A Guerra do Anel & Suas Datas – Parte 6

Apresentação:

A Sociedade foi rompida. Boromir morreu nas mãos dos Orcs. Frodo e Sam passaram pelas Emyl Muil e encontraram-se com Gollum. Merry e Pippin haviam fugido dos Orcs e entrado em Fangorn. Théodred morreu. A Primeira Batalha dos Vaus do Isen aconteceu. Um Pântano foi atravessado. E depois de tantos obstáculos, os membros da Sociedade ainda estão enfrentando desafios piores.

Nesta 6º Parte iremos ver a reação resultante destas inúmeras ações. A Batalha do Forte da Trombeta será travada. Um encontro com Saruman será feito na Orthanc destruída. Os pequenos hobbits irão atravessar uma Toca onde a moradora é uma Aranha Gigante, em plena Ephel Dúath. Cavaleiros de Rohan irão partir para ajudar Minas Tirith, que será cercada pelo exército negro.

Se você não leu esta história desde o seu início, confira na seção Heren Quentaron, desde sua 1º Parte até a 5º. Aventure-se nesta Guerra, boa leitura!

 

 

Parte VI – Do Palácio Dourado à captura de Frodo

O Rei Do Palácio Dourado:

O dia está belo, o sol brilha e os pássaros cantam quando Aragorn, Gimli, Legoas e Gandalf chegam a Meduseld o Palácio Dourado, situado em Edoras, capital de Rohan. Após deixarem suas armas na entrada do Palácio, os quatro entram no castelo para falar com Théoden, rei de Rohan. Gríma Ligua de Cobra, conselheiro de Théoden, toma a voz do rei. Gríma tenta convencer o rei a não dar ouvidos a Gandalf e companhia, mas sua aliança com Saruman é revelada, Gandalf então "cura" Théoden das mentiras de Gríma, que é exilado de Edoras.

Com a iminência de ataque por parte de Saruman, Théoden em conselho com Gandalf, Aragorn, Legolas e Gimli e alguns Rohirrim, chegam a conclusão que a melhor decisão é levar todo o povo de Edoras para o Abismo de Helm, um local bem protegido e conhecido por nunca ter sido tomado antes por nenhum inimigo. Théodred, filho de Théoden, estava morto, então Éomer, sobrinho do rei, é declarado como herdeiro do rei e enquanto o Rei e seu herdeiro estão em batalha, Éowyn, irmão de Éomer toma as responsabilidades como Senhora de Rohan. E assim partem os Rohirrim para o Abismo de Helm onde o destino de seu reino será decidido.

Do ataque dos Ents em Isengard:

No dia 2 de março, numa noite escura, com núvens, os Ents saem de Fangorn em direção à Isengard. Muito mal Saruman havia feito e, com um pequeno impulso de Merry e Pippin, os pastores das árvores resolvem por atacar o mago. Nesta mesma noite Saruman despacha seu exército em direção ao que seria a Batalho do Abismo de Helm. Após a saída do exército, Barbávore (junto com Merry e Pippin) e alguns ents começam o ataque. As flechas e pedras do inimigo não eram o suficiente para afastar os Ents, apenas irritá-los. Pouco depois os portões do Círculo de Isengard são quebrados. Em seguida, parte da muralha sul também cai e Saruman que está nos arredores fuge apressado para a Torre de Orthanc. Os poucos humanos que estavam em Orthanc haviam fugido; e os Orcs eram mortos, senão pelos Ents, morriam pelos Huorns.

Dentro de Orthanc Saruman "pôs em ação algumas de suas preciosas máquinas" como disse Merry. Dos poços começa a subir vapores e chamas que queimam os Ents. Furiosos, os Ents jogam todo tipo de destroço na Torre e começam a bater nela. Mas Orthanc foi construida por mãos poderosas e não sofria com o ataque dos Ents. Barbávore mantêm a calma e reune os Ents para terem um conversa. A maioria dos Ents então se afasta de Isengard, embora alguns ficam escondidos vigiando a Torre.

Durante todo o dia seguinte Merry e Pippin ficam sozinhos, e no crepúsculo Barbávore reaparece. Pouco depois Gandalf também aparece e têm uma conversa com Barbávore, que enviou os huorns para o sul onda a Batalha do Abismo de Helm estava ocorrendo. Por volta da meia-noite então as represas do Isen são quebrada pelos Ents e o rio desce o vale inundando todo o círculo de Isengard. Depois de um dia com as águas penetrando nas cavernas e poços de Isengard, os Ents represam o rio Isen novamente. Na manhã seguinte os cavaleiros de Rohan, junto a Aragorn e companhia chegam à Isengard.

Da Batalha do Abismo de Helm:

Théoden, Gandalf, Aragorn, Legolas, Gimli, Éomer e mil cavaleiros e arqueiros cavalgam de Edoras em direção aos Vaus do Isen. O povo fica com Éowyn no Templo da Colina. No fim do segundo dia de cavalgada, os cavaleiros encontram um homem ferido cavalgando. Ele conta ao exército sobre a desastrosa Segunda Batalha dos Vaus do Isen.

Saruman havia mandado uma força imensa. Isengard havia ficado vazia. 10.000 uruk-hai, orcs à pé ou em lobos e terrapardenses marcham em direção ao Sul, para atacar um reduto de Rohan nas montanhas: o Forte da Trombeta no Abismo de Helm. Grimbold e alguns homens conseguem escapar, bem como Elfhelm. Porém, a grande maioria dos soldados havia morrido.

Gandalf, ao ouvir essa triste história, sai com Scadufax cavalgando o máximo que pode, para reunir as tropas que restam dispersas por Rohan. Antes, porém, aconselha o Rei a ir com seu exército em direção ao Abismo de Helm, para lá poder lutar.

À noite, o exército chega à entrada do Abismo de Helm. O Forte da Trombeta tem uma torre no interior, e duas muralhas a circundam, formando um pátio externo, entre as duas muralhas, e um pátio interno, entre a muralha e a Torre. O Forte fica em cima de um rochedo, e, para chegar nele, precisa-se passar por um passadiço por cima do riacho que sai do abismo e atravessar o Grande Portão. Também havia uma outra entrada nos fundos, dentro do abismo. Saindo da muralha externa do Forte, há uma outra muralha que fecha a entrada do abismo, de uma ponta à outra. Essa muralha, de seis metros de altura, tem uma pequena abertura para escoar a água do Riacho do Abismo. No fundo do Abismo, há um conjunto de cavernas, chamado Aglarond, as Cavernas Cintilantes.

O exército encontra alguns orcs no caminho, antes de chegar ao Forte da Trombeta no interior do Abismo. É possível ver o exército de Orcs a caminho do Abismo, trazendo fogo e cantando cantorias rudes. Ao chegar no forte, descobrem que Erkenbrand havia saído para lutar com um exército, mas havia deixado mil homens no Abismo sobre o comando de Gamling. Todos entram no forte, Éomer manda sua tropa para a Muralha do Abismo, onde
ficam Gimli e Legolas, mas o Rei e seus homens vão para dentro do Forte.

Isengard chega. Legolas e Gimli obervam a situação. Os orcs atiram muitas flechas que batem na pedra da muralha, mas nenhuma vem em resposta. Os orcs começam a escalar a Muralha do Abismo enquanto os Uruk-hai e homens da Terra Parda atacam o portão. Quando eles estão quase chegando ao Portão, uma saraivada de flechas vêm da Muralha. Apesar da defesa poderosa, os atacantes têm uma grande vantagem numérica, e conseguem chegar aos portões. Eles tentam, com dois aríetes, derrupar o Grande Portão, mas Aragorn, Éomer, Gimli e outros homens os expulsam, chegando ao Passadiço por uma porta secreta lateral. Porém eles logo são obrigados a recuar, pois o inimigo está voltando.

O ataque continua. O exército de Saruman começa a tentar escalar a muralha usando cordas com ganchos e escadas. A batalha prossegue. Então, de repente, os orcs se mostram dentro do Abismo. Alguns se arrastam pela galeria de escoamento do Riacho do Abismo, para atacá-los de dentro para fora. Porém, Gimli e Gamling conseguem mandá-los para fora, e depois tentam de melhor maneira possível usar pequenas pedras e bloquear a galeria, deixando apenas um pequeno espaço para o rio escorrer.

Entretanto, os orcs usam uma nova artimanha de Saruman e explodem a muralha na galeria de escoamento, abrindo um buraco. O Exército de Isengard entra no Abismo de novo, dessa vez com muito mais orcs. Os Rohirrim são obrigados a recuar. Alguns, com Aragorn e Legolas, sobem a escada e entram no pátio externo do Forte. Outros, com Gimli, Éomer e Gamling, são obrigados a fugir para as Cavernas. Théoden permanece no Forte, mas sente vontade de voltar para a batalha, e cravar uma lança no peito de um orc.

Aragorn vai até a muralha acima do Grande Portão, para conversar com o exército inimigo. Ele os avisa que a aurora estava chegando, e que era melhor que eles fossem embora, e lembra-os que nunca nenhum inimigo tomou o Forte da Trombeta. Os bárbaros e os uruk-hai respondem com zombarias. Aragorn sai, e o Portão cai. Nesse momento, a Grande Trombeta de Helm soa, e o Rei Théoden e sua cavalaria, junto com Aragorn, cavalgam contra Isengard.

O exército de Saruman vê-se preso. Do Forte, Théoden e seus cavaleiros avançam. A borda sul da Garganta é muito íngreme para fuga. Do norte, chega finalmente, Gandalf, Erkenbrand, e mil sobreviventes da Segunda Batalha dos Vaus do Isen à pé. Na abertura da Garganta, o mais estranho: como que por mágica, lá estava uma enorme floresta. Nenhum orc que entra na floresta, formada por Huorns de Fangorn, consegue escapar. A Batalha do Forte da Trombeta termina, e Rohan vence.

Do Portão Negro à Passagem por Ithilien:

Frodo e Sam continuam viajando, os pântanos ficaram para trás e eles agora rumam para o Portão Negro de Mordor. Mesmo estando a uma certa distância escondidos, podem ver os guardas negros se movimentando sobre a muralha – e isso os assusta.

Quando os hobbits chegam em frente ao Portão, notam que jamais poderão transpassá-lo, mesmo assim Frodo toma a decisão de ir, queiram os outros acompanhá-lo ou não. Sméagol, que tem planos sinistros para o futuro dos hobbits, diz que não devem seguir por ali, já que diz conhecer um outro caminho, um caminho mais escuro, mais difícil de encontrar e que só ele conhece.

Frodo fica desconfiado, pondera e acaba percebendo que não há outra solução. Ele jamais atravessará o Portão Negro, assim, resolve dar mais um voto de confiança à Gollum aceitando ser conduzido por ele para um outro caminho.

Apesar de aceitar a proposta de Gollum Frodo não é tolo e lhe reserva uma severa ameaça: diz que o destino do Anel é ser destruído e que Gollum deve se lembrar sempre de que jurou ajudar Frodo pelo seu precioso.

Sméagol fica debilitado por algum tempo com a severidade de seu mestre, mas depois reencontra suas forças e sua razão para, finalmente, dizer à Frodo o que devem fazer: ir para uma estrada, que os fará subir muito, até uma velha torre, Minas Ithil, que é dominada por Sauron e por onde poucos homens têm coragem de passar. Após chegar à torre, estarão atingindo uma passagem que os levará novamente para baixo, uma descida enorme até Gorgoroth.

O nefasto guia garante que aquela passagem é pouco vigiada, pois Sauron não espera ser atacado por lá. Mas será que é uma passagem tão segura assim?

Nem bem escurece e os hobbits saem de seus descansos para seguirem viagem durante a noite, na estrada de Ithilien do Norte, pois eles não têm muito tempo e estão quase trinta léguas longe de seu destino. Enquanto caminham, o Olho Vermelho parece observá-los, através de uma região desolada e pedregosa, quando a noite está quase terminando, finalmente o Olho fica distante, até se transformar num pequeno ponto de fogo para, por fim, sumir.

Durante o descanso Frodo dorme profundamente, talvez por já confiar em Gollum ou por estar cansado demais para continuar. Sam só consegue cochilar quando se é notável que Gollum dorme se contorcendo em seus sonhos secretos. Mestre Samwise está exausto e não consegue parar de desejar uma boa comida, algo quente saindo do forno.

Em uma das pausas que fazem, Gollum sai para caçar e retorna com dois lindos coelhos, jovens e gostosos que Sam resolve cozinhar. Sméagol não se conforma que Sam queira "estragar" sua carne, cozinhando-a com ervas e batatas.

Sam e Frodo se deliciam com os coelhos e Gollum sai a fim de caçar algo para si, é nesse momento que os dois hobbits ouvem vozes. Arrumam suas coisas e se escondem em uma grande samambaia. O esconderijo não é bom o suficiente e eles são descobertos por alguns homens. Após um curto período de discussão, descobrem que estão falando com Faramir, capitão de Gondor.

Frodo se apresenta e conta rapidamente a sua história, após citar o nome de Boromir e de provar que o conhecia, ele ganha o respeito dos homens. O hobbit pode ver muitos outros homens subindo secretamente a colina: eles são uma força de resistência ao poder de Sauron.

A conversa foi morrendo em um silêncio de escuta, já que todos estavam vigilantes. Após um breve cochilo os hobbits são acordados por uma trombeta que soa junto de gritos e berros alucina
ntes. São os soldados de Sauron. Os homens de Gondor se preparam e atacam a tropa que passa.

Para o assombro e prazer de Sam, um enorme Mûmak desce pelo caminho da colina, em toda sua vida o pequeno jamais pensara que realmente encontraria um Olifante, agora, não acha que alguém no Condado fosse acreditar nele.

Os gondorianos conseguem vencer a pequena batalha após deixarem o Olifante fugir desnorteado, esmagando os soldados de Sauron. Os dois pequenos podem descansar um pouco, até o fim da tarde.

Sam acorda e nota que Faramir fala à muitos homens de seu descontentamento em relação à Frodo. Ele acredita que Frodo esconde algo de suma importância relacionado à ruína de Isildur.

Após um longo diálogo e uma discussão um tanto acirrada, Faramir revela que Boromir está morto e que ele era seu irmão. O gondoriano resolve confiar nos hobbits mas não decide para onde levá-los.

Faramir ordena que Frodo e Sam os acompanhem. Leva-os através da floresta até um ponto onde eles têm que ser vendados. Por um longo caminho os dois pequenos são guiados sem poder ver, depois são rodados várias vezes e perdem completamente o senso de direção, quando suas vendas são retiradas, eles estão na soleira de um tosco portão de pedra, que se abre escuro atrás deles. À frente, cai um fino véu de água. Faramir lhes diz que esta é a Janela do Pôr-do-sol, que dá para o Oeste, também chamada de Henneth Annûn, a mais bela de todas as cachoeiras de Ithilien.

Os hobbits logo notam que estão em uma grande caverna, cheia de armas e de mantimentos, pode até não ser um lugar adequado mas é reconfortante estar em um lugar seco e seguro para dormir. Eles recebem duas camas baixas, num canto da caverna. Lá, Frodo adormece mas Sam fica acordado, vigiando.

A movimentação entre os homens é grande. Em pouco tempo uma ceia é preparada e os hobbits são acordados e convidados a comer. Durante a refeição, Frodo nota que os homens não têm mais muitas esperanças para o futuro, pois sentem já ter perdido a guerra.

Com um pouco de conversa na mesa, Sam comete um erro gravíssimo: falar sobre O Anel. Ao contrário do que pensavam os hobbits, Faramir toma uma postura totalmente nobre e diz que não precisam se preocupar, sendo que ele não deseja O Anel. Estando mais tranqüilos, os dois pequenos voltam a dormir após a ceia.

Do Encontro com Saruman em Orthanc:

A batalha do Abismo de Helm acabara, mas o mal que pairava sobre Rohan não estava completamente acabado. Saruman ainda estava em Orthanc, e Isengard poderia causar muitos males ainda. Pelo menos assim pensavam os membros da Comitiva que não sabiam da ira dos ents, e das conseqüencias disso para Saruman. À noite partiam então as tropas de Rohan, comandados por Théoden e acompanhados de Legolas, Gimli, Aragorn e Gandalf, em direção à Isengard.

A aurora surgira, e eles adentravam agora nos domínios de Saruman, passando pelo Nan Curunír, o Vale do mago. Um vale outrora belo, transformado agora num deserto cheio de sarças. Continuam cavalgando, atingem as portas de Isengard. Portas essas que agora estão destruídas, caídas por terra. Mais adiante encontram pilares retorcidos e vigas quebradas. O que havia destruído o poder de Saruman?

Exceto Gandalf, todos ali estavam estupefatos por presenciar tal cena. Olhando mais adiante, divisaram duas figuras, pequenas, deitadas sobre um monte de cascalhos. Um deles soltava anéis de fumaça pela boca, enquanto o outro parecia estar dormindo. Os homens de Rohan espantam-se, ainda mais quando aquele que estava fumando os recebeu, anunciando quem eram: Merry e Pippin. Ali estavam sob ordem de Barbárvore, vigiando os portões.

Gimli não pôde se conter, e começa a esbravejar. Ele e Legolas haviam tentado resgatá-los por mais de duzentas léguas, e agora encontram-os ali, descansando e fumando! Legolas riu, concordando com o anão. Os hobbits relatam então à Gandalf a situação: Isengard agora está inundada e sob comando de Barbárvore.

Saruman estava preso em sua torre, vigiado pelos Ents. Gandalf e Théoden afastam-se a fim de contornar as paredes de Isengard, enquanto Aragorn, Gimli em Legolas vão sentar-se com os hobbits. Cada parte contou suas histórias desde a separação do grupo. Os hobbits contam então do enfurecimento dos Ents, e do ataque destes à Isengard.

Depois disso, decidem adentrar em Isengard e ver o que Gandalf está fazendo. O mago decide que irá encontrar-se uma última vez com Saruman, e então Théoden, Gimli e Legolas decidem acompanhá-lo. Gandalf chama Saruman, e ele vem até a porta de Orthanc, após ser chamado por seu lacaio, Gríma. Sua voz bela e suave responde ao chamado. Um coração e uma mente desprevenidos podem facilmente sucumbir ante o falar de Saruman.

E ele dirige suas falas inicialmente à Théoden, tentando ludibriá-lo. Théoden não responde, mas Gimli e Éomer sim. Saruman então ataca Éomer com suas palavras, até que Théoden pronuncia-se, rechaçando a fala de Saruman, e declarando seu desprezo ao mago. Saruman irrita-se e ainda tenta sua última cartada, almejando conquistar a amizade e aliança de Gandalf novamente, ao que este ri e recusa a proposta, ao mesmo tempo em que desmascara muitas das intenções de Saruman, que agora volta para dentro de sua torre.

Mas Gandalf o conclama de volta, contra sua vontade. Quebra seu cajado e o expulsa da Ordem e do Conselho. Saruman cai para trás, e após isso, um objeto é aremessado lá de cima, passando perto da cabeça de Gandalf e rolando escada abaixo. É um globo de cristal escuro, que reluz com um coração de fogo. Pippin apanha o globo, que fora arremessado por Gríma, mas Gandalf o toma para si, embrulhando-o em suas vestes.

É um palantír, e com certeza não era algo que Saruman gostaria que fosse jogado fora. O encanto do Mago de Isengard está quebrado, e agora ele permanecerá ali, trancado e vigiado pelos ents. Barbárvore aparece por fim, e agora a Comitiva e as tropas de Rohan partem de volta, deixando a desolação de Isengard.

No Lago Proibido:

Durante a noite, quase perto do nascer do Sol, Faramir acorda Frodo dizendo que eles precisam resolver um assunto. Logo em seguida Sam acorda e segue os dois, como que por um instinto de proteção. O hobbit atravessa a abertura da caverna e segue seu mestre através de uma porta estreita na parede da mesma.

Primeiro vão ao longo de um corredor negro, depois sobem muitos degraus e então chegam em uma plataforma, cortada na pedra e iluminada pela forte Lua. De lá Sam pode ver qual é o assunto: Gollum está pescando no Lago Proibido. Os homens de Faramir pensam que a criatura procura uma passagem para o esconderijo, então se posicionam para atirar. Frodo impede, pedindo clemência pela vida de Gollum.

Em uma rápida conversa fica decidido que Frodo deve ir buscar seu guia, para que este seja capturado. É exatamente isso que acontece: Frodo chama Gollum e o entrega aos homens, o que parece ser uma traição aos olhos da pobre criatura, na verdade foi um salvamento.

O Capitão faz Gollum jurar que jamais volte neste lugar e sequer fale sobre ele. Em seguida o entrega aos poderes de Frodo. Anuncia que Frodo agora é livre e que pode ir para onde bem entender. Antes de nada Faramir adverte em um ponto Frodo: tomar cuidado com Gollum; ele sente como aquela criatura é perigosa.

Um bom período de sono foi mais que bem-vindo naquele momento. Feito o descanso os dois hobbits partem vendados, com dois cajados e um pouco de comida, dados de presente por Faramir.

Os três começam então sua caminhada. Percorrem léguas durante muitos dias num ritmo acelerado pois o lugar não é seguro e o caminho é longo. O vapor de Mordor faz a luz sumir gradativamente até tudo ficar sombrio e sinistro. Cada vez mais Frodo e Sam se sentem em grandes problemas e cada vez mais Sam desconfia de Gollum.

Um pouco mais de viagem e os três peregrinos vão para o leste e sobem uma encosta até chegar na Estrada do Sul, rumando para a Encruzilhada. Quando lá chegam, Frodo sente pavor, mas logo o pavor se transforma em espanto, pois um tenro raio de luz ilumina uma das passagens e os hobbits podem ver o Rei, esculpido em pedra, coroado outra vez por uma planta rasteira com flores semelhantes à pequenas estrelas brancas. O espanto dura pouco pois logo o sol some e a escuridão toma conta do lugar novamente.

Pela Senda dos Mortos:

Os dúnedain haviam encontrado Aragorn em Rohan, e com eles estavamos filhos de Elrond, Elladan e Elrohir, que vieram para lhe trazer uma mensagem do senhor de Valfenda: "Os dias agora são curtos. Se estás com pressa, lembra-te das Sendas dos Mortos". Havia também um presente de Arwen, um estandarte negro.

Aragorn sabia então que era chegada a sua hora de tomar esse caminho, que à sua simples menção, fazia com que quem o conhecesse ao menos de nome, sentisse um enorme temor. Somente esse caminho porém, faria com que Aragorn cumprisse a profecia outrora feita por Malbeth, o Vidente.

Acompanhado por Gimli, Legolas, Elladan, Elrhir, e os dúnedain, Aragorn tomava então o caminho, chegando à Dimholt. Pouco antes da meia noite, chegaram á Colina de Erech, seguidos pelos Mortos. Estes agora os seguiriam em lealdade, a fim de cumprir o juramento feito à muito tempo para Isildur, e ter paz finalmente. O tempo agora urgia, e eles partiam para Pelargir.

Da Chegada em Minas Tirith:

Gandalf vai chegando em Minas Tirith, cavalgando Scadufax e levando junto o pequeno Pippin. Imediatamente o mago foi ter com o regente, Denethor. Este ainda permanecia abalado pela perda do filho, Boromir. Pippin, oferece seus serviços ao regente,como compensação à perda de seu filho, que morrera defendendo os hobbits, e Denethor aceita. Mais tarde, o hobbit encontra-se com Beregond, que havia sido designado a ser seu guia na cidade, enquanto Gandalf tratava de seus afazeres.

Da Concentração e Partida das Tropas de Rohan:

Neste ponto, todas as estradas rumam para o leste, ao encontro da guerra eminente e do ataque da Sombra, o rei Théoden cavalga de noite, seguido por muitos cavaleiros, Merry observa tudo muito surpreso e cansado quando eles chegam ao Vale Harg. No outro dia de manhã, o rei deverá cavalgar até Edoras para a concentração da terra dos cavaleiros.

Gandalf já havia avisado da vitória do povo de Théoden e feito algumas recomendações, por isso, está reunida no Vale Harg toda a força que resta de seu povo. O rei é muito bem recebido, com trombetas e aclamações mas não tem tempo para festa alguma, vai direto encontrar os capitães e marechais de seu povo.

Através da encosta íngreme de pedra, numa estrada feita antes do alcance das canções, Merry continua com seu percurso, junto do que o que perece ser milhares de homens de Rohan. A comitiva do Rei chega ao templo da colina em pouco tempo e logo Éowyn vem ao encontro dele para grande contentamento do mesmo. Os familiares conversam e Éowyn conta que Aragorn partiu para a Senda dos mortos, assim, ele é dado como perdido por todos, "será uma esperança a menos" diz Théoden.

Merry senta-se na mesa com o rei e sua família para jantar, nessa ocasião ele aproveita para perguntar o que é a Senda dos Mortos. A explicação que lhe é dada diz que a Senda é um lugar de onde homem nenhum jamais retornou, é guardada por espíritos. Estão conversando ainda sobre isso quando um mensageiro de Gondor chega trazendo a Flecha Vermelha: um sinal de que Gondor realmente precisa da ajuda dos Rohirrim; Denethor pede todas as forças e toda a velocidade dos cavaleiros para que Minas Tirith não seja tomada pelo exército negro. O rei Théoden promete levar no mínimo seis mil cavaleiros em uma semana.

No outro dia, Merry é acordado, e reclama pois o sol ainda não nasceu, o soldado que o acordou conta que todos acreditam que nunca mais o Sol nasceria, por causa das nuvens negras de Sauron. Naquele momento, o rei diz que a guerra chegou e finalmente convoca todas as tropas de Rohan. Para a surpresa do hobbit, Théoden o dispensa de seus serviços e diz que não o quer na guerra. De acordo com o decreto do rei, Merry só irá até Edoras, onde então deverá ficar.

A marcha dos cavaleiros começa: todos fardados e de cintos apertados. Merry vê muitos soldados jovens e adultos – todos sentindo o peso do destino sombrio que paira sobre suas cabeças. Chegam à Edoras em pouco tempo e lá fazem apenas uma curta pausa onde o hobbit tenta implorar novamente sem sucesso para seguir para a guerra.

Merry se afasta do Rei triste e cabisbaixo quando um soldado se aproxima dele e sussurra no seu ouvido "quando a vontade não falta, caminho se abre", o cavaleiro misterioso convida-o a sentar-se em seu cavalo e seguir para guerra junto com todos. Ele se apresenta como Dernhelm.

Assim, Merry Brandebuque avança no grande cavalo cinzento de Dernhelm e o rei, junto de sua comitiva, continua légua após légua, mesmo sabendo que Rohan está sendo invadida na fronteira oriental por exércitos de Orcs. O exército passa pelas colinas dos faróis, que estão apagadas, assim como a esperança em seus corações.

Da Cidade Morta às Escadarias de Cirith Ungol:

O caminho é íngreme e Frodo sente seu fardo ficar mais pesado. Levantando a cabeça e com os olhos cansados ele vê a cidade dos Espectros do Anel. A luz pálida ali não ilumina como iluminava outrora, o cheiro de podridão – comum por ali – toma conta do vale que desce tortuoso e se ergue no meio das montanhas. Os três companheiros ficam ali de olhos fixos contemplando a cidade por um período; Gollum é o primeiro a se recuperar, e ao seu costume, puxa os hobbits pelas capas.

Lentamente vão caminhando: o corpo inteiro parece tomado de medo pela imponência do que o mal dominou, e assim vão chegando à ponte branca. Frodo vacila e corre na direção da cidade, Gollum se desespera e diz para ele voltar, assim sendo, Sam corre atrás do Portador e puxa-o de volta. No meio da rocha, na direita deles, um vão abre-se e ao que parece uma trilha surge ali. Gollum os conduz.

Os hobbits seguem lado a lado, poucas vezes conseguindo ver a criatura se movendo entre as pedras, e quando se têm a oportunidade de enxergá-lo, vê-se dos olhos uma luz verde, como se fosse o brilho daquele lugar chamado Minas Morgul. O riacho que corre abaixo parece dar um pouco de reanimo aos pulmões, entretanto Frodo pára e senta-se na rocha para descansar: ele não sabe quanto tempo mais suportará aquele desafio de conduzir o Anel ao fogo.

De repente o lugar começa a tremer. Um som ensurdecedor sai da terra e sobe por toda cidade. Um clarão vermelho surge junto e golpeia os céus acompanhado de luzes verdes e azuis. Ao som de gritos pavorosos, o Portão se abre e dele saem os Exércitos de Minas Morgul: é a força horrenda da Sauron agindo. Conduzindo a tropa, num cavalo preto, surge o Rei de Morgul, vestido de capas pretas e de um elmo semelhante à uma coroa, o Senhor dos Nazgûl assusta Frodo.

O hobbit fica tentado ao Anel, centímetro por centímetro ele vai movendo a mão para a corrente, mas algo o faz esquecer por alguns instantes do Um: o frasco de Galadriel. Tocando o frasco de luz ele lembra-se das coisas boas que fizeram-no prosseguir e chegar onde chegou. Ao som da marcha dos soldados caminhando pela ponte e das lanças batendo entre si, Frodo começa a chorar e cai no sono. Assim que o exército havia passado, Sam acorda-o depois de alguns minutos para poderem prosseguir.

Retomam o percurso da trilha, e animam-se por terem uma parede de cada lado, ao invés dos precipícios que antes caía à esquerda. Entretanto as escadas ficam cada vez mais difíceis de serem trilhadas por estarem gastas e lisas nas pontas, um perigo enorme para os hobbits. Finalmente após forçarem os joelhos doloridos à esticarem-se para chegar no final desta primeira parte – a Escada Reta – é que podem descansar, um pouco zonzos e um tanto cansados.

Sam e Frodo permanecem pouco tempo num corredor escuro com altos paredões de rochas enquanto que Gollum anda de um lado para o outro inquieto. Era a hora de trilhar a Escada Tortuosa, que levaria-os mais alto pelas montanhas de Ephel Dúath. E foi o que fizeram. O vento frio que soprava da montanha parecia um hálito mortal de quem sentia que eles não eram bem-vindos ali. No alto podia-se ver entre as nuvens escuras e carrancudas uma opaca luz vermelha piscando lá.

O percurso desta parte termina quando a parede da direita deles acaba. Na seqüência uma fenda abre-se neste lugar e um penhasco às suas esquerdas. Gollum segue pela parte esquerda, em meio de vários blocos de pedra caídos. Ao fundo, lá abaixo, pode-se ver as luzes da Cidade dos Espectros que parece brilhar como vaga-lumes. Seguem pela escada que faz curvas bruscas e perigosas.

Frodo quer logo sair dali, seu pensamento está concentrado em chegar à montanha de fogo, que parece brilhar muito além em meio aos pilares dali. Param num elevado patamar: Gollum fica na parte externa espiando e Frodo e Sam permanecem na parte interna conversando. Será que um dia eles viriam a ser personagens de uma grande história? Será que seus papéis viriam a ser reconhecidos pela tamanha importância do que passavam? Respostas estas só mesmo se eles enfrentassem a situação para obterem as respostas.

Após algum longo período de conversas, os hobbits decidem dormir com mais calma. Sam deixa Frodo deitar sua cabeça em seu colo. Gollum que havia saído, retorna e vê a cena: seu olhar muda, pois havia paz no rosto dos dois. A criatura parece por um tempo deixar escapar todo aquele ar de traição e insegurança. Lentamente chega em Frodo e toca em seus joelhos. Sam é chamado por Frodo ainda sonolento. Ele acorda e de modo áspero pergunta à Gollum o que estava fazendo e este diz que nada fazia.

O momento fugaz não retornaria e Sam logo sentiu mentira na resposta de Sméagol. Frodo avista um túnel na frente e pergunta se Gollum quer seguir livre, já que o acordo dele ser o guia acabaria ali, já que Frodo pensa que a partir daí é só seguir. Mas a criatura dos olhos verdes brilhantes reluta e diz que os hobbits não conseguiriam atravessar sozinhos o túnel.

Na Toca de Laracna:

Parecia ser manhã de mais um dia, apesar que Frodo e Sam pouco percebem da mudança do tempo: as nuvens ainda persistem no céu de Mordor. Foram seguindo os últimos metros de trilha e finalmente chegam à entrada de Torech Ungol, a Toca de Laracna. De dentro um fedor nauseabundo sai. Sam nada gosta daquilo, para ele o cheiro era de mais de cem anos de orcs empilhados.

Entram de pulmões cheios e começam a enfrentar a escuridão. Sam e Frodo só haviam visto tal escuridão semelhante em Moria, mas ali na Toca de Laracna parecia mais densa e assustadora. Caminhavam pelo tato nas paredes lisas do lugar. A região é ampla e o chão é regular, vez ou outra sendo cortado por algum degrau. Sam está distante de Frodo e Gollum está na frente.

Vão cruzando os corredores, o ar vai ficando cada vez mais irrespirável, de repente Sam sente uma abertura na parede. Daí surge um sopro de ar menos pesado, que logo fica para trás. Vão prosseguindo em meio à coisas que começam a enroscar-se neles: pedaços de plantas ou longos tentáculos, eles não sabem dizer o que é. Seguem na direção do chiado de Gollum que vai ficando mais distante a cada movimento.

A tenção fica maior quando Frodo encontra uma abertura que dá para um corredor novo de onde vêm um cheiro nauseante. Sam chega perto perdendo o equilíbrio e cai perto de Frodo. O Bolseiro sente que ali só há perigo, por isso levanta Sam e conduz em frente. Deparam-se com outro problema: qual dos caminhos seguir? O túnel se bifurca em dois e na dúvida chamam Gollum: o som ecoa mas não há nenhuma resposta.

Atravessam pelo túnel da direita, já que o da esquerda encontra-se bloqueado por uma pedra poucos passos adentro. Mas estar nas Ephel Dúath, nas Terras da Sombra, atravessando um túnel escuro e silencioso sem encontrar nenhum inimigo era bom demais para ser real
. Sam e Frodo sentem algo se aproximar: de um chiado venenoso vai surgindo alguém tão ameaçador quanto uma soneca ao lado de Gollum.

No momento Sam deseja muito pelo velho Tom estar ali, para podê-lo ajudar. Uma luz extremamente clara surge em sua mente. Ela vai se transformando em outras cores até que Sam imagina-se no meio da relva de Lórien vendo a Senhora Galadriel e lembra-se de imediato a luz que ela dera para Frodo no mês anterior. A luz iluminaria lugares escuros, e era este o momento de se usar, assim ele chamou Frodo, que respondeu:

Aiya Eärendil Elenion Ancalima!

Ficam fascinados pela luz que irradia o lugar como raios de Sol que vão tomando conta de uma floresta num amanhecer. Vão recuando e tentando se afastar do odor da morte que os cerca como uma nuvem. Mais adiante Frodo saca sua Ferroada e parte na direção dos olhos do ser, sem saber se aquilo é um ato heróico, de coragem ou desespero. Os muitos olhos vão se afastando da luz e somem na escuridão.

Aproveitam o breve momento de sorte e começam a caminhar e depois a correr. Uma força retorna aos seus corações com vontade de sair dali. Vão trilhando os caminhos do túnel, desesperados para sair dali. Por uma alegria maior ainda um sopro de ar os avisa que o fim do túnel está próximo. Mas a saída não seria fácil, pois Laracna não deixaria alguém passar sem ser capturado ou morto.

Porém o lugar de onde vinha esta corrente de ar estava fechado por algum material muito estranho. São arremessados para trás, e vêem-se rodeados de muitas teias gigantes de aranhas, todas elas tecidas com muito cuidado. Cada fio parece uma corda. Sam golpeia num excesso de fúria a teia que tapa a passagem, entretanto ela só se estica como a corda de um arco. Novamente tenta cortar a teia, mas apenas uma corda é arrebentada, contorcendo-se e chicoteando o ar.

Levariam dias para abrir caminho. Frodo tenta por sua vez ver no que daria se golpeasse com a Ferroada. Para a surpresa deles a teia é cortada com maior facilidade e em poucos minutos um grande rasgo é feito. Frodo fica empolgado e grita para que corram mais rápidos. Sam segue seu Mestre sempre olhando para trás na direção do arco onde a teia foi rasgada. Pouco sabem da astúcia de Laracna.

Frodo esta à frente de Sam numa disposição desvairada. Sam corre preocupado e com pânico; se pensam que à medida que correm estão escapando de um inimigo, eles se enganam: Frodo pode não perceber, mas sua Ferroada ainda emite a chama azul, assim sendo, estão caminhando na direção de Orcs de Sauron!

Sam segura a luz de Eärendil. Ela brilha entre os seus dedos, que estão encostados no peito fortemente segurando. De uma abertura no penhasco, sob a sombra da terra, a Grande Aranha surge. Patas com pêlos que parecem espetos de aço e com uma garra em cada extremidade. Olhos, que antes foram assustados, estavam possessos de fúria do ser. Seu corpo está inchado, carregando o veneno mais letal dos seres.

Laracna parte para o ataque. Corre terrivelmente rápido sobre suas pernas rangentes às vezes dando saltos repentinos. Atravessa Sam e fica entre ele e seu Mestre: talvez esteja evitando o portador da luz para atacar o indefeso Frodo que continua percorrendo o túnel sem se dar conta do tamanho perigo que corre. Sam começa a gritar, mas logo é calado por algo.

Gollum reaparece agarrando-o pelo pescoço e pela boca. Os dois caem para trás, Sam sobre a criatura. Por um breve momento Sméagol amaldiçoa o hobbit e cospe em seu pescoço. Sam está agarrado em sua espada na mão direita e segura o cajado de Faramir na mão esquerda. Gollum não esperava, mas de uma força instantânea Samwise, o Bravo, levanta-se e tenta golpeá-lo. Mas astutamente o ser esquelético agarra-o pelo pulso pressionando com os dedos finos puxando-o de volta. Sam não suporta e deixa cair a espada gritando de dor.

Num último truque Sam dobra as pernas contra o chão e joga-se para trás. Ele está atacando sem esperar se defender e joga-se em cima de Gollum. O peso do robusto hobbit faz pressão sobre o estômago de Sméagol, que chia como um pobre indefeso. Sam joga-se para trás e depois para o lado e pega o cajado de madeira. Ele ergue-o rapidamente para agredir o seu inimigo e acaba por acertar o braço de Gollum. Sem perder tempo, saca o cajado para a outra mão que está disposta à acertar o rosto do indivíduo. Gollum se vira e Sam o acerta nas costas.

O hobbit Samwise está tomado de ira, ele quer matar Gollum, e assim pega a espada caída no chão. Antes que pudesse ataca-lo novamente, Sméagol escapa dando um enorme salto para uma abertura do túnel. O plano do guia esquelético havia falhado para sua felicidade. Mas e Frodo, o que teria acontecido com ele e Laracna? Sam gira e sai em disparada no corredor chamando pelo seu Mestre, mas já é tarde demais.

Frodo encontra-se no chão como uma múmia. Pois, sendo vítima das teias de Laracna, está envolto dos tornozelos aos ombros. Sam fica assustado com a cena e resolve partir para o ataque. Nunca se vira algo assim no mundo selvagem, onde uma criatura sem armas parte para atacar um inimigo muito mais poderoso. Antes que Laracna pudesse reagir, Sam já estava pegando a espada élfica de Frodo e cortando uma de suas patas.

Naquele momento o hobbit está sob a gigante aranha. Bem que Laracna pode atrever-se e sufocar o inimigo, mas já que isto não foi feito, Sam aproveita e faz um corte em seu corpo. Porém não era facilmente derrotar um inimigo desse jeito. O bicho fica com muita raiva e ergue a sua barriga; no lugar do ferimento o veneno espuma e borbulha. É neste momento que Sam segura novamente a Ferroada com as duas mãos e deixa a aranha deitar-se sobre o cravo cruel. Justamente na hora que não era para tentar sufocar a sua presa ela acaba ferindo-se.

Jamais havia conhecido dor semelhante em toda sua vida, e não podia admitir perfurarem sua carne tão amada. Mas não podia reagir, pois estava fraca. Encolheu-se alguns metros à frente para tentar recuperar-se. Sam fica ali parado, esperando a luta continuar, e novamente se lembra da luz amada. Tateia o peito em busca de Eärendil, e encontra fria e sólida.

Gilthoniel! A Elbereth!

O bravo hobbit convoca a aranha para enfrentar a luz dos elfos. Laracna não responde. Lentamente o frasco vai voltando a brilhar e começa a cegar os olhos do bicho. A aranha vai se contorcendo e recuando e quando encontra uma fenda na rocha aproveita e se esconde. Dali para frente não teriam mais notícias sobre Laracna ou do que aconteceu com ela.

Sam percebe que o mal passou: Gollum havia sumido e Laracna se contorcido. Respira aliviado, com um sopro de satisfação. Mas retorna para seu Mestre, que jaz pálido no chão. Estará morto Frodo Bolseiro, do Condado? Sam fica chamando por ele, pede para que ele acorde, implora e chora: nenhum sopro de vida sai de sua boca ou nariz. Do que valeria toda aquela demanda para por fim ver Frodo morto?

Sam corta um pouco da tei
a que envolve o corpo de Frodo e segura sua mão. Fica refletindo muito o que fazer: será que ele teria que cumprir a missão que fora designada à Frodo, no Conselho, pegando o Anel e tentando ir até onde suas pernas pudessem alcançar, sozinho no mundo, naquela Terra?

É, parado ali é que ele não poderia ficar. Decide pegar o Anel. Assim pega a corrente e coloca em seu pescoço. Imediatamente seu pescoço pende pelo peso do fardo. Mas aos poucos ele iria se acostumar. A imagem que fica de Frodo é de um rosto, agora, iluminado pela luz do frasco e bonito. Pelo menos aquilo serviria de consolo para o resto da viagem.

Não demora muito e alcança as escadarias que vão para a torre dos Orcs. Vai subindo com um aperto em seu coração pela trilha que está se estreitando. Pára e vira-se olhando novamente na direção do corredor do túnel, onde encontra-se o corpo de Frodo. Pensa em voltar, para revê-lo, mas desiste e continua pela trilha. Neste exato momento, com poucos passos, Sam pára novamente com vozes e gritos de Orcs: atrás e à frente dele. O que fazer?

Sam não se dá conta de qualquer pensamento ou decisão. Simplesmente vai retirando a corrente com o Anel de seu pescoço. O chefe dos orcs aparece na fenda acima e neste momento Sam coloca o Anel. Imediatamente o mundo muda, fica tudo cinzento e vazio. O hobbit está sozinho e "escondido" e ao mesmo tempo sente-se tão a mostra quanto qualquer um poderia se sentir naquela situação.

Os orcs de cima vão descendo pela escadaria, onde está o invisível Sam, para se encontrar com a tropa de baixo. Sam pode vê-los, mas em imagens distorcidas: parecem fantasmas cinzentos num cenário preto. Os servos de Sauron conversam à maneira orc de falar, um xingando o outro e falando de modo vulgar. Sam fica observando, quando uma parte da tropa que havia ido mais adiante na direção do cenário da luta com Laracna começa a gritar de lá. Eles encontram o corpo de seu Mestre, e Sam não pode admitir que façam algo com ele, pois sabia que seu lugar é ao lado de Frodo.

Tenta chegar antes para fazer algo contra aqueles trinta ou quarenta Orcs. Mas suas pernas não agüentam mais, e mesmo se conseguisse matar um ou outro Orc não seria o bastante. Ele fracassaria, pegariam o Anel e não haveria canções sobre o ato heróico de Sam. Vai parando, parando e parando. Novamente gritos de Orcs são ouvidos e parecem ser de alegria como a de uma aranha que captura sua mosca. Apanharam o corpo de Frodo! Sam sente-se fracassado, mas precisa seguir o bando para ver se consegue fazer algo.

Ao caminhar, Sam vai escutando as conversas da tropa: dizem que o poderoso Lugbúrz gostará muito do presente que eles estão levando; e que os Nazgûl haviam enviado eles, pois estariam preocupados suspeitando que o inimigo atravessara as Escadas. Por acaso Sam começa a escutar com mais atenção quando começam a falar sobre Laracna e sua ferida. Gorbag, um dos líderes, sugere que seja um elfo muito forte e com uma espada élfica muito afiada que esteja por ali e tenha feito tamanha ferida na Nobre Laracna. Ao ouvir isso, Sam sorri sinistramente.

Mais adiante começam a falar da presa que tinham em mãos, Frodo. Gorbag, que não sabe da real situação, diz que Laracna não teria mais o que fazer com uma carniça. Mas Shagrat, o líder da outra tropa, o chama de tolo: afinal, Laracna gosta de carne fresca e sangue quente. Sam começa a compreender quando o Orc termina dizendo: “Esse sujeito não está morto!�? e ele fica tonto por um tempo, escorando-se na rocha.

A tropa vai se afastando e assim as vozes vão sumindo. Sam está, ao que parece, escorado num portão de pedra um pouco mais alto que ele. Acima há um corredor, e Sam resolve pular se agarrar ali. Sobe e percorre a trilha. As vozes aparecem outra vez e vão ficando nítidas. Os últimos comandos que Sam ouve são de Shagrat e Gorbag: que o corpo de Frodo seja levado para dentro da torre de Lugbúrz, para ficar à salvo. A tropa vai entrando e o Portão se fechando. Sam fica vendo aquilo. Ele fará algo!

Continua…

Saiba Mais:

Sobre Laracna:
Na infância, Tolkien foi picado por uma tarântula, correndo forte risco de vida. Moravam na �?frica do Sul, numa casa com um jardim perigoso nos verões. Sua vida foi salva pela sua babá que sugou o veneno fora. A história ficou e se diz que esta foi a fonte de inspiração para a Aranha Gigante Laracna (Shelob), que habita uma toca nas Ephel Dúath de Mordor, em O Senhor dos Anéis.

Fontes:
Imagens:
Kasiopea Art
Aumania
Ted Nasmith
John Howe
Galeria Tolkienianos