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Poesia: Foi o verso livre um delirio, um excesso modernista?

Molly Bloom

Usuário
Obrigado por participar da discussãozinha :)

Antes de escrever o topico, ou digamos no momento de sua concepção, eu pensei em fazer alguns parallelos entre os poetas de quem o Steele falla com os poetas e movimentos lusophonos, e tambem com a historia da musica erudicta, thema cujo necessario para commentar eu domino e que poderia render materia.

Da gangorra que tu diz, não discordo. Na verdade, essa é uma impressão obvia, sem desmerecel-a, claro - como uma roda do tempo. No entanto, ao menos pelo que paresce de tua falla, ja que não sei de facto o que tu quis dizer com "requisitam", os romanticos não practicaram outra poesia senão a metrificada e metrificadissima. O que fizeram, claro, no plano formal, digamos assim, foi variar as formas (ou criar novas) e trazer metricas pouco usadas (como as ternarias que o Gonçalves Dias usa em Y-Juca-Pyrama). Aliaz, não ha quem queira estudar a practica da boa metrica que não lhe recorra; refiro-me ao Gonçalves Dias, que sem duvida mestrou o rhythmo de seus poemas. Mesmo os romanticos loucos da segunda geração não abandonaram o metro, como Fagundes Varella, que inclusive escreveu um longo poema (não se podemos chamar de epopéa pelo seu tom, mas é tipo uma), "Anchieta ou O Evangelho nas Selvas". Assim tambem foi o romantismo ingles, com o ja citado Wordsworth, mas tambem o Lord Byron, John Keats e o P. B. Shelley.
A tua metaphora de gangorra serve quando fallamos em especial de um tipo de dicção e um tipo de referencial mimetico, digamos assim, que imita. Explico: os arcades se revoltaram contra as aberrações idiomaticas do renascentismo (como o gongorismo e outros que eu não vou lembrar), em defesa de um discurso mais claro (objetividade), simples (inutilia truncat), de uma sentimentalidade moderada tipica do classicismo, inspirado nas artes antigas. O romantismo ja defendia uma postura mais individualista, um idioma não só claro como commum, e a liberdade de poder se inspirar em quem o poeta quisesse. Contra os excessos deste romantismo, vieram os parnasianos com uma atualização do discurso classicista. Nenhum delles jamais abandonou a metrica.




É relativo essa emergencia de qualquer forma de litteratura. A que isso se refere? E veja que isso tambem pode servir de desculpa perfeita para a má litteratura. Seja o que for, a idéa de que hoje não existe uma "cartilha esthetica" a se seguir é meio enganosa (até porque o seculo XX foi a era das vanguardas e dos ideologismos esthetiscistas). A forma como estudamos e fallamos sobre os movimentos da historia são em grande parte abstratas. Os Parnasianos em these deveriam ser frios, objectivos e requitadamente classicos, e não compor, como Bilac fez, um sonnetto sobre sexo oral. Os mais diversos experimentos foram feitos no decorrer desses tempos, desde o Byron invocando a tediosa musa (Hail, Muse! et cetera), ao Keats, que era romantico, escrevendo Ode a uma Urna Grega. Não conto nem as satiras. Outro poncto tambem, que se pode levantar, é que essa possibilidade de emergencia de qualquer forma de litteratura seja justo da eterna revolução que o Eliot critica. Se isso significa, por outro lado, maior liberdade de imitação, como o Erico Nogueira diz, estou de accordo.




Não sei; eu nunca achei o Mario essas coisas. Perto do respeito que tenho pelo Pound e pelo Eliot, no Brazil, só tem o Bandeira, porque esses caras sabiam o que estavam fazendo; não eram franceses que só queriam ver a queda da Bastilha por ver mesmo. Escrever como quiser tambem me lembra a decepção do Eliot. De qualquer modo, o maior principio que os modernismos, creo eu, emprehenderam foi o da adequação da falla poetica à falla commum. Os anglophonos comprehendiam a necessidade de abolir a metrica associada à dicção antiga, para que então emergisse um novo systema metrico. Ja os tupiniquins, paresce que queriam anarchismo mesmo hahaha.

Não sou expert no assunto, mas me interesso. Você saberia me dizer por que, então, nos livros mais didáticos se diz que o Romantismo tinha como característica o abandono do metro clássico e a adoção do verso livre? Isso não diz respeito ao Brasil?

Concordo com a questão da gangorra como você a expôs. Afinal, nem tudo é isso. Tem algo dialético nisso tudo. Não é exatamente uma retomada. Apenas simplifiquei.

Não disse que estou de acordo com o Mário de Andrade. Aliás, abomino a sua ideia apocalíptica. Dos movimentos que virão, ninguém sabe. Mas é certo, pelo que vemos, que eles mudam.
 
Não sou expert no assunto, mas me interesso. Você saberia me dizer por que, então, nos livros mais didáticos se diz que o Romantismo tinha como característica o abandono do metro clássico e a adoção do verso livre? Isso não diz respeito ao Brasil?

Nunca vi um livro que dissesse isso.... Hmmmm! O verso livre, na verdade, surgiu de facto no final do seculo XIX, e os romanticos são do final do seculo XVIII. Poetas romanticos brazileiros como Castro Alves, Alvares de Azevedo e Sousandrade (que escreveu uma epopéa, chamada O Guesa) nunca abandonaram a metrica; no maximo "evitavam" as formas fixas como o sonnetto (evitavam, entre aspas, porque compuseram sonnettos sim, como tu pode conferir neste link um monte delles por Gonçalves Dias), ou compunham sem rhymas (mas com metrica: os chamados "versos brancos", como faziam os gregos e latinos).


Concordo com a questão da gangorra como você a expôs. Afinal, nem tudo é isso. Tem algo dialético nisso tudo. Não é exatamente uma retomada. Apenas simplifiquei.

Yea! Só não podemos cair num tipo de determinismo, ja que tu citou o terrivel "dialectico" haha! A mim parece que os movimentos estheticos existem porque as instituições da sociedade (costumes, habitos, lingua, cultura em geral) são naturalmente mutaveis, enquanto os principios artisticos são mais rigidos. Essa rigidez impede a arte de se adequar a seu tempo, e é contra ella que os movimentos nascem. Não acredito haver uma linha de progresso continuo, ou que a arte seja equivalente à sciencia (como acreditavam os modernistas, diga-se), isto é: que é necessario experimentos, revoluções e descobertas a todo momento; que podemos jogar o passado fora, como quem despreza o geocentrismo pelo heliocentrismo, a alquimia pela chymica, a astrologia pela astronomia, etc. O passado importa para a arte como tradicção e referencial de imitação, como de Homero tivemos Virgilio, e de Virgilio, Dante. O Eliot e o Pound bem disso sabiam. Noto a mesma comprehenção no Bandeira, aqui no Brazil. Recomendo este video do Erico Nogueira.

Não disse que estou de acordo com o Mário de Andrade. Aliás, abomino a sua ideia apocalíptica. Dos movimentos que virão, ninguém sabe. Mas é certo, pelo que vemos, que eles mudam.
Não sei. Hoje a poesia é em quase totalidade escripta em verso livre, seguindo a tradicção deixada pelos modernistas. Mas ha quem diga que o folego desta maneira de composição, por ter se tornado mainstream, vem se acabando. Ainda que a metrica e as formas fixas como o sonnetto sejam retomados por auctores como Paulo Henrique Britto, Glauco Mattoso (que, diga-se, é talvez o escriptor com mais sonnettos na historia: 5.555 sonnettos em dez anos) e Alexei Bueno, e la fora com o New Formalism, não sei dizer se é adequado, ou se não é, digamos, reaccionario haha.
Os maiores problemas da poesia hoje, na minha opinião, seja lá como é escripto, é a excessiva introspecção e o principio do fallar commum levado ao extremo. Para citar auctores poetas brazileiros, (cito mesmo), ambas a Alice Sant'anna e a Bruna Bebber me parecem sofre deste mal. Claro, é minha opinião. Criou-se uma moda, não sei como, entre os versilibristas mais contemporaneos, de que o poema deve beirar o nonsense, a falla deve ser desfigurada, e de que são prohibidas as letras maiusculas (este ultimo é engraçado; quase toda poesia saida do forno que pego segue essa regrinha; nem no titulo ha alguma. Por quê?).
Mas me limito a um commentario. Quanto a este "extremo fallar commum", é provavel que alguem diga o ser uma simples continuação do que os modernistas ja vinha fazendo: simplificar o discurso para que pudesse ser entendido pelos homens communs. O problema é que, hoje, o discurso poetico é tão "simplificado" que ja não se entende nada delle; o principio da clareza era o Sumo Bem, a finalidade, da simplificação; hoje a simplificação se sobrepõe à clareza.
 
Última edição:

Molly Bloom

Usuário
Nunca vi um livro que dissesse isso.... Hmmmm! O verso livre, na verdade, surgiu de facto no final do seculo XIX, e os romanticos são do final do seculo XVIII. Poetas romanticos brazileiros como Castro Alves, Alvares de Azevedo e Sousandrade (que escreveu uma epopéa, chamada O Guesa) nunca abandonaram a metrica; no maximo "evitavam" as formas fixas como o sonnetto (evitavam, entre aspas, porque compuseram sonnettos sim, como tu pode conferir neste link um monte delles por Gonçalves Dias), ou compunham sem rhymas (mas com metrica: os chamados "versos brancos", como faziam os gregos e latinos).




Yea! Só não podemos cair num tipo de determinismo, ja que tu citou o terrivel "dialectico" haha! A mim parece que os movimentos estheticos existem porque as instituições da sociedade (costumes, habitos, lingua, cultura em geral) são naturalmente mutaveis, enquanto os principios artisticos são mais rigidos. Essa rigidez impede a arte de se adequar a seu tempo, e é contra ella que os movimentos nascem. Não acredito haver uma linha de progresso continuo, ou que a arte seja equivalente à sciencia (como acreditavam os modernistas, diga-se), isto é: que é necessario experimentos, revoluções e descobertas a todo momento; que podemos jogar o passado fora, como quem despreza o geocentrismo pelo heliocentrismo, a alquimia pela chymica, a astrologia pela astronomia, etc. O passado importa para a arte como tradicção e referencial de imitação, como de Homero tivemos Virgilio, e de Virgilio, Dante. O Eliot e o Pound bem disso sabiam. Noto a mesma comprehenção no Bandeira, aqui no Brazil. Recomendo este video do Erico Nogueira.


Não sei. Hoje a poesia é em quase totalidade escripta em verso livre, seguindo a tradicção deixada pelos modernistas. Mas ha quem diga que o folego desta maneira de composição, por ter se tornado mainstream, vem se acabando. Ainda que a metrica e as formas fixas como o sonnetto sejam retomados por auctores como Paulo Henrique Britto, Glauco Mattoso (que, diga-se, é talvez o escriptor com mais sonnettos na historia: 5.555 sonnettos em dez anos) e Alexei Bueno, e la fora com o New Formalism, não sei dizer se é adequado, ou se não é, digamos, reaccionario haha.
Os maiores problemas da poesia hoje, na minha opinião, seja lá como é escripto, é a excessiva introspecção e o principio do fallar commum levado ao extremo. Para citar auctores poetas brazileiros, (cito mesmo), ambas a Alice Sant'anna e a Bruna Bebber me parecem sofre deste mal. Claro, é minha opinião. Criou-se uma moda, não sei como, entre os versilibristas mais contemporaneos, de que o poema deve beirar o nonsense, a falla deve ser desfigurada, e de que são prohibidas as letras maiusculas (este ultimo é engraçado; quase toda poesia saida do forno que pego segue essa regrinha; nem no titulo ha alguma. Por quê?).
Mas me limito a um commentario. Quanto a este "extremo fallar commum", é provavel que alguem diga o ser uma simples continuação do que os modernistas ja vinha fazendo: simplificar o discurso para que pudesse ser entendido pelos homens communs. O problema é que, hoje, o discurso poetico é tão "simplificado" que ja não se entende nada delle; o principio da clareza era o Sumo Bem, a finalidade, da simplificação; hoje a simplificação se sobrepõe à clareza.

Talvez seja uma confusão entre verso livre e verso branco, então. Não sei dizer, mas já vi sim a referência.

30% marxista em tempos democráticos. Mas falando sério: li um tempo atrás um texto do Agamben que diz o seguinte:
"O poeta - o contemporâneo - deve manter fixo
o olhar no seu tempo. Mas o que vê quem vê o seu
tempo, o sorriso demente do seu século? Neste ponto
gostaria de lhes propor urna segunda definição da
contemporaneidade: contemporâneo é aquele que
mantém fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber
não as luzes, mas o escuro. Todos os tempos são,
para quem deles experimenta contemporaneidade,
obscuros. Contemporâneo é, justamente, aquele que
sabe ver essa obscuridade, que é capaz de escrever
mergulhando a pena nas trevas do presente. [...]"

Esses dias li uma crítica na Folha (que até rendeu alguma discussão), em que se criticava certo hermetismo na poesia contemporânea, o que fazia com que ela ficasse nebulosa demais e praticamente ininteligível. Mas não conheço muito, como já mencionei, o que posso dizer é que gostei muito deste poema aqui, que conheci recentemente: http://rascunho.com.br/sitio-de-claudia-roquette-pinto/
 
Talvez seja uma confusão entre verso livre e verso branco, então. Não sei dizer, mas já vi sim a referência.

30% marxista em tempos democráticos. Mas falando sério: li um tempo atrás um texto do Agamben que diz o seguinte:
"O poeta - o contemporâneo - deve manter fixo
o olhar no seu tempo. Mas o que vê quem vê o seu
tempo, o sorriso demente do seu século? Neste ponto
gostaria de lhes propor urna segunda definição da
contemporaneidade: contemporâneo é aquele que
mantém fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber
não as luzes, mas o escuro. Todos os tempos são,
para quem deles experimenta contemporaneidade,
obscuros. Contemporâneo é, justamente, aquele que
sabe ver essa obscuridade, que é capaz de escrever
mergulhando a pena nas trevas do presente. [...]"

Esses dias li uma crítica na Folha (que até rendeu alguma discussão), em que se criticava certo hermetismo na poesia contemporânea, o que fazia com que ela ficasse nebulosa demais e praticamente ininteligível. Mas não conheço muito, como já mencionei, o que posso dizer é que gostei muito deste poema aqui, que conheci recentemente: http://rascunho.com.br/sitio-de-claudia-roquette-pinto/

Acredito que seja; é commum confundir os dois, haha! Mas é bom dizer que, desde muito antes do romantismo, o verso branco era practicado. Milton, por exemplo, escreveu Paraiso Perdido em iambos hexametros (equivalente ao nosso decassyllabo) brancos, porque tinha por referencia os epicos da antiguidade, e porque considerava a rhyma o filho de uma era barbara, que foi a idade media.

Fallando em marxismo, não sei a fundo o peso da influencia do Carlinhos no modernismo; o Pound era um fascista, então não! Mas no Brazil, sei que ha alguma coisa sim. Na historia da musica, havia um grupo vanguardista que advogada pela abolição completa da tonalidade (que, digamos, é o que faz a musica soar bem haha), porque tonalidade era coisa de burgues, etc.

Confesso ser o atonalismo interessante, mas houve excessos. Concordo com os que dizem ser a harmonia tradicional (tonal e funcional), do periodo classico e romantico, meio chata; mas ha melhores modos de contornar isso, conferir frescor à arte sem destruil-a. Os impressionistas e primeiros modernistas fizeram bem isso; sabiam equilibrar as coisas, com o bom uso da harmonia modal e não-funcional. Mas acabou se bifurcando nos neoclassicos e nos radicalmente atonais. Um ou outro, a semelhança da tonalidade com a metrica ja vi sendo aponctada; ambas as artes tambem experienciaram a desilusão de sua propria esterilidade, e viram nascer movimentos contrareos a seus excessos: o minimalismo na musica, e o New Formalism na poesia.

(Um exemplo de musica minimalista:
)

Sim! É certo, no entanto, que esse New Formalism nem chegou no Brazil. Alguns auctores como Bruno Tolentino rejeitaram o modernismo, e outros outrora modernistas começaram a tomar uma direcção differente, como o Drummond compondo sonnettos. Mas não sei. Não sei! Não que eu não goste do modernismo, mas questional-o me faz pensar se não é apropriado chamal-o de fracasso, ou mesmo se é só o desgaste pelo qual todos os movimentos passam no fim de sua vida. A differença é que a experimentação louca ainda paresce viva (e para frasear o Eliot) compondo as mesmas coisas, não mais de 20, mas de quase 100 anos atras. O pior é que isso agora é mainstream, estão nas melhores editoras haha!

Quanto ao hermetismo. Veja! É ironico, porque, muitas vezes, parece-me que hoje em dia o termo serve pra esconder nonsenses. É differente tu ler um Mallarmé, que é hermetico, mas diz alguma coisa no fim das contas.

Outro defeicto, na minha opinião, que tambem vejo por ahi, é o excesso de ideologismo na poesia. Creo isto ter começado com a poesia confessional. Não vejo problema com expor ideais politicos ou sugeri-los numa obra de arte, mas subjugar à propria arte a elles, digo: usar a arte como mero meio para panfletagem barata..., não sei se me sinto bem lendo isso. Parece-me faltar aquella sinceridade artistica.
 

Molly Bloom

Usuário
Acredito que seja; é commum confundir os dois, haha! Mas é bom dizer que, desde muito antes do romantismo, o verso branco era practicado. Milton, por exemplo, escreveu Paraiso Perdido em iambos hexametros (equivalente ao nosso decassyllabo) brancos, porque tinha por referencia os epicos da antiguidade, e porque considerava a rhyma o filho de uma era barbara, que foi a idade media.

Fallando em marxismo, não sei a fundo o peso da influencia do Carlinhos no modernismo; o Pound era um fascista, então não! Mas no Brazil, sei que ha alguma coisa sim. Na historia da musica, havia um grupo vanguardista que advogada pela abolição completa da tonalidade (que, digamos, é o que faz a musica soar bem haha), porque tonalidade era coisa de burgues, etc.

Confesso ser o atonalismo interessante, mas houve excessos. Concordo com os que dizem ser a harmonia tradicional (tonal e funcional), do periodo classico e romantico, meio chata; mas ha melhores modos de contornar isso, conferir frescor à arte sem destruil-a. Os impressionistas e primeiros modernistas fizeram bem isso; sabiam equilibrar as coisas, com o bom uso da harmonia modal e não-funcional. Mas acabou se bifurcando nos neoclassicos e nos radicalmente atonais. Um ou outro, a semelhança da tonalidade com a metrica ja vi sendo aponctada; ambas as artes tambem experienciaram a desilusão de sua propria esterilidade, e viram nascer movimentos contrareos a seus excessos: o minimalismo na musica, e o New Formalism na poesia.

(Um exemplo de musica minimalista:
)

Sim! É certo, no entanto, que esse New Formalism nem chegou no Brazil. Alguns auctores como Bruno Tolentino rejeitaram o modernismo, e outros outrora modernistas começaram a tomar uma direcção differente, como o Drummond compondo sonnettos. Mas não sei. Não sei! Não que eu não goste do modernismo, mas questional-o me faz pensar se não é apropriado chamal-o de fracasso, ou mesmo se é só o desgaste pelo qual todos os movimentos passam no fim de sua vida. A differença é que a experimentação louca ainda paresce viva (e para frasear o Eliot) compondo as mesmas coisas, não mais de 20, mas de quase 100 anos atras. O pior é que isso agora é mainstream, estão nas melhores editoras haha!

Quanto ao hermetismo. Veja! É ironico, porque, muitas vezes, parece-me que hoje em dia o termo serve pra esconder nonsenses. É differente tu ler um Mallarmé, que é hermetico, mas diz alguma coisa no fim das contas.

Outro defeicto, na minha opinião, que tambem vejo por ahi, é o excesso de ideologismo na poesia. Creo isto ter começado com a poesia confessional. Não vejo problema com expor ideais politicos ou sugeri-los numa obra de arte, mas subjugar à propria arte a elles, digo: usar a arte como mero meio para panfletagem barata..., não sei se me sinto bem lendo isso. Parece-me faltar aquella sinceridade artistica.

Não vou conseguir ver tudo agora, mas vou responder o último parágrafo. Acho que sim, há na literatura uma emergência de assuntos que parecem mais levantar bandeira do que se preocuparem com a técnica. Por exemplo, Hilda Hilst e Amara Moira, duas autoras que li nos últimos dias e que tratam do mesmo assunto. A primeira com certeza ganha em técnica e sofisticação. No entanto, sabemos que a Amara não tem uma casa do sol nem está cercada de arte, mas de piroca (dá pra falar isso aqui?), e pra sobreviver. O que talvez ela (e tantas outras vozes que têm emergido na nossa literatura, que não são das camadas mais privilegiadas) precisam é de leitores e de crítica, que diga o que melhorar. O próprio Machado passou por um processo de amadurecimento. Além disso, essas obras salvaguardam histórias novas que dizem respeito à nossa sociedade.

Dá também pra usar o argumento de que não se sabe a técnica que será considerada a melhor futuramente. Os modernistas certamente chocaram por causa da linguagem simples. Ou ainda podem ser obras que, com uma crítica, sejam aprimoradas e tenhamos grandes nomes entre esses que consideramos hoje voltados apenas para militância. Não dá pra saber. Só nos resta esperar.
 
Não vou conseguir ver tudo agora, mas vou responder o último parágrafo. Acho que sim, há na literatura uma emergência de assuntos que parecem mais levantar bandeira do que se preocuparem com a técnica. Por exemplo, Hilda Hilst e Amara Moira, duas autoras que li nos últimos dias e que tratam do mesmo assunto. A primeira com certeza ganha em técnica e sofisticação. No entanto, sabemos que a Amara não tem uma casa do sol nem está cercada de arte, mas de piroca (dá pra falar isso aqui?), e pra sobreviver. O que talvez ela (e tantas outras vozes que têm emergido na nossa literatura, que não são das camadas mais privilegiadas) precisam é de leitores e de crítica, que diga o que melhorar. O próprio Machado passou por um processo de amadurecimento. Além disso, essas obras salvaguardam histórias novas que dizem respeito à nossa sociedade.

Dá também pra usar o argumento de que não se sabe a técnica que será considerada a melhor futuramente. Os modernistas certamente chocaram por causa da linguagem simples. Ou ainda podem ser obras que, com uma crítica, sejam aprimoradas e tenhamos grandes nomes entre esses que consideramos hoje voltados apenas para militância. Não dá pra saber. Só nos resta esperar.

Você fallou em choque. (Como que eu posso dizer isso?!) Flaubert com Madame Bovary, Monet com o impressionismo, Stravinsky com A Sagração da Primavera; o que ha de commum entre elles todos é que todos elles chocaram a França. E a maior parte das vanguardas do seculo XX, e de tudo o que é dellas herança, paresceu investir demais nisso, no choque. O que eu me pergunto às vezes é se o "choque" não virou como que selo de legitimidade artistica, ou mesmo de imunidade critica. Pergunto-me e temo perguntar, porque não sei se, quando por acaso repudio alguma "atrocidade" contemporanea, estou repudiando um novo Flaubert, um novo Monet, Stravinsky, ou se é tudo uma grande porcaria sim e acabou... Esta ultima conclusão é frequente. Acontece a mesma coisa com o hermetismo: se nelle, você não pode desgostar da arte porque não a entende, na arte que te choca, você não pode fallar mal porque é conservador. O diffcil é distinguir quando a gente o é mesmo e quando é só migué de artista ordinario.
Um ou outro, o meu ceticismo sempre falla mais alto. E ainda que gritasse, bons nomes não me escapam (eu creo e espero); o Glauco Mattoso é um exemplo de alguem que escandaliza ao mesmo tempo que deleita; é um Stravinsky obsceno. Deixo dois sonnettos do Glauco, que é cego e foi quem, alias, me enviou o diccionario guia, por elle mesmo escripto, desta orthographia:

#34 INSOMNE [1999]

Ser cego é como estar numa prisão.
Ficar cego é peor, paresce o susto
de quem foi livre e soffre o golpe injusto,
levado para o hospicio estando são.

O sonho é colorido, pois estão
bem vivas na memoria, a muito custo,
imagens dum recente e ja vetusto
passado de prazer e perversão.

Nenhum ouvido escuta meu appello.
Accordo e lembro em panico que o sonho
foi falso: a realidade é o pesadello.

Só volto a addormescer quando componho
sonnettos sobre o pé. Gozo ao lambel-o
e agora o escuro não é tão medonho.


#17 SADICO (I) [1999]

Legal é ver politico morrendo
de cancer, quer na prostata ou no recto,
e, p'ra que meu prazer seja completo,
tendo um tumor na lingua como addendo.

Si for ministro, então, não me arrependo
de ser-lhe muito mais que um desaffecto,
rogar-lhe morte egual à que um insecto
na mão da molecada vae soffrendo.

Mas o melhor de tudo é o presidente
ser desmoralizado na risada
por quem faz poesia como a gente.

Elle nos fode a cada cannetada,
mas eu, usando só o poder da mente,
espeto-lhe o loló com minha espada!
** Posts duplicados combinados **
Anyway, como hoje li o resto do capitulo que é, resumindo, mais ou menos o que ja disse numa mensagem anterior, deixo aqui um trecho muito interessante (grifos meus):

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Equally important is the point, stressed even by those ancient writers who believed prose to be superior to verse, that rhythmical organization has meaning only with reference to a literary context in which meter is practiced. Meters are specific types of the more general quality of rhythm, and one cannot do much in the way of discussing general rhythmical effects except against the backdrop of the more particular structure of meter. Interestingly enough, Eliot makes this point with reference to free verse when he says that “the ghost of some simple metre should lurk behind the arras in even the ‘freest’ verse: to advance menacingly as we doze, and withdraw as we rouse’’ ( TCC, 187). The problem is that the poet may draw his sword and with the cry of “How now? A rat? Dead for a ducat, dead!’’ make a pass through the arras, and finish off meter once and for all. This is in fact what has happened with much verse since the triumph of the modern revolution. Many poets cease to “withdraw’’ meter. They appear simply to ignore the question of poetic structure entirely.

There is a related development that must be mentioned. When the experimentalists abandoned meter in hopes of emulating qualities of prose fiction, they did so, as we have seen, in response to a particular literary situation. Poetry had fallen on hard times; the novel was flourishing. Maybe the experiment of writing poetry without meter had to be tried. What has since happened, however, is this: many poets, following the modernists’ procedures, yet remote from the context ot the modernists’ revolt, have taken the view that if one tries to work in meter and has trouble expressing what one wants to express, one should as a matter of course turn to tree verse, rather than trying patiently to improve and broaden one’s skills in conventional versification.

An example of this attitude is provided by one of the most influential poets of the second half of this century, Robert Lowell. Though he wrote his early verse in meter, he became dissatisfied with it because, as he says in an interview in the Paris Review in the sixties, “I couldn’t get any experience into tight metrical forms. ... I felt that the meter plastered difficulties and mannerisms on what I was trying to say to such an extent that it terribly hampered me.” This feeling was related to another feeling, namely, that “Prose is in many ways better off than poetry. . . . On the whole prose is less cut off from life than poetry is.” Lowell remarks that he attempted for a time to write in prose but “I found it got awfully tedious working out transitions and putting in things that didn’t seem very important but were necessary to the prose continuity.” Faced with these problems, Lowell moved into free verse and into what he terms “breaking forms.”

One appreciates Lowell’s feeling. At the same time, one cannot help imagining Homer telling the Chios Quarterly, “When I began the Iliad, I had this crazy notion that I would write it in hexameters. Can you believe that? Well, I soon learned that there was no way I was going to fit the passions of Achilles and Hector into those rigid six-feet lines. The only thing to do, I realized, was to break down my forms.” Dionysius says ( 20) of Homer’s composition, “This is the practice of Homer, that surpassing genius, although he has but one metre and few rhythms. Within these limits, nevertheless, he is continually producing new effects and artistic refinements, so that actually to see the incidents taking place would give no advantage over our having them thus described.” One could apply similar tribute to Dante or Shakespeare or Emily Dickinson or almost any excellent poet. We admire them in part because they write distinctively and vitally in meter.

There is a related issue. Lowell may well feel, as he says in his interview, “It’s quite hard to think of a young poet who has the vitality, say, of Salinger or Saul Bellow. Yet, in making this statement, Lowell might have recalled that Salinger’s and Bellow’s fictions move and entertain us partly because Salinger and Bellow were willing to undertake the “awfully tedious working out of transitions and putting in things that didn t seem very important but were necessary to the prose continuity.” An unfortunate aspect of Lowell s attitude is that it entails dispensing with something of great value—poetic meter—without securing in return the discipline of prose fiction. It leaves poetry awkwardly between verse and prose; offering the poet the challenges of neither art, and the reader the appeals of neither. And thisis not the end that Ford, Pound, and Eliot had in mind when they initially insisted that poetry should become more like the novel.

Urging that Wordsworth’s emphasis on “real language” required qualification, Coleridge observed in the eighteenth chapter of his Biographia Literaria that it is one thing for a poet to employ words drawn from common language. It is another matter to suggest that poets should write in the haphazard manner that people use in conversation. One might make a comparable observation about the modernists’ interest in prose fiction. It is one thing to say that poets should, if they wish, try to incorporate features of the novel into verse. It is another matter to say that, to do this, they should write in the loose rhythms of prose.'

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Este ultimo paragrapho, em especial, diz muito sobre o que fallava do linguajar commum ter sido levado ao extremo do incomprehensivel.
 
Li ontem um textinho sobre o tema do verso livre e aproveito para deixar aqui: Indagações sobre o verso livre, de Carlos Felipe Moisés.

Obrigado :3
O texto é mesmo bom, mas tenho minhas criticas, que, não fosse o livro do Steele, as não teria:

À primeira indagação, "o que é verso livre?", eu responderia: prosa em verso. Para mim, ainda mais baseado no que aqui ja postei, comparada a uma negativa, é perfeita a descripção. A razão, no entanto, pela qual nunca chamaram nem nunca chamariam dessa forma não é senão uma: sendo prosa, não seria poesia..., embora tenhamos por ahi a prosa poetica, que define a prosa escripta de maneira poetica ou, eu diria, lyrica (isso muito porque "poetico" se confunde com "lyrico"). O caso é que a palavra "poesia" carrega um status, um certo prestigio, que não poderia ser rejeitado pelos modernistas. Isso fica claro na contradição do Eliot que propõe a abolição do metro ao mesmo tempo que diz: não ha o que não possa ser escandido - não ha verso livre...
Pra defender meu poncto, é preciso, no entanto, distinguir prosa de poesia a partir da regularidade metrica basica, uma vez que, como nota o Eliot, tudo pode ser escandido, tudo tem metrica. Poesia aqui tambem não pode ser definido como puro lyrismo (erro que, baseado em interpretações erroneas de Aristoteles e Quintiliano, os renascentistas cometeram): poesia é o que apresenta, NO MINIMO, regularidade metrica; prosa o que não a apresenta. A esta altura ja estamos pensando como os antigos. Verso, por sua vez, não importa aqui lhe definir; explico: leia isto: Querida, ao pé do leito derradeiro, em que descansas desta longa vida, aqui venho e virei pobre querida, trazer-te o coração de companheiro. A quem tenha um bom ouvido, e talvez mesmo, por causa da rhyma, a quem não o tenha, nunca jamais que estes quatro versos do Machado serão confundidos com prosa. Por quê? Porque apresentam regularidade metrica, tem pés iambicos, ba-tum, ba-tum. Veja que verso é só um recurso visual: o que importa, no fim das comptas, é como o treco soa, é a musica verbal. Um verso livre, por outro lado, pode ser de certo confundido com prosa ou com prosa lyrica, porque não apresenta regularidade metrica, porque é prosa: quebral-a em pedacinhos menores, e espalhal-os sobre uma pagina em branco, não lhe confere o direito de ser poesia (aqui bem definido).

A birra dos versilibristas é justo baseado na interpretação renascentista de "poesia". Si mudarmos o conceito de "o que tem regularidade metrica" para "o que é lyrico" (ou como podem dizer: para o que "expressa as emoções de forma bella, ou o que possui rhythmo, ou o que deleita, o que choca, o que nos causa emoção, blablablabla, e todas as definições mais incertas e imprecisas no mundo hehe"), ahi sim podemos chamar o verso livre, que apresente qualidades lyricas, de poesia. O problema é que, si assim o for, qualquer trecho de um romance que apresente este mesmo lyrismo, como o começo de Lolita (Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma... et cetera), pode ser chamado de poesia?!

O facto de associar-se "poesia" a "lyrismo" (lembrando sempre que "lyrismo" é meio que um termo frouxo para definir) começa na renascença, mas remanesce no nosso palavreado diario. Quantas vezes ja não usamos o adjectivo "poetico" para nos referirmos a coisas que não são poesia?! Em ingles, dizemos "poetical" para o que tem qualidade metaphorica de poesia (e como poesia é associada a lyrismo, à lyrica), e "poetic" para o que é technicamente "poesia".

Claro que tractar de definições é complicado, porque definição, por definição, é um acordo entre as partes que a utilizam. Pode ser que incorro, sim, em fallacia, como a da auctoridade, em julgar a definição de Aristoteles e dos documentos mais antigos como correcta. Faço-o, no entanto, porque foram essas mesmas auctoridades que o verso livre invocou para se justificar; o caso é que a justificação parte de uma interpretação errada...

Portanto, si se aceitam minhas premissas...
- Poesia é o que apresenta, no minimo, regularidade metrica, e prosa o que não a apresenta.
- O Verso é recurso visual irrelevante para a questão da regularidade

..., Verso Livre é prosa em verso. É prosa organizada na pagina de maneira differente da que é nos romances por ex, independente de suas qualidades lyricas, imageticas, sonoras, etc, da mesma maneira que a poesia (em que ha regularidade metrica), organizada de maneira diferente numa pagina, não perde sua regularidade.

De modo algum, no entanto, pode-se dizer poesia aquillo que apresenta APENAS regularidade metrica. E a isto se atentara Aristoteles. Embora, diz elle, a metrica seja o recurso sem o qual algo não se pode dizer poesia, não é o que por si só o define. É uma condição que necessita de complementaridades. Para Aristoteles, esta complementaridade é "imitação", ou "ficção" (no contexto em que poesia era accyma de tudo associada a narrativas). Criticando os caras que escreviam sobre, sei la, medicina, astrologia, e philosophia em verso, e por isso se diziam poetas, Aristoteles defende que para ser poeta não basta metrica: é preciso contar uma estoria. A interpretação errada dos renascentistas se dá quando tomam essa passagem para justificar uma cisão entre metrica e estoria; para elles, basta a historia, ou o conteudo considerado poetico na sua respectiva era: ora, o lyrismo. Quem escreve em metrica seria "versificador"; e quem escreve lyricamente, poeta. Dahi que poderiamos ser poeta e escrever poesia sem metrica, mesmo em prosa.

A logica modernista é trocada. Como a metrica não seria condição de definição para a poesia, para aproximarmos a poesia da prosa (como queriam os modernistas), basta abolir o metro e conservar as characteristicas lyricas, etc.
 
Última edição:
Andei relembrando os versos do Pessoa, e me deparei com isso, do Alberto Caeiro:


XXVIII.
Li hoje quase duas páginas


Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.


Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.


Mas as flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes.


E preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
É que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.


Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.


O Caeiro, que ao mesmo tempo é Pessoa, debocha dos "poetas mysticos", que provavelmente são os symbolistas (?), não sei.. E no fim, como um restinho de critica, diz "Por mim, escrevo a prosa dos meus versos", o que se harmoniza por completo com meu ultimo commentario. Não sei de nenhum ensaio ou artigo ou papel velho do Pessoa sobre que seja verso livre, mas, não querendo achar coisa onde não tem, creo ser este trecho a voz do Pessoa justificada na frouxidão esthetica do Caeiro, que diz o que ninguem diria.
 

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