Like a Bird – Parte 18

A sociedade caminhava com firmeza e sem hesitação, como se o lugar todo estivesse absolutamente sob controle. E algumas eventuais carcaças de orc, mas nada perigoso. Ana observava, surpresa, como tudo era fácil e simples com aqueles Homens Grandes….oh, nem todos eram homens, tinha quatro hobbits, um anão, e ela podia jurar que aquele loiro era um elfo, com toda a graça de movimentos e brilho. Ela se viu corar e por uma mecha do cabelo ruivo atrás da orelha, sentindo-se idiota de pensar em algo assim na presente situação.

 

Ela desistira de tentar atirar suas flechas há algum tempo, “Afinal” pensou "É mais provável que, com tanta gente, eu acerte um deles sem querer.” Olhando para os lados, viu que a menina Hotaru parecia ter tomado para si a responsabilidade sobre ela, já que a estava rodeando feito um urubu. Deu de ombros, e reparou logo que entraram num outro corredor, que este parecia um pouco mais ajeitado que os anteriores, e terminava em grandes portas de ferro. Então Miyoru parou sem qualquer aviso, colocando a bolsa no chão, e tirou alguns frascos que elas tinham preparado anteriormente, até achar o que queria, e recolocar os outros novamente na bolsa, com uma calma enervante.

-O que você acha que está fazendo, Miyoru?- Pippin questionou finalmente, entre o curioso e o exasperado, olhando-a passar umas misturas nas mãos e nas pontas dos dedos.

-Apenas me garantindo.- ela respondeu, antes de engolir um outro líquido com uma careta.

-Não é perigoso tomar ervas sem conhecimento?- perguntou Legolas, tomando-lhe o frasco das mãos, olhando-a discretamente angustiado.

-Não é sem conhecimento.- ela respondeu, rispidamente, mas logo abrandou
–Ah, Legolas-san, já lhes disse que é para me ajudar.- ela sorriu, quebrando o semblante do elfo.

–Vamos?- ela acrescentou, movendo-se para a porta, mas sentiu a pesada mão de Aragorn no seu ombro –Permita-me entrar na frente, filha.- a menina fez um meneio de cabeça e o deixou passar, ficando um pouco atrás. E com um forte empurrão, Aragorn abriu as portas, entrando no aposento com dignidade e majestade.

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Ele ergueu os olhos, estranhando que alguém viesse até ele sem ser chamado. E grande foi sua surpresa ao descobrir quem eram. Um sorriso desesperado tomou-lhe as feições, e ele tentou maquinar alguma coisa para fazer. Se bem que sempre tinha sua espada e bem sabia o que poderia fazer com ela nas mãos.Olhou os invasores á sua frente e se levantou, esperando.

Aragorn estava sensivelmente exalando um pouco de sua majestade, porque ninguém na sala permaneceu imune àquele ar de nobreza. E sua voz firme ressonou nas paredes calma, porém justa – Eu sou Aragorn, filho de Arathorn, Elessar e Rei de Gondor e Arnor,e senhor, esta torre é nossa.

Alguns momentos um silêncio sepulcral se instalou, antes do homem nas sombras se levantar e proclamar com um tom quase divertido -Eu reconheço sua autoridade, Senhor Elessar, mas não tenho…- ele descia de seu patamar negro de forma quase tediosa, degrau por degrau -…a mínima vontade de entregar a esta torre, ou a mim, sem lutar.- Quando finalmente se revelou, sua imagem causou contradição na sociedade. Tinha uma aparência absolutamente comum, cerca de quarenta anos, cabelos castanhos alguns já grisalhos, olhos castanhos…enfim, o que transtornava era a expressão: ele sorria. Um sorriso de puro divertimento, quase infantil, que tinha chocado quase todos os seus inimigos. E uma mais que os outros;

-A…anata…anata wa…- em um conjunto consecutivo de instantes ela expressava uma diversidade quase aleatória de emoções, passando de uma para outra num ritmo enlouquecedor. Arregalara os olhos e empalidecera, mexendo os lábios sem produzir sons.Daí passou á descrença, rancor, asco, desespero, ódio, vingança, entre outros ininteligíveis em seu belo rosto. Ela ergueu a mão pálida e abaixou a cabeça, ocultando o rosto entre as mechas negras e os dedos delgados. Segundos depois ela retomou sua postura, erguendo a cabeça, com visível calma e frieza quase glacial.

O sorriso do homem nem mesmo hesitou em permanecer, quando disse, suavemente – Creio que sim, sou eu. Sabe, eu sinto muito, muitíssimo por você ter sido mantida prisioneira, mas sabe, acho que não aceitaria de livre vontade, não é? Ah…seus olhos me deliciam. São tão, tão invulgares.- ele
abriu mais o sorriso e deu de ombros, voltando-se para os outros – Ora… vejamos. Um Rei, quatro, não, cinco pequenos..não eram quatro? Bom, um anão, um mago, um elfo… são uma armada interessante. Passaram por tantos orcs numa tentativa quase desesperada, e bem, vejamos…Vão lutar todos contra mim? Ou vão escolher alguém.

Aragorn ia adiantar-se, já com a mão na bainha da espada, mas Miyoru
interrompeu-o, com uma gelidez assustadora -Essa pergunta é desnecessária, Soujirou.Você está numa dívida de honra comigo.- e caminhou concisa e silenciosamente até o meio do imenso salão, onde parou, em posição de batalha. Parecia inflamar um quê de ódio calculista que deixou seus companheiros incrédulos.

Hotaru murmurou, em tom baixíssimo e de sério aviso: -Não interfiram. É um assunto muito pessoal.

-Se você insiste, criança…mas pense, crê que avançou tanto a ponto de me superar?- aquele sorriso dele tinha muito de renitente. Em resposta ela ergueu uma sobrancelha -Eu não tenho dúvida quanto a isso.- e ficaram se encarando por um longo tempo. Num momento que, num piscar de olhos, seria perdido, eles sacaram a espada e as cruzaram, tirando faíscas. E uma luta fantástica começou.

Ambos moviam-se em uma velocidade tão fantástica que apenas relances de seus corpos eram vistos aqui ou ali em toda a dimensão do local.As espadas batiam e ressonavam como tambores, atritos tão violentos produziam barulhos estridentes e horríveis das lâminas se estilhaçando. Os vultos eram rasgos de cores, dos cabelos negros, dos olhos verdíssimos, das roupas azuis dele. Quando o som de carne cortada se tornou real, uma cor nova entrou na mistura. Vermelho vivo. Sangue estava fluindo e sendo atirado pelas paredes, era sangue demais para um golpe. Subitamente, pararam.

Ambos estavam cansados, ambos suavam e arfavam de tal forma que acabariam com o ar da sala em pouco. E sangravam.

Soujirou apresentava um feio corte no abdome, mas nada efetivamente letal. Já Miyoru estava num estado deprimente…toda sua pele que estava descoberta estava com cortes pequenos e profundos ao longo dela, e partes em que o sangue parecia ter vindo á pele sem conseguir sair. Mesmo seu belo rosto estava escoriado, e as roupas já não passavam de trapos.

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Legolas nem mesmo conseguia se mover. Quando vira o estado de sua criança, ele sentira um instinto de protegê-la; Nada mais importava.
Ele tinha até mesmo acertado Aragorn e Gandalf antes que estes pudessem contê-lo. Miyoru estava no lado oposto da sala, perto do trono, apoiando-se na espada ensangüentada, que apoiava no chão. Cada respiração forçada dela parecia tirar todo o ar de sua volta…e ele quase cometeu algo louco enquanto o imbecil, o Soujirou, falava.

-Ora..meu bem, eu lhe ensinei isso no passado! Sempre uma aluna relapsa, não? – ele tomou um ar pretensioso – Numa velocidade tão sobre-humana, o primeiro órgão que sofre é a pele. Você é uma menina, quase criança, de família nobre e pele suave. É óbvio que com a velocidade que alcançou, as partes em que a pressão sanguínea se tornou insuportável estourou. Veja, só suas mãos; que estão calejadas pela espada, não se cortaram.- ele sorriu mostrando-lhes dentes já amarelados e olhos sádicos -Você sabe que não pode lutar nessas condições, ou vai morrer de hemorragia em cinco ou seis minutos e…

-Sim, eu sei.- ela cortou, arquejando, olhando para o chão. A espada ainda era sua maior fonte de equilíbrio

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-Então desiste? Se rende e posso chamar o próximo?- ele se voltou lentamente para os outros companheiros, para os quais estava de costas. Legolas já tinha atirado uma flecha que cortou-lhe o peito, porém ele desviou. Era um mestre em velocidade.

-Calma, Legolas.- Miyoru gritou, parecendo exaurir com isso a maioria de suas forças -Não será necessário.

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A preocupação era evidente nos rostos de todos, e o desespero e a angústia variavam de cada um daqueles entes queridos dela, que a queriam tanto e sofriam também. Ana começara a chorar baixinho, assustada, com medo por si e por essas pessoas estranhas, quando sentiu um braço a enlaçar quase paternalmente -Tudo bem. Ela é forte.

Ana olhou de esguelha para o hobbit que a abraçava, e o fez soltá-la bruscamente. Olhou-o com um quê de raiva no olhar e sussurrou -Não me toque.- Ignorou a surpresa e as expressões dele e continuou olhando a batalha estancada. Eles observavam que cada vez mais o infame passava a mão na garganta, parecendo sedento. Quando Miyoru levantou a cabeça, e os olhos realçados no seu brilho quase espectral pelo sangue que corria-lhe o rosto

-Soujirou, você não está se sentindo com..sede?

-De fato, Ai… por que?-ele se voltou para ela com curiosidade

-POr nada.- ela controlou uma risada -Você não reparou que eu lutei de um jeito um tanto peculiar?

-Sim, de fato..você parecia mais concentrada em me acertar com suas mãos…- a fala dele já se tornava rouca e ele respirava mais depressa.

-POrque eu coloquei em você um veneno, Soujirou.

-Oi?- apesar do tom de voz dele ter se alterado, ele continuou sorrindo rinitentemente.

-Na ferida que fiz…- ela continuou lentamente, juntando ar.- Eu tinha passado um veneno que não permite que o organismo absorva água ou oxigênio gradativamente. Você tem menos de 5 minutos de vida

E abriu-se o espetáculo do desespero diante deles. Soujirou estava horrorizado, seu corpo todo tremia num frêmito desgastante e se convulsionava em espasmos, apertando sua garganta e seu peito. Suava frio, e os olhos se dilatavam…ele ia ficando louco, louco..até cair de joelhos, gritando.

-Me..deixem. Sua…maldita…eu… Eu posso morrer, Ai Checo.. maori… sim.. mas.. das por.. tas.. da morte…eu vê..vejo…seu destino…seu futuro é- ele tossia, arfava e gritava, nem mesmo conseguindo terminar suas frases. Mais humilhante do que perder a calma é não conseguir amaldiçoar e ficar gaguejando como uma criança. Então, num fôlego, ele terminou -Negro, Ai!Toda dor que você passou até hoje será menos da metade do que o futuro lhe reserva. Sim, sim, Sobreviva, sobreviva para enfrentar vulnerável o seu caminho! Pobre criança! Vaia infeliz! – e riu de forma insana. Mas ele utilizara demasiado esforço naquela tarefa, e vacilara, entontecendo
e tombando finalmente ao chão. Ele tentou se afastar, rastejando até as sombras, e murmurou -Dei..xe me..mo..- e caiu, agonizando

Miyoru o viu afastar-se com uma certa complacência digna, sem qualquer vestígio da frieza e ódio anteriores, e se precipitou para ir em direção á eles. Então Aragorn Soltou Legolas, que correu pegá-la nos braços, falando em élfico uma enxurrada de palavras com teor preocupado. Ela se recusou a ser carregada, então ele a apoiou até os outros, que os olhavam com admiração faustosa. Quando fecharam a porta atrás de si, foram tantos comentários simultâneos que Miyoru fez uma careta, respondendo como podia. -Eu tomei o antídoto, lembra?E como apliquei na pele ele não absorveu.Obrigada. Eu também fiquei. Ele tinha sido meu mestre e amigo da minha mãe…

A última frase soara com um ponto de tristeza, e Ana interviu fortemente, ralhando -Ela está cansada e vocês ficam importunando-a com perguntas!Mais tarde!- e os hobbits, curiosamente, obedeceram. Todos pareciam divertidamente surpresos com a mudança entre os pequenos, especialmente Gandalf e Aragorn.

-Vamos sair daqui, vamos?- Sugeriu Pippin, ao que todos assentiram.

Legolas misturava algumas ervas a pedido de Gandalf, soturno. Seu belo semblante parecia estar catatônico, num estado de sensibilizar quem o visse. A dor e o pesar élfico sempre eram maiores que os dos ouros seres…

Ele pensava, confuso, sobre tudo que vira. Sobre a força, a precisão de Miyoru. Ela era uma exímia guerreira, certamente, e uma assassina digna de alto mérito. Talvez conseguisse até realizar seu intento delirante sozinha. E isso tudo o assustava e angustiava. Ele se deliciava a cada sorriso dela, a cada toque, expressões de ternura ou sabedoria, Ele nunca realmente
entendera que ela era o que dizia ser, embora a tivesse visto lutar e matar.
Nunca com aquele ar de…frieza. Diante da morte, da dor. Planejar uma morte tão cruel como aquela do veneno tinha pra ele algo de..injusto. Imoral, covarde.

E ao mesmo tempo sua alma descansava em glórias por ela estar viva,e por poder cuidar dela, tratar suas feridas e adormecê-la em seus braços. Mesmo odiando o fato dela tê-lo deixado, sua frieza e sentindo-se enojado pelo que ela tinha feito, ele não conseguia resistir á ela, á estar com ela. Lembrou-se das palavras da Senhora Dourada, dizendo-lhe que Miyoru seria a felicidade
dele, no sentido total da palavra…

Ao ver a infusão pronta, foi até onde os feridos descansavam ou dormiam. PRetendia tratá-la desacordada, não queria estabelecer uma conversa..e ao mesmo tempo ansiava por ouvir-lhe. ‘Céus…’ pensou ‘Isso está saindo do controle,’ Mas ao vê-la deitada, tranqüilamente, á sombra, ele teve tempo de sorrir, satisfeito e faminto de vê-la mais, e de mais um pensamento ‘Não. Já está absolutamente fora de qualquer control
e.’ e se censurando fortemente, abaixou-se ao lado dela, puxando-lhe o braço para curar-lhe. Ele trabalhou habilidosamente, dispensando ajuda de Aragorn ou Gandalf, quisera tratá-la sozinho.

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Tocá-la se tornara uma tarefa explicitamente árdua, uma vez que ele não queria machucá-la mais. E tinha que agir com toda sua força de vontade para não abraçá-la forte, esquecer as feridas, falar-lhe…não. Devia desviar-se de tais pensamentos.Mas não se poupava dos pequenos prazeres de sentir-lhe a pele de porcelana. Todo seu ser rejubilava-se em tê-la tão suave e tão próxima. Momentos podiam ser o inferno de Morgoth e o ápice da felicidade simultaneamente. Mas quando tratar-lhe um ombro, ela abriu seus olhos. Ele sempre se deleitava na cor fantasiosa que eles guardavam. Pareciam se tornar de um verde mais incomum a cada dia, mais brilhante, mais luminoso, claro… -Bom dia, Legolas…- ela forçou um sorriso, abrindo um dos cortes no rosto, que ele estancou, rapidamente, a custo da sua força de controle. Sua mente tinha virado o caos.

-Volte a dormir, criança..- ele disse, suavemente -Têm que descansar.- a voz dele vacilou, olhando para ela, e quis se punir por isso.

-Não me sinto cansada.- ela deu de ombros, estragando o trabalho dele com o último corte, ao que ele deu um muxoxo..- Desculpe.- murmurou baixinho -Não sabia que você era um curador…- e sorriu, feliz com a constatação.

Legolas sentia em si o prazer sôfrego de ouvi-la, vê-la sorrir…ela o tirava de si, e estava-o matando de alegrias e pensamentos disnexos… jamais imaginara que amar poderia ser algo assim.

-Hey, pare de me olhar como se eu estivesse se confundindo, sim?- e diante do silêncio vacilante, em tom cúmplice, confidenciou -Sua fala é:"Miyoru, sua criança estúpida e inescrupulosa, nos fazendo vir até aqui atrás de você! Agora cale a boca e não se mova enquanto eu a curo, ou vou surrá-la por cima dos ferimentos!"

Diante disso, o elfo não pôde reprimir um riso que pareceu arrancar dele toda sua confusão, ao menos naquela hora. Depois disso, seus olhos se tornaram menos lívidos, e mais brilhantes -Sinto muito, Miyoru, mas duvido que jamais vá ouvir algo assim de qualquer um. Bem, talvez de Gandalf.
Certamente de Gandalf.- ela riu divertida, diante dele rolando os olhos -Mas apenas porque nos preocupamos muito com você. Quer segurar o cabelo, por favor?- ele pediu, voltando a cuidar do ombro dela. Depois de uns instantes, ela se afastou dele, com uma exclamação de dor.

-Isso arde!- ela disse pra ele, como que para convencê-lo a esquecer a questão

-Se você tivesse ficado em Minas Tirith, não teria se machucado, nem teria que ser curada. Aconselho-a a pensar nas conseqüências quando elaborar seus planos, menina.- Legolas murmurou com paciência, e só isso pareceu convencê-la, que voltou a ceder-lhe os machucados. Então lamentou

-Não tinha um plano. E nem pensei em ervas ardidas…

-Então eu recomendo fortemente que você procure pensar antes de agir.- caçoou dela em tom divertido, recebendo um sorriso escondido numa careta e um tom de falsete dizendo:

-Elfos…tsc tsc- e balançou a cabeça. Ambos se sentiam profundamente relaxados e felizes na companhia um do outro, na atual situação. A noite parecia acariciá-los com um vento suave e fresco, e as sombras das árvores soavam amigas e protetoras, e por algum tempo, um silêncio prazeroso se instalou pacificamente em todo o acampamento.

-Eu não vou lhe agradecer.- ela murmurou, com firmeza -Não seria suficiente.Vocês bem sabem o que fizeram por mim e…

-Shh…- Legolas a cortou, sorrindo -Cesse de lamuriações pelo momento, querida criança. O brilho da sua presença encantadora é pagamento suficiente por dez dessas. Deixe-me cuidar do rosto agora, sim?- ele molhou um pano nas ervas, e embora tremesse levemente ao segurar o rosto dela,
começou a remediá-la, embora ela fizesse caretas e reclamasse

-HUmanos…- ele murmurou, fingindo-se de sério -Tsc tsc…

Ambos riram, e desfrutaram daquela felicidade conjunta mais algum tempo, esquecendo-se de seus anseios, apenas existindo e falando um para o outro, rejubilando-se em sua venturança, em meio às trevas.

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Aragorn suspirou com alívio, caindo em uma cadeira, exausto. Osgiliath era uma cidade forte, estava fortemente armada e era um refúgio seguro. Todos comiam e descansavam no salão, e mesmo Miyoru, já melhor, ouvia atentamente Ana contar-lhe sobre sua vida em Bri. A hobbit era, como de
costume da raça, uma boa contadora de histórias. O rei sorriu, vendo ambas sem a menor sombra do cárcere em seus rosto, e sentiu Gandalf tocar-lhe o ombro -É permitido ao menos sorrir entre as grandes jornadas.- e este também abriu o semblante.

Pippin cantava para todos, encima de uma mesa, quando entrou um mensageiro élfico silenciosamente, sem ser notado por qualquer outro, e se ajoelhou em frente á Aragorn, que se endireitou para lhe ouvir. Este, com um meneio de cabeça, começou – Sou um mensageiro da Senhora Galadriel, rei Elessar, e venho trazer-lhe a notícia que esperavam: temos o paradeiro de mais uma parte do anel.

Não teve viva alma que não tivesse prestado total atenção á essa mensagem. E os companheiros sentiram-se respirar profundamente, questionando-se por seu próximo paradeiro.