113 Anos de J.R.R. Tolkien

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Apresentação:

No dia 3 de Janeiro deste ano, o escritor e professor John Ronald Reuel
Tolkien estaria comemorando seus 113 anos. Apesar de ter falecido em 2
de Setembro de 1973, sua obra continua viva até hoje. E, seus
personagens, sua histórias, estes serão eternos.

É pela grandiosidade da obra que podemos notar como Tolkien se esforçou
para que seus livros ficassem o mais perfeitos possíveis: ele fazia
inclusive as fases da Lua certas ao decorrer das datas. Só a trilogia
“O Senhor dos Anéis” levou 14 anos para ser concluída, enquanto que “O
Silmarilion” consumiu uma vida de trabalho.

Por essas e outras nós estaremos fazendo uma homenagem a este
maravilhoso escritor, pois apesar de ele ter nos deixado, seus fãs
jamais deixarão que sua lembrança se apague.

 

 

 

Cronologia Tolkien:

Infância:

Era o ano de 1891, quando Arthur Tolkien e Mabel Suffield se casavam. O
casamento não duraria muito, pois 5 anos mais tarde morreria Arthur,
pai de Ronald. Mas neste tempo o casal ganhou 2 filhos: em 3 de Janeiro
de 1892, nascia Ronald Tolkien e em 17 de Fevereiro de 1894 nascia
Hilary Tolkien, seu irmão.

Moravam na �frica do Sul, em Bloemfontein, uma pacata cidade na época,
com um pequeno povoado. O verão era úmido e os invernos eram rigorosos.
Muitos problemas aconteceram nesta parte da vida dos Tolkiens, e muitos
destes fatos ajudariam a Ronald usar de inspiração para suas futuras
obras.

Um fato curioso é quanto ao nome completo do bebê. Foi inicialmente
batizado em 31 de Janeiro de 1892 como John (possivelmente uma
homenagem ao avô paterno, de mesmo nome). O pai queria acrescentar e
manter a tradição de “Reuel”, mas a mãe gostaria de colocar “Ronald”.
Discussão foi e voltou que decidiu-se colocar “John Ronald Reuel
Tolkien”, nome que ficaria conhecido mundialmente como o autor de O Hobbit, O Senhor dos Anéis e tantos outros.

A casa onde a família Tolkien vivia abrigava um jardim perigoso no
verão, com insetos e e serpentes letais. Houve uma vez que o bebê
Tolkien fora picado por uma tarântula, com forte risco de morte, mas
sua vida foi salva pela sua babá que sugou o veneno fora. Diz-se que
esta foi a fonte de inspiração para a Aranha Gigante Laracna (Shelob),
que habita uma toca nas montanhas de Mordor, em O Senhor dos Anéis.

Este e outros acontecimentos fizeram com que Mabel voltasse para a
terra onde sua família morava, na Inglaterra. Porém Arthur não foi
junto, disse que seu trabalho era muito importante e férias longas
fariam-no perder o emprego de bancário do Banco da �frica. Mabel ficou
triste, mas mudou-se com os dois filhos com destino à Inglaterra.

Um tempo passou e foi em Novembro de 1895 quando Arthur mandou uma
carta para Mabel informando que havia adoecido com febre reumática.
Mabel, por sua vez, respondeu a carta implorando que seu marido tirasse
férias e juntasse à família na Inglaterra. Porém Arthur mais uma vez
fugiu do assunto, alegando que não agüentaria o frio inglês.

Dia 14 de fevereiro de 1896, aos 4 anos, Ronald Tolkien chegou a ditar
uma carta para seu pai, falando que sentia saudades e queria revê-lo.
Mas a carta nunca chegou a ser enviada, pois o verão terrível da �frica
havia chegado, e assim Arthur adoeceu mais ainda, falecendo no dia
seguinte, 15 de fevereiro de 1896.

A situação piorou de vez. Do pouco que Arthur tinha investido mal dava
para suprir as necessidades da família para manter-se na Inglaterra. A
família Tolkien estava morando com os Suffield há mais de 9 meses.

Mabel não podia trabalhar, pois não tinha alguém que cuidasse das
crianças, portanto procurou uma casa barata no distrito de Birmingham.
Equilibrava o orçamento com os lucros magros do falecido marido. Mas em
pouco tempo precisou procurar outra casa, pois a atual estava em área
de prédios condenados prontos para a demolição.

Mudaram-se novamente para perto da Estação de Heath, algumas ruas perto
dos Suffield. Mas a família dos Tolkiens não era bem vinda ali, se não
fosse acompanhada da Tia Jane. Entretanto, para Mabel era um lugar
melhor, ficava perto da St Dunstan, uma igreja que em 1901 seus filhos
passaram a freqüentar.

Mas a paz interior desejada por ela para a família não foi alcançada
com esta igreja. Encontrou em 1902 um Oratório de Birmingham, no
subúrbio de Edgbaston, onde uma comunidade de padres vivia ali há mais
de 50 anos (fundada em 1849, por John Henry Newman).

Foi nesta época que Mabel deu um passo seguro para o futuro de seus
filhos, pois lá encontrou o Padre Francis Xavier Morgan. Em Janeiro de
1902, a Road Oliver 26 situada em Birmingham tornava-se a quinta
moradia dos Tolkiens, próxima a escola e a Igreja.

Pe. Francis em pouco tempo ganhou a confiança da família Tolkien e
tornara-se amigo íntimo, além de já sacerdote deles. Sua voz era cheia
de energia e escutava-se seus risos pela casa. Hilary e Ronald passaram
a respeitá-lo e nele depositar a confiança precisa. O Tolkien diz numa
carta, quando está mais adulto, que o Padre foi o seu segundo pai.

Apesar da energia positiva que Francis Morgan representava, ele não
podia aliviar os sofrimentos financeiros da família. Nos invernos,
quando a noite chegava mais cedo, Ronald e Hilary tinham de ficar
trancados na casa por causa do perigo que o lugar representava.

Mabel sentia-se triste pelo fato de seus filhos estarem estudando numa
escola com professores desinteressados e com qualidade de ensino baixo,
que era a Escola St. Philip. Queria colocá-los de volta na King Edward
s. Então entrou em contato com a antiga escola para tentar uma bolsa de
estudos. Ronald Tolkien fez um teste e então passou. Conseguiu voltar
para sua querida escola.

No início de 1904, Mabel descobriu que tinha diabetes, mas como na
época nada se podia fazer, além de descansar e moderar no alimento, ela
foi cada vez mais enfraquecendo-se. Em Abril de 1904, Mabel foi
internada no hospital, e morreu em Novembro do mesmo ano. Tolkien e seu
irmão Hilary passaram a morar com a irmã de sua mãe, Beatrice, enquanto
eram orientados pelo Padre Francis Morgan.

Em 1908, os dois Tolkien mudaram-se para a pensão da Sra. Faulkner. Lá
Tolkien conheceu Edith Bratt, também órfã, e eles se apaixonaram no
começo de 1909. Sendo Editt três anos mais velha que Tolkien.

Em 1910, o Padre Morgan descobriu o romance e proibiu Tolkien, na época
com 19, de encontrar e se corresponder com Edith até ter completado 21
anos. Isso levou ele a se dedicar mais aos estudos, principalmente ao
de línguas (ele já falava Latim e Grego fluentemente) e a conseguir
entrar para o Exeter College da Universidade de Oxford.

A Vida Acadêmica em Oxford:

Na Universidade de Oxford, Tolkien estudou Inglês Clássico e outras
línguas como Inglês Arcaico, Finlandês, Gales e Gótico e pouco tempo
depois começou a desenvolver suas próprias línguas. Após não se sair
muito bem em Inglês Clássico, ele mudou os estudos para Literatura e
Línguas Inglesas em 1913.

Nos estudos de Inglês Arcaico, Tolkien ficou maravilhado ao descobrir um poema chamado Crist que continha os seguintes versos:

Eálá Earendel engla beorhtast, ofer middangeard monnum sended., ou em português: Salve Earendel, o mais brilhante dos anjos, sobre a Terra-média enviado aos homens.

Não é preciso dizer que Tolkien usou uma variação desses versos em suas obras posteriores.

Nessa época que Tolkien fundou, junto com amigos, o Tea Club, Barrovian Society, chamado de T.C.B.S. (Clube do Chá, Sociedade Barroviana,
porque eles freqüentemente se reuniam para tomar chá nas Lojas
Barrow’s). Os membros eram todos muito inteligentes e passavam muito
tempo na Biblioteca. Eles compartilhavam o gosto por línguas como o
Anglo-Saxão e poemas como Beowulf. Nessa época, Tolkien começou a
pensar em escrever uma obra épica de mitologia e era encorajado pelos
outros membros.

O TCBS ficou junto até 1916, quando Tolkien e outros membros foram
mandados à Primeira Guerra Mundial e dois lá morreram: Geoffrey Bache
Smith e Rob Gilson.

Voltando a 1913, Tolkien, com 21 anos, reencontrou Edith, e ficou noivo
dela. Em Agosto desse ano a Guerra começou, mas ainda não afetava
diretamente Tolkien. Em Outubro, Tolkien voltou a Oxford para reiniciar
seus estudos.

Em Junho de 1915, Tolkien finalmente atingiu o Grau de Primeira Classe
em Literatura e Línguas Inglesas. Nessa época ele também estava
trabalhando com suas línguas, em especial o Qenya (mais tarde Quenya)
que se tornaria o seu idioma mais importante. Também começava a
desenvolver a história de Earendel, o marinheiro, que depois se
tornaria Eärendil.

A Primeira Guerra Mundial:

Tolkien não se uniu imediatamente a causa da Guerra, mas acabou por se
alistar como segundo Tenente nos Fuzileiros de Lancashire. Durante
meses Tolkien ficou esperando pela convocação para os campos de
batalha, Finalmente, parecia que embarcaria em breve para a França.
Assim, ele e Edith vieram a se casar no dia vinte e dois de Março de
1916, antes que Tolkien embarcasse.

Nos campos de batalha, Tolkien acabou contraindo a “febre da trincheira� após apenas quatro meses após sua chegada.

Em novembro de 1916 Tolkien foi enviado de volta para Inglaterra,
passando um mês internado no hospital de Birmingham, e no Natal ele já
estava recuperado o suficiente para ficar ao lado de Edith. Durante
este últimos meses, todos os seus amigos mais íntimos do “T.C.B.S.�,
foram mortos em batalha à exceção de um, Christopher Wiseman. Os outros
dois, Rob Gilson e Geoffrey B. Smith, não voltariam a seus lares.

Em parte, em memória a seus amigos mortos, e devido à suas experiências
de Guerra, ele resolveu pôr suas idéias no papel. “Você deveria começar
sua epopéia� (J.R.R. Tolkien: Uma Biografia, pág. 102), escreveu-lhe
Christopher Wiseman, enquanto Tolkien ainda se recuperava de sua doença
contraída nas trincheiras. G. B. Smith, antes de ser morto, escreveu à
Tolkien: “[S]e eu morrer hoje […] ainda restará um membro da grande
T. C. B. S. para expressar o que sonhei e no que todos concordamos.�
(J.R.R. Tolkien: Uma Biografia, pág. 97).

Logo Tolkien começou a escrever suas lendas. Nesses escritos são
encontrados as primeiras memórias da guerra contra Morgoth, o cerco, e
a queda de Gondolin e Nargothrond, e as lendas de Túrin e de Beren e
Lúthien, e aos quais mais tarde se juntariam diversos outros textos e
passagens que formariam o Legendarium.

De Volta a Inglaterra:

Em 16 de Novembro de 1917 nascia na Inglaterra o primeiro filho de
Edith e Tolkien, John Francis Reuel Tolkien. Foi nessa época que
Tolkien pensou em criar a história de amor entre um mortal e uma elfa,
usando como inspiração ele próprio e Edith, sendo Beren e Lúthien.Essa
era a forma dele conciliar o seu amor entre Edith e a sua obra que
tomaria toda a sua vida, até o seu último minuto.

Por volta de Novembro de 1918, quando a Guerra terminou, Tolkien
começou a trabalhar no “The Oxford English Dictionary”, como Assistente
Lexicográfico.

Mas já em 1920, ele conseguiu um posto sênior de professor em Língua
Inglesa na universidade de Leeds. Lá, junto de E.V. Gordon, fundou o Viking Club para os universitários que gostassem de ler contos nórdicos.

Dois outros filhos de Tolkien nasceram em Leeds: Michael Tolkien e o Christopher Tolkien.

Em 1925, Tolkien voltou a Oxford para ser Professor de Anglo-Saxão, e lá também nasceu Priscilla Tolkien, em 1929.

Os Livros:

Os livros de Jonh Ronald Reuel Tolkien fazem sucesso em todo mundo.
Estima-se que só nos EUA, O Senhor dos Anéis, tenha vendido 75 milhões
de exemplares. Eles atiçam a imaginação e criatividade do leitor
enquanto os envolve nas mais fantásticas aventuras.

“O Hobbit” é o primeiro livro da mitologia de Arda de Tolkien
publicado. É um prólogo de “O Senhor dos Anéis”, que conta às aventuras
de Bilbo Bolseiro na companhia de 13 anões e do mago Gandalf para
recuperar o tesouro roubado por Smaug, o dragão.

Lançado originalmente em 21 de Setembro de 1937 na Inglaterra pela
Editora “George Allen & Unwin.” Foi criado como uma história para
seus filhos, mas “O Hobbit” alcançou grande sucesso de forma que a
editora (que havia acabado de negar a publicação do Silmarillion)
acabou pedindo por uma continuação.

E a continuação é o mais famoso livro de Tolkien é O Senhor dos Anéis,
que saiu cerca de quinze anos depois com “O Senhor dos anéis: A
Sociedade do Anel”, seguido de “As Duas Torres” e “O Retorno do Rei”.

A Sociedade do Anel, lançado em 29 de Julho de 1954, conta como Gandalf
chega na residência de Frodo Bolseiro para convidá-lo numa aventura
mágica onde muitas forças serão enfrentadas para destruir um Anel
poderoso.

As Duas Torres, lançado em 11 de Outubro de 1954, descreve as
diferentes situações com os membros da Sociedade e da batalha no Abismo
de Helm, enquanto que Sam e Frodo estão escalando na companhia de
Gollum as escadarias de Cirith Ungol, rumo à Montanha da Perdição.

O Retorno do Rei, lançado em 20 de Outubro de 1955, é a parte final,
onde Frodo destrói o Anel após muitas batalhas, como as em Gondor. É um
livro mágico, onde o mal fica mais forte no final e as forças do bem
tem de se mostrar melhores e mais corajosas, fazendo atos heróicos.

Tolkien ainda publicou vários outros livros como As Aventuras de Tom
Bombadil; Sir Gawain, Sir Orfeu and The Pearl; Imram, The Homecoming of
Beorhtnoth Beorhthelms Son; The Lay of Aotrou and Itroun e Farmer Giles
of Ham, Leaf by Niggle; Smith of Wootton Major; Mr. Bliss e Roverandom.

Em Roverandom, Tolkien conta a história de um cão que ousa morder um
mago e passa por aventuras no fundo do mar e na Lua. Não é, porém, uma
história integrante da mitologia de Arda. Foi escrita como foram de
amenizar a tristeza que seu filho, Michael, sofreu ao perder seu cão de
brinquedo.

Por curiosidade, Roverandom é a união de duas palavras: Rover + Random, que significa “Explorador Aleatório”.

Teve uma época em que Tolkien se divertiu em inventar histórias de
fantasia para divertir seus filhos. Ele escreveu anualmente cartas para
o Papai Noel para seus próprios filhos, montando algumas pequenas
histórias e depois de algum tempo escreveu e publicou como um livro
entitulado As Cartas do Papai Noel.

A série de publicações acabou com a morte do autor em 1973, mas em 1977
Christopher Tolkien publicou o Silmarillion. As vendas do Silmarillion
surpreenderam a “George Allen & Unwin”. Em continuação ao
Silmarillion foi lançado em 1980 Contos Inacabados, que reunia alguns
manuscritos do pai. Mais uma vez as vendas foram bem sucedidas, e
culminou com os doze Volumes do History of Middle-Earth (apelidado
carinhosamente como HoME), uma obra bem mais complexa. O conteúdo reúne
os manuscritos de John que não foram publicados no livros anteriores.

Os Inklings:

Seria hipocrisia dos estudiosos de Tolkien falar que ele escreveu todo
esse mundo sem a ajuda de ninguém. É nesse contexto que entram os Inklings. Esse era o nome do grupo em que Tolkien e seus amigos se reuniam para ler o que haviam produzido. Se encontravam no The Eagle and Child Pub (mais conhecido como Bird and Baby) e tomavam uma cerveja.

Uma vez ou outra se reuniam na Magadalen’s College,
em uma sala de C.S. Lewis. Eram os Inklings: JRR Tolkien, CS Lewis,
Charles Williams, Orwen Barfield, W.H. Lewis, Nevill Coghill, John
Wain, J. A. W. Benett, Lord David Cecil, Jim Dundas-Grant, Adam Fox,
Colin Hardie, Robert E. Harvard, R. B. McCallum, C. E. Stevens,
Christopher Tolkien, C. L. Wrenn, E. R. Eddison, Roy Campbell e Gervase
Mathew.

Tolkien e a Lingüística:

Uma das partes mais completas na obra de Tolkien é a lingüística, o
escritor sentia um enorme prazer em criar novas línguas e fazia isso
com perfeição, mesmo assim, nem todos os idiomas criados pelo professor
foram usados em sua obra, ele selecionou alguns dos mais complexos para
os seus personagens falarem.

Esse vício de criar idiomas começou quando Tolkien ouviu os seus filhos falando em Animalic,
uma brincadeira que as crianças haviam aprendido e que consistia numa
língua nova, assim poderiam se comunicar sem serem entendidos.
Rapidamente Animalic se tornou uma língua morta e novas brincadeiras vieram.

Algum tempo depois, o escritor criou a sua primeira língua, o Naffarin,
que era pouco complexa mas foi o que desencadeou as outras escritas.

Baseando-se em diferentes idiomas como o latim, o anglo-saxão, o
espanhol e outros, Tolkien tentava sempre criar uma língua perfeita,
que fosse bela ao ser falada.

Foi em meados de 1915 que o escritor começou a criar o mais perfeito de
seus idiomas: o quenya (inicialmente chamado qenya). Esse idioma é
riquíssimo em sua composição e, junto ao sindarin, conseguiu alcançar a
beleza que o escritor sempre almejou.

Com toda certeza, a profissão de Tolkien influenciou muito nesse seu
vício, afinal de contas ele era Doutor em letras pela universidade de
Oxford na Inglaterra.

Para sabe sobre as línguas escritas de Tolkien é interessante visitar o Ardalambion, site completíssimo sobre as línguas de Tolkien que é mantido por Helge Kåre Fauskanger , um amante e estudioso do mundo de Tolkien que criou o curso de quenya.

Ao final de sua vida Tolkien já havia desenvolvido dezenas de idiomas
como o Quenya, Sindarin, Adûnaico, Westron, Telerin, Doriathrin,
Nandorin, Ilkorin, Avarin, Khuzdul, Entês, Órquico, Valarin e diversos
idiomas humanos.

Com toda certeza o nome John Ronald Reuel Tolkien está no Hall dos grandes idealizadores de línguas de toda a história.

Os Últimos Anos:

Segundo Michael White, “Em muitos aspectos, Tolkien fora velho antes de
seu tempo.” Pois na sua juventude, ele sonhava com idéias antiquadas.
Na velhice o que era ruim era exagerado: seu defeito na fala era quase
incompreensível. E o cachimbo entre os dentes atrapalhava na
comunicação. E isso está registrado nas gravações das entrevistas de
seus anos finais.

Tolkien culpou muitas vezes o rúgbi, que havia praticado como esporte
na juventude, onde mordeu a língua profundamente (e teve um nariz
quebrado), como o problema que atrapalhara na sua comunicação.

O sucesso de suas obras viera tarde demais, dos anos sessenta em diante
ganhava a cada ano cheques mais polpudos das vendas pela editora
“George Allan & Unwin” dos seus livros, principalmente pelo “O
Senhor dos Anéis.” E este dinheiro garantiu a boa vida dele com Edith
nos últimos anos de vida.

Tolkien foi ficando velho. Um ser preconceituoso, que ao decorrer do
tempo foi se entrincheirando nas suas opiniões muitos pessoais.
Considerava “vulgar” ou “absurdo” as coisas de grande número. Havia
reclamado da produção para o rádio de “O Senhor dos Anéis” da BBC, que
segundo ele, faria melhor muitos personagens. Repugnava repórteres,
concedendo raras entrevistas na sua vida. Julgava-se melhor em vários
aspectos, dizia fazer uma foto melhor que qualquer fotógrafo.

Uma vez recebeu o rascunho de uma entrevista do casal de jornalistas
Charlotte e Dennis Plimmer, mas respondeu friamente com uma redação de
2 mil palavras, dizendo sentir-se ofendido ao fato de terem sugerido
que sua garagem era de fato seu “escritório”, e de que “O Silmarillion”
era sua obra predileta, pela presença das línguas.

No início dos anos sessenta, proibiu W. H. Auden de fazer uma breve
biografia sua, considerando aquilo uma grosseria, e que só íntimos
poderiam fazer sua biografia. Foi ficando cada vez mais reservado, não
entendendo porque todo interesse por sua vida particular, a não ser
pelas suas obras. Começava a ficar “paranóico” e não revelava
acontecimentos seus do passado.

No início de 1965, uma editora americana chamada Ace Books soube do
sucesso que o livro ganhava entre os estudantes da Califórnia e também
descobriu que a editora de Tolkien, Houghton Mifflin, com sede em
Boston, havia importado mais cópias do que foi avisado para os editores
britânicos (Rayner Unwin, da “George Allan & Unwin”).

Então decidiu correr o risco e publicar uma edição pirata de “O Senhor
dos Anéis”. Mas pouco tempo antes de ficar pronto, os editores
responsáveis e que tinham o direito da obra, informaram à Tolkien sobre
o caso. Mas aparentemente Tolkien não havia tomado conhecimento do que
aquilo representava, e não “respondeu”.

O tempo passou e a edição pirata da Ace foi publicada. Em pouco tempo a
edição, que era vendida por 75 centavos de dólares americanos, alcançou
vendas absurdas: em 1 ano vendera mais de 100 mil exemplares.

Nesse período, a Houghton Mifflin, havia lançado uma edição de
brochura, com acabamento muito bem feito, e vendendo à 95 centavos
americanos. Só que, como esta edição era legal, o preço tornara-se mais
caro, devido aos royalties.
Mas eles não deixaram por menos, tentaram durante este tempo um
processo no tribunal contra a Ace Books, e no final das contas a Ace
teve de pagar tudo o que era de direito aos editores e ao autor, J.R.R.
Tolkien.

Se por um lado, a edição pirata foi ilegal, ela acabou por outro lado a
atrair milhares de fãs. O número de cartas que Tolkien trocava com seus
fãs crescia cada vez mais, inclusive astros de Hollywood e até um
astronauta chegaram a trocar cartas com o autor.

Um fato extremamente engraçado e curioso, foi quando um grupo de fãs
americanos partiram rumo à Headington, no verão de 1967, a fim de
conhecer Tolkien. Eles acamparam no gramado em frente à casa de Tolkien
e gritavam “Queremos Tolkien. Queremos Tolkien!”

Na época em que surgiu a cultura hippie, “O Senhor dos
Anéis” ganhava fama mundial. Pois falava sobre a magia e do tornar-se
possível algo, desde que cremos nela. Isto e tudo o que leitores
interpretavam levava ao ingrediente perfeito de sucesso de uma obra.

Em 1966, Tolkien e Edith viajaram num cruzeiro pelo Mediterrâneo, para
comemorarem as Bodas de Ouro. E no jardim do Merton College, ocorreu
uma festa, onde o compositor Donald Swann apresentou “The Road Goes
Ever On” (A Estrada Prossegue). Um seleção de músicas da Terra-média.

Mas quando Tolkien beirava na faixa dos 70 anos, não pode agüentar
tanta fama, e mesmo porque não entendia porque as pessoas se
interessavam por ele, e não pela obra em si. Mudou-se então de
Headington para um lugar secreto, em 1968. Fez com que seu nome saísse
da lista telefônica e assim seu endereço mudasse, evitando que a caixa
de correspondência lotasse de cartas.

Passaram-se os anos, e Tolkien ainda trabalhava em cima de “O
Silmarillion”, aperfeiçoando, revisando, editando. Sentia-se de vez em
quando deprimido, visto que seus filhos já tinham famílias e ele estava
sozinho com seu amor e com pouco amigos, já que os grandes haviam
morridos. Mas a sua fé e o amor por Edith faziam-no continuar.

Em 1968, Tolkien e Edith compraram uma casa com um bangalô, que era
grande e tinha um jardim que Tolkien gostava de cuidar. Situava-se em
Poole. Para Edith foram anos maravilhosos, por causa do conforto. Mas
para Tolkien eram anos deprimentes, não haviam mais amigos do calibre
de intelectualidade dele com quem pudesse conversar.

Com o tempo ele teve de aceitar aquilo e se acostumar. Foi ganhando
gostos cada vez mais diferentes de quando era jovem, passara a usar
gravatas e ternos feitos sob medida. E mesmo que reclamasse dos preços,
ele passou a comer em restaurantes e a beber vinhos caros.

Ainda recebia algumas cartas, mas não respondia com o mesmo entusiasmo
de anos antes. Não aceitava convites para jantares em restaurantes onde
o trajeto tivesse de passar por algum campo devastado. Ficou danado
quando batizaram um Canal com o nome de “Shadowfax” sem sua permissão.

Chegou o ano de 1971, e Edith, com 82 anos ficava cada vez mais frágil.
Foi internada às pressas em novembro no hospital com inflamação na
vesícula biliar. Poucos dias depois, em 29 de Novembro, morria sua
amada mulher, Edith Mary Tolkien.

Assim Tolkien entrava numa fase final de vida. Restava-lhe pouco menos
de dois anos de vida. Ficou de luto por um longo tempo. Poole já virava
uma paisagem triste para ele, seu filho Christopher, o então Fellow do New College, providenciou um apartamento para ele, na rua Merton 21, uma propriedade de seu antigo college.

Lá instalaram a biblioteca de Tolkien, com seus livros organizados e um
espaço luxuoso. Tolkien sentia-se um pouco melhor, por ser o “Fellow
Honorário” e estar de volta em Oxford. Às vezes, quando encontrava-se
solitário, remexia no seu grande livro de anotações e respondia com
bondade às cartas de todo mundo.

Tolkien não deixou de ser homenageado pela comunidade acadêmica. Na
Primavera de 1972, recebeu o título de C.B.E. (Comandante da Ordem do
Império Britânico). Na mesma noite recebeu o convite para um jantar com
Rayner Unwin, para que fosse homenageado. Recebeu também muitos
doutorados honorários, mas o que Tolkien mais ficou contente foi de sua
própria universidade. Em junho de 1972 recebia o título de Doutor
Honorário em Letras.

Era visitado muitas vezes pelos filhos e familiares e pelos velhos
amigos. Na primavera de 1973 recebeu seu antigo amigo do T.C.B.S.,
Christopher Wiseman e conversaram sobre tudo o que tinham direito: do
mundo, do tempo que passou, de seus filhos e relembraram dos momentos
bons da juventude e idade adulta.

Porém a saúde de Tolkien piorava a cada ano. Desde fins de 1972 sofria
de problemas graves de indigestão e problema na vesícula biliar. Em 28
de Agosto de 1973 havia festejado o aniversário da Sra. Tolhurst, e até
bebeu champagne, parecia bem.

Mas na manhã seguinte foi internado no hospital. O que a consulta dias
antes no médico, com Raio X, não disse, se revelou naqueles dias:
estava com úlcera gástrica aguda. Então, em 2 de Setembro de 1973,
morria o Professor J.R.R. Tolkien.

Da Morte:

J.R.R. Tolkien foi notícia no jornal “The Sunday Times” quando faleceu.
Para conferir mais sobre esta notícia, acesse o link do site Duvendor: Obituário.

Curiosidades:

1 – A biblioteca da Universidade de Marquette, na cidade de Milwaukee,
Wisconsin, EUA, preserva muitos dos manuscritos originais de Tolkien,
notas e cartas, e outros documentos que foram recuperados da Biblioteca
Blodleian, em Oxford. Marquette também possui em seu acervo manuscritos
de livros como O Hobbit e Mestre Gil de Ham, e material dos fãs de
Tolkien, enquanto a Bodleian tem os esboços de O Silmarillion e os
trabalhos acadêmicos de Tolkien.

2 – “O Senhor dos Anéis” foi eleito o livro do século pela BBC de Londres. E eleito o livro do milênio pela Amazon.com

3 – Na notícia Tolkien É Homenageado na Inglaterra
o usuário poderá ver uma gostosa notícia, onde mostra que o local onde
Tolkien passou internado por causa da “febre das trincheiras” foi
decorado com uma placa especial.

4 – Em Patrimônio Tomba Casa, podemos ver que após o sucesso dos filmes, o patrimônio histórico do país tomba a casa onde Tolkien viveu muitos anos.

5 – Carta Leiloada na Inglaterra
traz à tona a notícia de uma carta secreta que foi leiloada
recentemente na Inglaterra, onde Tolkien se corresponde com uma mulher
pedindo emprego de secretária.

6 – E através desta notícia,
o fã de Tolkien poderá encontrar um site em inglês que possui um enorme
acervo de capas dos livros de Tolkien publicados na época.

Fontes de Pesquisa:

Livro: “Tolkien – Uma Biografia“, de Michael White, Ed. Imago, 2001.

Livro: J.R.R. Tolkien – Uma Biografia

Site: Duvendor

Site: Ardalambion

Site: Devir

Site: Heren Hyarmeno

Site: Amon Hen

Site: Dúvendor

Site: Sociedade de Tolkien Brasileira

Site: Enciclopédia de Valinor