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Versão Disney x Versão Original

Tópico em 'Cinema' iniciado por Erendis, 22 Jan 2015.

  1. Erendis

    Erendis I'm a motherfucking woman

    rolou uma discussão entre uma galerinha da pesada que apronta altas confusões, vive altas aventuras e... não, pera!
    na verdade o que aconteceu foi que rolou uma conversa, da qual participaram @Lissa @Márjole @Vela- o Rousoku @Malkyn @Heberus Stormblade e sei lá mais quem (quem lembrar marque depois aqui) sobre os desenhos da disney e aí teve uma comparação sobre os contos originais (aqueles que nem sempre tem finais felizes) e o que a disney apresentou pra criançada...
    encontrei alguns exemplos aqui, mas nada impede de pessoal comentar sobre outros exemplos que souber ou a discussão partir pra um outro rumo e tal... enfim, seguem os exemplos:

    A Bela Adormecida
    O conto original de A Bela Adormecida (Belle au bois Dormant) foi escrito pelo francês Charles Perrault em 1697 e depois ganhou uma versão dos alemães Irmãos Grimm (com o nome Little Brier-Rose). Mas antes disso, em 1634, o italiano Giambattista Basile havia publicado um conto muito semelhante chamado Sol, Lua e Tália (Sun, Moon, and Talia) que foi a inspiração de Perrault e do conto que conhecemos.

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    No conto original ela chamava Tália, na versão de Perrault o nome da princesa era omitido e em 1888, quando Tchaikovsky compôs o balé de A Bela Adormecida, ele nomeou a princesa como Aurora, inspirado pelo nome de sua mãe.
    O filme da Disney foi lançado em 1959 e é baseado na versão de Perrault. A maior parte da trilha sonora do filme são adaptações das canções do balé de Tchaikovsky.

    Branca de Neve e os Sete Anões
    O conto da Branca de Neve ficou popular através da versão dos Irmãos Grimm (com o nome Little Snow-White), que haviam ouvido a história de duas irmãs chamadas Jeannette e Amalie Hassenpflug.

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    Há quem diga que Branca de Neve teria sido inspirada na história da princesa
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    No conto de fadas dos Irmãos Grimm, a madrasta sem escrupulos é responsável pelo drama em torno da Branca de Neve. Cheia de inveja, a mulher lança a menina ao futuro incerto longe da família; um destino trágico, reflexo do que ocorreu no condado de Waldeck, no norte de Hessen. Pelo menos é do que está convencido o pesquisador Eckhard Sander. Ele descobriu similaridades surpreendentes entre Branca de Neve e a história dos condes do Castelo de Waldeck. Trezentos anos depois dos eventos que, segundo o pesquisador, teriam dado origem ao conto, foi exatamente nas proximidades desse castelo que os Irmãos Grimm encontraram uma contadora de estórias chamada Marie Hassenpflug e, pela primeira vez, ouviram falar da menina que era branca como a neve, de sua madrasta e dos anões mineiros.
    No século XVI, os condes de Waldeck viviam em uma casa de nobres na parte alta das montanhas em cujas bases se formava a cidade de Bad Wildungen. O chefe da dinastia era Philipp IV, o belo: Um estadista firne, que desposou Margarethe von Ostfriesland. Ela deu à luz onze crianças e morreu após o parto da última em 15 de julho de 1537 no puerpério. A pequena Margaretha nasceu em 22 de maio de 1533, e, após a morte de sua mãe, foi criada por uma ama até os seis anos de idade, quando seu pai tomou uma nova esposa, Katharina von Hatzfeld, em 1539.
    Com o nascimento de uma filha e a morte da mãe começa também o conto da Branca de Neve, no qual a rainha morre logo após o nascimento de sua filha desejada. Branca de Neve cresce sob os punhos de uma madrasta inflexível. A nova esposa do regente, de aparência cativante, era arrogante e orgulhosa. Ela possuía um espelho mágico, que sempre confirmava ser ela a mais bonita de todas as mulheres. A madrasta estava satisfeita, pois não suportaria se existisse alguém mais bela do que ela. Os anos passam e a menina atinge a maturidade. É uma questão de tempo até que a inveja e o ciúme envenenem a atmosfera no castelo, pois Branca de Neve se tornou uma jovem de beleza excepcional.
    A aparência angelical da heroína corresponde à de Margaretha von Waldeck. A pequena Margaretha cresce protegida no castelo de sua família. Um futuro promissor aguarda por ela. Sua beleza, sua origem e sua educação no castelo faziam dela uma boa esposa para qualquer nobre da região, segundo documentos da época, como uma crônica em versos do século XVI que o pesquisador Eckhard Sander achou no Arquivo da cidade de Niederwildungen. Nela se falava de uma epidemia de Peste, dos primeiros processos contra bruxas e de notícias sobre a Reforma Protestante – grandes acontecimentos na região. Falava também da visita feita por Margaretha a seus pais em 1551, nessa época a bela nobre já vivia na corte imperial em Bruxelas.
    A beleza seria a perdição de Margaretha von Waldeck e da Branca de Neve dos contos de fadas: as duas, jovens e inexperientes, tiveram que deixar a casa paterna. Para Branca de Neve a decisão foi tomada no dia em que o espelho anunciou uma nova verdade à rainha. A partir daí a menina correria perigo mortal. Sobre a relação entre Margaretha e sua madrasta nada dizem os documentos antigos. Apenas se sabe que a filha do conde saiu de casa ainda na adolescência. Ela foi introduzida à sociedade na residência do Imperador Carlos V como dama de honra de Maria da Boêmia e Hungria, mas levou na mala uma delicada missão diplomática.Cartas da época indicam que ocorria um conflito religioso entre Hessen protestante e Bruxelas católica. Carlos V estava mantendo preso em seus domínios o Landegrave de Hessen Felipe, o Magnânimo. A esperança dos Waldeck de conseguir a libertação do prisioneiro estava agora sobre os delicados ombros de sua jovem enviada. Margaretha confiou nas armas femininas e seu alvo seria o príncipe Filipe, futuro Filipe II de Espanha, famoso por ser atirado às mulheres. Sua única chance para salvar o Landegrave de Hessen seria o descuidado filho do Imperador. A menina então se despediu da região familiar e de sua infância.
    Para Branca de Neve não havia tempo. Temendo a morte, ela foge para a floresta escura, seguida de perto pelo caçador, enviado pela rainha para matá-la. A floresta, com seus animais selvagens, é um lugar misterioso, mas também um bom esconderijo, até mesmo da morte. A floresta Kellerwald, uma floresta densa, pertenceu às possessões dos condes de Waldeck. A selvageria da floresta era famosa em toda a região e deve ter servido de pano de fundo para a odisséia desesperada da Branca de Neve dos contos.
    A tese do pesquisador Eckhard Sander conclui que a árvore genealógica deu cabelos louros a Margaretha, embora o cabelo da personagem conhecida dos contos de fadas seja negro como o ébano. Essa contradição se desfaz ao analisarmos a versão original de Branca de Neve publicada pelos irmãos Grimm em 1808. Nela, os irmãos descrevem a menina com cabelos dourados. A rainha desejara uma filha branca como a neve, de bochechas rosadas como o sangue e olhos negros como a borda da janela.
    Pelo menos 75 versões diferentes da estória da Branca de Neve circularam por muitos séculos em todo o mundo. Através da tradição oral, muitas características originais foram modificadas. A personagem ganhou lábios vermelhos como o sangue, cabelos negros; mas o cerne do conto dos Grimm ainda se mantém como o principal no imaginário popular, entre adultos e crianças.
    Como dama de honra em Bruxelas, Margaretha teria tarefas fixas diárias e seria apenas uma entre muitas. Os anos de bajulação da princesa no castelo de Waldeck haviam terminado. Mas a vida cheia de cores em meio à alta sociedade européia prometia luxo e muitas festas no grandioso salão de bailes, o caminho certo para a menina de Hessen com grandes perspectivas. O trono atraía muitas potenciais candidatas das maiores casas reais. A residência real era conhecida como um mercado de casamentos para as filhas da nobreza.
    O ponto alto do calendário de festividades era o grande baile de Binche. Foi lá que provavelmente a filha do Conde de Hessen conheceu o herdeiro imperial Filipe. A inexperiente menina permitiu a aproximação do príncipe, que demonstrou repentinamente sentimentos sérios. A jovem nobre pediu então a libertação do Landegrave de Hessen. Os rumores se espalharam e os ânimos esquentaram na corte, pois a vida pessoal da Coroa não é assunto privado, é assunto de Estado. Em resposta, o imperador Carlos V força o casamento do príncipe com sua tia, Maria da Inglaterra, onze anos mais velha.
    O príncipe Filipe seria Rei Filipe II de Espanha a partir de 1556 e ainda Rei de Portugal, inaugurando a União Ibérica em 1581, a partir de quando governou também o Brasil até sua morte.
    Havia, contudo, outros admiradores da jovem na nobreza. Alguns eram estadistas poderosos. A longa lista de presentes que Margaretha ganhou em Bruxelas inclui cintos de ouro, jóias preciosas e vestidos caros. Obviamente, nem todos foram dados pelo príncipe herdeiro. O conde holandês Egmond deu-lhe até mesmo um retrato seu, um sinal de profunda afeição. Ele, um político importante, lutou por muitos anos ao lado do príncipe Filipe de Espanha; mas quando os holandeses se revoltaram contra a Espanha, seu antigo camarada se tornou rival de guerra. Assim, dois concorrentes interessados na mesma mulher se tornaram inimigos mortais.
    Branca de Neve e Margaretha von Waldeck foram duas mulheres usadas como peças de xadrez por monarcas poderosos. Mas apenas no conto de fadas o final é feliz, a vida terrena segue outras leis. A história que começa cheia de esperanças encontra a perdição. Embora ainda fosse jovem, a menina de sangue azul escreve seu testamento, e diz: “meu corpo está louco, mas minha mente e minha razão estão sãs”. Margaretha temia claramente por sua vida. Ela morreu envenenada por arsênico aos 21 anos, em 13 de março de 1554.
    As circunstâncias de sua morte continuam sendo um mistério. Não há a quem interrogar. Não se tem notícia de nenhum caixão de vidro. Não se preservaram restos mortais da bela jovem. Anões e corujas não vigiam seu último local de descanso na floresta escura. Seu corpo nunca poderá ser exumado para a extração da verdade. Mas para a verdade da estória isso é irrelevante. É suficiente que, no século XVI, os pais de Margaretha von Waldeck acreditassem que sua filha havia sido assassinada na longínqua Bruxelas. Da triste notícia, através de séculos de tradição e versões imprecisas, se formou e se enfeitou o conto de fadas. Assim foi que a jovem condessa quinhentista pôde se tornar a filha desejada de uma rainha, a mais bela em todo o país, o alvo do orgulho de uma madrasta inescrupulosa, Branca de Neve.

    Cinderela
    Cinderela é um conto bastante antigo, com versão grega antes de Cristo e registros na China nos anos 800. Acredita-se que é a história com mais versões, centenas! Em muitas delas, Cinderela foge de seu pai, que quer casar-se com a própria filha pois esta lhe lembra sua falecida esposa.
    Assim como A Bela Adormecida, as duas versões mais conhecidas da história foram de Charles Perrault e dos Irmãos Grimm. A versão que conhecemos e que a Disney usou tem mais a ver com a de Perrault , que possui uma fada madrinha que transforma uma abóbora em carruagem. Abaixo a versão dos irmãos Grimm.

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    A Pequena Sereia
    O conto é de 1837 e autoria de Hans Christian Andersen. A Disney usou essa versão mas trocou o final trágico por outro feliz…

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    A Bela e A Fera
    A história de Andrew Lang de 1889 se difere bem pouco da história que nós conhecemos. Nela, não há objetos mágicos nem inimigo da Fera. Em uma outra versão, a Fera é descrita como alguém que se parece com uma cobra.
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    aahhh e eu invoco também o @Bruce Torres porque eu tenho certeza que ele vai ter pitaco pra dar aqui! :rofl:
     
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  2. LuizWsp

    LuizWsp A torch in the dark In Memoriam

    bem legal
     
  3. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Nossa, @Erendis : você me invocou e eu não falei nada. :lol:

    Mas é basicamente isso: os contos foram alterados ao longo do tempo - e é preciso lembrar que muito do que chegou até nós, como no caso dos mitos, é resultado de trocas culturais - e mudanças de paradigma resultaram na diminuição dos tons controversos originais a fim de serem apresentadas em uma roupagem "confortável" a públicos posteriores.
     
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  4. Erendis

    Erendis I'm a motherfucking woman

    pois é, que feio deixar a pessoa no vácuo assim
    :loser: #abandonada #loser #dramaqueen

    talvez, principalmente, pras crianças de hoje em dia, né?
    apesar de elas verem violência todos os dias, em todos os lugares, eu percebo que essa violência choca nas histórias infantis, como por exemplo, quando a Liza leu a história do Barba Azul que tem no "Contos de Fadas" da Zahar e ficou de cabelo em pé porque a história é sobre o cara que mata as esposas e guarda numa salinha...
    imagina que chocante ia ser pra ela se a Pequena Sereia virasse espuma do mar?
    eu penso que elas leem, buscam as histórias de contos de fadas justamente pra ter uma fuga desse mundo doido, um lugar onde as coisas são perfeitas e os finais são felizes...
     
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  5. Bruce Torres

    Bruce Torres Let's be alone together.

    Tenho pra mim que isso pode ter algo a ver com o tipo de formação que se esperava do público de então. Essas mudanças acabaram impactando na forma como os autores apresentavam as histórias a seu público. Daí você vê porque um Andersen, em uma terra protestante, coloca um final cristão pr'A Pequena Sereia e um Kipling reforça a exoticidade da Índia com seu Livro de Jângal/Selva. Esses contos caíam muito bem para esses públicos, mas fora desses círculos é compreensível que não funcionasse mais tão bem.
     
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