Uma Luz na Escuridão

Sinopse: Os pensamentos de Maehdros durante o seu cativeiro nas Thangorodrin.

Classificação: Livre

Gênero: Drama

Disclaimer: Silmarillion não é meu… e nunca sera meu.. é de Tolkien.

 


 

 

Ele abriu os olhos para um mundo fúnebre. Tudo ao seu redor era destruição. Ele podia sentir o vento acariciar o seu rosto, mas esse mesmo vento não trazia qualquer refrigério… trazia apenas o odor vil das criaturas que Morgoth havia criado e guardado dentro daquelas montanhas amaldiçoadas.

Ele se sentia fraco… seu corpo tremia em conseqüência nos maus tratos aos quais ele havia sido submetido. E a dor era algo que ele jamais imaginou que alguém pudesse suportar.

Mas, no entanto, lá estava ele… dependurado por seu braço direito na parede de um penhasco no meio das Thangorodrin… longe de tudo e de todos que ele amava… sem qualquer esperança de liberdade… apenas desespero… com nada além da expectativa da morte como o seu único alento.

Ele não sabia precisar a quanto tempo já estava lá… anos, séculos, milênios… uma eternidade. Ele não mais ousava olhar para o céu… pois se o fizesse, haveria a chance de, em meio a sua angústia, seus olhos avistarem as estrelas… e isso partiria o seu coração, pois o faria lembrar de tudo que perdera, de toda a beleza que um dia desfrutara, e que ainda estava lá fora, porém muito além do seu alcance.

Foi por isso que no primeiro instante que a aquela suave melodia alcançou os seus ouvidos, ele pensou ser um sonho… um sonho amaldiçoado com o único propósito de escarnecer ainda mais de seu sofrimento e de sua angústia. Ele reuniu a pouca força que ainda lhe restava para tentar afastar a música de seus sentidos, mas ela não desapareceu, muito pelo contrário, tornou-se mais forte.

O seu coração, há tanto já sem esperança, há tanto sem uma razão, foi sendo preenchido de uma súbita expectativa. Havia alguém lá fora procurando por ele… alguém que o amava o bastante a ponto de arriscar-se a entrar neste lugar dantesco para resgatá-lo.

Ele conhecia a canção dos seus tempos de criança… e ele conhecia aquela voz. Ah… como ele conhecia aquela amada voz. Era Fingon.

Ele abriu a boca para chamar por aquele que cantava… para fazê-lo saber onde ele estava preso, mas nenhum som deixou a sua boca ressequida.

Novamente ele tentou chamar por seu amigo, tentou fazer com que qualquer som escapasse da sua garganta, um mísero clamor de esperança após tantos anos de choros e gemidos de dor, mas, por uma segunda vez, somente o silêncio foi a sua voz.

A música então começou a se distanciar, e ele sentiu toda a esperança que há tão pouco havia sido restaurada ao seu coração, ser arrancada de forma tão cruel, que a dor causada em muito sobrepujou toda a tortura que Morgoth o fizera suportar.

Depois de tudo pelo que ele havia passado, depois de todos esses anos de tormento, era assim então que ele morreria? À mercê do escárnio de seus inimigos quando a sua salvação tinha estado tão perto?

Ele orou aos Valar, implorou que lhe dessem forças para vencer a escuridão, para tocar a luz uma vez mais, nem que fosse para vir a perecer nos braços de seu amigo, para sentir uma última vez o toque terno de um dos seus. E, enquanto lágrimas fluíam de seus olhos cerrados, a sua voz finalmente fez-se soar naquela tarde sombria, indo ao encontro da de seu amigo… de seu gwador, naquela antiga, mas tão querida canção.

A voz que saiu foi baixa e rouca… tão fraca que por um momento ele achou que Fingon não seria capaz de ouvi-la. Mas ao abrir os olhos, o que ele presenciou foi a visão mais maravilhosa que ele jamais ousara sonhar testemunhar novamente… um raio de luz puro e límpido quebrando aquela desolação. O seu amigo de pé no topo do penhasco, chamando o seu nome, olhando-o com tanto amor e preocupação que fez com que seu coração quase explodisse de alegria.

A esperança havia-lhe sido enviada na forma de seu amigo mais antigo… e naquele momento, apesar de tudo o que o afligia, Maedhros estava finalmente em paz.

 FIM