Vamos Lá, Caneta no Papel (ou Dedo no Teclado)!

 
Bom, quem costuma ler meus textos em geral sabe que estou há cerca de três anos e meio criando e mantendo conteúdo tolkienianos, pra ser mais exato desde fevereiro de 2000 quando coloquei no ar a Calaquendi. Não fui o pioneiro nisso, antes da Calaquendi já existiam algumas páginas aqui e ali (dentre elas a do Barbado) mas talvez tenha direito a requisitar o dúbio título de primeira página com atualizações realmente constantes (e eram mesmo! Cerca de duas atualizações a cada três dias – e não estou contanto notícias). Meio que por ali também surgiram outros projetos constantemente atualizados.

No período mais movimentado da Valinor estivemos entre 3 atualizações a cada 2 dias e 2 atualizações por dia (céus, era muita coisa!) mas agora esse ritmo caiu – devido a vários fatores, sendo que a escassez de material original não é o menor deles – para algo confortável e perfeitamente aceitável de 2 ou 3 atualizações por semana (sem incluir fórum, Lothlórien, Ardalambion – na prática está tudo mais movimentado, mas também mais dividido).

Pois bem, uma coisa que me preocupa nesses três anos e meio mantendo páginas tolkienianas nesse marzão da internet no Brasil é a pouquíssima quantidade de textos de autores nacionais sobre o assunto. Quando eu falo de "autores" não quero dizer escritores nem nada, mas fãs mesmo, todos aqueles comoeu e você que gostamos de Tolkien e gostamos de conversar sobre o assunto. Infelizmente pouquíssimas pessoas se arriscam a colocar idéias, teorias, explicações ou análises pessoais no papel (ou na tela do computador). Antes de continuar, é bom ressaltar que não estou falando sobre ficção baseada no lengendarium tolkieniano, as fanfics, mas sim sobre textos sobre a obra.

Fico me perguntando o por que disso, afinal, é fácil observar nas listas de discussões e na Seção Tolkien do Fórum Valinor que o número de mensagens mais detalhadas, algumas de qualidade fantástica abordando de maneira criativa assuntos já comuns, não é assim tão raro. Muitas pessoas gastam muitas horas gerando mensagens bastante desenvolvidas, mas o que impede esses fãs de mudarem um pouquinho as mensagens e gerarem textos? Não sei dizer. Talvez muito de vergonha com um tanto de insegurança com um pouquinho de preguiça.

Alegar que gostaria que o texto fosse discutido não é uma desculpa válida, afinal cada texto ou notícia inserido na Valinor tem automaticamente criado uma contra-parte no Fórum para permitir a discussão do mesmo e, se tudo der certo, também terá sua contra-parte nas listas de discussão da Valinor (esse trabalho de programação da Valinor é bem mais complexa do que parece a princípio, estamos com algumas dezenas de subsistemas, que embora muito bem programnados, sempre demandam um bom tempo para serem mantidos e atualizados). Portanto interação com os demais fãs é o que não falta.

Eu sinceramente acho que não há por que se temer gerer um texto um pouco maior sobre Tolkien, mesmo que não tenha lá muito jeito pra escritor ou jornalista. Eu, por exemplo, sou Analista de Sistemas (e isso fica bem claro nos textos que eu escrevo, como "escritor" sou um ótimo programador mas isso não me impede de meter a cara a tapa de vez em quando quando surge uma boa idéia. Algumas vezes quebra-se a cara feio (ainda sinto vergonha de uma análise patética sobre Meio-Elfos que fiz uns anos atrás… não este último que fiz aqui pra Coluna do Deriel, um anterior… xá pra lá) mas algumas vezes se acerta em cheio (gosto muito do resultado de um texto sobre fanfics, basta olhar como a Lothlórien anda sortida de boas histórias de ficção!) e na maioria das vezes ficamos ali equilibrados no meio-termo.

Ok, sejamos realistas e admitamos que em termos de experiência Tolkieniana estamos décadas atrás de outros países da Europa pois Tolkien só saiu do nicho de alguns poucos privilegiados para o "povão" com a edição Martins Fontes do Senhor dos Anéis ali em meados da década de 1990, mas com certeza eles também começaram de algum lugar. Se não nos esforçarmos para gerar textos críticos, discussões (que não gerem aquele chororô desgraçado só porque alguém contrariou a idéia de outrem) talvez não tenhamos nada além de textos em inglês para ler, logo. Aliás, nem isso. Na Valinor já estamos sentindo uma certa dificuldade incipente em encontrar textos tolkienianos de qualidade para serem vertidos aos português e boa parte do que temos como fonte são ensaios do Martinez, mas mesmo estes estão no fim.

Aliás, acho que o medo de encarar uma possível crítica negativa seja um dos grandes fatores que impedem o fã de escrever um texto ou mesmo de participar de uma discussão construtiva em algum lugar. Uma refutação quase sempre é encarada como uma ofensa pessoal e tratada como tal, matando a utilidade da discussão e cansando aqueles que acham que conversando se resolve. Só não recebe críticas que não se expõe, mas hoje em dia qualquer crítica é recebida como falha pessoal e falhas pessoais são fracassos em um mundo que não perdoa o mínimo deslize. Críticas sempre existirão, sejam boas ou ruins, sejam válidas ou cruéis, sejam inteligentes ou oriundas de desinformação.

Nem tudo são flores, lógico. Um texto preguiçoso e mal escrito vai ser triturado. Afinal, em uma discussão antiga e avançada como Asas de Balrogs fazer um texto superficial no mínimo é perda de tempo. Convém ter um conhecimento razoável de todo o entorno da questão antes de se lançar a tecer uma nova teoria ou mesmo resumir o que se sabe ate´o momento.

Portanto, relaxe, escolha um tema que você goste: cabelos do Legolas, aparência do Boromir, Asas de Balrog (ok, ok, esqueça essa aqui), história de algum artefato e mande ver! Claro que demanda algum esforço de pesquisa, principalmente de citações dos livros (afinal, o texto tem que sustentar em algo mais além da palavra do autor) mas vale a pena. Até hoje não me recordo de ter recusado um texto sequer na Valinor e duvido que o façamos, sendo um texto honesto. Então… por que não? A Valinor está de portas (e banco de dados) abertas a todos vocês e eu pessoalmente estou ansioso por ler novos e criativos textos.

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