Espelhos Mágicos

Nas mitologias, contos e histórias de fantasia existem variados e semelhantes artefatos, cada um com seus significados e valores. Mas um deles é mais do que especial, diferente da tradicional espada de reis que brilham e são forjadas pelos melhores ferreiros: os “Espelhos Mágicos”. Estes sim são diferentes, são místicos, poderosos, enganadores, tentadores e motivos de curiosidade. Alguns podem ser mais do que simples espelhos de vidro que refletem uma imagem, eles podem nos mostrar coisas que poderão ser ou que foram nas histórias que nos rodeiam, ou melhor, que giram em torno do personagem que o usa.

Com certeza quando se fala em fantasia, poder e qualquer coisa mitológica, você se lembra das obras de nosso professor. Sim, como não poderia deixar de ser, Tolkien colocou um Espelho Mágico em uma história sua. Mas não, não é aquele espelho de vidro de poder mágico comum nos contos, é um espelho metafórico que reflete o que aquele que o usa quer ver, às vezes positivamente, às vezes negativamente, outras vezes até distorcidas, sempre misteriosas, mas com um dom especial que só Tolkien foi capaz de construir. Este espelho na obra de Tolkien é pertencente à rainha Élfica Galadriel, em Lórien. É uma bacia prateada que, quando cheia da água pura corrente, torna-se mágica. Na mitologia é comum personagens que vivem num conflito, são poderosos ou dependem de informações importantes, recorrerem à “ajuda”? do Espelho. Mas será que esses devem ter tanta certeza assim ? Será que um Espelho funciona certo, na vontade de seu usuário, ou tem vontade própria ?

Jamais aquele que usa o Espelho deve ter tanta confiança assim. Afinal, o Espelho pode ter sim vontade “própria”?. Porque não ter certeza assim, como pode ter vontade “própria”? Se formos nos lembrar do Espelho do conto “Branca de Neve”, usada pela rainha e mulher “mais bela” do reino, vimos que quando ela pergunta “Espelho, espelho meu. Existe alguém mais linda do que eu?” ela obtém como resposta um “sim!”, mas em uma das respostas o Espelho mente para ela, enquanto que a mais linda é a Branca de Neve. Assim, da mesma forma que este Espelho mentiu para agradar sua rainha, o Espelho de Galadriel pode ser falso para com quem usa.

Mas o que seria exatamente a “vontade própria”? No Espelho de Galadriel, no ano de 3018 da TE, Frodo Bolseiro, quando esta na missão de destruir o Anel, olha através dele e vê muitas coisas estranhas, coisas assustadoras, coisas ruins. O que seria da “Sociedade” se Frodo fracassasse ? É no que Frodo vê que ele descobre até onde pode ser levado. Ele viu o futuro “distorcido”, pois é como se o Espelho captasse os sentimentos de quem o usa e, em cima destes, ele trabalha e constrói a imagem para quem o observa. Frodo, assim como aqueles que usam Espelhos, tem curiosidades e querem saber o que pode acontecer se ele fizer tal coisa. Frodo estava pressionado pelo fardo que tinha de carregar, era o Um Anel, um objeto cobiçado e razão de mortes. Para Frodo, o Espelho serviu-lhe como teste de “resistência”?, já que ele estava pressionado pelo que tinha de fazer.

Tudo depende da vontade deste que é testado. O “medo” de fracassar é uma arma que, acima de tudo, testa o indivíduo. Antes de amor, ou qualquer sentimento, o medo realmente nos testa. É por isso que Frodo foi testado pelo Espelho, pois este captou seus sentimentos e testou o hobbit. Mas não é aquele teste amigável, mas sim um teste forte, abusando dos níveis que tal ser pode chegar.

E depois que Frodo termina sua “sessão Espelho”?, Galadriel diz “Eu sei o que você viu por último”?. E esta última visão é do encontro de Frodo com o Olho, metafórico, de Sauron, o Olho sem Pálpebras. Qual seria a ligação entre a visão do hobbit com o interesse possível pelo Anel, por Galadriel ? A rainha élfica de Lórien desejava o Anel, era sábia e tola ao mesmo tempo. Mas acima de tudo a inteligência e simplicidade prevaleceu no instante do pegar ou não o Anel de Frodo. Ela entendeu que era o Bolseiro quem deveria ter este fardo. E aí nesse caso, existe alguma relação entre Galadriel/ Espelho/ Frodo ?

Acredito que sim, pelo que tudo indica, pois Galadriel tinha um poder místico de falar por telepatia com quem ela desejava. Era bem mais do que falar por telepatia, era adivinhar o que o ser pensava nos seus momentos culminantes. O momento de máximo envolvimento com o Espelho foi quando Sauron “apareceu”: Frodo temia-o, mesmo sem muito conhece-lo. E, Galadriel, podia sentir o que o outro sentia quando ela desejava. Pois o Anel era muito importante.

Para finalizar, um último caso deve ser citado aqui, que é no momento que o ser usa o Espelho. Este fica em contato com o Espelho, única e exclusivamente. É como se ele tivesse fora da realidade, apenas mergulhado nos pensamentos que o Espelho lhe testava. Tudo ao seu redor é apenas cenário, quando as visões terminam, geralmente em momentos fortes e misteriosos, sem respostas, o usuário leva um “choque”? quando volta a entrar em contato com o mundo real, o seu mundo. Assim como aconteceu com Frodo: a água evaporava, como algo metafórico de que o tempo esta acabando, quando parece contar todos os detalhes, a visão acaba. E é nisso que ele deve se testar: tudo dependerá do que ele irá se deparar no caminho, aí é a força interior que prevalece.