O que Tolkien oficialmente falou sobre sexo entre os elfos

Resumo: Uma lista de referências cruzadas com tudo o que Tolkien falou sobre sexo entre os elfos.

Favor não reproduzir nem postar este ensaio sem permissão do autor. Alguns visitam procurando comédia, outros informações. Faça dele o que quiser!

Introdução

Desde o lançamento do filme de A Sociedade do Anel, surgiram aparentemente duas idéias populares sobre a vida sexual dos elfos. Ou eles eram radiantemente assexuados ou eles passam o tempo inteiro transando loucamente entre eles, junto com aníµes, hobbits e homens que aparecem pelo caminho. A opção que você prefere é de acordo com o quão atraente você acha que Orlando Bloom é. A história da Terra média de Tolkien nos providencia com algumas informações sobre a vida sexual dos elfos. Eu os reuni, a princí­pio, como referência para escrever ficções. Todas estas informações incluem a citação de seus textos originais. Uma fonte importante é o ensaio “Leis e Costumes entre os Eldar”, publicado no livro Morgoth’s Ring: History of Middle Earth. Este ensaio é referenciado tantas vezes aqui que será citado como a sigla LCE. O LCE também discute o casamento élfico e a concepção em detalhes, mas isto está fora do escopo deste ensaio. A sigla HoME se refere a um livro na série History of Middle Earth. Uma bibliografia completa está incluí­da ao final.

É útil considerar que quando Tolkien estabeleceu o sistema social élfico, ele estava, de certa forma, criando seu povo ideal, baseado em seus próprios valores. Também é importante lembrar que este ensaio descreve o que Tolkien disse sobre pessoas de fantasia em um mundo de fantasia.

Boas e más notí­cias sobre libido dos elfos

A boa notí­cia é que elfos gostam de sexo. “A união de amor é realmente de grande deleite e alegria para eles.” (LCE) A má notí­cia é que elfos tendem a perder o interesse no sexo depois de terem tido filhos. “Com o exercí­cio do poder (de gerar), o desejo cessa rapidamente, e a mente se volta para outras coisas, eles têm muitas outras necessidades do corpo e da mente que a natureza deles urge em cumprir.” Eles lembram alegremente da época sexualmente ativa da sua vida, um perí­odo ente uma e várias centenas de anos. (LCE) Também, “eles são freqüentemente dominados pelas necessidades da carne, mas são por natureza controlados e firmes.” (LCE) Sinto muito.

Elfos andróginos

Os elfos eram de fato andróginos. É estabelecido que rapazes elfos não tinham barba (História de Galadriel e Celeborn CI). Há apenas uma contradição nisso, que é o fato de que Cí­rdan tinha barba. (Os Portos Cinzentos, RDR). Tolkien descreve as diferenças entre os sexos dos elfos como segue em LCE:

“Em todas as coisas que não são referentes à concepção de crianças, os neri e nissi (quer dizer, homens e mulheres) dos eldar são iguais… haviam menos diferenças na força e velocidade entre elfos e elfas que não tiveram filhos do que é visto entre mortais.”?

Ele segue explicando as diferenças nas preferências de carreiras entre os sexos e conclui com “Mas todas essas coisas, e outros assuntos de trabalho e diversão… podem em tempos diferentes serem persuadidos por qualquer um entre os Noldor, seja neri ou nissi.” Entre o povo élfico dos Noldor, as elfas fazem pão. “Ainda que o cozinhar e preparar outros alimentos é geralmente uma tarefa e um prazer dos elfos.” (LCE) Eu presumo que eles comem muito churrasco e molhos vermelhos muito elaborados, então.

Sexo = casamento, mesmo na correria

Tolkien descreve o casamento élfico detalhadamente no ensaio LCE. O que ele fala sobre sexo e casamento… bem, eu não posso fazer nada além de citá-lo diretamente. Ele fala que, entre o povo de fantasia da Terra média, “Casamento é principalmente do corpo, pois é alcançado pela união dos corpos, e sua primeira operação é gerar os corpos das crianças, mesmo que não se limite a isso e tenha outras operações. E a união dos corpos no casamento é única, e nenhuma outra união lembra esta.”

A partir daí­, segue que entre os elfos “Era o ato da união corporal que se alcançava o casamento… era ao mesmo tempo lí­cito para quaisquer dos eldar, ambos sendo solteiros, casarem de livre vontade sem cerimônia ou testemunhas…em uma fugida rápida e exí­lio e andanças, tais casamentos eram feitos com freqüência.” Tolkien então prossegue imediatamente para uma discussão sobre gerar crianças. Então, “casar de livre vontade” significa que o elfo e a elfa em questão concordam em serem parceiros pelo resto da vida, e não há desculpa para sexo casual entre os elfos.

Então, novamente, Tolkien menciona que Celeborn era “o amante de Galadriel, com quem mais tarde se casou.” Este comentário nos leva a um punhado de notas antigas que falam que o nome de Celebor em Quenya era Teleporno. Dá pra imaginar porque esse nome foi mudado. (História de Galadriel e Celeborn, CI)

Feliz dia de concepção para você!

Os elfos não lembram nem celebram o dia em que nasceram como o dia em que passaram a existir. Em vez disso, eles celebram o dia em que os pais o conceberam. Este é o dia que os pais fizeram o sexo que o gerou. (LCE) Aparentemente, havia alguma vontade parental envolvida no ato da concepção. Ou isso ou eles transavam tão pouco que era fácil de lembrar. “Grávida? Como isso aconteceu? Oh, foi naquela quinta-feira há três luas atrás. Oh, sim” Este parece ser um bom momento para mencionar que Tolkien era católico, então isto era compatí­vel com seu sistema religioso e de crenças.

Os fatos da vida élfica

Então, sexo é igual a casamento e a concepção é considerada importante. Alguns outros fatos élficos da vida, todos contidos no LCE.  Sobre gravidez élfica, “Um ano se passou entre a concepção e o nascimento de uma criança élfica, então os dias de ambos são os mesmos, ou praticamente os mesmos.”? A infí¢ncia e adolescência élfica dura até a idade de, aproximadamente, 50 anos. Os elfos tendem a casar logo que chegam na idade, com um noivado de um ano como padrão. Os elfos não falam que “tiveram um bebê”?, mas que “um bebê foi dado a nós.”? O maior número de filhos que um casal élfico teve foi sete, os filhos de Fí«anor e Nerdanel. Tolkien não falou nada sobre puberdade élfica. Mesmo assim, acredito que ela ocorra.

Quenya para “sua coisa sexy”??

Um estudioso nas lí­nguas élficas, Helge Fauskanger (Ardalambion) uma vez disse que “Em algum lugar deve ter um envelope selado contendo um pedaço de papel com as designações élficas para os órgãos genitais, furtivamente criados por Tolkien por trás de portas trancadas.” Alguém encontrou o envelope. A publicação das listas de palavras arquivadas que datam da década de 20 de Tolkien de um “Noldorin Precoce” revelou que essas designações existem, ao menos em Quenya (obrigado ao astuto Delalyra, que disponibilizou essas informações.)

Começaremos com as partes essenciais; o termo em Quenya em itálico e a designação em português ou latim de Tolkien entre aspas. Primeiro, huch, “cunnus”, e mona, “ventre”, são para as elfas; vií«, “membranum vir” é para os elfos. Todos possuem hacca, “nádegas, bunda”, e todos podem ficar helda que é nu, despido. Isto posto, considerando que o casal élfico já está devidamente casado, é hora de realizar a tarefa marital do puhta “coitus” (pronome), apesar de que se espera que a atividade do casal possa ser referida com o verbo púcí«, um termo levemente mais sutil que se refere à atividade de uma forma mais “poética ou arcaica”. (Parma Eldalamberion 13ª Edição).

Outro termo em Quenya é o nosta/ Sindarin onna, conceber. A fonte para isto é o adeus de Barbárvore para Galadriel e Celeborn em “Muitas Despedidas”, RDR. Esta despedida inclui a frase em Quenya “O vanimar, vanimalion nostari”, traduzida em O Final da Terceira Era, no capí­tulo que abrange “Muitas Despedidas”, nota de rodapé 16, como “belos seres que concebem belos seres.” Existe um pronome do Quenya primitivo, ontí¢ro, que significa vigor ou virilidade, que pode abrir um leque de interpretações ligadas etimologicamente ao termo Quenya vie. Havia também uma palavra em Quenya que significava virgem, rod, como em Redwen “Alta Nobre Virgem (fêmea).” (Maeglin, A Guerra das Jóias, HoME.)

Isto é tudo o que a linguí­stica oficial de Tolkien refere ao sexo entre os elfos.

Elfos normais e os que Tolkien inventou

Em LCE, Tolkien fala que os elfos geralmente se casam cedo, no iní­cio da vida adulta, que seria entre 50 e 100 anos de idade. Ele fala que é normal para os elfos e que elfos que fizeram diferente tiveram “destinos estranhos”. (LCE) Então ele segue para nos apresentar uma grande variedade de personagens elfos que casaram tarde (Galadriel, Elrond, Idril, Lúthien, Aredhel, Eöl, Thingol), ou que nunca se casaram (Legolas, Finrod, metade dos filhos de Fëanor) ou cujo estado marital é vago ou desconhecido (Glorfindel, Gil-Galad). Fëanor é o melhor exemplo deste feliz casamento precoce. Por isso que ele teve uma quantidade excepcional de filhos (sete). E sua mulher o deixou. (Shibboleth of Fëanor, Peoples of Middle Earth, HoME). Possivelmente a elite élfica, que Tolkien escreveu quase que exclusivamente, atrasou o casamento por razões sócio-polí­ticas.

Coisas muito feias de se fazer

Tolkien tinha algumas idéias sobre elfos e o crime de estupro. Na versão original de uma das histórias de O Silmarillion, “Eöl encontrou… a irmã do Rei Turgon vagando nos ermos próximo de sua casa, e ele a tomou como esposa à força: um ato terrí­vel aos olhos dos eldar.” (Quendi e Eldar, nota de rodapé 9, Guerra das Jóias, HoME). De fato. Eöl é, aparentemente, o vilão élfico nº1, pois utiliza veneno, faz amizade com os anões, mal humorado e reservado, tentou matar o próprio filho.

Com o tempo, Tolkien aparentemente mudou de idéia sobre a possibilidade de os elfos cometerem estupro, como descrito no parágrafo acima. Na versão final do conto de Eöl e Aredhel, Aredhel foi tomada “à força”, mas Eöl usou encantamentos para convencê-la (O Silmarillion). “Raras são as histórias de atos de luxúria entre eles.” (LCE) Desta forma, estupro, molestação e chicotadas estão fora de questão para 99,9% dos elfos.

Quando são estuprados, os elfos morrem, de acordo com a nota de rodapé para esta frase. A nota de rodapé também discorre sobre o por que dos elfos não cometerem adultério.

“Dentre todos esses males, não há registro de nenhum entre os elfos que tomou outra esposa à força; pois isso era totalmente contra a sua natureza, e alguém que foi forçado rejeitaria a vida corporal e iria para Mandos. Trapaça ou simulação nesse assunto era praticamente impossí­vel… pois os eldar podem ler de imediato nos olhos e na voz de outrem se é ou não casado.” (LCE, nota de rodapé 5)

Existe uma pequena contradição com o tormento/estupro presumido de Celebrí­an (Conto dos Anos, RDR). Possivelmente os elfos podem suportar o sexo forçado se eles vêem alguma razão adiante, mas essa é a minha idéia, não a de Tolkien.

Os homens nas histórias de fundo de Tolkien “casam à força” com muito mais freqüência. Estupro e casamento forçado são tramas em diversas histórias de homens. Ele também quebra o tabu do incesto com Túrin e Nienor, onde ambos morrem de forma trágica. Falando em tragédia…

Sexo entre espécies é trágico

Elfos que casam/amam/fazem sexo com homens mortais possuem, basicamente, “destinos estranhos”. Existem quatro casamentos deste tipo no cânone tolkieniano: Beren e Lúthien, Idril e Tuor, Aragorn e Arwen, Mithrellas e o primeiro Senhor de Dol Amroth. Mithrellas não apareceu mais; ela fugiu do seu marido (História de Galadriel e Celeborn, CI). Beren e Lúthien e Aragorn e Arwen acabaram transformando as elfas em mortais. Isso significa que elas não só morrem em vez de viver uma vida élfica imortal, as suas almas deixam o mundo e passam a eternidade com as almas dos homens. Idril e Tuor conseguiram arranjar um final feliz, navegando juntos para o Oeste e sendo aceitos lá. (O Silmarillion).

Também existe o caso de um elfo se apaixonando por uma humana. (fãs de Legolas, por favor se acalmem). Eles não se casaram. Esta história deprimente, do orgulhoso Aegnor e da sábia Andreth é contada em “Athrabeth Finrod ah Andreth”, ou o Debate entre Finrod e Andreth. (Morgoth’s Ring, HoME). Existem inúmeras razões do porque das relações sociais enter elfos e humanos são erradas e tão azaradas.

Me arranje muito cabelo, na altura do ombro ou mais comprido

“Todos os eldar possuem cabelos belos (e eram especialmente atraí­dos por cabelos de excepcional beleza).” (The Shibboleth of Fëanor, The Peoples of Middle Earth, HoME). Um trecho estranho, digno de nota, pois é uma das nossas poucas pistas sobre o que excita os elfos. Belas vozes também, implicitamente, são atraentes. A mais encantadora elfa de todas, Lúthien, usava encantamentos para fazer seu cabelo crescer de forma extremamente longa. Isto pode ter sido o equivalente erótico élfico para dar nó no toco de uma cereja com a lí­ngua.

Beijando primos

Os elfos viam o incesto como um forte tabu, claramente demonstrado em O Silmarillion quando Maeglin ficou com tesão por sua primeira prima Idril: “E os eldar não se casavam com parentes tão próximos, nem nenhum havia desejado tal coisa antes.” (De Maeglin, O Silmarillion).

O tabu aparentemente aumentou para primos em segundo grau. Notas em “De Maeglin” em O Silmarillion implicam que essa perversão de Maeglin era parte da maldição de Mandos sobre os Noldor. Notas em Morgoth’s Ring implicam que, se vocês eram primos em primeiro grau mas seu tio era meio irmão de seu pai, isso anulava suficientemente o tabu para que o casamento se tornasse uma opção. Outras notas em LCE, estranhamente seguindo as notas de rodapé (p. 234) discutem outras possibilidades de incesto-tabú que belos imortais devem se preocupar. “Nenhum dos eldar casavam com parentes em linha direta de descendência, nem filhos de mesmos pais, nem a irmã ou irmão de seus pais; tampouco casavam com meios irmãos ou meio irmãs.” LCE.

Onde estão os elfos gays?

Porque, com certeza, os elfos eram gays. “Muitos Encontros” em A Sociedade do Anel demonstra claramente que alguns eram alegres como crianças, enquanto outros… Ah. Você quer dizer elfos homossexuais.

Para desapontar crí­ticos em todos os lugares, não existem demonstrações claras de homossexualidade élfica. Não existem sequer demonstrações obscuras. O casal élfico mais sugestivo são Fingon e Maedhros, resgatando um ao outro e, só por isso, trocando presentes. (Narn i Hí®n Húrin, CI). Mas mesmo assim, isso causou menos estranhamento em 500 anos do que Sam e Frodo causaram em um dia.

Apesar de que Tolkien nunca falou que elfos FAZIAM sexo gay enlouquecidamente, ele também nunca falou que NÃO FARIAM. E eu sei que conclusão tirar disso.

Uma última nota estranha de LCE é que elfos não mudam de sexo, mesmo reencarnando. Mas isso é uma outra história.
Notas de rodapé e agradecimentos a leitores

– Um leitor gentilmente providenciou uma tradução de “sua coisa sexy”: narlyí« nat vanya. Uma tradução literal seria “sua coisa bonita”, mas eu só imagino isso sendo usado no contexto. Agradeço a Cheribin.

– Fingon era casado ou não? Existem notas contraditórias a esse respeito, e não posso dizer nem que sim nem que não. O Silmarillion fala que sim, e que ele era pai de Gil-Galad, como consta no capí­tulo “Dos Anéis de Poder e da Terceira Era”. A mãe de Gil-Galad jamais teve seu nome mencionado. Entretanto, uma nota em Peoples of Middle Earth fala que Tolkien mudou de idéia e especificou que Fingon “não tinha esposa nem filho.” Essa é a nota 35 do ensaio The Shibboleth of Fëanor.

– Agradeço a um leitor da Austrália pelas notas que levaram a uma atualização dos parágrafos “Sexo entre espécies é trágico” e ao leitor da Holanda que notou a correção supra sobre o estado civil de Fingon.