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[L] [Melkor, inimigo da luz] [A lenda do Amor]

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por Melkor- o inimigo da luz, 5 Mai 2003.

  1. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    [Melkor, inimigo da luz] [A lenda do Amor]

    Texto que se passa no mesmo "mundo" de O Outono. É uma das pequenas lendas que crio eventualmente para dar profundidade ao mesmo, é pequena e bem simples. Resolvi posta-la aqui.

    A lenda do Amor

    Aqui está escrita a lenda de como surgiu o Amor e de como Gabriela o fez brotar no coração dos animais e aqui é contada a luta dos deuses do Amor e sua rebelião.

    Em um tempo antigo os deuses ainda habitavam as cavernas douradas e ainda interferiam nos destinos dos seres vivos e julgavam cada crime justamente, pois naquele tempo os números de almas a serem julgadas era ainda pequeno. O amor surgiu inicialmente em uma das deusas aprendizes de Zunia, senhora das fadas. Ela tinha um carinho enorme por tudo que via e ouvia, por tudo que sentia e tocava. Cada flor, cada gota do mar, cada deus ou humano lhe inspirava prazer por sua existência. Seu sentimento era puro como nunca será o amor de um ser humano, e sua intensidade era imensurável. Sofria muito aquela deusa por ter que ficar longe do que amava, mas isso era inevitável pois tudo que existia no mundo era dono de seu coração.

    Foi tamanha sua dor e saudades que ela envenenou a Fonte Sagrada, de onde surge toda água que existe no nosso mundo, com sua própria essência. Então ela pôde percorrer todo mundo nas águas dos rios, nas nuvens de chuva, na água do mar e principalmente no corpo de todos seres vivos que beberam desta água envenenada. Assim então ela não sentiu mais dor e aliviou seu amor. Seu nome era Áhmor e seus cabelos eram vermelhos como as pétalas da mais bela rosa, e por isso o amor tem esse nome e esta cor o simboliza.

    Os deuses que vagavam o mundo e depois se encontravam nas cavernas douradas muito se admiraram com tamanha beleza dos sentimentos que nasceram sem o conhecimento de nenhum deles, pois fora a primeira coisa que nasceu no mundo sem que todos deuses concordassem. A maioria deles então bebeu da água que brotava da Fonte com a finalidade de sentir o amor fluir em suas veias, mas o amor não surgiu neles com a intensidade que surgiu nos seres vivos, principalmente nos humanos. O amor neles era admiração, era vontade de ter alguém por perto, era vontade de fazer todos felizes, mas não era o amor que brotava nos humanos. Não era aquela vontade de conhecer o desconhecido nem de criar com as próprias mãos, não era a obsessão por poder nem a vontade de amar.

    Dentre todos deuses o amor indubitavelmente surgiu com mais força em Gabriela e Lúcio, que instantaneamente começaram a cultivar o amor entre eles e se tornaram amantes. O sexo sem a finalidade de procriação começou com eles e então foi adotado pelos homens. Os elfos nunca apreciaram tal conceito, os felinos o repudiaram. Mas os humanos o abraçaram como se abraça um ideal incompreensível.

    Passaram-se séculos e a prática do amor se difundiu nas diferentes culturas dos povos do mundo. Os casamentos, uniões que não podiam ser desfeitas, surgiram. Os homens tomaram como esposas as mais belas mulheres que encontraram e o amor tornou-se parte da cultura, da história, de todos que possuem vida dentro de seus corpos.

    Mas com o amor surgiu o ciúme, a inveja, a dor da separação, o ódio compulsivo, o orgulho, a cobiça e determinações incoerentes. Com o amor surgiu também a traição e o amor não correspondido, e é dito que houve um homem e uma mulher que deixaram de amarem um ao outro, mas não se separaram devido aos laços imortais que os uniam.

    A mulher apaixonou-se por outra pessoa e tentou viver seu amor longe de seu parceiro. Kaptah, o deus que tudo enxerga e tudo sabe a denunciou ao conselho dos deuses que então a julgou. A morte foi a pena para o casal de amantes que chorou aos pés de Raza implorando por perdão, que lhes foi negado. Eis que surgiram Gabriela e Lúcio e interromperam o sacrifício de ambos. Gabriela com seu punhal libertou o jovem homem enquanto Lúcio com seu tridente libertou a mulher aos prantos.

    Lúcio, com seus cabelos prateados e sua beleza insuperável se colocou entre os deuses ultrajados e o casal que era amparado por Gabriela, a morena deusa da beleza. “O amor, em qualquer forma que seja manifestado, não é crime”, vociferou Gabriela, “Não cabe a nós, deuses, julgar o amor dos humanos. Se o tolo laço, que aos olhos da razão são invisíveis, uniu esta mulher a um homem que ela não ama mais, é apenas mais um capricho dos homens e mais um sentimento de possessão. Ela não pertence ao seu marido e nós deuses devíamos ver isto, já que eles não vêem”.

    Sabe-se que todos deuses calaram-se diante da fúria e beleza de Gabriela e o casal de amantes lentamente deixou o santuário sagrado e subiu as escadas douradas para novamente chegar ao mundo. Nada foi dito sobre aquele episódio, porém Gabriela rasgou suas vestes e agora caminha nua pelos céus invisível aos olhos que não conhecem o amor. Ilumina os homens durante seu sono e lhes dá aviso que surgem como sonhos, às vezes nem mesmo se recordam destes avisos, mas em suas mentes foi plantada uma semente que certamente germinará. Ela é senhora do crepúsculo e regente dos sonhos, é a guardiã dos homens.

    Já Lúcio despiu-se igualmente e navega nas profundezas do mar iluminando as mulheres e lhes dando força pra vencer os homens que as oprimem. O ódio, consequência do amor, dos homens e das mulheres fez Lúcio ter suas desavenças com Gabriela por toda eternidade e uma rivalidade surgir entre homens e mulheres e seus regentes.

    Como aviso de que os deuses discordavam da atitude de ambos, Raza enviou uma sombra para cobrir a luz de Hanatan, quem chamamos de Sol, e o primeiro eclipse ocorreu no mundo. Durante esse eclipse Raza teve uma visão: Preveu que Gabriela morreria para salvar o amor.
     
  2. Liurom

    Liurom Usuário

    Compreensão do texto e pontos positivos: muito bom seu texto, Melkor. Você foi ousado porque tratou de um tema de grande complexidade, que é o amor, ainda que numa perspectiva essencialmente mitológica. Não é simples falar desse tema sem ser piegas e você conseguiu isso. Interessante também sua mitologia que lembra os deuses gregos ou nórdicos e principalmente Tolkien. Não é fácil fazer algo assim. Parabéns.

    Sugestões : eu poderia fazer uma ou outra sugestão. Primeiro, achei um pouco estranho aquele texto que você explica a origem da palavra "amor":
    Nenhum problema em tese, pelo menos se no seu mundo as pessoas falarem português. Se não falarem, não há nenhum motivo para a palavra amor seja igual a que nós usamos, concorda? A mesma observação pode ser feita para os nomes de certos deuses (Lúcio, Gabriela). Talvez fosse tenha um motivo para isso. Mas, a princípio, soa estranho que os deuses tenham nomes em português. Isso não é crítica, é mais uma dúvida :o?: . Finalmente, você cria certas relações que não são tão óbvias assim, é a parte mais filosófica do seu texto, em que você associa o amor a outros sentimentos:
    Não sei se concordo muito com isso, o que não quer dizer que eu esteja certo. Na minha opinião, esses sentimentos que você mencionou podem sim surgir do amor e às vezes estão intimamente relacionados com ele. Entretanto, não dependem dele nem nasceram com ele. Por exemplo: pode existir orgulho sem depedência direta do amor. O sentimento de posse também pode existir sem amor. Mas essa é uma discussão muito complicada.

    No todo, seu texto é muito bom, o que permite antever a complexidade do mundo que você está criando. Parabéns.
     
  3. Melkor- o inimigo da luz

    Melkor- o inimigo da luz Senhor de todas as coisas

    Obrigado, essa crítica fez meu dia! ^^
    Sobre os nomes, Lúcio e Gabriela, tem sentido mais profundo pra quem me conhece. É claro que não peço ao leitor que conheça a Gabriela, minha amiga pela qual já fui muito "apaixonado". Foi na verdade apenas uma inspiração, e os nomes sempre estão sujeitos a modificações. =]
    Sobre Áhmor, foi uma idéia um tanto infâme daquelas que depois de um dia você lê e tenta entender porque escreveu aquilo. Bem, escrevi este conto ontem, portanto foi hoje que vi o que havia escrito. ^^
     

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