Valinor resenha "O Retorno do Rei" – parte II

Estamos de volta, amigos da Valinor! Antes que alguém queira me amaldiçoar até a octagésima geração, esclare
 

Estamos de volta, amigos da Valinor! Antes que alguém queira me amaldiçoar até a octagésima geração, esclareço que precisei dar uma palestra de manhã e trabalhar que nem louco a tarde inteira na Folha. Cisne sofre…

Mas vamos à cena. Que agora se volta outra vez para Mordor (o vaivém é comum, mas não se torna irritante, graças a Eru). Os hobbits e Gollum escalam o caminho tortuoso até Torech Ungol e recomeça o lento “envenenamento” de Frodo contra seu fiel escudeiro. “O hobbit gordo vai pedir o Anel do mestre para carregá-lo”, diz o pérfido Gollum. Frodo faz uma cara incrédula, mas fica claro que vem merda pelo caminho.

Pra aliviar um pouco o clima, Gandalf e Pippin chegam à Cidade Branca. Minas Tirith é lindíssima, e a fidelidade do cenário em relação à descrição que vemos no livro é absurda; há até o veio de pedra que corta todos os níveis, o Pátio da Fonte e a Árvore Branca perto da Torre de Ecthelion. Detalhe: ao olhar no palantír, Pippin diz ter visto a Árvore sendo destruída, e ele a reconhece agora. Antes de entrarem, um pouco de alívio cômico: Gandalf diz “Pippin, Denethor é o Regente, o pai de Boromir. É melhor não mencionar a morte dele. Também não diga nada sobre Frodo e o Anel. Ah, e não mencione Aragorn também… pensando bem, é melhor você não abrir a boca de jeito nenhum”. Hilário!

Começa então outro problema sério do filme: Denethor. Mais uma vez a equipe mostra que tem dificuldade com sutilezas e retrata o sujeito como alguém completamente escroto, sem nobreza. Mesmo depois da oferta de serviço de Pippin (que Gandalf, aliás, até empurra para que ele pare!), ele NÃO aceita a ajuda do mago, diz que JÁ está sabendo de Aragorn e que não vai aceitá-lo (as frases, aliás, vêm direto do livro; pelo menos isso). Ah, e que NÃO vai acender os faróis pra pedir a ajuda de Rohan. O exagero é patente: tudo bem, Denethor era arrogante, mas só virou suicida no último momento.

Não vemos a transição, mas sabemos que Pippin acaba sendo aceito porque ele aparece numa sacada olhando a roupa de Guarda da Cidadela. “Eles não vão querer que eu lute realmente, não é, Gandalf?”. O mago logo tira as ilusões de Pippin, mas confia ao Pequeno uma tarefa valorosa: acender os faróis!

A cena não está no livro e é até bastante inverossímil, mas as imagens compensam. Pippin escala furtivamente a torre onde está a madeira que inicia o sinal e consegue pôr fogo nela. Pronto: o farol de Amon Dîn se acende em resposta! E lá se vão eles, Erelas, Nardol e os demais, chama saltando de montanha em montanha em socorro de Gondor – é arrepiante só de lembrar! Aragorn vê de Edoras a última chama e corre, até perdendo o fôlego, para avisar Théoden. “Gondor pede ajuda!”. Suspense e…. “E Rohan vai atender!”. Ufa!

A reunião das tropas da Marca dos Cavaleiros começa. Éowyn prepara seu cavalo e Aragorn estranha. “É costume das mulheres da corte dizer adeus para os cavaleiros”, disfarça ela. Aragorn vê, no entanto, que tem uma espada debaixo da sela, mas fica quieto. Éomer grita: “Juramentos vocês fizeram, agora o cumpram todos a senhor e terra” – outra frase idêntica ao do livro, faltou só o “a liga de amizade”. Eles partem para o Templo da Colina.

Nisso, a retirada de Osgiliath começa a se aproximar dos muros de Minas Tirith. Os Nazgûl estão no encalço deles e as Bestas Cruéis chegam a arrancar cavaleiros da sela, ou até cavalos inteiros do chão. Gandalf põe Pippin sobre Scadufax (por que cargas d’água, só PJ sabe) e corre ao socorro dos cavaleiros. A luz de seu cajado afasta os Espectros e Faramir consegue voltar para dentro da cidade. Ele conta a Gandalf sobre a derrota e de repente vê Pippin. “Esse não é o primeiro Pequeno que vc viu, não é?”. Ele então conta a Gandalf sobre a ida de Frodo e Sam para o vale de Morgul e…

Corta de novo para as vizinhanças de Torech Ungol. Gollum tem a manha de pegar o lembas que sobrou durante o sono de Sam, espalhar migalhas no manto do hobbit e jogar o resto nas montanhas. Sam acorda, depois de algum tempo vê a merda que aconteceu e começa a estapear – aliás, a esmurrar com fúria – Gollum, diante do atônito Frodo. Gollum diz que Sam fica comendo escondido e, distraídamente, diz: “Oh! O que é isso?”, apontando para uma migalha na capa de Sam. O coitado nega tudo. Pede para ajudar Frodo a carregar o Anel e aí a casa cai – Frodo diz que Sam não pode mais continuar a Demanda. O pobre hobbit chora amargamente enquanto Frodo e Gollum seguem em frente.

De volta para Minas Tirith, Pippin faz seu juramento de fidelidade – usando o belo texto tolkieniano – enquanto Denethor cobra de Faramir a derrota. Diz, na cara do filho, que preferiria que ele tivesse morrido no lugar de Boromir, e exige que ele tente retomar a cidade. Faramir sofre terrivelmente mas concorda. “Quando eu voltar, no entanto, pense melhor a meu respeito, pai”. “Isso dependerá da maneira do seu retorno”. O peixe morre pela boca…

Mais uma cena que me fez chorar convulsivamente: os cavaleiros liderados por Faramir partem passando pelas ruas de Minas Tirith e o povo joga flores no caminho deles; um ou outro guerreiro até pega as flores na mão. Lembrei de uma passagem do Evangelho, quando Jesus diz que lhe passaram perfume para prepará-lo para a sepultura – essas flores são a mesma coisa!

De volta à Torre Branca, Denethor come como um cachação (porco velho, pra quem não sabe) e pede que Pippin cante para ele. Ele obedece com relutância e a bela voz de Billy Boyd serve de fundo para o ataque suicida diante de milhares de orcs arqueiros – enquanto tomatinhos ficam estourando na boca do Regente e ele baba o sumo como se fosse sangue. Disgusting.

Claro que é um alívio voltar pra Rohan. Merry experimenta suas armas de cavaleiro incentivado por Éowyn, enquanto Éomer não bota a menor fé que o hobbit pode ajudá-los em batalha. Os cavalos estão inquietos pela proximidade da Dwimorberg, a Montanha Assombrada dos Mortos. Seis mil lanças se reuniram para ajudar Théoden – pouco contra a força de Mordor.

Aragorn é despertado no meio da noite por um mensageiro de Théoden. Ele chega à tenda do rei que, sem jeito, se despede, deixando-o a sós com um sujeito encapuzado. É Elrond! Ele conta sobre a doença de Arwen (blergh!), aconselha-o sobre as Sendas dos Mortos e sobre o exército que o herdeiro de Isildur pode granjear lá – e lhe passa Andúril! Dá para ler as belas runas na lâmina enquanto Aragorn a desembainha.

Ele tenta partir sozinho, mas Legolas e Gimli o seguem. Passando no meio dos incrédulos Rohirrim, eles atravessam a bruma em direção ao desfiladeiro onde está a Porta Proibida. Os cavaleiros chegam mesmo a dizer que não adianta lutar e se perguntam porque Aragorn está fugindo antes da batalha, mas Théoden diz que Aragorn está fazendo o que deve ser feito. “Podemos não ser capazes de vencer Mordor, mas os encontraremos em batalha mesmo assim”. Uau!

Acompanhamos então os Três Caçadores em sua jornada até a Porta. “O caminho está fechado. Foi feito pelos mortos e os mortos o guardam!”, diz Legolas. “Eu não temo a morte!”, diz Aragorn, resoluto, e entra. Legolas o segue e fica Gimli. “Essa é uma coisa nunca ouvida antes, que um elfo entre debaixo da terra quando um anão não o ousa!”, diz Gimli, e entra também.

Os três vão parar numa estranha construção de pedra quando os Mortos aparecem! O visual é fantástico: as criaturas usam armaduras, seu Rei é coroado, mas estão só ossadas, decadência à mostra. Desafiam Aragorn e ele brande Andúril – que se mostra capaz de “materializar” o Rei dos Mortos! Aragorn pede que eles lutem a seu lado e recuperem sua honra. Depois de certo suspense, eles topam.

Voltamos para Mordor. Agora, Gollum entra com Frodo na toca de Laracna e logo começa a se esconder nos corredores paralelos, desorientando o hobbit. Teias de aranha estão por toda parte (não diga, Cisne!) e Frodo caminha, um tanto perdido, até que de repente surge a filha de Ungoliant. Todas as palmas para PJ e o pessoal da Weta: o monstro é tudo o que você sonhou (ou seria “pesadelou”?) e mais. Frodo se apóia ofegante na parede, lembra-se do frasco de Galadriel e enfrenta o monstro com espada, coragem e Quenya: [i]Aiya Eärendil elenion ancalima[/i], sussurra. Começa a correr, se enreda num lugar cheio de teias, consegue cortar tudo com Ferroada e se esgueira para fora.

Gollum está lá fora esperando e Frodo pula para cima dele. Sméagol dá um jeito de embromar o pobre hobbit mais uma vez e Frodo poupa sua vida, caminha mais alguns passos e cai desmaiado. Numa visão, ele está em Lórien e Galadriel lhe estende a mão, sorrindo. Ele a pega com força e se levanta de novo, caminhando. Sente o perigo de novo à sua volta, mas é tarde demais – do alto das pedras, Laracna preparara seu golpe de ferrão e atordoa o hobbit, enrolando-o instantaneamente num casulo numa cena pavorosa.

Eis que chega Sam, que tomou Ferroada em suas mãos (o frasco na outra) e luta de forma emocionante com o monstro. Por um triz, ele consegue feri-la nos olhos e na barriga. Ela foge. Sam acha que Frodo está morto – é desesperador. Ouve a voz dos orcs, que acabam revelando que ele está só atordoado. Eles o carregam para a torre de Cirith Ungol.

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Pessoal, aguardem para a próxima e última parte o final da saga. Ou “Como deixar os olhos de um sujeito inchados de tanto chorar”. Vai valer a pena esperar, tenham certeza!