Erebor

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A Montanha (1) Solitária (Monte Erebor) possui este nome por constituir na
paisagem regional como uma forma isolada. Devido a sua posição
geográfica favorável e seu isolamento, do alto da montanha há uma
impressionante vista de uma boa parta da Terra Média, principalmente da
região de Rhovanion e áreas adjacentes. Do alto pode-se observar ao sul
o Lago Comprido e a cidade de Esgaroth que dista a 48 quilômetros bem
como o reino de Valle (Dale) entre a Cidade e a Montanha. Também se
pode verificar o rio Corrente fluindo em direção ao sudeste até chegar
em sua foz no grande mar interno, o Rhûn. É importante ressaltar que
este rio nasce nas imediações de Erebor e faz um percurso de 768
quilômetros até Rhûn, este que, por sua vez possui uma importante
função econômica e política para os povos ribeirinhos dos reinos de
Thranduil, Esgaroth, Valle, Erebor, Dorwinion e Rhûn.

 

 
Do alto de Erebor e olhando para o oeste tem-se uma importante visão da Floresta das Trevas setentrional e mais ao oeste a cadeia das Montanhas Sombrias. Para o norte avista-se a região planáltica do Urzal Seco; é desta porção da Terra Média que veio o Dragão Smaug e de onde ambos se reproduziam, e mais ao norte, as Ered Mithrin (as Montanhas Cinzentas). Estes domínios estão a uma distância aproximada de 80 quilômetros de Erebor.

Para o leste têm-se as amplas e mais orientais planícies de Rhovanion até chegar ao importante reino dos anões localizado nas Colinas de Ferro, antigo lar de Dáin-Pé-de-Ferro que posteriormente mudou para Erebor. As vastas Colinas de Ferro estão a 208 quilômetros nas suas porções mais ocidentais e seus domínios orientais estão a 560 quilômetros.
 

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Grandes eventos marcaram para sempre os povos desta região

Após os acontecimentos em Khazad Dum no ano de 1981, Thráin I, filho de Náin mudou-se para Erebor e fundou seu reino neste local em 1999, e, com o passar dos anos, através de muito trabalho, encontrou na região várias pedras e minerais preciosos dentre eles a grande e mais bela pedra, a Pedra Arken, Coração da Montanha.

Smaug ataca EsgarothEntretanto, devido os rumores das muitas riquezas de Erebor, os dragões do norte fizeram várias investidas violentas em chamas sobre a montanha e, pouco tempo depois todo o Reino de Valle que ficava nas imediações e o próprio reino dos anões ficaram destruídos e o grande dragão Smaug se tornou o novo senhor da Montanha Solitária. Alguns poucos escaparam do cerco fugindo novamente para o sul, dentre eles Thrór herdeiro de Dáin e Nár, onde ambos retornaram para Khazad Dum.

No ano de 2941, Thorin Escudo de Carvalho, filho de Thrain mais um grupo de anões e seu amigo, o mago Gandalf e o hobbit Bilbo Bolseiro formam um grupo com o objetivo recuperar o antigo reino de Erebor e seus tesouros, e acima de tudo, matar o dragão Smaug para vingar a morte de seus antepassados. Após muitos quilômetros e várias aventuras (2) a comitiva de Thorin, os anões e Bilbo chegam a Montanha Solitária e depois de muitas dificuldades conseguem penetrar em seus palácios e ao mesmo tempo recuperar seus tesouros. Bilbo é recompensado por Thorin ganhando um presente, um colete feito de Mithril. Tempo depois, todo o grupo ficou sabendo que o grande dragão foi morto em Esgaroth por um homem guerreiro e valente chamado Bard (3), descendente da realeza dos antigos e bravos homens, o Reino de Valle. Com a notícia, a comitiva de Thorin e CIA comemoraram a morte do dragão, mas o pior estava por vir, pois, com a noticia se espalhando para várias regiões da Terra Média por meio de diversas criaturas, os orcs das A Montanha SolitáriaMontanhas Sombrias e do Monte Gundabad fizeram um conselho (4) e rumaram com um poderoso exército sob a liderança de Bolg, filho de Azog, para Erebor com o objetivo de roubar os tesouros da montanha e ter o domínio local como forma de fazer frente aos reinos adjacentes como Thranduil e dos anões das Colinas de Ferro. A Montanha Solitária tinha uma posição geográfica bastante estratégica (5) e favorável e, se os orcs a conquistassem ficariam tranqüilos para manter o controle (6) das regiões do norte e oeste do mesmo, bem como fazer frente aos exércitos inimigos do sul, sudoeste e leste.

 
Mas ao mesmo tempo em que os orcs marchavam para ter o controle da região, os homens de Esgaroth, os remanescentes de Valle, os elfos da Floresta das Trevas também foram com o objetivo de reclamar os tesouros roubados de Smaug em anos passados, e requerer suas partes no espólio pelos prejuízos causado com a batalha contra o Dragão. Muitas pessoas de Esgaroth morreram durante a batalha e muitas outras morreram após a queda do Dragão devido aos ferimentos e doenças. A própria Cidade do Lago foi totalmente arrasada, precisando ser reconstruída em uma outra região do Lago Comprido. Com relação aos elfos, eles foram apenas para requerer uma parcela do tesouro devido os serviços prestados ao povo de Esgaroth após a batalha com o dragão.

A Batalha dos Cinco ExércitosThorin Escudo de Carvalho ficou sabendo através de um corvo ancião chamado Roäc que Smaug estava morto, mas que, os exércitos dos homens e elfos estavam marchando para a montanha com o objetivo de requerer uma parte no espolio e recuperar os tesouros roubados pelo Dragão em tempos passados. Dessa forma, Thorin pediu a Roäc que designasse algum pássaro jovem para enviar noticias aos anões que estavam espalhados no norte, leste e oeste, especialmente ao seu primo Dáin que vivia nas Colinas de Ferro para que enviasse reforços na defesa dos tesouros e da montanha. Dáin então preparou um exército fortemente armado com cerca de 500 anões e marchou para a Montanha Solitária em auxílio de seus parentes e amigos.

 
Quando os exércitos dos elfos e homens chegaram, ambos tentaram negociar com Thorin Escudo de Carvalho, mas ele não abria mão de nenhum dos tesouros ali na montanha, então, tanto os elfos como homens decretaram a montanha citada até que ele mudasse de idéia. Após alguns dias o exército dos anões sob a liderança de Dáin chegou e, a partir daí iniciou uma guerra entre elfos e homens contra os anões, mas, se não fosse pela intervenção de Gandalf o Cinzento todos estariam sucumbidos, pois do norte estava chegando um grande exército, uma negra e vermelha armada; seus estandartes eram incontáveis (7) avançando como uma avalanche furiosa e desordenada.

Teve-se então uma união imprescindível entre os exércitos dos anões, elfos e homens contra os exércitos de orcs e wargs sob a liderança do grande orc Bolg que avançavam do contraforte norte, e, na frente, vinha uma imensa nuvem de morcegos que escurecia o céu da região e ambos atacavam o exercito unido de última hora (anões elfos e homens).

Mapa da Batalha dos Cinco ExércitosEssa terrível batalha ficou famosa e conhecida na Terra Média como a Batalha dos Cinco Exércitos.   Os elfos ficaram no contraforte sul principalmente nos pés da montanha; os homens e anões ficaram no lado leste. Mas Bard, o líder e herdeiro de Valle juntamente com outros homens e elfos subiram até o topo leste para ter uma ampla visão dos exércitos do mal. Eles viram que as hostes inimigas cobriam vastas extensões do contraforte leste partindo para o sul. Foi uma luta demorada, dura; caíram vários orcs e wargs devido os ataques élficos, uma vez que, eram bravos guerreiros e suas lanças e espadas eram mortais e assustadoras bem como as saraivadas de flechas vindas das porções acima pelos elfos. Infelizmente milhares de elfos e homens caíram e também muitos anões pereceram, porque os orcs e wargs se recuperaram do susto da primeira investida, e, como estavam em maior número, partiram para um contra-ataque violento, uma verdadeira carnificina; e quando tudo parecia estar acabado para os elfos, homens e anões, chegaram às águias, várias como um exército pronto para destruírem seus inimigos. As águias lutaram bravamente e desestruturou os orcs das encostas leste e sul empurrando-os e jogando contra os precipícios, e em pouco tempo libertaram a montanha. A ajuda das águias foi fundamental para a vitória dos anões, elfos e homens, pois ambos retornaram com forças redobradas (além dos reforços) para ajudar no combate nas partes mais baixas. Neste confronto também houve a participação de Beorn. Foi ele quem matou o grande orc Bolg, e resgatou Thorin Escudo de Carvalho que estava gravemente ferido. Thorin não resistiu aos ferimentos e veio a morrer.

Bard, Rei de Valle Com o término da guerra, os elfos da Floresta das Trevas retornaram para seus domínios, todos recompensados, Bard se tornou rei de Valle (Dale) o novo reino restaurado, e o novo reino de Erebor ressurgiu com Dáin se tornando o rei, Dáin Pé-de-Ferro. Bilbo Bolseiro retornou para o Condado rico devido às recompensas feitas por Bard (duas pequenas arcas, uma cheia de prata e outra cheia de ouro), e Gandalf continuou seus trabalhos com o objetivo de unir os povos da Terra Média na luta contra Sauron.

Após aproximadamente 78 anos, durante os eventos da Guerra do Anel, ao mesmo tempo em que grandes exércitos atacavam Minas Tirith, no dia 17 de março de 3019, Erebor assistiu e sofreu novamente uma grande guerra. Sauron enviou seus aliados para atacarem os territórios do rei Brand nas fronteiras de Valle. Como as forças inimigas de Sauron estavam em maior número e Brand foi forçado a retornar para Valle e mesmo com o auxilio dos anões tiveram novamente que recuar mais ainda para os pés da Montanha Solitária (Erebor). Houve um grande e terrível batalha na montanha; Brand e Dáin Pé-de-FerroDáin Pé-de-Ferro foram mortos e, desta forma, os orientais foram vitoriosos o que forçou mais ainda aos homens e anões recuarem mais para cima da montanha com as forças bastante reduzidas. Entretanto, os homens e anões ficaram sabendo que Sauron foi derrotado juntamente com suas forças no sul. Assim, os aliados do Senhor do Escuro encheram seus corações de um profundo desânimo, o que fez os exércitos dos homens e anões se encherem de ânimo, partindo então para uma grande e última investida expulsando os orientais para o leste livrando assim Valle e Erebor dos perigos e ameaças dos homens e orcs.

Finalizada a Guerra do Anel no norte e sul da Terra Média, Bard II, filho de Brand, se tornou rei de Valle e Thorin III, o Elmo de Pedra, filho de Dáin, tornou-se rei de Erebor.

Pode-se perceber que Erebor e regiões vizinhas sempre estiveram amarrados aos acontecimentos mais marcantes na Terra Média durante períodos específicos e preponderantes da Terceira Era.

  •     Thráin I funda o Reino dos Anões em Erebor em 1999;
  •     Guerra contra os dragões em 2770;
  •     Batalha dos Cinco Exércitos em 2941;
  •     Grande Batalha de Valle aos pés da Montanha Solitária em 3019 (Guerra do Anel).

Mapa de Erebor

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Notas
1 De acordo com o Dicionário Geológico-Geomorfológico, montanha é uma grande elevação natural do terreno com altitude superior a 300 metros e constituída por um agrupamento de morros. A orogênese é o ramo da geologia que estuda a origem e a formação das montanhas. De acordo com o perfil do relevo “terra-mediano” verifica-se uma considerável diversidade da geologia e geomorfologia da Terra Média. Podem-se verificar regiões serranas, cadeias de montanhas, planaltos, planícies, áreas lacustres e depressões. De acordo com a geologia de Erebor, sua origem provavelmente é devido aos movimentos tectônicos de formação da Terra Média em períodos anteriores pelo choque entre placas tectônicas formando terrenos mais antigos. Pode-se perceber isso, pelas grandes áreas de planícies e terrenos alagados nos domínios geomorfológicos de Erebor e adjacências. Não é por acaso que Erebor possui o nome de a Montanha Solitária; os terrenos vizinhos sofreram grandes processos de erosões e denudação com o passar do tempo geológico. Pelas formas ali existentes tem-se o consenso de levar em consideração sua formação composta por quartzito, um material muito resistente aos processos denudacionais. Pelas suas configurações bem como pelo privilégio de se avistar grandes extensões dos ermos da Terra Média, estima-se que sua altitude tenha uma variação de 3.700 a 4.500 metros de altitudes.

  As montanhas podem ser classificadas segundo diversos critérios: a) quanto à origem: 1 – montanhas de dobras, 2 – montanhas de falhas, 3 – montanhas vulcânicas, 4 – montanhas de erosão; b) quanto à idade: 1 – montanhas novas, 2 – montanhas velhas, 3 – montanhas rejuvenescidas.

2 É recomendado para aqueles que não conhecem tais aventuras que leiam o livro O Hobbit.

3 Bard era um homem, descendente de Girion, Senhor de Valle, cuja esposa e filho haviam escapado da ruína descendo o Rio Corrente num passado distante.

4 Quando se afirma que os orcs estavam fazendo um conselho, significa que esta raça possuía uma certa organização considerável, uma vez que, uma parcela pequena dos orcs, provavelmente os Grão-orcs, capitães, e comandantes tinham acesso à informação mais ampla e coesa, baseado na leitura e escrita. Este aspecto da leitura e escrita provavelmente possuía características diferenciadas devido as diferentes regiões da Terra Média que os orcs habitavam. Estas diferenciações significam que, em algumas áreas poderia ser mais complexa e rica em detalhes e em outras com aspectos mais rústicos. A organização de tropas orcnianas era importante para a manutenção da ordem dos mesmos; através de seus líderes e responsáveis diretos para tais funções de controle, organização, reagrupamento, estratégia e ação.

5 Gandalf em seu relato a Frodo nos Contos Inacabados (em Minas Tirith) diz abertamente sobre sua previsão e declarou que o estado das coisas no norte estavam muito ruins (antes da Batalha dos Cinco Exércitos) e para Sauron recuperar as passagens do norte havia apenas os anões das colinas de ferro e um dragão.

  Entretanto os planos de Gandalf em ajudar Thorin (Escudo de Carvalho) com a companhia de Bilbo Bolseiro foram cruciais para o sucesso da chegada em Erebor bem como posteriormente a Batalha dos Cinco Exércitos.

  A vitória dos anões, elfos, homens e águias foram fundamentais para e estabilidade das relações de poderes entre os reinos, caso contrário, se os orcs tivessem vencido ali, com certeza um fim desastroso aconteceria mais tarde em toda a Rhovanion e, mesmo tendo uma vitória no sul, tanto no Abismo de Helms como nos Campos de Pelennor poderia não haver rainha em Gondor porque Lothlórien e Imladris estariam seriamente comprometidos com o braço direito de Sauron avançando como um terremoto que rasga um imenso terreno. Diante de todo o contexto que envolveu os eventos em Erebor, principalmente a Batalha dos Cinco Exércitos, fica claro o fator importância sobre toda a Terra Média nos anos posteriores.

6 Esse controle significa o sistema da geopolítica. Fazendo uma aplicação do termo geopolítica para os habitantes ficcionais da Terra Média, significa que é uma ciência que concebe o Estado (neste caso deve-se levar em consideração as palavras reinos e territórios), como um organismo geográfico ou como um fenômeno no espaço. Em outras palavras, “a geopolítica deve ser e será a consciência geográfica do Estado. É, portanto, no contexto da instrumentalização do espaço “terra-mediano” pelo Estado que se desenvolveu a pratica estratégica d poder. O poder “terra-mediano” decorreria da superposição de certas variáveis que atribuem valor estratégico a certas partes da Terra Média.

  Caso houvesse uma vitória por parte dos exércitos orcs na Montanha Solitária, haveria um sistema unipolar ou imperial em Rhovanion. Provavelmente o sistema teria a seguinte configuração:

 
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  Erebor seria uma espécie de potência regional para bater de frente aos outro domínios territoriais inimigos, anões, elfos e homens respectivamente. Uma potência voltada para a criação de escravos, e não formação de cidadãos. Sistema baseado nas trocas desiguais.

7 De acordo com os cálculos de multidões e aplicados à cartografia ficcional tolkieniana, existem evidências que comprovam um contingente superior aos 35.000 guerreiros provenientes de todas as regiões das Montanhas Sombrias e adjacências, contando o exército de wargs.

Referências Bibliográficas:
TOLKIEN, John Ronald Reuel Tolkien. O senhor dos anéis: o retorno do rei. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
TOLKIEN, John Ronald Reuel Tolkien. O Hobbit. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
TOLKIEN, John Ronald Reuel Tolkien. Contos Inacabados: Martins Fontes, 2002.
GUERRA, Antonio Teixeira Guerra e GUERRA, Antonio Jose Teixeira Guerra. Dicionário Geológico – Geomorfológico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, 648 p.
www.galeria.tolkienianos.com (Consulta em 11/02/08).
www.tuckborough.net (Consulta em 11/02/08).
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www.edbeardj.com (Consulta em 11/02/08).
www.thecouncilofelrond.com(Consulta em 11/02/08).
www.hulstentor.de (Consulta em 11/02/08).