19 de junho de 2013

A Temperança: Como Chegar ao Equilí­brio Interior

I) Introdução Ao procurar mostrar o espírito das leis, no que inspiraria futuramente Montesquieu, Platão, em sua obra sobre As Leis, coloca no Estado Espartano o mais próximo do ideal de Estado, pela sua preocupação educacional. Porém, critica-o, pela forma da educação ministrada, num diálogo entre um espartano e um cretense, contestados por um ateniense, que estava de passagem por Creta. O contexto é a fundação próxima de  uma colônia cretense, perguntando-se quais as melhores leis para regê-la. A base das respostas é a poesia de Tirteu, que coloca como dever supremo do … [Leia mais...]

Os Contos de Fada e a Sanidade Mental: A Visão de G. K. Chesterton e J. R. R. Tolkien

Vida de juiz de Corte Superior. Estressante, quer pela quantidade de processos a resolver, quer pela responsabilidade de não se cometer injustiça ao deslindar os casos mais complexos. Perto de 50 processos a despachar por dia, cifra humanamente impossível de se dar conta, sem (ou mesmo com) uma assessoria qualificada e numerosa, em torno de 25 gabaritados bacharéis, mas que devem ser formados ad mentem judicem. Sessões longas de julgamento, em que nem sempre todos os elementos dos autos são dominados pelo julgador. E atendimento a advogados, que buscam convencer de que a razão está com … [Leia mais...]

Fortaleza e Coragem: Do Que Temos Medo?

1) Introdução Quem não tem medo de nada? Quem nunca sentiu as pernas trepidarem diante de uma situação real ou imaginária de perigo? Nas Aventuras de Asterix (conhecida estória em quadrinhos de Uderzo e Gosciny), os bravos gauleses eram comandados pelo destemido chefe Abracurcix, que, no entanto, tinha um único temor: Que o céu lhe caísse sobre a cabeça... Na minissérie “Band of Brothers”, dirigida por Tom Hanks e Steven Spilberg (2002), que conta a história de uma companhia de paraquedistas americana na 2ª Guerra Mundial – a Easy Company –, comandada pelo intrépido … [Leia mais...]

Ética das Virtudes x Ética dos Deveres

1) O Debate Ético Moderno É comum a preocupação atual pela defesa de padrões éticos na atividade política, administração pública, prestação jurisdicional e gestão negocial, diante de tantos escândalos que vêm à tona e mostram uma moral de fachada e uma conduta corrompida e corruptora em todos os níveis sociais. O que diverge, no entanto, são as opiniões acerca de quais seriam esses padrões éticos a pautar a conduta pessoal e social. Quando se fala de 'Ética', fala-se, a rigor, de muitas 'éticas', cada qual com suas exigências e destravamentos. Alasdair MacIntyre, ao … [Leia mais...]

A Esquizofrenia da Modernidade

Há um personagem na saga de ''O Senhor dos Anéis'' de J.R.R.Tolkien (publicada em 3 volumes durante os anos de 1954 e 1955) que simboliza cabalmente o dilema da alma humana quando confrontada entre o querer e o dever, considerado o primeiro como aquilo que é apetecido pela vontade e o segundo como aquilo que é visto como apropriado pela inteligência. Esse personagem se chama Sméagol ou, como passa a ser conhecido após se apoderar do Um Anel (ou Anel do Poder) e com ele destroçar sua vida, Gollum. Para quem assistiu à versão cinematográfica da obra tolkieniana (filmes de 2001, 2002 e … [Leia mais...]

Prioridades

A grande decisão estratégica dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial não foi o desembarque na Normandia no Dia-D, nem o bombardeio massivo das cidades alemãs com os B-17 e B-24 para forçar uma rendição, nem o uso da Bomba Atômica contra os japoneses em Hiroshima e Nagasaki, mas a decisão de, mesmo tendo entrado na Guerra em face do ataque japonês a Pearl Harbour, perceber que o inimigo principal a ser derrotado era a Alemanha Nazista e que deveria concentrar os principais esforços, mesmo tendo de combater em duas frentes, no teatro de guerra europeu (cfr. Louis Morton, … [Leia mais...]

Reflexões sobre a Liberdade

I) Introdução – Uma Imagem Mais do que “O Senhor dos Anéis”, a menina dos olhos de J. R. R. Tolkien foi “O Silmarillion”, obra que começou a conceber em 1917, nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, mas que não pode ver publicada, pois lançada apenas em 1977, após sua morte, ocorrida em 1973. Nela, Tolkien apresenta, em toda sua beleza poética, uma visão singular da origem do mundo, em que Deus (Eru ou Ilúvatar) cria seres inteligentes e livres e lhes propõe um tema de música para desenvolver, pelo qual irão construindo o mundo. Todo o desenvolvimento dessas duas … [Leia mais...]

Acaso ou Providência na História?

1) INTRODUÇÃO Há um plano pré-concebido de desenvolvimento da história humana ou tudo é fruto do acaso? Se houver uma “Providência” dirigindo os destinos humanos, onde fica a liberdade? Estas são questões que inquietam o ser humano desde os primórdios de sua existência e mereceram diferentes respostas ao longo dos séculos. Trata-se de perquirição sobre o próprio “sentido” da História: há um sentido norteador do caminhar humano sobre a Terra? Neste singelo estudo, apresentaremos as várias respostas à questão, fixando-nos, no entanto, na tradição agostiniana, e … [Leia mais...]

A "Comunhão dos Santos" na obra de J. R. R. Tolkien

Há uma verdade da fé católica que permeia toda a obra de J.R.R. Tolkien, talvez não percebida claramente pelos seus leitores cristãos, que é a “Comunhão dos Santos”. Colin Duriez, em seu “J.R.R. Tolkien Handbook”, lembra:          “Tolkien is particularly concerned with time, and Christian apocalyptic. That is, his theme is to reveal the essencial meaning behind human history. Pre-eminently like the biblical Book of Revelation, he is concerned to bring hope and consolation in dark and difficult days” (Baker Books – 1992 – Michigan, pg. 59). Com efeito, a … [Leia mais...]

O Heroí­smo do Cotidiano

De todas as sagas que engalanam a Literatura Universal, cujo argumento central seja a luta cósmica entre o Bem e o Mal, nenhuma delas parece colocar tão de relevo que o segredo da vitória esteja na humildade quanto “O Senhor dos Anéis” de J. R. R. Tolkien. Entre todos aqueles personagens que se envolvem na Guerra dos Anéis, dois grandes heróis se destacam notoriamente: Frodo-dos-Nove-Dedos e seu fiel companheiro, Sam Gamgee, dois simples hobbits do Condado, as criaturas racionais mais pequenas e indefesas da epopéia tolkiana. Quem poderia esperar, ao ler a obra-prima de Tolkien, … [Leia mais...]