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Grupo de religiosos quer tornar J.R.R.Tolkien um Santo da Igreja Católica!

Tópico em 'J.R.R. Tolkien e suas Obras (Diga Amigo e Entre!)' iniciado por Caio Alves, 4 Set 2016.

  1. Caio Alves

    Caio Alves Asuka Langley Soryu

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    Ao olhar a foto acima você pode estar intrigado. Parece mais uma visita de padres a um túmulo de algum santo da Igreja Católica, mostrando uma referência e respeito ao local em que repousa o corpo de seu Santo. Bem, mas o que intriga é que esse não é o túmulo de um santo, mas de um homem que nós conhecemos bem: J.R.R.Tolkien.

    Em 2010 um grupo de padres Dominicanos visitaram o túmulo do professor em Oxford para prestar homenagem ao escritor e rezar para que encontre o repouso eterno e a paz.

    O autor do Senhor dos anéis era um católico praticante e buscava sempre seguir os preceitos de sua religião. A origem de sua fé está com sua mãe, que havia se convertido ao catolicismo quando o professor ainda era uma criança, mas ao morrer jovem sua mãe o deixou órfão aos cuidados de um padre católico, padre Francis Morgan. Assim, Tolkien foi educado desde criança na fé católica e ainda que indiretamente suas obras possuem reflexos dessa experiência religiosa.

    Ocorre que o sucesso de suas obras transcende o normal de qualquer outro livro, pois está entre aqueles mais vendidos e Tolkien é considerado o maior escritor de fantasia do século XX, sendo um marco na literatura. Fruto desse sucesso literário, o professor Tolkien tem milhões de fãs espalhados pelo mundo. Com o lançamento dos filmes de O Senhor dos Anéis o número de pessoas que passaram a ler Tolkien aumentou significativamente.

    Dentre esses fãs muitos praticam a mesma religião que o professor e o consideram como um exemplo de cristão. Há vários e vários seminários, palestras, livros, encontros, músicas, textos, artigos e poemas que relacionam a obra do professor Tolkien com elementos religiosos.

    Existem padres de várias igrejas que usam e citam as obras de Tolkien em seus sermões ou homilias. Professores religiosos que usam os ensinamentos dos livros para interpretá-los com uma visão católica.

    No Brasil há milhares de Católicos que são fãs de Tolkien, dentre os conhecidos há o padre Paulo Ricardo que é um fã de Tolkien, tendo apresentado uma palestra recentemente sobre O Senhor dos Anéis (Veja
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    ) e ainda Ives Gandra Martins Filho, ministro do Tribunal Regional do Trabalho, membro da ordem católica Opus Dei, que escreveu o livro “O Mundo do Senhor dos Anéis”.

    As obras de Tolkien chegam a serem admiradas até mesmo pelo auto escalão da Igreja Católica, como é o caso do atual Papa Francisco, que em 2008, enquanto cardeal, citou Tolkien em uma homilia (veja mais informações
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    ). Os livros de Tolkien, portanto, tem servido como instrumento de padres e até de cardeais para os ensinamentos das doutrinas da Igreja, especialmente para os jovens.

    Observando isso, um grupo de pessoas (contando com o apoio de alguns padres) tem promovido a ideia de que o professor Tolkien deveria ser considerado um Santo da Igreja Católica ou pelo menos um Venerável.

    A ideia tomou proporções mais avançadas e tem atualmente como líder o italiano Daniele Pietro Ercoli, da Congregação Salesiana.

    A ideia de propor a canonização de Tolkien se tornou ainda mais forte entre seus idealizadores quando em agosto desse ano (2013) a Igreja iniciou uma investigação preliminar para canonização do escritor de ficção Chesterton (veja a notícia
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    ).

    O processo de canonização da Igreja Católica Apostólica Romana

    Muitos se questionam: mas Tolkien não fez nenhum milagre após sua morte, porque seria um Santo? A Igreja Católica possui um complexo procedimento para determinar quem seria canonizado e assim considerado como Santo.

    Primeiramente a pessoa precisa ser católica e praticar as virtudes da religião durante sua vida. Ela não precisa necessariamente ser alguém perfeito, que nunca pecou, mas tem que demonstrar certas qualidades que um cristão comum não teria.

    Após sua morte, primeiramente deve haver um pedido de católicos para o bispo do local onde a pessoa morreu. No caso de Tolkien ele faleceu em Bournemouth, que tem como diocese Plymouth, tendo como bispo atualmente Christopher Budd.

    Após isso, o bispo irá investigar a vida da pessoa, examinando todos os seus escritos, consultando testemunhas, documentos e tudo relacionado. Para verificar se há algum conflito das ideias da pessoa com a doutrina da Igreja.

    Nesse procedimento procura entender se aquela pessoa praticou durante sua vida uma virtude heroica ou se ela foi um mártir (morreu pela causa da Igreja). No caso de Tolkien seria investigado se ele praticou as virtudes da Igreja durante sua vida.

    Verificando que aquela pessoa tem algo de especial, o Bispo reúne tudo que conseguiu colher durante a investigação e envia para a Congregação para as Causas dos Santos, que analisará com mais profundidade o caso.

    O atual prefeito da Congregação para as Causas dos Santos é o Angelo Amato, que ingressou ainda jovem na Ordem dos Salesianos, mesma ordem que pertence Daniele Pietro Ercoli, líder do grupo para canonizar Tolkien.

    Tem agora inicio o processo de investigação. Nele haverá análise de todos os documentos e a vida do cristão. Havendo uma espécie de julgamento sobre a santidade da pessoa. Tendo o defensor da ideia de um lado e aquele que é contra de outro. A pessoa que está sendo investigada nessa etapa é chamada de “Servo de Deus”.

    Decidido que o investigado é um exemplo de católico e que ele praticou as virtudes de forma heróica ele será considerado um “Venerável”.Essas virtudes são basicamente fé,esperança e caridade; prudência, temperança, justiça, fortaleza e outras.

    Havendo indícios de ter ocorrido um milagre, esse será investigado por peritos e médicos do vaticano. Se for decidido que o milagre ocorreu o Venerável passará a ser considerado um “Beato” e se comprovado um segundo milagre ele será finalmente canonizado e considerado um Santo da Igreja Católica.

    È inegável que o professor Tolkien durante sua vida mostrou diversas virtudes e é isso que chama a atenção daqueles que defendem sua canonização. A pretensão desses fãs é justamente comprovar que o professor Tolkien seria digno de ter o título pelo menos de Venerável na Igreja Católica, uma vez que não se comprovou nenhum milagre até o momento que seria atribuído ao Tolkien.

    Caso queira se aprofundar mais sobre como é feito o processo de canonização da Igreja Católica, em 2007 foi publicado pela primeira vez o documento Sanctorum mater que pode ser acessado no site oficial do Vaticano
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    .

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    Imagem do possível santo J.R.R.Tolkien feita por fãs

    A vida Católica de Tolkien


    É inegável que o professor Tolkien era um devoto católico, isso é evidente desde sua infância com a influência de sua mãe. Existem muitas referências da sua vida como católico, mas pode-se notar alguns exemplos:

    Mabel Tolkien havia se convertido ao catolicismo no ano 1900, mas alguns anos depois morreu doente e abandonada por seus familiares. Os parentes de Tolkien eram todos anglicanos e não apoiaram a atitude de Mabel de se tornar Católica, por isso negaram ajuda em momentos de dificuldade econômica. Como o pai de Tolkien já havia falecido, ele ficou aos cuidados do padre Francis Morgan que o educou nos princípios católicos com severidade.

    Quando adulto Tolkien participou do grupo de escritores cristãos conhecido como Inklings, tendo influenciado C.S. Lewis a deixar o ateísmo e se converter ao cristianismo. Lewis não se tornou católico como era a ideia original de Tolkien, mas se tornou o principal defensor do cristianismo entre os intelectuais do século XX.

    Tolkien frequentava sempre a missa e após a comunhão rigorosamente se confessava com o padre da paróquia. Segundo o testemunho de George Sayer, “Tolkien gostava de se confessar sempre depois de receber a comunhão. Não penso que fosse por causa dos pecados que ele tinha em sua consciência como algo que as pessoas levariam como algo sério. A verdade é que ele era o que os diretores espirituais chamam de “escrupuloso”, isto é, inclinado em exagerar o mal da indisciplinas e pensamentos errados que estavam na maioria de nós. Mas ele era acima de tudo um devoto e muito tradicional católico, do tipo que pensava ser o primeiro a se confessar. Essa era uma atitude do século passado (século XIX)”(Proceedings of the J.R.R.Tolkien Century Conference 1992).

    Com a reforma das leis da Igreja Católica na década de 60, Concilio Vaticano II, os ritos das missas foram alterados, para a tristeza de Tolkien que gostava das missas celebradas em latim. O seu neto, Simon Tolkien, afirma que uma vez o via recitando os mesmos ritos em latim, enquanto que o restante dos fiéis na missa usavam o inglês.

    Além de ter sido criado por um padre, Tolkien incentivava entre os seus filhos a prática da oração, com isso seu filho mais velho, John Tolkien se tornou um padre católico. Há diversas cartas que o Tolkien fala sobre a doutrina da Igreja e como seus filhos deveriam observá-las.

    Tolkien trabalhou como tradutor de O livro de Jonas, para a primeira versão em inglês da Bíblia de Jerusalém. Traduziu para as línguas élficas o Pai Nosso, Avé Maria e outras orações Católicas. Escreveu o livro “The Old English Exodus”, em que traduziu parte do Êxodo do antigo testamento para o Inglês antigo.

    Em seus livros implicitamente colocou alguns elementos católicos, tendo declarado em uma carta que O Senhor dos Anéis seria uma obra fundamentalmente católica. Em 2000, O Senhor dos Anéis foi escolhido entre os 10 livros cristãos Top do século XX, segundo o Christianity Today(
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    ).

    Existem diversos livros que retratam com mais detalhes os aspectos cristãos e Católicos da vida e obra de Tolkien. Há diversos seminários e palestras promovidos por padres e estudantes de teologia a respeito das obras de Tolkien.

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    Para promover e organizar o movimento pela canonização de Tolkien, Daniele Pietro Ercoli criou um grupo no facebook com esse propósito. Atualmente são mais de 200 pessoas que estão no grupo, entre católicos devotos, padres, membros de organizações católicas e apenas fãs de Tolkien. O endereço do grupo é o seguinte:
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    Daniele Pietro acredita que por meio das redes sociais é mais fácil ter contato com outras pessoas que tem a mesma ideia e que poderiam se unir para essa finalidade. Na descrição do grupo do facebook pode ser lido em inglês o seguinte:

    “ Eu sei que há muitas pessoas que consideram o prof. Tolkien um Santo. Porque, então, não podemos fazer o pedido pela causa de beatificação e canonização do prof John Ronal Reuel Tolkien?

    Um santo é um ser humano que é chamado a ser santificado. Qualquer um que está no céu é, em um termo técnico, um Santo, já que eles são completamente purificados e sagrados. Há muitas pessoas que se acreditam estar no Céu mas que não foram formalmente declaradas Santas. Mas uma declaração formal poderia autorizar os fiéis Católicos a o enxergarem como um modelo e orar para ele como um intercessor.


    O bispo da diocese onde a pessoa morreu é o responsável pelo começo da investigação da beatificação requerida. Assim, se muitas pessoas se juntarem a esse grupo, nós podemos razoavelmente manter isso como o estabelecimento de sua reputação de santidade. Nesse caso, nós iremos escrever uma petição para o bispo Christopher Budd, bispo de Plymouth (da diocese em que está localizado Bournemouth, cidade em que J.R.R.Tolkien morreu)”.


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    Daniele Pietro Ercoli, líder do movimento pela canonização de Tolkien

    Perguntado sobre como surgiu essa ideia Daniele Pietro Ercoli nos respondeu o seguinte: “Eu fui fascinado com Tolkien desde os meus 12 anos. Acho que isso deve ser na metade da década de 90. Me ajudou muito em me manter firme na minha fé, em um perído da vida humana que usualmente se torna frágil. Então, quando eu me tornei um religioso Salesiano, há 6 anos atrás, eu comecei a trabalhar em um oratório e montei um grupo de jovens garotos que pretendiam desenvolver sua fé usando somente textos de Tolkien ou baseados nele e suas experiências. Quanto mais eu estudei seus trabalhos, mais grandes significados religiosos eu encontrei neles. Então eu imagino que seu propósito foi escrever um mito religioso para nossa pos modernidade e mundo secularizado. Quanto mais eu estudo sua vida, mais vejo o brilho de sua fé. Foi então que eu conjecturei: Ele é um santo, um santo perfeito para nossos tempos. O ponto é que os jovens com quem eu trabalhava tinham a mesma opinião, assim como muitas pessoas que estudam sua vida e seu trabalho”.

    Como dito, Daniele Pietro Ercoli é um salesiano. Os principais destinatários da missão salesiana são os jovens, especialmente os pobres e em situação de risco. Em vista destes destinatários, os trabalham também nos ambientes populares, com atenção aos leigos evangelizadores, à família, à comunicação social, e entre os povos ainda não evangelizados.

    A congregação é composta por irmãos de vida consagrada, que fazem votos simples de castidade, pobreza e obediência. Os salesianos podem optar pelo sacerdócio, de modo que existem padres e irmãos salesianos.

    Daniele Pietro continua respondendo que:“Então, quando eu comecei a estudar teologia eu criei o grupo do facebook por haver quantas pessoas espalhadas pelo mundo compartilham da nossa mesma ideia, que J.R.R.Tolkien viveu uma vida digna do céu.O número de pessoas que estão aderindo cresce dia após dia, mas antes do inicio da Causa de beatificação e canonização, é necessário provar a reputação de santidade, ou se há uma devoção em torno dessa pessoa. Então, esse agora é o objetivo desse grupo”.

    Com esse objetivo, o grupo está promovendo que pessoas busquem orações de forma privada e individual pela possibilidade de canonização do Tolkien. Após uma promoção evidenciada o plano segue com a feitura da petição para o Bispo. Assim, no grupo foi criado uma oração privada por Daniel Côté Davis, estudante da Royal Holloway, University of London. Como essa oração não tem aprovação de um bispo só poderá ser usada pessoalmente, de forma privada. Veja a oração completa no original:


    O Blessed Trinity,

    we thank You for having graced the Church
    with John Ronald Reuel Tolkien and for allowing
    the poetry of your Creation,
    the mystery of the Passion of your Son,
    and the symphony of the Holy Spirit,
    to Shine through him and his sub-creative imagination.

    Trusting fully in Your infinite mercy
    and in the maternal intercession of Mary,
    he has given us a living image of Jesus
    the Wisdom of God Incarnate, and has shown us that
    holiness is the necessary measure of ordinary
    Christian life and is the way of achieving
    eternal communion with You.

    Grant us, by his intercession,
    and according to Your will,
    the graces we implore…,
    hoping that he will soon be
    numbered among Your saints. Amen.

    A tradução para o português é a seguinte:

    Oh! Santa trindade,
    damos graças a ti por ter agraciado a Igreja
    Com John Ronald Reuel Tolkien e por permitir
    a poesia de sua criação,
    o mistério da Paixão de seu Filho,
    e a sinfonia do Espírito Santo,
    em brilhar através dele e sua imaginação sub-criativa.

    Confiando totalmente na vossa infinita misericórdia
    e na materna intercessão de Maria,
    Ele nos deu uma imagem viva de Jesus
    a Sabedoria de Deus encarnada, e mostrou-nos que
    santidade é a medida necessária da comum Vida cristã
    e é a forma de alcançar comunhão eterna com o Senhor.

    Concedei-nos, por sua intercessão,
    e de acordo com sua vontade,
    as graças que imploro …,
    na esperança de que ele em breve estará
    contados entre Seus santos. Amen.

    Segundo Daniele Pietro, o projeto ainda encontra algumas dificuldades, pois o que foi feito até o momento foram rápidas discussões e não há apoio de nenhuma organização de fãs para essa causa: “Bem, atualmente, nosso maior problema é que não há nenhuma associação formada, mas apenas um grupo do facebook. As coisas seriam bem mais fáceis se nós contássemos com o apoio de uma associação, como a Tolkien Society. Mas nós precisamos encontrar uma associação católica que apoie o que não é o caso da [Tolkien Society] inglesa ou da italiana, infelizmente”.

    Ao que parece, a tendência será criar uma associação própria para o objetivo do grupo e assim possibilitar o pedido ao bispo de Plymouth. Poderá surgir então a primeira associação de fãs católicos de J.R.R.Tolkien.


    O Novo Bispo de Plymouth
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    Monsenhor Mark O’Toole, o bispo que poderá decidir se Tolkien é santo

    Recentemente, em 09 de novembro de 2013, o Papa Francisco apontou um novo Bispo da diocese de Plymouth (que tem competência para investigar o caso de Tolkien).

    O
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    tomará posse no cargo no ano que vem (2014), substituindo o bispo Christopher Budd. Essa foi uma demonstração de mudanças imposta pelo Papa Francisco, na tentativa de colocar pessoas mais jovens em posições mais altas.


    Como dito acima, o Papa Francisco já leu as obras de Tolkien e chegou a utiliza-las em uma de suas homilias. O que torna mais provável uma investigação para causa de canonização.

    As mudanças no vaticano implementadas pelo novo papa são consideradas radicais por alguns, pois o Papa Francisco é visto como alguém que está mudando a ideia da Igreja, tentando modernizá-la dentro do possível. Ele confia nos jovens e em suas decisões, como disse: “Estou certo de que vocês não querem viver a ilusão de uma liberdade que se deixa arrastrar pela moda e pelas conveniências do momento. Sei que vocês apontam para o alto, para decisões definitivas que dão pleno sentido à vida”.


    Repercussão entre fãs brasileiros

    A ideia traz repercussões diversas entre os fãs de Tolkien no Brasil. Como estamos em um pais cuja maioria das pessoas são católicas, é interessante ver a opinião de alguns fãs sobre essa ideia.


    O Guilherme Freire, jovem católico que se prepara para ser padre disse que concorda com a ideia de se investigar a vida de Tolkien: “Chesterton se tornou sinônimo de pensador católico e foi chamado pelo Papa de “Defensor da Fé”, Tolkien foi um dos maiores romancistas católicos de todos os tempos, ambos viveram vidas de sacrifício por Deus e pelos que viviam a sua volta, e foram responsáveis por inúmeras conversões. Então acho válida uma investigação mais aprofundada da vida deles por parte do Vaticano“.

    O Edvaldo Gomes, também um jovem religioso católico e fã de Tolkien diz que: “Creio que a abertura do processo de canonização de J. R. R. Tolkien faz justiça diante de sua vida, comprovadamente ilibada e dedicada à família, à devoção e ao altruísmo, bases da religiosidade católica que ele praticava. Além disso, Tolkien deliberadamente trabalhou com a literatura sob a ótica de que o conto de fadas deveriam não somente ter por fim a educação, mas também a formação moral do leitor; o que concorda com a perspectiva cristã de que é necessária uma integridade holística do candidato à santidade para que ele seja canonizado pela Igreja”.

    Mesmo entre alguns fãs que não são Católicos a ideia parece ser interessante. Marcos Sodré, que diz ser ateu, afirma que: “O fato de Tolkien ser investigado para ser um Santo não muda em nada minha admiração por ele ou algo a respeito do que eu acredito. Acho até interessante, pois isso trará novos fãs e maior visibilidade ao nome do autor. Esse tipo de atitude demonstra o quanto Tolkien é querido por pessoas de todo o mundo e o quanto os Católicos gostam de promover pessoas que seguem seus dogmas”.

    Mas nem todos concordam essa atitude. A Carla S. Fernandes, evangélica, diz que isso é mais uma manobra da Igreja que está em decadência. Segundo ela “A Igreja está passando por um período de declínio, pois muitos jovens não estão aderindo a religiões e muitos não se preocupam com isso. Eles estão usando Tolkien para promover sua religião, já que tem um apelo popular muito grande por causa do sucesso dos livros e dos filmes. Não acho que Tolkien seja um santo católico, acho que ele é um homem comum e isso que o torna tão especial por fazer coisas tão magníficas”.

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    Padre Paulo Ricardo, um sacerdote brasileiro fã de Tolkien

    Em sua palestra transmitida na internet, o Padre Paulo Ricardo falou a respeito da possibilidade de canonização de Tolkien: “Eu não gostaria de canonizar Tolkien. Tolkien era um homem bom, era um homem de Deus. Mas não era um Santo. Se os livros pudessem ser canonizados, então eu diria: “eu canonizo o Senhor dos Anéis”.O livro é canonizável. O autor, claro, tinha suas dificuldades pessoais. Era um homem bastante introvertido e era um gênio de literatura e também um grande filólogo, mas tinha suas dificuldades, era um pouco depressivo e assim por diante.Não se trata aqui de canonizar o Tolkien. Trata-se de notar que O Senhor dos Anéis é uma das grandes obras literárias, que traz dentro dela mesma uma série de valores católicos, religiosos, que são muito importantes”.

    Não apenas os fãs que são católicos buscam conciliar sua religião com as obras de Tolkien. Os evangélicos também mostram interesse nesse aspecto. Um exemplo é o pastor finlandês Petri Tikka (que também apoia a ideia da canonização de Tolkien), celebrando um culto em que canta o Salmo 100 na língua élfica Quenya. Veja o vídeo:

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    A ideia de promover a canonização de Tolkien ainda está no início e certamente isso trará muitas controvérsias e debates tanto entre os fãs, quanto os sacerdotes e fiéis da Igreja Católica

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    • Ótimo Ótimo x 2
  2. guerreirodosigma

    guerreirodosigma Usuário

    Tolkien sendo mito. Pena q ele era da ICAR, de tanto Igreja boa ele foi justamente escolher essa.
    Mas isso é meio justificado q já ele escrevia sobre Fantasia Literária, algo q combina perfeitamente com a Igreja Católica.

    Enviado de meu LG-D227 usando Tapatalk
     
    Última edição: 4 Set 2016
    • Péssimo Péssimo x 1
  3. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    Os filmes de SdA estão entre as boas películas com referências católicas que vi entre 1995 e 2005 (um exemplo do período poderia ser o intimista Spitfire Grill, garota que sai da cadeia para começar a vida do zero em uma cidadezinha).

    O sucesso dos filmes da trilogia de PJ (mais de 10 Oscars) firmam a expansão do alcance da influência, que extravaza da literatura para estudos de idiomas, grupos de rpgs e games, grupos de aficcionados em computadores, séries de TV, grupos espiritualistas, religiosos, exotéricos, artes, psicologia, parapsicologia, etc... Eu mesmo estou até devendo ver um vídeo de uma canalização do que seria Tolkien.

    Particularmente o processo acima dentro da IC divide elementos com o movimento que nasceu a favor de organizar e abrir espaço novo na ingreja para a parte do público que é fã de obras populares como Star Wars.

    Em países como Brasil tal processo emergente soaria familiar e seria de se imaginar que refletisse a vontade de absorção e validação de um trabalho por meio de abordagem que tenda ao sincretismo.

    No caso da psicologia usada nos livros ela não possui apenas fins de interesse próprio. De fato a igreja tem perdido atração mas tem muito a ver com o fato de que existe atualmente uma intolerância dos jovens que não desejam compromisso e sim a "modernidade líquida" que não oferece respostas para questões importantes da vida humana.

    Nesse sentido penso que o fator inspirador de Tolkien busque se aproximar de artistas antigos famosos que ficaram responsáveis por pintar e arquitetar de forma excepcional a luta humana diante das forças espirituais nos ambientes usados pelos cristãos.

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    Por exemplo, William Blake, em círculos americanos aparece na qualidade de iluminado. É a partir de outra grande obra arquitetural (Swedenborg) que ele promove uma pequena explosão de renascimento em torno de seu trabalho.

    Então a crítica que a obra de Tolkien ofereceu ao mundo moderno foi a crítica de um homem contra uma época que usava a tecnologia para desrespeitar ao invés de conhecer, uma época em que o conhecimento não promove aceitação mas ameaça o respeito que a pessoa tem pela criação. É desse "amor" mutilado e que se tornou comum (e pior, desejável) pela população que vinha abundando nas relações cada vez mais.

    Nesse ponto penso que Tolkien se sentiria mais confortável ao lado de grandes artistas e escritores do que dos santos. Um santo tende a ter a sensibilidade de um grande artista, mas seu tempo é escasso e é mais focado em outros pontos. Seria como comparar um grande músico com um grande pintor. Ambos seriam sensíveis a uma mensagem, mas a manifestação seria diferente.
     
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  4. Caio Alves

    Caio Alves Asuka Langley Soryu

    A questão do santo não é a de falta de tempo em um sentido mundano, mas de uma experiência qualitativamente diversa do tempo, de uma outra natureza de vivência temporal.

    Mas de qualquer forma, grandes santos foram poetas, como os hinógrafos. Santo André de Creta, por exemplo, vivia na dimensão monástica e litúrgica que dava sentido à vida e expressava isso contribuindo à riquíssima tradição hinográfica da Igreja. Isso para não falar da iconografia, escultura, arquitetura, artes plásticas em geral.

    Outro exemplo são os Santos Padres, mestres da teologia, alguns escritores de centenas de milhares de páginas de tratados teológicos a exortações místicas, pessoas tão diversas como os lustres da escolástica e os Padres gregos da Capadócia, como São Gregório de Nissa, São Gregório Nazianzo, São Basílio Magno, São João Crisóstomo, São Máximo o Confessor, São Dionísio o Areopagita.

    Então não vejo essa dicotomia. Creio é que se for para criar uma Divina Comédia moderna, um enfrentamento dos desafios e da face da contemporaneidade através do Evangelho, de uma transfiguração espiritual do mundo secularizado, dessacralizado, desencantado, Dostoievski o fez. Tolkien nunca pretendeu tanto. O trabalho de Tolkien é o da imaginação subcriativa que não se foca na crítica nem na profecia, apenas sonha com um mundo antigo, anterior ao desencantamento. Não é um trabalho de transcendência, mas de imanência onírica de um Mundo antigo, mais jovem e mais belo.
     
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  5. Neoghoster Akira

    Neoghoster Akira Brandebuque

    O que você disse é verdade e é para se pensar. É também um dos maiores desafios da política atual no mundo. Se Tolkien fosse escolher entre a vida espiritual e a vida literária o que ele decidiria, pelo talento literário ou pelos dons espirituais?

    Com freqüência existe pressão popular para transformar um professor ou um médico em um administrador na política. Sendo que para alguém cujo maior talento é em área diferente cada segundo vivido longe daquilo que escolheu amar representa um segundo a mais distante de seu talento e um segundo a mais privando a humanidade da melhor parte que ele tem. O professor estaria fora da sala de aula, o médico estaria longe do paciente e o santo estaria separado do contato espiritual. São muitas coisa a se considerar.
     
    • Gostei! Gostei! x 2

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