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Primeiro capitulo do meu livro

Tópico em 'Clube dos Bardos' iniciado por abylos, 18 Jul 2012.

  1. abylos

    abylos Usuário Usuário Premium

    Pessoal, estou escrevendo um livro e gostaria de saber a opinião de vocês sobre o primeiro trecho que escrevi, assim vou aprimorando até o final :)

    Capitulo um: Um dia após o outro

    Era uma noite escura em São Paulo. Mas uma bela noite, já que o tom de cinza hoje era mais claro que de costume. Ou de costume para o ano de 2210. Era um tom pálido de cinza que lembrava nuvens de chuva… pra alguém que tivesse vivido o suficiente para ver o céu claro. Agora, era sempre assim, como se a cidade estivesse o tempo todo coberta por uma tempestade. Mas havia uma ou duas estrelas visíveis esta noite, para alegria dos cidadãos. Já para o Sentinela, o cinza escuro não trazia alegria alguma e nem poderia, já que ele lembrava como todo mundo costumava ver muitas estrelas toda noite e a lua brilhando forte, uma esfera prateada num céu realmente negro cheio de pontos brilhantes que completavam perfeitamente a paisagem. Mas a ultima vez que uma pessoa podia ver completamente o brilho da lua, ao menos a olho nu, havia sido sessenta anos atrás.

    O sentinela levantou sua cabeça e contemplou o céu, não com tristeza, mas com saudades. Pois ele não estava olhando para as nuvens negras de poluição, mas muito além, seus olhos auxiliados pelo micro-telescópio que ele tem na sua reluzente armadura preta. Ele estava em cima do topo de um prédio de 200 andares, onde não seria incomodado por um tempo, e la ele parou alguns minutos para olhar as estrelas e a lua através das nuvens de poeira. “Um dia…” Pensou ele. “Um dia, eu vou atravessar essas malditas nuvens e verei vocês todas novamente, minhas velhas amigas… face a face”.

    Enquanto ele estava perdido nesses pensamentos, um bipe dentro de seu capacete (também preto, cobrindo toda a cabeça, com pequenas lâmpadas retangulares como olhos) lhe disse que havia trabalho a fazer. Com um ultimo olhar e um suspiro, ele trouxe o foco da visão de volta para o normal e em um movimento fluido e elegante, mergulhou no ar, as mãos do lado do corpo, a principio caindo, janela por janela passando como um borrão. Ele iniciou a contagem regressiva mental “três, dois, um”. Com um simples pensamento seu, os propulsores nos pés da armadura ligaram e, ao mesmo tempo, ele abriu seus braços, revelando uma capa preta semelhante a uma asa de morcego. A mudança foi instantânea. A descida se transformou em um vôo plano conforme as asas criaram estabilidade e os motores o impulsionavam para frente ao invés de para baixo. Em poucos segundos, ele estava nivelado na altura do terceiro andar, voando pelas ruas da cidade. No interior, a armadura informava a ele para qual rua deveria seguir; assim logo ele virou para a direita, esquerda e assim por diante, até que viu. Um caminhão grande parado ao lado de um prédio de tamanho médio, provavelmente um laboratório. “Informações do veiculo” disse o sentinela dentro da armadura. Num instante a informação pedida apareceu numa pequena tela em frente aos seus olhos, linha após linha. Matéria prima: Lithaniun, tamanho: 3m x 12 m x 2,5 m, vazio ainda, exceto pelo banco do motorista. Modelo: Shiatsu XY30o. “Desenho do modelo“ ele disse e logo encontrou o melhor local para atirar com o laser, que iria desabilitar o veiculo. A esta altura, ele estava a 120 metros deles, e foi fácil mirar e disparar no local correto.

    O motorista mal notou sua presença e o laser atingiu o lado do veiculo, atravessou as paredes, o chão abaixo da cabine, onde o chip principal fica. O barulho que ele estava fazendo então parou e o caminhão estava inutilizado. Mas isso estava longe de ser o fim. Ainda tinha que lidar com os ladrões. Contando com o motorista, eles eram quatro. Porém, devia cuidar do motorista primeiro, antes que pudesse avisar os outros da chegada do sentinela. Sem desacelerar depois de inutilizar o caminhão, ele se aproximou pelo lado esquerdo e achou o motorista ainda tentando ligar o motor de novo. “Amador”, pensou ele, e disparou uma arma atordoante bem na cabeça, enquanto olhava no monitor dentro da armadura os movimentos dos outros três. Eles não mudaram o passo, então não devem ter sido avisados da sua presença. “Melhor assim. Quanto menos resistirem, mais seguro pra eles”.

    Ele então se dirigiu ao laboratório, um prédio branco de 13 andares, tendo o primeiro o dobro da altura dos outros, com uma grande porta no meio. Escrito acima da porta em letras grandes e vermelhas, estava “Centro de pesquisa Bayern-Novartis”. “Então, estamos lidando com alquimistas…” Ele pensou e ai riu de si mesmo, dizendo “Olha só, eu usando esses apelidos estúpidos que as pessoas dão aos criminosos hoje em dia. Como se esses caras chegassem perto de saber algo de química. Bom, vamos acabar com isso”, enquanto entrava no prédio, com o atordoante engatilhado e pronto.

    Havia um grande hall de entrada com um balcão de recepção (muito incomum num laboratório, já que eles geralmente não recebem visitas), mas estava vazio. O teto do hall era um domo cheio de ligações químicas, as mais simples, desenhadas. Uma visão de certa forma interessante. O sentinela foi em direção à porta à direita da recepção (sua esquerda) e entrou, já ciente de onde iria encontrar os ladrões. Ele então acelerou o passo, desejando chegar nas áreas restritas antes que eles tivessem tempo de pegar alguma substancia perigosa, mas sem ousar usar os motores, pois eles não só iriam alertá-los da sua presença como poderiam incendiar algo no caminho. Seus sensores mostraram que eles estavam 40 metros abaixo da superfície (claro, tinham que estar no subsolo), em uma câmara com o dobro do tamanho do hall. Essa câmara parecia estar cheia de experiências e eles estavam quase abrindo um dos cofres na parede.

    O sentinela começou a correr, chegando logo ao elevador, mas não entrou nele. Ia demorar muito. Ao invés disso, ele hackeou o sistema do elevador pelo sistema da armadura e o subiu para um andar acima de onde estava. ai pulou no tubo do elevador, abrindo os braços o maximo possível, o que desacelerou sua queda, mas não a parou. Ele puxou suas pernas pra cima, preparando e, quando chegou no andar certo, usou os motores por um segundo para atira-lo no andar rolando o corpo pra absorver o impacto. Ele terminou de rolar na hora certa, já se pondo de pé olhando para frente, mas não aconteceu nada e os ladrões continuaram o trabalho no mesmo ritmo. Então a corrida recomeçou para atingir a câmara no centro do subsolo. Diminuindo no ultimo corredor, ele reduziu o passo enquanto analisava a posição dos ladrões.

    Havia um ao lado esquerdo da porta, inconsciente (por algum mecanismo de defesa, provavelmente) no chão, outro no lado oposto à porta da câmara, um pouco para a esquerda e o ultimo agachado no chão, aparentemente procurando algum tipo de alçapão. “Eles nem sabem o que estão procurando, os idiotas!” pensou o sentinela enquanto andava em direção à câmara encostado na parede esquerda, para evitar ser visto pelo cara do outro lado da câmara. Mas a posição dos ladrões era a menor das suas preocupações. Parado no meio do corredor, ele esperou a armadura completar a analise de cada substancia química dentro da câmara e, somente após ter certeza de que nenhuma iria reagir ao raio atordoante, ele prosseguiu.

    “Bem que eu podia ser um pouco teatral, né?” pensou ele. “Afinal, eles são tão inofensivos, seria divertido invadir o local e dizer algum jargão heróico antes de derrubá-los... mas não. Não posso correr nenhum risco com todos esses compostos químicos la e três grandes idiotas que nem de longe fazem idéia do perigo de ao menos uma das substancias la dentro. Não, eu preciso fazer isto da forma mais delicada possível. La se vai a diversão.” E ele abriu um compartimento secreto no braço esquerdo, onde estavam os controle mais detalhados do raio atordoante. Depois de escolher o ponto primário de impacto, montante de dispersão e energia, e em quantos feixes o raio deveria se dividir, ele apontou a arma para frente e atirou. Houve um alto NHOM, dois TUMS no chão, e pronto.

    Ele entrou com cuidado na câmara e, de olho nos ladrões atordoados no chão para ver se faziam algum movimento, voltou a fechar o cofre que eles quase abriram completamente, deu uma olhada em volta e, depois de confirmar que nenhum outro cofre havia sido violado, levantou os três ladrões com um campo de força e os trouxe de volta para cima, desta vez usando os motores para subir o tubo do elevador. Ainda não havia ninguém na parte de fora do laboratório, então ele colocou os ladrões, incluindo o motorista, no baú do caminhão, e se conectou ao sistema do veiculo para lacrar o baú, mantendo os ladrões presos até a chegada da policia. Depois disto, ele colocou um recém copiado vídeo das câmeras de segurança do laboratório mostrando eles entrando e tentando abrir o cofre no banco da frente e foi de novo para o céu para sobrevoar a cidade em busca de algum sinal de problema.

    Desde ja agradeço /o/
     
  2. gmourao

    gmourao Usuário

    Achei estranho começar com essa frase, "era uma noite escura", porque, bem, as noites são escuras. Depois você fala que o tom de cinza (do céu, presumo) estava claro. Sei lá.

    Avaliar ficção científica assim pelo primeiro capítulo é osso, porque o primeiro capítulo de histórias assim são sempre meio derp, com todas as explicações sobre tudo. Talvez você queira ler William Gibson? Sei lá.
     
  3. Liev Pyta

    Liev Pyta Usuário

    Gostei da sua escrita e da maneira detalhada que descreveu os ambientes, equipamentos e ações. No entanto, não é o tipo de livro que gosto, porque me parece quase que uma história em quadrinhos adaptada ao formato de texto literário.

    Tive a leve sensação de que o “sentinela” agia quase como um herói (uma espécie de Batman do futuro) e achei pouco crível o governo ou seja lá a instituição que ele representa, bancar equipamentos tão especiais para um sujeito agir de maneira solitária e, portanto, tão arriscada. Mesmo com toda essa tecnologia, nessa etapa do futuro, acho muito pouco provável que em qualquer força especial soldados abordem criminosos sem o auxílio de uma equipe de cobertura.

    Não vejo problema nenhum, caso o livro tenha como público-alvo jovens e/ou adultos que buscam um padrão literário mais próximo a uma história de quadrinhos ou mesmo parecida a uma boa produção hollywoodiana (com muita ação e cenas impactantes), mas se seu objetivo é tentar apresentar uma obra de ficção científica com características únicas do gênero literário, acho que você deve mudar sua abordagem.
     
  4. abylos

    abylos Usuário Usuário Premium

    Não foi minha intenção, mas percebi que ficou assim... Pensei até em fazer um quadrinho ao invés de livro, mas desenho muito mal pra isso :P

    É que o sentinela não é do governo, ele age sozinho... Logo em seguida isso é explicado no livro. Ele é um cara que desenvolveu a própria tecnologia ao longo do tempo. A principio não dou explicações sobre como ele vive tanto tempo, mas a idéia é que ele( e outros) foi atingido por uma radiação de fora da terra que mudou o seu corpo...

    Não entendi o que seriam características únicas do gênero literário... Pode explicar melhor?
     
  5. Liev Pyta

    Liev Pyta Usuário

    Realmente, acho que o estilo de sua obra combina bastante com HQ. Talvez adaptá-la para um roteiro fosse mais interessante do que em formato de livro.

    Sobre o que eu chamei de características únicas do gênero literário, é difícil de classificar, mas basicamente seria o particular que cada tipo de representação artística pode apresentar.

    Como costumo citar como exemplo, veja a diferença de “Laranja Mecânica” do Burgess com a versão cinematográfica do Kubrick. Enquanto a primeira é brilhante porque explora toda a questão da linguagem e se aproveita do estranhamento que o leitor sente ao se deparar com aquele idioma inventado narrado em primeira pessoa, a versão cinematográfica se aproveita de toda uma cenografia diferenciada (lutas estilizadas ritmadas por uma trilha sonora) e um estilo artístico tipicamente kubrickiano.

    Um filme feito por outro diretor que tivesse tentado respeitar mais a obra de Burgess (transpô-la sem grandes diferenças) teria ficado pior, como também seria caso o livro que tentasse se basear no filme do Kubrick. No final as duas obras são excepcionais porque cada uma se aproveita muito bem da linguagem específica de seu tipo de mídia. Há uma diferença muito grande na “linguagem” usada na obra de Arthur Clarke e a representação da mesma história (2001) na versão cinematográfica.

    Em resumo, mesmo sua história sendo interessante, me senti como se estivesse vendo uma tentativa de narrar uma história com cara de outra mídia. É provável que esse sentimento seja algo bem particular e que não represente o que a maioria acha, mas considerando aquilo que considero essencial para literatura (um tipo de linguagem único) sua história parece mais adaptada a outro tipo de mídia que não é melhor, nem pior, mas é outra coisa.

    Seria interessante que mais pessoas opinissem sobre esse ponto, porque há a possibilidade de ser só uma opinião muito particular.
     

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