Um Antigo e Mais novo Inimigo da Terra-média – Cap. 16

FUGA E INCERTEZA 
Finalmente Dargorot tinha se revelado e se mostrado ainda mais poderoso do que todos imaginavam. Parece que a máxima, quanto mais velho mais poderoso é o dragão, tinha, de uma vez por todas, se confirmado. Pallando, Eomer, Elor, Halmá, ainda desacordado, e os demais sobreviventes, chegaram finalmente à passagem secreta. Esta era escavada por dentro das Montanhas Brancas, por obra dos anões, a pedido do Rei Aragorn Elessar desde que assumira o agora, Reino-Reunido de Gondor. O projeto tinha como objetivo facilitar uma possível fuga de soldados que por ventura teriam que defender o Forte da Trombeta, tendo em vista este ser facilmente cerceável devido a sua localização, como se fosse um prelúdio do perigo que agora acometia a Terra-Média, sendo assim sua função tinha se confirmado, as mulheres e crianças que escaparam primeiramente antes do ataque dos goblins tinham chegado em segurança a Édoras, e agora os remanescentes soldados trilhavam o mesmo caminho, porém com uma maior cautela e medo profundo de que essa passagem fosse descoberta antes de chegarem à saída.
 
Os que não a conheciam observavam atentamente e se perguntavam, como uma obra feita pelos anões seria ainda tão rústica e primitiva, a passagem não lembrava em nada a arquitetura anã e muitos tentaram compará-la a Moria, mas nada de semelhante se via. Era uma passagem estreita, com três metros de altura por dois de largura, as paredes eram mal acabadas, água escorria por elas e pingava nas cabeças dos soldados quando passavam. Os passos eram cautelosos, pois muitos buracos tinham no chão e não se via se eram profundos ou não, e no teto, vigas pontiagudas pareciam apenas esperar o momento certo para desabar sobre eles. Insetos caiam constantemente em suas cabeças e seus ombros, aranhas, centopéias, às vezes as teias das aranhas ficavam presas as suas cabeças, morcegos ficavam pendurados nas paredes e revoavam para todos os lados com seu chiado, que na caverna se tornavam gritos. Do teto um pingo atingiu Halmá no rosto fazendo-o acordar assustado, ele logo perguntou tudo o que tinha ocorrido aos demais sem moderar a voz que ecoava como um grito ainda maior que os chiados dos morcegos.

-Fale baixo Halmá! O silêncio tem que estar sempre presente para que não chamemos atenção. – disse Elor sussurrando.

Logo ele foi posto no chão por Elor e ainda meio tonto teve que ser apoiado.

Todos estavam com medo e assustados, os pingos e os passos dos cavalos ecoavam pela caverna atingindo o silêncio mortal que ali reinava. A sombra parecia crescer a cada passo e envolver os soldados com o terror e o desespero, então Pallando criou uma pequena luz que emanava de seu cajado para que a caminhada se tornasse mais segura e menos incerta. Em suas mentes duvidas brotavam como água de uma nascente: “será que chegaremos vivos?” "Os goblins descobrirão a nossa passagem e nos perseguirão por essa estreita caverna?” “A saída, será que esta sendo vigiada por eles?” Mas ninguém tinha coragem de falar nada, não queriam que as poucas esperanças de chegarem vivos se extinguissem de vez.

Eles se olhavam constantemente, tentando ver nos olhos uns dos outros, uma expressão que não fosse medo e incerteza, até mesmo Eomer e Pallando estavam com a fisionomia abalada, logo eles, que durante o combate, instigavam os soldados a lutarem por suas famílias, pela suas terras e pelo seu rei.

Naquele momento parecia que palavras não serviriam de nada, as faces dos soldados mortos estavam estampadas na mente desses homens. O poder de Dargorot parecia inderrotável, mas eles continuavam caminhando cada vez mais apressadamente, queriam chegar logo a Édoras, primeiramente para escapar dos goblins e logo em seguida descrever o quão devastador foi Dargorot para Faramir e Eowin, de modo que conjuntamente com o Rei Aragorn Elessar tomassem providências urgentes em prol da população.

Eles seguiram e, depois de caminharem por algumas horas, encontraram um leve feixe de luz, acima de uma pequena rampa, as paredes mudavam conforme eles se aproximavam, pareciam terra com pedras e não mais pedras como anteriormente, o solo tinha se tornado mais fofo e silencioso e as paredes parecia mais frágeis. Eles seguiram a rampa e juntos empurraram a pedra que antes não existia e que agora impedia a saída, Pallando estranhou um pouco, mas logo pensou que tinha sido obra dos próprios soldados que escoltaram as mulheres e as crianças até a saída e por segurança puseram essa pedra aí.

Assim que empurraram, a luz do Sol finalmente adentrou na sombria caverna, seus olhos doeram instantaneamente, mas aos poucos foram voltando ao normal e ao subirem se depararam com uma grande árvore.

-Finalmente saímos do túnel, e o dia esta claro e azul, goblins não gostam muito da luz, é a nossa chance de seguir e rápido para Édoras, cada cavalo pode levar duas pessoas para facilita nossa chegada, senhor Pallando venha comigo. – Disse Éomer.

Após se organizarem seguiram para a capital dos Rohirram olhando para todos os lados e atentos. Caminharam durante muito tempo e quando a noite se aproximava viram o palácio dourado de longe, reluzente com a pouquíssima luz do sol que ainda restava, apressaram o passo e quando chegaram foi dado o sinal. Do palácio desceram Allatar, Faramir e Eowin com alguns soldados e rapidamente as pessoas começaram a se amontoar ao redor deles curiosos para saber do resultado da batalha, Pallando estava exausto e foi levado por Allatar para o Palácio. Faramir dirigiu-se a Eomer, este rapidamente falou:

-Lutamos bravamente senhor Faramir, mas não resistimos, eram milhares de goblins, e ainda por cima, Dargorot… O tão falado dragão de outrora, que achávamos que os anões tinham matado, está vivo senhor e mais poderosos do que nunca…Ele acabou com nosso exército, o senhor Pallando tentou enfrentá-lo, mas sozinho não podia contra ele, e essa comitiva é a única que sobreviveu, elfos chegaram fugidos dos goblins dentre eles Elor, que foi o único que sobreviveu na batalha…

-Eowin, – disse Faramir, – acomode os demais, ainda quero conversar com Elor e Eomer no palácio.

Eowin levou os soldados, contudo, Faramir, Eomer e Elor dirigiram-se para o palácio sob os olhos curiosos do povo.

Ao chegarem ao palácio, os três sentaram-se numa grande mesa em uma das salas internas, bandeiras verdes com o símbolo do Rohirrins estavam em toda a parte juntamente com tochas para iluminar o ambiente, percebia-se uma arquitetura diferenciada, era uma mescla de madeira com pedras que pareciam douradas com o reflexo das tochas e, assim como a grande maioria dos palácios, possuía várias colunas nas laterais da sala.

Na mesa, Faramir indagou Elor sobre Valfenda, e este lhe disse que esta fora completamente tomada pelos goblins. Tentaram resistir, mas eram poucos, portanto fugiram para o Forte da Trombeta, porém quando passaram por Moria viram que lá, era de onde a grande quantidade de goblins saia e que o Forte da Trombeta para eles seria o local mais seguro, logo em seguida descreveu o combate e a fuga.

- Faramir, – disse Eomer. – nós seremos os próximos alvos, Édoras está no foco de Dargorot, isso é inegável, ele vem dominando importantes pontos estratégicos, não resistiremos quando ele vier com todo o seu poderio militar como fez com o forte da trombeta!

Faramir parou por alguns minutos perdidos em seus pensamentos, e voltando a realidade falou:

-Elor, você disse que Moria parece ser o esconderijo dessas criaturas não foi? Os soldados de Moria não são infinitos, tenho um plano arriscado e ousado, mas preciso consultar o Rei Elessar acerca dele, não falarei agora, afinal nós todos estamos precisando descansar.

Nesse momento Eowin já chegava com Allatar.

-Eowin, prepare minhas coisas, amanhã irei para Gondor falar com o Aragorn, Elor irá comigo, a situação é grave temos que agir!

-Eu quero ir com você meu amor, não quero me tornar uma simples coadjuvante nesta guerra, meu povo precisa de mim, e em memória de meu tio se necessário lutarei como lutei nos campos de Pellenor e protegerei meu povo! – o olhar da bela princesa parecia aflito, mas, ainda assim, ansioso por nova batalha.

Faramir sorri e continua, – Você é uma mulher de fibra, amanhã partiremos para Gondor. – Virando-se para Eomer. – Você será meu substituto temporário Eomer, cuide de Édoras como seu tio cuidaria se estivesse vivo! Oh príncipe de Rohan

-Farei isso Rei de Rohan!. – E se curvou.

Todos então se retiraram para seus aposentos. A noite estava fria, porém muito estrelada, as pessoas aos poucos se dirigiam a suas casas, apagando suas tochas, soldados se posicionavam nas muralhas, sempre atentos a qualquer movimentação, afinal, o inimigo estava às portas. Porém, naquela noite, nada ocorreu.

Mais um dia chegou e a aurora reluziu nas janelas do palácio, Faramir, Eowen e Elor já estavam prontos, montaram em seus cavalos e partiram para Gondor. Eomer por sua vez, tratou conjuntamente com Pallando em repassar a população a situação. Grupos de Rohirrins foram enviados para buscar mais soldados espalhados e trazê-los para Édoras e outro grupo ficou incumbido de fazer a segurança de Faramir, Eowin e Elor. Eram mais de duzentas milhas e alguns dias de caminhada. Faramir sabia que os Goblins não atacariam tão cedo, tinham perdido muitos soldados apesar de terem ganhado a batalha, mas sob o comando do inteligente Dargorot, eles não tentariam uma tática suicida, pelo contrario, esperariam, se reagrupariam, até que o momento certo chegasse, e assim atacariam Édoras com toda a força, como fizeram ao Forte da Trombeta. Isso ocorrendo não haveria defesa, principalmente se Dargorot decidisse agir em conjunto com suas tropas.

No caminho para Gondor, Faramir, Eowin, Elor e sua comitiva de soldados seguiam atentos, pela estrada norte-sul, beirando as montanhas brancas pelo folde leste, cruzaram o córrego de Mering atingindo a região de Anórien.

A pressa não lhes permitiu acampar como se deveria numa viagem dessas, mesmo assim, seguiram firmes com os melhores cavalos da terra-média, forçando-os um pouco mais, e esses não hesitavam, pareciam que quanto mais corriam mais forças tinham. Assim seguiram cruzando Anórien, ainda beirando as montanhas brancas até ao longe se via a imponente cidade de Minas Tirinth e depois de mais algumas horas caminhando vindos de Édoras, adentraram a noite e chegaram numa bela manhã.

A comitiva de Faramir se aproximou dos portões, que rapidamente foram abertos e Faramir seguido de sua comitiva adentrou nos círculos de Minas Tirinth. Seguiram até o palácio perseguidos por olhos atentos, todos viam o Emblema dos reis de Rohan em suas vestes, e alguns até se curvaram diante dele, enquanto seguia cumprimentava as pessoas com gestos. Finalmente atingiram o mais alto e último circulo, durante o caminho observaram a arquitetura e a beleza da Cidade Branca, parecia que ela estava ainda mais bonita do que da ultima vez que tinham vindo, o povo parecia muito mais alegre e mais bem vestidos, crianças brincavam correndo de um lado para o outro, parecia que nada sobre os goblins tinha sido dito.

As portas do palácio, foram recebidos pelo rei Aragorn Elessar, sua bela esposa Arwen Undomiel Elessar e Radagast “O Castanho”, ambos os olhavam com apreensão, afinal era uma visita surpresa. Após se cumprimentaram, conforme adentravam no palácio, a preocupação na face do rei de Rohan era visível.

-Percebo que um grande peso o acomete Faramir, porém temo que esse peso seja demais para todos nós. Diga-nos se é Dargorot o grande culpado. – a voz da Estrela Vespertina soava musical dentro da mente atordoada de Faramir.

-Você está certa Arwen, sua sabedoria élfica, parece não tê-la abandonado mesmo depois de tudo que ocorreu. – Disse Faramir fazendo uma reverência.

-Meu rei, a nossa…

-Não precisa me tratar dessa forma Faramir, deixe as formalidades, somos amigos tempo suficiente para que nos tratemos de igual para igual.

Faramir olhou para Aragorn e um leve sorriso apareceu em seus lábios.

-Vejo que a humildade continua a mesma, apesar de tudo, meu amigo… Mas agora, essa humildade precisa se converter em comando, mais do que nunca precisamos de um plano para parar o avanço de Dargorot… Ele vem devastador Aragorn, tomou o forte da Trombeta e seus olhos sem duvida dirigem-se a Édoras, seu próximo alvo, temo que não poderemos resistir, nem devamos arriscar enviar soldados para proteger Édoras e enfraquecer Minas Tirinth, devemos formar grandes caravanas e trazer todos para cá e aqui mais uma vez devemos decidir o nosso futuro.

Aragorn baixou a cabeça respirou fundo e falou:

-Faramir, temo que Dargorot não seja o único de nossos problemas…

Todos se agitaram com essa noticias, a expressão de Faramir, Eowin e a comitiva se tornou profunda e escura como o céu durante uma noite, e o terror emanou de seus olhos.

-Mas como Aragorn! Do que você está falando?

Radagast então interveio…

-Não sabemos ao certo do que se trata, mas nossos soldados de Osgiliath foram todos mortos, muitos morcegos vampiros foram lá encontrados também mortos, parece-me que foram atacados por morcegos, porém, cortes por espadas sulistas e, ainda, homens de Harad foram encontrados, mas nenhum sequer tinha marcas dos dentes dos morcegos… Demoramos um pouco pra descobrir, porém quando descobrimos enviei alguns de meus pássaros para averiguar e me trazer noticia, mas pouco depois que passaram de Osgiliath, um bando de corvos os atacaram e todos morreram, os corvos os perseguiram e não deixaram um pássaro vivo. Essa atitude não é típica de corvos comuns, tenho em mente que eles estavam sendo controlados por alguém, e não há ninguém nessas terras que tenha tal poder a não ser eu… . Infelizmente jovem Faramir, talvez Dargorot também esteja no comando do sul, como eles chegaram até lá não sabemos, mas não vemos outra possibilidade lógica. Então Aragorn falou:

-Em meio a todos esses problemas Faramir, Fangorn esteve aqui após visitá-lo, ele disse-me que um pequenino tinha sido perseguido pelos Goblins até Isengard, e que após aquela batalha, terrível para os Ents, ele o enviou para cá, pelo rio Isen, mas não sei se ele sobreviveu, talvez se ele chegasse a tempo poderíamos ter nos preparado para isso.

-Onde está Fangorn?

-Fangorn dirigiu-se para a floresta de Mirkwood, Faramir, soubemos que Lórien foi tomada também pelos goblins, ele ficou encarregado de trazer para cá ou levar para o reino anão os elfos que lá ainda residem.

Enquanto conversavam, Eowin e Arwen se retiraram da conversa, e seguiram adentrando ao palácio.

-Vamos Eowin, depois nos informamos acerca da conversa, meu filho vai ficar feliz em lhe ver. Mesmo tendo em sua mente vontade de ficar Eowin decidiu ir, talvez após essa viagem longa um pouco de tranqüilidade seria fundamental, ela então seguiu Arwen.

-Os anões também são um dos motivos para nos conversarmos Aragorn, mas antes me deixe lhe apresentar Elor, ele e mais alguns elfos fugiram de Valfenda quando esta foi tomada pelos goblins, e lutaram no forte da Trombeta ao nosso lado. Infelizmente apenas ele sobreviveu naquela luta, por esse motivo ele…

-Meu rei! Meu rei! Um pequenino muito ferido montado em um pônei também ferido foi resgatado… . Interrompeu um dos soldados.

-Mas, como?

Aragorn saiu do palácio e encontrou o pequenino sendo carregado pelos soldados…

-Mas… você… . Aragorn olhou atentamente o pequenino e após alguns segundos lembrou sobre o pequenino que Fangorn tinha descrito. Você parece com o pequenino que Fangorn a muitos dias me falou?, Achávamos que estaria morto… mas..o que aconteceu? Ben é seu nome não é?

Sim, era Ben, estava muito ferido e ensangüentado como se estivesse sido espancado, mesmo assim, e ofegante, ele respondeu a pergunta do Rei. Por um instant em seus olhos estampada estava à malícia, como uma serpente pronta para dar o bote. Mas logo que olhou para o Rei ela desapareceu.

-Cor…corsários…de…de..Har..Harad, remanescentes de Umbar…me..me..capturaram…e me… escra..vizaram…, mas, con…segui…fugir…quando..atacaram…o povoado na regi…ão de Ethir..Anduin… .

- Aragorn, esse pequenino não está em condições de responder suas perguntas. – Disse Faramir, – Mande tratá-lo.

Aragorn, seguiu o conselho do amigo e ordenou que cuidassem do pequeno. Após mandou que alguns batedores fossem a Édoras e trouxessem toda a população, armas, comida e tudo que fosse possível para Minas Tirinth.

-Faramir se acomode, mais tarde conversaremos, com a cabeça menos preocupada escutarei seu plano. Chame sua mulher, coma e descansem, um pouco, você e sua comitiva. Tenho alguns relatórios de batedores para analisar imediatamente, reunirei Homens de Gondor espalhados por essas terras para cá, à noite pensaremos em Dargorot e essa estória dos corvos atacando os pássaros de Radagast.

-Sim Aragorn, farei isso. – Curvou-se e saiu. Mesmo tendo sido pedido por Aragorn que deixasse as formalidades.

-Quanto a Você Radagast, envie seus pássaros para as regiões próximas a Édoras, inclusive para o norte em especial o Forte da Trombeta. Allatar e Pallando já poderão adiantar o processo de fuga enquanto meus batedores não chegam.

-Sim, farei isso. – Curvou-se e saiu.

Aragorn do palácio olhava preocupado para o sul, afinal o que poderia estar acontecendo próximo a Mordor. Em sua mente Sauron era uma possibilidade, mas o Um Anel fora completamente destruído e Sauron não teria poder para absolutamente nada, então qual seria o inimigo? será Dargorot, também ao sul? Interrogações e duvidas brotavam em sua mente e a preocupação com seu povo e sua família era o que mais o perturbava, e o temor de mais uma guerra feria seu coração.