1. Caro Visitante, por que não gastar alguns segundos e criar uma Conta no Fórum Valinor? Desta forma, além de não ver este aviso novamente, poderá participar de nossa comunidade, inserir suas opiniões e sugestões, fazendo parte deste que é um maiores Fóruns de Discussão do Brasil! Aproveite e cadastre-se já!

Dismiss Notice
Visitante, junte-se ao Grupo de Discussão da Valinor no Telegram! Basta clicar AQUI. No WhatsApp é AQUI. Estes grupos tem como objetivo principal discutir, conversar e tirar dúvidas sobre as obras de J. R. R. Tolkien (sejam os livros ou obras derivadas como os filmes)

Intelectualóides, hipócritas e outros bichos.

Tópico em 'Atualidades e Generalidades' iniciado por Thy Treebeard, 9 Abr 2002.

  1. Olá de novo meus caros!

    Neste mundo eu odeio poucas coisas. Tento, a toda hora, privar meu coração de pensamentos enraivecidos e de atitudes inconseqüentes. Mas tem uma coisa que, por mais que eu me esforce, não consigo deixar de odiar: os tais intelectualóides!

    Sim! São aqueles yuppiezinhos que ou se vestem de preto, ou usam boinas de comunistas de dois séculos atrás, ou só assistem a filmes suecos, ou adoram James Joyce, ou possuem alguma marca que tem o único fim de mostrar à sociedade que eles sim são diferentes, são especiais, que não toleram os ditames dessa sociedade capitalista opressora na qual vivem.

    Eles fazem trabalhos voluntários? Não! Porque são muito ocupados para isto.

    Eles produzem arte, criam obras ou começam projetos? Não! Eles preferem criticar tudo que já existe.

    Eles se refugiam da sociedade, viram ermitões, mobilizam-se para fundar um partido ou se inscrevem em um já existente, montam uma comunidade alternativa regida pelos regramentos utópico-comunistas e combatem o sistema? Não! Eles preferem só criticar a sociedade e seus integrantes, esperando que um dia mudem.

    Eles assistem televisão, ouvem rádio, navegam pela internet e lêem os jornais e revistas que tanto criticam? Sim! Porque ninguém é de ferro.

    Eles plantam o que comem ou vão ao McDonald's? Bom, você já sabe a resposta.

    São eles, fáceis de identificar. Alguns parecem personagens saídos de uma novela de época, outros parecem cem vezes mais velhos do que realmente são, e outros são apenas bichos-grilos.

    Você deve estar se perguntando... e daí? Cada um faz o que quer da vida, veste-se da forma que mais gostar e age da forma que melhor lhe aprouver...

    Sim, com isso eu concordo. Mas essas pessoas não se limitam a agir de forma diferente, elas querem que você também aja como elas, e se não agir, ah... se você não agir você é um mero produto de interesses econômicos que regem esta sociedade opressora.

    E por isto eles te menosprezam, te rejeitam, te difamam e olham com aquele ar de superior detestavelmente cínico e cruel.

    Mas o que eles não se apercebem é que eles mesmos são regidos por um padrão, um padrão diferente, é verdade, mas não deixa de ser um padrão.

    Eles se vestem conforme o costume de sua tribo. Não ousam, não mudam, não se destacam e nem de longe são originais. Tudo que usam é copiado, tudo que vestem é copiado, a maneira como agem é, descaradamente, copiada.

    Qual a originalidade então? Por que são diferentes? Por que teimam em se diferenciar do homem comum?

    Respostas: Primeiro, não há originalidade alguma. Segundo, não, nem chegam perto do conceito de "ser diferente". Terceiro, eles querem aparecer e suprir a falta de personalidade que eles têm, e não é por razão outra que se aliam a grupos de pessoas esquisitas.

    Mas tudo isto é irrelevante não fosse a hipocrisia que deles emana.

    Eles dizem que você é produto do sistema, mas quem come em restaurantes caros, com o dinheiro do papai; ou quem viaja para Cuba, com o mesmo dinheiro do papai (que talvez seja um pobre contador que trabalha 44 horas por semana durante 50 anos em uma transnacional); ou quem estuda em escolas caras, com o mesmo dinheiro do papai; ou quem faz curso de inglês (britânico, para não falar igual aos opressores americanos) são eles.

    E o pior: chegam à Cuba, ficam em um hotel caríssimo, nem dão bola pro pobre garçom cubano que os servem e vão à praia, nadar nas lindas águas caribenhas e jogar a garrafa de água e a ponta do cigarro nas areias, poluindo-as.

    Cadê a ideologia?

    Está na boca deles, não na mente, tampouco em seus corações.

    Aí eles voltam de Cuba, dizem a todos como o povo lá é escolarizado (claro, eles só conheceram turistas), dizem que as ruas são limpas (claro, o hotel é limpo o tempo todo) e como ninguém passa fome (claro, no pacote de todo mundo está incluída a meia pensão).

    Depois ele começa a comparar: No Brasil todos passam fome, e lá não. (Será que alguma vez ele contribuiu para uma entidade assistencial? Tentando fazer alguma coisa para erradicar a fome? Eu acho que não).

    No Brasil a maioria das pessoas são analfabetas, lá não (Será que ele já procurou alguma entidade educacional para poder dar aula de qualquer coisa para crianças carentes como voluntário? Eu acho que não.)

    No Brasil as pessoas carentes são mal atendidas no hospital. (Será que ele já procurou um hospital público para contar histórias para crianças com câncer? Será que ele já se dispôs a alegrar o dia de um enfermo? Que isso! Ele mal vai visitar a pobre da sua própria avó que está internada em um hospital, vocês acham que ele se disporia a isto? Nunca!).

    E o pior de tudo, ele ainda te dá lição de moral:

    "SENHOR DOS ANÉIS? Você está lendo isso? Que perda de tempo, isto é para crianças, é uma ficção fantástica idiota! Você tem de ler Pablo Neruda!!!!"

    "O Físico? Você tá lendo isso? É do Noah Gordon, né? Como você pode ler coisa de americano???"

    "Que????? Você vai assistir ao filme do Senhor dos Anéis também? Um emaranhado de efeitos especiais com milhares de batalhas? Não perca seu tempo! Vem comigo assistir a Amélie Poulain!"

    Mas o pior de tudo é que o nosso intelectualóide acabou indo assistir o Senhor dos Anéis:

    "Ah, eu assisti aquela droga. Cara, não tem final! Que filme ridículo! E tem implicitamente uma mensagem gay velada entre os dois `duendes' principais. Um lixo!"

    E não adianta dizer que a história é totalmente assexuada, que não há qualquer mensagem homossexual no filme. E se você explicar que o filme não tem final porque é uma trilogia, ele diz:

    "Trilogia é igual a Poderoso Chefão, cada filme tem um término, esse só termina no terceiro! Por que diabos filmaram isso".

    Mas aí, do alto de sua razão, você retruca:

    "Hei, você disse ontem que não assistia a besteiróis americanos e, se não me engano, o Poderoso Chefão I, II e III foram feitos pelos americanos!"

    Eis senão quando você ouve aquela pérola:

    "Não, mas o Poderoso Chefão é diferente, é um filme de arte"

    E tudo se resume nisso. Aquilo que ele vê é diferente, foge à regra. O que você vê, desde que ele não tenha visto, é lixo.

    Por isto, aí vai o meu desabafo:

    1. Arte é subjetiva, tudo que o ser humano faz com o fim de expressar emoções é arte. Senhor dos Anéis é arte, porque te causa emoções e tem uma história repleta de personagens emotivos, que sentem e que fazem os demais sentir.

    2. Só porque é americano, não quer dizer que necessariamente é ruim. Se não tudo que eles inventaram seria ruim. E foram eles que inventaram o cocktail anti-aids, só para dar um exemplo.

    3. Se comunismo fosse bom já teria sido implantado. Comunismo nunca foi implantado, apenas o socialismo repressor o foi. Comunismo é o regime perfeito e o ser humano é o mais imperfeito dos seres, por isto nunca daria certo.

    4. Se você se vestir diferente e não usar Nike ou Reebok, não quer dizer que você é realmente diferente de todos os outros.

    5. Se você faz trabalho voluntário, ajuda as pessoas e/ou mobiliza-se concretamente em busca de um ideal, você passa a ser, realmente e com todos os méritos, alguém diferente, mesmo que você coma no McDonald's e goste de usar calça jeans.

    6. Ler Pablo Neruda não o torna um intelectual, mas se você ler Pablo Neruda, JRR Tolkien, Eduardo Galeano, Noah Gordon e Marion Zimmer Bradley, entender suficientemente a mensagem de cada autor e o mundo que cada um criou, escrever sobre isso e começar a fazer poesias ou a escrever ensaios, ainda assim você não é um intelectual, mas já entende um pouco mais do significado da palavra "cultura".

    7. Se você fala uma coisa e faz outra você é um hipócrita.

    8. Se para fugir dos padrões você adota outro padrão, ainda assim você é padronizado.

    9. Se você usa energia e mora na casa do papai, você está aceitando os ditames da sociedade, não importa o que você faça para contrariá-los.

    10. Se você realmente se acha diferente e quer ser assim, não tente fazer com que os outros ajam igual a você, senão você simplesmente está criando um padrão.

    11. Se você se importa com que os outros pensam, você é igual a todos os outros.

    12. Deixe de ser um rótulo e passe a se importar com o seu conteúdo.


    Era isso que eu queria dizer, me delonguei demais, mas como esse site é de pessoas que leram JRR Tolkien, do que se aduz que todos aqui lêem livros e gostam de pensar e refletir sobre as coisas, achei que seria um ótimo lugar para discutir sobre esses hipócritas pedantes que se acham melhor do que nós.

    Abraços,
     
  2. dermeister

    dermeister Ent cara-de-pau

    clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap...

    (Não sei o que digo ao nosso colega coberto de folhas, então me resta aplaudir)

    Este post explica o modo de vida e as reais aspirações de (quase) todos os "anti-estadunidenses-declarados" que vemos por aí... Pessoas que não têm uma ideologia para amar, e preferem encontrar uma para odiar...

    (nada a favor do imperialismo exercido pela nação que mencionei, mas lembrando que temos outros caminhos a seguir)
     
  3. Anglachel

    Anglachel Usuário

    Muito bom mesmo, também detesto intelectualoides, que se acham o máximo. Porém gostaria de acrescentar duas coisinhas, nem todo socialista é um desses, e nem todo boçal dessa espécie é de esquerda, há também aqueles que leram Marx só para criticar e acham que liberalismo vai salvar a terra. Me senti na obrigação de falar isso porque sou socialista e não me encaixo nem um pouco no perfil acima e porque já sofri com os filhinhos-de-papai-liberais-sem noção da realidade.
     
  4. Tonho Hammond

    Tonho Hammond Molusco

    oi

    Muito bom, na essência tá perfeito, mas muitas das suas conclusões não me pareceram tão legais assim.
    é assunto a ser debatido com uma continuidade maior, não como um desabafo só.

    nhotö
     
  5. Olá Anglachel!

    Também sou de esquerda, e nem por isto me visto igual ao Ernesto "Che" Guevara, apesar de gostar muito da figura histórica que ele representa.

    Nada contra os esquerdistas (que, como já disse, sou um deles), sou contra aqueles que querem impor pensamentos e menosprezar todas as demais tendências contrárias.

    Mas como eu tentei frisar neste tópico, eu sou mesmo contra os hipócritas.

    E neoliberais yuppies que só se preocupam em ostentar, lavar o carro e botar equipamento de som caro em seus carros também se encaixam no que eu disse.

    Aliás, estes são ainda piores, porque sequer se dão ao trabalho de refetir no mundo em que vivem. Estes sim são apenas peças do maquinário social e não fazem mais que investir em aparência, em ostentação e em outras inúmeras superficialidades.

    Beijos afetuosos,
     
  6. Claro, vamos discutir!

    Olá nhotö batünrë!

    Obrigado pelas suas palavras.

    Sim! Eu não sou o dono da verdade! Tudo o que eu disse é o que eu acho. Se você me provar que eu estou errado, no todo ou em apenas uma ou outra conclusão, não tenho o menor problema em mudar de opinião e admitir que eu estava equivocado.

    Mas para isto, gostaria que você me apontasse diretamente os pontos que você não concorda e o porquê da discordância.

    Adorarei responder e comentar suas opiniões, desde que você as escreva.

    Brigadão!

    Um forte e fraterno abraço!
     
  7. Dante Aqueronte

    Dante Aqueronte Usuário

    Uau, aprendi a dar nó de marinheiro usando meu cérebro no lugar da corda. Eu juro, li três vezes o texto inicial e não saquei o que vc tava criticando! Alguém pode transcrever aquilo em portugues, por favor?
     
  8. Ungoliant

    Ungoliant Usuário

    hehehehe bom nao sou de esquerda mas concordo com vc, apesar de nao ter muito contato com pseudo intecetuais (o mais proximo foi meu prefessor de redacao no cursinho eu acho)


    mas o que eu realmente queria dizer eh..

    caraca, isso saiu do nada hein! :lol:

    todo mundo discutindo babaquice me vem vc e posta um post puta profundo criticando a sociedade e tal! Achei legal :wink:

    []
     
  9. Respostas ao Legolas e Ungoliant

    Pro Legolas: Olá! Tudo bem?

    Se você não entendeu alguma coisa, adoraria tentar me fazer mais claro e fazer com que você compreendesse a mensagem que eu tentei passar.

    Para isto, é só me perguntar, seja aqui mesmo ou em uma mensagem privada, responderei com prazer!

    E obrigado por tentar entender minha mensagem! :D

    Abraços fraternos deste Ent.

    Pro Ungoliant: Olá, como vai?

    Muito obrigado pelas suas palavras gentis. Mas isto aqui não saiu do nada, eu reflito sobre esses intelectualóides há algum tempo e sempre tentei desvendar o porquê de tanta arrogância e o porquê eles agem desse modo tão estranho.

    Mas ontem um amigo meu, que se encaixa ipsis litteris neste perfil, veio a mim com uma dessas e me emputeci ao extremo. Então desabafei aqui, esperando ouvir as opiniões das pessoas sobre este tema, para ver se juntos conseguimos entender essas pessoas. Além de, é claro, tentar mostrar para aqueles que se encaixam no perfil que não adianta mudar o rótulo para ser diferente, mas também tem de mudar o conteúdo. Aliás, basta mudar o conteúdo e nada mais.

    Também quis mostrar que quem vive para se comparar aos outros será invariavelmente um pedante e um frustrado, pois sempre encontrará alguém pior e alguém melhor que ele.

    Abraços fraternos
     
  10. Conan

    Conan Cavaleiro Pendragon

    até concordo, mas acho que o mesmo direito que meleva a concordar com vc , o direito de vc achar o que acha sobre eles e o mesmo de tal pessoas pensarem como pensam. Devemos concordar com eles? Naum. Mas a partir do momento em que naum concordo com a maioria do que eles falam, tais pessoas naum me afetam, e se naum me afetam eu naum sinto nada por elas, nem mesmo raiva. Cada um faz o que der na telha, desde que naum invada o a individualidade do outro.
     
  11. Ah sim, mas muito pelo contrário.

    Tudo bem, eu até entendo.

    Mas é muito difícil que essas pessoas não te afetem quando você trabalha, todos os dias, diretamente com elas.

    E o pior: ficam te regulando, te criticando, te enchendo o saco. A toda hora. É como aquela tortura chinesa do pingo: você amarra o cidadão numa cadeira e deixa uma goteira sobre a cabeça dele. Nas primeiras dez horas aqueles pingos inofensivos nem te incomodam. Mas depois de um dia inteiro levando pingada na cabeça, meu amigo, você estoura.

    E foi isso que aconteceu comigo, se ele só me disparasse um pingo, nem me incomodaria. Mas depois de uns 100 litros de pingos na minha cabeça eu queria morrer.

    Mas obrigado pelo seu comentário! Tenha certeza que me deu forças para ignorar as atitudezinhas de meu colega!

    Abração.
     
  12. Ungoliant

    Ungoliant Usuário

    TT (thy treebeard - meu barbarvore? como assim! hehehehe :D ),

    claro que vc nao tirou isso do traseiro, imaginei que algum evento tivesse sido a gota d'agua :)

    A gente fica meio dormente aki com o nivel dos posts...... acho que o mais proximo de uma discussao de gente (ou de bar, como queira) rola lah no insonia!
     
  13. Tonho Hammond

    Tonho Hammond Molusco

    oi começa aqui.
    -Se comunismo fosse bom já teria sido implantado. Comunismo nunca foi implantado, apenas o socialismo repressor o foi. Comunismo é o regime perfeito e o ser humano é o mais imperfeito dos seres, por isto nunca daria certo. -


    Tá, essa é subjetiva, mas o Comunismo não é o regime perfeito. Na minha opinião não existe regime perfeito quando existe delegação de poder.

    -Se você usa energia e mora na casa do papai, você está aceitando os ditames da sociedade, não importa o que você faça para contrariá-los. -

    Quer dizer que pra ser contrário ao rumo que a sociedade está tomando eu preciso não usar energia? Acho que aí vc estava sendo tão radical quanto qq um desse que vc criticou qnd falam.

    -aqueles yuppiezinhos que ou se vestem de preto, ou usam boinas de comunistas de dois séculos atrás, ou só assistem a filmes suecos, ou adoram James Joyce, ou possuem alguma marca que tem o único fim de mostrar à sociedade que eles sim são diferentes, são especiais, que não toleram os ditames dessa sociedade capitalista opressora na qual vivem. -


    Peraí, se eu achar que me vestir com o mesmo estilo de roupa que usavam os hippies 30 anos atrás eu to sendo yuppie? Se eu me sentir a vontade usando saiote eu sou viado? Se eu passar gel no cabelo sou playboy?

    -São eles, fáceis de identificar. Alguns parecem personagens saídos de uma novela de época, outros parecem cem vezes mais velhos do que realmente são, e outros são apenas bichos-grilos. -


    Se eu não tiver problemas em dizer pra todo mundo que minha cantora preferida é Ella Fitzgerald e que meu sonho é tocar como o Louis Armstrog, que no minha casa só toca música antiga eu to sendo elitista? eu to sendo playboy? acho que não, só estou tendo uma opinião e não tendo vergonha de expressá-la, sendo eu mesmo. Não é criar moda nem querer aparecer


    Mas essas pessoas não se limitam a agir de forma diferente, elas querem que você também aja como elas, e se não agir, ah... se você não agir você é um mero produto de interesses econômicos que regem esta sociedade opressora.

    E por isto eles te menosprezam, te rejeitam, te difamam e olham com aquele ar de superior detestavelmente cínico e cruel.


    Primeiro erro: Vc tá tratando "essas outras pessoas" como se fossem outros seres, como se vc os entendesse completamente, como se a imagem que vc fez "deles"é essa, como vc sendo o dono da verdade. Não é, sei que vc sabe disso, só peço cuidado qnd vc for usar as palavras, nunca faça essa separação entre pessoas, vc está contribuindo mais e mais para a segregação.
    Sei que não é essa sua vontade, mas parece que vc quer aprofundar guetos vc tá indo pelo caminho certo, criando preconceito. Se o cara quer se vestir todo de negro, usar uma cruz enorme no pescoço e olhar pra vc com ar de quem sabe das coisas e vc não é ninguém deixe ele fazer isso, não se iguale. Cada vez que alguém se achar superior ao outro e esse outro responder e assim sucessivamente vamos viver para sempre num ambiente hostil, agressivo, que não vai ser bom para nenhuma parte. Se o João quer sair à rua só com camisa de banda de metal e a mariazinha quer cantar música da Ivette Sangalo e um quer tirar onda com o outro, deixem falar, nenhum esta mais certo que o outro, são pontos de vista diferentes, e ainda bem que eles existem, não seríamos nada se concordássemos com todos durante cada segundo. Somos únicos , temos nossas particularidades, não podemos ser classificados. Existem pessoas com quem temos mais afinidade, sim, existem, queremos estar perto dessas pessoas, sim, em média sim, mas não podemos deixar de viver as outras coisas que a vida nos oferece, naò podemos aumentar esses guetos que estão na nossa cara, não podemos aumentar a segregação que já existe. Precisamos de RESPEITO, muito respeito pelo que os outros pensam. Não somos superiores a ninguem, só nossos pontos de vistas que sào diferente. Converse com o cara, não o agrida pelas costas jamais, isso é a pior coisa que alguém pode fazer.

    nhoto, cujo desabafo não foi direcionado pra vc thy, mas tem muita gente que leu seu manifesto e deve ter se empolgado mais do que devia. Isso não é um manifesto, é só um ponto de vista.
    :roll:
    Certo Conan, concordo contigo
     
  14. Resposta ao nhoto.

    Nossa, realmente você tem muito a dizer! Parabéns nhoto! Gosto de pessoas que discutam as coisas e gosto mais ainda daquelas que não concordam comigo e mostram o porquê.

    Vamos lá:

    1.


    Parte do texto: Se comunismo fosse bom já teria sido implantado. Comunismo nunca foi implantado, apenas o socialismo repressor o foi. Comunismo é o regime perfeito e o ser humano é o mais imperfeito dos seres, por isto nunca daria certo.

    Objeção: Tá, essa é subjetiva, mas o Comunismo não é o regime perfeito. Na minha opinião não existe regime perfeito quando existe delegação de poder.

    Resposta: Primeiro, o comunismo é justamente o regime perfeito porque nele não há delegação de poder. Ninguém manda, ninguém comanda, nele não há poder. Aliás, todos na sociedade têm o mesmo poder que todos os outros. Comunismo não é socialismo. Socialismo, sim, é um regime unitário cujo poder central é delegado a pessoas ligadas ao Partido único. E é por isto que ele se confunde com a ditadura.

    Já o comunismo é uma anarquia sistematizada. Ninguém manda, mas todos obedecem. É como se fosse um formigueiro. Você trabalha não para se sustentar, mas para ajudar o sistema. Você produz cadeiras, seu vizinho produz laranjas. Assim, quando ele quiser cadeiras ele vai até você e pega uma, sem pagar nada ou dar alguma coisa em troca. Já quando você quiser fazer uma laranjada, vai até seu vizinho e pega umas laranjas dele, sem nada pagar e sem que ele espere qualquer sorte de retribuição a você.

    É por isto que é o regime perfeito. Todos trabalham, todos têm tudo, ninguém passa fome, ninguém fica sem atendimento médico, todos têm acesso a escola, mas não há dinheiro. Não há nada que possa fazer com que um tenha mais que o outro. Cada um cumpre voluntariamente seu papel e pronto, tudo fica perfeito.

    E é por isto que não funciona. O ser humano tem ambição, isto é, quer ter mais que o outro. Além disso, o ser humano quer luxo, conforto e, se puder, não trabalha.

    Caso o comunismo fosse implantado, ninguém trabalharia e o sistema, antes mesmo de funcionar, ruiria. É por isto que não funciona.


    2.


    Parte do texto: Se você usa energia e mora na casa do papai, você está aceitando os ditames da sociedade, não importa o que você faça para contrariá-los.

    Objeção: Quer dizer que pra ser contrário ao rumo que a sociedade está tomando eu preciso não usar energia? Acho que aí vc estava sendo tão radical quanto qq um desse que vc criticou qnd falam.

    Resposta: Não, você me interpretou mal. Não quis dizer que se você está usando energia significa que você está cedendo a todos os interesses econômicos que o cerca. Eu quis mostrar que estas pessoas que dizem que desta sociedade nada usufruem, estão visceralmente equivocadas. Não sou eu o radical, elas que são. Elas não dizem simplesmente - eu não sou dominado pela mídia ou pelos interesses econômicos poderosos que me cercam - mas elas categoricamente afirmam - eu não participo desta sociedade capitalista, eu não quero nada dela e ela não terá nada de mim. Porque eu vivo à margem, mas o faço por opção, e não do jeito que esta sociedade marginalizou todos os outros irmãos meus. Elas, destarte, acabam por afirmar, enfaticamente, que não participam da sociedade, e isso só não é mais absurdo porque é impossível. Se você usa energia, você está usando de um serviço criado pelo governo e financiado por todos, através de impostos, taxas e tarifas. Foi isso que eu tentei dizer.


    3.


    Parte do texto: aqueles yuppiezinhos que ou se vestem de preto, ou usam boinas de comunistas de dois séculos atrás, ou só assistem a filmes suecos, ou adoram James Joyce, ou possuem alguma marca que tem o único fim de mostrar à sociedade que eles sim são diferentes, são especiais, que não toleram os ditames dessa sociedade capitalista opressora na qual vivem.

    Objeção: Peraí, se eu achar que me vestir com o mesmo estilo de roupa que usavam os hippies 30 anos atrás eu to sendo yuppie? Se eu me sentir a vontade usando saiote eu sou viado? Se eu passar gel no cabelo sou playboy?

    Resposta: Não, você interpretou mal. Não disse que essas pessoas são yuppies, ou que yuppies fazem isto. Nem todos que assim se vestem são yuppies, e nem todos os yuppies caracterizam-se dessa forma. Eu estava falando da parcela dos yuppies que se vestem dessa forma querendo mostrar que são diferentes, especiais e superiores. O que eu quis mostrar é exatamente o que você respondeu: não é porque se vestem assim que são especiais, diferentes ou pessoas melhores. Não importa a indumentária, mas sim a forma que você interage com a sociedade. Se as suas atitudes são benéficas, você é alguém de valor, mas se você se traja de forma diferente achando que isso basta para ser considerado alguém virtuoso, aí sim você está ontologicamente equivocado.

    Se você prestar atenção, eu disse isso nas linhas seguintes:

    Eles fazem trabalhos voluntários? Não! Porque são muito ocupados para isto.

    Eles produzem arte, criam obras ou começam projetos? Não! Eles preferem criticar tudo que já existe.

    Eles se refugiam da sociedade, viram ermitões, mobilizam-se para fundar um partido ou se inscrevem em um já existente, montam uma comunidade alternativa regida pelos regramentos utópico-comunistas e combatem o sistema? Não! Eles preferem só criticar a sociedade e seus integrantes, esperando que um dia mudem.


    4.


    Parte do texto: São eles, fáceis de identificar. Alguns parecem personagens saídos de uma novela de época, outros parecem cem vezes mais velhos do que realmente são, e outros são apenas bichos-grilos.

    Objeção: Se eu não tiver problemas em dizer pra todo mundo que minha cantora preferida é Ella Fitzgerald e que meu sonho é tocar como o Louis Armstrog, que no minha casa só toca música antiga eu to sendo elitista? eu to sendo playboy? acho que não, só estou tendo uma opinião e não tendo vergonha de expressá-la, sendo eu mesmo. Não é criar moda nem querer aparecer.

    Resposta: De novo, eu não quis dizer que o jeito pelo qual as pessoas se vestem e se apresentam à sociedade determinam os seus caráteres. Eu simplesmente quis dizer que algumas pessoas que se vestem ou agem de forma diferente não o fazem porque se sentem bem assim, mas porque acham que, vestindo-se desta forma ou agindo de modo contrário aos padrões de nossa sociedade, serão originais, autênticas e superiores a todas a outras. Isto é, quis dizer que estas pessoas em vez de ajudarem, de alguma forma, as pessoas carentes ou o ambiente em que vivemos, simplesmente mudam o seu visual e acham que isso já basta para destacarem-se das outras.


    5.


    Parte do texto: Mas essas pessoas não se limitam a agir de forma diferente, elas querem que você também aja como elas, e se não agir, ah... se você não agir você é um mero produto de interesses econômicos que regem esta sociedade opressora. E por isto eles te menosprezam, te rejeitam, te difamam e olham com aquele ar de superior detestavelmente cínico e cruel.

    Objeção: Primeiro erro: Vc tá tratando "essas outras pessoas" como se fossem outros seres, como se vc os entendesse completamente, como se a imagem que vc fez "deles"é essa, como vc sendo o dono da verdade. Não é, sei que vc sabe disso, só peço cuidado qnd vc for usar as palavras, nunca faça essa separação entre pessoas, vc está contribuindo mais e mais para a segregação.

    Resposta: 1. Talvez eu tenha me expressado de forma muito contundente e possa ter parecido um tanto pedante, ou até mesmo arrogante. Se fiz isso, queria me desculpar e dizer que eu não sou o dono da verdade, não tenho certeza absoluta se o que eu escrevi é certo ou não, não sei se continuarei com essa opinião pelo resto da vida e estou aberto às discussões. 2. Vamos ao que eu queria dizer: quando eu digo - essas pessoas - refiro-me àquelas que se regem pela aparência, que acham que mudar o visual é o bastante para se destacar na sociedade, que olham para você de cima para baixo. Eu, particularmente, acho que um homem só tem o direito de olhar outro de cima para baixo quando é para ajudá-lo a levantar-se. Não presto atenção às aparências, mas ao conteúdo. Se a pessoa veste-se de bicho-grilo e suas atitudes são benéficas à sociedade, eu a aplaudo de pé. Não pela sua roupa, mas pelo conteúdo de seu caráter (como diria Martin Luther King). Mas se outra pessoa se veste com calça jeans e camisa de grife, todavia também ajuda o meio em que vive, também a ovacionarei exaltado. O que importa é a atitude, tudo na vida é atitude, e não aparência. 3. Não quero segregar as pessoas, nem quero implantar ódio contra os bichos-grilos, apenas pretendo mostrar que não importa o que você veste, mas sim o que você faz. 4. Sim, tomarei mais cuidado da próxima vez que eu escrever contra um grupo de pessoas, pois entendo que toda generalização é burra. Em verdade, não quis generalizar, mas sim destacar algumas pessoas pertencentes a um grupo e tecer considerações sobre elas, e não pegar todo o grupo e apedrejá-lo com palavras. Se meu texto soou assim, queria me retificar e deixar claro que não são todos que se vestem fora dos padrões que se encaixam no perfil que eu tracei, apenas parte deles, e talvez até seja uma parte numericamente insignificante, não sei ao certo.


    6.


    Da conclusão: Sei que não é essa sua vontade, mas parece que vc quer aprofundar guetos vc tá indo pelo caminho certo, criando preconceito. Se o cara quer se vestir todo de negro, usar uma cruz enorme no pescoço e olhar pra vc com ar de quem sabe das coisas e vc não é ninguém deixe ele fazer isso, não se iguale. Cada vez que alguém se achar superior ao outro e esse outro responder e assim sucessivamente vamos viver para sempre num ambiente hostil, agressivo, que não vai ser bom para nenhuma parte. Se o João quer sair à rua só com camisa de banda de metal e a mariazinha quer cantar música da Ivette Sangalo e um quer tirar onda com o outro, deixem falar, nenhum esta mais certo que o outro, são pontos de vista diferentes, e ainda bem que eles existem, não seríamos nada se concordássemos com todos durante cada segundo. Somos únicos , temos nossas particularidades, não podemos ser classificados. Existem pessoas com quem temos mais afinidade, sim, existem, queremos estar perto dessas pessoas, sim, em média sim, mas não podemos deixar de viver as outras coisas que a vida nos oferece, naò podemos aumentar esses guetos que estão na nossa cara, não podemos aumentar a segregação que já existe. Precisamos de RESPEITO, muito respeito pelo que os outros pensam. Não somos superiores a ninguem, só nossos pontos de vistas que sào diferente. Converse com o cara, não o agrida pelas costas jamais, isso é a pior coisa que alguém pode fazer.

    Considerações: Adorei a sua conclusão, mas com as seguintes ressalvas: 1. De novo, repito: não estou julgando as pessoas, apenas me indignando pelo fato de estas pessoas acharem-se superior às demais. 2. Discordo quando você diz que se o cidadão me olha com ar de superior eu deva com isso me conformar. Não me conformo porque não tolero que as pessoas se sintam melhores que eu sem que sequer me conheçam. Aliás, não tolero que pessoas se sintam superiores às outras, porque eu mesmo acho que não sou melhor que ninguém. Quem vive para se comparar aos outros será invariavelmente um pedante e um frustrado, porque sempre encontrará alguém melhor e alguém pior que ele. É nisso que eu acredito. Acredito nas diferenças, mas não na superioridade. Não acho, por exemplo, que sou melhor que um peão que trabalha das 5 da manhã até às 11 da noite. Aliás, eu sou apenas um burguês que desfruta das benesses de uma sociedade segregadora. Faço dois trabalhos voluntários, mas isto não quita meu déficit com a sociedade. Eu nunca senti fome, nunca trabalhei mais que 8 horas por dia e nunca tive de dormir ao relento. Sou muito pequeno perto daqueles que trabalham por salário mínimo. E se eu tenho maior nível cultural que eles, não faço mais que obrigação. Se eu tenho mais dinheiro, só tenho que me envergonhar de ter tido a sorte de nascer em uma família de classe média alta. E se um cidadão tão rico quanto eu, olha pra mim, vestido da forma que estiver, e mostra seu ar de pseudo superioridade, eu não posso me conformar com isso. O que não quer dizer que eu deva agredi-lo. Mas posso reprovar sua atitude, pois é prejudicial a ele mesmo, aliás, mais a ele do que a mim. Mas não julgo a pessoa, mas sim a atitude, até porque eu não sei o que ela passou na vida dela inteira para poder julgá-la. E mesmo que eu soubesse, não sou Deus para julgar pessoas, mas sou humano para condenar atitudes. Ou você não condena um estupro? 3. Não estou agredindo ninguém pelas costas. A pessoa de quem falei que se encaixa no perfil por mim traçado não pode sentir-se agredida pelas costas, mesmo que venha a saber desse texto, pois eu não citei seu nome e nem disse nada a alguém que ele conhecesse. Seu nome está salvaguardado e meu intuito não foi de difamá-lo, pois não há como difamar alguém sem que se ofereça informações suficientes para sua identificação. O que fiz foi por no site minhas opiniões a respeito dele, o que equivale a pensar sobre ele, e isto não pode ser considerado uma agressão pelas costas. Afinal, eu não contribuí de forma alguma para denegrir a imagem desta pessoa.


    7.


    Finalização: nhoto, cujo desabafo não foi direcionado pra vc thy, mas tem muita gente que leu seu manifesto e deve ter se empolgado mais do que devia. Isso não é um manifesto, é só um ponto de vista.

    Considerações: Sim, isso não é um manifesto, é um desabafo recheado de meus pontos de vista. Não é um texto de ódio, mas um texto de compreensão. É um texto de rechaço ao mundo das aparências e que louva o caráter. Em suma, era isso o que eu tentava dizer.


    Espero ter esclarecido você sobre as minhas opiniões e posições,

    Continue escrevendo! É ótimo dialogar com pessoas que têm fundamentos firmes e consistentes como você!


    Abraços fraternos,
     
  15. Fox

    Fox Visitante

    .

    Não posso me propor a discutir de maneira mais porque primeiro estou escrevendo da faculdade, e segundo porque tenho que ler e ponderar com mais calma sobre o assunto. Mas concordo com relações aos hipócritas, e sobre os estereotipos, tome cuidado pra não ser injusto, pois só porque o cara se veste de tal maneira ou tem tal aparência, não significa necessáriamente que ele seja de tal maneira que alguns pensam. Gostaria de expor minhas opiniões de melhor forma, mas por enquanto peço sua paciência e compreensão. Inté! :P


    PS: Fico feliz em ter achado alguém com quem eu possa discutir de forma digna e pacífica, mesmo quando há discordância.
     
  16. Primula

    Primula Moda, mediana, média...

    Como sempre é um prazer enorme ler as mensagens de Treebeard e nhoto.

    São também considerações que me perturbam grandemente. Coisas que vejo acontecer mas que raramente a gente consegue conter, pois as gotas são esparsas e os baldes são poucos.

    Concordo com vários pontos de Treebeard e nhoto (e acho que discordo levemente de alguns). Entendi perfeitamente ambos os pontos - que estão certos e errados na medida do possível, pois como vocês sabem não existe verdade absoluta - e creio que deva levantar um terceiro.

    Um dos problemas que enfrentamos no trabalho voluntário é que ele não é reconhecido no curriculo.

    CALMA! Não me apedrejem. ^v^

    Acho louvável isso de se doar ao próximo sem ter intenção de receber nada em troca. Porém, isso causa mais desigualdade: aquele que "perde" tempo em trabalhos voluntários que acaba ficando com o tempo exausto enquanto a horda de gente que nada faz aumentam seus currículos.

    Digo cansado, por alguns exemplos que testemunhei. Um deles:

    É sabido que a profissão de professor é uma das mais ingratas do mundo. Mesmo neste fórum, não é raro um ou outro membro atirar pedras - com certa razão ou não - nessa categoria.

    Mas se pensar bem, a profissão tem apenas um objetivo: ajudar na formação da mente dos jovens. Jovens que podem ter ou não sucesso na vida, enquanto o professor permanece no seu status. Se um professor ensina um Einstein, ele não vai poder ganhar absolutamente nada pelo sucesso do aluno! Ele foi um dentre muitos a contribuir de alguma forma para a formação da mente brilhante.

    Isso quando imagino professor de ensino fundamental. Mas outra experiência me veio à memória.

    Nas universidades, o professor é obrigado a dar aulas e fazer pesquisa. Ora, o que vai constar no currículo: que ele deu aulas de Cálculo I, Física II, etc.., e publicou artigos.

    Só que a parte didática (ou seja, de retornar à sociedade aquilo que recebeu) é subavaliada.

    Não aparece no currículo, se você é um professor que preocupado em ensinar física para químicos, reestrutura toda a forma de ensinar a matéria para que os químicos não fiquem "dããaan?"

    Reestruturar a forma de ensinar consome tempo. Tempo além do planejado apenas para dar uma aula. De certa forma é um trabalho voluntário, mesmo que equivocadamente pareça ser remunerado.

    Porém, esse professor ao competir com outro professor que não seja tão aplicado e preocupado com os alunos perde em currículo. Seu trabalho (voluntário) não é reconhecido tanto quanto a sua ajuda de voluntários em inúmeras ONGs.

    Aos olhos da sociedade, seu currículo vai ser vazio de cursos de especialização, artigos publicados, ou mesmo se você por um tempo deixa de trabalhar para se dedicar por um ano a esses trabalhos, você é taxado de preguiçoso!

    Não estou dizendo "não vale a pena ser voluntário". Ao contrário, como disse Treebeard, é necessário se você quer um mundo melhor no futuro (e isso eu digo apelando aos sentimentos mais egoístas da humanidade: de que adianta ter dinheiro para comprar segurança, se seu segurança te sequestra?)

    Porém quero levantar esse ponto que impede muito algumas pessoas que tem família pra sustentar e que gostariam de ajudar seu próximo (pois mesmo gente de favela arranja tempo para ensinar o pouco que sabe do beabá para outros).

    O que quero dizer é o seguinte: do jeito que estão os voluntários de coração estão sendo massacrados pelo sistema. Por mais que eu ache falha a caridade dos americanos (que na verdade é só desencargo de consciência), pelo menos isso é permitido para eles: colocar os trabalhos voluntários no currículo. E é engraçado como muitos deles, apesar de um monte de defeitos, faz desinteressadamente trabalhos voluntários por anos... apenas porque tem a segurança de que não serão taxados de preguiçosos ou desatualizados. E porque tem prazer em ajudar o mundo a virar um lugar melhor.

    Ah... mas tem aqueles que vão usar isso pra melhorar o currículo... Sim tem! Não estou dizendo que não vão surgir oportunistas que vão só "ajudar" para aparecer na televisão, pra parecer pro chefe que é um bom cidadão. Não nego tal ignóbil possibilidade.

    Só que do jeito que está, sempre vão recompensar mais quem se preocupa mais consigo mesmo em vez da sociedade como um todo. Se é necessário subornar as pessoas para fazer o bem no começo que seja! Talvez até se mantenha a linha ridícula de trabalho voluntário-esmola, de desencago de consciência, ingênua-ignorante... mas a esperança é que com o tempo isso progrida.
     
  17. Resposta ao Fox e à Prímula.

    Ao Fox:

    Olá amigo, tudo bem?

    Tome seu tempo e teça suas considerações depois de ter lido com calma os textos. Não se afobe! Gostaria muito de saber o que você pensa sobre tudo isto, mas para isto você tem de analisar com calma, sem pressa e sem pressão, só assim você poderá tecer seus comentários do melhor jeito possível.

    Abraços fraternos deste Ent

    Cara Prímula:

    Também é sempre um prazer ler suas mensagens e saber das suas esclarecidas e consistentes opiniões.

    Lá vai:

    1. Por primeiro, não se faz trabalho voluntário para realização profissional, mas tão só para satisfação pessoal. É por isto que trabalho voluntário não pode ser escolhido a esmo, você tem de optar por algum que te dê prazer, como se fosse um mero divertimento, e não uma obrigação... só assim você nunca largará o voluntariado.

    Com efeito, pessoas que ingressam no voluntariado apenas para se sentirem moralmente isentas de suas obrigações para com a sociedade, nunca duram muito tempo no ofício que escolheram. Isto porque, voluntariado é igual a dieta: saudável sim, desprazeroso não.

    Pois se você faz dieta sem gostar do que come, ela não dará certo e você voltará para o malfadado efeito iôiô. Já se você faz o trabalho voluntário com prazer, equivale a uma reeducação alimentar: no começo é meio indigesto, mas depois vicia.

    2. Em segundo lugar, a profissão de professor é a mais bela e a mais importante que existe. Sem professor não há profissão alguma que subsista, pois a educação exige a figura do mestre, sem ela não há escolaridade, não há especialização e não há ciência nem cultura.
    3. Concordo absolutamente com você quando você diz que o voluntariado é uma forma de remédio social, pois ele impede a violência, já que dá às pessoas um rumo e uma esperança. Com esperança e com oportunidades de viver a vida com dignidade, o jovem carente não parte para delinqüência e não pratica qualquer arte de agressividade, ao contrário, torna-se uma pessoa produtiva e importante para o mais da coletividade.

    4. Concordo que o trabalho voluntário deveria ser reconhecido como um ponto importante no currículo. Mas como as empresas brasileiras estão pouco se importando com o caráter das pessoas e pensam em só aumentar seus lucros, acho um tanto difícil de isso acontecer. Sem embargo, como eu já disse, não se pode ser um voluntário simplesmente para garantir uma linha a mais no currículo, mas também e, principalmente, para satisfazer-se como pessoa.

    De resto, eu entendo seu posicionamento. Realmente, às vezes as pessoas têm limitações de tempo e ficam impossibilitadas de ajudar o seu semelhante. Mas tudo bem, um dia as coisas melhoram e sobrará um tempinho para você se dedicar àqueles que nada possuem.

    Beijos Afetuosos.
     
  18. Dagorlad

    Dagorlad Usuário

    eu queria paricipar desta discussao, mas os posts sao muito grandes, e estou sem tempo de le-los agora. alguem pode me dizer do que se trata isto?
     
  19. Tonho Hammond

    Tonho Hammond Molusco

    respostas
    1 Se existe um Estado, se existe uma figura maior, o sistema, se vc é representado no estrangeiro por alguém, diplomata, cônsul, embaixador, existe poder sim. A total ausência de poder é a anarquia. O comunismo perfeito é a anarquia, pois no comunismo o Estado é o meio de alcançar tudo isso ( Estado é sinônimo de poder). Quando alcançado esse nível e a própria sociedade suplantar essa necessidade de uma figura reguladora ( o estado) encontra-se a anarquia.
    Eu até concordo, mas não acho que a centralização total(comunismo) é caminho jamias para a liberdade absoluta (anarquia).

    2 Se eu viro um ermitão e vou morar no meio do cerrado, numa área não povoada, caçando e plantando pra minha subsistência sem contato com homem ou coisa, estou livre? Estou fora da sociedade? Não, pois a terra é do Estado, ela não me pertence, se por uso capião a conseguir ainda trato com o Estado, pois a propriedade se relaciona com o Estado, é coisa do universo jurídico.

    3 e 4 Vc passou essa idéia, mas te digo de novo, cuidado com as palavras que usas.

    5, tópico 4 Quando vc age contra qq grupo, classifica grupo de pessoas vc cria guetos. Sempre

    Da sua conclusão: Ta, vc não concorda qnd alguém demonstra superioridade, nem eu. Agora, q vai fazer vc? Falar mal do cara pelas costas? Se vc falar com alguém que não seja ele vc estará fazendo isso.Que vc não cite nome, vc está qualificando alguém, falando mal de alguém, denegrindo alguém, mesmo desconhecido, para outrem, ou seja, pelas costas do primeiro. E seu exemplo do estupro estava totalmente fora do contexto.

    fico por aqui, e prímula, to meio sem tempo pra te responder isso, de noite talvez,
    bitocas pra todos do nhoto :roll:
     
  20. Nós lá e de volta outra vez.

    Isto aí nhoto, não deixemos a discussão morrer jamais! Pois é dela que nasce a luz.


    Vamos lá:


    Réplica: Se existe um Estado, se existe uma figura maior, o sistema, se vc é representado no estrangeiro por alguém, diplomata, cônsul, embaixador, existe poder sim. A total ausência de poder é a anarquia. O comunismo perfeito é a anarquia, pois no comunismo o Estado é o meio de alcançar tudo isso ( Estado é sinônimo de poder). Quando alcançado esse nível e a própria sociedade suplantar essa necessidade de uma figura reguladora ( o estado) encontra-se a anarquia.
    Eu até concordo, mas não acho que a centralização total(comunismo) é caminho jamias para a liberdade absoluta (anarquia).

    Tréplica: Primeiro: o sistema não é necessariamente um poder. Poder significa força cogente para fazer prevalecer a vontade de alguém. No comunismo não há poder, mas tão somente um sistema a ser obedecido. Se não se obedece a ele, ninguém pode fazer nada, pois a liberdade é total. Contudo, o comunismo ruiria nos seus primeiros momentos de implantação, porquanto impossível fazer com que todas as pessoas obedeçam a um sistema sem que se sintam coagidas para tanto. Segundo: a diplomacia não é poder, mas apenas representação. Pode ela ser legítima ou ilegítima, representar ou não a vontade da maioria, mas nunca será poder, pois ninguém será obrigado a fazer ou a deixar de fazer qualquer coisa em virtude de uma ação diplomática. Não há força cogente na diplomacia e, se houvesse, desvirtuaria o próprio conceito de diplomacia e transformar-se-ia em um poder moderador, e não em uma ação diplomática. Terceiro: A anarquia de Bakunin e o comunismo de Engels só se diferem, substancialmente, em dois fatores: 1. a anarquia seria uma ruptura brusca do regime existente para a forma anárquica de governo, ao passo que o comunismo partiria de um regime capitalista ou ditatorial (primário), passaria pelo regime socialista (intermediário ou provisório) e culminaria no regime comunista; 2. Na anarquia não há sistema a ser obedecido, ao passo que o comunismo é propriamente um sistema, o qual deve ser obedecido, mas não há como coagir as pessoas a lhe obedecer, pois não há poder ou qualquer outra arte de força cogente capaz de submeter a população aos ditames comunistas. Terceiro: Comunismo é a negação do Estado e a quebra do contrato social. Não há soberano e não há nada que regule a sociedade. Ela mesmo deve auto-regular-se, sem que seja necessário a interferência do Estado para o restabelecimento do funcionamento do sistema. Parece absurdo, mas o fundamento é que, num primeiro instante, o sistema chegaria à beira da ruína, todavia, com a necessidade e o passar do tempo, as pessoas conscientizar-se-iam da necessidade de obedecer ao sistema e, em poucos meses, o comunismo estaria funcionando regularmente. Eu, particularmente, não acredito que isso daria certo. Quarto: Não confunda comunismo com o socialismo: Socialismo é todo o poder nas mãos do Estado, já Comunismo é a ausência de poder, aliás, tal e qual a anarquia, só que com o diferencial de aquele representar um sistema, ao passo que este não.

    Na minha sincera e humilde opinião, creio que nem anarquia nem comunismo funcionariam em uma sociedade que fosse mais complexa que uma tribo perdida na selva amazônica.

    XXXXXXXXXXXXXXX

    Réplica: Se eu viro um ermitão e vou morar no meio do cerrado, numa área não povoada, caçando e plantando pra minha subsistência sem contato com homem ou coisa, estou livre? Estou fora da sociedade? Não, pois a terra é do Estado, ela não me pertence, se por uso capião a conseguir ainda trato com o Estado, pois a propriedade se relaciona com o Estado, é coisa do universo jurídico.

    Tréplica: Você esqueceu de um pequeno detalhe: a terra só é do Estado porque ele, Estado, quis tomá-la como se sua fosse. Se você não reconhecê-lo como tal e, em seu íntimo, não acreditar na soberania que ele diz representar, a terra simplesmente não tem dono. Os pássaros e os animais silvestres não estão incluídos na sociedade e o fato de tirarem sua mantença de uma terra pretensamente de propriedade do Estado não significa que fazem parte do corpo social humano.

    Estado é uma ficção jurídica, ele não existe no mundo material, mas só nas constituições. Se você não reconhece a lei do Estado, você ignora a própria existência desta entidade ficta. E o que não existe não pode ter posses.

    Bom, eu não sei qual é a sua formação universitária, meu caro nhoto. Mas se for jurídica ou filosófica, certamente você sabe dos conceitos do Jusnaturalismo. Todo o ser humano tem o direito natural de se alimentar e de procurar sua subsistência, faça ele parte da sociedade ou não. O Estado é uma construção Positivista, a qual só existe no ordenamento jurídico. Portanto, se você não reconhece as leis como fontes regedoras de suas condutas, você não reconhece o Estado e mais: você o ignora e não admite sua existência.

    Disto dessume-se que você está fora do contrato social e não integra a sociedade, o que acarreta em não desfrutar de suas comodidades e não aceitar suas imposições. Você só reconheceria o que fosse criado pela natureza, e não pela sociedade. Assim, caso você se afaste da sociedade e deixe de com ela interagir, sim, você está livre e fora da sociedade, sendo irrelevante o que a Constituição do Estado determina, inclusive as posses territoriais do Estado.


    XXXXXXXXXXXXX


    Réplica: 3 e 4 Vc passou essa idéia, mas te digo de novo, cuidado com as palavras que usas.

    Tréplica: Com certeza, da próxima vez terei mais cuidado em me expressar sobre temas tão delicados.


    XXXXXXXXXXXXXX


    Réplica: 5, tópico 4 Quando vc age contra qq grupo, classifica grupo de pessoas vc cria guetos. Sempre

    Tréplica: concordo, mas como eu disse, eu não agi contra um grupo, mas sim contra uma parte indeterminável de um grupo. E como a parte é indeterminável, impossível vislumbrar-se um subgrupo, do que se infere que não denegri a imagem nem de um grupo, nem de um subgrupo e, por isto, não criei guetos.


    XXXXXXXXXXXXX


    Réplica: Da sua conclusão: Ta, vc não concorda qnd alguém demonstra superioridade, nem eu. Agora, q vai fazer vc? Falar mal do cara pelas costas? Se vc falar com alguém que não seja ele vc estará fazendo isso.Que vc não cite nome, vc está qualificando alguém, falando mal de alguém, denegrindo alguém, mesmo desconhecido, para outrem, ou seja, pelas costas do primeiro. E seu exemplo do estupro estava totalmente fora do contexto.

    Tréplica: Discordo veementemente e com todas as minhas forças do que você escreveu, e digo o porquê. Falar pelas costas não é necessariamente mal se sua intenção não é denegrir a pessoa, mas simplesmente analisar ou reprovar condutas e comportamentos. Caso contrário, psicólogos e psiquiatras, que se dedicam exclusivamente à análise de comportamentos, seriam pessoas ontologicamente de caráter definhado, porquanto analisam empiricamente comportamentos e procuram fórmulas para evitar condutas potencialmente nocivas à sociedade e/ou ao próprio paciente. O que fiz foi o mesmo que eles, mas de uma forma leiga e sem supedâneo científico. A pequeneza está em identificar alguém e reduzi-lo moralmente como pessoas. Isto sim sou contra! Pois desta forma eu estaria, deliberadamente, maculando sua reputação e sua auto-estima, em outras palavras, estaria retirando sua honra e diminuindo-o como ser humano. Mas não, nem sequer passei perto disso.

    Em primeiro lugar, eu não o qualifiquei, pois não individualizei-o e não dei pistas suficientes para que outros o identifiquem. Em segundo lugar, eu não falei mal dele, mas sim de suas atitudes. Em terceiro lugar, não posso ter falado dele pelas costas pois nem sequer falei dele, mas sim de suas atitudes. Eu não disse “o Zezinho é um intelectualóide imbecil”, mas disse sim que “as atitudes de determinada pessoa são equivocadas, pois regem-se pela aparência, e não pelo caráter”. A diferença nem de perto é tênue, mas sim visceral! Tais idéias são claramente distintas e inconfundíveis.

    Além disso, meu exemplo de estupro não está fora de contexto. Ao contrário, encaixa-se perfeitamente. O estupro é uma atitude, um ato, uma ação. E só ela eu posso condenar, pois sei que é nociva e não tem qualquer amparo moral que a justifique. O estuprador, todavia, eu não posso condenar, primeiro porque é meu semelhante e, condenando-o, eu estaria me postando acima dele e me fazendo de superior. Segundo porque eu não sei da vida dele inteira para poder condená-lo, pois não sei se sofreu abusos sexuais na infância, se sofre de desvios psíquicos que impedem que ele faça juízo de auto-reprovação, não sei se ele foi coagido a isto, aliás, não sei de nada sobre ele. Assim, condeno sua atitude, mas não condeno sua pessoa.

    Com os arrogantes metidos a superiores eu faço o mesmo: condeno estas atitudes pequenas e carentes de higidez de caráter, mas não condeno a pessoa, pois não sei o que aconteceu na vida dela para agir assim, não sei se é insegura e tem problemas de personalidade, não sei se sofreu muito para se esconder atrás de uma máscara, não sei se ela se posta assim perante mim apenas para me diminuir ou se é somente para proteger a si mesma de alguma insegurança ou frustração. Em suma, todos nós podemos e devemos condenar atitudes nocivas aos demais membros da sociedade, mas não podemos colocar-nos em um pedestal e, do alto dele, tecer éditos condenatórios a respeito da pessoa que praticou a atitude insensata.



    Bom, é isto. Continue escrevendo, está ficando cada vez mais interessante!!!!!

    Abraços
     

Compartilhar