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[L] [Melkor, o inimigo da luz] [Chuva ou O Fim Azul]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Melkor- o inimigo da luz, 24 Fev 2004.

  1. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    [Melkor, o inimigo da luz] [Chuva ou O Fim Azul]

    O texto se baseia basicamente em diálogos. É rapido e objetivo. Tentei usar linguagem coloquial sem fugir do bom senso. =)

    Voilá, mais um Fim! ^^

    ---------------------------------------------------------------------------------

    - O que vamos fazer agora, Henrique? – perguntou Felipe, olhando de soslaio pelo próprio cabelo que cobria o lado esquerdo de seu rosto.
    - Sinceramente? – ele olhou para a janela, em uma evidente atuação, e encarou novamente o amigo – Não sei.
    - Droga, essa chuva não para – Felipe diz, desapontado. Sentia-se constrangido por não ter nada para oferecer para Henrique.
    - Ah, ela para sim. Parou agora pouco, lembra?
    - Claro! E, depois que vestimos nossas sungas começou a cair mais forte ainda. Sabe, a impressão que tenho é a de que seu Deus está brincando conosco.
    - Meu Deus? Ele não é meu! – Henrique protestou
    - Muito menos meu. Mas você acredita, não é? Então é mais seu do que meu e só com você ele pode agir. Nenhum deus pode punir alguém que não acredita nele, é um paradoxo.
    - Não é um paradoxo.
    - Não importa. – Felipe riu – O que será que está passando na televisão?
    - Domingo, de noite? – Henrique riu desdenhosamente – Ah, nem quero imaginar!
    - Eu trouxe a televisão por satélite, boçal – Felipe virou os olhos, rindo
    - Opa! Como se eu não conhecesse as pérolas que passam nesses canais! Como era mesmo o nome daquele filme que vimos? Aquele drama tão trágico!
    - Trágico? Rimos o filme inteiro!
    - Tá certo, tá certo. Mas era trágico. Não fosse o cheiro tão apetitoso de molho de tomate que os corpos exalavam e...
    - Quieto! – Felipe disse – Ouviu?
    - Um uivo. Eu já ouvi outros, sabia?
    - Aham. Mas e um uivo de lobisomem? – ele perguntou, sombrio.
    - Como assim? – Henrique franziu o cenho. Felipe cedeu. Os dois caíram no mais patético acesso de riso a que o ócio e a chuva podiam incitar.
    - Estou com calor – Felipe falou, tentando ficar sério.
    - Eu também.
    - Vamos tirar a roupa? – ele perguntou, olhando o amigo com a cabeça baixa e os olhos erguidos, como uma cobra.
    - Não! Seu louco – Henrique disse, expressando a falta de sentido da proposta.
    - Eu estava brincando, tarado! – Felipe gritou, mas sentia como se traindo a si mesmo. Pois não podia negar, no seu âmago, que, desde que vira, por acaso, Henrique trocar-se, desejava vê-lo novamente. Pois nunca havia experimentado tanta curiosidade. Só pôde ver a barriga e uma pequena marca de sol, mas... Ah, como correu! Trancou-se no banheiro e ficou olhando seu próprio reflexo até acalmar seu espírito.
    - Eu estava brincando – repetiu, olhando o amigo nos olhos. Um silêncio profundo caiu e esmagou-os por alguns instantes. Ambos pensativos, as sobrancelhas protegendo os olhos furtivos, desviaram o olhar e pararam por algum tempo de falar ou rir.
    - .Sabe, eu estou me divertindo – Henrique destruiu a paz e o silêncio – De verdade.
    - Falso! Não precisa fazer isso – Felipe pareceu ofendido – Está tudo uma droga. Não aconteceu nada de bom desde que chegamos. Desculpa, olha, eu achei que ia ser divertido e...
    - Putz, eu to sendo sincero. Eu to gostando, a gente tem conversado bastante. Como a gente nunca fez.
    - Se você diz. Eu estou gostando, só pela sua companhia, de qualquer forma. Eu me sinto muito sozinho quando tenho que vir para cá sozinho.
    - Você pelo menos tem um sítio, Felipe.
    - Bah.
    - A gente vai ficar olhando a chuva, vai ver televisão ou o que?
    - Vamos fazer amor – Felipe arqueou a sobrancelha
    - Você pode falar sério pelo menos uma vez? – Henrique censurou-o
    - Desculpa – Felipe disse. Eu estava falando sério, pensou.
    - Pena que ninguém mais pôde vir. Hm, Felipe?
    - Fala
    - Você me disse, há um tempo atrás, que tinha alguma coisa pra me dizer. Mas nunca disse o que era.
    - Não era nada.
    - Pode falar, cara.
    - Não era nada – Felipe virou-se para o outro lado, tentando disfarçar seu constrangimento. Era tudo tão difícil, cara a cara.
    - Por favor, conta.
    - Eu nem lembro mais. Acho que eu só queria agradecer todo o apoio que você me dá, sabe? Eu queria dizer que você é um grande amigo, sério mesmo. Desculpa.
    - É isso? Ah, eu também acho que você é um amigão, falando sério, fico muito feliz por ter te conhecido. Aprendi bastante coisa com você e... – Henrique parou de falar, assustado.
    - Desculpa, desculpa, desculpa! – Felipe disse, por entre lágrimas e soluços e beijou-o. Não houve resistência nem cumplicidade, Henrique parecia simplesmente não saber o que fazer. Felipe não esperou por reação alguma nem olhou nos olhos de seu amigo. Saiu correndo, abriu a porta e sumiu na chuva.





    - Felipe! – Felipe ouviu uma voz chamando-o, através do véu de chuva, e virou-se. Talvez não tivesse sido um erro. Mas era só o vento. Não havia ninguém no seu encalço, ninguém atrás dele implorando para que voltasse. Correu no escuro, embaixo de toda água que caía, e escondeu-se embaixo de uma árvore onde – quando criança – gostava de subir e passar a tarde inteira, sozinho.
    - Merda, merda! – gritou para si mesmo. Ainda faltavam dois dias e ele já tinha estragado tudo. Não conseguiria mais olhar nos olhos de Henrique, não! Seriam os dois piores dias da sua vida. Graças a ele e somente ele, o que era pior.
    - Eu quero morrer – soluçou. Queria morrer, não por seu primeiro beijo ter se dado com Henrique. Disso ele gostava. Mas o primeiro beijo de Henrique havia se dado com ele! Com ele! Que direito ele tinha de estragar a vida de outra pessoa? Já não bastava a sua própria?
    - Felipe! – ouviu uma voz chamá-lo. Não era o vento.





    - O que foi isso? – Henrique perguntou, pausadamente, para ninguém. Não havia entendido uma só cena daquele Ato. Porque Felipe... Ah, ele havia beijado-o sem aviso prévio... Porque?
    - Merda – disse, em baixo tom, para si mesmo. Tentou entender. Não conseguia. Não imaginava que ele faria algo assim, não Felipe. Devia estar desesperado, pobre Felipe! Sempre tão errado, tão sozinho. E agora isto. Ele não ia suportar, era tão fraco quanto parecia forte!
    - Felipe! – gritou quando viu o amigo sentado embaixo de uma árvore, chorando. A chuva parecia vir toda dele, só dele. Pobre Felipe, pobre Felipe!





    - Cara, que merda é essa? – Henrique sacodia Felipe – Fala comigo! O que tá acontecendo?
    - Por favor, me solta – Felipe estava como se estivesse morrendo.
    - Não! Fala comigo! Porque você fez isso?
    - Desculpa, eu já pedi desculpas!
    - Não quero que você se desculpe! Me explica!
    - Cacete, eu já disse que sinto muito! Por favor, para!
    - Não! – Henrique empurou-o na árvore e o fez arregalar os olhos assustados
    - Desculpa, Henrique! Por favor, não faz nada, não! – Felipe levantou os braços, se defendendo. Henrique soltou-o e começou a chorar
    - Cara, o que é isso? – perguntou, soluçando.
    - Não me bate, por favor, eu não queria ter feito isso!
    - Eu não vou te bater, não, nunca! De onde você tirou isso, caramba? Para, eu só quero falar com você! Me explica o que está acontecendo!
    - Eu... – Felipe começou a soluçar – Eu te amo!
    - Não, chega de correr, que merda! – Henrique segurou Felipe pelo braço quando ele levantou-se e tentou fugir. – Dá para olhar nos meus olhos e, pelo menos uma vez, enfrentar a vida de frente, como homem?
    - Como homem? – Felipe estava de frente e encarava Henrique – Como homem?
    - Qual é a graça? – Henrique ofendeu-se – Qual é a graça? Me diz!
    - Desculpa – Felipe disse e abaixou os olhos novamente
    - Olha para mim! – Henrique disse, imperativo – Me explica agora isso, pelo amor de Deus.
    - Eu te amo. Eu te amo eu te amo eu te amo! – Felipe disse, as pupilas no centro do globo ocular, fixas nos olhos de Henrique.
    - Puta merda – Henrique disse, pesaroso - Porque?
    - Porque? Não sei, não me pergunta! Eu só não agüento mais esconder isso. Sério, cara, desculpa. E desculpa pelo que fiz agora pouco, fui um idiota, só pensei que você pudesse...
    - Não. Não se desculpa. Já foi. Mas ainda não entendo. Com a Luiza, a Thais... Porque eu?
    - Porque é você, é você que eu quero, cacete. Não tem porquê.
    - Não dá pra entender, desculpa.
    - Ah, dá sim! – Felipe parecia irritado – Você é bonito, inteligente, gosta de mim como eu sou, é simpático, me ajudou quando eu precisei. Era inevitável, eu sabia! E eu te avisei, não te avisei?
    - Você disse que nunca faria nada assim.
    - Mas eu avisei que eu estava com problemas. Você não devia ter me ajudado, eu não disse? Você nunca me ouve!
    - Então por isso...
    - É. Por isso que eu tentei me afastar. Mas não deu. Eu tentei, sério.
    - Você podia ter falado.
    - Eu não queria perder o pouco que já tinha conquistado.
    - Você podia ter falado.
    - Você já era meu amigo! O que mais eu podia pedir? – Felipe ainda chorava
    - Eu não faço nenhum favor sendo seu amigo!
    - Se você soubesse o que eu sentia desde o começo, você estaria aqui, comigo? – Felipe perguntou, sóbrio.
    - Não sei. Mas eu estou aqui – Henrique chorava também, novamente – Você me ama de verdade?
    - Sim.
    - Então me aceite também, assim como eu sou. Desculpa.




    Henrique abraçou-o com força, do jeito mais sincero que pôde e soube que – ah, sim – Felipe estaria feliz assim. Queria protege-lo, só não sabia como. Beijou-lhe a testa e voltaram ambos para a casa, onde assistiram televisão até dormirem. E Felipe dormiu sob a barriga de Henrique, sentindo-lhe a respiração e o coração. E tiveram os dois dias mais lindos de suas vidas.
     
  2. Lord Meneltar

    Lord Meneltar Argerich

    Ficou muito subjetivo o que aconteceu depois.Dá pra ratificar?


    Ah,e claro.Não deiva ser o fim azul.Devia ser o fim rosa .ahuahuahu
     
  3. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Não, não dá. Para de ser restrito, seu tosco. =)

    É O Fim Azul, ahuahauhuahauhaua... É azul de chuva! E o sentimento também é azul, azul é a cor dos meninos! =)

    Eles não são meninas pra serem rosas. ^^

    Obrigado por ler, Lorde.

    Mas você podia dizer o que acha. Eu gosto de criticas e construtivas... u.u
     
  4. Eldarwen

    Eldarwen Usuário

    Bobagem. Vc está sendo ironico, certo? Pq meninas tem q ser rosa e meninos azul? Minha cor favorita é azul, e conheço muitas meninas que também preferem o azul.

    Mas eu gostei muito do texto. É bem bonito, e mostra uma amizade sincera, achei muito linda a atitude do Henrique, acho q a maioria dos meninos nao faria algo assim... pelo menos dos que conheço a maioria ia empurrar o Felipe e gritar "Qual é a tua moleque? Seu viado!". Está de parabéns Melkor!
     
  5. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Obrigado, moça. Eu concordo que a maioria faria isso. É a triste realidade. Isso que me inspirou a escrever, dois meninos saudáveis que tem um problema: Um gosta, o outro não. Como reagir? O que sentir? Bom, eles são dois guris idealizados, claro, mas eu acho tão lindo uma amizade assim que resolvi escrever idealizado mesmo.

    O que gostei foi o fim, onde mostra que na verdade o Felipe também tinha que aceitar o Henrique, de uma forma ou outra. Porque a gente geralmente pede pra que aceitem os homossexuais e não pede pra que eles aceitem os heterossexuais, não é verdade? Pelo menos foi o que me veio na cabeça quando cheguei no fim. Saiu isso e achei lindo. =)

    Mais uma vez, obrigado.

    EDIT: Sobre as cores, é claro que foi uma brincadeira. Eu só quis dizer que não fazia sentido o que ele tava dizendo, nem se eu considerasse cada sexo uma cor, entende? E a grande maioria das pessoas no mundo prefere azul, li isso numa National Geographic, acho. =)
     
  6. Eldarwen

    Eldarwen Usuário

    Sim, realmente. E o que gostei foi que, como eu disse, o que nao gosta geralmente reage com preconceito e afasta o outro, mas nesse caso a forte amizade entre eles nao os separou. Como ja falei, a atitude de Henrique foi muito linda.

    E vc tem razao, Felipe tinha que aceitar Henrique do jeito que ele era, hetero. Assim como Henrique o aceitava, Felipe que o amava deveria aceita-lo assim, e isso já é uma prova de amor eu acho.

    E nao tem de que.
     
  7. Forfirith

    Forfirith Usuário

    Nossa, Melk.O texto está maravilhoso, nem sei direito o que dizer...
    Eu chorei :oops:
    Eu rechonheci a história que escreveu com a de uma garota que eu conheço...
    É tão triste...ter que se conformar no final é uma das piores coisas que pode haver, pra mim pelo menos é pior o 'se conformar' do que o 'perder'....
    Bem, eu espero que o Felipe consiga ter uma vida mais...mais...'feliz'...nem mesmo um personagem merece isso...acho q eu ia me matar se fosse ele.O suicídio provavelmente seria a única saída que eu veria...
    Bem, meus parabéns, humilhou denovo! hehehehe..
    E que história é essa do tomate?
     
  8. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Obrigado, Forfi! =)

    Que bom que você gostou ^^

    Como assim, história do tomate?
     
  9. Forfirith

    Forfirith Usuário

    O Felipe e o Henrique não assistiram a um filme em q aparecia molho de tomate?
     
  10. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Ele quis dizer que o sangue era malfeito no filme =)
     

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