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"CBF tem obrigação de ajudar clubes menores". Blogueiros analisam crise

Fúria da cidade

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Usuário Premium
Pedro Ivo Almeida/UOL



A paralisação do futebol brasileiro por conta da pandemia do coronavírus faz clubes menores e jogadores desses times pedirem socorro. Na última terça-feira (31), por exemplo, uma carta com apoio de mais de 200 clubes — das primeiras divisões estaduais — foi enviada à Conderação Brasileira de Futebol solicitando ajuda financeira.

Também recentemente, os capitães das 68 equipes da Série D do Brasileirão assinaram uma carta pedindo atenção da CBF ao torneio e pedindo suporte financeiro aos clubes por causa da paralisação.


Diante deste cenário, o UOL Esporte convocou os blogueiros a responderem as seguintes perguntas: A CBF deve ajudar clubes menores e jogadores desses times durante a crise? Qual deve ser o papel da entidade nesse momento? Confira as respostas:

ANDRÉ ROCHA


Sem dúvida. CBF não tem time, nem torcida. A função dela é meramente burocrática e de fomento do futebol brasileiro. Tem recursos sobrando para sustentar a estrutura neste momento de crise.


ANDREI KAMPFF



Deve, como todos nós devemos ajudar aqueles que mais precisam. CBF tem muito dinheiro em caixa, que entrou via indústria do futebol. Essa indústria está em crise. Em especial, aqueles clubes pequenos e 95% dos atletas que ganham menos de R$ 5 mil. Para esses, salário é para levar comida para casa. A CBF precisa socorrer esses clubes e atletas. É hora da entidade se posicionar, e assumir um papel de protagonismo na defesa do sistema do futebol brasileiro.

BENJA


Sim, a entidade é muito rica, e num momento tão complicado como esse é preciso ajudar, caso contrário, muitos fecharão as portas! Talvez a criação de um novo campeonato no segundo semestre com a participação desses clubes, juntamente com a ajuda financeira, pode ser uma alternativa.

JUCA KFOURI


É claro que sim. A CBF deveria ter desde já muito tempo um fundo comum para distribuir entre os clubes menores.

JULIO GOMES


A CBF tem orçamento na escala de grandes clubes europeus, mas sem gastar com salários de jogadores, por exemplo. Em 2019, o balanço oficial mostrou receita acima de quase UM BILHÃO de reais, superávit de quase 200 milhões. O ativo total da CBF ao final de 2019 foi de R$ 1,248 bilhão, segundo o site da própria entidade.
Sobra dinheiro. Dinheiro acumulado essencialmente com uma instituição que insistem em chamar de privada, a seleção brasileira de futebol. Mas que não é (ou não deveria ser) privada porcaria nenhuma.

É um dinheiro que deveria ser gasto no fomento do esporte no Brasil, etc, etc, etc. Não é. E nem é hora de debater isso. É hora de a CBF lançar um Proer dos clubes. Garantir o pagamento de funcionários e de jogadores, garantir as folhas, garantir que os clubes de futebol no Brasil continuem existindo pelos próximos dois, três, seis meses. Daria até para aproveitar e exigir metas e compliance. Salva hoje, desde que todos cumpram certas regrinhas de boa gestão. Mas salva.

Todos precisamos ajudar, todos precisam fazer a própria parte. Mas a escada da solidariedade precisa começar lá de cima. Exigimos demais dos que estão lá embaixo, de menos de quem está no topo, sentado no dinheiro acumulado ao longo de tantos anos.

MARCEL RIZZO


Sim. O problema é quais clubes ou jogadores ajudar: só aqueles que disputam os seus torneios, ou todos os que estão ativos em competições, mesmo as regionais ou estaduais? Deveria ser feito um planejamento para manter por três ou quatro meses todos os times que estão em atividade e não podem pagar salário e ajudar jogadores que venham a ser demitidos. É um momento de crise, todos serão afetados e o caixa da CBF deve ser aberto.

MAURO CEZAR


Óbvio, com faturamento que beirou R$ 1 bilhão em 2019, ou seja, rica, sem necessidade de contratar jogadores, manter divisões de base, pagar salários mensalmente aos atletas e lucrando mais do que todos os clubes, ela já deveria estar fazendo isso.

MENON

Os clubes querem reduzir salários Os jogadores não aceitam.

A negociação é difícil. E fica mais difícil ainda porque não há entidades representativas de um lado ou de outro. Não há sindicato forte do lado patronal ou dos trabalhadores.
A história tem um terceiro lado. A CBF, que vive da exploração dos clubes e dos jogadores. Ela, que ganha milhões com amistosos desinteressantes mundo à fora.
Só dá a camisa. Não paga nada aos clubes. Não paga nada aos jogadores. Vive deles, como parasita.
Está na hora de Rogério Caboclo meter a mão no bolso e salvar o futebol. Mediar as negociações. Salvar os clubes. Salvar os jogadores. E salvar a do mesma. Sem clubes e sem jogadores, como vai sobreviver?

MILTON NEVES


A CBF não apenas pode, como é obrigada a auxiliar os clubes nesse momento tenebroso. Mas ajudar os médios e pequenos porque os grandes, principalmente Flamengo e Palmeiras não precisam de ajuda. Da mesma forma que os presidentes Trump e Bolsonaro estão ajudando empresas e trabalhadores informais, a CBF, que é a "patroa" do futebol brasileiro e milionária, tem que abrir os cofres.

PERRONE


Sim, a CBF tem o papel de ajudar. Sua responsabilidade é similar à do Governo Federal em relação a cidadãos em situação de vulnerabilidade. Isso, apesar de burocraticamente, a confederação ser diretamente ligada às federações, não aos clubes. A confederação precisa fazer rapidamente um raio-X dos problemas e elaborar um plano de ação.

Dinheiro para colaborar não falta à entidade. Porém, a CBF deve ter cuidado para identificar o que é reflexo da pandemia e efeito de gestão temerária. O vírus não pode servir de desculpa para passar a mão na cabeça de quem quebrou os cofres de sua agremiação por pura irresponsabilidade.

RENATA MENDONÇA


Sim. Como entidade privada que bate recorde de receita ano após anos (bateu o R$ 1 bilhão em 2019), a CBF tem bastante dinheiro para "salvar" um dos seus principais produtos num momento de crise sem igual como esse. O futebol brasileiro é o que permite à entidade manter a tradição de seu produto mais lucrativo - a seleção brasileira.

Então ela deve, sim, cuidar para que o futebol brasileiro se recupere dessa crise. E isso quer dizer, principalmente, ajudar os clubes menores e os jogadores e jogadoras que ganham menos.

A preocupação principal não são os times grandes de Série A. Deve ser, principalmente, os times de menor expressão e o futebol feminino, que ainda carecem de maior investimento. A ajuda precisa vir de quem ganha mais para quem ganha menos. E no universo do futebol, jogadores milionários são exceção (apenas 5%; outros 95% ganham de 1 a 5 salários mínimos). No futebol feminino, a realidade financeira é ainda mais dura para as jogadoras.

A imensa maioria delas ganha entre 1 e 3 salários mínimos - quando ganham. Muitas sobrevivem com ajuda de custo de prefeituras ou dos clubes. É para essa realidade que a rica CBF precisa olhar agora.

A CBF não tem razão de ser sem o futebol brasileiro (feminino e masculino). Então, nada mais justo do que ela garantir a sobrevivência dele nesses tempos difíceis de campeonatos suspensos e cortes de verba em meio a uma pandemia global.

RENATO MAURÍCIO PRADO


Indiscutivelmente, sim. É obrigação!


 

Fúria da cidade

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Usuário Premium
Esse é o único tema que dá um óbvio consenso.
Eu particularmente temo muito pela sobrevivência de times menores e sem eles os maiores mais cedo ou mais tarde acabam sofrendo das mesmas consequências.
 

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