A Lenda do Homem da Lua

Muitos já ouviram falar do Homem da Lua, um mago de cabelos grisalhos, que vive na Lua com seu cachorro branco, que possui asas, e combate os dragões que vivem lá controlando os eclipses. Mas um grande mistério o envolve, pois ninguém sabe como ele chegou lá, na verdade esta é uma história muito, muito antiga que já foi contada aos nossos antepassados mais velhos e que já esquecemos a algumas centenas de anos.
 
Todo começou em Valinor – a Terra Abençoada onde vivem os Valar e os Elfos que já partiram desta Terra -naquela época existiam ali duas árvores chamadas Laurelin e Telperion que foram criadas por Yavanna, a
criadora de todas as plantas, para iluminar a Terra Abençoada. Um dia , porém, um Valar chamado Morgoth, o primeiro a ser corrompido pelo mal, atacou Valinor com a ajuda de uma aranha gigante chamada Ungoliant, ele queria roubar as Silmarilli, três gemas perfeitas que continham dentro de si a luz das Árvores e que foram feitas por Fëanor dos Noldor, um Elfo muito talentoso que criou várias outras maravilhas; de fato Morgoth conseguiu roubá-las, mas a história das Silmarilli e de Fëanor não vem ao caso agora.

O que vem ao caso é que Ungoliant se alimentava de luz e aceitou ajudar Morgoth a invadir Valinor em troca das duas Árvores e, quando eles chegaram lá, ela conseguiu se apoderar delas e sugou-as até deixá-las secas e sem vida ou luz alguma.

Como Morgoth roubou as Silmarilli, que eram o maior tesouro de Fëanor ele e a maioria do povo dos Noldor se rebelaram contra os Valar e decidiram partir de Amam para a Terra-média atrás de Morgoth, com o propósito de recuperar seu tesouro roubado.

Apesar de sua rebelião, os Valar gostavam muito dos Elfos e queriam fazer algo para ajudá-los; naqueles dias o Sol e a Lua ainda não existiam e a Terra-média era iluminada apenas pela luz das estrelas e, sob a
proteção da Noite Eterna as criaturas da escuridão se propagavam com maior facilidade então os Valar decidiram em consenso uns com os outros, mas sem dizer palavra, que deviam criar uma luz para iluminar a Terra-média e ajudar os Elfos a combater as criaturas do escuro.

Por muito tempo eles tentaram reviver as Árvores, o que foi em vão, mas quando não havia mais esperança cresceu em Laurelin um único fruto dourado e muito grande, e em Telperion uma única flor prateada que também era muito grande, ambos emitiam uma luz muito intensa que devolveu a claridade a Valinor.

Foram preparadas duas naves, uma de prata e outra de ouro; a primeira a ficar pronta foi a nave de prata, nela foi colocada a flor de Telperion que também foi chamada de Isil, em Quenya, ou Lua na nossa língua, para
conduzir essa nave foi escolhido um Maia que sempre gostara muito de Telperion e que possuía um arco de prata, ele se chamava Tilion.

Quando tudo estava pronto Varda e Manwë abençoaram a nave e a lançaram ao céu, o que ninguém viu ou disse que viu naquele momento foi que um Elfo de barba grisalha escondeu-se na nave e partiu para os céus junto com Tilion.
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Esse Elfo foi um dos primeiros a despertar no lago Cuiviénen e chegou a Valinor junto com Finwë, chamava-se Aglarel e aprendera muitos encantamentos com os Maiar, por isso chegou a ser comparado com os Istari, ou Magos que mais tarde foram enviados à Terra-média.

Logo que a nave alcançou os céus a flor de Telperion imediatamente começou a crescer e caiu para fora da nave, continuando ligada a ela apenas por uma forte corda de prata; a Lua atingiu um tamanho muitas
milhares de vezes maior do que antes, tornando-se uma esfera pouco menor que a Terra depois que os Mares foram arredondados – é que naquela época a Terra ainda era plana –, Aglarel viu isso de perto e ficou tão impressionado que pulou para dentro da Lua ( como ele conseguiu entrar lá ao invés de cair fora da nave em direção à Terra ninguém sabe até hoje).

Depois de entrar na Lua, Aglarel viu que ali havia montanhas e bosques de vários tipos de árvores, e também coelhinhos brancos… e aranhas. Demorou muito tempo para que ele conhecesse toda a Lua, mas hoje a conhece como a palma de sua mão; ele também usou sua magia para melhorá-la a seu gosto e construiu uma torre prateada no alto de um penhasco com um telescópio que lhe permite ver tudo o que se passa, tanto na Lua quanto na Terra, ou em qualquer outro lugar do Universo – ele é o único que ainda consegue
olhar para Aman e ver a Terra Abençoada em tempo presente -.

Também com sua magia ele construiu o Caminho da Lua, que é estendido no Oceano quando a Lua cheia nasce, e é por esse caminho que o espírito das crianças adormecidas chegam à Lua para brincar no jardim que existe em seu lado escuro. Mas algumas criaturas malignas usaram esse caminho para chegar lá, primeiro foram as aranhas, depois os insetos que se tornaram grandes demais para a Terra e por último foram os dragões que foram para lá para escapar da extinção.

Os dragões são os que mais dão trabalho ao Homem da Lua, como ficou conhecido Aglarel, no entanto são fundamentais para que ocorram os eclipses e outros fenômenos ligados à Lua.

Como já foi dito no início da história o Homem da Lua possui um cãozinho ele se chama Rover e caiu das bordas do Mundo direto para a Lua, talvez Aglarel tenha tido algum envolvimento nisso, talvez não. Os animais
preferidos do Homem da Lua sempre foram os coelhos e há muitos na Lua que lhe fazem companhia, assim como as ovelhas que habitam as montanhas do lado branco.

Dizem que ás vezes o Homem da Lua escorrega para a Terra por uma longa corda prateada fiada para ele pelas aranhas da Lua e volta para casa pelo caminho que ele mesmo construiu e que se estende pelo Oceano apenas nas noites de Lua cheia, pelo qual nenhum ser de alma mortal pode andar enquanto estiver acordado.

E assim será para sempre: o Homem da Lua (que não é um homem e sim um Elfo) sempre morará na Lua em sua torre de prata, cachorro branco e seus amados coelhinhos brancos nos observando com seu telescópio, controlando os seres que vivem lá, descendo à Terra às vezes e alegrando o espírito das crianças com os sonhos que elas têm no Jardim da Lua.