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O Livro Negro de Arda – Capí­tulo 6

Continuamos a publicação da fanfic O Livro Negro de Arda, agora com o Sexto Capítulo: O Ferreiro e o Aprendiz. Os demais capítulos podem ser encontrados aqui.
 
 
PARTE PRIMEIRA. O CORAÇÃO DO MUNDO
O FERREIRO E O APRENDIZ. O COMEÇO DOS TEMPOS

Grande era o poder dos Valar, mas também os imortais podem cansar-se dos seus trabalhos. Por isso assim foi: o Rei do Mundo reuniu os Poderes de Arda e disse a eles:

– Tal como o Único criou os Ainur, frutos do pensamento Dele, agora criaremos nos também auxiliares para si, e eles serão parte do pensamento dos Grandes. E como Ainur – ferramentas na mão do Único, cuja vocação é realizar a vontade Dele, assim eles se tornarão ferramentas em nossas mãos, e ser-lhes-á dado o nome – Maiar. E eles serão nossos servos e nossos discípulos, povo dos Valar. E que crie cada um para si Maiar à própria imagem e semelhança. E Eru colocou no meu coração que este feito será do agrado Dele, e Ele dará vida às nossas criações como antes Ele deu a vida aos Ainur.

E foi de acordo com as palavras dele.

“Vocês serão meus discípulos, mas não meus servos, e serão diferentes de mim – pois para quê criar à própria semelhança, o próprio reflexo, a própria sombra? A noite de Ea dar-lhes-á a sabedoria, Arta – a força, e eu lhes darei a alma. Que os seus corações se abram para o Canto dos Mundos, que seus olhos vejam a beleza do Universo. A sua alegria tornar-se-á a minha alegria, e sua dor – a minha dor, meu discípulos: como poderia ser diferente?..”

O Maia mais velho abriu os olhos e, ao ver o rosto daquele que se inclinava sobre ele – belo, sábio e inspirado – sorriu, estendendo as mãos para o Alado, como uma criança. E Vala, sorrindo também, colocou as mãos sobre a fronte e o peito do discípulo. Maia fechou os olhos.

“Parte do meu pensamento, parte da minha força, parte do meu coração – meus discípulos…”

…Uma onda atordoante de ódio alheiro desabou sobre ele, derrubou-o, atirou-o à cratera uivante do vazio veloz, tirando a consciência e as forças. Ele deixou de ver e ouvir, ele perdia a si; ele não lembrava nem do que houve com ele, nem de quanto durou esta tortura. Somente quando isso tudo acabou, o escuro tocou suavemente o rosto febril, e estrelas olharam nos olhos dele…

– …Você sofreu mais do que todos por causa do Inimigo, Grande Ferreiro; que agora as criações do Inimigo tornem-se seus servos, para o golpearmos com as armas dele próprio. Ou talvez, com auxílio destas criaturas, nos poderemos penetrar na mente de Melkor, nas profundezas sombrias dos planos dele, pois essas criaturas são, em essência, parte da mente dele.

– Grande é a sua sabedoria, Manwe, realmente você é o Rei do Mundo, você, o mais poderoso de nos. Que seja assim como você diz.

…As mãos de alguém deitaram sobre os ombros dele. Não aquelas – fortes e carinhosas, apesar de que essas palmas também irradiavam força. Ele abriu os olhos. E o rosto, inclinado sobre ele, era outro…

– Quem é você?

– Eu sou seu criador, senhor e mestre, eu sou Aulë, o Grande Ferreiro, senhor de tudo que é corpo de Arda.

– E onde está – aquele?

– Quem? – o olhar dos olhos escuros de Aulë tornou-se tenso, quase assustado.

– Aquele, de olhos límpidos, alado… Quem era ele?

A voz áspera do Ferreiro arranhava os ouvidos:

– Isso foi uma visão sua. Alucinação. Você imaginou. Esqueça.

O Maia respirou baixinho. “Alucinação… que pena…”

– E eu? Quem eu sou?

– Você é Maia, criação da minha mente. E dar-lhe-ei agora um nome – Aulendil, servo de Aulë. Você se tornará o meu auxiliar nos meus trabalhos e realizará a vontade o Único e dos Poderes de Arda.

…Irmãos – mas quão diferentes um do outro, pelo espírito e pelo corpo… O melhor aluno – Artano, o mais habilidoso – Curumo. Um – zombeteiro, audaz, outro – calado, aplicado e esforçado. Um – mestre, outro – artesão. O mais velho tem os olhos de Melkor, o espírito de Melkor; o mais novo é quieto, bondoso e submisso, dá até tristeza: mandaria para longe do próprio olhar, só que não tem porquê… Mas com Artano, o Ferreiro freqüentemente era severo e pouco afável: temia as perguntas estranhas, quase heréticas, do Maia, para as quais não se atrevia a procurar respostas, as dúvidas dele, a impetuosidade dos pensamentos e decisões… Gerado pelas Chamas, ele próprio também uma chama furiosa e desobediente: Artano Aulendil, Artano Aikanaro… E era apavorante pressentir que algum dia a memória adormecida no fundo dos olhos iguais a duas estrelas luminosas acordará. E então ele partirá – e o castigo do Único o alcançará, tal como alcançou o seu criador…

Um dia, Artano trouxe-lhe um punhal – o primeiro objeto que fez sozinho; e novamente o medo despertou na alma do Ferreiro. Seres flexíveis com olhos de fogo se enlaçavam sobre o cabo, lembrando dolorosamente aquela, alada, que-dança-na-chama. Aulë via a ofensa amarga nos olhos do discípulo: e ele que pensava que o mestre compartilhará a alegria dele, pois é a primeira criação… E ouviu – palavras frias e indiferentes. “Será que você compreenderá – não sou eu que falo, é o meu medo, a minha dor… Você é querido demais para mim, e eu temo por você…” Não compreendeu. Não quis. E a partir daquela hora, era como se uma muralha de isolamento se tivesse se erguido entre eles.

O próprio Aulë há muito se conformou com o destino dele; da vida anterior restou somente a amargura, saudade abafada. Ele tentava não recordar – e, provavelmente, ele até conseguiria fazer isso, se não fosse Artano…

E o Maia ainda não conseguia esquecer aquele, o primeiro que ele viu ao acordar. À toa ele procurava os traços do Alado nos rostos dos Valar; e então um pensamento estranho nasceu na sua alma – pensamento que lhe pareceu insano. Ele expulsava-o, mas o pensamento não ia embora; e um dia ele se atreveu a fazer a pergunta ao Ferreiro:

– Eu ouvi muito sobre o Inimigo, mestre, mas até agora eu não sei quem ele é e que nome leva. Como é a aparência dele? Porque ele é hostil aos Grandes?

O medo piscou nos olhos de Aulë – agora o Maia via isso claramente; as palavras soaram decoradas e artificiais:

– Ele viu, ele, que leva o nome de Melkor – o que se ergue em poder, que Arda está se transformando num maravilhoso jardim, deleite para os nossos olhos, pois as tempestades dela foram domadas. E ele viu também que os Poderes de Arda adquiriram aparências belas e nobres, semelhantes às das Crianças do Único. E a inveja estava no coração dele, e ele também tomou uma forma visível – escura e terrível como o espírito dele, pois a raiva ardia dentro dele. Assim ele entrou em Arda, ultrapassando em força e grandeza os outros Valar; mas a destruição é a força dele, o mal – o poder, e na grandeza dele há somente horror. Ele se assemelhava a uma montanha cujo pico está acima das nuvens, com um manto de gelo e coroa de chamas, e o olhar dele queimava como fogo e era penetrante como frio. No passado, grandes dádivas de poder e de sabedoria foram dadas a ele, mas ele se atreveu a se rebelar contra o Único. Inveja e ódio secaram a alma dele, e agora ele não pode criar mais nada – além de zombarias com as criações dos outros. Por isso, a alegria dele está na destruição, e é por isso que o nome dele não se enumera mais entre os nomes dos Valar.

Artano pensou por muito tempo, e em seguida perguntou novamente:

– Mestre, responda, de onde há nele a raiva e o ódio? Você mesmo dizia que todos os Ainur são criações da mente do Único; e não há nada nos planos deles que não tenha Nele o seu início. Mas isso significa que o mal também fazia parte da mente de Eru…

Aulë ficou boquiaberto.

– …E conte-me, o que é que ele invejou – o mais poderoso entre os Ainur, que tinha parte nos dons de todos os seus irmãos?

O Ferreiro finalmente recuperou a fala:

– Como você se atreve a pensar algo assim! Como você se atreve a insultar o Criador de Tudo o que Existe! Ou você pensou, besta insignificante, servo indigno dos Grandes, que pode compreender toda a profundidade dos planos do Criador do Mundo?!

Maia recuou um passo involuntariamente – tão inesperado foi este acesso. A voz do Ferreiro soava irada, mas os olhos imploravam – cale-se, cale-se…

– Mas, Mestre, eu…

– Saia da minha frente!

O Maia se retirou, sem saber o que pensar; tanto essa ira demonstrativa, quanto o medo oculto eram igualmente incompreensíveis para ele. Ele entendeu: nem todo o pensamento pode ser dito em voz alta, nem toda pergunta pode ser feita – até para o mestre; e nem para todas as perguntas o mestre conhece a resposta.

E quando Artano retornou, Aulë perguntou a ele:

– Você arrependeu-se das suas palavras?

E, novamente, o Maia imaginou notar nos olhos do Ferreiro – a súplica; e cedendo à súbita compaixão, ele respondeu, baixando os olhos:

– Sim, – e adicionou, – senhor.

Senhor. Não mais mestre. “Está tudo certo – o que pode ensinar um covarde?” – com tristeza pensou o Vala, mas falou em voz alta uma outra coisa:

– Você expulsou os pensamentos rebeldes da sua alma?

– Sim, senhor, – sem levantar os olhos respondeu o Maia.

E o Ferreiro acreditou. Era apavorante demais – não acreditar.

– …O você está fazendo, Grande Ferreiro? Para que servirão estes cálices enormes?

– Assim disseram os Valar: que seja expulso do mundo o Escuro, que reine ali a Luz eterna. Por isso nos ergueremos as Lâmpadas no norte e no sul.

– Porque você não chamou nenhum de nos, seus discípulos, para que nos o auxiliássemos em seus trabalhos?

– Vocês ainda não compreenderam o suficiente a profundidade dos planos de Eru. Este é um feito para mim, os seus poderes não bastam.

– Senhor, você disse – Luz… O que é isso?

– Luz destrói o Escuro – o Mal: Luz é a vida, como o Escuro é a morte. Eru nos ordenou destruir o Escuro, para dar vida ao mundo. Como aquele que criou o Escuro foi expulso para lá dos limites de Arda, assim agora expulsaremos também o próprio Escuro, e haverá o dia eterno.

– …Veja quão belas são as Lâmpadas!

– Senhor, diga… Isso que é Luz?

– Sim, e porque você pergunta?

O próprio Artano não sabia porque duvidou das palavras de Aulë, mas não queria falar sobre as suas dúvidas. Ele desviou o olhar:

– Desculpe, senhor… Mas é que eu nunca vi a Luz…

– Sim, isso é a Luz. E agora você verá em toda a grandeza os Planos do Único!

O Livro Negro de Arda – Capí­tulo 5

Continuamos a publicação da fanfic O Livro Negro de Arda, agora com o Quinto Capítulo: Criações da Solidão. Os demais capítulos podem ser encontrados aqui.
 
 

PARTE PRIMEIRA. O CORAÇÃO DO MUNDO
CRIAÇÕES DA SOLIDÃO. O COMEÇO DOS TEMPOS

…Os homens não virão até aqui – até a terra noturna das geleiras eternas, o imortal reinado do frio para onde ele se retirou, atormentado pela dor de Arta. Mundo vivo e jovem, que os Valar domavam, refazendo-o de acordo com a vontade e com os planos de Eru. Simplesmente como uma afiada faca corta o corpo de uma criança. Ele tentou falar, não o ouviam. Ele tentou mostrar-lhes – aqui, vejam, pois mundo existe, ele espera somente o toque das suas mãos, vocês estão despedaçando o vivo… Eles não viram. Ele falava – vocês estão matando a sua música, porque esta música – é a sua música! Eles não entendiam. Ele implorava – a quem – a quem ou a que vocês desejam adular? – vocês sacrificam os seus planos, o mais sagrado do santuário das suas almas?! Eles viraram-se contra ele. A guerra, na qual não havia vencedores. E ele quase não tinha mais forças.

Também os Valar não virão até aqui – às montanhas na fronteira do reino da noite eterna de inverno. Somente a Coroa no céu: sete – fragmentos de gelo, uma – chama clara.

Helgor – Montanhas de Gelo. Helgor – amargo gelo. Helgor, tristeza.

Montanhas, coroadas por torres, como talhadas no gelo da noite eterna. Somente mais tarde este primeiro refúgio do Vala Escuro será chamado de Utumno; agora ninguém sabe sobre ele, e ele vaga, solitário, pelas salas subterrâneas. Novamente – só.

Eles tornaram-se criações da sua solidão – aqueles, a quem os nórdicos mais tarde chamarão de Espíritos do Gelo. Ele deu-lhes o corpo de neblina gélida e asas de tempestade de neve, vestes de chamas de gelo cintilantes e frias estrelas dos olhos, pureza cristalina dos pensamentos e vozes semelhantes ao sussurro dos pedacinhos delicados de gelo e ao tinir dos galhos congelados. De alguma maneira, eles pareciam humanos, mesmo que a aparência e a essência deles fossem outros.

Se os Espíritos do Gelo conhecem o amor, eles deviam amavam o criador deles. Eles raramente apareciam na morada dele – mais freqüentemente ele é que ia até eles, e o estranho mundo cintilante que eles criavam e do qual faziam parte presenteava-o com breves minutos de sossego, e a solidão o atormentava menos.

Eles eram sábios e belos. Mas eles não eram humanos.

O Rei dos Mortos das Montanhas Brancas

O Grande Rei dos Homens Mortos de Dunharrow. O Rei dos Mortos fora uma vez um homem vivo e normal como todos. Ele residia nas Montanhas Brancas e era o senhor de lá. Comandava todos os homens que lá viviam e era muito temido e poderoso em seus domínios.

 

 

(o texto a seguir é uma fanfic e não é, de forma alguma, um texto
criado de Tolkien, portanto as informações a seguir não são canônicas e
devem ser encaradas apenas como exercício de imaginação e uma leitura
divertida)

Os homens das montanhas brancas respeitavam e adoravam uma vez Sauron,
mas depois que o reino de Gondor foi fundado em 3320 da segunda era por
sua grandeza e majestade, o Rei das Montanhas Brancas jurou lealdade e
ajuda em guerra para Isildur filho de Elendil contra as forças de
Sauron. E na pedra de Erech, o rei fez votos e juramentos para Isildur
que conduziria a seus homens na batalha de encontro às forças de Sauron
se Isildur um dia precisasse.

Mas quando o Rei das Montanhas Brancas justamente foi chamado, e que Isildur mais precisou de sua ajuda, o rei das montanhas brancas e seus homens simplesmente quebraram seu juramento e recusaram-no ir lutar a auxilio de Isildur por temor a Sauron e medo.

Então, Isildur disse ao rei das montanhas que seria o último rei de seus domínios e amaldiçoou ele e a todos do seu povo nas montanhas brancas para viverem entre os mortos até que cumprissem seu juramento, que nunca descansariam em paz e que vagassem em vão no vazio nas covas das montanhas brancas. Ora o rei e seus homens se esconderam nas montanhas brancas até que o juramento os abatessem.

Sobre o tempo de velhice deles; estes, morreram, mas seus espíritos continuaram a vagar e assombrar as montanhas brancas e o rei das montanhas tornou-se sábio em seus domínios, e ficou chamado como o Rei dos Mortos até o seu fim. Os mortos residiram no subsolo na passagem sob as montanhas brancas, na porta sobre a montanha, na passagem do Dimholt e não permitiam que nenhuma alma viva lá entrasse.

Em 2570 da terceira era, Baldor, filho do Rei Brego de Rohan, escreveu os trajetos dos mortos em pergaminhos por meios desconhecidos. Em 08 Março de 3019, Aragorn, Legolas e Gimli entraram nos trajetos dos mortos. Aragorn foi ao encontro do Rei das Montanhas Brancas considerado agora como Rei dos Mortos e chamou-o a todos os mortos para segui-lo à pedra de Erech e assim cumprir o seu juramento para com o Herdeiro de Isildur e Alto Rei de Gondor. Na meia-noite eles vieram na pedra de Erech, Aragorn perguntou para os mortos porque tinham vindo e os mortos o responderam:

"Viemos cumprir o nosso juramento que em tempos passados não ousamos cumprir, e queremos a paz para sempre."

Aragorn revelou-se então como herdeiro de Isildur e convidou os mortos para lutar contra as forças de Sauron em Minas Tirith a Cidade e Capital de Gondor. Então os mortos seguiram Aragorn até o porto de Pelargir no Anduin, uma viagem de aproximadamente 280 milhas. Lá encontraram a frota dos corsários de Umbar que eram aliados de Sauron e iriam a auxilio do mesmo ao ataque a Minas Tirith. Ao comando de Aragorn, O Rei dos Mortos e seus homens atacaram os navios, e os corsários fugiram de medo e temor a eles. Aragorn usou mais tarde a frota para vir para Minas Tirith e depois conduziu os mortos para a batalha dos Campos de Pelennor.

Er-Mí»razí´r, o Rei dos Bruxos de Angmar

Capitão Negro, Senhor dos Úlairi, Dwimmerlaik, Senhor de Morgul, Lorde Morgul, Senhor dos Nove Cavaleiros, Capitão do Desespero, Chefe dos Espectros do Anel, Bruxo, Feiticeiro Negro.
 

(o texto a seguir é uma fanfic e não é, de forma alguma, um texto
criado de Tolkien, portanto as informações a seguir não são canônicas e
devem ser encaradas apenas como exercício de imaginação e uma leitura
divertida)

Origem

O numenoriano Er-Mûrazôr ("Príncipe Negro") foi o mais dotado e poderoso de muitos dos grandes Lordes da Ocidentalidade. Embora apenas um Príncipe, seu poder era maior do quase todos os Reis de Númenor e, no final, viveu mais que qualquer Adan.

O Príncipe Negro nasceu em SE 1820, na cidade portuária de Andunië, na província de Andustar na ilha de Númenor (Andor). Como segundo filho do Rei Tar-Ciryatan ("Construtor de Barcos") e irmão mais novo de Tar-Atanamir, o Grande, sua linhagem vinha do primeiro Rei, Tar-Minyatur. Sua mãe lhe deu o nome de Tindomul ("Filho do Crepúsculo"), pois havia nascido durante um eclipse solar e seu cabelo era o mais negro jamais visto. Aqueles lordes da corte de Tar-Ciryatan que preferiam o uso do Adûnaico (significando desprezo pelos Eldar e a Proibição dos Valar) o chamavam Mûrazôr. Como seu irmão, o orgulhoso e ganancioso herdeiro do trono, o Príncipe Negro apoiava as ambições de seu pai e pregava uma maior exploração da Terra-Média. Tar-Ciryatan desejava grande riqueza e enviara sua enorme esquadra a Endor para arrancar tributo, e seus filhos aproveitaram os benefícios de sua cruel política. Ambos puxaram à queda de seu pai por coisas materiais e poder, o que não é surpreendente, à luz do fato de terem visto seu pai forçar seu avô a abdicar do trono numenoriano. Atanamir, entretanto, tinha os privilégios e atenção destinados ao herdeiro do trono Adan, e Tar-Ciryatan demonstrava por ele um amor orgulhoso, o que nunca fazia em relação a Mûrazôr. A inveja inerente na família cresceu à proporções alarmantes no coração do Príncipe Negro, fomentando o ódio e ambição extrema. Sempre agressivo e feroz, Mûrazôr decidiu deixar sua casa e fundar seu próprio império na vasta Terra-Média.

Ele juntou uma pequena frota e navegou para Endor na Primavera de SE 1880. O Príncipe de sessenta anos aportou em Vinyalondë (Lond Daer) em Eriador, na foz do Gwathló em Enedhwaith. Em poucas semanas participou em um pequeno conflito pelo domínio do porto estratégico. Seus planos de construir um reino nas férteis terras que as hordas de Sauron haviam arrasado na guerra com os Elfos (SE 1693 – 1700) falharam, forçando Mûrazôr e seus seguidores a fugir para sul.

Em SE 1882 os navios do Príncipe Negro ancoraram em Umbar, onde o lorde numenoriano proclamou-se "Rei". Embora tenha tido sucesso em tomar o poder dos colonos locais, ele governou por poucos meses. As pretensões de governo do aventureiro numenoriano encararam uma inevitável e terrível oposição de seu pai, Tar-Ciryatan, que ordenou a seu obstinado filho que voltasse à Ocidentalidade. Mûrazôr recusou-se a seguir a ordem do Rei Adan, mas não ousava permanecer em Umbar em desafio ao édito de Armenelos. O Senhor dos Anéis descobriu o descontentamento do Príncipe e ofereceu-lhe os meios para atingir seus objetivos.

Sauron percebera que Mûrazôr e seu irmão mais velho, Atanamir, procuravam manter sua juventude, e que temiam o envelhecimento mais que qualquer inimigo corpóreo. Atanamir demonstrou seu terror ante a morte ao recusar, mais tarde, a abdicar o Cetro de Númenor até morrer. O Príncipe Negro, por outro lado, exibia seu medo ao falar abertamente de seu ódio pelos elfos imortais, a quem era relacionado (através de Elros Meio-Elfo).

Sempre vigilante e perceptivo, o Senhor Negro procurou corromper Mûrazôr e levar o insatisfeito numenoriano para Mordor. O Príncipe Negro foi para Barad-dûr durante a primeira semana de SE 1883 e virou pupilo do Senhor dos Anéis. Durante os próximos centro e quinze anos, ele aumentou seu conhecimento de encantamentos e magia, tornando-se um feiticeiro muito poderoso. O conhecimento de Mûrazôr das Artes Negras era menor apenas que o de Sauron, e ele logo se transformou no mais confiável tenente do Maligno. Com suas lições aprendidas, ele submeteu seu espírito a seu Mestre, que deu-lhe um Anel de Poder em SE 1998. O primeiro dos nove nazgûl, Mûrazôr passou a ser conhecido como o Rei dos Bruxos.

O Espectro

Pelo resto da Segunda Era, o Rei dos Bruxos permaneceu em Mordor e serviu a Sauron coordenando o trabalho dos outros úlairi. Estes anos compreenderam o período de sua completa transformação no terrível espectro que possuía um excepcional controle da feitiçaria. Seu papel como Senhor dos Nazgûl testemunha sua habilidade impressionante.

Ironicamente Mûrazôr foi o único Espectro do Anel que não governara um reino próprio por um tempo considerável antes de aceitar um Anel de Poder; entretanto suas origens como um Príncipe dos Edain de Númenor lhe davam habilidades inerentes que suplantavam em muito a de seus pares mortos-vivos. O Senhor dos Anéis dera ao Capitão Negro todos os adornos de um Rei, pois, tirando o próprio Sauron, o Bruxo era o mais poderoso servo da Escuridão na hierarquia de Mordor. Ninguém, nem mesmo Gothmog, o Senhor-da-guerra Meio-Troll (e mais tarde Tenente de Morgul), ou o Boca de Sauron, tinham tanta confiança do Maligno.

A relação deles cresceu na última parte da Segunda Era, enquanto professor e aluno procuravam construir um reino inacessível e estabelecer domínio sobre os Homens. Infelizmente para os mestres de Mordor, a corrupção da Ocidentalidade que haviam planejado por tanto tempo produzira uma política de imperialismo. Os objetivos dos Reis de Númenor se tornaram uma cópia, em parte, dos do Senhor das Trevas. Os dois poderes procuravam unir os Secundogênitos sob um monarca absoluto. Inevitavelmente, esta rivalidade entre Sauron e os compatriotas numenorianos do Rei dos Bruxos desencadeou a guerra. Ar-Pharazôn, o mais forte dos últimos Reis de Númenor, liderou uma armada a Endor em SE 3261, para destruir as forças de Mordor e estabelecer a hegemonia sobre a Terra-Média. Desembarcando em Umbar, ele marchou para norte através de Harad (então disputado por Númenor e a vassala nazgûl de Mordor, Adûnaphel) e encontrou a Hoste de Mordor perto do rio Harnen no início de SE 3262. O exército do Rei Adan pareceu muito forte para o Maligno enfrentar, e então Sauron se rendeu, indo para Andor como prisioneiro de Ar-Pharazôn. A captura do Senhor Negro deixou o Rei dos Bruxos no controle do Reino da Sombra, mas a onipresença dos Edain forçou os Espectros do Anel e outros servos de Sauron a se esconder. Isto impediu o Senhor dos Nazgûl de participar de batalhas importantes na ausência de seu Mestre.

Embora o Capitão Negro e os outros úlairi tenham desafiado os avanços numenorianos em certas regiões da Terra-Média, o Rei dos Bruxos operou em silêncio até o retorno de Sauron após a Queda de Númenor em SE 3319. A reaparição do Senhor dos Anéis em Mordor em SE 3320 despertou as guerras de conquista contra os Povos Livres de Endor e trouxe os Espectros do Anel de seus esconderijos. Pelos próximos cento e nove anos, as forças da Sombra se reagruparam, cresceram, e se mobilizaram sob a liderança do Chefe dos Nazgûl. Então, em SE 3429, o Rei dos Bruxos liderou um exército para dentro de Ithilien e atacou Gondor, o recém-fundado Reino do Sul (que era, como Arnor no Norte, um dos Reinos no Exílio). Rei Anárion de Gondor (co-regente com seu irmão Isildur) defendeu com sucesso a margem ocidental do Anduin, entretanto, golpeando fortemente o plano do Capitão Negro de subjugar o Reino do Sul antes da chegada de qualquer força auxiliar dúnadan de Arnor. O impasse durou cinco anos, até que o Rei dos Bruxos foi obrigado a se retirar para Morannon, confrontado por um exército do Norte comandado por Gil-Galad e Elendil, o Alto. Apoiado pelo principal exército de Sauron, o Rei dos Bruxos combateu seus perseguidores nos campos de Dagorlad, na frente dos portões de Mordor. Lá a Última Aliança de Elfos e Homens arrasou os guerreiros do Senhor dos Nazgûl e quebrou a defesa da Terra Negra. Os vitoriosos perseguiram o restante das forças de Sauron até Barad-dûr, e então sitiaram a Torre-Negra por sete anos. Anárion morreu atingido por uma pedra atirada das ameias em SE 3440, mas sua morte foi vingada no ano seguinte. A Última Aliança finalmente entrou no domínio do Senhor dos Anéis em SE 3441, encerrando a guerra e a Segunda Era. Sauron matou Gil-Galad e Elendil, mas Rei Isildur atingiu o Maligno e cortou o Um Anel de sua mão. Assim, o Senhor das Trevas e seus nove espectros passaram para as Sombras.

Terceira Era


Os Reinos no Exílio prosperaram muito no início da Terceira Era, pois apenas em TE 1000 Sauron apareceu novamente em Arda. Gondor conquistara um grande reino, enquanto Arnor estabelecera um domínio sobre a maior parte de Eriador. A despeito das constantes guerras com Harad e da divisão do Reino do Norte em TE 861, os dúnedain tinham um poder enorme. Enquanto Gondor chegava ao apogeu de sua força em TE 1050, entretanto, os nazgûl retornavam das Sombras e começavam a reconstruir sua força na Terra-Média. Seu Senhor, o Rei dos Bruxos, foi para Dol Guldur em Rhovanion, onde Sauron se escondia sob o disfarce de Necromante. O Capitão Negro permaneceu na fortaleza do Senhor das Trevas pelos próximos dois séculos e meio.

De seu refúgio secreto, ele planejou a destruição do mais fraco dos Reinos Dúnadan. O Rei dos Bruxos percebeu que deveria ter cuidado, sabendo que a perda do Um Anel no fim da Segunda Era enfraquecera as forças da Escuridão. Por volta de TE 1300, o plano metódico para esmagar Arnor se completou, e o Senhor dos Espectros do Anel foi para o platô que se ergue entre os dois esporões setentrionais das Montanhas Nebulosas (Hithaeglir). Este planalto frio supervisionava os ermos ao longo da fronteira norte do reino que o Capitão Negro planejava destruir. Lá fundou seu próprio reino: Angmar ("Lar de Ferro"), a terra do Rei dos Bruxos.

O Senhor dos Nazgûl governou seu novo domínio da cidadela montanhosa de Carn Dûm ("Forte Vermelho"), uma gigantesca caverna-fortaleza construída no último pico do norte das Hithaeglir. Nunca revelando sua verdadeira identidade, ele reuniu duas hostes: um exército composto de mais de trinta tribos orcs comandada pelo senhor-da-guerra Olog, Rogrog; e os Angmarim, uma força de mais de dez mil homens tirados dos súditos do Senhor das Trevas em Eriador, Rhovanion e Rhûn. Estes guerreiros se espalharam em fortalezas ao longo dos limites norte da Charneca Etten e de Oiolad ("Planície Fria"). Fortes como Morkai e Monte Gram ameaçavam toda a fronteira superior do Reino do Norte, mas se concentraram inicialmente na esparsamente habitada fronteira nordeste – acima do relativamente vulnerável e rústico reino de Rhudaur ("Floresta Oriental"). A divisão de Arnor em TE 861 deixara três estados sucessores ostensivamente aliados: Arthedain no noroeste, Cardolan no sul, e Rhudaur no nordeste. Arthedain e Rhudaur ficavam próximos a Angmar, mas o último era muito mais fraco. Arthedain tinha uma grande proporção de residentes dúnedain e possuía a capital de Arnor e a maioria dos castelos do reino perdido. Rhudaur, por outro lado, tinha poucos dúnedain, e a maior parte de sua descontente população vivia nas acidentadas colinas. Era um alvo natural para os exércitos do Rei dos Bruxos, e nas primeiras cinco décadas da fundação de Angmar, as hordas do Feiticeiro Negro arrasaram a Floresta Oriental e escravizaram a população sobrevivente sob a Sombra. Rhudaur deixou de existir como uma nação independente e livre por volta do século catorze.

A conquista de Cardolan ("Terra das Colinas Vermelhas") era o próximo alvo do Rei dos Bruxos. Embora muito mais forte que Rhudaur, não tinha os recursos militares e as defesas naturais de Arthedain. Sua capital e cidade principal, Tharbad, ficava nas planícies do rio Gwathló e muito de sua fronteira com Rhudaur era composta de uma sebe pouco defendida. O valor estratégico de Cardolan também convidava ao ataque, pois Tharbad ficava no meio da estrada entre Arnor e Gondor, e a captura desta artéria vital significava o isolamento de Arthedain. E o Rei dos Bruxos poderia virtualmente cercar o centro de Arthedain com a tomada de seu vizinho do sul. Estes fatores levaram a um subseqüente ataque a Cardolan. Rhudaur declarou guerra à Terra das Colinas Vermelhas pouco antes de TE 1350, e combates aconteceram ao longo do Mitheithel e próximo a Amon Sûl (Topo do Vento) pelos próximos cinqüenta e nove anos. Com a ajuda do exército Arthadan, os Príncipes Dúnedain de Cardolan venceram seus antigos aliados, e o Rei de Angmar foi obrigado a usar suas próprias tropas. Após garantir rotas de abastecimento através de Rhudaur, o Rei dos Bruxos ordenou suas forças para entrarem na guerra e atacar diretamente o dique e sebe que guardavam as fronteiras nordeste de Cardolan. Os Angmarim cruzaram as Terras Ermas e entraram nas defesas dúnadan ao sul do Topo do Vento. Cercando a grande cidadela Arnoriana que guardava uma das três Palantíri do Norte, as hostes de Angmar cortaram as forças defensoras ao meio e forçaram o Príncipe e seus seguidores para as Colinas dos Túmulos (Tyrn Gorthad) e para as bordas da Floresta Velha. O último governante de Cardolan morria enquanto Tharbad era tomada. O exército principal de Arthedain sobrevivera por pouco à batalha no Topo do Vento. Retirando-se para as colinas ao redor, com a Pedra da Visão, abandonaram a torre em Amon Sûl e marcharam de volta a Fornost.

Os Angmarim arrasaram a cidadela após ter massacrado os poucos defensores restantes – bravos soldados que lutavam para cobrir a retirada de seus companheiros. A Torre de Amon Sûl foi incendiada e completamente destruída.

Mais uma vez o Senhor dos Nazgûl prevalecera. Cardolan passara para seu domínio. Arthedain sobreviveu por quinhentos e sessenta e seis anos após o colapso de sua nação-irmã. Enfrentando forças muito maiores, os dúnedain do último reino sucessor de Arnor rechaçaram vários ataques às fronteiras leste e norte. Muito do povo combalido de Arthedain fugiu e se concentrou em Fornost ou próximo aos fortes do reino, permitindo que os Edain do Norte reagissem aos ataques. (Este êxodo deflagrou a migração dos Hobbits para o Condado de Arthedain em TE 1600-40.) A natureza também interveio, pois o crescimento das forças de Angmar em Cardolan antes de TE 1636 foi interrompido pela Grande Praga. A pestilência que chegou durante o inverno de 1636-1637 devastou os últimos dúnedain habitantes de Cardolan, mas também o exército meridional do Rei dos Bruxos. Rhudaur e Angmar também sofreram – muito mais que os dúnedain – forçando o Senhor dos Nazgûl a reconstruir suas forças destruídas. Foi nesta mesma época que as Criaturas Tumulares (espíritos malignos de Rhudaur e Angmar) foram enviadas pelo Rei dos Bruxos para os túmulos abandonados de Tyrn Gorthad para ali morar.

“Em 1974, o poder de Angmar cresceu de novo, e o Rei dos Bruxos desceu até Arthedain antes do final do inverno. Ele dominou Fornost, e expulsou a maioria dos dúnedain restantes sobre o Lûn; entre estes estavam os filhos do rei. Mas o rei Arvedui de Arthedain resistiu nas Colinas do Norte o máximo possível, e depois fugiu para o norte com com alguns membros de sua guarda; escaparam devido à rapidez de seus cavalos.

Por um tempo Arvedui se escondeu nos túneis das antigas minas dos anões, próximas ao extremo oposto das montanhas, mas por fim foi levado pela fome a procurar o auxílio dos lossoth, os Homens das Neves de Forochel. Alguns destes ele encontrou acampados na praia; mas eles não se dispuseram a ajudar o rei, pois ele não tinha nada para oferecer, exceto algumas jóias às quais os Homens das Neves não davam valor; e os lossoth tinham medo do Rei dos Bruxos, que (segundo eles) podia produzir gelo ou desmanchá-lo conforme bem quisesse. Mas em parte por pena do rei esquálido, e em parte por temerem suas armas, ofereceram-lhe um pouco de comida, e construíram abrigos de neve. Ali Arvedui foi forçado a aguardar, na esperança de alguma ajuda que viesse do sul, pois seus cavalos tinham perecido.” (SdA, p. 1103-4)

Por semanas Arvedui viveu na neve, até que um navio mandado por Círdan o resgatasse. Porém, antes de Arvedui embarcar, o chefe dos lossoth alertou: – Não monte no monstro do mar! Os homens do mar poderão nos trazer comida e outras coisas de que necessitamos, e você pode permanecer aqui até que o Rei dos Bruxos vá para casa. Pois no verão o poder dele míngua, mas agora seu hálito é mortal, e seu braço frio é comprido. – Mas Arvedui não seguiu o conselho, que, por acaso ou devido a algum poder de previsão, tinha valor. A embarcação mal havia alcançado o alto-mar quando foi engolfada por uma tempestade de vento e neve, e, arrastada de volta na direção do gelo, naufragou. Assim – em 1975 – pereceu Arvedui, o Último Rei de Arthedain, e com ele as Pedras da Visão foram sepultadas no mar. Com isso o Reino do Norte terminou, e o Rei dos Bruxos venceu uma grande batalha.

The Ring of Darkness – uma Resenha

“The Ring of Darkness” (“Кольцо Тьмы” na língua do original, “O Anel da Escuridão” em português) é uma série de livros do escritor russo Nik Perumov. Foi escrita no final dos anos 80 e publicada na sua versão final em 1995. A série é composta por três livros: “A Faca Élfica”, “A Lança Negra” e “O Diamante de Henna”. Segundo o autor, há planos para escrever um quarto livro.
 
 
A trilogia é uma continuação de “O Senhor dos Anéis”, falando sobre acontecimentos da Quarta Era. Conta a história de um hobbit chamado Folko que, 300 anos depois do fim da guerra dos Anéis, embarca numa viagem juntamente com alguns gnomos, viagem essa que acaba por se transformar numa perigosa jornada para salvar a Terra-Média.

the_ring_of_darkness.jpgAs avaliações dos leitores e dos críticos variam bastante, desde adoração até a não-aceitação. Entre as qualidades do livro, aponta-se principalmente a parte literária. Já o maior defeito, segundo a maioria absoluta dos fãs, é a ambientação (novos povos, territórios e forças) e a concepção moral e ética. Por outro lado, é notável uma certa semelhança do início do “Anel da Escuridão” com “A Nova Sombra” de Tolkien, planejada como uma continuação de “O Senhor dos Anéis”.

Os países do Oeste na Trilogia, mesmo sendo chamados bons, são apresentados como prepotentes e orgulhosos, ignorando os perigos crescentes nas fronteiras. Ao mesmo tempo, os antagonistas – o guerreiro Olmer e os seus aliados – não são descritos como forças do Mal, mas como pessoas comuns. Os aliados do Líder, diferentemente das hostes de Sauron, não estão totalmente desprovidos de traços positivos. Os Orcs também são mais humanos e simpáticos do que os do original. Perumov assume que, dessa forma, que tentou discutir a posição de Tolkien, que descreveu uma luta entre o Bem e o Mal absolutos.

Para os interessados em conhecer o site do autor, visitem:
http://www.perumov.com/eng/index.shtml (Inglês)
http://www.perumov.com/ (Russo)

Minha opinião sobre o livro:
“Eu gosto. É razoavelmente bem escrito e bastante interessante. Empolga, mesmo eu que não gosto muito de fireballs pipocando na tela e hobbits-guerreiros-temidos. Gostaria mais ainda do livro se não tivesse esquecido, por volta da quinta páginas, que ele se passa na Terra-Média. E, apesar da insistência do autor em me lembrar disso, nunca consegui de fato acreditar que aquilo é mesmo a Terra-Média”.

O Livro Negro de Arda – Capí­tulo 4

Continuamos a publicação da fanfic O Livro Negro de Arda, agora com o Terceiro Capítulo: O Coração do Mundo. Os demais capítulos podem ser encontrados aqui.

 

 
PARTE PRIMEIRA. O CORAÇÃO DO MUNDO
SOBRE AULË E YAVANNA. O COMEÇO DOS TEMPOS

– Ouça, será que você nunca teve vontade de criar algo seu, totalmente novo?

As pupilas de Yavanna dilataram-se:

– Para quê? Como pode ser possível criar algo mais belo do que o pensado pelo Único? E não é a felicidade suprema – realizar a vontade Dele, personificar os planos Dele?

– Mas não é interessante criar um animal alado ou uma criatura que poderá viver e na água, e na terra?

– Para quê? Pois isso significa – desobedecer ao Plano da Criação.

– Mas nos também fomos criados pelo Ilúvatar; e significa que não podemos criar nada contrário a vontade dele.

Yavanna falava em tom de sermão, como se explicasse algo a um Maia-aprendiz incapaz de compreender:

– Os animais devem viver na terra, ser quadrúpedes e cobertos por pêlos. No ar, vivem os pássaros, na água – os peixes, cobertos por escamas. Assim foi o Plano. Poderia isso ser de outra maneira?

– Claro! Vamos, eu lhe mostrarei!

“Isso não é bonito?” – perguntava Melkor. Yavanna acenava com a cabeça sem muita certeza, mas a sua fronte ficava cada vez mais sombria e, finalmente, franzindo a testa, ela disse:

– Isso não deve existir. Nos podemos somente realizar a vontade do Único; mas algo assim a contradiz. Nos somos uma ferramenta nas mãos Dele, e nenhum de nos pode compreender toda a profundidade dos planos Dele.

– Veja, é você mesma que fala… pode ser que essa parte da Visão não é conhecida por você.

– Não. Todos os kelar e olvar deverão ser minhas criações. A ninguém de nos foi dado intrometer-se naquilo que os outros fazem. Você, digamos: foi dado a você o poder sobre o fogo e o gelo. Você não deve criar o vivo. Fazendo isso, você desobedece à vontade do Único. Caia em si, – disse Yavanna suavemente. – Compreenda, aquilo que você faz é um pecado. Desista. Não há nada acima da vontade do Único.

– … Veja.

Aulë encolheu os ombros:

– São pedras ordinárias, nada de especial…

– Ouça atentamente, – Melkor sorriu.

Depois de um breve silêncio Aulë perguntou, surpreso:

– O que é isso? Canto… ou música… não entendo. De onde?

– Este é o Canto da Rocha. Você gosta?

O Ferreiro olhou para o Alado de forma um tanto estranha:

– Tal coisa não estava no Plano de Eru.

– Agora estará. Você não quer mesmo que seja assim? Isso não é bonito?

Algo incompreensível acontecia com o rosto de Aulë. Estava rígido como uma máscara, mas de tempos em tempos contorcia-se levemente, e a voz estava rouca quando ele disse:

– Ninguém se atreve a mudar o Plano da Criação!

– Mas você sabe que nos mesmos criávamos a Música…

– Não! Ela foi gerada pelo pensamento do Único, e ninguém poderá mudá-la contra a vontade Dele!

– Veja o que você mesmo diz. Pois Eru queria que este mundo se tornasse belo – e não foi nos dado embelezá-lo de acordo com os nossos pensamentos? E o que há de mau nisso, se nos…

– Cale-se! – gritou Aulë com desespero. – Será que você ainda não entendeu: tudo deve ser de acordo com a vontade do Único, e não como desejamos nos!..

Ele parou.

– O que? – perguntou Melkor, abalado. – O que você disse?

Aulë olhou-o apavorado.

– Nada… – a voz dele tremia. Ele inspirou convulsivamente e adicionou, nítido e rispidamente:

– Nada. Eu. Não. Falei. Você ouviu mal.

– Repita!

– Não tenho o que repetir!

– Não tenha medo. Eu entendo. Eu o ajudarei, prometo.

Melkor quis pegar a mão de Aulë, mas aquele se afastou rapidamente, protegendo-se com o braço como de um golpe:

– O que você entende?

– Sim, Eru ainda tem forças para castigar aqueles que não o obedecem. Eu sei o que é isso. Vença o medo. Eu te ajudarei. Acredite, todos juntos nos somos mais fortes do que ele. Nos somos livres. E ele verá isso. Ele vai entender – deve entender. Não tenha medo. Acredite em si mesmo. – Melkor falava suavemente, mas nos olhos escuros de Aulë havia somente horror e desespero.

– Vá embora, – respirou ele, por fim.

– Venha comigo. Então Eru não poderá atrapalha-lo.

O rosto de Aulë alterou-se dolorosamente:

– Vá embora, – pronunciou ele, rouco. – Eu peço. Eu ainda virei, virei, mas vá embora agora.

Melkor meneou a cabeça:

– Você nunca virá. E quando nos encontrarmos-nos novamente…

Ele voltou-se para o outro lado e repetiu surdamente:

– Quando nos encontrarmos-nos novamente…

– Vá embora! – gritou Aulë.

Agora ele sentava no chão, apertando a cabeça com as mãos, balançando de um lado para o outro. Depois se ergueu, e Melkor viu seus olhos vazios. A voz do Ferreiro era monótona e sem vida:

– Aquilo que contradiz os Planos do Único, não deve existir.

Ele ergueu o braço.

– Pare! Se você fizer isso, você nunca mais ouvirá a voz de Arta… Ouça-me, eu imploro!

“Não dá para fazer nada pela força, impossível… O abuso do poder gera o mal. Ele deve entender!..”

– Não precisa ter medo, está ouvindo? Acredite-me, ninguém pode nos proibir de criar. Mas se você começar a destruir, justificando isso com o “assim mandou Eru”, a fronteira entre o bem e o mal deixara de existir para você. Sobrará somente a vontade de Eru, e você realmente se transformará numa ferramenta cega na mão Dele… E você deixará de ser um Criador! – expirou Melkor furiosamente.

– Cale-se… eu não devo escutá-lo! Vá embora! Está me ouvindo, vá embora!

…O fogo irrompeu das rachaduras da terra, e em alguns minutos no lugar do vale havia somente uma lagoa de chamas – como uma ferida inflamada. E pareceu a Aulë – ele ouviu ou um suspiro, ou um gemido da própria terra.

E depois veio o silêncio ensurdecedor.

E o Ferreiro escondeu o rosto nas mãos, sem forças para suportar o olhar de Melkor, porque nos olhos do Alado não havia nada, alem de dor e compaixão.

… E mesmo assim, ele existe em algum lugar – o vale da Rocha Cantante. Os homens do Oriente contam sobre ele, e havia Elfos que o viram e ouviram o Canto da Rocha. Se bem que, as lendas dos Elfos não falam sobre isso. Mas o eco da memória vive no nome do reino élfico de Gondolin – Terra das Rochas Cantantes…

…Mas mesmo assim, Melkor mais uma vez foi até os Valar. Até a Valië Yavanna. Ela encontrou-o receosa.

– Ouça-me, – pediu Melkor. – Vocês querem criar um mundo que desconhece a morte?

– Sim. Pela vontade do Único, esse mundo será um jardim em flor, e belos animais vão vagar sob as cúpulas das arvores… – sorriu Kementári, sonhadora.

– Vamos supor. Os animais, sem conhecer a morte, vão proliferar e se multiplicar, e muito em breve, acredite, os alimentos deixarão de ser suficientes. E então?

Yavanna respirou fundo:

– Para isso existe o Grande Caçador Oromë…

– Certo. Caça é a alegria e diversão para ele, ele não conhece o cansaço… Mas mesmo assim – é improvável que ele poderá dar um jeito em todos os animais. E depois – ali, está vendo dois veados? Como você acha, o qual deles Oromë vai matar?

– Não sei.

– Eu te responderei. Aquele que é mais forte e mais rápido: que alegria há em perseguir um animal fraco e doente? O fraco deixará descendentes; sobreviverão – os mais fracos dos fracos, e isso é degeneração.

– Sim… – pronunciou Yavanna, confusa.

– E se tentar de um outro jeito?

– Como seria?

A criatura que saiu de traz das arvores por um sinal pouco notável de Melkor movia-se suavemente e silenciosamente, flutuava sobre o solo; somente os músculos rolavam sob o pelo macio, cinza prateado com manchas escuras de mármore. Olhos verdes pareciam luzir com luz própria: leopardo das neves.

– Bonito?

– Sim… Que maravilha… – suspirou maravilhada a Valië.

Melkor sorriu ironicamente:

– Só que não é de graminha que ele se alimenta. Ele necessita de carne para sobreviver. Olha, que caninos!

– Que horror, – Yavanna recuou.

– Não mais do que as diversões de Oromë. Só que este não vai matar por diversão. Somente o necessário para ele mesmo sobreviver. E em primeiro lugar – os fracos e os doentes. Sobreviverá aquele, cujas pernas são mais fortes, cuja respiração é melhor, cujo coração bate com mais ritmo – para fugir da perseguição. Sobreviverá aquele que tem uma visão mais aguçada, e o ouvido mais apurado – ele perceberá o inimigo a tempo. Sobreviverá aquele que tem chifres mais afiados, os cascos mais duros – ele poderá defender-se. E o predador que não conseguir chegar perto da presa despercebido ou alcançá-la, não poderá existir. Equilíbrio.

– Mas… Isso é cruel!

– Falo novamente: não mais que as diversões de Oromë.

– E você quer que esses vivam em todos os lugares?

– Não. Esses – nas montanhas; nas florestas e nas planícies – totalmente diferentes.

– Você… Você é cruel! Sim, sim, cruel! Você quer trazer a morte ao mundo!

– A morte e a vida são os dois lados da existência. Morte chegará ao mundo ela mesma. Alias, já chegou. E não há nisso nem minha culpa, nem meu mérito. Será que você não vê?

Yavanna ergueu-se bruscamente:

– Cale-se. Vá embora daqui. Eu não quero ouvi-lo.

Melkor também se levantou:

– Eu peço, pense. Ouça…

– Eu lamento ter lhe dado permissão para falar. Vá embora! É certo o que falam de você: você é o inimigo, o impiedoso mal cego!

– Você mesma verá que eu falei a verdade, – respondeu Melkor surdamente.

– Eu não quero ver nada! Vá embora! Vá, está ouvindo?!

Khamûl

Nos textos de J. R. R. Tolkien Khamûl é o único Nazgûl cujo nome é revelado. É dito ser o segundo em poder, atrás apenas do Rei-Bruxo.
 
 
(o texto a seguir é uma fanfic e não é, de forma alguma, um texto
criado de Tolkien, portanto as informações a seguir não são canônicas e
devem ser encaradas apenas como exercício de imaginação e uma leitura
divertida)
 
Khamûl, o Easterling (Komûl; Sombra do Leste; o Easterling Negro; Komûl I, Hionvor de Wom Shryac; Mûl Komûl; o Senhor dos Dragões; o Segundo)
 
Nascido em Laeg Goak, no extremo leste de Endor em SE 1744, Komûl era o filho mais velho de Mûl Tanûl, o Grande Senhor ("Hionvor") dos Womaw. Sua mãe, Klea-shay, era popular, apesar de sua linhagem Shay, mas morreu quando o jovem herdeiro tinha apenas sete anos; a consorte Élfica de Tanûl, Dardarian, criou Komûl e serviu como sua principal conselheira até que este assumiu o trono de Womawas Drus em SE 1844. O relacionamento de Komûl com a manipuladora Dardarian corrompeu seus ideais e levou à sua incessante busca por imortalidade.

Como Hionvor e Mûl ("Rei") do reino Womaw, Komûl I presidia sobre o mais poderoso reino no leste da Terra-Média. Seu povo descendia da Primeira Tribo de Cuiviénen ("Águas do Despertar"), a mesma linhagem que produziu os Edáin de Endor ocidental. Sangue élfico corria nas veias dos Hiona ("Senhores", sing. Hion) Womaw, e a maestria destes sobre Homens se devia em parte à sua longevidade. Muito influenciado pelos Avari, os Womaw do tempo de Khamûl praticavam magia da Floresta e da Palavra e desfrutavam dos benefícios de uma tradição cultural rica e prática. Sua sofisticação política e militar os permitira dominar as costas leste da Terra-Média por milhares de anos. Esta hegemonia resistiu seu maior teste no meio da Segunda Era, mas Komûl I perdeu-se no conflito.

Os distantes primos Númenóreanos dos Womaw eram o único grupo de Homens que poderia desafiar a supremacia de Womawas Drus, e no início de SE 900, os Dúnedain estabeleceram embaixadas comerciais nas terras controladas pelos Womaw. Durante os próximos 650 anos, os Númenóreanos conseguiram apoio de muitos dos vizinhos meridionais dos Womaw e construíram colônias fortificadas nas ilhas do sudeste da Terra-Média. Os Homens da Ocidentalidade forçaram concessões dos Womaw e ameaçaram a estabilidade do reino oriental. Por volta do ano 150 do reinado militarista e tempestuoso de Komûl I (SE 1994), Womawas Drus parecia ter aceitado a dominação externa e muitos dos Hiona Womaw renunciaram sua aliança com o Grande Senhor. Orgulhoso e desesperado, Komûl procurou ajuda com sua antiga aliada Dardarian.

Dardarian encontrou Komûl na Ilha do Nascente, o ponto mais oriental da Terra-Média. Lá, a Rainha Élfica seduziu seu filho adotivo, usando sua grande beleza, charme e, mais importante, uma oferta de imortalidade. Komûl concordou com a aliança entre Womaw e o reino Avar de Dardarian em Helkanen. A união levou à concessões Númenórianas (sob o Primeiro Acordo) no ano seguinte, abrindo mão de qualquer conquista e restringindo os interesses Dúnadan a centros comerciais, e não a pontos estratégicos.

Infelizmente para os Womaw, o pacto de Dardarian levou à queda de seu Hionvor. Sem que Komûl I soubesse, Dardarian servia a Sauron de Mordor. Em SE 1996, apenas um ano após o Primeiro Acordo, Komûl aceitou o instrumento que lhe conferiria o presente prometido por sua amante. Tomando um dos Nove Anéis dos Homens, Komûl se tornou o escravo imortal do Senhor dos Anéis. Seu reinado sobre Womawas Drus terminara abruptamente.

Komûl I desapareceu de Laeg Goak na primavera de SE 1997, após quase sete meses de virtual isolamento de seu povo e sua corte. Estes sete meses foram marcados por intrigas no palácio e uma sangrenta transição para uma nova ordem. Mais de três dúzias dos conselheiros do Hionvor foram eliminados na matança que quase arruinou o reino. Os Hiona começaram a preparar uma revolta, e Komûl partiu, abdicando em nome da facção apoiada pelos Númenóreanos liderada por seu primo Aon. Quase ninguém percebeu a natureza crítica da abdicação do Rei, mas o destronamento de Komûl I provavelmente salvou Womaw da Sombra. O monarca deposto pouco mais pôde fazer que jurar vingança, uma maldição que ele colocaria em prática mais de um milênio depois.
Khamûl, o Espectro do Anel

Komûl apareceu em Barad-dûr, em Mordor, por volta de SE 2000. Ele passou a ser conhecido a partir daí como Khamûl, de acordo com a pronúncia na Língua Negra de seu nome. Enquanto na Torre Negra, serviu Sauron como Mestre da Casa, e suas responsabilidades incluíam a administração da cidadela até 3350, quando Ûrzahil de Umbar tornou-se o Boca de Sauron e Tenente da Torre.

Khamûl fugiu de Mordor quando Sauron foi capturado em SE 3262. Recolhendo-se ao Leste, ele primeiro foi para Nûrad e, após uma breve estada, ele prosseguiu para as terras Shay do povo de sua mãe. Ele ficou entre os Shay até SE 3319, criando uma rede de servos, cuja ambição causou a separação das Cinco Tribos. Esta corrupção continuou após Khamûl ter voltado à Terra Negra, e por volta de SE 3400, o agente de Khamûl, Monarlan, trouxe três das tribos para a Sombra.

O Easterling permaneceu em Mordor durante a Guerra da Última Aliança (SE 3429 – 3441), liderando a campanha de Ithilien que abriu o conflito. Durante os primeiros quatro anos e meio, ele viveu em Lug Ghûrzun ("Torre da Terra Negra") em Nûrn ("Ghûrzun") oriental; mas em SE 3434 o exército da Última Aliança de Elfos e Homens forçou passagem por Ûdun, e Khamûl voltou para o lado de seu Mestre. O Espectro do Anel esgueirou-se para dentro de Barad-dûr na noite em que se iniciou o cerco.

Quando a Torre Negra caiu em SE 3441, o Nazgûl enfrentou a vanguarda da hoste Élfica e lutou uma batalha longa e brutal. Desprotegido, Sauron foi forçado a lutar com seus inimigos pessoalmente. Isto provou ser desastroso pois, embora tenha matado Elendil, o Alto, e Gil-Galad, o Maligno perdeu o Anel Um (e seu dedo) no conflito, e seu espírito passou para o Mundo da Sombra.
A Terceira Era

Com o banimento do Senhor dos Anéis, os Nove perderam a habilidade de manter sua forma. Eles seguiram o Senhor das Trevas para a Sombra com o fim da Segunda Era. Seu exílio coincidiu com o de Sauron e durou mais de mil anos. O primeiro a retornar reassumiu sua forma em Endor por volta de TE 1050, quase cinqüenta anos após o reaparecimento de Maligno.

Diferente de seus companheiros, Khamûl habitou rapidamente com Sauron na cidadela de Dol Guldur no sul da Floresta Tenebrosa. O Senhor Negro escondeu-se sob o disfarce de "Necromante" e lentamente recuperou sua força. Então, por volta de TE 1300, ele reiniciou sua luta contra os Povos Livres, enviando o Rei-Bruxo a Angmar no noroeste das Montanhas Nebulosas, na esperança de esmagar os estados sucessores de Arnor.

Khamûl deixou seu posto de comandante da guarnição de Dol Guldur com a partida do Rei-Bruxo, e pelos próximos trezentos e quarenta anos o Easterling viveu em Sart e Mang, nas Montanhas do Vento. Destas duas fortalezas rochosas procurou ganhar poder sobre os povos do sudeste da Terra-Média. Trabalhando sempre em uníssono com Dwar de Waw, Khamûl lutou contra a influência dos Istari Alatar e Pallando sobre a região. Seu sucesso foi apenas parcial, mas por volta de TE 1635, o Senhor das Trevas estava satisfeito e ordenou que o Segundo dos Úlairi retornasse para Dol Guldur.

A chegada de Khamûl coincidiu com a Grande Praga que arrasou o noroeste de Endor, e pelos próximos quatro anos ele permaneceu em Rhovanion como o principal servo de Sauron. Ele era o Guardião da Colina da Feitiçaria e permaneceu lá até o fim da Vigia de Mordor, em TE 1640.
Aparência e Família

Khamûl tinha 1,87 m de altura, médio para padrões Womaw. Originalmente pesava 88 quilos, tinha pele branca, sem barba, olhos azuis acinzentados, e cabelo liso, longo e negro. Esta aparência descrevia um Womaw de alta linhagem. Ele usava um Elmo e Armadura Dragão azuis escuros, feitos de pele de Dragão.

Ninguém entre os Womaw era melhor caçador que Khamûl. Mesmo quando criança ele podia correr como uma corça, movendo-se em silêncio pelas escuras florestas de sua fria terra. Seu senso de olfato era excepcional, e bardos falavam jocosamente de sua "herança de cão de caça". Sombrio, solitário, e esperto, ele era imbatível em disputas de sutileza e furtividade. Estas qualidades o serviram bem nos complexos problemas que enfrentou como Hionvor, e fizeram dele uma admirável opção como o principal trilhador do Senhor das Trevas e guardião da cidadela de Sauron em Dol Guldur.

A esposa Womaw de Khamûl, Komiis, deu à luz três filhos: uma menina, Womiis, e dois filhos, Womûl e Komon. Dos três, apenas Womiis parecia com seu pai.

O Livro Negro de Arda – Capí­tulo 3

Continuamos a publicação da fanfic O Livro Negro de Arda, agora com o Terceiro Capítulo: O Coração do Mundo. Os demais capítulos podem ser encontrados aqui.

 

 
PARTE PRIMEIRA. O CORAÇÃO DO MUNDO
MEDO. O INÍCIO DOS TEMPOS

Naquele tempo eles não eram inimigos – não existia nem a própria palavra “inimigo”. O mundo era jovem, e não havia alegria maior para os jovens Valar do que criar o novo.

…Aulë estava de pé, fitando o fogo; perante seus olhos erguiam-se visões ainda vagas de um novo plano. Vala Escuro aproximou-se silenciosamente e ficou ao seu lado.

– A chama está dançando…

– Você… está vendo algo nela?

– Sim. Olha – a lava rachada lembra escamas, negras e douradas e vermelhas, e as chamas – asas…

– Como você adivinhou? – Aulë alegrou-se. – Ah sim, claro! Sabe, eu só agora entendi até o fim, eu agora mesmo estava pensando sobre isso! Mas será que o vivo pode viver no fogo?..

– Tente…

O mais velho dos Ainur traçava, pensativo, algumas figuras estranhas no ar.

– O que é isso? – interessou-se Aulë.

– A dança das chamas. Você também achou que isso lembra escritas ou runas?

– Que?..

– Sinais, para anotar palavras, pensamentos, formas…

– Para quê?

– Para, ao mudar, não perder uma parte da sabedoria. Nem todos entre aqueles que ainda chegarão ao mundo serão iguais aos Ainur. Será útil para eles. Isso será chamado – C’at-er. Ou – C’ertar. Mas me perdoe, irmão, eu vejo na sua alma surgiu um plano. Eu o deixarei…

…Ele criou do fogo, cobre e ouro enegrecido o flexível corpo escamoso da lagartixa, as asas – de chamas, os grandes olhos alongados – de gotas de obsidiana. A criatura negra-dourada-vermelha escorregou da sua palma para o redemoinho do fogo, e Aulë suspirou e ficou petrificado de surpresa: a criatura dançava, e na dança do fogo ele adivinhava aqueles sinais que Melkor traçara. A base da dança era a runa Llach – o Fogo da Terra, e ele pensou que aquela-que-dança-no-fogo deveria se chamar assim mesmo – Llach.

Aulë sorria feliz, olhando para a nova criatura, imaginando como Melkor ficará surpreso e alegre – ele sabia se alegrar surpreendentemente com as criações dos outros… O sorriso continuou assim mesmo no seu rosto, abrindo-se em dentes raivosamente arreganhados, quando algo ardente, semelhante a um aro ardente invisível, apertou a sua cabaça. Círculos rubros e negros começaram a dançar nos seus olhos e, com um gemido, ele desmoronou lentamente, murmurando sem voz – por que, por que, por que…

“Isso não estava no Plano”.

Ele não ouviu mais nada.

– …Aulë… Meu irmão! O que houve… Acorde… O que houve com você?!

Olhos cor de cobre escuro com minúsculos pontos negros das pupilas. Que nada reconheciam. Cegos. Mortos.

Ele ergueu Aulë do chão – o corpo do Ferreiro pendia molemente nos seus braços, – apertou seus ombros, olhou nos olhos, repetindo como a um feitiço – acorde…

Devagar, muito devagar, o olhar de Aulë começou a adquirir algum sentido, mas agora nos seus olhos havia uma expressão nova – o medo, o horror insano devorando tudo.

– O que aconteceu com você? Está sentindo alguma dor?

– Dor… – por letras, num ritmo sem sentido. – Então, isso é que é dor. Eu não posso mais assim. Não posso.

Ele repetia essas palavras infinitamente – uma firme voz morta, balançando devagar de um lado para o outro. E Melkor começou a entender o que havia acontecido.

– Isso… foi por causa do seu plano?

As mãos de Aulë estremeceram:

– Não havia isso no Plano. Isso não deve existir.

– Irmão!..

Melkor sacudiu-o com força pelos ombros. Aparentemente, funcionou; Aulë agitou a cabeça desesperadamente – e de repente começou a sussurrar de um modo confuso, com ardor:

– Não posso ver isso, dói… Não quero matar… Porque isso está vivo – eu imploro, faça alguma coisa, porque me obrigarão a destruir – isso não deve existir, mas eu não quero, não posso…

– Venha comigo. Verá, me bastarão poderes para protegê-lo.

– Não, não adiantará, nada mais adiantará… Eu não quero, que – de novo, que fique assim – com você…

Melkor encolheu os ombros, mas permaneceu calado.

– Não, é que você não faz idéia de como isso dói… Acredite-me… Sei, você é forte, você sabe e pode mais que todos nos juntos…

Vala Escuro reparou consigo mesmo nesse: “você” e “todos nos”.

– …mas ele é mais forte, ele o vencerá… Eu peço, Melkor, meu irmão – resigne-se… – a cada palavra, ficava mais nítido nos olhos de Aulë – aquele, recente, insuportável horror, ele falava cada vez mais rápido, afogando-se nas palavras. – Ou – vá, esconda-se, proteja-se – compreenda, todos, todos estarão contra você, todos, até eu – sim, sim, e eu também, porque eu não suportarei, não conseguirei – contra todos, mesmo que você amaldiçoe, mesmo que despreze, mas eu tenho medo, eu sei que isso é o medo, eu sei, sei, eu entendo tudo, mas – ficarei com eles… Sei – você não perdoará, já não importa, não há eu, compreenda, não, isso é somente uma casca, mas dentro dela – nada, além do medo – não há nada; você não entenderá, você não sabe o que é isso… E depois, algum dia, as suas forças não serão mais suficientes, então se apresse para criar, você de qualquer jeito não sabe fazer de outra forma, porque de qualquer jeito esse castigo o alcançará, você será destruído, mas não importa – enquanto pode…

Ele parou de repente, um gemido voou dos lábios esbranquiçados – ele caiu no chão, o corpo dele contorceu-se, agitou-se brevemente e ficou imóvel.

Isso era um sentimento novo – como uma onda de fogo negro: a ira. Melkor ergueu-se, cerrando os punhos, endireitou-se e, jogando a cabeça para traz, gritou:

– Você… Único! Deixe-o! É fácil dominar aquele que é mais fraco; mas você tente – comigo!

E ele ouviu palavras vindas do nada, do vazio morto e gelado:

“Você disse”.

Ele esperou um golpe, uma dor – não havia nada. Lançando um breve olhar para o céu, ele ajoelhou-se ao lado do corpo estendido no chão, colocou a mão sobre a fronte de Aulë e ficou imóvel…

– …Venha aqui, pequena, – baixo e triste, estendendo a mão através das chamas. – Olha só como tudo se deu…

A pequena lagartixa de fogo voou para a sua palma, dobrou as asas e enrolou-se – pequeno coágulo de lava fria, só os olhos escuros olham com tristeza e culpa.

– Vai viver comigo, fazer o quê… Só que seria melhor se ele também fosse embora conosco, o que você acha?

A salamandra mexeu-se e piscou.

– Talvez, ele ainda junte coragem…

O Livro Negro de Arda – Capí­tulo 2

Continuamos a publicação da fanfic O Livro Negro de Arda, agora com o Primeiro Capítulo: O Coração do Mundo.
 
 
PARTE PRIMEIRA. O CORAÇÃO DO MUNDO
ASSIM ESTÁ ESCRITO NAS CRÔNICAS DOS FIÉIS

"No início era a palavra; e a palavra pertencia ao Criador…

E disse ele: "Ea! Que as coisas existam!" E surgiu o mundo. E o Único criou o céu e a terra, mas a terra estava deserta e vazia, e sombras pairavam sobre o abismo. Então ele enviou para aquela terra os Ainur, e disse-lhes: "Preparem esta terra para a vinda dos meus Filhos". Mas junto a eles, também foi a Arda o Inimigo do Mundo, Senhor do Escuro, pois ele desejou que Arda se tornasse seu domínio. E ele travou guerras com os Poderes de Arda, e a terra não conhecia paz.

Ele era, no início, o mais poderoso entre os Ainur, e o seu nome era Melkor, Aquele que se ergue em Poder. Mas ele perdeu o direito de ser nomeado assim, e o seu nome não é mais pronunciado em Arda. Ele voltou o seu coração para o mal, e Noldor, os que sofreram mais do que outros com a sua maldade, o chamaram de Morgoth – o Inimigo Escuro.

E ele pensava, insignificante, que o pensamento de Ilúvatar, o Criador de Tudo o que Existe, abandonou o mundo, e que não haverá retribuição para os feitos malignos dele. Mas não era assim, pois o espírito do Único pairava sobre o mundo e nada estava oculto dos olhos de Ilúvatar. Por isso, preocupado com o destino de Arda, Único enviou ao mundo um Poderoso Ainu, em auxílio aos outros. O nome dele era Tulkas, e os Grandes chamaram-no de Ira de Eru. E pela ordem do Rei do Mundo, Vala Manwë, Tulkas confrontou o Inimigo e o derrotou, e o Inimigo foi expulso do mundo e permaneceu no Vazio por muito tempo, não se atrevendo a retornar.

E hoje, em glória ao sábio Manwë, cujo rosto brilha com a luz da benevolência do Único, nos chamamos o primeiro dia do Mundo de Dia de Manwë, o dia em que o Escuro foi expulso do mundo.

E Ulmo – Senhor das Águas, criou os mares e os oceanos, e domou a selvageria das águas de Arda. É o nome dele que o segundo dia da Criação leva. Aulë, o Grande Ferreiro, domou o corpo de Arda, e criou montanhas e vales, e confinou as chamas que queimavam o mundo sob a terra. Aquele era o terceiro dia, e ele leva o nome de Aulë. Yavanna, esposa de Aulë, plantou as sementes das ervas e das plantas, para que florestas crescessem em Arda – alegria para os olhos do Criador. E era o dia de Yavanna – o quarto dia. E Aulë forjou as Lâmpadas dos Valar, e a Varda, Senhora das Estrelas, as preencheu com Luz. E o quinto dia recebeu o nome de Varda, Aquela que traz a Luz. E árvores se ergueram em Arda, e acordaram ervas e flores. Então Oromë, o Caçador, levou para o mundo os animais, e eles vagavam pelos vales e sob as cúpulas das florestas. E o sexto dia da Criação foi chamado de dia de Oromë.

Assim foram feitos a terra e o céu e todo o seu exército.

E os Valar olharam para o mundo e viram que isso era bom.

E até o sétimo dia, eles concluíram todos os trabalhos que eles estavam fazendo; e admiraram a beleza do mundo, e seus corações se alegravam. E o Único estava bastante contente. E no sétimo dia, então, Manwë convocou os Valar para um grande festejo na ilha de Almaren, e os Poderes descansaram dos seus trabalhos".

O Poder que subjugou o Um Anel

A historia que vou apresentar poderá ser contada graças a uma
descoberta de antigos pergaminhos de uma Era a muito esquecida, que por
algum motivo, magia é claro, se mantiveram intactos como se o tempo não
houvesse passado sobre eles.

 

 
Os pergaminhos contam praticamente todas as grandes historias da antiga Terra-Média e de seus heróis. Essas histórias foram escritas por um poderoso mago que lutou contra a sombra negra que se apoderava e crescia destruindo todas as outras civilizações que habitava a Terra-Média naquele tempo, como homens, elfos, anões e outros seres. Nelas o Mago descrevia todas as grandes aventuras, guerras, vitórias, derrotas, e diversos acontecimentos ocorridos em toda parte que influenciavam a vida de todos.

Boa parte dessas lembranças escritas pelo Mago hoje na nova Terra-Média não passa apenas por lendas até entre os mais velhos dos povos que ainda hoje vivem nela. Mas uma em destaque chamou a atenção dos descobridores. Era a história do temido monstro parecido com um humano raquítico que pegava criancinhas egoístas e malvadas, e levava para o rio mais próximo e as afogava. Essa história no começo pode parecer ridícula, mas mesmo quem dissesse que não acreditava sentia um maior calafrio toda vez que a ouvia.

Por algum motivo que não sei dizer o qual, provavelmente o medo de criança que eles tinham, acabou por resolver que essa seria uma das primeiras lembranças a se estudar. Após de toda a verificação nos pergaminhos antigos, que durou cerca de nove anos, pelo motivo que não eram simples pergaminhos como já lhes disse, eram mágicos, e sempre se descobriam trechos escondidos nas entrelinhas que mudavam a historia constantemente, reconheceram que todas aquelas histórias que pra eles eram lendas e contos para crianças, na verdade era a mais pura verdade. Assim tiveram a possibilidade de conhecer toda a grande história por traz da amada terra em que viviam e também a história que tanto os assustava quando crianças, a do maligno monstrinho.

Então vamos para a verdadeira grande historia, desta história que lhes conto. Uma história assustadora, mas mesmo assim boa de ser contada. E que por estudos se concluiu que nem o mago que agora sabemos que o nome dele era Gandalf contou toda a seus amigos.

Capitulo Um:

Tudo começou quando Gandalf estava à procura de Smeagol(sim esse era o nome do chamado monstro que todos tinham medo). Gandalf estava desesperado atrás dele para saber informações sobre um assunto de grande importância que no final das contas salvaria a Terra-Média do terror das sombras. O assunto era a respeito de um Anel, muito poderoso por sinal, e que agora estava nas mãos de um amigo seu, um hobbit (hobbits eram seres muito pequenos que ao ver parecem simples crianças). E por isso o mago queria entender como um Anel desse tipo parou na mão de um ser tão pacato como esse.

Passou muito tempo à procura do monstrinho até o achar com a ajuda de um grande amigo guardião. Encontrado e aprisionado o monstro em um vale perto das montanhas onde se escondia, Gandalf começou o interrogatório sobre o a história do Anel, já que o hobbit confessou que roubou o Anel de Smeagol em uma caverna nas montanhas onde muito tempo atrás tinha visitado-as em uma aventura com o próprio mago.

Por incrível que pareça Smeagol, que também era chamado de Gollum por alguns por causa do barulho que fazia com a garganta, contou toda a historia sem ao menos tentar fugir e brigar. Parecia que aquela história o fazia sofrer, mas ao mesmo tempo se sentia aliviado em poder compartilhar. Com o passar do tempo o mago e o guardião foram tendo um pouco de confiança no prisioneiro e o deixaram a vontade para que contasse o que sabia.

– Então vamos ao que nos interessa Smeagol ou Gollum como queira. – falou Gandalf rispidamente – Nos conte toda a história desde o achado até a perda de seu Precioso (era como Gollum se referia ao Anel). E prometa dizer a verdade.

– Sim, nosss promete dizer tudo, tudo sem esconder nada do mago bonzinho e de seu amigo esquisito. – disse chiando e olhando estranhamente para o guardião, mas de um jeito até gentil – Nos diz, diz ssim.

– Prossiga logo, não tempos a eternidade toda – falou o guardião – e não tente nos enrolar.

– Arrg… tudo começou há muito tempo atrás, muito tempo, no dia do aniversário do pobre Smeagol. Estava no rio com o… arch com o maldito Deagol. – falou nervosamente e cuspindo ao falar aquele nome – Ele achou o “precioso”, mas não quis dá para nós, mas era nosso direito, era nosso aniversário, ele tinha que ter dado, mas não, preferiu nadar no rio e morrer afogado, se é que vocês me entende. – nesse momento olhou de relance e desconfiança ao mago. – Era lindo meu “precioso”, como era. Lindo e mágico. Ajudava muito em descobrir os segredosss dos malditos que diziam ser minha família, gollum, gollum!

– Depois de algum tempo os malditos, mandaram o bom Smeagol embora, mandaram sim. – estava olhando pro céu que agora parecia em um véu negro sobre a Terra-Média – Andei muito ate encontrar um lugar onde as malditas bolas brilhantes do céu não nos achassem. Entrei na caverna e rastejei por todos os túneis, é rastejei, até encontrar um lago cheio de peixes gostosos, peixes bons aqueles, é sim. Smeagol ficou escondido por muito, muito longos anos, mas nunca deixava que o Cara Amarela nos encontrasse.

Assim Gollum foi contando todas as suas lembranças. Mas todos que tinham ouvido essa história do mago, já a conheciam ate este momento, mas a parte que vem a ser contada e que foi relatada por Gollum, ninguém soube além do mago e do guardião, que por amizade ao amigo prometeu nunca revelar o que sabia, nem por tortura. Realmente ele era um companheiro leal.

A noite já estava em seu auge, resolveram, portanto ir para perto da borda do vale para acampar, onde havia grandes árvores que serviriam para protegê-los de qualquer viajante encrenqueiro que por acaso passasse por perto. Após fazerem uma pequena ceia, que Gollum nem tocou por nojo da comida, por ser de origem élfica, do qual ele odiava, começaram a se aprontarem para dormir. Mesmo sentindo certa confiança os dois amigos decidiram dormir em turnos, com a desculpa de vigiar contra possíveis surpresas indesejáveis, mas na realidade estavam ainda com pé atrás com o convidado para passar a noite. E sabiam também da grande fama de Gollum ser um excelente estrangulador.

Já amanhecendo o Guardião que estava de guarda, se deparou com o sumiço de Gollum, e isso o espantara muito pelo motivo que nunca um prisioneiro tinha escapado de sua guarda. Mas o que ele não sabia era que Gollum com o passar dos anos vivendo em túneis escuros e perigosos das montanhas, tinha aprendido inúmeros truques de ser escapar de situações tanto quanto perigosas. Gandalf foi logo acordado pelo amigo, e foram logo a caçada novamente, mesmo sem tomar o desjejum.

Não demoraram muito até encontrarem pistas do paradeiro do fujam. Como todo guardião que se preze tem que dominar a arte de caçar e reconhecer pistas, esse não era diferente. Em uma caverna na borda do vale a uns 500 metros, mas em direção noroeste de onde eles estavam, encontraram a pista definitiva de onde Gollum estaria. Era uma pequena pegada em uma poça de lama. Adentraram mais ao fundo do esconderijo e acharam o que procuravam. Ele estava deitado e dormindo em uma pedra plana perto da parede da caverna.

– Levante! Seu tolo idiota. – disse Gandalf, quase saindo fogo pelas narinas por debaixo do longo bigode branco – Quem permitiu que saísse do acampamento?

– Mago bonzinho! Ssai para procurar algum lugar para esconder do nojento Cara Amarela, é sim. Ele já vai aparecer e denunciar Smeagol. Ele odeia o pobre Smeagol. – disse Gollum ainda se recompondo do susto que levara – Pobre Smeagol jura que avisa ao gentil Senhor Guardião da próxima vez, nos jura ssim.

– Não haverá uma próxima vez! – bravejou Gandalf – Mas já que estamos todos acordados, que era o que eu não queria após um dia tão cansativo a sua procura é claro, vamos dar continuidade a nossa conversa da noite passada – pronunciou tais palavras com uma afeição meio preocupada e sonolenta, e logo Gollum começou a falar.

– Após anos como já falei, vivi nos túneis das Montanhas Sombrias. – disse apontando para o Leste com seu repugnante braço com aparência morta, por não tomar sol há muito tempo – Dividindo muitas vezes o espaço com aqueles orcs encrenqueiros que vem sempre do Norte. Mass sempre que dava, Smeagol pegava um pelo pescoçinho asqueroso e o estrangulava… É mas não se podia desperdiçar uma carne tão boa – Gandalf e o Guardião se olharam por uns instantes com cara de que acabará de comer comida preparada por orcs – e Smeagol levava para o lago onde eles, ainda bem não tinham descoberto.

– Depois de um tempo foram ficando cada vez mais com raiva dos sumiços dos seus e resolveram fazer uma busca pelos túneis pra vê se encontrava o assassino de orc, o pobre Smeagol, é sim, vê se encontrava ele. È coitado do bom Smeagol. Mas eu ao contrario daqueles burros, sou maiss esperto, e com meu “Precioso” escapamos deles. – cada vez que falava sobre o “Precioso” ele olhava para a mão e a acariciava como se o Anel estivesse ali. – Com o tempo foram ficando com medo, medo de se aproximarem perto de mais dos túneis próximos ao lindo lago de Smeagol, orcs burros. – Gollum toda vez que pronunciava qualquer xingamento, arregalava os olhos esbugalhados para os outros dois – Mass com a ajuda do “Precioso” eu não tinha problemas de perambular pelos salões fedidos dos orcs e pegar suas crias.

Há essa hora o Sol já estava alto no seu, e iluminava modestamente o interior da caverna, por desgosto de Gollum, mas não se incomodou e continuou a falar. – Um dia quando Smeagol estava nessas caminhadas à procura de alguém “distraído”, ouviu a conversa entre duas orcs em um dos túneis que levava para os salões do chefe deles, – falou do tal chefe como se tivesse levado um soco no estomago – chamado por eles de Grão-orc. Sujeitinho que Smeagol não gostava, não.

– Sua peste maldita, eu vou arrancar sua cabeça com minhas mãos da próxima vez que você se exibir pro meu orc – disse Grinnac, uma orc grande e robusta, com a cara toda repleta de cicatrizes.

– O problema é seu que não segura o Zirac, e além do mais, ele prefere brincar com a gostosa aqui. – Grisha sempre fazia a questão de se exibir, já que entre os orcs ela era considerada muito bonita.

– Sua vadia! – Grinnac foi para cima da rival, ai começaram a se morderem, baterem até que o Grão-orc apareceu no túnel.

– O que está havendo suas malditas? – olhando-as severamente.

– Nada meu senhor. – responderam as duas, após se levantarem.

– Os três já tinham ido, mas o bom Smeagol ficou ali parado pensando na coisa mais linda, além do Precioso, que nós viu na vida. Grisha, o ser mais bonito que Smeagol já conheceu. – o gosto de Gollum não era lá essas coisas, mas ele suspirava como uma criança que acabara de ganhar um presente.

Gollum e o Guardião não perceberam, mas no momento que Gandalf ouviu o nome de Grisha uma nuvem negra pareceu passar pelo rosto. Aquele nome lhe trazia lembranças.

– Fiquei louco, louco é sim, por Ela. Agora Smeagol ia para os túneis apenas para vê se encontrava Ela. Depois de algumas semanas o pobre Smeagol apaixonado encontrou, finalmente, Grisha nos túneis mais externos e tomou coragem de falar com ela, é.

– Oi…

– Arc… Quem está ai? Eu sei que é você Grinnac. Apareça sua peste!

– Não. Não é aquela orc feia. – Gollum ao mesmo tempo em que pronunciava essas palavras, tirava o Anel do dedo, coisa que não fazia há muito tempo, e se apresentava para a orc. – Aqui é o bom Smeagol, é sim.

– Como apareceu de repente? È uma criatura élfica maldita? – falava morrendo de medo e raiva. – Vou pegar você e arrancar pedaço por pedaço desse corpo asqueroso.

– Não Smeagol odeia aqueles elfos, odeia, odeia. Te dei um susto, um susto daqueles, graças ao meu Precioso – uma coisa inacreditável, Gollum nunca tinha revelado a ninguém a existência do Anel. – Smeagol quer te conhecer, é sim.

– Ela ainda estava desconfiada. Como e de onde veio essa coisa? Era a pergunta que ela devia está se fazendo. Ela ficou bastante assustada, mass uma coisa chamou a atenção dela, o Precioso que estava na minha mão. Sss…

– Uhum… Não sei… Mas então, o que é esse anel ai?

– Ah, é um presente que Smeagol ganhou ainda jovem no aniversário dele, no aniversário. – Gollum decidiu não contar a verdadeira história por medo, por não saber qual seria a reação de Grisha.

– Ouvimos então barulhos de passos se aproximando, tratei de colocar o “Precioso” no dedo. Grisha ficou parada no meio do caminho esperando para vê quem era, e não contou sobre Smeagol com ninguém.

– Grisha o que está fazendo aqui? Você sabe que está tendo um conselho nos Salões com o Grão-orc.

– Eu já estava indo. E você Matûrz, porque não está lá? – Matûrz era um orc bastante grande para a raça dele e muito forte, e era muito leal ao Grão-orc. Se é que possa existir lealdade verdadeira entre os orcs.

– Eu fui ordenado a ficasse de guarda na área dos túneis próximos aos portões de saída. Mas eu não preciso ficar te dando satisfação! Vá para a reunião ou então ficará sem ração por um mês, para aprender a não ser intrometida.

– Está bem, eu vou. Seu puxa-saco. – e saiu correndo antes de ouvir qualquer resposta.

– Matûrz continuou sua vigilância pelos túneis e o bom Smeagol viu que não iria mais encontrar a linda orc novamente nesse dia, ai nós resolveu voltar para o lago.

A essa altura o Sol já avisava que estava na hora do almoço. O mago e o guardião decidiram que Gollum podia ir ate o riacho mais a frente e um bosque, que se formava com a água que escorria pelas montanhas, para arranjar alguns peixes para comer. Os dois já sentiam que tinham confiança o bastante em Gollum e aproveitando a saída o Guardião comentou sobre as histórias que tinha ouvido.

– Isso explica o sumiço desse Anel por tantos anos, mas…

– Mas nada! Vamos esperar esse verme voltar e continuar com a história, Ele não disse como perdeu o Anel d’Ele – disse tais palavras como se o guardião tivesse ofendido-o. – Desculpe querido amigo, mas não agüento mais ficar pensado nesse Anel e no verdadeiro dono dele.

– Está bem. – disse o Guardião ainda surpreso com o acesso de raiva do mago.

Haviam passado um pouco mais de meia hora quando Gollum voltou para a caverna no vale. – Smeagol já voltou, é sim, os peixess ficam mais escorregadios com a luz, mas Smeagol pegou muito até se sentir cheio. Deviam provar um pouco de peixe cru, é melhor do que a comida desses elfos nojentos. – disse ele, todo feliz.

– Pare de embromação e termine de uma vez por todas de contar essa história.

– Esstá bem, meuss amigoss. – chiou ele, e desta vez Gollum tinha ficado um pouco irritado com as palavras do mago. Os magos são seres muito sábios, perspicazes e a maioria são pessoas muito boas, mas não tinham muito controle sobre as palavras em momentos angustiantes, tensos e preocupantes. Assim era fácil “estourarem” e começarem a tratar os que estão próximos com pouca gentileza; e Gandalf não era diferente. – Smeagol também já está bastante irritado e quanto antes isso acabar mais perto chega à hora de vocês deixarem nós em paz.

Gollum mesmo chateado e louco para ir embora, não parou de contar, sabia que se sentiria melhor desabafando. – Demorou mais uma semana para que Smeagol encontrasse Grisha, é demorou muito. Na verdade foi ela que foi até o lago de Smeagol, foi sim. Mass ela tinha ido para pedir um favor, favor para Smeagol; Ela queria o Precioso emprestado, falando que era para se esconder do maldito Grão-orc. – Gollum ficava com olhos cada vez mais severos. – E Smeagol não podia negar o pedido de Grisha, mesmo que tivesse de ficar sem o Precioso por algum tempo. Mass o pobre Smeagol não ssabia que ficar sem seu presente era tão ruim. Então não agüentamoss mais e fomos atrás da orc horas depôs. Foi ai que Smeagol mesmo sem o “Precioso” conseguiu por acaso, é acaso, ouvir a conversa de dois orcs que falavam de uma coisa muito interessante, é.

– Você tem certeza que viu ela passando e indo para fora pelo portão?

– Quantas vezes preciso repetir Barac? Ver eu não vi, mas sei que ela passou por ali. Não sei como já que eu estava de guarda o dia inteiro, mas passou. Eu sinto o cheio daquela fêmea a milhas de distância.

– Ainda duvido do que você está me dizendo Hosh. Mas e então, vai contar essa história para o Chefe?

– Nem eu nem você vamos abrir o bico. Já penso o que ele faria com nós se falássemos alguma coisa que seja da orc número um dele? – disse quase sussurrando, e olhava para os lados constantemente. – Ele iria nos matar e cortar membro por membro e mandar para aqueles Wargs malditos que vivem na floresta, ou ainda pior, amarrar a gente vivos e deixar para eles. E tem mais uma coisa, aquele língua-solta do Gazat me disse que ontem quando estava fazendo a vigilância lá em cima da encosta oeste, viu ou pensou ter visto um sujeitinho barbudo, e como a ordem é matar todos que se aproximar, ele atirou uma flecha e antes dela acertar, o sujeito desapareceu. Então ele mandou um grupo pra ir lá verificar, e o grupo não voltou. E já que ele não queria ser culpado por deixar escapar um suspeito e por perder um grupo, resolveu não comentar nada disso com o Grão-orc, se não seria morto.

– Mas você acha que esse sujeitinho tem haver alguma coisa com a orc e com o sumiço dos outros?

– Não sei e não quero saber. E vamos deixar esse assunto de lado e irmos para os Salões. – disse o Hosh.

– O bom Smeagol escutou tudo, mas decidiu voltar para o lago e não arriscar a andar mais pelos túneis cheios dos orcs malditos, até a linda Grisha devolver o meu “Precioso”. – dessa vez o Guardião percebeu que Gandalf estava ficando cada vez mais agitado, mas não demonstrou que tinha percebido.

– No dia seguinte Smeagol esperou, esperou ansioso pela volta da minha “Preciosa”, – já estava tratando Grisha do mesmo modo que tratava o Anel. – até a Cara Branca aparecer. Mass Smeagol sabia que ela iria voltar. Passou algum tempo e ela apareceu,

– Smeagol meu querido, não fique com ódio de mim. – disse e entregava o Anel para Gollum, que por sua vez o pegou rapidamente. – Por sua ajuda você merece um prêmio… – e na opinião de Gollum foi a melhor noite que ele teve na vida. Arc.

– Smeagol ficou se encontrando durante meses com Grisha sempre que podia. Um dia ela veio e disse que estava grávida do Smeagol, é grávida, e depois saiu correndo e não voltou mais, nem pra falar com o nós. Com o Precioso Smeagol foi procurar ela mais uma vez. – disse ele apertando uma pedra na mão. – Depois de procurar muito Smeagol conseguiu chegar ate os Salões onde viu ela falando com aquele chefe deles e consegui ouvir o que eles estavam dizendo.

– Está cuidando direito de meu filho? Ah se não estiver… Quero que este ai que você diz ser meu filho, seja se um dia for capaz, meu sucessor. – disse o Grão-orc sentado em uma cadeira de pedra grosseiramente esculpida, já que nada que é feito por mãos orcs possa ser considerado bonito de alguma forma.

– Sim meu senhor. Seu filho que carrego parece bem, – disse ela – e fico feliz por sua preocupação e…

– Preocupação? – gritou furiosamente. – Não seja idiota. Só quero ter certeza de que ainda carrega a cria. Porque se não, eu iria lhe mandar para os lobos, já que não presta nem para segurar um cria e servi de reprodutora. – e cuspiu na cara da orc.

– Smeagol ficou com ódio dos malditos e principalmente dela. Ela traiu, traiu, traiu o pobre Smeagol, arch. Ela é como todos aqueles outros, gollum, gollum. – agora Gollum ficara atordoado de raiva e inquieto, mas novamente prosseguiu. – O traído Smeagol saiu gritando, ninguém podia ver nós, mas todos aqueles orcs burros escutaram e começaram a correr pelos buracos que eles fizeram por toda a montanha. Mas nós foi mais esperto e não pegaram Smeagol.

– Nós já tinha chorado muito, muito quando ela apareceu no lago, Smeagol teve vontade de estrangula, estrangular, é! Mass… Ela dissse que o miserável cria dela não era do orc. Nós ficou até melhor, mass ai de novo ela dissse que não era do Ssmeagol. – chiava de raiva.

– O filho não é do Grão-orc, mas também não é seu meu Smeagol. – falava e chorava ao mesmo tempo.

– É daquele ssujeitinho barbudo, não é, não é? Sua pesstes miserável, nós odeia você.

– Sim, é, mas… – Gollum pulou na orc e começou a estrangular e a matou com a cria junto na barriga dela.

E você meu Precioso? Você traiu o Smeagol deixando ela ir ver aquele canalha sem os outross ver ela, gollum, gollum. – gollum pegou o Anel e atirou na escuridão do túnel a frente, e em seguida puxou a orc morta com as mãos e a jogou dentro do lago. Logo depois começou a escutar os barulhos dos orcs entrando pelo túnel e foi se esconder, e com a passagem deles o Anel foi sendo levado para as profundesas da montanha. Após chegarem ao lago encontraram Grisha morta. Trataram então de levá-la para o chefe, e nunca mais foram ali.

– E foi assim que perdi o Precioso, de que sinto falta, falta é sim, e também foi assim que fez aquele hobbitizinho maldito, aquele Bolseiro achar o meu Precioso anos maiss tarde, e roubar Ele do pobre Smeagol com uma trapaça nass adivinhas. “O que eu tenho noss bolsoss”… Aquilo não era uma adivinha, ele nóss enganou, é enganou sim. – e finalmente Gollum tinha terminado a história, e apesar da raiva de contá-la, se sentia aliviado.

– Pornto, Smeagol já conto tudo que sabia, e agora nós quer ir embora e nunca maiss olhar para a cara nojenta de vocês. – a noite já chegara e para Gollum seria uma boa hora de ir embora.

– Mas agora vocês vão ouvir minha história. – disse Gandalf.

– Gandalf? – falou o Guardião bastante surpreso.

– Smeagol não quer ouvir nada, nós que é ir embora. – disse Gollum. – Vocês disseram para Smeagol que ia deixar ele ir embora se contasse o que queriam!

– Sim, eu disse. Mas creio que é meu dever contar para você o que sei. Por isso espero que fique e ouça. – falou olhando de um jeito instigante. – O que vou contar vai lhe esclarecer muita coisa. E surpreender também…

Gollum olhava desconfiado para Gandalf, e aquilo que o mago tinha lhe dito o tinha chamado a sua atenção. – Hum… Está bem, nós fica, mas depois Smeagol vai.

– Como quiser. – Gandalf tomou fôlego e começou. – Há muitos anos atrás eu estava viajando por essas terras para saber noticias do Necromance, e saber o que ele estava armando. Quando em uma noite fui atacado por um grupo de orcs, consegui com um pouco de dificuldade acabar com todos, menos uma. Essa eu não sei o porquê mesmo sendo um poderoso mago, não consegui matar. Olhei para seus olhos e ela para os meus. Estava bastante assustada, então desisti de matá-la e resolvi conversar. – Gollum ao ouvir falar sobre uma orc, já se demonstrava cada vez mais interessado. – No começo ela não quis dizer muito só falava que os outros iriam vim para saber o que tinha acontecido. Eu por não entender comecei a tratar seus ferimentos, e logo que terminei, ela então começou a ter confiança em mim e eu nela.

– Conversamos por um bom tempo. Ela dizia coisas sobre o Grão-orc e respondia o que eu perguntava sobre a influência do Necromancer tinha para aqueles lados da região. Após um tempo ela se foi e combinamos de nos encontrar no dia seguinte. Esperei-a durante metade do dia escondido em uma gruta não muito longe da borda da mata. Já achando que ela tinha desistido, eu já estava me aprontando para rumar para o Sul, quando ela apareceu de repente, na hora não entendi, mas após ouvir sua história, agora sei que ela estava usando o Anel. Sim Gollum era Grisha, a sua Grisha. – Gollum a essa altura tinha percebido de que ele era o sujeitinho com que Grisha tinha o traído, e estava cheio de raiva e não estava mais se contendo, e avançou em cima do mago. Na hora o guardião pulou na frente e sacou de sua bolsa uma corda e amarrou Gollum na pedra. Enquanto isso Gandalf ficava apenas sentado olhando e ouvindo os xingamentos.

– Seu mago maldito, maldito, roubo Grisha do pobre Smeagol, roubou sim. Por quê? Nós vai pegar você e matar, arrancar sua cabeça e enfiar em uma estaca, Smeagol vai sim.

– Amarre a boca dele, porque se não, não vou conseguir termina minha história. – disse Gandalf para o guardião, que por sinal estava tão surpreso quanto Gollum.

– Sim, sim… – disse o Guardião

Após amarrado e a boca fechada Gollum se conteve e parou de se debater na pedra e tentar gritar. Ele sabia de que de nada adiantaria, estava muito bem amarrado. Gandalf vendo que Gollum não poderia mais atrapalhar continuou de contar a história. – Como eu estava dizendo, eu já estava me aprontando para seguir em viajem quando ela apareceu. Conversamos muito a noite toda, vi que ela não era uma orc como os outros de sua raça, e tive uma das melhores noites das minhas trezentas vidas humanas que já passei nesta terra. Fiquei com ela no dia seguinte o tempo todo, e quando chegou à noite novamente ela teve que ir para não chamar a atenção, mas combinamos de sempre nos encontrar quando eu passasse ali. Eu viajava praticamente todos os meses para aquela região e sempre arrumava um jeito que ela soubesse que eu estava a sua espera. Mas uma vez ela disse que estava esperando um filho meu, eu não tive o que pensar, um velho mago como eu que tinha uma reputação a zelar não poderia ser visto com uma orc. Então mesmo sabendo que eu estava fazendo a coisa mais errada de minha vida, fui embora e não mais voltei àquela região até na viagem com os anões e Bilbo.

– Então contei a minha história e ao ouvir a sua tudo se encaixa. Não vou dizer nada sobre a morte de Grisha e de meu suposto filho, que você matou. Mas agora decide que você não pode ficar a solta com esse segredo e, portanto você ira conosco até a Floresta das Trevas, onde amigos meus iram vigia-lo, mas creio eu que nem você vai querer comentar isso com mais alguém. E também espero que você grande amigo nunca contem o que ouviu para mais ninguém, e que essa história não interfira em nossa longa amizade. – dizendo isso Gandalf e o Guardião se levantaram e começaram a se aprontar para dormir, e logo no começo do dia seguinte iriam rumar para o norte.

Aqui termina a história da qual retiramos dos antigos pergaminhos do Mago. E como disse, a existência desta história foi guardada em sigilo por muito tempo, para que ninguém soubesse, por enquanto.

 
FIM
 
Comentários do Autor:
P.S. – É minha primeira fanfic, então me desculpem se houver erros, ou alguma coisa a mais.
P.P.S – Eu sei que deve ter sido um pouco difícil tentar imaginar um orc fêmea, e ainda por cima bonita.
P.P.P.S. – Para que essa história soe bem, vocês precisam imaginar mesmo que tudo que esta aqui possa acontecer. E não vou agüentar ouvir aquelas criticas de que, “Gandalf nunca faria isso”, “Gollum nunca se desprenderia de seu Anel”. Por isso, imaginem.