perceberam que era necessário, então ergueram sua cabeça e se dirigiram a passagem secreta, reforçaram a porta com grandes vigas de madeira enquanto adentravam a escura e úmida passagem secreta.

Um Antigo e Mais novo Inimigo da Terra-média – Cap. 14

Cap 14: A Marcha dos Rohirrins – Os soldados nas muralhas já se preocupavam com a demora de Pallando e comentavam entre si.

 

 
– O senhor Pallando está demorando demais!

– Será que ele foi pego por aqueles goblins?

– Não acho, o senhor Pallando é muito inteligente e poderoso, não se deixaria ser capturado assim. Seu destino o leva para algo mais glorioso, creio eu.

Enquanto discutiam um vulto se aproximava rapidamente dos portões.

– Vejam!, é o senhor Pallando! – Os soldados se agitaram.

– Finalmente o senhor chegou, estávamos muito preocupados, viu alguma coisa, senhor?

– Fico feliz pela preocupação de vocês, -respondeu o mago- quanto à segunda pergunta, eu vi sim, infelizmente, os goblins tomaram Isengard e via-se muitos saindo em filas de lá, próximo à foz do Isen. Antes da ponte, eles montaram acampamentos e já se montavam em legiões se preparando para seguirem em marcha para o Abismo.

– Então temos que nos apressar senhor, não temos tempo a perder!

– Não se preocupe tanto, Halmá, filho de Háma. Eles não virão tão cedo como acho que imaginavam, consegui retardá-los por tempo suficiente para que o ataque, se vir a ocorrer, que ocorra a luz do dia, o que não é muito do agrado deles, além de nos favorecer. Tenho certeza que com isso, apenas na noite de amanhã é que eles virão. Até lá, as mulheres e crianças já alcançaram uma distância segura no túnel, e Éomer já deverá ter chegado com os reforços. Agora montem as catapultas, posicionando-as nas muralhas. Façam isso rápido, irei para o forte, estudar algumas estratégias para todas as situações que possam vir a ocorrer durante o combate.

Dito isso Halmá juntou os soldados e os dividiu para a montagem das catapultas.

Pallando subiu as rampas, em direção ao forte da trombeta, lá ele analisou todo o arsenal disponível e estudou algumas estratégias previamente para evitar surpresas em combate.

– Tenho certeza que aquela neblina vai ser bastante útil, e tudo que eu imaginava vai sair como planejado.

A noite se passava nenhuma movimentação suspeita no horizonte se via, nada foi observado pelos sentinelas.

Depois de muito estudar, Pallando se dirigiu aos soldados e passou todas as instruções necessárias para todas as possibilidades estudadas por ele, logo em seguida dirigiu-se a Halmá, que acabara de montar a ultima catapulta.

– Alguma movimentação estranha? Perguntou Pallando.

– Nada senhor, até agora. Seja lá qual foi o método utilizado pelo senhor para detê-los por essa noite, foi bastante efetivo.

-Pois é, pelo avançar das horas eles não mais atacarão hoje, pois o dia se aproxima, os primeiros raios de sol já surgem no leste e a aurora se aproxima. Só nos resta agora esperar os reforços que Éomer foi buscar e noticias dos hobbits que seguiram para Edoras.

– Que os valar ouçam sua prece senhor e que envie Éomer com muitos soldados para o nosso auxilio.

– Agora revezem os sentinelas. Todos precisam descansar, inclusive eu. Deveremos estar prontos para a batalha que está por vir. Seguirei para o forte, vou descansar um pouco.

Em Edoras a chegada de Éomer foi bem recebida entre os habitantes. Éomer então seguiu para o palácio e repassou todas as informações possíveis para Éowyn e Faramir.

– Não podemos perder de forma alguma o forte da trombeta, Éomer. -Disse Faramir.

– Eu bem sei disso, e é por esse motivo que eu reuni alguns Rohirrins que encontrei pelos arredores e vim até Edoras solicitar mais alguns. Durante a noite fui até a foz o Isen antes de vir para cá, e lá observei a movimentação dos goblins, Isengard estava completamente tomada, brilhava como se estivesse em chamas quando na verdade eram dezenas de fogueiras e tochas. E o que vi, não são boas noticias. Pelo tamanho do exército eu acho que deviam te entre sete e nove mil soldados, com muitos Trolls, e umas criaturas gigantescas, maior que qualquer troll que eu tenha visto, pareciam gigantes, gigantes das montanhas que pensávamos que eram lendas, eram terríveis. Mas o que realmente nos intrigou foi um vulto que se movia rapidamente e tinha uma luz própria, não eram tochas, parecia obra de magia senhor, estava montado a cavalo, ele seguia em direção ao acampamento dos goblins, mas parou muito antes em cima de uma alta colina, pouco depois o vento ficou mais forte, frio e calor surgiam e desapareciam rapidamente como se o clima estivesse descontrolado e depois ouvíamos palavras trazidas pelo vento, via-se o vulto com as mãos erguidas em direção ao acampamento, seja lá qual for à arma que ele empunhava em sua mão direita emitia essa luz, as palavras não eram claras, as escutávamos sem nexo como:

“ oh ventos… essas… do norte… Neblina… intransponível… criaturas…Manwë… prendam-nas… poder concedido… agora!”

– Pouco tempo depois, nuvens começaram a envolver o acampamento goblin e rapidamente se tornaram uma fortíssima neblina, que apagou inclusive as tochas e fogueiras do acampamento. Em seguida o vulto virou-se e partiu.

Todos pararam e ficaram espantados, não entendiam o ocorrido.

– Como isso pode acontecer? Disse Éowin;

– Era o Pallando -Uma voz respondeu adentrando ao palácio e continuou- Desculpem-me, eu acabei de chegar e não pude deixar de ouvir o relato.

– Alatar? – Disse Faramir com um sorriso.

– Parece que o recado já foi dado meu senhor -Éowyn.

-Sim minha senhora – Disse Alatar fazendo uma reverência- Seu recado já foi dado.

– O recado foi repassado para Radagast , senhor Éomer. ele repassará todas as noticias para o rei Aragorn Elessar.

– Agora a nossa preocupação deve ser concentrada no forte da Trombeta – Disse Éowyn.

– É isso mesmo que farei. Ordenei que dez mil homens se preparem para partir para o forte da trombeta e ficarão sob o meu comando.

– Alatar fez uma reverência e saiu.

Algum tempo depois Alatar voltou para o palácio e falou:

– Estão todos prontos Éomer, poderá seguir para o forte da trombeta já.

– Não quer vir conosco Alatar?, sua sabedoria e inteligência poderiam ser muito úteis para nós em batalhas.

– Agradeço, mas ficarei aqui como conselheiro do senhor Faramir.

– Como quiser. Éomer disse e Partiu.

Assim que Éomer saiu, Faramir dirigindo-se a Alatar falou:

– Preciso que vá para as montanhas, até a saída secreta do túnel, lá você deverá esperar os hobbits e os demais. Antes circule a área para ter certeza da segurança deles.

– O senhor leu meus pensamentos Faramir, era exatamente isso que iria lhe propor. Sendo assim, partirei imediatamente, e levarei alguns Rohirrins comigo.

– Tenha cuidado Alatar- Alertou Éowin.

– Terei minha senhora.

– Estou muito preocupada, só em pensar em guerra outra vez, e um possível sofrimento de meu povo, me vem à memória a imagem de meu rei e tio Theodén, agonizando após o ataque do rei-bruxo, aquela imagem não me sai à cabeça.

– Não se preocupe, agora o contingente militar de Rohan é muito grande, os homens se multiplicaram rápido e soldados para combate teremos, a vitória poderá ser difícil e sofrida, com muitas perdas, mas tenho certeza que a paz prevalecerá.

– Eu não quero lhe perder, não resistiria a mais essa perda na minha vida…

– Éowy minha senhora, você não me perderá – E logo em seguida a beijou.

Já se passava do meio dia quando Alatar Chegou à saída do túnel secreto, e assim que chegou rondou a área como um batedor e percebeu que estava segura, então se aproximou de uma gigantesca árvore e na sua sombra

sentou-se e esperou movimentações saindo do túnel.

No túnel, muitas mulheres e crianças já choravam assustadas, o túnel era quente u úmido além de ser estreito, muitos insetos eram vistos pelo chão e pelas paredes.

Passaram mais alguns minutos caminhando até que Pippin que vinha a frente gritou:

– Vejam! é a luz! parece ser a saída.

Ao atravessarem a luz insurgiram embaixo e por trás de uma arvore gigantesca e ao olharem para o céu não viam nada a não ser a copa da árvore.

Alatar já estava no inicio do sono quando ouviu passes e vozes. Ele então seguiu as vozes e se deparou com os pequenos enquanto os demais saiam do túnel.

– Pallando? -disse Merry.

Alatar sorriu, e respondeu:

– Não pequeno, sou Alatar.

– Vocês se parecem bastante -disse Pippin:

– Pois é, com exceção do chapéu e da cor do azul. Eu não uso chapéu e meu azul é mais escuro, pequeno hobbit.

– Podem confiar nele! Ele está do nosso lado – disse um dos soldados que acompanhavam os pequenos.

– Vim por ordem do senhor Faramir no intuito de Guiá-los até o palácio dourado em segurança. Vamos sigam-me! Não podemos nos arriscar.

Éomer e os Rohirrins já viam o forte da trombeta de longe e para lá se dirigiam

– Meu senhor, por que não se dirigimos direto para o acampamento goblins e lá acabamos com todos? Eles estão em oito mil, e nós somos dez. Não irão resistir nosso poderio militar.

– Não soldado, não sabemos se eles ainda estão em oito mil e não é bom arriscar uma espionagem. Devemos seguir para o forte da trombeta e lá lutar. Teremos a vantagem das muralhas e isso evitará perdas.

Os rohirrins se dirigiram para os portões, de lá se via a poeira subir e o mar de cavaleiros se aproximando:

– Abram os portões! Éomer está vindo com nossos reforços!

Os portões foram abertos, todos os soldados entravam e se espremiam no forte e já se dirigiam para seus postos. Pallando se dirigiu a Éomer.

– Estão aqui Pallando, dez mil lanças com mais três mil que aqui já estavam perfazem um total de treze mil, não vão resistir!

– Espero que eles não nos surpreendam, Éomer. Se assim for, nós venceremos, porém no caso de tiverem surpresa para nós já tenho a estratégia montada.

Éomer então começou a movimentação!

– Se preparem! Nos seus postos, à tarde já esta se esvaecendo e a noite se aproxima! É nesse momento que nossos inimigos atacarão e nós os dizimaremos!

Os soldados se agitavam, e batiam suas lanças nos escudos.

– Peguem seus arcos, os que sabem atirar e se preparem, os receberemos com uma chuva de flechas!

A tarde toda passaram se organizando e ao cair da noite, já se ouviam passos e gritos, aos poucos o horizonte foi se iluminado como fogo, muitas tochas se aproximavam. Eram eles, os Goblins marchando para o combate.

Do alto não se via fim para os soldados Goblins, e quanto mais eles se aproximavam mais surgiam no horizonte, a coragem dos Rohirrins foi ficando menor até que perceberam que não eram apenas oito mil. Estavam em mais muito mais, Éomer calculou quinze mil goblins marchando contra o dique.

– Senhor Pallando, seus cálculos estavam errado disse Halmá, se aproximando do mago.

– Não Halmá, estavam corretos até ontem, parecem que se reforçaram. Querem o forte da trombeta a qualquer custo, mas não devemos esmorecer.

Os Goblins viam o Forte como um baluarte. Caso conquistassem o Abismo, teria duas fortalezas para seu uso. Eles marchavam com um grande entusiasmo, gritando e marchando. Eles se aproximavam, centenas de fileiras de goblins armados e unidos sob um único objetivo, conquista Rohan.

– Éomer? -Disse Pallando virando-se para sua direita – só você agora pode reerguer a moral desses homens.

Éomer balançou a cabeça em sinal de positivo e falou:

Eomer balançou a cabeça em sinal de positivo e falou:

– Não temam cavaleiros de Roham!, a força e a honra estão conoscoo Rei Elessar está conosco e se oRei está conosco quem poderá contra nós?. Essas criaturas são amaldiçoadas e não lutam pelo amor nem muito menos pela paz, lutam pelo ódio e pela destruição. O bem sempre prevalecerá enquanto existirem homens com a corajem e com a força de vontade que é atribuída a vocês, portanto, nesse momento tão obscuro, pensem em seus filhos que os esperam em casa, nas suas amadas mulheres, no seu rei e no seu povo!. È por eles que lutamos!. Não deixaremos esses seres destruírem nossa felicidade, pois a felicidade liberta o homem do ódio. Destruam a todos eles!

O discursso de Eomer inflamou os soldados, eles gritavam como nunca tinham gritado antes e a coragem encheu mais uma vez seus corações. Pallando sorriu.

Abaixo os goblins paravam, eram um oceano sem fim, muitos Trolls vinham à frente e os gigantes citados por Eomer vinham atrás empunhado pedras gigantescas.

O céu estava limpo, nenhuma nuvem se via, a luz da lua e das estrelas iluminava o palco dessa grande batalha que estava por vir.

O Livro Negro de Arda – Aviso de Encerramento

A fanfic O Livro Negro de Arda deixa de ser traduzida e publicada a partir de hoje, por decisão pessoal da tradutora. Com isto O Livro Negro de Arda – Parte 2 Capítulo 8 será a última parte da obra, publicada na Valinor. Lamentamos profundamente que os leitores e fãs não possam ver concluída esta saga.
 
 
Deseja dar continuidade à tradução? É necessário saber russo – caso o saiba e queira continuar, entre em contato conosco. Deseja mandar uma própria fanfica para a Valinor? É simples, basta seguir este tutorial: Fanfic.
 

Está envolvido com a obra de Tolkien desde 1999 – fundador da Calaquendi, fundador da Valinor, fundador do Conselho Branco (Sociedade Tolkien) e presidente por três mandatos. Participou da publicação em livro do Curso de Quenya e é autor do Modo Tengwar Português

Um Antigo e Mais novo Inimigo da Terra-média – Cap. 13

Cap 13: A Passagem Secreta do Abismo de Helm – Enquanto Saruman se preparava ao Sul, os Goblins atacavam o norte e
cada vez mais se fortaleciam. As fronteiras ao norte já haviam sido
completamente tomadas, inclusive Isengard, Eriador e Valfenda. Eles
tinham dominado tudo desde a região de Carn dûn, até a região das Ered
Nimrais.

 

 
Alguns povos dessas regiões tentaram resistir, mas foram dizimados. Os demais sobreviventes fugiram e busca de ajuda de regiões ao sul ou leste. Os Hobbits foram comandados por Pippin, Sam e Merry, conhecidos entre os hobbits como os Magnificos, que salvaram o Condado do Velho Charcote. Estes enviaram alguns Hobbits mais rápidos à pônei, na tentativa de enviar mensagens as regiões de Rohan sobre a situação, em resposta Faramir e Éowin enviaram Rohirrins para que estes guiassem os pequenos com mais segurança até o Abismo de Helm, onde eles morariam por algum tempo. Seguiram beirando as montanhas Azuis e no porto de Lond Daer houve o encontro entre os Hobbits e os Rohirrins, a partir daí os pequenos foram escoltados, porém no caminho alguns Goblins foram encontrados e mortos.

Sob o comando de Éomer, eles seguiram em caravana para o abismo de Helm, beirando as montanhas brancas e passando pela foz do Isen. Ali seria o Local mais arriscado, porém nada foi encontrado. Depois de alguns dias de caminhada chegaram aos portões do Abismo de Helm ao cair da noite.

– Abram os portões! -disse Éomer.

– Meu senhor Éomer! Finalmente chegou! Esses pequenos estão aflitos, querem noticias de seus parentes – Disse um dos soldados.

– Estão todos aqui estes são todos os pequenos que pude encontrar e os trouxe como prometido.

– Mas, não há muito o que se comemorar pequeninos, todo o norte foi tomado pelos Goblins e parece que até Isengard. Não vai demorar muito para o braço dos goblins se estenderem até aqui. Temos que se preparar para qualquer tipo de ataque. Vamos! Não podemos jogar tempo fora, preciso conversar com o comandante dos soldados do Folde, no Forte –disse Éomer, jogando um balde de água fria na alegria dos hobbits com a sinceridade que lhe é pertinente.

– Mas essas muralhas são praticamente indestrutíveis. Não há como os goblins usarem artefatos poderosos como o que Saruman outrora usou para destruí-la. – falou Pippin.

– Não posso temê-los, eu matei orcs, e homens de harad além de ajudar a senhora Éowin a acabar com a vida do Rei-bruxo de Angmar, não vou tremer por criaturas que são inferiores aquelas que já venci. – falou merry com altivez.

-Não é tão simples assim Merry, e você sabe disso. Parece que eles estão em milhares e numa batalha mais cedo ou mais tarde nós podemos sim perece.

Sam parou de súbito e por um momento ficou olhando para o vazio perdido em seus pensamentos, e logo em seguida falou:

– É nessas horas que me lembro do Gandalf e do senhor Frodo.

– Infelizmente, bravo Sam, Frodo e Gandalf não estão mais aqui, partiram para as Terras Imortais, para descansarem do fardo que carregaram. Principalmente o Frodo, e você sabe mais de que todos sobre isso. Eles não voltarão, não podemos confiar mais em ninguém a não ser em nós mesmos, no senhor Faramir e no rei Elessar. – disse Éomer.

Após todos entrarem, Éomer, Sam, Merry e Pippin se dirigiram para o pequeno palácio subindo os círculos do abismo de Helm até a entrada do palácio. Ao entrarem, viram apenas uma grande sala com uma grande mesa ao centro e algumas pilastes, uma arquitetura comum para os povos da terra média. Mas algo chamou a tenção dos pequenos, na outra ponta do palácio oposta à entrada viram um homem alto com roupas e chapéu azuis. Era um chapéu pontiagudo muito semelhante ao usado por Gandalf quando este ainda era chamado de Gandalf o Cinzento. Em sua mão direita empunhava um cajado de madeira, ele então se virou e falou:

– Sejam bem vindos!. De frente via-se que tinha uma idade avançada Barbas e Cabelos longos e grisalhos.

Os pequenos se animaram, um momento de emoção e felicidade tomou conta do coração deles e de súbito correram em direção ao homem.

-Gandalf, Gandaf!! Você voltou!

Então pararam antes de tocá-lo.

– Não sou o Gandalf, disse o velho Sorrindo, mas eu o conheci.

– Então quem é você? Nunca o vimos antes nem na grande guerra do anel – Indagou Sam.

– Realmente não pude aparecer tanto quanto o Gandaf na guerra do anel, nessa época estava no sul tentando diminuir a quantidade de orientais que aderiam à causa do senhor do escuro, tive muito trabalho e Saurom me neutralizou, mas felizmente após sua derrota, eu voltei para cá juntamente com meus outros dois companheiros.

– Qual o seu nome? Você também é um mago como Gandaf? – Perguntou Pippin.

– Sou Pallando O Azul, e também sou um mago como vocês falam.

– Senhor Pallando, esses são Merry, Pippin e Sam, foram de Grande valia para a destruição do um anel.

– É muito bom conhecê-los, pequenos Hobbits -Falou Pallando fazendo uma reverência, em seguida virou-se para Éomer e perguntou:

– Quais as noticias que trazes nessa hora tão sombria, nobre Éomer?

– As piores, senhor, o norte está completamente dominado e Isengard parece que está sob o comando dos Goblins, para chegarem aqui não vai ser muito tempo. As ordens do senhor Faramir são expressas, o abismo de Helm não pode ser perdido, mas temo por isso, os goblins estão em milhares e nós aqui somos pouquíssimos para enfrentá-los, caso venham até aqui.

– Não só Faramir, mas o rei Elessar também tem esse desejo. Preciso que busque reforços, Éomer. Junte o máximo de Rohirrins que puder em Edoras e no Folde Oriental, e os traga com rapidez.

-Quanto a vocês pequenos, vão com Éomer e juntem as mulheres e crianças, tragam todas para cá, há uma passagem secreta feita pelos anões a pedido do rei elessar por baixo das montanhas brancas até um local seguro onde a saída é mais próxima de Edoras, é por esse caminho que vocês as guiarão até Edoras e os protegerão de qualquer ataque. Tenho certeza que não haverá nenhum ataque, mas por via das duvidas enviarei alguns soldados por cautela. Parou, pegou algo em um de seus bolsos e entregou a Sam,

– Esse é um mapa do túnel, sigam ele e chegarão em Edoras em dois dias. Levem comida e água.

Éomer e os hobbits fizeram uma reverencia e partiram. Pallando os seguiu e organizou os soldados em posicionamento nas muralhas.

– Vamos se posicionem! Talvez os Goblins ainda nos ataquem hoje, peguem seus arcos e espadas e se preparem.

– São eles! Os Goblins!!! -Gritou um dos soldados, quando viu tochas se aproximarem e montadas em cavalos

Pallando virou-se assustado e dirigiu-se as muralhas forçando a vista.

– Ataquem! ataquem! – Gritou o soldado.

– Esperem! Soldados, não são goblins, eles não montam a cavalo, são… elfos!. São elfos! Abram os portões.

Rapidamente os portões foram abertos e os elfos adentraram todos montados em belos cavalos, a expressão deles era de terror e medo.

Pallando se aproximou do que vinha mais à frente e falou:

– O que está havendo por que todo esse terror em suas faces?

– Eles nos perseguiram montados em lobos senhor, muitos de nós foram mortos e os que estão aqui fora os que escaparam.

-Quem é você? -disse Pallando.

– Sou Elor de Valfenda. Somos os poucos elfos que não partiram para as terras imortais. Os Goblins conseguiram achar Valfenda e nos atacaram, fugimos desesperados a cavalos, era milhares senhor, milhares. Além disso, eles estão se preparando para mais um ataque. Vimos um mar de goblins montando barracas e fazendo fogueiras próximos daqui eram pelo menos uns oito mil senhor!

Elor era um elfo alto de cabelos e olhos acinzentados, não parecia ser tão jovem, mas também tão velho, de longe, lembrava Elrond, porém sem a coragem atribuída a ele.

-Oito mil!, pensou Pallando, nesse momento a sua expressão mudou e a preocupação atingiu o seu rosto, porém ele não podia demonstrar, pois assim sendo a esperança dos soldados também diminuiria e a derrota seria mais fácil.

-O que houve senhor? Perguntou o elfo

-Nada de mais, acalme-se Elor, aqui são amigos e bem vindos. Eu sou Pallando. Tragam suas mulheres e crianças e as faça guiar aquele grupo que adentram ao Forte. Temos uma passagem secreta que os guiará até Edoras, é prudente que os homens fiquem para defender o abismo de helm dessas criaturas, esse é o desejo do Rei Elessar. Ele enviará reforços que chegarão para nos auxiliar, e enquanto não chegarem devemos resistir. Perder o abismo de helm pode ser fatal para os povos livres.

– Ficaremos Pallando, e lutaremos aqui -respondeu o elfo- enquanto isso levarei as mulheres até o palácio.

Assim que Elor e os elfos se retiraram Sam se aproximou do Mago e falou:

– Desculpe-me senhor Pallando, mas não pude deixar de ouvir os elfos falarem que os Goblins estão é oito mil e também percebi que ficou preocupado.

– È exatamente isso que você ouviu Sam, nosso contingente aqui no abismo de helm é de três mil soldados, entre Hobbits, Elfos e Homens, não resistiremos muito tempo, temos que torcer para que Éomer chegue a tempo de nos auxiliar.

– Três mil soldados e o Mago Azul, será que isso não conta?

Pallando sorriu fez um afago na Cabeça de Sam e falou

– Vejo que sua esperança e confiança são admiráveis pequenino e gordo hobbit, queria que essa esperança e confiança estivessem presente nos corações dos que aqui ficarem.

– Muita coisa eu passei senhor Pallando, durante aquela maldita guerra do anel, e se tem uma coisa que aprendi é ser confiante e ter esperança até no ultimo suspiro de sua vida.

Do alto ouviu-se um grito:

-Vamos Sam!, Já está tudo pronto, devemos partir!

-Seu amigo Merry está o chamando, vá, mostre mais uma vez o seu valor e guie essas pobres pessoas para Edoras.

– Sim senhor Pallando, estou esperando o senhor lá.

Sam partiu movimentando sua mão agitadamente se despedindo do mago. Pallando apenas observava todos entrarem no palácio e quando o ultimo entrou ele levantou-se e se dirigiu ao estaleiro, pegou um cavalo e desceu rapidamente:

– Abram os portões! Ordenou Pallando

-Não faça isso senhor Pallando, não nos abandone! Precisamos de você.

Pallando puxou as rédeas do cavalo e parou de súbito, em seguida olhou para o soldados e falou:

– Como pode duvidar da minha lealdade? Todo esse tempo eu estive com vocês os apoiando no que foi preciso e ainda assim duvidam de mim?. Soldados sem fé como você não são dignos de defender a nobre bandeira do reino Re-Unido de Gondor! se não tem coragem e fé fuja como um rato!

Agitou as rédeas do cavalo e partiu, nas muralhas os soldados se agitaram e se indagavam sobre ter ou não fé e sobre a lealdade deles para com o Rei Elessar.

Pallando cavalgou durante algumas horas até próximo a foz do Isen e de lá observava Isengard, percebia que luzes se moviam na noite saindo dos círculos da torre e se estendiam até próximo a ponto que corta o isen, único caminho confiável de se atravessar para atingir o território de Roham, próximo à ponte muitas barracas improvisadas, tochas e fogueiras e uma agitada movimentação, podia se ver as legiões se formando e se posicionando próximo à ponte.

-Preciso ganhar tempo – falava Pallando consigo mesmo. Nesse momento o mago ergueu suas mão em direção a ponte e começou a falar:

– Oh ventos que rondam essas terras! Eu os conjuro, ventos frios e quentes, do norte e do sul, do leste e do oeste, se unam e desabem sobre meus inimigos como uma poderosa neblina ofuscante e de visão intransponível! Façam com que essas criaturas percam a noção de espaço e localização por algumas horas! Prendam-nas em seu circulo de névoa! Pelo poder concedido a mim pelos valar e por Manwë vosso senhor, eu as comando! Surjam agora!.

Nesse instante, a neblina começou a surgir no acampamento dos Goblins e aos poucos foi se fortalecendo cada vez mais a ponto de sequer o próprio Pallando enxergar através delas. Todas as fogueiras e tochas se apagaram e logo em seguida Pallando cavalgou de volta para o Abismo.

No acampamento:

– Mas o que é isso -falava Gorkil o rei dos Goblins- Como essa maldita neblina surgiu do nada? Não consigo enxergar um palmo a minha frente, parece obra de feitiçaria.

-Soldados!, Soldados!.

– Não conseguimos enxergar nada senhor, não podemos andar as armas estão no chão podem nos ferir.

– Fiquem onde estão!, Assim que essa neblina passar atacaremos o Abismo de Helm.