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Shakespeare 444 anos e um dia!!!!

Tópico em 'Generalidades Literárias' iniciado por Hérmia, 25 Abr 2008.

  1. Hérmia

    Hérmia Usuário

    Shakespeare, 444 anos e um dia - ou quase isso



    Ninguém sabe direito se a data é mesmo essa, mas o mundo comemorou ontem, 23 de abril, os 444 anos do nascimento de William Shakespeare. Como o dia exato é incerto, e aliás motivo de empolgantes pelejas acadêmicas, o atraso deste blog não será assim tão grave. Vamos então à "Slate", onde Ron Rosenbaum lista alguns livros, filmes e sites dedicados ao escritor, e lamenta:

    É triste que algumas pessoas deixem de reler ou assistir às peças de Shakespeare (...) e gastem tempo em controvérsias tão desprovidas de base factual quando a recente escaramuça entre Germaine Greer (...) e Stephen Greenblatt (...) a respeito da questão irrespondível: Shakespeare amava sua esposa? (Greer: Sim. Greenblatt: Não. Evidências: Nenhuma.)



    A lista de Rosenbaum, autor de "The shakesperean wars", tem uma curiosidade: o filme que ele considera a maior adaptação de Shakespeare para o cinema é "Chimes at midnight", de Orson Welles, e a única versão disponível do filme em DVD é... brasileira.

    Tentando lembrar de alguma citação de Shakespeare para jogar casualmente neste post, acabei apelando para o Google e topei com essa compilação de "bardismos famosos". São 263, o que dá uma medida do quanto Shakespeare está diluído, entranhado, em nosso repertório cultural. Sempre que leio um texto seu pela primeira vez, tenho iluminações genealógicas - do tipo "ah... então é daqui que isso saiu" - numa freqüência só comparável à que a leitura da Bíblia proporciona.

    Um autor que não se cansava de citar Shakespeare era Machado de Assis. Segundo o crítico John Gledson, a citação preferida de Machado era a fala de Hamlet a Horácio: "Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, / do que sonha nossa vã filosofia".

    As aparições shakespereanas em textos de outros autores são incontáveis. Fui ler "A Tempestade" por causa de uma alusão que T.S. Eliot faz em "The Waste Land" a esse trecho da peça: "Full fathom five thy father lies / Of his bones are coral made / Those are pearls that were his eyes". Não tem a sabedoria encapsulada da fala de Hamlet, mas para mim é assombrosa a combinação num trecho tão breve de virtuosismo (nas aliterações do primeiro verso), imaginação poética (corais no lugar de ossos, pérolas no lugar de olhos) e senso musical para evocar, afinal, um sentimento humano - o mistério da morte, a passagem do tempo.

    Enfim, o conselho de Ron Rosenbaum - aos textos - é bom, mas, como estou longe de ser especialista, não me atrevo a recomendar traduções de Shakespeare em português além das referências óbvias: Barbara Heliodora e Millôr Fernandes. Os mais bem informados estão obviamente convidados a colaborar. Texto de Miguel Conde, do Jornal o globo
     
  2. Liv

    Liv Visitante

    444 anos? Nossa, tudo isso? Parece que foi ontem que ele estava escrevendo "Romeu e Julieta". Oh, céus... estou velha! =~
     
  3. Fernando Giacon

    Fernando Giacon [[[ ÚLTIMO CAPÍTULO ]]]

    444 anos de muito sucesso eu diria! De muitas frases lendárias...Shakespeare veio pra ficar na memória...imortalizado, principalmente por Romeu e Julieta! Quem há de esquecer?...:lendo:
     
  4. Pips

    Pips Old School.

    Aliás, ontem eu vi para vender aquele filme com o Leonardo diCaprio e Claire Daines. Adoro aquele filme, sinceramente.

    E essas tantas frases que às vezes soltamos e pensamos: uau, citei Shakespeare.
     
  5. Bilbo Bolseiro

    Bilbo Bolseiro Bread and butter

    Shakespeare é demais mesmo, também adoro, um de meus autores favoritos ;)
     
  6. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    Ontem vi o balé Romeu e Julieta no teatro! Lindo!!!
     
  7. Jorge Leberg

    Jorge Leberg Palavras valem por mil imagens

    O Shakespeare é um dos meus autores prediletos. Suas peças teatrais são as melhores de todos os tempos, figurando entre as mais densas e monumentais obras-primas da literatura mundial, além de ser atemporais e universais. O Shake criou alguns dos personagens mais complexos e contraditórios da literatura, extremamente humanos, repletos de qualidades e defeitos, certezas e dúvidas, paixões e angústias - aliás, ele retratava intensamente a sobreposição das paixões sobre a razão. Hamlet, seu mais complexo e debatido personagem, é um personagem de amplitude psicológica ímpar, suscitando acalorados e eternos debates acerca da sua loucura (realmente simulada ou autêntica?), dos seus limites heróicos (o que o tornam simplesmente e multiplamente homem), etc.

    Existem várias citações famosas do Shakespeare, bastante presentes em outras obras literárias, como nas do próprio Machadinho, como foi mencionado acima. Algumas até caíram na boca do povo - se bem que em formas "popularescas". Aliás, a frase mais abrangente da literatura universal talvez seja "Ser ou não ser: eis a questão", um período que abarca, por si só, todas as contradições e incertezas humanas.
     
  8. Hérmia

    Hérmia Usuário

    Sabem o que me chama atenção nos personagens criados por Shakespeare... o fato de terem um alto poder de persuasão.William Shakespeare produziu uma teoria sobre a persuasão que cientista nenhum desvendou, basta ler com atenção devida.

    Iago, com argumentos e artimanhas, convenceu Otelo de que sua esposa, Desdêmona, era infiel. Lady Macbeth persuadiu Lorde Macbeth a matar o rei para tomar-lhe o trono. Próspero, dominou espíritos para que o ajudassem em sua vingança. Cássio convenceu Bruto a matar Júlio César. O fantasma do rei da Dinamarca convenceu Hamlet, o filho, a vingar sua morte. Romeu seduziu Julieta e foi seduzido por ela, a ponto de se suicidarem ambos. Petrucchio domou a megera Catarina, transformando-a em mulher dócil e submissa. Em todas essas obras, há uma idéia recorrente: a comunicação persuasiva, para ser eficiente, pressupõe um fator: as fraquezas humanas. As pessoas são mais facilmente persuadidas quando se apela para o egoísmo, ambições, invejas, ciúmes, paixões, dores, arrependimentos.

    Esse foi um dos legados que William Shakespeare nos deixou, há quatrocentos anos. Entender o ser humano em suas fraquezas, suas forças, suas felicidades, seus gozos e angústias. Mas não se trata apenas de entender o outro, a nós mesmos também. Somos todos guerreiros, às vezes, políticos, no sentido grego, constantemente. Também somos incapazes. Romeu não conseguiu ser bem sucedido com Julieta, não lhe deram tempo nem oportunidade. Macbeth não pode obter as vantagens do trono, sanguinariamente conquistado.

    Quanto ao ser humano, Shakespeare nos ensina algo importante, senão fundamental: o homem não é bom ou mau, apenas homem. Eu o admiro muito....
     
  9. Jorge Leberg

    Jorge Leberg Palavras valem por mil imagens

    Gislene, essa sua observação acerca da natureza persuasiva do ser humano, utilizando-se das fraquezas e mesquinharias alheias, para alcançar os seus objetivos - nobres ou não -, desvela o seu caráter perscrutador e altamente crítico. Parabéns!
     
  10. Hérmia

    Hérmia Usuário

    ;) Muito obrigada, Jorge.....Shakespeare realmente me encanta...e eu consigo ver além do romantismo de Romeu e Julieta....
     
  11. Jorge Leberg

    Jorge Leberg Palavras valem por mil imagens

    Então, temos muito em comum!;)
     
  12. Hérmia

    Hérmia Usuário

    Que seja esta, uma entre muitas afinidades, Jorge!!!!!!!!!!
     
  13. Jorge Leberg

    Jorge Leberg Palavras valem por mil imagens

    Mais Shakespeare: este é um pequeno debate que iniciei em outro fórum, o
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    (continuação). O meu nome de usuário é o mesmo, Jorge Leberg.
     
  14. imported_Amélie

    imported_Amélie Usuário

    Eu não entendo nada dessa história de Valinor! Ok, é um outro fórum que fala de Tolkien, mas o que Shakespeare tem a ver com o causo???

    Enfim... Voltando ao Shakespeare, heheheh estou lendo "Sonhos de uma Noite de Verão", está bem legal! Pena que eu começo o livro e paro... pego outro... daí fico com dezenas de meias leituras :P
     
  15. Jorge Leberg

    Jorge Leberg Palavras valem por mil imagens

    Com esperanças de reacender esse tópico, postarei algumas observações e análises despretensiosas acerca de Shakespeare - sobretudo da sua principal obra, Hamlet - que escrevi em outro fórum há algum tempo:

     
  16. Kainof

    Kainof Sr. Raposo

    Eu nem gosto de Shakespeare.

    Eu li uma tradução bilingüe muito boa publicada pela editora da minha universidade. Com boas notas explicativas e de rodapé e referências a alguns dos principais comentadores do bardo.

    Link para o livro aqui: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3129446&sid=0188164271066654093890425&k5=23B6CE40&uid=
     

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