Ele deverá ser como uma árvore plantada ao longo de rios de água

As árvores da Terra Média revelam o profundo amor de Tolkien pelos graciosos gigantes da natureza. Mas apesar de os Ents defenderem a causa das árvores num mundo de lenhadores de duas pernas, eles parecem ter revelado um pouco mais sobre eles. Devemos aumentar as palavras de Tolkien com nossas imaginações, uma vez que estamos prestes a contemplar todas as árvores dos silenciosos e selvagens bosques.
 

Como os Ents foram parar na Floresta Fangorn? Como, e quando, eles fizeram a jornada através da Terra Média para o extremo sul das Montanhas Cinzentas? E por que eles se moveram por todo esse caminho até lá? Fangorn conta a Merry e Pippin que ele uma vez vagou pelos prados de salgueiro de Tasarinan. Prados de salgueiro é uma expressão curiosa, uma vez que árvores não crescem em prados. Porém, Tolkien adorava espalhar salgueiros por toda a Terra Média, ao longo de rios e lagos. E salgueiros realmente crescem junto de rios e lagos.

O salgueiro há muito tempo tem sido usado como um símbolo de arrependimento e amor perdido na literatura Inglesa. Quando Fangorn conta sobre sua juventude em Beleriand, ele começa com os prados de salgueiro de Tasarinan (Nan-Tathren no mapa de Beleriand, uma região entre as fozes do Sirion e seus Portões, para o sul de Doriath). Quando Frodo e Sam vagam por Mordor e estão com sede, Sam pensa melancolicamente, onde eles pararam em sua jornada, em salgueiros ao lado de rios. E quando Théoden conduz os Cavaleiros de Rohan fora de Harrowdale, eles passam por salgueiros ao longo do Riacho de Neve..
A mais poética descrição de salgueiros na Terra Média é provavelmente a descrição de Voronwë, de Nan-Tathren, para Tuor em “De Tuor e sua chegada a Gondolin”:

…Naquela terra o Narog se une ao Sirion, e os dois não mais se apressam, mas seguem largos e silenciosos através de prados cheios de vida; e em toda a volta do rio reluzente há lírios como um bosque em flor, e a relva é repleta de flores, como pedras preciosas, como sinos, como chamas de vermelho e ouro, como uma extensão de estrelas multicoloridas em um firmamento verde. Porém o mais belo de tudo são os salgueiros de Nan-Tathren, de um verde-pálido, ou prateados ao vento, e o farfalhar de suas inúmeras folhas é um encanto de música: o dia e a noite passavam palpitando, sem conta, enquanto eu ainda me detinha, submerso em relva até os joelhos, a escutar. Lá fui encantado, e esqueci o Mar em meu coração…

Apesar de toda sua beleza e felicidade, no entanto, Nan-Tathren parece nunca ter atraído uma população élfica permanente. Tuor e Idril conduziram os exilados de Gondolin para a região e permanecerem ali por um tempo, realizando banquetes e fazendo canções de arrependimento e mágoa por Gondolin, e para lembrar a coragem de Glorfindel. Mas eles não continuaram por muito tempo na região.

A canção de Fangorn para os Hobbits fala que ele ficaria em Nan-Tathren (Tasarinan – ele preferia usar Quenya) na primavera, e dali passar ao leste para Ossiriand, para vagar pelos bosques de olmo. No outono ele vagaria em Neldoreth, uma das florestas de Doriath, e dali passaria ao norte para Dorthonion no inverno.

É fácil inferir que os Ents rodearam Beleriand durante a Primeira Era, mas também deve-se perguntar como ou quando. Doriath era supostamente impenetrável, porém os Sindar podiam passar livremente para dentro e fora. Talvez Melian, sabendo quem e o que os Ents eram, permitiram que eles passassem livremente. Mas a antiga canção dos Ents não deve realmente retratar um modelo ou rota que qualquer Ent deve ter vagado em Dorthonion depois da Dagor Bragollach, quando Sauron conduziu um exército de Angband até a região mencionada.

Em todas as probabilidades, os Ents devem ter se retirado para Ossiriand. Ali, aliados com os elfos verdes e talvez com alguns dos feänorianos, eles teriam ajudado a manter a região livre do poder de Morgoth. Os Ents estavam, desta maneira, disponíveis a ajudar a destruir o exército de Nogrod quando retornou de Doriath, embora a estória da destruição de Doriath nunca foi totalmente desenvolvida para o Silmarillion. Por que os Entes deveriam ajudar a destruir um exército de anões? Tolkien não dá nenhuma resposta, apesar de que pode-se supor que no saque de Doriath muitas árvores teriam sido destruídas, acordando a raiva dos Ents.

Ossiriand teria se tornado populosa com antecedência na Segunda Era, no entanto. Não somente moravam os elfos verdes ali, como também os Sindar e Noldor, e por um tempo alguns dos Edain moraram na região. Os Ents devem ter se retirado para o leste do outro lado das montanhas para Eriador a fim de encontrar um pouco de paz. É claro, havia alguns Sindar que os haviam precedido, mas já havia muitos elfos Nandorin e Homens também.

Fangorn fala de um tempo onde uma enorme floresta se estendeu a partir das Montanhas Sombrias para as Montanhas Azuis (Ered Luin): “… Aqueles foram dias grandiosos! Houve um tempo em que eu podia caminhar e cantar o dia todo e escutar apenas o eco de minha própria voz nas concavidades das colinas. As florestas eram como a floresta de Lothlórien, apenas mais densas, mais fortes, mais jovens. E o aroma de ar! Eu costumava passar uma semana só respirando.

Os Ents parecem ter gostado de sua privacidade, de seu tempo quieto nos bosques. Então eles naturalmente evitaram o abarrotamento da civilização. Até os Elfos eram grandes construtores de cidades, e os marinheiros de Círdan eram lenhadores que necessitavam de madeira para seus navios. Especialmente os Ents não estavam muito contentes com os Falathrim ou quaisquer Elfos que usavam madeira extensivamente.

Por outro lado, as Entesposas eram muito organizadas, e até certo ponto em suas andanças, elas se dispersaram dos Ents. É impossível dizer quando a separação dos Ents e das Entesposas começou, mas é bem possível que tenha começado depois dos Ents terem se estabelecido nos bosques que se tornaram a Floresta Fangorn. E quando os Ents se estabeleceram nesse local? Provavelmente por volta desta época os Sindar estavam migrando em direção ao leste e estabelecendo reinos nos Vales do Anduin. “Os limites de Lórien” (Apêndice C de “A História de Galadriel e Celeborn” em Contos Inacabados) conta que “Pois a lenda relatava que o próprio Fangorn se encontrara com o Rei dos Galadhrim em dias antigos, e Fangorn dissera: – Conheço o meu, e você conhece o seu; que nenhum dos lados moleste o que é do outro. Mas se um elfo desejar caminhar na minha terra por prazer, será bem vindo; e se um ent for avistado na sua terra não tema nenhum mal.

Por que havia necessidade de Fangorn estabelecer limites sobre os Elfos, e dividir as terras? A resposta deve ser que os Ents vivenciaram certo atrito até mesmo com os Elfos, e esse atrito deveu-se ao uso de árvores. Os Elfos de Lórien usavam as árvores assim como a maior parte das pessoas as utiliza: eles constroem casas, móveis e barcos.
Os Ents devem ter percebido que até certo ponto não podiam mais contes os Elfos e Homens em Eriador, então eles retiraram-se para os bosques ao sul e estabeleceram um acordo aonde as árvores poderiam crescer livres e selvagens.

Mas Fangorn também conta a Merry e Pippin que havia lugares na floresta onde as árvores eram antigas, algumas até mais velhas que ele, e a sombra nunca aterrisou sobre elas. A sombra, ou escuridão, a qual ele se refere parece ser de Morgoth e não Sauron. Fangorn fala de um tempo onde os Elfos começaram a fugir para o Mar. Isso só pode se referir ao período após a Guerra dos Elfos e Sauros. Mas desde que ele próprio vagou por Beleriand, e relembrou de Tasarinan, ele era mais velho que a guerra. Portanto, as árvores que eram mais velhas que ele estiveram vivas por séculos, talvez milênios, antes que Sauron invadisse Eriador.

Também, se os Ents estiveram presentes em Eriador quando Sauron queimou as florestas, eles deveriam relembrar a catástrofe e se opor a Sauron diretamente. Ao invés disso, Fangorn somente sabe que as florestas foram destruídas. Ele e seu povo parecem ter estado habitando próximos ao fim das Montanhas Sombrias quando Sauron invadiu Eriador. Então a migração Ent ocorreu primariamente à Guerra dos Elfos e Sauron, e dessa forma parece lógico que os Ents procuraram uma terra onde eles poderiam obter algum benefício (dissipando a escuridão antiga das árvores ou evitando que as árvores más machucassem inocentes e espalhassem o mal), assim como estabelecendo um refúgio onde as árvores pudessem ser protegidas e alimentadas.

De sua parte, as Entesposas parecem ter morado próximo do extremo sul das Montanhas Sombrias dos primeiros dias. Fangorn conta a Merry e Pippin que as Entesposas cruzaram o Anduin “quando a escuridão veio para o Norte”. O evento o qual se refere só pode ser o retorno de Morgoth a Terra-Média, e o estabelecimento de Angband. O poder de Morgoth se estendeu através de toda a Terra Média, mas após os Noldor retornarem à Terra Média, ele começou a concentrar sua atenção em Beleriand. Então deve ter havido um breve período em que Morgoth encontrou os jardins das Entesposas e as ameaçou ou as importunou.

Mas a situação das Entesposas levanta uma interessante questão: o que elas estavam fazendo ali em primeiro lugar? A resposta deve ser que a Floresta Fangorn representa não apenas o último refúgio dos Ents na Terceira Era, mas também a terra de sua origem. Fangorn diz que os Elfos originalmente acordaram os Ents e os ensinou linguagem. Os elfos poderiam ter feito isso em Cuiviénen, mas Fangorn nunca menciona Cuiviénen, e Ents nunca estão associados com Cuiviénen. Também, a Grande Jornada marca o início da real expansão e curiosidade Élfica. Pode ser que alguns dos Eldar, ou talvez alguns dos Nandor, acordaram os primeiros Ents, logo que os Elfos cruzaram o Anduin.

Quando os Elfos passaram para o oeste, ou se dispersaram através de outras terras, os Entes devem ter se movido, para aprender mais sobre o mundo. As Entesposas ficaram em casa, e o eventual separatismo entre os dois sexos dos Ents começou logo cedo. Os Ents retornavam para as Entesposas de tempos em tempos, mas os dois grupos gradualmente foram à deriva. Finalmente, as Entesposas cruzaram o Anduin. A passagem deve ter sido facilmente alcançada nos vaus, e as Entesposas se estabeleceram nas terras ao sul da Floresta das Trevas, e então a leste de sua floresta original. Elas deviam estar próximas dos Elfos e dos Homens, mas elas poderiam ter permanecido relativamente intactas.

Na Segunda Era, como os Ents se retiraram para o leste de sua antiga morada, eles acharam antigos bosques infectados pelos mal e que as Entesposas haviam partido. Mas eles continuaram tendo contato com as Entesposas durante um tempo. A separação final deve ter sido o resultado final de Guerra dos Elfos e Sauron. Os Ents observaram enquanto o mundo revolvia-se em tumultos ao redor deles. Pois Sauron não apenas invadiu Eriador, ele mandou exércitos de Mordor para marchar ao norte para destruir as pessoas Edaínicas das Terras Selvagens, assim como quaisquer reinos Élficos que pudessem alcançar. Provavelmente, os Ents permaneceram na Floresta Fangorn pelo resto da Segunda Era. Eles prestaram pouca atenção quando a Última Aliança dos Elfos e Homens marchou ao sul contra Mordor. Mas um dia Fangorn decidiu visitar seu antigo amor Fimbrethil, e passando ao leste através dos Vaus ele chegou a uma terra devastada pela guerra. As Entesposas haviam partido, e seus jardins haviam sido destruídos.

E então começou uma aventura que deve ter durado mil anos. De vez em quando os Ents arriscavam-se para adiante e perguntavam às pessoas se haviam visto as Entesposas. Certamente, os Ents nunca encontraram as Entesposas. Quando questionado sobre elas por um leitor, Tolkien respondeu:

Eu acredito que de fato as Entesposas desapareceram pelo bem, sendo destruídas com seus jardins na Guerra da Última Aliança (Segunda Era 3429-3441), quando Sauron lutou por uma política de terra seca e queimou a terra delas contra o avanço dos Aliados abaixo do Anduin (vol.II p.79 refere-se a isso). Elas sobreviveram somente na “agricultura” transmitida aos Homens (e Hobbits). Algumas, é claro, devem ter escapado para o leste, ou até se tornado escravizadas: tiranos mesmo em tais contos devem ter um fundo econômico e agricultural para seus soldados e metalúrgicos. Se alguma então sobreviveu, elas estariam bem diferentes dos Ents, e alguma reaproximação seria difícil – a não ser que a experiência da agricultura militarizada e industrializada tenha as tornado um pouco mais anárquicas. Eu espero que sim. Eu não sei. (Letter 144)

A procura dos Ents pelas Entesposas inspirou muitas músicas e canções, e até mesmo Aragorn parecia saber algo da longa procura dos Ents, pois ele disse a Fangorn que novas terras seriam abertas a ele. Fangorn naquela altura tinha pouca esperança de encontrar sua amada Fimbrethil novamente, e ele pode nunca ter deixado seus bosques na Quarta Era. Os Ents parecem se contentar em permanecer no bosque selvagem, e vigiar Orthanc, para assegurar que o mal nunca retornará àquela região.

Naturalmente, as pessoas rapidamente notam que os Ents ou criaturas do tipo moravam próximos do Condado. E quando Fangorn questiona Merry e Pippin sobre sua terra, ele concluiu que seria uma terra favorável para as Entesposas. Mas não havia Entesposas no Condado, e é improvável que elas já tenham se estabelecido lá. A famosa árvore andante de Sam, que é reportada por seu primo Hal, poderia de fato ser uma árvore andando e não um Ent. As árvores da Floresta Velha podiam se mover, o que Frodo e seus companheiros aprenderam quando perderam seu caminho em meio aos bosques zangados. Mas não havia Ents na Floresta. Apenas árvores antigas como o Velho Salgueiro e outras curiosas, perigos inominados. Árvores podiam acordar por si próprias, por razões inexplicadas. Fangorn descreveu o processo para Merry e Pippin:

As árvores e os Ents – disse Barbárvore. – Eu mesmo n&ati
lde;o entendo tudo o que está acontecendo, por isso não posso lhes explicar. Alguns de nós ainda somos ents verdadeiros, e bastante vivos à nossa própria maneira, mas muitos estão ficando sonolentos, ficando arvorescos, por assim dizer. A maioria das árvores são árvores verdadeiras, é claro; mas muitas estão semi-acordadas. Outras estão bastante acordadas, e algumas estão, bem, ah, bem, ficando entescas. Isso está acontecendo o tempo todo.

Quando isso acontece a uma árvore, você descobre que algumas têm corações maus. Não tem nada a ver com a madeira: não quero dizer isso. Vejam, eu conheci alguns bons salgueiros velhos, descendo o Entágua, que se foram há muito tempo, infelizmente! Estavam bem ocos, na verdade estavam caindo aos pedaços, mas eram tranqüilos e falavam suavemente como uma folha jovem. E também há algumas árvores nos vales sob as montanhas, vendendo saúde e totalmente más. Esse tipo de coisa parece estar se espalhando. Costumava haver umas partes muito perigosas neste lugar. Ainda há alguns trechos muito negros.

Numa carta para o Daily Telegraph Tolkien explicou a diferença entre as florestas na Terra Média. Um artigo associou tristeza e escuridão com os bosques de Tolkien e ele deu exceções para a comparação:

Com referência ao Daily Telegraph de 29 de Junho, página 18, eu sinto que não é justo usar meu nome associado à tristeza e escuridão, especialmente num contexto lidando com árvores. Em todos os meus trabalhos, eu assumo a parte das árvores contra todos os seus inimigos. Lothlórien é linda porque as árvores são amadas; em outros lugares as árvores são representadas como o despertar para a consciência delas próprias. A Floresta Velha era hostil com criaturas de duas pernas devido às memórias de antigas feridas. A Floresta Fangorn era antiga e bela, mas naquele momento tenso da estória, com hostilidade porque estava ameaçada por um inimigo amante das máquinas. A Floresta das Trevas declinou diante da dominação do Poder que odiou todos os seres vivos, mas foi restaurada e se tornou a Floresta das Trevas antes do final da estória.

É difícil pensar em Beren encantado pela beleza e graça de Lúthien em uma floresta triste e escura, ou em Finrod olhando os ancestrais de Beren dormindo numa floresta esquecida, condenada e cheia de ódio. Os bosques de Doriath, Ossiriand, e até os do Condado são amistosos e locais abertos. Seus habitantes devem ser insulares e protetores de suas terras e vidas, mas eles não são possuídos pela malícia. A Floresta Velha e a Floresta Fangorn herdaram alguns toques do mal dos dias de Morgoth. Mas ao passo que os Ents retornaram a Fangorn para purificar ou vigiar seus bosques ancestrais, a Floresta Velha foi roendo a si mesma com malícia, pelo menos até que Tom Bombadil decidiu se estabelecer por ali. Gandalf observou no Conselho de Elrond que Bombadil havia se “retirado para uma região pequena, dentro de limites que ele mesmo fixou, embora ninguém consiga enxerga-los, talvez esperando uma mudança dos dias, e não sai dali.” Bombadil contou a Frodo e seus companheiros que ele, Bombadil, nunca poderia sair de sua terra, pois ele deveria vigia-la. O mal da Floresta Velha e das Colinas dos Túmulos havia se tornado tão grande que Bombadil se sentia obrigado a checa-la constantemente.

Mas apesar de que as Colinas dos Túmulos terem sido mandadas para infestar os antigos montes dos Dunedain por ambos Sauron ou o Senhor dos Nazgul, por que a Floresta Velha se tornou escura e ameaçadora? Tolkien notifica que os bosques mantinham “a memória de muitas feridas”. O que eram essas feridas? Nós podemos apenas ter certeza de algumas. A queimada das florestas de Eriador por Sauron deve ter começado o vagaroso processo. De algum modo, poucos lugares como A Floresta Velha e Eryn Vorn sobreviveram à destruição provocada pela guerra. Mas ao passo que alguns dos Gwathuirim (homens relacionados ao Dunlendings e os Homens de Brethil em Beleriand) se retiraram a Eryn Vorn, e sem sombra de dúvida deram seu amor aos bosques como os melhores homens são capazes, nenhum homem se retirou à Floresta Velha.

Milhares de anos antes, homens se refugiaram na Floresta Velha. Na Guerra de 1409 na Terceira Era, o reino de Angmar invadiu Cardolan. Os Dunedain se retiraram para o oeste de suas casas nas Colinas do Sul. Alguns dos Dunedain resistiram nos montes de Tyrn Gorthad, mas alguns fugiram para a Floresta Velha. Ali a luta foi violenta, e talvez muitas árvores foram perdidas ou feridas. Um retiro similar deve ter ocorrido quando Angmar finalmente destruiu o reino de Arnor. Muito do povo de Arnor foi destruído, mas alguns fugiram para se esconder. A Floresta Velha pode provavelmente ter servido de refúgio. E séculos depois, os Buqueburgos cruzaram o rio Brandevin a partir do Condado e colonizaram uma faixa de terra adjacente à Floresta Velha. Os hobbits e as árvores entraram em conflito, e Merry conta que houve uma batalha de resolução. Os Hobbits queimaram muitas árvores e cresceram o feno para ser uma barreira entre sua terra e a Floresta. Mas Hobbits ainda ocasionalmente arriscam-se a entrar na Floresta Velha. Ali ainda podem acontecer alguns poucos acidentes.

Sem Ents para vigiá-la, e com Bombadil apenas checando o mal, procurando nem destruir nem domina-la, a Floresta Velha se ferveu com malícia e a “memória de muitas feridas”. Algumas das árvores se tornaram Entescas, como Fangorn diz. E sem dúvida alguma, de quando em quando, algumas delas, saiu vagando por terras selvagens. Talvez elas acharam um bom pedaço de terra e por fim se estabeleceram. Talvez elas foram destruídas por terríveis criaturas de duas pernas ou pior. Mas ainda havia uma pequena esperança de que os Ents encontrassem as Entesposas novamente, então deveria haver uma pequena esperança de uma reconciliação da Floresta Velha com as criaturas de duas pernas. Finalmente, Tom Bombadil desistiria de sua função e prosseguiria com sua vida.

Se existia algum povo que mantinha grandes esperanças de qualquer coisa relacionada às árvores, este seria os Elfos. Fangorn observa que os Ents e os Elfos cresceram à parte. Mas no final da Terceira Era e no começo da Quarta Era, a cultura Élfica era substancialmente diferente do que das Eras iniciais. As sábias civilizações Eldarin foram reduzidas a alguns encraves. Os Elfos Silvan de Floresta das Trevas eram o maior e mais poderoso grupo. E muitos dos Noldor haviam ambos se tornado nativos, para falar, como Galadriel, ou estavam apenas permanecendo na prazerosa memória dos dias passados, como o povo de Gildor. Quando Legolas e Gimli visitaram a Floresta Fangorn após a Guerra do Anel, pode ser que uma fase final de amizade e entendimento tenha começado entre os Ents e os Elfos, e até mesmo entre os Ents e os Anões.

Mas tais tréguas ou retomadas de amizades poderiam apenas ser temporárias. Não há dicas sobre o que fez-se dos Ents e das Entesposas, salvo apenas em uma canção Élfica em que Fangorn lem
brou com prazer para dividir com Merry e Pippin. A canção tentava representar a divisão do povo Entes, mas Fangorn notou que era “Élfica, é claro: alegre, com poucas palavras e curta.” Após descrever a diferença entre os Ents e as Entesposas, a canção oferecia uma esperança de reconciliação. Juntos pegaremos a estrada de leva ao Oeste, e ao longe encontraremos uma terra onde ambos nossos corações poderão descansar.

Esse Oeste só pode ser Aman, e como tal, representa uma esperança Élfica, ou melancolia. Galadriel, em sua separação com Fangorn, o avisa que eles não voltarão a se encontrar “até que as terras que estão embaixo das ondas estarão levantadas novamente”. Ela não considerava a passagem de nenhum Ent pelo Mar. E não deveria passar nenhum. Ilúvatar criou os Ents para vigiar as árvores da Terra Média. Em Aman eles não seriam necessários, apesar de que talvez seus espíritos, após morrerem, pode ter sido reunido ali por Namo. Não há realmente nada de misticismo Ent em nenhuma das discussões de Fangorn com as pessoas. Não sabemos se para eles existe uma outra vida, ou preocupações espirituais. Mas eles eram encarnados racionais, como Tolkien mesmo colocou, e eles entendiam o arrependimento, a perda e até mesmo a esperança. Então talvez, quando Elrond, Galadriel, Gildor, Frodo, Bilbo e Gandalf rumaram para o Mar no fim da Terceira Era, no momento em Sam, Merry e Pippin observaram eles desaparecem na distância na Estrada para os Portos Cinzentos, havia olhos antigos vigiando a partir das árvores, dando silenciosas despedidas às antigas amizades e vínculos.

E talvez, apenas talvez, os Elfos e os Hobbits plantaram salgueiros em Lindon e no Condado, ao longo das margens gramadas dos rios, em memória dos antigos bosques e seus orgulhosos pastores. Até mesmo as Entesposas teriam gostado, apesar de que nada poderia ser comparado à beleza dos prados de salgueiro de Tasarinan na Primavera. A vanimar, vanimalion nostari. Namarie!


Tradução de Helena ´Aredhel´ Felts