Errata de As Cartas de J. R. R. Tolkien

tolkien.jpgSim, infelizmente uma errata já é necessária mesmo o livro mal tendo sido lançado. A situação é a seguinte: descobri dois erros no texto que comprometem o sentido das frases onde eles ocorrem; o problema é que descobri esses erros quando o livro já havia sido enviado para impressão, de modo que só pude confirmar que eles realmente não haviam sido corrigidos quando coloquei as mãos num exemplar. E eles de fato estão lá. Comecemos com o pior deles:
  
 
Na pág. 211, carta 165, quinto páragrafo (sem contar a nota introdutória), há a frase: As "pedras" foram antes criadas para fornecer um mundo para os idiomas do que o contrário. O erro é a palavra pedras, que deveria ser histórias! Agora vocês devem estar se perguntando: "Como ele conseguiu traduzir stories ("histórias") como ‘pedras’?" Acreditem, eu mesmo ainda estou tentando entender isso completamente, mas há uma explicação "técnica": o arquivo de texto do livro que usei para fazer a tradução volta e meia possuía umas "falhas" em alguns caracteres, particularmente com o "r" quando este ocorria no meio de palavras, que se transformava em "n"; dessa forma, palavras como part apareciam como pan e assim por diante. Neste caso do erro em particular, a palavra stories no original estava grafada stones ("pedras") no arquivo de texto. Como vocês podem ver pelo contexto da frase, "pedras" simplesmente não faz sentido algum aí. Como então não percebi o aburdo da tradução? É algo que eu realmente também quero saber. Mas às vezes nos preocupamos tanto com traduções de referências obscuras e de palavras e expressões mais "difíceis" que as coisas mais "fáceis" acabam passando de uma maneira menos "rígida", de um modo meio que inconsciente, como se tais expressões simplesmente não pudessem "dar errado". Ledo engano.

Vamos ao segundo: na pág. 188, carta 153, vigésimo parágrafo (sem contar a nota introdutória), há a frase: Ele não impede ou cria atos pecaminosos "irreais" e suas conseqüências. Qualquer um familiarizado com o legendário sabe o quão absurdo seria Eru cogitar a possibilidade de "criar atos pecaminosos irreais" (?!). Não faz o menor sentido. O original tem make unreal sinful acts and their consequences, e a tradução correta é tornar irreais atos pecaminosos e suas conseqüências, algo que por fim acaba sendo muito mais verossímil com relação a Eru. Motivo do erro? Certamente algo parecido com o erro anterior: uma falta de atenção básica para algo em teoria relativamente simples.

Sei que é chato comprar um livro e acabar lendo erros desse tipo (já tive experiências similares com livros que comprei). Mas acreditem, ninguém fica mais incomodado com esses erros do que eu mesmo, seja por minha preocupação de fornecer o melhor texto possível para os leitores, seja por frustração por ter deixado algo tão bobo passar assim depois de várias revisões. Contudo, errare humanum est continua sendo um dos ditados mais verdadeiros, especialmente em uma profissão ingrata como a tradução. Ainda assim, acho que sempre é melhor apontar tais erros e apresentar suas soluções o mais cedo possível, quando a coisa toda ainda está "fresca", para que uma concepção errada de leitura não seja "consagrada" por anos a fio até que alguém perceba algo de estranho no texto de monte forças-tarefas para esmiuçar o livro atrás de outros erros. E é justamente com isso em mente que peço, caso encontrem mais alguma coisa que possa soar "estranha" e destoar mais que o admissível do original, que me encaminhem esses possíveis erros para que eu possa analisá-los e confirmar se de fato são ou não erros (se forem, serão acrescentados a esta errata atual). Para tal, entrem em contato comigo através do e-mail tilion@terra.com.br ou até mesmo por mp no Fórum Valinor.

Obrigado pela atenção e (por uma desejada) compreensão. E que esses dois fatos não estraguem sua leitura deste livro que é tão importante para a compreensão de vários aspectos do Professor e de sua Obra.

 
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